quarta-feira, 9 de outubro de 2013

COMO CONVIVER COM OS FAMILIARES MACHISTAS?

A Adriana me enviou este relato:

"Vou mandar esse e-mail como um grito de desespero. Pode soar extremamente dramático, mas sei que ao final estarei mais aliviada. Eu não sei quando eu me tornei feminista, mas percebo que de uns cinco anos para cá, aos poucos, abordo o assunto machismo com quem eu moro (mãe e dois irmãos). 
Eu fui paciente. Aceitei sermões altamente clichês e puritanos. Quase larguei de lado o feminismo por achar que estava incomodando demais. Não existe feminismo neutro. Se quero atacar o machismo, eu preciso ser radical. A minha família é machista. Pode soar arrogante da minha parte, mas eu não tenho dúvida, porque aconteceram tantas discussões. 
Ontem foi (espero que seja) a última briga que tivemos a respeito do machismo x feminismo. É simplesmente broxante perceber que, depois de três horas de bate-boca, as considerações finais do meu irmão são que sou recalcada, que até agora não entende porque o feminismo existe, que quase não existe estupro (justificativa: 'Eu não conheço nenhum estuprador, você conhece? Nenhum amigo meu estuprou'), que as mulheres já trabalham e estudam (concluindo: o feminismo é uma luta do século passado), que ele tem o direito de julgar as mulheres de vadias, que a mulher está querendo se igualar ao homem. Só faltou afirmar que machismo não existe
Minha mãe usa a frase conservadora de sempre: 'a mulher precisa se dar o valor' (não fica parecendo eufemismo para prostituição?!), 'nunca precisei levantar bandeira nenhuma'. Todos falam que feminismo é um discurso vitimista. Ouvir isso é exaustivo demais. 
O irmão mais novo concluiu que sou louca. Ele apenas repete o que os adultos falam e aprendeu uma nova palavrinha: 'feminazi'. 
Os diálogos nessa discussão chegaram num nível absurdamente ridículo. Era tamanha falta de lógica que o riso era a saída. Desejei que o espírito de Simone Beauvoir me desse um conselho no momento fatídico. Pena, que eu não acredito em espíritos, santos e deuses. Sem exageros: todo dia tem uma briguinha com o irmão mais velho. Ou sou eu mostrando textos elucidativos ou é ele me chamando pra ver stand up machista. Uma disputa de verdades. 
Não quero vencer nessa p*rra, apenas adoraria que ele pegasse o orgulho e jogasse no lixo de fora. Às vezes, raramente, ele faz uso da sensatez. Por exemplo: acha ridículo cantada na rua, e prefere as mulheres livres sexualmente. Mas percebo que há um intrínseco medo de ferir o ego masculino. É como se ele perdesse sua integridade ao concordar comigo. A velha falácia do 'homem que é homem'. 
Esse é o macho alfa. O suprassumo da  insegurança. Sem leitura seletiva: feminismo não é o crack da sexualidade. Feminismo não é empáfia contra a humanidade. Feminismo nunca chamou sua mãe de puta, portanto, feminismo é amigo. Lola, eu não quero sentir necessidade de puxar os cabelos quando escuto a palavrinha feminismo distorcida. O que você faria no meu lugar? Como conviver com os familiares apesar de? Obrigada e vida longa ao seu blog (melhor que todas as revistas femininas de A a Z)."

Minha resposta: É uma barra mesmo, Adriana. Não tente convencer demais sua família. Imponha-se, não comprometa os seus valores, as suas ideias, mas não entre em todas as discussões, porque desgasta. E fuja das provocações. Quando seu irmão te chama pra ver stand up machista, é uma provocação. Não aceite. Vc tem mais o que fazer.
Pro seu irmão mais novo, vc pode explicar que a palavra feminazi é uma invenção de um ultraconservador americano para desqualificar mulheres que lutam por direitos iguais. Fale das outras ideias do Rush Limbaugh e pergunte pro seu irmão se ele realmente quer ficar do lado dele, de um Bolsonaro da vida. Quem são os verdadeiros fascistas? 
Quem tem mais a ver com os ideais nazistas: quem inventa inimigos imaginários para poder manter o status quo, ou quem luta contra as opressões e pela liberdade?  
Aceite que vai ter um monte de coisa que vc e seus irmãos e sua mãe discordarão. Feminismo é uma delas. Paciência.
Mas essas discussões não são em vão. Eu acho que uma sementinha permanece. E aí, mais cedo ou mais tarde, seus irmãos talvez percebam que vc não é tão radical assim, que não há nada de radical na noção de que mulheres também são gente, que vc até tinha razão... 
Ou de repente eles nunca mudarão de ideia, e aí vc terá que avaliar, quando tiver condições de se tornar independente, qual o nível de convivência que vc quer ter com gente tão retrógrada. Porque não é só porque eles são família que vc terá que aturar as besteiras deles pro resto da vida.

62 comentários:

Guilherme Melo disse...

e mais importante: lembre sempre que existem MUITOS outros na mesma situação e/ou sensíveis a sua luta!

Já passei por situações semelhantes na minha família (e em outros locais também).

É desgastante e não tem solução fácil/rápida: é um "trabalho de formiga".

Mas (me) ajuda MUITO participar de espaços onde eu não sou "do contra".

Então, se posso deixar uma dica, é essa: procure pessoas com os mesmos pensamentos, com os mesmos ideais, e com quem você possa desabafar e compartilhar experiências.

Anônimo disse...

"Não existe feminismo neutro."
Exato! Dá vontade de tatuar isso!! rsrs

Anônimo disse...

Eu também tenho uma família machista. Descobri que explicar com calma, usando exemplos que eles entendam funciona melhor que brigar. Só que infelizmente não funciona com todo mundo. Algumas pessoas estão tão confortaveis dentro da caixinha que não há o que fazer.

Minha irmã mais velha (13 anos mais velha) foi uma que terminou entendendo o que é feminismo. Ela está mais tolerante e percebeu que algumas "verdades" com as quais ela creceu não faziam o menor sentido. Uma tatica que eu usava era discutir situações em novelas, jornais e programas de tv.

Caroles disse...

Entendo muito a tua dor, Adriana. Depois desse último verão eu jurei pra mim mesma que nunca mais vou pra praia com a minha família. É impossível argumentar com eles, e eu não consigo ficar 24h ouvindo piadinhas machistas, homofóbicas e racistas sem dizer nada. Então sabe, às vezes é melhor evitar a fadiga. Mesmo assim, às vezes acabo entrando em discussões com alguns familiares, e além de tudo minha família tem o problema de odiar discutir, argumentar, eles acham que se tua opinião é diferente tu tem que segurar ela pra ti, continuar na conversa sorrindo e sendo ~família feliz~. Eles dizem que eu sempre me acho certa e então já partem do pressuposto de eu estar errada. Não interessa se a opinião deles é baseada em nada e a minha em mil coisas, não interessa se eu leio e estudo muito mais do que qualquer um deles. Eles são ignorantes, às vezes me dói admitir, mas são. Mesmo minha mãe, que é uma pessoa do bem e bem intencionada, tem opiniões super machistas e reacionárias e não vê que é isso que elas são. Ela não entende certos conceitos e briga comigo se eu falo da classe média, por exemplo, dizendo "é feio tu ficar falando isso, afinal somos classe média". Sabe, aquela velha história de não criticar, não enxergar os próprios privilégios, etc. Na minha família discutir comigo é uma piada, eles me provocam até eu ceder e entrar na discussão. Feminismo é piada pra eles. Meu irmão, que tem 18 anos, sempre que alguém diz alguma coisa machista já diz "ai vai irritar a Carol, ela vai achar machista", como se fosse engraçadíssimo ser preconceituoso. 18 anos! Já fiz de tudo pra ele mudar, mas é difícil porque ele mora com meus pais e tem contato muito direto com a minha família. Eu mesma só deixei de ser muita coisa quando me mudei de casa. Espero que ano que vem, quando ele vier morar comigo, as coisas mudem.
Enfim, desculpa o desabafo, mas acho importante tu saber que não tá sozinha nessa luta ingrata contra pessoas que a gente pensa que "tem" que amar e "tem" que respeitar, mas que "pensam tudo errado", digamos assim haha eu tenho trabalhado em, como a Lola disse, ignorar. E acho que isso é o melhor a fazer mesmo.

Anônimo disse...

Ah, isso é tãão complicado. A família do meu pai é muito machista, só que muito mais por serem acomodados com o "status quo" do que por falta de informação, vontade, etc. É muito mais fácil pro meu pai deixar minha madrasta se descabelando pra cuidar do meu irmãozinho do que dividir as tarefas, ele põe a maior parte do dinheiro dentro de casa, então acha que brincar com meu irmãozinho já é encarga de pai. Comigo também foi assim, eu sempre morei com a minha mãe, então ele pagava pensão e me levava pra passear no fim de semana e se acha o melhor pai do mundo. Não me entendam mal, meu pai me ama e sei que ele me apóia, mas ter um pai que divide mesmo a tarefa de educar um filho deve ser muito gratificante. Isso gerou vários problemas de relacionamento entre mim e ele, e agora me dei conta de que não quero mais tentar, não tenho paciência pra apresentar o feminismo e tudo que ele envolve pro meu pai e explicar porque a maioria das atitudes dele nesses assuntos estão erradas, eu talvez até conseguisse fazê-lo mudar de ideia, mas não sou obrigada, por mais que me doa ver que meu irmãozinho está seguindo o mesmo caminho machista.

Quanto a parentes e etc. sempre fui tímida, então pra mim é meio complicado expor minha opinião quando tá todo mundo rindo de piadinhas homofóbicas.
Isso é tão desgastante, porque toda reunião familiar são os mesmos assuntos rasos, mesmas piadas preconceituosas, a mesma falta de respeito não-intencional. Sinto que eu poderia tentar mudar isso, mas não tenho coragem. Esse é um daqueles momentos que mesmo sem querer a gente acaba se auto-criticando, "que feminista eu sou que não consegue nem expor preconceitos? como posso me dizer militante se só milito virtualmente?". Ai ai, é complicado isso .-.

Anônimo disse...

Vou comentar em anonimato porque pode me prejudicar:

Minha família é o supra sumo do machismo. Minha mãe e todas suas irmãs "venceram" na vida depois que se separaram dos malas dos maridos, mas ainda assim são tão machistas que evito ficar muito perto.

Todas elas são obcecadas pelos filhos homens e o projeto de vida para as filhas mulheres foi: casar com um bom homem. Passei a vida inteira ouvindo reprovação da minha mãe, inclusive sobre meu comportamento de não querer relacionamentos sérios e ficar com quem eu quisesse. Ouvi muita coisa que me machuca até hoje, mas o comportamento dela não era diferente do meu.

Hoje em dia sou casada e moro beeeeeeeeeeem longe de todos eles, o que é um conforto pois não saberia amá-los de perto, com esse machismo doentio. Nas raras situações de encontro, combato o machismo e qualquer forma de preconceito que eles falam. A vida deles é uma bosta e obviamente todos fingem plena felicidade, mas sei que no fundo sofrem muito. Só que não deixam o orgulho de lado. Então o melhor a se fazer é ficar afastado.

No caso da autora, tente sair de casa o mais rápido possível.

Blonde disse...

Não existe nenhuma Adriana. A Lola está preocupada com a propagação do termo feminazi e arranjou uma desculpa para dar uma aula as seguidoras dela a como reagir a esse termo. Mas não adianta, já está na boca do povo. Apelido que a gente não gosta é o que mais pega.

lola aronovich disse...

Ha ha, é verdade, ô Blundão. Eu escrevi todo esse post, inventando uma personagem, só pra incluir duas ou três linhas falando do termo feminazi (do qual, aliás, já falei várias vezes neste blog). Eu preciso muito inventar histórias de leitoras que sofrem machismo ou discutem sobre machismo, porque, afinal, todo mundo sabe que machismo não existe e que ninguém escreve pra mim. E eu PRECISO muito arranjar desculpas pra escrever no meu próprio blog sobre o que eu quiser. Vc é um gênio, Blundão!
E pra mim é ótimo que termos como feminazi ou gayzista estejam menos desconhecidos. Porque termos assim são um carimbo de BUNDÃO bem na testa do cara que os usa.

Anônimo disse...

Uma mulher cristã(católica/evangélica) pode ser feminista ou precisa abdicar da religião?

Rafael Miti disse...

a verdade que todos que crescem em um ambiente conservador, passa por isso.
Em casa, meu avô é machista, racista, reacionário e de direita. Ja bati boca muitas vezes, mas eu paro e penso: o que transformou? nada! Só discussão ao vento.
Minha vó é daquelas senhoras que vive para o marido: tranquila com a condição de que tem que aturar tudo, por ser esposa dele.
Ou voce fica louco de tanto discutir, ou voce larga de mão. Não é todo mundo que esta preparado e quer aceitar o feminismo.

Anônimo disse...

E não se esqueça do mais importante que é dar os "parabéns" a sua mãe por atirar no próprio pé.

Anônimo disse...

Feminismo sendo distorcido? Parece muito com o que a senhora LOLA faz com os Realistas.

Helen disse...

Eu não falo nada quando ouço os absurdos machistas porque não quero me estressar.
Acho q eu sou a única feminista da familia imagina as dezenas de parentes vomitando as asneiras em cima de mim? Eles q continuem na ignorancia.
Meu relacionamento com meu pai n é muito bom por causa do machismo,como sempre meu irmão n fazia nada e estava ok,agora eu tinha q fazer tudo,minha mãe machista me pedia para fazer as coisas .já meu pai mandava.como se eu fosse empregada,era grosso e tinha q se na hora que ele queria,várias vezes deu ataque para cima de mim ,berrando quando as coisas n estavam do gosto dele,bastante hipócrita como todos os machistas,n fazia porra nenhuma e ainda queria reclamar.
Uma vez quando eu tinha uns 9 anos ele deu um ataque de machão com a minha mãe pq a comida n estava pronta,o gás tinha acabado,ele sabia pq minha falou e mesmo assim ficou berrando,reclamando e dizendo q mulher tinha q fazer comida mesmo. Ele é legal as vezes mas tudo isso me dava muita raiva e mesmo agora q ele n mora mais com a gente,estão separados e eu n tenho que aguentar os ataques ridiculos de macheza,eu n consigo me sentir a vontade com ele.
E uma vez ele estava falando com minha mãe q ele n sabia pq eu n tratava ele igual trato ela,pq ele acha q sempre me tratou muito bem.... Nossa,mentira descarada!!!!!! Minha tb é machista mas pelo menos n me tratava igual escrava.

Anônimo disse...

Mas e quando o machismo é justificado pela religião? Acho que é um beco sem saída. Vivo esse problema com a família do meu marido. Religião é aquela história... não dá pra argumentar, porque tudo bate no "Tá na Bíblia" e "Deus quis". Eu não posso discutir decentemente, não pode mostrar (o que pra nós são) evidências, dados, fatos, livros, porque a única coisa que vale pra eles é o que tá escrito na Bíblia. Não posso dizer "mas isso aí é só um livro também, escrito por homens, há muitos séculos, e tá mais pra mitologia ou literatura do que pra um estudo baseado em fatos reais", porque isso é uma OFENSA GRAVÍSSIMA, dá um tilt na cabeça deles, porque COMO alguém como eu OUSA não crer nas ~verdades~ daquele livro???
É frustrante, então eu fico calada.
Mas ficar calada também é frustrante, também me sufoca, me estraçalha por dentro, me faz sentir vergonha de imaginar que eu achei que fosse feminista algum dia. Como fazer? Eles, no fundo, são pessoas boas e me tratam bem, mas a religião e o machismo originado dela faz com que a relação se estrague. Não quero magoá-los falando coisas que eles nunca vão entender, por isso deixo que me magoem com suas ignorâncias. Isso é certo?

Já estou distante deles, felizmente, pois moram em outra cidade... mas vez ou outra precisamos nos ver e conviver por 3, 4 dias, além de telefone e internet, afinal são os pais do meu marido. Não quero limá-lo desse contato. Na última vez que fomos lá rolou uma "indiretinha" que tá entalada na minha garganta até hoje. Na despedida, a mãe pediu para que meu marido "cuidasse de mim", e continuou: "porque um tem que cuidar do outro... vc dela e ela de vc". Até aí tudo bem, até achei fofo. Mas aí ela completou: "Mas vc (ele) mais ainda, afinal vc é o marido, é o cabeça! Nunca esqueça disso, heim?". Foi uma coisa "boba", mas na hora me deixou com tanta raiva! E, mais uma vez, não consegui dizer nada. Sinto que um dia vou explodir e não tolerarei mais esse tipo de coisa, o que também é ruim, pois meu marido, apesar de não pensar como eles e me dar razão, também não quer se indispor com a família que mal vê.

É muito complicado :(

Juliana P.

Larissa disse...

Lolinha, to cansada de discutir sobre feminismo com minha família. Principalmente minha mãe, que além de repetir o clichê de "mulher tem que se dar o valor", ainda brigava comigo quando eu saía com os caras e não aceitava que eles pagassem toda a conta do restaurante ou do motel. Como se meu corpo ou minha companhia fosse alguma moeda de troca! fico me sentindo muito lixo com esse tipo de pensamento.
Até entrar na faculdade ~ faço história na UFMG~, eu não tinha mais nenhuma amiga feminista ou que pelo menos não vomitasse a cada dois minutos chavões misoginos, homofobicos e racistas. Por isso, meu curso tem sido um alento pra mim, um lugar onde encontrei pessoas de cabeça super aberta e conscientes da realidade. Claro que tem a bancada conservadora/religiosa mas felizmente é minoria. E foi lá que eu conheci meu namorado, que é feminista também e tudo de bom ~e eu acho isso a coisa mais linda porque em toda a minha vida eu só tive o desprazer de namorar mascus escrotos.~

Autora do post... Se tem uma coisa que aprendi é que conversar sobre feminismo com familiares machistas, na maior parte das vezes, é como dar murro em ponta de faca. Só vai te desgastar.
Mantenha seus ideais e seja coerente em relação a eles, pelo menos é isso que eu faço (:

lola aronovich disse...

Anon que perguntou se uma mulher cristã pode ser feminista ou precisa abdicar da religião: acho que pode ser as duas coisas (as Católicas pelo Direito de Decidir conseguem; a Valéria Shoujofan, que é evangélica, também, entre muitas outras). Mas eu, pessoalmente, me sinto muito livre por ser ateia.

Acabei de encontrar outro post aqui do blog que pergunta coisas parecidas.

Larissa, querida, deve ser um alívio muito grande entrar na faculdade e encontrar pessoas com um pensamento revolucionário, ainda mais pra quem conviveu a vida toda só com gente reaça. Pra muita gente, pode ser a única chance na vida de conviver com pessoas que são contra o sistema. Tem que aproveitar!

Bruno S disse...

Acho que nessas situações, não vale o custo de ficar batendo de frente e brigando com a família repetidamente. A pessoa acaba sendo vista como a chata e suas ideias desmerecidas.

Acho que numa situação dessa, o foco podeser em criar a semente da dúvida nos pais e irmãos. É questão de apontar as inconsistências e contradições em seus discursos, quando surgirem. Usar mais de perguntas que de respostas.

Minha ideia parece confusa, mas o que sugiro é no lugar de afirmar, por exemplo, que o mercado de trabalho é machista e que quase não há mulheres em posição de controle, etc, fazer uma pergunta do tipo:

"você não acha estranho que tão poucas mulheres estejam em postos de controle?"

Acho que a pergunta força o outro a se embromar e pensar no tema, enquanto a afirmação gera uma rebatida.

Paulo Tarso disse...

Quando uma feminista como a Lola, e as demais seguidoras do movimento, chama um homem de machista é sempre em tom de ofensa, e essa palavra é utilizada nas mais variadas situações, sendo que pode significar qualquer coisa e nada ao mesmo tempo. É frequentemente associada a homens com valores mais tradicionais, mas também é utilizada para descrever bandidos que agridem mulheres, como se fossem idênticos. E não raro vemos essa palavra ser utilizada para qualquer comportamento natural masculino, como se ser homem em si mesmo fosse um comportamento a ser repreendido.
Essa confusão nasce do pressuposto errôneo, conforme a ortodoxia feminista, de que homens e mulheres são essencialmente iguais, quando não são (óbvio que homens e mulheres devem ter direitos iguais, o que questiono é a idéia de que não existam diferenças comportamentais entre os sexos). E não apenas isso, elas tomam como o ser humano padrão as mulheres, logo tudo que é masculino deve ser evitado, e não raro podemos ver como que o movimento feminista atrai facilmente homens efeminados. Já qualquer homem heterossexual é repudiado, como não poderia deixar de ser, por ser machista.Primeiramente devo esclarecer algo: as feministas acreditam que o machismo é uma “construção social”, não acreditam que os homens tenham uma natureza, acham que somos tábulas rasas que elas podem ensinar a pensar como elas. Não importa que toda a nossa educação seja feita por mulheres, muitas vezes fortemente influenciadas pelo feminismo ou valores modernos como um todo, elas ainda acham que quando um homem não age da forma que elas exigem é falta de que se pregue mais feminismo, que se pode mudar a natureza masculina através de doutrinações.
Concordo quando se afirma que os homens são mais violentos, agridem mulheres e outras coisas, não irei questionar isso. A taxa de homicídios contra os homens é 10 vezes maior do que contra as mulheres, mas concordo que as mulheres não matam os homens como os homens matam as mulheres. Porém não creio que mil anos de feminismo fariam diferença com relação a isso, a única coisa que pode reduzir esses comportamentos são punições severas para intimidar novos infratores, ainda assim isso nunca se resolveria de forma definitiva. Não se pode educar um homem para não ser homem, para não ter as características masculinas que em muitos pontos são louváveis, mas em outros leva a diversos comportamentos anti-sociais, ainda mais em uma sociedade onde há poucas oportunidades para os homens extravasarem seu lado mais violento de forma segura.
O feminismo não luta contra o machismo, ou seja, um comportamento masculino socialmente construído. Mas sim contra a própria natureza masculina, e essa palavra não tem outra função que essa, estigmatizar o comportamento natural masculino, e a forma de pensar masculina, a tornando essencialmente má. O machismo, enquanto “movimento social” não existe, é uma invenção feminista, simplesmente uma palavra criada para ofender. Nenhum homem se identifica como machista, e quando o faz é devido à frequentemente o comportamento masculino ser identificado como machismo de tal forma que é impossível ele ser homem e não se enquadrar no adjetivo machista.
Para uma feminista como a Lola, não há decisões pessoais, não existem pessoas, apenas a “sociedade”, como sendo uma espécie de ente abstrato com vida própria. Não é um homem, enquanto pessoa, que decidiu cometer um crime, e sim a “sociedade machista”, como se o machismo fosse uma espécie de força maligna que entra nos homens e obriga eles a fazerem coisas más, e não que um homem, enquanto indivíduo, decidiu realizar um ato violento. Dessa forma se você mata uma mulher você é machista, se você rejeita uma mulher promíscua, você é igualmente machista, facilmente colocando no mesmo patamar um valor masculino comum com um crime bárbaro.

Paulo Tarso disse...

Não é preciso dizer o absurdo que é chamar uma mulher de feminista só por ser uma assassina não concorda Lola. Um homem se vê como indivíduo, dessa forma assume sozinho a responsabilidade pelos seus atos, assim como não culparia todas as mulheres pelo ato de uma. Mas uma mulher, caso seja feminista, verá no ato de um único homem entre milhões um problema social, e consequentemente culpará todos os homens. Dessa forma conseguem o malabarismo de transformar um único assassino em milhões de homens como uma representante do machismo, de modo que todos os homens viram um pouco assassinos pelo ato de apenas um.
Por fim, outro problema com essa estigmatização da natureza masculina é a crença de que os homens devam ter os mesmos valores que as mulheres. Uma feminista, enquanto mulher, vê como positivo o comportamento promíscuo em um homem, e não entra na cabeça dela como que um homem possa não ver como algo positivo uma mulher promíscua. Ou seja, entre a natureza masculina e a feminina, a feminina está sempre certa, logo o cara é machista, não passa de um estuprador ou um assassino em potencial só por não gostar de promíscuas. Não que todos os homens não gostem de promíscuas, esse é um exemplo entre muitos onde pode ser demonstrado que a raiva do tenebroso “machismo” não é nada além do que uma revolta contra a natureza masculina.O machismo não mata e a sociedade não tem vida própria. Assassinos matam e a sociedade é composta de indivíduos com livre-arbítrio.

Helen disse...

Para mim n tem como ser feminista e religiosa ao mesmo tempo,todas as religiões ou quase todas,dizem q mulher deve ser tratada como capacho de homem.
E para falar a verdade acho q a maioria dos religiosos são hipócritas pq só seguem o que lhes convém.
E se vc aponta os absurdos da biblia ,eles ficam nervosos e te acusam de blasfêmia kkkk
uma fez falei com uma tia q se nós somos feitos a imagem de deus,ele deveria ser homem e mulher ao mesmo tempo,ela ficou chocada,disse q era blasfêmia.
Machismo puro,imagina deus ser uma reles mulher... Ofensa demais.

lola aronovich disse...

Paulo, acho que vc nunca leu um post sequer neste blog ou nos outros blogs feministas que eu conheço. Cite um caso de um post publicado aqui em que eu transformo um caso individual no comportamento geral dos homens. Aliás, como vc não lê o blog, não deve ter acompanhado, mas eu costumo ser bastante criticada por algumas feministas por não concordar com o caráter punitivista que vejo em partes do feminismo. Aqui tem um monte de post dizendo que o machismo é péssimo também pros homens.
Então vai pastar, mascu. Quem faz isso de pegar um caso de uma mulher e dizer que todas as mulheres são assim, nenhuma presta, não existe mulher exceção, são vcs. Os fóruns de vcs são SÓ SOBRE ISSO.

Laryssa disse...

Ai ai Lola... Como é difícil! Minha mãe é a paixão da minha vida, a admiro em milhares de sentidos, mas é tão machista que até dói ouvir algumas coisas que ela fala... Já tentei conversar e mostrar que não é por aí, mas não adianta e prefiro não tocar mais no assunto pra evitar brigas. Ela, por outro lado, não costuma fazer comentários machistas com frequência, então ficamos bem assim. Ela sempre trabalhou os três turnos pra dar a melhor vida possível para os filhos, já que meu pai, apesar de trabalhar, nunca contribuiu com um centavo nas contas da casa, por ganhar bem menos que minha mãe. Então, ela acredita que a culpa do cansaço que ela sente por trabalhar tanto é do feminismo, que se não fosse pelas conquistas feministas, ela ficaria em casa cuidando dos filhos e não precisaria trabalhar fora.
O que ela não consegue entender de forma alguma é que foi através do feminismo que ela conseguiu estudar e ter um bom emprego, porque se não fosse assim, meu pai teria sido um encostado da mesma forma, minha mãe teria que se matar de trabalhar pra sustentar os filhos do mesmo jeito, mas não teria instrução e ganharia uma mixaria.
É dolorido amar tanto uma pessoa machista...

Anônimo disse...

Posso tirar uma dúvida?

E como reagir quando x feminista em questão insiste em generalizar os homens sendo todos estupradores e que, portanto, o homem e não o machismo é o inimigo a ser combatido pelo movimento feminista?

É que conheço algumxs feministas que adoram afirmar isso. E são essas pessoas que acabam me fazendo pensar melhor sobre o que é realmente esse movimento.

Não acho que, pelo menos na teoria (leio bastante sobre o feminismo), esse movimento seja para derrotar os homens, mas sim para alcançar a igualdade. Mas essas pessoas acabam me colocando em dúvida.

Jéssica disse...

No meu caso eu evitei fazer discurso com a minha família, se eles falassem alguma coisa machista como se fosse verdade, eu argumentava, e se me viessem com conversas esquivas eu caia fora. Se era piada machista ou racista, eu dava uma cortada bem grossa e deixava claro que isso me ofendia, e me afastava ou me mutava logo após isso.

Meus pais gostam muito da minha companhia, então me afastar deles quando eles me ofendem deixando claro o motivo do afastamento é bem efetivo, já que na verdade eles não querem me ofender. Quase não escuto mais besteiras desse tipo hoje. Em especial, porque muitas das coisas que eu faço são 'masculinas' (trabalho, hobbies...), o que por si só já fez meus pais reverem bastante do machismo deles. E também porque já sou adulta, bem-sucedida, o que fez com que eles estivessem muito mais dispostos a me ouvir do que quando eu era adolescente ("você não viveu nada ainda! depois você vai mudar de idéia!").

Anne disse...

O meu irmão é assim também, ele critica o feminismo de todas as formas possíveis e já chegou até a dizer que mulheres não deveriam trabalhar porque só servem pra causar prejuízo pra empresa. Além disso ainda é homofóbico e adora me chamar de "chata do politicamente correto" quando rebato que ele não tem o direito de ofender os homossexuais assim. Ontem mesmo ele soltou uma de suas pérolas, disse que se eu não parasse com essa besteira de feminismo eu ia acabar virando uma lésbica gorda. Muito triste conviver com alguém assim.

Safira Solitária disse...

Minha irmã é racista. Bem racista. O maior problema é que ela sabe que é. E, pra mim, quem SABE que tem esse tipo de preconceito e não se importa em querer mudar, é muito, mas muuuuuito ignorante. E com gente ignorante eu não discuto pra não perder saliva (já que eu parto do princípio que gente ignorante é incapaz de entender argumentos racionais.)

Então, quando ela solta uma pérola, eu chamo ela de racista ignorante e digo que às vezes tenho vergonha em ter ela como irmã. E fim.

ps: sim, eu a amo, sim, ninguém é perfeito, mas ser racista e ter certo "orgulho" disso pra mim é coisa de imbecil ignorante.

Beatriz Correa disse...

Para x anônimx das 16:01:

Olha, isso aí tá mais pra misandria do que pra feminismo, desculpa.

E vc tá certx, o feminismo é pra igualar, não segregar.
Se essas pessoas dizem que são feministas e têm esse tipo de comportamento, sugiro que se afaste e procure outras companhias.

Anônimo disse...

Feministas se fazem de vitimas mesmo,pra vcs mulher nunca tem culpa de nada,tudo é culpa do machismo.
Ex: A mulher fica com homem agressivo a culpa n é da burrice dela n,é do machismo.
Vcs fazem as merdas e n querem ser responabilizadas por nada

Vitória disse...

Adriana, já ouviu falar em "evitar a fadiga"? Se vc já viu Chaves, e eu imagino que sim, com certeza conhece essa expressão. Comece a leva-la a sério em sua vida. Tente ignorar ao máximo a sua família. Eu cortei várias pessoas da minha e foi a melhor coisa que fiz. Parente é, muitas vezes, uma relação imposta e não conquistada, e pq vc vai ter que aceitar só pq o manual diz que precisa? Se vc tem que viver com eles, só ignore os comentários, não atenda aos chamados e não dê muito papo além do essencial. Faça isso com os seus irmãos pelo menos.

Vitória disse...

Ah sim, e para completar, um relato interessante sobre minha mãe e meu padrasto (que são praticamente as únicas pessoas da família que tenho contato). Eles eram bem preconceituosos, mas à medida que fui trilhando meu caminho, conquistando minhas coisas, assumindo um certo tipo de ativismo, a admiração por mim foi crescendo. Não posso dizer que eles deixaram de ser preconceituosos, mas pelo menos conseguimos ter algum tipo de interlocução e vejo que eles estão mais críticos. O fato de eu trabalhar com estudos feministas dentro de uma universidade, ao ponto de passar em uma seleção de mestrado com essa proposta, também ajudou.

Cora disse...

paulo tarso = fernando cruz = fabio henrique oliveira = fabio (adivinhem!!!) = a tantos outros que ficam replicando esse texto pelas internets da vida.

esse texto do primeiro comment do camarada já foi publicado aqui, Lola (que surpresa, não?). é onipresente no facebook, apareceu no papo de homem, no post sobre feminismo e deu as caras até no brasilianas (do nassif).

os caras vivem disso, disseminar besteiras estereotipadas por aí. eu não entendo como têm tando tempo pra isso!!

e o pior é que fazem isso como se fossem os autores do texto. ri-dí-cu-lo!!!

Lain Cyberia disse...

Minha família não é tipicamente machista. Não é aquele tipo que o machismo salta aos olhos, não. Mesmo assim, vez ou outra eu ouço pérolas machistas, homofobicas e racistas... Isso me doi. Doi demais por que eu amo aquelas pessoas, como elas PODEM pensar assim? É de partir o coração.

Meu irmão tem 19 anos. Em algum momento de sua adolescencia ele começou a soltar as perolas tipicas "Mulheres são todas [insira aqui algo pejorativo]". Bom, meu irmão gosta de mim, então um dia eu cheguei para ele e disse: Quando você for falar algo assim, algo das "mulheres", eu quero que você pense em mim. Quero que você saiba que está falando de mim, e pense em mim. Ao que ele disse: "Mas eu não estou falando de VOCÊ!". Ao que eu rebati: "Está, sim. Estou dizendo que está. Sério. Eu quero que você pense em MIM." Bom.... Se ele nunca mais disse, eu não sei. Mas pelo menos ele entendeu o suficiente para nunca mais falar essas merdas na minha frente... A sementinha eu plantei.

Eu discuto, sim. Mas só se o momento for propicio, se eu estiver me sentindo inspirada. Meu irmão e minha mãe já mudaram um pouco. Meu pai, curiosamente, que era o menos afetado pelo machismo/racismo/homofobia, ultimamente vem soltando umas que me entristecem muito... :( Que complicação isso....

lola aronovich disse...

Cora querida, obrigada por avisar! Muitas vezes eu capto que esses textos mascus super preconceituosos são meros "cut& paste", quase sempre tirados de algum blog mascu, e esses, por sua vez, quase sempre traduzidos do inglês pro português. São cópia da cópia da cópia da cópia, todos de péssima qualidade, cheios de mentiras e de números de pesquisas diretamente tirados do Instituto Mascu As Vozes Me Disseram. Eles são colados em todo lugar em que haja um post ou uma matéria minimamente feminista. Mascus certamente tem muito tempo ocioso nas mãos! E o mais bacana é como eles são incapazes de produzir até os próprios textos que espalham...


Mascutroll anônimo das 19:56, pois é, como nós feministas nos fazemos de vítimas! Se um homem agressivo bate ou mata ou estupra uma mulher, é ÓBVIO ULULANTE que a culpa é da mulher, onde já se viu?! E claro que esse homem é agressivo por causa do feminismo, não por causa do machismo! Se o feminismo desaparecesse da face da terra (ha ha, you wish), as agressões às mulheres automaticamente acabariam, certo?
Pois é, somos nós feministas que nos fazemos de vítimas! Não mascus que dizem que as feministas estão acabando com a família tradicional porque não querem mais fazer mingau pro namorado! Mascus que a cada recusa educada de uma mulher gritam "Friendzone! Opressão! Maldito feminismo!" não se fazem de vítimas, imagina. Suas queixas são realmente legítimas.

Cora disse...


com pessoas próximas a mim, queridas, costumo usar o expediente do Bruno. eu questiono. sempre devolvo uma pergunta quando ouço ou presencio algo machista/ racista/ homofóbico/ intolerante. a ideia é só fazer pensar mesmo, plantar pulguinhas atrás das orelhas. faço isso porque sei que ninguém modifica ninguém. a gente, no máximo, provoca ou precipita mudanças. são as pessoas que, incomodadas com a própria forma de pensar ou agir, acabam mudando. toda mudança é interna, íntima, de certa forma, solitária mesmo, por mais que dediquemos aos outros nossas próprias mudanças.

tenho sorte. as pessoas mais próximas a mim não são tão machistas. então as conversas não são difíceis. ao contrário. meu mundo próximo é bem confortável nesse aspecto. até por isso, certas coisas me deixam chocada. perceber o machismo tão vivo, tão intenso, tão “moderno”, foi desconcertante. meu contato com intolerantes e irascíveis é mesmo através do computador ou pessoas externas ao meu círculo íntimo.

nas internets, discuto só pra contrapor (ou responder debochadamente. algumas vezes, os caras só merecem isso mesmo, deboche). os interlocutores machistas/ misóginos/ preconceituosos não mudarão de ideia por conta do que leem, mas um contraponto pode ajudar outros leitores, aqueles anônimos que leem e não comentam, a formarem uma opinião mais embasada, pode ajudar a desfazer um mal entendido, a desconstruir um estereótipo/ preconceito.

eu só preciso perceber quando parar. quando já disse o suficiente. quando eu começo a querer mudar a pessoa (cometo esse erro!). muitas vezes me perco e acabo prolongando discussões que são apenas desagradáveis (já fiz muito isso por aqui e em outros lugares também).

muitas vezes, simplesmente não vale a pena discutir.

e uma confissão...

tenho imensa dificuldade em interagir pessoalmente com pessoas abertamente machistas/ preconceituosas/ racistas/ homofóbicas. eu simplesmente me afasto (e não consigo disfarçar o desprezo. não faço nenhuma questão de ser simpática). só converso através do computador, pois não há interação verdadeira. na maior parte do tempo, eu não gosto do mundo. acho que a espécie humana é uma experiência que não deu certo. e, por isso, sigo as recomendações da Arendt.

Cora disse...


pois é, Lola. o segundo comment dele faz parte do texto também. não percebi, pois não havia lido. é pataquada demais pruma noite tão agradável. os caras vivem disso. chato, né? irritante, pra dizer a verdade. coisa de adolescente procurando se afirmar (embora adultos, bem adultos, aplaudam esses textos medíocres). tanta coisa importante pra ser discutida nessa questão das relações de gênero e os caras nessas de confundir, tumultuar, repetir falácias ad infinitum. e como eles interpretam mal? é impressionante! uma dificuldade absurda de leitura. vez ou outra bato boca com uma figura misógina até a medula num blog que eu frequentei por bastante tempo e pelo qual nutro um carinho especial (embora praticamente não visite mais). é surreal a conversa do gajo (me provoca engulhos). ele também tem o péssimo hábito de publicar textos apócrifos como argumento nos debates (é estratégia comum a todos eles).

admiro muito sua força, Lola. não sei como você consegue lidar com tudo isso sem sucumbir. eu tento me distanciar, mas admito que tudo isso me sensibiliza muito.

tudo de bom pra você!!!

Anônimo disse...

Poxa, lendo o post e lendo vários comentários, notei que sou meio privilegiada nesse quesito.

Sou a irmã mais velha, meu irmão é seis anos mais novo que eu (13 anos) e desde os 11 eu já explico homofobia, racismo e machismo para ele. Meus pais nunca tocaram no assunto, mas também não acharam ruim, deixando essa parte da educação do meu irmão mais novo para mim.

Meu pai e minha mãe são bodes velhos, então eu nem tento argumentar muito com eles. Meu irmão, por outro lado, reflete bastante a respeito disso e leva os debates para a sala de aula. Minha mãe primeiramente achava MUITO estranho, mas um dia ela chegou em casa exausta do trabalho e meu irmão havia lavado a louça. Aí ela começou a ver com outros olhos.

Meu pai não achava que fedia ou cheirava, mas deixou que eu continuasse. Atualmente ele brinca dizendo que "seu irmão virou um chato", já que qualquer deslize dele e meu irmão grita "SEU MACHISTA/RACISTA/HOMOFÓBICO!". Mas com o meu pai eu não insisto mais, a discussão sempre vira uma tremenda de uma dor de cabeça.

Bom, meu irmão mais novo está se tornando um adolescente adorável e tem a mesma liberdade de gênero da minha criação [surpreendentemente, meus pais não me forçaram a limpar casa ou a viver num mundo rosa quando eu era mais nova]. Cozinha, limpa, é preguiçoso como alguns adolescentes, é adorado pelos professores por ser bastante lúcido e agora está rebatendo os amiguinhos machistas que ficam "AIIII MENINA RODADA". Orgulho da irmãzona!

aborto clinica disse...

Machismo já existe há muitos séculos. Na minha opinião não existe mais na sociedade e se em casos individuais.

Anônimo disse...

MInha familia não é machista, mas as familias dos meus namorados sempre foram. E sabe, eu deixo mina posição suuuper clara desde o começo. Quando me perguntam "você sabe cozinhr? Poque o Fulano gosta de comer bem". Minha resposta era: sei sim. Alias , ele também sabe. Ele faz o prato principal e eu a sobremesa."

Sempre tive uma postura bem clara: deixo CLARISSIMO pra todo mundo que não estou de acordo, que não vou fazer, não vou aceitar e dai faço minha cabeça dura, do tipo " não me interessa absolutamente o que você queira, o que você pense. Eu não vou mudar o meu feminismo".

E sabe, talvez o pessoal me ache "uma feminista mal cumida" mas pelo menos ninguém enche meu saco. E assim é melhor pra todo mundo, pois podemos continuar a ter uma relação pacifica e fica cada um no seu quadrado.

Quando tem algum espaço pra dialogo, até tento. Mas quando sei que do outro lado a pessoa está fechada ao dialogo, eu também me fecho. E termino com um "quanta ideia ultrapassada, me poupa". E pronto

Lilith

Anônimo disse...

ah,e sei que foge do assunto, mas so pra contar uma historia... tava lendo na sala, na casa do meu avô. Dai escuto ele e a irmã da minha voh conversando. E minha tia avo fala: mas é diferente, porque isso é trabalho de mulher. E meu vô lindo: "ah, é? E qual é o trabalho dele? Porque ela trabalha fora também. Como você pode querer que ela trabalhe fora e faça tudo dentro de casa? Lica, você ta velha e gagah".

Fala que meu vozinho não é uma joia? =)

Lilith

Anônimo disse...

Nhooooó, Lilith!

Seu vovô é um fofo! E cadê o Deus dos mascus, agora?

Anônimo disse...

Adorei o avô da lilith ! kkkk

M. disse...

Eu tenho duas irmãs, a mais nova é feminista, e a mais velha se diz feminista, mas na verdade é uma hipócrita. É racista, homofóbica e machista ao mesmo tempo, mas vive postando mensagens de coragem, compreensão nas redes sociais. Na hora em que ela realmente deveria dar apoio, ela enfia uma faca nas nossas costas. Uma decepção. O pior de tudo é que ela já morou fora, tem dois cursos superiores, e ainda é isso tudo. Muito triste, decepcionante. E ela ainda pede para eu e minha irmã mais nova pararmos de ser radicais demais, mas como disseram aí em cima, NÃO EXISTE FEMINISMO NEUTRO!!!!!!!

Line disse...

Sou feminista e sinto muita raiva de concursos de miss e desfiles de moda, com exceção das modelos plus size é claro bem menos piores. Essas modelos e misses são todas burras, alienadas, fúteis, submissas, vazias, escravas do machismo um dia elas vão ficar com tudo caído e depois não vão servir para mais nada. Um dia desses vamos organizar uma manifestação nas agências de modelos, afinal modelos e miss é tudo a mesma merda, tudo escrava do machismo. Para uma mulher ter o direito de ser magra ela precisa mostrar um laudo médico provando que tem algum defeito genético no qual não consegue engordar em hipótese alguma, só assim são perdoáveis. O resto são otárias escravas do machismo e do capitalismo selvagem. Não existe mulher magra por opção, quem em sua sã consciência consegue ser infeliz por opção? Ninguém! Toda mulher magra que eu vejo é doente e triste. Essa modnha ridícula de veganismo é mais uma estratégia da sociedade capitalista e machista para manter as mulheres escravas da magreza e do machismo. Mulher sem peito, sem coxa e sem bunda também não está com nada, perde a feminilidade, a sensualidade, é horrível. Eu tenho certeza que se as agências de modelos só mandassem mulheres gordas para estes estilistas traidores do movimento gay eles aceitariam na hora. Esses estilitas gays são a favor do machismo e da homofobia. Por isso que eu acho que não faz o menor sentido uma modelo magra ou miss ser feminista, é a mesma coisa que judeu ser nazista, não acham? Ou então elas que aumentem de peso e façam juz ao nome de mulher e assim possam ser feministas. Eu asei que tem homem ue prefere Panicat e tal, essas menos mal né. Eu não sei o que esses homens famosos, sarados, milionários, bilionários, príncipes conseguem ver nessas anoréxicas horríveis pra querer casar com elas, só um monte de ossos na cama, argh!

Eve_ke disse...

Pessoal, esse blog é mesmo um show!!!

Eu passo pela mesmíssima coisa, família extrema-direita, machista, reacionária, patriarcal, homofóbica etc.

Mesmo antes de eu ter a oportunidade de me definir politicamente me sentia desconfortável com a família. Tipo patinho feio. Aos 17 anos saí correndo de casa. E só com 25 fui me definir, e conhecer o feminismo e me fortificar!

Moro à mais de 1.000 Km de distância e quase nunca falo ao telefone com minha familia(não temos mto em comum para dizer) e quando eles vem para minha casa (porque eles tem negócio na cidade) é um verdadeiro desafio manter a serenidade.

Sofremos muito tentando forçar uma relação harmônica com pais e irmãos, mas as vezes não é possível. Minha sogra se tornou uma mãe para mim, podemos conversar de tudo, ainda que tenhamos algumas divergências, gostamos de nos falar todos os dias e nos apoiamos e confortamos mutuamente.

Ainda não descobri um modo eficaz de abordar o feminismo. Talvez de fato não existe. Meus pais não conseguem conversar, então nossa disputa fica como tiros a queima roupa. às vezes é melhor não responder a provocação na hora, dar uma resposta como "essa é sua opinião" e tentar desenvolver melhor com calma e tempo uma argumentação. E estudar um modo de expor a conclusão num momento mais oportuno.

Em reunião de família já não sinto vergonha de ficar séria enquanto todos riem de piadas homofóbicas. Não grito respostas, não me zango, apenas me afasto.

Que bom (e que ruim) saber que tantas pessoas estão numa situação semelhante!!!

Viva as ovelhas negras!!!

Anônimo disse...

Acho que o mais importante é não ser contraditória.
Pq é lindo se dizer feminista.
Mas é um porre aguentar feminista que só invoca o feminismo quando lhe convém, mas que continua machista quando também lhe convém.
O que mais tem é "feminista" reclamando que não existem mais cavalheiros como antigamente.
Uma coisa que me dá nos nervos é "feminista" querendo que o homem pague a conta do restaurante e do motel.
Então reveja seus atos e conclua se vc realmente é feminista e advoga em prol dos direitos iguais ou se é apenas mais uma hipócrita que diz uma coisa, mas faz outra.

1k2 disse...

O termo "feminazi" era um termo para se referir á uma certa organização feminista que era sustentada por membros da extrema direita. Hoje essa mesma extrema direita se apropriou do termo e agora se refere ás feministas de esquerda e humanistas.

Line disse...

O termo "feminazi" era um termo para se referir á uma certa organização feminista que era sustentada por membros da extrema direita. Hoje essa mesma extrema direita se apropriou do termo e agora se refere ás feministas de esquerda e humanistas.

Esta eu vou guardar em um potinho para quando algum idiota me chamar de feminazi. Não me surpreende. Essa direita, aindamais aextrema direita é um monstro, um lixo, só tem psicopata capitalista.

Anônimo disse...

Line
Tu existe mesmo?

Em um só comentário tu te contradisse váárias vezes.
"Sou feminista e sinto muita raiva de concursos de miss e desfiles de moda, com exceção das modelos plus size é claro bem menos piores. Essas modelos e misses são todas burras, alienadas, fúteis, submissas, vazias, escravas do machismo um dia elas vão ficar com tudo caído e depois não vão servir para mais nada."
"Para uma mulher ter o direito de ser magra ela precisa mostrar um laudo médico provando que tem algum defeito genético no qual não consegue engordar em hipótese alguma, só assim são perdoáveis." "Mulher sem peito, sem coxa e sem bunda também não está com nada, perde a feminilidade, a sensualidade, é horrível."

E a última pérola:
"Por isso que eu acho que não faz o menor sentido uma modelo magra ou miss ser feminista, é a mesma coisa que judeu ser nazista, não acham?"
Nããão acho não.

Anônimo disse...

Anônimo das 14:00 -

Uma feminista pode ter a religião que quiser, sim, sem problemas.
Muitos diriam "ah, mas o cristianismo oprimiu as mulheres por séculos, pra quê aceitar isso?" - mas devemos dizer que essa opressão toda foi culpa de PESSOAS que diziam usar a bandeira da religião para exercer poder. Existem partes datadas do cristianismo que devem ser revistas? Sim, assim como existem movimentos progressistas dentro do islamismo, também, e por aí vai.
A comunidade ateísta também não é automaticamente feminista, então não é a presença ou falta de um deus ou outro que vai mudar isso.

Claro, eu não recomendaria a uma feminista se manter dentro de uma COMUNIDADE religiosa machista, que é um grande problema. Existem vertentes cristãs muito mais progressistas que outras, por exemplo.

Anônimo disse...

Anônimo das 16:01 -

Eu já ouvi várias feministas dizendo "os homens estupram, ponto", mas não querendo dizer que qualquer pessoa com cromossomos XY e identidade masculina automaticamente é estupradora. O que elas querem dizer é que a construção do que é "um homem", no sentido hegemônico (ou seja, um "machão", uma criação perfeitinha do patricarcado - nada a ver com ter pênis) é algo que perpetua a cultura do estupro.

Entenda, o problema não é "um homem" (um ser humano, que se identifica com o gênero masculino), e sim aquela noção de macho que a sociedade fez :)
Eu sei que pode parecer ofensivo pra um homem inicialmente ouvir isso, assim como pode parecer ofensivo um hetero ouvir um homo falando mal da heteronormatividade, ou um branco ouvindo um negro falando sobre a opressão que os brancos exerceram. É estranho, mas é assim que a crítica ao privilégio acontece.

E sobre a "misandria" - olha, falar mal de homem de forma infantil e generalizada é algo desagradável e que pega muito mal, mas a gente não pode falar em "misandria" como se fosse equivalente ao machismo.
Isso é tão idiota quanto dizer que "white power" e "black power" são a mesma coisa, ou dizer que heterofobia existe.
Einstein não deixou de ser Einstein só porque uma fulana disse não sei onde que homem só sabe abrir vidro de palmito - ou seja, a "misandria" não é algo que está sabotando um grupo nem nada assim.

O movimento Riot Grrrl é menos legítimo por ser raivoso? Não. É "misândrico"? No sentido que todo mundo coloca, sim, é "misândrico". Mas é real, é construtivo, e é feminista sim. É assustador? Sim. E é muito bom.

Keke disse...

O ideal não seria não termos extremismos? Nem machismo, nem feminismo... sem discussões entre gêneros (o mesmo valendo para raça, opção sexual, religião, enfim...), apenas que nos entendamos como seres humanos? Direitos e deveres sem preconceitos (utópico, eu sei).

helen disse...

ah, mas o cristianismo oprimiu as mulheres por séculos, pra quê aceitar isso?" - mas devemos dizer que essa opressão toda foi culpa de PESSOAS que diziam usar a bandeira da religião para exercer poder.

é mas as pessoas usam o q esta na biblia,palavras de deus e lá diz q deus acha super certo mulheres serem tratadas como lixo,é incoerente ser feminista e ser religiosa.
a maioria das feministas apoiam o aborto,então,n faz sentido se dizer catolica,evangelica... se todos são contra isso.
é o q eu ja disse,religiosos só pegam da biblia o q interessa,hipocrisia pura.

Giselle disse...

Viu essa Lola? http://g1.globo.com/dia-das-criancas/2013/noticia/2013/10/724-das-meninas-acham-que-tem-menos-poder-que-meninos-diz-estudo.html

Anônimo disse...

Lola,

Bom dia,

viu essa pesquisa? Muito interessante. Meninas sentem que tem menos poder que os meninos, e hoje é o dia internacional das meninas!

http://g1.globo.com/dia-das-criancas/2013/noticia/2013/10/724-das-meninas-acham-que-tem-menos-poder-que-meninos-diz-estudo.html

lica disse...

Lola, o católicas pelo direito de decidir não é exatamente católico pq elas não estão em comunhão com a igreja.

Eu fui espírita durante 20 anos e me tornei católica faz uns três anos. Mas sou feminista desde sempre.

Eu sinto que as mulheres que valorizam a própria fé ficam meio perdidas. Elas não querem aquela vida presa, humilhante e submissa de antes, mas também tem dificuldade em se identificar plenamente como o feminismo, por exemplo, do seu blog.

Convivo com médicas, engenheiras, economistas, uma Dr. em química orgânica e tc. Todas que vivem nos moldes bem 'caretinhas' da igreja. E nas quais eu vejo esse dilema.

Se você puder/deixar, eu gostaria de escrever um guest post de como é ser feminista e me manter em comunhão com a igreja.

lola aronovich disse...

Claro, Lica, escreva sim o guest post, e mande pra mim. Só peço que ele não tenha muito mais que 1,5 página no Word ou Open Office, corpo 11.

lica disse...

Obrigada Lola. Vou escrever!
Abraço

Ana disse...

Nunca fui proibida de estudar o que eu quisesse. Nem de sair com amigos, nem de passar a noite fora de casa, nem de viajar. Sempre tive amigos e amigas que enchiam a casa.
Mas, na hora de aprender a dirigir é que o machismo da família pegou pesado. Eu tive muito medo e dificuldade (acredito que resultado de anos de mensagens subliminares) e precisei muito do incentivo da minha família, que nunca veio. Pelo contrário: meu pai dizia que eu não ia aprender nunca, pois tinha um "problema psicomotor" e não conseguiria nem passar a marcha.
Minha mãe dizia que aquilo era perda de tempo, pois quem precisava dirigir e ter carro eram os homens. A tarefa das mulheres era conseguir um homem que lhes desse carona.
Sim, eu tinha carro, comprado junto com o meu irmão. Meus pais escondiam a chave, os documentos, o controle remoto da garagem... pra eu não sair pra praticar, pois "ele poderia precisar do carro". Mas o IPVA e os boletos do seguro eram entregues diretamente pra mim, porque o carro estava no meu nome.
Aos 34 anos, entrei numa clínica-escola para habilitados sem contar a ninguém. Escolhi e comprei meu segundo carro sozinha. Saí pra dar as primeiras voltas no quarteirão sozinha. Aprendi a cuidar da manutenção, abro capô, troco óleo, calibro pneu, converso de igual pra igual com os mecânicos (que, machistamente, acham que, pra uma mulher, qualquer bobagem que eles falarem vai colar).
Pra mim, o machismo existe quando a gente acredita nele. Se bem utilizado (a velha história do limão - limonada), pode nos transformar em feministas muito mais seguras e independentes.

ViaPúblicaUnifap disse...

Nossa, isso é extremamente complicado, sei porque sinto na pele.
Moro com meus avôs maternos e meu avô é extremamente machista, sua frase preferida é "mulher não se governa", cresci ouvindo isso, até o jeito como ele se dirige a uma mulher é diferente, é como se estivesse falando com alguém inferior, menos inteligente. Ele não pode ver uma mulher se maquiando, abomina barulho de salto, pra ele isso é coisa de prostituta, mulher de verdade é a Dona Amélia, sempre disposta a cuidar da cozinha e de criança. Porém ele é um senhor de 85 anos criado no interior do Pará, não levo em consideração. Mas o meu tio mais novo que mora conosco é um verdadeiro animal, chega da farra de manhã conferindo se a casa está limpa, se não estiver tudo brilhando ele faz altos escândalos,tem 28 anos e nunca namorou sério porque nenhuma mulher aguenta esse comportamento, pobre da minha avó se as camisas dele estiverem algum fiapo, ela tem de lavar de novo, houve um tempo que ele ficou desempregado e era um inferno pois ele tirava o dia para ver o que tinha de errado na casa (louças sujas, calçada mal varrida, etc.) isso sem mover uma palha. O pior é que minha avó aceita isso e concorda, ela própria é machista, ela mesma disse que acha estranho um homem que ajuda a esposa a cuidar dos filhos, enfim, nunca levantei a bandeira do feminismo, mas me sinto morando em um hospício, não vejo a hora de cair fora daqui, tenho muito NOJO do meu tio.
Felizmente a família do meu pai é o oposto, lá as mulheres são fortes e sabem se impor, conviver com eles pra mim é ótimo, me traz equilíbrio.

Ana Nazaré disse...

Eu perdi minha mãe ha 3 anos e desde então, quando vou a casa do meu pai, saimos pra almoçar fora. Aí ele anda ancioso e reclamando que não aguenta mais comida de restaurante, ele fala azedo " ai, que sdds da sua mãe, ela fazia um rizoto com legumes..ai , que saudades, como ela passava roupa bem".
Ele é um babaca.A minha família é o típico da representação patriarcal. Minha mãe jamais teria falado que sente falta do meu pai pq ele "cozinha tão bem"...Sabe quem meu pai mais admira na cidade? Um padre. Outro dia vimos uma casal de lésbicas no centro e ele já começou " olha isso, deviam ter vergonha na cara". Sinceramente, eu não gosto do meu pai. Eu vejo ele por respeito . Eles arruinaram minha vida, e quem reconstruiu foi Simone de Beveouir, Germane Greer, Betty Friedan, Marilyn French.. Foi através dela que eu senti pela primeira vez uma coisa diferente q eu nem sei oq é, mas q dá vontade de viver. Foi através delas tb que me tornei menos anciosa e mais segura. Parece que meus pais me criaram pra eu me ferrar. Eu acho que conversar não adianta, eu acho melhor só impor seus limites e se afastar se necessário pra viver sua vida e tentar alcançar seus sonhos.

Fernanda Catarcione disse...

Procurando pela internet por esse tema, encontrei esse texto. Adorei! Pois passo pela mesma coisa. Perdi minha mãe há 3 anos e meio. Moro com meu pai e meu irmão. Dois machistas que não fazem nada e sobra tudo pra mim. O pior de tudo é q eles não assumem q são machistas, então é um machismo inrustido, não declarado. Realmente desgasta. Não quero me dobrar ao q pensam, tb não quero ficar me desgastando ou implorando para que me ajudem na tarefa de casa, ou q pelo menos coloquem suas cuecas dentro do cesto de roupa suja! Não tenho condições financeiras de sair de casa agora, então tenho suportar isso por um tempo. Mas como suportar sem surtar? O texto me ajudou bastante! Obg por existir esse blog e por escrever! Então, escreva, Lola, escreva! :)

@Alguém disse...

Há alguns anos um primo do interior veio morar aqui em casa. Pense numa criatura insuportável. Na minha casa, eu era obrigada a escutar desaforos machistas daquele retardado. Graças aos deuses foi embora e arrumou uma idiota para namorar (que saiu do mesmo buraco que ele). Agora nem vem mais aos domingos.

Teve um dia que eu cansei e perguntei se aquilo que ele dizia também servia para a sua mamãe, ele se calou. Engraçado é que o moleque adorava encher o saco e ainda dizia que as mulheres que são estressadas, não aguento olhar na cara daquele imbecil.

Quando minha irmã mais velha tirou a carteira de motorista, ele me solta a seguinte pérola: "Mulher eles aprovam mesmo", mas quando ele tirou foi uma grande conquista. Saiu daqui de casa para morar com a minha tia, dizendo que ia ajudá-la a pagar o aluguel, mas só sabe dar despesas e ela se enrola cada vez mais para pagar as contar e sustentar aquela beleza. Ainda diz que o dever do homem é sustentar a casa (quando se casar), mas ele não sustenta nem ele mesmo. Na firma onde foi trabalhar só arrumou encrenca e ainda vivia chamando de piriguete a namorada de um dos seus colegas, mas hoje que tem namorada só falta tirar um dos rins para dar para a menina.

Ninguém suporta aquela criatura, muito menos a tia que mora com ele. É sem educação, chato, intrometido, só fala merda... aff maria, não sei o que vamos fazer para nos livrar daquela praga. Só mandando de volta para a mãe dele, que pelo jeito é a única que suporta. =P