terça-feira, 30 de setembro de 2014

GUEST POST: O PODER SOBRE O OUTRO -- TRANSEXUALIDADE E IMPOSIÇÕES SOCIAIS

Este texto me foi enviado por Ítalo Medeiros, 18 anos, estudante de Ciência da Computação pela Universidade Federal de Campina Grande, na linda Paraíba. 
Por incrível que pareça, Ítalo escreveu o texto que publico abaixo no ano passado, ainda no ensino médio, sob a orientação de um professor de sociologia. 

Ainda na última década de 90, a transexualidade era considerada uma patologia, um estado psicopatológico de não correspondência entre sexo anatômico e identidade sexual. O transexual, portanto, era um indivíduo que sofria de uma enfermidade, da qual precisava ser curado. Ora, em se tratando de uma doença, nada seria mais natural que se buscasse seu tratamento. Diante de tal consideração, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) determinaram que a cirurgia de mudança de sexo seria, para os transexuais, o meio pelo qual o desvio de identidade sexual fosse revertido. 
Realizada a cirurgia, o transexual, somente agora, poderia ser concretamente reconhecido como pertencente ao gênero com o qual sempre teve identificação. Tais pensamentos elucidam que os debates a respeito da transexualidade eram reduzidos a questões anatômicas e patológicas, posto que eram travados sob critérios deterministas que sugeriam que o transexual só poderia encontrar sua cura se ele próprio se submetesse a uma mudança corpórea que fizesse com que seu gênero, enquanto comportamento e aqui ainda entendido sob a concepção binária “homem/mulher”, pudesse condizer com sua genitália. 
Contudo, tal como atuais debates apontam, a transexualidade é muito menos uma disfunção, uma enfermidade, do que um conflito identitário. Obviamente, o ser transexual não é um doente mental. Assim afirmado, observa-se a grande importância que o discurso de identidade de gênero tem para os debates sobre transexualidade. 
Todos nós, ao nascermos, já carregamos o peso da imposição de uma identidade. A presença de um pênis ou de uma vagina gera expectativas relativas ao nosso ser no mundo. Desde cedo, portanto, somos obrigados a seguir regras específicas, pertencentes ao campo de identificação sexual sobre o qual somos despejados, que possam construir em nós, por imposição, o nosso papel social como homens ou mulheres. 
Por exemplo, as garotas, desde cedo, ganham bonecas, vassouras e panelas de brinquedo, dentre outros objetos, que sugerem a construção de comportamentos e características como o espaço social restrito ao lar, a passividade, a racionalidade menos desenvolvida (como consequência da ausência da possibilidade de participação de atividades mais complexas), dentre outros. Por outro lado, aos garotos, quando são estimulados a praticarem esportes que exigem esforço físico, é concedido e estimulado o direito à ocupação e disputas de espaços públicos. Sendo assim, essas pequenas realizações da infância criam a subjetividade de que o espaço público é próprio dos homens.
Essas considerações apontam para a ideia de que, afinal, a identidade de gênero é uma construção social. No caso dos transexuais, o indivíduo, aos olhos da sociedade, age erroneamente ao não seguir seu gênero biológico. Os procedimentos paliativos, como as transformações físicas induzidas e o comportamento assumidamente do sexo com o qual o indivíduo se identifica, passam a ser vistos como um afastamento negativo e gradual daquilo que seria o caminho coerente, correto, saudável. 
Não seria o caso de pensarmos que, na verdade, o que o transexual busca não é somente corresponder a um anseio espiritual, posto que ele próprio já se identifica com o gênero que lhe negam, mas também ser reconhecido pela sociedade como tal? Quando um transexual transforma-se, seja fisicamente, ou quando evidencia os atributos do gênero com o qual se identifica, não seriam essas transformações um pedido radicalizado de reconhecimento, inclusive legal, daquilo que ele verdadeiramente é? 
Para a maioria dos transexuais, o reconhecimento de um corpo (o seu próprio) que não pode, sob comparação com os padrões determinados de gênero, expressar seus desejos e comportamentos, é o início de um processo de negação do eu. É mais do que compreensível essa frustração. Se durante toda uma infância um indivíduo se reconhecesse como mulher, por exemplo, apesar de ter nascido com um pênis, e enxergasse sua personalidade, seus gostos e alguns dos seus atributos como semelhantes aos daqueles que se constroem como pertencentes ao gênero feminino, como outras pessoas poderiam, após algum tempo, no início da adolescência, por exemplo, afirmar que este mesmo indivíduo simplesmente não era o que achava que fosse, e isso apenas porque ele teria alguma coisa meramente física, com a qual muito provavelmente nunca teve qualquer tipo de identificação/relação? 
Para melhor elucidar a situação anterior, considere que, não tendo contato com a intimidade de outras crianças na infância, tal como realmente ocorre em nossa sociedade, e, portanto, sem diferenciá-las pela genitália como meninos ou meninas, na mente do indivíduo em questão ainda não teria se formado a ideia de que uma pessoa já nasce homem ou mulher.
Se para o reconhecimento legal e social de um gênero é necessário que o transexual apresente características físicas desse, incluindo-se nesse pacote a genitália, então esse será o caminho pretendido. É com base nesse pensamento que uma grande parcela de pessoas transexuais recorre aos processos indutivos de transformação física do corpo -– e a cirurgia de mudança de sexo é concebida como procedimento final, definitivo e incontestável de defesa de sua identidade. 
No Brasil, o transexual que não optar por fazer a cirurgia de mudança de sexo não será considerado como um "verdadeiro" transexual. Será um transexual secundário, oscilando entre um homossexual e uma travesti, e não obterá permissão para adequação de seus documentos.
Entretanto, como já destacou Berenice Bento, não são todos os transexuais que querem passar pela intervenção cirúrgica, apesar da maior parte desejar não ter nascido com o órgão sexual do gênero com o qual não mantêm relação de identificação. Contudo, não são todos que afirmam uma completa rejeição, distância, à genitália com a qual nasceram. Uma pequena parcela assume a decisão de, não optando pela cirurgia de mudança de sexo, construir sua identidade pelos símbolos representantes de seu verdadeiro gênero (o independente do sexo biológico). Então, se a opção pela cirurgia de mudança de sexo não é representativa de todos os transexuais, como compreender que, em sua grande maioria, essas pessoas desejem a mudança anatômica? Não será que elas são ideologicamente conduzidas a aceitarem que só serão transexuais se fizerem tal cirurgia? 
O fato de um transexual somente poder alterar seus documentos depois de realizada a cirurgia é uma condição de constrangimento e de negação ao direito que cada um tem de ser reconhecido socialmente tal como deseja. Não há gênero em uma estrutura corpórea, mas sim no dia a dia, no modo de se expressar, na roupa e nos acessórios que se usam, dentre outros. Portanto, o transexual não deve ter sua identidade condicionada a critérios que não considerem o gênero como uma construção social.
Apesar de no Brasil, atualmente, os transexuais já possuírem uma mínima abertura para a mudança de nome e de gênero nos registro civis -– como é o caso de um estudante de Franca, SP, e de alguns estados que adotaram um documento, denominado Carteira de Nome Social (que não substitui o registro de nascimento nem a Carteira de Identidade) -–, fica aqui o desejo de que essas práticas possam ser respaldadas legalmente em todo o território brasileiro, não ficando ao critério somente da interpretação de um juiz para cada caso, o que levaria o direito para uns transexuais, mas não para outros.
Numa tomada mais abrangente, urge que toda e qualquer pessoa seja reconhecida e respeitada socialmente do modo como ela própria se enxerga, sem que mecanismos políticos e sociais privem-lhe disso que deve ser de seu direito. 
Que ninguém mais seja posto à margem! Que seja declarada, enfim, a liberdade! 

90 comentários:

Anônimo disse...

quanto drama, vçs não cansam de procurar motivos pra dizer que sofrem.

Ana disse...

Que texto legal! Muito lúcido e esclarecedor. Fico contente de poder entender um pouco mais a questão.
Sem dúvida, a ignorância é a grande responsável pelo preconceito.

Anônimo disse...

Isso está parecendo papo de maluco,uma coisa meio sem pé nem cabeça.Quer dizer que meninos não têm habilidades espaciais, nem gostam de jogar bola e ser competitivos ao nascer? Na natureza não existem machos agressivos e fêmeas que cuidam da prole? Não há diferença genética NENHUMA entre os sexos ???

Acredito que a monogamia e o amor romântico sejam imposições da mídia .Existe uma pressão social para que as pessoas sejam monogâmicas. Hollywood, Rede Globo e demais meios de comunicação vendem isso como normal. Historicamente, alguns poetas POBRES e malucos que inventaram essa história de Romantismo. Uma imposição cultural. Mas existem neurocientistas mulheres que falam das diferenças entre os sexos.


Todo mundo deve ter seus direitos fundamentais garantidos, está na Constituição. Algumas pessoas nascem de um jeito diferente da maioira e são portadoras de direitos. Mas dizer que o sexo é imposto pela sociedade é meio forte.

Será que os filhos das femninistas devem ser obrigados a usar saias e batom? AS adolescentes serão obrigadas a satisfazer lésbicas mais velhas?



Cada um nasce com um destino.

Anônimo disse...

Uma sociedade com milhões de pessoas não pode se dar ao luxo de atender a todas as demandas e desejos, ainda que tenham justificativas e possam ser legítimos. Uuma pessoa poder ser identificada com o gênero que quiser, sem cirurgia, sem nada, é absolutamente inviável.
É como mudar de nome, uma pessoa não pode, sem motivo muito fundamentado, mudar de nome. Ora, não seria lógico poder ser identificado pelo nome que se deseja?
Infelizmente não dá pra ser assim, essas aberturas dariam margem a todo tipo de falcatrua e fraude.

Anônimo disse...

Só vejo o perigo de homens se identificando como mulheres ou como qualquer outra coisa, mesmo sendo lidos na sociedade como homens (com salários e direitos a mais), invadindo espaços das mulheres... Isso não me cheira bem não. Pessoa diz que é "intersexos" ou qualquer outra palavra em inglês que copiaram do Tumblr, já sinto cheiro de problema.

Anônimo disse...

Uma vez folheando um livro sobre travestis, li que eles casam com mendigos, drogados em sua maioria. Homens sem dinheiro ficam com transsexuais ou morrem sozinhos descascando.

De outro lado, homens que usam o cérebro buscam fortuna,muito dinheiro, pois eles querem poder sustentar amantes obedientes, mulheres de verdade, ou contratar GP´s de luxo.


Lendo um post antigo, foi dito que o travesti sofre por não poder se apaixonar. Ora, pode se apaixonar, só não precisa chegar perto. Pode ficar bem longe. Se ficar próximo, vai queimar a imagem de um macho guerreiro, pegador, isso é violência contra o homem!!!! Vejam o papelão do Ronaldo!

Já imaginaram o cara deixar de pegar uma gostosa padrão panicat por ser visto conversando com travesti??? Isso é pavoroso.


Todo mundo deve ter seus direitos fundamentais respeitados. Mas não pode queimar a imagem alheia, nem enganar bêbados para os parceiros zoarem.

Anônimo disse...

Concordo com o anônimo das 14:32,esa coisa é perigosa, muito gay estelionatário, malandro vai querer dar golpes, pegar dinheiro de velhinhas honestas e depois "virar" mulher com documentos falsos. Com isso irá fugir da justiça.

Anônimo disse...

“Travestis e transexuais sofrem cotidianamente a violência e a humilhação de não serem reconhecidos em seu gênero eletivo. Por exemplo, uma pessoa que, mesmo vivendo no gênero feminino e se apresentando como ‘Ana’, ainda assim é chamada de ‘Antônio’. Não interessa a ninguém qual genital ela tem em seu corpo. Todo o meio escolar, como o corpo docente, discente, funcionários e comunidade, desde o ensino básico constantemente vê tais pessoas como doentes, pecadoras, promíscuas, perigosas ou inferiores, tratando-as com humilhação e desdém e gerando um ambiente impossível de se continuar frequentando. Quando travestis e transexuais resolvem não mais passar por esse processo de estigmatização e discriminação e saem da escola, a escola ainda diz que elas é que abandonaram os estudos. Não, elas não abandonaram. Elas foram expulsas, pois todo o ambiente escolar foi hostil à permanência delas”

vocês chamam isso de privilégio? é direito básico! é dignidade!

fonte: http://www.blogdareitoria.ufscar.br/?p=1945

Anônimo disse...

Isso tudo custa dinheiro e eu pago imposto de renda.

Se a pessoa quiser fazer essas mudanças deve pagar mais impostos para compensar seus gastos maiores.

Como exemplo alguns motoqueiros que andam sem capacete, caem e depois ficam meses no hospital.

Esses caras estão comendo com o meu dinheiro suado, suas esposas safadas estão curtindo o hospital e a comida com minha grana!!! Trabalhei em hospital público e vi muita mulher adorar a doença dos filhos e maridos, pois assim teria comida grátis e sexo com os seguranças na madrugada, tudo pago com meu dinheiro.

Acho que todo mundo pode ter a liberdade que desejar, desde que pague por ela.

Querer direitos sem pagar imposto é moleza.

Felipe Dresden disse...

Trabalho científico sobre sexo anal, Revista de Coloproctologia publicado no portal de ciências do Governo.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-98802010000100007&script=sci_abstract&tlng=pt

Anônimo disse...

Existe uma teoria que fala do stress como origem do homossexualismo e do transexualismo. Qaunto maior o stress, maior a chance de o feto se tornar um gay no futuro.


Em geral a culpa pelo stress é a superpopulação, que tem o governo como grande culpado.


Por isso sou a favor do aborto, da laqueadura e da vasectomia,da mudança de sexo, pois tá nascendo gente que nem vai ter o que comer, isso é torturar as crianças!!!!



Mas se a Rede Globo, que manda de verdade no Brasil, quiser, em 2 anos os transsexuais ganharão dos governos muitos direitos e bolsa silicone para poder ir à praia, para poder sustentar macho....

Se quiser mudar o Brasil, é preciso pressionar a Rede Globo.

Anônimo disse...

Aluno de Ciência da Computação não tem que ficar escrevendo artigo de mimimi esquerdista, este sujeito está no curso errado.

lola aronovich disse...

Será que algumas pessoas poderiam fazer comentários inteligentes e não transfóbicos e misóginos no post de hoje? Porque tá f*da, viu. Não sei se os comentaristas de portais vieram parar aqui hoje ou se é o mesmo otário escrevendo os mesmos comentários (e isso que eu deleto vários).


Ahn, anon indicando artigo sobre sexo anal, vc indica esse artigo só em posts sobre gays (e trans, que não são nem necessariamente gays, mas acho que vc teria que ler o post pra entender), ou em posts sobre sexo anal de homens cis com mulheres cis? O que mais vejo é homenzinho que adora fazer sexo anal com a parceira dizer que sexo anal é uma aberração pros gays.

Anônimo disse...

Toda vez que leio um texto com a expressão 'cis', nem termino de concluir, já sei que é besteirol esquerdista non-sense.
Como diria o nobre candidato Levy, aparelho excretor não gera vida.

Anônimo disse...

a lola tá irritadinha pq não entrou nenhuma das puxa saco dela que sempre lhe dão razão, que peninha, tô chorando aqui. rsrs, os comentários não são o que vc queria ler, problema seu ! pq é isso o que a maioria pensa.
nem todos são como as suas alienadas.

Anônimo disse...

Será que mostrar um outro lado do problema com as possíveis incoveniências sociais de algumas mudanças é ser misógino ou trnafóbico?. O objetivo da Justiça é resolver as lides e obter a Paz Social.

Se alguma mudança jurídica trouxer Intranquilidade Social e pertubação da paz, deve-se questionar.

Devemos nos lembrar sempre da abarrotamento do Judiciário.

Anônimo disse...

"O que mais vejo é homenzinho que adora fazer sexo anal com a parceira dizer que sexo anal é uma aberração pros gays."

levar um fio-terra (ou praticar pegging) da GP eles querem, pagam pra isso inclusive, mas DEUS ME LIVRE essa "gente diferenciada" ter os mesmos direitos que os cidadãos de bem.................

D Stoffel disse...

Vixe lola nunca te vi reclamar assim kkkkk, na verdade a pessoa que quer fazer a mudança de sexo precisa de anos para faze-la pois depois não pode mudar mais.
E Sobre ter homem trocando de sexo pode até ser , mas pra mudar de nome eles vão olhar a sua ficha criminal e saber se vc não tem rabo preso.

Raven Deschain disse...

"Quer dizer que meninos não têm habilidades espaciais, nem gostam de jogar bola e ser competitivos ao nascer?"

OMFG! Vc abriu meus olhos! Sou homem! =O

Mas isso me leva outra questão. Dá pra perceber que sou absolutamente objetiva. Não enrolo, não faço rodeio e não tenho o menor medo de ofender. Sempre, sempre, desde criança escuto: Nadine, vc falando parece um homem! Diferença biológica será?

E não fale besteira, tonto. Se tivesse o mínimo de conhecimento sobre feminismo antes de falar groselha, saberia que por aqui ninguém é OBRIGADO a porríssima nenhuma.

Se meu filho quiser usar saia (ele usa kilt, gay demais pra sua cabeça? Mais uma revelação: Escoceses são gays. Todos.) e batom ou minha filha descobrir que gosta de mulheres mais velhas (eu gosto, lésbica demais pra sua cabeça?), ok. Vá com dels. Mas ser obrigado? Cê é da zoeira neh?

Anônimo disse...

Ahn, Lolinha, mas o anon do sexo anal não se importa com a "integridade anal" das mulheres. Esse ai deve ter o cenário de O Conto da Aia como principal fantasia sexual.

Anônimo disse...

Concordo com a Lola sobre sexo anal, quer fazer faz mas se assume, e quando a namorada quiser meter no teu deixa.

Anônimo disse...

Todas as pessoas estão protegidas pelo artigo 5º da CF/88. Isso não cabe discussão, o ser humano precisa ter sua dignidade respeitada sempre.


Seu blog se torna uma voz para as minorias oprimidas. Algo raro de se ver.

No entanto,para comentar sobre o que foi escrito num comentário acima, gostaria de dizer que muitas mulheres traem seus maridos, pois esses não gostam de sexo anal.Acham que a mulher vai se tornar muito promíscua por fazer anal. Nesse caso essas mulheres merecem apoio de todos. Pessoas reprimidas não devem limitar a sexualidade dos cônjuges.

Por essa razão, essas mulheres buscam seu prazer legitimamente com outros homens. Como dizem,quem não tem lazer em casa vai buscar na rua. Essas guerreiras do prazer merecem aplausos.


Ainda sobre os relacionamentos,culturalmente, nossa sociedade é falsamente romântica e capitalista. É preciso ajudar as transsexuais a não cair nesse engodo. Se considerarmos que o Romantismo é uma forma de lutar contra o Capitalismo, notaremos a incongruência do amor romântico, da fidelidade, da monogamia monótona. Todos os maridos devem liberar suas esposas, cis ou trans.


Também devíamos estimular o casamento de homens pobres, que são discriminados pelas patricetes cis, com transsexuais pois assim haveria menos problemas com filhos nas atoladas varas de família.


Quero dar os parabéns novamente por seu trabalho.

Raven Deschain disse...

Excelente texto, MESMO!

Bora contar uma historinha. Belo dia meu guri chegou em casa puto da vida, porque ele quis brincar com as panelinhas na creche e a tia não deixou! Liguei lá, falei que não ligava pra essas besteiras e comprei um kit de panelinhas pra ele. ¬_¬

Isso já fazem dois anos e ainda escuto que ele "vai virar gay OO".

Não tenho mais saco pra essa merda, na boa.

Anônimo disse...

Não me tomem como troll, mas tenho algumas duvidas e não consigo ter uma opinião formada sobre o assunto: na teoria é ótimo, mas por exemplo, se o sujeito(corpo masculino)se identifica com genero feminino, e quer ser reconhecido como mulher, sem querer se submeter a uma cirurgia de alteração de genitália, como ficaria a questão previdenciária dele? Digo, como 'mulher trans' ele teria acesso a benefícios que são concedidos às mulheres, mesmo sendo 'tecnicamente homem', não seria um pouco confuso. Isso tb não teria algumas implicações em outros casos? por exemplo, se este mesmo sujeito (que se identifica como feminino, mas sem cirurgia) eventualmente for agredido pelo pai ou um irmão, seria caso da lei Maria da Penha contra o agressor? E uma mulher que se identifique com genero masculino (mas tb sem cirurgia), perderia as vantagens previdenciarias e ainda seria beneficiaria da lei maria da penha?

D Stoffel disse...

Eles Criticam os gays igual a esse levy fedelix mas depois ficam pedido a bundinha da namorada se achando hétero... só porque são ativos e morrendo de vontade de dar a bunda, essa é a verdade, e não é de hoje que conheço os homens.
Só tem machão criticando gay mas nós sabemos que as travestis fazem bastante sucesso com os macuzões, e tudo isso na escondida.


Anônimo disse...

onde fica a prostata no cu de quem? no cu de quem mais gosta kkkkk

Anônimo disse...

levar um fio-terra (ou praticar pegging) da GP eles querem, pagam pra isso inclusive, mas DEUS ME LIVRE essa "gente diferenciada" ter os mesmos direitos que os cidadãos de bem.................

querem mas não assumem nem fodendo ou melhor só fodendo e com uma pagante

Anônimo disse...

O que manda no mundo é dinheiro. A Rede Globo,dona do Brasil, está apoiando os gays por conta do crescimento da Record. Ao apoiar os gays, a Globo manipula a opinião pública e prejudica a Record dos crentes malandros.

A tendência é vermos essas questões ocuparem mais e mais a ordem do dia, pois é uma forma de se conseguir mais dinheiro em publicidade.


Podemos considerar que esse apoio à comunidade GLBTTSS essa é uma estratégia do Partido Democrata para isolar o Partido Republicano, pois este passa a ser visto como preconceituoso e obscurantista.


Tudo no mundo é influenciado pela luta pelo poder. Inclusive os direitos das minorias.

Anônimo disse...

No entanto,para comentar sobre o que foi escrito num comentário acima, gostaria de dizer que muitas mulheres traem seus maridos, pois esses não gostam de sexo anal.Acham que a mulher vai se tornar muito promíscua por fazer anal. Nesse caso essas mulheres merecem apoio de todos. Pessoas reprimidas não devem limitar a sexualidade dos cônjuges

Mentira só se for a minoria das mulheres, pois o que eu vejo é o contrário, homem traindo a mulher pra comer e dar a bunda.
Vamos ser realistas com certeza tu é homem, pois as mulheres não tem penis nem prostata e sim isso faz diferença no prazer ao contrário do que a mídia diz.

Anônimo disse...


deve ser um troll só pode
16:10

Raven Deschain disse...

De novo esse Dresden cuidando das pregas alheias? E quem te falou que toda trans* ou travesti gosta homem, meu anjo?

Gle disse...

Lola, dá pra ver se é o mesmo pelo IP. Pelo menos no wordpress eu consigo identificar o IP dos comentários pelo painel do blog. Acho que o cara não ficaria trocando de IP na mesma máquina só pra você não saber que é ele. (acho que ele não seria tão inteligente, hahaha).

Achei lindo demais o texto desse menino/jovem/homem (não sei como classificar, porque ao mesmo tempo que o vejo com pouca idade, o jeito que ele escreve e as reflexões que abordou são dignas de um homem muito bem formado). Só me resta parabenizar o autor!

Eu nunca tive experiências de ter amigxs trans*, mas gostaria. Confesso que tenho N curiosidades à respeito.
Uma vez uma amiga minha lésbica ficou com uma trans sem saber que ela era. Pra minha amiga foi um tanto quanto frustrante por não saber e pela questão "sexual" mesmo, mas enfim.
Eu respeito e apoio toda e qualquer diversidade. Ainda vejo muito mais preconceito com trans do que com homos e bis. Continuo sonhando com um mundo sem preconceitos!

Ana Eufrázio disse...

Poxa Lola, esse texto me fez refletir bastante sobre a questão da transexualidade. Pena que a maioria da população não é capaz de sair da sua zona de conforto pra entender o acontece com outras pessoas. Lamentável que em todos os setores da sociedade tenham pessoas que discriminem, violem os direitos, ou cacem os direitos de outras simplesmente porque não aceitam a sexualidade ou a identidade de gênero do/a outro/a. Eu amaria viver num mundo em que antes de fazer qualquer ataque a gente refletisse "e se fosse comigo?".

Anônimo disse...

É claro que tem gente que não concorda com a lola inclusive os mascus que vivem aqui, e vcs ainda acham que ela coloca os comentários babacas.
Se ela quisesse botar só elogios ela botava.

Anônimo disse...

oooo Tadinho dos homens que dão a bunda se fosse tão ruim assim eles não pagavam eles cobravam igual as da esquina.

Anônimo disse...

O blog é uma voz na luta contra as hipocrisia da sociedade.É importante diminuir o sofrimento e os preconceitos no mundo. O Estado pode ajudar a todos.

Os pais e mães , em geral, querem que os filhos sejam felizes. Mas nem sempre é assim. Trabalhei em hospital público e e vi muita ficha de atendimento em que era relatada tentativa de suicídio, essas pessoas, 90%, sofrerem rejeição materna.


Mas qual mãe quer que o filho vire gay/ trans e tenha um marido canalha a abusador? Muitas mães querem mais dinheiro para a família, mais poder. Se o filho virar gay vai ter muitas chances de ser obrigado a pagar por sexo e isso aumentará a pobreza em geral.


No meu caso, decidi nunca ter filhos para diminuir a pobreza no mundo. Quero meu dinheiro para minhas farras, viagens e curtições. Criança é um gasto danado.


Para finalizar, acho os direitistas limitados e burros, pois eles querem proibir o aborto, mas querem que a polícia mate os pobres nas favelas. Uma operação policial gasta mais dinheiro, por causa do combustível, das munições, da eletricidade das geladeiras do IML . Se o pobre nem merece nascer, na visão deles, seria mais barato apoiar o aborto, por ser bem mais em conta.

Anônimo disse...

De outro lado, homens que usam o cérebro buscam fortuna,muito dinheiro, pois eles querem poder sustentar amantes obedientes, mulheres de verdade, ou contratar GP´s de luxo

homens inteligêntes?? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
quem escreveu isso um cafetão ou uma prostituta, "amantes obedientes".

CES ZOMI SÃO BURRO ISSO SIM

laisa disse...

Quem diria hein mesmo com o mundo machistóide tem muito homem querendo virar mulher, por isso que eu adoro ser mulher.

Se um homem me pedir anal eu vou dizer pra ser no dele. pediu agora aguente!

Anônimo disse...

Esses anonimos trolls nem deviam entrar nos coments

Anônimo disse...

É preciso haver coerência e deixar serem expostos os argumentos de todos os lados.


Algumas pessoas apoiam o aborto, apoiam a mudança de sexo de quem quer mudar, mas isso tem a ver com a liberdade de expressão.


No meu caso, acho que a Tailândia ganha bilhões de dólares com a prostituição em geral e alguns milhões com as mudanças de sexo. Ora, se o país está arrecadando mais impostos com os turistas, o Estado deve apoiar pois assim haverá menos necessidade de eu pagar impostos.

Todo mundo pode fazer o que quiser desde que EU não pague por isso.

Anônimo disse...

Kd as RadFem?

Anônimo disse...

Os transsexuais em geral desprezam os travestis, que odeiam os gays, que por sua vez os odeiam.


As lésbicas têm raiva de mulheres bi e raiva dos gays.

Antes de reclamar do preconceito dos outros é preciso diminuir o próprio.

Parece que todo mundo é dono da razão....

Anônimo disse...

"Querer direitos sem pagar imposto é moleza."

Todo mundo paga impostos, IDIOTA.

lola aronovich disse...

Anon das 16:13, vc fez boas perguntas. Nunca tinha parado pra pensar sobre como fica a aposentadoria para pessoas trans. Fui procurar e encontrei isso:

"Para a advogada Gladys Maluf Chamma, “Deve se ter em mente que o transexual, com a averbação de seu registro de nascimento e a aposição do estado feminino para o seu nome, está, em verdade, consolidando como de direito uma situação que era de fato, através do reconhecimento judicial”. De acordo a advogada, a alteração do primeiro nome e gênero apenas legaliza uma situação preexistente: “O transexual, a partir de então, não está mulher, ele é mulher”. A advogada explica que, num casamento, o transexual responde como mulher de fato e tem os mesmos direitos no momento da separação, como pensão alimentícia e guarda de filhos. “Se casou ou viveu em união estável na condição de mulher, porque assim se constituía a sua psique e tal condição sócio-psicológica foi devidamente avaliada e reconhecida judicialmente, ele é, em verdade, uma mulher, com os mesmos direitos e deveres”, afirma.
O mesmo vale para violência doméstica. Se agredido pelo marido, o transexual poderá recorrer a Delegacia da Mulher e aplicar a Lei Maria da Penha se quiser acusar o agressor."

Então, perante a lei, a mulher trans é mulher, e passa a ter o direito de se aposentar 5 anos antes. O homem trans é homem, e passa a se aposentar 5 anos mais tarde. Isso não depende de cirurgia. Há muitas pessoas trans que não são operadas, ou porque ainda não conseguiram (é caro, tem fila, depende de autorização médica e psiquiátrica), ou porque não têm problema com seus órgãos genitais.
Antes que alguém fale a besteira de que, por não precisar da cirurgia, um montão de homens vão fingir ser mulheres trans para poderem se aposentar 5 anos mais cedo, ahn, não funciona desse jeito. O pessoal também dizia que um monte de branco ia se passar por negro pra se beneficiar das cotas (que não são privilégio nenhum; elas apenas são compensatórias). Sabe, as pessoas não abrem mão da sua posição de privilégio com tanta facilidade não. E se "trocar de sexo" fosse apenas uma busca por privilégios, um montão de mulheres iriam querer ser homens trans, para obter privilégios masculinos. Só que não é assim que as coisas são. Uma pessoa trans sente-se distante da sua identidade durante anos.


Anon das 16:32, de onde vc tirou a ideia que "se o filho virar gay vai ter muitas chances de ser obrigado a pagar por sexo"? Poucas vezes a expressão "Sabe de nada, inocente" foi tão contundente.

Raven Deschain disse...

Hahahahahahahahaha gays são obrigados a pagar por sexo. HahahahahahahHahah meldels. Morri mil vezes.

Tenho um amigo lindooo, mas lindooo que esses dias deu pra três doa caras mais lindooos, mas lindooos que eu já vi na vida. E veja só, foda totalmente gratuita. Huashuahsua

Lola, plmdds, printa esses comentários e faz um post só com eles, pfv.

lola aronovich disse...

Tô começando a achar que tem um só comentarista falando tanta asneira. Acabei de deletar 3 comentários seguidos, e eram todos no mesmo estilo: ser tão ignorante a ponto de não querer entender que mulher trans não é gay (talvez seja lésbica, se sentir atração por mulheres; pode ser bi, ou pode ser hétero, se sentir atração por homens), falar de garotas de programa (tipo, WTF?), e de sexo anal.
É chato decepcionar vcs, mas seguinte: 1) mulher trans não é gay. Homossexualidade, heterossexualidade, assexualidade, são orientações sexuais. Ser trans ou cis é questão de identidade.
2) Nem todos os homossexuais gostam de sexo anal. Tem bastante gay que não faz sexo anal.
Onde está seu deus agora?

Anônimo disse...

É preciso que a sociedade converse sobre todos os assuntos e diminua os preconceitos.

Anônimo disse...

Lola, vc conhece Robin Baker, biólogo inglês , especialista em sexualidade humana? Já leu algo a respeito.

Anônimo disse...

Prostitutas cis discriminam prostitutas trans pelos melhores pontos. Falta conscientização política da sociedade.

Aline J disse...

"Lendo um post antigo, foi dito que o travesti sofre por não poder se apaixonar. Ora, pode se apaixonar, só não precisa chegar perto. Pode ficar bem longe. Se ficar próximo, vai queimar a imagem de um macho guerreiro, pegador, isso é violência contra o homem!!!! Vejam o papelão do Ronaldo! "

Gente, que porra é essa? Por que em vez de a travesti precisar se afastar, VOCÊ NÃO SE AFASTA? Os incomodados que se mudem, não é? AH, violência contra o homem? Sério? Só de uma PESSOA ficar perto de você é violência? Você ter uma conversa com uma pessoa trans é violência?

"macho guerreiro, pegador"
Gente como você é tão babaca que não pega nem resfriado, quem dirá pessoas...

PS: Esse cara deve ser o mesmo em todos os comments, e digo mais, acho que sei de onde saíram. O Fidélissss abriu a boca, que é o esgoto, e agora esses ratos saíram na rua, livremente, espalhando homofobia e transfobia, dizendo ser "Liberdade de expressão".

Gente que entende que liberdade de expressão não é licença pra cagar pela boca <3

Anônimo disse...

Existe uma presidente de multinacional americana que é transexual e ganhou milhões de dólares ano passado, isso mostra que quem dá lucro para a empresa é reconhecido/a.


Temos de defender direitos iguais, mas as pessoas devem querer lutar também. Meritocracia é justa também.

Anônimo disse...

Eu SIDIVIRTU com esse povo dos "não com meus impostos", ô gentinha azarada na vida que não sabe que não é possível ao indivíduo controlar qual a destinação dos impostos, taxas e contribuições que pagamos até comprando a balinha no bar. É só terminar o ensino fundamental pra saber disso. Vai ver, o problema é esse.

Cal disse...

Outro dia na sala de espera do pediatra meu filho ia pegar um banquinho rosa que tava embaixo dos pezitchos de uma mal educada, ela vira pra criança DE UM ANO e diz pra ele pegar o azul, porque o rosa é de menina! Espumei de raiva.

Raven Deschain disse...

Por que todo post anda virando um "eu dou o cu - mulheres precisam dar o cu - gays precisam parar de dar o cu-? Tá ficando patológico. Vão procurar ajuda...

Anônimo disse...

OFF TOPIC

O material de divulgação do aguardado crossover entre Family Guy e Os Simpsons já mostravam o teor pesado que o episódio teria. Assim, a audiência e os críticos de plantão já deviam esperar pelo que iriam ver; e se manifestaram em ver, no ar, as duras piadas feitas durante seus 22 minutos de duração.

Na cena mais polêmica (já exibida no trailer do episódio), Stewie fica animado em ver Bart passar um de seus trotes a Moe. Porém, se o primogênito da família Simpson não faz mais que trocadilhos ácidos com o dono da taverna mais famosa de Springfield, o bebê Griffin pegou pesado na "brincadeira": "Olá, Moe?! Sua irmã está sendo estuprada", tascou Stewie, com a crueldade que lhe é peculiar.

Luiza disse...

Ai, que texto lindo!! Super bem construído, várias informações bem explicitadas e com direito a reflexão. É tão difícil achar algo assim hoje em dia... Gostei muito, muito mesmo! Na minha ignorância, eu não sabia que só era permitido mudar de documento passando por cirurgia. Já não basta ser um procedimento doloroso e complicado, ainda é "obrigatório" ?? Enfim, quero parabenizar o autor!! E mais coisas:

1) é incrível que se fale tanto de sexo anal por aqui. É sério que isso ainda é um tabu tão grande pra certas pessoas? Fico até assustada...quanto atraso!

2) raven, passo pela mesma coisa com meus dois meninos. Aqui em casa também tem panelinhas. Até unhas pintadas já fizemos. Mas as críticas são sempre presentes. Tamo junto!! E ainda: Onde você achou kilts pra comprar? Hehehe...

Anônimo disse...

Droga, Family Guy é totalmente minha guilty pleasure... E South Park.

Jéssica disse...

O que o guest diz é que o que define se alguém é homem ou mulher deve ser os esteriótipos de gênero, não o sexo.

Claro... Que mulher no mundo é cis? Que mulher no mundo se identifica em ser considerada fraca, burra, incapaz, naturalmente apta a tarefas domésticas, passiva, naturalmente sociável, maternal, e ter diversos direitos negados?

O papel do feminismo não era o de destruir os esteríotipos de gênero? Agora querem me dizer que sou homem porque não me identifico com os que machistas pensam de mim? (e antes que alguém venha falar "então você é trans", não, eu sou uma MULHER, um SER HUMANO, não a definição machista do que é mulher!)

Jéssica disse...

"Existe uma presidente de multinacional americana que é transexual e ganhou milhões de dólares ano passado, isso mostra que quem dá lucro para a empresa é reconhecido/a.


Temos de defender direitos iguais, mas as pessoas devem querer lutar também. Meritocracia é justa também."

Lamento decepcionar, mas Martine Rothblatt virou CEO que ganha milhões primeiro como HOMEM. Depois de estar nadando em dinheiro é que virou trans.

James Hiwatari disse...

Muito bom o texto, só faltou dizer que não é "a cirurgia", mas sim várias cirurgias que englobam a "mudança de sexo". Pra mundar o sexo no documento precisa de cirurgia genital, que consiste em várias etapas (pelo menos a de transexuais masculinos. Para as mulheres acho que dá pra fazer em uma etapa só), e pode durar mais de ano pra concluir tudo.

Mas pra mudar só o nome A cirurgia genital não é necessária. Moro no exterior e fiz meu processo de transição aqui. Não fiz e não quero fazer cirurgia genital ou mastectomia, mas fiz histerectomia e tomo hormônios masculinos. Agora estou em uma situação um tanto bizarra em que meus documentos têm todos um nome masculino, mas o sexo continua marcado como feminino. Ao menos RG não tem marca pra sexo.

E a falta de preparo/confusão/transfobia das pessoas é impressionante. Quando fui fazer meu passaporte novo pelo consulado, a mulher viu meu nome e ficou na boa na base do "senhor" e tals. Aí depois pergunta onde está o meu certificado de reservista, e digo que não tenho um e que não preciso apresentar um porque o sexo ainda diz "f". Na mesma hora a mulher começa com "senhora", todos os pronomes errados, e tudo isso me chamando pelo nome masculino que está nos documentos. Nem quero imaginar a ginástica mental que essa criatura teve que fazer pra conseguir isso.

Anônimo disse...

Hj em dia é.possivel usar o nome social em documentos, mesmo sem cirurgia. Procurem uma página no facebook chamada "Travesti reflexiva"

Anônimo disse...

Se vc é homem (cis ou trans) e gosta de mulher (cis ou trans) vc é hetero! O resto.é homofobia sua

Raven Deschain disse...

Oi Luiza. Então, achei nessas casas china da vida. Só que tudo cor de rosa. Todas. Aí como meu filho tb não é de ferro, ele.pediu pra pintar. Pintei com spray prateado. Ficaram parecendo "de verdade".

Pra quem tem dinheiro sobrando, os brinquedos da fisher and price são ótimos. Nada sexistas.

Voltando um pouquinho pro assunto do post, eu lembro quando aquela linda da Tilda Swinton apareceu em Constantine, como Gabriel. Até hoje, aqui em casa, ninguém chama ele pelo nome porque não sabem que pronome usar. Haha

donadio disse...

"Quer dizer que meninos não têm habilidades espaciais, nem gostam de jogar bola"

Futebol é jogo de mulher. Nos Estados Unidos.

Eles são geneticamente diferentes de nós?

Anônimo disse...

Desculpa, mas no momento em que se defende isso que vocês estão defendendo, assume -se que existe "cérebro feminino" e "cérebro masculino ", ou "características intrínsecas femininas e masculinas" - e isso não vai completamente conta tudo que o feminismo prega? Eu acredito que a socialização, não a biologia, determina nossos gostos, nosso jeito de ser. Não é biológico que mulheres queiram usar cor de rosa e jóias e salto alto. Quando transexuais utilizam esse tipo de característica para "se tornar mulher", isso só mostra o quão longe do feminismo essa questão deve estar. Isso só contribui com a ideia de que não agimos a partir de uma socialização, e sim a partir de "características naturais ". Isso é absurdo. Acredito sim que pessoas trans são vítimas, mas são vítimas de um mundo heteronormativo que quer tanto incluir pessoas em caixas e categorias que usa até a mutilação pra isso. Essas pessoas pensam que não são parte do seu gênero porque não se identificam com os papeis de gênero impostos. Então também sou trans? Porque não me identifico com o que a sociedade chama de "ser mulher". Gênero não é sentimento (o que é se sentir homem? Se sentir mulher?), é sexo, é socialização - é imposto.

Anônimo disse...

Acho esquisito dividir a sexualidade em cis e trans, porque do lado do "cis" cabe uma falsa hegemonia muito grande que não só é limitadora como injusta também. Pra quê complicar tanto, por que tantos rótulos são necessários? Não podemos ser apenas pessoas?

Eu da Silva, pessoa brasileira.

Anônimo disse...

"Não é biológico que mulheres queiram usar cor de rosa e jóias e salto alto. Quando transexuais utilizam esse tipo de característica para "se tornar mulher", isso só mostra o quão longe do feminismo essa questão deve estar. Isso só contribui com a ideia de que não agimos a partir de uma socialização, e sim a partir de "características naturais ". Isso é absurdo. Acredito sim que pessoas trans são vítimas, mas são vítimas de um mundo heteronormativo que quer tanto incluir pessoas em caixas e categorias que usa até a mutilação pra isso. Essas pessoas pensam que não são parte do seu gênero porque não se identificam com os papeis de gênero impostos. "

Concordo plenamente. Inclusive, acho um grande desserviço não discutir mais profundamente a questão do gênero em um mundo em que as coisas se misturam e se renovam cada vez mais. Pra quê tanto enquadramento? Sou mulher, então tenho que agir assim assim e assim, sou mulher trans, então tenho que agir assim assim e assim, pera, ninguém pensa que pode haver uma alternativa muito melhor pra tudo isso?

Anônimo disse...

A minha dúvida é como funciona essa questão de identidade. Digo isso porque se "não se nasce mulher, torna-se mulher", então o que significa ser mulher trans?

Não estou questionando se é ou não mulher, mas o que não entendo é que sempre vejo a mulher trans dizendo que se identificava desde criança com o mundo feminino, o que envolve, maquiagem, saltos, delicadeza, bonecas, mas se tudo isso é uma construção social o que seria então ser mulher?

Se alguém puder me esclarecer, agradeço.

Gabriela disse...

Aqui um ótimo texto sobre o assunto


http://polemicasfeministas.blogspot.com.br/2014/02/combate-transmisoginia_21.html

Por favor,antes de gritarem Tranfobia leiam todo o texto.

Renata disse...

Concordo com a Jéssica, com a pessoa de 1 de outubro de 2014 11:05, com a pessoa de 1 de outubro de 2014 13:07 e o texto que a Gabriela linkou é ótimo.

Anônimo disse...

Lola, é liberada a divulgação de blogs TERFs e é proibida a de mascus, você já está abertamente do lado das TERFs ou ainda finge estar em cima do muro?

Anônimo disse...

Eu li o texto e realmente achei interessante.
EU acho que realmente uma mulher cisgenera e diferente de uma mulher trans por causa das vivencias completamente diferentes, educaçao e socializaçao imposta desde a infancia.
E realmente sempre achei complicado quando trans dizem que se sentiam mulher, que se identificam com o mundo feminino, brincavam de boneca e por isso sao mulheres. NAO, isso nao e ser mulher! nao estou dizendo que eles nao sao mulheres, so estou dizendo que o motivo e contra o que eu acredito sobre genero. Nao sou trans entao nao sei como acontece isso de compreender a que genero se pertence, mas esses criterios estereotipados de ser mulher, sentir-se mulher... pra mim isso nao determina o que ser mulher
Acho importante discutir isso sim.

Anônimo disse...


TRANS DE UM MODO GERAL TEM ACORDO QUE SER TRANS NAO E UMA ESCOLHA, MAS FEMINISTAS TEM ACORDO QUE SER MULHER NAO E BIOLOGICO, logo poderíamos trabalhar com a hipótese de que somos todas obrigadas à feminilidade

Entao se as trans nascem "mulheres", vai pro ralo o "nao se nasce mulher, torna-se mulher"?

Como vcs rebateriam esse argumento?

Acho que escolher o genero feminino so acontece se a pessoa se identifica com os estereotipos atribuidos a pessoas ditas mulheres e por isso, pra pessoa, é menos doloroso se encaixar no molde "mulher", que "homem". Nesse caso, uso escolher como referencia ao momento em que se toma conhecimento que se pertence a um genero diferente do que se nasceu

Anônimo disse...

O que feministas não devem fazer é reivindicar que homens possam imitar, caricaturando, mulheres. E que, fazendo isso, possam ser aceitos como mulheres.
Nenhum homem tem direito de se reivindicar mulher por imitar, de maneira caricatural e grosseira, os aspectos mais exteriores e superficiais do que seria “ser mulher”, ou melhor, ser uma mulher de comportamento e aspecto padrão no Ocidente contemporâneo.
Nós não temos qualquer obrigação de nos deixar intimidar por seres humanos que nasceram designados para herdar todos os privilégios atribuídos a homens, foram educados para exercer tais privilégios, e querem ensinar às mulheres o que é uma mulher e como se luta pelos direitos femininos. A esse papel, eu, feminista e mulher "cis", me recuso.
eu me recuso a abraçar a idéia, ou melhor a mentira, de que há pessoas que "nascem" mulheres, e ainda pior, que "nascem" mulheres com pintos, e que podem ser aceitas como tais porque mimetizam aspectos exteriores da feminilidade que foram impostos às fêmeas da espécie humana com o intuito de rebaixá-las.
Além de me recusar a aceitar - e convido todas as feministas a fazerem o mesmo - que pessoas que nascem com pênis venham nos ensinar o que é uma mulher e por que motivo somos obrigadas a aceitá-los como "uma de nós", temos que nos recusar, ainda, que eles possam "cagar regra" no movimento feminista, dizendo às feministas como se deve lutar pelos direitos de mulheres de maneira a incluir a todas.
mulheres cis "nunca terão sua condição de mulher negada, diferente de mulheres trans"- isso é mentira, qualquer mulher que foge do padrao é tida como menos mulher e tem sim sua condiçao de mulher posta em duvida (maternidade, por exemplo)

Anônimo disse...

Até que demorou para aparecer chorume terf nos comentários, né?

Anônimo disse...

Não defendo também que homens se sintam no direito de imitar esse ou aquele comportamento dito feminino e que, apenas com a auto-declaração, tenham que ser necessariamente aceitos como mulheres. Isso é tão absurdo, despropositado e violento quanto uma mulher branca fazer 10 sessões de bronzeamento artificial e passar a se reivindicar negra, e ainda querer se reivindicar oprimida por ser negra, para além de querer ter direitos de pessoas negras, como cotas nas universidades e ganhar causas ao processar pessoas por serem racistas com ela.

Anônimo disse...

Nao sei o que significa terf, mas lendo os textos concordei com varios pontos... vcs so dizem "chorume terf" e dizem que e lixo, ou nao viram ou nao sabem rebater as ideias

lola aronovich disse...

TERF, pelo que sei, significa Trans-Exclusionary Radical Feminist, ou seja, feminista radical que exclui pessoas trans. Pelo que vejo, é um termo descritivo, não exatamente um julgamento moral. Afinal, a julgar por alguns dos comentários deixados aqui, definitivamente tem feminista (quase sempre feminista radical) que não acha que mulher trans é mulher, que se ofende com o termo cis, que se recusa a reconhecer mulheres trans como mulheres. Eu pensei que minha posição estivesse bem clara (porque alguém aí em cima disse que eu ficava em cima do muro): não me considero feminista radical (até porque sou a favor de homens no feminismo); pra mim, uma mulher trans é "tão mulher" quanto eu, que sou uma mulher cis, e é uma total falta de respeito se referir a uma mulher trans com pronomes masculinos, ou a um homem trans com pronomes femininos. Já escrevi posts e publiquei diversos guest posts de e sobre trans, e considero completamente contraditório ser feminista e ser transfóbica (ou homofóbica, ou racista, ou gordofóbica etc). Como já disse diversas vezes, este blog não é um espaço seguro. É um lugar de debate. Vários comentários preconceituosos são publicados e, quase sempre, contestados, refutados. Vários comentários horríveis não são publicados (imaginem o nível dos que ficam de fora), mas muitos são.
Não estou mais publicando comentários de uma ou outra transfeminista desde que uma me acusou de ter aprovado um comentário (que não falava nada de mais) assinado com o nome dela que, segundo ela, não era dela. Como ela disse que nunca comenta aqui, para evitar falsificações, simplesmente apago os comentários dessa pessoa.
O que me deixa mais indignada é que, muitas vezes, eu não sei de quem é a autoria de um comentário transfóbico: de um mascu ou de uma radfem. É incrível como eles se equivalem na transfobia.

Anônimo disse...

Se "não se nasce mulher, torna-se mulher" como é possível que uma mulher trans diga que é uma mulher que nasceu em corpo de homem? O que é se sentir mulher?

Sem transfobia, sem invalidar odiscurso da mulher trnas, mas não consigo compreender como isso é possível.

Em relação a isso só achei textos de feministas contra a aceitação da mulher trans como mulher, porém não encontrei um posicionamento de uma mulher trans.

Queria muito entender esse ponto.

Anônimo disse...

Conservadores: "O gênero deve se adaptar ao sexo. Ex. menina brinca com boneca, menino com carrinho.

Feministas:gênero não existe, é uma construção social para oprimir principalmente as mulheres. Feministas acham que menina e menino pode brincar de carrinho e boneca a vontade.

Trans: gênero existe e é definido pelo cérebro e o sexo deve-se adaptar a ele, ou seja se você gosta de brincar de carrinho você deve ter um pênis, se gosta de brincar de casinha então deve ter uma vagina.
Mas como não existe nenhuma maneira efetiva de mudança de sexo os transsexuais querem viver em um mundo de fantasia e quem não compactuar com eles, será chamado de transfóbico e será perseguido. Menstruação, gravidez, estupro, assédio sexual,aborto é tudo privilégio.

Anônimo disse...

" mas se tudo isso é uma construção social o que seria então ser mulher?

Se alguém puder me esclarecer, agradeço."

Segundo certas correntes do feminismo, ser mulher é um estado do sentir, independente da configuração genética do indivíduo.

Meio esotérico mas é isso

Anônimo disse...

O que eu acho engraçado é que 1. o transfeminismo exclui os homens trans, 2. só mulher trans faz escândalo. Será que é porque os homens, desde nascença, não sabem ser silenciados e fazem de tudo para ocupar os espaços de direito das mulheres?

Anônimo disse...

Não defendo também que homens se sintam no direito de imitar esse ou aquele comportamento dito feminino e que, apenas com a auto-declaração, tenham que ser necessariamente aceitos como mulheres. Isso é tão absurdo, despropositado e violento quanto uma mulher branca fazer 10 sessões de bronzeamento artificial e passar a se reivindicar negra, e ainda querer se reivindicar oprimida por ser negra, para além de querer ter direitos de pessoas negras, como cotas nas universidades e ganhar causas ao processar pessoas por serem racistas com ela.

Se uma pessoa assim sentir-se negra, identificar-se como negra, envolver-se na cultura afro, declarar-se negra e tentar uma cota, no mínimo toma um processo.

Rosanna Andrade disse...

Gente, a coisa ta mto, mto feia aqui nos comentarios.

Eu sou mulher cis e entendo um pouco de transfeminismo pq eu fui atras.

Mulheres trans estao tao sujeitas quanto qualquer outro ser humano a pensar baseando-se nos estereotipos de genero da sociedade. Existem transexuais politizadas, pertencentes aos movimentos sociais, outras nao. Aquelas que tem menos contato com o movimento e/ou desconhecem a teoria queer tendem a reproduzir bobagens como "sempre me senti mulher pq gostava de brincar de boneca". Isso nao eh um argumento transfeminista. Assim como uma mulher cis falar que "soh se eh mulher de verdade quando se eh mae" nao eh representativo do feminismo.

Eu nao sei bem o que seria isso de "se sentir mulher", de uma forma objetiva. Algumas coisas podem estar relacionadas, como nao se reconhecer naquele nome que lhe foi atribuido (e desejar um do genero feminino), ter disforia corporal (nao se sentir bem com caracteres sexuais do corpo e/ou o genital), e ate preferir roupas femininas (preferir a roupa feminina nao eh o que A FAZ mulher, apenas preferem para que as pessoas A LEIAM pelo genero que ela se identifica), mas ate onde eu li relatos esta sempre relacionado a uma nao identificacao com o genero que as pessoas lhe atribuiram. Muitas mulheres trans se consideravam gays afeminados ateh descobrir o movimento e a teoria queer e se identificarem totalmente.

Nao se esquecam tambem que por se sentirem mulheres, elas estao propensas a REPRODUZIR estereotipos do que seria ser mulher. Afinal, sera que nenhuma mulher cis nunca usou salto, maquiagem, vestido, foi delicada, decidiu ser mae, por pura pressao social atribuida ao "ser mulher"? Pq uma mulher trans fazer isso invalida o transfeminismo?

Nao se esquecam tbm que para conseguir os laudos psiquiatricos para os documentos/cirurgia de redesignacao sexual elas tem que passar por profissionais da saude. Eles reproduzem cliches de genero para reconhecer que a ppessoa eh transexual (classificando-a dentro de um transtorno psiquiatrico diga-se de passagem). Por exemlo, se a mulher trans se relacionar com mulheres, ja era. Elas tem que se adequar ao tipo de mulher mais estereotipado possivel simplesmente para conseguir sua cidadania.

Eu foquei nas mulheres trans pq essa parece ter sido a grande polemica nos comentarios. Eu nao acredito que os homens trans sejam silenciados. Vejam que o projeto de lei mais comentado para dar cidadania aos transexuais leva o nome de um homem trans, o Joao Nery.

Anônimo disse...

A questão e a teoria: O genero e biológico e natural ou social e construído? Se a resposta e a mesma pros dois feminismos, tudo bem. Se nao, separa.

Anônimo disse...

Vá se enxergar, ô das 14:29. Você é que disse muita coisa sem pé nem cabeça.

Anônimo disse...

"Trans: gênero existe e é definido pelo cérebro e o sexo deve-se adaptar a ele, ou seja se você gosta de brincar de carrinho você deve ter um pênis, se gosta de brincar de casinha então deve ter uma vagina.
Mas como não existe nenhuma maneira efetiva de mudança de sexo os transsexuais querem viver em um mundo de fantasia e quem não compactuar com eles, será chamado de transfóbico e será perseguido. Menstruação, gravidez, estupro, assédio sexual,aborto é tudo privilégio."

No dia em que comunidades de discussão feministas liberais começaram a exigir aviso de trigger warning para falar sobre MENSTRUAÇÃO eu comecei a dar razão para as radfems. Por favor.

"A questão e a teoria: O genero e biológico e natural ou social e construído? Se a resposta e a mesma pros dois feminismos, tudo bem. Se nao, separa."

Não é a mesma resposta e por isso acredito que, a bem da funcionalidade e pra evitar as trincheiras, melhor separar.

Letícia Penteado disse...

Nossa, um texto maravilhoso desses e esse tanto de lixo nos comentários... que triste.
Aliás, mais triste ainda é o dia em que feministas tretam com feministas para concordar com um bando de machistas nojentos. Acho que quando a sua opinião tem eco na voz de certas pessoas, vale a pena no mínimo refletir um pouco sobre elas, né?
Cadê a sororidade? Ou o conceito só existe na hora de silenciar quem critica a transfobia e o segregacionismo? Porque, veja, não são só "uzómi de batom" (como elas falam quando não tem ninguém olhando) que estão aqui falando que isso é transfobia. Será que nem mesmo a nossa voz cis privilegiada merece atenção e sororidade?
Sabe, os machistas escrotos, eu nem perco meu tempo endereçando, porque eles são escrotos mesmo e estão aqui só para trollar. Mas, pô, me dói muito ver feminista reproduzindo discurso de ódio. Muito.
De qualquer forma, tem aqui uma entrevista que eu achei maravilhosa, da Daniela Andrade, explicando sobre o protocolo transexualizador. A certo ponto, ela pergunta, falando sobre Cássia Eller: "se Cássia fosse trans, teria ela o direito de ser Cássia?"
Uma das coisas pelas quais se criticam as mulheres trans é o fato de elas aderirem aos tais estereótipos de gênero. O que não se costuma compreender é que é privilégio cis não precisar aderir a qualquer estereótipo para ter sua identidade de gênero reconhecida - não só socialmente, mas legalmente, juridicamente. Aliás, não é nem reconhecida, é NÃO CONTESTADA, para ser mais precisa. Porque, sim, algumas pessoas podem até se confundir, mas, a partir do momento em que você se afirma mulher, não vem alguém falar que você não é porque não é nem nunca vai ser ou alguma merda do tipo.
Mesmo que digam "ah, ela é menos mulher porque não tem filhes", meu, pelamordedeus, é completamente diferente. Ninguém tem que passar por avaliação psiquiátrica para ser enquadrada como mulher por não querer ter filhes.
As pessoas falam essas bostas para as mulheres que fogem da caixinha do "ser mulher" convencional como uma provocação, como uma reprovação. Quando falam isso para uma mulher trans, é uma negação da identidade dela de fato. Meu, isso para mim é tão óbvio que eu acho difícil de explicar.
https://www.youtube.com/watch?v=CisbekTnPw0

Letícia Penteado disse...

Só corrigindo a minha gafe: onde constou
"As pessoas falam essas bostas para as mulheres que fogem da caixinha do "ser mulher" convencional como uma provocação, como uma reprovação", por favor, leia-se
"As pessoas falam essas bostas para as mulheres CIS que fogem da caixinha do "ser mulher" convencional como uma provocação, como uma reprovação".
Creio que usar os termos "mulher" e "mulheres" nunca deve ser usado para se referir apenas às mulheres cis, pois me parece que isso seria o mesmo que usar "pessoas" para se referir apenas a homens.

Taís disse...

Lola, eu tenho uma grande dúvida com relação aos transexuais. Deixe-me explicar. Sou feminista e obviamente acho que as diferenças naturais entre homens e mulheres são muito pequenas, e que o que nos faz agir mais como um determinado gênero é a cultura na qual estamos inseridos. Pois bem, sendo assim, não acho que nada mais determine o sexo de uma pessoa do que os cromossomos (exceto quando há anomalias, claro), já que ambos homens e mulheres podem ter características como agressividade, sensibilidade, racionalidade acima da emoção e vice-versa. Isso pra falar algo mais intrínseco do ser e mais considerado característica natural do que construído pela sociedade. Imagina então se eu for falar de ter cabelo comprido, fazer ou não as unhas, usar ou não saia etc. Qualquer um pode fazer o que quiser independente do sexo. Então por que alguém que se identifica com determinadas características que são tratadas como pertencentes a um só gênero, deveriam ser consideradas desse gênero? Pra mim fica parecendo que isso reforça o binarismo de gênero, tipo, "um homem que faz coisas X, Y e Z só pode ser alguém que nasceu com o sexo errado!"
Por favor, não me leve a mal. Independente de como a pessoa quer se vestir, se portar ou que mudanças quer fazer no corpo, acho que todos merecem o mesmo respeito. Só não entendo mesmo porque em vez de tratar um homem-trans que fez cirúrgia, por exemplo, não tratá-lx como uma mulher que tem um pênis (não que rótulos sejam importantes, poderíamos todos nos tratarmos com um gênero neutro). Porque biologicamente elx não é um homem, e psicologicamente/comportamentalmente não dá pra simplesmente definir o que é ser homem e o que é ser mulher. Então volta a minha questão: por que toda essa preocupação em como ser visto pelos outros? Só reforça a ideia de que ou se é mulher ou homem e que cada um desses dois são completamente diferentes entre si e tem papéis definidos na sociedade.