quinta-feira, 26 de setembro de 2013

GUEST POST: A EXPERIÊNCIA TRAUMÁTICA DO BULLYING

O H. me enviou este relato desolador. Recomende pra próxima pessoa que disser que "bullying é bom porque forma caráter".

Sempre visito seu blog, gosto muito dos seus posts (apesar de vários deles me deixarem revoltado). Quando li o post sobre bullying, me lembrei de todo o inferno que passei durante o período da escola e do colégio e gostaria de desabafar. 
Ao contrário da maioria das crianças que sofrem bullying por serem gordinhas, negras ou pobres, quando criança eu era magrelo, branquelo, e minha família tinha uma condição financeira boa. Mesmo assim, isso não impediu de sofrer bullying durante minha infância e adolescência.
Eu morava numa cidade do interior e estudava numa escola particular junto com meu irmão mais velho e minha irmã mais nova. Não lembro em que época da escola começou o bullying, pois eu não consigo me lembrar de um dia sequer que eu não tenha sido humilhado ou agredido.
Como eu era meio desengonçado, os alunos mais velhos de outras séries logo começaram a fazer piadas e comentários maldosos sobre mim. Não demorou muito para que meus colegas de sala começassem a fazer o mesmo. Logo no início dessas zoações, fui falar com os professores e a diretora do colégio. Todos deram risada e falaram que isso era só brincadeira, que não era para eu levar a sério. 
Falei com minha mãe sobre isso e ela não acreditou. Minha mãe sempre foi muito amiga das mães dos outros alunos. Na verdade, ela era muito respeitada e conhecia quase todas as mães e alunos do colégio. Ela não acreditava que o filho de uma amiga delas pudesse ser grosseiro. Na concepção dela, todos eram meus amiguinhos e eu é que não estava sabendo interagir.
Quando os outros alunos ficaram sabendo que eu tinha ido pedir ajuda para os professores e para minha mãe, a humilhação aumentou absurdamente. O tempo todo ficavam falando “Ah, vai pedir ajuda pra mamãe” e davam risada e me xingavam. Alguém me empurrava e dizia pra eu chamar a mamãe. Jogavam meus cadernos no chão e falavam o mesmo. Isso continuou até chegar ao limite, quando não tendo a quem recorrer ou pra onde fugir, comecei a chorar dentro da sala de aula. Pronto. Isso foi tudo que faltava pra assinar meu atestado de fraqueza. Se antes eram só alguns alunos que praticavam bullying comigo, agora era o colégio inteiro.
Então comecei a reagir e ofender de volta quem me humilhava. E aí descobri que eu era fraco. Ou eu apanhava de alguém mais forte, ou juntavam vários pra me dar uma lição. E sempre que um professor via uma briga, eu era levado junto com os valentões pra diretoria e levava advertência também. Se a diretora presenciava uma confusão, ela sempre dizia “Vai brigar na rua, dentro da minha escola eu não aceito brigas”. Era como se ela dissesse pra eu apanhar onde ninguém pudesse ver.
Eu comecei a ficar sozinho na sala durante o recreio. Mas a diretora disse que não era pra ficar ninguém dentro da sala no intervalo, porque não tinha ninguém pra vigiar a sala e eu podia pegar alguma coisa dos outros alunos. Então tinha que ir pro pátio. Era entregue aos predadores.
Quase nenhum aluno queria ser meu amigo, pois eles sabiam que também sofreriam bullying por causa disso. Eu tinha um amigo na minha sala. Quando a gente não tava no colégio, nós íamos jogar videogame, andar de bicicleta. Mas no colégio a gente conversava pouco, porque eu sabia que ele podia ser alvo por causa de mim e por isso eu tentava não envolver ele nisso.
Até a quinta série minhas notas eram boas. Eu sempre ficava entre os cinco melhores alunos da minha classe. Mas como tinha que enfrentar um inferno todo dia, comecei a odiar a escola e tudo que tinha nela. Então parei de estudar. Apenas frequentava as aulas. Não conseguia prestar atenção na aula porque o tempo todo tinha alguém jogando alguma coisa em mim, chutando minha carteira, me ofendendo. Minhas notas caíram consideravelmente. Minha mãe vivia brigando comigo por causa disso. 
Nessa época comecei a me fechar. Tornei-me uma pessoa cada vez mais tímida, mais introvertida, mais triste. Chorava todas as noites sabendo que teria que sofrer no dia seguinte. Quando saía do colégio, me trancava no quarto jogando videogame ou no computador. Era essa minha rotina todos os dias.
Eu não tinha muitos amigos. Meninas então, passavam longe de mim. Eu percebia que havia três tipos de meninas: as que riam de tudo que acontecia comigo; as que ficavam incomodadas com o bullying (algumas demonstravam isso com um olhar, outras diziam para os valentões pararem de ser babacas); e as que gostavam de me humilhar. Enquanto os meninos demonstravam que me odiavam logo de cara, algumas garotas se aproximavam de mim fingindo interesse, para depois me humilhar. A maioria fazia isso a pedido de algum babaca.
Após passar no vestibular, meu irmão foi morar na capital. Então minha mãe decidiu que quando eu terminasse o 3º ano, nós iríamos mudar para a capital. Nesse último ano eu entreguei os pontos. Decidi que ia aguentar qualquer coisa, ia durar só mais um ano isso tudo. Mas foi nessa época que as humilhações pioraram.
Comecei a me sentar na primeira fila, pra ficar longe da turma do fundão. Mas eles resolveram fazer uma “brincadeira” diferente. Um aluno do fundo se levantava com um caderno, ia até onde eu estava, batia o caderno com toda força na minha cabeça e voltava pro fundo. E o pessoal da sala dava risada disso. Parecia que eu só estava ali pra ser humilhado. Isso acontecia todos os dias, nas aulas de vários professores diferentes. Todos os professores viam isso, mas só diziam pro babaca ir sentar. 
Um dia um aluno fez isso e a professora disse que estava cansada desse tumulto. O aluno disse: "Vai tomar no c*". Ele foi imediatamente levado pra diretoria, chamaram os pais dele e deram três dias de suspensão. Ou seja, me humilhar, me agredir, tudo bem. Fiquei anos ouvindo todo tipo de insulto e ninguém fez nada.
Depois dessa suspensão, ninguém mais fez isso durante a aula. Mas todo dia depois da aula, uns sete alunos se juntavam para me cercar quando eu ia embora. Eles se dividiam nas duas esquinas da rua. Não tinha como fugir. Jogavam ovos em mim, jogavam terra, tiravam meu tênis e jogavam no meio da rua ou por cima do muro das casas. Rasgavam minha mochila, cuspiam nos meus cadernos. Enrolavam minha cabeça com durex e eu tinha que pedir ajuda pra quem tivesse passando na rua pra tirar. Eu levava soco no braço, chute no saco, chute nas costas. Nunca me batiam na cara, não sei porquê.
Eu contava os dias para o ano terminar. E quando terminou, chorei de alegria. Parecia que tinha tirado uma tonelada das minhas costas. Aí eu mudei pra capital. E posso dizer: foi A MELHOR COISA QUE JÁ ACONTECEU NA MINHA VIDA. Finalmente tinha a chance de começar uma vida nova. Antes de entrar na faculdade decidi mudar minha aparência, minha postura, minha personalidade.
Comecei a usar roupas mais escuras, a ficar com uma cara mais séria e fechada, cara ruim mesmo. Andava com a cabeça mais erguida. Minha intenção não era fazer amigos, minha intenção era ser respeitado. Não interessava se eu era fechado ou parecia arrogante, só queria garantir que ninguém ia mexer comigo. Mas as lembranças do bullying sempre me acompanhavam.  
Quando eu tropeçava em algo, eu imediatamente olhava para os lados pra ver se alguém estava rindo de mim. Mas ninguém estava reparando. Quando eu ouvia um grupo de pessoas dando risada, eu sempre achava que era comigo. Mas nunca era.
Na faculdade comecei a fazer amizade com várias pessoas. Ninguém me zoava, mas sempre falavam que eu tinha que me abrir mais, que eu era um cara legal, mas que precisava ser mais sociável. Comecei a baixar um pouco a guarda, mas quando eles faziam alguma brincadeira, eu achava ruim e estragava o clima. Até que percebi que essas brincadeiras não eram ofensivas e que eles eram meus amigos, então eu tinha que aprender a lidar com isso. 
Demorou pra mudar o meu jeito. Meu curso de cinco anos, eu levei sete pra terminar. Mudei de faculdade duas vezes. Tudo por causa da minha personalidade. Quando eu começava a me sentir inseguro, eu tinha que mudar pra começar de novo. Em quatro anos, troquei de trabalho três vezes pela mesma razão.
Durante a faculdade, todo mundo “pegava” alguém. Comecei a faculdade aos 17 anos sem experiência nenhuma com mulheres e até os 19 anos ainda era virgem. Quando comecei a sair para festas, via meus amigos chegando em várias meninas e se dando bem. Mas eu não conseguia. E quando levava um fora, era como se tivesse uma lança sendo enfiada no meu coração. Tanto esforço pra mudar e ainda não conseguia falar com uma mulher.
Até que um dia eu e mais quatro amigos fomos no puteiro. Entrei no quarto com uma prostituta bem mais velha. Eu com 19 e ela com mais de 30. Não falei que eu era virgem, pois pensava que se ela soubesse, ia me humilhar, me chamar de fraco. Quando ela percebeu minha falta de experiência, eu tive que assumir que era virgem. Fiquei abismado com a educação e a paciência dela. Nunca uma mulher tinha me tratado tão bem. Tudo bem que eu estava pagando, mas não esperava que ela fosse tão simpática.
Algum tempo depois, conheci pela internet uma comunidade que ensinava como se relacionar com mulheres. Não fui a fundo no assunto, ainda sou um pouco tímido e travado. Mas muitas das dicas mudaram a minha vida. Hoje sou uma pessoa muito mais comunicativa, me relaciono melhor com as pessoas. Há dois anos conheci uma garota linda e simpática que agora é minha companheira e namorada.
Mas nunca consegui falar sobre o meu passado de bullying com ninguém. No meu círculo de amigos, ninguém sabe o que eu passei na minha antiga cidade. Nem minha namorada sabe disso. Quando ela pergunta como foi minha infância e adolescência, eu sempre desconverso e falo que não foi nada de interessante. Não consigo falar dos meus problemas com ninguém. Minha namorada sempre diz pra eu me abrir com ela, que não devo guardar meus problemas só pra mim. Mas não consigo, parece que tem um bloqueio que me impede de expor minhas fraquezas.
Hoje, oito anos depois que terminei o colégio e mudei de cidade, ainda tenho lembranças ruins daquela época de bullying. Um dia encontrei com aquele amigo que eu tinha na escola. A gente conversou muito e uma hora ele disse aquele apelido que eu tinha. Na hora eu travei, meu coração começou a acelerar, comecei a tremer, lembrei de tudo. Meu amigo pediu desculpa e disse que pensou que eu tivesse superado essa fase.
Oito anos depois e um simples comentário derruba minha estabilidade! Nesses oito anos, voltei poucas vezes àquela cidade. Na última vez fui passar só um dia lá. Quando estava entrando na cidade minha garganta começou a apertar como se eu estivesse sendo sufocado. Hoje tenho medo de encontrar com aquelas pessoas que praticaram bullying comigo. Mas não é medo físico, de apanhar. É um medo psicológico de saber que mesmo sendo fisicamente mais forte que eles, no fundo eu ainda tenho medo de tudo.

Meu breve comentário: Horrível tudo que você passou, H. Ninguém deve ser obrigado a suportar essas humilhações e agressões. A escola, seja particular ou pública, tem que ser responsável por zelar pelo bem estar de todos seus alunos, professores e funcionários. 
Talvez, se houvesse alguma disciplina de respeito às diferenças, de discussão de gênero e diversidade sexual, poderia haver um espaço para se discutir o bullying, e como ele é completamente errado e inaceitável. Todo mundo errou com vc, H. Seus pais, que não te trocaram de escola, seus professores, que fingiam que não viam e até participavam do bullying, a diretora, que mais parecia uma avestruz, e seus colegas, uns idiotas que deviam ter uma vida bem vazia pra terem que se divertir humilhando alguém. 
Vc tem vários traumas, e todos justificáveis. Só posso imaginar o que tenha sido sofrer durante tantos anos, principalmente na época da vida em que a gente mais precisa de aceitação. Meus conselhos são todos óbvios: confie na sua namorada, abra-se com ela, faça terapia. 
E sabe o que eu sugiro quando vc estiver mais forte e seguro? Que vc volte àquela sua cidade, que vc fale com a direção da mesma escola em que vc foi agredido durante tanto tempo, e diga que vc deseja fazer uma palestra sobre bullying lá para alunos de alguma série. Se a direção permitir, você vai lá e conta tudo. Conta as marcas que ficaram. Porque obviamente vc não foi a única vítima de bullying. Com uma palestra dessas, vc pode ajudar crianças e adolescentes passando por isso.
Se a direção não aceitar, o que é provável, vc manda um artigo sobre bullying, contando as suas experiências, citando nominalmente a escola, para um dos jornais da cidade, pra que de repente alguém acorde para o que tantos jovens passam. Vc não quer vingança, certo? Vc quer conscientizar as pessoas para que o bullying não se perpetue, para que ele gere uma discussão contínua, e algumas soluções. Use a sua experiência em sofrimento para transformar o mundo. 

58 comentários:

ju disse...

Sempre quis saber o que faz as crianças discriminarem outras... quando criança desde muito pequena mesmo sofria bullying. Eu era uma menina extremamente dentro dos padrões (até a puberdade), loira, delicada, de olhos azuis. Mas mesmo assim haviam meninos que me chamavam de feia, me batiam, me furavam com o lápis. Essas coisas que me faziam achar que era eu que tinha algum problema. Após a puberdade as coisas pioraram, pois não virei uma adolescente bonita. Sofri muito no 2o grau. Nunca contei para ninguem essas coisas, pois achava que contar (alem de não fazer acabar com isso) iria me fazer admitir minha feiura. Apesar de não falar sobre isso nem em casa, Tive uma mãe que me dava bastante apoio em vários outros aspectos da minha vida e ajudou a formar auto-estima. Eu passei a valorizar outras coisas em mim, ja que não era bonita, deveria ser inteligente, eu pensava. Não quero que concluam com isso que o bullying ajudou a formar minha auto estima e meu caráter. mas sim minha mãe fez isso. O fato de eu ser uma pessoa positiva e tentar ver o lado bom das coisas, não faz do bullying algo positivo. Eu teria sido imensamente mais feliz, mais segura e com certeza aprendido mais no 2o grau se não tivesse sido atormentada 3 anos consecutivos. E isso que era um bullying bem mais leve que o que o autor sofreu. Mas sempre ficou a pergunta, porque eu? O que eles viam em mim, nesse autor do post, e em outras crianças que atraem esse tipo de comportamento. Sei que o problema esta na pessoa que faz isso, mas eu sempre fui a vitima, por pessoas diferentes, escolas diferentes, mas eu era escolhida, se não a unica, uma das... Sempre quis entender o porque...
Acho que vc deveria falar sobre isso com alguem da sua vida real, ou procurar terapia para te ajudar a superar isso! Boa sorte! E saiba que se eu te conhecesse na escola, eu seria uma das meninas que iria levantar para te defender, pois ja fiz isso com um menino que tambem sofria bullying. Mas não o ajudou em nada... Pelo contrário. Ai todos foram mais ferozes para cima dele e disseram que ele precisava de uma menina para defende-lo, e ai ele me xingou tambem...

Rovena C. Reys disse...

Eu sofri bullying apenas durante um ano. Estava na quinta série e me mudaram de turma. Foi horrível, para melhorar meu pais estavam se separando e todo mundo terminou convencido que a problemática era eu, por ter resolvido abandonar a escola. Voltei seis meses depois em uma nova escola e parecia um novo mundo. Nhm me zoava, eu tinha amigas...

Eis que uns 15 anos depois minha sobrinha vai estudar na mesma escola na qual eu sofri bullying por ser perto de casa. E adivinhem só ? Tb sofreu com piadinhas maldosas, agressões e tudo com o incentivo de professores.

Acho ótima a idéia da Lola. Se envolva no assunto, escreva um artigo citando a escola nominalmente ou, pelo menos, dando muitas dicas de qual escola se trata e publique em um jornal da cidade ou em qualquer lugar com visibilidade. É importante falar do assunto para que ele não se repita

Unknown disse...

Minha irmã também sofreu bullying no colégio quando era bem pequena e direção e professores também consideraram "brincadeira". Para a sorte dela, meus pais notaram logo o que tava acontecendo e a mudaram imediatamente de colégio, junto comigo.
Não sei como você se sente, mas acho suas reações bem compreensíveis visto o que passou. Mas, também acho que você deve tentar se abrir com sua namorada e amigos mais próximos. Não precisa ser de uma vez, se o assunto surgir novamente, diga apenas que não teve muitos amigos no colégio; depois, diga que não gostou muito daquela época; vá soltando informações pouco a pouco até que se sinta a vontade para falar livremente.
A ideia de entrar em contato com a escola e a palestra é boa, mas acho que é muito cedo agora... só faça isso quando sentir que pode.

Maria Valéria disse...

Eu ja acho corajoso o H. publicar um post, ainda que anonimamente,para relatar essa experiência,
Eu acho sim, que vc devia se abrir com sua namorada.
Por experiência própria,...demorei 3 anos pra conseguir contar sobre o bullying para o único homem que amei.
Ele sempre preferiu que eu nao ficasse remoendo o passado, mas no sentido de eu esquecer,de me libertar, mas compreendeu e agradeceu pela confiança.
Ja tive um namorado que quando contei, foi um tosco e nem deu bola pro meu problema.Mas sabe? Melhor a gente saber logo que e tosco.Não acredito que seja o caso de sua namorada, confie nela!;))
Posso dizer que superei meu problema, sim.Não gosto muito de ficar fazendo propaganda de posts meus, mas quando falam de bullying nao posso deixar de recomendar que vc leia meu relato, publicado em meu blog no dia 16 de setembro do ano passado,procura que vc acha,
Tenho 39 anos e demorei todo esse tempo para ter coragem de escrever em publico sobre o bullying que sofri...
Bem, vamos dizer que nesse ano tive uma conquista inédita, e que dei um jeito de a pessoa que mais me humilhou ficar sabendo dessa minha conquista...fiz a pessoa me aplaudir de pé, e pra mim, isso nao tem preço.
Beijos, se quiser conte comigo,;))
Ps: acho que pra meninos o bullying e muito mais sofrido, pois homem tem que ser " forte" , nao pode chorar, etc...eu tenho um amigo que guarda trauma disso ate hoje,20 anos depois...mas nao posso falar do caso dele abertamente aqui, porque ele me pediu segredo...bjs


Elaine Pinto disse...

Sei que pode soar bastante repetitivo, pois sempre se fala isso nos posts que relatam problemas pessoais, mas já fez terapia? Às vezes ajuda à beça.

Sobre a questão de citar nominalmente a escola, bem, eu também adoraria que ele fizesse isso. Mas será que pode haver algum problema legal?

Maria Valéria disse...

Lola, se você ou alguem que esta lendo meu comentário souber de algum grupo contra bullying que aceite trabalho voluntário, por favor, nao hesitem em me indicar.De preferência aqui no estado de SP ou próximo a capital ou região de Campinas.
Sempre tive vontade de ajudar, mas nao conheço nenhuma ONG nem grupo de voluntários...acho que o colégio onde estudei no interior nao aceitaria... :/

Roberto Lima disse...

Quando meu filho mais novo era pequeno, era mais baixo que a média da turma onde estava no colégio . Como era menorzinho, os maiores sempre batiam nele. E ele era muito alegre, conversava com todo mundo, vivia sorrindo, mas mesmo assim os maiores abusavam. Reclamamos educadamente na escola, mas não adiantou . Colocamos o menino nas aulas de judô, o que não ajudou muito, porque ele sempre aprendeu que deveria ser amigo de todos e não brigar com ninguém. Um dia, eu resolvi mudar as coisas.Disse ao meu filho que continuasse a ser amigo de todos, a conversar com todos, mas que se alguém batesse nele, QUE ACERTASSE COM TODA A FORÇA NO NARIZ DO AGRESSOR. Não passou uma semana, e fui chamado no colégio. A professora disse que ele havia acertado um menino, e que o nariz dele havia sangrado. Minha resposta: "ÓTIMO!!". Contei que já havíamos reclamado anteriormente e ninguém havia feito nada, então a partir de agora seria assim: se alguém batesse nele, ele revidaria com tudo. E que era só ninguém se meter a besta, que nada aconteceria. E que não haveria negociação, se algum pai viesse encrencar, levaria também ( embora eu mesmo nunca tenha me envolvido em brigas, seja no colégio, seja na faculdade) . Foi o "santo remédio". A própria professora contou que até os meninos que batiam nele acabaram se comportando melhor.

Helen Pinho disse...

Na 6ª fui estudar em uma escola particular (apesar de não ter dinheiro para isso, mas como era membro da igreja da escola tinha desconto), estudei lá até terminar a 8ª. Sofri muito bullying. Quando entrei no ensino médio, em uma escola federal técnica, ia pra aula com muito medo, todo dia eu espera as agressões, mas elas não vinham. Então um dia perguntei, para meus amigos mais próximos da escola: tá e aí vocês não notam? quando vão começar a rir e a falar do meu jeito de andar? da minha voz horrível? quando? Acho que eles não entenderam muito (hehehe), ficaram chocados com o que eu passava e realmente não entendiam bem os motivos para ter acontecido. Foi engraçado que só nesse momento percebi que não era eu o problema, não era em mim, o problema estava em quem julgava cruelmente características especificas físicas minhas e se sentia no direito de me humilhar por isso.

Helen Pinho disse...

Minha mãe também era adepta da teoria de revidar, não vejo como isso pode ajudar qualquer criança.

Roberto Lima disse...

Muito pior que não revidar é ser humilhado cada vez mais, até o ponto do desespero.

Barbara O. disse...

H, não sei se sua namorada é como eu, mas eu sempre peço que meus namorados contem suas fraquezas. Não gosto de homens que pensam que estão sempre no controle da situação. Amo homens humanos. beijo!

Val disse...

eu sofri bullyng no colégio.
Depois na faculdade, em outra cidade, foi tudo otimo, mas esses tempos tive que entrar na minha escola e tive uma crise de pânico.
Essas marcas nunca somem, a gnt so aprende a deixar de lado..
nunca imaginei que depois de tantos anos eu teria aquela reação..

Fernanda disse...

Nunca entendi a logica por tras do bullying. Digo: nunca entendi as motivações, o que leva uma pessoa a sentir tanto prazer em hsotilizar e humilhar outra. Isso pra mim é realmente incompreensivel.

Tenho uma lembrança de quando era muito muito muito pequena, e na familia sempre fui a preferidinha. Neste dia, estava na cama comminha bisavo, e ela fazia piadas com o nariz da sua filha adotada (filha da empregada que foi embora e deixou o neném, que acabou sendo oficialmente adotada pelos meus bisavos). Lembro direitinho da sensação de constragimento profundo que aquilo me causou, e isso eu devia ter no maximo 5 anos.

Eu, claro, também sofri bullying, bastante. Sempre fui gordinha e sempre fui muito atirada, extrovertida, e pegava os mais gatinhos do colégio, hahahaha! Claro que eu fui crucificada a vida inteira por isso. Nunca chegou a esse ponto do relato do H.

Vou engrossar o coro: terapia! Uma saida excelente. Se for em BH, tenho uma terapeuta maravilhosa de preço acessivel (com relação ao que ja vi no mercado...).

Coragem e força! Para todxs nos!

Unknown disse...

Sofri um pouco com isso mas não chegou nem aos pés do que o autor passou, pois sempre tive amigos nas escolas e nunca cheguei a ser agredida fisicamente.

Agora, tem lugares onde a agressão é ciclica, se não for um, vai ser o outro. Infelizmente são pessoas viciadas em fazer mal pros outros.

ma1w disse...

Oi H.

Eu tive experiências muito parecidas com as suas. Desde o bullying em si, até o sentimento de liberdade na vida adulta e a surpresa ao perceber o aperto desagradável tantos anos depois. Faço terapia há bastante tempo e demorei pelo menos uns dois anos para sequer conseguir pronunciar a palavra bullying para a minha terapeuta. Apesar de todos os problemas que eu tive derivados dessa experiência, eu ainda não conseguia admitir o que havia acontecido comigo.

Eu me fechei para qualquer contato humano por anos. Embora procurasse ser simpático com as pessoas, não admitia que ninguém se aproximasse de mim com medo de que pudesse tirar vantagem se percebesse as minhas fraquezas. Percebi também que eu não conseguia mais tolerar injustiças. No trabalho, a gente também vê situações de abuso no convívio com chefes e colegas, embora de uma forma muito mais sutil e velada. Eu batia de frente com isso, e tive problemas sérios por não respeitar a hierarquia. Qualquer pessoa que agisse como um daqueles bullies do passado me trazia lembranças que eu gostaria muito de ter enterrado e esquecido definitivamente.

Ainda que a gente tenha a impressão que alguns assuntos estão superados, a gente percebe que, por si só, o tempo não cura todas as coisas. Foi só quando tive ajuda da terapia que as mudanças começaram a acontecer. No começo, me perturbava tanto que eu sequer conseguia pensar a respeito do bullying. Depois, até conseguia falar um pouco, mas era extremamente cansativo. Me sentia como se estivesse segurando uma batata quente e precisava me livrar daquilo, mudar de assunto. Finalmente, pude começar a me abrir a respeito e comecei a aprender a lidar com a terrível sensação de me sentir culpado e merecedor de toda a humilhação. É, essa parte não é muito diferente do que deve se sentir uma vítima de estupro. Eu também tive que trabalhar essa sensação do aperto. O sentimento vem tão forte que a sensação é de ser fisgado. É como se o nosso corpo nos dissesse: "sinto como se fosse hoje". Mas não foi hoje. Oito anos se passaram. É importante você perceber que você não é a mesma pessoa dos tempos de colégio. Esse passo é crucial para deixar o passado ficar no passado.

O curioso é que quanto mais a gente tenta esconder isso dos outros, mais óbvio fica para quem tem um olhar atento. Os outros não vão adivinhar exatamente o que aconteceu, mas eles sacam que tem algo que te incomoda. Eu me surpreendi com o número de pessoas que já desconfiavam que eu tinha tido problemas com bullying, embora eu mesmo afirmasse que não tinha nada de errado. Na verdade, só estava negando o bullying para mim mesmo. Também foi surpreendente conhecer algumas pessoas que todo mundo considerava como geniosas e intratáveis, outras esquivas, mas vendo de perto, eram frágeis como vidro. Eu não sei o que aconteceu com elas, mas elas se comportam de uma forma muito parecida como eu agia no passado quando tentava esconder minhas fraquezas.

mebarak ludgero disse...

tenho ódio de quem pratica bullying,n existe desculpa nem explicação para uma pessoa achar q tem o direito de humilhar e perseguir os outros,por isso que quando vejo casos de alunos que entram na escola e atiram nos outros,eu n consigo pensar em nada diferente de "fodam-se,bem feito!"
embora eu saiba q nesses casos podem ter inocentes que pagaram pelos que praticaram bullying.

eu sofri bastante por ser gorda mas n chega perto do que o autor passou,inacreditável e horrível.
até hj não consigo falar disso com ninguém,n consigo fazer amizades, nunca namorei,se alguém me paquera eu sempre acho q a pessoa está me sacaneando.

Monica Cestari disse...

Queria responder à Elaine Pinto:
a escola, se resolver processar, será processada de volta. Será processada por danos morais, por ter consentido e incentivado o sofrimento de um aluno inúmeros anos, inclusive quando este pediu ajuda a ela. Cada professor que consentiu pode ser processado. A diretora, então, nem se fale. Com direito a testemunho de alunos que estudaram com o H. Fora que ele pode ainda alegar o impedimento da escola em relação a fazer uma palestra sobre o assunto, coisa que vai ficar ainda pior pra imagem da escola. Ou a escola se mantém pianinho e emite um pedido público de desculpas ou, se reagir mal, será muito, muito, muito processada. E o processo pode vir de outros que também sofreram na mesma escola, que darão testemunho de suas próprias experiências e citarão o nome dos mesmos professores e diretores.

Sofia L.B. disse...

Pseudo-off-topic

Tem um documentário bem legal, não sei se vcs viram:
http://razoesparaacreditar.com/professora-faz-experimento-para-mostrar-a-discriminacao-em-escola-no-canada/

Uma professora faz um teste de 2 dias com crianças. Ela fala que a altura está relacionada com qualidades (pessoas baixas são melhores, pessoas altas piores). E no segundo dia, ela inverte. (Nem me sinto culpada dando spoiler, é documentário, huashaushau)

Juro que assistindo dá pra entender pq postei ele aqui, rs.

_ _ _

Acho que vc já tem isso muito claro, mas a culpa não foi sua, vc fez tudo o que se poderia pedir de vc (procurou ajuda, tanto com os profissionais de educação, quanto com os seus responsáveis. No caso da sua mãe, creio que o que ela poderia fazer de mais eficaz era justamente te trocar de escola. No caso do corpo docente, eles tinham a obrigação de educar os seus colegas para o convívio social).

Ter reações ruins ao ter contato com o nível de merda que fizeram é mais do que esperado. Foi mto tenso, e ainda apor cima por muito tempo. Entro no coro sobre a sugestão de procurar ajuda psicológica.

De certa forma, só de expor o que fizeram aqui já é capaz de vc ajudar alguém. Pras pessoas entenderem que bully é inaceitável, e tal. Mesmo que vc não venha a chegar no nível de dar palestras (o que ia ser muito legal) e tudo, parabéns, sabe. Vc já conseguiu chegar muito longe.

lica disse...

Nossa, que triste!!!
Fiquei com o estomago embrulhado de ler tudo o que você passou.
Essas situações mexem muito comigo pelo fato de pensar que NINGUÉM FAZ NADA! Como pode tanta gente assistir a esses absurdos e não reagir?
Espero sinceramente que você consiga superar tudo isso.
E que nós todos possamos educar melhor nossas crianças, e interceder de forma eficaz por aqueles que sofrem com isso.

Sarah Luna disse...

Sempre achei que o problema maior do bullying é a negligência dos professores e responsáveis pela direção da escola. De certa maneira é comum haverem essas brincadeiras agressivas de crianças e adolescentes com outros.De forma alguma estou querendo naturalizar este comportamento! Mas, como sujeitos em formação, irão reproduzir esses atos a partir do que vivenciaram e influenciados pela mídia, talvez... Eu mesma no período escolar tb sofria com bullying. O que me dava mais raiva, não eram os agressores, mas, a falta de atitude da escola, principalmente os professores. Eu tentava revidar,só que, como aqueles que praticavam comigo se inflavam de coragem perante a "proteção", não tinha mto sucesso. E o que fazia? Erroneamente procurava descontar em quem era mais humilhado do que eu. Tenho muita vergonha disso. Contudo, a solução sem dúvida deveria ser um olhar mais atento dos professores. Eles que são responsáveis pela formação educacional dos alunos. Logo, devem se conscientizar dos malefícios do bullying e evitar que levemos estes traumas a vida toda. Assim como H. não suporto encontrar com algum colega de escola, tampouco retornar a cidade que fui criada.

Livia Siqueira disse...

À Monica Cestari:

Ele não pode processar a escola por danos morais porque já prescreveu. Passaram-se 8 anos e o tempo para entrar com ação são 3 anos.
Mas claro que a escola não o poderia processar por algo que aconteceu de fato.

Aline disse...

Olha, eu acho revidar super errado, mas na escola que eu estudei, eu sofri bulliyng por um tempo e não queria contar para minha mãe para ela não ficar triste. Os professores até me protegiam, por que gostavam de mim, mas no intervalo, grudaram chicletes no meu cabelo, me sujaram de barro, etc.
Eu estudava em uma escola agrícola e sabia sacrificar animais, assim como castrá-los. Fiz duas coisas que ajudaram o bulliyng a parar: Ameacei castrar o próximo que me enchesse o saco(já que na maioria eram meninos) e fiz isso enquanto castrava um porquinho. E um dia que estava chovendo, me jogaram barro, ao invés de eu chorar ou achar ruim, sentei no barro, me sujei ainda mais, fiquei imunda na chuva e fui abraçar as meninas que me jogaram na lama, corri atrás delas, e as abracei... depois disso as agressões diminuíram.
Quando mudei para o ensino médio em uma escola particular, poucas pessoas falavam comigo, pois eu era bolsista, pobre, trabalhava e era "esquisita". Isso mudou quando comecei a namorar um garoto do 3 ano e a andar com o pessoal do terceiro. Como se por isso eu merecesse respeito... Enfim. O Bulliyng só não me afetou mais por que os professores me ajudaram, a psicologa da escola me orientou, o grupo de adolescentes que eu participava me mostrou que o problema era quem praticava bulliyng, mas nem todos tem esse apoio e acabam traumatizados. O bulliyng não ajudou em nada o meu caráter, só me fez ter raiva, ódio de pessoas do tipo daquelas que me enchiam.

Karoline disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cereja disse...

Eu sofri bulling na escola, mas nunca foi tão intenso e nem constante. Houve fases em que alguém resolvia me tirar pra Judas e os outros alunos entravam na onda. Às vezes durava meses, às vezes acabava logo. Geralmente eles achavam outro deslocado pra zoar e esqueciam de mim.
Pra mim a pior parte nem eram as piadinhas e os apelidos (agressão física foram poucas), pra mim o pior eram os meus "amigos" dizendo que eu tinha que "mudar meu jeito de ser" pra que as pessoas parassem de me zoar.
Nunca mudei minha personalidade em função de uns idiotas que achavam legal infernizar alguém por não pensar como eles e me orgulho disso. Até hoje (com 27 anos) ainda tenho dificuldade de confiar nas pessoas e muita gente me julga "esquisita" seja lá o que isso signifique. Mas eu gosto da minha "esquisitice" porque ela é minha.

Eu super recomendo terapia pra falar sobre isso. Procure um/a psicólogo/a com quem você se dê bem e fale sobre isso. Vai ajudar a se abrir mais e vai te ajudar a lidar com essas inseguranças que fazem você mudar de faculdade e de emprego.

Georgia disse...

De certa forma, me identifiquei com o post. Mas mais ainda, com o comentário da Ju. Loira, olho azul, magra, nada disso impedia de sofrer bullying. É pq eu não era rica, não tinha o tênis da moda, e não era popular pq ainda não tinha um corpo uau aos 13 anos... me chamavam de leite ninho, albina, etc... Eu tb queria entender porque as crianças são assim.
Mudei de colégio assim que conclui o primeiro grau, e ao trocar de escola foi ótimo. mas as lembranças do primário são super desagradaveis.

Hoje em dia, tenho contato com várias pessoas daquela época, não tenho remorso. Mas é inegavel que até hoje eu lembro com angustia daqueles dias de escola.

Spring Warrior disse...

Eu já passei por bullying na 4a série. Foi um ano infernal. Felizmente, nunca mais passei por isso.

Imagino um pouco o que você passou. Ninguém merece passar por isso na infância ena adolescência.

Ana Carolina disse...

Esse é um assunto delicado pra mim, por causa da minha história, mas vamos lá.

No ensino fundamental tive algum *início* de bullying, mas com a intervenção dos meus pais e da escola (e ter espancado o bullie), morreu ali e não foi para frente.

Aí no fim do ensino fundamental mudei de cidade e meu ensino médio foi feito numa escola extremamente competitiva - escola federal de nível altíssimo, com vestibulinho e que te dá um carimbo de "elite intelectual" para alimentar sua arrogância.

Aí eu conheci o equivalente do inferno na terra.

Era uma boa aluna, gostava de participar das aulas. Mas era gordinha e otaku, ou seja, precisava ser eliminada pelos bullies. E foi duro: todos os dias eram agressões, piadas, não conversava com ninguém porque as pessoas estavam mais interessadas em rir do que em serem amigáveis. Sofri todo o tipo de abuso emocional - e, quando procurei os professores, não fizeram nada além de pôr panos quentes, aliás, havia professores que além da vista grossa para os abusos até os estimulavam. Até abuso sexual tem no meio - e só consegui perceber como abuso sexual anos depois.

Minha auto-estima não existia mais, naquele ano estive muito perto do suicídio, pq me achava sozinha, desamparada e cada dia de escola era um dia de inferno. A sorte foi que houve uma greve naquele ano, porque não sei o que seria de mim.

As coisas acabaram bem, porém. Aconteceram outras coisas horríveis nesse meio-tempo e que só muito recentemente ando conseguindo ressignificar, mas na volta do colégio consegui fazer amigos - que também eram da turma dos rejeitados do colégio, cada um por seus motivos - e me tornei uma pessoa extremamente babaca e agressiva com as pessoas do colégio em geral, pq pra que ser educada de volta com quem nunca o foi comigo.

Só que isso teve consequências péssimas para minha vida: NUNCA MAIS quis me destacar em nada, o que foi desastroso para minha faculdade e minha carreira. Também peguei bloqueio de estudos - é muito difícil para mim ter interesse por estudar, por sentar e ler uma matéria. E também sempre estive na defensiva no relacionamento com meus colegas de faculdade, o que me privou de aprofundar relações com pessoas de quem realmente gostava. E até hoje, doze anos depois do primeiro ano, dez anos depois do ensino médio, tento lidar com as consequências disso para minha vida. Muitas coisas já consegui rever - mas outras feridas são muito mais profundas.

Aí estão fazendo uma festinha de dez anos de formatura do ensino médio. Não poderia me importar menos e desprezar mais aquelas pessoas, não consigo e nem quero perdoar.

Léty Hyuuga disse...

Francamente, não sei quem é pior: os alunos que te perseguiram, a escola que se omitiu vergonhosamente e de certa forma incentivou as agressões, ou a sua família tão omissa quanto, que sequer investigou mais a fundo o que te incomodava. Me perdoe por estar falando dessa forma da sua mãe, mas a impressão que fica é que ela, por ser "pop" com as outras mães, não queria se indispor com elas e perder o status, então foi mais fácil fechar os olhos diante do que você estava passando, dizer que "não era nada" e ainda culpá-lo, por não fazer amigos. É revoltante, o tanto que algumas pessoas são despreparadas para criarem seus filhos. E não digo isso só da mãe do H., já vi vários casos assim, inclusive na minha família.

Achei excelente a ideia da Lola. Procure mesmo a escola e sugira a palestra, pois eles provavelmente vão recusar, e aí não terão do que reclamar, quando você procurar o jornal. Faça mesmo, escreva o artigo, cite a escola, ponha a boca no mundo, pois é inaceitável que você tenha sofrido tanto (e continue sendo afetado por isso) e ninguém seja responsabilizado pela pior época da sua vida. Sem contar que você estará ajudando os outros alunos que estão lá, pois é certo que o bullying continua nessa escola. Você estará ajudando a tornar o mundo melhor, sem exageros. :)

Força, e se abra com sua namorada. Com certeza ela te apoiará. ;)

TAMIRIS RODRIGUES DA COSTA MARTINS disse...

Sofri Bullying minha vida toda e minha história é muito parecida com o relato exposto, sendo que no meu caso, ao final do ensino médio, culminou em uma crise nervosa que resultou em paralisia facial... Horrível...

Até hoje quando eu encontro algum dos meus perseguidores, meu coração dói.é uma marca que fica pra sempre.

paula disse...

Lola, nada a ver com o post, mas já viu a versão dos homens pra esse projeto, que interessante?

http://noticias.uol.com.br/album/2013/09/26/homens-vitimas-de-violencia-sexual-revelam-frases-de-agressores.htm?abrefoto=5#fotoNav=11

Koppe disse...

Eu passei por experiência semelhante, por anos. Não sou baixinho, nem gordo... mas sempre fui tímido, introvertido. Não tinha os mesmos gostos e os mesmos interesses que a maioria, na primeira série era o único que já sabia ler enquanto não sabia chutar uma bola no jogo de futebol, enquanto quase todos os outros eram o contrário. Claro que ser "esquisito" logo atraiu os praticantes de bullying, palavra que na época nem se ouvia falar.

Daí por diante o roteiro é bem parecido com o do autor do post. Agressões e humilhações constantes, indiferença dos professores e professoras, seguido de punições conjuntas quando reagia ou a coisa se tornava mais séria.

Quem é alvo constante de bullying por parte de muitos, acaba sendo visto como aluno-problema. Num dia um vinha contra mim, no outro dia era outro, e no outro dia um terceiro, as professoras e diretora montedebosta só viam que em três dias eu fui pra diretoria 3 vezes enquanto cada um deles foi só uma, então o problema devia ser eu.

Outro problema é que em colégio público sempre tem muitos repetentes (ou tinha na época). Os líderes do bullying eram alunos mais velhos, que sabiam conversar melhor, se explicar melhor e mentir melhor pra se fazerem de santinhos, enquanto eu sempre procurava evitar interagir e na hora de falar simplesmente ninguém acreditava em mim, até hoje não sou bom em me expressar. Ou, quando acreditavam, sempre concluíam que "é só brincadeira" e eu é que devia saber me integrar melhor. Além do que, alguns desses alunos mais velhos já trabalhavam e ajudavam em casa, então eram vistos como "coitadinhos" pelas professoras.

Eu não era o único alvo, mas com o tempo acabei virando um dos alvos preferenciais, porque já era malvisto pelas professoras e diretora, e também porque era mais fraco e não sabia brigar. Depois de um tempo, até alguns outros alunos que sofriam bullying também começaram a vir contra mim. Quando passei pra quinta série mudei de escola e a coisa continuou e foi piorando, se tornou cada vez mais comum o bullying evoluir pra agressão física quase todos os dias.

O problema maior nem era eu não saber brigar, o problema é que eu tinha medo, não dos que me humilhavam e agrediam, mas das conseqüências de bater ou machucar algum deles. Na hora de bater eu hesitava, e acabava apanhando porque não tinha coragem de bater de volta. Nas piores épocas, eu cheguei a levar objetos cortantes pra escola, que pretendia usar como arma pra me defender. Mas não sei se na hora H ia conseguir fazer isso, porque não sei de onde tinha absorvido essa idéia de merda que não se deve reagir, que não se deve combater fogo com fogo, e no fundo isso sempre me impedia de reagir com eficiência. Isso é a maior bobagem, quem se deixa vitimar uma vez vai ter que se deixar vitimar sempre porque quem gosta de humilhar os outros nunca fica satisfeito e sempre vai querer repetir, cada vez pior. A não-vilência pode parecer um conceito muito bonitinho na teoria e na história, mas na prática não ajuda em absolutamente nada pra quem tá sofrendo bullying. Usar de violência pra se defender ou reagir a uma agressão é perfeitamente justificável, no mundo em que vivemos muitas vezes é questão de sobrevivência.

O que o Roberto Lima falou no comentário anterior é a pura verdade, tem que reagir. Eu só consegui mudar minha situação quando bati num pra valer, sem medo de conseqüências. Depois disso começaram a me deixar em paz, o tratamento de todo mundo comigo mudou de vez. Hoje em dia se alguém me diz que tá sofrendo bullying meu conselho é esse, reagir, revidar, entre tu e o inimigo, que ele leve a pior. Prefiro mil vezes ir buscar um filho ou filha na diretoria ou mesmo na delegacia porque revidou bullying e machucou alguém, do que ter que ir buscar na terapia por causa de traumas.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Você sou eu.

Queres ouvir a Voz do Lado Negro? Não faça a palestra, faça direto o artigo para o Jornal, não cite APENAS nominalmente a Escola, mas cite as famílias dos piores, faça a caveira delas. Mas DEIXE CLARO, que tu és MUITO bem sucedido, para que eles se sintam não apenas um lixo, mas um lixo caipira de uma cidadezinha esquecida pelos deuses.

Patty Kirsche disse...

Que horror, bullying é um lixo. Também sofri muito. Chegava a ter medo de passar por certas partes da escola, tinha gente que mexia em minhas coisas... A verdade é que essas crianças estão canalizando seus instintos sádicos em quem elas consideram que merece sofrer por incomodá-las de alguma forma. Tenho certeza de que crianças discriminam porque isso está na cultura delas.

Aline Peres disse...

Eu acabei de sair no Ensino Médio, e por isso me recordo exatamente o bullying que sofri no colégio. Eu era nerd demais para os populares, então eles só sabiam me fazer passar vergonha... mas sabe? Eu não ligava muito!
Sofro bullying até hoje por ser vegetariana!Isso sim me incomoda, porque é uma escolha que eu fiz, e não estou fazendo mal a ninguém com isso, muito pelo contrário..
Enfim, as pessoas implicam com tudo!!! Tá tudo errado.

Adorei o post.
Beijos.
http://distantedoquesou.blogspot.com.br/

MonaLisa disse...

Acho que o maior problema é aquele lixo daquele ECA e aquela lei estúpida de que não pode mais expulsar alunos.

Eu aprontava muito com um fdp que fez slut-shumming contra mim, fiz 'ele' (eu planejava pra botar a culpa nele)fazer inúmeras barbaridades contra mim e eu ouvia por traz da porta da direção e ouvia a diretora falando que não podia expulsar ele, por causa da lei, bla bla bla.

Por que as crianças que passam por isso e não tem apoio nem da família não procuram a policia ou o conselho tutelar por conta própria?

Jéssica disse...

Também passei por bullying, varias vezes por grupos diferentes de pessoas, do primário ao ifm do ensino médio, sendo que o pior ano foi o terceirão. Eu morava sozinha porque a casa dos meus pais era muito longe da escola, então nesse ano faltei mais da metade das aulas enquanto "driblava" a orientadora para ela não perceber e ligar para os meus pais. Eu estudava em casa, sempre gostei de estudar, e terminei o ano como a segunda melhor aluna do colégio, para a surpresa dos bullies.

Cheguei a comentar com meus pais algumas vezes, "Espera que passa". Para orientadora e diretora? Daí o problema era eu. E sim, reagir é a melhor coisa possível, foi só quando me enfureci no meio de uma aula por estarem tacando coisas em mim e fui para cima da carteira do bully principal que as coisas melhoraram. Eu ameacei denunciar na policia, ele riu da minha cara, eu ameacei mais, com a mão fazendo força na mesa dele, ele se levantou e ameaçou me bater, eu mantive minha posição (eu pensava que se ele me batesse melhor ainda, só me daria provas para ferrar com ele), ele teve que se render e sentou de volta na cadeira, mudo. A partir daí os bullies passaram a tomar o cuidado de me xingar a metros de distancia, o que melhorou bastante em relação a ser cercada e seguida após a aula.

No meu caso, os bullies sempre foram homens. Motivos? Ser nerd, estranha, pouco feminina.

Depois do fim do Ensino Medio não tive mais problemas com bullying, mas trago consequencias na minha personalidade, como ser uma pessoa que valoriza agressividade e orgulho ("defeitos" que me protegeram na época), ainda tenho certo problema com interações sociais, para demonstrar emoções "fracas" (chorar aumentava muito o bullying) e para confiar nos outros.

Eu considero que isso é um problema da escola, já que conheço outros casos de bullying pesado e traumatico nesta mesma escola (Educandário Imaculada Conceição, em Florianópolis, SC, escola católica).

Para completar, a escola deixava professores falarem obcenidades para alunas, não havia suporte para denunciar abuso sexual. O colégio também era extremamente machista e não fazia a menor questão de disfarçar que para eles um garoto com notas altas valia mais que uma garota, a ponto de dar prêmios e incentivos para o primeiro e menosprezar descaradamente a segunda.

Jéssica disse...

Na verdade, uma exceção: A "cabeça" do bullying ao redor da 7 série foi uma mulher, ex-amiga minha. Foi bem menos traumatico que o do Ensino Médio, e no caso dela eu fiquei sabendo do motivo anos depois: Ela era apaixonada por mim. Em um mundo homofóbico desses, acho compreensível que ela tenha ficado com raiva de mim (seja por eu "ser a causa" do "problema" dela, por eu não corresponder, ou os dois). Ela chegou a pedir desculpas e como foi um bullying mais leve que o do EM e eu de certa forma compreender a situação dela, esse foi um bullying que eu perdoei.

Unknown disse...

Quando criança eu também sofri muito bullying, pois era uma criança gordinha e tímida. Na adolescência, o bullying continuou por causa da minha timidez e pq eu não compartilhava dos interesses mesmo classe (futebol, falar de meninas - sou gay).
Até hoje, uns 10 anos depois, ainda vejo os efeitos do bullying em mim. Não consigo me relacionar com ninguém (nunca namorei, por exemplo), sou extremamente ansioso e, como o autor do texto, sempre acho que as pessoas estão rindo de mim, me olhando com desprezo.

Eu achei que tivesse superado muita coisa, mas há uns dois anos eu vi na rua um dos caras que me sacaneava. Meu coração disparou e eu comecei a suar frio. Todo aquele medo que eu sentia durante os ataques voltou. Cheguei ao ponto de me esconder atrás de um carro. Pensa no absurdo: um adulto agachado atrás de um carro para não ser visto por um antigo algoz.
Sinceramente, acho que nunca vou superar por completo aqueles anos de perseguição.

Como o autor, eu também procurei ajuda com dois professores (o de física, que era o mais bravo; e o de literatura, que era o que eu mais gostava), mas os dois me ignoraram e nada fizeram.

Torço para que o autor do texto consiga abrir com a namorada e encontre o apoio necessário.

Shizue Hokado disse...

Lola, nao sei se voce ainda tem contato com esta pessoa, mas lhe peco que o informe que existe uma imensa chance de que ele sofra de Transtorno de Estresse pos traumatico de acordo com o que lee descreveu. Se este for o caso, ele precisa de ajuda.

Perdao pela falta de acentos, nao estou no brasil e meu teclado nao os tem.

Tayná Mirella disse...

Sofri bullying por ser acima do peso, por não ter pai e pelo fato da minha mãe ter que morar em outra cidade para trabalhar. Falavam que meu pai nunca me quis por eu ser gorda e minha mãe havia conseguido esse emprego para fugir de mim. Me batiam, me chamavam de coisas que eu travo ao ouvir de alguém aleatório. Um deles fez eu segurar o pênis dele e depois mentiu na cara dura, se fazendo de inocente... Cara, eu só tinha 10 anos! Eles usavam qualquer coisa para me chatear. Perdi minha autoestima, perdi minha alegria de viver aos 11 anos. Tentei suicídio nessa idade pela primeira vez, quebrei espelhos no soco ao ver minha imagem. Eles destruíram minha vida. Às vezes penso que tive culpa, porque preferia ir para rua ser humilhada do que ficar dentro de casa (eu não tinha um bom relacionamento com meus avós).
Hoje, com 20, ainda não superei. Já cheguei a vomitar ao vê-los. Minha amiga da faculdade já teve que pegar na minha mão porque eu não conseguia parar de tremer uma vez que dois deles passaram em frente. Em março, eu tentei suicídio de novo por conta da depressão. Eu realmente NUNCA superei os abusos psicológicos.
As pessoas geralmente dizem que isso foi besteira, que era brincadeira de criança, que eu provocava, etc. Falam para eu esquecer, como se fosse possível morando no mesmo quarteirão e mesmo bairro que os 4.
Tratamentos psicológicos, psiquiátricos, anti-depressivos me fazem esquecer as coisas que aconteceram, às vezes onde eu me senti um lixo, os dias que eu olhava para a linha do trem pensando em me deitar lá.
Eu sonho, de verdade, em ir no velório deles!

fkaugusto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joseph K disse...

Meu caso nem de longe foi tão grave assim, mas foi bem traumático. Eu era nerd e fraquinho, usava aqueles óculos horrorosos e era muito esquisito pro padrão de beleza. Os colegas e “amigos” faziam brincadeiras bem ruins no intervalo, e embora eu não fosse o principal alvo, sofria demais com isso. Não me sentia bem com minha turma de “amigos”, mas não tinha mais ninguém pra conversar. Era muito zoado e com o tempo fui ficando isolado, batendo papo com um ou duas pessoas. Não tinha vida social e passava os finais de semana vendo televisão, deprimido. Me lembro que uma vez minha Irma, me vendo naquela situação, me perguntou se eu era feliz. Eu sabia q eu não me encaixava no mundo, mas não entendia bem o porquê. Só fui ficar com alguém depois dos 18 anos. Sexo só depois da faculdade. Sempre me senti inapto pra essas coisas, e me achava um zero a esquerda.
Com o tempo fui percebendo as marcas que deixou. E isso é o que dói mais, principalmente no meu caso, em que eu demorei a entender todos esses abusos. Me tornei uma pessoa extremamente retraída (coisa que eu não era quando criança), tímida mesmo. Curioso que isso sempre pareceu natural pras outras pessoas (“ele não sabe se enturmar”). O resultado é que eu tive que “aprender” essas normas de convivência, a se aproximar das pessoas, a se aproximar das mulheres etc. Como no caso do autor do tópico, só fui me livrar e me sentir bem comigo mesmo na faculdade. Também tenho auto-estima muito lá embaixo e muitas vezes acho que as pessoas estão passando por cima de mim. O pior é que você se acha o centro do universo, sempre pensando que aquela pessoa no ônibus está olhando e rindo de você, “o que as pessoas vao pensar de mim andando desse jeito, falando assim...?”. Demorei muito pra me soltar, pra ser eu e não me importar com os outros. A minha sorte é que eu fiquei até bonitinho e consigo me encaixar na categoria social que não é discriminada (homem, branco, hétero etc.). Também me tornei uma pessoa mais explosiva e retraída ao mesmo tempo. Ou seja, vou de 0 a 100 em poucos segundos. Ou fujo da adversidade ou não agüento e explodo. Já tive três ataques de fúria violentíssimos, a ponto de jurar outra pessoa de morte e duas ou mais pessoas terem de me segurar. Isso tudo porque eu aprendi que a gente “tem” que revidar, que não pode deixar barato, como comentaram aí em cima...Pois é, será que eu me ajudei com isso?

Outra coisa que o relato dele me provoca é imaginar que a misoginia também pode ser resultado, em alguns casos, de agressões desse tipo. Ele relatou que sofria abuso das garotas. Eu também. E o pior que, por ser um nada a respeito do sexo, cresci em um circulo pequeno de amizades bem machista, sem a presença feminina. Pra piorar de vez, assistia aqueles desenhos japoneses que reproduzem o ideal do garoto pobre coitado que encontra a garota pobre coitada ou coisa que o valha, como se isso fosse um “prêmio” pelo sofrimento passado. Você cresce se sentindo injustiçado, com raiva daquelas garotas que escolhem o cara fortão e idiota que depois jogava ela pra escanteio. Hoje realmente sinto muita pena (de verdade, sem ironia alguma) das mulheres que para se sentirem aceitas precisam entrar no jogo da dominação masculina e se tornam o objeto que a sociedade prega na TV, na mídia, no senso comum, no discurso da família etc.
Comentaram por aí que o ECA proíbe os alunos de serem expulsos. A bem da verdade eu não sei, mas acredito que o ECA deve ressaltar o caráter pedagógico dado ao tratamento do bullyng. É claro que em alguns casos a expulsão do aluno ou troca de escola seja benéfica pra evitar atritos, mas se formos trocar todos os alunos agressores/agredidos de escola nós não vamos estar apenas mudando o problema de lugar? Nos casos mais leves, acho que uma terapia de grupo pode ajudar. Punir por punir não resolve o problema. Nós fazemos isso tanto com jovens e adultos e não resolveu os problemas de intolerância e de criminalidade que nós temos.
Desejo muita força. Abs!

Iceman disse...

Sinto muito pela franqueza, mas a culpa é do seu pai e da sua mãe.
Bullying não educa, nunca concordei com isto.
Mas o papel de pai e mãe é educar e preparar o filho para lidar com a vida, inclusive para lidar com o bullying.
Tenho certeza que se da primeira que alguém tivesse feito graça ele tivesse derrubado o cara e quebrado o braço dele, ninguém ia mexer com ele, nunca mais.
Aconteceu comigo, qdo eu era garoto, um moleque cuspia na minha cara todo dia na fila para entrar para a sala.
Fui falar com a coordenação e nada resolveram. Na segunda vez eu fui e falei que como eles não fizeram nada quem ia fazer era eu. Qdo o cara voltou, meti a mão na cara dele.
Nunca mais.
O bullying tem uma grande parcela de responsabilidade da vítima, porque a atitude passiva convalida a agressão.
Filho meu não é saco de pancada, já falei isso para eles, tanto é que ambos praticam jiu-jitsu e já falei isso na coordenação da escola.

donadio disse...

O ECA é um instrumento indispensável para coibir a violência contra crianças e adolescentes. Em especial a violência contra crianças e adolescentes pobres. E particularmente a violência policial contra adolescentes e crianças pobres. É por isso que maus policiais fazem campanha permanente contra o ECA: porque impede, ou dificulta, que eles "resolvam" crimes simplesmente atribuindo-os, sem investigação e sem provas, ao garoto pobre mais próximo disponível.

O ECA não impede transferências de meninos e meninas em função de problemas disciplinares, e não impede que os casos mais graves sejam comunicados à autoridade policial (que deve trabalhar em conjunto com os Conselhos Tutelares, etc, em vez de mentir para a população que "não pode fazer nada por que o ECA não deixa").

Por outro lado, expulsar alunos que cometem bullying não vai resolver problema nenhum: se a escola não é o lugar onde eles vão aprender a não abusar dos outros, onde é que eles vão aprender?

(Em tempo, antes que alguém venha dizer que só quem foi vítima de bullying pode entender a situação ou dar palpite sobre o assunto, eu fui sim vítima de bullying quando criança e adolescente.)

donadio disse...

Quanto à idéia de que reagir ao bullying com violência resolve o problema... é, resolve. Se você for mais forte que o bully, ou souber lutar melhor que ele. E se o bully for um só e não tiver uma rede de amigos que ele possa mobilizar para colocar você de volta em seu lugar.

Mas se o bully tiver o dobro do seu tamanho, lutar caratê, ou puder juntar uma turma de três ou quatro para quebrar sua cara, não recomendo.

E como as vítimas de bullying com frequência são fisicamente frágeis e impopulares, acho que a grande maioria dos casos não se resolve, e nem pode se resolver, pela retaliação violenta.

Anônimo anonimato disse...

Engraçado vocês falar em bullying. Isso não é bullying?

Unknown disse...

Claro...é muito fácil reagir quando o bully é mais de um ou maior e mais forte que você!
Sofri bullying na escola durante todo o primeiro grau e, mesmo na maioria das vezes reagindo a altura (nunca fui magrinho ou baixinho), não parou. Assim como a maioria, a escola nunca ajudou muito e na minha introversão juvenil, pouco falava disso aos meus pais.
Achar que a vítima tem alguma responsabilidade no que fazem com ela é absurdo e chega a ser maldoso. Repense suas opiniões, Iceman.

m. ovelha negra disse...

a diretora me lembrou a diretora da minha escola. Quando tinha uns 12 anos eu não tinha muitos amigos, na verdade eu era bem esquisitinha porque fui criada com pais meio alternativos, usava óculos e tal, nunca sofri bullying forte mas era zoada por ser aquela pessoa desengonçada da turma.Nessa época eu tinha só dois amigos que eram meninos, estávamos naquela fase de fulano gosta de sicrano e na verdade os dois eram afim de mim. Eu na época nem pensava em ficar com ninguém mas esses meus amigos começaram a pedir para que os amigos deles me fizessem ficar com eles(os respectivos amigos de cada um), e no final nem amiga mais desses meninos eu era. O problema é que foi ficando cada vez mais pesadas as tentativas desses meninos, as vezes eles me trancavam na sala com um deles, faziam com que eu fizesse dupla sempre com um deles e coisas assim (Nada muito extremo, mas aos 12 anos pra mim isso era muito ruim), então cheguei um dia e falei com a diretora reclamando que eu não aguentava mais aquilo, ai ela ficou rindo da minha cara falando que isso era brincadeira de menino, e que era bonitinho que eles gostassem de mim. Poucas semanas depois tivemos uma excursão e quando deu no meio da noite a menina que estava sentada do meu lado saiu um dos meninos sentou do meu lado e toda a turma fez uma roda pra que eu não pudesse sair, e ficaram lá ate que o menino me conseguiu me beijar. Sei que depois disso me fechei e não conversei com mais ninguém por muito tempo, e ate que eu mudei de escola isso já no ensino médio eu não tive coragem nem de fazer amizade com nenhum menino, mas até hoje eu lembro da diretora que via isso como uma brincadeira apenas.

Caos disse...

Sofia L.B., assisti o documentário que você recomendou! Chorei um pouquinho.
Muito bacana!

donadio disse...

Anônimo das 17:01,

não entendi muito bem seu ponto. Vc está dizendo que o deputado Feliciano ter passado por esse constrangimento justifica o massacre diário contra milhares de crianças no mundo todo? Ou que para ter o direito de reclamar contra o bullying nas escolas, é preciso se manifestar contra o que aconteceu com o deputado?

Se é a primeira, não merece resposta; se é a segunda, não sei se o que o deputado Feliciano sofreu constitui ou não exatamente "bullying" do ponto-de-vista técnino, mas não acho que seja justificável. Especialmente por que um dos rapazes chega ao ponto de fazer contato físico com o deputado. Então, eu não faria, e não acho correto fazer. Acho inclusive que o ocorrido pode caracterizar ilícito penal.

Mas o deputado não é um(a) menino(a) de escola cujo único pecado é usar óculos, ser baixinho, ou não gostar de futebol. É um inquisidor, responsável por uma tentativa de caça às bruxas contra uma parcela considerável da população. O constrangimento que ele sofreu não é uma coisa gratuita, é um ato político contra as ações também políticas do deputado, que é um perseguidor, um desrespeitador de direitos, e um demagogo inclassificável.

Então o tipo de desacordo que eu tenho com esse constrangimento é coerente com a crítica que eu faço ao punitivismo, às idéias de linchamento de estupradores, à torcida de alguns para que criminosos sejam estuprados na cadeia, etc: nem bandido merece ser tratado assim. Não é da mesma natureza que o desacordo que eu tenho com a violência gratuita contra crianças que por qualquer motivo destoam do padrão.

Satisfeito? Posso agora criticar o bullying? Ou tem mais mimimi?

Maria Valéria disse...

Valido lembrar que em algumas escolas os próprios professores incentivam o bullying.
Na escola onde fiz o ensino médio,tinha um menino que sofria bullying muito pior do que eu , era o " cristo " da classe.Tudo era motivo pra fazerem chacota com ele, ele virou meio saco de pancada dos outros meninos,nao que apanhasse fisicamente( pelo menos nunca vi) mas verbalmente era agredido todo dia.
Tinha uns 2 professores que parece que incentivavam o bullying, faziam brincadeiras com o garoto e o resto da classe se aproveitava e ia na onda,
Nao sei se os professores entraram nessa de inocentes, achando que estavam descontraindo a aula e sem perceber que o menino ja estava sofrendo, ou se faziam por maldade mesmo....caso pra se pensar e pra se discutir nas escolas.

Bianca S. disse...

Nossa, sinceramente não consigo entender o bullying que ocorre nas escolas.
Por que os professores e a direção da escola são tão omissos? Em todo caso que leio sobre o tema a escola não fa absolutamente nada. A escola não é responsável pelo que se passa lá dentro? Como conseguem ver um aluno (a) sendo massacrado (a)e ficarem indiferentes?
Lola, desculpe te perguntar, mas o Raziel não é aquele cara que, aproveitando-se que você estava viajando, surtou e ficou fazendo chacota com uma leitora dizendo que ela foi estuprada?
Pensei que nunca mais iria ler um comentário dele nesse blog.

Maria Valéria disse...

Nao sei como e em escolas públicas, mas posso garantir que em escolas particulares os professores e direção nao tomam medidas contra o bullying e põem panos quentes porque nao querem perder aluno$$ , digo, mensalidade$$$
Tenho um amiga, professora universitária de escola particular que sofreu bullying dos próprios alunos, adivinha o que aconteceu quando ela reclamou? Perdeu o emprego, claro...
Respondi sua pergunta, Bianca?

Anônimo disse...

Eu nunca disse que reagir é fácil.
Pelo contrário, reagir é uma das coisas mais difíceis que existe.
Mas, quais opções a vítima tem?
E também eu nunca disse que era para reagir de qualquer jeito, parece que vcs nunca assistiram Karatê Kid.
Karatê Kid nada mais é do que uma história sobre bullying. Para verem o quanto o problema é antigo.
Reagir de qualquer jeito vai dar merda mesmo, mas se a vítima se preparar, começar a treinar, se desenvolver fisicamente para ficar mais forte e aprender alguma arte marcial, com certeza ela será capaz de reagir.

Florzinha disse...

Me revolto qdo ouço " qdo eu era criança não existia esse tal de bullying", "faziam essas brincadeiras comigo e não fiquei traumatizadx". As pessoas se enganam mto achando q essas coisas horríveis não deixam marcas emocionais nas pessoas.
Como professora, na maioria das vezes, me sinto de mãos atadas nessas situações pq a direção e outrxs colegas costumam subestimar o potencial dessas "brincadeiras" e trtam a vítima como x alunx chatx q gosta de reclamar.
Como mãe, me preocupo com a postura q terá a escola do meu filho, qdo ele estiver na idade, não importa de q lado ele esteja.

Anônimo disse...

@ Bianca:
Justamente por ser responsável é que as escolas fazem vistas grossas e tratam o bullying como coisa de somenos importância.
Afinal, se ela "enxergar" o problema (entre aspas mesmo porque todo mundo sabe que existe), vai ter que tomar providências, aí complica, pq vai entrar o Ministério Público no meio, pq vai ter processo, pq os professores, diretores etc correm o risco de serem processados também etc., etc., etc.
Se for escola particular, tem medo que de os pais processem a escola, os professores têm medo de que os pais - ricos, diga-se de passagem -, reclamam e elas sejam demitidas e por ai vai.

Por isso que o bullying deve ser combatido, primeiramente, em casa, observando e monitorando a criança para ver se ela está sendo vítima, ensinando o filho a lidar com ele, orientando, ensinando táticas e estratégias para evitar os abusos.
Colocando-o para aprender alguma técnica de defesa pessoal e por aí vai.

E por mais que tenham falado que de um ou de dez, a questão não é apanhar ou bater, a questão é a passividade.
Toda passividade convalida o abuso.
Em momento nenhum eu disse que a vítima é culpada pelo abuso que sofre, só disse que se ela não reagir (seja se defendendo, seja indo à polícia, seja mudando de escola ou até mesmo de cidade), continuará sendo vítima, só isso.

É como uma mulher ser estuprada por alguém que mora na mesma casa que ela e ficar quieta, sofrendo em silêncio. A culpa não é dela, mas os abusos, diante de sua passividade, vão continuar.

Karolayne Ambrosio disse...

olha n sei o q eu faço to sofrendo de bullying na escola minha vida é um inferno desde o ensino fundamental a galera me zua por ser alta e magra me chamam de demonio ja tentei me matar mas n consegui.estou cursando 1 ano do ensino medio e é a mesma coisa a galera me zua me xinga eu n tenho amigas e amigos,amigos pq os meninos q me zoam me humilham amigas por q ninguem quer ser amiga de uma magricela alta as pessoas me odeiam acho q n vou suportar ser assim eu n pedi para nascer eu so quero ser como as outras meninas elas sao populares e n tem problemas com os meninos

anonimo disse...

Quantas modelos passaram por isso, pode ter certeza q vc sera uma mulherao.
Seja forte nao deixe isso abater vc