sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

GUEST POST: JE NE SUIS PAS CHARLIE

Capa vira cartaz em vigília em Paris: "O amor é mais forte que o ódio"

O terrível massacre ao semanário satírico Charlie Hebdo, em Paris, que matou doze pessoas e feriu várias outras (algumas ainda em estado crítico) continua repercutindo.
Eu não conhecia a publicação, que era considerada de extrema esquerda. No meio do apoio de milhões que estão dizendo "Je suis Charlie" (eu sou Charlie), apareceram pessoas pra dizer: peralá, a revista publicava muita coisa xenofóbica, racista, homofóbica e machista! Como se dizer "Charlie" diante de alguns cartuns?
Acho que se posicionar contra o ataque é primordial. Por piores que sejam algumas piadas, eu não defendo que alguém seja assassinado por causa delas. Isso é ponto pacífico. Mas também é preciso entender que não são apenas bombas e tiros que promovem o ódio. Palavras também servem pra isso. Piadas não são "só uma piada", são um discurso. Discurso que pode levar à ação.
Criticar o tipo de humor que a Charlie fazia não equivale a apoiar o ataque terrorista. Por exemplo, o Pasquim, aqui no Brasil, foi uma publicação importantíssima no combate à ditadura militar. Mas é preciso reconhecer também que aquela equipe talentosa, feita toda de homens brancos, era estupidamente machista. Se o Pasquim tivesse sido, na época, alvo de um atentado cometido por gente do comando de caça aos comunistas, ou pela própria polícia estatal, qualquer pessoa minimamente sensata seria contra o ataque. Mas ter sido atacado não colocaria o Pasquim acima de críticas.
Só que a condenação ao ataque tem que vir em primeiro lugar.
A islamofobia da direita mais ignorante
É também preciso cuidado para não generalizar e não ver o massacre, causado por alguns islâmicos extremistas, como representativo de toda uma religião. Até porque a islamofobia é o maior combustível da extrema direita na Europa (e, acredite, só reaças querem a direita de volta). 
Não tenho admiração alguma pelo islã ou por qualquer outra religião. Respeito quem segue religiões individualmente, mas como um conjunto, como uma ideologia, acredito que muitas religiões geram intolerância e causam mais mal do que bem. Causam atraso mesmo. Exijo viver num estado laico (e vale dizer que estamos bem longe disso aqui no Brasil).
Reproduzo aqui o texto que a historiadora Natália Van den Eynde, que vive na Bélgica desde 2011, publicou no seu blog hoje. A Valéria também escreveu um post muito bom. Este é o da Natália:

A primeira reação de qualquer pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade diante de tamanha barbaridade é aderir à causa "Je suis Charlie", li algumas dezenas de vezes na minha timeline ontem. Quase foi a minha reação também. 
Confesso que não conhecia a revista Charlie Hebdo, não conhecia a fundo a história, mas quando vi que se tratava de uma revista de extrema esquerda sendo atacada (literalmente) por charges contra o islã, preferi digerir um pouco antes de opinar. Havia uma questão de valores aí que para mim não batia.
A revista foi criada no final da década de 60, um contexto totalmente diferente de hoje. Quero deixar claro que acredito muito na arte como forma de protesto, mas me parece que a revista acabou tomado outro rumo nos últimos tempos. Foram alfinetadas ácidas que para mim causaram mais efeito colateral do que instigaram o pensamento e a discussão. Separei algumas das capas que achei mais indigestas.
Eu nunca tive muito saco pra piada e com o passar dos anos foi piorando. Não sou consumidora de humor, não gosto de comédia, não contem piada pra mim, por favor! Gosto de humor bem pastelão ou situações engraçadas onde se ri com e não de. Odiaria ver uma piada racista, sexista ou gordofóbica estampada na capa de uma revista. Essas são as categorias que mais me ofendem, pessoalmente falando. 
Charge da Charlie Hebdo
Mas a empatia me faz entender a ofensa sofrida por um homossexual, muçulmano, católico, umbandista... Desculpe, não consigo entender como algumas dessas charges incitam discussão política. Eu só vejo ofensa e acho que ofender pessoas não deveria ser direito de ninguém. Ok, uma caneta não mata ninguém, concordo. Chamar um negro de macaco também não mata -- tá liberado por isso?
Mesmo no calor dos acontecimentos, acho que vale uma análise mais cuidadosa. Liberdade de expressão não pode ser desculpa para desrespeito, essa sempre foi minha opinião e não vai mudar. Se a revista questionava a ordem em vigor, vai bater nos muçulmanos por quê? Que força política eles representam na França? Veja bem, não estou falando do terrorismo, estou falando de representação política, poder de verdade, no papel. As mulheres sequer têm direito de usar burka em público (não vou entrar nessa discussão aqui, entendo os motivos que levaram a proibir a burka na França, mas ainda acho que fere o direito de decidir sobre o próprio corpo). 
Quem mora na Europa e tem o mínimo de senso crítico (não estou falando dos que acham que porque moram aqui há três anos, falam o idioma e não são muçulmanos/árabes já receberam o selo europeu de qualidade) sabe o caldeirão étnico prestes a entornar que é isso aqui. Liberdade de expressão pode soar bonito, mas há que se ter discernimento para entender que os tempos mudaram e insistir nesse anacronismo pode ser perigoso, como foi.
Acho que amadureci, ou talvez só tenha ficado careta. Cheguei aos 30, me casei, tenho um emprego trivial, adoro cozinhar. Aprendi a falar menos e escutar mais, acho que foi uma evolução forçada pelo idioma estrangeiro, ossos do ofício. E penso em ser mãe num futuro próximo, por isso "Je ne sui pas Charlie". 
"Não temos mais putas.
Graças a Deus ainda temos
Miss França"
Por mais que digam o contrário, acho que isso seria endossar a ¨liberdade de expressão¨ distorcida que discordo e isso eu não posso fazer. Adoraria que meus filhos pudessem viver num mundo onde não se cala a voz discordante com tiro de fuzil, mas também que pessoas não sejam humilhadas gratuitamente em prol do humor ou de uma liberdade que definitivamente não contempla a todos. 
Gostaria de um mundo com mais amor e respeito em todos os quesitos, onde as pessoas gastassem menos energia com coisas que além de não gerar bons frutos, correm o risco de se tornarem belos tiros saindo pela culatra. 
O semanário não ia querer
a volta da direita na Europa
Torço muito para que os culpados sejam punidos. O que aconteceu é inadmissível. Mas se pensarmos com um pouco mais de frieza, o que fica dessa história? Na minha opinião, duas coisas: a dor da perda de entes queridos às famílias e (veja bem a ironia do destino porque se trata de uma revista que se posiciona como esquerda radical) um desserviço enorme já que a direita ultra conservadora vai, mais uma vez, usar essa carta para insuflar xenofobia num cenário que já não está favorável há muito. Valeu a pena?

171 comentários:

Mallagueta Pepper disse...

Não gosto de islamismo, como tb não gosto de nenhuma religião. Povo fala em islamização da Europa e confesso que dá medo porque caso seja verdade, isso pode destruir a cultura local.

Acho que quem quer viver sob a sharia islamica deveria ficar nos países muçulmanos teocráticos, não querer ir morar em outros países com cultura e leis diferentes. Mas não. Eles vão pra outros países e acham que a cultura e leis locais tem que mudar pra atendê-los, mas por acaso nós vemos a mesma coisa acontecer em países muçulmanos? Alguém aí já viu acontecer? Alguém? Oi? (som de grilos cantando)

Esse discurso de "o ataque foi errado, mas a revista fez isso e aquilo" pra mim soa como "sou contra o estupro, mas tem mulher que provoca usando minissaia, saindo de noite, bebendo, etc". O raciocínio a meu ver é o mesmo, já que muita gente vê como errado uma mulher fazer essas coisas.

TB sou contra usar liberdade de expressão pra desrespeitar, humilhar e destruir a dignidade das outras pessoas. Tem que ter limite, senão vira casa de mãe Joana onde todo mundo insulta todo mundo e depois diz na maior cara lavada que foi só liberdade de expressão. Mas matar por causa disso? Nem se fosse o Gentili ou o Rafinha Bastos.

Anônimo disse...

Acham que islâmicos são bundas moles como cristãos? Rsrsrs, porque acham que feministas não mexem com eles?
Que entende um pouco sobre historia recente do oriente médio, sabe o que o Aiatolá Komehime fez com os esquerdistas que ajudaram na revolução iraniana de 1979, firam todos enforcados depois.
Hoje na Europa a mulher ocidental, femunista , resolveu que não quer ter mais filhos, media de 1,5 filho por mulher.
Já a mulher islâmica européia, tem em media 4. Façam as contas? Em maus ou menos duas gerações..

D Stoffel disse...

Aquelas charges sexistas nojentas, eu não dava um centavo pra esse jornal, não é só pq morreram que vou ter que concordar com a merda que faziam. Sobre os intolerantes já está preocupante estão cada vez sendo mais recrutados pra uma guerra que na verdade não é em nome de nada.

D Stoffel disse...

off topic
Todo mundo ficou mangando da reporter hoje camila alguma coisa
pq ela tava com medo coitada.
foi tenso

Anônimo disse...

Pelo que eu fiquei sabendo, essa charge que retrata a ministra francesa como um macaco não foi publicada na Charlie Hebdo, mas em outra revista chamada "Minute". Até onde vi, a revista não publicava nada com teor racista.

Natália Van den Eynde disse...

Obrigada pelo privilégio Lola, você é mesmo uma linda! Grande abraço!

Bruxinha disse...

Muito bem! Resumiu o que penso. Lógico que o extremismo islâmico não se justifica quando apela pra violência desmedida, mas essa confusão de humor e liberdade de expressão também passou dos limites.

nadiaschenker disse...

Eu estava esperando a Lola publicar algo sobre o tema. Como sempre, ponderada, publicando um ponto de vista crítico em relação ao ocorrido terrivelmente infeliz.

Anônimo disse...

Post excelente! Disse de forma bem clara e didática (tanto nas falas da lola quanto da autora convidada) o que eu andava pensando sobre os atentados e o teor da revista.

Raven Deschain disse...

Haha adorei seu trecho sobre humor. Tb sou assim e sempre me senti um et pq não gostava de american pie como a maioria dos meus amigos.

No todo, concordo muito contigo. Tb não conhecia a publicação, mas depois que vi algumas capas tinha tido a mesma impressão.

Anônimo disse...

Lola, contém um erro nas imagens utilizadas para ilustrar o post. A comparação racista não foi feita pela Charlie Hebdo, mas sim pela Minute. http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/revista-francesa-e-condenada-por-comparar-ministra-a-macaco,93589048aa169410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

Esta é mais uma das muitas desinformações espalhadas na internet sobre o ataque realizado.

Anônimo disse...

Sinceramente, acho que falar em islamização da Europa é como falar que a Dilma vai implantar uma ditadura comunista no Brasil ou que vivemos numa ditadura gayzista.
Acho que as discussões sobre o ataque e as criticas a revista têm que ser separadas, mas acho valido criticar a revista.

Anônimo disse...

Destruir a cultura local, pelamor. Você sabe pq tantos muçulmanos estão na França? tem algo a ver com a colonização na África? será que os franceses se preocuparam em não destruir as culturas locais?

Anônimo disse...

A comparação com culpar a mulher por usar minissaia é f... Pq mulher pode usar minissaia. Comparar minissaia com discurso de ódio é, putz. Ou não, só é discurso de ódio quando eu não concordo?

Anônimo disse...

Me lembrei daquele episódio,e de muitos outros,de alunos que levaram armas para as escolas e e dão cabo de todos aqueles que praticavam bullyings cruéis contra eles...para mim é amesma coisa.O homem branco,naqueles moldes que tantam falam aqui,tem "liberdade de expressão";quem ele ofende ,não.Imagine se nós tivéssimos metralhado o Rafael Bastos e o Marcelo Tas.

Não vi nenhuma discussão sobre o anti-islamismo nas grandes mídias internacionais,só vi comunidades árabes apavoradas se apressarem a dizer que eram contra o ataque.Os caras viraram mártires,o humor ofensivo segue intacto....e o que mais me revoltou: viraram representante/portavozes de TODOS OS CARTUNISTAS DA TERRA.

Será que ninguém mais nessa "culta" Europa tem capacidade de perseber algo como causa e efeito? Terrorismo não existe á toa,seja o motivo que for.Ninguém colocou as torres do WWC abaixo simplesmente para "tirar onda".mas sempre vence a idéia que é coisa de gente malucae radical.Alguém sacou aí alguma semelhança? Não é isso que nós mulheres escutamos sempre? Não é por esse mesmo motivo que os homens,por mais cruéis que sejam,devem ser amados por nós? odiar homem é mais grave que cometer um estupro.

E assim segue nosso ilustro Ocidente democrático...

Paula disse...

35% dos muçulmanos na França disseram concordar (em diferentes níveis) com violência contra alvos civis para defender o islamismo.
No Egito 55%, Jordânia 57% e Nigéria 72%.
Isso que essa pequisa Pew de 2007 e não incluiu os países muçulmanos como Irã e Síria.

Na Inglaterra 40% dos dos muçulmanos preferiam viver sob a Sharia ao invés da lei britânica. Um terço dos jovens acreditavam que aqueles que se convertessem a outra religião deveriam ser executados.

Por isso, não, NÃO É UM FATO ISOLADO! Existem 1,6 bilhões de muçulmanos no mundo, se 1/3 deles acha que a sociedade ocidental deve ser revista por vias violentas É MUITO PREOCUPANTE. Não é só questão de ação, mas também de compactuação.

Todas as religiões aceitam pacificamente a "profanação". Podem não gostar, pode reclamar, pode processar, etc. Mas NENHUMA outra religião comete atentados por estes motivos.
Concordo 100% com a Mallagueta: querem viver sob a Sharia e misturar estado, direito e religião, que vivam nos países islâmicos. Só não venha encher o saco do nosso lado pós-iluminista do mundo.

A tal islamofobia na Europa, que é quase tão perigosa quanto a misandria, deveria ser combatida pelos próprios muçulmanos. Eles que indiquem que não concordam com o que seus correligionários tem feito, que se levantem e se juntem ao ocidente, cujos preceitos dizem que religião deveria mandar nada.
Ver qualquer fundo de legitimidade na postura dessas pessoas é legitimar também Marcos Felicianos e Silas Malafaias por aí.

Ah, e com certeza ninguém aqui acha que Buñuel, Nietzsche, os Simpsons, South Park, etc., propaga discurso de ódio contra o cristianismo né? Ou acha?

Paula disse...

Em tempo: não vejo a esquerda tão engajada em campanhas do tipo "Nem todos os evangélicos são assim".
Sou atéia.

Anônimo disse...

"A tal islamofobia na Europa, que é quase tão perigosa quanto a misandria,"

que infeliz comparação,hein amiga? qual é a causa da suposta misandria? è uma coisa "fashion" que mulheres adoram fazer por aí? Ou é a nossa reação natural á uma sociedade que vem nos massacrando a séculos? ou será que temos que sorrir e continuar agradando e servindo uns caras que só riem de nós e nos vêem como bundas e peitos?

É a mesma situação: homens não querem ser odiados,mas fazem por onde? Se questionam sobre suas atitudes em relação á nós mulheres? Realmente,temos muitos incentivos a amar os homens,em especial aqueles que adoram piadinhas de estupro e debocham quando exigimos o mínimo de direitos humanos...

E já vi que vc é uma daquelas que adoram defender essa tal de "liberdade de expressão" torta..então,querida,quando ouvir piadinhas de feministas,Dê gargalhadas ao invés de reclamar,está ok? E ta,bém não utilize aquele papo de "cultura de estupro" pois ofende muitos machinhos por aí que estão pouco sifu para nossa causa...

D Stoffel disse...

Não sei isso de mulher ocidental ter menos filhos existe muito infanticídio em países ocidentais lá o aborto é legalizado, já que pode se observar que em alguns países orientais tem muitos + homens q mulheres o que não é normal em outros países. Elas matam mulheres pois mulher não tem valor algum na sociedade ocidental.

Anônimo disse...

não gosto de religiões fundamentalistas um país que tem seu regime por uma religião que foi feita na idade da pedra não pode ser levado a serio!!

D Stoffel disse...

Rsrsrs, porque acham que feministas não mexem com eles? falou o cara que tem medo de alistamento obrigatório
quem disse que não se mete mas é mt dificil ate as mulheres lá acham o islã correto. Outras entendem que vivem sem direito algum.

Aline Nunes disse...

Querida, o ETA é católico, o IRA também.

Patty Kirsche disse...

Olha, a pior charge que vi nas capas desse jornal foi esta: https://twitter.com/cjwerleman/status/553253063880753152/photo/1

Eu fiquei profundamente enojada, porque não é nem um pouco engraçado ridicularizar meninas em condição de escravas sexuais. Eu acho inaceitável classificar como de extrema esquerda um jornal racista e misógino, sem contar o resto dos preconceitos.

A esquerda está ligada à defesa dos direitos de minorias, o que o Charlie fazia não era isso. Ele promovia discurso de ódio. Nada contra questionar religião, mas não era um questionamento o que acontecia ali. A "crítica" ao islã servia como desculpa para agressões a mulheres, árabes, negros, etc.

De forma alguma justifico a tragédia, mas não vou sacralizar o jornal por causa disso. O Pablo Villaça reclamou das críticas ao jornal aparecerem agora. Mas gente, eu nunca tinha ouvido falar do jornal até agora, perdão pela ignorância. Então sinto muito pelo atentado terrorista, mas o conteúdo do periódico não ficou bom de uma hora pra outra por causa disso.

Karina disse...

Culpabilização da vítima? "Se eles não tivessem desenhado coisas que os radicais islâmicos não gostam, eles não teriam sido executados!"

Alguém além de mim já ouviu este discurso antes?

Paula disse...

Anônima das 20:32, eu quis dizer justamente que a misandria não é perigosa.

E se eu quiser reclamar de uma piada eu reclamo, sim. Se eu quiser falar sobre cultura de estupro eu falo, sim. Defender liberdade não é o mesmo que concordar com a expressão dos outros, muito menos cercear minha própria expressão por conta dos outros.
É simplesmente não achar que eu dou a medida do que os outros podem ou não dizer.

Anônimo disse...

Quem acha que a islamofobia existe na Europa pq os europeus têm medo que sua cultura seja destruída não sabe da missa a metade.
A islamofobia existe sim pq mts europeus são xenófobos e intolerantes.
Muçulmanos migraram pra lá pq a Europa(e EUA tb) destruiu as regiões onde esse povo vivia seja com as colônias, seja com as enormes reservas de petróleo e seja com a guerra fria.
A Europa nunca gostou de gente advindo de suas ex-colônias(o Brasil entra nessa roda tb, pois em Portugal por exemplo, há uma certa exclusão de brasileiros que são filhos e netos de portuguêses).
Sempre teve dificuldade de aceitar gente de outras partes do globo e inclusive eles mesmos. Qts brigas territoriais e nacionalismos exacerbados existem por lá?

Paula disse...

Querida, o ETA (que nem tem identificação religiosa) e o IRA são grupos separatistas políticos, eles não agem para defender a própria religião. Boa tentativa.

Maiê F. Rezende disse...

Patty

Pelo que entendi essa capa é a mistura de duas notícias. Neste link há uma discussão sobre o assunto. http://www.quora.com/What-was-the-context-of-Charlie-Hebdos-cartoon-depicting-Boko-Haram-sex-slaves-as-welfare-queens

Gle disse...

Sabe, pra mim o negócio já foi pro Brejo quando li que esse jornal é de "extrema esquerda". Sinceramente cheguei a conclusão que extremo nenhum é bom. E o que foi feito contra eles, não tem religiosidade nenhum. Como assim matar pela religião? Só acredito em religiões que preguem o amor, a paz. Afinal,.religião não é pra ser uma coisa boa?
Sou espirita e achei lindo em uma das palestras que assisti, um médium dizendo "nós não devemos ir contra nenhum religião, pq isso não levará a nada e ela não deixará de existir." E é isso. Tem que respeitar a opinião alheia. Eu defendo as minhas! Esse é um dos motivos do #porqueeunãomecalo, certo? ;-) rsrs.
Nada justifica esse massacre. Talvez daqui uns dias entendamos, mas me recuso a acreditar que exista um "deus" ai.

Enfim, adorei o texto da moça e concordo com ela.

Beijo!

Anônimo disse...

é mais urgente desenvolver e argumentar contra o trabalho do Charlie Hebdo que não matou ninguém do que contra o massacre

Julia disse...

A proibição da burqa não fere o direito de decidir sobre o próprio corpo. Muito pelo contrário. A burqa é que fere esse direito e sabemos muito bem que burqa não foi invenção de mulher nenhuma.

As francesas não devem ser obrigadas a conviver com esse símbolo de misoginia esfregado nas suas caras.

Julia disse...

Anon 20:32, a pessoa estava querendo dizer que nem a misandria nem a islamofobia são graves. Foi sarcasmo.

De resto concordo com seu comentário.

Anônimo disse...

"A esquerda está ligada à defesa dos direitos de minorias"
-
Com todo respeito Patty, eu lhe recomendaria livros de historia( mas historia mesmo, não panfleto fefelech)
Mas precisamente sobre a historia recente de Cuba, Coréia do Norte, URSS, China, Camboja e dezenas de nações centro africanas.

Anônimo disse...

Concordo com a Julia. A burca é sinonimo de opressão e tem de ser combatida

Anônimo disse...

olha, eu ainda não sei direito o que pensar sobre europeu achando ruim a onda de muçulmanos em seus países.

Por um lado, é verdade que a Europa e os EUA são os grandes responsáveis por essa onda migratória, uma vez que, diretamente ou indiretamente, contribuíram pra a destruição das economias dos países de onde vêm essas pessoas e a qualidade de vida.

Mas por outro lado, acho muito raso, simplista e quase imaturo dizer "os europeus destruíram os países dos muçulmanos e não se preocuparam com a invasão das colônias, então têm mais é que ficar calados". Se a gente jogasse só os políticos na roda, eu até ficava calada, mas nós estamos falando de pessoas, não dá pra querer julgar uma pessoa que tá vendo a cada dia mais muçulmanos do que "nativos", como é o caso da Holanda. E é verdade a questão de que as europeias têm em media de 1 a 2 filhos e as muçulmanas têm entre 3 e 5 filhos.
Outra coisa a se ponderar são esses dados que falam sobre os jovens muçulmanos do reino unido que prefeririam viver sob a sharia do que sob a lei britânica e inclusive concordam que o uso de alguma "força" para converter os demais não seria de todo ruim.

Então, apesar de ser contra islamofobia e xenofobia e preconceito de todo e qualquer jeito, não acho que a reclamação dos europeus com os muçulmanos deva ser vista como simplesmente como "nossa, que reaças. privilegiados, classe média sofre". Não, gente, acho que o assunto é mais delicado.

Anônimo disse...

Condenar um massacre bárbaro e covarde passa longe de uma discussão a respeito do mérito e qualidade das publicações que o incitaram. Trazer à tona esse tipo de observação nesse momento é uma idiotice e uma falta de sensibilidade digna de um ogro do pântano. Vergonha alheia.

Anônimo disse...

Eles nao foram para lá... simplesmente . Depois do neocolonialismo houve recrutamento de mao de obra arabe na europa .

Ana L. O disse...

Acho que é preciso ver o contexto das charges de Charlie contra o terrorismo islâmico. Porque nao é verdade que a revista fosse racista ou islamofóbica, ao contrário. lutava contra o racismo francês e a Frente Nacional. As charges nao eram contra muçulmanos, eram contra o fundamentalismo. E começaram quando um aiatolá fez uma conclamaçao para que fiéis matassem aquele escritor que escreveu "Versos Satânicos". Aí eles passaram a desafiar as "proibiçoes" fundamentalistas, a representar Maomé, etc.
Nao se trata do mesmo tipo de humor de Gentilis e quetais, aliás o Diário do Centro do Mundo tem um texto muito bom sobre essa comparaçao, ver o link http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-diferenca-entre-o-politicamente-incorreto-do-charlie-hebdo-e-o-politicamente-incorreto-de-gentili-e-derivados/.

Valéria Fernandes disse...

Lola, seria bom retirar do texto a charge racista que não é do Charlie Hebdo. Discordo de muita coisa escrita no texto, mas isso é diferença de opinião, agora, deixar uma charge que não pertence ao semanário no texto só ajuda a semear desinformação e ajuda a demonizar as vítimas. #JeSuisCharlie não por concordar integralmente com eles, mas por solidariedade às vítimas do teror e por temer o avanço dos fundamentalismos.

Anônimo disse...

A charge racista não foi publicada na Charlie Hebdo, mas foi desenhada por um dos seus cartunistas, que foi morto no ataque.

Anônimo disse...

Não existe justificativa para o que aconteceu.

Tanto o periódico quanto os chargistas poderiam ter sido questionados por n coisas diferentes: racismo, machismo, xenofobia, quais os limites do humor, o que é ético fazer, o que não é, o aceitável, o inaceitável, responder perante a Justiça francesa, tudo isso e mais. Agora nunca, nunca mesmo morrerem por um desenho.

Todo mundo caiu matando no Rafinha Bastos quando ele contou aquela MERDA de piada de estupro né? Excelente, liberdade de expressão é assim, vale para os dois lados: um fala o que quer e o outro responde como quer também. Agora isso teria sido motivo pra levar um tiro na cara?

A desproporcionalidade da situação fala por si só.

Lizi Edler disse...

Oi Lola! Adorei o post! Acho que a reflexão mais importante agora é a respeito da paz, e o que faremos para que ela, realmente, torne-se uma realidade acima dos interesses de quem mantém determinados privilégios, e segrega certas culturas.

Também escrevi sobre o assunto, se quiser ler, está aqui:

http://licencaparaoimperfeito.blogspot.com.br/2015/01/charlie-hebdo-e-um-conto-sobre-paz.html

Beijão!

nadiaschenker disse...

Eu não sou o Charlie. A chacota com questões tão importantes para um povo nunca foi e nunca será um meio eficiente ou legítimo para o questionamento. Só criou ódio e serviu, agora, aos "fundamentalistas dos valores ocidentais", dando-lhes lhes um gás que não tinham. Não tem absolutamente nada a ver com culpabilização de vítima, pessoal, pelamordedeus, que interpretação rasa... Ninguém está JUSTIFICANDO o ataque. O que se discute aqui é a questão posta guela abaixo de todos nós pela mídia (e até pela Apple), de que "somos todos o Charlie". Uma proposta de encarar os fatos noticiados sob um viés mais crítico. E, assim, ninguém consegue me convencer de que o caminho trilhado pelo Charlie para fazer sua crítica era adequado. Eu não sou Você, Charlie.

Anônimo disse...

Fundamentalismo religioso isso sim é o que acontece no oriente médio, porém são poucos os que tem esta postura, mas estes são bem armados, violentos e sem respeito humano algum, porque acha haver tanta imigração para a Europa de paquistaneses, sírios, libaneses, iranianos, inclusive eu assisti a muitos filmes do oriente médio como "O círculo", "Gosto de cereja", "Tempo para embebedar cavalos", "Ninguém sabe dos gatos persas", entre outros que são proibidos em seus países de origem, por isso muitos argelinos, sírios, libaneses, iranianos ligados a arte, cinema mudam para a Inglaterra, França.

Natália Van den Eynde disse...

É isso mesmo, o assunto é mto delicado, nao é papo classe media sofre, de jeito algum. Mtas pessoas se aproveitam da situaçao em prol da diferença cultural, eu ja fui assediada na rua por um grupo de marroquinos e sei bem o motivo. Esses devem ser punidos, se estao aqui, concordo que devam seguir as leis daqui. So nao entendo como uma charge de maome de quatro com uma estrela na bunda vai ajudar nesse processo.

Natália Van den Eynde disse...

Não acho que seja falta de respeito pensarmos por esse lado tb, acho fundamental discutir isso junto para evitar que esse tipo de coisa se repita. Nao acho nem q a revista deveria ser proibida, meu pensamento é mais pelo lado individual, tipo, o que leva alguem a achar que isso é normal e praticavel num ambiente de tamanha instabilidade como vivemos na europa hj? Como disse, acho q estou num outro momento da minha vida, quero mais compreensao e menos agressao desnecessaria. Os culpados foram punidos mas os mortos nao vao voltar e a xenofobia vai crescer, isso é um fato. Acho que foram dois passos pra tras. Muita coisa tem que mudar, passo horas diacutindo isso com meu marido e tb entendo a posiçao dele enquanto europeu, como ja foi dito acima, nao é so mimimi classe media, é um problema real. Ha bairros em Bruxelas onde praticamente so se fala arabe, onde outras etnias nao sao bem vindas. Mas isso acontece pq essas pessoas tb sao excluidas, segregaçao gera segregaçao e eles sao tao belgas qnto meu marido loiro de olhos azuis. Os dois lados estao errados e vão ter q aprender a ceder e a se respeitar, nao tem outro caminho, td a minha opiniao pode ser resumida a isso.

Denise Marinho disse...

Conhecia a revista e não gostava, por isso não a leio.
Sou a favor da liberdade irrestrita de expressão pq o cerceamento dela me parece pior. O que não vale é matar, acho esse o limite. Cada um fala o que quer e ouve oq nao quer, ué! Vida que segue!
Conheço algumas famílias muçulmanas e não consigo acreditar q td muçulmano é um homem bomba em potencial.

Ta-chan disse...

"Mas não. Eles vão pra outros países e acham que a cultura e leis locais tem que mudar pra atendê-los, mas por acaso nós vemos a mesma coisa acontecer em países muçulmanos? Alguém aí já viu acontecer? Alguém? Oi? (som de grilos cantando)"
Falando assim parece que eles acordam de manhã e dizem "Que dia bonito!Acho que hoje vou pra imigrar e destruir a cultura de outro pais!"A imigração principalmente, de árabes e africanos acontece por motivos econômicos.A maioria se tivesse o minimo de dignidade em seus países ficariam por lá mesmo, mas adivinha o motivo desses países não terem condição de proporcionar vida digna pra esse povo?Colonização seguida de exploração de mão de obra barata.Mas concordo sim, que se vc imigra ou mesmo emigra, tem que se adaptar a cultura do lugar que te recebeu.

"Todas as religiões aceitam pacificamente a "profanação"."
De onde vc tirou isso?Judeus quando ofendidos vão a justiça e censuram qq critica com o rotulo de antissemitismo e eles conseguem isso através de poder econômico e social, não por estarem sempre certos.
"Podem não gostar, pode reclamar, pode processar, etc. Mas NENHUMA outra religião comete atentados por estes motivos."
Várias entidades muçulmanas foram a justiça processar o Charlie Hebdo na época da republicação da primeira charge e perderam.E não podemos nos esquecer de Anders Behring Breivik, católico fervoroso que matou 76 pessoas, e do IRA que antes de ser separatista era essencialmente extremista religioso.

Sim foi um ato bárbaro o ataque a Charlie Hebdo, mas não vai ser devolvendo ignorância é que vamos resolver o problema.O melhor texto que vi até o momento foi esse divulgado pelo Leonardo Boff:
https://leonardoboff.wordpress.com/2015/01/10/eu-nao-sou-charlie-je-ne-suis-pas-charlie/

Anônimo disse...

"Liberdade de expressão pode soar bonito, mas há que se ter discernimento para entender que os tempos mudaram e insistir nesse anacronismo pode ser perigoso, como foi."

Essa foi a frase mais cretina, mais nojenta que já lí nos últimos tempos. Esse "anacronismo" foi o que permitiu a sociedade ocidental questionar TODOS os tabús que as religiões impunham e travavam a europa na idade média. É EXATAMENTE para incomodar as pessoas que o direito a liberdade de expressão existe, e muita gente morreu pra que esse direito existisse. E se a liberdade de expressão de alguém violar algum outro direito de outra pessoa, existe o estado pra mediar essas relações. Eu queria saber qual seria a posição da autora do guest post se um mascu tivesse invadido uma revista feminista que fizesse charges com eles e tivesse matado 12...

Já imaginou se a moda pega e se além de restringir as críticas aos muçulmanos, inventam também de restringir as críticas aos banqueiros, ou a sociedade patriarcal? Sabe como é, nada pode estar acima do direito das pessoas de não se sentirem ofendidas.


Anônimo disse...

Ver feminista defendendo o islã, e como ver judeu defendendo o nazismo.

E não me venham com "aaain, mas são uma minoria que são extremistas" são minorias islamicas que fazem barbaridades com mulheres? Vejam o que ocorre com mulheres em paises islamicos?
Critoris e narizes são mutilados,mulheres estupradas são apedrejadas por adultério, crianças de nove anos forçadas a se casarem com velhos, mulheres vendidas como escravas sexuais pelo estado islamico, meninas tomam tiros por irem as escolas...Pô gente se liguem .

Ta-chan disse...

"Anônimo disse...

Ver feminista defendendo o islã, e como ver judeu defendendo o nazismo.

E não me venham com "aaain, mas são uma minoria que são extremistas" são minorias islamicas que fazem barbaridades com mulheres? Vejam o que ocorre com mulheres em paises islamicos?
Critoris e narizes são mutilados,mulheres estupradas são apedrejadas por adultério, crianças de nove anos forçadas a se casarem com velhos, mulheres vendidas como escravas sexuais pelo estado islamico, meninas tomam tiros por irem as escolas...Pô gente se liguem .

10 de janeiro de 2015 11:26"

Fora levar tiro por ir a escola, tudo isso que vc disse tem aqui e na bela Europa tbm.E não tem ninguém defendendo toda e qq merda que venha do islã, estamos pedindo que se comece a usar o cérebro e que deixem o figado descansar.Precisamos urgente parar esse nos contra eles, bem contra o mau, luz contra as trevas.

Anônimo disse...

Se dizem que devemos tolerar a intolerÂncia islamica para com ocidentais, logo machistas vão querer serem tolerados por feministas também.

Crl disse...

Quem acha que islamofobia não existem, ou que é algo isolado e não perigoso como misandria, não faz ideia da situação da imigração na Europa, esse é só mais um lado da xenofobia, que é aliás algo que brasileiros também sofrem (óbvio que isso depende do país).

Não acreditem na Europa "céu na terra", "terra prometida" que os brasileiros adoram pregar.

E essa história da população mulçumana(euro-mulçumana) crescer muito mais que a europeia e isso destruir a cultura europeia não passa de um absurdo divulgado por anti-imigrantes europeus, é praticamente um hoax. Ficou bem popular depois de um vídeo que mostra supostas declarações de políticos, principalmente alemães, afirmando isso. É um tipo de crença que é sempre divulgada sobre populações imigrantes, inclusive foi muitíssimo usada contra imigração latina, em especial mexicana, nos EUA.

Crl disse...

E pelo que vi, essa revista é sim de esquerda, e a favor da imigração, mas contra religião, inclusive cristã, como pode ser muito facilmente confirmado nas charges.

A questão com as outras capas, aparentemente preconceituosas é que elas estão sendo vistas fora de contexto, muitos franceses as defendem dizendo que na verdade ironizam os direitistas e preconceituosos.

Crl disse...

E de qualquer forma, fossem como fossem as publicações, nada justifica o que foi feito.

É claro que concordo que deve haver criticas em cima de piadas, e os humoristas devem assumir as responsabilidades do que falam, e as consequências, mas morte não é uma delas, é impensável dizer que eles tenham qualquer parcela de responsabilidade no que lhes aconteceu. É culpabilização da vítima.

Anônimo disse...

Je ne suis pa charlie, mas nem um atentado terrorista tem justificativa. Religião e democracia são antagônicas. Não esqueçamos que em muitos dessas culturas o estado é religioso, portanto as leis são também religiosas. Enfim, não adianta procurar uma explicação. Morreram 12 pessoas que estavam na redação da revista, o mundo ocidental está comovido... Com todo respeito às famílias da vítima, eu pergunto cadê a comoção pelas vítimas da Síria, da Nigéria, das crianças do Paquistão, dos brasileiros vítimas de violência urbana? Eu moro na Alemanha e percebi que hoje os salafistas proselitistas, ala radical muçulmana, não colocaram a cara de fora para distribuir o alcorão. A Alemanha pode até ser xenófoba, mas ainda permite que até o mais radicais possam fazer proselitismo nas ruas, já que o estado é laico.

Anna disse...

Ótimo texto! Não sou muçulmana mas sim concordo com tudo q foi dito. Algumas pessoas acham q classificar algo como sátira te dá um passe livre pra dizer qualquer tipo de bobagem e aparentemente vc pode escrever/dizer/desenhar o q for q vai ser classificado como crítica ao status quo. E como vc bem falou, tem a questão das burqas. Não vou dizer q concordo com o uso mas ngm tem o direito de proibir algm de usar. O engraçado é q o povo gritando 'liberdade de expressão!!1' se manteve calado nessa questão




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Anônimo disse...
Destruir a cultura local, pelamor. Você sabe pq tantos muçulmanos estão na França? tem algo a ver com a colonização na África? será que os franceses se preocuparam em não destruir as culturas locais?
9 DE JANEIRO DE 2015 19:06


Né???? Europeus colonizando, destruindo a cultura alheia, incluindo a de países muçulmanos ngm fala.

Anônimo disse...

Crl disse...
E pelo que vi, essa revista é sim de esquerda, e a favor da imigração, mas contra religião, inclusive cristã, como pode ser muito facilmente confirmado nas charges.

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O que acontece é que cristãos não sofrem perseguição na França. Não são tratados como cidadães de segunda classe, acusados de querer destruir a cultura local, chamados de terroristas, não sofrem preconceito muitas vezes racial, etc. Zoar cristão e zoar um mulçumano (ou judeu) obviamente não está no mesmo nível

Paula disse...

“A maioria se tivesse o minimo de dignidade em seus países ficariam por lá mesmo, mas adivinha o motivo desses países não terem condição de proporcionar vida digna pra esse povo?Colonização seguida de exploração de mão de obra barata.”
Sim e não. Houve sim exploração à exaustão, mas os governos dos países de origem dessa gente não fazem absolutamente nada que melhore a vida de suas populações. Hong Kong e Cingapura também foram pesadamente explorados.

“Judeus quando ofendidos vão a justiça e censuram qq critica com o rotulo de antissemitismo e eles conseguem isso através de poder econômico e social, não por estarem sempre certos.”
Processo é uma via pacífica que eu até já tinha contemplado no outro comentário. E a questão dos judeus também não é SÓ poder econômico, não esqueçamos que nossa sociedade tem pavor do nazismo. Eu sou contra essa maior “blindagem” dos judeus, mas também não é como se não houvessem piadas sobre eles.

“Várias entidades muçulmanas foram a justiça processar o Charlie Hebdo na época da republicação da primeira charge e perderam.”
Processaram, perderam e resolveram matar todo mundo. Sabe aqueles 40% de muçulmanos ingleses que preferiam viver sob a Sharia ao invés do governo institucional daquele país? Então, mesma linha de raciocínio..
“E não podemos nos esquecer de Anders Behring Breivik, católico fervoroso que matou 76 pessoas, e do IRA que antes de ser separatista era essencialmente extremista religioso.”
O matador norueguês atuou sozinho, não tinha um grupo por trás. Não existe nenhum líder católico que pregue a violência. Inclusive tanto o Papa Francisco como o João Paulo II são ultra-pacifistas.
O IRA é um movimento separatistas, não atacam para defender preceitos religiosos, é por domínio territorial de um grupo religioso. São motivações completamente diferentes.


E gente, não adianta repetir um milhão “eu não concordo com as execuções” porque o “mas” vai sempre jogar a culpa do ocorrido para o outro lado. Esse texto do Leonardo Boff é um nojo, como outra comentadora disse: “nada pode estar acima do direito das pessoas de não se sentirem ofendidas.”
A Charlie Hebdo tinha toneladas de críticos enquanto operava normalmente, essa censura mundial post mortem só serve para legitimar o atentado terrorista e chutar cachorro morto, literalmente.
Admiro o Pablo Villaça como paladino solitário do direito ao questionamento religioso, até porque religião também é política. “Ah mas era Maomé pelado, não é crítica”, de verdade, crítico não é só aquilo que seu bom gosto e refinamento intelectual aprova.

Anônimo disse...

Concordo com a Paula. Esse "mas" é de lascar. Leonardo boff é religioso, então vai relativizar. Continuo não sendo charlie, porque não me identifico com a revista, mas jamais tentarei justificar atos terroristas.

Anônimo disse...

Eu também tô com o Pablo Villaça.

nadiaschenker disse...

Gostei muito do texto sugerido!

Anônimo disse...

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-01-10/menina-kamikaze-de-10-anos-mata-ao-menos-19-em-ataque-na-nigeria.html quem foi que fez uma charge neste caso, que leva uma criança a um atentado terrorista na Nigéria?

Mallagueta Pepper disse...

Sou meio distraída e tinha postado isso num tópico errado, então a resposta deve estar meio atrasada. Mas vá lá:

Comparar minissaia com discurso de ódio é, putz.,.

Bem... dependendo da mentalidade da pessoa, mulher usar minissaia é errado sim. Mas a comparação foi ruim? Feriu sua sensibilidade? Então deixa eu mandar umas melhores:

Um marido mata a mulher porque ela o traiu. Então isso deveria ser usado pra justificar o ato dele? Afinal, traição dói, magoa, pode acabar com o emocional da pessoa. Então faz sentido dizer algo tipo "ele errou, não aprovo o assassinato, mas ela o traiu, fez algo errado"

Qualquer pessoa aqui irá discordar. Ou o caso do Rafinha Bastos que fez piada de estupro. Então tudo bem um grupo de mulheres que foram estupradas darem um tiro na cabeça dele? Afinal, a piada dele foi totalmente misógina, um discurso de ódio praticamente. E aquela mulher que doava leite materno e sofreu com as piadas do Gentili? Vcs iam concordar se ela pegasse uma arma e desse um tiro na cabeça dele?

Aí as pessoas poderiam dizer "ain, o que ela fez foi errado, mas ele provocou fazendo piadas de mal gosto".

Pois é. O raciocínio é exatamente o mesmo. A analogia com a minissaia foi pra mostrar essa mentalidade de culpar a vítima que brasileiro insiste em carregar na cabeça. Eu não falei em momento algum que usar minissaia era a mesma coisa que discurso de ódio.

Acontece que da mesma forma que tem gente usando o discurso da revista pra justificar as mortes, tem gente que usa minissaia pra justificar os estupros. De qualquer forma, estão usando qualquer coisa que a vítima fez ou deixou de fazer pra culpá-la pelo que ela sofreu.

Paula disse...

Gente, islamismo não é uma instituição coitadinha composta de coitadinhos que não pode ser criticada, satirizada ou "desrespeitada" e não tem poder nenhum. É só a segunda maior religião do mundo, parem de falar bobagem.

Mallagueta Pepper disse...

Ta-chan

A imigração principalmente, de árabes e africanos acontece por motivos econômicos.A maioria se tivesse o minimo de dignidade em seus países ficariam por lá mesmo.

Não estou discutindo a imigração em si. Não acho errado uma pessoa ir de um país pra outro tentar melhorar de vida. Se eu tivesse necessidade e oportunidade de fazer isso, tb faria.

O que eu discordo é a pessoa ir pra outro país e não respeitar suas leis, achar que esse país TEM QUE mudar pra se adaptar a ela.

Anônimo disse...

Sobre a burca nunca pensei, mas sobre o véu tenho alguns questionamentos.
Moro na Alemanha e aqui se vê várias mulheres usando véu. Elas trabalham , estudam e fazem tudo mais. Muitas fazem cursos em que a grange maioria são homens.
Não que deixe de ser um simbolo de opressão, mas sem ele talvez elas não tivessem indo a universidade ou trabalhando. Não sei, é uma coisa que nunca perguntei a nenhuma delas, mas não sei se iriam pra aula se nao pudessem usar o véu.
Acho melhor que elas continuem fazendo isso. Começando seu empoderamento por outro ponto e não sendo obrigadas a não usar esse apetrecho.
Será que o veú e tão mais opressor que outras coisas que nós defendemos que mulheres podem usar se quiserem, por exemplo maquiagem?
Eu não sei, é uma coisa tão fora da minha realidade que não sei qual a real proporção disso.
A burca eu já não sei, imagino que o significado seja diferente e que ela também deve atrapalha bastante a mobilidade.
Desculpe se as ideias ficaram confusas.

Mallagueta Pepper disse...

Né???? Europeus colonizando, destruindo a cultura alheia, incluindo a de países muçulmanos ngm fala.

Colonização foi no passado, pelo que eu sei. Quem promoviam essas colonizações eram os governos, ricos, poderosos, etc. Não o povão, a plebe, os operários e trabalhadores. E, claro, a igreja católica tb ajudou bastante na destruição das outras culturas. O povo europeu hoje não tem culpa do que aconteceu no passado e não tem que pagar por isso.

Agora esses países antes colonizados estão livres pra seguirem com sua cultura. Se eles estão ruins, é culpa dos seus governos corruptos. O Brasil é um excelente exemplo. Nós poderíamos estar muito melhores se não fosse a corrupção e a roubalheira. Podemos culpar Portugal por isso?

Natália Van den Eynde disse...

Vc descontextualizou a frase anonimo, assim até eu achei que ficou cretina. E ja respondo a sua pergunta: tds os mascus partilham da mesma ideologia de odio, o que é algo totalmente diferente do que supor q td muçulmano seja terrorista, logo sua comparaçao não cabe.

Anônimo disse...

Malagueta, a sua resposta só teria algum sentido se alguem tivesse em algum momento tentado justificar os ataques e isso não aconteceu nem no texto da Lola, nem guest, nem nos comentários. Questão de interpretação de texto na leitura.

Natália Van den Eynde disse...

Nunca defendi violencia ou extremismo algum, convem nao misturar alhos com bugalhos.

Paula disse...

Antes que resolvam me distorcer, eu não sou a favor de "guerra contra o islã", não acho que ninguém devia invadir o país alheio, matar civis e transformar o que sobrou em uma bagunça. Inclusive acho o ataque o WTC bem menos "obvio" que este da revista francesa (ou o café na Austrália), já que era uma resposta a ataques militares (veja bem, era uma resposta armada a ataques armados) americanos no Oriente Médio. Mas mesmo o caso do WTC tinha o mesmo fundo religioso que pregava o fim do ocidente, que é onde mora minha crítica e meu medo.

Anônimo disse...

Todas as suas comparações foram toscas. Lamento vc não entender o porquê.

Anônimo disse...

Concordo com malagueta e Paula. Quem domina usando religião tem poder. Nesses países religião é o estado.

Roxy Carmichael disse...

Vexame 1: comparar islamofobia com misandria. O que vem depois? Cotas é que promovem um racismo até então inexistente? Feminismo liberal alert!!!!!
Vexame 2: o fulano da noruega era um doido que agiu sozinho.

feministas brancas liberais da colonia comprando o discurso xenofobo da matriz sem pudor... Paula, Marine Le Pen mandou te agradecer pela propaganda gratis. Mas sabe como é, nao basta ser esforçadinha e fazer tudo direitinho que vc não faz parte desse clubinho, querida Paula. Le Pen agradece mas quer sudacas beeeeeem longe do queijo brie dela.
eu te amo Lola, não me calo tô contigo e não abro, mas essa caixa de comentarios.... Dureza!
juventude que diz que uma charginha que utiliza de expediente orientalista (aproveita e joga no google o termo e dá uma estudada pra não dar mais vexa) não dói: estão terminantemente proibidas de reclamar de objetificação da mulher.
Sei lá que deus, alá,buda, jah tenha piedade... Santa ignorância.

Mallagueta Pepper disse...

Todas as suas comparações foram toscas. Lamento vc não entender o porquê.

Nossa, que argumento super elaborado! Vc deve ter gastado horas e mais horas, um grande esforço cerebral, suor escorrendo, tremedeira e olhos saltando das órbitas só pra elaborar esse super-argumento.

Como eu vou responder isso? Meldels, alguém me ajuda!

Neném, se eu falasse a linguagem dos moluscos, talvez pudesse compreender seu raciocínio. Só que eu não falo essa linguagem, então não tem jeito.

Anônimo disse...

Se o Rafinha Bastos levasse um tiro na cara eu não iria culpa-lo pelos mesmos motivos que fizeram a Lola e a autora do texto não culpa-lo. Mas, se representantes da direita radical começassem a usar o nome dele como o de um herói da liberdade de expressão eu me sentiria no dever de me pronunciar: eu não sou Rafinha. É isso que as pessoas estão fazendo Malagueta. O problema é que qdo a gente se diverte com a agressão fica difícil enxergar que é um discurso de ódio. E olha, não acho nem válido, nem justo comparar Charlie com Rafinha Bastos, a história é outra, mais complexa. Só que precisa ter mais boa vontade com o que a gente considera diferente. Mas pedir isso pra quem está com medo dos mulçumanos destruirem a cultura da Europa talvez seja demais.

Anônimo disse...

"colonização foi no passado... os europeus não tem culpa... os países agora estão livres". Alguém por favor da um livro de história pra essa guria!

Anônimo disse...

Calma Malagueta, agredir pra quê?

Anônimo disse...

Perdeu o controle?

Ge disse...

Roxy linda, salvando a caixa de comentários.

Paula disse...

“Malagueta, a sua resposta só teria algum sentido se alguem tivesse em algum momento tentado justificar os ataques e isso não aconteceu nem no texto da Lola, nem guest, nem nos comentários. Questão de interpretação de texto na leitura.”

Como se escrever “eu não apoio o terrorismo” e depois escrever vinte linhas criticando a linha editorial da revista dizimada e como ela afetava os muçulmanos na Europa não é relativizar o massacre e atribuir responsabilidade à vítima... piada. Se não se identifica com a revista não precisa dizer nada, a não-relação é o estado natural das coisas não ditas.

Roxy, não tenho o menor problema em ser chamada de liberal, pouco me importa o rótulo. Se meu discurso aumenta o poder dos Le Pen, o seu deve aumentar dos jihadistas né? Afinal, ninguém tem raciocínio crítico nesse mundo. Ademais, não sou muito chegada em queijo brie.
Sobre o atentado na Noruega: não existiu um grupo paramilitar organizado por trás do ocorrido. Discurso de ódio de extrema direita existe e deve ser combatido (e é combatido, ou você acha que é simples manter um grupo neonazista na Europa?), mas isso não significa que foi uma ação de organização coletiva. Tanto é que o único grupo que assumiu a responsabilidade pelo atentado (e depois desmentido) era islamista radical.
Mas vamos estabelecer uma diferença básica para você não fazer insinuações ignorantes: raça ninguém escolhe, raça é uma atribuição natural que foi socializada e politizada. A influência social da raça deve ser combatida porque características físicas não tem ideologia.
Religião é escolha, escolha com rebatimentos políticos e ideológicos e tanto pode, como deve, ser criticada, problematizada, satirizada, ridicularizada e até provocada. Religião não é “grupo oprimido” e como ocidental eu tenho todo o direito de defender minha cultura em detrimento de outra que eu julgo ainda mais misógina, totalitária e anacrônica. Assim como eles tem direito de defender a deles, no território deles.
Agora você vai ter que me explicar sobre a proibição de reclama sobre objetificação da mulher, porque eu defendo o direito de qualquer um de reclamar do que achar por bem.

Mallagueta Pepper disse...

Anônimo 16:54, quem começou a agredir foi vc, que pura e simplesmente veio falando que minhas comparações são toscas mas não apresentou nenhum argumento pra justificar o por que.

Por acaso é assim que vc debate? Simplesmente falando que os argumentos das outras pessoas não prestam e pronto? Fim?

Mallagueta Pepper disse...

E respondendo sua outra pergunta, quem perdeu o controle foi vc que ao invés de argumentar apenas saiu pela tangente falando que minhas comparações são toscas. Vc queria que eu te respondesse como? Com amor e carinho? Sem chances.

Anônimo disse...

Os corpos dos cartunistas nem esfriaram ainda e já estão culpando a vítima? Não ensine os cartunistas a não desenharem, ensinem os muçulmanos a não os rechearem de chumbo!

Vanessa disse...

Interessante, vamos adaptar:

"Se elas não tivessem usado roupas que os homens não gostam, elas não teriam sido estupradas."

Não faz lógica, né?

Comportamento que expresse nossa liberdade como mulher não sai por aí ofendendo e descriminando homem nenhum. Muito menos roupa curta, por exemplo.

A liberdade da mulher de fazer o que lhe é de direito sem sofrer abusos por isso não se compara a liberdade que estes cartunistas tomaram ao fazerem piadas de mal gosto disfarçadas de críticas vazias.

Eu não conheço mulheres cartunistas que fazem chacota com a figura dos homens em geral só porque condenam e criticam o machismo de vários. Se existe, não compactuo com essas atitudes, assim como defendo as críticas feitas aos preceitos opressores de algumas religiões, mas não a ridiculirização da mesma e de seus devotos.

Alguns assuntos devem ser tratados com seriedade, seja o machismo ou o terrorismo. Humor não é um dos meios mais adequados ao meu ver. O que é engraçado pra um, faz correr uma lágrima no rosto do outro, e muitas vezes só dissemina ódio mútuo, que é o que não precisamos no momento.

Anônimo disse...

Assim como Jean-Marie Le Pen, viva o "Je Ne Suis Charlie". Viva a xenofobia e a ultradireita Européia !!!

Anônimo disse...

Roxy Carmichael

Na verdade o Le Pen postou um vídeo dizendo que lamenta os ataques, mas que também não é Charlie.

Anônimo disse...

1 minutinho pra quem não sacou que boa parte da islamofobia é racismo. E mais 1 pra que pensa que os europeus consideram a sua cultura a mesma que a deles.

Anônimo disse...

feministas defendendo terroristas islamicos.
feministas contra a liberdade de expressao.
achei que nao viveria para ver tamanho absurdo.

Anônimo disse...

Que vergonha, que texto reacionário ,conservador, medíocre e patético.
Que horror!
Feministas dizendo que esse papo de "liberdade de expressão" tá demais da conta...
Que deprimente!
Talvez seja o calor, sei lá. Tá afetando o raciocínio de muita gente.
Não distinguem algumas sutilezas mínimas do tamanho de um elefante...
O humor de Charlie Hebdo é contra QUEM TEM PODER.
Religiões, partidos, grupos, governos, elites, modismos, ideologias......
O humor do tal Gentile (quem???) é contra quem NÃO TEM PODER.
Minorias, pobres, excluídos....
Sacaram a "pequena" diferença, meninas??
Então tá.
Que fique registrado para a eternidade que no dia de hoje um blog feminista (de esquerda?) se
alinhou a uma doce criatura chamada Marine Le Pen (feminista também?) e seu progressista papai
Jean Marie Le Pen no "Eu não sou Charlie"
Divirtam-se.
É só o que, consternado, posso dizer.

Roxy Carmichael disse...

Paula,

acho que seria interessante você se informar melhor sobre o crescimento da islamofobia na Europa, fato reconhecido pela própria União Européia, que através do Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia, já publicou estudos sobre isso. É difícil de provar, assim como os casos de homofobia aqui no Brasil, onde os conservadores fazem manobras retóricas pra ignorar evidências de crimes de ódio contra os gays.

O meu comentário foi no sentido de criticar sua negação da realidade (que me deixou realmente estupefata), parecida com quem nega a realidade do racismo institucional no Brasil e suas consequencias.

Negar a realidade não chega a ser crime (a menos que essa realidade seja a existência do holocausto, cuja negação é crime na França)
mas é um tremendo desserviço, e um desserviço bastante conveniente a determinados grupos privilegiados.

O terrorista norueguês era um militante da extrema direita, de repente comprou os explosivos e o armamento pela internet foi lá e executou, o que não quer dizer que está sozinho. A Al Qaeda não é uma nação. Mas existem outras formas de organizações terroristas, como o Estado de Israel que pratica terrorismo sistemático contra a população de Gaza. Defesa? Eu particularmente acho esse argumento insustentável quando enxergamos a desproporcionalidade. Terrorismo de Estado particularmente me assusta BEM mais.

Lamentável o ocorrido na França, mas não mais que o ocorrido no Iemen, na Nigeria, na Siria, no Iraque, no Mali, no Afeganistão, com os bombardeios da coalização dos EUA e da França devastando tudo e todos.

Sobre o "choque de civilizações" acho que seria interessante buscar mais informações sobre as relações entre a França e a Arábia Saudita. Fica a dica.

No mais valores ocidentais? Quais? A tortura francesa praticada na Argélia que lutava pra se independizar, tortura essa posteriormente exportada pras ditaduras da América Latina?

Minha opinião sobre o ocorrido
1)Eu não acho que estamos diante de um choque de civilização.
2)Eu acho que a liberdade de expressão é um debate anedótico nesse caso.
3)E eu, como brasileira, fico preocupadíssima com o crescimento da xenofobia em qualquer lugar, mas especialmente na Europa que é onde rola o poder e a grana necessárias pra fazer um verdadeiro estrago no mundo.

Uma coisa é uma coisa: pessoas mortas por fanáticos. Aconteceu na França e no mesmo dia na Nigeria, com um saldo de mortos 10 vezes maior.

Outra coisa é outra coisa: sacralizar a revista quando eu considero que era racista e orientalista.

O que particularmente me interessa nesse debate é o circo mediático criado, a lavagem cerebral e a quem isso beneficia.

Também me intriga que os suspeitos tenham usado balaclava e deixado a identidade no carro.

E desse episódio, basicamente penso que apenas isso desperta meu interesse.

Eu como brasileira tô interessada num genocídio anual que rola aqui no Brasil. O genocídio dos jovens negros.

O comentário sobre a objetificação feminina não era pra vc especialmente, e sim, pras pessoas que insistem que uma piadinha não ofende. Se a gente justo combate a representação feminina, justo os discursos misóginos disfarçados de piada no Brasil, me parece bastante contraditório.

Feminista liberal: acho completamente sem sentido. A ONU fala que pobreza tem genero, e o gênero pobre é justo o feminino.

Anônima das 18h49, que tem a ver com meu comentário? Não sei e não quero nem saber a opinião dos Le Pen sobre Charlie Hebdo e a boberice do Je suis charlie. Como a essa altura já deve estar claro, meu comentário foi no sentido de apontar a reprodução do discurso da extrema direita pela nossa cara comentarista Paula, ao negar a islamofobia na Europa.

Anônimo disse...

Ate onde eu saiba, em mianmar budistas atacam muçulmanos, na india, os hindus tambem atacam, em israel, a mesma coisa com judeus, além dos radicais catolicos citados pela moça acima. Sobre o texto original. perfeito. Claro que não se justificam os ataques, mas é inegável que os caras estimulavam o odio. E Lola, sobre o que vc escreveu que as religioes fazem mal pro mundo, me desculpe, mas isso é bem babaca e preconceituoso. E sinceramente, uma parte razoável da esquerda tem falado essas bobagena, não tendo a minima noção da importancia das religiões, principalmente pros mais pobres. E só pra avisar, eu sou ateu. Fernando Campos

Anônimo disse...

Então, você considera bom os cartunistas ofenderem negros e muçulmanos, principalmente num pais que tem muita gente que odeia esses grupos? Comparação cretina. Fernando Campos

Anônimo disse...

Desculpa pela pergunta, mas são apenas os marroquinos que assediam? Nenhum ingles assedia nenhuma moça na rua não? Fernando Campos

Anônimo disse...

Imagina que um jornal argentino( como ja aconteceu às vezea) chame os brasileiros de macacos. Você seguiria com esse discursinho? esse é o pior argumento que existe, não é possivel que não ache nenhuma charge daquelas ofensiva, é muita falta de empatia. Fernando Campos

Anônimo disse...

melhor comentario ate agora. Parabens pela noçâo de mundo, que faltou em varios comentarios aqui. Fernando Campos

Anônimo disse...

Voce acha mesmo que nao ha responsabilidade deles pelo ódio? Vamos fazer uma comparação: o fdp do Mainardi, depois que a Dilma venceu, insinuou que os nordestinos eram preguiçosos, vagabundos, burros. Se alguem o matasse ( o que seria horrivel que acontecesse, pra não interpretarem errado), deveria tirar a culpa do que esse desgraçado estimulou? Troço chato isso de qualquer critica ser interpretada como culpabilização

Anônimo disse...

pra vc então, é crime ser religioso? por comentarios como esse que dá vergonha de ser ateu, fernando campos

Anônimo disse...

Concordo, mas mesmo assim a charge contra os cristãos também foi absolutamente preconceituosa. Fernando Campos

Anônimo disse...

Sinceramente eu não consigo acreditar em alguns comentários, pessoas culpando as vítimas pelo massacre ocorrido, nossa. Gente se aquelas pessoas responsáveis pelo massacre se sentiram ofendidas de alguma maneira, que brigassem através de meios legais e pacíficos, nada justifica invadir a redação de um jornal e matar 12 pessoas. As vítimas não foram apenas os cartunistas e as pessoas do jornal, eles aterrorizaram um país inteiro, isso foi um crime contra o povo da França.
A questão da imigração e xenofobia eu penso da seguinte forma, se eu brasileiro começo a viver fora do meu país, eu vou acatar as leis e interagir com o povo do lugar onde eu estou. Isso não significa abandonar minha herança cultural, apenas me adaptar a uma nova realidade. Sou brasileiro com muito amor e orgulho, mas se estou na França vou seguir as leis e interagir com os franceses.
Outra coisa essas pessoas geralmente abandonam seus países por diversas questões dependendo da região (perseguições políticas, condições de vida desumanas, guerras) as colonizações já terminaram, a responsabilidade agora é do governo de cada país.

Senna.

Anônimo disse...

"A chacota com questões tão importantes para um povo nunca foi e nunca será um meio eficiente ou legítimo para o questionamento"

Exceto se for contra os cristãos, né? Aí, nenhuma esquerdista feminista acha ruim, acha até bonito e defende, como aquela galera que enfiou crucifixo no rabo durante a Jornada Mundial da Juventude.

Anônimo disse...

Comentário atrasado e também li só alguns posts meio por cima, então se eu repetir algo aqui, me desculpem.

Achei o texto muito bom mesmo.
Vivo bastante tempo na Alemanha, não posso comentar os pormenores da situação na Franca, mas posso falar um pouquinho de como eu percebo a situação aqui.

A situação é muito delicada mesmo. Muito mais do que vocês que vocês que não estão aqui podem imaginar.
É FATO que o islamismo radical tem crescido na Europa. E crescido rápido. NÃO SÃO uma meia dúzia de malucos. Falando ontem com uma colega francesa (muito abatida por sinal) e um colega alemão há cerca de 8 mil radicais conhecidos pelas autoridades na Franca e cerca de 5 mil na Alemanha. Lembro-me de alguns anos atrás um grupo de muçulmanos extremistas protestando na rua pela deposição do governo alemão e pela imposição da sharia.

Também é fato que, junto com a proliferação dos radicais o grupo PEGIDA (tradução livre: patriotas europeus contra a islamização do Ocidente), tem angariado mais e mais simpatizantes.
Pessoalmente eu temo (um medo bem real, por sinal) que com esse ataque comece uma "caça a as bruxas" e gente de bem vá ser severamente prejudicada.
A chanceler Merkel já fez vários pronunciamentos afirmando que a Alemanha vai continuar a receber e atender bem refugiados e exilados, apesar das animosidades. Ele pediu ainda, que as pessoas parem de perseguir e discriminar muçulmanos. O governo tem intenção de acabar com o terrorismo, e não fazer outra limpeza étnica.

continua...

Jane Doe

Anônimo disse...

O que é necessário compreender pra quem não está aqui (e pra quem está também) é que a vida na Europa é MUITO boa. Todos tem medo, eu inclusive, de perder isso. No momento, o crescimento dos grupos radicais (de ambos os lados, na Europa e fora) é uma ameaça a essa liberdade, que veio com muito custo.

Ao meu ver, o Islamismo está passando agora pelo que a Igreja católica passou há muitos séculos atrás. O cristianismo conquistou poder sobre o mundo através da ameaças, guerra, perseguições, tortura e execuções. O Islã está indo para o mesmo caminho.
O que os cristãos europeus fizeram séculos atrás em suas colônias foi uma abominação.
Os EUA em especial continua fazendo isso ainda hoje e espero viver o suficiente para ver Bushs e cia Ltda responderem pelos seus crimes contra a humanidade.

Mesmo tendo tudo isso em vista, muito me assusta que há pessoas que pensam que a Europa deve abaixar a cabeça e deixar esses grupos se proliferarem como uma forma de "pay-back". Vocês já se esquecerem quem foram as principais vítimas das guerras religiosas?

Jane Doe

Anônimo disse...

Guest post de uma autora defendendo a relativizacao da liberdade de expressao (porque os muculmanos, coitadinhos, nao podem se sentir ofendidos. Estou aqui imaginando como vai ficar na hora que as muculmanas chegarem na epoca da mini-saia...), e agora uma apoiadora do terrorismo (Roxy). Esse blog esta otimo.

Anônimo disse...

Li e reli umas quatro vezes o texto, para ter certeza de que de que não virei analfabeta funcional. O texto está relativizando. Faz 15 anos que moro na alemanha, então não me enquadro no grupo de 3 anos mencionados pela autora do texto. A Europa é xenófoba. Ponto. O Brasil também. Fato. E daí? As charges do jornal francês não estão para o MEU gosto, assim como muitas outras formas de artes que também não me agradam. Mas me recuso a relativizar e tentar explicar um ato terrorista, como as entrelinhas do texto está fazendo. Sou contra o PEGIDA, porque a história se repete, pois pau que bate em Francisco também bate em Chico. Estrangeiro será sempre estrangeiro. Mas não vou me enganar e nem vir com esse discurso politicamente correto para passar a mão na cabeça de opressor. Eu convivo com os dois lados. Minha melhor amiga é iraniana, convertida ao luteranismo, nascida aqui, casada com alemão. Quer distância do Islã. Esse discurso de paz e amor, que muitos defendem estar no alcorão, é muito bonitinho. Aliás, toda religião tem esse discursinho, mas é pra esconder seu real propósito: controle. Nem todo muçulmano é terrorista. Fato. Mas é duro conviver com fundamentalistas bem parecidos com os Feliciano seus, malafaias e bolsonaros que vocês têm aí no Brasil. Esses caras andam aqui pelas ruas nos policiando e molestando. E falo com conhecimento de causa. E se você responder a esses caras, elas já saem com o discurso de que é racismo. Só para terem uma idéia de que apesar da xenofobia, há políticas de integração. A escola pública que a minha filha frequenta, não serve carne de porco, para não ter que fazer uma grande confusão na hora de separar comida, porque isso entre crianças é complicado. Quando minha filha nasceu, e eu estava mal no hospital, com mastite, no momento que eu estava chorando no espaço da maternidade dedicado à amamentação, ele foi convidado a sair, porque iria entrar uma muçulmana e o marido dela não queria outros homens presente. Que maravilha... Já não basta oprimir sua própria etnia, ainda querem impor suas condições para viver no país que os acolheu. Acabamos de receber muitos refugiados, aqui pertinho da minha casa foi cedido um prédio inteiro para eles morarem, eles agora tem acesso ao tratamento de saúde e aos programas de integração, foram muito bem recebidos pelos que não são xenófobos. Eu e minha família fomos lá no natal entregar roupas e alimentos. E expliquei à minha filha a importância de integrar pessoas que deixaram tudo para trás, fugindo do regime fundamentalista e opressor que é a religião. Eu torço para que essas pessoas possam realmente se integrar e não se fechar em guetos, para que não caiam nessa lavagem cerebral que o europeu é o inimigo e não saiam explodindo um ônibus que carregue a minha filha dentro dele, e eu ter que ler textos relativizando o atentado. Francamente...

Anônimo disse...

Lola, você deveria era ter publicado o texto da Valéria. A análise dela está muito melhor do que da outra autora.

Natália Van den Eynde disse...

Claro que sim, fernando, gente sem noçao existe em qlqr nacionalidade, foi so um exemplo.

Anônimo disse...

Nao achei bonito. Achei ridiculo e ofensivo. Sou feminista desde criancinha. Pare de generalizar, babaca.

Anônimo disse...

Apenas a titulo de curiosidade, a Lola concorda ou nao com a relativizacao do direito a liberdade de expressao para nao ofender grupos religiosos?

Anônimo disse...

Depois dos comentários da Jane Doe e da outra moça que vive na Alemanha há 15 anos não me sobra muito para contribuir.

Mas para o anônimo que disse que islamofobia é boa parte racismo: eu concordo. Mas não é só racismo. Latinos e indianos sofrem racismo mas conseguem se integrar na sociedade europeia e não tentam dobrar a cultura local aos seus gostos e restrições religiosas, não tentam alterar práticas e instituições para atender sua demanda específica. Com toda a mistura etnica que está acontecendo, uma hora a Europa vai ter que rever seu racismo.

Sobre os europeus não acharem que a cultura deles é a mesma que a minha, bem, a minha tampouco é a deles. Não é sobre tomar vinho e usar casaco de tweed que eu estou falando, mas sobre instituições básicas do ocidente contemporâneo como democracia, laicidade do estado e das instituições públicas, e liberdade de expressão.

E, Roxy, como eu já disse, eu sou contra intervenções nos países islâmicos (apesar de que como feminista é sempre complicado pensar que isso significa deixar aquelas mulheres à própria sorte). Acho que Israel nem deveria existir, mas já que existe eu concordo com a pressão internacional para conter os excessos do país.
Mas argumentar com colonização francesa na Argélia é defender um pay-back com meio século de atraso, e com isso eu não vou concordar nunca.

E sobre "Uma coisa é uma coisa: pessoas mortas por fanáticos. Aconteceu na França e no mesmo dia na Nigeria, com um saldo de mortos 10 vezes maior.", esses fanáticos tem algo em comum além do fanatismo né? Pois é, depois errado é quem critica a religião alheia.

Sobre a teoria da conspiração: os dois fugiram pela França com armas, fizeram reféns e levaram às buscas às últimas consequências. Sei lá, pouco provável que tenham sido outras pessoas que causaram o ataque. Se foi bandeira falsa, esses dois foram pagos para morrer no final.

Quanto aos homicídios no Brasil, é urgente e alarmante, mas seria outra pauta.

E os lugares onde a mulher tem pior condição financeira é justamente onde elas não tem a mesma liberdade para trabalhar e ganhar dinheiro que os homens.

Paula disse...

Desculpe, postei o comentário das 14:55 anônimo sem querer.

Roxy Carmichael disse...

Falavamos sobre os valores ocidentais. Jane Doe falou que na Europa se vive muito bem. Eu não duvido. Mas quem vive bem na Europa? A minha grande questão aqui é que as elites terceiro mundistas compartilham alguns codigos com individuos privilegiados oriundos dos países centrais e isso muitas vezes faz com que essas elites não se sintam identificadas com seus conterraneos que não compartilham esses codigos e que talvez sequer se cruzem dado o estado de extrema degradação do espaço publico e da segregação nas nossas cidades. Só que essa projeção das elites colonizadas nao faz com que elas sejam semelhantes aos individuos privilegiados da matriz. Só faz com que essas pessoas reproduzam um discurso extremamente xenófobo.
O interessante é que enquanto é um consenso a importancia da memoria para que certos fenomenos não se repitam, em que o caso paradigmatico seria o holocausto, transformando esse evento muito especifico de um tempo e espaço em algo universal e atemporal, o mesmo consenso não é dispensado a fenomenos muito mais globais e duradouros no tempo cujos fundamentos continuam operando como o colonialismo. Isso não tem nada a ver con pay back. Tem a ver que na Europa, os europeus vivem bem e a elite dos paises perifericos também, enquanto negros, arabes, latinos, ciganos vivem MUITO mal. E sim a Europa nos legou a ilustração, mas deixou um legado hediondo chamado colonialismo Recomendo a série de documentarios chamado France Afrique sobre o colonialismo e suas cinsequencias. Recomendo a leitura de Tariq Ali em artigo da Folha hoje. Esses atentados tem relação direta com a brutalidade a que esses grupos estão submetidos dentro e fora da Europa. A liberdade de expressão sinceramente é totalmente marginal nesse debate. Mas se é pra falar dela, se fale também que manifestações pró palestina foram censuradas na França durante a ofensiva em Gaza.
Pra resolver essa questão nada mais equivocado que a guerra ao terror. A discussão do genocídio da juventude negra nesse sentido tem absolutamente tudo a ver. Integracao sim! E podem citar todos os exemplos que quiserem, mas o fato é que ninguem disse que é um processo fácil. Tolerância, hospitalidade com o Outro é dificíssilimo, é sair da inercia da comodidade, mas é isso ou a barbarie: a islamica e a facista da extrema direita, espelho uma da outra. E aí voltamos à elite colonizada e sua projeção de pertencer aos privilegiados da matriz expresso não só na reprodução de um discurso xenofobo o qual essas pessoas poderiam vir a ser vitimas em caso de recrudecimento da xenofobia, como na total insensibilidade com o que esta absurdamente proximo. Sinto muito mas acho essa cobertura desse caso um ultraje e fica impossivel diante da mesma, nao ter certeza que se gasta uma grana pra nos converncer que certas vidas - as measmas de sempre - valem mais que outras vidas. Mas não passarão!

Anônimo disse...

Acho bem complicado comparar o ataque com estupro... São casos completamente diferentes e a única coisa em comum é a existência de vítima.
Acho que no caso do jornal, concordo com a autora do post. Com certeza deve haver formas melhores de se criticar, e tb acho que respeito e bom senso são sempre bons. Vendo imagens das publicações da revista no google, fiquei chocada de a "extrema esquerda" ser tão racita, machista e preconceituosa. Lembrei do documentário "O Riso dos Outros", onde falam que não há nada de novo ou transgressor em atacar o oprimido. Qual é a transgressão em atacar (veja bem, só atacar, não são críticas inteligentes como víamos na Graúna, por exemplo) negros, mulheres e muçulmanos?
E outra: da mesma forma que todo mundo ficou chocado quanto chutaram uma santa na televisão, eu tb fiquei chocada pelo desrespeito mostrado nas charges com maomé e a santíssima trindade cristã. Eu nem tenho religião, mas acredito que não é legal mostrar imenso desrespeito com algo que é muito precioso e querido e importante a alguém, seja isso o que for. Acho que passaram de um limite, e a resposta (o ataque) a isso foi, novamente, passar outro limite. Nada justifica responder palavras com agressão física, na minha opinião. Mas e agora? Isso vai continuar aumentando, um lado excedendo o outro. O Spiegel estava falando em "Ataque às sociedades ocidentais e td o que representam". Esse tudo seria liberdade, democracia, etc. Ou seja, é o nós vs eles. Será mesmo que "nós" ocidentais somos tao diferentes deles, somos os fodões da liberdade e democracia, e igualdade e justiça? Pra quem?
A diferença entre a mulher de minissaia e o ataque, é que a mulher é dona do corpo e faz o que quiser com ele, desde que respeite o espaço dos outros, o corpo dos outros e a liberdade dos outros. Inclusive, a liberdade religiosa.

Anônimo disse...

Gente, peloamordedeus.
Se alguém acha certo usar burqa, tem mais é que usar burqa, SIM! O que tem que ser combatido é a *obrigação* e não o *direito*. Proibir usar burqa combate o *direito*, não a *obrigação*.
Não sejamos preconceituosas a ponto de achar que TODAS as mulheres que usam burqa são iguais e pensam igual. Vale a pena se questionar: será que nenhuma delas quer usar burqa?
E se elas "sofreram lavagem cerebral" e acham normal mas tá errado, então tb acho que devem poder usar burqa até o dia em que levantarem e pensarem "hmm, não quero mais" e pronto. Sinceramente, do que essas mulheres (e todas nós) MENOS precisamos é de mais uma proibição (cagação de regra).

Anônimo disse...

Não dá! Comparar olho com cadeira... Façamos o seguinte, vamos tentar entender primeiro o Brasil, que não legaliza o aborto por causa de uma bancada composta por religiosos intolerantes, onde o racismo é imensurável e a mulher é desrespeitada a toda instante, a violência urbana é altíssima, uma maioria pesada é contra programa de distribuição de renda, cotas e contra a entrada de refugiados. E pelo o que andei lendo, a coisa vai engrossar porque o bolsa família deverá beneficiar os estrangeiros no Brasil. Política já adotada aqui faz tempo.

Tanize disse...

Acho que é muito importante separar bem os árabes, dos muçulmanos, dos extremistas. Embora é preciso deixar claro que todas as essas definições são fluidas, pois a realidade é sempre muito mais complicada.

Arabes (na França chamados de Magrebianos) são todos aqueles que etnicamente tem origem na regiao onde o Isla mais cresceu: no norte da Africa e no Oriente Próximo.

Os praticantes da religião Islã são chamados de muçulmanos. A grande destas pessoas sao pessoas pacificas e que entende o Jihad como uma luta interna contra o mal. Exatamente da mesma maneira que um cristão luta internamente contra o pecado.
Mas isso não isente NENHUMA das duas religiões do machismo! Mas, obviamente, este machismo é muito mais forte em países e comunidades onde a religião é mais forte como ponto de identificação pessoal e grupal do a identificação com o pais e o estado de direito.

Por fim existem os extremistas (também chamados de islamistas na França), aqueles que entendem a luta contra as opiniões diferentes como a propria luta contra o mal. São pessoas que levam a sua religião ao extremo, e este extremo é a violência, o assassinato e jamais a tolerância ou a aceitação dos valores do Estado de direito laico.

Dito isto, eu reafirmo: JE SUIS CHARLIE. Porque sim, o jornal publicava charges, na MINHA opinião, de mal gosto e bastante questionáveis na sua eficácia, mas a intenção sempre foi de dessacralizar a religião, de usar até o fim o seu direito de expressão e livre opinião. Ha menos de 100 anos atrás isso seria impossível mesmo pra religião católica na França, pais que "inventou" o estado laico na Europa. Então sim, defender o jornal é defender os valores republicanos de liberdade de expressão e de livre consciência.

Não sei na Bélgica, mas na França na discussão de tais eventos é sempre tratado o fato de que esta semana será também traumática para os muçulmanos, que claro já são alvos de ataques. Mas, acima de tudo, fala-se da necessidade dos lideres muçulmanos de se posicionarem e rejeitarem abertamente tais atos. Nao estou minimizando a integraçao mal feita, dos arabes na França, mas concordo. É preciso que os muçulmanos se reafirmem e aceitem os valores republicanos completamente. Eu quero que nao so eles, mas tb os evangelicos do Brasil e dos EUA e os catolicos do Brasile do Meximo, os hindus da India, etc TODOS os cidadaos de paises que se proclamam republicas ajam como tal.

Então discutir o massacre ao Charlie Hebdo é SIM discutir o fundamentalismo religioso!! De qualquer espécie, tanto os membros do jornal exigiram que a representante do partido de extrema-direita francês não participe da manifestação republicana. Ela que foi inúmeras vezes alvo do jornal.

E claro, também deve-se discutir enormemente a islamofobia, a xenofobia. O que vem fundamentalmente da própria noção de identificar-se: seja primeiro como cidadao ou como religioso (como europeu/Francês/brasileiro ou como árabe/muçulmano/islamista/protestante/catolico).

"Je sui Charlie" significa eu sou tb vitima desta atrocidade. Quando um membro da sociedade é alvejado pelo simples fato de suas ideias sao diferentes da de outros, eu também sou alvejado, eu também sou vitima. Logo, je suis charlie!!!



Anônimo disse...

Eu concordo com a Tanize (11 de janeiro de 2015 20:06), "Je sui Charlie" por todo o campo simbólico que representa a morte dos membros da revista. Conheço a Europa. Eu vivi alguns anos em Amsterdam. Também vivi um tempo em Paris e sempre tento visitar alguns países do velho continente. E sei como a integração dos imigrantes é mal feita em alguns dos países da Europa, especialmente na França, onde observa-se uma segregação absurda de muitos imigrantes. Mas matar uma pessoa pelo que ela pensa, escreve, desenha, pinta, canta, dança etc, é a maior burrice já inventada em toda a humanidade ( é uma ação recorrente desde que o mundo é mundo. Mesmo assim, ainda não conseguimos crescer neste sentido). Não suporto extremismos, seja de qual lado vier! "Je sui Charlie" !!!

Ana Nazaré disse...

A revista era uma merda mas o fundamentalismo religioso tbm é.. Por isso q eu gosto de Riane Eisler..feminismo é um mundo a parte....

Anônimo disse...

As pessoas esquecem q esses caras nao precisam de muito motivo pra realizar ataques terroristas. Eles odeiam os valores ocidentais, sim. Nao houve charge q desencadeou o ataque ao WTC na decada de 90. Tb nao houve nenhuma charge antes do ataque ao WTC em 2001. Eles acreditam q estao numa guerra santa e os nossos valores sao os inimigos.

Anônimo disse...

Não sei se houve ou não charge antes do ataque ao WTC nos anos 90, mas sei que houve a política externa americana de achar que são os donos da verdade, os cowboys do mundo, e se venderem como defensores da liberdade pra defenderem os "interesses americanos".
Onde estavam os "bons" valores ocidentais (brancos) superiores que fizeram vista grossa à escravidão, ao nazismo, às ditaduras latinoamericanas, ao genocídio da Ruanda, ao Apartheid...? Às pessoas que acham muito natural dizer numa rede social que "tem que colocar a empregada no lugar" pra não votar em tal partido? Se esses valores são superiores e bons, e se o problema é o fanatismo religioso, porque os 2000 nigerianos mortos só essa semana pelo Boko Haram não tiveram toda essa repercussão? Será porque não são franceses? Será porque foi na Nigéria, esse lugar selvagem fora da Europa? Inclusive, o mesmo jornal mártir da liberdade de expressão, igualdade e humanitarismo (só que não) já publicou uma charge basicamente chamando as mulheres vítimas de estupro desse grupo de "welfare queens" (que, olha que coisa, é o que dizem aqui de nordestinos "tendo filho pra ter bolsa família" e dizem nos EUA das mulheres que comprar carro, iPhone e o diabo a quatro com food stamps).
Só alguns exemplos de porquê nao é bom pegar todos os ocidentais e jogar no mesmo saco e bradar aos quatro ventos que todos pensam iguais e são santos e nossos valores são melhores. Melhores pra alguns talvez que vivem aqui, o mundo é grande e pode ser que para algumas pessoas "orientais" seus valores sejam melhores pra elas. Achar que valores ocidentais são superiores é regredir à época da colonização e chamar a todos de bárbaros e achar que só a metrópole é civilizada. É etnocentrismo.
É muito fácil condenar uma toda cultura da qual apenas se ouve falar e não se compreende.
Se comover com alguém por ter os mesmo valores ou ser mais parecido com você não é empatia, é narcisismo. Empatia é se colocar no lugar *do outro*, do diferente de vc.
Um erro não justifica outro. Mas é muita falta de empatia transformar os cartunistas em santos apenas porque morreram, e todo um povo em demônio porque algumas pessoas são extremistas. Eu me comovo com a tragédia, sou contra a violência, mas não vou sair por aí dizendo que "Je suis Charlie" não apenas porque não me representam, mas porque, como mulher latinoamericana de classe média, eu tenho certeza de que pra eles eu represento uma dúzia de coisas que eles abominam.

Anônimo disse...

Nunca vi atéia defendendo religiões. É sempre um ateu fazendo isso, porque será?

Anônimo disse...

" ele foi convidado a sair, porque iria entrar uma muçulmana e o marido dela não queria outros homens presente."

mandava esse muçulmano a pqp

Anônimo disse...

Moro na França ha nove anos. E sinceramente, talvez essa onda do "sou charlie" não seja exatamente só sobre a liberdade de expressão, mas também para afirmar valores do ocidente. Sim, afirmar nossos valores. Qual o problema?

Porque não adianta querer tapar o sol com a peneira, e ficar dando uma de bonzinho. O islam é uma religião machista que oprime. Podem falar que o catolocismo não é melhor, que é uma porcaria também. Mas é mentira. Por mais que o catolicismo seja super machista,- e sim, uma porcaria- o islamismo é pior. Peguei o Quatar air lines ( companhia de aviao) o ano passado e assisiti os programas propostos. Um, era um programa de autidorio/debate e sabem qual o assunto? "Quando um marido tem o direito de bater na mulher?" JURO QUER ERA ISSO. E a conclusão? Pode bater para educar, mas não para machucar ( ???)e nem deixar marcas. Gracinha. Vocês imaginam um programa catolico fazendo isso em 2012?

Outra coisa, vão defendendo o direito deles de respeirtarem as tradições deles, sem se perguntar se vai de encontro ou não com nossos valores, simplesmente porque "temos que respeitar". Uma das tradições é casar as meninas de força. NA França, calcula-se que 5000 casem de força todos os anos. Vocês repeitam isso também? Eles acham ofensivo charge com o Maomé? ( e concordo que AS VEZES seja) , mas por isso não podemos falar nada? Eles acharam ofensivo que o quick ( tipo mac donalds frances) vendesse porco. E no norte da França o quock não vende mais coisa com bacon. Uma vez na rua me pararam porque estava com blusa tomara qeue caia. Logo, se eles acham ofensivo, vamos todos parar de usar roupa que mostrem os braços. Na Inglaterra uma pessoa, caso queira, pode ser julgada segundo a sharia. Uma mulher pediu o divorcio, foi no juiz-sharia e o juiz mandou ela continuar casada, porque se o marido espancava era porque ela dava razão.

Os exemplos são infiitos. Vão fministas, continuem defendendo o direito dessa religião de oprimir e de imlplantar seus valores aqui, sob pretexto que são minorias e devem ser repeitados. Vocês vão ver se eles serão tão legais quanto vocês o dia que estivere no poder.

Lia

Anônimo disse...

Tem que ser muito ingênua (ou se fazer de) pra não perceber o que o "desrespeito" promovido pela Charlie era contra o fanatismo alheio, contra essa ideia de que tudo é sagrado (NADA é). Concordo que muita gente não goste, porque não é algo agradável pra quem tem fé, mas a fé propriamente, não era o foco. Por isso nem todos os muculmanos do mundo saíram atirando nos cartunistas, SOMENTE OS FANÁTICOS.

Relato sonso e desnecessário.

Anônimo disse...

"Esse discurso de "o ataque foi errado, mas a revista fez isso e aquilo" pra mim soa como "sou contra o estupro, mas tem mulher que provoca usando minissaia, saindo de noite, bebendo, etc". O raciocínio a meu ver é o mesmo, já que muita gente vê como errado uma mulher fazer essas coisas."

Falou tudo.

Me irrita ver gente defendendo uma fé que faz tanto mal pras suas próprias mulheres. Mas eles são diferentes, né, vamos respeitar...

Se fosse algum católico amalucado realizando o atentato, todo mundo caía em cima falando como é ridículo.

Paula disse...

Olha o Žižek endossando o discurso dos Le Pen também... ou não? Às vezes eu acho que parte da esquerda opera na base da culpa cristã alienante.

"Now, when we are all in a state of shock after the killing spree in the Charlie Hebdo offices, it is the right moment to gather the courage to think. We should, of course, unambiguously condemn the killings as an attack on the very substance our freedoms, and condemn them without any hidden caveats (in the style of "Charlie Hebdo was nonetheless provoking and humiliating the Muslims too much"). But such pathos of universal solidarity is not enough – we should think further.

Such thinking has nothing whatsoever to do with the cheap relativisation of the crime (the mantra of "who are we in the West, perpetrators of terrible massacres in the Third World, to condemn such acts"). It has even less to do with the pathological fear of many Western liberal Leftists to be guilty of Islamophobia. For these false Leftists, any critique of Islam is denounced as an expression of Western Islamophobia; Salman Rushdie was denounced for unnecessarily provoking Muslims and thus (partially, at least) responsible for the fatwa condemning him to death, etc. The result of such stance is what one can expect in such cases: the more the Western liberal Leftists probe into their guilt, the more they are accused by Muslim fundamentalists of being hypocrites who try to conceal their hatred of Islam. This constellation perfectly reproduces the paradox of the superego: the more you obey what the Other demands of you, the guiltier you are. It is as if the more you tolerate Islam, the stronger its pressure on you will be . . .

This is why I also find insufficient calls for moderation along the lines of Simon Jenkins's claim (in The Guardian on January 7) that our task is “not to overreact, not to over-publicise the aftermath. It is to treat each event as a passing accident of horror” – the attack on Charlie Hebdo was not a mere “passing accident of horror”. it followed a precise religious and political agenda and was as such clearly part of a much larger pattern. Of course we should not overreact, if by this is meant succumbing to blind Islamophobia – but we should ruthlessly analyse this pattern. "

Anônimo disse...

Puxa, adorei o texto. E olhando algumas das charges, me senti pessoalmente ofendida pelo jornal. Obrigada por compartilhar.

LMC disse...

Comparar Charlie Hebdo com Danilo Gentilli,meu Deus,Jesus Cristo.....
Quando esse Pasquim francês atacava a
Bolsonara Le Pen,tudo bem,tudo legal...
Nem todo muçulmano é terrorista e quem
não sabe disso é burro,mesmo.
Mas não venham dizer em machismo aqui.
Marine Le Pen é mulher.E não presta.
Fazer humor em jornal não é como numa
TV,por exemplo.TV é concessão pública.
Jornal,não é.Qual é a diferença dessa
gente-que se diz-muçulmana,e age como
monstros e as nossas seitas evanjegues
que temos aqui.E o nosso querido Boko
Haram,que faz parte da mesma laia?
São muçulmanos radicalóides,também!
Mas,como a autora do blog é do Ceará,
dou um desconto.Lá tem muitos comediantes.A maioria,sem um pingo
de graça.

Paula disse...

Essa defesa da concessão ocidental aos costumes islâmicos (inclusive minimizando a gravidade do uso da violência usado para tais fins) não é diferente de defender a invasão ocidental nos países orientais e fazer com que eles aceitem nossos valores à força. Mas claro, vale tudo para colocar a culpa na extrema direita (e não, eu não sou de extrema direita).
Quantas mais comentaristas que vivem na Europa em condição de imigrante latina vai precisar para mostrar que a questão dos islâmicos não é uma xenofobia simplista mas uma incompatibilidade cultural? Por que o ocidente é que "tem que ceder" à pressão e alterar suas instituições para atender uma demanda específica imigrante?
E como disse a Jane Doe, a vida na Europa é boa PARA TODO MUNDO, até para os imigrantes (até porque ninguém imigra e permanece em uma condição pior). Se essa condição é boa, isso tem alguma relação com a estrutura da sociedade e os costumes desenvolvidos. O modo de viver e a civilidade que eles acordaram entre si (para além das barbáries da política externa) é que os relegou essa "vida boa". Tem o fator "dinheiro", claro, mas isso os EUA também tem e a qualidade de vida é outra.
Concessões nesse modelo coletivista ( de esquerda, antes que me interpretam como fascista), que vem do Wellfare State, em benefício de um grupo específico (tirar homens do recinto porque minha mulher não pode amamentar na presença dele) é por em cheque as condições que levaram à essa "vida boa".

Anônimo disse...

Vamos resumir, o feminismo de 3° onda, e fortemente clicado a esquerda e ao marxismo, que são anti cristãos ( negar este fato, faz parte da estrategia) então tudo que bata de frente com o cristianismo, vai ter apoio de esquerdistas, feministas e marxistas em geral. E a velha tática do "inimigo do meu inimigo, e meu amigo" mesmo que seja o islã
Por isto vemos o inusitado, de feministas defendendo muçulmanos, por mais machistas que sejam.
A filosofia marxista tem por objetivo destruir, os três pilares da civilização ocidental, o direito romano, a filosofia grega e aoral judaico cristã.

roberto quintas disse...

não vamos entrar nesse jogo da midia ocidental que foi um ataque á "liberdade de expressão", pois nossa cultura está cheia de casos mostrando que essa tal liberdade simplesmente não existe.
http://betoquintas.blogspot.com.br/2015/01/que-atire-primeira-pedra.html

Roxy Carmichael disse...

Paula, eu prefiro acreditar na hipótese de que você está mal informada e não que é desonesta.

Para corrigir esse problema, sugiro que dê uma lida nesse artigo do Guardian, que tem o instrutivo título de Charlie Hebdo Attackers: born, raised and radicalised in PARIS.

Mas como a elite colonizada quer ser sempre mais papisa que o próprio papa, veja que lá pelas bandas da França, eles estão sendo chamados de "KIDS OF France" e não de imigrantes mal agradecidos e mal educados que querem impor sua religião incivilizada aos ocidentais civilizados.

Só sendo muito desonesto pra enxergar nesse episódio um choque de civilizações. Os guris eram filhos da França, onde só a elite terceiromundista paga pau e a extrema direita racista acha que é a terra onde todo mundo vive bem.

http://www.theguardian.com/world/2015/jan/12/-sp-charlie-hebdo-attackers-kids-france-radicalised-paris

Um abraço!

Roxy Carmichael disse...

Anônima das 02:04
Muito obrigada!Um sopro de lucidez. Mas ó, viuvinhas do colonialismo, etnocentricos de toda ordem NÃO PASSARÃO!

Anônimo disse...

Nem precisa ir pra Europa pra ver gente que sai da sua terra pra comer e ter abrigo em outra e vive reclamando do povo que o acolhe... como nordestinos fazem em São Paulo...

Roxy Carmichael disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Por que o ocidente é que "tem que ceder" à pressão e alterar suas instituições para atender uma demanda específica imigrante?

Porque o coitadismo vence a razão. Quero ver a maravilha que a Europa vai ficar quando se parecer mais com uma Síria do que com uma Noruega.

Anônimo disse...

Patty Kirsche, tem certeza que é das meninas que eles zombam? Ou é de praticantes (no caso, os sequestradores) de uma religião que condena tanta coisa, inclusive a prostituição, mas que pega mulheres da mesma religião pra fazerem até pior com elas?

Não tá faltando um pouco mais de interpretação, não?

Carol disse...

Qualquer um que se posicione contra a cegueira religiosa merece meu apoio. Je suis Charlie.

Anônimo disse...

Paula. Nao adianta tentar explicar para certos brasileiros como é a cultura européia atual. Eu nao sou chegada ao humor alemao, mas isso é gosto pessoal. Eu nao frequento saunas, nao gosto e nao me sinto à vontade de ficar pelada na frente de estranhos (É proibido entrar até de bikini por questoes higiênicas), nos balneários e nos parques durante o verao, corre-se o risco de dar de cara com alguém praticando nudez ou topless, mas isso nao me choca nem quero que proibam, nao quero que cerceiem a liberdade conquistada. Isso seria um antentado violento ao pudor no Brasil, que olha só, permite que uma mulher fique sambando pelada durante o dia na vinheta da globo durante o período de carnaval. Para viver na europa ocidental tem que abrir a mente. Nao precisa concordar, fazer igual, mas entender que essa é a cultura do povo aqui. Para entender o humor do Charlie tem que estar por dentro do contexto e conhecer a fundo a história da França, do Iluminismo...Eu preso por essa liberdade que se tem aqui, por mim, por minha família, por meus amigos, pelos demais estrangeiros bem integrados e nao, nao aceito que outras culturas venham morar aqui, causar confusao e querer impor suas regras de conduta e crença, quando na verdade ninguém aqui os impede de construir suas mesquistas, professar sua religiao, fazer suas festas e promover festivais. Até os fundamentalistas tem seu espaço assegurado (viagiados, claro). Tao pouco vou apoiar grupos como o Pegida que possam por em risco a soberania, a sociedade e as lutas conquistadas. Aqui nao se proibi o uso de burka, somente em reparticoes púplicas, só se a pessoa é funcionária, mas o véu é aceito tranquilamente. Recentemente a sharia quis por as mangas de fora, molestando as pessoas nas ruas, fazendo controle, tanto com muçulmanos quanto ocidentais, mas a polícia foi para cima. Infelizmente sao esses casos que servem de combustível para a PEGIDA. Hoje a noite tem demonstraçoes contra a pegida, que já convocou seu simpatizantes a protestar por conta dos atentados em Paris e do incêndio do jornal em Hamburgo que republicou as charges do Chalie. Estamos reunidos ocidentais e também muçulmanos integrados, contra todos os movimentos extremistas. Hoje à noite, estaremos lá!

Anônimo disse...

Tão filhos da França que se dizem jihadistas e foram recrutados e treinados por grupos terroristas

Não existe choque algum, né

Paula disse...

Olha, Roxy, eu não acredito em análises sociais que fazem "os atores falarem", como diria Bruno Latour, e tenho dificuldades em aceitar mega-estruturas sociais como causa de tudo. Se o ator diz que agiu por tais motivos eu prefiro acreditar nele que em uma análise terceirizada alienada ao meio de ação.
Desculpe, sem seus óculos seu discurso fica entre o de um padre falando sobre pecado original e um jihadista falando sobre a maldade do ocidente.

A falta de integração muçulmana é bilateral, se seu contexto familiar é avesso aos valores da sociedade onde você está inserido, vai ter conflito. O próprio texto esclarece que não é uma questão de pobreza propriamente dita, mas de não pertencimento cultural.
Então me diga: qual padrão cultural deve se adaptar nessa situação?
A matéria chega a contradizer seu discurso na citação da antropologa Dounia Bouzar: “People say simply discrimination plus social malaise equals terrorism, that’s not true.”

"Ah, mas eles são 'kids of France' (declaração de UM jornal francês de esquerda)", então que sejam cidadãos antes de serem crentes.

Julia disse...

Anon 13:22, não sei se nordestinos que vão pra SP TRABALHAR falam mal de paulistas. Eu mesmo nunca fui a SP e falo mal de paulista daqui onde estou mesmo. É tudo na medida da vossa babaquice. Tudo que recebo como nordestina devolvo. Costuma funcionar e vcs ficam pianinhos.

Roxy Carmichael disse...

Na Africa do Sul menos de 10% da população é branca. E foi essa porcentagem que com o apoio dos belíssimos valores do Ocidente (tendo o governo inglês como BFF), conseguiu sustentar um dos mais nefastos episódios da história moderna. Não satisfeitos em desumanizar 90% da população local, os racistas sul-africanos ainda empreenderam guerras em outros países no continente africano após as independências (inspiradas pelo comunismo), pra que essa moda não chegasse lá no sul da Africa.

E onde estava o American dream pros negros segregados, perseguidos e torturados até a metade do século XX nos EUA? Os negros tão imigrantes quanto os ingleses? Tem Black Panther que tá preso até hoje!

Enquanto isso a família de Thomas Sankara pede que seu corpo seja exumado, Sankara foi presidente do Alto Volta, atual Burkina Faso, que lá pelos anos 80 tinha uma consciência super feminista, promovia o desenvolvimento social que ía contra os interesses imperialistas franceses, e foi assassinado pelo seu vice, BFF da França (por sinal o presidente até uns dias atrás, deposto depois que uma onda de protestos varreu o país). Até hoje lutam pra responsabilizar o Estado Francês por esse crime. E Burkina Faso é hoje um dos países mais pobres do mundo.

O mundo tá cheio de contradições.

Os irmãos Kouachi eram filhos da França sim, uma França real e não essa imaginária pintada à imagem e semelhança do discurso imperial-colonial. O que foram as revoltas de 2005 se não uma insurgência dos filhos bastardos da França?

Estávamos até ontem todos muito consternados pelos hediondos casos de assassinatos nos Estados Unidos que dispararam uma série de protestos contra o racismo estrutural da policia americana, com astros de basquete usando a frase símbolo da brutalidade: I can't Breathe. O mesmo aconteceu com a morte de jovens pela policia em 2005 e disparou revoltas violentíssimas na periferia de Paris, obrigando o presidente a decretar estado de emergência.

Essas tensões existem há muito tempo na França e são resultado de processos históricos, e não tem nada a ver com um choque de civilização. Tem a ver com a hipocrisia dos valores ocidentais dispensados a uma parcela da população e negado a outra parcela. É assim lá e é assim aqui no Novo Mundo também.

Sim existe o terrorismo e o jihadismo, como existiu o nazismo e o fascismo, no seio ocidente e dos "valores ocidentais".

Obviamente deve ser combatido, mas obviamente a estratégia utilizada até agora é a anti-estratégia. Até porque essa estratégia está muito pouco ou nada relacionada aos valores humanistas, e totalmente concebida pra uma vez mais, privilegiar determinados grupos em detrimento de outros.

Os países árabes sendo barbaramente bombardeados, os cidadãos sendo sequestrados, torturados e condenados sem julgamento numa prisão que fere o direito internacional e a juventude marginalizada, humilhada e perseguida nos guetos sendo seduzida por uma narrativa mítica. Agora a morte como martir e a recompensa com as 77 virgens. Mas existiram outras narrativas e elas continuarão existindo. E o governo francês portador da moral e defensor das liberdades quer interromper esse ciclo não permitindo que essa narrativa circule nas prisões. Alguém em sã consciência acha que vai ter êxito?

Obviamente que isso não resume tudo. Se franceses brancos ricos e não muçulmanos, filhos de médicos aderem ao jihadismo, vamos continuar dizendo que isso é um choque de civilizações, problema de imigrantes incivilizados que querem trazer a barbárie pra Europa?

Anônimo disse...

Grupos terroristas devem ser combatidos, não devemos aceitar nem justificar tais atos. A questão da imigração como já citei, "se estou fora do meu país devo acatar as leis do lugar onde estou, e interagir com as pessoas desse lugar".
Não sou contra a imigração, apenas defendo que as leis e os costumes de cada lugar devem ser respeitados.

Senna.

Roxy Carmichael disse...

Paula, por favor.

Primeiro: a islamofobia é ficção só comparável à misandria.

Segundo: de acordo com o depoimento de duas ou três imigrantes brasileiras que vivem na Europa (das quais desconhecemos totalmente dados fundamentais como etnia e classe social, capital cultural, etc.), Europa é boa pra todo mundo. Em letras garrafais...

E ainda tem a narrativa da luta pelos valores ocidentais, bem ao gosto do "direitos humanos pra humanos direitos".

Terceiro, e um dos mais naifes de todos: ninguém imigra e permanece em uma condição pior. O bom e velho (e simplório) os incomodados que se retirem.

Realmente, diante desses argumentos, qualquer referência social vai ser irrelevante

Anônimo disse...

Roxy, honestamente, os tuas divagações para tentar justificar atos terroristas já transbordaram. Você, sem conhecimento de causa, fala como se o imigrante aqui vivesse em condições subhumanas e marginalizados. Eles tem os mesmos direitos que todos os demais cidadãos, e deveres também! Se eles estão legais aqui, receberão todos os benefícios que um cidadão europeu. Gente, não é à toa que aqui é cheio de imigrantes. O sistema é de bem estar social! Filho de pobre frequenta a mesma escola pública que filho de gente rica! O estrangeiro que não fala nem bom dia em alemão, tem acesso aos mesmos médicos e assistência social que os nativos. Tem uma moça de Gana que trabalha no mesmo lugar que eu, cansa de me dizer que se pudesse traria a família inteira para morar aqui., e eu penso a mesma coisa. Negros sofrem muito menos preconceito aqui do que no Brasil. Tô cansada de ouvir isso aqui dos meus amigos e conhecidos, maioria baiana, que foi se sentir melhor acolhido que no seu país de origem. Tem xenofobia? Claro! Sempre vai existir aquele que acha que não quer "pagar imposto para sustentar vagabundo" (na cabeça obtusa dele que só conhece o jardim de casa). Enfrentamos obstáculos para nos integrarmos? Sim! Mas não ficamos num cantinho chorando e nos lamentando e pensando em entrar num mercado, fazer 15 pessoas de refém, matar quatro e sair gritando deus é maior. Eu moro numa área que tem bacias de estrangeiros, de todas as etnias, nem dá para dizer quem é alemão e não é, de tão multicultural que é. Muitos tem suas vidas consolidadas aqui, não conseguem se imaginar morando em outro canto do mundo, porque estão muito bem integrados, incluindo também muçulmanos. Mas sempre existe aquele que vai reclamar e falar mal do sistema, vai chamar o alemão de nazista, vai ficar comparando o país de origem com o atual, vai por uma lente cor de rosa, vai reclamar de tudo o que puder. Vai existir também gente discriminada, pois infelizmente ninguém está livre disso em canto nenhum do mundo. E o pior, tem alemão que se converte ao salafismo (ala radical do islã) e vai embora para o Afeganistão ou Síria para lutar em nome de alá. Enfim, a gente pode ficar infinitamente aqui comentando sobre um assunto bem complexo e não chegarmos a denominador comum, porque você tem certeza do que acredita, assim como eu tenho a minha. A única coisa que sei é que desejo um estado em que todos possam coexistir independente de suas crenças, e que o estado permaneça laico. A chancelar falou mais uma vez hoje sobre a importância da integração, e que a política continuará a ser de receber os refugiados. Não concordo com a postura de alguns imigrantes, mas continuarei contribuindo com os trabalhos sociais de integração que faço na minha comunidade, assim como irei a todos os protestos contra a pegida que ocorrerem na minha região. Encerro por aqui a minha participação

Anônimo disse...

Só uma coisa... eu disse que a aqui a vida é muito boa, e é mesmo. Porém não me lembro de ter escrevido que não há problemas sociais, que o sistema é infalível e que abriga igualmente 100% da população.

DE MANEIRA GERAL as coisas funcionam muito bem para uma fatia bem grande da população - nativos e estrangeiro.
DE UMA MANEIRA GERAL eu tenho visto esforço por parte dos governos para integrar e fazer com que os benefícios sociais alcançarem o maior número possível de pessoas.

Continuo achando que a expansão de radicais islâmicos, PEGIDA, neonazistas e afins (afinal são odiadores combatendo o ódio com mais ódio) são uma ameaça ao bem estar de todos...

Jane Doe

Anônimo disse...

Não gosto de Charlie Hebdo.

Paula disse...

Primeiramente, desculpe< Jane Doe por ter distorcido seu comentário. Escrevi sem reler o que você tinha escrito. Mas independente disso, aqui na caixa da Lola tem sempre gente que mora na Europa e eu nunca li alguém dizer que a vida não é mais tranquila na Europa que aqui. Na minha família tem quem foi pra lá lavar prato e virar pedreiro e hoje tem tanto dignidade como padrão de vida superiores à classe média brasileira (e não é gente branquinha que se confunde com a população local, é brasileiro com cara de brasileiro).
Segundo, retiro o que disse sobre misandria e islamofobia, foi uma comparação infeliz e equivocada.

Mas vamos lá, Roxy. É evidente no seu discurso a legitimação do pay-back histórico, só que esse pay-back cai nas costas de gente que tem muito pouco controle sobre as políticas externas da França.
Ninguém louvou o colonialismo (até porque, como você mesma disse, eu também sou colonizada), nem mencionou ele como "um valor a ser preservado", mas parece que para acabar com os vícios da sociedade ocidental vale contestar suas qualidades. Afinal de contas quem pode provar que teocracia, censura, potencialização do machismo e instituições subjugadas a ditames religiosos são necessariamente piores ao que temos aqui ou na Europa né?

E o fato de se envolverem nesses grupos também jovens ricos e brancos não altera a origem da "narrativa mítica": a religião ao pé da letra. Inclusive, se fosse um movimento composto de jovens brancos entediados, a opinião pública da esquerda (e a opinião pública geral) não seria contrária ao "fechamento do cerco" sobre o grupo.
Várias grandes narrativas surgiram ao longo da história, as próprias narrativas modernas como nazismo, comunismo e fascismo aparecem quase como uma contrapartida secular à decadente narrativa cristã. Isso não quer dizer que qualquer uma delas deva ser tolerada ou relativizada. A Charlie Hebdo criticava as narrativas religiosas, tentava desmistificar seu heroísmo. E mesmo com o final que essa história teve, tem gente que acha que a religião devia ser preservada, intocada, inatingível, "mítica" para sempre (com o único objetivo de não ofender seus adeptos). Ou você realmente acredita que alguém que lia a revista achava que Maomé de quatro era uma crítica ao imigrante e não ao islamismo e sua doutrina?

E sim, se o incomodo desses grupos muçulmanos é o próprio modo de vida dos europeus, a roupa das mulheres, os hábitos alimentares, a relativa liberdade sexual, os ambientes mistos, a laicidade do estado, e a liberdade de expressão, bom, eu realmente acho que quem deve se mudar é o incomodado. Protestos por assistencialismo social tem dia sim dia também na Europa e, como os jovens brancos jihadistas nos ensinam, a questão não é simplesmente sobre discriminação e poder econômico.

Anônimo disse...

Nos paises ocidentais, Europa, Americas, e permitido que se construa mesquitas, mas vcs sabiam que na Arabia Saudita, Iemen, Afeganistão Irã entre outros e proibida a construção de igrejas, e que se ande com a Biblia na rua?
Porque devemos tolera-los e não eles a nós?

Anônimo disse...

Roxy, você não mora na Europa, mora? Porque tem um monte de gente que mora na Europa te explicando que não é coisa " coitados, ele sofrem". Tem que por regras sim. Senão eles vão impor as deles. Você viu no relato de algumas meninas que oo marido tev que sair para que ela pudesse amementar, a outra que foi coagida por estar vestindo uma regata... são esses valores que você defende?

Onde que fazer uma charge sobre Maomé é mais ofensivo que falar que mulheres valem menos que homens ( porque religião fala isso sim!!!- trabalho com uma muçulmana, pessoa maravilhosa, mas que está gravida, e disse que se for um menino vai raspar a cabeça e pesar os cabelos dele.. ai da a qtidade de gramas de cabeloe em ouro para a mesquita, para agradecer que é um menino. Lindo, né?)
Então a minha, a nossa dignidade como mulher vale é menos ofensivo do que essas charges? Pra mim não.

e na boa, eu quando cheguei aqui na Zoropa 10 anos atras pensava igual você, Roxy. mas o pensamento muda, porque a vida é de verdade, não é "os ruins ocidentais contra os pobres muçulmanos sofridos da europa".

De verdade, eles tem todos os direitos aqui. Na Noruega um candidato a emprego recusou a apertar a mão da entrevistadora porque era uma mulher. E dai ela dise que se ele não podia apertar a mão de uma mulher o emprego não era para ele, porque ele teria que conviver com mulheres. Ele entrou ana justiça por discriminação, e GANHOU!!! A liberdade religiosa dele passa antes da mnossa dignidade como mulher? Eh isso que vcs estão defendendo?

Caramba

Anônimo disse...

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/01/1574220-guerra-ao-terror.shtml

donadio disse...

"Acho que quem quer viver sob a sharia islamica deveria ficar nos países muçulmanos teocráticos, não querer ir morar em outros países com cultura e leis diferentes. Mas não. Eles vão pra outros países e acham que a cultura e leis locais tem que mudar pra atendê-los,"

Não me parece que a dinâmica seja essa. Ao contrário, parece que a radicalização ocorre já no país de destino - e aliás atinge muito mais a segunda geração do que os imigrantes propriamente ditos.

Ou seja, não é que "radicais islâmicos que querem viver sob a Sharia" migrem para o Ocidente, mas que migrantes para o Ocidente (e seus descendentes) se tornam "radicais islâmicos que querem viver sob a Sharia" no próprio Ocidente...

"mas por acaso nós vemos a mesma coisa acontecer em países muçulmanos? Alguém aí já viu acontecer? Alguém? Oi?"

Oi. Tem cerca de seis milhões de muçulmanos na França - quase todos imigrantes oriundos de países que foram colonizados pela França.

Quantos imigrantes franceses tem nos países muçulmanos?

(Quando tinha, eles faziam exatamente isso - mudavam, à força, a cultura e as leis locais, para atender a si mesmos. E não eram imigrantes, eram colonizadores.)

donadio disse...

"Porque devemos tolera-los e não eles a nós?"

Por que não somos iguais a eles.

Anônimo disse...

E porque os colonizadores faziam um monte de merda, vamos defender ou relativizar o monte de merda que continua sendo feito.

Tá todo mundo de parabéns.

Anônimo disse...

isso Donadio, não somos iguais a eles. Somos seres superiores, vamos deixa-los ofender, humilhar e subjugar as mulheres.( entre muitas outras coisas) Eh a cultura deles, e eu como brancao ocidental, vou defender, afinal, são minorias, né?

Lindeza de pensamento!

Anônimo disse...

http://escrevedesatento.blogspot.com/2015/01/je-suis-charlie-hebdo.html

Anônimo disse...

Uma paulista que acha que nordestinos são todos ruins e uma nordestina que acha que paulistas são todos ruins. Vocês são IGUAIS, parem de bobagem de superioridade aqui.

Anônimo disse...

Nada é sagrado, é isso que o Charlie atacava. Cultura e tradição mudam, e religião faz parte disso. Justificar ou aceitar barbaridades porque pessoas "tem fé" é ser igualmente ignorante e conivente.

Anônimo disse...

Hoje na Europa a mulher ocidental, femunista , resolveu que não quer ter mais filhos, media de 1,5 filho por mulher.
Já a mulher islâmica européia, tem em media 4. Façam as contas? Em maus ou menos duas gerações..


Uma versão ainda pior de "Idiocracia"?

Anônimo disse...

Anônimo de 10:26 para o texto que você postou deixo a resposta do filósofo homer simpson: boriiing! Mais um daqueles textos que a galera adora compartilhar no Facebook com o lindo início "para explicar o que aconteceu blablabla". Isso vale também para outros links. Eu quero é textos tentando explicando a realidade da sociedade brasileira, da nossa violência, seja ela no trânsito ou nas favelas ou em todos os espaços, que mata muito mais que atentados terroristas na europa ou nas guerras no oriente médio. Interessante brasileiros discutindo sobre o quintal do vizinho, se não consegue quase nem sobreviver à uma eleição no próprio país.

Carol disse...

Anon de 12:40, os problemas do mundo são tão importantes quanto os do Brasil, porque, sabe... a gente está no mundo. Falar que um texto é chato (e olha que interessante, usar justo o Homer Simpson) porque não é o que você quer ler (que não tem a ver com o post da Lola e com a discussão) é bem mal-educado. Já que está tão interessado em resolver os problemas do país, pra só então pensar no resto do mundo (como se cérebro tivesse botão de desligar pra algumas opções e pra oturas não), cadê os SEUS links?

Enquanto você providencia a salvação do Brasil, continuamos discutindo o assunto, porque o mundo não gira nem para de acordo com a sua falta de educação.

Pryscila disse...

Lola, só uma observação, para que não cometamos mais uma injustiça ou que propaguemos informações errôneas:

A CHARGE QUE COMPARA A MINISTRA A UM MACACO NÃO FOI PUBLICADA PELO CHARLIE HEBDO.
TAL CHARGE FOI ORIGINALMENTE PUBLICADA PELO JORNAL FRANCÊS "LE MINUTE",JÁ CONDENADO A PAGAR 10 MIL EUROS À MINISTRA EM 2014.

Beijo-jo!

donadio disse...

"isso Donadio, não somos iguais a eles. Somos seres superiores, vamos deixa-los ofender, humilhar e subjugar as mulheres.( entre muitas outras coisas) Eh a cultura deles, e eu como brancao ocidental, vou defender, afinal, são minorias, né?"

Onde você leu isso? Com certeza não foi no que eu escrevi, onde não há nenhuma referência a "cultura" nem a "deixar" (ou não deixar) que "eles" façam isto ou aquilo.

Qual a sua alternativa para "não deixá-los ofender e subjugar as mulheres?

Bombardeá-los, matando inclusive as mulheres que supostamente queremos defender, como parece ser a tática norte americana?

donadio disse...

"E porque os colonizadores faziam um monte de merda, vamos defender ou relativizar o monte de merda que continua sendo feito."

Não, né?

Mas também não vamos fazer que nem tucano, que acha que o mundo começou em 2003, como se não houvesse história anterior, como se a migração do Oriente Médio para a Europa fosse um fenômeno sem causas, ou meramente psicológico.

Se quisermos achar uma solução, temos que começar entendendo o problema. Inventando explicações falsas, fazendo de conta que não há causas, não vamos entender o problema. E sem entendê-lo, não vamos resolvê-lo.

Fernanda disse...

Vamos aos fatos: pessoas foram mortas porque outras pessoas se sentiram ofendidas pelo que foi escrito/desenhado.

Parece razoável? Dá mesmo pra justificar com "ah, mas eles passaram dos limites"?

Se se tratasse do "nosso" catolicismo, esse que queimou mulheres na fogueira, esse que nos nega o aborto e que nos condena a sermos vistas como objetos dos homens, todos esses comentários seriam BEM mais inflamados (como são, é só ver comentários em outros posts da Lola).

Por que não são assim com outra religião, que faz exatamente a mesma coisa?

Isso, claro, porque só me refiro às mulheres, sem contar outras minorias historicamente oprimidas.

Vamos parar de hipocrisia.

Anônimo disse...

Um Homem matou outro por causa de DEZ CENTAVOS.
Mas por que isso ocorreu ?
Ele não tinha dez centavos e cobrador do ônibus começou a humilha-lo.
A briga foi evoluindo eo Homem que não tinha dez centavos .tinha um arma.
O cobrador morreu com um tiro.
Por causa dos dez centavos ?
Não .........pela falta de respeito.

Anônimo disse...

Anônimo 23:28, que comparação tosca é essa? Houve um tempo que a sociedade vivia sob a justiça com as próprias mãos, era um caos! As leis, mesmo que ainda falhas, servem para que um não mate o outro por conta de desavenças, banalidades e crimes de injustiça. Ou você acha que justifica um cara matar um outro porque ele passou uma cantada na namorada dele, já que a falta de respeito foi o gatilho?

Anônimo disse...

23:28, então você acha razoável matar por respeito/honra? Você não é só uma pessoa horrível, é também incapaz de viver em sociedade.

Anônimo disse...

"Eu mesmo nunca fui a SP e falo mal de paulista daqui onde estou mesmo. É tudo na medida da vossa babaquice."

Fala do que não conhece, generaliza e ainda se prova pior do que quem a criticou. Não venha pra cá mesmo, por favor.