quarta-feira, 12 de junho de 2013

"MINHAS AMIGAS SÃO TODAS MACHISTAS"

A B. me enviou esta mensagem:


Oi Lola, escrevo esta mensagem porque não sei como agir. Nasci e cresci em um grande centro, onde morei até alguns meses atrás. Embora ainda não me definisse como feminista, sempre fui a favor de igualdade de direitos e outras bandeiras conhecidas, como o desejo de não ser mãe, o direito à escolha quanto ao aborto, a igualdade nas tarefas domésticas etc.
Há alguns anos conheci pela internet aquele que veio a se tornar meu marido e que pensa como eu sobre esses assuntos. Como resultado temos um casamento de parceria, onde os dois trazem dinheiro pra casa, cuidam da casa e das filhas (não humanas), e ambos são livres pra também ter sua vida individual, com hobbies e saídas com os amigos. Claro que sempre avisamos aonde vamos e a provável hora em que voltaremos, se vamos atrasar, mas, dentro dos parâmetros que definimos (casamento monogâmico), temos liberdade para fazer nossas coisas sem cobranças, cenas de ciúme, chantagem emocional...
Enfim, há alguns meses fui transferida pra uma cidade do interior. Meu marido veio junto. E eu levei um choque enorme com o quanto as pessoas aqui são machistas!  Alguns exemplos:
1) Meu marido conversando com alguns colegas de trabalho (todos homens) e comentando que também arruma a casa e, em geral cozinha (porque não sou fã), recebeu como resposta: “Tua mulher não limpa a casa e não sabe cozinhar? Pra que tu tem mulher então?!”;
2) No trabalho, o marido de uma colega a proíbe de sair sozinha (ela tem que mentir pra ir a happy hours com as outras mulheres da empresa), de fazer academia (“porque todos os homens vão ficar olhando pra você de roupa de ginástica”), de emagrecer, de trabalhar até mais tarde (liga de 5 em 5 minutos querendo saber se ela ainda tá no escritório). Em compensação, ele sai sempre que quer e nunca a leva, nem numa festinha de fim de curso (“só vai ter homens lá, amor”), chega de madrugada e bêbado, não lava um copo em casa nem faz nada pelo filho além de brincar... Ela está casada com ele há muitos anos, foi seu primeiro namorado, e ela já deixou escapar que “só casou com ele com medo de não encontrar ninguém melhor”;
3) Outra garota, que mora sozinha e se sustenta, ouve do namorado num domingo de manhã e na sua própria cama: “Pô, fulana, essa casa tá imunda! Você não vai levantar pra limpar não?”, sai correndo pra comprar e preparar comidas que ela não gosta só porque o cara tá a fim de comer tal coisa, e tem o dever até de adoçar o cafezinho que ele toma no serviço e entregar na mão dele (trabalham na mesma empresa), cozinha pros dois almoçarem durante a semana. Ah sim, e na casa dela, se não fizer o leite com Toddynho dele, ele não toma café da manhã (lembrei na hora da história do leite batido, e do mingal);
4) Outra ainda, recém casada, ouve do marido que deveria não só passar as roupas dele mas também suas cuecas. Ela, inclusive, é a que me tem deixado chocada mais vezes.  Faltando uma hora prum almoço entre mulheres que combinamos há um mês, o marido liga pra ela dizendo que não tem comida em casa pra ele (ele está desempregado), e que ela devia voltar pra casa pra preparar a comida. Por pressão das outras moças ela insiste em ir ao almoço, e ele briga e fica emburrado por dias. 
Outro dia, havíamos marcado um happy hour, e ela foi a contragosto dele. Pois ele não mandava mensagem de 5 em 5 minutos, querendo saber onde ela estava (ainda não chegou no barzinho?! Tá muito estranha essa história!), que horas ia voltar... Quando ela chegou em casa, às 21 horas, ele simplesmente não abriu a porta pra ela! Sim, a deixou na rua (ela só tinha a chave do apê, não da portaria) por quase meia hora; ela entrou no prédio com a ajuda de uma vizinha. Quando entrou em casa, teve que ouvir que “é claro que você estava com outro cara, que amigas porcaria nenhuma!" No fim das contas, depois de todo o escarcéu, ele pediu desculpas, disse que tinha exagerado, e ela perdoou. Se acertaram adivinha como?  Ela resolveu que "é melhor evitar" sair com as amigas, pra não criar mais briga. E eles não têm nem dois meses de casados!
Enfim, te contei tudo isso pra te perguntar: como agir nessa situação? Essas mesmas mulheres que passam por essas coisas enchem a boca pra falar mal do feminismo (“malditas feministas que queimaram os sutiãs, só ferraram com a nossa vida, porque agora estamos sobrecarregadas!”), e meio que “se orgulham” de suportarem esses absurdos, como se isso mostrasse como elas são fortes e “mais mulheres” do que as outras... outras tipo eu. 
Uma delas já chegou a duvidar da masculinidade do meu marido, pelo fato de ele cuidar da casa (“marido que cozinha?!? Hmmm, sei não, viu...”). No começo achei que, contando coisas da minha vida, elas pudessem ver que existem homens diferentes, que nem todos são machistas e, quem sabe, promover algumas mudanças. O resultado? Além da chacota, agora, quando elas comentam, e adoram generalizar tipo “homem é assim mesmo”, elas ainda me excluem: “Ih, seu marido nem conta, né, B.?”.
Aí eu fico sem reação, acabo parando de comentar qualquer coisa e só fico ouvindo as reclamações. Algumas vezes até tentei mandar textos daqui pra elas lerem, mas elas os ridicularizam! É como se fosse coisa de outro mundo, algo muito “pra você que é de cidade grande, não pra nós”. Fico angustiada, porque ver pessoas próximas a mim, por quem eu tenho afeto, serem tão pisadas, me faz ter vontade de fazer alguma coisa! Já pensei em apertar o “f*da-se, você é quem escolheu isso pra sua vida”, mas não consigo...
Fico me perguntando se elas gostam dessa situação, ou se enganam com coisas tipo “é o jeito de ele mostrar que me ama”. Você, que já morou em tantos lugares diferentes e viu tanta coisa, já esteve em situação parecida? Como proceder?



Minha resposta: Que barra, hein, B.? Parecem As Esposas de Stepford, com a diferença que suas amigas trabalham fora... 
Felizmente, nunca tive muito contato com mulheres machistas. Já vi, claro, mulheres que enfrentam abusos, mas elas fazem o possível pra sair daquela situação. A maior parte das pessoas com quem tenho contato mais próximo são feministas, ainda que não necessariamente se assumam como tal. 
Essas mulheres que vc descreveu tão bem foram educadas pra ser assim. Tudo vem junto no mesmo pacote: a ideia de que ser feminina é ter que aturar esses abusos, que homens são assim mesmo, que é melhor ter um homem que a destrate do que não ter nenhum, que ciúmes é demonstração de carinho, que serviço doméstico é coisa de mulher, e, claro, que o feminismo surgiu pra acabar com esse cenário de extrema felicidade em que elas se encontram. Ou senão que elas seriam felizes, se não fosse o maldito feminismo. 
É muito complicado mudar uma mentalidade dessas. Imagino que elas sejam jovens. Um dia, talvez, elas se cansem dessa submissão, dessa opressão, e se separem. Muitas vão se separar, pode ter certeza. Nessas horas, ao avaliar o porquê da necessidade da separação, talvez elas notem que aquilo que tinham não era um bom relacionamento. Algumas vão se revoltar e adotar outro velho chavão, "Homem nenhum presta!". Mas é bem provável que não virem feministas. Porque, tirando a generalização do "homem não presta", elas continuarão vendo o problema como individual, não como parte de um sistema. 
Não tem muito jeito, B. A revolta tem que vir delas. Enquanto elas só ficarem com essas reclamações pra animar roda de conversa, e não quiserem fazer nada a respeito pra mudar a própria situação, não há muito que vc possa fazer. Acho que responder com humor pode ser uma tática eficaz. Deve ser péssimo ver amigas de quem vc gosta numa situação assim, mas a atitude tem que vir delas. 
Será que elas já viram este estudo que mostra que pessoas feministas são mais felizes no amor? 
Parece óbvio, né? O seu relacionamento com liberdade, sem neuras, com compartilhamento de tarefas, certamente é muito mais feliz que o delas. Eu ia dizer que um modelo patriarcal desses que elas levam só deixa os homens felizes, mas, pela sua descrição, não tem homem feliz lá não. Não há felicidade em ter que constantemente vigiar e punir alguém. Ainda mais alguém que se ama. 

70 comentários:

Ali disse...

Nossa, é bem difícil mesmo!
Mas sabe que isso não é só coisa de cidade pequena né...

Moro numa cidade com uns 400 mil habitantes, e minhas amigas são todas 'modernas' formadas em boas universidades e tal, mas um dia conversando com elas relacionamentos e futuro,sobre fiquei assustada...

Tem uma que não pensa em ter uma boa carreira pra ela e essas coisas...ela pensa que o atual namorado vai ser bem sucedido, assim eles vão ter um bom padrão de vida e ela vai trabalhar de hobby.

Além do cara ser super machista, o namorado dela ainda é mimado, tipo 'criado com a vó'... morro de dó pq minha amiga é muito querida e uma pessoa super do bem... mas infelizmente a gente não pode tomar as decisões pelos outros...

E de fato, felicidade é uma coisa que está dentro da gente, então é possível que ela seja feliz ou infeliz naquele namoro machista tendo a mentalidade que ela tem, assim como seria feliz ou infeliz com um namorado feminista e ela sendo também feminista...

buca disse...

Me identifico em partes com a história porque saí do interior pra Floripa mas na minha cidade ainda vejo muito machismo (além de reaças). Uma boa tática que tem funcionado comigo é a disseminação de informação. A maioria das pessoas tem facebook e/ou twitter. Então, de vez em quando (não dá pra ser todo dia senão vira pedante), eu posto links de textos sobre como casais feministas são mais felizes, como o bolsa família mudou a realidade de muitas mulheres, como as cotas tem feito aumentar o número de negrxs nas universidades (e não diminuiu a qualidade delas, como alguns adoram dizer). Tenho visto pessoas curtindo esses links e que antes tinham uma postura contrária. Quem sabe funcione com suas amigas também? ;)

Francine B. disse...

Imagino que deve ter um monte de mulheres que seja exatamente assim como vc descreveu, mas isso não é regra no interior. Eu moro em cidade do interior e meu casamento não tem nada disso, pelo contrário. Meu marido ajuda muito em casa, e com nosso filho (faz o que tiver que fazer, se precisa lavar lava, se tem que cozinhar cozinha) e não se incomoda nem um pouco em ficar com o pequeno para eu sair com minhas amigas, ou para eu ir fazer compras com elas, por exemplo.
E não somos só nós que temos um casamento assim, inclusive tenho uma vizinha que o marido dela parou de trabalhar por dois anos(pediu aquela licença não remunerada do EStado) para cuidar do filho deles, pq ela ganhava bem mais que ele. Então, só tenho uma coisa a acrescentar isso pode estar sendo comum no meio em que vc está vivendo, mas não é a regra no interior, pelo menos de SP. bjs

Tânia B. disse...

Nasci e cresci em uma cidadezinha do interior do RS. Mesmo assim não tinha muita noção do que era machismo, pois minha mãe sempre trabalhou fora e meus pais sempre deixaram claro que a casa era de ambos e qualquer decisão era feita em conjunto. Além disso, fui criada com os mesmos privilégios e os mesmos deveres do meu irmão.
Crescendo nesse ambiente, claro que sempre tive a idéia de que marido e mulher dividem as responsabilidades por igual, tanto financeiras quanto da casa, e isso me levou a sempre escolher namorados que dividiam essa visão de relacionamento.
Só fui entender que sou feminista depois que comecei a ler teu blog, Lola.
Quando comecei a perceber esse tipo de comportamento descrito pela B., por parte das mulheres com quem convivo, confesso que fiquei bastante chocada. Marido não deixar ir no happy hour das mulheres é algo absurdo, mas que eu já vi muitas vezes desde que comecei a trabalhar.
Demorei para processar a idéia de que mulheres podem apresentar comportamentos tão machistas, e achar que está tudo certo, porque é como as coisas sempre foram.
Isso só mostra que o feminismo ainda tem um longo e árduo caminho a seguir.

Elaine Pinto disse...

Nossa, que difícil. Eu não me relaciono com pessoas assim, e se eventualmente surge algum machismo, é bem sutil, não é nada flagrante como o desse caso! Mas me solidarizo com quem escreveu o post, deve ser muito difícil conviver com pessoas que pensam de forma tão diversa.

Anônimo disse...

Eu tenho vários amigos e amigas.
Gosto de todos apesar de algumas diferenças de tipo de vida e de pensamento. Mas percebo que a maioria que tem a cabeça mais aberta, ou seja, que não são machistas ou são bem poucos, são meus amigos homens(héteros, bis, gays...)!

Anônimo disse...

minha sugestão é que a B convide as amigas para irem na casa dela verem o filme Stepford Wives, de preferência na versão de 1975 q é mais aterrorizante. Quem sabe elas se tocam?

aiaiai

Anônimo disse...

As vezes me sinto assim tambem no condomínio onde moro. se eu contasse tudo, voces achariam que moro em stepford, as vezes eu tenho vontade de desinstalar o software que programou as minhas vizinhas... Nas confraternizações do condomínio os homens se juntam nos cantos e as mulheres em outro, deus me livre um homem conversar com uma mulher casada, alias nem tem motivo, né? Afinal só se conversa com mulher para conseguir sexo, e como ja somos todas casadas... Tem um casal de muçulmano, não chegam ao extremo de vestir burca, mas a mulher não conversa diretamente com nenhum homem, e o marido chega a gaguejar quando fala com mulheres, mas a vizinha mais madalena de todas tem 2 bebes, cuida da casa sozinha, porque não suporta a ideia de outra pessoa limpando as coisas dela, passa roupa até de madrugada, trabalha fora, faz almoço e janta e cuida sozinha dos filhos, e ainda a unica função que o marido tem em casa que é pagar as contas, ele não faz porque ficou cansado, ou outra desculpa qualquer, ai ela fica com raiva e faz... então porque que o bonitão vai fazer alguma coisa? cuidar dos filhos, só para brincar e mesmo assim só com o menino, pois ele é homem e não brinca de boneca... quase todos dias nos encontramos enquanto as crianças brincam, e elas falam mal do marido, e eu completamente deslocada quando percebo a distância da realidade delas com a minha... e não moro no interior não, mas sim em capital. Mas fazer o que? Se elas precisassem eu seria a primeira a ajudar a sair da situação, mas todas foram educadas para essa vida...E qum somos nós para julgar a vida dos outros, elas deve ser felizes, pois não conhecem outra coisa.

Anônimo disse...

Eu sempre morei em cidades do interior onde as pessoas são machistas, quando eu era garoto ainda e sem saber sobre o feminismo eu acreditava na igualdade entre os sexos, e até uma certa vez algumas garotas me rotularam de gay.
Da metade da minha adolescência até o início da vida adulta eu fui um pouco mais machista, até por questões de insegurança e bla bla bla.
Após conseguir a minha independência financeira e graças as orientações de uma grande amiga eu passei a abraçar a causa do feminismo, e vira volta falo com alguns colegas a respeito de igualdade entre os sexos e vez ou outra me perguntam se sou gay (geralmente pensam que sou ateu também).
Simplesmente respondo que se eu fosse homossexual não teria motivos pra ficar escondendo já que eu pago as minhas contas e provavelmente não estaria solteiro.

Bruno S disse...

Essas moças citas pela B provavelmente foram criadas num meio em que essas situações que ela vê como absurdas (a acho que a maiorira de nós também) são tidas como naturais e esperadas. Há uma zona de conforto nisso, no que já é esperado.

Trabalhei durante alguns anos em Macaé, no norte fluminense. Lá também eu percebia forte conservadorismo em boa parte das pessoas, trazendo junto o machismo. O espaço que via para atuar era apontando pequenas contradições no discurso e na forma de agir.

Pode não ter mudado muito, mas fazia as pessoas perceberem que a forma como viviam não era a única possível.

Larissa disse...

Lembra uma 'amiga' minha que me além de muito homofóbica, machista. E hipócrita. Ela me disse que nós, feminista, perdemos o foco. Que é feminismo alá machismo, que usamos da mesmas armas deles que tanto criticamos. Eu disse: você estuda, trabalha e escolhe o seu namorado graças ao feminismo. Ela disse que agradece a elas do passado, que elas sim fizeram mudança. Daí vem a parte mais legal: vocês pensam com a vagina em vez da cabeça e sim, estou generalizando - falou toda orgulhosa.

° Emy ° disse...

Situação difícil B.
Mesmo que elas tenham sido "criadas" para pensarem e agirem assim, há uma implicação que também é delas nessa vivência. A mudança só é possível a partir do momento em que elas perceberem que há algo de errado. Enquanto vier de fora essa vontade de mudança, não vai adiantar. Parece meio clichê isso, mas é a realidade. Só é possível alguma transformação quando ela começa por dentro. Acho que você faz a sua parte. Que é tentar dar a informação. As pessoas não são ignorantes por desconhecerem, são ignorantes a partir do momento em que obtém o conhecimento e optam pelo conforto de permanecer inertes. E acredite, há quem opte por não mudar. E aí, paciência.

Anônimo disse...

Essa questão da saída não é exclusiva de homens machistas, mulheres machistas também agem assim com seus companheiros, controlando e vigiando. Há toda uma cultura envolvida, esses maridos e esposas não se dão conta onde estão inseridos, e que seu modo de agir não traz felicidade para ninguem.

Anônimo disse...

Óbvio que mulheres feministas são mais felizes no amor, eu também sou uma sortuda que encontrei um homem que não faz esses absurdos relatadas no post. Não digo que ele é feminista, mas também não é nada machista. Faz tarefas em casa, não se importa que eu saia e faça minhas coisas.
O que mais me irritou nesse post foi a amiga colocar em dúvida a sexualidade do marido da pessoa que escreveu o post só porque ele não é um porco chovinista. É mais fácil adotar a teoria do "Homem é tudo igual mesmo então que seja" do que admitir a si mesma que não, vc não tem que necessariamente ter um relacionamento horrível desse. Eu também pararia de falar sobre como meu marido é ótimo, no mínimo isso vai gerar inveja.

Anônimo disse...

Ah e concordo que esse negócio de "não deixar sair" não ocorre só da parte dos homens. Eu não tenho problema nenhummmmm que meu marido saia com os amigos pra um bar ou coisa do tipo (mas também, ele não abusa, rs). Tem mulher que me pergunta: MAS VC DEIXA FULANO SAIR SOZINHO?
Eu acho que se vc fica se incomodando com isso ou sentindo ciúme algo não está bem.

Carol NLG disse...

Nossa, que loucura!

A questão de divisão doméstica é mesmo interessante. Minha mãe sempre trabalhou fora, teve os amigos dela, etc. E pensando pra trás, não lembro de ter visto meu pai JAMAIS pegando numa vassoura. Lembro de um ano que voltamos de viagem de férias, a empregada ainda estava de férias, e minha mãe foi limpar a casa - que estava fechada há uns 15 dias. Depois de dois dias de faxina pesadíssima (só por parte dela), apareceram umas baratas. E ela ficou acabada, porque teria que começar a limpar de novo. Solução do meu pai? Viajamos de novo, até a volta da empregada. Hoje eu penso: não teria sido mais fácil se ele se juntasse à limpeza?

Enfim, na minha casa eu e meu marido dividimos TODAS as tarefas. Ele não me ajuda na casa. Ele faz a parte dele. Dizer que o homem ajuda na limpeza é dizer que ele está fazendo um favor de resolver o seu problema.

Enfim, meu marido faz a parte dele. E de vez em quando, à noite, estou falando com meus pais no skype quando ele aparece com o jantar feito/roupa passada, etc. E minha mãe fica indignada que eu esteja explorando meu pobre maridinho, forçando ele a fazer tarefas domésticas! Aliás, ela só parou de insistir que eu deveria contratar uma empregada/diarista quando eu disse, claramente, que esse era um assunto da MINHA casa e, portanto, uma decisão minha e do meu marido. E que nós não queremos, agora, ninguém em casa.

Não sou super-mulher. Não preciso cuidar da casa toda, além do trabalho, para ser amada ou respeitada pelo meu marido. Ele sabe disso. Se não soubesse - e concordasse - não seria meu marido.

Gabi disse...

acho que elas dão risada e te ofendem porque, no fundo, gostariam que fosse diferente mas como se sentem meio sem ferramentas para lidar com a questão precisam desmerecer-la. Tem uma frase do Gandhi muito boa "primeiro eles te ignoram, depois eles riem de você, depois eles te ofendem e aí você ganha". Dito isso, siga questionando, não ligue para as ofensas e da próxima vez que questionarem a sexualidade do seu marido porque ele faz tarefas doméstica, pergunta se elas são lésbicas porque trabalham fora.

Mariana. disse...

Lola, histórias como essas me fazem pensar em como eu tenho sorte de ter escapado de uma fria das grandes.

Eu tenho 24 anos e há menos de dois meses terminei um namoro que durou seis anos. Sim, comecei a namorar com ele aos 18 e foi meu primeiro namorado.

Ele, por ser pouca coisa mais velho, uns 4 anos, tinha mais experiência do que eu em tudo e meio que - vejo isso hoje - me moldou do jeito que ele achou melhor. Eu deixei, talvez por não saber que existem outras formas de se relacionar.

Eu sempre fui muito livre e cabeça aberta, mas durante o meu namoro, esse meu lado ficava restrito a internet e alguns amigos: o modo como eu pensava sabe? ser a favor do direito dos homossexuais e qualquer minoria, ser feminista.. até minha espontaneidade eu meio que perdi, eu costumava ser tão divertida..

Bom, no nosso namoro, eu aprendi a cozinhar, a cuidar da casa dele, não deixar faltar nada porque eu ia lá e fazia a compra (com o dinheiro dele, mas poxa, eu gostava disso e hoje vejo que não era meu papel), a fazer coisas para agradá-lo.

Eu não gostava de algumas coisas: uma cara feia quando eu saia com as amigas ali, um "só vai ter homem, amor" ali, etc. Coisa leve, que foi me podando cada vez mais.

Não suportava mais estar tão sem identidade, acabei com tudo depois de muito tentar, de muito conversar, de muito explicar o modo como eu me sentia.

Claro que fiquei triste, mas a sensação predominante foi de alívio, liberdade.

Logo conheci outros caras, fiz outras amizades - tinha me esquecido como era fácil conversar com estranhos, rir, etc etc. Estou voltando a ser quem eu era antes.

Meninas, nunca fiquem com alguém por medo de não encontrar alguém melhor. A vida é só uma, falo por experiencia própria.
Renunciei a um relacionamento que muita gente iria adorar ter: ele tinha apartamento, carro, me levava pra jantar em lugares legais, tinha um bom emprego, estudava, era educado, inteligente... Mas o machismo dele, as atitudes, minaram tudo.

Ninguém precisa de um homem pra ser feliz, vão por mim.

Anne disse...

Moro em uma cidade de interior e é dificil pra caramba ser feminista, ao menos aqui, em Sobral-ce.
Minha mãe por exemplo, é uma mulher fortíssima, que enfrentou um estupro e foi expulsa de casa pelo pai, que acreditou no amigo, não nela. Foi trabalhar como domestica em Fortaleza, casou, foi morar com a sogra, sofreu o diabo, ate ter coragem de alugar uma casa e ir embora sozinha, o marido a encontrou e se mudou pra casa. Sem a presença da sogra as coisas melhoraram, e ai veio a primeira e unica filha, eu. Hoje eles são um casal feliz (eu acho), ela faz terapia pra superar todos os traumas. Mais saiba vc Lola, que, pra ela o marido tem que ser o primeiro a comer na hora das refeições, que é a esposa que tem que colocar no prato e, não pode sair se ele não deixar. E que, nunca, nunca uma esposa pode negar sexo ao marido.

Maria Fernanda Lamim disse...

Nossa.,.que filme de terror! D: mas, de fato, a revoluçao tem que vir delas....

Sara disse...

Q tristeza q até nessas gerações mais novas, continuem essas atitudes machistas.
Na minha geração eu já nem me espanto, a grande maioria é assim mesmo, mas uma boa parcela é exatamente como vc disse Lola estão separados.
Por causa do feminismo já perdi algumas amigas, não consigo mais suportar calada quando alguma amiga fala algo muito machista e parto pra briga, as que ficaram já sabem e nem tentam argumentar comigo, no FB por ex. qdo coloco algum post sobre feminismo muitas fingem q nem vêem.
Infelizmente não posso dizer q eu tenha alguma amiga realmente feminista, tenho muitas q são independentes financeiramente e até emocionalmente, mas ainda estão muito prêsas a valores patriarcais.
Pelo menos minhas filhas estão recebendo uma criação diferente.

Tate disse...

Lola, querida, achei que pudesse te interessar: http://www.naomesmo.com/acabando-com-o-problema-das-mulheres-no-busao/

Observe os comentários. Fantástico, hu?

Érica Marques disse...

O acesso à informação está mudando isso. Sugiro que você envie secretamente o blog da Lola para suas amigas kkkkk

Já ouvi histórias parecidas que aconteceram no interior de São Paulo, em Mato Grosso do Sul, na Bahia, em Minas Gerais.

Lola, já fizeram algum estudo sobre migração com esse contexto? Porque escuto que muita mulher quer sair do interior e morar 'na cidade grande' mas os motivos parecem apenas ser o de trabalho. Acho que há mais que migrar apenas por trabalho, e o acesso à informação proporciona isso.

Particularmente não gostaria de morar no interior porque não teria paciência de lidar com pessoas pensando assim

Natasha disse...

Pior do q homem machista é mulher machista,como n enxergam o absurdo em q vivem?
Eu n entendo o pq disso mas n é simplesmente pq criaram ela dessa forma,pq se fosse assim nenhuma mulher se revoltaria contra o machismo.

Tenho pais machistas e nem por isso achei q era assim mesmo,q eu tinha q servir de escrava para homem.

Liana hc disse...

Tem gente que não consegue conceber a vida de outra maneira que não seja pela sua ótica preconceituosa, e ainda desmerece quem vive com outros valores. Também acho que não tem muita coisa a fazer se a pessoa já demonstrou claramente que é assim que vai viver a própria vida. Só nos cabe aceitar e respeitar, afinal é direito delas. No mais, é julgar o quanto vale a pena a aproximação e o compartilhamento de coisas íntimas com gente que, ainda por cima, pode fazer chacota da nossa vida. Eu prefiro sossego, manter uma distância segura e apenas ser educada.

patricia. disse...

Eu acho que eu cresci(e ainda vivo)em um ambiente relativamente machismo-free. Meus pais sempre foram a favor da igualdade de direitos, e eu, meu irmão e minha irmã fomos criados dessa forma. E como a maioria dos amigos deles e dos meus amigos tem a mesma mentalidade, talvez eu não tenha convivido tanto com machismo quanto outras pessoas que tiveram uma criação mais 'tradicional'.

Claro que de vez em quando, eu escuto umas babaquices, tipo essas que você descreveu, mas não é algo que tenho que enfrentar em uma base diária, então na maioria das vezes apenas ignoro.

Quando tinha 16 anos, passei quase um ano em um relacionamento extremamente infeliz com um cara super machista e imbecil. Quando tentava terminar, ele dizia que ia se matar. Até que um dia eu resolvi que conviver com a culpa ainda seria melhor que permanecer com um cara que eu detestava.
Obviamente, ele não se matou, e hoje em dia, o meu único arrependimento é não ter terminado antes.

Acho que na maior parte do tempo, é difícil entrar na minha cabeça que uma mulher possa ser feliz em relacionamento desse tipo, mas aí eu lembro que boa parte das pessoas teve uma criação diferente da minha, aí não é tão difícil entender porque muitas mulheres aceitam e acham normal...

Não sei te dizer como eu reagiria no seu lugar. É bastante complicado quando se trata do seu círculo de amizade.
Muito provavelmente a minha atitude seria semelhante a sua, mas talvez a ideia da Lola de tirar brincadeiras meio que funcione...

Beatriz Correa disse...

Mariana, cara, me arrepiei agora lendo seu comentário.

Uma das minhas melhores amigas passou, literalmente, O MESMO QUE VOCÊ, sem tirar nem pôr.
Quer dizer, só uns detalhes, como o fato do ex-namorado dela querer fazer tudo junto dela (inclusive gastar uma nota pra ir no show da Beyoncé com ela e as amigas dela, sendo q ele detesta a cantora) e ter crises de ciúme sem motivos, a ponto de várias vezes ser agressivo (mas ele nunca a machucou, não fisicamente)
Ela tbm tinha 6 anos de namoro com o """cara dos sonhos""" e tbm tinha 24 qndo terminou.

Agora, 2 anos depois, ela é outra pessoa, mais livre, mais confiante, e se descobriu feminista no meio disso tudo.


Todxs têm a capacidade de sair do meio machista, mesmo que esteja dentro de cada um.

Anônimo disse...

Pro pessoal que perguntou de movimento migratório para as capitais: nas cidades de interior dificilmente há boas universidades, raramente há universidade pública. Ir para uma cidade que possua universidade pública de qualidade acaba sendo a única opção. E posteriormente, não há emprego. Há cargo de vendedora de loja, lanchonete. Sou de cidade do interior de São Paulo. Saí para estudar e foi a melhor coisa que me aconteceu. Quando vou visitar meus pais, dá pena ao ver como as coisas são exatamente como eram, desde sempre. As minhas colegas de escola estão todas alinhadas com o padrão: não estudaram, casaram após o ensino médio, têm vários filhos, fazem dupla, tripla jornada. O ápice delas é ir pra cidade vizinha, que tem shopping, comer na lanchonete fast food com os filhos e marido. às vezes vejo no facebook os post delas. Sempre as mesmas coisas. "Ai como meu filho é lindo/ Estou grávida de novo/ Sou super mulher, cuido do marido, da casa e dos filhos/ meu marido virou fornecedor kk". Não que isso seja errado, mas sabe quando você percebe que elas sequer vislumbram que há outras possibilidades além dessa vida? É isso que me angustia.

Anônimo disse...

Quando alguém me pergunta com aquela cara de espanto "como assim meu marido ou eu saímos sozinhos"? Minha resposta é sempre "Eu não nasci grudada nele"!
Eu penso que se ele (ou eu) quisesse MESMO fazer algo escondido de mim (ou eu dele), ele daria um jeito de fazer, estando eu no pé dele ou não e vice-versa. Eu não casei pra viver um inferno dentro de casa, não acredito que só o casal se baste e aprecio e PRECISO de um tempo só pra mim e com minhas amigas - ele o tempo dele com os amigos dele!!!

Quanto a cidades do interior, eu vivi esse inferno por muitos anos - família machista, sociedade machista e sentia que só eu enxergava a escrotidão de tudo aquilo. Eu só não usei burca, mas dos resto eu me sentia mais ou menos como as mulheres no Afeganistão devem se sentir. JAMAIS poderia dirigir a palavra a um homem que não fosse parente muito próximo (pai, tio, avô, primos), na rua tinha que andar de cabeça baixa e ouvia quase todo dia um sermão sobre ser "uma boa menina de família". Fazer as panelas e o chão brilhar era um distintivo de honra.

Algumas pessoas conseguem enxergar facilmente atrás dessa hipocrisia toda. Algumas precisam passar por uma tragédia imensa para mudar. Há outros que, infelizmente, preferem seguir bovinamente o figurino.

Anônimo disse...

https://www.facebook.com/MocaVoceEFeminista

Patty Kirsche disse...

Puxa, dureza... Olha, nos últimos tempos bastante gente me excluiu no Face ou deu unfollow no twitter pq não curte o material feminista que eu compartilho.

Há alguns anos, conheci uma moça que foi minha amiga por algum tempo. Passando mais tempo ao lado dela numa viagem, percebi que ela costumava xingar mulheres de "vadia" com muita facilidade. Depois, começou a aparecer em minhas postagens pra dizer que a violência tb é culpa "dessas mulheres" que mostram o corpo e não se respeitam. Aí a casa caiu qdo ela começou a compartilhar material que ridiculariza o feminismo. Eu perdi a paciência, acabei falando umas verdades, e foi o fim de nossa amizade.

Nesse momento, o que percebo é o seguinte: A cultura brasileira é machista demais. Vão ser raras as pessoas que vc vai conhecer sem nenhum tipo de preconceito sexista ou tracinho de misoginia.

Ser feminista abertamente tem um preço bastante elevado. Você vai notar coisas que os outros "não notam". Aí vc vai ter que escolher se finge não ver pra evitar conflito ou se vale a pena falar.

Marilia disse...

Concordo com o que muita gente falou acima: acho que elas fazem esse "bullying" com seu relacionamento por não quererem enxergar que não necessariamente elas precisam ter esse tipo de relacionamento.
Mas provavelmente é a única coisa que elas conhecem.E é muito difícil aceitar que algo possa ser diferente.
Maior prova: a história acima, de uma mulher que quebra o ciclo de opressão, mas continua reproduzindo comportamentos machistas mais """"sutis""""(como a idéia de que o marido sempre tem que comer primeiro, etc). Provavelmente é aquela história: você aprendeu a vida toda que deveria ser uma coisa, e se você seguir essa "cartilha" tem uma recompensa no final, que pode ser não se responsabilizar pelas contas ou até mesmo o simples fato de estar/ser casada.
Muito complicado mudar isso. Mas acho que você não deve se calar não quando elas provocarem. Vá desenvolvendo os raciocínios pra desconstruir os ataques, vá retrucando. No mínimo elas vão cansar de discutir com você e ao menos respeitar o seu modo de organizar a vida de casada e de pensar.

Anônimo disse...

Muda de amigas.

Ana Carolina disse...

Tenho sorte, muita sorte, que mesmo em cidade do interior tenha conseguido vir e viver num meio que, se de machismo não-free, pelo menos bem diminuído, com direito a mulheres que investem na carreira, homens que cuidam da casa, etc. Mas isso é sorte, vejo certas vidinhas de gente de capital que teria mil e uma outras oportunidades sendo bem restritas.

Mas quanto às suas amigas, B., é isso: provavelmente entre os pais delas foi assim, entre todas as pessoas conhecidas é assim e só conhecem isso do mundo, reclamam e reclamam dos maridos mas acham que as coisas são assim mesmo e ponto. Não conseguem conceber que as cosias podem ser de outra forma e você, como a pessoa que contesta, é a esquisita com marido gay. Se vale um conselho, pare de elogiá-lo na frente delas, porque das duas uma: ou vira inveja ou motivo de bullying. E tenta procurar pessoas em outras áreas de convivência para ventilar-se disso, porque é muito, muito difícil mesmo.

Marilia disse...

Ah, só continuando:

Digo isso porque é mais ou menos o que eu aplico pra minha sobrevivência diária. Estamos em lugares e situações diferentes, mas é bastante semelhante:

supostamente estou num ambiente "esclarecido", faço pós graduação. Mas depois de me assumir feminista, os colegas começaram com o maior bullying, tentando me testar, sabe? Vivem fazendo piadinhas machistas só pra ver o que eu vou falar, fazem declarações ~polêmicas~ na minha frente pra ver se vou me irritar, etc. As minhas amigas do interior, da minha cidade natal, quando vou pra lá, se desculpam por mim nas rodas de conversa "ai, não fala isso na frente dela, ela é meio feminista, sabe?" Às vezes chega a ser engraçado, mas é bastante cansativo. Mas mesmo assim nunca calei a boca. Dia desses acabei convencendo um desses mesmos colegas da pós de que não era legal fotografar (!!) mulheres na rua sem elas saberem. Ele entendeu. E ultimamente debatemos bastante sobre feminismo e eu acho que "o ganhei" para o nosso lado. Enfim, é um caminho possível. Mas não deixe passar os absurdos que ouve e nem desista. Só cuidado pra não perder a paciência de vez, ehehe. Às vezes só não rir das piadas já conta muito.
Beijos :)

Karina disse...

Bom, eu moro numa cidade com 2 milhões de habitantes e sinto o mesmo com algumas amigas. Todas são formadas, pós-graduadas, ganham bem, médicas, administradoras, farmacêuticas... Algumas, como eu, estão solteiras ou separadas. Esses dias estavam discutindo requisitos para um marido, o que só por isso já acho meio triste. A ideia é sempre que o homem deve ser mais rico, mais inteligente, mais esperto, entender de carro, pagar todas as contas... veja, são pessoas maravilhosas, inteligentes, donas de seus próprios narizes, engraçadas... eu mandei para elas aquele texto que o Alex Castro fez sobre cavalheirismo ser uma face do machismo e todas acharam que eu sou muito radical.

disse...

Não acho que foi errado as mulheres "queimarem sutiã", mas acho que cada tem seu conceito,objetivo de vida. Esses homens machistas querem que a mulher cuide da casa e eles pagam as contas, e porque elas trabalham fora então? Já trabalham tanto em casa, esses homens não querem tirá-las do trabalho tbm, para ter mais controle sobre elas??? Algumas coisas são absurdas mesmo.. Meu marido é "meio" machista, eu digo "meio" porque ele sempre fez a parte dele nas tarefas da casa, mas ele é ciumento e tem alguns pensamentos do tempo da pedra, mas coisas que não interferer no nosso relacionamento de maneira ruim, são sempre situações engraçadas... Eu sempre fui muuuito feminista e ele muito machista, com o tempo fomos nos adequando um ao outro, cedendo um pouco e achamos o nosso jeitinho.. O que falta há algumas pessoas (independente de morarem no interior ou na capital) é informação mesmo, é ver que hoje em dia as coisas não são mais como antigamente, que os homens podem realizar tarefas domésticas, cuidar de filhos e tudo mais, só que é bem mais fácil ficar deitado no sofá pedindo as coisas para a esposa, não é?? Bem mais cômodo! Mas temos que entender que essas mulheres foram criadas assim e para elas está bom, porque é só isso que elas conhecem, isso que elas acreditam que é a vida, quando se passa a vivenciar outras formas de viver, o pensamento vai se transformando, não fique chateada B. você já está promovendo a mudança e isso é feito com passinhos de formiga, daqui um tempo (pouco ou muitão) as mulheres do seu convivío vão passar a questionar se a vida delas é realmente boa daquela forma (algumas vão mudar de vida, outras vão continuar da mesma forma por acreditar que já estão "velhas"), mas o importante é que você está plantando uma sementinha, que com certeza vai florescer, não fique triste, vá com calma, as vezes não comente nada mesmo,é ruim ser a chacota da galera, mas quando for possível mostre que as coisas podem ser diferentes do que elas pensam, nem melhor, nem pior, mas de outra forma... cada um sabe o que é melhor e pior para sí mesmo!!!!

Anônimo disse...

Q achas disso?
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-esquenta-de-regina-case-e-o-programa-mais-racista-da-tv/



Liv disse...

Por mais que elas desprezem publicamente o modo como vc e o seu marido se relacionam, eu D-U-V-I-D-O que pelo menos de vez em quando elas não te invejem em seus íntimos. Mas não dá para ajudar quem não quer ser ajudado. Vc com certeza já plantou uma sementinha nessas mulheres, se ela vai germinar ou não, é por conta delas.

Mariana, achei interessante o seu relato. Eu tive uma sensação muito parecida com o meu primeiro e único namorado, essa sensação horrorosa de que ele sabia milimetricamente bem o quão leve tinha que pegar para ir devagarinho entranhando os seus 'privilégios naturais' de macho na minha cabeça. Ele me trouxe muita coisa boa, e é no geral um cara bem decente, um dos mais decentes que já conheci. Mas depois de terminar com ele, e agora que estou há sete anos com a minha primeira namorada, vejo claramente as sutilezas das podas que ele colocava na minha cabeça (talvez inconscientemente, sei lá, a sensação que as pessoas têm em relação ao privilégio é estranha, elas não conseguem enxergá-lo até que alguém o aponte). Agora eu sou livre. O que me deixa triste é imaginar que se um dos caras mais decentes que já conheci na vida fazia isso, a mulherada hetero está em maus lençóis...

Anônimo disse...

Muitas das minhas amigas e amigos eram realmente machistas. Sei lá, 15 anos atrás eu nem reparava nisso mas com o tempo, foi ficando mais e mais evidente e me incomodando.

Resolvi de um jeito bem fácil.

Tenho muito menos amigas(os) hj em dia, mas de melhor qualidade.

Anônimo disse...

E quando a gente pensa que o mundo tá evoluindo...

Anônimo disse...

Fofa, infelizmente vc nao conseguira mudar o mundo a sua volta. mas vc pode mudar sua propria atitude. como? afastando-se dessas pessoas. elas ainda vao acabar trazendo problemas pra vc, pode crê.

Jezebel

Ms.Minna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amana disse...

Ei gente... que coisa difícil, né?
Estou vindo agora de uma palestra que dei sobre crítica feminista e psicologia social num curso de uma universidade particular aqui no Rio. Dessa vez, já escaldada de outros eventos do tipo, nem me preocupei em preparar power point, roteiro, nada. É tanta coisa pra comentar e discutir, que preferi começar a falar de algumas questões q considero mais importantes teoricamente e... num instante o circo pega fogo!
Duas mulheres, alunas do curso, logo começaram a perguntar: "mas hoje em dia a gente não precisa mais do feminismo, né? tantas conquistas... mulheres podem votar, trabalhar fora, nossa presidente é mulher!". É sempre assim. Mas eu encaro isso como um desafio, porque é isso: o tema é empolgante, as questões vão aparecendo, e nossa matéria de trabalho é o senso comum. É desmontar essas ideias, desnaturalizar, desfazer preconceitos, olhar o mundo de um outro ângulo... tudo isso requer esforço, deslocamento, mobilização pessoal. Não dá pra fazer isso pelx alunx - vc pode montar o curso mais crítico e mais incrível. Se elx não se sentir mobilizado, se não estudar, se questionar, problematizar, de nada adianta...
E eu estou falando do dia a dia da sala de aula em um curso superior. Que dirá nas relações pessoais!!
Tenho um grupo fechado de amigas na internet. Discutimos coisas muito legais, nos apoiamos em questões pessoais, organizamos encontros, festas, saídas, é enriquecedor ouvir outras jovens e mulheres compartilhando ideias, histórias, trocando. Também tenho muitos amigos feministas, com quem converso sobre coisas que me afligem, me tiram o sono. Muitos já disseram q descobriram o feminismo através de minhas falas, postagens na internet, aulas/textos... Mas descobrir o feminismo é um caminho q precisa ser feito na própria carne, na própria vida, nos próprios preconceitos.
Por isso, B., acho muito incrível sua insistência. É preciso insistir e resistir. Pode ser q vc seja motivo de piada no "grupão", mas pode apostar q histórias diferentes (como de companherismo, de divisão de tarefas, de parceria) não passam indiferentes. Pode apostar que muitas mulheres que ridicularizam vc em algum momento, em suas vidas privadas, gostariam de viver o q vc vive. E quem sabe essa possibilidade - saber q existem outras maneiras de viver! - abra outros caminhos para elas em algum momento de frustração com esse mundo machista...

Anônimo disse...

Toda vez que elas tirarem barato da sua relação com seu marido, tire barato da relação delas com seus respectivos maridos. Pode não mudar a vida delas, mas pelo menos você não se sentirá humilhada por pessoas que sofrem com o machismo e não se dão conta disso. Nós, mulheres, temos sensibilidade com as outras, mas você também tem seus sentimentos e tem um relacionamento de verdade, não precisando se sentir mal por não viver um relacionamento amoroso doentio. Por que é isso que elas vivem: uma doença.

Anônimo disse...

Enquanto lia esse post, não conseguia deixar de pensar numa das minhas melhores amigas que está "envolvida" a pelo menos uns 3 anos com um cara super machista e q já protagonizou situações absurdas.
Apesar de todas as tentativas dela (e q não foram poucas)ele não quer tornar esse relacionamento namoro, mas espera q ela se comporte como uma "namorada": espere por ele; não saia com as amigas; se justifique sobre todos os novos amigos homens; não ache estranho se ele a procura praticamente só transar e por ai vai. E ele? Bom, ele não precisa fazer nada disso já q eles não são namorados.
Por um bom tempo ela deixou de comentar sobre os dois quando reclamando sobre a vagabunda da ex q não deixava os dois em paz, eu disse q o culpado era ele já q todo mundo sabia q ele ainda a procurava. Eu sempre vou me lembrar do olhar de fúria dela, afinal como eu ousava defender aquela vagabunda e não ela?
Happy Hour com ela? Coisa raríssima, pois ela não quer arrumar briga com ele. A nossa última ida a um barzinho acabou em uma DR acalorada entre os dois, como SEMPRE. Apesar do convite, ele não quis sair conosco(coisa q ele raramente faz, foram umas 3 ou 4 vezes desde q estão juntos)mas ficou furioso quando soube onde ela estava. Entre outros absurdos, disse q se ela iria ficar lá q não o procurasse mais, pq mulher só sai p procurar homem e esse tipo de mulher ele não queria. Quando questionado sobre o fato dele sempre sair com os amigos veio a mesma resposta de sempre: " é diferente, a gente não faz nada de mais". Resumo da história: ela foi embora mais cedo, sozinha e furiosa por ele ter acabado com a noite dela.
Hoje em dia eu faço cara de paisagem quando ela reclama dele ou diz o quanto ele é uma amor por qualquer migalha de carinho oferecida por ele. Eu desisti de falar qualquer coisa no momento em que ela disse q entendia a filha de uma amiga q havia voltado p o namorado depois de ser agredida a ponto de ficar toda roxa. Como essa mulher, ela estava fazendo coisas q nunca imaginou fazer por "amor" e eu não sabia o q estava falando quando disse q nenhum homem me bateria e q se acontecesse não existiria a segunda vez. Como eu poderia saber se eu não tinha um amor como o dela, se eu não tinha sequer um namorado?

Thais

Anônimo disse...

sei que é meio tiete demais dizer isso, mas este post me remeteu a outro post seu, Lola:

http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2009/02/se-o-feminismo-acabou-quem-venceu.html

Anônimo disse...

Olha, eu acho que não é só de cidade pequena não, eu morei em SP até os 18 anos e minha família super tem esse pensamento...apesar de ser uma família estudada e tal.
Mudei para o interior de SP e aqui é PIOOOR ainda, bem pior, o fato é, eu tenho 21 anos e nunca tive um namorado, adoro sair pra balada com as amigas e tal, mas nunca aconteceu...e o comentário das pessoas me deixa mais pra baixo ainda, pra piorar, meu aniversário cai no dia dos namorados...impossível evitar as piadinhas.
Se alguém souber um modo de ajudar e tals a responder esses comentarios ficaria super agradecida :)

Cris Jolie disse...

O meu e tem um pouco de ciúme, mas a contrapartida, nos conhecemos em circunstâncias pouco convencionais.
Nos conhecemos na rua, no dia seguinte já estávamos em um motel. Foi muito louco.
Amanhã ele se mudará para minha casa.

Anônimo disse...

Algumas coisas estão mais enraizadas que imaginamos. Curso medicina em uma grande cidade, e embora a maioria das minhas colegas de sala não sejam daqui (eu sou), a grande maioria delas também nasceram e cresceram em grandes cidades, embora talvez menores que esse e um pouco mais para o interior do que aqui.
Vou citar alguns exemplos:
Uma amiga minha estava comentando comigo o namoro de uma colega de sala nossa, que namorou por alguns meses um colega de sala. Elas são da mesma cidade e já se conhecem há muitos anos: "A M. sempre namorou pé-rapados, mas agora que está com R., ela não deve largar mais" (a família do R. é dona de um clube famoso aqui, eles acabaram terminando). Essa mesma menina começou a namorar um cara de "família importante" (como ela diz) lá da cidade dela há poucos meses, e desde então, ela praticamente não estuda mais, não cumpre as tarefas, viaja frequentemente para ver o namorado... Segundo ela, ela não se preocupa muito com a faculdade porque o namorado é rico (estão juntos há menos de 5 meses).
Duas amigas minhas começaram a frequentar todas as festas, eventos, reuniões, associações, ligas da medicina com o exclusivo objetivo de arrumar um namorado. Porque elas querem namorar um médico (ou futuro médico, mais propriamente dito) e nem é porque sei lá, elas vão ser médicas também. É por causa do status da coisa, tanto que a preferência é por veteranos e residentes (minha turma está no 2º período). Uma outra amiga minha (que é mais introvertida que as duas acima) se lamenta todo o dia por não namorar e conhecer poucos veteranos interessantes, que a maioria é galinha e não quer relacionamento sério.
Para concluir, uma colega de sala nossa acabou conhecendo um residente e eles namoram; todas as garotas comentam da "sorte" dela.
Isso são jovens mulheres de famílias de classe-média/média-alta/alta, que tiveram uma excelente educação e entraram numa faculdade de medicina de alto nível... E ainda pensam que o importante na vida é arrumar um namorado. Rico. Médico.

Anônimo disse...

Nasci e fui criada numa cidade grande, que é a 2ª segunda metrópole mais importante do país, capital do 2º estado mais rico do Brasil, cidade essa que é o lugar mais famoso do país.
Sabem que lugar é esse?
Rio de Janeiro.

Apesar do Rio ter sido a capital da colônia, do Reino de Portugal, do Império e da República, possui um povo bem conservador e machista.

Olha que com esse histórico todo, o Rio de Janeiro deveria ser uma cidade com uma população mais mente aberta. Mas não é o que vejo.

Esse tipo de situação relatado do guest post não é exclusividade do interior. Aqui mesmo na cidade grande é mt comum encontrar pessoas que pensem assim.

Eu mesma tenho inúmeros exemplos absurdos de amigas, colegas e conhecidas minhas que se deixam viver assim, e de homens que acham que devem agir de forma tão ridícula com suas companheiras.

Mas de todos eles o que mais me deixou irada com como um ex agia comigo.
Eu nunca cobrava mt coisa dele e até estimulava a ele sair com os amigos, já que tinha poucos.
Mas a medida que o tempo foi passando, ele foi se mostrando cada vez mais possessivo.
Queria saber onde estava e com quem, a que horas tinha estado em tal lugar, onde e o que fui fazer ali(como se fosse da sua conta).
Fazia questão de se encontrar comigo mesmo e fazer sexo que eu tivesse mt cansada ou ocupada.
E se eu não fazia o que queria(obedecia)ficava de birra e reclamando horas sem parar!
Mas nunca se mexia pra fazer algo que eu quisesse...
Bem, virou ex.

Conceição Lima disse...

Oi, Lolinha, to fazendo parte da articulação em reação ao estatuto em Fortaleza.

Eu to imaginando aqui como seria maravilhoso um debate na FEAACS da UFC sobre isso tendo vc na mesa. O q vc acha?

A marcha aqui vai acontecer dia 22... Acompanha no face: http://www.facebook.com/groups/448834051841668/

lola aronovich disse...

Conceição, tô dentro. Me envia um email pra gente falar do debate.
E vou participar da marcha no dia 22 também!
Meu email: lolaescreva@gmail.com

MonaLisa disse...

Eu cresci em ambiente feminista, mesmo meus pais não se assumindo assim, aqui os direitos e deveres eram iguais.

Mas com amigas nunca tive paciência pra mulher machista. Tenho personalidade forte e quando me perguntavam pq não tinha namorado eu respondia que é porque eu não quero ou pq não encontrei ninguém que me mereça ainda e acabava o papo e algumas diziam que queriam ter uma auto estima como a minha. Algumas se aventuravam comigo em baladinhas e sexo casual (e o assunto morria ali) e depois voltavam com os namoradinhos machistas delas.

Eu tenho (???) uma amiga machista igual a da Thais (Anonimo 20:12) conheceu um vagabundo ai que não assume e nem sai da moita. Um cara horroroso de feio e que dá em cima de todo ser com vagina que passa pela frente dele. Ele saia com minha amiga, ficava até umas 22 horas de fds e largava ela na casa dela e saia procurar outras. Dai ela ligava pra eu sair com ela. Uma vez sai com ele, ela e um amigo dele que ele queria ajeitar pra mim que eu não fiquei, e quando minha amiga foi no banheiro, ele começou a dar em cima de mim e eu mandei ele se tocar, se olhar no espelho pq eu não tenho o mal gosto da minha amiga. Dai ele disse que eu não tava sabendo de nada, que ele é casado e tal. Claro que depois eu contei pra minha amiga, que ficou pensativa e ficou puta e ele disse que era mentira minha, que eu tava dando em cima dele.

Enfim, outra vez ela apareceu desesperada na minha casa pq tinha sido despejada, pra eu ajudar e arrumei uma casa pra ela. E combinamos de sair a noite pra comemorar, sem aquele cara. Quando passei pra pegar ela, o maluco tava la e ela disse que não ia sair mais pq 'é coisa do amor'. Então que vá pra PQP, vá ser chifruda. Faz meses que ela saiu da casa e não sei onde ta morando e nem me arrependo de ter me afastado. Se arrasta por pica, então que vá se foder.

Tem uma outra tbm, que era cheia de ideias feministas, até que se envolveu com um homem casado e engravidou dele. Ele largou a mulher e eles casaram. Hoje, 3 anos depois ela vai se separar pq não aguenta mais o machismo e vagabundagem dele.

Como vc bem disse, Lola, uma hora cai a ficha e elas não vão mais aguentar passando por essas situações.

Feminista capitalista disse...

Credo, estão todas cegas essas suas amigas, todas absolutamente cegadas pelo machismo escroto que domina na América Latina (e no resto do mundo tbm, com intensidades diferentes)
Mas um dia a venda nos olhos delas vai começar a cair, e aos poucos elas vão ver o quanto estavam erradas e começar a se arrepender do tempo perdido em meio a tanto machismo, aí tudo estará bem, porque o mundo ganhara novas feministas! Otimismo gente, o machismo vai diminuindo a cada dia que passa pra desespero dxs machistas!!!

Anônimo disse...

A generalização do "homem não presta" é algo que muito me irrita. Em toda minha vida (eu sou feminista até depois da raiz dos cabelos), e todas amigas minhas a gente SÓ encontrou homem que presta. E somos todas ULTRA feministas!

Lala disse...

Concordo com as colocações do texto. No entanto, é hora de entender também o preconceito com o interior. Eu sou de cidade pequena, Lola. Isso não me faz ter um pensamento machista, ou meus amigos, ou meus pais... Ou meus tios... Existem pessoas machistas, claro... Mas num grande centro? Não? Claro que existe. Percebo que as pessoas dos grandes centros conhecem muito pouco o comportamento e a vida dos moradores do interior. Vivemos num mundo globalizado, temos internet, temos muitas tecnologias. Isto mescla culturas, isto forma diferentes opiniões, isto acrescenta para todos. O pessoal do interior não é um bichinho do mato... Não é por morar numa cidade pequena que eu me sinta ignorante, inocente ou inferior aos amigos que moram num grande centro. Ou como nossa "maravilhosa" e bestial mídia mostra, como se as meninas do interior nascessem para casar, ser dona de casa e etc. Puts, é revoltante, eu e minhas amigas fizemos faculdade, trabalhamos, temos nossos objetivos. No meu caso tive que viajar anos para outra cidade todas as noites para fazer uma faculdade que não tinha nas universidades daqui. Como já falei, machismo existe aqui no interior ou em POA, SP, RJ ou sei lá. Ontem ainda me revoltei, pois uma grande amiga assumiu o namoro com um grande amigo meu... E ele fez para mim um comentário machista, pois iria conhecer a família dela (ela já conhece a família dele) e ele disse algo sobre o fato da "filha deles sair e voltar de madrugada"... Eu claro, fiz questão de corrigi-lo. E ele explicou que tinha se expressado mal... Ele disse que estava envergonhado por passar na casa dela de madrugada, já estarem namorando, e ele sequer cumprimentar os familiares dela sendo que ela já conhecia também os familiares dele. Até pq ele tem a vida bem enrolada e tem medo dos comentários que possam fazer sobre ele... E isso faça ela desistir dele... E essa foi a coisa mais machista que ouvi nos últimos tempos, ainda que explicada. Então, pessoas, nós do interior não somos idiotas. Somos ligadas em tudo que uma pessoa de um grande centro é. Talvez, a menina do texto, tenha generalizado... Talvez deu acaso dela conhecer pessoas machistas no interior e não na outra cidade. Isto não quer dizer que na outra cidade o machismo também não estivesse escancarado. Desculpem se me estendi ehehe, precisava desabafar... Sei lá... Sempre sinto um certo preconceito com as pessoas que moram no interior... Já ouvi muita coisa... Sobre o modo de vida e tudo mais. Mas só quem mora no interior conhece o modo de vida daqui. Ao contrário do que se pensa, nós também somos viciados em tecnologias, nos estressamos com o trânsito (claro que não existe congestionamento), temos boates, vamos para os bares, voltamos para a casa de madrugada, estudamos... Não somos bichinhos do mato!

Anônimo disse...

A autora não vai conseguir "resgatar" estas mulheres do machismo. E ainda vai ficar mal vista pelos maridos, acabar isolada, e quem sabe coisa pior, porque sabe-se-lá do que estes machistas são capazes se as mulheres deles começarem a colocá-los em cheque? Minha sugestão pra ela seria se envolver o mínimo possível com toda essa genta. Afinal, que tipo de amigas são estas que ficam alfinetando a ela e ao marido o tempo todo? Que ficam fazendo chacota? Claro que elas fazem isto por inveja... mas elas são machistas, abre o olho que são ainda capazes de querer se relacionar com seu marido pra tentar descobrir o que é ser amada de verdade e o que é um orgasmo...
Sei que talvez seja MUITO difícil por isso em prática (vc está em outra cidade e estas pessoas são as que vão conviver com você), mas tente então fugir de assuntos delicados como estes, na hora em que alguma começar a reclamar do marido, levante e arrume uma desculpa, mantenha a amizade apenas pra falar de coisas supérfluas, de trabalho, essas coisas, e fuja das reclamações e alfinetadas!
Sofia

Larissa Domingos disse...

Deixa isso pra la. A vida é delas de qualquer forma e se voce mostra coisas boas e elas nao querem ouvir o problema é delas. É aquele papo de que nao da pra ajudar quem nao quer ser ajudado. E de qq forma, um dia elas percebem o quanto sua vida é boa e o quanto voce tem liberdade e nem por isso deixa de ser amada, talvez elas passem a se questionar um pouco. E ai voce vai ter ajudado, dando exemplo.

Larissa Domingos disse...

Esse tipo de comportamento me revolta muuuito. Acho um absurdo falar mal de conjuge. Ta com ele pra quê?

Anônimo disse...

Bom, autora do post, como já aturei tudo isso que vc relatou, apesar de não ser do interior, fui criada de 7 a 17 anos no interior e voltei para o mesmo malsinado local por questão de vaga no trabalho, eu me limito a simplesmente residir no interior, não consigo ter paciência para me relacionar com mais ninguém "local". Nem mesmo os da época do colégio, já bloqueei todos os que lembrei em redes sociais para evitar a fadiga e quando tenho a infelicidade de encontrar na rua é aquela perda de tempo, a conversa é um circunlóquio da pessoa com seu próprio um umbigo, sua vida perfeita, narrativas exaurientes da vida de terceiros que não encontro mais (e nem pretendo) e vivências como as narradas pela a autora. Até utilizar serviços locais tenho evitado de tão atrasado que é. Não adianta ter as franquias do que tem na Capital (que nem é lá essas coisas) para ser atendido por essas toupeiras. Isso somente 50min da capital do RJ.

Anônimo disse...

Sei exatamente o que você passa. Minha irmã de apenas 27 anos (eu tenho 25) é quase mais machista do que meu pai - que não tem nem 60 ainda - que por sua vez considero bem mais machista que meu avô - que não tem nem 80 e é o único que veio do 'interior' (morou na fazenda até os 12 e em uma cidade bem pequena até os 25).

Anônimo disse...

Ai MonaLisa, acabei de postar um comentario la no "blogueiras feministas" falando basicamente o memso que você. Não tenho paciencia com gente que não se ajuda. AI se vc fala assim, como vc falou, mandandp esse povo se foder, ja vem 10 falando "coitada, foi criada assim, a sociedade que oprime"; Quero que se exploda. Eu vivo na mesma sociedade e não sou uma mula cega saco de pancada de macho. Mulherda tem que acordar. Se elas que são as oprimidas não afzem nada para se ajudar, complica mesmo.

Alinka

Gabriela Barbosa disse...

Concordam que as feministas sejam mais felizes no amor.Com o nosso esclarecimento sobre diversos assuntos,evitamos homens(ou mulheres,no caso das meninas homossexuais) com pensamentos retrógrados e aí,selecionamos melhor nossos parceiros!

Leio Lola Leio disse...

Puxa, eu não tenho paciência para pessoas como as descritas no guest post. Eu não tenho seuquer vontade de contrargumentar. Simplesmente corto relação e não sei isso é bom, mas é como acabo agindo. Cortei relações com MUITA gente, saio com poucas pessoas, em geral aquelas que compartilham de valores parecidos com os meus. Acho que sou intolerante, sabe. Mal falo com minha família, por vários motivos, entre eles o machismo. Acho até que sou covarde por me privar do contato com muitas pessoas ao invés de seguir na presença delas com minhas ideias e valores. Mas, hoje não consigo agir de outro jeito e meus melhores amigos têm sido mesmo meus livros, filmes e meu namorado. Acho que estamos caminhando para uma relação igualitária, embora de vez enquando esbarremos em algum valor retrógrado introjetado nele ou em mim. Mas, temos tentado ;)

Edna disse...

Eu tenho certeza que essas suas amigas morrem de inveja de vc, elas só não tem coragem de assumir, e acham que estão muito felizes.
Eu convivo com algumas pessoas parecidas no trabalho, é difícil, mas ultimamente tenho tentado não argumentar pq vi que é inútil, convivo com eles somente o tempo necessário e fim.

Anônimo disse...

Só uma dúvida, para que cidade vc se mudou ?

Sério, é uma cidade de que estado pelo menos, pq vivo em uma cidade do Nordeste que dizem ser mais machista e não vejo isso.

Juba disse...

Quando elas zombarem de você, diga que conhece muitos outros homens iguais a seu marido, e que elas é que escolheram mal.

Cora disse...


não me surpreende.

.
.

o brasil profundo é ainda profundamente machista. homens e mulheres machistas. adolescentes, jovens, adultos, idosos. aos montes.

há, evidentemente, graus diferentes de machismo.

conheço algumas cidades do interior de sp, cidades grandes, em q o machismo de homens e mulheres (independente de classe social) é de assustar.

Anônimo disse...

Sou casada ha 30 anos !
Tenho 2 filhos ( um menino e uma menina)
E fui ensinada que mulher de obedecer o homem , cuidar dos serviços de casa , sentar de pernas fechada , preservar a virgindade , nunca trair o marido , e perdoar sempre as traicoes deles pois é normal de homem .
E isso que ensinamos para nossos filhos ,
Nao deixo o menino fazer nada em casa , pois isso é trabalho de mulher enquanto esta solteiro eu o sirvo depois de casar a esposa deve servir a ele .
Meu marido nao me deixa nem vestir qualquer roupa , preciso da aprovacao dele pra tudo .
Ele sai com os amigos , volta ja amanhecendo dia , vai para puteiros mas isso é normal de homem .
Quando meu filho fez 15 anos ele o levou ao puteiro que costumava frequentar pra perder
a virgindade e desde entao incentiva meu filho a ser garanhao como todo homem deve ser .
A minha filha nao sai para lugar nenhum , quando ela me questina eu responde " porque seu irmao é homem e voce nao !"
Ja ensino desde sempre que homens sao diferente de mulheres , ela começou a namorar e o namoradinho dela tambem tem o costume de frequentar puteiro desde dos 15 anos , entao ele vinha ver ela em casa namoravam um pouco ali na sala e depois ele ia para o puteiro se aliviar .
As amigas da minha filha sempre criticavam ela porque ela saber disso e ainda ta com ele , mais graças aos meus bons conselhos ela entendeu que é normal isso , como ela é virgem deve preservar ate o casado e é natural o namorado se satisfazer com as prostitutas , digo sempre que o importante é a mulher se manter fiel sempre e entender que a fidelidade foi feita para as mulheres cumprir e nao para os homens .
E uma boa esposa de aceitar e perdoar sempre .