quarta-feira, 20 de novembro de 2013

MINHAS REFLEXÕES NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Projeto do artista visual Dalton Paula, de Goiânia

Eu cresci ouvindo que não tenho raça, não tenho cor. Só porque minha cor é o padrão dominante. 
Cresci ouvindo o termo "cor de pele", sem perceber que essa cor se referia apenas a minha cor. Não lembro onde li pela primeira vez que "band-aid cor de pele" é feito pra minha pele, que é branca, e que se uma pessoa negra precisar de um band-aid, ela terá que comprar um band-aid específico, para cor de pele negra. Mas me lembro da minha surpresa ao ver que, quando falam(os) em "cor de pele", estão falando apenas da minha cor, e excluindo todas as outras. 
Mas teve várias coisas que eu notei faz tempo. Por exemplo, é óbvio que eu percebia que na escola de elite onde estudei não havia alunos nem professores negros. Depois, numa universidade de ponta na área (Publicidade) em SP, não havia negros. Só quando fui cursar Pedagogia numa faculdade particular é que tive colegas negras. Três, numa turma de quarenta. Nenhuma professora negra. 
No meu mestrado e doutorado, na UFSC, não tive colegas nem professores negros. Quando fui dar aula pro estágio-docência, todos meus alunos eram brancos. 
De vez em quando a gente conversava sobre como era viver na Islândia, porque aquele universo branquinho na universidade certamente era bem diferente do resto do Brasil, em que mais de 50% da população é negra. Até pro padrão catarinense (o estado com menos negros no país), em que "apenas" 13% do pessoal é negro, deveria haver mais gente de outras raças (sabe onde mais apenas 13% da população é negra? Nos EUA. Mesmo que lá, ao contrário daqui, negros sejam minoria, vemos negros  -- poucos -- em universidades, na mídia, em posições de poder). 
Lembro de um bate-papo que tivemos numa turma pequena de doutorado, só cinco alunas, mais a professora, todas brancas. Acho que era 2006, e naquela época cotas raciais para alunos estavam começando a ser discutidas por gente mais leiga. Como todas éramos de esquerda, e pelo menos a esquerda com quem convivo reconhece o racismo na sociedade, todas éramos a favor das cotas raciais. Pelo menos para alunos. 
Quando passamos a pensar sobre cotas raciais para professores, a coisa não foi tão simples. Afinal, nós éramos, ou seríamos, professoras universitárias. E crescemos sendo doutrinadas por uma ideologia que valoriza, acima de tudo, a meritocracia. A meritocracia nos fazia sentir bem em relação a nós mesmas. Porque a gente aprende a acreditar que chegamos onde chegamos (num doutorado numa excelente universidade pública) porque merecemos, porque demos duro, por nosso esforço e competência. A meritocracia apaga heranças históricas e estipula que as oportunidades são iguais para todos, e que se você não chegou a uma universidade pública, é porque você simplesmente não se esforçou o bastante. Quem acredita nisso só pode acreditar que negros são muito preguiçosos.
Eu e minhas colegas fazíamos o possível pra combater esse pensamento. E concluímos, naquela aula, que éramos a favor de cotas raciais para professores também. E acho que naquele momento nem conhecíamos a porcentagem de professores negros na melhor universidade do Brasil, a USP: 0,2%. Como explicar um número desses? Dizer que negros não querem, não gostam de dar aula? 
Mas é um erro dizer que não tem negros nas universidades. Porque tem, sim. É só olhar pro pessoal de limpeza, da cozinha, pra quem cuida dos gramados. Arrisco dizer que a maior parte é negra. Como explicar a predominância negra nos serviços braçais que pagam muito, muito menos que qualquer outro emprego numa universidade? Dizer que negros gostam de trabalho ao ar livre?
Desde 2010 estou na UFC. Pelas estatísticas, 64% da população do Ceará é negra. Não dá pra acreditar nisso quando se liga a TV, porque aí a gente se sente na Suíça. E definitivamente não é o que se vê nos corredores da universidade. Tenho alguns alunos negros e pardos. Mas no meu departamento de Letras Estrangeiras, somos 45 professores. Apenas um é negro. 
Pra mim, que nunca fui discriminada pela minha cor, é fácil dizer que não existe cor. É fácil dizer que raças não existem. 
Porque, né, pra mim nunca existiram mesmo. E, lógico, é mais fácil ainda dizer que não somos racistas, que não existe racismo -- afinal, eu nunca senti isso na pele. Mas vai falar isso pro meu colega negro, o único professor negro num departamento de 45 pessoas. Vai falar pro meu colega negro que cor não existe, ele que só não é chamado de "negão" num único lugar de sua vida -- na universidade. Em todos os outros lugares que anda, as pessoas se referem a ele como "negão". E aí? Cor não existe? Ué, mas como não existe, se todo mundo percebe a cor do meu colega negro? Como não existe, se definem meu colega negro unicamente pela sua cor?
Não posso (nem quero) falar por pessoas negras, nem pobres, nem homossexuais, nem trans, porque não sou negra, pobre, lésbica ou trans. E creio que pessoas negras, pobres, homossexuais, trans, com necessidades especiais, devem falar por si mesmas, e a mim me cabe ouvir. Eu luto para apontar preconceito e discriminação contra negros, pobres, homossexuais e trans. Escrevo sobre isso, abro espaço no meu blog pra essas vozes, sempre que me procuram. E muitas vezes eu as procuro. Luto para que esses meus privilégios sejam vistos como privilégios, não como mérito. Luto para que esses privilégios que no momento são meus, e sempre foram meus, deixem de ser privilégios e se transformem em direitos para todos. 
Eu quero que pessoas negras sejam vistas iguais às brancas, mas se eu negar a opressão que pessoas negras enfrentam, estarei dizendo que ambos têm os mesmos direitos e oportunidades na sociedade, o que não é verdade. Quero direitos iguais. Mas, ao mesmo tempo, também quero leis que tratem desigualmente os desiguais. E isso não é preconceito -– é enfrentar o preconceito. Defendo cotas raciais para alunos, professores funcionários públicos, porque reconheço que negros não estão presentes nesses espaços, e porque reconheço que eles não têm as mesmas oportunidades que eu tenho para ingressar nesses espaços. Reconheço uma dívida histórica. 
Hoje, dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é uma data de luta, de reivindicações, de comemorar conquistas, de orgulho de ser negrx. Pra quem é brancx, meu caso, deve ser um dia de reflexão, de reconhecer os privilégios que tenho por ser branca, de entender o meu papel de opressão nessa engenharia social, de ler e ouvir pessoas e movimentos negros. Claro que tudo isso não deve ficar restrito a um só dia do ano. 
E pra quem é brancx e está gastando todas suas energias vociferando "Abaixo cotas raciais" e "Orgulho branco" e "Zumbi tinha escravos" e "Eu também sofro racismo porque uma vez na quarta série fui chamado de branquelo" e "Consciência Negra? Que piada!", só um recado: você está sendo racista. Pare e pense no que a sua atitude ajuda a transformar o mundo. Agora feche os olhos e tente imaginar um mundo sem racismo. Não seria um mundo melhor pra todos? 

141 comentários:

Roxy Carmichael disse...

viva zumbi!
as cotas são uma realidade ainda que racistas continuem dando pití, continuem de faniquito, de mimimi.
enquanto isso a cor das universidades vai mudando gradativamente.
once you go black, you never come back!

Helen Pinho disse...

"...porque reconheço que negros não estão presentes nesses espaços, e porque reconheço que eles não têm as mesmas oportunidades que eu tenho para ingressar nesses espaços" perfeito! participei a dias e durante dias de uma discussão a respeito das cotas pra negros em concursos público, não consegui ser tão direta, mas é isso aí. simples assim.

G. disse...

"Brasil, em que mais de 50% da população é negra ou parda".

Lola, negro é uma categoria analítica na qual são considerados os pretos e os pardos, logo, os pardos são negros. O correto seria dizer que mais de 50% da população é negra, incluindo pretos e pardos.

Anônimo disse...

Aqui onde moro, a Associação Comercial conseguiu acabar com o feriado do Dia da Consiência Negra. Agindo assim, assumiram seu racismo, porque são herdeiros dos donatários dos tmpos da escravidão. Essa mesma turma quer, com a tal "flexibilização das leis trabalhistas", acabar com todas as conquistas que os proletários conseguiram através da CLT. Claro, querem a volta da escravidão, e uma das maiores provas disso é a descoberta de trabalho escravo em confecções de roupas de griffe, o caso mais recente é o da M. Officer.
No intervalo do meu trabalho, passei em frente a algumas lojas. Felizmente, vazias, porque boa parte da população, solidária, está fazendo um boicote ao comércio...

Anônimo disse...

Eu sou uma pessoa negra e mesmo sendo a favor das cotas, apesar de que conceito racial ser algo cada vez mais amplo que a própria cor da pele, eu conheço pessoas negras e que também nem se quer são ricas que não apoiam as cotas, sim, também é um erro afirmar que só brancos e ricos são contra as cotas. Eu não fico chamando ninguém de branquelo de forma agressiva ou pejorativa, aliás nunca chamei ninguém de branquelo/a e não acho que o racismo contra negros invalida qualquer situação de contrangimento e agressividade que qualquer pessoa independente da cor da pele sofra. Ao mesmo tempo que vc diz que não pode falar pelos negros ou pobres, sem querer ou sem perceber vc acaba falando por todos os negros também quando faz esses tipos de julgamentos e generalizações.

Anônimo disse...

Grazi

Excelente texto. Certeiro no quesito reflexão. Eu mesma não achava que os negros precisariam dessas cotas, mas porque os negros que me cercavam eram todos bem financeiramente e socialmente. Só quando passei a perceber que estes eram as exceções é que consegui amadurecer e ver que ainda há um grande abismo entre nós.

Grazi

Anônimo disse...

e quanto aos negros que não são a favor de cotas,acham palhaçada esse história de divida histórica e n veem racismo a cada 5 segundos como vcs?

Anônimo disse...

Um texto com visão muito sensata. Minha única observação não é sobre as cotas em si, mas como lidar com elas no presente e no futuro. As cotas (subsídios, incentivos, assistências) são instrumentos importantíssimos para a construção de uma sociedade menos injusta no presente. O problema é utilizá-las como meio político e não como fim social. Por mais que tenhamos ganhos com cotas para alunos, professores, funcionários públicos etc, esse é um ganho efêmero. Pode soar piegas, mas menos holofotes voltam-se à qualidade do ensino público do que para a questão das cotas. O imediatismo é um mal do ser humano, tanto minorias quanto maiorias impregnam-se constantemente dele; e os políticos utilizam-se disso. Reflexos desse imediatismo já são vistos em pesquisas que demonstram a quantidade de cotistas absorvidos pelo mercado de trabalho. A sociedade não se torna mais igual com a presença de cotas, seus efeitos podem até acentuar as desigualdades. Defendo todo e qualquer tipo de cota, assim como todo e qualquer tipo de política assistencialista. Mas essas medidas devem servir para amenizar as desigualdades presentes de olho nas igualdades de possibilidades futuras. Ou seja, projetos de cotas deveriam ter data para término vinculada ao cumprimento de metas pelos governos para a disponibilização de iguais oportunidades a todos. Utópico? Talvez. Mas se queremos lutar por uma sociedade menos desigual, temos que compartilhar ações (e discussões) visando presente e futuro. Enquanto houver o dia da consciência negra, o dia da Mulher, o dia do Índio etc persistirá o preconceito. O fato de haver cotas e dias “comemorativos” é uma conquista, mas aquele que quer o mundo não pode parar diante da conquista da primeira fronteira. Ah... minha pele é o que dizem ser branco, estudei em escolas públicas, faculdade particular e venho de uma família de classe média baixa. Acho que tudo isso permeia minha opinião; assim como acontece com qualquer pessoa, somos seres sociais impregnados pelo meio. Porém, acredito que as boas discussões devem ser repletas de diferenças. Abs, Túlio.

James Hiwatari disse...

Falando em dias de luta e celebração de minorias, hoje também é o Trans Remembrance Day - algo como "Dia da memória Trans". Hoje as comunidades trans de vários lugares do mundo estão fazendo cerimônias para lembrar as vítimas fatais da transfobia nesse último ano.

Uma organização chamada ILGA (International Lesbian and Gay Association), que apesar do nome também trabalha com transgêneros, bisexuais, e outrxs "queers", todo o ano faz um levantamento do número de mortos (e quando possível seus nomes, circunstâncias, etc) durante o ano. Na maioria das vezes esses nomes são lidos nas cerimônias de hoje.

E o Brasil é o líder disparado da lista. Nós conseguimos registrar 95 assassinatos de pessoas trans entre 20 de novembro de 2012 e 31 de outubro de 2013. O segundo colocado na lista é o México, com pouco mais de 20.

O Brasil é o pais que mais mata pessoas trans no mundo. Mais da metade dos assassinatos que ILGA conseguiu coletar aconteceram aí (na internet dá pra ver um google maps com um ponto vermelho para cada caso registrado, vale a pela checar porque dá pra ver onde exatamente no Brasil eles aconteceram e quem eram as vítimas).

Wellington Fernando disse...

Adorei o texto e acrescentaria mais alguns pontos:

1-Cientificamente falando, não existem raças entre os seres humanos. Acontece que socialmente falando, existe não apenas uma distinção entre raças, mas também muito preconceito, segregação e hostilidade conta pessoas que possuem a epiderme mais escura. Portanto, negar a existência de raças no nosso contexto social é uma forma de racismo enrustido.

2-Alguns reacionários afirmam que cotas sociais resolvem o problema do racismo, dispensando assim, as cotas raciais. Acontece que esse argumento é ingênuo e falacioso porque o problema da pobreza é diferente do problema do racismo. Não são apenas negros pobres que sofrem racismo. Negros ricos também sofrem racismo - e muito, diga-se de passagem.

3-As cotas raciais são necessárias para que tenhamos pessoas de todas as cores representadas nas universidades, na política, no mercado de trabalho, nas atividades intelectuais e também dentro da elite econômica. Nós somos um povo que tem uma identidade e uma riqueza cultural própria. Temos que valorizar justamente aquilo que temos de melhor, que é essa nossa diversidade. O Brasil é um país multirracial que precisa da participação igualitária de todos.

4-Já há uma 'Cota eleitoral de gênero', onde cada partido ou coligação é obrigado a reservar pelo menos 30% de vagas para mulheres, por exemplo. Por que o mesmo não ocorre com negros? Sem essa política de cotas, a luta contra o racismo vai ser ainda mais difícil.

Por fim, a necessidade existência de cotas só mostra o quão sério é o problema do racismo no Brasil.

Lucas disse...

Sou contra as cotas e a favor da meritocracia. Não há leis que segreguem as pessoas por raças há muito tempo, e nem há necessidade pra tal. Quem defende essas leis é o verdadeiro racista. A maior parte dos "brancos" é descendente de imigrantes que vieram ao Brasil muito pobres, e foram explorados nas fazendas de café. Ou seja, esses imigrantes eram tão pobres quanto os escravos recém libertos. Então, não há motivo pra todo esse coitadismo, porque a vida é difícil pra todo mundo. Vou deixar um vídeo de um homem muito inteligente, falando desse assunto http://www.youtube.com/watch?v=tNEoIo3XMws

B. disse...

Nem me fale em racismo, que fico com raiva!Uma vez, num almoço familiar, falaram no dia da consciência negra, e alguém retrucou: "Desde quando negro tem consciência?"...Não suporto, fico que não me aguento, mas nunca respondo, porque nas poucas vezes que o fiz, me dei mal...

Cão do Mato disse...

Não consigo entender o porquê de cotas para negros nos concursos públicos. Sou funcionário público e onde trabalho existe uma grande quantidade de funcionários negros. É claro que a esmagadora maioria deles são funcionários que prestaram concursos nos quais se exigia, no máximo, nível médio. Os melhores salários são pagos para aqueles que têm nível superior. Se as cotas nas universidades já estão se encarregando de resolver esse problema, para quê cotas nos concursos, então?

Luiza Maria disse...

Oi, salve o Dia da Consciência Negra! Estamos todos juntos nessa luta pela vida, pela Paz. Sou branca, mas gostaria de que esse dia fosse universalizado.
Sugestão:
Dia do "Eu Sou Quem Sou".
Com isso quero dizer que separatividade já diz tudo: não soma, diminui porque divide, separa. Negro, branco, amarelo?
O que importa realmente é: Quem sou e o que faço para que a vida em sociedade seja melhor?
O Dia da Consciência Negra é também o Dia da Consciência branca, amarela, etc.
Somos iguais, temos as mesmas necessidades básicas, os mesmos ideais de alcançar a felicidade.
De mim para comigo digo: Dia 20 de novembro é mais um dia para analisarmos a própria consciência.
Um abraço universal e um beijo de Paz a todos da raça humana.

Luiza (índia do Brasil)

Anônimo disse...

E o que é que tem de errado em dizer que Zumbi tinha escravos? É verdade.

Carolina MM disse...

Anon 14:04 (Tulio):
"Ou seja, projetos de cotas deveriam ter data para término vinculada ao cumprimento de metas pelos governos para a disponibilização de iguais oportunidades a todos. Utópico? Talvez."

Achei sua colocação muito boa. Sou a favor de cotas também, mas creio que podem ser utilizadas como articulação política para angariar votos. Acho que nada é utópico quando está se lutando por direitos de minorias, tudo é difícil mas não impossível!! Acho pouco nos conformarmos com uma data comemorativa, com as cotas ou qualquer outra medida emergencial.

Cão do Mato disse...

Os negros ricos sofrem preconceito (muitas vezes dos próprios negros) justamente porque são a exceção da exceção no universo dos mais abastados. As cotas sociais resolvem o principal entrava para os negros ascenderem na vida: a falta de qualificação. Quem acha que cotas sociais não resolvem o problema do racismo é revanchista étnico: na impossibilidade de "punir" a verdadeira elite branca, que está no Olimpo da sociedade e não precisa de cota para nada, atacam os brancos pobres combatendo as cotas sociais.

Licca disse...

"A maior parte dos "brancos" é descendente de imigrantes que vieram ao Brasil muito pobres, e foram explorados nas fazendas de café. Ou seja, esses imigrantes eram tão pobres quanto os escravos recém libertos."

Criatura, não prestou atenção nas aulas de História?!
Você acha mesmo que os séculos de escravidão negra foram iguais as de poucas décadas do imigrantes??
Você realmente acredita que imigrantes europeus e asiáticos foram acorrentados, vendidos, chicoteados em troncos, tratados como mercadoria e objeto fazendo-os perder quase que por total a sua cultura por séculos como os negros?!
Você acha que só pelo fato do imigrante ser pobre, ele era visto como um ser inferior ao branco rico do mesmo jeito que viam o negro?
Poupe-me da sua burrice.

Patty Kirsche disse...

Eu tenho alguns amigos e amigas de direita porque estudei em escola de rico quando criança. Fico impressionada com a "invisibilidade" da segregação racial para esse pessoal, não tenho paciência. Eu fico cansada com essa gente que não entende sociedade.

Recentemente, eu estava discutindo a questão das cotas com um colega da pós e escutei cada barbaridade... Ele veio com aquele papo de que a namorada dele tem pele branca, mas é descendente de negros. Eu expliquei a ele que o preconceito se manifesta pela cor da pele, já que PM sempre sabe quem é negro. Aí ele foi se vendo sem argumento e começou a dizer que então precisaríamos de cotas pra nordestinos e bolivianos...

Anônimo disse...

Uma ideia que eu acho interessante, falando de cotas para profissionais é que, além ajudarem a diminuir o racismo só pelo fato de incluir negros, elas também fazem bem e inovam o ramo onde essas pessoas estão indo. Pois, se os professores universitários são brancos, constroem uma universidade a partir de seu lugar de pessoas brancas e fazendo isso estão perdendo as diversas outras perspectivas de crescimento possíveis.

Anônimo disse...

Mas é sério. As cotas estão sendo usadas para a articulação política, como uma forma de o governo falar que "luta" pela igualdade, sem investir um centavo sequer em políticas que realmente trariam igualdade.

Cotas são um bom recurso para acelerar o processo enquanto o resultado das verdadeiras políticas pública não aparece. Políticas como conscientização e combate ao racismo em vários meios sociais, investimento para dar qualidade à educação pública de base, enfrentamento criminal ao racismo (com a frequência obrigatória em cursos de conscientização em casos leves e cadeia nos graves), etc.

Mas parece que a cota em si virou a política pública. E ela, sozinha (sem a companhia, por exemplo de campanhas de conscientização esclarecendo que cotistas estão lá por merecimento e não favor), gera mais preconceito.

Lígia disse...

anônimo das 13:50...

Você é um desses negros? Ou é branco e está falando por eles?

Aline disse...

Brigada por mais um texto de reflexão, Lola. Não tinha ouvido nada sobre isso hoje, além das vozes na minha cabeça. Bom te ver compartilhando isso.

Joana disse...

"eu conheço pessoas negras e que também nem se quer são ricas que não apoiam as cotas, sim, também é um erro afirmar que só brancos e ricos são contra as cotas..."

Esse é o tipo de atitude de quem de tanto sofrer o racismo na pele tenta se "aliar" ao opressor repetindo o seu discurso, assim espera ser menos rechaçado, menos desprezado. É o mesmo caso das mulheres que fazem o slut shaming para serem "bem vistas" pelos machistas. É só ver como o Morgan Freeman é ovacionado pelos racistas...

E sobre as cotas, toda essa história do mérito, vocês sabiam que para ter direito as cotas é preciso ser aprovado no concurso/vestibular? Tem que tirar nota superior a nota de corte? Porque pelos comentários de alguns parece que é só chegar e ter direito as cotas.

E Maria Luiza, nós já temos 364 dias de consciência humana onde os negros são esquecidos, somos iguais mas somos tratados de maneiras diferentes, dependendo da cor da nossa pele. Acho que sua intenção é boa, mas é fácil uma branca que nunca sofreu racismo achar que falar sobre isso é bobagem, melhor deixar pra lá. Bem pra lá.

Joana

Anônimo disse...

Sempre fui muito sensível às questões do machismo, mas não tanto em relação ao racismo ( sou branca né?)Tenho me exercitado da seguinte maneira:num texto sobre machisto substituto pelo racismo e vice-versa.Funcionando bem!

Anônimo disse...

Maria Luiza, todo santo dia é dia da consciência branca, por favor né!

sofia disse...

Biologicamente, não existem raças na espécie humana. Mas criamos raças no âmbito social. Existe racismo sim, e o Brasil é um país bem racista. Mas continuo achando que as cotas raciais reafirmam o racismo criado e difundido no Brasil desde o tempo colonial. Não é medo de perder privilégios, nem reacionarismo. Eu só que acho a ideia das cotas contraditória. Afirmar a existência de raças para promover a igualdade? E como definir quem é negro e quem não é? Qual a fronteira entre o pardo e o negro? Afinal, os pardos não entram nas cotas... E como saber quem é pardo e quem é branco? E existe uma certa indecisão/dificuldade por parte dos brasileiros em se definirem racialmente(ainda bem, pois isso indica que a nossa segregação não é absoluta- pelo menos, há miscigenação). Não obstante o racismo (pois os racistas sempre "sabem" a raça de alguém), muita gente ainda não sabe se é negro ou pardo. E muita gente não sabe se é branco ou pardo. São três cores( além de indígena e amarelo) presentes no censo do IBGE que limitam a nossa sociedade miscigenada.
Existe aquele caso dos gêmeos que tentaram entrar na UNB pelas cotas e um foi considerado negro e outro não. Este é um problema real da política das cotas: como definir a "raça" de alguém, ainda mais quando o objetivo é combater o racismo)?
Eu tenho uma tese da UNICAMP aqui no computador (não sei colocar como link,senão eu colocava) muito interessante,chama-se "Cota Racial e Estado Abolição do Racismo Direitos ou Raças". Ela fala sobre essa questão: como combater o racismo com as cotas se estas institucionalizam a noção de raça?
Aqui um trecho bom:
"É verdade, o fantasma de Gilberto Freyre anda perigosamente às soltas a
infernizar as vidas daqueles que só conseguem discernir preto e branco entre as
muitas cores com que a população brasileira insiste em se colorir. Acastanhada,
agalegada, alva-escura, azul-marinho, bem-clara, bem-morena, branca-queimada,
cor-de-café, cor-de-canela, cor-de-rosa, cor-firma, jambo, laranja, melada, meiomorena,
morena-bem-chegada, rosa, roxa, sarará, trigueira, verde... estas são algumas
das cores saborosas com que se tingiram os entrevistados da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios – PNAD – , realizada pelo IBGE em 1976. Não há
como não admirar (e aplaudir) esta demonstração de bom humor e de irreverência
em relação à racialização, que perguntas sobre a “identidade de cor” cobram a cada
passo, mesmo que na forma suave de auto-atribuição. Ao final, compilada uma
longa lista de 135 cores e diante de uma tal engenhosidade popular, os pesquisadores
viram-se às voltas com o seguinte problema: ou desistiam simplesmente da
variável cor, ou restringiam as possibilidades imaginativas dos entrevistados, designando
um conjunto de opções para a variável “cor”. Concluiu-se, assim, pela imposição
de um quadro fechado de termos racializadores, capazes de podar pela raiz a
ambigüidade das respostas livres e criativas da população. Sem isso, não haveria
condições para desenvolver estatísticas precisas e seguras... A partir daí, decidiu-se
que o brasileiro a ser recenseado pode ter apenas cinco cores: branca, parda, negra,
indígena, amarela"

@dddrocha disse...

O racismo está por toda parte. O tempo todo.
Ao invés de refletir, alguns comentaristas preferem defender que ele não existe.

sofia disse...

Aliás, sou a favor de cotas socias, e não das cotas raciais. Dizer isso é clichê, mas acho razoável. Em uma turma de escola pública, há pessoas com várias cores de peles- e capacidades intelectuais semelhantes que, obviamente, não se definem pela cor da pele. Estas pessoas terão direitos às cotas sociais. Mas as que serão consideradas negras (ou afrodescendentes, pois em algumas faculdades/concursos é preciso comprovar a descendência negra, e não o fenótipo negro) ganharão "bônus". Quão estranho é isso? Afirmar a desigualdade para promover igualdade?
Sim, provavelmente os indivíduos negros sofreram e sofrerão mais discriminação. Quanto mais escura a pele, maior é a discriminação- é essa a lógica do racismo aqui. Eu entendo que as cotas buscam combater isso. Mas se o contexto socio-econômico é o mesmo, as pessoas têm a mesma chance, saem do mesmo ponto de partida, independente da cor da pele. Um menino negro e pobre provavelmente já sofreu mais xingamentos e preconceito do que um branco e pobre, mas o quanto isso vai interferir na capacidade dele de passar em um vestibular/concurso? O quanto isso vai o colocar numa posição diferente do menino branco, no que diz respeito ao ingresso em uma faculdade, à sua capacidade intelectual? Os traumas psicológicos são grandes, mas quem tem aí uma estimativa de que, em escolas públicas, negros têm um desempenho escolar inferior?
Este artigo fala sobre o desempenho escolar de crianças de uma escola, relacionando-o com a auto-denominação que elas dão a sua cor e a denominação dada pelas professoras. Há discrepâncias entre as classificações, e percebe-se também que há maior desigualdade nos desempenhos escolares quando baseia-se na classificação racial das professoras do que na dos alunos. Ou seja, as professoras tinham a tendência de considerar uma criança negra quando ela apresentava problemas de comportamento, quando esta mesma criança se classificava como parda. Ou seja, a relação entre mau desempenho escolar e cor da pele estava mais na cabeça das professoras do que na realidade...
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n28/a07n28.pdf
Enfim, a questão do racismo é bem mais complexa... As políticas afirmativas raciais simplificam/polarizam/contradizem a discussão. Vamos lutar contra o racismo, sim. Mas cotas não são o melhor caminho, eu acho. Cotas sociais, inclusão social, educação, conscientização, valorização da história e da cultura afro-brasileira- estes são caminhos melhores.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

São textos como esses que mostram a pessoa maravilhosa e admirável que você é, Lola.
Abraços.

Anônimo disse...

Não é mais justo uma cota aos pobres ao invés de ser uma cota aos negros?

Anônimo disse...

Por quê entram menos negros na universidade? Não é por eles serem menos inteligentes, claro, e sim por, em média, terem uma escolaridade pior. E por quê? Por negros serem (novamente, em média) mais pobres. Se o problema é a pobreza, porque apenas não criar uma cota para alunos de famílias de baixa renda?

Ainda assim, seria apenas uma forma do governo disfarçar a grande porcaria que está o ensino público no país. Se nossas escolas públicas fossem de qualidade, não haveria necessidade de nada disso.

As pessoas que corrigem as provas do vestibular não tinham acesso a raça dos participantes. Não era uma questão de racismo, e sim de escolaridade.

Leandro disse...

"Leandro, a concepção que entende que ninguém usufrui dos direitos ilimitadamente. E vê nos direitos de não-discriminação, o coração da defesa da igualdade humana.

Ninguém pode ser igual, se pode ser discriminado. Então vedar discriminação é uma exigência da igualdade, pressuposto de todo governo democrático."


Prezada Marcia Baratto. Já que você defende o "direito de não-discriminação", se você for uma pessoa lógica, você deve ser uma bissexual e uma poliamorista. Se você for heterossexual, você desprezivelmente discrimina nada menos que metade da humanidade como indigna de ser sua parceira de cama/sexo/casamento: ou seja, todas os outras mulheres. Se você for lésbica, então evita manter relações amorosas com qualquer tipo de homem — de novo, está discriminando metade da humanidade. Portanto, somente se vc for bissexual, estará livre de tal acusação. Portanto, somente se vc for bissexual, vc está sendo coerente e é totalmente inocente de incorrer em qualquer discriminação desse tipo. Bissexualidade é a única orientação sexual decente em todo o espectro sexual: são os únicos que se abstêm de incorrer em prática tão abjeta.
Mesmo assim, o bissexual também faz comparações individuais baseadas em beleza, idade, senso de humor. Então, se você realmente se opõe à discriminação de questões referentes ao sexo e ao amor, então tem que praticar também o poliamor. Então, tem que se relacionar com gordos(as), magros(as), negros(as), mestiços(as), brancos(as), altos(as), baixinhos(as), loiros(as), ruivos(as), enfim, aplicar a tal "diversidade" no amor. Logo, se vc realmente se opõe à discriminação, então todos nós devemos ser obrigados a abraçar a bissexualidade compulsória e o poliamor compulsório. Pois, se não o fizermos voluntariamente, a implicação lógica é que devemos ser forçados a fazê-lo. Afinal, recusar-se a aceitar essa conclusão significa aprovar não apenas tacitamente, mas também ativamente, práticas discriminatórias — certamente uma das piores coisas dentro do arsenal do politicamente correto.


"Nenhuma liberdade de expressão pode ferir o direito de outro. Por que direitos precisam coexistir."

Não entendí qual o seu ponto. Quer dizer que se você fala algo que eu não concordo, você está o meu direito? Mas qual direito? Se eu falar algo que você não concorda, você está ferindo, eu estou ferindo o seu direito? A liberdade de expressão é um direito. Você não está agreindo ninguém, está apenas expressando suas idéias. Censura que fere direitos.

Leandro disse...

"Assim como você tem direito a expressar sua sexualidade, inclusive em restaurantes e shoppings"

Não. Eu não tenho o direito de "expressar" a minha sexualidade em qualquer lugar. Restaurantes e shoppings são propriedade privada. Como eu já disse, Propriedade privada, REGRAS PRIVADAS. Então, eu não posso beijar, abraçar e acariciar a minha namorada em uma propriedade que proibe isso.

Ademais, o que significa isso de expressar a sexualidade? Por exemplo, masturbação é um ato de "expressar a sexualidade". Eu tenho o "direito" de me masturbar em qualquer lugar?


"(que diferente de um corpo, não tem mente, nem alma, são lugares de convívio e quando se trata de convívio, a regra é a tolerância, ninguém pode excluir ninguém)"

Um restaurante não é muito diferente do corpo. Assim como ninguém pode determinar com qualquer você pode se relacionar sexualmente, ninguém pode determinar quem pode entrar ou não na propriedade dos outros.

E já que você acha que ninguém pode excluir ninguém, então não selecione amigas(os). Aceite qualquer um como amigo. Caso contrário, estará excluindo alguém da sua amizade. Se você não aceitar a amizade de um chato, você está excluindo.

Como você pode ver, discriminamos o tempo todo. Discriminamos quando selecionamos as nossas amizades, discriminamos quando selecionamos alguém para se relacionar sexual/amorosamente...


"Sua opinião deixa de ser o exercício legítimo de um direito quando nega o mesmo exercício para outra pessoas. Manter a sua opinião válida no meio público: não gosto de gays, eles não podem se beijar, é negar a eles uma liberdade que os héteros desfrutam."

No meio público é outra história. Ninguém pode proibir ninguém, pois o próprio nome já diz: propriedade pública. Ninguém é dono, portanto, ninguém pode estabelecer regras. Me refiro à propriedade privada.


"Sobre o casamento gay: NENHUMA IGREJA SERÁ OBRIGADA A FAZÊ-LO. O Estado não regula a crença religiosa (o contrário não é verdadeiro), se trata de permitir o casamento civil, aquele que está no código civil."

Se a PLC 122 for aprovada, as igrejas serão obrigar a celebrar casamentos de gays. Veja bem: a PLC 122 criminaliza a tal "homofobia". Se a Igreja se recusa a celebrar casamento gay será considerado "discriminação homofóbica". Portanto, será obrigada a celebrar casamento gay.

Anônimo disse...

Lola eu sou branca bem branca e sempre fui uma pessoa do bem sabe como é? não sou racista e mesmo com minhas limitações sempre procurei lutar pelo que é certo, mas seu blog me fez ver que eu não posso me acomodar, tipo, ah eu sou gente boa, não sou racista então nada disso me afeta, eu vivo em constante auto analise agora, será que ainda não tem resquícios em mim?
Dia desses me peguei pensando em algo que seu blog fala muito que é sobre uma pessoa branca querer protagonizar a luta negra, em um determinado momento me vi julgando a forma de pensar de uma amiga negra que é ativista, imediatamente me veio um estalo epaa!! eu não tenho o direito de julgar só quem vive na pele é que sabe, a mim cabe apenas apoiar, mas querer mudar os rumos da luta negra jamais. Obrigada por me proporcionar este aprofundamento critico Lola.

Izabel

Anônimo disse...

"A maior parte dos "brancos" é descendente de imigrantes que vieram ao Brasil muito pobres, e foram explorados nas fazendas de café. Ou seja, esses imigrantes eram tão pobres quanto os escravos recém libertos."

Escravos não eram simplesmente pobres. Eram mercadoria, propriedade, não eram ser humano. Isso durou mais de 3 séculos.
Os imigrantes, que vieram para cá durante 3 décadas, eram pobres e explorados, mas eram considerados superior, disciplinados, trabalhadores. Vieram para cá cumprir uma política de branqueamento, vieram melhorar o Brasil.
Não consegue entender a diferença nos dois discursos?

Quem são os descendentes desses imigrantes? O loiro do sul, o branquinho paulista. Você realmente acha que essas pessoas sofrem preconceito?
Por favor, não seja patético.
Pobre sofre com certeza, sofre por ser pobre em uma sociedade que valoriza o dinheiro acima de todas as coisas. Mas se for pobre e negro sofrerá duplamente, sofrerá por ser pobre e por ser negro. Se for pobre, negro e mulher, acrescente mais VÁRIOS outros obstáculos na lista da pessoa.
Se você não consegue entender isso, se não vê isso no mundo que te rodeia, então desista. Você é realmente um tapado.

Aninha disse...

Na primeira série um colega (branco) falou que eu era leite azedo - também sou uma vítima do preconceito

mimimi

Como esse discurso me estressa, gente

Anônimo disse...

lígia


eu sou branco mas já ouvi de alguns negrod que eles n são a favor de cotas e nem dessa tal divida historica e eu respeito a opinião deles ao contrario de vcs.
um ex claro é a resposta da joana,praticamente dizendo o que negros devem pensar.

contradição é com vcs mesmo,eu n poderia falar isso pq sou branco mas vcs acham que falam em nome de todos os negros,(só os q concordam com vcs) e com certeza tem varias pessoas brancas aqui.

Anônimo disse...

"Assim como você tem direito a expressar sua sexualidade, inclusive em restaurantes e shoppings"

para vcs o mundo é uma orgia? todos podem transar onde tiver vontade e na frente de quem for?
deprimente.

Nane disse...

O pobre branco está desfavorecido por sua classe social. O pobre preto por sua classe e COR.

Anônimo disse...

Sabe o que dá uma preguicinha? Galera cínica que fica postando "mas não seriam melhores as cotas sociais?". Cínica sim, pois cotas sociais já existem, e, ano passado infelizmente deu pra ratificar uma previsão que eu já tinha, sobre esse mimimi: que esse discurso é pra tergiversar sobre qualquer cota, na verdade. Quem não lembra destas manifestações horrorosas dos estudantes de escolas particulares de classe média no ano passado. Dava náuseas. E falando mal das cotas sociais. Então, sem gracinhas, por favor.

M.

Anônimo disse...

"Vamos continuar sonhando com um mundo melhor"... Sou cidadã já cansada de discursos...

Luiz disse...

Sou judeu e portanto simpático idéia atos simbólicos em datas para marcar eventos importantes, desde que não adote feriados para isso. Lembro me de quando vivia em Israel o país parava por 2 minutos as 10 horas da manhã para lembrar a morte dos judeus vitimas de perseguição no dia da recordação do holocausto. Acho salutar que se tenha o dia para recordar dos negros vítimas da escravidão. Não vejo muito sentido em dia da consciência negra ou consciência judaica. O que seria isso?

Vamos as cotas. Caso você considere que quem se opõe as cotas só o faz por racismo, só há duas alternativas possíveis para o seu caso; Ou você é ignorante ou age de má fé. Nenhum anti-cotas é racistas mas todo cotista é obrigatoriamente racista. Duvida? Vamos ao dicionário.

"O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias e que usa estas características para definir as suas escolhas políticas e para a vida em sociedade. Idéias racialistas foram usadas para justificar o nazismo contra os judeus, o apartheid contra negros na Africa do Sul e a escravidão nas Américas".

Hum vamos refletir. Uma pessoa que se opõe as cotas se opõe a entrada de negros ou judeus nas Universidades? Não, apenas exige que seja aprovado para ocupar as vagas aqueles que fizeram os melhores testes avaliativos tendo como parâmetro o nível de conhecimento. Pode-se dizer cobras e lagartos do vestibular (O antigo) menos que ele tinha um viés racista ou sexista. Universidade no passado não era um local frequentado por mulheres simplesmente porque eram impedidas de irem para lá. Ou seja, a universidade do passado tinha um sistema de cota para homens. Hoje, segundo o senso universitário as mulheres são 65% dos estudantes universitários apesar de serem 50,5% da população. Precisou de alguma cota para incluir mulheres no ensino? Não, bastou a suspensão da lei cotista que as impedia de entrar. O resto foi competência das mulheres. Uma lei que instituísse cotas para homens nas universidades ou nos salões de beleza, dois locais onde homens são minorias atualmente, seria estúpida e ignorante. Olhando com cuidado a definição de racismo, percebemos que um cotista é bem mais racista que um opositor das cotas. Existe pessoas que são contra entrada de negros nas Universidade? Acredito que sim, mas esses acham que a Universidade tem que ser uma cota só de brancos. A sua maneira quem pensa assim continua sendo um cotista. Hitler achava que a Alemanha era um país pertencente a cota dos arianos. Hum, mas porque os cotistas acusam os anti cotas de racismo? Leia o ótimo livro do filósofo Artur Schopenhauer que entenderás. O título do livro é auto explicativo; "Como ganhar um discurso sem precisar ter razão".

Outra questão. O Brasil é um país racista? O Brasil, como no resto do mundo, tem um passado racista e preconceituoso. Isso ainda reflete em nosso cotidiano mas vem reduzindo de maneira muito significativa. A constituição de 1988 garantiu a plena igualdade legal de direitos. Tem uma parte desta ex constituição que eu gostava muito. Era a parte que dizia que todo cidadão nato ou estrangeiro que vivesse no Brasil tinha os mesmos direitos perante a lei e frente ao Estado e que o critério racial, sexual e religioso não seria usado para excluir nem incluir nenhum cidadão nas autarquias do estado. Competência, conhecimento e mérito derivados do esforço pessoal seria o único balizador das diferenças entre os brasileiros. A lei das cotas mancha o nosso avanço mais significativo como nação. Ela nos torna diferentes perante o Estado. Como era no passado.

Luiz disse...

Mas falo da experiência de quem viveu em outros países e visitou outros tantos. Somos ainda bem menos racistas que outras nações. Pode acreditar. Apesar do esforço para oficialização do racismo por certas minorias militantes (minorias no sentido de serem muito poucos) em nossas leis ao longo da história.

Sucesso econômico garante o fim do racismo? Ledo engano. Judeus na Europa eram bem sucedidos comerciantes, profissionais liberais, professores, médicos e industriais. Hitler usa como argumento para justificar a crise na Europa a ganância judaica por estar roubando o dinheiro dos alemães e gerando carestia e desemprego (Até parece discurso esquerdista Uspiano) para criar um clima hostil para a população judaica. Ainda hoje judeus são bem sucedidos profissionais nos países onde vivem, entretanto o anti-semitismo continua ai, firme e forte. Então está defendendo que os negros continuem pobres. Eu não que gosta de pobreza é intelectual de esquerda. Pobres e liberal conservatives como eu querem é ver todos saírem da pobreza.

Como explicar o número de negros pobres? Acho que a pobreza tem uma origem no passado escravista mas os negros não são os únicos pobres. Qualquer cidadão pobre tem imensa dificuldade de ter mobilidade profissional independente da cor da pele. Em meu ponto de vista isso decorre da da péssima qualidade do ensino público básico. Meus bisavós judeus perderam todos os bens materiais que tinham, mas no entanto, reconstruíram tudo por aqui. Minha bisávo disse que desembarcou no Brasil apenas com a roupa do corpo e reconstruiu um patrimônio que a colocava na classe média alta. Como se deu este milagre. Sólida formação acadêmica. A própria condição de perseguido fez os judeus desenvolverem a noção de que conhecimento é a única coisa que nunca poderão nos tomar. Isso explica o porque dos judeus ganharem 20% dos prêmios nobel sendo apenas 1% da população mundial.

Como tirar os pobres da pobreza, seja eles negros, brancos ou torcedores da Ponte Preta? Investindo em educação pública de qualidade porque os principais clientes da escolas públicas é quem não pode pagar uma particular de qualidade. Portanto os pobres. Só se adotou as cotas porque cotistas tinham um desempenho acadêmico pior que não cotistas justamente por terem menos conhecimento. O cotista pode até ser competente mas lhe falta conhecimento. Quando a matéria em estudo envolve formação de conhecimento horizontal (Filosofia, Letras, Direito) a bagagem de conhecimento costuma ter um peso menor, mas quando entramos para a seara das ciências exatas a coisa complica. Alguém que não tem a mais vaga ideia do que é lei de Ohm jamais resolverá um problema com circuitos de Kirchoff. Prova disso é que a maior diferença de desempenho entre cotistas e não cotistas é nas ciências exatas e naturais. Ponte mal feita sempre cai. Engenheiro que não tem conhecimento e competência sempre fará uma ponte que irá desabar. Não há ideologia que dê jeito nisso por mais que alguns cotistas tentem o oposto.

Luiz disse...

Como fazer uma escola pública de qualidade?

Primeiro. Demita os professores incompetentes.

Segundo. Pague bem os professores competentes e cobre resultados depois. Professor de matemática competente é aquele que ensina os alunos o que é seno e cosseno, ou o de português que ensina a gramática corretamente. Um bom engenheiro, que no mercado ganhará um bom salário, precisará aplicar os conceitos de trigonometria no seu dia a dia.

Terceiro. Faça uma readequação dos princípios da escola. Papel da escola é prioritariamente transmitir conhecimento e depois educar. O trabalho dos pais é primeiro educar e depois auxiliar a escola na transmissão de conhecimento. Institua provas e testes regulares para medir o nível de aprendizado. Estimule os alunos a desenvolver soluções criativas para problemas reais ligados a biologia, química e física. Não demonize as ciências. Ensine os a ler os clássicos da literatura mundial. Apresente-os e peçam para ler "O Capital" de Marx mas não esqueça de recomendar que leia Adam Smith e Tocquevile. Alguém que apresenta só um ponto de vista quase sempre é um doutrinador, nunca um professor.
Temos solução? Quando eu vejo trogloditas invadirem um centro de pesquisa como o Instituto Royal em SP e atrasar pesquisas sobre o câncer em 20 anos e sinto que estamos mais próximos da idade média com seus inquisidores.

Roxy Carmichael disse...

"liberal conservatives como eu"
AAAAAAAAAAahahahahahahahah
não precisava nem dizer isso luizzzzzzzzzzzzzzzzz (ops, acordei aqui, só ler seu nome já me dá um soninhooooo)
"lá em israel isso, lá em israel aquilo". amigo, israel tá muito longe e só aparece no meu pensamento associado à indignação contra essa política esc*ota desse país)
todos seus comentarios expelem pelos poros essa ideologia que nada mais é do que a LEGITIMAÇÃO da desigualdade social. mas como eu disse no primeiro comentário dessa caixa
racistas:
podem espernear! podem dar pití! podem ficar de faniquito! o fato meus caros é que as cotas JÁ são uma REALIDADE! leiam o que Kabengele Munanga tem a dizer e não passem vergonha sendo uma versão mal ajambrada do BURRO do demetrio magnoli.
VIVA ZUMBI! TODOS OS PANTERAS NEGRAS!

Roxy Carmichael disse...

pra fofa desatualizada que ainda tá usando o exemplo dos gemeos da unb:

"Os erros humanos, quando são detectados, devem ser corrigidos pelos próprios humanos, como o foi no caso dos estudantes gêmeos da UnB"

pra quem tá com dificuldade de identificar quem é negro:

"Lembremo-nos de que no início dos debates sobre as cotas colocava-se a dificuldade de definir quem é negro no Brasil por causa da mestiçagem. Falsa dificuldade, porque a própria existência da discriminação racial antinegro é prova de que não é impossível identificá-lo. Senão, o policial de Guarulhos não teria assassinado o jovem dentista identificado como negro pelo cidadão branco assaltado, e os zeladores de todos os prédios do Brasil não teriam facilidade para orientar os visitantes negros a usar os elevadores de serviço. Por sua vez, as raras mulheres negras moradoras dos bairros de classe média não seriam constantemente convidadas pelas mulheres brancas, quando se encontram nos elevadores, para trabalhar como domésticas em suas casas."

pro luiz que insiste em insultar a minha inteligencia com esse comentário PATÉTICO sobre as mulheres. PRIMEIRO: "mulheres" não é um bloco homogeneo. é exatamente por conta disso que existe dissidências no feminismo. especialmente entre o feminismo branco e o feminismo pós-colonial, feminismo negro. mas falemos do único grupo de mulheres que vc parece se importar, talvez se importar seja exagero, melhor é: que vc tem no seu radar (as mulheres brancas) MA OE, diria o silvinho santos: cê NUNCA ouviu falar que em VÁRIOS países tem cotas pras mulheres nos partidos políticos e nos parlamentos? cê NUNCA ouviu falar na política de cotas de cargos diretivos para mulheres nas empresas públicas e PRIVADAS (pode chorar dear liberal conservative) instituída pela noruega que aliás é MODELO pro mundo TODO? como é aquele papo aranha de "bastou a suspensão da lei cotista (atestado de desonestidade esse seu uso da expressão cotas, hein meu filho, vou te contar) que as impedia de entrar. O resto foi competência das mulheres" mesmo??????????
olha aí, dever de casa que vc não fez (só pra variar): http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/09/120919_cotas_mulheres_ru.shtml

ps. e luizinho meu caro: não. o nazismo não foi a maior tragédia da história da humanidade. sinto te informar. pare de nos entediar com isso.

e pra finalizar mais uma do MESTRE

"Defendemos as cotas em busca da igualdade entre todos os brasileiros, brancos, índios e negros, como medidas corretivas às perdas acumuladas durante gerações e como políticas de inclusão numa sociedade onde as práticas racistas cotidianas presentes no sistema educativo e nas instituições aprofundam cada vez mais a fratura social. Cerca de 70 universidades públicas estaduais e federais que aderiram à política de cotas sem esperar a Lei ainda em tramitação no Senado entenderam a importância e a urgência dessa política. Acontece que essas universidades não são dirigidas por negros, mas por compatriotas brancos que entendem que não se trata do problema do negro, mas sim do problema da sociedade, do seu problema como cidadão brasileiro. Podemos dizer que todos esses brancos no comando das universidades querem também racializar o Brasil, suprimir os mestiços e incentivar os conflitos raciais? Afinal, podemos localizar os linchamentos e massacres raciais nos Estados onde se encontram as sedes das universidades que aderiram às cotas? Tudo não passa de fabulações dos que gostariam de manter o status quo e que inventam argumentos que horrorizam a sociedade. Quem está ganhando com as cotas? Apenas os alunos negros ou a sociedade como um todo? Quem ingressou através das cotas? Apenas os alunos negros e indígenas ou entraram também estudantes brancos da escola pública?"

kabengele munanga

mais genialidades dele aqui: http://www.geledes.org.br/em-debate/colunistas/1517-kabengele-munanga-responde-a-demetrio-magnoli

Anônimo disse...

Mais alguém aqui tem vontade de vomitar quando lê que "consciência negra q nada, a consciência tem que ser humana"?

Muito parecido com o discurso de "eu não sou feminista, sou humanista".

A ignorância da esquiva, nos dois casos, me parece bastante reveladora sobre o caráter de quem apregoa tais coisas.

Roxy Carmichael disse...

leandro anda mais perdido que cego em tiroteio. aliás, leandro, vc já aprendeu como funciona a pílula anticoncepcional? eu nunca mais conseguirei levar um comentário seu à sério depois da sua sugestão de que mulher só precisa tomar pílula no dia que for transar!olha aí luiz, mais um liberal conservative (ahahahahaha) "intelijente" pro grupinho.

luiza:
que tal instituir o dia 3 de abril ou 7 de agosto como o dia da boberice new age? porque assim, o dia 20 de novembro é uma homenagem ao ZUMBI. vc ía sugerir que o dia de tiradentes fosse substituído pelo dia do "entre duendes e fadas, a terra encanada espera por nós"?

Anônimo disse...

Sou negra, e meu marido foi aprovado para um concurso do Ministério Público. Os aprovados criaram um grupo no face, para trocar idéias... esses dias, um dos integrantes levantou a questão das cotas em concursos, e o que sucedeu foi uma saraivada de comentários racistas e falácias que visam manter o statuos quo. Apelaram até para a velha frase do Morgan Freeman- uma completa falta de argumentos.

Preciso ressaltar: era um concurso para o MINISTÉRIO PÚBLICO. E, pela dificuldade das provas, imaginei que ali estivesse a fina flor intelectual do nosso país. Ledo engano.

Juro que, quando vi aquele post, pensei em me matar. É duro você passar a vida sofrendo discriminação e perceber, de repente, que não tem a quem recorrer. Temos uma CDHM podre, o Ministério Público está todo contaminado e as pessoas se recusam a questionar seus privilégios, tentar corrigir desigualdades. Já me preparei para recorrer a organismos internacionais, caso eu precise.

Ms.Minna disse...

Luiz muito inteligente as suas colocações. Concordo em tudo. Depois de muitos anos, voltei a estudar uma segunda faculdade e estou abismada como decaiu o ensino. Claro, porque ao invés de melhorarem o ensino decidiram que era mais fácil que os alunos fossem aprovando, depois instauraram as cotas e pronto...
Quando digo que a solução nao sao cotas e sim melhorar o ensino publico para todos, sou chamada de racista e elitista, como assim elitista? Se estou defendendo melhora do ensino publico para todos? Mais: onde vivo no Sul do pais, existe muita gente branquinha vivendo nas favelas. Entao porque cotas para negros? Sendo que boa parte desses branquinhas (alias mais brancos que negros) vivem em situação de pobreza?
Mais: consciência negra aclamando zumbi que foi um escravagista? Bizarro...
E já que vamos fazer feriado porque nao fazemos tb no dia do índio por exemplo? E porque feriado? Eu acho que nao se deve ser feriado nem em dia da mulher, consciência negra, índio opa.. Dia da mulher e do índio nao sao mesmo.....

Paula disse...

concordo com vc, Luiz (exceto a parte do Instututo Royal, mas isso nao vem ao caso)

o que o pessoal nao entende, eh que a classe media quer SIM que as pessoas pobres melhorem de vida...

tanto que quem foi pras ruas em julho desse ano pedia por saude e educacao publica de qualidade, mesmo a aioris dos manifestante sendo de classia media com convenio e colegio particular..

mas nao falo pq a classe media eh caridosa, mas sim pq a diminuicao da pobreza e do abismo social, assim como a elevacao do nivel aducacional tendem a diminuir os indices de violencia dignos de zonas de guerra que nos temos...

como solucao imediata, eu seria a favor, sim, de cursinhos pre-vestibulares so para negros ou intensivos para alunos de escolas publicas - para melhor prepara-los para o vestibular/ENEM...
assim os negros conquistam as vagas em condicoes de igualdade...

MCarolina disse...

Luiz, não precisa do seu achômetro para justificar o número de negros pobres. O motivo é o passado escravista mesmo. Quando acabou a escravatura eles não tinham propriedades, empregos nem organizações de trabalho e cooperativas. Também não havia ensino universal, mesmo que ruim. Não é nenhum mistério do universo. O ensino universal gratuito começou nos anos 40, e só em teoria, porque não havia vagas para todos. Minhas duas avós foram professoras da rede pública e nunca deram aula para alunos que viviam em extrema pobreza, com pais analfabetos, como é comum hoje em dia.
As cotas são sim um paliativo, um atalho, que não implica necessariamente melhora no ensino público. Mas é melhor que já praticamente traçar o destino de pessoas pobres na pré-escola. As pessoas adoram histórias de gente que "chegou lá" com todas as dificuldades, embora elas mesmas tenham "chegado lá" porque estudaram em escolas boas que as colocaram em faculdades razoáveis e tinham muitos contatos bons para conseguir emprego. Mas não precisa sofrer tanto achando as cotas racistas, para conseguir cotas em universidades os negros tem que comprovar baixa renda, não sei se você leu o projeto de lei.
Concordo que é necessário um investimento em educação infinitamente maior que o atual, e um melhor plano de emprego para professores mas, até aí, nunca vi ninguém discordar, muito menos aqui.
Engraçado você comentar que morou em outros países e desconhecer o fato de que o Brasil é um país bem atrasado na questão dos direitos dos animais, e que essa ação "troglodita" é comum em países onde os direitos humanos e a educação realmente alcançam a maior parte da população.
Se você vê isso como "volta à idade média" deve achar melhores outros períodos da História nos quais podiam te queimar ou jogar em um campo de concentração por ser judeu (e fazer experiências que contribuíram para a ciência com o seu corpinho)né? Ah, esses malditos ativistas que pregam a igualdade e promovem protestos...bando de esquerdistas desocupados...

Juba disse...

Para o comentarista que diz que o vestibular afere nível de conhecimento: uma conhecida universidade americana, em alguns vestibulares, alterou o esquema da prova. Aplicaram um exame oral, e sabe o que aconteceu? Entraram MUITOS negros, alguns brancos, e praticamente NENHUM oriental, e isso entre pessoas que detinham os conhecimentos exigidos no exame. Ou seja, a aferição de conhecimento pretendida tem um viés cultural fortíssimo. Se se colocam questões da cultura anglo-saxã branca e protestante, você diminui substancialmente o número de alunos judeus e muçulmanos, por exemplo. A pretensa igualdade de condições perante a prova cai por terra.

Marcia Baratto disse...

Olha, nem sei quem foi o ignorante que despejou a pérola do sofrimento dos imigrantes europeus pobres é igual ao sofrimento dos escravos e ex-escravos.

Sou filha da camponeses descentes de imigrantes. E sabe o que os meus bisavós tiveram que nenhum ex-escravo teve no início do século XX?

ACESSO GRATUITO À TERRAS. Tremenda medida especial de promoção do 'branqueamento' da população brasileira.

E tem quem acredita, que imagina, olha só: pobres europeus, seriam melhores produtores rurais que ex-escravos.

Claro que sei do sofrimento dos colonos europeus, as mortes após a destoca da terra (jeitinho dos antigos proprietários de escravos acumularem mais terras produtivas), geralmente com a queima das famílias de posseiros nas suas casas. Media amplamente utilizada até hoje nos processo de colonização do norte. Nem o fato de que todas as crises econômicas expulsaram muitos destes produtores das suas terras, tornando-os pobres e favelados, como se fez com os ex-escravos.

Mas isso não apaga o fato de que os imigrantes foram trazidos para cá para impedir que este fosse um país de maioria negra. Que sua cor de pele 'superior' era necessária para que se pudesse imaginar esse país como uma nação.

Meu problema com as cotas? É pouco perto de tudo o que foi negado aos negros.

André disse...

Luiz,

Quem vai determinar quais são os professores incompetentes?

Anônimo disse...

Acho que muita gente veio comentar sem ler nada de nada do texto... pq não é possivel!

Anônimo disse...

Pro Luís aí acima.

Quem é contra os testes em animais deve ser coerente (como os veganos) e nunca voltar a tomar um medicamento na vida. Afinal não existe medicamento que não tenha sido testado em animais.

Anônimo disse...

gente, ter costas para mulheres, negros e até travestis em empresas privasdas ou particulares, ou memso na politica, é justo. Porque? Porque a curriculos iguais vão preferir um homeme pbranco a uma negra. Porque tem um julgamento de aparência que sem nem parceber, a gente faz.

Agora numa prova,o que isso tem a ver? Não se tem acesso a cor dos participantes e o julgamento é muito menos subjetivo.

Sou a favor de cotas para mulheres engenheiras, mas seria contra caso fizessem cotas caso elas tivessem cotas para entrar na faculdade de engenharia. Posis afinal, para um emprego o emprego pode ser negado simpesmente por ser mulher; Agora, se eu repondi qua a resposta para a pergutna B é raiz de 9, e eu acertei, não tem como alguém vir tirar o meu mérito. Ainda mais que como disse, na correção das provas néao se sabe a cor ( ou até mesmo o sexo) dos canditatos

Kittsu disse...

Ontem eu tive uma epifania.
As cotas não são (só) para favorecer os pretos, são para ensinar os membros das elites acadêmicas e econômicas que eles são iguaizinhos e fazem as mesmissimas coisas que os brancos fazem.
E é por isso que só as cotas sociais não resolveriam, porquê não adiantaria um branco pobre ter contato com um branco rico, a cabeça não mudaria.

...=o
As cotas são pra EU me educar, não só pra eles terem oportunidade! Uau.

Roxy Carmichael disse...

"voltei a estudar uma segunda faculdade e estou abismada como decaiu o ensino. Claro, porque ao invés de melhorarem o ensino decidiram que era mais fácil que os alunos fossem aprovando, depois instauraram as cotas e pronto..."

"Quando digo que a solução nao sao cotas e sim melhorar o ensino publico para todos, sou chamada de racista e elitista, como assim elitista?"
(ainda bem que ela sequer se atreveu a perguntar "como assim racista?)


teve até o clássico do cancioneiro racista: lembrar dos índios somente no dia da consciência negra

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às vezes eu acho que a ms. minna é uma parodia, saída da mente do antonio prata haahahaha. será que ele entrevistou ela pra escrever o brilhante texto "guinada à direita" ?
http://contextolivre.blogspot.com.ar/2013/11/guinada-direita.html

será que ms. minna foi uma das pessoas que leu o texto e parabenizou o autor pela coragem?

ms. minna você é puro amor! me faz lembrar de certas parodias do marcelo adnet (da época que ele fazia boas paródias)
http://www.youtube.com/watch?v=jrUVle5wdPY

ainda bem que psdb vai perder a eleição de novo ano que vem e teremos pelo mais 4 anos de humor involuntário da elite ressentida.

Anônimo disse...

Aqui no Sul , todo mundo sabe que a grande maioria dos imigrantes europeus recebeu terra de graça para se mudar para cá. O que é completamente diferente do que aconteceu com os escravos negros. Durante a segunda guerra mundial, houve outra leva de imigração que não teve esses benefícios, mas para os colonos italianos, alemães, poloneses e ucranianos não havia discriminação na hora de conseguir emprego...

Anônimo disse...

Se o problema é a pobreza, porque apenas não criar uma cota para alunos de famílias de baixa renda?

Mas já não existe isso?

Anônimo disse...

"Se o problema é a pobreza, porque apenas não criar uma cota para alunos de famílias de baixa renda?

Mas já não existe isso?"

Não, o problema não é só pobreza. Quer saber quais são os problemas? Leia o post com atenção antes de comentar. A Lola explica bem quais são os problemas.

Anônimo disse...

"quem foi pras ruas em julho desse ano pedia por saude e educacao publica de qualidade, mesmo a maioria dos manifestante sendo de classia media com convenio e colegio particular.."

Serio Paula? A maioria dos manifestantes era de classe média com convênio e escola particular? Quem te deu esses dados? Isso pode até ser verdade na sua cidade. Mas na minha cidade eu - que sou pobre, uso o SUS e nunca pisei em colégio particular na vida - fui manifestar e a maioria das pessoas era como eu. Quando terminou as manifestações os pontos de ônibus ficaram lotados, nós, os pobres estávamos voltando para casa.
Ai ai ai... Acho até engraçado. A classe média tem certeza que protagoniza tudo...

sofia disse...

Roxy, eu vi agora que, para um candidato ter direito às cotas para negros, basta ele se auto-declarar negro. Não existe mais aquela "confirmação da raça", via entrevista, que para mim era estranha. Na época dos gêmeos da UNB ainda tinha essa entrevista.
Então, ainda bem, o Estado ou as universidades não estão tomando para si o poder de classificar racialmente a população brasileira. Era disso que eu tinha medo. Eu sei que os racistas sabem muito bem quem é negro e quem é branco no Brasil, mas o que eu não queria era que o Estado também tomasse para si esse "saber". Entendeu? Passasse a aceitar ou não as auto-declarações da população brasileira. Daqui a pouco iria surgir um júri para decidir se tal candidato é negro ou não.
Enfim, eu estava ultrapassada nisso mesmo. Mas continuo não concordando com as cotas. Alguém pode me dizer qual é a lógica de, numa turma de escola pública, onde todos tem a oportunidade de aprender as mesmas coisas, haver mais facilitações para os negros? Em termos práticos, e não emotivos. Eu não entendo, mesmo. Me respondam antes de me chamar de racista.

sofia disse...

Gente, já existem cotas sociais, mas elas foram implantadas há pouco tempo. Não deu tempo de ver os resultados ainda. E elas só atingiram um número mais significativo no ano passado. Não é como se elas existissem há 20 anos, não tivessem dado nenhum fruto para a maior inserção dos negros nas faculdades e eu estivesse aqui falando: para quê cotas raciais? As sociais bastam!
Mas as cotas sociais só foram difundidas na maioria das faculdades de forma significativa no ANO PASSADO.
Se a lógica do negro quase não ter acesso ao ensino superior é a falta de acesso a um ensino público de qualidade e a sua condição econômica vulnerável, cotas sociais serão favoráveis à ele, não? Assim como serão favoráveis para o branco pobre. Ambos terão mais chance de entrarem numa faculdade e obterem formação superior.
O racismo não impede um negro de entrar na faculdade. Pode dificultar a conquista de um emprego em uma loja ou empresa racista, mas universidades não podem discriminar ninguém ao selecionar seus futuros alunos. Não podem até por impossibilidade técnica, pois o ingresso é feito via vestibular, sem provas orais ou entrevistas.
Então por que cotas raciais nos vestibulares? Foge à lógica!

sofia disse...

Gente, é o que alguém falou aí em cima. Numa prova de vestibular ou concurso público que não tenha fase oral (vestibular pode ter, concurso público nunca tem) os corretores não vão saber seu sexo nem sua cor. Você acerta ou erra as questões, se faz uma média e você passa ou não. Então por que quase não há negros nas faculdades públicas? Incapacidade intelectual? Óbvio que não. O motivo é o mesmo de existirem poucos alunos pobres, vindos de escolas públicas, nas federais (mais acentuadamente, nos cursos mais concorridos, tipo medicina e engenharia): a falta de preparo para fazer uma prova de vestibular (ou mesmo o ENEM, que também é dificílimo para quem é de escola pública, apesar do seu viés "democrático"). A questão é que quando ricos e pobres entram num processo seletivo, há desigualdades imensas. As escolas públicas não fornecem subsídios para que seus alunos passem no curso que eles quiserem, na instituição que eles quiserem. A solução a longo prazo é melhorar a educação pública, óbvio. A curto prazo, acho que cotas sociais são úteis.
Mas entre um negro pobre e um branco pobre na prova do vestibular, cadê a diferença? No que se diz respeito ao conhecimento acumulado, à capacidade de acertar uma questão.

Helen Pinho disse...

sim sofia posso te explicar. as cotas 1) tem como objetivo reparar um dívida história - 388 anos de escravidão oficial 2)oportunizar a participação dos negros em todas as esferas sociais, que não são acessíveis a estes, mesmo após o fim da escravidão 3) oportunizar igualdade em um país desigual, em que o racismo tá encruado nas entranhas das pessoas, das instituições até as tampas ... poderia continuar enumerando vários itens at infinito ...

Lucas disse...

Quem nasce pobre e branco está ferrado duas vezes. Primeiro por ser pobre, e depois por não ter nem direito a cotas, coisa que os negros têm. Então, se for pra você nascer pobre, pelo menos que seja negro.

sofia disse...

"Ou seja, a aferição de conhecimento pretendida tem um viés cultural fortíssimo. Se se colocam questões da cultura anglo-saxã branca e protestante, você diminui substancialmente o número de alunos judeus e muçulmanos, por exemplo. A pretensa igualdade de condições perante a prova cai por terra."
Ah, nada a ver. O ENEM anda cobrando muito cultura e história africanas. Mas são questões que NÃO são mais facilmente acertadas pelos negros do que pelos brancos... Porque falam de cultura negra e história da África, mas dentro de conceitos trabalhados no Ensino Médio. Por exemplo, coloca-se um texto sobre uma manifestação artística africana, e as alternativas referem-se a conceitos gerais como a diversidade das expressões culturais, o sincretismo cultural ou o movimento pelos direitos civis dos EUA, temas trabalhados no Ensino Médio. Não se cobra que o aluno saiba sobre itens específicos da cultura africana, que muitos negros nem iam saber (tá, até parece que a maioria dos negros brasileiros tem uma relação super íntima com a cultura da África). Quem tem uma formação geral na área de humanas, adequada ao Ensino Médio, sabe responder. Eu não sou negra e acertei as questões.
Do mesmo modo, quando cai uma questão sobre cultura ou história ocidental, não se cobra que o aluno saiba a teologia cristã além do nível básico e histórico(religião monoteísta, Palestina, Imp Romano e tal), nem que se saiba mais do protestantismo do que a sua relação com o capitalismo, segundo Max Weber. Aliás, é importante estudar a história do Ocidente, porque é dessa história que vem nossas estruturas políticas e econômicas. Para criticá-las ou não, você precisa saber de onde elas vieram.
Enfim, não há esse viés culturalista discriminatório na maioria dos nossos processos seletivos, não. As provas sérias não pergunta detalhes da cultura de algum povo. Elas colocam textos (que podem se referir desde à uma obra clássica da literatura ocidental à uma letra de rap) e pedem interpretações a respeito deles com base em conceitos conhecidos e que deveriam ter sido trabalhados na escola. Eu não sei quase nada de rap, e consigo fazer questões de vestibular que falam de rap.
Então você tá meio por fora de como andam os vestibulares aqui... Na verdade, letras de rap, músicas populares e manifestações folclóricas têm ganhado cada vez mais destaque. Cada vez mais os vestibulares pedem interpretação, e não conhecimentos específicos que podem privilegiar certas culturas em detrimento de outas.
Cai reforma protestante? Cai. Mas poucos protestantes têm noção do que foi a reforma protestante. Cai história da África? Cai, mas poucos negros têm noção dessa parte da história também.
Não vamos nos desviar do problema real, que é o ensino público ruim, e não privilégios culturais (os privilégios são econômicas, quem não pode ir para escola particular é que é prejudicado).
Se for seguir o seu argumento, vamos ter que criar cotas para os budistas. Cadê o budismo sendo cobrado nas provas de vestibulares? Coitados, eles estão em desvantagem.

Anônimo disse...

tem como objetivo reparar um dívida história - 388 anos de escravidão oficial

como isso é ridiculo,reparar divida histórica,os negros que foram escravizados morreram faz tempo,logo eles n vão ganhar reparação alguma.

os negros de hj nunca foram escravizados vão ser reparados pelo q?

sofia disse...

E o nível de profundidade em que se cobra cristianismo e islamismo nos vestibulares é praticamente o mesmo... Mesmo eu não sendo muçulmana, dá para acetar uma questão sobre o islamismo. E sobre judaísmo também.

Helen Pinho disse...

isso aí lucas, porque por cotas vale ser chamada de "negrinho, pretinho, mulatinho" porque tua pele é mais importante que teu nome. vale ouvir desde sempre: pena que tem cabelo "ruim". vale ser considerado "naturalmente" sujo, fedido, preguiçoso, burro. vale ser visto como objeto sexual, que tu "come", mas namorar não é natural. vale tu saber que as pessoas atravessam a rua por medo de ti simplesmente pela tua cor. cara tu é um imbecil!

aquarela surrealista disse...

"Então, ainda bem, o Estado ou as universidades não estão tomando para si o poder de classificar racialmente a população brasileira. Era disso que eu tinha medo. Eu sei que os racistas sabem muito bem quem é negro e quem é branco no Brasil, mas o que eu não queria era que o Estado também tomasse para si esse "saber". Entendeu? Passasse a aceitar ou não as auto-declarações da população brasileira. Daqui a pouco iria surgir um júri para decidir se tal candidato é negro ou não.
Enfim, eu estava ultrapassada nisso mesmo. Mas continuo não concordando com as cotas. Alguém pode me dizer qual é a lógica de, numa turma de escola pública, onde todos tem a oportunidade de aprender as mesmas coisas, haver mais facilitações para os negros? Em termos práticos, e não emotivos. Eu não entendo, mesmo. Me respondam antes de me chamar de racista....."

Super concordo com a Sofia e o Luiz em seus argumentos,pois sempre tive o mesmo receio...lembram a estrela de Davi,que os judeus eram obrigados a usar,e os nazis lhes prometiam empregos,e era tudo engodo(tá,eu vi num filme)?pensei algo mais ou menos assim,posso estar equivocada,mas me veio á mente...

Anônimo disse...

Agora com as cotas, sempre que verem um negro na universidade, muitos irão pensar "esse aí só entrou pelas cotas"! O que não é necessariamente verdade. Mas o que quero dizer é que isso pode é aumentar o preconceito contra os negros no ensino superior.

Mari Müller disse...

Lucas, pobre branco tem direito a cota de "pobre", que é aquela para alunos que estudaram 100% em escola pública. Ou seja, se é realmente pobre, tem chances de utilizar cota.

Ms.Minna disse...

Bom roxy falou falou tirou sarrao e nao disse nada.

Vamos a ver, vc entao prefere que a escola publica de ensino médio e fundamental continuem porcarias? Porque ao invés de instaurarem cotas exclusivas para negros ou para quem estudou so em escola publica nao se melhora o ensino, para assim todos terem igualdade de condições na hora de nao so prestar um vestibular mas prestar um concurso ou ate defender uma tese lá fora?
Porque sinceramente querida, da vergonha o ensino da faculdade comparado hoje e o de 10 anos atras quando eu entrei. As vezes penso que nao estou na faculdade mas sim numa sala de 8a série.

Mas tudo bem, vamos continuar com as cotas, assim fica mais fácil...

Ms.Minna disse...

Sofia eu também quero a minha cota por ser judia e porque os brancos tem uma dívida histórica com o meu povo! (Estou sendo irônica....) rsrs

Ms.Minna disse...

Eu so sei uma coisa, quando eu optei por uma bolsa de estudos fora do Brasil, a bolsa era do pais estrangeiro, eles não tinham como saber se eu era branca, negra, amarela, vermelha, homem ou mulher. Eu era um número, eles avaliaram o meu conhecimento.

Aqui nao entraria cotas. Entao nao seria muito mais justo se ao invés de cotas melhorassem o ensino publico? É dar a mesma oportunidade para todos? Gente eu realmente nao entendo essa teimosia de defender cotas mas nao uma melhora do ensino publico. Os racistas sao vcs pois da a entender que vcs nao acreditam que em igualdade de condições um negro conseguiria conquistar um lugar na faculdade, uma bolsa se nao fosse pelas cotas!

Roxy Carmichael disse...

pois é né lucas, muito melhor morrer do que não entrar na universidade pelas cotas raciais. você sabia que um jovem negro tem até 100% a mais de chance de morrer que um jovem branco?

e olha só não vou mais discutir esse papinho furado de "e os branco pobri" porque tá todo mundo CARECA de saber que existem cotas sociais. ficam insistindo nisso pelo puro e simples racismo disfarçado de má fé.

sofia, um conselho: vai estudar!!! vai ler darcy ribeiro! cê não para de dar vexame, filha!

não quer ser chamada de racista? então vá fazer o seu dever de casa, pq eu não vou ficar aqui fazendo pra vc não. já fui te avisar que o caso dos gêmeos foi resolvido, pra vc não ficar resgatando esse exemplo eternamente e passando recibo de quem fala sem saber porra nenhuma sobre o assunto.

mimimi não quero que o estado adote pra si um saber que já existe e já é aplicado na sociedade brasileira há 500 anos, dessa vez justamente pra intervir sobre essas desigualdades mimimi não quero ninguém intervindo nessas desigualdades mimimi, eu acredito na meritocracia mimimi

e ainda não quer ser chamada de RACISTA?

se toca né filha!

"Não vamos nos desviar do problema real, que é o ensino público ruim, e não privilégios culturais (os privilégios são econômicas, quem não pode ir para escola particular é que é prejudicado)"

pierre boudieu não sabe se ri ou se chora, vc se superou nessa viu sofia?

insisto: podem espernear, se abraçar, chorar juntos enquanto veem com nostalgia o nascimento de uma nação (vão estudar e descobrir o que é e do que se trata). enquanto isso os pretos vão entrando nas universidades, nos empregos públicos e daqui a pouco, no congresso.

aquarela surrealista disse...

cotas para aluno da rede publica 10 por cento,cotas para afrodescendente 3 por cento...que cotas são essas?A porcentagem é pequena demais,se for para ajudar e não criar mecanismos de ódio racial,e concordo muito com a Sofia e o Luiz...

Roxy Carmichael disse...

"Pode dificultar a conquista de um emprego em uma loja ou empresa racista"

sofia é como aquele funk: NÃO PARA, NÃO PARA, NÃO PARA NÃO

(de dar vexame).

http://economia.terra.com.br/trabalhadores-negros-ganham-ate-57-menos-que-nao-negros-diz-dieese,d43971265c252410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

tá vendo porque eu digo que claramente você não faz idéia do que tá falando???

Joana disse...

Anônima do marido do Ministério Público:
Infelizmente essa é nossa realidade.
Estamos falando da elite intelectual, que passaram anos estudando e que vão ser os fiscais da lei. Serão nossos representantes e levam consigo toda a carga do racismo, machismo e querem perpetuar seus privilégios, sem constrangimento nenhum de emitir esses pensamentos e atitudes preconceituosas. E olha que estamos falando de cota de 10% e que os cotistas tem que ser aprovados e estarem acima da nota de corte.
E é justamente por isso que fica evidente a necessidade das cotas. A nossa população tem que ser representada em todas as áreas.
Não ficou claro, mas se seu marido for cotista, diga a ele que esse é só mais um obstáculo. Quando ele começar a trabalhar e fizer a diferença, deixando muito privilegiado que só esta a procura de salário no chinelo, tudo terá valido a pena.

Joana disse...

Para a Sofia:
"Mas entre um negro pobre e um branco pobre na prova do vestibular, cadê a diferença?"
Além do que a Helen elencou, para ficar mais fácil para você entender a necessidade das cotas:
para promover uma sociedade mais justa e sem racismo.
Uma histórinha bem triste do nosso racismo, especialmente para aqueles que dizem que o preconceito é apenas social: Seu Jorge, negro e bem sucedido levou sua filha de 4 anos para uma aula de ballet. Em um momento da aula a professora pediu para as alunas fazerem uma roda. Nenhuma aluna quis dar a mão para a filha de Seu Jorge. Crianças brancas de 4 anos não quiseram dar a mão para uma criança negra. O que acontece é que a sociedade é racista sim e o único meio de acabar com essa chaga é a inclusão. Se essas crianças tivessem tido uma professora negra, uma pediatra negra, se seus pais tivessem colegas de profissão negros, essas crianças teriam a oportunidade de conviver desde sempre com negros em condição de igualdade e provavelmente, não se negariam a dar a mão para uma criança negra.

E Roxy, você diz tudo!

Juliana disse...

Lola, pelo censo de 2010 61,88% do Ceará se declarou parda, só 4,65% se declararam negros, http://www.ipece.ce.gov.br/publicacoes/ipece-informe/Ipece_Informe_23_fevereiro_2012.pdf
O que acho que significa que o cearense se reconhece como miscigenado, o que não significa que não haja racismo no estado.

Thomas Sowell disse...

Alguns anos atrás, uma pessoa disse que, de acordo com as leis da aerodinâmica, um abelhão não pode voar. Mas os abelhões, alheios às leis da aerodinâmica, vão em frente.

Algo semelhante ocorre entre as pessoas. Enormes e tediosos estudos acadêmicos, bem como melancólicos e sombrios editoriais de determinados jornais, são produzidos às pencas lamentando o fato de que a maioria das pessoas pobres e negras não consegue ascender socialmente. Entretanto, imigrantes extremamente pobres, oriundos de várias partes da Ásia e conseguem ascender socialmente.

Normalmente, estes imigrantes asiáticos chegam a um novo país praticamente sem nenhum dinheiro, sem nenhum conhecimento do novo idioma e sem nenhuma afinidade cultural. Eles começam trabalhando em empregos de baixa remuneração, mas trabalham muito, muitas vezes trabalham em mais de um emprego. Trabalham tanto que conseguem poupar.
Após alguns anos, eles têm dinheiro suficiente para abrir um pequeno comércio, no qual continuam trabalhando longas horas e ainda continuam poupando, de modo que se tornam capazes de mandar seus filhos para a escola e para a faculdade. Seus filhos, por sua vez, sabem que seus pais não apenas esperam, como também exigem, que eles tenham boas notas.

Vários intelectuais já tentaram explicar por que os imigrantes asiáticos são tão bem-sucedidos tanto em termos educacionais quanto em termos econômicos. Frequentemente chega-se à conclusão de que eles possuem algumas características especiais. Isso pode ser verdade, mas seu sucesso também pode ser atribuído a algo que eles NÃO têm: "líderes" lhes dizendo diariamente que o sistema está contra eles, que eles não têm chance de ascender socialmente.

Tais "líderes" são como a pessoa que disse que as leis da aerodinâmica mostram que o abelhão não pode voar. Aqueles que acreditaram em tais "líderes", de facto, ficaram aterrados, ao contrário das abelhas.

Thomas Sowell disse...

Você não encontra entre os asiáticos, líderes dizendo que os imigrantes asiáticos, por serem minoria e por estarem culturalmente deslocados, estão em desvantagem e que por isso o governo deve criar leis de cotas para ajudá-los a ascender socialmente. Aqui e ali, você vê alguns acadêmicos irresponsáveis propagando esta linha de raciocínio. Eles são a versão humana das leis da aerodinâmica, que dizem precipitadamente que determinadas pessoas não podem ascender socialmente.

Mas eles não recebem a mesma atenção, ou desenhar o mesmo a seguir, como traficantes de raça que operam em comunidades negras ou hispânicas. De um modo geral, os jovens asiáticos ascendem e prosperam.

No passado, outros grupos também chegaram aqui quase sem nenhum dinheiro, com pouquíssima educação e com total desconhecimento da cultura local, mas que não obstante ascenderam por conta própria.

Grupos que ascenderam da pobreza à prosperidade raramente o fizeram por meio de líderes étnicos ou raciais. Ao passo que é fácil citar os nomes de vários líderes do "movimento negro" ao redor do mundo, tanto atuais quanto os do passado, quantos são os lideres étnicos que defendem os interesses dos asiáticos ou dos judeus?

Ninguém pode negar que há anti-semitismo e que já houve discriminação aos asiáticos. Sempre houve. Mas eles nunca seguiram "líderes" cujas mensagens e atitudes serviram apenas para mantê-los presos à condição de bovinos.

Essa postura de dizer aos seus "seguidores" que eles são mais atrasados, tanto econômica quanto educacionalmente, por causa de outros grupos "opressores" — e que, portanto, eles devem odiar estas outras pessoas — tem paralelos na história recente.

Essa foi a mesma motivação utilizada pelos movimentos anti-semita no Leste Europeu no período entre-guerras, pelos movimentos anti-Ibo na Nigéria na década de 1960, e pelos movimentos anti-Tamil, que fizeram com que o Sri Lanka, outrora uma nação pacífica e famosa por sua harmonia intergrupal, se rebaixasse à violência étnica e depois se degenerasse em uma guerra civil que durou décadas e produziu indescritíveis atrocidades.

Será tão difícil entender, mesmo com todos os exemplos históricos, que o progresso não pode ser alcançado por meio de líderes raciais ou étnicos? Tais líderes possuem incentivos em demasia para promover atitudes e políticas polarizadoras que são contraproducentes para as minorias que eles juram defender e desastrosas para o país. Eles se utilizam das minorias para proveito próprio, atribuindo a elas incapacidades crônicas que supostamente só podem ser resolvidas por políticas que eles irão criar. Eles são os verdadeiros racistas.

Joana disse...

Thomas Sowell:
Só consigo imaginar que você não leu o texto e nem a caixa de comentário para falar tamanho disparate. Só na caixa de comentário você aprenderá sobre fatos óbvios e como diz a Roxy, então talvez você pare de passar vergonha a comparar laranjas a peixes.

Anônimo disse...

Joana, claro que quero que tenha mais negros em varios lugare, seja na escola, seja como pediatra, etc... mas o caso é: porque não temos negros nesses lugares?
Porque são pobres e no tiveram as mesmas oportunidades. Isso ta certo.

Mas a pergunta é: porque cotas para negros, em vez de cotas para pobres, sendo que nas provas não se ve e cor dos candidatos e é apenas o conhecimento que conta?

Roxy Carmichael disse...

o mau caratismo dos racistas é algo tragicômico:

racista ms. minna: encontre aqui e em qualquer texto de defensores das cotas qualquer oposição à melhora do ensino público. claro que te chamar de mau caráter é até redundante né? vc que outro dia tava louvando a margareth thatcher (com o argumento BELÍSSIMO - cê jura que foi mesmo pra universidade? - de que ela "lutou pelo que acreditava". esteja segura que coronel ustra que tenho certeza que vc idolatra, tb lutava pelo que acreditava). tava sugerindo outro dia também que feminismo se dissociasse de movimentos sociais. OU SEJA ficou claríssimo àquele momento que vc só endossa um feminismo branco. e agora escancarando seu racismo assim à luz do dia. algo que NÃO me surpreende é que judeus que tiveram uma historia de sofrimento, luta, resistência no passado, hoje se comportam exatamente como seus algozes das décadas de 30 e 40. e ainda se fazendo de sonsa (um eufemismo só pra não ter que repetir que é puro mau caratismo) não debatendo NENHUM dos argumentos sólidos que ABUNDAM nessa caixa de comentários. depois só não se surpreenda pq está sozinha. (e não isso não é uma referencia ao mal comida enquanto um xingamento machista a quem discorda de mim, tô apenas recuperando o que ms. minna racista disse no outro post)


racista thomas: sequer li seu comentário. tenho medo de emburrecer ao lê-lo. já que depois dos ataques terroristas da sofia, da ms minna e do luiz que jogaram granadas de burrice, mau caratismo, desonestidade, e outras sujeiras atentando contra a minha inteligencia, prefiro me preservar.

racista aquarela: junte-se aos racistas aí citados, além dos anônimos, se abracem e chorem. é só isso que resta a vocês.

Roxy Carmichael disse...

pra quem tá no mobral e precisa praticar a leitura, um excelente texto do abdias nascimento

http://www.geledes.org.br/atlantico-negro/afrobrasileiros/abdias-do-nascimento/22046-o-racismo-fica-escancarado-ao-olhar-mais-superficial-entrevista-abdias-nascimento

sofia disse...

Uai, Roxy, eu não te entendo... Você pega uma afirmação que eu fiz, coloca um texto que era para contradizê-la, e na verdade você só a afirma. Olha, eu falei que quando um negro vai ser contratado por uma empresa, onde tem entrevista e onde todos vão ver a sua cor, pode acontecer discriminação (provavelmente vai acontecer). A notícia fala justamente que trabalhadores negros ganham menos do que brancos. Então por que eu não sei do que eu estou falando?
Leia direito o que eu disse. Eu disse que em provas de vestibulares e concursos, onde o corretor (ou a máquina corretora, no case de questões objetivas) não vai ter ideia da sua cor, não vai ter discriminação. A discriminação nesse caso, vai ser no aspecto de que alunos de escolas particulares tiveram um ensino melhor do que alunos de escola pública. Portanto, a questão, NESSE CASOOO, é SOCIO-ECONÔMICA sim. No caso dos negros que desempenham a mesma função que brancos e ganham menos, é óbvio que a questão é RACIAL. Vamos colocar cada coisa no seu lugar.
Enfim, Roxy, eu acredito mesmo na meritocracia, mas acredito que para ela funcionar, devem haver condições justas. Por isso que eu sou a favor de cotas sociais. E por isso que eu não sou a favor de cotas raciais.
Não nego o preconceito em hipótese alguma. E acho que, para algumas alunos, ele pode afetar o desempenho escolar sim. Em outros não. Eu conhecia uma menina que era a única negra no ensino médio da escola particular onde eu estudo, e isso não afetava o desempenho escolar dela. Ela uma vez contou uma história de preconceito que ela sofreu, e provavelmente não foi a única. E ela estudava normalmente, se dedicava normalmente.
Bem, ela é um caso. Muitas crianças e adolescentes negros são afetados pelo preconceito e isso se reflete no desempenho na escola. Assim como muitos homossexuais sofrem bullying nas escolas e também podem entrar em depressão, perderem a motivação, ou tornarem-se indisciplinados. O bullying é tão cruel para com eles quanto é para os negros. Talvez até pior, não? Por que não temos cotas para os homossexuais pobres que, além de sofrem com o ensino ruim, sofrem um preconceito horroroso? Se a lógica é que o preconceito prejudica o desempenho...
Então acho que é um argumento fraco dizer que os negros pobres têm mais dificuldade para entrar na faculdade do que os brancos pobres porque sofrem preconceito na sociedade. E eles também não têm mais dificuldade que os brancos pobres porque foram escravizados no passado. Eles, na verdade, têm as MESMAS dificuldades que os brancos pobres (dificuldades relativas ao ensino deficiente!).
As cotas raciais funcionam assim: há certo número de vagas para alunos vindos de escolas públicas; dentro desse número de vagas, há vagas só para negros (cujas notas de corte são, por conseguinte, menores). Então realmente há uma diferenciação não muito justa dos alunos.
Não vamos fugir do assunto: há desigualdades entre a capacidade de um aluno de escola pública negro e um aluno de escola pública branco, no que diz respeito à capacidade de aprender? Acho que não. Então não precisamos de cotas raciais nos vestibulares.
Vamos lutar contra o racismo em instâncias onde ele realmente está presente (e não é em vestibulares que ele está- ou na minha cabeça, como a Roxy diz). As diferenças entre negros e brancos que desempenham mesma funções têm que ser combatidas. O bullying nas escolas têm que ser combatido. Deve-se incentivar denúncias às ações discriminatórias. É preciso lutar sim, admiro o movimento negro, acho que o dia da Consciência Negra tem que existir, considero que o Brasil é um país muito mais racista do que todos acham que é... Eu sou morena, de cabelo liso, e já sofri comentários racistas. Do tipo: casa com um cara branco, pros seus filhos não saírem muito escurinhos (teoria do branqueamento total, vinda da minha própria família). Imagina quem realmente é negro, o que sofre. É preciso valorizar a beleza negra, valorizar os vários tons de pele senão o branco. O caminho é bem longo...

sofia disse...

Um problema das cotas raciais que eu não mencionei:
Auto-determinação: apesar de ser melhor do que as faculdades ficarem verificando a cor das pessoas, será que nossa sociedade é assim tão honesta que nenhum branco ou moreno vai se colocar lá nas cotas raciais? Lembrando que não é a mesma coisa que se afirmar negro perante a sociedade (o que, devido ao racismo, é difícil). Se a pessoa não quiser que ninguém saiba que ela se declarou negra no vestibular,ninguém vai saber. O Munanga mesmo diz:
"Quando essas pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças se consideram ou são consideradas brancas no decorrer de suas vidas e assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais, as suspeitas de fraude podem surgir. Creio que foi o que aconteceu com os alunos cujas matrículas foram canceladas na UFSM e na UFSCAR. Se não houver essa vigilância mínima, seria melhor não implementar a política de cotas raciais, porque qualquer brasileiro pode se declarar afrodescendente, partindo do pressuposto de que a África é o berço da humanidade.."

Roxy, você só sabe falar que eu faço mimimi e que eu sou desinformada e racista. Ataque o carácter do seu interlocutor, e aí não é necessário dar argumentos, né? Essa é a sua lógica, que legal.
O negócio dos gêmeos da UNB eu reconheci que eu estava atrasada, porque agora é por auto-determinação que se candidata às cotas raciais. Mas você não me deu argumento nenhum fora esse. Eu gosto de debates, eu mudo de ideia quando alguém dá argumentos bons.
Resumindo, me responda isso: porque cotas raciais em vestibulares, se negros e brancos pobres têm acesso ao mesmo ensino e à mesma prova?

sofia disse...

Joana,
Histórias de tristes de racismo não são argumentos! Eu também não quero mais racismo. Mas tem certeza que cotas raciais são o melhor caminho? Cotas devem ser criadas quando existem dois grupos em posições de desvantagem. Negros pobres e brancos pobres estão em desvantagens quanto à capacidade de passar numa prova? Repetindo mais uma vez a minha pergunta, porque ninguém entende! A Roxy fica tergiversando, provando que ela sabe sociologia ao invés de colocar argumentos, fingindo que eu neguei que existe discriminação no Brasil (até agora eu não entendi porque o fato de que negros ganham menos do que brancos no Brasil prova que eu estou desinformada)...

sofia disse...

Isso aí, todo mundo que é contra cotas raciais é racista segundo a Roxy. O que a "aquarela surrealista" disse que foi racista? Fora ser contra cotas raciais? Que merda isso, Roxy, quem é mau-carácter é você.
Aquarela surrealista:
Algumas faculdades adotaram cotas de 50 por cento este ano para escolas públicas, como a UFG (aqui de Goiás!), até porque saiu uma lei prevendo isso. Já é relevante, eu acho. E, enquanto paliativo, funciona. Não dá para melhorar o ensino pública de forma rápida, milagrosa. Enquanto isso, acho que a gente tem que facilitar o ingresso dos alunos de escolas públicas sim.
Aí eu já não sei a quantidade que é para cotas raciais... Eu sei que as cotas raciais estão dentro das cotas sociais, é como se fosse uma facilitação dentro de uma facilitação. Mas não é uma quantidade muito alta mesmo não.

sofia disse...

Roxy,
Eu realmente não sabia quem era Pierre Bourdieu. Achei um artigo sobre a teoria da educação dele:
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/pierre-bourdieu-307908.shtml
Achei interessante, mesmo. Mas acho que, ultimamente, as escolas estão indo contra o que o Pierre Bourdiei critica. Ele critica, segundo eu entendi, o fato de que as escolas instituem uma padronização do conhecimento com base na ideologia da classe dominante, é isso? E que as escolas pressupõem uma "bagagem cultural" específica do aluno, que ele geralmente só possui se foi advindo da cultura dominante, da elite. Acho que isso era muito mais forte há uns anos atrás. Mas os educadores devem ter andado lendo Pierre Bourdieu, porque hoje existe a noção do preconceito linguístico (a norma padrão sendo apenas uma variante linguística, e não mais importante do que outras variantes, somente mais adequado a contextos formais), a percepção de que a cultura popular é tão importante quanto a cultura clássica, etc. Dá uma olhada na prova do ENEM. Há questões sobre história e filosofia ocidental, mas também há muitas questões sobre receitas de comidas típicas, folclore, música popular... Enfim, a escola está deixando de ser elitista e isso é bom.
Mas que alguns alunos sempre vão levar vantagens em certas coisas do que outros, isso é certo... Porém, se a escola for aberta ao diálogo e ter uma perspectiva multicultural, os privilégios não vão ser de classe ou cultura. Vão ser mais individuais mesmo. Por exemplo, um menino pode ter um pai/mãe matemático (a), enquanto o outro pode ter uma mãe/pai historiador(a). Um deles pode ter contato com a matemática desde criança, o outro pode ter contato com a história desde criança. E isso vai se refletir na facilidade que eles vão apresentar em certas disciplinas. E um menino pode ter tido muito contato com a música popular, o que pode o ajudar na prova do ENEM.
Enfim, achei legal o Pierre Bourdieu, mas não acho que existam privilégios culturais no ENEM que, afinal, está sendo e vai ser a prova da grande parte das nossas faculdades.

aquarela surrealista disse...

Sofia:

Não vou me dirigir à Roxi,porque acho que o que li até aqui,você já falou muito com ela,e falou tudo o que eu gostaria de dizer,obrigada.Acho que Roxi tem que amadurecer mais,sair do micro,ir tomar um belo copo d'água e vir pro play mais desarmada...afinal isso aqui é uma caixa de comentários não um circo de horrores,rsrs...

Explico meu ultimo coment:eu sou uma mestiça de asiático com branco,casada com um mestiço de afro,branco e indígena,que utilizou as cotas nas provas que fez,e quando fomos verificar,a porcentagem foi essa ,que eu escrevi acima...achei um absurdo:eu,particularmente(e não escondo isso de meu marido)sou contra cotas raciais,porque ,para mim,isso gera mais ódio e incompreensão raciais,e não equipara desigualdade de ninguém;mas,se as cotas raciais são para ajudar,oras,porque essa porcentagem tão pouca em relação com as cotas sociais de alunos de escola ´publica?para mim,quando vi,isto me pareceu mais uma coisa "feita nas coxas,para inglês ver",do que realmente uma ajuda dada de boa fé para as pessoas negras.E quer mesmo saber?Ele utilizou essa cota por medo de não passar,mas quando foi ver as suas notas,verificamos ,juntos,que ele não precisaria de ter utilizado esta cota racial para entrar na universidade pública que entrou pois suas notas estavam suficientemente acima da média e ele foi tranquilo,pois a porcentagem é tão pouquinha,que só vai mesmo beneficiar quem realmente não estudou,e ele estudou e muito,mesmo sendo pobre,órfão,e trabalhador(eu que sei,viu!?)e mais,estava há muitos anos fora do ambiente escolar,ou seja;é o que você mesma falou:o aluno negro que gosta de estudar e tem um objetivo na vida,na verdade,nem precisa de três por cento,agora as cotas para alunos de escola pública,acho justo sim!

Leciono para alunos de periferia,pobres,brancos,mestiços e negros...todos tem o mesmo convívio,a mesma educação e aqui,nosso grupo docente costuma combater quaisquer tentativas racistas e de bullyng...mesmo assim,eu já observei:no meio de alguns alunos negros,o status quo é justamente "não estudar",pois isto é considerado "coisa de branco",Olha a fala de alguns:"mano cê quer virar boy?"

Eu já ouvi deles esta fala.Pergunto a muitos sou eu a racista?

aquarela surrealista disse...

Interessante a colocação de Thomas Sowell,pois eu mesma nunca havia pensado na possibilidade dos lideres negativos(não da forma como ele se coloca)prejudicando um povo como ele escreve, e apresenta bem os argumentos...

aquarela surrealista disse...

...agora,tem uma coisa;creio eu que racismo,preconceito e intolerância é igual a celulite das celebridades:sabe,aquela celebridade lindamente irrepreensível,fazendo o teste de apertar a coxa e dizendo:Olha,Eu não tenho,mas se apertar bem,todo mundo tem?Pois é...por mais que o mundo todo negue até o último cabelinho da alma,mas todo mundo tem um pouco de tudo isso aí...não precisa vir aqui numa caixa de comentários para tentar provar que não é racista,ou intolerante,ou preconceituoso,ou pior,tentar esconder seus defeitos vociferando que eles estão dentro da cabeça de outros comentaristas...este comportamento de projeção qualquer texto que estude psicologia explica bem,e para mim está claro como estampa de tecidos de verão,rs!

aquarela surrealista disse...

...olha,uma utopia:eu acredito que a dívida histórica deve ser sanada,sim,para com os negros.Mas,qual o tipo de branco que realmente está devendo até as cuecas para os negros?Não creio serem os brancos pobres que vieram como trabalhadores nestas terras...mas sim os descendentes dos senhores de engenho antigos,os que realmente escravizaram mataram e puseram a perder muitas vidas do povo negro,estes senhores existem,e são eles que regem as políticas,ou estão quietos,vivendo suas vidas em fazendas afastadas,orgulhando-se de um patrimônio que dizem ser deles,mas que na verdade foi construído com mão de ora escrava...é deles que devemos cobrar as terras que os negros nunca receberam,tendo trabalhado e construído esta nação com suas vidas...oras,então dê-se anistia para os habitantes das favelas,de-se escritura de suas casas para eles,legalizar-lhes a vida,aí sim,eu crerei no início do pagamento desta dívida...não tirar de um pobre para fingir que dá a outro pobre,porque vai tirar o que não tem para dar a quem nunca teve,vai resultar em que??Sinto muito,mas é assim que eu enxergo a pequena porcentagem de cotas raciais que estão por aí...

Anônimo disse...

Se for para "reparar uma dívida histórica", vamos criar umas cotas para índios. Para judeus também, já que eles foram perseguidos em praticamente todo lugar que foram (até aqui no Brasil colônia, onde cristãos-novos eram muito atacados). Também vamos criar uma cota para árabes, porque as invasões que os exércitos do Ocidente promoveram no Oriente Médio causaram muita destruição e temos que pagar por essa dívida. E para os nipo-brasileiros, porque os imigrantes japoneses no Brasil sofreram muito preconceito, sendo até mesmo proibidos de usar a própria língua durante a época do Estado Novo. Vamos criar cotas para homossexuais, transsexuais, assexuais, e todo outro tipo de orientação sexual ou de gênero, pois oprimimos muito essas pessoas. Talvez no final sobre um 0,5% para gente que só passou devido a própria competência.

aquarela surrealista disse...


"...racista thomas: sequer li seu comentário. tenho medo de emburrecer ao lê-lo. já que depois dos ataques terroristas da sofia, da ms minna e do luiz que jogaram granadas de burrice, mau caratismo, desonestidade, e outras sujeiras atentando contra a minha inteligencia, prefiro me preservar.

racista aquarela: junte-se aos racistas aí citados, além dos anônimos, se abracem e chorem. é só isso que resta a vocês...."

este é o trecho que denota a total insegurança de uma pessoa que afirma nem ler o argumento alheio,por um suposto medo de "emburrecer"...acho que trata-se do receio de,na verdade,ter suas "firmes" convicções construídas, provavelmente recentemente e através de alguma leitura ou outra,e no calor de alguma discussão,serem abaladas...

quando se fala de assunto polêmico,difícil segurar a emoção e o calor das paixões e ideais,mas creio eu que não é necessário abraçar racistas e chorar com eles...se alguém chora,deve ser por outro motivo...suponho que os verdadeiros racistas não tem tempo nem vontade de chorar,pois creio eu,não precisam,eles não sofrem;eles estão arquitetando o seu plano de desunir os povos cada vez mais através de demagogia para melhor governar!

aquarela surrealista disse...

Opa,anon,pra indio,sim,concordo!pra gay,pra todo mundo,mas,pela minha linda utopia,eles já estarão todos inclusos,ok?

Roxy Carmichael disse...

sófi
minha jovem
eu coloquei dois textos de dois caras que são uma das maiores autoridades no movimento negro no brasil. você não leu.
eu e outras comentaristas tentamos mostrar a você e a outras comentaristas que uma coisa são as dificuldades sofridas em decorrência da classe social. OUTRA coisa muito diferente é o desfavorecimento em decorrência do preconceito racial. a idéia é que pretos entrem na universidade JÁ. e não daqui a 100 anos depois de uma reforma no ensino, que todo mundo sabe, que leva muito mais tempo pra ser implementada. e que todo mundo que adora bradar por um ensino melhor, não tá fazendo porra nenhuma além de bradar contra as cotas raciais, se dizendo a favor das sociais (que ja existem!!) a ideia é que mais da metade da população tenha acesso JÁ aos estabelecimentos onde se produz conhecimento nesse país. e não como faxineiros. pare com essa burrice de comparar preto com branco pobre. queremos os pobres no ensino superior? ÓBVIO! mas queremos também os PRETOS no ensino superior e AGORA, não daqui a 100 anos. os pretos em sua maioria são pobres? sim! é um grande equivoco se beneficiem pretos ricos? OBVIO que não. só gente MUITO racista acha que ascender economicamente livra o preto do racismo. e se vc tivesse lido os links que pus aqui saberia isso. ao invés de repetir só essas ideias senso comum, qe só provam que vc nao te conhecimento suficiente pra debater o assunto. uma coisa são pois pobres (brancos e negros) outra coisa são os PRETOS.
você prefere como todo racista fazer analogias com outras "minorias" como budistas. ao invés de reconhecer que os pretos são metade da população brasileira. e são minoria nas universidades. claro, em 500 anos de história, o brasil teve mais de 300 anos de escravidão. o brasil viveu mais tempo sob um regime escravocrata nefasto que sob um regime "livre" que de livre mesmo, só a sua liberdade de falar barbaridades racistas tentando se disfarçar de consciente da desigualdade econômica. e é por isso que existem dois tipos de cotas porque são dois problemas distintos. mas você insiste nessa tese burra, pra não dizer mau caráter de que no brasil o preconceito é só econômico. e vem com esse argumento paternalista hipócrita de que "eu que nem sou preta ja sofri preconceito, então imagino que os pretos tb sofrem". você afirmou que negros teriam problemas apenas em lojas ou empresas "racistas". você está desinformada e sabe muito bem disso. porque vc tenta colocar a questão do racismo laboral como um problema pontual, de alguns estabelecimentos (usando esse exemplo super ultra mega senso comum das lojas que discriminam candidatos a vendedores pela aparência. aliás toda sua argumentação é ABUNDANTE em senso comum: "biologicamente não existe raça, mas socialmente sim" UAAAAAU, cê jura???????) a pesquisa desbanca totalmente seu argumento porque mostra que o problema do racismo é ESTRUTURAL. temos uma sociedade que funciona de acordo com mecanismos racistas. não é um problema pessoal, do presidente da empresa X que é racista.
é como a burra da ms. minna: eu fui selecionada numa universidade no exterior, nao tinham como saber a minha cor. OBVIO!! só se postula pra uma vaga numa universidade no exterior a elite da elite nacional!
e só alguém MUITO racista que acredita numa ideologia RACISTA como a meritocracia poderia chamar cotas raciais de "facilidade".
então eu sinceramente nao sei se todo mundo que é contra as cotas raciais é racista. mas os argumentos que usam são um primor de racismo!

Roxy Carmichael disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roxy Carmichael disse...

"...agora,tem uma coisa;creio eu que racismo,preconceito e intolerância é igual a celulite das celebridades"
granadas de burrice atiradas sem piedade contra a minha inteligencia. tá foda. vou ali ler abdias nascimento pra me desintoxicar.

Roxy Carmichael disse...

"Não creio serem os brancos pobres que vieram como trabalhadores nestas terras...mas sim os descendentes dos senhores de engenho antigos"

concordo aquarela! os brancos estavam exatamente nas mesmas condições do ex-escravos. a diferença é que os brancos são inteligentes, empreendedores e por si trabalharam muito e hoje tão bem. os pretos que são burros, preguiçosos não fizeram nada e é por isso que tão assim. a culpa é só dos vilões: os senhores de engenho. que são os mesmo vilões do batman, do homem aranha. a materialização da maldade. maldade isolada claro. a sociedade dos homens de bem não tem nada a ver com isso.

aquarela surrealista disse...

Querido anonimo,eu pensava assim como voce,mas entendo ,também o pensamento dos favoráveis à reparação dos danos...eu não sou favorável á cotas para diferenças de raça ou orientação sexual,simplesmente porque para mim fica claro que isto não vai resolver o problema do preconceito que estas pessoas sofrem e sofrerão ao longo de suas existências.Contra preconceito,não vale cotas,o que vale é educação e fortes leis que se façam valer!Estou falando de uma dívida histórica,que,sim,isto com certeza,os índios daqui que são os ,verdadeiros brasileiros(por favor,não nos ofendamos com a colocação!)por que foram os primeiros habitantes que se tem notícias por estas terras,eles também foram escravizados,mortos,barbarizados e até o dia de hoje,como no momento em que te escrevo,estão,neste exato momento,sendo expulsos de suas terras,paulatinamente...pouco são lembrados...o dia do índio devia ser feriado também e nossa nação hoje é composta destes brasileiros também:índios,negros,brancos pobres(e ricos também!),e todas essas outras nações que você menciona!Tudo junto e misturado,graças a Deus!Então,a reparação,a ser feita,deve ser para os pobres,porque isso automaticamente incluiria índio,negro,gay,mestiço,asiático desfavorecido,judeu sobrevivente do holocausto,etc,etc...por isso que digo;quer pagar dívida histórica,restitua-se terras a este povo,gritar,espernear e fazer performance não faz verão!

aquarela surrealista disse...

"...agora,tem uma coisa;creio eu que racismo,preconceito e intolerância é igual a celulite das celebridades"
granadas de burrice atiradas sem piedade contra a minha inteligencia. tá foda. vou ali ler abdias nascimento pra me desintoxicar.

...tá pior do que eu pensava...a guria nem lê nem presta atenção e já vai largando a lenha...eu já vi muito isso no papinho aranha dos meninos e meninas de 17 anos,primeiranistas inflamados da faculdade que eu fazia...que usavam de forma inadequada a energia vital e poder político que tem,vociferando sem respeitar as opiniões dos mais vividos.É a sindrome do superman,que acha que pode voar...mas,quando tiver uns 28,30 anos,e estiver vendo como funcionam verdadeiramente as coisas,aí,arrefece e passa a entender o recado dos outros...

aquarela surrealista disse...

"Não creio serem os brancos pobres que vieram como trabalhadores nestas terras...mas sim os descendentes dos senhores de engenho antigos"

concordo aquarela! os brancos estavam exatamente nas mesmas condições do ex-escravos. a diferença é que os brancos são inteligentes, empreendedores e por si trabalharam muito e hoje tão bem. os pretos que são burros, preguiçosos não fizeram nada e é por isso que tão assim. a culpa é só dos vilões: os senhores de engenho. que são os mesmo vilões do batman, do homem aranha. a materialização da maldade. maldade isolada claro. a sociedade dos homens de bem não tem nada a ver com isso.

Roxi,é voce quem afirma isso,não eu.Por gentileza,não coloque palavras vãs nas minhas opiniões,sim?aprenda ,primeiro,a respeitar os outros comentaristas,para depois se colocar,se quiser ter seus escritos apreciados.Em momento algum eu afirmei que brancos e negros estivessem em condições de igualdade,todos sabemos que as politicas utilizadas para inserir um e outros nestas terras foram diferentes,eu apenas indiquei quem seriam os verdadeiso devedores...

aquarela surrealista disse...

Roxi,às 16:51 se contradisse muito,falou no calor da emoção,xingou comentaristas,e não afirmou nada,enfim...minto,afirmou sua raiva.Raiva de que?Só ela sabe...

aquarela surrealista disse...

"... a culpa é só dos vilões: os senhores de engenho. que são os mesmo vilões do batman, do homem aranha. a materialização da maldade. maldade isolada claro. a sociedade dos homens de bem não tem nada a ver com isso..."

Não confunda as coisas,Roxi.Uma pessoa que quer fazer outra engolir apenas um lado da questão é um doutrinador,não um líder
carismático!
Estou falando de um aspecto que deveria ser tratado mais legalmente,sem demagogias,não de personificação entre o bem e o mal.Se formos adentrar neste assunto,da sociedade dos homens de bem(o que são homens de bem para voce,Roxi?)então você não merece estar aqui,conversando com pessoas num microcomputador,você não deveria poder exercer este direito,pois o computador que você tem, provavelmente foi construído com trabalho escravo ou semi-escravo,por favor,devolva seu micro para os desfavorecidos,mesmo que você não saiba para quem vai devolver!

pergunto-te,como o fazem meus alunos quando tem preguiça:"professora,mas eu já fiz o desenho,ainda vou ter que pintar?"
* * *
Bom,no meu caso eu lhes respondo,dependendo do caso e do tema,que,sim,para dar um acabamento perfeito,eles teriam que pintar....

Roxy Carmichael disse...

querida aquarela, só discordei de você. me desculpa aí o sarcasmo, mas é que o nível do debate está realmente muito frustrante. não acho que senhores de engenho sejam os "devedores". acho que nós enquanto sociedade somos responsáveis pela nossa historia, pelo nosso passado.

**************

"então você não merece estar aqui,conversando com pessoas num microcomputador,você não deveria poder exercer este direito,pois o computador que você tem, provavelmente foi construído com trabalho escravo ou semi-escravo,por favor,devolva seu micro para os desfavorecidos,mesmo que você não saiba para quem vai devolver"

=

mas você não tem computador? celular? como é que vc é comunista? vai pra cuba!

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

tá vendo porque eu perco a paciência e começo a chutar a porta?

aquarela, como eu não acho que vc seja uma pessoa mal intencionada, só que não tem conhecimento para debater com profundidade o assunto aqui exposto (e isso não é um grande problema, não temos que saber exatamente tudo sobre todos os assuntos), e como acho que sofia, apesar de já ter mandado mal, tem disposição pra debater boas ideias. deixo aqui um link de uma entrevista MUITO interessante sobre a questão do racismo nas escolas.

http://www.cartanaescola.com.br/single/show/246/historia-negra-escola-branca

e você tem razão, hoje é sexta, vou tomar um gole dágua, pintar as unhas e descer pra curtir o play! bom fim de semana pra vocês.

Anônimo disse...

RACISTA é quem defende essas cotas. Não há nada mais racista do que uma mentalidade que quer tratar o negro como um deficiente físico. Sim. Cotas são para deficiente físicos. Dar cotas para negros da mesma que é dada para deficiente físicos equivale a dizer que ser negro é uma deficiência, é como um cara que está numa cadeira de rodas e precisa de um empurrãozinho. Ou seja, cota é racismo com os negros. É isso mesmo que vocês pensam? Que os negros são incapazes? Então vocês que são RACISTAS.

aquarela surrealista disse...

Blogger Roxy Carmichael disse...

"...agora,tem uma coisa;creio eu que racismo,preconceito e intolerância é igual a celulite das celebridades"
granadas de burrice atiradas sem piedade contra a minha inteligencia. tá foda. vou ali ler abdias nascimento pra me desintoxicar.

...tah.Eu li o link que voce enviou para a Sofia,do senhor Abdias.o cara é um super,fez e faz uma pá de coisas e justamente o que ele aconselha aos jovens negros??Estudar,ler,se informar para melhor lutar...enfim,o cara que você indicou realiza,faz e acontece,e voce,dona Roxi??O senhor Abdias não precisou xingar ninguém,nem desqualificar pessoas em sua entrevista...siga o exemplo!

sofia disse...

Roxy, eu li os links que você mandou sim... De novo você ataca sem saber! O do Abdias Nascimento não fala especificamente sobre as cotas, por isso que eu não citei nada. Mas achei interessante sim, principalmente a parte sobre o dia da Consciência Negra, que veio em contraposição à comemoração da Lei Áurea, de forma a celebrar mais a luta dos negros do que o que ele chama de "auto-elogio" da elite. Eu li e gostei do que ele disse, Roxy.
Sobre a entrevista com o Kabengele Munanga, eu também li. Acho que você nem leu o que eu escrevi, porque eu coloquei um trecho dela no meu comentário.
Eu pesquisei mais coisas dele também. Na verdade, tem um trecho de uma entrevista no qual ele discorda de vc:
O sistema de cotas deve ser combinado com a renda familiar?

KM: Sempre defendi as cotas na universidade tomando como ponto de partida os estudantes provenientes da escola pública, mas com uma cota definida para os afrodescendentes e outra para os brancos, ou seja, separadas. Por que proponho que sejam separadas? Porque o abismo entre negros e brancos é muito grande. Entre os brasileiros com diploma universitário, o porcentual de negros varia entre 2% e 3%. As políticas universalistas não são capazes de diminuir esse abismo.
Na sua opinião, as cotas raciais devem ser para ricos e pobres. Se fosse para concordar com as cotas raciais, eu concordaria com a opinião dele. Mais sensata, eu acho.
Mas enfim, sobre a entrevista.Eu li, e depois li o artigo do Demetrio Magnoli. No artigo dele, tem uma frase bem pesada atríbuida ao Munanga:

Os chamados mulatos têm seu patrimônio genético formado pela combinação dos cromossomos de ?branco? e de ?negro?, o que faz deles seres naturalmente ambivalentes, ou seja, a simbiose (…) do ?branco? e do ?negro?. (…) os mestiços são parcialmente negros, mas não o são totalmente por causa do sangue ou das gotas de sangue do branco que carregam. Os mestiços são também brancos, mas o são apenas parcialmente por causa do sangue do negro que carregam.”
Se essa frase não estiver sendo irônica (o que eu duvido porque não há sinais de ironia) eu acho que constitui uma tentativa de racialização biológica sim. Na verdade, parece texto naturalista do século XIX. Tipo O Cortiço. Cromossomos de negro e branco? Isso não existe. Nem sangue de negro e sangue de branco.
O Demétrio usa o título "monstros tristonhos" de forma irônica, porque ele está criticando essa visão de que os mestiços são seres indefinidos e precisam se definir racialmente. Como o Munanga diz:
" Como se pode dizer que os mestiços são geneticamente ambivalentes e que política e ideologicamente não podem permanecer nessa ambivalência e ser por isso taxado de charlatão acadêmico?"
Munanga considera os mestiços geneticamente ambivalentes. E acha que isso é fonte de sofrimento para eles, de forma que ele educa os seus filhos para se definirem como negros. Indefinição, indefinição... Para que essa cisma com a indefinição que ele tem? Eu realmente queria ler mais sobre essa coisa do problema da indefinição do mestiço, porque eu não vejo nenhum problema nela.
Achei as acusações do Demétrio Magnoli exageradas, de que o Mundanga quer separar o Brasil entre brancos e negros, criar um apartheid, etc. Exagero total.Mas, pela própria fala do Munanga, ele parece ter uma perspectiva negativa do mestiço, como se ele fosse ser triste e ambivalente até o momento em que se definisse racialmente (como negro, no caso).
Pesquisei o livro no google, pra ver se por acaso estava disponível, mas não está. Numa visão ainda geral, eu achei meio ridícula essa história do sofrimento psicológico do mestiço, que deriva da sua ambivalência, e que vai ser solucionado quando ele assumir sua negritude. Eu acho que, quando a ancestralidade negra é motivo de vergonha, existe sofrimento mesmo. Mas não por conta da "indefinição genética", da mistura de cromossomos ou de sangue. Mas sim por conta do preconceito imputado pela sociedade e pela própria pessoa.
(continua)

sofia disse...

Mas eu entendi quando ele disse que os mestiços devem assumir uma de suas heranças "política e ideologicamente". Acho que é um chamado à militância, uma visão de que o movimento negro deve se abrir a qualquer um que se sinta discriminado pela sua negritude. Mas, ao mesmo tempo, as cotas não vão se abrir a qualquer um que reconheça a própria negritude.
Como o Munanga diz, certa vigilância vai ser necessária de vez em quando. Enfim, será que esse aspecto negativo das cotas (necessidade de, uma hora ou outra, legitimar a identidade racial de alguém) vai ser compensado pelo fato de as cotas raciais constituírem um mecanismo imprescindível para a inclusão dos negros? Ou será que as cotas sociais já não seriam suficientes para o aumento da porcentagem de negros nas universidades, sem "efeitos colaterais" (necessidade de averiguar auto-declarações, reconhecida pelo Munanga).
Mudando de assunto, Roxy. Você distorce tudo o que eu disse. Quando eu disse que já sofri racismo, porém sei que esse racismo é muito pior para quem os negros, você me chamou de paternalista. Oi?
Então quando a Lola diz que já sofreu e sofre preconceito por ser mulher, mas que sabe que mulheres negras, pobres e lésbicas sofrem muito mais preconceito do que ela, ela está sendo paternalista? Quando ela se reconhece em um grupo que pode sofrer certas discriminações, mas que conta com privilégios, ela está sendo paternalista? Eu acho que não. Acho que é reconhecer a sua posição como grupo privilegiado, sem hipocrisia. E ao mesmo tempo ter empatia pelos que estão fora desse grupo.

sofia disse...

Outra coisa, quando eu disse lojas e empresas racistas, eu não estava dizendo que a discriminação é pontual não. Eu não disse "ALGUMAS lojas e empresas racistas" ou "uma ou outra loja ou empresa racista". Eu disse no geral, mesmo. Ou as empresas que pagam menos para os negros não são racistas? São, óbvio. Mas em nenhum momento eu falei que elas são minoria. MUITAS empresas e lojas racistas, derivadas da sociedade racista, produzem a disparidade salarial que é mostrada na notícia. Muitos empresários racistas, derivados de uma sociedade racista, produzem um quadro geral de discriminação. A questão é simultaneamente individual e geral, é dialética. A sociedade não está fora de nós, não é uma estrutura extra-individual. Ela nós constrói, e nós a construímos.
Eu deveria ter deixado mais claro o que eu queria dizer. Mas, bem, você enfiou palavras na minha boca.

sofia disse...

kkkkk Gente, acho que eu nunca passei tanto tempo escrevendo no computador que nem hoje. Roxy, apesar das divergências e da sua grosseria inicial, quero dizer que eu gostei de debater com você (embora no início não tenha sido um debate). Eu gosto de comentar em lugares nos quais eu sei que vai ter gente me contradizendo porque é bom ter as opiniões rebatidas (uma vez eu mandei um comentário pro blog do Reinaldo de Azevedo, mas ele nem foi aceito, hahaha). Eu ainda sou muito indecisa e fluida nas minhas opiniões, então é bom colocá-las à prova. Muitas vezes eu mudo de ideia. Outras não.
Acho que, de qualquer forma, foi bom ter lido o Munanga e, principalmente, o Abdias. E também a reportagem da Carta. Eu não conheço muito do movimento negro, realmente. A partir do blog da Lola eu começei a dar uma olhada no Blogueiras Negras. Então só agora que eu estou tendo mais contato com o que os próprios negros dizem sobre eles mesmos, uma vez que no meu círculo social não há muitos negros.
Enfim, achei válida a discussão, principalmente pelos links que você passou. Continuo não achando as cotas raciais uma política coerente, mas também não vou fazer passeata contra nem nada, haha. Acho que todos têm o direito a dar opinião, mas se o movimento negro decidiu que é uma boa política, eu também não vou ficar toda revoltada com isso. Vejo contradições nela, mas não são assim tão graves que possam produzir um apartheid ou coisa do gênero. Enfim, o problema é que eu não vejo sentido nas cotas raciais, e acho que existem frentes mais eficientes para se lutar contra o racismo, maas... Essa escolha não é minha, né? Não acho interessante, mas aceito a legalidade da medida e a aprovação do movimento negro. Então tá bom.
Obs.: Roxy, só uma última coisa: toma mais cuidado com quem você chama de racista. Eu não estava aqui defendendo discriminação nenhuma contra negros.

aquarela surrealista disse...

Cara Roxi das 17:54,desculpaí,mas você não usou sequer o sarcasmo,não demonstra conhecimento nem experiência em suas falas,o que você demonstra é raiva gratuita,que nomeia de falta de paciência com quem acha inferior a você nos debates.Finge não entender o que eu desenhei e ainda quer subverter minha fala,incrível!

sofia disse...

Última coisita, Roxy!
Você viu esse caso?
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/itamaray-vai-analisar-situacao-de-estudante-branco-usou-cota-para-negros
Mais recente que o caso dos gêmeos.

aquarela surrealista disse...

bom,como eu disse,desenhei,agora vou ter que pintar,vamos lá!
Blogger Roxy Carmichael disse...

"... querida aquarela, só discordei de você. me desculpa aí o sarcasmo, mas é que o nível do debate está realmente muito frustrante..."
(caríssima,você não simplesmente discordou e nem sabe usar de sarcasmo,mas desrespeitou minha opinião,chamando-me racista.E se o debate está realmente frustrante o que você,tão perfeita nos conhecimentos, faz por aqui?)
" não acho que senhores de engenho sejam os "devedores". acho que nós enquanto sociedade somos responsáveis pela nossa historia, pelo nosso passado"....(agora,eu que estou com sono e preguiça mental mesmo,será que somos mesmo responsáveis por tudo o que aconteceu antes de sabermos o nosso próprio nome?eu acho que devemos ser responsáveis pelas nossas atitudes,corrigindo o que for possível,não nos culparmos pelo que aconteceu com a história!)

" mas você não tem computador? celular? como é que vc é comunista? vai pra cuba!"
(será assim tão difícil entender que eu estava zoando um pouquinho a sua falta de noção,moça?)
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
(ZZZZZ,digo eu!)
" tá vendo porque eu perco a paciência e começo a chutar a porta?"
(quem começa a chutar a porta é porque em dado momento faltou argumentos para responder de igual para igual,vejo muito isso quando as pessoas se aglomeram,folgam,perdem a razão,e,quando se veem sem saída,apelam deste meesmo jeitinho seu!)
"aquarela, como eu não acho que vc seja uma pessoa mal intencionada,"(como sabe dizer que não sou uma pessoa do mal??te perguntei,o que é uma sociedade de homens do bem,para você,Roxi,e não obtive resposta!) "...só que não tem conhecimento para debater com profundidade o assunto aqui exposto (e isso não é um grande problema, não temos que saber exatamente tudo sobre todos os assuntos),..."(oh,sim,claro,jogue mais alto,uma hora,você acerta,moça,está quase lá,só não me pergunte onde!)"... e como acho que sofia, apesar de já ter mandado mal, tem disposição pra debater boas ideias. deixo aqui um link de uma entrevista MUITO interessante sobre a questão do racismo nas escolas.

http://www.cartanaescola.com.br/single/show/246/historia-negra-escola-branca..."(li tbm o artigo,não achei nada de mais nem de menos,não me faz mudar de opinião,não falou nada do que eu já não estivesse careca de saber,e espero que sofia responda por si)

"... e você tem razão, hoje é sexta, vou tomar um gole dágua, pintar as unhas e descer pra curtir o play! bom fim de semana pra vocês..."(belo jeito de sair pela tangente!vai pela sombra!)

aquarela surrealista disse...

Creio eu que o problema com gente igual a Roxi é que ela considera que tem grande conhecimento de qualquer assunto somente quem fica aí,indicando leituras e barbarizando com falas cheias de exclamações nervosas....eu,como muitos,não tenho todo o conhecimento do mundo,muita coisa aprendo aqui no blog da Lola,mas não vou ficar a toda hora falando que os outros estão no Mobral,e isto e aquilo...enfim...

sofia disse...

Opa, eu ia colocar a matéria do terra, por ser mais neutra, para não dizerem "ah, só podia ser da veja". Mas linkei errado, então vai a da veja mesmo. Mais parcial que a do terra, como não podia deixar de ser, mas serve mesmo assim.

aquarela surrealista disse...

Sofia,eu ao contrario de você,sempre convivi com muitos negros e mulatos,ou pardos,como queiram ser denominados...morei em lugares em que tinha só descendentes de italianos,outros em que só de japoneses,outros,a maioria,gente de todas as cores,agora,vivo na periferia paulistana,zona sul,o que mais tem aqui é gente que se identifica com movimentos negros...estou há 17 anos por aqui...digo isso para que as pessoas compreendam quando eu digo que não é fácil ser a única "amarela neste meio.Sou muito prudente,mas vejo,pelas conversas das pessoas,o estopim ali,esperando para ser aceso por alguém,e me parece que está posto ali de propósito,só para ver se alguém vai engolir a isca.É duro ter que dizer,mas nem tudo são flores;tem muitas pessoas que usam as questões dos movimentos negros não como argumentos sólidos,mas como escudo para tapar a p´ropria falta de perspectivas e o discurso raso ou como formas de oportunismos...vejo isso direto no meu meio de convívio,infelizmente,e vejo pessoas demagogas também,preconceituosas idem!

aquarela surrealista disse...

cont....e pessoas desinformadas e mal formadas,tem aos zilhões também.
Aqui na escola,vejo 2 problemas de preconceito entre alunos negros:se a professora é negra;"ih,hoje tem aula daquela macaca de novo"(essa fala é oculta,não ostensiva,mas sempre se fica sabendo),se a professora é branca,ou asiática,como eu,:começam a imitar chinês,fazer falsete com a voz,etc...nada para eles está bom,é difícil dizer que são cotas raciais o que eles mais necessitam,quando a urgência se faz mais forte em educação,boas maneiras,saber respeitar,e não serem tão oportunistas assim,de ficarem se vitimando por serem negros e acharem que a professora deve deixar eles fazerem algazarra na escola" porque seus ancestrais já foram muito podados,então eles tem que se expressar"(leia-se bagunçar e tirar o direito de outros estudarem ou simplesmente conviverem em paz).No posto de saúde,mulheres negras chamando o ginecologista nigeriano de "aquele macaco lá,eu que não quero ser atendida por ele,cruz-credo!"Eu ouvi isto quando fazia pré-natal do meu primeiro filho...enfim,outro caso;aluna negra fez xixi na roupa,aluno negro diz para mim que não queria sentar perto daquela "nega fedida,aquele tição"....é triste,mas mais triste é ver que,no mundo dos mais informados,se age por oportunismo e demagogia pura...não estou deslegitimando os movimentos negros,apenas dizendo que as pessoas negras ainda não estão sabendo utilizar destes movimentos como deveriam,não adianta usar o movimento para xingar branco pobre,agredir,eles devem usar os movimentos para se fortalecerem no conhecimento!

aquarela surrealista disse...

http://www.youtube.com/watch?v=dMsV6pzxybM este professor explica porque,apesar de negro,é contra cotas raciais...........

sofia disse...

Aquarela surrealista:
É, eu acho que sempre é difícil ser diferente. A Roxy me chamou de paternalista quando eu falei do racismo light que eu sofri, kkkk.
Mas vou falar dele um pouquinho. Se eu tivesse crescido num meio com mais negros e mestiços, o racismo teria sido menor, acho. Não que eu tenha sofrido um racismo horroroso, do tipo que deixa traumas para sempre, mas na época afetou a minha auto-estima. Eu sempre fui a mais morena do meu grupo de amigas, e quando eu era pequena eu era cismada com isso (até porque cresci ouvindo minha vó falar assim: tal pessoa tem uma pele bonita, tão branquinha...). Quando eu me bronzeio, eu fico morenaça mesmo; agora eu estou branquela, to meio reclusa por conta do vestibular. Mas, enfim. Teve uma época, eu tinha uns treze anos, em que eu viajei pra praia e voltei bem morena. Quando eu cheguei, uma amiga minha me olhou de um jeito estranho e me sugeriu fazer um branqueamento da pele , meio brincando, meio séria (nem sei se isso existe, na época ela disse que existia). Um menino da sala começou a me chamar de "sua preta" de um jeito que dava para ver que era com a intenção de ofender. Bem, eu fiquei com medo de tomar sol por um tempo, haha.
Quando você fala do estopim do preconceito, ele fica sempre lá mesmo. Quanto a cor da pele, quem não é branco tá sempre sujeito a sofrer um preconceito sim. Menor, no caso de mestiços, orientais, pardos; maior, no caso de negros. Acho que os preconceitos que eu e você sofremos nem se comparam ao que os negros sofrem. Arrasei no paternalismo agora, né?

aquarela surrealista disse...

http://www.youtube.com/watch?v=y4Kp-dt-qW8,Sofia,eu estudei neste cursinho,ele é muuito bom,os caras são a favor de cotas,eu apóio a luta deles,apesar de não estar podendo ajudar e inclusive ter perdido o contato,mas mesmo assim,continuo sendo contra cotas raciais,a favor,sim ,de instrumentalização verdadeira através de iniciativas como esta,de estudos e informação para os negros,para eles poderem ir á luta verdadeiramente preparados,e não atacando pessoas só porque são brancas,ninguém tem culpa da cor com que nasceu,ou,no teu caso,com que se bronzeou,haha!

aquarela surrealista disse...

Bom,Sofia,na verdade,tomar sol em demasia nunca é bom,mas os motivos são de saúde mesmo,mas acho incrivelmente cruel as pessoas reclamarem do teu tom de pele,oras o que elas te a ver com isso?mas os adolescentes são cruéis mesmo,tem que ter uma mãe para podar os preconceitos,dar bronca...só o professor em sala de aula pouco resolve,eles enfrentam,a gente precisa estar amparado por leis fortes!

aquarela surrealista disse...

http://www.youtube.com/watch?v=nYtNLWYSiFM.,esse é para descontrair,e meditar também...eu acho os caras o máximo,super sacada!

Anônimo disse...

Em uma discussão com alguns amigos da faculdade me vi sem muitos argumentos para sustentar a efetivação de cotas RACIAIS. Eles abordaram inteligentemente, que cotas SOCIAIS seriam um grande trunfo, pois abarcariam a população que sofre com as desigualdades sociais, sendo ela negra ou não. Um dos meus colegas disse que nós, a geração atual, "não temos a dívida histórica para com os negros, em decorrência da escravidão". No momento achei completamente inverdadeiro, mas refletindo sobre o assunto me vi realmente confuso sobre como essa "dívida" se caracteriza. E se ela existe mesmo, como poderia ser quitada.

Lola, a questão da meritocracia também foi outro assunto e restou a dúvida: Se não dá pra usar a meritocracia, vai ser utilizado qual método?

Anônimo disse...

Fiquei com vergonha de ser a favor das cotas só por ser contra a uma "vedação ao retrocesso" (tirar as cotas raciais do sistema jurídico importaria arrancar um direito adquirido por essa turma que a ele faz jus). Ao ver aqui de forma tão escancarada as ideias e fundamentações (CARREGADAS de racismo) de quem é contra cotas raciais acabei enfrentando a minha postura e medindo meu próprio racismo. Fica mais fácil de cair na real quando você vê o seu espelho (criticamente)

~shame on me

docéu disse...

Ao ver aqui de forma tão escancarada as ideias e fundamentações (CARREGADAS de racismo) de quem é contra cotas raciais ....

por favor,explique onde está todo este racismo nas falas contra cotas,eu realmente gostaria de entender.....

jayrblog disse...

Muitas reflexões acerca de um tema bastante polêmico, gosto muito, isso enriquece o debate e ajuda a construir um contexto bem fundamentado.Mas o Lucas, de onde esse cara veio? Precisa estudar e construir embasamento teórico porque coitados são os que se deixam levar pelo senso comum tipo você Lucas. Lutar pela construção de uma sociedade justa não é prerrogativa de um grupo étnico racial, mas de todos nós e me sinto muito bem representado pela fala da companheira Lola, "vamos dar as mão e lutar".

sofia disse...

Roxy,nem sei se você vai voltar para ler os comentários, mas resolvi me explicar em uma outra coisa mesmo assim.Eu voltei aqui para ler de novo,porque acabei ficando cismada com o fato de vc ter dito que os meus argumentos eram racistas. Estava olhando de novo os seus argumentos e percebi uma crítica sua ao meu comentário na qual eu ainda não tinha pensado sobre:
"Você prefere como todo racista fazer analogias com outras "minorias" como budistas."
Então,eu sei que é uma argumento falacioso quando se compara negros com asiáticos,por exemplo,e se diz que os asiáticos por esforço próprio se deram bem aqui no Brasil e os negros não(fica implícito que os negros não conseguiram porque não quiseram).O Thomas fez essa comparação e eu não concordo com ela.As diferenças entre esses grupos no que se refere ao grau de discriminação e exploração históricas são óbvias,nem preciso comentar.
Mas não foi essa a comparação que eu quis fazer.Eu estava discordando do comentário de alguém que disse que processos seletivos têm um viés discriminatório culturalista forte.Aí a pessoa disse que em provas nas quais caem muito cultura anglo-saxã,muçulmanos não se saem tão bem- com a intenção de dizer,provavelmente(dado o assunto deste post)que no Brasil também os negros poderiam ficar em desvantagem num processo seletivo porque a cultura negra não seria muito cobrada.Pelo menos foi o que eu achei que foi o objetivo do comentário dele,talvez eu tenha extrapolado a fala dele,do mesmo jeito que vc extrapolou as minhas.Enfim, eu quis mostrar como esse perfil de prova que só cobra cultura e história europeias está mudando,e como a cultura popular, a história africana e a cultura africana estão sendo mais destacadas(ainda não muito e em todos os vestibulares, é verdade, mas está sendo de forma crescente, principalmente no ENEM).E quis dizer também que, se um grupo não está se sentindo valorizado culturalmente nos processos seletivos, a solução não é implementar cotas(até porque as pessoas negras não constituem um grupo homogêneo, com uma cultura de origem africana enraizada em todos- muitos negros sabem mais de música norte-americana e Coca-cola do que sobre a cultura africana, como a maioria das pessoas, não? Não estou dizendo que deva ser assim, mas é a realidade).A solução é que, se uma cultura foi importante na construção da nação brasileira e não está sendo valorizada,então é hora de lutar por uma mudança nos currículos, como fizeram com a história da África,que antes não era dada no Ensino Médio.Nesse ponto, acho que a minha comparação com os budistas pode ter sido meio sem sentido (mas não racista),porque budistas não têm um papel importante na formação brasileira,óbvio.Foi uma comparação meio gratuita mesmo, só queria mostrar que existem vários grupos culturais/religiosos ou afins minoritários (no caso dos budistas, minoritários meeesmo) que podem sofrer "desvantagens" na hora do vestibular. Mas o fato de um aluno ser negro não significa que ele não possa saber muito de história norte-americana, ou que um aluno budista não possa saber muito da tradição judaico-católica. Enfim, é tarefa do ensino dar um panorama geral, mas priorizando os tópicos mais importantes para a formação da nossa nação.Os budistas, bem, paciência, a gente não precisa aprender a filosofia budista na escola. Já aprender sobre as raízes culturais negras é mais importante (eu não aprendi muito, admito, porque é agora que eu estou saindo do ensino médio que elas estão começando a ser ensinadas de verdade).
Eu só queria mostrar que não é um bom argumento utilizar a falta de destaque da cultura/história negra nos vestibulares como argumento para as cotas raciais...
Mas, esquece os budistas, enfim. Não tinha muito a ver mesmo.Mas não foi a intenção dizer algo do tipo:"ah, os budistas são tão discriminados quanto os negros". Foi só dizer que, se o vestibular (destaque para essa palavra, não estou falando da sociedade!) discrimina culturas, a gente precisa de cotas para um monte de gente, não?

sofia disse...

E "negros" é um grupo tão abrangente quanto "budista" (na verdade muito mais abrangente, pois é uma cor e não um grupo cultural/religioso), né? Aqui no Brasil existem negros adeptos do candomblé, do catolicismo, do islamismo, até do próprio budismo... Existem negros que sabem da história dos seus antepassados, e negros que não sabem.Enfim, utilizar como argumento para as cotas raciais uma suposta discriminação cultural nos processos seletivos é estranho, para mim.

Anônimo disse...

Eu concordo completamente com as cotas pois vejo nelas uma maneira de equilibras as injustiças sociais do Brasil, mas ainda tenho alguma resistência contra ser por "raça" e não por situação sócio econômica. Não penso que o passado de exploração deva ser ignorado, mas é dificil quantificar e transformar todo este sofrimento depois de anos de injustiça sem prejudicar outras pessoas que também estão a margem da sociedade, mesmo que não sendo pela cor. Penso que o sistema de cotas sendo apenas ou principalmente racial cria mais uma injustiça quando tenta diminuir outra. Sou mulata e poderia ter usado as cotas para ingressar na minha universidade, mas tive amigos brancos com maior dificuldades econômicas e de acesso a escola que eu que não teriam direito a elas. Vivi a situação de duas pessoas criadas em condições de pobreza, estudando na mesma escola mal aparelhada e tendo de trabalhar em meio período para ajudar a família: E ainda assim, uma delas teria que concorrer diretamente com candidatos que estudaram toda a vida em colégios particulares e a outra teria o auxílio das cotadas devido ao seu fenótipo e questões históricas. Não penso que isso é lógico, e que a escravização dos antepassados dê uma vantagem entre pessoas atuais criadas sobre as mesmas condições e dificuldades. Concordo que o negro com toda certeza tem chances de sofrer desrespeito, mas penso que isso não deve ser "compensado" desta maneira, e sim desconstruído. Acho que se criando cotas sócio econômicas, o objetivo de homogenização da sociedade com oportunidades equivalentes para todos será alcançado, além de de ser possível criar uma metodologia fixa para a definição das cotas.
Mas estou aberta a discussões para tentar compreender o tema melhor!

Heitor disse...

"Sou filha da camponeses descentes de imigrantes. E sabe o que os meus bisavós tiveram que nenhum ex-escravo teve no início do século XX?

ACESSO GRATUITO À TERRAS."


Falácia.

As terras em questão não passavam de um monte mato sem ninguém. Da mesma maneira que estes imigrantes se instalaram nestas terras vazias, muitos escravos libertos se reuniam em quilombos, também criados a partir do nada em terras vazias. E não é verdade dizer que os colonos recebiam as terras de graça. A primeira leva de imigrantes, cerca de 10.000 pessoas, recebeu algumas terras, todo o restante teve de comprar.

Além do que, estes imigrantes eram abandonados à própria sorte uma vez aqui. Suas colônias não contavam com nenhum auxílio do governo.

O único favorecimento que o governo deu para estes foi a liberação quanto à cidadania (para aqueles que se dispunham a comprar as terras e arcar com os custos da viagem).

Ao contrário do que o senso comum diz, ser imigrante europeu no Sul do Brasil não era nenhum privilégio, muito pelo contrário. Era algo bastante ingrato. Muito melhor era viver nos centros urbanos da época, coisa que a grande maioria dos ex-escravos foram fazer.

Christian Maximiliano Fantin disse...

Olá, como estão?
É incrível o seu post, eu não tenho palavras para descrevê-lo.
Deixo-lhe uma obra musical composta em homenagem a Zumbi e todos os que habitaram o Quilombo dos Palmares. É universalmente livre, pois eu dei para o domínio público.
Aqui está o link para o meu site onde se pode ouvir, baixar e compartilhar com aqueles que querem:
www.unirmusica.com/christianmfantin
Espero que este comentário seja do seu agrado e gostem deste humilde tributo.

Christian