sábado, 15 de março de 2014

GUEST POST: ESTUPRO E DEPOIS

R., 26 anos, me enviou este relato aterrecedor. Já aviso que é muito trigger-warning
O estupro que R. foi vítima é o clichê (o do estranho numa rua escura e deserta), aquele que nos aterroriza desde que somos crianças, embora represente apenas 30% dos casos. Os outros 70% dos estupros são cometidos por conhecidos da vítima. 
Mas, mesmo que R. tenha sofrido o estupro-definição, o estupro que o senso comum estabelece como padrão, não faltaram pessoas para duvidar dela e até para culpá-la. Isso justamente porque vivemos numa cultura de estupro
R., toda minha solidariedade, e te congratulo pela sua força. 

Lola, boa tarde, neste email vou descrever o estupro que sofri, mas a maior parte dele falará do pós acontecido que pra mim foi mais humilhante que o estupro, que não durou 5 minutos (mas que pareceu uma hora da minha vida).
Isto foi em 2007, trabalhava de operadora de caixa em uma loja de departamentos, emprego temporário de fim de ano, então a rotina era puxada e acontecia muito de chegar sempre depois da meia noite em casa.
Depois do Natal estava na minha última semana, e em uma volta pra casa exatamente as 00:35 desço no ponto de ônibus de costume, mas neste dia resolvi mudar um pouco o caminho e ir pelo mais iluminado da avenida, pois fim de ano ocorrem mais assaltos que o de costume, e a esquina perto da casa dos meus pais (com quem morava quando solteira) era bem perigosa.
Boba que eu fui! No exato dia em que resolvo mudar meu caminho por pensar ser mais seguro, sou abordada por um homem em uma bicicleta na esquina de cima da rua onde moro (poucos passos de distância mesmo, correndo não se leva um minuto para chegar). O elemento (um fdp mesmo) pede pra que eu não levante a cabeça, então só tive contato visual com suas pernas e o maldito 38 que ele tinha em mãos. 
Iria ser só mais um assalto pra ele, creio eu. Porém, ele mandou que eu o acompanhasse até outra esquina, revistou minha bolsa, não encontrou nada de valor (não ando com dinheiro, meu celular na época não valia dez reais). Eu incrivelmente pedi desculpas por não ter bem material; naquele momento, ele irritado me disse: "E como é que eu fico?". Desaforada como sou, respondi: "Sinto muito, trabalho porque sou pobre, posso ir embora?"
Ele me negou o direito de ir pra minha casa, me fez subir na bicicleta e disse pra eu ficar quieta e me comportar como se o conhecesse; pior: disse para eu fingir ser sua namorada, e pedalar. A cada pedalada meu coração disparava, mais eu pensava em pular da bicicleta, mas não havia uma alma viva na rua além de nós. Quando enfim passamos por um suposto casal, senti vontade de gritar, pular, sair correndo, porém a arma apontada nas minhas costas me acovardava. 
Quando ele decidiu o local onde parar me fez descer e andar na frente, como sempre a arma estava apontada pra mim. Não consigo me lembrar de todas as palavras mas era algo como "não vou ficar de mão vazias, você vai sim me dar uma coisa". Eu disse "não, por favor, tenho que ir pra casa, estou menstruada", falei com uma voz calma, mesmo tremendo dos pés a cabeça. Ele por sua vez segurou meu braço com força e disse "Tô nem aí, além disso olha como você está facilitando, está usando saia". 
Ele me virou de costas, encostou-me na parede, e com uma mão arrancou minha calcinha, e com a outra mão continuou a apontar a arma, desta vez pra minha cabeça, e ali mesmo forçou aquele pênis nojento em mim, eu só conseguia pensar na minha filha e o quanto queria voltar viva pra minha casa, fiquei imóvel, uma pessoa passou bem perto de nós, mas o mato alto nos disfarçava e o medo de levar uma bala na cabeça me impedia de gritar, ao mesmo tempo eu sentia culpa por parecer que eu sugeri o estrupo por não ter grana, celular, cartão, nada na bolsa pra ele ter me deixado em paz. E senti UM NOJO INDESCRITÍVEL DE MIM MESMA! Por quê? Ele não precisou me bater, segurar, agarrar, forçar, um simples objeto entre a mão dele e a minha cabeça facilitou tudo, quando consegui abrir minha boca, eu só pude dizer: "Por favor, não goze, e se gozar, que não seja dentro". Ele soltou um gemido e disse: "não se preocupe querida, não vou engravidar você".
Depois do ato ele me deixou ir, mas não consegui ir pra casa. Bati na porta da casa de um amigo, que alguma vezes me fez o favor de ir me buscar na parada, e neste dia eu havia ligado pra ele, mas ele não atendeu, fiquei confusa, o culpei, depois culpei meu pai por nunca ir me buscar no ponto de ônibus. Pedi desculpas ao meu amigo por perturbar a ele e a família, e disse que os coloquei em risco, pois achava que o bandido tinha me seguido um pouco. 
Eu só queria ir pra casa tomar um banho, meu amigo por sua vez me abraçou e me deu literalmente um sacode! "Banho que nada, vamos pra delegacia agora!" Ele me levou até em casa, era pertinho também, lá contei pros meus pais, e a reação deles foi: "Por que você chegou tão tarde? Que caminho pegou? Por que você foi de saia?"  P*ta m*rda, essa é uma reação bem legal, né? 
Chegando na delegacia me senti mais humilhada do que quando sofri o estupro. As peguntas, insinuações... Como não houve violência física, parecia que os policiais duvidavam que foi estupro, e eu deixando claro: "Tinha uma arma apontada pra minha cabeça!" Só faltaram perguntar se eu gostei da "transa". Então veio a segunda etapa da humilhação: o IML, de novo eu respondendo as mesmas perguntas idiotas e sem consideração, e o exame que me deixou mais vulnerável e humilhada que antes. Na volta pra casa pensei em como encarar minha filha no dia seguinte, cinco aninhos, um anjo.
Eu pensava que finalmente tomaria um banho e dormiria. Meus pais gentis perguntaram novamente se eu REALMENTE TINHA SIDO ESTUPRADA! Eu só respondi: "não mãe, eu dei pro fdp porque quis, a arma foi só um detalhe".
Durante meu banho esfreguei minha pele com tanta força que achei que arrancaria, e ali mesmo arrumei força sabe-se lá da onde pra ir para a terceira etapa: ir para o trabalho pedir folga pra ir ao hospital e receber o atendimento que hoje é lei em caso de estupro. O supervisor não queria me dispensar, então falei em voz alta no refeitório (pela manhã, antes do shopping abrir): "Eu fui estuprada esta madrugada! Vai me dispensar pra eu ir ao hospital ou não?" Envergonhado, ele mudou de ideia.
Chegando no hospital, várias vezes tive que dizer a frase "Fui estuprada esta madrugada". Lá eles só iriam me dar as vacinas; o coquetel e o exame de HIV seriam feitos em um posto de saúde. Mas chegando na sala de medicação no hospital, ela estava fechada, e a primeira dose da vacina tem prazo de horas para ser tomada. A responsável estava de saída e me disse pra voltar mais tarde ou no dia seguinte. 
Com educação toquei no ombro dela e disse: "Querida, tem algumas horas que sofri estupro, esta medicação é importante e precisa ser tomada o quanto antes, certo?" A expressão de desdém dela mudou em segundos para uma pena mortal de mim, fui atendida e depois segui os outros procedimentos no posto nos dois dias seguintes. Eu dispensei o acompanhamento psicológico, apesar de insistirem várias vezes pra que eu fosse.
Eu não quero ofender, magoar, menosprezar outras mulheres que passaram por isto, mas durante aqueles dias que se seguiram em coletas de sangue, remédios, eu pensava que muitas, muitas mulheres sofreram situações piores que a minha, apanharam, sofreram torturas físicas, ficaram com sequelas no corpo pelo estupro, e tantas outras perderam o seu bem mais precioso, A VIDA! Eu não podia me dar ao luxo de esmorecer!
Eu estava bem, com saúde (até então não tinha o resultado do HIV, hepatite), tinha uma filha pra cuidar, então minha válvula de escape foi por na minha cabeça: "Ah, isto só foi uma f*da muito da mal dada sem o meu consentimento!" (Perdão pela expressão! Menina na época, eu não associava que sexo sem consentimento também é estupro, tendo violência ou não, feito por estranhos ou conhecidos, amigos, parentes, enfim, me perdoem).
Eu jamais vou esquecer o que aconteceu, isto faz parte da minha vida, de quem sou, mas não pude e não posso me deixar derrubar, porque viver e seguir em frente fazendo e sendo o melhor que posso é o que dá sentido a minha vida.
Espero que este relato possa ajudar àquelas que passam pela parte mais dolorosa, que é seguir em frente. 


Observação: Perguntei para a R. se o estuprador foi pego, e ela respondeu: "Sim, ele foi pego, havia cometido o mesmo crime com mais mulheres por aqui, sempre usando a mesma abordagem. Na época achei que era um azar do acaso, que ele queria pertences e eu não tinha. Mas realmente não fui a única vítima. Lola, muito obrigada por passar minha história adiante, para que mais vítimas possam encontrar forças para seguir em frente. Hoje sou casada com um bom homem e eu o amo muito, minha filha já tem doze anos e estou muito feliz".

50 comentários:

Musicista Feminista disse...

Já não basta o estuprador colocar a culpa nela, ainda tem que aturar os pais. Quando alguém é roubado ninguém fica questionando se foi assalto de verdade. Claro, levar bens materiais é mais importante do que ser traumatizada.

RavenClaw~ disse...

É por isso que nunca contei pra ninguém e nem vou contar.

Sara disse...

Ja vi algumas estatísticas q causam indignação referentes ao numero de mulheres q são ou serão estupradas em sua vida, vi um estudo feito pelo FBI que três em quatro mulheres sofrerão violência.
Então se vc é mulher e nunca sofreu uma tentativa de estupro em sua vida, é uma grande privilegiada.
E ainda tem miserável, cretinos e infames que vem na maior cara de pau dizer que NÃO existe cultura do estupro.

http://www.experienceproject.com/l/pt/s/historias/Estat%C3%ADsticas-De-Estupro/188204

@dddrocha disse...

que horror

Anônimo disse...

Sara, seu link de indicação é interessante, mas vc passou a informação errada! Ele diz que o estudo do FBI informa "uma em cada três melhures", não, como vc disse "três em cada quatro". Perceba que há uma grande diferença. E não acho bom para o feminismo em nenhum sentido repassarmos informações erradas!!

Arnold Sincero disse...

Minha solidariedade a vítima.

Anônimo disse...

não existe cultura de estupro

Julia disse...

Quantas nunca contaram pra ninguém e nem vão contar?

jorge disse...

cultura de estupro? ela foi abusada e o cara tá preso,se isso realmente existisse,ele teria ganho um tapinha nas costas e um parabéns por ter estuprado ela.
mais uma falácia feminista.

Anônimo disse...

Não li o relato mas queria deixar meu desabafo sobre o que aconteceu comigo recentemente. Eu me achava sortuda por não ter uma história de horror pra contar, bom não faço mais parte desse time. Hoje eu tava indo pro trabalho de manhã de ônibus e cochilei. Como sempre o ônibus tava bem lotado então as pessoas estavam muito próximas umas das outras, eu tava sentada no corredor e no meu cochilo, percebi alguma coisa roçando em mim, achei que fosse um joelho ou braço, mas conforme fui acordando percebi que não era. Aí abri os olhos meio dormindo e o velho que tava do meu lado tava colado em mim e a pasta dele tava na minha frente como se estivesse tapando o pau dele que tava pra fora ali do meu lado. É engraçado porque eu já pensei tanto sobre isso, em como eu reagiria numa situação dessas e eu sempre me encorajei a gritar, fazer escândalo pra todo mundo reconhecer o abusador e pensei rapidamente sobre isso na hora, mas é incrível gente, a culpa e a vergonha que vêm do nada, por mais que eu tenha todo o meu feminismo, na hora eu só pensei que não queria que ninguém soubesse que eu tinha passado por aquilo, que seria humilhante demais e que eu não devia ter dormido no Ônibus. Eu empurrei ele com meu braço e ele saiu dali, o filho da puta pediu desculpa, acho que pra disfarçar, sei lá e o ônibus tinha a recém parado, eu fiquei uns segundos paralisada e depois olhei pra trás e ele não tava mais ali, olhei pra rua e ele tinha descido do ônibus. Então eu olhei pras pessoas à volta e fiquei me perguntando se ninguém tinha percebido (porque tava bem cheio mesmo, o meu movimento nem foi muito perceptível), que não era possível ninguém ter visto nada e fiquei disfarçando pras pessoas não perceberem que eu tava me sentindo mal. Não é ridículo isso? Eu ser assediada e ficar com medo de incomodar as pessoas ou do que as pessoas vão pensar de MIM. E depois, não sei se isso foi uma estratégia de defesa do meu cérebro, mas eu não tava acreditando em mim mesma, pensando se não tinha sido um engano, se não era o pau dele, se ele não tinha deixado pra fora sem querer (!!), e a lembrança do que aconteceu ficou meio estranha, até pq eu tinha acordado meio sonolenta. Aí fui pro trabalho super mal, mais comigo mesma do que com a situação, não me senti traumatizada sabe, porque sei que isso acontece com muitas mulheres todos os dias, nem foi surpreendente, foi incrivelmente ridículo, mas me sinto tão mal por não ter empurrado ele com muita força, ou gritado, ou segurado ele pra não fugir, idiota esse pensamente eu sei, mas é o que fiquei pensando.
Agora tô tranquila, na medida do que pode se estar tranquila, mas me sinto muito pior pelas outras mulheres que passam ou passarão por isso e outros tipos de abuso, esse episódio me fez sentir impotente contra o machismo.

Anônimo disse...

É por essas que sempre digo, se acontecer comigo não conto pra ninguém, acho que não aguentaria essa via crucis.

Anônimo disse...

O que eu passei foi brutal. Me surraram mesmo, arrancaram até uma unha minha. Mas eu não fui nem doida de falar em casa, a minha mãe já dizia que estupro é porque a mulher se oferece e depois se arrepende. Falei apenas que caí da bicicleta, sou ciclista e fui abordada numa trilha. Suja, suada, escoriações pelo corpo, rosto molhado de lágrima entrei correndo jogando a bicicleta no quintal de onde não tirei mais. Entrei no banheiro e choro até hoje. Pensei em ir a delegacia, mas imaginei as perguntas: O que fazia no mato? Sozinha? Não gritou? E me calei. Fiquei dias sem sair de casa e parei com as pedaladas, aquele rosto, o cheiro me enoja. E o pior que ele me forçou a masturbálo. terminei até o namoro, não suporto que me toquem. Minha unha está se regenerando, mas quando a olho parece que é uma chaga crônica. Tenho vontade de falar, mas esbarro nas críticas machistas. Meus irmãos perceberam a diferença, perguntaram se não era bom eu ver um psicólogo, pois tava na cara que eu não tava bem e eu reluto, porque se não posso falar para a minha mãe também não vou falar para estranhos. Fiz exames, mas não falei em estupro, fiz de conta que eram de rotina. Não engravidei, nem contrai doenças, mas tem um vírus em mim, o vírus da humilhação. Ele esfregou-se em mim a tarde quase toda e falou coisas de mim que eu não sou. Gente o que se passa na cabeça dum homem para achar que uma estranha é dele? Maldito doente, eu imagino matando ele todo dia, mas a morta sou eu...

Anônimo disse...

Fico muito feliz que você tenha conseguido se recuperar desse trauma de forma que tenha seguido com sua vida, se casado e tenha tamanha coragem para compartilhar sua história. R., você é uma heroína para todas as vítimas de qualquer tipo de estupro ou abuso, um exemplo de que existe vida após algo tão doloroso e que se você buscar ajuda nos locais certos (aqui nesse blog, por exemplo) você vai encontrar pessoas que te apoiem e entendam seus medos. Parabéns pela coragem!

Anônimo disse...

Sawl

Jorge, cultura sim, porque quando ela chegou em casa a própria família questionou se o que ela passou realmente foi estupro e quando foi na delegacia, foi questionada o tempo todo.
Felizmente o traste está preso e espero que esteja passando coisas infinitamente piores ao que ele fez com esta moça.

Anônima das 17:02
Garota, eu felizmente nunca passei por uma violência desse tipo. Sim, já passei por situações de machismo e preconceito, e até agressão por parte do meu ex, mas, nunca violência sexual e confesso um pavor à este tipo de violência.
Mas, você teve força pra falar e desabafar.
Alguns conselhos.
Primeiro, se afaste de sua família!!! Por mais que sua mãe seja sua "mãe", ninguém merece conviver com alguém que não confia em você a inda por cima é uma machista do pior tipo(desculpe a franqueza).
Segundo: você devia ter ir à polícia. Se não se passaram 10 anos ainda pra ir. Sim, você passará por perguntas constrangedoras, mas vá com alguma amiga, com alguma pessoa de sua confiança. Não deixe esse canalha, esse pseudo-homem do qual você teve azar de estar diante, destruir sua vida. Ele é um LIXO e merece pagar pelo que fez, sem contar que este tipo de verme comete este mesmo tipo de crime contra outras mulheres. Se for preciso, contrate um detetive pra encontrar este traste, ou faça como a Lisbeth Salander de Millenium(leia o livro ou veja o filme e verá a vingança mais fodástica que se viu contra este tipo de criminoso!).
Vá a um psicólogo(ou psicóloga) SIM. Por mais que seja uma(a) estranho(a) é uma pessoa que vai ajudar a conviver com seu trauma, ajudar que você veja que NÃO É CULPA SUA!! Acredite este estranho(a) com certeza vai te ajudar mais que sua machista família!
Pense sempre o seguinte. Um infeliz te violentou, invadiu sua intimidade, mas, VOCÊ NÃO ESTÁ MORTA! Ele te feriu, machucou e traumatizou mas ele NÃO RUBOU TUA DIGNIDADE. Pense sempre que por mais que este traste possa se sentir o "máximo" ele sempre será um LIXO sem valor, sem honra, e sem alma. Ele que está morto, porque ele nem ser humano pode ser considerado.
Força.

Sawl - Always the rebel

Julia disse...

Estão fazendo fake de mascu?

Bom, a cultura do estupro existe. Aí no texto está todo o descrédito e falta de apoio pelo qual a vitima costuma passar. Pois eu já vi muito estuprador ser parabenizado, mas não é apenas isso que prova a existência da cultura do estupro.

A vítima é sempre a mentirosa que se arrependeu de "dar". Estuprador nunca existe apenas homem que fode mal. Pra ter tanta mulher arrependida...

Sara disse...

anon 14.04hs eu posso não ser nenhum gênio mas sei ler por enquanto...
Se vc ler o link q coloquei vera que em uma dessas estatísticas consta-

"• Três em cada quatro mulheres serão vítimas de pelo menos um crime de violência durante a sua vida "

Não é de minha autoria, mas consta desse link, q segundo consta os dados foram fornecidos pelo FBI dos Estados Unidos.
Releia e veja, talves vc esteja confundindo com as estatísticas de mulheres estupradas.

Anônimo disse...

Cultura de estupro que oprime a vítima!Fui abusada várias vezes durante a infância por homens próximos: tios,primos bem mais velhos, mas nunca tive coragem de contar pra ninguém, justamente por causa desses julgamentos que mesmo, sendo vítimas, nos apontam como culpadas!!!Ódio dessa sociedade de valores invertidos!

Y ♥ disse...

Me parte o coração ainda mais por que eu conheço esse relato, Lola. Ele vem de uma das pessoas mais fortes e fantásticas que eu já conheci.
A R. é fabulosa, de verdade. Ela é mesmo uma heroína, uma mulher que nunca se deixou abater por nada do que sofreu e nunca se calou e que cuida de marido, filha, casa, trabalho e nunca esmorece. Tenho orgulho de conviver com ela, e cada dia mais sabendo a guerreira incansável que ela é.

RavenClaw~ disse...

Infelizmente muitas Julia.

Carlos disse...

Gente, vamos parar de chamar o estuprador de nojento, fdp, etc? Todos nós sabemos que o estuprador também é uma vítima mas não de uma pessoa específica e sim da sociedade como um todo. É bem conhecido o fato de que pessoas que nascem e crescem em condições adversas, de pobreza e desestruturação familiar simplesmente são incapazes de fazer escolhas morais, apenas reproduzindo a violência de que são vítimas. Então, se o estuprador estuprou a R., não foi porque ele é "nojento" ou "fdp" e sim porque ele foi um vetor de reprodução da violência social e econômica de que era vítima. Pedir cadeia, pena de morte etc é coisa de gente fascista, que não está nem aí pra possibilidade de recuperação do criminoso para a sociedade, quer mais é lavar as mãos e prontos. Temos, como sociedade, o dever de fornecer OPORTUNIDADE e não punição.

Anônimo disse...

É tudo tão constrangedor que me dar frio na barriga só em ver a palavra estupro. Um visinho me atacou uma vez, eu tava saindo do banho e ele ja tava na porta me empurrou e tirou minha toalha. Senti tanto medo que tudo em mim tremia. Saiu me levando para o quarto e me estuprou fiquei me cobrindo do geito que dava e quando ele saiu me deu um tapa na bunda . Me senti um lixo escarrado. Não sei quanto tempo fiquei deitada imóvel. Tive vergonha até de voltar ao banheiro para me limpar dele, mas não suportei o silêncio e falei para uma amiga. Ele sumiu. Espero que não volte. Me senti culpada , inútil, eu resiti, eu o empurrei. Mas a minha nudez me incentivava a me cobrir Quando senti que ele tava me tocando implorei que não fizesse, que não me machucasse daquela forma. Hoje ta com 5 meses e eu não fico sozinha em casa. Quando alguém me olha me envergonho, tenho medo que ele volte. Denunciar vai me expor e aqui não tem delegacia da mulher. Não me vejo falando isso para homens. Eu não durmo na cama mudei de quarto . Meu pai nem imagina sempre fui timida e ele nem desconfia. Eu gostaria que tudo apagasse da minha mente . É importante denunciar mas não é facil ter que contar que alguém me dominuou e me usou na minha cama. Tenho 17 anos vou superar, vai ter que passar.

Helena Bera disse...

Sinto muito por tudo o que aconteceu com você R., e por você fazer parte dessas estátisticas funestas que ainda são tão comuns... E parabéns pela sua super força em levar tua vida adiante e ter sido tão guerreira frente à toda essa atrocidade que aconteceu contigo.
Força aí pra você que tem uma pequena mulher para preparar pra esse mundo bizarro (mas que sim, tá andando, tá mudando) que a espera.
E pra tantas outras com seus relatos, força pra vocês todas.

lola aronovich disse...

Carlos, nem ia publicar seu comentário idiota, mas imagino que muitos reaças pensam como vc, então... Eu não conheço defensores de direitos humanos (direitos humanos, que pra reaça é palavrão) que sejam contra punição pra criminosos. Ninguém fala "tadinho" pra estuprador e culpa a sociedade. Eu não sei quantos anos de prisão o sujeito que estuprou a R. pegou. Espero que tenha sido condenado a uns 30 anos (tempo máximo de pena no Brasil), dez anos por cada mulher que estuprou (a R. disse que foram várias). Eu quero que ele seja punido. Agora, não quero que ele seja executado, não quero que ele seja torturado, não quero que ele seja estuprado. Porque isso é barbárie. E eu não acho que deve-se enfrentar a barbárie (que ele e muitos outros cometem) com mais barbárie.
E eu gostaria que ele, depois de passar 30 anos da prisão, saísse de lá reabilitado, ou seja, que ele aprendesse a conviver em sociedade e não estuprasse mais. Mas duvido muito que a prisão, como ela é pensada no Brasil (e em tantos outros países), reabilite alguém. É só punição.
Criticar como o sistema penitenciário é falho (por não reabilitar ninguém, por desrespeitar direitos humanos) não é "defender bandidos". É procurar saídas, é estudar as causas da violência (que pros reaças são puramente "falta de caráter", em outras palavras, apenas falhas individuais, não de um sistema).
Reaças como vcs não combatem a violência. Pelo contrário, vcs alimentam a violência. Vcs só combatem defensores de direitos humanos e ativistas de grupos historicamente oprimidos. E, pros criminosos, vcs exigem sua execução sumária, como se isso resolvesse algum problema.
Aliás, reaças colocam defensores direitos humanos no mesmo patamar de bandidos. Se dependesse de vcs, todxs nós seríamos condenadxs a pena de morte.

Anônimo disse...

Pois é, o sistema penitenciário não regenera ninguém, muito pelo contrário, se a pessoa não estiver realmente com a cabeça no lugar, ou fica doida ou fica ruim de vez.


Sinto muito dizer aos mascus mas estupradores não são estuprados na cadeia, isso raramente acontece, é mais fácil acontecer uma rebelião do q um agressor sexual sofrer um pouco do que ele fez.

Pq? pq as pessoas que estão na cadeia são coniventes com eles? Não, mas há muito, dá-se um jeito de separá-los dos demais, mesmo que a cadeia tenha que botar detento pra dormir de pé (o que nem é tão incomum assim).

Os Jacks geralmente são colocados em celas próximas aos que se relacionam com homossexuais e pedófilos, na mentalidade do cadeeiro, é tudo a mesma coisa.

Também não há acompanhamento psico-social para estes condenados, pq já vi muita psicologa e assistente social se recusar a atendê-los (não estou falando que eles são pobres coitados e nem estou julgando a atitude delas, no fundo compreendo a decisão). Ninguém lá quer muito papo com eles, e eles também não estão nem ai, vão pagar a cadeia deles e muitos já sabem o que vão fazer lá fora.

Beatriz Correa disse...

Carlos,

Em primeiro lugar, concordo com TUDO que a Lola disse respondendo em seu comentário.

Segundo, vale lembrar que o tipo de estupro que a R. sofreu são 30% dos tipos que ocorrem. Grande maioria é de alguém do núcleo familiar/de amizade da vítima. E é forçar MUITO a barra dizer que TODOS os estupradores são vítimas da sociedade.
Muitos deles são de classe privilegiada. Muitos deles são considerados pessoas "de bem". Vc pode até mesmo conhecer um estuprador e nem imaginar.

Julia disse...

Carlos, ninguém precisa do seu cinismo aqui, seu babaca.
Você é tão nojento quanto o estuprador. Homem como você que defende estuprador é porque que pensa igual.

Defensor de estuprador, estuprador é!

Anônimo disse...

Esse negócio de acontecer com quase todas é uma verdade doída.
Eu faço viagens noturnas de ônibus todo o mês, para a cidade dos meus pais. Isso desde que eu entrei na universidade, em 2009.
Uma vez, numa destas viagens eu pensei "poxa, eu viajo sozinha desde os 17 anos, à noite, madrugada afora, e nunca encontrei um tarado. eu tenho muita sorte."
Foi naquela noite que um senhor sentou ao meu lado, foi bem simpático comigo, perguntou meu nome e skype - eu menti pra ele dizendo que não usava a internet, e deixei quieto. O idiota me deu o nome dele, não diretamente, mas ele me disse o primeiro nome, e o sobrenome dele era o endereço do skype.
Eu tomo remédios toda noite, que me fazem dormir. São remédios importantíssimos, que eu não posso deixar de tomar. Geralmente eu apago durante as viagens e só acordo de vez em quando, por causa deles.
Uma hora, eu acordei, e ele estava passando a mão na minha perna, como que testando se eu estava dormindo ou não. Eu me afastei, que era a única coisa que eu podia fazer no estado em que eu me encontrava, completamente dopada. Ele continuou, e cada tentativa ele tentava me apalpar mais, tentando alcançar a minha vagina. Eu pensei na hora em me levantar e falar com o motorista, ou em trocar de lugar com algum rapaz forte, mas eu, em primeiro lugar, estava completamente drogada, e em segundo, eu tinha medo de criar uma confusão no ônibus e não poder provar o que eu estava dizendo. Eu passei um tempo torcendo pra ele fazer algo óbvio e fácil de provar, como tirar o pau pra fora, sei lá. Aí eu podia gritar e todo mundo ia saber o que estava acontecendo.
Mas ele não fez.
Uma hora eu juntei todas as minhas forças e abri os olhos, gesticulei, levantei o corpo, e ele percebeu que eu estava acordada e tirou as mãos de mim. Minha cadeira estava reclinada e a dele não, então eu passei a viagem toda com os olhos abertos, apavorada, e ele se virava pra checar se eu estava dormindo a cada cinco minutos. A cada vez que eu via o rosto dele meu coração disparava. E ele aguardando.
O que mais me apavora é que meus remédios são super fortes, e eu devo ter passado um tempo completamente nocauteada. Nesse meio tempo qualquer coisa pode ter acontecido, e eu não faço ideia alguma do que se passou.

Anônimo disse...

Carlos,

O estupro não é um crime socialmente motivado. Uma pessoa que rouba, comete latrocínio, trafica drogas - ESSAS têm motivos, embora deturpados, pra justificar suas ações.
O estupro não corresponde a uma necessidade real. Sexo pode ser importante, mas o estupro não tem nada a ver com sexo. O estupro tem a ver com poder.
E quem estupra? Amigos, namorados, pais, tios, colegas de trabalho, todos eles também podem ser estupradores. E muitos deles tiveram ótima criação, comportamento exemplar, e serem muito queridos pela família. E aí, vai dizer que são vítimas? Que são compulsivos? Eles não são compulsivos! Eles simplesmente estão exercendo um poder que foi dado a eles - eles fazem isso porque PODEM. E isso é o mais cruel, e é isso que faz com que o crime seja tão horrível. É torpe, sempre.

Anônimo disse...

Carlos você é. NOJENTO e FDP. O estuprador é vítima em quê? A desigualdade social não torna ele inocente. Qual a oportunidade que você quer dar a ele? A liberdade para que faça de novo? Não é com impunidade que se retira uma pessoa da marginalidade. Se levar teu mediocre raciocínio a sério só o estuprador rico merece cadeia né? Jà que o pobre é vitima. Se orienta homem. É crime hediondo e tem que pagar sim. Para recuperar um estuprador tem que desmerecer a mulher? Tem que culpar a vitima? Fala uma besteira dessas porque não tem noção do que é ser humilhada dessa forma, o trauma que fica. Ridículo você e sua opinião infeliz.

jonas_cg disse...

Os que dizem que cultura do estupro não existem são justamente aqueles que tentam deslegitimar os relatos do blog. Por que será né?

Anna Milani disse...


Carlos Anônimo, sabe... Quem me dá nojo é gente como você! Não vem com essa não! Estuprador é culpado SIM e merece cadeia! Talvez devesse trocar de lugar com a vítima. Se isso acontecer um dia com você [antes que mascus de m#erda venham dizer que eu estou 'uu-duur vusse tah torcenu pur issu, sua feminazifeiosa', não eu não estou, só estou supondo], aí vamos ver sua opinião.

Meu sincero Sinto Muito para a R. Eu sei bem o que é isso. Nunca aconteceu comigo, mas com uma amiga minha. Até hoje eu não consigo perdoar esse FDP nojento filho de criaturas-não-definidas que fez isso.

Que me chamem de feminista radical, eu não dou a mínima. Principalmente quando acontece com alguém que se gosta muito,e é próximo de você, é impossível não desejar tudo de pior para quem o fez. Porque parece que você tem contato muito real com a dor da pessoa.

Letícia Penteado disse...

Obrigada por este post! Dá para sentir a força que emana dele!
Fiquei muito revoltada com seus pais por você. E muito triste que isso tenha te acontecido e que você tenha sido tratada dessa forma, com tanto descrédito, tanta suspeita. Talvez seja tão difícil de lidar com a dor e o sentimento de impotência quando descobrimos que alguém que amamos tanto passou por algo desse tipo que haja o impulso de não querer acreditar... mas nada justifica deixar que isso nos cegue para a necessidade dessa pessoa de ser acolhida nesse momento de dor. Penso que nosso conforto não pode vir antes do socorro à vítima.

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 16:22, a sua história é nauseante não só pelo conteúdo, mas por ser tão comum. O transporte público, empaçocado de gente estranha, o abuso, o constrangimento da vítima a impedindo de fazer o que sempre achou que faria, o choque, a negação do choque, o semi-bloqueio, o tentar convencer-se de que “podia ter sido pior”, de que “também não foi nada demais”, a raiva por não ter “tomado uma atitude”. Acho que são poucas as mulheres que usam o transporte público que nunca passaram por isso. Mas não é estupro, né? Não tem penetração, não tem porrada, não tem gritos e luta. Então não é estupro. E como acontece ali na frente de todo mundo, e você não conseguiu se fazer gritar porque entrou em choque diante daquela falta de vergonha na cara, porque tem toda a cultura do estupro já introjetada, te paralisando, então é vergonha sua. Né? E mais vergonha ainda porque não te sai da cabeça, porque você “deixou isso te atingir”, porque está sofrendo com algo que seria uma piada para tantas pessoas.
Quer dizer, não basta o que você passou, o abuso, a vergonha, o desamparo, a sensação de vulnerabilidade, você ainda tem que sentir culpa e não ser acolhida nos seus sentimentos, não vê-los validados e legitimados. Você tem que se sentir compelida a escarnecer da sua própria dor.
Como eu queria te abraçar! Como eu queria conversar com você e ouvir você, tudo o que você tem a dizer, tudo o que você sente a esse respeito, tudo o que você sentiu na hora, tudo o que te passa pela cabeça.
Você é a vítima. Esse cara abusou de você e se aproveitou da cultura do estupro para te chocar ao silêncio. Nós somos educadas para nunca dizer não. E depois isso é usado contra nós de forma tão sistemática que até mesmo dentro da gente reverberam os por quês.
O que aconteceu foi horrível e não tem nada ridículo em você ou na sua reação em relação isso. Nem mesmo no ridicularizar ou reprovar a si mesma. É muitas vezes a nossa forma de lidar com a dor, tentar não senti-la, ou transformá-la em raiva.

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 17:02, estou horrorizada. Que nem mesmo uma pessoa que passe por tamanha brutalidade tenha a certeza de que será acolhida e acalentada é desolador para mim. Não consigo nem imaginar a dor de querer e precisar tanto falar e não conseguir. De ter medo de procurar ajuda e ser revitimizada. Tanta raiva, tanto medo, tanto nojo, tanta dor e não ter para onde correr com isso! Quero imaginar que você tenha encontrado neste espaço e no seu breve relato aqui algum alívio.
De fato, seria muito bom se você conseguisse alguém com quem conversar a respeito, e seria melhor que fosse alguém com cujas reações você se importasse menos (que você não tivesse medo de chocar ou de fazer sofrer por tabela). Daí a utilidade da terapia. Faz uma força, experimenta uma sessão só. Quem sabe funciona. Pode te ajudar muito. Tem coisa que a gente só trabalha verbalizando.

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 23:08, acredito no poder da verbalização, de tirar essas coisas de dentro da gente com palavras. E por isso achei muito legal você ter vindo aqui falar do que aconteceu, de como você se sentiu, de como você se sente, do seu sentimento de humilhação, de impotência, de culpa. Tão difícil procurar ajuda quando a gente mal consegue fazer as palavras saírem da gente. Vai passar sim. Você vai superar sim. Vai ficar melhor, você vai ver. Não vai ser assim para sempre. Continue falando a respeito, procurando pessoas com quem possa conversar

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 12:33, mais um relato de ônibus. Que mundo cão este em que tomar uma condução é um fator de risco para uma mulher.
Senti muita raiva lendo o seu relato. O atrevimento, a audácia desse cara! Como assim, você se debateu e ele viu que você tinha visto e mesmo assim ficou esperando uma nova oportunidade para abusar mais de você? Que pervertido! E essa sensação do não saber... que coisa tenebrosa, que asco...

Bruxinha disse...

Meu Deus, moça do comentário do ônibus, vc já cogitou pelo menos somente no dia da viagem não tomar os remédios? eu sei que é horrível sugerir isso, que é sucumbir de certa forma à cultura do estupro, mas eu acho mais seguro ter total domínio da minha consciência durante um trajeto longo, com pessoas desconhecidas e sem escrúpulos ao redor. Acho que a ausência da medicação de forma temporária pode ser menos danosa do que um abuso desses. Sem palavras pra expressar meu asco! e a moça do guest post impressiona pela força. Eu ouvi de uma amiga um relato de horror. Uma amiga dela, muito bonita, teve a casa invadida por assaltantes que abusaram das mulheres. Ela terminou se matando, deixando uma carta pros familiares dizendo que não conseguia conviver com as terríveis lembranças. Que bom que seu espírito é forte enquanto outras pessoas reagem de modo diferente. E nós nunca poderemos julga-las. E a sua filha tem sorte de ter uma mãe assim, que com certeza vai ficar muito atenta aos perigos dessa nossa sociedade nojenta e doente.

lorena disse...

Mais triste que o estupro é a pessoa tomar coragem pra contar sua historia e ainda ser julgada por machistas, num blog feminista, e alguém ainda defender o estuprador, e a Lola aprovar o comentário. A menina do post já deve estar se perguntando se foi uma boa ideia vir contar tudo justo aqui. Lamentável.

Anônimo disse...

Sério que o amigão ali de cima ta defendendo o estuprador, dizendo que ele é vítima da sociedade?
Pelamor!
Vamos chamar os direitos humanos de uma vez, tirar o estuprador da cadeia e prender a menina, pq ela tava de saia, sozinha, de madrugada, então provavelmente ela seduziu o cara armado pq tava louca pra dar pra ele.
Meu Deus, cada vez mais perdemos a fé na humanidade.
Tomara que alguém dê um tiro na testa do amigo, pra depois dizermos a família dele que "tadinho do atirador, ele é uma vítima da sociedade capitalista"!

Adriana A.

Ligia T. disse...

falar de estupro é meu ponto fraco... me seguro MUITO pra não mandar os direitos humanos à merda.

Anônimo disse...

Vergonha danada de ser homem nessas horas! Tanto pelo relato quanto por alguns comentários machistas por aqui =/

Anônimo disse...

Alguns constrangimentos são decorrentes da própria cultura do brasileiro.
Pedir dispensa é um exemplo, se brasileiro não fosse tão vagabundo e não contasse tanta lorota para matar trabalho, dificilmente um supervisor iria criar resistência quando um funcionário pedisse dispensa para ir ao médico.
De fato, o funcionário sequer precisaria dizer o motivo.
Mas como "ir ao médico" é a desculpa nº 01 de empregado vagabundo, acaba que algumas pessoas sofrem esse efeito colateral. Que tenhamos consciência que isto é culpa de todos nós.

Sou totalmente solidário à vítima, mas por favor, achar ruim do exame ginecológico é o fim da picada.
Como ela queria que fosse constatada a violência?

Quando trabalhei em delegacia atendia a muitos casos de mulheres vítimas de violência.
E o fato é que elas externam sua eterna insatisfação com tudo.
Não interessa a maneira como vc as atende, é sempre insuficiente.
Se vc é objetivo, é grosso.
Se vc é gentil, está dando em cima.
É impossível atender bem.

Anônimo disse...

"Jorge, cultura sim, porque quando ela chegou em casa a própria família questionou se o que ela passou realmente foi estupro e quando foi na delegacia, foi questionada o tempo todo."

Ah tah, então a mulher é estuprada, vai à delegacia para que providências sejam tomadas, mas acham ruim que ela seja questionada sobre as circunstâncias em que o caso ocorreu?
Tenha dó, vocês são muito imbecis.

Os questionamentos são feitos para que o Promotor de Justiça possa elaborar a denúncia.
Sei que são imbecis, mas hoje estou bonzinho, leiam a porra do artigo 41 do código de processo penal que lá está com todas as letras que a denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias...
Sabem o que significa com todas as suas circunstâncias?
Se o promotor simplesmente colocar que o réu estuprou a vítima, ele será absolvido.
Tem que escrever tim tim por tim tim, ou seja, que o réu pegou a vítima pelo cabelo, a arrastou, a ameaçou com um revólver, arrancou sua calcinha, penetrou o pênis ereto em sua vagina e tudo o mais.
Aí a mulher acha ruim quando o delegado pergunta se o cara a forçou a fazer sexo oral, acha ruim quando pergunta se o sujeito introduziu os dedos na vagina ou ânus, acha ruim quando pergunta se penetrou no ânus, se ela teve que masturbá-lo etc.
Enfim, se vcs não são capazes de lutar e ficam ofendidinhas por tudo, fiquem quietas mesmo e vão se foder.

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 15:21, não é sobre você. Entende?
Você estava atendendo vítimas de estupro. ESTUPRO. Você já foi estuprado, amigo? Então, venha cá, deixa eu te explicar o óbvio: a pessoa que passa por algo assim não acabou de tomar um tombo de bicicleta. Não acabou de bater a cabeça na porta. Ela acabou de sofrer uma violência inenarrável. Porque o misto de humilhação, revolta, tristeza, confusão, angústia e MEDO, MEDO, MEDO que você sente numa situação dessas não é descritível.
Claro que elas vão ter receio do exame ginecológico. Elas FORAM ESTUPRADAS.
Claro que elas vão ver todos os homens - às vezes todas as pessoas que encostam nelas como estupradores em potencial. ELAS FORAM ESTUPRADAS.
O nome disso é TRAUMA.
E mesmo que não tenham sido estupradas, só de terem sofrido uma violência já ocorre o trauma.
Quer atender bem? Então lembre-se de qual é o serviço que você presta e saia de dentro do seu umbigo. Se não é capaz disso, então vá trabalhar em outra coisa. Que é o que eu creio que você fez. Sorte a das mulheres violentadas, que não vão mais ter que 'te incomodar com os mimimis delas' (sarcasmo mode on).

Letícia Penteado disse...

Anônimo das 15:28, não tenho como desenhar, mas vou tentar deixar bem mastigadinho aqui para você.
Olha, quando a gente fala que a moça foi questionada, queremos dizer que a VERACIDADE do relato dela foi questionada.
E, mesmo que não fosse, deixa eu te contar uma coisa: inteligência emocional, empatia, etc. não são só palavras bonitinhas que a gente usa no treinamento do departamento de pessoal.
Pergunto para você o que perguntei para o anônimo anterior: você já foi estuprado? Pois é. Porque, se você tivesse sido, talvez entendesse o constrangimento que é ter que reviver a violência pela qual você passou, reviver o trauma todo ali, na frente de uma pessoa (ou mais!) numa repartição pública, uma pessoa que muitas vezes fala com você com escárnio, desprezo, indiferença, descrença. Queria ver você falando do SEU ânus, querido. Muito. Nessas condições. Queria ver você revivendo essa dor e sabendo que vai virar a piadinha da hora do cafezinho.
Aliás, NÃO queria ver você. Porque ninguém merece passar por isso. Eu queria, na verdade, queria mesmo, que ninguém tivesse que passar por isso para ser capaz de se colocar no lugar de quem passa por isso e entender.
Meu, a pessoa acabou de passar por um dos acontecimentos mais brutais que podem ocorrer na vida de alguém. Você jura que não consegue compreender a dificuldade que ela tem de responder a essas perguntas?
Tem que ser só trollagem pura e simples. Por favor.

Julia disse...

Anon 15:28,
ela foi questionada no sentido de "desacreditada".

Perguntas que colocam em dúvida o ocorrido porque vivemos numa cultura em que mulheres são culpadas pelo estupro que sofrem. Você sabe disso, não? A primeira coisa que fazem é desconfiar da vítima.

Atá a família dela duvidou. A polícia também. Por isso muitas mulheres não denunciam e os estupradores continuam estuprando, entendeu?

Anônimo disse...

"E, mesmo que não fosse, deixa eu te contar uma coisa: inteligência emocional, empatia, etc. não são só palavras bonitinhas que a gente usa no treinamento do departamento de pessoal."

Retórica barata e sem sentido.
Vc sabe como os atendimentos eram feitos, presenciou os atendimentos para dizer que atendemos alguém mal?
A gente sempre tratava as mulheres com o máximo de delicadeza possível, inclusive dizendo que sabíamos o quanto era chato tocar no assunto, mas que era necessário saber dos detalhes, explicávamos tudinho.
E mesmo assim elas reclamavam.
Se reclamassem só de mim, então o problema seria comigo, mas elas reclamavam de todos, inclusive das mulheres.
Então, pode falar o que quiser, mas é sobre mim, sim, no momento em que minha competência profissional é questionada e sou acusado, injustamente (e não apenas eu, mas inúmeros colegas escrivães, inclusive mulheres) de não prestar um bom atendimento.

Anônimo disse...

ela foi questionada no sentido de "desacreditada".

Você já tomou o depoimento de uma vítima de estupro?
Sabe como é?
Então não fale besteiras e não fale sobre o que não sabe...

Geralmente a pessoa está nervosa, as vezes chorando, desesperada, quando não está chorando, é só começar o relato que ela começa a chorar.
Aí a gente para o relato, oferece uma água, um chá etc.
A pessoa fala uma coisa, gagueja um pouco, as vezes se contradiz, não se lembra muito bem dos detalhes, se confundi etc.
E tudo isso achamos até normal, devido ao trauma que ela sofreu.
Sabemos que não é brincadeira, sabemos que ela foi vítima de um crime grave e temos toda compreensão do mundo.
Mas precisamos que ela confirme exatamente o que aconteceu com o máximo de detalhes possível, por isso perguntamos várias e várias vezes.
O problema é que quando repetimos as perguntas, ela pensa que não estamos acreditando.

Então vou dizer, estamos acreditando, só precisamos que tudo seja confirmado e reconfirmado com o máximo de certeza possível.

Só que elas acham ruim quando perguntamos, ela se ofendem e reclama que nós não a atendemos bem.
Repito: se fosse só comigo, eu seria um mau profissional, mas acontece com todo mundo que atende, elas reclamam de todos.

Então parem com o mimimi.

Anônimo disse...

É por causa de opiniões como a sua que existe tantos direitos pra bandido NOJENTO e FDP. Estuprador é vítima de que??!? Só quem já passou por um trauma desses sabe a humilhação que é. E a vítima ainda é o bandido? Tem que ter penas de morte sim!
Opinião inútil e infeliz....

Anônimo disse...

Oi eu fui estuprada vai fazer dois anos mas eu ainda não superei é estou cada vez pio não tenho um bom relacionamento com ninguém e minha família acha q foi culpa minha tem dia q não consigo dormi e mim corto pra para a dor de dentro eu não sai de casa alem de e pra escola e trabalha
Eu estou perdendo minhas força
Por farvo mim ajude