quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

GUEST POST: A REPRESSÃO SEXUAL DE TODO DIA

Relato da M.:

Meu nome é M., tenho 22 anos e sou estudante universitária. Pertenço a uma família religiosa e extremamente conservadora. Não gosto de simplificar minha sexualidade a rótulos prontos, mas ter tido relação com homens e mulheres ao longo da minha vida (sem preferências) explica um pouco do que sinto. Me apaixono por pessoas.
Sempre tive uma relação boa com a minha família, até meados de 2010.
Nesse ano, meus pais descobriram sobre mim e nem preciso dizer que a casa veio abaixo: depois de uma discussão exaltada, apanhei, ouvi o quanto minha vida é nojenta e passível de culpa, além de ter sido obrigada a me afastar da minha relação para tirar um tempo para "pensar". 
E ouvi diversas hipóteses que podem explicar a minha não heterossexualidade: quando era pequena, não brincava de boneca e preferia desenhar; também não gostava de usar aqueles vestidos empiriquitados por atrapalhar nas brincadeiras e não gostava de brincar de casinha, e sim de cientista. 
Passei todos os dias da minha adolescência e da vida adulta me lamentando e tentando escapar do controle da minha mãe.
Infelizmente, estudo de noite e passo o dia trabalhando, ganho pouco e não tenho condições de morar em uma república (cujos custos de aluguel são divididos e mais "suaves") e de me virar sozinha com alimentação e com as contas básicas. Por isso, tenho que depender de onde vivo, mesmo bancando todas as outras despesas. Mas um teto é impossível para mim neste momento. 
Às vezes, consigo fazer uns bicos e trabalho em dois períodos (além de ir para a faculdade) para dobrar o meu salário, mas parece que nunca saio da estaca zero. Fora que não é sempre que esses bicos aparecem e, por isso, não conseguiriam me sustentar, apesar de eu ter minhas economias (que ainda não são suficientes para nada). Além do mais, não quero ajuda financeira da minha namorada, que tem uma renda maior do que a minha. Tenho um senso de independência um tanto forte. 
Para mim, "ser ajudada nas despesas" acabou sendo sinônimo de "você é minha e eu posso fazer o que quiser com você".
Apesar de toda a situação conturbada da descoberta ter acontecido há um certo tempo, poucas coisas mudaram: meu pai já não fala mais nada; entretanto, minha mãe continua sendo a pessoa controladora que sempre foi.
Tudo o que ela faz é para sabotar minha sexualidade e minha relação. Joga na minha cara que moro no teto dela e que tenho de aceitar as condições que ela impõe, estipula toque de recolher e faz um terrorismo psicológico absurdo. Chegamos a um ponto em que minha mãe me pediu para eu escolher entre ela e a minha relação! Além de já ter me expulsado de casa e eu ter implorado para ficar, já que não tinha para onde ir.
No mais, toda essa situação estremeceu demais meu namoro (que tem já vários anos de existência). E tudo isso fez com que minha namorada ficasse insegura demais a meu respeito. Enquanto ouvi, de um lado, perguntas de quem era o homem da relação (é essa a sociedade patriarcal em que a gente vive, na qual é imprescindível a relação de um homem, senão não é relação), ouço, de outro, minha namorada questionando meu círculo de amigos, perguntando com quem tanto eu converso e querendo saber de tudo na minha vida. Até hoje nunca consegui falar de nada disso com ninguém, de detalhes do ocorrido na minha casa, do circo de horror em que vivo durante anos. 
Você deve receber centenas de e-mails como este por dia e nem sei se vai ter tempo para ler. Mesmo que não leia, só de transpor isso tudo para o papel está me fazendo bem. Sou uma pessoa fechada demais e acabo me sufocando com os meus próprios sentimentos. 
Bom, eu apenas gostaria de dizer, para não sei ao certo quem, que vou sair dessas amarras emocionais e psicológicas e vou viver intensamente quem eu sou. 
Tenho muito orgulho de mim. E gostaria de falar para todos os gays, lésbicas, transgêneros e para todos aqueles que não nasceram conforme as regras dos bons costumes desta sociedade do século XXI (que mais parece do século XVI) as seguintes coisas: não desistam, tenham sonhos, criem um alicerce, um objetivo de vida e lutem, lutem muito. Lutem para ter dignidade, lutem para ter respeito, lutem por seus direitos. Estou fazendo isso no que posso, mesmo com essa maldita condição financeira.
Li uma enxurrada de notícias sobre violências a gays, que me motivaram a escrever este texto. Especialmente uma em que um pai fez ameaças de morte ao namorado do filho em pleno shopping, no horário de almoço, e manteve o filho em cárcere privado, e ninguém fez nada. Ali, todo mundo foi omisso e todo mundo consentiu. Não só ali, mas nos inúmeros casos de agressões por dia, como naquele dos playboys que bateram no rapaz atravessando a rua ou naquele outro em que rapazes foram feridos com uma lâmpada, e em todos os estupros corretivos que acontecem sempre, mas que não são noticiados.
Desejo, do fundo do meu coração, que vocês reúnam suas forças e optem por sair de casa, e não por tirar suas vidas. Eu também vou conseguir.

22 comentários:

Anônimo disse...

Sinto muito pela situação em que vc se encontra, é difícil para muitos entenderem o que é gostar de pessoas...

Sem distinção...

Espero que saia dessa...

Felipe disse...

Sei bem como é isso. O melhor a fazer é sair de casa, mesmo que seja difícil. É a melhor sensação do mundo.
No meu caso, o controlador é meu pai, apesar de nunca ter me batido, não me dava um minuto de paz: abria minhas correspondências, fuçava no meu armário, ligava meu computador, maltratava meus amigos, não me deixava sair sozinho de casa...
Sentir-se vigiado é terrível, não tem como ser feliz sem ter autonomia e controle de nossa própria vida.
Ser independente é a melhor solução, custe o que custar.

Paola disse...

Sua mãe é louca,eu acho que vc poderia conversar com sua namorada e ver se poderiam morar juntas,morar sozinha é o ideal mas será bem melhor do que aturar sua mãe te infernizando e quando puder more sozinha.

Eu n entendo o que tem de tão absurdo a pessoa ser gay ou bi.

RAQUEL LINK - blog me falaram que ia ter bolo disse...

OLha tem momentos que realmente são difíceis. Eu mesma passei por um momento bem delicado, nem eu nem meu marido tínhamos emprego pra sair da casa dos nossos pais e estávamos passando por uma situação muito ruim

De os nossos pais fazerem de tudo pra atrapalhar.uma fase muito complicada.. de eu adormecer chorando, mas a gente não desistiu...a gente achou o minimo emprego que dava...o que pra mim significa telemarketing..se mudamo pra um bairro beeem mais barato e simples do que morávamos com os nossos pais e nos casamos no civil... hoje quase 2 anos depois...conseguimos terminar a faculdade, arranjamos emprego melhor..adotamos um dog.... evoluímos

não pode desistir...mas as vezes é necessário sair de casa de qualquer jeito sabe? nem que tenha que viver bem pior do que em casa dos pais, é melhor do que ficar sofrendo.

Geraldo Pina disse...

o mais fácil é dizer-te: sai de casa. claro que é fácil dizer, mas quem já viveu sozinho, sem trabalho e com poucas oportunidades ou nenhumas sabe que essa ideia romântica de sair de casa assim de nada é só isso: romântico. Muitos que te vão dizer isso, são provavelmente os que se queixam que Brasil está mal pa caralho, mas que não mudam de país, ou porque não podem ou porque não podem, ou porque, como alternativa, não podem mesmo.

Explicaste bem a tua situação económica, o que te leva a submeteres-te ao "terrorismo psicológico familiar". Neste momento, eu sei lá, talvez a tua esperança mais sólida, se me é permitido dizer, seja a faculdade que estás a fazer. É certo que a faculdade não é garantia de nada, mas aguenta até acabares a faculdade, quem sabe encontres um trabalho melhor com um curso. Em todo o caso, será uma despesa a menos, o que te vai permitir guardar mais dinheiro para investires em tecto próprio.

É certo que o tempo não te vai esperar, nem a depressão, nem as relações vão deixar de estar frustradas, enquanto tiveres a tua família que te humilha, mas, estás mesmo sem alternativas, por isso: mal pelo pior, venha o menor. Tens de ser tu a avaliar.

Catharina disse...

M., parabens pela forca e maturidade, e espero, de coracao que vc possa superar tudo isso. Infelizmente, acho que sua relacao com a sua mae so vai melhorar quando vc sair de casa mesmo... Vai juntando suas economias ai, dentro do possivel, planeje algumas coisas, pra que vc consiga sair logo dessa situacao.
Tudo de bom pra vc!

mãe amiga disse...

É lamentável q tantos pais façam todo esse dramalhão e até terror em cima da opção sexual dos filhos. Sou mãe de dois rapazes, o mais velho mora com amigos, está na facu e tem vários amig@s de quase todos os matizes e é ele q me mostra os filmes e documentários anti homofobia q ainda não conheço. E o mais novo de 17 tb não discrimina ngm. O melhor caminho é do diálogo, do entendimento, da confiança. Seus pais infelizmente tem problemas psicológicos meio sérios projetados em vc. Deveriam mesmo se tratar. Tem pessoas q preferem sofrer e pior, fazer os outros sofrerem. Quebre esse ciclo, saia fora o qto antes e cuide pra não se deixar controlar pel@s parceir@s

Marcia Baratto disse...

espero que você consiga! Faz faculdade pública? Veja se é possível ir para a moradia, se não há vagas oficiais, o pessoal abre espaço por solidariedade.

Lucas disse...

Nesse caso, creio que o melhor é sair de casa mesmo, do jeito que der. Alugar uma kitnet, dividir com uma ou mais amigas, até com sua namorada se estão juntas a tanto tempo.
Mesmo que seja um sacrifício e você fique apertada de grana por um tempo, melhor do que viver o que você está passando.

Anônimo disse...

Amiga M.

Só quem tem pais extremamente autoritários e controladores, neuróticos e possessivos, e que fazem o jogo do poder financeiro conhece o inferno que você descreve... Me identifico muito com seu relato, enquanto morei com os meus pais vivi um inferno, tive crises depressivas terríveis e muita vontade de me matar. Também não via solução para sair dessa, mas isso decorreu muito das palavras deles, que sempre me falaram de como a vida é cruel lá fora, e que ninguém além deles jamais me apoiaria. Sozinha então, pff, só daqui uns vinte anos quando tivesse um doutorado e emprego dos sonhos. Eu era, para eles, uma dependente incapaz.
Assim como acontece com você, minha vontade de viver plenamente falou mais alto, e mesmo sem condições financeiras fui morar com meu parceiro, que me ajudou muito, tanto no lado financeiro quanto no emocional, pois eu saí de casa completamente destruída, dilacerada.
Fiquei um ano sem falar com meus pais, precisava deste tempo pra me reconectar comigo mesma e poder aflorar o meu eu, sem medos, sem amarras.
Hoje eu e meus pais temos uma relação boa, já que cada um mora na sua casa e eu deixei bem claro que eles já não podem mais me controlar, apenas me amar incondicionalmente, assim como os amo - e sempre amei, mas não sabia.
Tenho traumas desta época, e, por vezes, me pego sendo controladora com meu companheiro e com atitudes semelhantes a que meus pais tinham comigo. Aquela desconfiança eterna, e certeza de que nunca serei boa o suficiente.
O processo de cura é lento, minha sorte é ter um parceiro incrível, praticamente um monge budista, que me entende e me acolhe.

Um abração para você, e não tenha vergonha ou receio de pedir ajuda financeira para amigos ou quem possa te ajudar a sair desta situação altamente destrutiva. Isso não é vida, amiga... Tudo vale a pena para ser mais feliz!

Anônimo disse...

Sinto muito pela sua situação.
Sua universidade não tem casa do estudante ou auxílio moradia? Você não consegue se transferir par uma que tenha? Desculpe se parecer intromissão, mas são algumas ideias que você pode considerar para não depender de uma família tão controladora e manipuladora.
Viver em um ambiente que não te faz bem vai sempre deixar essa sensação de que a vida não sai do zero, porque você não esta conseguindo viver a sua vida em plenitude, está constantemente sendo intoxicada.
Espero que você encontre uma solução!

Anônimo disse...

Olá, tenho 20 anos, me chamo T. e, li o seu texto, e de certa forma, me vi em suas palavras. Sou heterossexual, porém respeito muito a escolha de cada um. Vivo diariamente todos esses problemas, assim como você. Isso mata aos poucos, mas motiva cada vez mais a sonhar por um objetivo e alcança-lo. Minha mãe também age dessa forma, dizendo TUDO E COMO devo fazer, inclusive, tive de terminar um relacionamento recentemente pelo fato de haver um preconceito maldito em relação ao meu namorado, e também pelos mesmos motivos que os seus, ainda não consigo me manter sozinha financeiramente... sofri e sofro muito por isso. É reconfortante saber quem em algum lugar do planeta, alguém vive, a mesma coisa, e que não estou sosinha nesse sofrimento, pois é muito difícil que os amigos entendam pelo que a gente passa, muitas vezes, sofremos ainda mais por essa falta de compreensão da parte deles. Mas quero dizer que: Tenha certeza, SOMOS MULHERES FORTES!

RavenClaw~ disse...

Desculpe, mas "depender" um período da tua namorada é tão pior do que aturar essa mãe abusadora? Não é ironia. Quero entender mesmo.


Ps: legal a imagem do amor, Lola, mas qual é a do cara com o cachorro? Huashuahs

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Essa é a grande contradição dos fanáticos religiosos. Se dizem tão amorosos e se acham melhores que os outros, mas só sabem usar de pressão e violência pra imporem suas vontades.
Realmente a época de estudante costuma ser das mais difíceis, financeiramente falando. Eu aconselharia a continuar trabalhando, estudar bastante, de repente até tentar um concurso público que possa te dar mais estabilidade, até se formar e conseguir um bom emprego. Realmente quando ficamos donxs do nosso próprio nariz fica mais fácil viver como a gente quer.
Quanto a sua mãe, talvez ajudasse fazê-la entender que com essas atitudes ela só te afasta dela. De preferência em um momento em que ela estivesse mais calma, sem brigar. Mas infelizmente a maioria das pessoas parece gastar mais tempo com religião, orações, cultos, rituais do que se esforçando pra ser realmente uma boa pessoa, com empatia.

Maria disse...

Olha, eu sei que é difícil pra caramba, mas não é impossível sair de casa. Existem bairros baratos, existem pessoas que alugam quartos em casas coletivas, existem hostels, etc etc etc. Existe até a possibilidade de você trancar a faculdade até se estabilizar. E você deve ter amigos que possam dar uma ajuda...sei lá...um lugar para ficar por um tempo.
Entendo que vc não queira depender deles, mas, veja só, vc já depende da sua mãe e ela é abusiva com vc. Se vc pedir ajuda para alguém e esta pessoa, na pior das hipóteses, passar a te tratar como propriedade, não terá mudado muita coisa (visto que a sua mãe ja faz isso com vc).
Enfim, é mesmo muito difícil, mas se os filhos de homofóbicos "abaixarem", eles simplesmente continuaram sofrendo. Se vc for esperar, o que vai acontecer é que vc estará perdendo tempo da sua vida, e nem ao menos haverá a garantia de que um dia vc sairá de casa já com conforto. Odeio parecer que estou culpando a vítima, mas se vc abrir mão da sua liberdade, ngm vai chegar e oferecê-la a vc em uma bandeja de prata.
Além do mais, essa situação que vc está vivendo vai ser ruim tbm para as pessoas a seu redor. Imagino o qto deve ser ruim para sua namorada estar com uma pessoa que não é livre para estar com ela. Pior ainda se ela for assumida e independente, ou seja, se tiver plenas condições de viver um relacionamento feliz com alguém. Neste caso, ela está escolhendo ter um namoro pela metade (pq sim, a pressão de namorar alguém que é constantemente chatageada para terminar faz com que o namoro seja pela metade, no máximo), simpĺesmente pq te ama.
Enfim, enfim...já falei demais. A ideia geral é que é uma merda ter pais que não te respeitam, mas cabe a cada um lutar pelo próprio espaço.
Abraços e boa sorte.

Anônimo disse...

Olha gente, sem querer desanimar, mas a moça tem que planejar bem a saída dela da casa. Acho que a melhor opção é moradia estudantil, por ser gratuita. De outros modos, fica difícil. Morar em republica é bem caro, dependendo da cidade, chegando a custar entre 650 a 100 reais. Para quem estagia, ou trabalha por salario minimo, fica inviável. Acredito que a moça venha de uma família de boa condição financeira, e caso tudo dê errado, ela só poderá voltar para a casa da mãe.
Planeje com cuidado sua saída, tente fazer uma lista com todos os gastos que você tem, e tente calcular os gastos mensais com alimentação, saúde, supermercado, transporte aluguel,para você ter uma base se consegue se manter. Quando fui morar sozinha foi muito dificil, pois antes apenas ajudava nas contas da casa, e depois tive que arcar com tudo. Cheguei a passar fome por causa das contas, vivia de miojo (almoço e janta) e água, isso por que eu morava no lugar o mais barato possível. Mensure se voce consegue passar por isso.

Zrs disse...

Querida, o que eu posso dizer para você é Coragem: para prosseguir, para ser você, para ser livre. Faço coro com os outrxs acima que disseram para sair o quanto antes. Conheço pessoas que demoraram a sair, esperando a tal melhor situação, e nunca conseguiram, por outro lado conheço vários casos de pessoas que saíram, com todas as dificuldade possíveis, mas com a alegria da liberdade. Passei por algo semelhante, mas com o maridão. A mãe, super, ultra, controladora, sempre dizia que o sonho dela era que os três filhos fossem gays, acreditava ela, assim, que teria a proximidade maior dos filhos; fez inferno na vida deles para que nunca fossem morar com alguma mulher (todas eram "vacas, vadias", bla, bla bla).Meu marido, sem um puto no bolso, com um bico chinfrim (e eu com uma bolsa de miserinha), juntamos nossas vontades e fomos morar em um quartinho (com alguns poucos móveis doados por colegas e vizinhos).
Querida, foi a melhor decisão do universo que tomamos, nada melhor do que a liberdade e a distância da repressão; com o tempo, as coisas se ajeitam, e estar bem é o melhor caminho para tanto.
Força e coragem!

julie disse...

Eu saí de casa assim que passei em um concurso público e fui viver com meu namorado. A vida melhorou muito, muito mesmo.Como você tenho uma família disfuncional e controladora. Agora que estou longe posso dizer que descobri melhor quem eu sou e me tornei uma pessoa mais feliz.

André disse...

Se você mora numa cidade muito cara, considere a possibilidade de mudar de cidade, trancar ou transferir de faculdade. No interior de São Paulo acha-se fácil kitinetes de R$350,00/mês em bairros bons. Existem famílias que sobrevivem com SM. Talvez você tenha um conforto financeiro na casa dos seus pais que te assuste perder, mas pode crer que ter autonomia comendo pão com ovo é um luxo muuuuuito maior.

Anônimo disse...

M, eu sou das que acha que você precisa planejar bem sua saída. Pelo que eu entendi, você não se sente a vontade na relação para viver com sua namorada. Se esse é o caso, acho que você não deveria ir mesmo. Escute sua intuição. Primeiro, acho que você deve fazer contas de quanto gastaria morando fora se levasse um estilo de vida bem modesto. Conheci uma menina que estava numa situação similar e bem difícil. No trabalho, por exemplo, em vez de comer fora ela levava comida de casa, nunca saía, não comprava nada de supérfluo (nem agradinho, chocolate, nada). Se não der mesmo, aguente mais um pouco. Quantos anos faltam para você se formar? Dois? Três? Passa mais rápido do que a gente pensa. E nesse meio tempo você pode buscar algo que pague melhor e quando tiver a vida um pouco mais estável, saia de uma vez. Nesse meio tempo, tente ignorar as maluquices e bobagens da sua mãe. Pelo que eu entendi, vc deve passar muito pouco tempo em casa mesmo. Então, quando ela vier te aporrinhar responda com monossílabos, não confronte, aceite que ela é uma mulher com limitações que bem poderia se beneficiar de um tratamento mas que você não é a terapeuta dela. Do mesmo jeito como ela não vai fazer você mudar, acho pouco provável que você a faça mudar. Dizem que a gente vira adulta(o) no momento em que deixa de se importar com o que o pai/mãe acha da gente. Se ela vier com bobagens do tipo "gays vão pro inferno" diga "é, sei". Pode parecer conformista, mas não é. É simplesmente reconhecer, interna e emocionalmente, que o julgamento que sua mãe faz de você não afeta seu estilo de vida. E assim, logo você se forma, arruma um emprego mais bem remunerado e se manda sem traumas. Tem um filme (que eu acho muito legal) chamado "Anywhere But Here" com a Susan Sarandon sobre uma relação difícil de mãe e filha (caso bem diferente do seu, mas é sobre uma relação complicada e como se desvencilhar dela). Há uma cena nesse filme em que mãe e filha brigam e um policial intervem que vai bem nisso que eu estou comentando. Cuide bem da sua vida e tenha calma, você me parece forte e equilibrada então tudo só tende a melhorar.

Anônimo disse...

A única coisa que provoca mais horror a umx conservador religioso do que sexo em si, é o sexo não-hetero.

Apesar de ser heterossexual, eu também sofri uma constante vigia e perseguição (sem contar as humilhações e a violência psicológica) por parte da minha mãe de um modo geral. Mas era quase doentio o medo dela de eu "envergonhar a família"(= fazer sexo). Ela me vigiava e me seguia em espaços público, me proibia de falar com homens que não fossem da família.
A minha vida se limitava em ir para a escola e voltar. Muita gente se surpreendia ao visitar nossa família em saber que meus pais tinham uma filha - "Achei que era só o rapaz" - diziam eles... Por que adivinhem - meu irmão sempre foi onde e quando quis e voltava quando tinha vontade...

Não consigo imaginar como teria sido a minha vida se eu fosso homo ou bi.

Saí de casa para fazer cursinho/faculdade e as coisas ficaram menos ruim. Agora morando em outro continente eu quase consigo ter uma relação normal com ela.

O que eu posso dizer pra moça dos post é. por pior que esteja, não meta os pés pelas mãos, mas não deixe de sair de casa assim que puder...


Jane Doe

Anônimo disse...

Um monte de gente mandando a menina sair de casa e ir morar só, mas nem sabem que mulher que mora só sofre muito preconceito, ainda mais em cidades de interior.