terça-feira, 15 de abril de 2014

GUEST POST: UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

Samantha me enviou este lindo relato:

Li o post sobre o rapaz que tem esquizofrenia. Achei interessante ler os pensamentos de uma pessoa jovem que sofre com a doença. Como minha mãe tem a mesma doença, posso contar minha experiência com uma pessoa que sofre com isso, e como o machismo e a violência foram os maiores desencadeadores.
Minha mãe nasceu em uma família disfuncional. Um pai alcoólatra, que gastava seu dinheiro em bebida e mulheres e espancava a esposa ao chegar em casa, uma mãe hipocritamente religiosa, irmãs mais velhas e posteriormente um irmão mais novo. Minha mãe não foi desejada, nem amada. Ela foi fruto de um estupro conjugal e nasceu apenas porque sua mãe, católica, se recusou a fazer um aborto por causa de sua alma.
Minha mãe cresceu em um ambiente hostil e cheio de violência doméstica entre marido e esposa, pais e filhos e entre irmãos. Ela foi constantemente agredida pela sua progenitora, pelas coisas mais banais. Passou fome. Começou a fazer faxina aos 11 anos para poder ganhar uns trocados e poder complementar a renda familiar.
Aos seis anos, minha mãe foi estuprada por um conhecido da família. Ela nunca revelou isso para ninguém, exceto para mim, quando fiquei mais velha. Ela guardou essas informações para si, pois temia apanhar se revelasse a verdade para a família.
Aos 16 anos, minha mãe casou pela primeira vez, com o único intuito de sair de casa. Este casamento durou nove anos. A separação ocorreu após uma briga entre ela e o marido, que culminou com uma agressão por parte dele. Naquele momento, minha mãe sabia que não poderia continuar com o esposo. Ela havia jurado, desde jovem, que não repetiria o círculo de violência no qual estava inserida, e isso envolvia tanto o seu casamento quanto a educação que daria aos seus filhos. O primeiro aspecto ela conseguiu cumprir com louvor. O segundo, ela falhou algumas vezes. Mas já falo sobre isso.
Aos 25 anos, minha mãe se relacionou com o seu segundo marido, no caso o meu pai. Este relacionamento durou 14 anos, e gerou uma filha (eu). Já neste momento, os sintomas da doença da minha mãe começaram a se manifestar. Criada em um mundo hostil e cheio de violência, aos 28 anos minha mãe começou a ter os surtos da esquizofrenia que ela carregava desde a infância. Aos 28 anos, grávida de 8 meses, minha mãe tentou sua primeira tentativa de suicídio, aspirando gás, por conta de uma briga entre ela e meu pai. Não se sabe como ela não morreu, e eu nasci sem sequelas.
Não fui planejada, mas fui desejada. Quando nasci, minha mãe havia jurado pra si mesma que não me criaria ou me trataria da mesma forma como foi tratada. Na maior parte do tempo, ela conseguiu me tratar com carinho. Por sua opção, ela largou seu trabalho para me criar, e foi uma mãe excelente. Me ensinou a ser independente, foi amorosa, me exigia ao máximo. E fomos felizes, até a segunda crise.
Nos meus seis anos, veio a segunda crise culminada com outra tentativa de suicídio. Não sei bem o que ocorreu, até hoje ela não fala sobre isso. O resultado foi uma internação de 15 dias em um hospital e um tratamento feito às pressas. Após um período de medicamentos, interrompidos por pressão de meu pai, minha mãe estava normal novamente. E decidiu que iríamos nos mudar para outra cidade, a fim de recomeçarmos a nossa vida.
Mais três anos se passaram, novamente a mesma mãe amorosa, que nunca me batia, que nunca me magoava. Mas nos meus 11 anos, veio a terceira crise, acompanhada de uma tentativa de suicídio quase fatal. Após saber que meu pai pediria o divórcio, minha mãe tentou se matar com um tiro na cabeça. Não morreu, não teve sequelas, a bala entrou por um lado e saiu pelo outro. Ironicamente, foi após este evento que eu deixei de me importar com deus e me tornei agnóstica.
Pouco antes desta terceira tentativa, algo ocorreu. Pela primeira vez na minha vida, minha mãe havia me espancado. Lola, sabe quando você escreveu que as surras que os pais dão nos filhos mostram seu descontrole emocional? Pois bem, sou um exemplo vivo disso. Minha mãe, na única vez que me encostou, estava descontrolada. Ela me surrou com uma coleira, bateu em minhas mãos, rasgou minhas coisas e me machucou seriamente, em razão de uma nota baixa na escola. 
Quando ela se deu por si, viu o quanto eu estava machucada, engolindo o choro. Nunca a vi tão quebrada e desesperada na sua vida. Ela sentou do meu lado e chorou, me pedindo perdão. Pouco depois disso, cerca de três meses depois, foi que houve sua tentativa de suicídio.
Dessa vez, por intervenção familiar, minha mãe foi submetida a um tratamento que durou anos. E eu, neste tempo, morei com uma tia (meu pai? Meu pai estava montando seu negócio e não tinha tempo para um estorvo). Quando minha mãe se recuperou, ela obteve novamente a guarda e vivemos juntas até eu sair de casa. Nos anos em que ela se tratou, ela foi extremamente feliz.
Só que, por alguma razão que eu desconheço, ela optou por parar o tratamento, sob o argumento de que estava bem. E dois anos após a interrupção do tratamento, seus delírios voltaram. Antigamente, minha mãe apenas se machucava, transformando pequenas coisas em monstros. Agora ela começou a ter paranoia, inventando histórias em sua mente, acreditando que era vítima de perseguição.
Entrei em contato com o seu ex (e agora atual) psiquiatra. Conversamos, marquei a consulta. Conversei com minha mãe e a convenci a ir na consulta, alegando que eu tinha medo que ela voltasse a se matar.
Minha mãe não aceitou no início. Não queria tomar medicamentos, não queria que eu fosse nas consultas, alegava estar bem. Mas com paciência, as coisas foram se ajeitando. Ainda acompanho ela nas consultas de tempos em tempos, mas apenas para controle. Ela é feliz, amorosa, alegre e recuperou os laços com os parentes. A mãe que sempre conheci.
Onde entra o feminismo nisso tudo? Bem, quando as coisas começaram e eu assumi o tratamento e as despesas decorrentes dele, entrei em pânico. Como eu, com 25 anos, poderia conciliar trabalho, faculdade e minhas despesas com a responsabilidade de cuidar da minha mãe que mora em outra cidade? Meu pai, quando lhe pedi ajuda, falou categoricamente que a mãe era minha e que ele tinha outra esposa. Toda a barra emocional dos primeiros meses, em que minha mãe me ligava falando que preferia morrer a tomar os remédios, eu passei sozinha.
Foi minha chefe e minha avó paterna quem me ajudaram nesta empreitada. Minha chefe, quando soube da situação, deu todas as liberdades possíveis para eu conciliar minha agenda e ir para as consultas em outra cidade. Minha avó forneceu meio de transporte para eu não precisar ir de ônibus, facilitando muito meu deslocamento e permitindo que eu trabalhasse mais durante o dia.
Foram mulheres, não ligadas a minha mãe, mas a mim, que me ajudaram nessa. E foram as irmãs da minha mãe, vítimas da sua doença, quem a acolheram assim que souberam que tudo que ela fez foi por causa da esquizofrenia. O irmão da minha mãe e seu sobrinho ainda não falam com ela. Eu os entendo.
É difícil ajudar e se envolver com alguém com este tipo de doença. Mas vale a pena, no final, ver a pessoa bem, feliz e vivendo sua vida. Uma vida amplamente funcional. Espero contar com mais solidariedade e sororidade. E que todas tenhamos histórias de superação para contar.

42 comentários:

Igor Pedras disse...

Socorro! Meu blog está sendo atacado por um mascu!
Eu deduzi que ele era um adolescente frustrado por não estar transando (quase todos são) e eu "convidei" a ele a ir para o "lado feminista da Força" falando que a sua vida sexual iria melhorar.
Considerando que o meu motivo para ser feminista não é "pegar mulher" (mulher não é objeto para se pegar), essa minha tentativa de persuasão me deixa com impressão de que estou sendo "feminista para pegar mulher" ? Queria uma opinião das leitorxs

Glauce Freitas disse...

Uma ótima experiencia de salvação da relação entre mãe e filha,e conscientização da necessidade de cuidados que devem ser dados á uma pessoa com esquizofrenia. A filha teve uma visão diferenciada do resto da família e com o tempo teve a recompensa amorosa de sua mãe que devido ao tratamento pode ver com clareza que sua filha a amava e só queria o seu bem.um ótimo exemplo de superação e amor ao próximo foi ensinado por essa filha.

Glauce Freitas disse...

Adorei o relato da Samantha,ela demonstra superação e consegue resgatar o laço entre mãe e filha e conscientizar sua mãe da necessidade do tratamento e mesmo não estando próximo pode contar com outras pessoas que também lhe estenderam a mão em um momento tão difícil,talvez se não houvesse encontrado esse apoio poderia ter abandonado a tentativa de tratamento de sua mãe,mesmo com todas as dificuldades conseguiu conscientizar sua mãe da necessidade de tratamento.Acima de tudo Samantha demosntrou seu amor e dedicação por sua mãe.

Anônimo disse...

Só quem tem e/ou já conviveu/convive com alguém que tem transtorno mental sabe o tamanho do sofrimento que isso traz.

Tenho depressão e toc. Meu problema não é nem uma pequena fração do problema da mãe da Samantha (e dela, consequentemente).
Samantha, se você ler isso, saiba que tem muita gente que solidariza e entende o que vocês duas passam/passaram. Sei que é uma grande responsabilidade, mas NUNCA deixe sua mãe abandonar o tratamento! Admiro sua coragem e superação. Te admiro por compreender a gravidade de uma doença mental. te admiro por não ter desistido da sua mãe.

Pra quem leu esse post e está lendo os comentários, eu faço um apelo - se você acha que está mentalmente doente,procure um psiquiatra. Se você conhece alguém portador de transtorno mental - não julgue e JAMAIS fale em abandonar o tratamento.
Depressão, esquizofrenia, Transtorno bipolar, Síndrome bornout, toc são DOENÇAS - são problemas que afetam um órgao - o cérebro - e que, assim como a diabete, pressão alta, arritmias etc PRECISAM de tratamento e cuidados constantes.

Jane Doe

Relicário disse...

Lindo isso!

Helen Pinho disse...

Muito importante o relato, certamente muitas pessoas enfrentam situações semelhantes.

Ana Nazaré disse...

Minha mãe tem esquizofrenia. Eu fui morar com meus avós quando tinha 3 anos, pois foi quando a doença c manifestou.Mas só foi diagnosticado 12 anos depois, quando eu já era adolescente.Antes, falavam que ela era ruim, que não prestava.Aí não tive contanto nenhum com ela. Precisou ela conversar com a geladeira e querer sair pelada pra enxergarem ela. Hoje, ela toma remédios, eu vou sempre à casa dela, conversamos, passeamos juntas. Pelo que já pesquisei,não há um consenso dos especialistas em relação as causas, alguns dizem que é má formação no cérebro,outros que não se pode dizer ao certo... Bem, eu acho que atenção e cuidado por parte da família já ajuda muito...

Julia disse...

Igor, se você está tranquilo quanto aos suas razões então tudo bem, mas não espere 100% de compreensão de todas as feministas todo o tempo. Está cheio de feministO por aí.

Julia disse...

Achei a história engrandecedora. Imagino o quanto você, Samantha, amadureceu durante este período em que sua mãe estava mal. E não esqueceu das mulheres que te ajudaram. Mulheres sempre puderam contar umas com as outras, ao contrário do dito popular que diz que somos todas inimigas e estamos sempre em disputa.

Ana Torres disse...

Eu tenho 27 anos e há 2 descobri que tenho transtorno delirante. Meus pais e irmãos tinham desistido de conversar comigo e foi muito difícil descobrir que eu tinha isso e começar o tratamento, que os trouxe de volta. Meus delírios de ontem hoje me dão vergonha. Eu sou medicada com um remédio chamado olanzapina e ele me fez engordar uns 20 kilos, que estou suando pra emagrecer. Ainda vivo sob auxílio financeiro do meu pai, que nunca me faltou. Estou estudando pra passar num novo concurso após pedir exoneração de um cargo de professora estadual que eu tinha. Tenho suspeitas que meu antigo relacionamento amoroso possa ter dado início a uma crise psicótica, que provavelmente, hora ou outra já ia acontecer. Hoje tomo medicação e a resposta tem sido muito boa, tanto que meu médico cogita me deixar apenas com acompanhamento psicológico um dia.

Julia disse...

Gostaria que alguém me esclarecesse porque algumas pessoas que têm doenças psiquiátricas muitas vezes decidem parar de tomar os remédios. Se elas ficam bem com os remédios porque param de tomá-los?

Há muitos efeitos colaterais negativos, físicos ou psicológicos?

Lygia disse...

Júlia, a grande questão é que os remédios fazem a pessoa se sentir bem, "sem a doença"...
E ninguém gosta de tomar remédio se sentindo bem, né?
Acontece também com pacientes com pressão alta, diabetes, uso de antibióticos, tuberculose...

Assim que os sintomas somem, as pessoas abandonam o tratamento, porque os remédios são o lembrete, DIÁRIO, de que a pessoa é doente. E doença é associado a proximidade da morte. Ou seja, diariamente a pessoa pensa que está mais perto de morrer. Ninguém quer pensar nisso.

Lygia disse...

Mas sim, os remédios psiquiátricos, na sua grande maioria, têm vários efeitos colaterais ruins...

Renata disse...

Julia, muitos desses remédio tem efeitos colaterais terríveis (depende do organismo de cada pessoa também,né).
Uma amiga parou de tomar os dela porque ela ficava lerda, letárgica, com cara de peixe morto mesmo.
Ficou meses sem, mas como o transtorno piorou, teve que voltar a tomar. Testou vários até achar um que desse certo.
Infelizmente, nem todo psiquiatra se interessa em tentar medicamentos diferentes até achar um que se ajuste às necessidades do paciente.

Anônimo disse...

De vez em quando tem algum post sobre violência física contra crianças e até a última vez eu estava em negação. Agora q eu penso, o motivo de eu n querer ter filhos é pq eu n quero q eles sofram, q eles se sintam injustiçados, q eles n tenham ninguém pra quem recorrer, q eles pensem "eu queria nunca ter nascido". E todos esses sentimentos estavam guardados bem lá no fundo. A minha psicóloga falou q a minha mãe é obsessiva e não há como lidar com gente obsessiva, só tem q "entrar no quadrado" . O foco da psicóloga é sempre a família, mas é muito fácil falar um "se foque nas coisas boas q ela fez/faz pra vc", qndo n é vc q ouve a sua mãe conversando com a sua cunhada falando pra ela bater no filho, pq tem q bater pra educar; ou qndo n é vc q ouve a sua mãe batendo nos cachorros e pensa "ela fazia igualzinho comigo". Só q nem no patamar de um cachorro eu chego, eu sou um robô, eu fui programada pela minha mãe pra no fim ela achar q n foi o suficiente, q ela deveria ter batido mais em mim.

Desculpa Lola, eu só queria desabafar mesmo.

Anônimo disse...

agora o machismo causa doenças? faz me rir

Fabiana disse...

Gente,

Uma coisa que tem me incomodado muito:

Existem uma série de remédios (incluindo aí vários antibióticos super comuns) que cortam ou diminuem o efeito de anticoncepcionais. E os médicos que prescrevem estes nunca avisam isso para as pacientes!!!!

Eu mesmo já tomei um antibiótico para infecção urinária que depois eu fiquei sabendo que tinha esse efeito.

E SEMPRE que um médico me pergunta se eu tomo alguma medicação eu falo que uso anticoncepcional(talvez algumas mulheres não façam, por achar que anticoncepcional não "conta" como remédio).

É muita falta de respeito com a vida das mulheres!

Anônimo disse...

Anonimo das 19:30, a minha historia é muito parecida com a sua. Eu fico triste saber tanta gente sofre essa violencia na infancia. Queria conseguir mudar isso.

Maria Valéria disse...

Muita gente deixa de tomar remédio psiquiátricoor conta própria,

1- por causa dos efeitos colaterais, que são chatos, como disseram acima

2- ou porque melhoram, e quando melhoram , esquecem que tem uma doença e esquecem que tem que continuar tomando o remédio todo dia,

"" ahhhh Dra, mas eu parei de tomar porque estava boa "
- sim, estava boa porque estava tomando o remédio,se vc parar de tomar de supetão vai ficar ruim de novo.

Isso acontece muito tambem com remédio pra pressão alta " parei de tomar porque a pressão tava boa " ( sim, estava boa porque você estava tomando o remédio )- tem casos em que fazendo uma boa dieta com redução de sal , parando de fumar,etc com o tempo a pressão normaliza mesmo tirando o remédio.

Muito comum o paciente parar de tomar,por um, por outro, ou por ambos os motivos.

Abraços .

Samantha disse...

Olá pessoas lindas.

Eu sou a Samantha, que escreveu o post. Fiquei muito feliz que minha história foi vista como uma história de superação. Eu, por muitas vezes, a não vi assim.

Quando eu me envolvi na empreitada de ajudar minha mãe, muitos disseram que eu estava cumprindo minha obrigação de filha. Olha, pode até ser isso, mas quem vai ajudar um amigo ou um parente nestas condições, não pode ver as coisas desta forma. Eu ajudei minha mãe por amor, não por obrigação. Ajudei porque queria ver minha mãe feliz de novo e não medi esforços para isso.

Quem faz algo por obrigação normalmente se frustra e se ressente. Eu fiz isso porque eu amo minha mãe.

Eu demorei para me dar conta. Primeiramente, porque minha mãe era diagnosticada com depressão, não esquizofrenia. Arrisco dizer que ela nem sabe do diagnóstico. Eu só me dei conta quando as histórias evoluíram para algo surreal e, arrisco dizer, num ponto quase sem volta. Eu não moro com minha mãe há anos e, por sermos de uma família pouco afetiva (vide os abusos que eu contei no relato), não nos visitávamos muito. Até hoje é assim. Minha mãe e eu gostamos de espaço, embora sim, a gente se adore e muito.

Não foi fácil. Por dias eu chorei, me angustiei, fiquei imaginando se ela não iria cometer uma loucura. Literalmente, eu dei um pause na minha vida para cuidar dela. Não me arrependo. Ver minha mãe brincando, cuidando dos seus gatos, sorrindo e conversando novamente com as irmãs, me faz muito feliz. Minha vida pode ter ficado no pause, mas vi isso como uma excelente troca. Um ano para ter muitos anos minha mãe bem ao meu lado.

Quantos aos remédios, são muito os motivos que te fazem parar de tomar. Você acha que não precisa, os efeitos colaterais são uma merda, relaxa na terapia e por conseguinte com as receitas, alguém te pressiona para parar. Antes de ter parado por conta, minha mãe teve dois tratamentos interrompidos por pressão do meu pai. A vez que culminou com o tiro, foi porque ela precisava cuidar de mim, que tinha oito anos. A culpa nem sempre é só do paciente. Tem um monte de fatores.

Fico feliz que minhas ações tenham de certa forma sido inspiradoras. E espero que todas nós, mulheres, possamos nos ajudar. Agora e sempre.

Maria Valéria disse...

Sim, Samantha,
Você tem razão

Existem namorados / maridos que nao aceitam que suas companheiras tomem remédios controlados e as pressionam para parar.
Acham que tomar esses remédios e sinal de ' fraqueza ' e de falta de ' força de vontade '
Quando eu ja era medica formada, tive transtorno de depressão / ansiedade, e na época , meu namorado achava ruim que eu tomasse remédio,
Nem eu sendo medica e explicando a ele , ele nao aceitava,..
Abraços !

Anônimo disse...

Esquizofrenia?

Não parece, não. Chuto TAB com transtorno de personalidade.

Mas hoje é "moda" ter esquizofrenia.

Samantha disse...

Anônimo da meia noite, seu chute é infinitamente menos relevante do que o diagnóstico de um médico que tratou e trata minha mãe há pelo menos 15 anos.

Bjo.

Anônimo disse...

Esse relato me lembrou um texto do Dr. Drauzio Varella:

http://drauziovarella.com.br/mulher-2/solidariedade-feminina/

Samantha, obrigação de filha nada, o q vc faz é dar prova de amor mesmo. Mesmo pq, cuidado sem amor não tem o mesmo efeito.

Débora

Paula disse...

ta,bém me lembrei do texto do Dr Drauzio...

@dddrocha disse...

Que barra, Samantha.
Você foi muito corajosa, torço para que a vida de vocês só melhore em todos os aspectos e as duas fiquem bem. =)

Julia disse...

Maria Valéria, também ia perguntar porque o marido da mãe da Samantha queria que ela parasse o tratamento mas achei que já tinha feito pergunta demais.. Imaginei que fosse pelos efeitos colaterais ruins..


E obrigada a todas que responderam a minha pergunta.

Graciema disse...

Samantha,

Mas é uma historia de amor e superação. Conforme disse um comentarista anteriormente, quem convive com alguém com transtornos mentais diariamente sabe a barra que é. Muita força e amor para você e tua mãe!

Samantha disse...

Julia, sinta-se livre para perguntar. Não me incomodo.

Meu pai não fez minha mãe parar de tomar remédios por conta dos efeitos colaterais. Os remédios que de fato derrubavam ela eram tomados por um curto período de tempo, um mês no máximo.

O motivo pelo qual essa pressão ocorreu era que meu pai tinha sérios preconceitos com psiquiatras. Ele achava que psiquiatras e remédios eram coisa de "gente biruta" e como assim a mulher dele precisa dessas coisas? Basicamente, meu pai se recusava a ver e a lidar com os problemas que a minha mãe tinha.

Meu pai cisma com o fato de eu fazer terapia. Ele é contra, acha que eu não preciso. O bom é que eu sou dona do meu nariz há algum tempo, então a opinião dele realmente é irrelevante para mim.

Agora imagina se eu precisasse do meu pai para pagar meu tratamento e meus remédios. Como minha mãe optou por depender dele economicamente para ficar em casa, ela dependia do aval dele para fazer tratamento. A única vez que ela conseguiu se tratar a contento, foi depois deles se separarem.

LOVE GÓTIC disse...

Você tem atrofia cerebral? Leu o post? O texto fala das mulheres de uma família que se uniram para ajudar uma delas. Nenhum trecho fala que foi machismo que causou esquizofrenia. Mas uma coisa é certa os homens envolvidos foram covardes não se importaram em ajudar. Fizeram o que a maioria fazem quando a mulher não pode se submeter a caprichos: abandonam. Tua ignorancia nem psiquiatra trata .

LOVE GÓTIC disse...

É moda você ser imbecil ou é otário de nascensa? Se você lesse me post direito e calculasse os tempos de crise iria ver que não é um diagnóstico chutado. São anos de tratamento e medicação específica para esquizofrenia que deicha a paciente super bem. Porque não chuta o próprio saco?

Anna Milani disse...

Anônimo 00:04, hoje em dia também é moda ser idiota, pelo visto.

Então Samantha... Vou ignorar esse ser rastejante do esgoto das 00:04 e vamos focar na história. Eu também vi como uma história de superação. Foi um post perfeito porque muita gente vai/se identificou com ele.

Admiro você por não ter desistido da sua mãe e ter compreendido a doença dela, porque talvez, muita gente não faça.

Julia disse...

Que lamentável, Samantha.
Depois um anônimo vem perguntar o que machismo tem a ver com a história.

Anônimo disse...

Não tenho transtorno mental grave o que eu tenho é síndrome de Fotherguil ou neuralgia do trigêmio. É rara, crônica e dolorosa. Atinge mais mulheres apartir dos 60 e eu não tenho nem 30. Sinto a maior dor de cabeça que alguém sente sem desmaiar. Dói todo dia. Atinge geralmente metade do rosto e em mim dói a face esquerda. Sorrir, chorar, mastigar, falar, vento ao toca a face já é o suficiente para ativar o gatinho da dor e um raio vem pelo pescoço, corta o ouvido, bate nos dentes (doem todos os dentes juntos) e se espalha pelo olho e queixo. A dor é em segundos mas a crise chega a 250 por dia. Cirurgia é só para alívio. O controle da dor é com remédio neurológico de receita especial. Nenhum analgésico ou até mesmo morfina me ajuda a dor é neuropática. Dormir só com tarja preta: rivotril, diazepam, amitril, e outros pan. E ainda tem os que diminuem a atividade cerebral que diminue a eletricidade e diminue a dor: tegretol, oxicarbamazepina, tramal, topiramato . Por serem de receita especial minha familia me trata como doente mental, doida, mobral. Trabalho e moro só mas não confiam em mim. Uso também antidepressivos por ter uma doença geriátrica ainda jovem. O preconceito é grande até o namorado me deixou por que não quer alguém que toma tarja preta. Minha boca arde o tempo todo e beijar também é motivo para 1, 2,250 crises. Ninguém entende.

Julia disse...

Kkkkkkk
Love Gótic, que boa sugestão pro psiquiatra formado pelo Google.

Será que não aparece um dermatologista anônimo aqui? To precisando de uma consulta.

Ana Carolina disse...

Para o anônimo que duvida que machismo causa doenças:

Cara, você não faz IDEIA.

Anônimo disse...

Lola,em breve revelaremos suas farsas ,seus perfis falsos pagos pelo PT e teu reinado malefício vai acaba

Anônimo disse...

"Anônimo disse...

Lola,em breve revelaremos suas farsas ,seus perfis falsos pagos pelo PT e teu reinado malefício vai acaba"


HAUHAUAHUAHAUAHUAHAUAHUA.... (pq só rindo, né?)

Caroles


Anônimo disse...

Nós em breve revelaremos a verdade sua serva do anti Cristo.

Anônimo disse...

"Lola,em breve revelaremos suas farsas ,seus perfis falsos pagos pelo PT e teu reinado malefício vai acaba"

O que deveria ser revelado é o seu analfabetismo funcional. Bota o "r" no lugar dele, mascu vítima do sistema de ensino brasileiro!

Anônimo disse...

Acho muito importante não abandonar o tratamento, pois sem ele a pessoa e os que a rodeiam ficam muito piores.

A qualidade de vida decresce. Se a pessoa se trata, ela pode ter uma vida normal.

Falo isso pq já namorei a um rapaz que se nega a se tratar e ele não consegue ter uma vida normal por isso, poderia se tratar e viver bem, mas é orgulhoso demais pra isso.

Anônimo disse...

Meu pai tem esquizofrenia. Não é violento, mas tem crises que deixam as pessoas muito indignadas com ele.
Mora sozinho e frequentemente precisa mudar de local porque arruma confusão até os vizinhos começarem a ameaçar agredi-lo.
Ele tomou medicação por um tempo, que foi o período em que convivemos, ele conheceu meus filhos; mas teve um problema cardíaco que ele jura que foi originado pelo medicamento, mesmo fumando desde adolescente.
Parou de fumar e de tomar o remédio, mas voltou a fumar em pouco tempo. De acordo com ele, o remédio é que causou o problema, que não teve nada a ver com o cigarro.
Passei mais da metade da minha vida achando que foi o fato de a minha mãe engravidar de mim o gatilho da doença.
Agora que cheguei a uma idade em que geralmente não há mais tanto risco de a doença se manifestar em mim, começo a respirar um pouco mais.
Meus irmãos cuidam dele muito mais que eu. Como ele e minha mãe separaram-se quando eu era pequena, não tive convivência com ele, não tenho laços afetivos e penso sempre nele como um incômodo.
É triste, se eu pensar do ponto de vista dele, mas eu vivi sem pai até me tornar adulta.
Com o tempo, eu me tornei egoísta em relação a isso e não cultivo afeto algum.
Eu sou a filha que não fez os sacrifícios pelo pai.
Eu admiro imensamente a autora do guest post, mas ela foi movida por um amor que não faz parte de minha realidade.