domingo, 1 de setembro de 2013

ALTERNATIVAS PARA NÃO SE MACHUCAR

A Fernanda traduziu esta lista que viu num tumblr para pessoas com ansiedade, depressão, ou que praticam auto-mutilação. Segundo ela, há pouca informação sobre self-harm em português na internet, e esta lista num blog conhecido pode ajudar muita gente (e, claro, pode ser útil a quem sofre de outros distúrbios também).

Fernanda: Há algum tempo, vi no Tumblr esta lista de alternativas para quem se automutila e decidi traduzi-la. Automutilação (mais conhecida como self-harm ou cutting) é um distúrbio de comportamento que faz com que a pessoa agrida o próprio corpo ao sentir profunda tristeza, raiva, nervosismo ou viver um trauma. Quem sofre desse hábito relata estar tentando expor a dor que sente dentro de si, como se fosse possível trocar a dor emocional por uma dor física, uma dor mais fácil de tratar. Uma das coisas que impede quem passa por isso de buscar ajuda é a discriminação vinda de quem não conhece o assunto. 
Eu não entendo como alguém pode julgar como frescura outra pessoa querer expressar seus sentimentos e não conseguir. Todos nós sabemos como é difícil viver, amadurecer, encontrar seu lugar no mundo, então me parece lógico que quando alguém recorre a uma medida extrema para lidar com isso, as pessoas ao redor tentem ajudar. Mas, para muitos, parece ser mais fácil apontar o dedo e se distanciar do problema. Para saber mais a respeito, este documentário tocante (trigger warning) mostra relatos de pessoas que se automutilam e o parecer de alguns profissionais. A quem pratica a automutilação, eu desejo muita força. Você não está sozinhx.


Alternativas pra quando você está se sentindo irritado ou impaciente: 
- Rasgue jornais, fotos ou revistas;
- Vá para a academia, exercite-se, dance;
- Transforme em desenho o que está te fazendo irritado;
- Bata num ursinho de pelúcia, quebre galhos ou corte frutas; 
- Escreva seus sentimentos em uma folha e depois rasgue;
- Atire cubos de gelo em uma pia, árvore, etc;
- Grite com o que você está quebrando e diga por que você está irritado, triste ou ansioso.

Alternativas que dão sensações (diferentes de dor) sem machucar a si mesmo:
- Segure cubos de gelo;
- Coloque suas mãos debaixo de água gelada, beba água gelada ou molhe seu rosto com ela; 
- Passe cola líquida nas mãos e depois descame-a;

- Massageie o lugar que você quer machucar;
- Tome um banho quente;
- Escreva ou pinte no seu corpo;
- Jogue queda de braço com alguém;
- Morda uma pimenta ou mastigue gengibre;
- Esfregue essência debaixo do seu nariz;
- Passe Bálsamo do Tigre (ou Vick Vaporub) no lugar que você quer machucar (Bálsamo do Tigre é um creme relaxante muscular que dá uma sensação de quente e frio ao mesmo tempo);
- Pule para sentir a pressão nos pés;
- Escreva em seu corpo com caneta vermelha;

- Pegue um tubo de tinta vermelha e passe onde você quer machucar;
- “Corte” sua pele com esmalte, é gelado e difícil de tirar;  

Alternativas que vão te distrair ou ocupar seu tempo:
- Diga “Eu vou me machucar daqui a 15 minutos se eu ainda quiser” e continue por períodos de 15 min até a vontade passar; 
- Conte até dez cada vez mais alto até gritar;
- Termine algo que você tinha deixado para depois;
- Adquira um novo hobby;
- Conte de 500 a 1000;
- Conte luzes ou casas em volta de você;
- Arrume seu guarda-roupa de acordo com tons de cores;
- Ligue para um velho amigx;
- Carregue coisas que não sejam afiadas em seus bolsos;
- Organize seus CDs/DVDs em ordem alfabética;
- Cozinhe;
- Experimente looks de roupa diferentes; 
- Crie uma história em quadrinhos;
- Compre uma planta e cuide dela;

- Memorize um poema que você gosta;
- Aprenda a dizer palavrões em outra língua;
- Vá para fora e observe as nuvens, as pessoas passando;
- Planeje uma atividade para a hora do dia que é mais difícil para você;
- Saia para passear sozinho;
- Faça uma lista de pessoas para quem você pode ligar para te ajudar. Permita-se usar essa lista;
- Preste atenção nos movimentos rítmicos do seu corpo (respiração, batimentos cardíacos, passos);
- Escolha um objeto aleatório e liste 30 diferentes usos para ele;
- Faça uma corrente de papel colorido onde cada elo represente um dia/hora que você ficou sem se machucar, quando não conseguir, acrescente um elo de papel branco. Assim você poderá ver a corrente crescer e as vezes que você não se machucou e como você foi capaz de evitá-las.  

Alternativas para quando você estiver se sentindo triste, culpadx ou solitário:
- Parabenize-se a cada minuto que você conseguir não se machucar;
- Ao invés de xingar a si mesmo por ter se machucado, xingue quando você não se machucar;
- Ligue para um amigo e peça companhia;
- Lembre de um momento feliz e reviva-o na sua mente;
- Elogie alguém;
- Permita-se chorar, essa é uma maneira saudável de liberar emoções;
- Faça ou receba uma massagem;
- Imagine-se vivendo em um lugar perfeito e descreva esse lugar na sua mente;
- Carregue símbolos que lembram coisas/pessoas que você gosta;
- Escreva os pensamentos negativos e depois reescreva-os transformando em mensagens positivas.

Alternativas para quando você estiver em pânico ou assustadx:
- “Veja, escute e sinta” 5 coisas ao seu redor, e depois quatro e três até um. Isso irá te acalmar;
- Medite ou pratique ioga;
- Faça uma “lista do momento”, descrevendo tudo sobre onde você está agora;
- Deite-se, feche os olhos, e inspire durante 4s, segure a respiração por 2s, expire por 4s e segure por 2s. Coloque sua mão sobre o pulmão e faça movimentos circulares com os dedos. Concentre seus pensamentos para esse exercício;
    
Alternativas que, esperançosamente, te farão pensar duas vezes antes de se automutilar:
- Trate-se de maneira gentil;
- Conscientize-se de que a automutilação é um comportamento nocivo. Diga “Eu quero me machucar” ao invés de “Eu quero me cortar”;
- Repita pra si mesmo “Eu não mereço ser machucadx” mesmo que você não acredite nisso;
- Lembre-se que a vontade de se machucar é impulsiva, você só sente vontade por curtos períodos de tempo;
- Coloque um band-aid onde você quer se machucar;
- Beije onde você quer se automutilar ou suas feridas que estão cicatrizando, isso é um lembrete de que você se gosta e não quer fazer isso;
- Preste atenção e tente evitar padrões antigos de pensamentos. Escolha o que você quer pensar;
- Desenhe uma borboleta onde você quer machucar e se a borboleta desaparecer sem você ter se automutilado, significa que ela sobreviveu e voou pra longe, isso dará uma sensação de realização. Se você se machucar com a borboleta lá, você terá que lavá-la e poderá começar novamente desenhando-a. Você pode nomeá-la com o nome de alguém amado;
- Escreva o nome de alguém que você ama e se importa com você no lugar onde você quer machucar, lembre-se de como você é querido por essa pessoa;
- Pense no que você diria para um amigx que estivesse passando pelo mesmo que você e tente ser um bom amigo para você mesmo.

Alternativas para lidar com seus sentimentos:
- Faça uma colagem/montagem de como você se sente;
- Negocie com você mesmo;
- Identifique o que dói tanto que te faz querer agir dessa forma;
- Escreva seus sentimentos em um diário;
- Escreva livremente o que você quiser, não precisa fazer sentido;
- Escreva uma carta para alguém dizendo como você se sente (mas você não precisa enviá-la se não quiser);
- Comece um jornal onde todo dia você escreve três: coisas boas que aconteceram/coisas que você concluiu/coisas que te fizeram sorrir/coisas pelas quais você é gratx. E quando você se sentir triste leia as anotações.  

40 comentários:

Morgana França disse...

Um ótimo post! Tomara que ele atinja um enorme números de pessoas. Irei compartilhar também!

Maria Valéria disse...

Adorei! Espero que ajude e conforte muitas pessoas.bj

Anônimo disse...

a automomutilação acontece por causa da decadencia da família tradicional e dos bon costumes!enquanto não acabarem com o marxismo cultural,a pessoas,especialmente as meninas,irão sofrer!

Anônimo disse...

NOSSA, TUDO A VER ANÔNIMO DAI DE CIMA, FOI POR CAUSA DO MARXISMO QUE MEUS PAIS SE SEPARARAM E POR ISSO QUE MINHA FAMILIA SE DESESTRUTUROU E ME CORTEI. BEIJOS P VC E P SUA IGNORANCIA CULTURAL, SOCIAL E ECONOMICA...

Anônimo disse...

Outra coisa muito importante é escolher algumas dessas atitudes preventivas e faze-las numa sequencia: a reacao em cadeia: passe o balsamo abaixo do nariz, morda a pimenta, rasgue papeis e grite, va dar uma volta correndo no quarteirao, volte e tome um banho bem quente ou bem gelado, depois concentre se em escrever o desenhar, intar uma mandala. Porque as crises emocionais que levam à auto mutilacao sao dificeis de ontrolar om somente um coisa, mas fazendo uma reacao em cadeia delas, é mais eficaz substituir o momento impulso.
Carollinne

Anônimo disse...

Professor realista do ultimo post aqui.

Não tive esse problema aí, mas quando parei de fumar, o que me ajudou foi tomar agua gelada (nunca mijei tanto na minha vida!) e esperar 5 segundos.

Simplesmente batia aquela vontrade violenta de fumar, eu parava, respirava fundo, e procurava "limpar a mente". Quando bate a vontade se você manter o pensamento sobre aquilo ficar se degladiando "devo ou nao fazer" você vai acabar fazendo. Respirar fundo, LIMPAR A MENTE, PROCURAR TER ZERO PENSAMENTOS, e voltar ao que estava fazendo, é muito bom.

Outra coisa é arrumar o que fazer. Desocupação = ente vagando.

De preferencia acordar super cedo trabalhar/estudar muito e chegar em casa exausto, banho e cama direto. rotina de 17/18 horas fora de casa. Assim você não tem tempo para pensar.

Anônimo disse...

Obrigada pela postagem, Lola! Eu não quero mais fazer isso, não quero fazer nunca mais e vou colocar tudo isso em pratica! Obrigada mesmo!

Anônimo disse...

Você não imagina o quanto isso me ajuda... Muito obrigada.

Anônimo disse...

Uma outra dica é fazer um pote de glitter. Vc coloca num pote (desses de azeitona/maionese/palmito) três quartos de água, um quarto de óleo de cozinha, uma colher de anilina e todo o tipo de coisinhas brilhantes que tiver à mão, como glitter, purpurina, lantejoulas, etc. Depois é só tampar e guardar, e sempre que vier a vontade de se cortar/queimar/etc, sacudir o pote e ficar olhando o glitter até assentar tudo. É realmente calmante, além de ser muito bonito.

Anônimo disse...

Obrigada.

Anônimo disse...

o ser humano é doido mesmo,n entendo como alguém pode se sentir melhor se cortando,é uma dor a mais.

Anônimo disse...

Eu tive um principio de depressão, e é incrível como isso me fez uma pessoa melhor, mais sensível as dores que as pessoas podem sentir, e as coisas que podem fazer que as prejudique.

Eu sinto uma profunda empatia por quem faz essas coisas (se corta), é ridículo julgar, na minha cabeça ou na sua pode não fazer sentido mas é a dor daquela pessoa, a gente não pode julgar, desmerecer, falar que é frescura, só ela sabe porque faz isso.

Para todo mundo que faz isso e que está lendo, eu desejo força, acredite vc tem direito e pode ser feliz, eu estou dia a dia pensando desta forma.

Um forte abraço

Anônimo disse...

ja faz um tp q não me corto nem m quiemo. contudo, às vezes, a vontade explode. lembro sempre o q meu namorado disse: 'vai desenhar, rasgar, fazer colagem pq depois q a tempestade passa fica a vergonha, mas s vc tiver a sua produção, alguma coisa se fez ' se criou e aí ao invés de fortalecer a impotencia/medo/vergonha etc. vai-se construindo como q tijolo a tijolo uma ponte

Anônimo disse...

Eu não chego a me machucar, mas tenho sentido essa vontade. É o que autora colocou, dá uma vontade de materializar a dor emocional...
Acho que canalizar pro esporte essa vontade 'de sentir dor' tem me ajudado.

Adriana Nascimento disse...

Não é tão difícil de entender pq tem pessoas que se machucam, eu acho que todo mundo se auto mutila em algum grau. Algumas pessoas roem as unhas, outras mordem o lado de dentro da boca. Claro que não se pode comparar uma unha ruida com cortes e queimaduras, mas eu penso que o processo que desencadeia essa reação é o mesmo pros dois casos.
Penso também que empatia é tudo na vida e se você se coloca no lugar de uma pessoa que se mutila é muito mais fácil ajudá-la.

Anônimo disse...

Queria ter lido isso quando eu tinha uns 15 anos (tenho 24)... Espero que ajude outras pessoas que ainda passam por isso. :')

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Fiquei aqui pensando se hábitos como roer unhas, mexer nas cutículas até sangrar, que muita gente tem (inclusive eu) não seriam "versões mais lights" do problema. Se é que podemos falar assim.
No dia a dia nem sempre sabemos lidar bem com situações que causam ansiedade, frustrações e certos hábitos vão virando válvulas de escape, muitas vezes perigosos.
Muito bom o post.

Anônimo disse...

Uma coisa que eu considero essencial é o apoio dos pais/responsáveis, já que na maioria das vezes, o self-harm começa na adolescência. Prestem atenção nas suas filhas e filhos, sejam abertos o suficiente para seus filhos saberem que podem contar com vocês pra qualquer coisa. Se interessem pela vida deles, as coisas que eles gostam, os problemas que enfrentam (que são complicados sim e proporcionais à maturidade deles). Acho que todo responsável deveria falar sobre tristezas e decepções de uma maneira mais elaborada com os filhos. E claro, ajuda psicológica não tem nada de vergonhoso, aliás, todos nós deveríamos consultar :}

Anônimo disse...

Eu me automutilo desde a adolescência. Na hora do desespero, quando a dor é muito intensa, a vontade de me machucar fisicamente é incontrolável, e aí faço a merda toda. É difícil me controlar na hora, e nunca tinha visto essas dicas. Gostei. Da próxima vez vou me lembrar delas. Obrigada a vcs por publicarem.

Anônimo disse...

obrigada pelo post... de grande ajuda :)

off: lolinha, vc foi na marcha mundial das mulheres esse sábado? vai ter post sobre?

Anônimo disse...

http://mundorealista.com/forum/viewtopic.php?f=14&t=330&start=120


http://mundorealista.com/forum/viewtopic.php?f=14&t=330&start=140

http://mundorealista.com/forum/viewtopic.php?f=14&t=330&start=160

Lola olha o festival de horror..puro racismo nos comentários.

Anônimo disse...

nossa, q lindo este post.

chorei lendo...

eu estou com inicio de depressão e algumas coisas serão bem úteis.

desenhar e escrever valem muita a pena num momento de muita tristeza. minhas melhores produções são nesses momentos.

Margareth Andrade disse...

Eu sofro de automutilação há 15 anos e em alguns episódios esse transtorno me trouxe problemas significativos na minha vida.
Essas dicas são valiosíssimas. Algo que tem me ajudado muito é trabalhar com origamis, tem sido uma grande terapia. O grupo do Ambulatório de Transtornos do Impulso - AMITI, do Hospital das Clínicas de São Paulo tem me ajudado a cortar esse círculo vicioso. O Ambulatório conta com terapia de acolhida em grupo, consultas psiquiátricas e terapia específica. Pra quem é de SP e sofre do problema é uma alternativa de ajuda gratuita. O telefone para solicitar tratamento é o (11) 26617805.

Mariana Dias disse...

obrigada!

Juliana disse...

Eu sofro de skin picking desde os 7 anos (tenho19), arranco a pele dos lábios, dedos da mão e sola do pé. Já procurei tratamento psicológico e não ajudou muito, queria ir ao psiquiatra mas minha família não apoia. Acho que essas dicas serão úteis no meu caso também e gostaria de dicas pra convencer minha família a me apoiar nessa busca pelo psiquiatra. Eles só me criticam por eu me mutilar assim, mas na hora de ajudar eles se negam.

Anônimo disse...

Obrigada pelas dicas.. vou tentar usar o gelo, talvez me alivie nesses momentos. É triste, mas me consola um tanto saber que bastante gente passa por isso também.

God's Secrets of Wisdom disse...

Importante também é, caso a pessoa opte por manter o hábito de automutilação, que tome medidas de redução de dados:

- Carregar sempre consigo uma garrafinha de álcool em gel próprio para higiene, existem muitas que cabem na bolsa e tem aromas agradáveis inclusive. Deve-se aplicar o álcool antes da sessão de automutilação e se possível depois. (particularmente acho a esterilização pós mutilação mais agradável que a mutilação em si)

- usar lâminas de navalha descartáveis, se guardá-las numa caixinha, melhor. Depois de usar, descarte com cuidado.

Anônimo disse...

Imprimindo e plastificando agora.
Muito, muito obrigada mesmo

Anônimo disse...

Juliana

Não sei como é a relação com sua família, mas se vocês são emocionalmente próximos, seja bem direta, chame-os para uma conversa e diga que a atitude deles contigo só dificulta a situação, que se você está pedindo ajuda é porque realmente precisa, que você quer parar mas não consegue, que o papel deles como familiares é apoiar e buscar soluções, que o problema não desaparece só porque eles ignoram. Se você se sente segura, diga como a atitude deles te afeta e que eles já tiveram a tua idade um dia, mas que também cada pessoa tem suas dificuldades individuais.
Você também poderia mandar textos e artigos sobre o assunto pra eles lerem, mostrar a importância de um psicólogo/psiquiatra e tentar convencê-los de irem juntos a uma sessão de terapia familiar, para melhorarem seu relacionamento e escutarem mais o que você tem a dizer.
Deve ser muito complicado depender da família nesse tipo de situação e eles se negarem a ajudar, se a situação é muito difícil, você pode ir por sua conta no psiquiatra mesmo, você não deve explicações sobre toda sua vida, especialmente se você não tem o apoio deles.

Juliana disse...

Anônimo das 16:54, na verdade o problema é bem maior. Minha mãe é alcoólatra e viciada em cocaína, acredito que foi até isso que me levou ao meu problema. Meu pai se separou dela depois de tantas tentativas de internações em clínicas e ambulatório com psiquiatra, acredito que ele ficou meio desacreditado em relação a esse tipo de médico e por isso não me apoia. E com ela não posso contar muito bem, nossa relação é muito instável. Eu, ao contrário dele, acredito sim no tratamento psicológico (que não me ajudou muito) e psiquiátrico, acho que minha mãe não se livrou da dependência porque não quer, como ela mesma diz. No meio disso não sei a quem recorrer e pedir ajuda. Um não acredita nos médicos e a outra não tem nem condições de me ajudar. Sofro muito com a dependência dela desde muito novinha e nunca soube lidar com isso, e agora também não sei lidar com minha compulsão.

Karoliny disse...

Que lindo Lola. Obrigada por esse post. Você me ajuda muito com todos eles e tenho certeza que a outras pessoas também. Esse me atingiu muito, muito obrigada de verdade, pessoas que se auto-mutilam com certeza estarão muito gratas !

Anônimo disse...

Meu nome é Juliana, tenho 16 anos, gostaria de parabenizar o trabalho da lola que me ajudou a entender melhor essa situação que é tão comum. Eu tenho duas amigas que se automutilam. Acho que ninguém postou um depoimento sobre como os familiares e amigos se sentem. Ja faz uns 3 anos que elas vem se cortando e foi muito difícil quando descobri, porque é uma realidade muito diferente da minha. Uma delas já enfrentou bastantes problemas, (uma mãe super protetora, um pai ausente, não se dá bem com a irmã, além da convivência com outras pessoas)já faz uns sete anos que somos amigas então eu meio que acompanhei tudo isso. Eu não entendia como ela tinha coragem e como os cortes conseguiam aliviar a dor então eu fiquei muito triste com isso. Fiz de tudo pra tentar ajudar, tentei dar conselhos, so ouvir, fui paciente e achei que o tempo pudesse fazer com que ela se curasse. Recentemente eu percebi que ela tava fazendo isso na escola e os motivos estavam mais banais como tirar uma nota baixa e etc... acredito que não seja só por isso, o peso é bem maior. Não sei qual a melhor forma de descrever como me sinto quando vejo os cortes. Essa semana vi ela logo após ter realizado os cortes e essa imagem não sai da minha cabeça. Eram retos, espaçados, e ocupavam cerca de 20 cm do braço. Num ato de desespero eu briguei com ela e reconheço que fui grossa. Mas é dificil você ver pessoas importantes na sua vida degradando o seu corpo. Ela estava sorrindo e doeu, me machucou saber que realmente fazia bem a ela. Entao eu não sei como reagir mais, eu nao sei se o melhor é fingir que esse problema não existe ou esgotar todas minhas forças tentando ajuda-la. Estou temerosa que um dia aconteça algo pior já que teremos que enfrentar problemas maiores nessa vida. Encontrei conforto nos comentarios de pessoas que se cortam e pude entender melhor. Acho que uma forma de ajudar é imaginar que a dor , aquela que não é fisica, é grande demais também naqueles que amam essas pessoas.

Anônimo disse...

Queria ter lido este post quando era mais nova, sofri muito para conseguir parar de me mutilar, mas hoje falo com muito orgulho que fazem quase três anos que não me corto.

Anônimo disse...

Achei bem útil

Ten things to do when panic hits…

Dez coisas a fazer quando você entra em pânico


1. Remember that although your feelings of stress and symptoms are very frightening, they are not dangerous or harmful.
1. Lembre que apesar de seus sentimentos de estresse e sintomas serem muito assustadores, eles não são perigosos ou nocivos

2. Understand that what you are experiencing is just an exaggeration of your normal bodily reactions to stress.
2. Entenda que o que você está sentindo é so uma reação exagerada de seu corpo ao lidar com estresse

3. Do not fight your feelings or try to wish them away. The more you are willing to face them, the less intense they will become.
2. Nao lute com seus sentimentos ou queira que eles sumam. Quanto mais você encara-los de frente, menos intensos eles se tornarão.

4. Do not add to your panic by thinking about what “might” happen. If you find yourself asking “What if?” tell yourself “So what!”
4. Não alimente seu panico pensando no que ''pode acontecer''. Se você pensar ''e se?'', diga a si mesmo ''e daí??''
5. Stay in the present. Notice what is really happening to you as opposed to what you think might happen.
5. permaneça no presente. Veja o que realmente está acontecendo no momento e não no que ''pode acontecer depois''
6. Label your stress level from zero to ten and watch it go up and down. Notice that it does not stay at a very high level for more than a few seconds.
6. Meça seu nivel de estresse de 0 a 10 e note ele subir e descer. Perceba que ele nao continua num nivel muito alto por mais de alguns segundos.
7. When you find yourself thinking about the fear, change your “what if” thinking. Focus on and carry out a simple and manageable task such as counting backwards from 100 by 3’s or snapping a rubber band on your wrist.
7. Quando você percebe que está pensando no medo, mude seu pensamento de ''e se?''. Se concentre em outras tarefas como contar de forma regressiva a partir de 100, indo de 3 em tres ou brincar com um atilio no seu pulso.


8. Notice that when you stop adding frightening thoughts to your fear, it begins to fade.
8. Perceba que quando você para com os pensamentos assustadores, eles começam a cessar.

9. When the fear comes, expect and accept it. Wait and give it time to pass without running away from it.
9. Quando o medo surge, espere por ele e o aceite. Espere e deixe passar um tempo para ele cessar sem fugir de tudo.
10. Be proud of yourself for your progress thus far, and think about how good you will feel when you succeed this time.
10. Fique orgulhoso do seu progresso até o momento, e pense como você vai se sentir bem quando você ter êxito dessa vez.

Anônimo disse...

Verdade viu tambem sofro muito com isso.Minha mae me mutila com palavras fica repitindo as coisas ruins pelas quais eu passei ou estou passando no momento.
Ela nao presta.

Anônimo disse...

Voce diz isso porque nao sabe o que e ter uma dor tao grande e desesperadora no peito e nao saber como sr livrar dela.

Anônimo disse...

Obrigada anonimo eu preciso muito.

Anônimo disse...

obrigada :) vou seguir suas dicas <3

Anônimo disse...

Sou a leila
Oi pessoal! Como eu gostaria de ter visto essa lista uns 10 ou 15 anos atrás!
Vou contar um pouco do meu caso:
Como a maioria dos depoimentos aqui, eu também sofria muito com a incompreensão dos meus pais, tive uma infância conturbada e paixões que me magoaram. Era difícil falar sobre isso, a vergonha era maior que tudo.
Não sei como tudo começou, nem qual foi a gota d’água pra que eu passasse de uma garota corajosa para uma criatura frágil que se cortava entre soluços abafados no banheiro.
Nossa condição financeira era difícil, meus pais viviam brigando, e nos mudamos muitas vezes de casa, de cidade e até de estado. Era agosto de 1999, no meio do ano letivo, meus pais mudaram para esta cidade. Eu tinha 9 anos, deixei para trás uma vida razoável, tinha amigos, e uma escola ótima no interior do Pará. E um garoto que eu gostava...
Aqui, eu cheguei com sotaque diferente, era a gordinha do colégio, e a única “branca” da sala, dentes separados e tirava notas altas... Resultado? Sofri bulling por 3 anos. Eu apanhava de colegas maiores e mais velhos, sofria todo tipo de desprezo. A professora saia da sala pra não ver.
Eu dizia que odiava a escola, mas fui ficando, meus pais não levavam a serio.
Meu pai fazia a mala e dizia que ia “trabalhar”, na verdade, ele fugia dos problemas. Meu irmão mais velho fazia caricaturas minhas e espalhava pela casa. Minha mãe esperava que eu fosse mais madura que minha idade permitia, que eu fosse forte. Eu só tinha uns 11 anos. Então comecei a escrever minha dor... comecei a pensar em morrer...
Eu fazia poemas e depois rasgava, tinha um diário, mas um dia minha mãe achou, e como eu escrevia muito sobre ela... Ela me bateu e me xingou muito naquele dia. Ela dizia: “quer morrer? Então porque ainda tá aqui?” “Se mata e dá alívio pros outros!”
Os anos foram passando, a noite eu chorava baixinho pra meu irmão não ouvir, eu segurava tão forte a madeira da cabeceira da cama, tão forte que feria minhas mãos (a automutilação começou ali). Eu sentia uma tristeza sem fim, você acha que eu não sabia que existem “pessoas com problemas maiores”? Sim, eu sabia. E isso acabava comigo. Saber que eu nem tinha tantos motivos assim pra ser infeliz, e mesmo assim eu era, isso só servia para eu me odiar ainda mais. Eu dava tapas no meu rosto, eu puxava meus cabelos.
Aos 14 anos, mesmo no novo colégio, suicídio era um pensamento constante. Comecei a me cortar com estiletes na altura do pulso. Usava pulseiras pra esconder. Meu pai sempre dizia que depressão era “frescura”, isso me deixava ainda pior, e escondia meus pensamentos, mas esconder não é o mesmo que “acabar com eles”, na verdade só piora as coisas.
Colegas de classe perguntavam: “Vai se matar hoje?” e sorriam. Eles não sabiam o quanto isso me feria.
Um dia, me cortei na sala e fui suspensa. A diretora a fez minha mãe assinar um termo de responsabilidade, achava que eu havia tentado me matar. Minha mãe não entendeu nada, nem quis entender. Achava que eu estava fazendo algum “tipo de tatuagem”. Eu por vergonha disse q era mesmo “tatuagem”.
Continuei a me cortar escondida.
… Coloquei uma corda no pescoço… meu pai bateu a porta: “cade a princesa?” _desisti aos prantos(ele nunca soube disso).
Entrei com uma faca no banheiro, eu ia mesmo “cortar tudo” dessa vez, tive medo e me odiei ainda mais, “nem pra me matar eu servia!”
Quando me cortava eu sentia aliviar a dor, um renascer ou algo assim, apesar de querer muito morrer, eu não me cortava com essa intenção Um artigo que gostei muito publicada pelas testemunhas de Jeová é “Os Jovens Perguntam. . .Por que firo a mim mesma?” e “Como posso parar de ferir a mim mesma?” podem ser encontrados no link
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102006004?q=cortar&p=par
http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102006046?q=cortar&p=par

Anônimo disse...

Sou a leila
Pra quem acha que é falta do que fazer, não diga isso. Eu era muito estudiosa, hoje sou professora e passei num concurso recentemente. Não me cortava pra aparecer, até porque eu me escondia. Não me cortava por causa de namorado, eu até gostava de um rapaz mas ele morava em outro estado.

Pra quem não entende por que essas pessoas fazem isso, digo uma coisa: “nem nós entendemos direito. Somos vítimas, não nos acusem!” Não é por causa do namoro rompido, não é por causa dos pais, ou da falta deles, não é por causa da música, da nota baixa, não é por causa da menstruação, não é falta de sexo, não é por causa da masturbação ou falta dela, quem se corta não é por um motivo, nem precisa de um, quem se corta tem uma dor no coração. Um machucado. Um defeito e precisa de tratamento igual quem tem um problema de coluna, ou um problema de vista, ou de audição. É uma doença emocional, e precisa ser tratada como qualquer outra, precisa de cuidados. É preciso de atenção. Mas a pessoa as vezes não sabe a atenção de quem chamar.

Pra quem se corta, entenda que não é o único, existem muitos que se livram desse mal e superam isso. Eu superei, ainda luto contra sentimentos negativos, mas faz 10 anos que me cortei pela última vez. Então me considero vitoriosa, as cicatrizes ficaram, hoje penso em tudo que passei e tento ajudar outros, conversar com meus alunos, e prestar atenção nas pessoas a minha volta. Não quero cometer os erros dos meus pais e professores. Quero ajudar, ter empatia por quem sofre com automutilação, depressão e/ou pensamentos suicidas.
Hoje entendo que não era culpa minha, nunca é. Não é culpa sua também! Parece loucura? A Bíblia reconhece que a “opressão pode fazer o sábio agir como doido” em Eclesiastes 7:7, e diz mais “O espírito do homem pode sustentá-lo na sua doença, mas quem pode suportar o espírito abatido?”(Provérbios 18:14)
É bem isso, existem pessoas que não tem mãe nem pai, que andam em cadeira de rodas, ou que tem câncer e são felizes e por que EU aqui, com a vida “boa” não consigo ser feliz?? A resposta é simples: Encarar os problemas na vida não depende de ser forte ou fraco, não depende da quantidade de problemas que você tem. Mas da sua saúde emocional. Se você tem um “espírito” saudável, ou seja, se você tem saúde emocional, pode suportar qualquer doença física, ou problema com alegria. Mas se o seu emocional é abalado, como vai suportar o resto?
DOENÇAS EMOCIONAIS AFETAM SUA MANEIRA DE ENCARAR AS COISAS.
NÃO COMPARE SUA REAÇÃO AO FRACASSO, COM A REAÇÃO DE UMA PESSOA SAUDÁVEL EMOCIONALMENTE.
PROCURE UM ESPECIALISTA COM URGENCIA.
Quando eu entendi essas coisas, ficou mais fácil lutar. Depressão não é loucura, mas faz a pessoa agir como louca, depressão é uma doença real. Eu venci. Você também pode vencer! E a luta continua!


Hoje, tenho 25 anos, sou casada, meu marido sabe de todos os meus conflitos é um superamigo, sou professora de adolescentes, tenho amigos, sou voluntária e não me corto há 10 anos. . . mas ainda luto contra sentimentos negativos.