sábado, 2 de novembro de 2013

GUEST POST: PELO DIREITO DE SER FRÍVOLA, FRUFRU, ROCOCÓ

Bom, já tivemos manifestações pelo direito de muitas coisas por aqui. A Thaís quer ter um direito um pouco mais controverso.

Conheci o feminismo através do blog de uma Lolita (Moda Urbana Japonesa, nada a ver com Nabokov), e desde então tenho lido a respeito. Eu gostaria de falar um pouquinho sobre uma situação que tem se repetido desde que me descobri Feminista. Eu sou Lolita e um pouco nonsense. E sinto que algumas pessoas têm muito preconceito com o meu estilo de vida. Só que eu trabalho e faço bicos para manter meu estilo de vida frívolo e frufru.
Eu fui muito bem educada, mas, ao mesmo tempo, acho que cresci um pouco retraída demais. Aliando isso à minha personalidade calma, e à pouca disposição para discussões, fui vítima de várias situações humilhantes. Hoje em dia eu não levo desaforo pra casa, e devo isso ao novo estilo de vida que adotei para mim: Rococó.
Desde criança, eu amo filmes de época e histórias de princesa. Até hoje, eu sento com um bloquinho de papel e desenho princesas e criaturas fantásticas. Quando eu era adolescente me levava a sério demais. Passei por um monte de situações tristes por conta disso. Eu não queria ser uma pessoa frívola, e nem ser vista como uma. Lá no fundo, eu queria me cercar de coisas bonitas e apenas curtir uma vida simples sendo eu mesma. Então eu era do contra às vezes, pelo simples desejo de não ser normal. 
Eu não tinha percebido que a cada dia que passava, eu estava me tornando tão cínica quanto as pessoas ao meu redor. Eu me esforcei tanto para ser diferente delas que acabei ficando igual. Eu via aqueles sorrisos forçados e olhares maldosos, e comecei a me questionar. Questionei tudo que havia em mim que tinha sido influenciado por coisas que eu não gostava. Resumindo? Eu mudei da água para o vinho. Desde meu modo de me vestir, modo de falar, agir e até pensar. Eu perdi o medo de ser frívola. E acabei levando isso a sério. 
Hoje tenho 24 anos e resolvi o que quero da minha vida. Quero ter um estilo de vida lindo e frívolo. Quero levar o jardim que há dentro de mim para tudo ao meu redor. Desde a minha música até a minha falta de religião. Parece errado querer ter uma vida bonita? Sei que pareço fútil e não tenho vergonha disso, mas comecei a reparar que faço muito mais pelo mundo agora  do que antes, quando me julgava séria e socialmente útil. Eu mudei de dentro para fora. 
Eu ajudo amigas que sofrem com o machismo e a falta de respeito. Eu não aceito subornos, não furo filas, não pago por favores, não vendo meu voto, respeito quem me respeita,  não jogo lixo no chão, não aceito injustiças, acredito em um estado laico, não maltrato animais e não espalho o ódio, e, apesar da dificuldade que é, eu tento não julgar as pessoas. Não quero dizer que sou perfeita. Mas a partir de um momento que quis ter uma vida bonita (do meu ponto de vista), eu excluí o que acho feio. E é muito mais fácil aprender hábitos feios do que bonitos.
Eu já ouvi comentários do tipo:
-Você é feminista com todos esses babados?
-Você fala em ser bonita sendo você mesma, mas usa maquiagem e quer emagrecer?
-Você fala que quer mudar o mundo lendo livros e assistindo desenhos?
Eu não sou menos feminista por usar cor de rosa e coroa. Visto uma roupa que eu amo. Os cinco quilos que quero perder é por não gostar do que tenho visto no espelho, não por causa da opinião de alguém. Eu não sou alienada por gostar de batom. Saio pelas ruas parecendo um cupcake trevoso, e escuto um monte de piadas. Já não ligo. Mas se alguém passar dos limites ou me desrespeitar, não tenho medo de exigir respeito e me defender.
Eu brinco de Barbie e vou em protestos. Gosto de cozinhar e leio sobre política. Eu e meu companheiro trabalhamos fora e moramos com a minha mãe, nós dividimos as contas e as tarefas de casa. Na minha família têm evangélicos, espíritas e católicos, eu sou discordiana e me divirto em sites ateus... E por aí vai. Apesar de gostar dessa vida “Rococó”, como eu mesma gosto de chamar, sou humana e vivo em sociedade. Eu acredito em um mundo melhor. Mas acredito mais ainda que o poder de mudar está nas nossas mãos. 
Todo mundo pode fazer sua parte. Eu faço a minha. Essa minha vontade de ter uma vida mais bonita me trouxe uma grande preocupação: consumismo. Então eu arrumei uma solução: reciclagem. Quando a gente muda o mundo muda também. [Nota da Lolinha: desculpe te decepcionar, querida Thaís, mas reciclar não é solução pra consumismo. A solução é consumir menos]. 
Eu não sou boba, e não acredito que o final feliz de uma princesa seja nos braços de um príncipe, ou que eu tenha que ser desse ou daquele jeito para encontrar alguém que goste de mim. Mas eu acredito no Verdadeiro Amor, independente de quantos amores você já teve. A diversão de assistir Branca de Neve e Albergue é a mesma para mim. A diferença é a estética que me agrada mais. Eu tenho calafrios de assistir ao filme As Esposas de Stepford, apesar de amar o figurino.
Acho que a roupa não define caráter. Eu de babados e purpurina sou tão feminista quanto nossas companheiras que tiram o sutiã em forma de protesto. Eu não sou muito inteligente e não sou boa em debates. Mas sei defender meu ponto de vista sem faltar com respeito ao próximo. Acho que as pessoas têm que pensar menos em como elas querem parecer e serem mais como elas mesmas. 
Muito obrigada pelo desabafo Lola. Tenho um slogan que uso muito com as minhas amigxs: Sou feminista, sou princesa e a Lola me representa. Um beijão perolado e cheio de rendas para você.

118 comentários:

Fernanda disse...

Hahahahahahaha cupcake trevoso é uma das melhores coisas que já "ouvi"! Hahahahahahhaha tô tentando imaginar a coisa!

Larissa Petra disse...

Gente eu AMO Lolitas, principalmente as sweet lolitas e hime lolitas, mas amo várias tribos japonesas como Decora -kei fairy kei, e amo a moda coreana Ulzzang, na boa já me aventurei por várias dessas tribos em eventos e gasto muita grana com isso, se isso é ser fútil e frívola eu sou com muito orgulho, e me deixem em paz.

Larissa Petra disse...

...a já ia me esquecendo, um beijo cheio de rosa, purpurina, renda e babados para vc ! XD
<3

Aninha disse...

Eu vou rir eternamente com o cupcake trevoso!

Meu mundo ideal é um lugar onde as pessoas podem estar vestidas de cupcake, dominatrix ou nem terem penteado o cabelo e serem respeitadas do mesmo jeito.

Eva disse...

Gata, eu te entendo. Ah, como eu te entendo. Sou jogadora de RPG, "comunidade" que, nos últimos tempos, tem se aproximado bastante da galera que curte o mundo dos mangás e animes. E já tive meu feminsmo questionado por coisas como gostar de comprar props de RPG, de gastar muito com livros de RPG, de ir fantasiada a eventos e por ai vai.

Quanto ao lance do consumismo, uma alternativa que tenho descoberto é procurar produtores alternativos, como pequenos artesãos, pequenas cooperativas, privilegiar aquelas pessoas que vivem do próprio trabalho em detrimento de quem explora o trabalho alheio para lucrar sempre e quando eu posso.

E não, você não é menos feminista com seu visual Lolita, assim como não sou mais ou menos feminista fantasiada de Poison Ivy, jogando RPG com os meus amigos ou participando de protestos. A gente só precisa se atentar pra nada virar impositivo, pra não aceitar a pressão alheia (ou seja, que vem do sistema), procurar nossas próprias verdades e jamais querer impô-las sobre ninguém.

jonas_cg disse...

Bacana, gostei do ponto de vista da Thais, apesar do termo "lolita" me incomodar um pouco rs



lua da silva disse...

Bom, não vejo porque a menina do post quer reivindicar o "direito" de ser frívola.
Num mundo onde há consumismo, onde a aparência (externa, casca, superfície) importa tanto mais que a parte interna, ser frívola não me parece algo a se reivindicar.

Caroles disse...

Lolinha, só tenho a comentar que agora te gosto muito mais! Lolita é meu livro preferido há muitos anos, já li e reli milhões de vezes! Até já tinha pensado em te perguntar se teu nome é por causa da Dolores Haze (é?). Adorei :)

Caroles disse...

Quanto ao resto do post, entendo um pouco, porque amo batom, rímel, vestidos, saias, roupas floridas, e já notei uns olhares tortos em encontros feministas. Mas nem ligo. Acho bobo julgar as pessoas assim.

Eva disse...

"Bom, não vejo porque a menina do post quer reivindicar o "direito" de ser frívola.
Num mundo onde há consumismo, onde a aparência (externa, casca, superfície) importa tanto mais que a parte interna, ser frívola não me parece algo a se reivindicar."

Na verdade, se você parece minimamente "frívola" sob o ponto de vista de alguém, rapidinho tentam caçar sua carteirinha de feminista.

Maria Fernanda Lamim disse...

Acho que o que a menina ta relatando na verdade tem a ver com um preconceito contra feministas , tipo "nao sao femininas, sao feias, nao se depilam etc". Tipo o que ela falou: "vo ce e feminista com todos esses babados? " como uma feminista "tem" que ser? Enfim, eu acho e que o mundo vai ser um lugar bem melhor qd todo mundo parar de tomar conta do alheio! E cada um vai poder ser do jeito quiser, sempre respeitando o espaco do outro. :)

Kittsu disse...

Lembro que vi a algum tempo uma comunidade no facebook pleiteando algo do tipo "pelo direito de ser uma feminista fofinha". Achei engraçado, mas não no sentido jocoso, e sim no sentido de achar interessante, bonitinho e de um humor realmente engraçadinho.
É dificil traçar a linha que separa a expressão pessoal de individualidade da superficialidade impensada quando se trata de algo mais chamativo, pomposo ou chocante pelos "padrões tradicionais". Tipo a pessoa que gosta de malhar pra ficar cheio/a de musculos, tem animais exóticos, gasta com "bobagens"*, tem um hobby diferentão.

*"bobagens": qualquer coisa que não seja o que a elite manda você consumir sem raciocinar.

Maiê F. Rezende disse...

Não acho nada demais. As pessoas têm o direito de se vestir e viver como quiserem, desde que façam isso conscientemente e não estejam prejudicando ninguém. Eu vivo em uma cidade conservadora e acho ótimo quando vejo alguém vestido diferente ou adotando um estilo de vida incomum. Padronização e patrulhamento da vida alheia são um saco!

lua da silva disse...

Eva.
"Na verdade, se você parece minimamente "frívola" sob o ponto de vista de alguém, rapidinho tentam caçar sua carteirinha de feminista."

Entendi, ela quer lutar pelo direito de ser "feminista", é isso? ou seja, é um recado para as feministas e não para a sociedade machista e consumista?
Bom, mesmo assim, ao contrário do seu comentário,
" se você parece minimamente "frívola" sob o ponto de vista de alguém,"
a autora não quer que as pessoas não pensem que ela é frívola, ela mesma se diz frívola.

Esta menina será ou não feminista pelas suas atitudes e ideias. Claro que a aparência não diz tudo. Mas me desculpe, uma vida voltada para o "bonito" como estilo de vida, a coroa a Barbie etc, para mim, é a representação da opressão da mulher. Não vejo como ser feminista e não questionar estes símbolos.Sei que uma o oura coisas nós acabamos reproduzindo deste mundo consumista e opressor, mas adotar isso como estilo de vida e conciliar com o feminismo?Sei..
Se ela critica as feministas por não ser aceita e quer o direito de ser uma, já que propõe o post, poderia ter nos ensinado como ela concebe o feminismo e como isso pode não entrar em contradição direta com seu estilo de vida escolhido, com a Barbie, com o "bonito" a eliminação do feio, com a escolha do cor de rosa etc etc...Entende?

Outra coisa, me desculpe, mas vejo uma reprodução acrítica e exacerbada do "caçar a carteirinha de feministas". Com este chavão (necessários em algumas ocasiões, mas não em todas)se permite tudo.
Absolutamente tudo pode virar feminismo, é isso? Afinal, não queremos caçar carteirinhas.Nisso, estamos numa permissividade para o machismo penetrar o movimento feminista sem tamanho.

Larissa Petra disse...

Gente, querem padronizar até o feminismo, já briguei com uma amiga minha que é feminista só que ela é dessas que se acham mais feministas que as outras, pq ela não usa maquiagem, e ela se veste "mal" (apara os padrões da moda), cara eu gosto de rosa, AMO moda, amo roupas e vou sim continuar me vestindo com estilo, gostar de moda, de rosa, renda, babado, maquiagem e serei feminista, pq até aonde eu sei o feminismo existe para quebrar padrões e não para criar novos, e principalmente o feminismo prega que nós mulheres vivamos do jeito que a gente escolher, foi oq eu escolhi para mim.

lua da silva disse...

Eu não quero padronizar nenhum feminismo. No entanto, uma coisa é fato, o feminismo necessariamente luta contra a opressão machista.
(ou já existe um neo-feminismo que não luta mais?)

Como historicamente a opressão machista se manifesta em símbolos: coroa, padrões de beleza, cores separadas para homem e mulher, objetificação da mulher através do controle da aparência e o estímulo para a perseguir um ideal de beleza em detrimento da mulher agir na vida pública e política, etc etc..

Eu só queria saber como que alguém que reivindica o feminismo e o estilo de vida "frívola" concilia estes dois mundos. Só. Já que a pessoa se propôs fazer um post sobre este direito.

Agora me desculpe mas é um saco qualquer discussão ser minada pelo "caçar a carteirinha de feminista", sobre "padronização do feminismo" etc...
Com isso não discutimos nada. Tudo é feminismo é o mundo fica como está.
Eu respeito a autora do post como qualquer pessoa, que ela se vista como quiser. A minha única pergunta é a conciliação deste estilo de vida com o ideal de feminismo.Isso ninguém quer debater.

lua da silva disse...

E gente, acho que há uma inversão desonesta.
Quem cuida da aparência da mulher e a controla é a sociedade machista, não as feministas.
O que o feminismo talvez discuta é o que está por detrás da busca louca e opressora pela beleza. Eu nunca conheci nenhuma feminista que tenha tratado mal, que fez bullying ou que foi violenta atacando a mulher dita vaidosa. SE for é minoria.O que discutimos é esta ideia padronização!

Eva disse...

O que ela está reivindicando é o direito de aparentar ser como ela quiser, de acordo com sua própria visão de mundo. Se ficarmos brigando umas com as outras porque fulana parece mais feminista do que sicrana, o patriarcado vence.

Não se trata de uma invenção - uma coisa é apontar símbolos que são colocados como os únicos possíveis. No mundo dos fandoms, temos que lutar a todo instante de nos apropriarmos de espaços e símbolos como bem quisermos e entendermos, sem por isso cair dentro de um conceito ditado pela ampla maioria masculina como ideal ou desejável.

Eva disse...

"Eu só queria saber como que alguém que reivindica o feminismo e o estilo de vida "frívola" concilia estes dois mundos. Só. Já que a pessoa se propôs fazer um post sobre este direito."

Que tal o fato de que o que ela veste ou deixa de vestir não a torna menos gente? Que tal ser ou não ser frívola não fazê-la ser menos gente?

Uma coisa é levantarmos discussões teóricas. Outra coisa é começarmos a "pessoalizar" as acusações contra indivíduas, e infelizmente tenho visto muito disso por ai.

Eva disse...

Não se trata de uma invenção = Não se trata de uma inversão.

Larissa Petra disse...

Cara, eu não estou culpando as feministas, afinal eu sou uma, porém é muito contraproducente ficar brigando e discutindo quem é mais ou menos feminista, a questão é que ela pode sim gostar da Barbie, e de rosa, porém saber que as mulheres não são obrigadas a gostar, nós feministas não temos tempo para parar e brigar sobre oq é um estilo de vida feminista ou não, temos uma luta muito maior que precisamos lutar.
Pq nós mulheres somos julgadas pela sociedade pelo simples fato de existirmos, tipo "nossa como essa menina é bonita, magra, e se veste bem, deve ser burra, fútil sem nada na cabeça"
"Nossa como essa menina é mocoronga, feia, e não se arruma, deve ser uma lésbica, triste mal comida"
"Nossa como essa menina é gorda, não deve pegar ninguém"...
enfim o mimimi da patrulha não para, então nós feministas devemos acolher todas essas mulheres, pois no mundo ideal a pessoa se veste como quer, faz oq quer, gosta do que quiser e ninguém a julga por isso.

lua da silva disse...

OK Eva, eu entendo.
"Que tal o fato de que o que ela veste ou deixa de vestir não a torna menos gente? Que tal ser ou não ser frívola não fazê-la ser menos gente?"

Como feminista eu entendo a escolha da autora do post. É óbvio que ela é gente que merece respeito como gente. Agora, para a autora ser feminista, não basta ser mulher, certo? Além dela reivindicar o direito dela se vestir assim, eu queria entender como é que este estilo de vida de símbolos opressores se concilia com o feminismo, já que ela se propôs fazer um post de reivindicação.
Que ela tem o direito de ser assim é óbvio. Eu a respeito como indivíduo. O que eu não posso entender é a "ligação" estilo de vida frívola e feminismo.

lua da silva disse...

Gente, não é questão de criticar quem é menos ou mais feminista.
É só de querer entender como que a "escolha" de um estilo de vida que adora símbolos de opressão se concilia com o feminismo. Só.
Me surpreende as feministas aqui acharem mais absurdo minha interrogação do que achar "super normal" esta conciliação do feminismo.

É muito absurdo, eu como feminista, querer entender como que alguém escolhe um estilo de vida frívola e reivindica o feminismo? Veja, é diferente de nós porventura adotarmos posturas frívolas, a autora "escolhe" isso omo estilo de vida e isso é curioso para o movimento feminista. Eu só queria saber se a autora teria contradições, se ela talvez resinifique (e como) estes símbolos, pensar se é possível resinificar, pensar nos padrões de beleza, se ela julga os outros pela beleza, o que ela entende como belo, feio etc etc etc..

Me desculpe vários comentários e me retiro se quiserem ficar repetindo a crítica do "carteirinha feminista" e afins sem debater nada.

Carol NLG disse...

Desde que no sistema dela de ser "contra o feio" não signifique julgar os outros, ela que se vista como quiser.

Eu sou feminista. Eu uso maquiagem. Eu gosto de me vestir bem. Eu estou fora dos padrões em termos de peso. Eu estou dentro dos padrões em termos de cor/cabelo. Eu gosto de me sentir bonita. Mas não julgo que coloque um saco de linhagem no corpo e saia, se sentindo tão bonita quanto. Eu fico muito bem de vermelho. Não fico bem de rosa. Fico muito bem com alguns tons de azul. E o fato de saber tons que ficam legais em mim nào diminui meu feminismo.

Ser feminista não significa ser um ogro. Nem o clichê da mulher peluda queimando sutiã. Claro, se a mulher quiser ser peluda, queimar sutiã, etc, seja feliz. Achei que o feminismo era pelo direito de escolha. Escolher ser frufru, ser queimadora de sutiãs, ou qualquer coisa no meio.

Ceres disse...

Um simbolo opressor nem sempre é opressor. Ela pode ressignificar esses simbolos. Por ex., indo em uma manifestação de coroa e babados. Ora, se ela não está no lugar da oprimida e sim da resistência esses elementos deixam de serem significar opressão ali, naquele momento. Como uma princesa que grita e diz que vai comamdar o país. A significação não está no objeto e sim no sistema patriarcal.

lua da silva disse...

Ceres, eu acho que um símbolo opressor é opressor até que coletivamente consigamos resinificá-los. Infelizmente, não vejo
"Ora, se ela não está no lugar da oprimida e sim da resistência esses elementos deixam de serem significar opressão ali, naquele momento. " Acho que as coisas não são tão simples assim.

É o que, em parte, acontece com o termo vadia. Só que isto é uma construção coletiva e não individual. Segundo seu raciocínio, não vejo, por ex. como um negro ou cigano possa usar uma suástica e ressignificar o crime contra direitos humanos cometidos pelo nazismo. Se isto pode acontecer? não sei, mas isso é algo coletivo.
Pra mim, coroa, princesa, a busca d "belo como estilo de vida" continuam sendo símbolos da opressão e não o seu contrário.

Eva disse...

"eu queria entender como é que este estilo de vida de símbolos opressores se concilia com o feminismo"

A partir do momento em que ela se apropria destes símbolos sem, contanto, deixá-los a serviço de valores controlados pelo patriarcado - ou seja, fazendo deles o que bem entender, como dona do próprio corpo e da própria vontade que é, ela recebe meu convite pra tomar sorvete e ver uns animes, adoro o estilo magic girls.

Sei que, pra quem está de fora, é difícil entender. Mas nestes meios existe sim uma pressão para que a mulher, ao entrar neste "mundo", passe a se encaixar nos sonhos masculinos. Existem símbolos - que são facilmente identificáveis por quem minimamente compreende este mundo "frívolo" dos fandoms - que indica claramente quem são as mulheres que pegam estes símbolos e fazem o que bem quiserem dele.

Eva disse...

Ah, e acredite. Nós somos atacadas da mesma forma dentro desses mundos (porque são vários, que se comunicam até certo ponto) que somos fora deles. Basta uma mulher que faz parte destes mundos exigir o direito de ser tratada como gente que começam a nos xingar de gordas e por ai vai - gordofobia mandou um abraço.

Eva disse...

A propósito, concordo com a autora do guest post, menos numa pequena questão - não considero isso como frívolo no sentido de ser superficial. Quem é fã de fantasia em geral e faz parte do mundo nerd/otaku sabe o poder que as metáforas que compõem estes mundos têm para nós. A propósito, eu me descobri feminista fazendo parte deste mundo. Curioso, né? Metáforas são coisas poderosas, e eu não acredito que o direito de sonhar seja algo frívolo.

Êmili Lemanski disse...

A fantasia não serve apenas de válvula de escape. Para muitas de nós, a fantasia é empoderadora.
Através dela, podemos nos colocar no papel que quisermos, e tomarmos conhecimento de nós mesmas, e do que nos define e nos faz felizes.
Como podemos explicar para alguém de fora o quanto jogar RPG, ler um mangá com uma personagem feminina forte ou vestir cosplay/fantasia de sua preferência nos dá aquela sensação de plenitude, de 'eu posso ser quem eu quiser, e não é o patriarcado que vai tirar isso de mim'?

Eva disse...

Emi <3

A questão é que a fantasia pode mesmo nos ajudar a exercitar nossa vontade. Poxa, somos tão, mas tão massacradas no mundo "real", que viver em um mundo em que somos "princesas" que lutam por valores idealizados de beleza, de justiça e igualdade pode fazer toda a diferença do mundo. E trazer um pouco destes símbolos para a nossa realidade imediata nos ajuda a relembrar aqueles momentos em que nos sentimos empoderadas, mesmo que de faz de conta, e nos ajuda a trazer um pouco dessa garra para exercer o protagonismo em diversas instâncias da vida para o mundo real.

Eva disse...

(porque nesses mundos de fantasia, podemos ser princesas, magas, guerreiras, podemos ser o que quisermos. Nunca, antes de ter contato com esses mundos, me disseram que eu podia lutar em pé de igualdade por nada, nem mesmo para alcançar essa igualdade)

bruna disse...

Eu vejo este post como alguém que, mesmo inconscientemente, está tentando agradar aos "dois lados". Sou bonitinha, gasto a maior parte do meu tempo em rituais de beleza, gasto parte do meu dinheiro mantendo a indústria da beleza, e quero que as feministas gostem de mim, pois eu sou excêntrica e me assumo.
Legal a autora do post viver seu estilo de vida além dos limites tradicionais impostos pela sociedade média. Mas é muito difícil fazer com que a barbie ou a cor rosa se tornem armas feministas. A barbie é um símbolo de grande utilidade para o status quo. Ela é o exemplo do que uma mulher deveria ser: alta, magra, loira, siliconada, e que gasta muito tempo com roupas e cosméticos.
Não há necessidade de exigir ser algo que a própria sociedade quer que você seja. As indústrias de moda e cosméticos devem te adorar. Não há uma luta entre vocês, pois você está fazendo o que eles querem. Trabalhando extra para comprar cosméticos. Vc deve ficar tão exausta por tentar ser perfeita que mal tem tempo de se indignar.
Eu não consigo ver como esse livestyle é convergente com o feminismo. É como se um branco fosse no meio de um protesto pelo orgulho negro e exigisse respeito e admiração por ter orgulho de ser branco. Pq orgulho de ser branco? É tão difícil assim? Pq o orgulho de ser fútil? É tão difícil? É tão contestador? Ser fútil é perfeito para o sistema atual e há toda uma cultura nos pressionando a ser fútil diariamente, desde que nascemos. Díficil é ir contra essa cultura, e não se conformar a ela.

Respeito seu estilo de vida. Adoro pessoas excêntricas (eu mesma sou uma, mas não me iludo com o "belo"). Acho que vc está certa de exigir respeito por ser excêntrica. Com certeza a maioria das feministas vão te respeitar por ser diferente.
Mas a procura pela beleza feminina padronizada nunca será uma demanda feminista. As feministas não irão fazer protestos para terem direito a usar batom e renda. As feministas querem libertar as mulheres desses símbolos opressores. Nós não chegamos na fase da escolha ainda. As mulheres são fortemente induzidas a usar maquiagem, e algumas se iludem pensando que é uma escolha.
Não é fácil resistir ao modelo padrão. Quem resiste se liberta.
Não acho que seja correto cassar carteirinha de feminista. Mas o uso do batom não é uma exigência feminista. E se permitirmos que barbies se autodenominem feministas - feministas limpinhas, que gastam horas se arrumando, fazendo dietas e procedimentos estéticos - estaremos esvaziando o nosso movimento, tornando-o tão obsoleto como o movimento do orgulho hétero.
Me solidarizo pelo sofrimento que eventualmente vc tenha por ser excêntrica num mundo tão padronizado e te parabenizo por tentar ser vc mesma. Mas, desculpe, não te considero feminista consigo mesma.

lua da silva disse...

Oi Eva.
"A partir do momento em que ela se apropria destes símbolos sem, contanto, deixá-los a serviço de valores controlados pelo patriarcado - ou seja, fazendo deles o que bem entender, como dona do próprio corpo e da própria vontade que é, ela recebe meu convite pra tomar sorvete e ver uns animes, adoro o estilo magic girls."

Eu entendi, mas a autora é dona de si mesma em que sentido? Como que seguir o belo como estilo de vida é ser dona de si mesmo sem dizer amém para o patriarcado? Basta dizer?
Todo mundo é dona de si mesmo, alguns criticam a opressão outros não.
Eu me solidarizo com a autora enquanto individuo, mas não entendo a relação com o feminismo.
A autora é cntra ou não dos padrões de beleza? Da objetificação da mulher? Da necessidade de nos voltarmos mais para a vida pública e de buscar a igualdade em detrimento da busca pelo belo? Isso ainda não fica claro.
Ate ai beleza, ela tem todo o direito de ser o que quer, inclusive o machismo-capitalismo adora gente que consome e quer ser belo. Mas o feminismo vai se se aliar à isso? É?


Carol Montagner disse...

Lua, concordamos em muita coisa. Meninas, por favor, não quero ofender ninguém. Vou falar sobre a minha experiência, não cagar regra. Só vou citar como foi para mim, para explicar por que concordo.
Me entendo como feminista há uns cinco anos. De assumir o termo, quero dizer. E sempre fui super ligada em aparência, sempre investi muito tempo e dinheiro nisso. Mesmo já estudando o feminismo, não via nada demais em ser assim, e admito, achava um horror quando vinha aqui e lia a Lola contando que não estava nem aí pra nada disso.
Foi preciso muito mais estudo e reflexão para entender o que ela estava falando, sobre padrão de beleza (mais uma vez, falando do MEU processo). Autora do post, você quer perder cinco quilos porque não gosta do que vê no espelho. Mas por que não gosta? Pensa nisso. Quem inventou que mais magra é mais bonita? Desculpa, mas a essa conclusão você não chegou sozinha. Veio do tal padrão de beleza, que é tão incutido na gente, desde pequenas, que passa a ser inconsciente.
Eu, Caroline, amava saltos e tinha uma coleção. Hoje acho absurdo pensar nos meus pés naquela posição, e tenho menos sapatos que o meu marido. Adorava maquiagem, e hoje não entendo por que pele tem que ser uniforme, se não sou de plástico. O que há de errado com minha boca, para precisar ter sua cor alterada. Por que raios meus cílios precisam ser alongados e destacados. Por que eu fazia tudo isso, para depois não poder esfregar os olhos, ou jogar água fria no rosto bem no meio de um dia quente. Por que eu tinha que ter as unhas compridas, se era tão pouco prático e eu perdia o tato na ponta dos dedos, e pra que esmalte, pra ter que tomar cuidado com tudo para fazer o danado durar. Por que pintar cabelo? Por que fios brancos são tão vistos como feios, só para mulheres?
Então, bem devagar, abri mão de todo esse mundinho estético. Para viver mais simples, para ser mais pratica, para ficar mais à vontade, investir meu tempo e meu dinheiro em coisas que me fizessem mais feliz.
Até aqui, totalmente pessoal. Mas qual o lado feminista?
Está no padrão de beleza, que nos faz desejar tudo isso, que impede que vejamos beleza fora dele, e que faz as mulheres competirem entre si. Patrulhar o corpo da outra, o cabelo, a roupa. Que nos deixa tristes por ganhar peso, por ganhar estrias, rugas. Por que nossa pele, nosso cabelo, nossa altura, nossa idade não são ideais. Ninguém é perfeito dentro do padrão de beleza, todo mundo é obrigado a consumir, consumir e consumir. Quem ganha com isso?
Então escolhi praticidade e conforto, sim, mas mais do que tudo, escolhi não mais me deixar manipular.
Não estou dizendo que feminista não pode, por exemplo, ter mil sapatos. O que estou dizendo é que ter mil sapatos não é feminista.
Mas e daí? Dá pra ser feminista 100% do tempo? Acho que não. Abandonei essa contradição, mas certamente ainda tenho as minhas.
E Lola, acho você linda. Não pq o padrão de beleza diz assim. Mas porque os meus olhos dizem!

bruna disse...

Outra: não questiono o poder da fantasia e o envolvimento dos fãs. Respeito, entendo e considero importante.
Mas em qual universo passar cinco horas por dia arrumando o cabelo, se maquiando, cuidando da pele, usando roupas desconfortáveis que limitam nossos movimentos, fazer dietas sofridas e desnecessárias e, em casos mais extremos, procedimentos cirúrgicos desnecessários e perigosos, é libertador para a mulher?

Não sou a favor da extinção da fantasia, sou a favor de um olhar crítico sobre a fantasia. Porque essas lolitas devem ser tão arrumadas e magras? Qual é o objetivo disso?

Fantasia faz parte da política, e não é a toa que vários quadrinistas incríveis já foram contratados pelo governo dos EUA (só pra dar um exemplo, existem vários casos).
A quem determinada fantasia está a serviço?

Por exemplo, eu sou fã de tolkien, mas sempre me pergunto pq há pouquíssimas mulheres fortes em senhor dos anéis. Há personagens masculinos incríveis, e as poucas mulheres que fazem algo na história são poucas. Não há muitas heroínas na terra média. Porque será?
Continuo fã de tolkien, mas não quero viver na terra média, pois provavelmente eu seria ou invisível, ou uma mulher apaixonada por um homem, ou uma vilã.

Nada contra a fantasia, tudo a favor da fantasia crítica!

Eva disse...

Bruna, posso te falar do mundo de que faço parte aqui no Brasil - o RPG. A entrada feminina em massa nesse meio é coisa meio recente, e nós temos sempre que comprar boas brigas sobre isso.

Quanto a personagens femininas no mundo de Tolkien, eu concordo. É por isso que, ao revivê-lo, reinventá-los, nos apropriamos deles. Mas, veja bem - Galadriel, vey. Ela tocou o foda-se pra tudo e decidiu seguir seu próprio caminho. Existem outras personagens femininas muito fortes na Terra Média, que não necessariamente são ligadas por amor a personagens masculinos, e se não me engano há um livro chamado Senhoras dos Anéis ou algo assim que trata disso.

Ninguém disse que não somos críticas. Só que queremos o direito de ser, sem por isso sermos consideradas mais ou menos enquanto indivíduos.

Carol Montagner disse...

Bruna, é isso mesmo. Clap, clap, clap!

bruna disse...

Carol Montagner, achei lindo tudo o que vc escreveu! Adorei!

bruna disse...

Eva, tenho muito interesse por RPG também, e sei o quanto as mulheres estão abalando esse mundinho antes exclusivo dos homens. Estou adorando isso, quero ver mais mulheres criando fantasias geniais, e impondo respeito nesse meio. Ainda adoro tolkien e às vezes troco o sexo de alguns personagens pra me sentir mais conectada, mas eu não posso negar que há um lado triste em ser mulher (até mesmo na fantasia, onde, em tese, tudo é permitido). Fico triste em reparar que mesmo na fantasia as mulheres são menos. Mas essa tristeza não me desconecta da fantasia já criada, faz com que eu me estimule a mudar esse quadro atual.
Não considero feminista as mulheres fãs de diversas artes se conformarem com os mundos ficcionais. Considero feminista abalar esse mundo, mudar tudo e entrar de corpo inteiro na fantasia, sempre tendo em mente o porquê de tudo e o que se fazer para mudar os aspectos equivocados.

Eva disse...

Eu acho - só acho - que vocês estão simplesmente cagando regra. Mesmo.

Óbvio que o motivo de algo ser "obrigatório" precisa ser questionado. Nada deve ser obrigatório, nenhum modelo de beleza deve ser pré-requisito para nada. Nada idealizado deve ser mandatório para nada.

Mas por que alguém "não está sendo feminista consigo mesmo" por reivindicar o direito de vestir, de se sentir como quiser?

Eva disse...

"Não considero feminista as mulheres fãs de diversas artes se conformarem com os mundos ficcionais. Considero feminista abalar esse mundo, mudar tudo e entrar de corpo inteiro na fantasia, sempre tendo em mente o porquê de tudo e o que se fazer para mudar os aspectos equivocados."

Primeiro, existe o momento do contato. Se eu já me conformei com muita coisa torta neste mundo? Óbvio, eu comecei a jogar RPG aos dez anos, e fui, por muito tempo, a única mulher na mesa de jogo. Já tive que lidar com assédio, abuso e coisas do gênero, sem falar no machismo geral dos jogadores, que não diferem muito dos homens de fora deste meio. Entretanto, antes de transformar, costumamos nos apropriar. Passei a buscar caminhos diferentes quando dominei totalmente um dos muitos subnichos dentro do RPG - foi quando passei a ser taxada de feminista radical maluca, porque estando em pé de igualdade com homens, muitos não aceitavam que eu podia ser tanto quanto eles.

Só acho muito nocivo atacarmos umas as outras por escolhas pessoais. Uma coisa é questionar a obrigatoriedade destes modelos, outra coisa é atacar a pessoa, e creio ser em relação a isso que a autora do guest post está se manifestando.

Eva disse...

E outra questão quanto ao Tolkien... Eowyn, a dama branca de Rohan. Contrariando a condição feminina em seu reino e reivindicando para si o direito de ser uma guerreira do povo rohirin, vestiu armadura e matou apenas o Rei Bruxo de Angmar. Cansada de esperar que os homens decidissem por ela, tomou seu destino em suas mãos e fez cumprir a profecia da queda de um dos grandes vilões da Terra Média.

Se tem muita coisa torta no mundo de Tolkien? Tem sim. Não estamos de olhos fechados pra isso. E continuamos a produzir, produzir e produzir, conteúdo feito por mulheres e disponível para quem quiser ler. Não sem muita briga, não sem muito estresse, mas vamos que vamos.

lua da silva disse...

Eva, com todo respeito.
"Eu acho - só acho - que vocês estão simplesmente cagando regra. Mesmo."

Se vc acha que questionar a "busca do belo" como feminismo seja "cagar regra, sim estamos cagando regra.

Se ser contra o padrão de beleza que oprime é cagar regra, sim, estou cagando regra.
Se questionar o feminismo que diz amém para a coroa de princesa é cagar regra, sim, estou cagando regra.

Para vc, ou outras, o feminismo não tem nenhuma regra? È uma pergunta sincera. Pode o feminismo ser irmãozinho da busca do belo? Pode o feminismo ser qualquer coisa?
Se dizer dona de si mesmo basta para o feminismo?

Eva disse...

O conceito de bom, de belo, é bastante controverso. Agora o que há de errado em alguém criar para si um ideal de belo - sem impô-lo a ninguém - e buscar na própria vida símbolos deste ideal de belo? Esta pessoa perde o direito de ser respeitada em sua individualidade? Seria a mulher que se apropria e ressignifica símbolos menos mulher do que quem não quer saber destes símbolos para si?

lua da silva disse...

daqui a pouso, a dona da escola de princesa de Minas Gerais (lembram?)vai se dizer feminista e vai ter gente dizendo que se ela se diz e se é dona de si mesma (?) isso é feminismo.
Então né.. O idealizador do concurso de miss e as misses tb podem ser feministas, pq se vc se considera dona de si, logo, isso já é feminismo.

Me desculpem, acabo por aqui minha participação pra dizer que este feminismo cor de rosa individualista definitivamente não é meu feminismo. tchau

lua da silva disse...

Eva, a mulher buscar o belo e usar coroa como estilo de vida não é nada menos individuo ou gente, coloca isso na cabeça. Só não é feminismo isso na minha opinião.

Eva disse...

Bom, até onde eu sei, ao fazer um concurso de misses, você está criando um padrão que deve ser seguido. Ao criar uma escola de princesa, você está formatando mentes em formação para seguir um padrão.

No que, alguém que cria PARA SI um ideal qualquer de belo, está impondo algo a alguém? Não seria impor padrão também impor que mulher pra ser feminista não pode gostar de rosa, de maquiagem e etc?

Óbvio que coisas podem ser questionadas. Mas atacar indivíduos por escolhas que fazem para a própria vida, sem impor para ninguém? Isso é simplesmente ridículo. Se o seu feminismo curte impor um padrão qualquer, desculpe, não é o meu feminismo. Não é minha revolução se eu não puder dançar, de salto ou coturno, de tiara ou cabelos soltos ao vento.

Se você ainda não entendeu, esses símbolos, dentro de grupos fandom, possuem outros significados que não necessariamente aqueles impostos pelo sistema.

Eva disse...

lua, ela não disse que isso é feminista - mas que isso não a torna menos feminista. Ela não está reivindicando que isso seja feminismo ou deixe de ser, mas que ela não seja atacada, enquanto feminista, por ser assim ou deixar de ser.

Êmili Lemanski disse...

Sério que vamos começar a discutir quem tem o direito de usar o quer, ao invés de discutir os motivos pelos quais devemos ser obrigadas a gostar de determinadas coisas?
Dizer que a moça é menos feminista por usar vestidos de renda é a mesmíssima coisa que dizer que usar short curto ou camiseta justa é um símbolo anti-feminista. Pelamor, gente.
PRA MIM, ser feminista significa acima de tudo poder fazer o que eu quiser sabendo que nada me é imposto, e ter consciência do que me é danoso e tenta me controlar. O que é bom pra mim, no entanto, não tem de ser automaticamente o melhor pra outra pessoa!
Será que teremos agora de ser uniformizadas, para nos dizermos feministas? Por que pelo que eu lembre, impor padrões é regrinha do patriarcado...

Eva disse...

Emi - 100% de acordo. Aliás, você lembra como foi engraçado quando geral descobriu que nosso blog era coordenado por mulheres? :p

Êmili Lemanski disse...

Yep. As pessoas se assustaram, e muitas começaram a questionar o nosso conhecimento ou as nossas 'credenciais' de nerd. Eu fico feliz que hoje isso tenha diminuido bastante.

Eva disse...

Diminuiu ai? Aqui, uma vez por semana ao menos, ou sou questionada/testada em meus conhecimentos ou sou chamada simplesmente de feminazi gorda que não entende uma piada nerd.

Êmili Lemanski disse...

Eu vejo hoje mais como despeito que qualquer outra coisa, sabe? Mudou de desconfiança genuína pra 'mimimi male tears'. :P

Eva disse...

Ah, você viu o último moço que tomou block no meu Face, o tanto de male tears que rolou no meu inbox antes do block. Só que é bastante complicado explicar pra quem não faz parte desse multiverso, digamos assim, que nem sempre os significantes possuem os mesmos significados.

Êmili Lemanski disse...

Sim, é bastante. O universo geek/nerd/otaku tem particularidades gigantes, e significados únicos pra quem participa dele. Rola ficar aqui o dia todo dando exemplo de personagens foda, de conceitos e comportamentos que nos empoderam ou ajudam a descobrir o feminismo. No entanto, sem contexto, como fazer entender tudo isso?
Por isso, acho que criticar o oprimido ao invés do opressor é um baita problema...especialmente pra quem é de fora.

Eva disse...

"Por isso, acho que criticar o oprimido ao invés do opressor é um baita problema...especialmente pra quem é de fora."

Basicamente é isso.

Koppe disse...

Se uma pessoa te julga pelas roupas que veste e se afasta de ti por causa disso, em parte é um favor que ela te faz - quem perde é essa pessoa, que vai deixar de aprender contigo.

Não acredito na parte que tu diz que não é inteligente; não depois de ler o texto.

Fnord.

(Lola, traduzi o quadrinho... não sei se ficou bom: http://i.imgur.com/vANuRa4.jpg)

Bela Campoi disse...

...Hahaha, eu morro e não vejo tudo. Direito de ser frívola??!! Faz-me rir: que ridículo!

Weber disse...

Essa discussão é muito legal, concordo que ela tem que ser como gosta, e isso não a faz menos feminina. Aliás, isso me lembrou muito o estilo de vida da Zooey Deschanel, que é bem frufru, vintage, adora babados, vestidos e trabalhos manuais, mas é super independente, tem todo controle sobre sua grana e já declarou, por exemplo, que não deseja ter filhos. E já se assumiu feminista. Uma das frases célebres dela sobre isso é essa: "I want to be a fucking feminist and wear a fucking Peter Pan collar. So fucking what?" :P

Marcia Sasao disse...

Eu penso que se uma mulher quer ficar parecida com, digamos, a Gisele Bundcher, ela provavelmente estará querendo ser atraente para os homens, e isso de agradar aos outros não é legal. Porém, uma lolita está fora do padrão de beleza vigente. A Lola foi muito boazinha nas ilustrações do post (rs).
http://www.youtube.com/watch?v=GHuJLn7_2f8

Patty Kirsche disse...

Eu adoro minhas unhas longas pintadas com cores fortes! Aparência é cultura, depende de valores e experiências pessoais. A forma como conduzimos nossa autoimagem é uma manifestação que transmite uma mensagem. Não existe uma mensagem única a ser transmitida, as pessoas são diferentes mesmo. Questão de aceitar.

Larissa Petra disse...

Gente eu adoro meu estilo de se vestir sério, até cometo o "crime" de ter orgulho dele, adoro meia 7/8, saia de babado, cintura alta, chapéus, lacinhos então são a minha marca, sério, sou a "menina dos laços enormes no cabelo". Mas a questão é que isso é pessoal, eu seria anti-feminista se eu dissesse que todas as meninas devem ser assim, "fofas", que uma menina que vista apenas uma calça jeans e uma camisa não presta, todas nós temos o direito de ser e aparentar aquilo que nós escolhemos, ou será que nós mulheres vamos viver o eterno martírio de pertencer a uma regra, primeiro a do patriarcado que diz que devemos ser super modelos loiras que usam roupa da moda, (no entanto quando somos assim não nos levam à sério),depois a do """feminismo""" que diz que devemos ser peludas e não ligar para roupas, cara na boa eu sou mulher, gosto de rosa, de tudo que é kawaii, gosto de princesas e animes violentos de luta, filmes sangrentos do Tarantino e Meninas Malvadas, essa é a minha essência, é quem eu sou, e eu acho de verdade que não tem nada mais feminista do que sermos nós mesmas, pouco se fudendo para oq a patrulha do cú alheio vai falar.

Larissa Petra disse...

E outra...estão condenando a menina pq ela quer perder 5 kg, mas vcs já pensaram que culpar a menina que quer perder peso pela gordofobia, é como culpar o operário pelo sistema capitalista, ela é a mulher, ela q é a vitima da sociedade que diz que devemos ser magras lindas e perfeitas, pq na boa eu sei bem oq é passar fome pela moda, e na boa, a gente sabe que isso é errado, faz mal, mas desde que nós nascemos ouvimos o quão degradante e humilhante é ser gordo, tipo quer perder a dignidade ganhe peso?!
Quando uma mulher chora na frente doe espelho pq está gorda, a culpa n é dela, a culpa é da sociedade que não tolera mulheres felizes.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Acho que o título foi um pouco infeliz. Não acho que uma pessoa que tenha as preocupações que ela tem seja frívola, muito pelo contrário, aliás.
Vejo como frívola uma pessoa superficial, que só dá valor pra aparência em si mesma e nos outros, não se preocupando com mais nada.
Não é porque você gosta de usar vestido, maquiagem, que quer dizer que você não seja inteligente, feminista, ativista, enfim.
É uma falsa dicotomia do patriarcado, na qual todas tomam pedrada. Aliás, incentivam as mulheres a seguirem vários rituais de beleza, mas se você os segue é chamada de frívola, se não segue é mau cuidada. Não tem escapatória no machismo.

Erres Errantes disse...

Eu acho que gostar de fantasia não quer dizer nada sobre a personalidade da pessoa.
Creio que o feminismo deve incluir todos os tipos de gostos, que não dizem respeito diretamente às posições políticas/sociais das pessoas.
Digo à autora do post que, se vestir-se de Lolita a faz feliz, vista-se! Não vejo como isso possa ser contrário ao feminismo, sobretudo mporque ela faz questão de colocar isso no plano da fantasia. Vestir-se de Lolita não quer dizer que ela seja alienada, creia em príncipes encantados ou algo do tipo.
Eu, por exemplo, posso ser vítima desse tipo de preconceito (embora nunca tenha sido), porque curto heavy metal, que é tido como um estilo machista e talz, mas ninguém tem nada a ver com o que curtimos.
Seja Lolita se isso a faz feliz, e seja feminista!

Joana Guilhermina disse...

Concordo que nós feministas não devemos dar satisfações a ninguém sobre o que usamos ou vestimos, mas devemos ficar atentas para perceber se não estamos amplificando símbolos da opressão.
Por exemplo: raspar as pernas ou as axilas, é um claro sinal de violência a mulher já solidificado na sociedade; muitas mulheres fazem isso e nem percebem toda a história de opressão que há por trás disso.
Saber se afastar desses símbolos de opressão o máximo possível é um sinal de evolução dentro do feminismo. O objetivo de toda feminista é evoluir para um estágio em que ninguém terá nenhum sinal de opressão capitalista em si.

Diego disse...

Concordei com tudo que a Lua, a Bruna e a Carol Montagner disseram.

Ser frívolo, ou como eu prefiro chamar, fútil, na nossa sociedade, é algo admirado. Desde sempre, eu ouço elogios pras mulheres que se emperiquitam e eu era um desses que achava as mulheres maquiadas, com cabelo alisado e com corpo esculpido as mulheres ideais, ignorando a mulher como um ser vivo consciente e vendo-a apenas como um alvo do meu desejo sexual.

Com o tempo, percebi o quão isso é idiota. Esse idéia de mulher arrumada é nosso patriarcado querendo ditar regras e se você segue essa filosofia você de fato não será menos como pessoa, mas você está propagando este ideal.

É claro que as pessoas tem que ser o que elas quiserem ser, sem serem julgadas por isto, mas no nosso mundo, todas as nossas ações influenciam aos outros. Tudo que fazemos influencia as pessoas ao nosso redor e se você fica se arrumando bastante, você acaba reproduzindo toda a merda que a sociedade nos faz engolir.

É dificil definir feminismo. É claro que carteirinha de feminista não existe, mas, ser feminista (na minha opinião) não é só achar que mulher não deve ser maltratada, pois tem muitos machistas que acham que mulher não pode ser maltratada. Ser feminista é perceber como o patriarcado é nocivo à sociedade e tentar lutar contra ele. Ser Feminista é saber que a mulher não é um adorno, não é um bibelô. Ser fissurada no belo não vai ajudar em o feminismo em nada.

Julia Niquet disse...

A lua da silva tem toda a razão, não há sentido algum em reivindicar o direito de ser frívola. Essa já é a norma, ora!

No mais, "uso maquiagem porque eu gosto" é a versão feminina do "é o meu gosto pessoal", não cola mais.

Sara disse...

Thais que eu saiba FEMINISTA não tem UNIFORME OFICIAL,(muito embora, ta cheio de pentelhas que querem IMPOR um), portanto querida, se alguém vier te criticar, manda falar com seu dedinho (devidamente esmaltado e cintilante)do meio OK???

jacmila disse...

E a VELHICE?

Lola e suas fãs: todas adolescentes

Lola: e seus sinais de menopausa?

Por que não trata de assuntos mais contundentes? exemplos: envelhecimento (porque dona lola, não és mais adolescente), ter q cuidar dos pais idosos, invisibilidade das mulheres mais velhas, autonomia financeira e emocional...

Desconfiava - e agora tenho certeza - q a dona lola foge destas questões q nem os seus mascus fogem das mulheres reais

Larissa Petra disse...

Perdão Jacmila, mas a Lola tem muitos posts sobre a invisibilidade das mulheres mais velhas, sobre a Real beleza, se eu ganhasse uma moeda a cada vez que a Lola indica o livro o Mito da Beleza (que aliás tem mais é que ser indicado) eu estaria lendo o blog dela em Paris.
Mas quando vc diz que o problema das jovens e adolescentes não são "de verdade", vc está agindo como os mascus que dizem que nós mulheres não temos problemas.

Julyana Silva disse...

jacmila,

A Lola não é sua empregada pra escrever sobre aquilo que você quer.
A maioria das fãs dela é jovem mesmo. E daí? Você tem preconceito contra jovem? Se você não gostou, pode ir embora, o feminismo não precisa de gente como você.

lua da silva disse...

Eu fico muito triste porque sempre vejo aqui o "caçar carteirinha feminista" ou o "uniforme" feminista e a crítica das "pentelhas" que impõe este uniforme (como a Sara usou)como mantra para barrar qq discussão e empobrecer o debate e pior, com isso, calando a crítica.

Sério gente, vamos refletir, vcs podem não concordar comigo no que penso deste post, mas será que não estamos usando estas frases pra qq coisa? QQ situação de crítica a um comportamento machista? Se discordarem de alguém que critica a pessoa por não acreditar que isso seja feminismo, pq não apontamos o "por que" da crítica (como no caso deste post) ao invés de usar o chavão "vamos parara de caçar carteirinha" Não vamos cagar regras" "uniforme feminista"?
Puxa, tem tanta crítica e debate rico e me parece que sempre que alguém discorda sai um monte de leitoras deste blog querendo minar qq debate com estes chavões.

Na história, tantas mulheres feministas dedicaram a vida para penar e militar sobre o que é feminismo, como podemos criticar o patriarcado e como ele é opressivo e mata. Tudo isso é cagar regra pra vcs? Porque não discutimos por que de uma ideia ser ou não feminista e ampliar o debate ao invés de aceitar qq opinião em nome de não querer cagar regra?
Sera que não nos fortalecemos mais, como feministas no debate?

Porque, no limite, este chavão pdoe ser usado para aceitar qualquer prática, inclusive práticas machistas, como feminismo. Não?


lola aronovich disse...

Ai, Jacmilla, vc ainda está aqui? Por que, se vc passou a odiar este blog com todas as suas forças? Na realidade, Jacmilla não é feminista. Ela apareceu aqui porque publiquei, faz tempo, um texto dela com que me identifiquei, sobre problemas com vizinhos (eu também já tive sérios problemas com vizinhos barulhentos na época em que morava em Joinville). Mas Jac continuou me mandando emails, implorando por atenção, e, infelizmente, eu não tenho tempo. Mal tenho tempo pra me comunicar com amigxs, mal tenho tempo pra lazer. Então não gosto de me sentir forçada a me comunicar, porque sou só uma pessoa, não sou uma ONG (e eu gostaria muito de ter tempo pra responder todos os emails que recebo, mas, infelizmente, não dá). Jac não aceitou isso muito bem e passou a deixar uns comentários raivosos.
Eu escrevo sobre um monte de assuntos, mas também tenho guest posts sobre montes de outros assuntos. Já já estarei na menopausa, e reconheço que não sei quase nada a respeito. Ou seja, não tenho como escrever um post sobre o tema. Por isso, aceito guest posts (inclusive, pedi um pra Suely outro dia, mas ela está sem tempo).
Sugiro a Jacmilla que gaste mais tempo no jardim (ela disse que adora cuidar do jardim) do que em blogs onde vc não se sente acolhida. E que procure blogs que atendam as suas expectativas.


Quanto à discussão na caixa de comentários, achei espetacular. Parabéns, uma ótima discussão!

Sacha disse...

Geral esquecendo que feminismo defende ESCOLHAS. Se a fofa da autora fosse obrigada a usar roupas frufrus teríamos um problema, agora não pode porque usar rosa e babados são "símbolos de opressão"???

Escolha, queridas, escolhas.

lua da silva disse...

e para as pessoas que repetiram o "ela veste o que quer".
Veja que a autora do post não veste aleatoriamente o que quer ou é vaidosa simplesmente. O que chamou a atenção e meu questionamento de como ela alia símbolos opressores (coroa) com o feminismo é que no caso dela é mais do que isso. Ela escolhe isso como "estilo de vida", compreendem?
Ela escolheu um conjunto de ideias, modo de ser , pensar e vestir que formam um conjunto de valores, "excluindo o feio" de sua vida.
É mais que simplesmente roupas neste caso."O pessoal é político", já ouviram falar? Ou seja, certos comportamentos nossos são mais que simplesmente "escolhas livres e a-polítcas".

Olha o que ela diz:
"Eu mudei da água para o vinho. Desde meu modo de me vestir, modo de falar, agir e até pensar. Eu perdi o medo de ser frívola. E acabei levando isso a sério. "

Debater estes pensamentos e como isso se alia ao feminismo e como o pessoal tb é politico não seria interessante para o feminismo?
Ou não mais para este neo-feminismo cor de rosa que aceita tudo?

lua da silva disse...

Sacha e demais, me desculpe mais o feminismo defende "escolhas", claro, mas o feminismo é MUITO mais que isso.
O feminismo é mais do que "cada uma faz o que quer" , "se ela escolheu isso é seu direito" galerinha!!!! Vamos pensar!

"o pessoal é politico", de novo, já ouviram falar?

Se uma pessoa "escolhe" usar uma suástica e se diz a favor dos direitos humanos ok pra vcs garotas? É tudo escolha livre e a-política?
Feminismo é basta fazer o que vc bem entende se dizer "dona de si" que vira feminismo?
Tudo é valido para o feminismo?


Sara disse...

Lua da Silva, eu me considero um VIRUS, odeio pasteurização, criar um código de vestimenta para ser feminista (na minha opinião) é a coisa mais imbecil que se possa fazer.
Sou a favor de inclusão de qualquer tipo de mulher no feminismo (mesmo aquelas que me deem urticária).
No mais quem é que vai determinar qual código é aceitável?? -VC???
Perdoe querida mas não é sua roupa que faz vc ser mais ou menos feminista, nem mesmo sua ideologia, religião ou raça.
Dizer que uma mulher q se depila ou gosta de rosa e rendinhas é machista é procurar motivos pra excluir.
O machismo deve ser enfrentado apenas na medida em que ele nos restringe, violenta e humilha, o que vejo de gente como vc é que acham que a maneira como a maioria dos homens se vestem e se comportam é que é aceitável e é esse modelo que devemos perseguir.
Não penso assim.
O machismo mata, esse é um motivo suficiente para que nós mulheres nos unamos, ficar procurando pêlo no ovo como vc inutilmente esta fazendo é um desserviço, mais nada do que isso.

lua da silva disse...

Sara, este seu feminismo que "aceita tudo" é muito perigoso na minha opinião.
Como assim a ideologia da pessoa não importa para seu feminismo? Ideologia machista no feminismo vc aceitaria? Ideologia elitista no feminismo ok pra vc? Ideologia racista tb ok?

Como disse, a autora do post não apenas "veste" qq roupa, ela adota um "estilo de vida" como o culto ao "belo" e a exclusão do "feio". Ela mesmo diz que tem um pensamento que segue este estilo de vida.
Me impressiona muito que pra vc e muitas isso sequer pode ser questionado em nome de um "não cagar regra".
Cara, coloca na sua cabeça que não se trata de querer que alguém se vista de tal maneira. Mas de questionar a escolha desta menina que adora símbolos opressores e de como ela questiona ou não isso.E pensar na ideologia que tem por detrás destes estilos de vida

Gente, que feminismo é esse que sequer questionamos mais os símbolos de opressão? Onde tudo virou despolitizado em nome de uma "suposta" livre escolha?

Neste caminho, quase TODAS as mulheres do mundo vão dizer que escolhem ser vaidosas e seguir a ditadura da beleza livremente.
Vamos parar de debater a ditadura da beleza por isso Sara?
Pra que feminismo então né?
Na minha opinião, este tipo de feminismo da escolha como supostamente livre-escolha é um tiro no pé para machismo penetrar geral no feminismo.




lua da silva disse...

Sara,e quem disse que "Dizer que uma mulher q se depila ou gosta de rosa e rendinhas é machista é procurar motivos pra excluir."

Na boa,onde vc leu isso?

Se a autora do post quiser se vestir de princesa, de Shiva ou alienígena eu não tô nem aí!

A questão que vcs parecem não entender, mas que é simples é:
Como que alguém concilia símbolos da opressão como "estilo de vida", modo de ser e pensar com o feminismo que ela se intitula?

Blogueira honesta disse...

Isso tudo e muito complicado mesmo. Eu sou bem desconfiada de boa parte dos modismos de cultura pop japonesa. Morei no Japao em dois momentos da minha vida e, apesar de ter conhecido coisas maravilhosas por la, nao ha como negar que a sociedade japonesa e machista e misogina e isso esta amplamente difundido na cultura pop produzida pelos japoneses.

Sara disse...

Lua da Silva, vc adora extrapolar heim??
Eu da minha parte prefiro não me perder em meandros de se questionar escolhas que cada mulher faz em suas vidas pra poder exclui-las ou considera-las indignas de ser chamadas FEMINISTA.
Pra mim qualquer ser humano que tenha como ideal a igualdade de direitos entre todos os sexos e raças, é um feminista.

lua da silva disse...

Sara, pelo que estudei até hj, acontece que por detrás da coroa, do "culto ao belo" da "exclusão do feio" como estilo de vida, existem ideologias que são opostas à igualdade entre mulheres e homens.Lolita então nem me fale, no Japão é símbolo do culto a criança com fortes tendências de pedofilia.
As vezes não se trata de "apenas roupas", podem ser estilos de vida que diz sobre uma determinada forma de pensar o mundo que propõe a desigualdade entre mulher e homem. A coroa é o simbolo disso. Eu só queria saber como a autora do post concilia isso. A auotra pode ter as melhores intenções, mas isso não exclui que ela pode adotar o culto a símbolos de opressão acriticamente.

Com todo respeito, mas vc não percebe que este seu "aceitar tudo" pode desembocar em aceitar ideais machistas para dentro do movimento feminista.Mais umas vez, não se trata de "regras de vestimenta" , mas de questionar o que tem por detrás de nossas escolhas pessoais e entender que isso é uma posição política tb!

Eva disse...

lua,
o negócio é que o que vi aqui, até agora, foram ofensas à autora do guest post e acusações de que ela não é feminista. Que tal mantermos o respeito com os indivíduos? Veja só, não estou dizendo que você não tem o direito de questionar este ou aquele símbolo, mas ia ser bastante manero se a gente parasse de se atacar enquanto pessoas, sabe?

lua da silva disse...

Eva, onde que eu ataquei ela enquanto pessoa?
Desde quando questionar ideias e estilos de vida frívolo e sua ligação com o feminismo é atacar?
Sério gente,vamos tentar debater e parar a de achar que tudo é pessoal.

Eu nem conheço este menina, não tem razão nenhuma para eu atacá-la. Ela pode ser o que quiser. Já que ela se propôs a fazer este post reivindicativo do direito de ser assim e feminista, minha curiosidade e o que queria que alguém respondesse é como podemos aliar símbolos de opressão como "estilo de vida" junto ao feminismo. Só.

Vcs só repetem o "vamos parar de cagar regras" e não debatem o feminismo. Vcs só se escondem na "liberdade de escolha" da pessoa de adotar um estilo de vida e não questionam as ideias por detrás dos símbolos. Não se trata de atacar esta menina, eu a respeito como qq ser humano. Trata-se de entender como ela faz estas escolhas e alia o feminismo que para mim não ficou claro ainda.
Dizer "ela faz o que quer" e "tem o direito de se vestir como quer" não explica muita coisa.

Se debater a fundo as ideias por detrás é sinônimo de atacar acho que o feminismo nunca irá pra frente.
Temos um mundo inteiro contra nós, se naõ conseguimos nem debater o que é feminismo entre nós e tivermos que dizer "amém" pra tudo aqui parece que perderemos esta batalha para o patriarcado continuar a tentar nos convencer de que feminismo é desnecessário.







lua da silva disse...

Meninas, vou me retirar do debate porque sou minoria pelo visto aqui e não vejo mais como ser frutífero.

Meu feminismo não é cor de rosa que diz amém pra tudo.
Meu feminismo é sofrido, às vezes com muito debate cansativo, que pode ser feio e mal cheiroso.

Respeito vcs como pessoas, nunca iria tratar mal nenhuma de vcs, mas não respeito e nem concordo com este feminismo.

Por vezes senti aqui a tentativa de quererem me calar através do chavão "não vamos caçar a carteirinha feminista".
Não me calei mas acho que deu.
Bom domingo para todas

Sara disse...

Um ótimo domingo p vc tb Lua querida, pense bem se a velha máxima da "UNIÃO FAZ A FORÇA", não é mais produtiva do que ficar questionando detalhes, nem sempre tão relevantes assim para o feminismo entrar em ação.
Eu de coração aceito seu feminismo sujo, feio e até mal cheiroso como vc se declara, tente fazer o mesmo por outras mulheres com outra estética e valores.
Entendo que vc queira atacar todos os padrões que o patriarcado tenha imposto, (embora nem sempre ache que isso seja relevante), visto que pra algumas mulheres esses padrões são aceitáveis e até podem corresponder a seus próprios anseios, é totalmente válido lutar contra a imposição desses padrões, mas jamais proibi-los.

Hermes Luiz disse...

Só faltava essa mulher invadir o nosso mundo dos RPGs. Porque vcs não criam coisas proprias? Sempre querem tomar o que é nosso? Já viu os homens ivadirem em massa os seus hoobies?

Anônimo disse...

O grande problema é que as pessoas tomam a menina do texto como se ela fosse 100% dentro do padrão esperado pelo machismo por gostar de se arrumar ou ser lolita, mas ninguém para pra pensar que lolita é uma moda alternativa japonesa que tem na estética valores símbolos do feminino infantil do passado que se perderam, antes eram imposição e agora são tidos como ridículos. Com vestidos cheios de babados, rendas e laços até os joelhos, saia armada, enfeites e isso tudo numa sociedade que nos cobra ser sexy, ter o corpo perfeito e mostrá-lo como produto do homem, que cobra até das crianças uma adultização e sexualização exacerbada, e embora o nome seja "lolita", o estilo não possui NADA de sensual. Agora façam as contas: uma moça que passou dos 10 anos se vestindo dessa forma não está agindo como o patriarcado espera que ela faça, mas está subvertendo esses valores. Mostre essas fotos a um homem qualquer que desconheça essa moda e espere a cagação de regra e deboche com os "nossa, mas é infantil" "deus me livre" e etc porque, adivinhem, NÃO FAZ PARTE DO NOSSO PADRÃO VIGENTE DE BELEZA:
http://totallycoolpix.com/wp-content/uploads/2011/24032011_lolita_fashion/lolita_010.jpg

http://chipskjaa.files.wordpress.com/2011/07/lolita1.jpg

Feministas são capazes de empatizar (e com razão!) com mulheres como a Valesca e as mulheres do funk, as Panicats (totalmente dentro dos nossos padrões de sexy) ou com mulheres de roupas curtas, prostitutas, defendem-as quando são chamadas de vadias ou de instrumentos do patriarcado e procuram sempre ajudá-las, mas quando se trata de uma pessoa que constrói na cabeça dela um ideal alternativo, que não é o atual de belo e resolve segui-lo, preferem dizer que ela está defendendo os opressores. O belo aqui não se trata do padrão das revistas, e sim de um ideal próprio construído que, assim como as roupas curtas, depilação ausente, kgs a mais (e ninguém tem o direito de criticar alguém que quer emagrecer sem saber o por quê quer emagrecer) e etc também é criticado e duramente por uma sociedade que espera que sejamos agradáveis aos olhos dos outros. Vejo aqui críticas que mais parecem ter saído de algum fórum mascu e invertidas, como "usar maquiagem porque gosta não cola" e coisas do gênero. Não é só porque uma pessoa escolhe manter pelo gosto dela uma coisa que é imposta (e subvertê-la, porque convenhamos, a maquiagem lolita não é o ideal de hoje) que ela é um monstro machista, assim como uma mãe dona de casa não o é. Ao negar veementemente um padrão, vocês criam outro e esquecem que o feminismo é plural. Da mesma forma que a algumas mulheres era imposto ficar em casa e elas lutaram pelos seus direitos ao trabalho, a outras (das classes baixas) era esperado mesmo que trabalhassem. Ao mesmo tempo que vocês lutam "contra" usar maquiagem, de ficar em casa, de perder 5kg, vocês esquecem que essas lutas podem não fazer sentido pra alguém. Escolhas, gente, escolhas.

Carol Montagner disse...
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Anônimo disse...

"Só faltava essa mulher invadir o nosso mundo dos RPGs. Porque vcs não criam coisas proprias? Sempre querem tomar o que é nosso? Já viu os homens ivadirem em massa os seus hoobies?"
Puxa vida gente :( Estou tocada com as palavras do rapaz, onde já se viu mulher sair do seu lugar determinado pelos homens?!

Eu achei muito interessante as questões levantadas pela lua, esse exercício de questionarmos nossas próprias ações é sempre muito importante. Muitas vezes reconheço gostar de coisas que vão contra meus ideais, uma música machista por exemplo, é válido parar pra pensar no que estamos reproduzindo. Isso significa excluir terminantemente tudo que é preconceituoso de nosso cotidiano? Não, mas devemos ser capazes de identificar e problematizar esses conceitos. Desde que ~descobri~ o feminismo, deixei de gostar de muitas coisas (e não me arrependo), mas outras eu continuo acompanhando, mesmo percebendo um machismo aqui, um racismo ali. Qual a solução pra esse tipo de conflito? Não sei, mas sem dúvida expor esses casos traz muito mais bem do que ignorarmos atitudes em nome da boa vizinhança (até porque eu não vejo esse tipo de discussão como ataque pessoal).

Carol Montagner disse...
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Carol Montagner disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
1k2 disse...

Avisa para ela que inteligência e esperteza são duas coisas totalmente diferentes.
Perder debate não é necessariamente um sinal de burrice, é falta de "treino". Para isso existe a "dialética". A parte chata disso é ter que conhecer os argumentos do adversário e as suas estratagemas para desqualificá-lo, já que às vezes para o debatedor não é os argumentos de um assunto que é discutido que importa, mas reputação de quem debate, e derrubá-la para ele significa ter razão e ganhar.
O complicado é definir o nível de consumismo, para uma frívola gastadora de shopping eu gasto de menos e para um caipira que tem um sítio e um fusca gasto demais.
E sempre, sempre vai ter alguém mais reaça que você e sempre vai ter alguém que é mais fanática que você.

Anônimo disse...

Adoro rendas, babados, vestidos frufus.
Já joguei RPG, organizei evento de anime/mangá, já fui viciada em joguinhos etc.
Entendo seu desejo de coisinhas frufrus.
Mas sabe... seu relato parece ignorar o contexto em que se vive...
Se vc vê uma pessoa na rua com a camisa escrita Nirvana e o símbolo da banda, vc deduz que a pessoa no mínimo conhece a banda...
Se a pessoa está com a camisa dos EUA, isso diz alguma coisa, não?!

E se a pessoa está vestida inspirada no vitorianismo o que se pensa?!
"A sociedade da era vitoriana estava cheia de moralismos e disciplina, com preconceitos rígidos e proibições severas 13 . Os valores vitorianos podiam classificar-se como “puritanos”(...).
Os homens dominavam, tanto em espaços públicos, como em privado e as mulheres deviam ser submissas e dedicar-se em exclusivo à manutenção do lar e à educação dos filhos."
http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_vitoriana

Sexta vi uma palestra muito legal, na hora das perguntas uma pessoa falou mais ou menos assim pra palestrante: "Mas sua análise é muito política, vc não acredita que as pessoas faziam isso diletantismo, por amor, vontade própria?" eis que a palestrante responde: "Sim, minha visão é muito macro, de cima, percebendo as políticas de estado, mas sim, as pessoas, o indivíduo poderia fazer isso por amor, mas não deixa de estar num contexto político."

Então o que eu acho é mais ou menos isso....
Sim, vc pode usar seus frufrus por amor, mas não pode tirar deles toda a carga histórica que o contextualiza.
Acredito que dá pra mudar.
Quem sabe lançando o FemenistLolita?! kkkk

Faltou uma análise mais profunda no seu relato sobre o que vc defende, fazer uma análise/autocrítica do seu conceito de belo (afinal, pq vc escolheu a estética vitoriana/lolita japonesa e não a... sei lá, maia?! vc não acha q tem um porquê aí que é mais q gosto pessoal?!).
Se a gente fala pros outros que muitas coisas são construções sociais e, qnd são coisas 'nossas' simplismente aceitamos sem reflexão... é meio incongruente, não?
Acho que se vc sabe qual é a crítica, o ponto fraco, o que deve ser mudado naquilo que se defende e se movimenta para isso, não apenas aceitando que defende pq gosta, vc está num caminho válido...

dre disse...

Olá.
Então, esse post é uma coisa que venho pensando há algum tempo. Eu adoro maquiagem, não ligo tanto para roupas, mas adoro me maquiar. Entendo que a maquiagem é uma forma de controle e de padronizar um tipo de beleza dita "ideal", e sei que sou influenciada por isso porque somos bombardeadas por esse padrão desde pequenas e a todo tempo, mas eu sei que também é uma escolha minha querer usar, porque eu entendo a estrutura que oprime. E não sei, mas eu gosto de ficar colorida, eu me sinto bem, e não é para agradar ninguém, os olhos dos outros, e não sou escrava da maquiagem, eu saio sem maquiagem sem problema nenhum e não me sinto menos bonita ou que mereça menos respeito. Acho que a autora do post quis dizer que ela entende o machismo e toda essa opressão e controle do corpo da mulher mas ser frívola é uma escolha dela, na medida em que ela compreende essa estrutura. E como ela concilia o feminismo com o seu estilo de vida (claro que não posso falar por ela, mas a minha interpretação e baseado na minha própria vida) é justamente nessa relação, afinal o feminismo não se resume a luta contra a opressão apenas da beleza, mas de toda opressão feminina. Infelizmente em nossa sociedade qualquer que seja nossa escolha "exterior" por assim dizer, no sentido de se vestir e etc. haverá um julgamento, então eu acho que cada pessoa deve ser como se sentir melhor e o importante e é pelo o que devemos lutar é o entendimento de que moda, maquiagem, salto, unhas compridas e pintadas e por ai vai, não deve ser uma regra e uma exigência para a mulher ser aceita e a única coisa que ela pode ser, eu entendo isso e por isso digo que para mim é uma escolha. E quanto ao bonito ao que ela se refere, eu entendo que é o que ELA acha bonito e que não é o padrão afinal ela é vista com estranheza na rua. E sei lá, mas se o feminismo procura a igualdade de gênero e a liberdade da mulher de querer ser quem e o que quiser, inclusive frívola, eu acho que isso não a torna menos feminista e nem torna o feminismo menos válido, assim como eu não me considero menos feminista por usar maquiagem ou as minhas amigas mais por não usarem, o que importa é o entendimento de que eu não preciso ser assim e fazer os outros entenderem isso também.

Julia Niquet disse...

Bem, quando eu disse que o argumento de que “usa maquiagem porque gosta” não cola não quis dizer que feminista não pode usar maquiagem, só que é preciso questionar de onde vem esse interesse. Eu uso maquiagem e gosto, mas tenho total noção que esse meu gosto nasce de uma sociedade que supervaloriza a beleza fermina, isso é obvio. Eu “escolho” usar maquiagem porque me faz me sentir mais bonita e, infelizmente, não conseguiu me libertar totalmente dos valores culturais machistas. É uma escolha minha? Sim. É uma escolha livre? Claro que não.

Quando a gente critica um mascu que vem aqui dizer que ele tem todo direito de só gostar de magra, que é “o gosto pessoal” dele, não duvido que ele esteja falando a verdade. Não tenho duvida que ele só tenha atração sexual por magras, mas essa não é a questão. O que eu critico é a sua falta de autorreflexão que o impede de perceber que seu gosto é socialmente construído. O mesmo se aplica a maquiagem, só isso.

B. disse...

Lua da Silva, não se sinta sozinha...eu concordo em tudo com você...]
Concordo quando vc diz que dizer " ela é livre" e só ajuda o machismo a entrar na sociedade. Por exemplo: mulheres que usam roupas curtas e/ou que participam destes programas tipo Pânico, etc. É fácil falar que elas são livres pra fazer o que quiserem e parar por aí. Mas uma mulher no Panico ou usando uma roupa curta e desconfortável que a deixa "gostosa" tb de certa forma está a serviço do patriarcado...mas ninguém questiona isso. No feminismo atual, é quase proibido tocar neste assunto da objetificação, por causa do slut shaming e tal.
Mas slut shaming é vc desrespeitar alguem pelas roupas, atitudes, etc. Eu nunca faria isso. Mas já em sites feministas pessoas (feministas) questionado o pq de termos que realçar nosso corpo para ficarmos gostosas e estas pessoas serem acusadas de estarem praticando slut shaming.

Eva disse...

Brigada meninas, vocês conseguiram tocar num ponto que acho que eu não tava conseguindo chegar - claro que a gente pode e deve questionar valores, mas é que até aqui eu tava sentindo muita cobrança individual em cima da autora do guest post, sabe? Fora as acusações.

De repente, ia ser manero se ela pudesse dar uma olhada nos comentários e nos fazer entender como isso funciona pra ela, na cabeça dela.

Quanto ao anônimo troll que mimimiza porque mulher também joga RPG, sinto te informar mas estou nas mesas tem mais de 20 anos, conheço inúmeros autores tanto de clássicos quanto de jogos indies novos e que são bacaníssimos e as mesas que eu narro ou mestro costumam ser disputadas pelo simples fato de que sou experiente. Beijas e sai quicando de lado na sua falha crítica.

Ms.Minna disse...

Concordo com Júlia niquet. No meu dia a dia fora do meu ambiente de trabalho nunca usava (sim no passado) maquiagem, unhas pintadas, sobrancelhas perfeitas.... Mas desde que comecei a trabalhar numa empresa onde fui alvo de comentários e de análises de como estaria a minha auto estima para nao por rímel nos olhos... Rs que comecei a por rímel e batom.... Agora sou alvo de elogios, de comvites pra sair. Acho tão patético e ridiculo essa situação.
As vezes para chocar vou de cara lavada. E aí novamente sou alvo de comentarios.
Me diverte ver que sou o centro das atenções de pessoas que nao tem absolutamente nada mais interessante para fazer,
O que me recuso é gastar fortunas em maquiagem pois o que gosto mesmo é de viajar, bons restaurantes, bons hotéis e livros.
Coisa que os comentaristas do meu estilo nunca conseguem pagar...

Kuroi Tata disse...

Oi eu sou a Thaís do Guest Post ^^
Nossa eu li todos os comentários até aqui, e fiquei surpresa com a quantidade de opiniões ^^
Então, algumas pessoas perguntaram como eu concilio minha vida frívola com o feminismo.
Eu costumava ser uma pessoa muito ansiosa, e tinha hábitos terríveis de julgar os outros e me sentir superior. Daí quando conheci a moda Lolita e depois o feminismo, percebi o quanto tinha sido afetada pelo patriarcado e as leis do mundo dos” homens”. Então resolvi tirar tudo o que fosse “feio” da minha vida. Eu estava me referindo a sentimentos ruins e não a “falta de beleza” de fato.
Eu sempre quis me vestir toda “embonecada”, mas disseram pra mim que eu não tinha mais idade. Ou que eu era muito jovem para me vestir de uma forma tão mórbida e blá blá blá
Com o tempo eu fui percebendo que tinha amigxs e até mesmo desconhecidxs que só eu achava bonitx. Daí descobri sobre o tal padrão de beleza ¬¬
E desde que eu me lembre, sempre sonhei em morar em um lugar onde as pessoas se vestissem como nos tempos antigos e curtissem a vida de uma forma lúdica e teatral (não que eu soubesse o que era lúdico quando era criança, mas é só para explicar melhor a sensação).
Quanto ao meu estilo de vida, eu gosto muito de recitar poemas a luz de velas para minhas bonecas, convidar amigos para festas do chá, tomar banho com pétalas de flores, fazer piquiniques no quarto e afins. Essas são algumas coisas que faço no meu estilo de vida. (Não que eu faça só isso, é só um exemplo do meu lifestyle)
Quanto a beleza, mesmo nisso não sigo um padrão muito convencional. Eu sempre quis ter um cabelo comprido e colorido. Como meu cabelo não suporta muita química, resolvi colocar um aplique para pode tingi-lo da cor que eu quiser. Agora eu tenho o cabelo dos meus sonhos. Eu amo maquiagem. Mas amo principalmente a mensagem que ela passa. Alguns dias eu quero me sentir como uma garota do campo, então faço duas tranças e coloco flores nos cabelos, passo um gloss coral nos lábios (porque na minha cabeça garotas do campo tem os lábios corais) e como apenas coisas naturais. Daí quando quero me sentir trevosa, transformo minhas pálpebras em cortinas aveludadas e meus lábios em divã, pego uma taça de vinho e fico escutando doom metal sob a luz da lua. E por aí vai. Maquiagem pra mim é apenas uma extensão das roupas que eu gosto. Por falar nisso, no meu período menstrual aparecem espinhas no meu rosto e eu não faço nada a respeito delas. E mesmo amando máscaras faciais, quando chego naquela época eu simplesmente curto o momento e esqueço de qualquer tipo de disfarce ou corretivo.

Kuroi Tata disse...

CONTINUANDO

Então eu não acredito que meu estilo de vida influencie meu conceito do que é feminismo. Muito pelo contrário. Como eu disse antes, é um ideal que eu preguei pra mim. Eu não julgo a beleza de uma pessoa baseada no meu padrão. E não concordo que outras pessoas façam o mesmo.
Mas talvez eu tenha passado a ideia que só penso em maquiagem e gasto dinheiro com isso. Quando na verdade meus maiores gastos são com as contas de casa e estudos. O dinheiro que uso para minhas frivolidades, são dos pequenos bicos que faço por aí.
Então é isso. Eu não posso afirmar que não tenha tido influencia do patriarcado, a questão é o que eu fiz com essa influencia.
E gente, as pessoas que não sabem o que é feminismo de verdade, ficam inconformados quando eu digo que sou feminista. Outro dia quase morri de rir quando me perguntaram:
- Mas vc é sapatão?
Gente como assim?
Era sobre isso que eu estava falando. Pessoas que sabem o que é o feminismo e pessoas que não sabem, dizem que eu não sou feminista só porque sou rococó. Mas acho que não deve ser só comigo. Talvez mulheres que gostem de se vestir de forma “sensual”, sofram a mesma coisa.
Ah, eu não lembro o nome da Moça, mas eu não sou mais adolescente, tenho 24 anos ^^
Ah e obrigada Lola, eu não tinha pensado na reciclagem por esse lado ^^°
Eu tenho dificuldade de me expressar e espero que tenha respondido algumas dúvidas ^^

P.S.: Levei um susto quando li sobre a carteirinha. Por um momento achei que teria que frequentar uma associação ou clube LOL

Anônimo disse...

Post show de bola!! Debate inteligente e divertido, vcs estão de parabéns!


*agora , cupcake trevoso , me fez chorar de rir*

Biazacha disse...

Discussões a parte, me identifiquei MUITO com a menina do post.

Eu amo rosa, coisas fofas, delicadas, coleciono artbooks dos filme da Disney de princesas e coisas assim e sempre, digo SEMPRE tem alguém que ache que sou menos feminista por isso. Uns são mais delicados, uns são mais cínicos, uns são rudes mesmo, mas muito gente insinua isso.

A hipocrisia é que sempre vejo posts do tipo "se eu tiver um filho não vou me importar se ele gostar de rosa ou querer bonecas" mas se é uma garota que gosta de coisas assim já vem o papo do "símbolo de opressão"... não são todos, felizmente é uma minoria, mas mesmo assim ela consegue ofender.

Dá sim pra gostar de Barbies e achar que é ridículo em pleno séc. XXI homens e mulheres terem cargos similares e salários diferentes; dá sim pra gostar de vestidos com laços e babados e achar uma desgraça quem acha que roupa define caráter ou te torna um objeto; dá sim pra amar maquiagem ou querer alisar e tingir o cabelo e achar que cada um tem mais é que sair de casa do modo que se sinta bem (engraçado que quando é gente tatuada, com piercing ou cabelo cacheado não rola essas insinuações né? todos falam que é um puta exemplo de liberdade de escolha); dá sim pra gostar de cozinhar doces com bastante confeitos de formatos meigos e achar que a mulher tem o direito de escolher se vai ser dona de casa, fazer faculdade, viajar pelo mundo, abrir um negócio...

O mundo nos oferece tantas possibilidades, porque não aproveita-las ? Se um gosto, ou vários, de uma pessoa caem no lugar comum quer dizer que ela concorda com todas as imposições da sociedade? Essa é uma visão muito fechada e até opressiva das coisas.


Amei o post mais do que posso expressar! Parabéns Lola, por abrir espaço para todos os tipos de vozes.

Lillian disse...

Muito interessante esse post. Para mim, não há problema nenhum em ser uma lolita e feminista. Acredito que o feminismo deve lutar contra a imposição de padrões e a favor da liberdade de expressão individual. Ser uma gostosa loira panicat malhada deve deixar de ser um padrão, e a sociedade deve deixar de exigir isso de todas as mulheres. Mas, se alguém "conheceu o outro lado" (leia-se o feminismo e o quanto a busca por esse tipo de padrão pode causar sofrimento para as mulheres), e mesmo assim não se sente oprimida e quer continuar seguindo este padrão, bem, estamos lutando pela liberdade, certo? A questão maior a meu ver é a imposição e a opressão, e não o padrão em si. Se, de repente, a sociedade impusesse que mulher nenhuma mais deve se preocupar com a aparência, que tirar a sobrancelha agora é degradante, e que todas as roupas devem moletons confortáveis, isso seria bom? Não, pois continuaria sendo uma imposição, um padrão, uma tentativa de controle.

Talvez eu esteja com ideias meio tortas. Se isso não tiver "nada a ver" com feminismo, bem, me avisem onde posso devolver minha carteirinha. Mas eu luto pela quebra de padrões da sociedade, onde quer que eles estejam. Luto para que as pessoas vivam sem ter que correr atrás de carro zero e casa própria. Luto para que um homem possa vestir rosa e dizer que não tá afim de trepar hoje. Luto para que uma mulher possa sair na rua de saia bandage e decote sem ser atacada porque acharam que ela estava "disponível". Luto para que possamos ser o que bem quisermos. O feminismo é só uma das minhas pautas.

Clara B disse...

1 comentário. Apenas 1 comentário apontando o quanto é difícil seguir uma moda alternativa, ser apontado na rua, ter gente tocando o seu corpo como se fosse público só porque não usa a vestimenta padrão.
Só li 1 comentário dizendo como é difícil ser ridicularizado por amigos e conhecidos em público, servir de chacota, ter gente levantando sua saia para perguntar como fica de pé e se seu cabelo é de verdade.
Amigos, usar Lolita ou qualquer moda alternativa não é tão fácil como parece, não.
Sim, ela usa uma vestimenta apropriada ao 'gênero' dela; Mas como o comentário lá em cima disse uma moça adulta usando esse tipo de vestimenta não está seguindo o caminho apontado pelo patriarcado.

Moda, vestimenta, diz muito da nossa sociedade mas também pode servir como arma de expressão da própria individualidade ou falta de, quando se assume Lolita, ou qualquer outra coisa, você decide encarar de frente toda a vergonha e humilhação que irá passar e tornar-se ativa na sua própria realidade. É quase como a criação de uma nova persona para algumas pessoas;

Não vou me estender muito mais aqui, mas muitas das meninas se emocionam quando falam de como se sentem usando Lolita e conseguem desenhar uma linha firme entre a pessoa que eram e a pessoa mais forte que se tornaram quando assumiram esse gosto(ainda que pouquinho).

Usar moda alternativa é também vestir uma armadura.

"O pessoal é político".

Anônimo disse...

"RECITAR POEMAS A LUZ DE VELAS PARA MINHAS BONECAS"

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Agora sério Lola, tanta coisa pra se discutir, não dá espaço pra esse tipo de coisa boba não..

Ms.Minna disse...

Percebi uma coisa meio patética nos comentarios e é umas quantas feministas dizerem "eu aceito e acho legal mulher que nao se depila, nao se maquia, o feminismo é isso é vc poder se vestir como quiser" mas antes de postar esse comentário elas postam : "MAS eu me depilo e me maquio nao porque me obrigam, mas por decisão minha" rsrsrsrs "me sinto melhor" traduzindo: "apesar de feminista sou bem feminina viu" rsrsrs

Anônimo disse...

galera que não compra a ideia de CERCAR-SE DE BONITO, bora ler Oscar Wilde?

Marina disse...

A luta feminista é a luta pela liberdade de escolha de ambos os sexos. Feminismo não é uma opção estética, mas sim um posicionamento perante a sociedade. Ou alguém poderia definir a "estética" feminista? Mulheres sem maquiagem, sem se depilar, com uma regatinha larga e calças folgadas? Eu luto para poder ser o que eu quiser sem que as pessoas apontem o dedo e me julguem por isso, e para que todos também possam. Ela se identifica com a estética Lolita, é isso que ela quer para si, e eu luto pelo seu direito de ESCOLHA! Esses pseudo-feministas que vão contra ao direito de escolha de alguém usar rosa e ser feminina, faça-me um favor. Contradição, a gente vê por aqui! Liberdade de escolha, até para escolher ser exatamente como o padrão dita, sendo isso uma decisão consciente. É por esse feminismo que eu luto, não sei vocês...

Anônimo disse...

Muito bem colocado, Marina.
Acho que o ande debate na caixa de comentários foi esse: essa escolha ser REALMENTE consciente....
Pq vms combinar, né, que a ideologia que nos remete esse estilo de roupa sem uma discussão/conscientização/questionamento/sentido de mudança, não combina mt com feminismo...

Anônimo disse...

Acho que esse post ficou muito confuso, principalmente para quem não convive nesse meio de moda alternativa, onde se vestir e se maquiar é uma forma de expressão que se aproxima muito da arte e se distancia bastante dos padrões estéticos que agradam aos homens. Lolita por exemplo (apesar do nome) é um estilo que mostra quase nada de pele, a maquiagem de vários estilos foge muito do tradicional e chega a ser bastante dramática (procurem por shironuri, visual kei, fairy kei). Eu me maquio pq gosto de cores, não pq acho meu rosto feio, me sinto bem com ou sem maquiagem, mas me agrada usar azul, verde, lilás, no meu rosto, tanto quanto no meu cabelo e na minha roupa. As roupas que eu uso tem relação com a estética que me agrada, assim como eu admiro a arquitetura de um prédio ou um quadro, fico feliz de poder aplicar esses conceitos no meu modo de vestir. Tudo que escolhemos usar, comprar ou fazer passa pelo nosso gosto pessoal, para se livrar completamente disso teríamos que eliminar o fator estético das nossas vidas: na hora de vestir, de decorar a casa, de escolher o layout de um blog etc

debby disse...

acho que a moda de lolitas e etc. é bem interessante quando aliada à quebra de outros preconceitos (como racismo, gordofobia, capacitismo) uma lolita trans? uma lolita gorda? uma lolita negra? os três juntos? (dificil de encontrar por aí, né...)

eu não posso fingir que a imagem das lolitas lindas, magras, brancas delicadas não contribui com o ódio que sinto por mim mesma, por nunca ter conseguido ser nada disso (sou bem gorda desde criança)

e sim, eu me descontrolo e me autoflagelo em uma frequencia bem maior quando estou em um período de alta exposição à esse tipo de cultura (principalmente voltada pra meninas). Isso é uma coisa que eu aprendi a evitar com o tempo...
Acho que na cultura e moda japonesa os padrões são coisas bem mais difíceis de alcançar... e as meninas muitas vezes são objetificadas...

por mais que eu entenda seu lado (porque tenho gostos bem parecidos), não dá pra ignorar que se forçar a enquadrar em um padrão é sim reforçá-lo

ao invés de querer perder 5 quilos, que tal aprender a amar seu corpo com eles? isso seria revolucionário... isso mudaria o mundo e a maneira como as pessoas a sua volta percebem a beleza

na verdade eu suspeito que você seja bem presa a padroes de beleza, mas não perceba isso... é a velha história da gordura que é bonita mas não em mim, do black power que é estiloso mas não na minha cabeça
pra mim essas são atitudes evasivas, mas de qualquer forma, eu não vivo a sua vida, não sei pelo que você passa, e não posso dizer o que você deveria fazer.

o padrao reforçado por você me machucaria mais um tanto

mas eu não te consideraria menos feminista
nem um pouco



Anônimo disse...

Existem sim, lolitas gordas, lolitas altas, lolitas baixas, lolitas negras, morenas, mulatas, lolitas trans e até meninos lolita! (eu mesma, sou morena, gordinha e baixinha!) Se forçar a se esquadrar num padrão? ninguém, pode forçar vc a se enquadrar, ninguém além de vc mesma. Existem diversos relatos de mulheres e homens usando lolita e outros estilos alternativos para se libertarem, como forma de expressão e auto-afirmação, no japão mesmo, os estilos surgem como forma de rebeldia em oposição à sociedade cheia de regras rígidas de comportamento e vestimenta. Acho que você deveria usar a moda à seu favor, como forma de adquirir mais auto-estima, confiança e não o contrário. "Ah mas a comunidade lolita é assim e assado" Você não tem que se vestir para as outras lolitas, você tem que se vestir para você mesma!

Nat Muniz disse...

Interessante, e acho justíssimo. O feminismo é, como nós, plural. Acho bom que as singularidades apareçam e sejam respeitadas. A única parte que eu fiquei MEIO (totalmente) mordida foi aquela no qual ela diz que quer emagrecer cinco kg, mas que isso não tem 'nada a ver' com o que ninguém diz, com nada de exterior, apenas com 'ela mesma'. Acho isso de uma ilusão gigantesca, que fica maior considerando que é uma moça que tem contato com textos feministas. Nossos desejos são atravessados por aquilo que desde a idade mais terna nos 'dizem' (esse dizem pode ser apenas aquilo que vemos que é aceito, que é o normativo) que é o 'correto'. Eu me incomodo se acho que engordei, e não acho que isso me faça menos feminista. Mas eu tenho plena noção que o fato de eu preferir um corpo magro a um corpo gordo não surgiu do nada na minha subjetividade. Nada é geração espontânea, baby. Então, Lolita, claro que tudo bem você se sentir desconfortável com o seu corpo e ainda sim ser feminista. Só acho importante pensar criticamente sobre da onde (e pq) vem esse desconforto (em mim, em vc, e em inúmeras mulheres. coincidência?)

Anônimo disse...

e só frisando que temos MUITAS lolitas trans!!!! temos lolitas gordas e negras, e existem uma porção de sites de moda Lolita que falam sobre aceitar a si mesmo.
http://plus-pretty.tumblr.com/
http://www.tumblr.com/tagged/brolita
http://oversizelolita.tumblr.com/

Kuroi Tata disse...

Lolinha, o bloguinho tá aberto agora ^^ http://diariorococo.blogspot.com.br/