quinta-feira, 3 de abril de 2014

GUEST POST: VULVODYNIA, UMA DOR SILENCIOSA E DESCONHECIDA

Foi a Débora que escreveu e me enviou este texto sobre (mais) uma doença que eu não conhecia. É muito interessante e importante conhecer, pois é uma doença que leva, em média, cinco anos para ser diagnosticada desde que a mulher procura ajuda pela primeira vez.

O meu caso começou há 4 anos, mas desde então conheci mulheres que convivem com vulvodynia há mais de uma década. É uma doença pouquíssimo conhecida, que pode ser, inicialmente, confundida com vaginismo ou candidíase, devido aos sintomas similares. 
Contudo, enquanto o vaginismo é caracterizado por uma dor excruciante “apenas” quando há tentativas de penetração vaginal (seja com o pênis, com vibradores ou absorventes, por exemplo) e a candidíase por coceiras, ardências e corrimentos, os sintomas vulvodínicos consistem em dor no intróito vaginal, independente de tentativas de penetração e sem aspectos físicos (como o corrimento).
Vulvodynia é uma condição médica, classificada como doença crônica. O tratamento consiste em um conjunto de mudanças no cotidiano, terapia, medicação e fisioterapia, de maneira geral. Porém, como as condições da doença variam muito de caso para caso, os especialistas buscam uma solução específica para cada mulher.
O nome é, na verdade, uma designação geral para dores na região vulvar. Essas dores podem ser divididas em dois grupos principais: espontâneas e provocadas, com sensações de ardência, fisgadas e queimações. Algumas mulheres relatam dor como se houvesse pequenos cortes na vagina. As dores provocadas são sentidas apenas quando há pressão ou toque na região (mulheres vulvodínicas geralmente não conseguem passar por um exame ginecológico preventivo sem dor), enquanto as espontâneas, como o próprio nome diz, surgem sem causa aparente. 
O grande problema é que não existem sintomas físicos, como machucados, lacerações, bolhas, nada. Sentimos a dor, mas não há razão aparente para senti-la. Isso se explica porque no caso da vulvodynia o problema não está na vulva em si, mas no sistema nervoso. Existem, na vulva, regiões que possuem muitas terminações nervosas (razão pela qual algumas mulheres sentem dor também no clitóris) e o sistema nervoso envia sinais “errados” à região, interpretados como dor. Por isso muitas mulheres vivenciam as “dores espontâneas”.
Existem mulheres que possuem os sintomas desde a infância, outras que descobriram a doença juntamente com o início da vida sexual e aquelas que conheceram uma vida normal até o surgimento dos sintomas. Os médicos não sabem explicar as razões pelas quais uma mulher tem vulvodynia, portanto não há cura. O diagnóstico também é difícil de ser obtido e não é incomum a peregrinação por consultórios médicos em busca de respostas, sendo a mais comum “não se preocupe, isso é coisa da sua cabeça, vai passar”. Só que não passa.
Não existem comprovações científicas das relações entre vulvodynia e candidíase ou mesmo entre traumas psicológicos e o desencadeamento da doença. Porém, a esmagadora maioria das mulheres vulvodínicas teve/têm episódios de candidíase de repetição. Também existe uma relação entre vulvodynia e ansiedade, mas não se sabe dizer quem veio primeiro, afinal essa é uma doença que, por si só, nos deixa ansiosas. 
Eu tenho sintomas de vulvodynia há quatro anos. Tenho quase certeza que foram desencadeados por uma crise de candidíase muito forte, causada por antibióticos, e por um trauma psicológico. Na época eu não entendi o que aconteceu e, quando comecei a sentir algumas dores, procurei uma ginecologista.  Ela me examinou e concluiu que eu não tinha nada, devia tirar “essas preocupações da minha cabeça”. 
Passei três desses quatro anos em um relacionamento complicado e meu distanciamento sexual não ajudou em nada. Parei de gostar de coisas que antes eu adorava. Evitava qualquer toque, mesmo que fosse o meu. Um dia, meu namorado, com um posicionamento machista, afirmou que achava que eu era, “pelo menos”, bissexual, já que não gostava de penetração. Eu, nova e pouco conhecedora do assunto, quase acreditei. Mas no fundo achava que não havia nada de errado; talvez eu tivesse mudado, talvez a vida fosse assim.
E aí, como muitas e muitas mulheres, eu sofri calada durante bastante tempo. No ano passado o relacionamento estranho acabou e agora estou em um relacionamento bacana, com alguém que me faz bem, feliz e realizada. E foi justamente isso que despertou minha dúvida a respeito da dor que eu sentia, afinal de contas, sentir dor não é normal (a ficha finalmente caiu! antes tarde do que nunca, não é?). Decidi pesquisar e, em uma dessas pesquisas encontrei pela primeira vez na Internet o termo “vulvodynia”. 
Ali estavam descritos todos os meus sintomas! Mas quis me certificar –- já que a gente encontra tanta coisa estranha no mundo virtual -– e me consultei com a minha atual ginecologista. Ela afirmou que o que eu tinha era mesmo vulvodynia e que ela estava tentando fazer tudo o que podia, mas que não sabia muito a respeito. Procurei, busquei, me informei e descobri alguns especialistas. 
Atualmente estou em tratamento, mas vivo altos e baixos constantemente. Posso ficar semanas bem e logo depois sentir dor dias seguidos. Fazer xixi virou um drama na minha vida e toda vez penso: “será que vai doer? será que vai ser muito?”. A médica “aboliu” as relações sexuais por enquanto porque quer ver minha resposta ao tratamento, então não posso dizer se melhorou ou piorou, mas lembro perfeitamente da última vez em que arrisquei fazer sexo com meu namorado. 
Ele é muito tranquilo e tem sido muito companheiro, enfrentando tudo isso comigo, mas nesse dia senti tanta dor, que era como se estivessem enfiando um pedaço de um “muro de chapisco” dentro de mim. Eu chorava desesperadamente e ele, sem saber o que fazer, me abraçou e deixou todo aquele desespero extravasar. Isso aconteceu uma semana antes do tratamento começar. É muito difícil ver o sexo, algo tão prazeroso e divertido, se transformar em trauma, virar sinônimo de medo. 
Dói quando eu uso calça jeans, quando fico sentada por horas no trabalho, quando faço os exercícios para fortalecimento da região pélvica. Dói quando faço xixi, quando faço a higiene durante o banho, quando me depilo. Dói quando fico excitada, mesmo que não haja nenhum tipo de contato físico. Dói, algumas vezes, mesmo que eu faça tudo direitinho e siga as orientações à risca.
É uma situação que acabou comigo. Porque, além de tudo, é uma doença solitária. Sou rodeada por mulheres machistas que me aconselham a “tirar essas coisas da minha cabeça”. Todas as vezes que tentei explicar o que estou vivendo para minha mãe, ouvi conselhos e indiretas sobre como eu procurei isso por conta do meu “estilo de vida”. É muito difícil ouvir da sua mãe esse tipo de coisa, quando sei que não fiz nada errado. 
Fiquei deprimida, instável emocionalmente, com a autoestima abalada, me sentindo “menos mulher”. Luto todos os dias para não ter uma recaída depressiva, tento pensar positivamente. Tento evitar pensar na dor que sinto, às vezes, por dias a fio sem trégua. Busco razões para acreditar que, um dia, isso tudo será apenas uma lembrança de um momento difícil na minha vida.
Existe um blog sobre o assunto. Havia um grupo de apoio que, juntamente com meu namorado e minha médica, me proporcionou apoio e conforto nas horas difíceis. Mesmo assim, desde que finalmente fui diagnosticada, fiquei pensando que isso deveria ser mais divulgado e discutido, porque sentir dor não é, nem nunca foi, normal. E as mulheres precisam entender isso. Eu demorei mas entendi.

55 comentários:

Maria disse...

Desconhecia a existência dessa doença...!
Maria

Anônimo disse...

E para que feministas estariam preocupadas com qualquer coisa referente a penetração?
Feministas são contra isto.

lola aronovich disse...

Anon, tenho certeza absoluta que feministas fazem muito mais sexo que mascus. Na única pesquisa conhecida sobre mascus e sexo, numa enquete num blog mascu, respondida por cem mascus, 65% responderam que nem beijar beijam. Só 21% disseram fazer qualquer tipo de sexo. Qualquer dúvida, é só ler comentários em blogs e fóruns mascus (principalmente nos blogs de finanças pessoais, onde o chorume corre solto), pra ver que mascu só faz sexo se pagar, tamanho é seu poder de sedução com as mulheres.
Já as feministas... Somos todas vadias promíscuas e rodadas, esqueceu?

(Desculpem desviar um assunto importante como este da vuldodynia pra responder a um mascu, mas não resisti).

Helen Pinho disse...

aí lola tu é dimais! hahahaha

voltando:
incrível como somos ensinadas que sentir dor é normal. isso tem consequências muito sérias: médicxs muitas vezes não levam nossos problemas a sério, pesquisas médicas são escassas na área, além da propensão da mulher simplismente aceitar que é assim e pronto.

Anônimo disse...

Não entendi muito bem, vou me informar mais. Mas nunca tinha ouvido falar dessa doença. Eu sempre sinto dor na hora da penetração (mas não horrores) e sinto bastante desconforto em exames preventivos (já cheguei a chorar). Será que tenho isso? Sempre achei que fosse por ficar tensa, mas vai saber.

Anônimo disse...

Esses sintomas vêm se somar a todos os outros provacados pelo INFLAMATÓRIO NATURAL que atende pelo nome de AÇÚCAR, incrementado ainda mais pela ingestão de FARINHAS BRANCAS. Quer ficar boa de dores inespecíficas e muito mais, DESÇA O CONSUMO DE AÇUCAR PARA MENOS DE 20G POR DIA.

Anônimo disse...

Sugar Breakdown

When it comes to evaluating sugar’s negative health impacts, the threat of extra pudge is just the beginning. Even great health threats—including inflammation-based diseases—may lurk at the bottom of the sugar bowl.

http://experiencelife.com/article/sugar-breakdown/

A dor é um indício de processo inflamatório, em 99% dos casos. 1% fica por conta da dor pela compressão de um nervo qualquer.

Marcia Baratto disse...

Nossa, eu não conhecia. Este post é de utilidade pública. Espero que você reaja bem ao tratamento, afinal não se trata 'apenas' da sua vida sexual, é a sua saúde física e psicológica que estão também abaladas com essa doença.

Uma coisa: você não é menos mulher por que não faz sexo. Longe de mim dizer que vida sexual não é importante, mas aquilo que você é, seu valor como ser humano deve estar acima do ato de poder fazer sexo.

Para mim você é um 'mulherão', por ter a tamanha coragem de contar a sua dor e utilizá-la para ajudar outras, que talvez ainda não saibam dessa condição física complicada.

Mulher, meu abraço e dois beijos carinhosos para você. Não desista do seu tratamento e espero de coração que você fique bem.

Anônimo disse...

PS,> Ataques de candida albicans (e outros fungos) TAMBÉM é um efeito da ingestão de açúcar, tanto que o tratamento é a supressão a zero deste.

Anônimo disse...

Lola, bem fora do assunto do post, mas eu estava lendo os comentários na matéria sobre aquela mulher que foi obrigada a fazer cesária e... Bem, temos um longo caminho a percorrer até que entendam que a violência obstétrica existe. Ainda mais lamentável do que a opinião de um mascu nojento sobre o assunto (lá você vê aos montes), são mulheres concordando com tal posicionamento, e julgando a vítima como se fosse uma aproveitadora.
Bem, deixo aqui uma entrevista que a Folha fez com uma médica, gostei bastante do posicionamento dela: http:// www1 .folha.uol.com.br/cotidiano/2014/04/1435054-foi-um-desrespeito-a-mulher-diz-medica-sobre-cesarea-forcada. shtml

Natália

Anônimo disse...

Tb lembrei da questão do açucar quando li esse texto.
A medicina tradicional desconhece o quanto a alimentação nos desequilibra.
As vezes a autora do texto pode procurar o blog da Sonia Hirsch e fazer a dieta contra cândida. Eu já tratei uma candidíase só com a dieta dela. Eu sei que ela não tem candida, mas a dieta acaba com inflamações de forma geral.
É meio complicada de seguir, cheia de limitações, mas no caso dela eu tentaria quase tudo. Viver com dor ninguém merece.

Anônimo disse...

Sonia Hirsch é uma voz que clama no deserto. Quem a segue não se arrepende! O artigo sobre a soja é espetacular. Valeu!

Fabia Costa disse...

Ja tem horario e data pra sua palestra em Maraba??

Anônimo disse...

Nunca ouvi falar na doença; ótimo post .

Anônimo disse...

E eis que termina o BBB e a Angela, a menina abusada em rede nacional pelo Marcelo, vai na Ana Maria Braga e é confrontada com as imagens das cenas de abuso e diz: "Foi SÓ ISSO??!?"
Que vergonha para as mulheres o simples fato de existirem mulheres como essa Angela.

Verô! disse...

Nossa, eu também nunca tinha ouvido falar disso! Obrigada pelo post educativo e espero que você se recupere logo, nem posso imaginar como deve ser difícil conviver com uma dor crônica na vagina.

É incrível como ainda sabemos pouco sobre nossas vaginas, eu com meus 28 anos nunca tinha ouvido falar na vulvodynia... não duvido que esse mal seja até comum, mas pouco divulgado e discutido. Quantas mulheres devem sofrer com isso sozinhas?

Anônimo disse...

Obrigada pela indicação da Sônia Hirst, nem tenho candidiase mas amei o blog, as dicas naturais. Cortando o açúcar em 3,2,1

Fernanda disse...

Sonia Hirsch, pra reforçar o coro das outras mulheres ou homens que comentaram aqui.

DEVORE o blog dela, e faça todos os exames de verme.

A medicina ocidental é muito atrasada em algumas coisas. Recorra a tratamentos alternativos, costumam funcionar muito.

Se estiver em BH, recomendo Geraldo Granja, ele pode ajudar muito. Tem a Suzana Ayres também, que é fabulosa, mas honestamente não sei se ela esta em Brasilia ou no Rio...

Anônimo disse...

ótimo post.

OFF: lola, depois do que ajuliana falou sobre aquele caso do cara que perdeu o pênis, teve um caso muito famoso aqui na região e no facebook tinham varias mulheres falando que o cara merecia nos comentários.

https://www.facebook.com/RecordOficial/photos/a.193775244037493.49636.143371292411222/629656863782660/?type=1&theater

´seria interessante um post que falasse, pelo menos no geral, como as pessoas que comentam na internet faltam com empatia para os outros

Anna Milani disse...

Nunca ouvi falar na doença, é sempre bom saber mais. O comentário da Marcia Baratto já disse tudo que eu queria dizer:

'você não é menos mulher por que não faz sexo. Longe de mim dizer que vida sexual não é importante, mas aquilo que você é, seu valor como ser humano deve estar acima do ato de poder fazer sexo. Para mim você é um 'mulherão', por ter a tamanha coragem de contar a sua dor e utilizá-la para ajudar outras, que talvez ainda não saibam dessa condição física complicada. '

Espero que você reaja bem ao tratamento!

Anônimo disse...

Ai anônimo das 10:56, seu sonho é esse, né? Mas, olha, muitas (maioria) das feministas que conheçam AMAM penetração! Chora com essa realidade não, tá. Sei que dói em vocês, mas a mulherada AMA trepar. Interessantíssimo o post...não fazia ideia da existência dessa doença!

Nane disse...

Sugiro procurar um especialista em dor, para tratar paralelamente à ginecologista.
Se puder informar em qual cidade mora talvez eu possa te indicar alguém.

Juliana disse...

Post muito importante, eu tbm não conhecia a doença, utilidade pública total!Tbm não sabia sobre a questão do açúcar, que o pessoal falou ak.

off: toda vez que eu vejo a chamadinha do GloboReporter, eu lembro da Lola haha

Nelia disse...

Eu tb não conhecia. Graças que nunca tive nada parecido apesar de já ter tido candidíase. Tinha predisposição a candidíase por estar fora do peso e com tendência à diabetes. Tomava o remédio, mas depois de uns meses aparecia novamente. Aí descobri um site: candidíase tem cura. Baseada nas informações de lá fiz uma alimentação sem nenhum tipo de açúcar, alimentos fermentados e sem fungos por algum tempo e não tive mais recidiva. Depois disso aboli açúcar da minha alimentação.
Estou contando isso para recomendar que procurem alternativas de cura às indicadas pelos médicos alopatas, principalmente quando se tratar de doença crônica.

Nelia disse...

Além da Sonia Hirsch tem a Conceição Trucom que tem um site chamado Doce Limão, onde encontrei a publicação sobre candidíase tem cura. Lá tb tem muitas dicas de cura natural, alimentação saudável e os poderes curativos e equilibrantes do limão.
Recomendo muito.

Anônimo disse...

Sobre o anônimo que falou do caso da violência obstétrica. Seguinte.
Era uma gravidez de alto risco, ou seja, a mulher e a criança corriam risco de vida, e ao que tudo indica essa paciente era um caso sério. Só que ela, não sei, parece não ter entendido isso, ou não deu importância ao risco.
Pelo que ela fala, foi uma afronta ao que ela queria, o que é errado. Só que pelo número de casos que dão problemas com morte de parturientes e recém nascidos, é compreensível a atitude do hospital (não estou dizendo que está certa, estou dizendo que é compreensível). O hospital tirou o deles da reta, pois se algo ruim acontecesse no parto seria culpa deles, e todos iriam cair em cima.
O que eu acho estranho da matéria nem é tanto a violência, mas o fato de existir uma pessoa que não leva a sério uma recomendação de cesárea PORQUE ELA PODE MORRER. Notem que eu nem falo do risco da criança morrer, mas da gestante mesmo. São aquelas situações complicadas de lidar, e a moça pareceu muito desconhecedora da própria situação clínica.

Anônimo disse...

Muitas pesquisas apontam que as dispareunias idiopáticas (sem causa somática) e a vulvodynia, devem-se ao fato de as sensações de prazer e dor terem o mesmo "endereço" no sistema neural, uma região chamada nucleus accumbens. Só isso mesmo... hehe muito pouco se sabe sobre a doença.

Anônimo disse...

Sawl

Desculpe por citar algo que não tem a ver com um post tão sério quanto este, mas, eu preciso pq to muito revoltada e enojada com a situação de misoginia de certos países.
Sabiam que no Iraque, existe um "projeto de lei" que quer simplesmente legalizar o ESTUPRO contra mulheres casadas(só pra não distorcerem o que acabei de citar, NÃO to dizendo que algum tipo de mulher merece violência, só estou mostrando uma questão de um projeto de lei iraquiano) e até mesmo a PEDOFILIA!!
Não é a toa que esse país MALDITO é um dos mais miseráveis do Mundo!
Ps: Desculpe parecer extrema, mas, quem fez esta lei e todos que apoiam e se aproveitam da situação de fragilidade social de mulheres e meninas devem morrer da pior forma, da forma mais dolorosa e excruciante possível. Sem mais.

Vejam esta aberração abaixo:

https://br.mulher.yahoo.com/blogs/preliminares/casamento-antes-dos-9-anos-idade-e-estupro-100513096.html

Sawl - Always the rebel

Ana disse...

Nossa, fiquei muito chateada de ler que as pessoas mandam a autora "tirar isso da cabeça". Que coisa estúpida e ignorante de se dizer!!! E o que foi aquela mãe dizendo que ela ~procurou isso com seu estilo de vida~?!!

Não ser levada a sério dói, não ser levada a sério por mãe dói em dobro. Conhecimento de causa. Não tenho vulvodynia mas tive outras questões com as quais tive que lidar, e passei por todo o processo de não saber o que há de errado -por muito, muito tempo-, buscar informação loucamente, finalmente descobrir o que é, criar coragem pra dividir o problema depois de toda essa jornada solitária... e ser ignorada. Me solidarizei horrores com a tua história, mesmo que não seja a mesma. Força, minha querida.

Fiquei muito feliz que você tenha encontrado um novo parceiro! O outro cara era um babaca, desculpe. Não merecia uma mulher como você. O novo te compreende e te apóia, A+.

E claro, muito obrigada por ter dividido a sua história. Outras mulheres com o mesmo problema podem ler o texto e quem sabe ele será a luz no fim do túnel pra elas.

--

"...procurei uma ginecologista. Ela me examinou e concluiu que eu não tinha nada, devia tirar “essas preocupações da minha cabeça”."

Como é nociva essa ignorância dos profissionais da saúde em relação aos problemas da mulher!

Pouco tempo atrás o Drauzio Varella fez uma série no endometriose no Fantástico, e foi categórico em dizer que DORES MENSTRUAIS FORTES _NÃO_ SÃO NORMAIS e geralmente são um indicador de alguma doença mais grave.

Achei muito interessante isso, porque nem eu sabia. E muitíssimo importante, claro, porque agora as mulheres podem ficar mais atentas. Mas é muito triste precisar de uma série especial pra ficar sabendo de uma coisa banal dessas, que devia ser uma informação bem divulgada entre toda a população.

Pensem em todas as amigas que vocês já viram reclamar de dor, em todas as vezes em que as cólicas foram tratadas como uma coisa natural, em todas as vezes que você ouviu alguém dizer que cólica é frescura. Agora pensem que na verdade aquilo pode ser um baita problema. Não é chocante?

A série foi muito feliz em destacar como idéias arraigadas na nossa mente atrapalham o tratamento das mulheres - como esse mito de que sentir dor é normal, "coisa de mulher", etc. Várias pacientes com endometriose procuraram médicos com queixa de dor e ouviram dos médicos que elas "tinham que se acostumar com a dor porque isso era parte da vida da mulher, era assim mesmo". Pra conseguir o diagnóstico certo, tiveram que fazer uma peregrinação enorme. Que absurdo, não?

Se alguém quiser ver a série (recomendo!!!), links:

Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=k37EYotxd9M
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=KUJ4iy9uijU
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=0y0Ax_RE54g

Anônimo disse...

Ai que chatice desse povo natureba e contra acucar! E o povo comentando BBB, ninguem tem mais o que fazer nao?

Aline Nunes disse...

Anônimo das 19:36, a gravidez não era de risco e os exames estavam normais. Outra coisa, a mãe assinou um termo de responsabilidade. Se o caso fosse realmente de emergência, não haveria documento no mundo que liberasse a mãe do hospital.

Marina P disse...

Eu já senti tanta, mas taaaanta dor menstrual a ponto de ter medo de urinar e chorar de pânico ao beber água pois isso significaria ter de fazer xixi dali há um tempo. Para defecar,a mesma coisa: uma dor tão absurda que o simples relaxar da musculatura doía como se estivessem me enfiando uma faca ânus adentro. ginecologistas diziam: cólica menstrual é normal e prescreviam remédios pra dor. E aquilo piorando... piorando... a ponto de um dia eu sentir dor ao andar, todas as vezes que pisava no chão e de precisar de ajudar para subir uma escada ou me abaixar para pegar ago que caiu. As dores se tornaram incapacitantes e comecei a perder tecido também. Enquanto isso era um festival de ginecologistas falando asneiras... e recebi, recentemente, há poucos dias, diganóstico de endometriose profunda que já está afetando meu intestino e a bexiga. Dor forte está longe de ser algo comum e no entanto o que encontrei na imensa maioria das vezes foram médicos que não acreditavam que as dores que eu sentia eram fortes, que me diziam que "isso não tem muito sentido" ou que "o que você está falando não aparece nos exames". E aí quando eu chegava no consultório andando devargarinho, meio dobrada no meio de dor, achavam que era drama, exagero e se negavam a me dar um atestado para o dia, o que me colocava na situação de ter de trabalhar por anos com dores excruciantes e ouvir que isso"é só uma colicazinha que todo mundo tem". sei que existem bons médicos, mas são exceção. Até entendo que não consigam diagnosticar, que demore, etc, mas as humilhações, o não acreditar nos meus sintomas, o estar constantemente sugerindo que eu era "fresca", isso eu não suporto!

Julia disse...

Anon 14:24, mais que vergonhoso é triste que existam mulheres que não saibam que foram abusadas. Que assim como a dor - tema desse post - a mulheres também se diz pra se acostumarem com abuso, que "podia ser pior", "foi só um beijinho". Então tome cuidado ao apontar o dedo na cara dessas mulheres. A Ângela foi a vítima. Vergonhoso foi o que o Marcelo fez.

Fabiana disse...

Gente,

Tem uma série chamada "Masters of Sex" que mostra um médico tentando estudar a fisiologia do sexo, só que na década de 1950, enfrentado o preconceito contra esse tipo de estudo.
A série tem uma subtrama super interessante de uma obstetra tentando implementar o papanicolau como procedimento regular em consultas e todos os impedimentos que o meio médico-científico super machista tentava barrar.

Além da série ser bem bacana, vale a pena para ver como a pesquisa sobre a saúde feminina é tratada com menor interesse pela medicina.

Anônimo disse...

Sawl

Anotem o facebook desse babaca misógino pra encher de denúncia e tb esculachar ele pq ele merece isso!!
Ele criou um post RIDICULARIZANDO as vítimas de estupro alegando que "Ninguém é estuprada lavando a louça!
Viadinho covarde e ridículo. Precisam ver o facebook desse cara! O típico mascu boçal retardado que se "acha" com foto mostrando seu braço e expressão do idiota que é.

Confiram abaixo o face do imbecil e detonem com ele:

https://www.facebook.com/capivarabest

Sawl - Always the best

Carol A. disse...

Marina e Ana: também tenho endometriose e a história é parecida: aos 16 comecei a ter cólicas fortes (até então não sentia dor alguma). Minha mãe me levou a médica dela que disse que a dor era normal. . Enfim, as dores foram piorando com o passar dos anos até que o remédio nem fazia mais efeito. Foi quando fui a um ginecologista para tratar de um corrimento. Felizmente ele pedia uma lista enorme de exames (fazia isso com toda nova paciente). Ele ficou abismado com o resultado e marcou uma cirurgia de emergencia para retirada dos cistos (um deles tinha 7cm de diametro). Disse que eu corria sérios riscos do cisto estourar e eu ter uma infecção. Médicos que não se importam com os pacientes e fazem pouco caso do que elas falam deviam ser proibidos de exercer a medicina. É péssimo como os males femininos são pouco conhecidos.

Julianny disse...

Débora, primeiro gostaria de parabenizá-la pelo texto bem escrito, e tão útil!
Mas fiquei curiosa sobre teu tratamento (sobre a fisio, em específico). Tens feito apenas fortalecimento do assoalho pélvico? Técnicas de relaxamento não? Se tu estas fazendo fisioterapia, já tentou inibição nervosa em tibial posterior?o Técnicas de relaxamento? Terapia manual? Sou fisio, trabalho com urogineco, e pensei que várias coisas dessas poderiam te ajudar!

Anônimo disse...

Lola, escolhes sempre mulheres de figurino para exemplificar o que escreves, não é?

Anônimo disse...

Mais de 65% dos brasileiros acham que mulheres que mostram o ...
Público.pt - ‎Há 1 hora‎
Mais de 58% a concordarem que “se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros [violações] ”; 65,1% a dizerem “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”; e 82% a afirmarem que “em briga de marido e ...
aqui http://news.google.pt/news/section?pz=1&cf=all&ned=pt-PT_pt&topic=w&siidp=09f3f1769d9b064960571d07d169e5a1dfdc&ict=ln

Anônimo disse...

Pois é, as dores das mulhers são sempre menosprezadas. Uma vez estav com dor de garganta, sem conseguir sair da cama, ouvi da minha patroa " é so uma colica, coisa normal". Como asssim filha, dor de garganta, gripe, tem a ver o que com colica? affff

E estava com um sagramento por 6 meses devido ao contraceptivo e tive que ouvir da ginecologista: normal, frescurinha... ai comecei a chorar e falar que estava atrapalhando minha vida porque MEU MARIDO estva insatisfeito. Aíela decidiu fazer alguma coisa para me ajudar. Cretina. Enquanto so afeta a minha vida, eu que me dane. Na hora que afeta a vida do sagrado homem, ahhhhhh, vamos ver o que podemos fazer.

Lia disse...

As vezes pode ser meio psicológico sim, quero dizer, somatizado.
Tive um namorado maltratador e também comecei a sentir dores na pélvis, utero... Quando íamos ter sexo eu tinha surtos de psoriasis,
Agora estou curada de tudo,
Vc tb já nao esta com o namorado, mas esta toda hora pensando "vai doer se fizer xixi, vai doer"

Agora uma coisa que nao entendi é
Se sente dores na região vulvar porque se depila? Vc é louca menina! Aí sim vc esta irritando a pele, quando depila, quando os pelos crescem,

Anônimo disse...

Depois que eu comecei a menstruar, eu passava vários meses sem descer nada. Cheguei a ficar um ano sem menstruar.

O médico descobriu um cisto de vários centimetros de diâmetro, que podia romper e me deixar estéril. A receita dele foi pílula anticoncepcional - e funcionou.

Acelerando o tempo alguns muitos anos, eu continuo usando anticoncepcional. Eu tentei parar uma vez, mas parei de menstruar de novo. Eu queria muito mudar de método, mas nenhum médico quer falar disso. Basicamente é pra eu ficar tomando pílula até morrer.

E o pior é que eu descobri que um dos meus medicamentos de uso contínuo corta o efeito do anticoncepcional - ou seja, nem pra função dele essa porcaria serve, e eu preciso arranjar outro método mesmo. Mas por aqui qualquer porcaria é pílula. Cólica? Pílula. Características androgênicas? Pílula. Acne? Pílula. Menstrua demais? Pílula. De menos? Pílula. É ridículo.

Eu não faço A MÍNIMA IDÉIA de como meu corpo funciona por causa disso. Nenhum médico quer gastar 5 minutos pra examinar.

Lia disse...

Eu tb tive um cisto no ovário mas como nao posso tomar pílula (em algumas mulheres aumenta o colesterol exponencialmente) eu fiz homeopatia e estou curada.
Recomendo a homeopatia sempre. Demora um pouco mais para ver os resultados mas funciona

Julia disse...

Fabiana, eu amo Masters of Sex! Tomara que a 2 temp não demore a estrear.

A Lola nos prometeu um post sobre a serie, lembra Lola? :)

Assistam!

Anônimo disse...

Se alguém se interessar, no livro da Naomi Wolf, "Vagina, Uma Biografia' ela fala mais sobre essa doença.

Fabiana disse...

Que máximo Julia! Escreve pra gente, Lola!!!

Anônimo disse...

Anon 9:23, quando se toma a pílula anticoncepcional, não há ovulação e por conseguinte, não há menstruação. O que há é uma redução de taxa hormonal que provoca o sangramento. Se você não menstrua, seja por que motivo for, não há de ser o intervalo entre duas cartelas que a fará menstruar. A menstruação mesma é um fator desencadeante da endometriose, segundo nosso querido Dr. Elsimar Coutinho. Fatores envolvidos na falta de menstruação são vários, inclusive falta de gordura corporal.

@anon 15:03: Parabéns!!! você não sabe quantos coelhos está matando com uma cajadada só de cortar o açucar a perto de zero. Um dos coelhos é a labirintite que vc NÃO VAI TER. (Quem já teve um episódio de labirintite sabe o inferno que é.) Depressão, sintomas de refluxo por superacidez estomacal, como tosses, bronquites, fora o refluxo esofágico propriamente dito, enxaquecas que duram dias, sintomas no sistema reprodutivo, dor no maxilar OTM(eu acordava com uma dor horrorosa na articulação da mandíbula inferior que custava a melhorar), e muitas outras mazelas de fundo inflamatório. já entrei na menopausa e não sinto absolutamente nada, não reponho nada e só uso molho de soja importado sem porcarias.

A quem reclamou das zombarias dos médicos: Seja seu próprio médico. Pesquise, leia sobre Nutrição, suplementação, doenças crônicas, doenças raras, tudo o que disser respeito ao que sente, ouça o que os médicos dizem na TV, procure os grupos dedicados à troca de informação sobre doenças específicas e sobretudo PENSE no que pode estar desencadeando os sintomas. Eu me autodiagnostiquei com pedra na vesícula porque 3 membros da minha família (pai, mãe e um irmão) operaram a vesícula, daí deduzi que minha febre e dor eram a vesísula e estava certa. Médico algum vai adivinhar seu histórico médico familiar, sua dieta, seus hábitos.

Anônimo disse...

Lola, parabéns por ter postado sobre isso!
Libertação também passa por informação!
grande abraço!

LOVE GÓTIC disse...

Imbecil e arrogante. E por quê um misógino ta lendo um blog feminista se não gosta de mulher?

LOVE GÓTIC disse...

A falta de informação pode custar vidas. Foi o certo. Aqui houve um caso parecido. Uma menida de 16 grávida de gêmeos teve descolamento e placenta e o parto teria que ser cesariana no sétimo mês . Tanto a gestante quanto a família não aceitou e a gravidez seguiu. No oitavo mês a gestante foi encontrada em coma caída no quarto, fizeram cesariana de urgencia, os bebês em estado grave sobreviveram e a jovem mãe faleceu. A família ainda quer processar o médico. Tem lógica? Não né?

Anônimo disse...

Oi, dscp postar, já que este blog é dedicado a mulheres mas considero a informação que tenho relevante.

A minha parceira tem estes sintomas, então rotinas de exames foram renegadas e a perda da virgindade foi uma decisão difícil que tomamos e um dia que sinceramente queremos não lembrar.

Apesar disto, acabamos descobrindo que, se não houver penetração, ela tem uma vida sexual normal.

Pode não funcionar pra todas (pelo que pesquisei de vulvodinia, os sintomas e área de ação da dor variam de caso pra caso) MAS práticas de estimulação "clitorianas", ou seja, sem penetração (língua, coxas, dedos, etc) causam prazer e permitem uma vida sexual plena.

Atualmente, ela pode estar em apreensão de tentar verificar tratamento, e eu a apoio pq já acompanhei em consultas exames e é evidente que é traumático o processo de dor e desespero pra exames.

Então, como a vida segue, não temos a intenção de impor tratamento já que encontramos "o jeito certo de nós dois".

Grato pelo Blog, por abordar um universo de assuntos.

Anônimo disse...

Prezada Lola,
Há cerca de dois anos, fui diagnosticada com Vulvodynia depois de três meses de dores (relativamente rápido, se compararmos com pessoas que levam anos sofrendo). Primeiro foram algumas idas ao Ginecologista, vários exames de lâmina e muitas pomadas diferentes, que não deram resultado, e depois uma consulta com uma especialista em vulva e vagina de consulta exorbitantemente cara. Foi esta última quem diagnosticou o problema corretamente. Porém, o tratamento proposto envolvia remédios neurolépticos de longa duração, preço elevado e efeitos colaterais violentos. Tudo se resolveu com uma consulta a minha Homeopata e poucas semanas de uso de uma substância por ela recomendada, sem nenhum efeito colateral e preço acessível.
A doença existe, e é uma verdadeira tortura. Mas é possível livrar-se dela. Recomendo a consulta a um Homeopata.

joana disse...

Este post ajudou-me bastante. Há cerca de um ano que sinto dor na penetraçao e depois do ato sexual sinto um ardor especialmente a fazer chichi. quando nao estou a fazer o ato sexual é muito raro ter dor, no entanto por vezes sinto um certo desconforto. ja fui á minha genecologista e ela disse-me que nao tinha nenhuma infeçao, e apenas receitou-me lubrificante. gostaria de saber se é possivel que eu tenha vulvodinía?

Anônimo disse...

Oi gostaria muito de conversar com vc tenho vulvodinia e fui a um homeopata hj é ele me passou uns remédios pra stres ansiedade enfim e um a base da minha própria urina.. já ouviu falar to meio assustada sem saber o q fazer

Anônimo disse...

Tenho este problema há 19 anos. Foi depois de uma cirurgia "períneo ". Sempre procurando médicos entre ginecologistas e urologista. Depois de uma abdminoplastia e outra cirurgia p. Retirada do útero a situação complicou mais ainda. Sinto muita dor. Tens dias que tenho vontade de abrir as pernas e ligar um ventilador direto. Pq queima
Fiz tratamento com fisioterapia. Tem fases melhores, mas nunca sem dor.