sexta-feira, 7 de março de 2014

LUPITA, NEGRA E LINDA COMO A NOITE

Sei que estou devendo um post sobre o Oscar e o bolão. Deve sair hoje, só preciso encontrar tempo.
Por enquanto, quero deixar com vocês a tradução do Flávio para um lindo vídeo que ele me mandou. É o discurso de agradecimento de Lupita Nyong'o no evento "Black Women in Hollywood" (veja a transcrição em inglês aqui). O vídeo do discurso pode ser visto aqui
Foi lindo o que ela disse no seu discurso de agradecimento no Oscar pela estatueta de melhor atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão ("não me escapa nem por um momento que tanta alegria na minha vida se deve a tanta dor na vida de outra"). Mas este é diferente. Fala de aceitação. 
Sabemos que o padrão de beleza é racista. Sabemos que, nas raras ocasiões em que atrizes e modelos negras ganham os holofotes, elas devem ter a pele clara e traços "não negros" (pense em Halle Berry). O ótimo documentário Dark Girls fala de como o padrão de beleza "quanto mais clara, melhor" vale até entre xs negrxs. 
Então, por esse lado, é formidável ver a queniana Lupita ser considerada bela (ela não só está ganhando prêmios por sua atuação, mas também por sua elegância; a indústria da moda está apaixonada por ela). Por outro lado, já cansei de ler sua beleza sendo descrita como "exótica". Não há nada de exótico em Lupita. Milhões de pessoas têm a sua cor, e só mesmo séculos de lavagem cerebral racista pra nos fazer crer que elas não são bonitas. 
Também cabe lembrar que outra atriz tão negra quanto Lupita, Gabourey Sidibe (de Preciosa), não costuma ser chamada de linda. Porque ela é gorda (se bem que a revista Esquire a colocou na lista das mulheres mais sexy do mundo). Mas o discurso de Lupita também vale pra qualquer pessoa que esteja fora do padrão de beleza. Fique com ele (e mais uma vez: obrigada, Flávio!):

Recebi uma carta de uma garota e gostaria de dividir um pequeno trecho com vocês: “Querida Lupita,” diz ela, “Acho que você é realmente sortuda por ser tão negra e ainda assim fazer esse sucesso todo em Hollywood da noite para o dia. Eu estava quase comprando o creme Dencia’s Whitenicious para clarear a minha pele quando você apareceu no mapa mundial e me salvou”.
Meu coração sangrou um pouco quando li essas palavras. Jamais poderia imaginar que meu primeiro trabalho após terminar os estudos seria tão poderoso em e por si mesmo que me lançaria como uma imagem de esperança da mesma forma que as mulheres de A Cor Púrpura o foram para mim.
Lembro de um tempo em que eu também não me sentia bonita. Eu ligava a TV e só via peles rosadas, clarinhas. Eu achava que minha pele de matiz noturnal era uma provocação e um insulto. E minha única súplica a Deus, o fazedor de milagres, era que eu pudesse acordar com a pele mais clara. Vinha a manhã e eu ficava tão excitada para ver minha nova pele que me recusava a olhar os meus pés até estar de frente ao espelho, porque eu queria ver meu rosto claro primeiro. E todos os dias eu vivia a mesma decepção de continuar tão escura quanto no dia anterior. 
Eu tentava negociar com Deus: dizia pra ele que iria parar de roubar torrões de açúcar à noite se ele me desse o que eu queria; que ouviria todas as palavras de minha mãe e nunca mais perderia minha blusa da escola se ele simplesmente me tornasse um pouco mais clara. Mas acho que Deus não se impressionava com minhas moedas de troca porque Ele jamais atendeu aos meus pedidos.
E quando eu era adolescente meu ódio por mim mesma ficou ainda pior, como vocês devem imaginar que acontece na adolescência. Minha mãe me lembrava com frequência que ela me achava linda, mas isso não me consolava: ela é minha mãe, é claro que se espera que ela me ache bonita. Foi então que Alek Wek surgiu no cenário internacional. Uma modelo celebrada, negra como a noite, estava em todas as passarelas e em cada revista e todos falavam sobre o quanto ela era linda. Até a Oprah disse que ela era linda, o que tornou isso um fato. 
Eu não podia acreditar que as pessoas estavam aceitando uma mulher que se parecia tanto comigo como bonita. Minhas características físicas sempre foram um obstáculo difícil de vencer e, de repente, Oprah estava dizendo que não, elas não eram isso. Isso era espantoso e eu não queria aceitar isso porque eu estava começando a gostar da sedução da inadequação. Mas não dava para segurar a flor que estava desabrochando dentro de mim. 
Quando vi Alek eu, inadvertidamente, vi um reflexo de mim mesma que eu não podia refutar. Agora eu tinha molas nos pés, porque eu me sentia mais visível, mais valorizada pelos distantes porteiros da beleza, mas à minha volta a preferência por peles claras ainda prevalecia. Para os observadores que eu considerava importantes, eu ainda não era bonita. E minha mãe, de novo, me dizia: “Você não pode comer a beleza. Ela não te alimenta”. E essas palavras me atormentavam e aborreciam; eu não as entendi de verdade até finalmente compreender que a beleza não era algo que eu pudesse adquirir ou consumir, era algo que eu simplesmente precisava ser.
E o que minha mãe quis dizer quando me falou que não se pode comer a beleza foi que não se deve confiar no seu visual para se manter. O que é fundamentalmente belo é a compaixão por si mesma e por aqueles à sua volta. Esse tipo de beleza incendeia o coração e encanta a alma. É o que colocou Patsey em tantas dificuldades com seu senhor, mas também o que manteve sua história viva até hoje. Lembramos-nos da beleza de seu espírito, mesmo depois que a beleza de seu corpo se desvaneceu.
Assim, eu espero que minha presença no cinema e nas revistas possa levar você, jovem garota, em uma jornada parecida. Que você sinta a validação de sua beleza externa, mas também se dê conta do profundo trabalho de ser bela por dentro. Não há tons [jogo com os significados de shade, que pode ser sombra ou tom de cor] para essa beleza.

38 comentários:

Helen Pinho disse...

<3
isso sim é um presente digno de 8 de março. uma mulher negra queniana empoderadíssima, e o mais importante comprometida em empoderar outras mulheres!

Anônimo disse...

O legal é que ela mostra o quanto o apoio da família é importante. Ela tinha a mãe dela a validando, lembrando-a o quanto ela era importante, falando que a beleza é sobre aceitacão.Minha família - mãe, tias, tios - sempre foram obcecados pela beleza padrão, mesmo sendo negros/pardos/baixinhos/gordos. Eles fizeram de tudo para "clarear"a família. Algusn tiveram sucesso. Minha mãe teve uma filha branquinha, um filho moreno e eu, morena tambem.Meu irmào se salvou do massacre por ser não baixinho (ele nao é alto). Minha irmã se salvou por ser branquinha. Eu me ferrei. Sempre fui super julgada, maltratada, por ser a morena, de cabelo ondulado e baixinha. Minha mãe nunca se importou com o que meus tios e tias falavam. As filhas deles tiveram a "sorte"de nascer com "cabelo bom"e eles nao deixavam elas tomarem sol, pra ficar com pele clara. Então, cresci com isso, me sentindo horrível por ser tão maltratada pela aparência, mas sentindo nojo de imbecis que tinham preconceito contra eles proprios. Nunca mais consegui arrumar minha auto estima, as cicatrizes são pra sempre.Mas eu sempre fui consciente da babaquice deles.

Anônimo disse...

Essa coisa de "beleza exótica" me lembrou de um conjunto de gifs que eu vi uma vez no Tumblr. Eu não sei de que série é, se alguém aí souber dá um help! Mas enfim, tem 3 pessoas numa sala, um homem negro, um branco e uma mulher com traços asiáticos (eles parecem ser médicos).
O homem branco chega e fala "Eu fui designado para trabalhar com essa linda moça exótica". Daí a mulher: "Eu não sou exótica, eu sou asiática. Existem mais de nós do que de você. Então estatisticamente, VOCÊ é o exótico". Daí o homem "Peraí... o que?". E então o homem negro fala: "Você ouviu a moça estatisticamente comum!".
Adorei hahahaha.

Anônimo disse...

Eu sou a anônima do comenário anterior. Dei uma procuradinha nos gifs e achei:
http://rainbowrites.tumblr.com/post/30449116689/littlemissmutant-jaded-coconut

Anônimo disse...

A atriz Gabourey Sidibe deve se concentrar mais nos elogios, como a exemplo da revista que vc citou do que nas rejeições. Inclusive tem até um post seu incentivando pessoas a se concentrarem mais nos elogios, a não ser que a intenção tenha sido tendenciosa. Ela não precisa ser chamada de linda por todo mundo e pela tão desprezível mídia para ela ter auto-estima, ser bem resolvida, se sentir bem consigo mesma, ser de bem com a vida e com o mundo. Nenhuma pessoa negra faz questão de ser linda para todo mundo para que o mundo não seja considerado racista. Ela não deve perder tempo com amarguras, revanches que só fazem mal para a saúde, contra quem está supostamente dentro de não sei que padrão de não sei quem, por não agradar a maioria e muito menos aos tão desprezíveis "mascus" da vida. Tanto ela como o extremo oposto sem bundão/peitão/coxão e por aí vai. Alguém sempre está saindo de algum padrão neste mundo, até mesmo das feministas e a sociedade é um pouco imprevisível tbm. Padrão é repetido entre feministas. Até as listras características genéticas das zebras foram usadas de forma estranha e falaciosa como "padrão" para estrias em humanos, que são rompimentos de fibras elásticas na pele.

Além da Lupita, tem a também a supermodelo sudanesa Alek Wek. Inclusive a própria Lupita já declarou em entrevista ser fã da Alek Wek e que se inspirou muito no sucesso da Alek para lutar e se incentivar mais na carreira de atriz. http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/donna/noticia/2014/03/alek-wek-a-inspiracao-de-lupita-nyong-o-4436115.html

Eu sou negra, mesmo com uma pele acho que bem mais clara que a Lupita, Alek e Gabourey, eu me identifico como negra. Apesar de que para as feministas eu estou um pouco "dentro dos padrões" como a Lupita e Alek, eu já ouvi muitos comentários de homens racistas de que "uma mulher branca gorda de cabelo liso é melhor do que uma negra magra de cabelo 'pixaim' por causa dos genes arianos", e coisas do tipo. Eu me identifico com Lupita, Alek, incluindo a Gabourey, porque por mais que exista preconceito e discriminação racial elas lidam com isso de uma forma parecida comigo. Por mais que eu seja mulher e negra não consigo me identificar com todos os discursos algumas feministas envolvendo comentários tendenciosos, obsessivos de padrões e alguns até de preconceito e amargura.
Sei que nem todas as feministas são assim, é claro.

Que venha mais Lupitas, Aleks, Gabourey e tantas outras assim, não apenas na cor ou aparência, mas na personalidade tbm e na forma de se expressar e lidar com as dificuldades e preconceitos. Hollywood mais uma vez passando a tv brasileira, que continua bem mais racista.

Rafa K disse...

Spoiler de 12 anos adiante


Quando ela falou da patsey, lembrei da cena em que a mulher do mestre joga uma garrafa de vidro nela... 12 anos tem muitas cenas chocantes de violencia, mas essa é uma das q mais me tirou do sério. É como se ela tivesse que ser punida por ser negra e tão bela ao mesmo tempo. Por continuar amando a si mesma apesar de ser uma escrava.

Anônimo disse...

Lindo!mais uma mulher se vitimizando pq o mundo n esta inflando seu ego,endeusandoo sua beleza.

Flavio Moreira disse...

Lola, não precisa agradecer, não - fiquei até vermelho (rs). É um prazer poder dividir artigos que nos trazem reflexão, que questionam nosso modo de pensar. Normalmente não opino muito porque as reflexões colocadas aqui por tanta gente bacana espelham mais ou menos as minhas, então acho que não tenho muito a acrescentar.
Já em relação às pessoas sem nenhuma empatia que baixam por aqui de vez e quando, essas me deixam doente. Não costumo baixar o nível, mas comentários imbecis como o desse idiota anônimo das 12:53, que deve enxergar o mundo apenas em preto e branco, realmente me aborrecem.
Parece que há pessoas que simplesmente têm preguiça de ponderar, olhar a mesma questão sob vários ângulos e se questionar se, de fato, só existe uma forma (a própria) de enxergar o mundo.
Declarações como a de Lupita, os posts que você escreve, os comentários deixados por tantas pessoas combativas aqui no blog sempre me fazem colocar minhas certezas em xeque. Porque no dia que eu acreditar que estou 100% certo de tudo (e em tudo), então terei definitivamente estagnado na minha capacidade de evoluir como ser humano.
Obrigado, Lola, por me oferecer um espaço para crescer como pessoa.

Renata disse...

Viram o doodle de hoje? Bem bacana!

Espero que esse ano não venham com aqueles comerciais no estilo "Você, mulher, sexy, que consegue lavar, passar, se maquiar e cuidar das crianças tudo de uma vez, merece um chocolate e uma lingerie pra ficar linda pro seu macho"
Aff.

Bru disse...

Nossa, Renata, as propagandas sempre são assim, tomara que mudem.

Anônimo disse...

Você ta falando do quê? Ler o post você não leu para postar algo tão sem sentido né? Ninguém aqui ta se vitimando , não somos narcisistas que cultua a aparência o racismo é quem vitimiza com expressões tipo:
Tadinha é negra
Tadinha o é branca do cabelo crespo
Tadinha é a mais negra da família. Toda mulher tem suas vaidades, mas se não associassem a beleza a cor não haveriam tantas meninas querendo ser branca. A beleza ta no caráter qualidade que você não tem.

Mariana disse...

(Teclado desconfigurado e sem acentos, desculpem)

A vitoria da Lupita foi o melhor momento do Oscar pra mim. Posso dizer que lavou completamente a minha alma. Dai, um dia depois, vejo esse discurso maravilhoso, que tambem confortou meu ser.

Explico: eu nao sou negra como a Lupita, alias, me considero mestica, multi-etnica, sem raca (sou, como grande parte dos brasileiros, uma mistura entre indios, negros e brancos). Minha pele eh clara demais pra sociedade me chamar de negra. Jah o meu cabelo eh crespo o suficiente pra essa mesma sociedade rotula-lo como ruim e ter me pressionado a vida inteira pra alisa-lo e torna-lo adequado ao padrao caucasiano. Eh claro que eu nao sofri a mesma quantidade de racismo que Lupita e outras mulheres de pele negra sofrem, mas eu conheco bem o sentimento de ver que NENHUMA mulher considerada bonita pela midia e pela sociedade se parece com vc (comigo). Tambem conheco bem o sentimento de querer, mais do que tudo na vida, ser diferente do que voce eh. Eu cresci com esse desejo e aposto que varias outras tambem. Entao, pra mim e todas que sofreram e ainda sofrem por serem totalmente diferentes das mulheres que a sociedade e a midia veem como belas, a Lupita nos representa. Que ela consiga mais papeis relevantes no futuro e que possa ter uma carreira versatil, sem ter que ficar presa aos papeis proprios pra atrizes negras.

Anônimo disse...

Sawl

Vocês viram este absurdo que fizeram contra o volante Arouca do Santos?

http://esportes.br.msn.com/futebol/racismo-outra-vez-arouca-%C3%A9-chamado-de-macaco-na-sa%C3%ADda-de-campo

Na boa, muito NOJO, REPULSA de seres podres que se acham melhores que outros por detalhes irrelevantes como cor de pele!

Quanto à Lupita, muito sucesso pra ela porque é super talentosa e de quebra linda!
Lola, precisa ver o festival de racismo que comentaristas babacas do Facebook e até alguns do site do Glamour se referiram à Lupita quando se fala do namoro dela com o também oscarizado Jared Leto! Enfim (desculpe e termo) fodam-se!!!
Lupita é linda, talentosa, tem um Oscar e ainda namora um dos homens mais belos e cobiçados do showbiz que é o ator e cantor Jared Leto! Viva Lupita!!!!!!!!
Enquanto existem homens e mulheres talentosos, independente de sua raça, racistas vão morrendo envenenados de preconceito e recalque!!

Sawl - always the rebel

Karin disse...

Fico feliz que uma moça tão jovem e que tem recebido tanta atenção da mídia consiga ter clareza, franqueza e sensibilidade a esse ponto. Raro, ainda mais na artificialidade de Hollywood.

RavenClaw~ disse...

Anon de meio dia e meio não leu o post.. Rsrs

Lupita é maravilhosa. *-*

NM disse...

Nossa senhora, ela é maravilhosa! Aquela primeira foto do post me deixou arrepiada, inclusive.

Fico com pena dos cheios de preconceitos e ódio. Existe tanta beleza, de tantas formas, nas pessoas... e eles se privam/são privados de ver.

Anônimo disse...

A mulher acabou de ganhar o Oscar e vc, o que fez hoje além de demonstrar total incapacidade de interpretação de texto?

@dddrocha disse...

Que lindo. Ela é tão radiante, fiquei impressionada com essa mulher! Pena que ainda não vi o filme...

Lígia disse...

Nossa, Lola, vi o link e aproveitei o dia de folga para ver o Dark Girls...

Fiquei chocada, triste, desconcertada... Fiquei imaginando o que é passar uma vida inteira querendo ser diferente, não gostando do que está vendo no espelho, associando a sua própria cor de pele com coisas ruims.

Quando eu era adolescente, eu odiava meu cabelo e me achava uma das meninas mais feias da escola. Mas isso é diferente.

Lembro uma coisa que uma prima minha falou uma vez (ela é negra). Ela tinha uns 10 anos.

Meu tio, que é branco, mas bem bronzeado, estava com uma marca branca deixada pelo relógio que ele sempre usava no braço. Ele é taxista fica sempre na rua, e o relógio deixou uma marca beeeem branca em comparação com o resto do braço.

Minha prima, depois que ele explicou a origem da marca, disse: "eu queria que existisse um relógio que nem esse que eu pudesse usar no corpo inteiro".

Foi uma das coisas que mais me chocou ouvir até hoje.

(essa mesma prima, alguns anos depois, foi estuprada pelo marido da mãe, e ficou grávida... sabe, e tem gente que ainda acha que a luta do feminismo acabou...)

Enfim. Ótimo documentário, mas me deixou bem triste.

Sara disse...

A beleza é rara, mas felizmente não tem padrão ou norma, e pode ser encontrada em qualquer raça ou classe social, a garota citada no post é um belo exemplo disso.

Mariana disse...

Ligia, coitada da sua prima, sinto muito o que aconteceu com ela (o estupro e a gravidez resultante), com certeza foi barra :(

Esse comentario que ela fez, de que queria ter uma relogio pra cobrir a pele inteira, eh bem dolorido... O pior eh que muita gente se apressaria em chamar sua prima de racista, por "odiar e negar a propria cor", esse tipo de coisa. Eu acho que nao eh tao simples assim, soh quem eh negro e sofre preconceito diariamente sabe o quanto eh dificil (eu nao sou branca e nem por isso sei o que eh estar, literalmente, na pele de um negro, alguem que a sociedade ve como negro). Entao, eu procuro nao julgar uma pessoa negra que fale algo assim ou expresse um desejo de "clarear", jah que eh muito dificil fazer parte de um grupo oprimido e ter o padrao eurocentrico esfregado na sua cara diariamente. Acho que esse tipo de delcaracao e de desejo reflete muito mais um problema da sociedade do que um problema de uma ou outra pessoa. Pra mim, chamar uma pessoa dessa, que sofre todo dia com racismo, eh o equivalente a culpar a vitima.

(de novo, perdoem a falta de acentos e cedilhas)

Anna Milani disse...

Foi um oscar merecido! A Lupita é mesmo muito linda e pelo que eu vi no filme, é uma excelente atriz.

Eu tenho uma amiga negra, negra mesmo. Não é 'morena'. Ela é muito 'de boa' com a cor de pele dela, exceto por alguns comentários racistas que eu prefiro não mencionar aqui. Eu e minhas outras amigas quase nunca precisamos levantar o astral dela sobre esse assunto, mas quando percebemos que ela ficou mal com alguma coisa, sempre estamos lá para ela.

Pra falar a verdade, só temos uma colega que está diante do padrão que a sociedade exige. Não, ela não é uma patricinha, pelo contrário, é muito legal com todo mundo.

Eu só fico irritada que essa merd# de sociedade machista exija, por exemplo, que essa minha amiga negra alise o cabelo [segundo alguns, é feio, como se todos que falassem fossem lindos!], que a minha amiga gorda emagreça [dizem que ela é preguiçosa, sem conhecer que ela tem dificuldade de emagrecer] e que eu cuide do meu rosto, que é cheio de espinhas. [Acontece que eu já tentei de tudo e nada deu certo, e como dizem, acredito que seja coisa da idade]. Nem eu e nem minhas amigas ligamos pra isso. Uma é gorda, a outra é negra, eu sou 'espinhuda' e todas somos felizes. Nada disso é um defeito, que PRECISA ser aniquilado. O que importa é isso, e que se dane a sociedade e os machistas que exigem que a mulherada seja igual à boneca Barbie.

E sobre a 'beleza exótica', sem comentários.

Lígia disse...

Pois é, Mariana.

Também acho. O problema está na sociedade, e não nela.

No documentário que a Lola linkou, uma menininha, negra, de uns 3 anos, associa imagens de uma criança negra com "burra" e "feia", e de uma criança branca com "inteligente" e "bonita".

Nossa, fiquei muito triste mesmo.

Sobre o estupro... Nem dá pra imaginar o que ela passou... E a gente sabe que aconteceu porque ela ficou grávida! Quantos casos não devem acontecer por aí e ninguém fica sabendo...

PS. Acabei não comentando sobre o assunto original do post, mas a Lupita é muito bonita!!!!

Beatriz Correa disse...

Hoje, na faculdade, teve uma palestra sobre o dia internacional da mulher, uma fotógrafa chamada Bia Pias contou a história dela, de como ela saiu de uma separação traumática literalmente com a roupa do corpo e uma nota e 2 reais, e hj em dia fotografa mulheres reais, em fotos reais e lindas, diga-se de passagem. Inclusive, nessa mesma palestra, foi convidada uma Miss Plus Size daqui do Rio de Janeiro (esqueci onome dela, sorry xD), ganhadora de diversos prêmios... e negra.
É tão raro vermos mulheres negras (e gordas tbm!) serem consideradas belas, ver essa palestra me deixou bem motivada :)



E repito aqui uma frase que a Bia (xará xD) disse ao longo da palestra: O padrão de beleza é ser feliz.

Anônimo disse...

Lupita é muito bonita sim e elegante

Anônimo disse...

Eu queria que a Jennifer Lawrence ganhasse. Quem sabe na próxima, né?

Anônimo disse...

Sawl

Enquanto a linda Lupita arrebenta em sua carreira de atriz e faz uma declaração tão bela homenageando as mulheres de seu país, a tal da Lilly Allen, uma cantorazinha bem medíocre e metida a patricinha, deu esta declaração machista e ridícula. Eu já não a achava grande coisa de cantora, mas, fiquei chocada com a ignorância e babaquice dessa garota:

http://virgula.uol.com.br/musica/pop/feminismo-eu-odeio-essa-palavra-diz-lily-allen-em-artigo-para-revista-masculina

Anônimo disse...

Me vi na Lupita!!

Na adolescência, quantas vezes eu pedi a Deus para amanhecer diferente do que era, magra como minhas amigas e parar de ser xingada na escola.
De manhã, por um segundo eu acreditava ter sido atendida e com pesar percebia estar do mesmo jeito.

Anônimo disse...

Sabe, o mundo precisa mudar muito com relação as diferenças. Me deixa triste, triste mesmo saber que ainda há tanta gente que usa do preconceito para se auto-afirmar na sociedade, porque, convenhamos, você interferir na vida de outra pessoa, em sua forma, cor, opcao, etc. É ridículo, eu sempre vejo alguém que interfere desse jeito na vida dos outros como uma pessoa reprimida, que deseja muito ser além do que é, mas não consegue, então por falta de competência procura fazer com que outras pessoas se sintam inferiores a ela. Sabe o mais duro? Convivo com pessoas assim. Não sou hipócrita, não posso afirmar que eu toda minha vida fui correta com relação a isso, mas agradeço por não ter sido errada por um tempo muito longo, sou nova e tenho consciência que minhas escolhas podem afetar, então escolhi afetar as pessoas do jeito certo. Li em um outro post que falava sobre perseguição que a mulher não pode ser boazinha e educada e etc, eu discordo, eu sou muito calma, boa e educada, mas nunca me faltou coragem na hora de soltar o verbo, e além, nunca me faltou EDUCAÇÃO nessa hora.
Enfim, procurarei ver esse filme, parece-me ótimo.

Nega-Loira disse...

A minha história é o inverso a família do meu pai é negra e a da minha mãe é branca e não aceitam eu e meus irmãos por sermos mais claros. Não sou branca, me chamam de amarela . E eu queria ser mais negra, ficava pelo sol, mas só ficava me ardendo. Fiquei um tempo reclusa quando sofri um acidente e fiquei mais clara, nunca me senti tão feia e na faculdade eu repreendia quem falava que não sou negra. Me vejo negra, meu pai é negro, tenho irmãos negros e brancos. Pura bobagem classificarem a gente pela cor. Hoje vejo que não sou tão negra quanto eu pensava. Mas fotoshop me ajuda muito no bronzeado.

Mariana disse...

Ligia, espero que sua prima consiga se recuperar (nao no sentido de esquecer, eh que nao achei outra palavra) de tudo isso um dia... E que esse tipo de coisa deixe de acontecer, espero que a sociedade nao tenha mais tolerancia nenhuma com esses crimes e que passe a tratar a vitima como vitima.

Agora sobre a Lupita de novo... li alguns comentarios de gente dizendo que ela soh ganhou pq a Academia teve "pena" porque, CLARO que ela NUNCA MAIS vai ter outra chance de ser indicada e que ela nao foi a melhor... Argh, preguica eterna dessa gente!

Das 5 indicadas, eu vi 3 (a propria Lupita, a Jennifer Lawrence e a Sally Hawkins). Das 3 que eu vi, acho que a Lupita fez o melhor trabalho. O papel da Jennifer em American Hustle (alias, filminho superestimado esse, nao vi nada de especial ou historico) pra mim foi muito semelhante ao de Silver Linings Playbook, pelo qual ela ganhou o Oscar ainda no ano passado: as duas personagens eram neuroticas, emocionalmente instaveis, sexy e, me parecem, mais velhas do que a propria Jennifer. Nao estou dizendo q ela nao foi bem ou que nao eh uma otima atriz, mas seria bom um papel mais diferente do que a premiou (o papel dela que eu mais gosto eh o de Winter Bone, inclusive acho melhor que o de Silver Linings). Jah a Sally Hawkins foi super bem no papel da irma "loser" da Cate Blanchett em Blue Jasmine, soh que era um personagem que exigia bem menos que o da Lupita. O da Lupita exigia muita entrega emocional e ate fisica, Patsey era esculachada pela sinhazinha, estuprada pelo senhor e ainda era a eficiente na colheita de algodao, era um papel com varias camadas. Acho que foi bem merecido, pelo que eu vi.

Anônimo disse...

Parabéns Flávio e Lola pela iniciativa de tradução e publicação do texto! É exatamente do que nós precisávamos, fazer esta beleza (o texto e seu valor político) circular pela net!!

L. G. Alves disse...

Ah, não é só porque é negra que acho bonita. Há negros que não acho bonitos, assim como há brancos que não acho bonitos. Mas ela sim é bem bonita. E apenas na aparência.

Anônimo disse...

ela e negra mas não e bonita.

Anônimo disse...

Olá Lola não sei se você viu esse video, eu achei bem legal. O Kevin Spacey respondendo a perguntas que geralmente se faz as mulheres .
http://www.youtube.com/watch?v=xlW-aHC8KdI&feature=youtu.be

Anônimo disse...

Incrível como tudo é questão de educação.Enquanto Lupita é celebrada no exterior,outra mulher fora dos padrões estéticos e negra é xingada de feia(entre outras coisas absurdas) e alvo de chacota aqui no Brasil.Nayara Justino,eleita Globeleza 2014,negra de cabelos crespos,nariz chato,seios pequenos,corpo natural é vítima de todo o racismo e preconceito das pessoas de mente pequena desse paizinho ridículo.

Anônimo disse...

Ah,e atualizando uma informação que li awui,Lupita não está com Jared Leto,ela tá pegando o ultragostoso Michael Fassbender.

Anônimo disse...

Acho muito interessante o depoimento dela, a eleição dela ser a mais bonita e o valor da referência de estética para as negras. Chique mesmo.
Mas acho uma hipocrisia um Neymar da vida falar que a negra é a mais linda, e você percebe que eles não as cobiçam.