quinta-feira, 10 de outubro de 2013

GUEST POST: O MACHISMO NA ALTA GASTRONOMIA

Hamilton Bavutti é um amor (não só ele comprou meu livro, como se deve, como também me deu um livro de ficção científica canadense de presente) e uma pessoa de muitos talentos. 
Ele é professor, farmacêutico pela UEL, mestre e doutor em Ciência de Alimentos pela Unicamp, gastrônomo pela Hotec, e autor deste excelente blog de receitas. 
Ele me enviou este post interessantíssimo que trata do mundo dos chefs, um mundo que ele conhece muito bem.

O modelo de família que me foi ensinado na minha infância, e que eu me recordo desde sempre, é a família cujo pai trabalha fora e ganha o sustento do lar, enquanto a mãe, dona de casa, cuida dos afazeres domésticos. Essa é a ideia sedimentada, machista, de que mulheres são feitas para o tanque e para o fogão, para prover o marido e os filhos com comida quente e roupa lavada e passada. Então me veio a curiosidade de saber: se existe essa visão deturpada da distribuição do trabalho, por que a maioria dos chefs de cozinha são homens, uma tarefa predominantemente feminina na visão patriarcal? 
Quando estava cursando gastronomia, lembro-me de conversar com colegas de turma, que já trabalhavam na área. Todos, sem exceção, falavam de amigos do trabalho, de como o ambiente era viril, de trabalho árduo, de decisões rápidas, de clima quente, de abuso de drogas (sim, todos falavam que a cozinha é um ambiente em que muitos utilizam drogas, lícitas ou ilícitas, sendo as mais comuns a cocaína e o álcool -– mas isso é assunto para outro post), de muitos empregados nordestinos (a cozinha dos restaurantes de SP parece absorver grande parte da mão de obra vinda dos estados do nordeste, todos cabras-machos). Nunca ouvia falar de mulheres na cozinha. Quando existia uma, era responsável pelo caixa, ou trabalhava como garçonete.
Segundo o chef Fernand Point, o grande restaurateur considerado pai da cozinha francesa moderna, “Somente os homens tem a técnica, disciplina e paixão capazes de transformar o ato de cozinhar em arte”. Sob sua ótica, mulheres seriam incapazes de elevar a cozinha ao nível da arte. Sim, talvez porque elas tenham cérebros menores, ou não aguentariam o ritmo extasiante de trabalho devido aos seus corpos frágeis e delicados. 
Muitas vezes, para destruir paradigmas, mulheres sentem dores (literalmente, carregando panelas, fogões e fornos pesados sem pedir ajuda), e agem e gritam como homens, suprimindo emoções estereotipadas de mulheres frágeis. O que era para ser uma arma contra o preconceito acaba por rotulá-las muitas vezes como “bitchy”, reclamona, minando sua autoridade. 
Deve-se lembrar também que o cargo de chef de cozinha abrange não somente os serviços de preparo de alimentos, mas também de controle de fornecedores, compra de mantimentos, administração de pessoal, e pagamento de salários -- tarefas administrativas árduas melhor desenvolvidas por homens, na “singela” opinião de chefs ouvidos em várias pesquisas. 
Essa visão simplista e preconceituosa ecoa ainda nos dias de hoje e, não raro, o que se vê nas cozinhas da maioria dos restaurantes do Brasil e do mundo é a presença maciça dos homens na liderança dos serviços da cozinha e, as mulheres, geralmente subordinadas a eles, no papel de sous-chef (chef auxiliar) e cozinheiras ou auxiliares.
Somente alguns papéis dentro da cozinha parecem, segundo a visão dos chefs homens, ser melhor executados por mulheres. É o caso das sobremesas e massas. A “mão fria” das mulheres não exerceria uma influência negativa sobre as massas; por outro lado, a feminilidade e a “doçura” inerentes da mulher seriam de muita utilidade na confeitaria e na produção de sobremesas, que exigem um toque sutil e delicado e uma percepção de cores mais afinada. Essa visão sexista parece ser predominante entre os chefs de cozinha. 
O ponto de vista único de todos os chefs de cozinha homens, e que eles reconhecem, é que as mulheres são mais limpas para trabalhar, mantendo suas áreas e espaços dentro da cozinha com melhor aparência e menor contaminação. 
Obviamente, esta visão sexista está longe de ser uma realidade somente das cozinhas do mundo. Áreas como aviação, segurança pública, cargos de alto nível empresariais, construção civil, robótica, entre outras tantas áreas, ainda são redutos machistas onde a presença da mulher é pequena e controversa.  
Felizmente esse panorama está mudando. Nomes como Julia Child, Delia Smith (chef americana), Cristeta Comerford (primeira mulher a chefiar a cozinha da Casa Branca, em Washington), Benê, Carla Pernambuco (Carlota), Roberta Sudbrack, Bel Coelho (Dui), Helena Rizzo (Mani), Carole Crema (La Vie en Douce), Nadia Santini (Dal Pescatore – Itália), Elena Arzak, Morena Leite (Capim Santo), Gabriela Barreto (Chou), Paola Carossella (Arturito), Deepali Bavaskar, Raquel Blaque, entre tantas outras, destacam-se em seus papéis de liderança, bons serviços prestados, qualidade de seus restaurantes e sucesso empresarial. Porém, de um total de 140 restaurantes ranqueados com as famosas estrelas Michelin, apenas 11 são chefiados por mulheres. Ainda.

Meu comentário: Obrigada por este espantoso guest post, Hamilton! Eu sabia que a profissão de chef é predominantemente masculina, mas não tinha a menor ideia do consumo de drogas entre chefs (quero um post!), nem dessa besteira da "mão fria" e a doçura das mulheres serem ótimas para a confecção de sobremesas! 
Parece que o lugar da mulher é na cozinha... exceto se a cozinha for um espaço remunerado. De repente, todas as mentes que juram que cozinhar e cuidar da casa estão nos genes das mulheres (biologia supera ideologia blá blá blá) encontram uma exceção. Quer dizer que o talento para cozinhar só está nos genes das mulheres se for pra elas manusearem panelas pra sagrada família, mas não pra outras pessoas? Aham, faz sentido... E essas mesmas mentes brilhantes não diziam que homens servem para caçar mamutes e trazer o bacon pra casa, e mulheres pra preparar os alimentos? Putz, como os intrépidos caçadores foram parar cuidando dos fogões das cavernas?
De acordo com este artigo, apenas 10% dos chefs no mundo são mulheres. E elas recebem 17% menos que os chefs homens, na mesma função. No entanto, quando se fala em sobremesas, as mulheres são 77% dos profissionais. Como, se a desculpa que se dá para que haja tão poucas chefs mulheres nas cozinhas industriais é a longa jornada de trabalho e a panela pesada? Fazer sobremesas é mesmo um piece of cake, essa facilidade toda, que até mulheres, essas eternas incompetentes, conseguem realizar?
Acho que a explicação é que vivemos num mundo em que prevalece a divisão sexual do trabalho, e entende-se que o labor do homem deve ser remunerado (pois ele é o provedor da família, embora hoje em dia 37% das residências no Brasil, e 40% dos EUA, já tenham mulheres como provedoras), e o das mulheres, fácil, inferior, muito menos importante, não deve render dindim. Afinal, elas fazem porque gostam, porque está nos genes, por vocação, por amor maternal, e esse assunto de dinheiro é tão masculino, né?
A cozinha não é o único lugar em que se desvaloriza o que as mulheres fazem diariamente, pois é apenas sua obrigação, mas quando é pra se ganhar dinheiro com isso, aí vira coisa de macho. Pense nas roupas. Quem costura em casa pro marido e pros filhos quase sempre é a mulher. É, novamente, um serviço não remunerado. Mas quando falamos em alta costura, entram os homens. A maior parte dos estilistas é homem (aviso aos ignorantes: homossexual é tão homem quanto héteros e bis são homens). Ironicamente, estilistas homens e brancos comandam (exploram?) uma ampla equipe de costureiras mulheres, pobres e negras. 
Sabe outro espaço que é dominado pelos homens? O da música clássica. Não porque mulheres não tenham ouvido musical ou qualquer outra besteira dessas, mas por mero preconceito. Pense em quantos maestros de orquestra são mulheres. Pouquíssimas. Isso porque a condutora deve liderar, e isso é visto como uma função "naturalmente" masculina (tão "natural" quanto a mulher cozinhar o mamute na caverna). Porém, quando os testes para preencher posições numa orquestra são apenas ouvidos, não vistos (as pessoas tocam atrás de uma tela), as instrumentistas mulheres ficam com 45% das vagas. 
O machismo ainda impera em várias áreas, e a gastronomia é uma delas. As coisas estão mudando, mas devagar demais, pro meu gosto. 

91 comentários:

Anônimo disse...

Bom, contra fatos não há argumentos.
É só assistir O Aprendiz para ver o quanto a mulherada é incompetente e passa vergonha.
O Justus separou em duas equipes, uma exclusivamente masculina e a outra exclusivamente feminina.
A equipe feminina perdeu todas as provas e só fez cagada.
Depois querem dizer que homens e mulheres são absolutamente iguais em tudo...

Lígia disse...

Super interessante o post, já havia lido sobre isso e reparado nessa tendência de haver mais chefs homens que mulheres.

Essa coisa do chef e a sous chef é o mesmo que a secretária e o executivo, a enfermeira e o médico, a professora de educação infantil e fundamental e o professor universitário.

A mulher faz as coisas por amor, por vocação, por ter nascido com aquilo. O homem, porque é preparado, porque estudou muito, porque tem talento. E, consequentemente, ganha mais pelo que faz.

lola aronovich disse...

E o que o programa do Justus tem a ver com o post, mascutroll?
Mas, de fato, contra fatos não há argumentos. Eu assisto O Aprendiz. E vi como a equipe feminina perdeu TODAS as provas. Todas as DUAS provas. E essa amostra (perder duas provas num programa de TV) constitui um fato irrefutável sobre a superioridade masculina.
Que a equipe feminina (aliás, que rídículo dividir equipes assim... Parece coisa de mascu, ou da quinta série) foi incompetente, principalmente na segunda tarefa, não há dúvida nenhuma. Mas estender isso a toda a espécie humana em todas as profissões é coisa que só gente de mente muito limitada (ou seja, mascu) faz.
Pelo seu mesmo raciocínio, poderíamos dizer que negros são incompetentes. Afinal, há apenas uma negra em todo o programa, e ela perdeu TODAS as duas provas.
E venha me convencer que a equipe masculina deu um show de competência. Ela vendeu 50 vestidos de noiva, com valor unitário entre 5 mil e 18 mil reais, por um total de 10 mil reais. Quer dizer, a equipe vendeu 50 vestidos pelo preço de dois. Maravilha para quem comprou, péssimo e pífio para quem vendeu. Ou melhor, DEU.

Hamanndah disse...

Acabei de fazer- e estou comendo agora - um delicioso Yakisoba de Camarao. Imaginem eu comendo agora. Vou voltar a comer para nao esfriar. Bjs Hamanndah

Tom Vasques disse...

É verdade, o grupo das mulheres fizeram "merda" no Aprendiz. Mas por causa de um momento num programa de televisão esse cara tá condenando todas as mulheres do mundo em todas as profissões! É o típico pensamento machista, burro e reducionista que dá nojo.

Anônimo disse...

Eu e meu marido somos formados em gastronomia. O que foi relatado no post é uma realidade infernal, parece que eu sou a rainha da cozinha somente até botar o pé num restaurante, aí passo a ser uma ignorante. Recentemente fomo juntos a uma entrevista em um restaurante, por indicação de um amigo, adivinha só para que me ofereceram uma vaga? Chef de partie para confeitaria, não é uma beleza que, sendo eu especialista em carnes, só seja cogitada para confeitaria?

Anônimo disse...

Não que as mulheres seja incompetentes nem nada disso.

Mas do jeito que você fala Lola, parece que você acha que homens e mulheres são iguais.

Concordo que devem ser iguais em direitos, concordo que podem haver áreas em que a desigualdade ocorre pelo preconceito (não conhecia esse exemplo das maestras), mas não há como negar que somos biologicamente diferentes. Homens tem mais músculos, homens tem melhor visão afunilada, mulheres tem mais inteligência emocional e melhor visão periféria. Homens são mais competitivos, etc.

As diferenças de gênero não acabam na aparência. Mas do jeito que você fala parece que qualquer diferença é preconceito, quando muitas vezes pode simplesmente ser sim um reflexo de características genéticas. Não estou afirmando que esse caso específico é isso ou não, até porque não conheço nada de cozinha, mas digo "no geral", sempre terão atividades em que os homens serão bem melhores que as mulheres por questões genéticas e atividades em que as mulheres serão bem melhores que os homens, também por questões genéticas.

Bruno S disse...

Essa divisaõ de gêneros na cozinha, acho que se aplica também ao interior das famílias.

Já vi algumas vezes homens que mostram saber e gstar de cozinhar em algumas ocasiões (almoço de domingo), pratos especiais, como num apontamento de que a cozinha pertence a ambos. Só que na rotina no trabalho sacal de fazer a comida de todo dia, quando não há holofotes, deixa a tarefa doméstica para a mulher.

p.s. sobre o programa do Justus, como alguém que vende 500 mil reais em mercadoris por 10 mil reais ganha uma prova?

Anônimo disse...

Olha, quando foi que provaram que "inteligencia emocional" e competitividade são determidos por fatores biológicos, perdi essa aula...

Ana Clara disse...

Tem um filme bem legal sobre a chef do François Miterrand: http://www.imdb.com/title/tt2094877/releaseinfo

Anônimo disse...

“Bom, contra fatos não há argumentos.
É só assistir O Aprendiz para ver o quanto a mulherada é incompetente e passa vergonha.
O Justus separou em duas equipes, uma exclusivamente masculina e a outra exclusivamente feminina.
A equipe feminina perdeu todas as provas e só fez cagada.
Depois querem dizer que homens e mulheres são absolutamente iguais em tudo...”
Ô espertão, você assistiu as edições anteriores? Então, das 8 edições anteriores mulheres venceram 4, e foi também uma mulher que venceu a edição especial do reality. Agora só porque algumas foram burras nessa edição (que ainda está no começo) todas são?

“Não que as mulheres seja incompetentes nem nada disso.

Mas do jeito que você fala Lola, parece que você acha que homens e mulheres são iguais.

Concordo que devem ser iguais em direitos, concordo que podem haver áreas em que a desigualdade ocorre pelo preconceito (não conhecia esse exemplo das maestras), mas não há como negar que somos biologicamente diferentes. Homens tem mais músculos, homens tem melhor visão afunilada, mulheres tem mais inteligência emocional e melhor visão periféria. Homens são mais competitivos, etc.

As diferenças de gênero não acabam na aparência. Mas do jeito que você fala parece que qualquer diferença é preconceito, quando muitas vezes pode simplesmente ser sim um reflexo de características genéticas. Não estou afirmando que esse caso específico é isso ou não, até porque não conheço nada de cozinha, mas digo "no geral", sempre terão atividades em que os homens serão bem melhores que as mulheres por questões genéticas e atividades em que as mulheres serão bem melhores que os homens, também por questões genéticas.”
Não acho que homens e mulheres são iguais em tudo, existem diferenças sim, mas o problema é que a maioria dessas consideradas diferenças são mentirinhas criadas para defender o machismo. Recomendo a leitura do livro “Homens não são de marte. Mulheres não são de Venus” que trata desse assunto.

Julia disse...

Anon 12:27, mas não te parece curioso que mulheres só sejam melhores em coisas que .. não dão dinheiro e não tem prestígio?

Não é muita coincidência que sempre que algo tem maior prestígio e envolve GRANA há sempre algo irrefutável da nossa biologia que condiciona as mulheres a se ferrarem?

Anônimo disse...

Várias características que são vistas estereotipicamente como feministas de repente não servem mais quando envolve dinheiro. Mas as estereotipicamente vistas como masculinas são destacadas. Principalmente a onipresente "força física" que serve pra qualquer merda.

Isabel disse...

Interessante o argumento que a mão fria ajudaria na confeitaria. Porque tradicionalmente mulheres não podem preparar sushi pelo motivo inverso: as mãos quentes alterariam as propriedades do peixe cru. E aí, como fica?

Anônimo disse...

Vcs feministas se acham as mais preparadas e competentes.
Num post aqui disse q eu n contrataria mais mulher pq só fizeram cagada e a resposta brilhante de vcs foi me culpar pelas falhas delas.
São tão competentes q não conseguem nem assumir a responsabilidade pelo q fazem.
Quando vcs cometerem um erro ao invés de assumir vão culpar o chefe,pq mulheres são perfeitas....
Só me deram mais certeza dee tomado a decisão certa.

Anônimo disse...

Isabel, quando é pra ferrar a gente a temperatura da nossa mão muda rapidinho..

Anônimo disse...

Anon 12:51, certo, agora volta pro The Sims.

Fernanda disse...

Ainda sobre programas de TV, no canal Bem Simples tem um programa comandado por mulheres, chamado Cozinha Caseira. Liderado pela incrível Carole Crema, mencionada no post (sou realmente fã dela), o programa ensina receitas simples e caseiras, pra mulher fazer no dia a dia pros filhos, ou no fim de semana pra agradar o 'maridão'. Tem também um outro programa, chamado Homens Gourmet, comandado por homens - como o nome indica. Este já ensina 'receitinhas especiais' pro garanhão fazer pra agradar e conquistar a 'gatinha' quando tiver um encontro. Engraçado, né?

Mudando um pouco o foco, sou estudante de nutrição e uma realidade que vejo sempre em UANs (unidades de alimentação e nutrição) é que, se a mulher nutricionista faz seu trabalho direitinho, fiscalizando tudo e se certificando de que o alimento preparado seja de boa qualidade, ela é a patricinha chata que acha que pode mandar em tudo. Se o homem nutricionista faz esse mesmo trabalho, ele é o chefe eficiente que colabora pro sucesso da empresa. Isso porque nutrição é considerada uma área 'feminina'.

Helen Pinho disse...

conte mais sobre como defender todo o sexismo do mundo baseado em pesquisas dos anos 1800/1900 e bolinhas (feitas por homens brancos heterossexuais para homens brancos heterossexuais).

ninguém casa disso?

tipo receita de bolo: pegue um grupo de pessoas, leve em consideração apenas a diferença de gênero (cis), exclua todas as características individuais, não leve em conta o contexto e o ambiente de desenvolvimento e vivência da pessoa, chegue a alguma conclusão e repita os resultados como verdade absoluta pra sempre.

Mariana K disse...

Olha gente, o mascu tá querendo que a gente acredite que ele é um empresário que pode escolher quem contratar! hahahahahaha!
com um "chefe" que pensa com tanta lógica e escreve... desse jeito, deve ser um sucesso esse negócio. So que não.


Sobre o lance do sexismo na música clássica, eu que sou violinista posso dizer: é uma coisa muito concreta. Há orquestras que deliberadamente não contratam mulheres ou negros (é! assim! chocante, não?), como a orquestra de Viena (que, felizmente por esse ponto de vista, está sucateada hoje em dia, pois vem perdendo patrocínio dia após dia pela postura preconceituosa e intransigente do núcleo de direção).
As coisas vêm melhorado com a fama de solistas mulheres em diversos instrumentos. Na minha área, o violino, dá pra dizer sem gaguejar que a maioria dos grandes nomes da atualidade são de mulheres. Mesmo assim, nos níveis "mais baixos", ainda há um ranço muito forte de forçar o papel de educadora às mulheres, enquanto os homens são estimulados à se dedicar exclusivamente à performance.

A atual maestra da OSESP (que aparece na foto do post) fez há pouco tempo sua estreia no Proms - um evento tradicional de música clássica, que reúne os melhores nomes da Europa. Ela foi a primeira mulher a reger o proms (e se não me engano isso foi esse ano, 2013). Mas analisando mais a fundo: o solista, um violinista de jazz. A orquestra usando roupas informais. Repertório "pop". Nada contra nada disso, muito pelo contrário - a música clássica tem que ser democratizada. Mas... no fim, foi um proms "diferente", "inclusivo", para no evento seguinte continuar com a música clássica "de verdade" - aquela feita por e para homens brancos e ricos. Há muito a caminhar...

Anônimo disse...

@Anon de 13:27

Engraçado vc citar o The Sims, pq nesse jogo a única diferença entre homens e mulheres (além da aparência) é a capacidade de reprodução.
De resto, ambos possuem as msms competências...


E pra quem está defendendo diferenças genéticas, acho que, tirando o quesito reprodução (de nv ela), não podemos falar em diferenças 'de gênero', principalmente se vc critica uma visão generalista dos gêneros, afinal (principalmente qnd é conveniente) existem homens tão detalhistas qnt mulheres e mulheres tão fortes qnt homens (lá em casa quem levava a sacola de leite era minha irmã mais velha, não meu pai... =P).

Como já disseram:
"não te parece curioso que mulheres só sejam melhores em coisas que .. não dão dinheiro e não tem prestígio? "


Outra diferença de gênero/classe que fica notável é no futebol.

Anônimo disse...

Engraçado que cozinhar doces e sobremesas é imensamente mais difícil e trabalhoso que fazer comida salgada ou massas. Não sou da área, mas cozinho todos os dias, adoro experimentar receitas e já ouvi muita gente comentar que também acha doce mais difícil.

Anônimo disse...

Lembrei da questão do uso da palavra poeta para designar mulheres:

http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=14242

http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/palavra-da-semana/entra-poeta-sai-poetisa/

Anônimo disse...

Opa, retificando:

“Bom, contra fatos não há argumentos.
É só assistir O Aprendiz para ver o quanto a mulherada é incompetente e passa vergonha.
O Justus separou em duas equipes, uma exclusivamente masculina e a outra exclusivamente feminina.
A equipe feminina perdeu todas as provas e só fez cagada.
Depois querem dizer que homens e mulheres são absolutamente iguais em tudo...”


Ô espertão, você assistiu as edições anteriores? Então, das 8 edições anteriores mulheres venceram 4, e foi também uma mulher que venceu a edição especial do reality. Agora só porque algumas foram burras nessa edição (que ainda está no começo) todas são?

“Não que as mulheres seja incompetentes nem nada disso.

Mas do jeito que você fala Lola, parece que você acha que homens e mulheres são iguais.

Concordo que devem ser iguais em direitos, concordo que podem haver áreas em que a desigualdade ocorre pelo preconceito (não conhecia esse exemplo das maestras), mas não há como negar que somos biologicamente diferentes. Homens tem mais músculos, homens tem melhor visão afunilada, mulheres tem mais inteligência emocional e melhor visão periféria. Homens são mais competitivos, etc.

As diferenças de gênero não acabam na aparência. Mas do jeito que você fala parece que qualquer diferença é preconceito, quando muitas vezes pode simplesmente ser sim um reflexo de características genéticas. Não estou afirmando que esse caso específico é isso ou não, até porque não conheço nada de cozinha, mas digo "no geral", sempre terão atividades em que os homens serão bem melhores que as mulheres por questões genéticas e atividades em que as mulheres serão bem melhores que os homens, também por questões genéticas.”


Não acho que homens e mulheres sejam iguais em tudo, existem diferenças sim, mas o problema é que a maioria dessas consideradas diferenças são mentirinhas criadas para defender o machismo. Recomendo a leitura do livro “Homens não são de marte, mulheres não são de Venus” que trata desse assunto.

domingosjornal disse...

Lendo esse post, me lembro de outra área com muitos homens: TI.

Desde a faculdade até as grandes softhouses, passando pelo PDAs de várias empresas, é difícil ver uma mulher ali. É fácil imaginar que seja uma área onde existe muito machismo.

O mais engraçado ainda é que a pessoa que escreveu o primeiro programa de computador na história foi uma mulher: Ada Lovelace. Ou Ada Augusta Byron King. Ou ainda Condessa de Lovelace. Como preferir. E a primeira pessoa a programar para a arquitetura de John von Neumann (a que é usada nos computadores de hoje), mais uma vez, foi uma mulher: Klara Dan von Neumann.

Sem essas duas mulheres brilhantes (para dizer o mínimo), com toda a certeza não existiriam computadores como os que temos hoje. E, por isso mesmo, acho difícil entender porque alguns homens (programadores) ainda tem preconceito contra mulheres na área. Ainda que existam grupos de mulheres no Software Livre.

Ellen Teles disse...

Um dos melhores confeiteiros que conheço é homem, tem uma rede de lojas, já ganhou concursos internacionais e chefia uma equipe de mais de 20 funcionários. Segundo ele, depois de 20 anos de profissão, aprendeu que uma equipe de sucesso na cozinha deve ser formada por homens e mulheres.

Contou também que é muito comum a dificuldade das mulheres casadas e com filhos, pois sempre que acontece alguma coisa (reunião na escola, doença, etc) com a criança, é sempre a mãe que deixa de trabalhar para resolver. Raramente o pai sai do trabalho para resolver questões dos filhos.

Fábio Henrique disse...

SE TIVER UMA PELOTINHA NO MEU MINGAU....eu não como !!

cissa disse...

sou gerente de dois restaurantes (e, caso as coisas corram como planejado, em breve serei socia proprietaria de um! eba!) e vejo diariamente o sexismo da area, seja na cozinha ou no salao. sou lembrada pela minha simpatia, pela habilidade em resolver conflitos, pela boa aparencia, pela sensibilidade na hora de contratar e demitir alguem (a velha historia do jeitinho feminino de conversar, como se os homens nao soubessem se comunicar! daaaa!) mas ninguem me conhece pela baixa taxa de desperdicio, pelo controle de estoque, pelas infinitas tabelas e analises de dados que otimizam os lucros, pelo lideranca... na hora de dar ordens ou broncas sou apenas mais uma louca de tpm, briguei com meu marido, sou mal comida etc... amo, e muito,o que faço mas e uma luta diaria e afirmar pra mim mesma que sim,sou competente! em todos os pontos necessarios para tocar um negocio com prazer e sucesso profissional. trabalho pra um homem que mudou muito ao longo do nosso trajeto profissional e posso dizer que ajudei nessa mudança para melhor. sei que quebrei muitos preconceitos dele em relaçao as "funçoes femininas", tanto que temos uma chef mulher e um chef homem que ganham exatamente o mesmo salario (hoje em dia,claro,quando o primeiro restaurante abriu os cargos de chefia eram majoritariamente masculinos). hoje em dia penso em quanto consegui mudar o "meu mundinho profissional". digo mundinho pq realmente a escala e micro,mas acho que se começa assim, ne. e quero deixar claro que, por causa dessas mudanças,minha imagem de "louca de tpm" nunca existiu para o meu chefe, proprietario do restaurante, mas sim para os funcionarios, geralmente os mais incompetentes (o que ja me levou a demitir pessoas, duas pra ser mais exatas, que nao aceitavam ordens de "patricinha mal amada") o fato mais satisfatorio da minha rotina. ter alguem te apoiando no seu trabalho, sabendo o quanto vc e competente e profissional independente do genero e o que te faz crescer em todos os sentidos. pode parecer piegas, mas acho que essa mentalidade reverbera pro mundo sim, quem trabalha la trabalha melhor e quando trabalhar em outro lugar vai levar isso consigo.
obrigada pelo post, lola! sempre genial!
ps: desculpem a falta de acentuaçao. problemas no teclado.

Fernanda disse...

Também acho que há muito a caminhar.

Sobretudo, gente, porque ainda são paradigmas. É paradigma ver maestro homem branco, é paradigma cientista ser homem branco, é paradigma piloto de avião ser homem branco, é paradigma os maiores cineastas do mundo serem homens brancos. E olha que até mulher motorista de ônibus ou taxi ainda nos causa uma certa curiosidade... O problema é que a gente se acostuma com esse olhar, e até compreender que é uma visão distorcida, que é um erro social, que há um desequilibrio, é todo um trabalho. Para nós, feministas, já é um puta esforço; imagina reeducar o olhar (e todo o resto do processo de mundaça que vem em seguida) de alguém que está bem tranquilo na sua posição dominante...

É realmente foda. Tenho uma aluna que fez graduação em ciências aeronauticas, é piloto, e não consegue emprego desde que se formou. Seu sonho era trabalhar na Lider Taxi Aereo, uma grande empresa aqui de MG, mas ela soube por amigos homens que trabalham la dentro que a pessoa que contrata (uma mulher!) não admite mulheres. Exclusivamente homens. Se isso fosse comprovado, creio que caberia até processo (talvez alguém de direito possa informar melhor). Enfim, a moça é super cabeção, profundamente estudiosa e dedicada, e nunca conseguiu trabalhar na sua área. Resultado: começou um outro curso superior...

Patty Kirsche disse...

Sempre percebi isso. A cozinha é um lugar inferior se uma mulher trabalhar nela. A partir do momento em que há um homem trabalhando lá, vira um lugar chique. Catonné falou sobre o quanto toda área profissional que se feminiza é desvalorizada. Na verdade, a causa desse processo perverso é a misoginia. Se mulher faz, está mal feito. Se mulher gosta, não presta. E assim sucessivamente, pra qualquer ação que mulheres executem.

Jéssica disse...

Sobre isso de machismo no mundo da TI, quando a profissão de programador surgiu ela era considerada uma profissão feminina, e era bastante cansativa e mal-remunerada. Bastou começar a dar dinheiro que passou a ser considerada como uma profissão masculina.

"Homens tem mais músculos, homens tem melhor visão afunilada, mulheres tem mais inteligência emocional e melhor visão periféria. Homens são mais competitivos, etc."

Sobre o papo de músculos:
- Homens tem cerca de 30% mais massa muscular que mulheres. 30%, não o dobro ou o triplo. E esses 30% mal fazem diferença se estivermos comparando mulheres e homens sedentários. Mais uma coisa: Massa muscular não é sinônimo de força física ou resistência muscular. Esse papo de 'supremacia dos músculos' me irrita.

- Se a mulher usar óculos desde a infância ou por muito tempo, ela terá uma melhor visão afunilada ao invés da periférica.

- E sem comentários para o besteirol supremo de mulheres terem mais QE e homens serem mais competitivos.

Anônimo disse...

Tomara, Fabio do Mingau, que alem de ter uma pelotinha no seu mingau, tambem tenha uma caquinha( de nariz). Desculpa, ae, lola, nao resisti

Patty Kirsche disse...

Uma classe na qual eu só vejo homens (por enquanto) como profissionais, são os manobristas. Todo o meu respeito por manobristas, mas não é segredo que ganham muito mal. Bom, o fato é que, apesar de não ser exatamente a profissão dos sonhos, o ato de manobrar bem é amplamente admirado socialmente. Por que? Porque é entendido como algo "masculino", mesmo não trazendo prestígio financeiro. A questão não é só o dinheiro, mas a visão de algo como masculino lhe agrega valor. Isso é tão inconsciente que é entendido como "opinião pessoal".

Verônica disse...

Exato, Lígia. Tem a costureira e o alfaiate, a metalúrgica montadora e o metalúrgico da calderarioa ou do torno cnc... E a profa. Liliana Segnini tem muitos trabalhos sobre musicistas. Entrevistando essa galera e perguntando sobre a quase inexistência de maestrinas, respondiam para ela: Mas tem a Chiquinha gonzaga. Anônimo das onze: você assiste "o aprendiz"... Não dá nem pra começar a argumentar com você.

Verônica disse...

IH, Lola, você também assiste? Mas é pra criticar, então pode, hahaha

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Muito bom e esclarecedor o texto. Pra gente ver até que ponto vai a hipocrisia do machismo. Até atividades ditas como femininas pelos machistas, no momento em que começam a render dinheiro, posição social, passam a ser vistas como masculinas.
Se amanhã começarem a pagar dez salários mínimos pra empregadas domésticas, depois de amanhã já vai ter gente formulando teoria de que homens são mais aptos para o serviço porque tem mais força, tem visão melhor, são mais rápidos, qualquer discurso do tipo.
Só não gostei da parte em que ele falou que mulheres gritam e agem como homens pra não caírem no estereótipo da mulher frágil. Porque aí ele é que acaba caindo no estereótipo que mulheres não gritam ou não tem certas atitudes, e que se o fazem é pra copiar homem, é pra fugir de estereótipos... Enfim. Mas no mais, achei bem esclarecedor.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Ah, mais pra uma coisa esse comentário mascutroll me serviu.
Não sabia que o Aprendiz tinha voltado a passar e as vezes gosto de assistir...

Anônimo disse...

"A partir do momento em que há um homem trabalhando lá, vira um lugar chique."
-
Sim claro, ate porque um canteiro de obras cheio de pedreiros,um asafaltamento de via publica sob sol escaldante, uma mina de carvão ou uma oficina de maquinário pesado, são lugares ciquerrimos

Sara disse...

Se tem uma arte que eu dou pouquíssimo valor é essa de cozinhar, não como na casa de ninguém e restaurante só se for bem grande e com muita gente (né Lola) rrrssss.
Talvez seja preconceito meu mesmo, mas se puder escolher, prefiro mulheres na cozinha, tenho TOC e não consigo comer nada que um homem tenha preparado (ainda mais se eu estiver vendo).
Por isso comigo o efeito é bem contrário quando algum homem tenta dar uma de bom cozinheiro pra me impressionar rrrsss (tô fora)..

Julia disse...

Catonné falou sobre o quanto toda área profissional que se feminiza é desvalorizada. Na verdade, a causa desse processo perverso é a misoginia. Se mulher faz, está mal feito. Se mulher gosta, não presta. E assim sucessivamente, pra qualquer ação que mulheres executem. [2]

-------
Fernanda, mas sua amiga não tentou? Aconselha ela a não ir na onda do que outros disseram. Já pensou se esses homens é que não querem uma mulher lá dentro e vieram com essa conversa?

Julia disse...

Isso mesmo, Patty. E o fato de mulher ser mais cuidadosa e dirigir com mais cautela é visto como algo NEGATIVO. Cadê lógica?

Anônimo disse...

Delia Smith não é americana, é britânica

Hamanndah disse...

Gabinetes de Presidencias - de Nacoes ou de Multinacionais - tambem sao lugares chiquerrimos, por sinal, ocupados, em sua maioria, por homens, homens estes que NAO SAO OBRIGADOS a trabalharem em minas, metalurgia, construcao civil ,!por sinal tambem frequentados por mulheres

Nestes "lugares chiques" que vc citou, que a maioria que trabalha e homem? vc tambem esqueceu de citar que eles NAO SAO OBRIGADOS A FREQUENTA-LOS

NM disse...

"Homens tem mais músculos"
Não, gente. Homens e mulheres tem exatamente a mesma quantidade de músculos, o que difere é que os homens por n fatores costumam exercitar mais esses músculos e as mulheres menos. Uma mulher que se exercite pode ter músculos bastante desenvolvidos também, e pra maioria das atividades profissionais ninguém precisa ser o rei da musculação.

"homens tem melhor visão afunilada, mulheres (...) melhor visão periféria."
E que diferença isso faz hoje em dia? Algum trabalhador tem a necessidade de ver um mamute ao longe ou de perceber um bebê chorando fora do campo principal de visão?
Não, né? Por sinal, como essas características diferenciadas deixaram de afetar na sobrevivência do indivíduo e da prole, as chances são de que elas parem de ser tão selecionadas.


"mulheres tem mais inteligência emocional"
Não é assim, colega. Seres humanos tem sua inteligência emocional; quanto mais você exercita, mais desenvolve (tipo os músculos!).
Isso é uma das coisas mais tristes. Homens são, em linhas gerais, privados da oportunidade de trabalhar a inteligência emocional. Homens não são criaturas defeituosas incapacitadas de desenvolver a I.E., embora muita gente esteja convencida disso. Essa história é um tiro no pé pros homens.


"Homens são mais competitivos"
Tenta pensar um pouco além disso. Será que a forma que as pessoas são criadas não afeta na tal competitividade?
Eu queria te deixar aqui o link para uma pesquisa que vi certa vez, mas não achei. Em linhas gerais, ela aponta uma tendência de que a "competitividade" de homem/mulher esteja mais relacionada com o meio em que vive do que com o seu gênero. Mesmo que não te faça muito sentido, definitivamente é uma leitura construtiva.

Alguém sabe de que pesquisa estou falando? Se souberem, postem aqui! :)

Fernanda disse...

Julia, ela tentou sim. Os amigos são amigos mesmo, eu creio, eles têm muito carinho com ela porque ela é mesmo uma graça e era a unica mulher do curso, eu acho. De qualquer forma, desde que pegou o diploma ela mandou curriculum pra tudo que é canto, e nunca recebeu nenhuma resposta. La na Lider Taxi Aéreo, além de mandar o curriculum, ela tentou alguns contatos mas logo soube dessa coisa de não contratar mulher. E o pior: é um curso carissimo. Issimo issimo, coisa fora da realidade. Imagina essa ivnestimento todo indo por agua abaixo... é muito triste.

Laurinha, sua análise é impecável.

Jéssica disse...

@Hamanndah

Para mim o ponto não é nem que esses homens não são obrigados a pegar esse tipo de trabalho, mas que as mulheres nesta mesma condição financeira praticamente só tem duas opções: empregada ou prostituta! Alguma dúvida que profissões "de homens pobres" como pedreiro, mineiro, motorista de ônibus, motorista de táxi e afins são MUITO mais respeitadas e bem pagas que as opções "para mulheres pobres"? Para o anônimo: mulheres pobres ADORARIAM ter acesso a esse tipo de emprego, inclusive elas estão se esforçando para poder ter!

Jéssica disse...

@NM

Não conheço a pesquisa que você mencionou, mas me fez lembrar de uma que era para avaliar competitividade e agressividade entre homens e mulheres. Método de estudo: Mulheres e homens da sociedade ocidental comparados com mulheres e homens de uma das raras sociedades matriarcais do mundo (desculpe, não lembro exatamente qual é essa sociedade).

Resultado? Os índices de agressividade e competitividade das mulheres da sociedade matriarcal foram praticamente idênticos ao dos homens ocidentais. Mesma coisa em relação aos homens da sociedade matriarcal e as mulheres da ocidental, que preferiam opções mais pacificas e colaborativas.

Detalhe: A sociedade matriarcal em questão tendia muito mais para igualdade entre os sexos do que a maioria das sociedades patriarcais do ocidente.

Fábio Henrique disse...

Nestes "lugares chiques" que vc citou, que a maioria que trabalha e homem? vc tambem esqueceu de citar que eles NAO SAO OBRIGADOS A FREQUENTA-LOS
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não claro que não, no mundo feminista, todos podem serem executivos, um pedreiro ,lixeiro mineiro trabalha nisto porque quer( ate porque o lixo vai se recolher sozinho, paredes vão levantar-se sozinhas) não para sobreviver. (S.Q.N)
O dia em que eu passar por uma obra de asfaltamento, sob o sol do meio dia, e ver os funcionários divididos igualmente entre homens e mulheres, eu começo a acreditar no feminismo ,e tatuo o nome Lola Aronovich envolto por um tribal na minha nadega esquerda.

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...



competitividade tambem é uma palavra ampla.Nao fica so em um unico ambito.
Creio que nos anos 50 as donas de casa tinham suas competividades por ex.

NM disse...

@ Jéssica

Me embananei. Era essa mesmo! Sabe algum link pra ela?

Anônimo disse...

Sara deixe de ser misandrica, tens nojo de coisas preparadas por homens porra ? nde ja se viu? Só porque é de "homem branco heterossexual" seu preconceito tá certo ? Preconceito é errado e pnto, seja contra quem for. Substitui sua fala ridículamente preconceituosa por "negro" ou oi "femea" como os mascus chamam para ver se você gosta. Cuidado para não se tornar apenas uma versão caricata daquilo que ciritca.

Roseane Viana disse...

Meu marido é um homem de cama, mesa e banho. Faz tudo muito bem. Na cozinha, ele domina comida nacional e internacional. Sempre gostei de cozinhar, e foi com a avó que aprendeu muitas receitas quando era criança. Ah ele também faz baínha, coisa que eu acho um mistério grande.

Hamanndah disse...

Se os homens fossem obrigados a fazerem estes trabalhos, voce, que e homem, tambem o faria.?Vc e lixeiro,?eletricista, peao de obra, mineiro? Nao? Nao e porque vc nao e obrigado a se-lo

As esposas destes homens sao babas, empregadas domesticas, faxineiras,?e ganham bem menos dinheiro do que eles

Estes homens, e mulheres tambem, ainda que poucas, que fazem estes trabalhos bracais, sao bem menos remunerados do que mereceriam ser e advinha a maioria do genero a que faz parte a presidencia das grandes construtoras, companhias de esgoto privadas,!mineradoras? Pois e, quase todos homens

Sr o homem pobre e explorado com estes servicos perigosos- a mulher dele tambem o e,!ela tambem rala, tanto quanto o marido, meu caro

Voce e homem, mas quero lhe lembrar que, sendo de classe media, como eu, vc pode se dar ao luxo de nao fazer estes trabalhos perigosos, portanto,se todo homem fosse obrigado a faze-lo, vc tambem o faria e vc nao o faz, portanto,!se vc nao e obrigado a escolher estes trabalhos duros, por que nos deveriamos ser obrigadas a escolhe-lo?

Outra coisa,!entao mulher nao pega no pesadp, hein?

Um antiga empregada da minha mae construiu sua propria casa, junto com o marido,?nas suas folgas

Ela e o marido, por serem pobres e nao de classe media privilegiados como nos somos, construiu, literalmente, a sua casa. Ela nao ficava de papo pro ar enquanto o marido erguia as paredes. Vc acha que as mulheres humildes nao fazem este trabalho junto com seus maridos? Fazem sim. Acho que minha ex-empregada nao era a unica, nao, eu tenho certeza

Kittsu disse...

Lembrando que os serviços braçais que tem falado aqui - lixeiro, pedreiro, motorista - são historicamente trabalho de escravos. O que no Brasil, significa "trabalho de preto". Logo, não é que o gênero do trabalhador dessas áreas desmente a existência da opressão: apenas troca o 6 por meia duzia, tirando de cena as mulheres e colocando os não-brancos (negros, pardos). Pedreiro é tipicamente negro. Lixeiro é tipicamente negro. O trabalho masculino de baixa remuneração é tipicamente negro.


Quanto ao costume de associar mulheres a uma maior inteligência emocional, tenho minhas duvidas... mulheres são associadas à histeria, descontrole, tpm e justifica-se que "o homem que é normal" devido à inexistência de flutuação hormonal ao longo do mês. Mulheres são associadas à docilidade e homens à agressividade, mas quem fica com o troféu "personalidade estável e humor confiável" vai para os homens, pelo que vejo.

Leandro disse...

A sociedade matriarcal à qual a tal "pesquisa" se refere é a tribo Mosuo na China. É a última sociedade matriarcal. E ao contrário do que essa tal "pesquisa" que vocês citam diz, mesmo em sociedade matriarcais como a tribo Mosuo, os homens que se ocupam com as atividades masculinas mais tradicionais como a pecuária e a pesca, enquanto as mulheres se ocupam com o trabalho doméstico, como cozinhar, limpar, cuidar do fogo:


Role of women
Main article: Mosuo women

As soon as a Mosuo female grows old enough, she learns the tasks that she will perform for the rest of her life. Mosuo females do all the housework. This includes cleaning, tending the fire, cooking, gathering firewood, feeding the livestock, and spinning and weaving.[4][5] In the past, due to isolation, Mosuo women produced all their own household goods. Today, due to increased trade with surrounding villages and cities, it is easier to attain goods. Nevertheless, some Mosuo women, especially those of older generations, know how to use looms to produce cloth goods.

Role of men

According to some, men have no responsibility in Mosuo society—they would have no jobs, rest all day, and conserve their strength for nighttime visits.[6] However, Mosuo males do have important roles in their society. They are in charge of livestock and fishing,[4] which they learn from their uncles and older male family members as soon as they are old enough.

Most importantly, males deal with the slaughter of livestock, in which women never participate. Slaughtered pigs, in particular, are kept whole and stored in a dry, airy place that keeps them edible for up to ten years. This is especially helpful when harsh winters make food scarce.


Referências:

[4] Kingdom of Women: The Matriarchal Mosuo of China (2007, 54 min.) Films for the Humanities and Societies

[5] Hua, Cai. A Society without Fathers or Husbands: The Na of China. Asti Hustvedt, trans. New York: Zone Books, 2001.

[6] The Ladies of the Lake: A Matriarchal Society (Documentary|format= requires |url= (help)), Journeymen Pictures.

Anônimo disse...

"O dia em que eu passar por uma obra de asfaltamento, sob o sol do meio dia, e ver os funcionários divididos igualmente entre homens e mulheres, eu começo a acreditar no feminismo"

E uma mulher que se apresentar será facilmente contratada?
E quem ganha mais, um cara que tem esse trabalho ou uma diarista?
E quem trabalhará mais horas por dia?
Adivinhe só.

Anônimo disse...

Eu sou mulher e feminista, mas me irrita essa forçosa ideia de que não existem diferenças fisiológicas entre homens e mulheres, tenho vergonha alheia quando leio algo do tipo:

“Não, gente. Homens e mulheres tem exatamente a mesma quantidade de músculos, o que difere é que os homens por n fatores costumam exercitar mais esses músculos e as mulheres menos. Uma mulher que se exercite pode ter músculos bastante desenvolvidos também, e pra maioria das atividades profissionais ninguém precisa ser o rei da musculação.”

Não, homens não possuem mais músculos porque se exercitam mais. A testosterona é um anabolizante natural, fazendo com que os homens tenham um desenvolvimento muscular superior sim. O homem possui maior desempenho aeróbico, pois possui um número maior de glóbulos vermelhos no sangue. Também possuem desempenho cardíaco superior, um maior volume de sangue é bombeado por minuto. Isso faz com os homens sejam melhores em atividades que exigem resistência. A diferença não é uma questão do quanto se exercitam, é fisiológica mesmo. Qual a dificuldade de admitir isso? Eu como mulher não entendo.


O que eu condeno são as diferenças criadas para defender comportamentos machistas, como essa ideia de que as mulheres possuem maior inteligência emocional, sendo natural que somente elas cuidem de pessoas. Óbvio que demonstram isso nas pesquisas, e isso se deve ao estilo de vida que são ensinadas a ter e não à genética. A inteligência emocional é fundamental para adaptação e sobrevivência da espécie sendo uma habilidade indispensável ao ser humano e pode ser desenvolvida por homens e mulheres.

Hamanndah disse...

""O dia em que eu passar por uma obra de asfaltamento, sob o sol do meio dia, e ver os funcionários divididos igualmente entre homens e mulheres, eu começo a acreditar no feminismo""

O dia em que eu passar perto do escritório de uma grande empresa Multinacional, um grande banco, um grande laboratório de cientista e ver, em igual numero, homens e mulheres trabalhando e recebendo a mesma remuneração, aí, sim, vou acreditar que não existe machismo

Digo mais:

Vou acreditar que não exste "cultura de estupro" quando eu sair a noite e ver mulheres dançando na balada/boate/barzinho e não ver homens tocando nelas contra a sua vontade, nem xingando-as de putas

E digo mais:

Vou acreditar que não existe machismo e que as feministas estão de mimimim quando eu vir nas lojas de brinquedo meninos e meninas podendo escolher brincar de casinha e de carrinho, sem nenhuma embalagem colocar fotos de meninos em brinquedos de carrinho, nem fotos de meninas em brinquedos de bonecas

ETC,ETC.ETC

Quer mais, meu caro?

Helen Pinho disse...

é mesmo todos os homens são fortes e musculosos? não é que não se entenda que a testosterona tem ação sobre o corpo do indivíduo. contudo, existem homens de todos os tipos, fortes, franzinos, altos, baixos, gordos, magros. então se tratando por exemplo de uma atividade assalariada que dependa de força e que tenha dois candidatos: um homem e uma mulher, dizer que o homem é o mais adequado só por ser homem é machista. deveria se avaliar as características específicas de cada um dos candidatos, independe de gênero. se realmente acontece isso nas seleções tenho certeza que teríamos diversidade de gênero muito maior em diversas áreas (incluindo as que hoje praticamente só temos mulheres).

Hamanndah disse...

Cara Anônima das 13:35

Eu concordo com você:

"Não, homens não possuem mais músculos porque se exercitam mais. A testosterona é um anabolizante natural, fazendo com que os homens tenham um desenvolvimento muscular superior sim. O homem possui maior desempenho aeróbico, pois possui um número maior de glóbulos vermelhos no sangue. Também possuem desempenho cardíaco superior, um maior volume de sangue é bombeado por minuto. Isso faz com os homens sejam melhores em atividades que exigem resistência. A diferença não é uma questão do quanto se exercitam, é fisiológica mesmo. Qual a dificuldade de admitir isso? Eu como mulher não entend"

Os homens são mais fortes e resistentes fisicamente que as mulheres por causa da testosterona.

O problema é que quando os mascus dizem que mulheres não merecem ter os mesmos direitos que os homens porque não trabalham na Construção Civil, nas Minas, etc. eu tento responder a eles que os homens que trabalham nestes lugares perigosos são oprimidos pelas grandes empresas que os contratam, Mineradoras e grandes construtoras

Se estas empresas investissem mais em Segurança e equipamentos que evitem tanto o uso da força fisica - estes homens, que são de classe baixa, pois os da classe alta são os diretores destas empresas - não iam ser tão machucados e tão mal pagos como eles são

Eu lembro aos mascus que as mulheres sempre trabalharam, e sempre pegaram peso, como os homens, mas eu não nego o fato biologico que o homem é superior em força á mulher, sem duvida, mas, se o homem é superior em força a mulher, o cavalo, o burro, tambem o é em relação ao homem, então, se for essa a logica dos mascus, que mulheres não merecem ter direitos iguais aos homens porque elas nao conseguem carregar o tanto de peso que eles conseguem - isto é, exceto os homens pouco fortes, sedentarios, etc, então, pela logica, cavalos e burros, que conseguem carregar pesos superiores aos que homens conseguem, merecem ter mais direitos que nós todos..não é mesmo?

Para você, como a lógica dos mascus, de justificar que mulheres são menos do que os homens porque não conseguem "lutar com feras, crocodilos( oh, exagero),como eles podem, bam bam bam". Então, se o critério é força fisica, os leões merecem ser mais respeitados do que eles, não é mesmo?

Jéssica disse...

" existem homens de todos os tipos, fortes, franzinos, altos, baixos, gordos, magros."
Complementando: Ainda por cima, a quantidade de testosterona que uma pessoa (sim, PESSOA, mulheres também produzem testosterona) varia de epssoa para pessoa, existe um certo padrão por sexo, mas ele é bastante variável.

Em resumo: Assumir que uma mulher qualquer sempre será mais fraca que um homem qualquer é de um machismo escroto.

Jéssica disse...

@Leandro
Primeiro, não tenho porque acreditar em um mascu. Segundo, o que você falou nem mesmo desmente o que eu e a NM dissemos, dãh.

Anônimo disse...

Hanabbdah, de forma alguma acho que a força física deva ser usada como critério para negar direitos às mulheres, o que me irrita é essa tentativa ridícula de algumas feministas de negar diferenças fisiológicas.

"é mesmo todos os homens são fortes e musculosos? não é que não se entenda que a testosterona tem ação sobre o corpo do indivíduo. contudo, existem homens de todos os tipos, fortes, franzinos, altos, baixos, gordos, magros. então se tratando por exemplo de uma atividade assalariada que dependa de força e que tenha dois candidatos: um homem e uma mulher, dizer que o homem é o mais adequado só por ser homem é machista. deveria se avaliar as características específicas de cada um dos candidatos, independe de gênero. se realmente acontece isso nas seleções tenho certeza que teríamos diversidade de gênero muito maior em diversas áreas (incluindo as que hoje praticamente só temos mulheres)."

Concordo com você, a minha crítica é sobre essa opinião de que é só a mulher se exercitar tanto quanto um homem que terão o mesmo desempenho. Isso não é verdade, a fisiologia feminina é diferente da masculina de modo que se os dois se exercitarem igualmente seus desempenhos ainda serão diferentes.


"Complementando: Ainda por cima, a quantidade de testosterona que uma pessoa (sim, PESSOA, mulheres também produzem testosterona) varia de epssoa para pessoa, existe um certo padrão por sexo, mas ele é bastante variável."

As mulheres produzem testosterona mas não chega NEM PERTO do padrão masculino, um homem produz cerca de vinte a trinta vezes mais testosterona que a mulher.


"Em resumo: Assumir que uma mulher qualquer sempre será mais fraca que um homem qualquer é de um machismo escroto."

Novamente: a minha crítica é sobre essa opinião de que é só a mulher se exercitar tanto quanto um homem que terão o mesmo desempenho. Isso não é verdade, a fisiologia feminina é diferente da masculina de modo que se os dois se exercitarem igualmente seus desempenhos ainda serão diferentes.

NM disse...

Anônima das 13:35, faz uma forcinha e lê direito o que eu escrevi. Sério mesmo. Presta atenção no que dizia no comentário que eu respondi, na forma com que eu construí o meu comentário e qual a aplicação dele (fica claro pelo final, se você reparar).

Tem alguma mentira no que eu disse? Eu sequer entrei no mérito da fisiologia em si, eu só falei de >>quantidade<< de músculos. Eu não comparei o desenvolvimento dos músculos em homens e mulheres. Muito menos desempenho.

Eu disse que mulheres também podem ter os músculos desenvolvidos o suficiente para a maioria das profissões atuais, sem nenhum impedimento biológico, exercitando esses músculos.

Acho que a sua vergonha alheia tá com o radar meio descalibrado, cuida pra não se precipitar e ler o comentário dos outros errado, tá?

Paz.

NM disse...

Anônima das 13:35, li seu comentário das 17:04 agora e novamente lhe peço: relê meu comentário.

Repara como eu não falei sobre desempenho.

Deus me livre você achar que eu sou uma idiota fanática que alucina que não existem diferenças entre os sexos. Eu apenas apontei, principalmente, que o número de músculos não varia entre seres humanos.

Por outro lado, acho que você se precipitou um pouquinho também, né?

Boa noite.

Thais disse...

Anon 13:35,

O que me irrita é essa obsessão por testosterona. Supera isso, gente.

Testosterona não é o hormônio mais importante do mundo apesar de certas pessoas quererem fazer parecer...

Anônimo disse...

O qe irrita é que conversa sobre testosterona sempre aparece em posts sobre sexismo no trabalho, sempre vai vir alguém pra falar que homens são mais fortes qe mulheres e pronto. Quem lê pensa que vivemos num mundo em qe mulheres não fazem trabalhos braçais enquanto homens carregam carga pesada todo dia ou sei lá qe as feministas estão propondo que homens e mulheres lutem até a morte num ringue porque pensamos que todos são iguais fisicamente, enquanto o texto fala de algo totalmente diferente..

Ana Gabriela disse...

Pessoas, parem de discutir se homens ou mulheres são mais fortes ou mais inteligentes e comecem a testar a competência individual de cada um quando precisarem contratar um funcionário.

Quando comecei a trabalhar na cozinha eu era uma única mulher em meio á 11 cozinheiros no melhor restaurante de Belo Horizonte. O comentário dos colegas sobre o assunto é que "realmente é muito difícil encontrar uma mulher que trabalhe bem no fogão devido ás atividades pesadas e a pressão psicológica, a grande maioria das mulheres não lidam bem com isso"

O comentário deles não deixa de ser verdade, porém a culpa não é delas, e sim da sociedade que há tantos anos nos convence de que devemos ser assim. Eu, me convenci de que não. De que não devo nem preciso ser uma mulher frágil. Não sou muito forte nem musculosa, mas me esforço constantemente para que essa diferença de força física não resulte num trabalho inferior. E quando eu ouvia a frase "deixa que eu carrego essa caixa para você", eu nunca, jamais admiti que essa troca acontecesse, pois, no meu raciocínio, sou paga igualmente para exercer as mesmas atividades que eles, e ninguém nunca vai me convencer de que não tenho capacidade de superar qualquer limitação biológica e me colocar em um patamar inferior ao deles.

Depois de me convencer que podemos ser profissionalmente iguais, não há motivos para que a pressão psicológica me abale, que é o motivo de tantas mulheres não apresentarem a mesma eficiência neste ambiente. Já existe a cultura, o preconceito, a opressão, e isso pesa muito mais quando se junta á tensão diária de uma cozinha. O erro pesa mais, a responsabilidade pesa mais, nossa mente começa a encarar os problemas do dia a dia como pessoais. É muito difícil levantar a cabeça nessas circunstâncias, deixar tudo isso para trás e apenas trabalhar mostrando sua competência. Nem todas conseguirão vencer essa dificuldade que está marcada no consciente feminino, mas TODAS e qualquer mulher que tenha perfil, talento e vocação para cozinha pode sim resultar no mesmo trabalho do homem, de igualmente perfil, em qualquer área da cozinha, chefia, confeitaria, administração, limpeza, obra, aviação.

Empresários, cuidado... você pode estar aturando um péssimo cozinheiro enquanto poderia ter uma ótima cozinheira, e vice versa!

Sergio disse...

Tem tb a Ana Luiza Trajano do restaurante 'Brasil a gosto', aqui tem uma entrevista bem legal com ela: http://www.luzio.com.br/novos-interpretes.php?id=de7fb3b7fbb851cd64ec776338bf80f4
Acho bem válido a discussão sobre estes temas. As próximas gerações já nascerão vendo as mulheres trabalhando em várias áreas, então não terá porque discriminar, será algo natural.
Crianças pequenas tendem a se comportar de maneiras distintas de acordo com seu sexo. Meninos pequenos são irrequietos e se aborrecem com mais facilidade. Meninas pequenas são mais dóceis e conseguem ficar muito tempo sentadas de forma quieta. Ficar quieto quando se está há muito tempo sentado não é uma característica masculina. É algo que requer disciplina e que deve ser infundido em uma criança.

Homens não tendem a se afiliar a igrejas tanto quanto mulheres. Creio que isso tem a ver com o requerimento de ter de ficar sentado durante um culto. Um culto religioso baseia-se em pregações e em ficar sentado durante um bom tempo. E, dado que homens devem ficar sentados em uma igreja, o sermão tem de ser bom para fazer com que homens fiquem sentados quietos durante muito tempo.

E fora das igrejas?

Há algumas áreas da vida em que as mulheres têm claras vantagens sobre os homens. Obviamente, a maior delas é na criação de filhos.

O surgimento de ferramentas e máquinas altamente especializadas possibilitou às mulheres efetuarem certos tipos de trabalho que elas não eram aptas a realizar antes do desenvolvimento destas tecnologias. Mulheres não possuem vantagem em relação a homens no que diz respeito a cortar lenha. Mas elas certamente são tão bem capacitadas quanto os homens para apertar um interruptor. Homens não têm vantagem nesta área. Sendo assim, naqueles trabalhos em que apertar botões substituiu o corte de lenha, seria ingenuidade imaginar que as mulheres ficariam de fora desta área por muito tempo.

Sergio disse...

Julia disse...
Não é muita coincidência que sempre que algo tem maior prestígio e envolve GRANA há sempre algo irrefutável da nossa biologia que condiciona as mulheres a se ferrarem?
>>
Julia, sua afirmação é impossível do ponto de vista econômico.
Se tem mulheres que são melhores no que faz e ganham menos. Isto iria chamar a atenção de outros empresários que iriam querer lucrar com isto. E fazendo isto, o salário das mulheres iria aumentar.
Mas o que pode fazer com que não aumente o salário, é a questão da licença-maternidade. O empresário irá ter este custo, então ele prefere contratar um homem, e então irá sobrar mulheres no mercado, tudo que sobra fica mais barato. Infelizmente (ou felizmente) a economia é amoral.
No Canadá existe seguro-maternidade (e é o governo que banca), inclusive de 1 ano, mas o empresário não precisa contratar a mulher quando ela volta da licença, isto pode parecer ruim, mas coloca ela em igualdade com o homem (pois não força o empresário a nada), e o salário dela pode ficar mais em pé de igualdade com o homem, pois não haverá diferença no custo de produção.

Sergio disse...

- Se a mulher usar óculos desde a infância ou por muito tempo, ela terá uma melhor visão afunilada ao invés da periférica.
>>
Jéssica, a visão aí no caso, é no sentido de visão de mundo.

Sergio disse...

Kittsu, os escravos quando foram libertos estavam tirando muitos empregos de brancos, pois eles trabalhavam por menos, pelo fato de terem menos experiência e sem estudo, aí criaram a lei de salário mínimo, e então não compensava pagar um salário mínimo pro negro, pois ele ainda tinha produção baixa e não sabia ler. Esta lei do salário mínimo criou um cartel dos brancos. Já que o empresário era obrigado a pagar um salário mínimo, então ele contratava brancos que tinha mais estudos e produzia mais naquele momento, esta lei foi ruim pros negros naquele momento. E a escravidão acabou porque o sistema capitalista se mostrou mais rentável. Veja você: compensava pagar pro cara trabalhar em vez de ser de graça. Capitalismo malvadão hem hehehe.

Sergio disse...

Ana Gabriela.
Perfeito sua mensagem. Me lembrei desta cena:
http://tvuol.uol.com.br/assistir.htm?video=motivacional--rocky-balboa-falando-ao-filho-0402CD193470CCB14326 (desconsiderar citação 'Deus' no começo do vídeo se for o caso).
E olha que o Stallone é figura emblemática, mas me lembrei disto ao ler seu relato. O que vale é o indivíduo, se a gente fazer a diferença as pessoas irão associar: olha lá, a Ana manda bem pra caramba* (*pra não falar palavrão aqui hehe)

Cora disse...


sobre seres irrequietos.

ninguém lembra que as crianças começam a ser educadas assim que nascem. primeiro, todos (homens e mulheres) tendem a ser mais tolerantes com meninos irrequietos do que com meninas irrequietas. tolera-se muito mais que meninos não permaneçam fazendo algo, do que as meninas, que devem ser sempre solícitas e receptivas. assim, as crianças começam a receber reforço positivo/negativo tendo o gênero como parâmetro (e os comportamentos esperados para cada gênero).

além disso, a imagem da mulher frágil também aparece desde muito cedo. meninas são acolhidas com minos e cuidados quando se machucam, por mais besta que tenha sido o machucado. enquanto isso, meninos são estimulados a serem fortes e os machucados são sempre minimizados como não sendo nada demais.

rendição/superação: aprendidos

meninas, obviamente, tendem a se identificar com a mãe e meninos, obviamente, o fazem com o pai, reforçando, dessa forma, papéis de gênero.

crianças aprendem por imitação e reforço positivo/negativo.

os meninos podem brincar sem supervisão do adulto (já que se consideram que sejam fortes e independentes – características tradicionalmente atribuídas ao masculino), portanto, reforço positivo. meninas estão sempre vigiadas, não podem sentar-se de pernas abertas, não podem sujar o vestido, não podem ficar despenteadas, sendo sempre recriminadas quando isso acontece – portanto, reforço negativo. as broncas fazem parte do cotidiano da menina. o próprio vestido, limita bastante os movimentos. as crianças querem agradar, se espelham nos adultos. rapidinho a menina e o menino aprendem o que podem e o que não podem fazer).

(não à toa, o menino que não é “irrequieto por natureza” sofre muito com as cobranças para deixar de lado o “comportamento feminino”)

uma amiga me contou que, levando a filha de quatro anos à escola, ouviu a mãe de uma coleguinha recomendando à menina que ficasse brincando no cantinho para que os meninos não a machucassem. ela está aprendendo que o espaço livre pertence ao masculino e que o espaço limitado pertence ao feminino. está aprendendo quem deve ser contido e quem pode ser expansivo.

quem se arrisca mais? quem passa a ter medo de arriscar-se e machucar-se?

na escola, os meninos se manifestam muito mais livremente durante as aulas do que as meninas. e a necessidade de agradar já está sedimentada na mente das meninas. elas temem errar, já que o erro, o equívoco, o imperfeito, o arrojado, não são permitidos ao feminino.

o aprendizado sobre os papéis de gênero começam muito cedo e a maior parte das pessoas não se dá conta disso. daí a naturalização com que as características culturais são tomadas.

as lições sobre ser mulher e ser homem em uma cultura ocorrem desde o nascimento e se prolongam pela vida toda.

Cora disse...


as igrejas são espaços de ensinamento/reforço da cultura e das tradições. são as mulheres que educam as crianças. assim, apesar das igrejas serem espaços masculinos por excelência, são mantidos e permanecem existindo apenas para doutrinação do feminino (e do masculino, através justamente da doutrinação do feminino). é impossível manter qualquer traço/tradição cultural se as mulheres não estiverem convencidas (ou obrigadas através da violência moral, simbólica, verbal, física) da necessidade deles para a sobrevivência dos filhos (os filhos, tradicionalmente, pertencem ao feminino). por isso, sempre a necessidade de controlar e vigiar o comportamento feminino, a argamassa de qualquer cultura. a maior parte dos homens pouco está interessado nas crianças e precisam ser lembrados/cobrados pelas mães de que os filhos existem. é por isso que, tradicionalmente, são os homens que abandonam família/filhos ou não se comprometem nunca com isso, apesar das aparências (observem que falei tradicionalmente. evidente que mulheres também o fazem e que existem homens comprometidos com a criação dos filhos pr’além do papel de provedor, exigido pela cultura através do feminino, mantido sempre dependente do masculino).

Cora disse...


sobre a visão, não se estava falando de visão de mundo, não, mas de característica biológica mesmo. volte ao comentário do anon e veja por você mesmo.

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vejam bem, diferenças existem. ninguém nega isso. pelo menos não dessa forma simplista, infantil, reducionista, de alguns homens que comentam aqui e em outros lugares. o que se contesta, é a atribuição de valor negativo/ limitante/ impeditivo a qualquer característica tradicionalmente atribuída ao feminino, como se isso determinasse um certo lugar imutável à mulher na sociedade (o que limita também o lugar do homem, evidentemente), independente de qualquer variação/aptidão individual (e variações individuais existem. sempre que falamos em "características femininas/masculinas" falamos de média e de cultura).

ser mulher sempre foi limitante e continua sendo, pois muitos homens (e o movimento masculinista como voz oficial) só admitem algum respeito ao feminino no espaço público, se este for completamente idêntico ao masculino (e perceba que ninguém cobra do homem que seja perfeitamente idêntico à mulher no espaço doméstico). reforçando essa ideia, a lógica capitalista negativiza a maternidade, apesar da necessidade dela (vide o envelhecimento da europa e os problemas decorrentes), tornando o ser feminino uma desvantagem intransponível no mercado de trabalho. a consequência disso é que a mulher deve fazer mais do que o homem para ter qualquer reconhecimento (esforço jamais reconhecido, uma vez que o espaço público não é visto como conquista feminina, mas como condescendência masculina). à mulher não é permitido o erro, o equívoco. as cobranças e as exigências ultrapassam muito a questão da ocupação, já que a mulher deve superar a barreira de gênero (ela não é avaliada apenas pelo desempenho individual, mas através da lente do gênero, como demonstraram algumas mulheres que comentaram aqui).

(conheço alguns homens – poucos, é verdade – que querem acompanhar a infância dos filhos e que são execrados no trabalho por isso, já que acabam dando um tempo da carreira profissional para curtirem mais de perto os filhos pequenos)

o que quero dizer com isso? filhos são vistos como problemas. o que é um equívoco social/cultural tremendo.

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sobre a cozinha, especificamente, as mulheres pobres e da roça sempre fizeram todo o trabalho pesado relacionado à arte de cozinhar. quem conhece um pouco do cotidiano dessas mulheres, sabe o quanto são fortes (fisicamente falando). minha bisavó, mesmo com bastante idade (quando convivi com ela, ela morreu eu era criança ainda), fazia coisas na cozinha que muito homem não faria. minha mãe, que nunca morou na roça (então não tem o treinamento da vida dura da roça), é bem forte e faz coisas que meu pai (que contribui muito com os serviços domésticos) não faz (e ela é muito menor que ele. na maior parte do tempo, ela não ultrapassa os 60 kg). quer dizer, a força física existe. todo mundo que já lidou com bebês sabe como (muita) força física e resistência muscular são necessárias. a fragilidade física feminina é um mito. homens são mais fortes? em média sim. há trabalhos fisicamente exigentes em que se saem, na média, melhor? sim. mas negar a capacidade física feminina é preconceito.

então essa questão dos chefs tem a ver com estereótipos e papéis de gênero, sim. como a Lola disse, quando se torna qualquer ocupação pública, quando ela deixa o âmbito doméstico, ela deixa de pertencer à mulher (doméstico) e passa a ser domínio do homem (público) (chefs, estilistas etc.). o espaço público sempre foi reservado ao masculino e só com muito custo, passa a ser compartilhado com o feminino. observem que, ainda que se critique essa apropriação do espaço público pelo feminino, o espaço doméstico segue sendo culturalmente desvalorizado, o mesmo ocorrendo com a educação das crianças (ainda feminino, ainda desvalorizado, mesmo tendo a “importância” reconhecida no discurso).



Cora disse...


no mundo corporativo, mulheres com cargos equivalentes ao de homens ganham menos, não por serem menos competentes, mas por negociarem menos os valores do contrato e aceitarem remuneração menor, como relatou Sheryl Sandberg (e isso tem a ver com a recente entrada - historicamente falando - da mulher no mercado de trabalho).

quando se diz que a mulher recebe menos, estamos falando da remuneração média masculina e feminina em relação aos anos de estudo e não homens e mulheres no mesmo cargo e na mesma empresa.

dados do ibge/2012: a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres tem se reduzido, mas as mulheres ainda recebem menos que os homens (em média, 73,3% do rendimento deles). Entre os mais escolarizados (12 anos ou mais de estudo), a desigualdade de rendimentos é mais elevada dado que as mulheres recebem 59,2% do rendimento auferido pelos homens. A média semanal de horas trabalhadas não justifica essa diferença, já q a jornada dos homens é apenas 3,4 horas maior q a da mulher para 12 anos ou mais de estudo. A jornada doméstica é ainda predominantemente feminina, sendo 2,5 vezes maior que a masculina. As mulheres que trabalham, dedicam, em média, 22,3 horas semanais a afazeres domésticos, enqto os homens, somente 10,2 horas. Os dados mostram que a jornada de homens e mulheres nos trabalhos produtivo e reprodutivo é bastante diferenciada. Em 2011, a jornada total das mulheres em ambos os trabalhos era de 58,5 horas (no sudeste, ainda maior, 59,5 horas) e, para os homens, 52,7 horas. Assim, a jornada total das mulheres ocupadas excede a jornada masculina em quase 6 horas.

é neste sentido, entendem?

e há, sim, uma diminuição na remuneração média de uma carreira quando ela se feminiliza, justamente em função dessas questões de gênero tratadas aqui. o trabalho típico feminino é ainda o trabalho reprodutivo, portanto não remunerado. como a mulher enfrenta barreiras de gênero e muitas vezes precisa da renda para criar os filhos, aceita trabalhos de menor remuneração, ainda que tenha escolaridade para voos mais altos. assim, os trabalhos de menor remuneração acabam sendo trabalhos femininos.

Helen Pinho disse...

Anônimo 17:04 não creio que tu esteja concordando comigo, pois tu afirma que se dois indivíduos se esforçarem igualmente os resultados serão diferentes, levando em conta apenas o gênero como fator determinante. quando o que eu afirmo no meu comentário, que tu copiou, é exatamente o contrário, que muitos fatores determinariam qual obteria melhor resultado - ou seja, o resultado é imprevisível.

Anônimo disse...

Verdade. Alguns comentários aqui lembram muito os dos posts sobre trotes machistas/misóginos nas faculdades que Lola já fez. Um pessoal realmente perfeito vindo comentar que a culpa é de quem participa sem questionar as pessoas que criam essas coisas.

Julia disse...

Obrigada, Cora, por ser tão inteligente e paciente e explicar para este BURRO desse Sergio as coisas como são.

A única coisa que me dei vontade quando li a caca que ele despejou aqui foi de mandar ele enfiar o interruptor naquele lugar.

Julia disse...

Sergio,

Sua anta, ser ignóbil, antes de vir aqui despejar que é acha correto mulheres serem discriminadas no mercado de trabalho por terem útero saiba que quem paga a licença-maternidade não é o empresário, é o INSS!

E não é verdade que a maior vantagem que as mulheres tem é na criação dos filhos. A tua mãe, por exemplo, falou miseravelmente.

Sergio disse...

Júlia, e quem paga o INSS?
Reveja seu conceito de quem é a anta, pra usar expressão sua.

Sergio disse...

Os salários menores das mulheres se explicam de diversas maneiras, nenhuma delas envolvendo discriminação irracional “sexista”. Uma delas é o fato de que a esmagadora maioria das mulheres trabalha durante poucos anos, e então dedica uma grande parte dos seus anos produtivos para educar suas crianças, depois dos quais elas podem ou não decidir voltar à força de trabalho. Como resultado, elas tendem a entrar ou a encontrar empregos em certas indústrias ou outros tipos de atividades que não requeiram um compromisso de longo prazo com a carreira. Além disso, elas tendem a ocupar vagas em que o custo de treinamento de novos funcionários, ou de dispensa, é relativamente baixo. Estas ocupações tendem a oferecer salários menores se comparadas àquelas que requerem uma longa dedicação, ou em que os custos de treinamento ou dispensa são mais altos. Essa tendência geral de dedicar anos à criação dos filhos também pesa no insucesso feminino em promover-se a cargos mais altos e mais bem remunerados, daí a baixa “cota” de mulheres nessas áreas. É fácil contratar secretárias que não têm a intenção de fazer desse trabalho uma meta de vida; não é tão fácil promover pessoas a degraus mais altos na academia ou nas corporações se elas não pensam de modo diferente. Como pode uma mulher que vai se tornar mãe conseguir ser uma presidente de empresa ou uma professora universitária em tempo integral?

Cora disse...


é essa a questão. você não disse nada diferente do que eu disse. eu pus os pingos nos is e, agora, você também o fez.

os papéis de gênero são fixos, a divisão sexual do trabalho se flexibilizou um pouco, mas ainda é desvantajosa pra mulher, já que a força de nossa sociedade está no poder econômico e, se eu limito as oportunidades de um grupo ter acesso a esses recursos por características intrínsecas, é discriminação, no caso, sexismo.

no nosso arranjo social e econômico, a mulher tem uma desvantagem intransponível no mercado de trabalho (a capacidade de engravidar), mesmo que deseje muito ter uma carreira e também formar uma família.

isso é sexismo!

usado para justificar todos os estereótipos de gênero que existem.

arranjo que impossibilita que mulheres se realizem profissionalmente da mesma forma como é possível para os homens (aos quais também não é "permitido" dedicar-se aos filhos sem interromper o progresso profissional).

isso justifica menores salários, piores trabalhos e a perda da carreira ou a retomada, muito mais tarde, desta, portanto, em franca desvantagem (que alimenta mais preconceito).

e, como em nossa sociedade, o trabalho reprodutivo, ainda exclusivo (praticamente) da mulher, é desvalorizado socialmente justamente por não ser economicamente remunerado, é disseminada a ideia de que mulheres simplesmente não contribuem com o trabalho (por isso podem ter menos direitos sociais, já que "dependem" do homem).

esse fato, inclusive, foi usado por milênios para manter a mulher tutelada ao e dependente do homem, justificando todas as canalhices históricas dispensadas ao feminino, como o registro histórico oficial ilustra fartamente.

arranjo esse que limitava (limita) as possibilidades de ação feminina e ainda forçam mulheres a manterem arranjos familiares insatisfatórios em função desses impedimentos todos.

além "bônus" do controle social do comportamento feminino, já que é tutelada e dependente, portanto, incapaz de decidir sobre a própria vida (a infantilização da mulher).

é justamente isso que é sexismo na nossa sociedade.

a crítica feminista é justamente a esse arranjo.

e, mesmo que a mulher deseje e se esforce para desempenhar qualquer função que não reprodutiva (ou além desta), conta com os estereótipos de gênero tornando tudo mais difícil, sabotando qualquer tentativa feminina nesse sentido.

você acabou de descobrir o significado de sexismo. parabéns.

a crítica deveria ser feita ao sistema econômico/social.

num mundo que oferece muito mais do que a biologia como forma de realização pessoal, manter as mulheres, obrigatoriamente, num papel único, fixo, imutável e estritamente biológico, é inadmissível.

só que ocorre que mulheres que não pertenciam à insignificante elite econômica, SEMPRE trabalharam fora, além de serem as únicas responsáveis pela criação das crianças.

mas, como o trabalho externo feminino jamais foi reconhecido como importante, a desvantagem é evidente (sempre os piores postos, com as piores remunerações). garantir a criação dos filhos e ainda lidar com a discriminação e os impeditivos sexistas à atuação da mulher num mundo masculino. foi assim (é assim) o cotidiano feminino.

melhoramos? sem dúvida. mas o sexismo taí, firme e forte, pra quem quiser ver.

consegue enxergá-lo agora, já que o descreveu tão bem?

Helen Pinho disse...

nossa é verdade Sergio nada disso envolve "discriminação irracional 'sexista'" HUHAUHAUHAUHAUHAUHAUAHUAUA tudo super racional, super lógico e super justo (modo mascu on)

Anônimo disse...

Sérgio, obrigado por esse comentário. O post não seria o mesmo sem um comentário cheio de mansplanning! E concordo muito que toda a população feminina desse país está destinada a ser mãe, vide todos os posts da Lola sobre a criação de seus filhos!


Agora sério, pense um pouco antes de escrever.. Não machuca. Você diz que todas as mulheres vão ser mães e por isso ganham menos. Mesmo que isso fosse verdade da onde você acha que vai vir o dinheiro pra criação do seus filhos? Os homens saem por ai distribuindo? mulheres não fazem filhos sozinhas, mas muitas vezes são elas que arcam com as responsabilidades sem a ajuda do pai. Você acha mesmo que elas podem parar de trabalhar? Ou então quem nunca quer ter filhos? Ou famílias em que o marido não ganha suficiente? Ou Lésbicas? No entanto, mesmo que a mulher tenha um homem para se apoiar, ela ainda está no seu direito de ganhar tanto quanto seus colegas de trabalho por fazer o mesmo bendito trabalho. Você é só mais um que não quer admitir isso já que não te afeta..

Duuudes disse...

Pois é, inclusive estou me formando em gastronomia e minha pesquisa pra monografia vai ser justamente esse papel da mulher na cozinha doméstica. Na cozinha profissional, é incrível o sexismo (inclusive no restaurante que trabalhei a chef era uma mulher e dizia que não iria contratar mulheres para a cozinha, irônico, não?). Mas a partir do momento que cozinhar se tornou profissão, virou domínio masculino e inclusive hoje o mercado "gourmet" é voltado pro público masculino (reparem nas coifas e nos eletrodomésticos todos em aço escovado, no aço inox, nas parafernálias tecnológicas que sempre tem seu marketing voltado pro público masculino). É a perpetuação do "mulher faz as coisas pra família, mas quando é profissional ou demanda conhecimento técnico, se torna tarefa masculina". E pior, roubam a voz das mulheres que tornaram a cozinha brasileira tão diversificada e plural e, na minha opinião uma das mais interessantes e incríveis do mundo, e deram crédito para os homens que criaram a "gastronomia brasileira".

Anna disse...

Vi essa fto no tumblr e me lembrei desse post. Machismo na publicidade do top chef canada:

https://31.media.tumblr.com/5394c065acef4a20d729a8f6b511b7d8/tumblr_n2dsc143it1qbow5go1_500.png

Triste!

Julia disse...

Essa imagem da Anna é mais um oferecimento dos publiciótários.

Gle disse...

Achei ótimo ver duas mulheres no final do Masterchef e melhor ainda foi ver a Ana Paula Padrão repetindo que tava achando lindo por serem duas mulheres na final <3

Também não sabia desses paranauê de drogas na cozinha... Que louco.
Na minha profissão e área também tem mais homens (Contadora ligada a área de Desenvolvimento de Software), mas não tenho noção se tem diferença de salário por conta do gênero.
Ótimo post!

Anônimo disse...

Não tenho tanta inteligência emocional assim não. Determinismo biológico é balela.