sexta-feira, 21 de março de 2014

OS ENCOXADORES E A CULTURA DE ESTUPRO

Num ônibus qualquer

Homenagem de Iara Capdeville
Esses últimos dias têm sido de muitos horrores. O assassinato de Cláudia Silva Ferreira pela polícia (que a arrastou por 250 metros), a repercussão do selinho do BBB (em que muitos acharam que uma participante, que já havia dispensando um cara quando estava sóbria, iria querê-lo enquanto estava bêbada, após dizer "Não não não"), os abusos nos trens e metrôs... 
Páginas e sites que motivam seguidores a fotografar decotes e partes íntimas e postar as imagens não são novidade. Muito menos comunidades que incentivam imagens de "encoxamentos" no transporte urbano. Mas desde a semana passada esses sites têm viralizado (o que indica que muitas mulheres indignadas, e alguns homens, os denunciaram), e parece que mais casos de abuso aconteceram no metrô de SP. Três rapazes foram detidos. 
Um deles, um universitário, foi preso por estupro. Ele disse à polícia que era seguidor de uma dessas comunidades de encoxadores e justificou o que fez, dizendo estar "muito apertado".
Um dos maiores portais de notícias decidiu ilustrar assim a matéria:

Com uma bunda, sob o título de "Vídeos íntimos". 

Ontem a iG realizou uma enquete, perguntando qual seria "a solução para abusos cometidos contra mulheres no trasporte público?". As opções, aparentemente, eram "mais segurança", "áreas ou vagões específicos", e "roupas menos ousadas". Ganhou a última opção.

Duas coisinhas rápidas que quem acompanha este e outros blogs feministas já está cansadx de saber. 
Uma: desde 2009, a definição legal de estupro ficou mais abrangente. Não é mais apenas quando ocorre penetração vaginal. Forçar a algum ato sexual ante ameaça, apalpar órgãos genitais, ejacular em alguém, também é estupro. E aos carinhas que acham que não tem nada de mais um estranho ejacular na sua roupa, torço para que um dia vocês também tenham a oportunidade de chegar ao trabalho ou à faculdade ou à escola com gozo alheio na calça. Certamente não há nada de humilhante nesse cenário.

Outra: não é a roupa de uma mulher que causa o estupro. É o estuprador. 
Por isso que um dos slogans da Marcha das Vadias é "Não ensine as mulheres a não serem estupradas. Ensine os homens a não estuprar". Muitos machistas e ignorantes genéricos acham esse grito de guerra ridículo, porque, afinal, acreditam eles, quem estupra é psicopata, e não adianta tentar ensinar nada pra eles. 
Se isso é verdade, então vivemos num mundo cheio de psicopatas, hein? 
Tem uma legião de psicopatas prontinhos pra não apenas esfregar o pênis numa desconhecida no metrô, mas também para filmar e compartilhar a cena com outros psicopatas que vão congratulá-lo pela façanha. Sério mesmo que vocês acham que todos esses caras são psicopatas? E somos nós feministas que odiamos homens? Ué, mas são vocês que estão dizendo que esses milhões de homens são doentes perigosos. São vocês que acham que eles nasceram assim, e que a sociedade em que vivemos, a educação que receberam, não teve nada com isso. 
E sobre roupa causar estupro, não sei se vocês já pararam pra pensar que praias de nudismo não são exatamente áreas de estupro. Ou que, em países em que mulheres usam burcas, ou seja, cobrem-se dos pés à cabeça, ocorrem estupros.

Pela lógica do iG, que é a mesma do senso comum, acabar com os abusos é fácil -- bastaria as mulheres se vestirem de um jeito mais recatado, que os "psicopatas" que as encoxam e ejaculam nelas automaticamente desapareceriam. 
Outro método infalível para acabar com estupros no transporte seria as mulheres não usarem transporte. Melhor: nem saírem de casa. Aí sim estariam completamente seguras! (Ahn, não. 70% a 80% dos estupros ocorrem dentro da casa da vítima ou do agressor). 

E pra quem ainda não acredita em cultura de estupro, esses sites todos de carinhas encoxando mulheres, dando dicas de como encoxar mulheres, parabenizando quem encoxa mulheres. são o quê? 
Programas de humor que mostram homens bolinando uma mulher, enquanto a outra diz "Aproveita", são o quê? Enquetes como as do iG, culpando as mulheres pelos abusos que sofrem, são o quê? 

64 comentários:

Unknown disse...

Como a maioria dos acontecimentos que ocorrem no Brasil, este é mais um problema cultural que temos, esse machismo idiota! Ainda acredito que a saída é EDUCAR essas pessoas ignorantes, inclusive esses canais de comunicação/mídia social que fazem piada dessas situações. Mulheres não são objetos sexuais, ao menos, não deveriam ser! O direito de ir e vir não fala nada sobre "como se vestir". Porém, mudar algo na cultura de um país é bem mais complexo do que se imagina. Por isso, temos que andar de mãos dadas e de cabeça erguida plantando as sementinhas para colher os frutos mais além. Parabéns pelo blog! Parabéns pela matéria... Não conhecia, vou passar a acompanhar.

Jacque Cética disse...

E pra completar a bagaceira,me vem um psiquiatra e com toda a verborragia do mundo,tenta "explicar" os motivos que levam esses caras a fazerem isso:são doentes,são compulsivos sexuais, precisam de tratamento,pq essa prática ( de se esfregar nos outros)tem nome e vem da palavra francesa e blá blá blá...Tudo isso pra desviar o foco da verdadeira discussão e sempre reforçando a ideia que isso é coisa de meia dúzia de amebas controladas pelo sacropinto.

Sacuda disse...

O que acho um saco no Brasil é que vc nao pode nem vestir um vestidinho, mesmo fazendo muito calor, um shorts que já tem um monte de """psicopatas""" mexendo com vc,

Na Europa onde vivi uns anos,mandava bem a vontade e NUNCA mexeram comigo,
Aqui no Brasil as vezes me enfeio bastante e me cubro bastante mesmo no calor, e apesar das feministas falarem que nao adianta, bom, desse jeito nao mexem comigo,

Carolina M. disse...

Por essa lógica, teríamos que usar burca... Apesar de que elas também não estão seguras...

Patty Kirsche disse...

Credo, que lamentável essa matéria do IG... Sem palavras pra tanta ignorância e irresponsabilidade.

Anônimo disse...

Aconteceu com um homem também... http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2014/03/homem-tambem-e-vitima-de-assedio-no-metro-de-sao-paulo.html

@dddrocha disse...

Olha, não está sendo fácil. Todos os dias vejo pelo menos 3 portais de notícias e fico abalada, preocupada.

As pessoas estão tomando coragem de se assumir como "encoxadores", olha o nível do absurdo.

Olha a justificativa da juíza pra libertar os PMs que arrastaram Cláudia.

Vejam os comentários de grandes portais.

É uma verdadeira Olimpíada da Opressão, citando um texto daqui.

A sensação de impotência é cada vez maior, mesmo agora que mulheres estão denunciando mais, o sistema não nos favorece em momento algum.

É muita tristeza junta.

@dddrocha disse...

Afff
Não suporto isso, "aconteceu com um homem" "homem também é estuprado" - coitadinhos duzomi né, são tão indefesos e oprimidos.
Sempre tem uma ameba pra lembrar que os homens também estão sendo vítimas da cultura do estupro.
VSF

Anônimo disse...

As vezes eu tenho a impressão que o brasileiro é o povo mais machista e misógino do ocidente.

Eu moro na Europa há alguns anos e desde então, praticamente todos os dias eu uso transporte público. Eu NUNCA fui assediada ou vi assédio nos ônibus e trens e muito raramente vejo na rua.


Jane Doe

Anônimo disse...

Também não acredito nessa explicação (desculpa?) mequetrefe de que esses caras são doentes mentais... NÃO SÃO!!!

Esse tipo de atitude vem unicamente da ideia de que as mulheres estão aqui para orbitar ao redor do planeta pênis!!!

Jane Doe

Fabiana disse...

Seriamente pensando em comprar um desses aparelhos de choque elétrico...

Elaine Pinto disse...

Claro, não existe cultura do estupro. Os mais de 30 sites e grupos de incentivo ao abuso sexual de passageiras são formados só por psicopatas. Haja psicopata nesse mundo então.

MonaLisa disse...

Esse link que o anonimo 14:10 postou já quebra o argumento da roupa, que diz que eles ficam com vontade de fazer sexo:

"Sete molestadores eram casados."

Pior que muitas mulheres são casadas com esses monstros e nem devem saber o que eles fazem.

Sou a favor das mulheres andarem com aquele anel indiano que contem pimenta de chili e uma agulha que injeta a pimenta e potencial agressor.

Anônimo disse...

É um assunto complexo com bastante variáveis o estupro. Não gosto de receita de bolo, mas um ambiente menos opressor com relação ao que as mulheres vestem e sua sexualidade ajudaria e muito, pois tais "psicopatas" tem invariavelmente o álibi da sociedade em frases do tipo: "se ela tava vestida desse modo é porque queria (coloque a agressão que quiser contra a mulher aqui)". "psicopatas" que agridem alguém dessa forma, como a encoxada, são pessoas que tem problemas com mulheres, sua sexualidade, autoestima e que novamente a sociedade os coloca em situação ambígua quando vendem o Brasil como o país sexual e liberal como nunca foi. Precisamos ser mais realistas e ultrapassarmos essas mazelas urgentemente.

Lord Anderson disse...

Nojo disso, nojo da canalhice, da falta de respeito, da cara de pau.

Vi uma materia que falava de DEZENAS, de grupos como esse no Face, DEZENAS...

E essa falacia de que feministas "acusam" todos os homens de serem estupradores é algo que ja discuti muito com amigos e conhecidos.

É o duplo padrão, se alguma mulher demonstra receio de estar perto de um ou mais homens, elas são paranoicas acusadoras, mas se elas ficam perto de homens e acontece um abuso, a culpa é dela pq deu 'bobeira"

Quem diz que homens "são assim", que não se "controlam" que tem "instinto" etc

é quem realmente esta chamando os homens de estupradores em potencial.

Anônimo disse...

Lola e leitoras, lembro que desde + - 1996 nossa TV é bombardeada por bundas femininas rebolantes, uma venda abusiva da imagem de que mulheres são objetos e pedaços de carne.
Vocês não acham que essa geração que cresceu vendo na TV que mulheres "estão sempre dispostas pois são meros objetos" podem ter afetado o comportamento destes homens?
Adoraria ver/ler um debate sobre como a divulgação excessiva da mulher como objeto na televisão brasileira desde a década de 90 tem afetado a educação das crianças e futuros homens... Uma pena que os canais de TV não percebem que parte é culpa deles e que eles precisam urgente modificar seus formatos se quiserem uma sociedade mais igualitária.
O que acham?

Tânia Nogueira disse...

Colocaram a Poliana (Poly) do BBB 14 para substituir os pobres que colocavam antes. Como sabem que um pobre irá vencer, colocam uma burra e estúpida como a Poliana que representa boa parte das mulheres que só querem saber de academia e macho e também os homens que só querem ver bunda. No caso do Marcelo, colocaram ele porque sabem que boa parte das mulheres que votam e assistem ao programa são mal amadas, gordas que ficam desesperadas por qualquer macho que as aceite. Em geral são mulheres com quase ou acima de 30 anos. A lógica da Globo e do BBB é simples: no lugar do pobre, a burra e como há mulheres carentes, coloquem um meninão como o Marcelo.

Anônimo disse...

Fiquei chocada com a página "Ser contra encoxadores = Héterofobia" Agora mudaram o nome da página para "Héteros" mas a pagina continua existindo.

RavenClaw~ disse...

Concordo com a Fabiana. E ando com um taser, inclusive já usei e antes que algym anon burro venha encher o saco: usei, se precisar uso de novo e no saco que é pra ver se desmaia! Se foder que eu não sou obrigada a aguentar cretino esfregando a rola em mim.

Anônimo disse...

*ativando escudo anti-pedras*

No falecido Orkut, eu fazia parte de uma comunidade dedicada aos encoxamentos. Ela não existe mais, aparentemente (foi o que consegui pesquisar sem ingressar de novo na rede social) mas a coisa era um pouco diferente do que eu li por aí. Funcionava assim: mulheres e homens entravam nessa comunidade e nós combinávamos um sinal e um lugar, p.ex., ultimo vagão do metrô na linha tal, de tal a tal hora. Geralmente sinais bem discretos mas que você não faria normalmente, por "acidente", como cruzar os dedos uns sobre os outros segurando na barra com a mão esquerda - sim, era uma coisa específica assim. Os sinais eram a forma de nos identificarmos uns aos outros sem ter que conversar ou fazer amizade fora da rede social e o aviso de que a encoxada estava liberada. Sim, era divertido, gostoso e principalmente, consensual. Depois era engraçado ler os relatos e adivinhar quem tinha encoxado quem na comunidade - que por sinal era bastante gay friendly também. Se não tivesse o lado erótico envolvido na coisa, dava pra dizer que era uma brincadeira inocente e bem diferente de sair gozando na perna de incautos ou bolinando quem não quer ser bolinado, isso é uma bosta e tem que ser punido mesmo.

marii disse...

Gente, que Europa paraíso é essa que vocês moram? Eu fiz um intercâmbio de seis meses em Bologna, na Itália, uma cidade de universitária, considerada de esquerda, um dos lugares mais "para frente" da Itália. Eu morava bem ao lado da faculdade, numa das melhores áreas da cidade e, veja só, toda semana uma das meninas que morava comigo reclamava do assédio masculino. Não só se ouvir impropério na rua mas de SER SEGUIDA. Também teve o caso de um cara (ou mais, nunca acharam a pessoa) que ficava apalpando mulheres nos ônibus. E eu viajei bastante e ouvi nojeira na rua, sim. Mesmo quando eu não sabia a língua, a intenção do homem fica bem clara, impossível não entender. Inclusive um cara em Amsterdã veio falar comigo na rua e mesmo eu ignorando ele continuou falando e me seguindo, entrei numa loja para ele sumir. Então parem de fingir que na Europa não existe problemas desse tipo porque existe sim. Tem lugar que é mais seguro mas ficar aí endeusando não ajuda em nada, acho inclusive anti-produzente.

Anônimo disse...

Como vc n acusam todos os homens de serem estupradores? Ai no texto está ironizando o argumento de que seriam psicopatas com "milhões de homens são psicopatas?"

milhões??

E pq colocaram o caso da mulher arrastada,vão dizer que isso é machismo tb?
Pq a policia trata mal e com descaso qualquer um q seja pobre.

Aninha disse...

Isso aconteceu comigo, mas eu não sabia que era uma "onda", achei que fosse um caso isolado.

Tava no trem lotado, um homem pos a mão na minha coxa e a mexer no penis.

Quando percebi a situação, reuni o pouco espaço que eu tinha e dei uma cotovelada no estomago dele. Acho que não doeu muito, mas aproveitei para gritar e os homens que estavam ao redor (espremidos também) tomaram ciência da situação e começaram a hostilizar o cara. Ele teve que descer na próxima estação.

E para o pessoal da patrulha: eu estava com um vestido super largo, até o pé e nada decotado. E sei lá se me encaixo no padrão de beleza, nunca sei se sou gorda ou não.

Anônimo disse...

Morei em Londres durante 11 anos e nunca ouvi um "psiu" na rua nem no trem, ônibus, nada muito menos esse assédio sexual de "encochadas". Se fosse em Londres, onde o feminismo é bem mais radical e ouvido, esses marginais já estariam vendo o sol nascer quadrado. Com essas coisas não se brinca lá.

Brenda Kayene disse...

É um absurdo.. Já passei por isso também e nem consegui identificar quem era de tanta gente que tinha. É lamentável...
Mais lamentável é ter que ouvir que a culpa é da mulher.

Sara disse...

Ainda ontem vi um video no yutube de um machista imundo chamando as feministas de loucas ensandecidas por denunciarmos essa cultura do estupro, o patético usava uma mascara de homem aranha pq pra variar NUNCA vão ter coragem de mostrar a cara nojenta.
Ele colocou dois videos de uns justiceiros que pegaram uns estupradores e deram o maior cacete neles e dizia q essa é a regra da sociedade para estupradores.
Ele esquece de todos os outros estupros q jamais são punidos muito menos denunciados justamente pela culpabilização da vitima tão evidente como nessa enquete indecorosa.
O babaca bate na mesma tecla de q a culpa é das mulheres q sempre estão com a roupa errada, no lugar errado, e na hora errada tb, alem do q , pra esse tapado, estuprador é psicopata, jamais um cara bonzinho como ele.

Luiza Original disse...

Em Berlin vi mulheres com pedacinhos de pano pra dizer que é roupa, e ninguém nem aí.

O Brasil deveria ser estudado mais a fundo, já que é uma terra com tanto homem desenvolvendo psicopatias *ironia*. Quem sabe o mundo ache que esse país não tem mais jeito e nuka a gente logo de uma vez.

Anônimo disse...

E uma comunidade com 12.000 membros não é pouco homem, não. Não é um punhado de doentes, não. É muita gente. E isso só aqueles que tem acesso a internet e cara de pau de entrar na comunidade. País afora é bem pior.

Anônimo disse...

No meu tempo chamavam isso de tarado.

Agora se vcs querem chamar por outro nome, tudo bem.

Anônimo disse...

Anon 14:10

Pena que foi só com um.

Fernando disse...

Bem... a prevalência do transtorno de personalidade antissocial, nome formal da psicopatia, é estimada em cerca de 1% da população. Em São Paulo, seriam uns 30 mil psicopatas homens adultos. É psicopata pra cacete.

Helena Bera disse...

Olha, que nojo absurdo e imenso desses caras! O pior de tudo é ouvir a todo canto q trata-se de psicopatas,doentes, pessoas diferentes (e piores) daqueles que se 'bastam' em passar uma cantada numa mulher ou força-la a um beijo.
Só tem um motivo: machismo. Que aí desemboca naquele monte de merda q muita gente ainda insiste em negar: cultura de estupro, feminicídio, objetificação...Poderia passar horas aqui enumerando os resultados nefastos dessa repetição eterna dessa doença!
Em tempo Lola: fiz o teste hoje depois de ficar revoltz com a matéria BURRA do iG; saí com meu vestido mais curto (até pq 38ºC não é brincadeira) e pro meu nojo absoluto, ouvi todo o tipo de asquerosidades, passei muita raiva. É lamentável. Do mais velho ao mais novo, meu corpo tava ali pelas ruas à mercê de qualquer um que quissesse me 'dizer' como eu era linda ou como seria bom me dar uma chupadinha. Enfim. Melhor mudarmos as roupas, reforçarmos a segurança e usarmos APENAX transportes diferenciados!

Anônimo disse...

Anonimo das 19:30,
Que horror seu comentario. Nao desejo essa situacao a ninguem. Hostilizar homens nao ajuda a causa feminista.

Anônimo disse...

Passaram a mão na minha bunda e tentaram me beijar a força em Paris. Passaram a mão na minha bunda na China também. E no japão criaram vagões exclusivos para mulheres.

Nas minha experiências (poucas, ok), também não sei que paraíso é esse fora do Brasil que a mulher é respeitada...

Sara disse...

Espero q vc tenha usado de ironia Helena, pq não é se curvando diante do machismo, usando as roupas que eles convencionaram q são as apropriadas, e deixando de usar os espaços e transportes públicos que os assédios vão terminar, nos paises onde a burka é imposta, as mulheres continuam como sempre a serem assediadas e estupradas (e pior nem reclamar com as autoridades muitas podem, pois correm o risco de serem apedrejadas ou sofrerem sansões)
bem recentemente um conhecido pais árabe, o RIMEL cosmético foi acusado de ser o responsável por mulheres serem assediadas, portanto NUNCA terá fim a culpabilização da vítima, e pra esse problema q estamos discutindo ser resolvido, só mudando o foco da educação machista que recebemos e punindo com rigor os abusos.

A Menina das Ideias disse...

Oi Lola,

Concordo 100% com o que você falou neste post. E o mais chato, é que tenho algumas amigas que acham a mesma coisa, que determinadas mulheres pedem pra serem estupradas por causa das roupas que usam. Deprimida com essa realidade, e confesso q tb influenciada pelo Law and order SVU comecei uma proposta no meu blog, para uma coletânea de contos sobre a violência contra a mulher, tentando exatamente isso: mostrar que a culpa do estupro e da violência em geral(contra a mulher), não é da mulher.
O enfoque é falar do abuso físico, mas pretendo colocar também como a cultura do estupro afeta nosso dia a dia. Se quiser pode dar uma olhada aqui na chamada: http://ameninadasideias.blogspot.com.br/2014/02/chamada-coletanea-de-contos-sobre.html

Bruno disse...

Só uma questão jurídica: as "encoxadas" NÃO são estupro, ao menos não se enquadram no conceito legal de estupro. Estas "encoxadas" e semelhantes nem mesmo são crime, correspondem a uma contravenção penal: importunação ofensiva ao pudor (art. 61, LCP).

Dar cotovelada em alguém já é crime de lesão corporal (art. 129, CP), o mesmo com hostilizar alguém ou incentivar que se faça isso, podendo incorrer em injúria (art. 140, CP) e exercício arbitrário das próprias razões (art. 345, CP).

Julia disse...

Marii, os homens italianos são podres de machismo. Não são parâmetro pra nada não.

Helena Bera disse...

Sara, eu fiz uso de irônia progressiva e agressiva!
Pelo inicio do meu texto pensei que ficaria compreensível. É meio chato avisar quando é ~irônia~ né, enfim... Tanto que a "solução" q dei foram exatamente os 3 big points para conter o assédio segundo a enquete do iG.
Não sabia dessa do rímel, bizarríssimo isso!

Julia disse...

Bruno, VÁ SE FODER!
Vem me processar, seu desgraçado.

Anna Milani disse...

.... #Partiuoutropaís.

Eu já passei por esse negócio de abuso ônibus. E nem faz tanto tempo. Um idiota se encostou atrás de mim e quando eu percebi suas intenções, virei e armei um barraco, peitando o cara, que toda hora ficava dizendo que 'tava sem espaço'. Eu retruquei dizendo que era mentira e apontei para um banco vazio, dizendo pra ele ir sentar a bunda asquerosa lá. É claro que ele não ia me bater lá dentro, então me seguiu. Eu logo percebi e não teve jeito. Aí eu apelei pra força física. Sim, eu bati mesmo no cara! Não era nenhum lutador de UFC, então consegui dar um murro na cara dele e um chute no meio das pernas. Depois que ele caiu, chutei a barriga algumas vezes e sai andando.

Machistões que querem perguntar 'o que você vestia': Blusa de manga longa, sem decote e calça jeans. O quê? Não posso nem mais usar calça jeans porque é 'justa'? Bem, então o que eu visto? Burca?
Engraçado porque, como muitas já citaram, eu já ouvi falar que a mulher é estuprada MESMO estando coberta. Então, que os machistinhas se ferrem, essa desculpa para inocentar estuprador não é mais válida :D
O que eu mais ouço de caras é que 'feministas odeiam todo homem'. Eu fico cansada, mas sempre repito: Feministas odeiam tarados, estupradores, machistas, racistas,gordofóbicos e tudo que é opressor e tem como objetivo oprimir e machucar, não só fisicamente o outro. Machistas não são oprimidos, nem tem como discutir isso! Alguns argumentam que é sim opressão, mas que merda?! Onde está a liberdade de expressão em OPRIMIR mulher, negro e todo mundo que não se encaixa em um padrão?! Então é uma coisa RUIM, e o que é ruim tem mesmo que ser extinto.
Argumento mais old do mundo: Estuprador é doente mental. Ahã. Isso todo mundo já explicou no post. Nem preciso repetir.

Confesso que eu nunca, nunca mesmo fui 'patriota'. Porque eu não tenho motivos de ter orgulho do Brasil, e eu acho que é um dos países mais machistas.
Sinceramente espero que esse país evolua na questão de machismo.

Ana disse...

@Bruno

"Só uma questão jurídica: as "encoxadas" NÃO são estupro, ao menos não se enquadram no conceito legal de estupro. Estas "encoxadas" e semelhantes nem mesmo são crime, correspondem a uma contravenção penal: importunação ofensiva ao pudor (art. 61, LCP)."

Gente, pelo amor de dels.

Quando dizemos Cultura de Estupro, NÃO estamos falando EXCLUSIVAMENTE de estupro. Tanto que se chama "CULTURA de estupro". É sobre CULTURA. Uma série de crenças, hábitos, etc, que TORNAM O ESTUPRO MAIS COMUM, MAIS DIFÍCIL DE IDENTIFICAR, etc.

Qualquer ação, costume, lógica, ideologia que ajude a justificar o atropelo do consentimento é Cultura de Estupro.

Então encoxar pode não ser um estupro, MAS É PARTE DA CULTURA DE ESTUPRO. Porque é uma prática humilhante e abusiva que as pessoas vivem tentando justificar ("coisa de psicopata"/"coisa de tarado"/"ah mas é culpa das roupas").

Toda vez que as pessoas mascaram a real causa dos abusos, temos Cultura de Estupro - é uma cultura que cria um ambiente onde é difícil identificar o atropelo do consentimento e a gravidade do mesmo. Esse é um ambiente propício a estupros.

Por exemplo, se você fica dizendo que mulher tem que se vestir de jeito X ou Y; você NÃO está ajudando a diminuir o número de estupros - Você simplesmente está dando mais um argumento pro criminoso. E essa relação roupas-estupro está tão arraigada na mentalidade das pessoas, que pessoas ~boas~ e ~contra o machismo~ repetem isso o tempo inteiro. Isso é Cultura do Estupro. É um ambiente no qual o senso comum mascara o verdadeiro problema, e todo mundo acaba endossando o comportamento do criminoso.

Então sério, parem de dizer que coisa X, Y ou Z não é um estupro como se isso diminuísse o argumento. O PONTO NÃO É ESSE! Muitos outros tipos de abuso contribuem para que estupros sejam frequentes! Estamos falando de um CONJUNTO de coisas - uma CULTURA.

Estupros ocorrem porque o consentimento da vítima é atropelado. TODA VEZ QUE A SOCIEDADE ARRANJA UMA COISA QUE ~JUSTIFICA~ O ATROPELO DO CONSENTIMENTO, ESTÁ CONTRIBUINDO PRA QUE ESTUPROS OCORRAM. Quando justificamos uma passada de mão, um selinho, uma encoxada, uma cantada, etc, estamos indiretamente justificando estupro também; pois todas essas coisas funcionam com o mesmo mecanismo: a falta de consentimento.

"Só psicopatas estupram" é Cultura de Estupro. "Estupros acontecem só em lugares perigosos" é Cultura de Estupro. "A roupa da mulher tem haver com o estupro" É Cultura de Estupro. "C* de bêbado não tem dono" é Cultura de Estupro. "Só é abuso se passar a mão nas partes íntimas!" é Cultura de Estupro. "Ai mas tadinhos dos caras que estupraram aquelas meninas na faculdade, eles tinham uma vida toda pela frente" é Cultura de Estupro.

Tudo que tire o foco do real problema é Cultura de Estupro e ajuda a aumentar o número de casos.

Nanny disse...

Bruno, queriiii... Se acontecer contigo, ao sentir um estranho esfregando o pênis em ti, espero que tu não fiques p da vida, e não pense em dar um soco na cara do sujeito, pq segundo a lei, e blablabla. Além de que não podemos resolver nossos problemas na base da porrada, viste?

Anônimo disse...

Marii

Eu moro na Alemanha. Aqui de fato o assédio não é comum.
A Itália é o Brasil europeu... o povo é BEM machista lá. Um casal de italianos que eu conheci quando cheguei aqui contaram que em algumas regiões da Itália mulheres só compram contraceptivos se um membro da família do marido estiver junto. Uma das brasileiras que viajaram pra Roma ouviu de um italiano - "The guy who fucks you is very happy"...

Cidades muito grande e turísticas (Amsterdã, Paris, Berlim, Roma...enfim) tem maior possibilidade de assédios acontecerem. Não disse que não acontece - acontece sim - mas é bem menos frequente e menos violento do que no Brasil. Em cinco anos que vivo aqui, me lembro de ter ouvido cantada de dois alemães - um estava tão bêbado que ele teria cantado até um poste - e dois indianos - que aliás estavam parados na rua avaliando todas mulheres que passavam (a Índia é considerado um dos piores lugares do mundo para ser mulher).

O que eu e as outras gurias estamos dizendo é que de uma maneira geral, há mais respeito com espaço alheio e as mulheres. Mas sim - estupros, assédio, culpabilização da vítima também existem.


Jane Doe

juju disse...

Vi três comentários sobre a Europa que não condiz com a realidade, gente. A Europa em geral é sim UM POUCO melhor que o Brasil, no geral.

Há alguns meses um cara estava se masturbando na minha frente no metrô, assim, meio-dia, olhando pra mim com um olhar maníaco. Na Áustria (pra não dizerem que europa central é diferente). Um cara colocou a mão debaixo da minha saia e apertou minha vulva em Dublin, no meio da rua. Um cara me seguiu até a esquina da minha casa na Espanha. Ouço menos gracinhas na rua, mas ainda assim aqui é machista demais!

RavenClaw~ disse...

Entro no coro: Bruno, VÁ SE FODER!

Sacuda disse...

Bons pontos os dos anônimos que viveu na Europa (eu tb vivi e nunca fui assediada nem na rua nem transporte publico mesmo gostando de usar mini saia, aqui uso calca jeans pra evitar gozarem nas minhas pernas)

E do anônimo que falou que isso tudo é resultado da dupla moral brasileira: por um lado parece que sexo é livre e por outro a mulher é super repreendida. Na Europa sexo é algo normal, ninguém vê nada demais se a mulher transa na primeira noite ou não. Aqui mulher é para deleite masculino,

Anônimo disse...

E qual problema em lembrar que homens também sofrem abusos?Quanto MENINOS passam a infância e adolescência sendo estuprados e assim como as mulheres não contam pra ninguém?Vai me dizer que eles adoraram ser abusados?
É a realidade,porque as feministas tem tanto medo assim da realidade?

Hamanndah disse...

Bruno, se sua mãe/esposa/namorada/filha/irmã /sobrinha for "roçada/apalpada/ejaculada" por um nojento num ônibus , este cara não praticou crime, só contravenção , então. se uma delas agredi-lo com palavras: "tarado,etc", ela deverá ser presa por injuria, certo. E vc, se estiver perto, não poderá agredir i cara,?pois vc acabou de dizer que encoxar não e crime, mas agredir é? Não e isso. Então , a homarada recebeu sinal verde para assediar, impunimente, a mulherada de suas relações ,!e isso que entendi ou, para o caso delas, a lei abre uma excessao? Vc , que parece conhecer de leis, pode me explicar se sua mãe , esposa, etc set encoxada por um machista nojento não será vitima de um crime sexual? Se for assim, cuidado para um deles não estar lendo sua opinão e entender que é um sinal verde para o ataque, viu?

Anônimo disse...

MAIS UMA VEZ... eu não disse, e nenhuma das gurias disseram que a Europa é o paraíso e todo mundo é 100% respeitoso, 100% do tempo.

DA MANEIRA GERAL há mais respeito pelo espaço do outro. DE MANEIRA GERAL se vê bem menos "fiu-fiu" na rua. DE MANEIRA GERAL as pessoas veem o sexo, a nudez e a pouca roupa com naturalidade.

Um exemplo de que nem tudo é maravilhoso - no vestiário feminino dos centro de esportes da universidade local foram encontradas câmeras instaladas por algum(ns) abusado(s). Todos xs alunxs, professores e funcionárixs receberam e-mail alertando que as câmeras foram retiradas e que se alguém notasse alguma coisa deveria recorrer a segurança do campus.

O sexismo é uma praga mundial, mas infelizmente em alguns lugares é pior.

Também não quero dizer com isso que, "ai... os europeus são os melhores". NÃO SÃO melhores nem piores que ninguém. Mas é inegável que o Brasil tem uma cultura extremamente sexista e violenta em relação as mulheres, não-heterossexuais e não-brancos.


Tirando a parte ruim, eu tenho saudade de muita coisa do Brasil, amo muitos aspectos do nosso jeito de ser, assim como tenho pavor de certas coisa que os alemães fazem no seu dia-a-dia.


Jane Doe

LOVE GÓTIC disse...

Tudo nojento. Bolinam a mulher e a marcam. Quando a mulher pega o mesmo ônibus todo dia o tarado as vezes a escolhe para abusar e aí até evolui para estupro, a mulher desce o cara segue ela pela rua e ataca. Muitas vitimas relatam que já tinham visto o ordinário no ônibus algumas vezes aí vem um bando de besta dizer que não existe a cultura do estupro. Certa vez um homem falou :ai magrinha gosto de mulher bem vestida que nem você para eu ficar curioso de te ver nua. E ele pegava o mesmo ônibus que eu todo dia . Então essa coisa de que a roupa é que atrai não tem nada a ver. Eu só ando bem coberta, nunca gostei de decote nem de roupa curta. Mando é se f----. E tenho uma lanterna taser para quem se meter a espertinho comigo. Se vier eu foco a luz para encandear o tarado e choque nele. Não sou objeto público e descartável para quererem me usar e jogar fora.

Anônimo disse...

A imagem que se tem do Brasil é a de que mulher é a granel. Que andam seminuas e o sexo aqui é animal, liberal. Tava vendo um desenho dos simpsons no Brasil e evidenciaram sequestro e mulheres quase nuas. Tudo isso por que a cultura das mine roupas jà começa bem cedo . Vejo meninhas de três anos vestidas com mine saias e blusa costa nua. A sensualidade é vista como um convite a olhar, pegar e violar. Falta desenvolver moral nos homens. Se entrar um homem só de calção num onibus as mulheres jà mantém uma certa distância, mas experimenta entrar de biquine ? A macharada olha e se aproxima . Claro que essa cena não é comum talvez nem aconteça, mas é o que ocorreria.

Musicista Feminista disse...

Machistas babacas que nos culpam expliquem as mulheres de burca e fardadas que são estupradas, em lugares com regras rígidas e segurança extrema, como as forças armadas, e mulheres que mostram apenas os olhos.

Unknown disse...

Só duas palavras pra esse tipo de cara: NOJO e CADEIA!
"Mas não é estupro..." QUE SE DANE! Chame como quiser! É crime+falta de respeito+atitude repugnante!

Helena Bera disse...

Juju, nãõ tenho muita certeza do que eu li no seu comentário. Você disse que no geral a Europa em algumas coisas é sim melhor q o Brasil. Aí você vem e me conta q sofreu uma série de situações de abuso lá fora, inclusive um cara botar a mão na sua vulva e tipo, mesmo assim lá é mais easy? Aiaiaiaiai...

Mila disse...

Quando esse povo vai entender que a mulher pode estar de burka, essas coisas vão acontecer... Não pode usar uma regata, um short (mesmo num calor maluco) pq tem homem que se sente provocado (na boa, pensei que seres humanos eram racionais).
Aposto que toda mulher que anda de transporte público tem alguma história pra contar.

Anônimo disse...

Eu ganhei um taser e um spray de pimenta pra me defender.
Mas eu não conseguiria usar - eu teria medo de cegar o cara pra sempre, ou causar um ataque cardíaco e acabar matando alguém :(

Pra ver como que é ser mulher - a gente em risco e eu preocupadinha com a vida do filho da puta que vai me agredir.

donadio disse...

"Gente, que Europa paraíso é essa que vocês moram?"

Desconfio que fica dentro do supercontinente chamado "internet"...

É impressionante como as pessoas acreditam que certas coisas "só acontecem no Brasil". Como se machismo, racismo, misoginia, preconceito em geral, não fossem componentes estruturais de toda e qualquer sociedade capitalista.

donadio disse...

"Se fosse em Londres,"

Se fosse em Londres, seria assim:

http://www.rapecrisis.org.uk/Statistics2.php

"Approximately 85,000 women are raped on average in England and Wales every year

Over 400,000 women are sexually assaulted each year

1 in 5 women (aged 16 - 59) has experienced some form of sexual violence since the age of 16.


Não sei se as estatísticas deles são confiáveis (desconfio muito de estatísticas em geral, de estatísticas sobre criminalidade mais ainda, de estatísticas politicamente motivadas, então...), mas com certeza a percepção que as inglesas têm da existência de uma cultura do estupro não é a de alguma coisa que "só acontece no Brasil". Parece bem presente para elas lá mesmo na Inglaterra.

A única coisa que "só acontece no Brasil" é as pessoas acharem que isso ou aquilo "só acontece no Brasil".

donadio disse...

"Só uma questão jurídica: as "encoxadas" NÃO são estupro, ao menos não se enquadram no conceito legal de estupro."

De fato, não são. O elemento constitutivo do crime de estupro é a violência ou "grave ameaça".

"Estas "encoxadas" e semelhantes nem mesmo são crime, correspondem a uma contravenção penal: importunação ofensiva ao pudor (art. 61, LCP)."

Aqui, discordo. Acredito que constituam "injúria real" (Art. 140, parágrafo 2º do CP) e/ou "ato obsceno" (art. 233 do CP).

De qualquer maneira, é crime sim, mesmo que não seja estupro.

"Dar cotovelada em alguém já é crime de lesão corporal (art. 129, CP)"

Não, não é, a menos que, bem, cause alguma lesão, tipo quebrar a costela do indivíduo. Sem lesão, seria no máximo contravenção ("vias de fato"). Mas no caso em questão, naturalmente, aplica-se a exceção de "legítima defesa", e portanto não constitui crime nem contravenção.

"exercício arbitrário das próprias razões (art. 345, CP)."

De forma alguma. O "exercício arbitrário das próprias razões" é o fazer justiça pelas próprias mãos, "salvo quando a lei o permite". Impedir a consumação de um crime não é fazer justiça pelas próprias mãos, é legítima defesa.

Se a moça, depois de encoxada, seguisse o encoxador e o agredisse fisicamente, então em tese poderia configurar o exercício arbitrário das próprias razões. No ato, com a finalidade de impedir o abuso, não.

donadio disse...

"Eu moro na Alemanha. Aqui de fato o assédio não é comum."

Segundo este site,

http://www.nationmaster.com/country-info/profiles/germany/crime

a taxa de estupros na Alemanha é de 8,9 por cem mil habitantes ao ano. com uma população de 82 milhões de habitantes, isso daria cerca de 7.300 estupros por ano. É bem menos do que a estatística que citei anteriormente para a Inglaterra - mas naquele caso a estatística incluía os casos não denunciados (não me pergunte como se faz para incluir casos não denunciados), e aqui são estatísticas da própria polícia.

Em resumo: na Alemanha também se estupra, na Alemanha também há abuso. E muito. Assim como em toda a Europa, assim como em todo o mundo. Não é uma coisa de país subdesenvolvido, não é uma coisa de Brasil.

donadio disse...

"Entro no coro: Bruno, VÁ SE FODER!"

Ou seja, "Bruno, vá ser estuprado"...

Cultura do estupro é também isso daí.

Ou você está desejando a ele uma relação sexual consensual? Coisa estranha.

donadio disse...

"Pra ver como que é ser mulher - a gente em risco e eu preocupadinha com a vida do filho da puta que vai me agredir."

Pra ver como é que é ser mulher - o homem abusa da mulher, mas não é por que ele é um canalha, patife, machista, ou mal-resolvido. Não, não, não: é por que a mãe dele se prostituía...

Maria Valéria disse...

Eu posso falar com propriedade porque minha irmã mora em Londres , ou seja,no " paraíso "

Tem coisa melhor lá do que aqui ?
Tem: transporte publico, segurança, nao tem assalto com mão armada - so se for com faca, porque o reino unido nao permite o porte de armas de fogo com a mesma facilidade que Brasil ou USA( outro " paraiso" ) permitem.
Isso nao quer dizer que estupros e crimes violentos nao aconteçam.
No " paraíso " de Londres, experimenta dirigir depois de ter tomado uma taça de vinho , e ser pego pela policia : carteira de motorista cassada PRO RESTO DA VIDA.( claro que lá e assim porque tem alternativas de transporte publico pra quem quer sair a noite, nem vou discutir , né... Ônibus e trem de madrugada a vontade )
No " paraíso" experimenta esquecer de pagar um imposto - minha irmã esqueceu e teve que desembolsar 500 libras( 2000 reais) de uma vez so, senao ia pra corte.
Nao vou entrar no mérito se no Brasil deveria ser assim ou nao( algumas coisas como a tolerância zero pra quem dirigir bêbado pra mim deveriam ser SIM), e melhoria do transporte publico )
Esperimenta atravessar a faixa de pedestre no sinal verde, no " paraíso " vc acha que o motorista de ônibus ou carro para porque você está atravessando errado, que nem no Brasil?? Que nada, ele avança e corre de propósito, buzina, xinga , e se ele te atropelar de propósito problema seu, porque você atravessou na hora errada.( vi isso acontecer varias vezes!!)
Fora as coisas erradas que acontecem diariamente no " paraíso " , coisas erradas e contra a lei que são praticadas inclusive por europeus, que são " os certinhos "
Desculpa se me desviei um pouco do assunto do post, Lola.
Beijos .