sábado, 22 de junho de 2013

MANIFESTANTE A FAVOR DO "COM VIOLÊNCIA"

Vista aérea da manifestação de Goiânia, na quinta

Recebi este email da B, que vou comentando em itálico. 

Na minha cidade (Goiânia) aconteceu anteontem (20/06) um do protestos, o 6º ato contra aumento de passagem, entre os vários que estão acontecendo no estado de Goiás e por todo o país.  Alguns dos meus familiares foram e eu resolvi ir com o pessoal da faculdade, pois achei que as reivindicações desta parcela dos manifestantes seriam as mais coerentes.
Seguimos pela cidade até encontrar o restante dos manifestantes no centro. Foi um orgulho imenso ver aquele mar de pessoas, um mar em pleno sertão goiano (a mídia diz ter sido 20 mil, mas sabemos que foi muito mais que 50 mil pessoas). Por um momento achei que vivia em uma democracia, foi um sentimento muito forte.
Eu, meus amigos e grande parte do pessoal da faculdade e de todo o protesto vestiam branco, gritávamos 'sem violência', 'vandalismo não', e outros gritos sempre que apareciam possíveis 'vândalos'. Em certo momento da manifestação nos deparamos com alguns meninos negros, sujos, e adeptos do 'vandalismo'. Com medo, chamei meus amigos para sairmos de perto.

Eu: Minha primeira surpresa com a mensagem da B: uma referência racista, pondo negros e sujos na mesma frase. Qual a relevância da cor dos manifestantes? Se este fosse um guest post, eu tiraria o trecho, porque ele aliena quem lê. Mas como não é exatamente um guest post, vamos em frente. 

Enquanto marchávamos pelo centro da cidade sem um percurso definido, via pessoas defendendo as mais diferentes vertentes. Foi esse o primeiro fato que me incomodou: descendo pelo Av. Goiás vi um homem de bigode segurando uma bandeira branca onde estava escrito "Terço dos Homens", que é um movimento religioso conservador (leia-se machista) da igreja Católica. Minha consciência feminista ardeu em chamas: como eu que me dizia tão feminista, estava andando ali lado a lado junto com alguém que é contra minha liberdade? 

Eu: Este é um dos riscos que se corre, como falei no post de ontem -- marchar ao lado de uma pessoa que defende exatamente o oposto de você. Isso não aconteceu nas Diretas Já (eu participei quando tinha 16 anos) -- lá estávamos porque todos queriam eleições diretas imediatamente para presidente. Não aconteceu quando fui nas passeatas dos caras pintadas, em 92, com 23 anos -- lá estávamos todos pedindo o impeachment do Collor. Mas nesses últimos dias de protestos as pautas têm sido variadíssimas, e aí sim, existe a grande possibilidade do cara ao seu lado ser um fascista "protestando" a favor da cura gay, da redução da maioridade penal, do Estatuto do Nascituro...

Seguimos pelo protesto, era clara a euforia de todos e a convergência de ideias, foi esse então o segundo ponto que me incomodou: gritávamos frases desconexas, cada um pedia pelo seu interesse, pelo suco do restaurante universitário, pelo imposto do PS 3, pela PEC-37, pela saúde, pela educação, por tudo. Poucas eram as frases que remetiam ao interesse nacional, ao interesse dos verdadeiramente reprimidos, e por interesses que realmente se constituam argumentos válidos, mas já fui consciente que isso aconteceria, entretanto me choquei com a dimensão da "confusão".

Eu: B, você também parece muito confusa. Você tinha acabado de dizer que havia um conservador ao seu lado, e agora aplaudiu a "convergência de ideias". E aí você se contradiz novamente no mesmo parágrafo. 
A gente tem que dar um desconto. É um protesto, e num protesto as pessoas carregam cartazes e gritam palavras de ordem. Não é algo muito aprofundado mesmo. Mas tudo é subjetivo. Outro dia uma seguidora no Twitter me disse que não se importava em marchar com pessoas com pensamentos tão diferentes aos dela, pois todas lutavam por "justiça". Putz, o que um eleitor do Bolsonaro entende por "justiça" é totalmente oposto ao que pessoas que defendem direitos humanos entendem por "justiça". A mesma coisa com o seu "interesse nacional" e "argumentos válidos".

Seguindo, vimos pessoas com rosas na mão e não sabia o que estava acontecendo, porque eram milhares de pessoas, não eram 10 ou 20. Mais tarde descobri que foram distribuídas pela PM, sob ordem do governador Marconi Perillo, que dizia que as flores representavam a paz. Esse foi o terceiro ponto que me incomodou, mas eu não sabia decifrar meu descontentamento.
Chegamos então na ponta da Av. Tocantins, esquina com a Praça Cívica (praça que abriga o Palácio das Esmeraldas -- sede do governo estadual e o Palácio Pedro Ludovico -- Centro Administrativo da capital do Estado) que estava completamente cercada por uma barreira policial "impenetrável". Estávamos todos parados, a multidão não caminhava e também não se sabia porquê, de repente houve uma dispersão imensa, pessoas correndo, se abaixando e ninguém sabia se a guerra estava declarada ou se era apenas uma bomba, enfim... 

Invasão em Brasília
Eu: Uma leitora, a Vitória, me enviou parte de um relato de um manifestante de Brasília: "Eu estava do lado do grupo que jogou a primeira bomba. O cara que jogou a primeira bomba estava bem vestido, com uma camisa branca, moreno. Ele jogou nos policiais. E aí, como não teve resposta da polícia ELE JOGOU BOMBA NOS PRÓPRIOS MANIFESTANTES! Sim, ele NITIDAMENTE estava querendo começar uma confusão. Como não conseguia, começou a jogar bomba em cima da gente, inclusive, em cima do pessoal que tava no laguinho. Mais pra frente, quando o pau fechou, um grupo que tava perto dele continuou jogando bomba, todos com camisas enroladas na cabeça, jovens todos eles. 
Em Brasília
Ou seja: NÃO FOI UM ATO ISOLADO, FOI ALGO ORQUESTRADO. EXISTE UM PESSOAL INFILTRADO NAS MANIFESTAÇÕES PUXANDO A VIOLÊNCIA. Eu vi isso, ficou claro. Quando a polícia começou a brigar com eles, eles jogaram na polícia, mas várias bombas estouraram em lugares isolados, em cima dos manifestantes mesmo. E aí eu que pergunto pra vocês: se fosse 'violência/vandalismo' o alvo seria só o governo/polícia, POR QUE ATACAR OS MANIFESTANTES? Pensem nisso, que não é especulação, é a palavra de alguém que ficou surdo alguns minutos com uma bom que estourou no meu pé."
Manifestante atacado em Recife
Não estou dizendo de maneira alguma que toda a violência vem de um grupinho de manifestantes (que podem muito bem ser policiais à paisana infiltrados). Mas existem sim grupos fascistas que querem depredar, causar pânico, espancar manifestantes com bandeiras vermelhas... Eles não fazem isso só nos protestos. Fazem isso o ano inteiro. É pra isso que eles vivem.

O desespero foi imenso, pessoas se perderam do grupo, e gritavam pelo nome dos companheiros, a maioria se sentou e começou a gritar "sem violência", inclusive eu e estou envergonhada por isso. Só quando cheguei em casa, que vi na internet que todo o tumulto foi devido a uma parcela (hoje digo: infelizmente uma parcela mínima) de manifestantes que tentaram passar pela barreira policial.
Com medo avançamos, e mais uma vez a multidão meio que perdida subiu a Av. 85 (é como se fosse a Av. Paulista de Goiânia), esse foi o 4º ponto que me incomodou: o povo se demonstrava perdido, não sabia onde ir, e a Av. 85 estava deserta, fecharam o trânsito bem antes da manifestação, ou seja, caminhamos por ela em vão, não tínhamos causa, nem havia trânsito pra ser parado. No segundo viaduto do trajeto uma manifestante passou mal e não havia ambulância,o povo gritava "cadê a saúde pública?" (uma das poucas frases gritada por todos, e que fez sentido), e foi necessário que uma viatura da PM adentrasse aquele mar de pessoas para buscar a garota. Prepare-se agora vem o mais chocante, o que me fez ir embora e não continuar, o que me fez "acordar": Quando a viatura ia se retirando, levando a garota, um grito ecoava "PARABÉNS PM".

Eu: Mas a PM fez o que tinha que fazer, que é garantir a segurança das pessoas na rua, ué. Se alguém passa mal, deve ser atendido. Eu elogiei, há poucas semanas, o acompanhamento da polícia na Marcha das Vadias de Recife. Por exemplo, a polícia ajudou a parar o trânsito, prevenindo atropelamentos. Faz pouco tempo também critiquei a polícia na Marcha das Vadias de Guarulhos, que foi lá a mando de um padre prender manifestantes por "perturbar a ordem pública" e por "atentado violento ao pudor". É comum a polícia militar agir com brutalidade em boa parte das manifestações populares. É por isso que ela deve urgentemente passar por treinamento para aprender a lidar com pessoas. E a gente tem visto em quase toda esta onda de protestos a violência policial. Que bom que desta vez ela agiu para ajudar alguém!

Fui embora, e como disse aos meus amigos, não sei estava feliz ou frustrada por não ter tido confronto com a polícia, só sabia que estava confusa (nunca quis confronto por confronto, mas o confronto representa algo que ainda não estava muito claro na minha mente).
Hoje li muito, vários textos de variadas vertentes políticas (inclusive os seus) e descobri o quão burra, patética, idiota eu fui ontem... Julguei tantas pessoas que estavam lá estragando o protesto, atrapalhando o andar da manifestação para tirar fotos, mas não eram fotos do protesto, mas das suas caras pintadas de verde e amarelo, suas camisas brancas e seus olhos azuis, fotos essas que com certeza estariam nas redes sociais para provar "prazamiga"  que podem receber mais curtir que elas. Julguei pessoas assim, mas eu era pior que elas, porque achava que eu era diferente, que eu era "politizada e intelectual".

Eu: Não vejo nada de errado em querer tirar foto nos protestos. Estar ao lado de milhares de pessoas é algo marcante, que você vai se lembrar pro resto da vida. Lembro que, nas eleições de 2010, algum reaça quis provar que Dilma não havia participado dos protestos das Diretas Já. E a prova foi que ela não tinha fotos nos protestos! Ou seja, se você não tiver fotos, é como se você não tivesse comparecido. Certo, estou usando um exemplo extremo, mas deixa as pessoas terem suas memórias!

Hoje vi que realmente não representei o que queria ter representado, e pior: ajudei a denegrir a luta de quem sempre lutou, os militantes que sempre deram a cara nos protestos, protestos estes que em plena "revolução do vinagre" são considerados atentados contra a ordem por grande parte da população mundial.
Hoje entendi que aqueles meninos negros, sujos, "vândalos" dos quais me afastei por medo, são aos quais eu deveria ter me unido. 
Eles que vestiram a camisa da cor que quiseram, que tiveram seu grito "com violência" reprimido pela maioria, passaram em pleno "movimento social" pelo que passam todos os dias agredidos não só pelo governo, mas pelo preconceito de toda a população. A violência que defendiam era um revide a tudo isso, era o protesto mais legítimo que existiu ali, mesmo que fosse violência por violência, não podemos julgá-los, aliás tenho certeza que exigir deles uma "violência inteligente e bem planejada" é tão idiota quanto o meu preconceito, ou será que eu achei que eles foram a escola particulares e renomadas como eu? Eu, que mesmo tendo uma boa educação só " acordei" depois de tudo isso. Tive nojo de mim.

Eu: Opa, B! Seu texto já tinha dado indícios que vc queria o confronto físico, mas aqui você fala abertamente que os "vândalos" é que estão certos. Não consigo concordar com isso de forma alguma. Odeio violência, odeio vandalismo. Sim, o que o Estado faz com seus cidadãos muitas vezes pode também ser considerado violência. Mas isso não quer dizer, pra mim, que devemos responder com violência. Depredar patrimônio público é quebrar o que é meu, seu, deles, nosso. Tô fora. Além do mais, iniciar violência no meio de uma multidão é algo extremamente perigoso, que pode causar ferimentos e mortes. Me contaram que tem gente soltando rojão e bombinhas durante os protestos. Cadê a inteligência disso? Você lá com medo das bombas e balas de borracha da polícia, e vem alguém disparar um estrondo ao seu lado? 
Pra mim, violência só é justificável em caso de autodefesa.

Quanto a falta de bandeiras de partidos políticos, hoje, vejo que é sim algo que remete ao anti-partidarismo e à ditadura militar, me preocupei ainda mais ao ver no FB uma página denominada "Golpe Militar em 2014" com mais de 6000 curtidas, com publicações que comemoram com sarcasmo a expulsão de partidaristas dos protesto. Tudo isso é sim um motivo de alerta, esse pessoal existe e não faz questão de se esconder, aliás estão nas redes sociais e dentro dos protestos fazendo com que a maior legitimação da democracia -- a manifestação popular -- fique contra a própria estrutura democrática. As manifestações devem sim ser apartidárias, mas NUNCA anti-partidárias.

Eu: E você acha que essas pessoas que querem o "quanto pior, melhor", essas pessoas que vão a protestos para quebrar tudo e bater nos outros, querem o quê? Querem golpe, querem violência. É claro que estão dentro dos protestos: você os viu lá, gritando "com violência". E depois achou que eles é que estavam certos! Pense melhor. 
Além do mais, creio que manifestações podem ser partidárias. 

Durante toda a manifestação sempre que a maioria se calava surgia cantos que remetiam a retirada da Dilma do poder (minha simpatia ao PT me impediu de cantá-los, mas eu não sabia o verdadeiro significado de ficar em silêncio). Hoje sei o quanto meu silêncio valeu a pena, mesmo não concordando com algumas medidas e decisões do governo Dilma, todos temos que reconhecer que foi só quando o PT entrou no governo que o pobre de verdade teve melhorias, ou será que o salário mínimo e as privatizações em grande escala do governo FHC favoreciam a classe mais baixa? Se não for o PT no poder será quem? PSDB de novo? Não, obrigado! É bom lembrar que o povo nem sabe o que fala quando grita "fora Dilma", porque é esse mesmo "povo" que apoia o fim de bandeiras de partidos políticos nas manifestações, é o "povo" que queimou bandeiras do PSTU, por exemplo, que representa uma das maiores trincheiras contra o governo Dilma.
No meio da confusão de milhares de frases desconexas, ficou claro que não falta motivo pra ir à luta, mas disso todos nós sabíamos, até quem estava lá pra "tirar foto no espelho e postar no FB". E ontem em Goiânia não lutamos, "festejamos", como foi dito no jornal local. Uma minoria tentou lutar, e ao tentar tomar a Praça Cívica, causou o tumulto e foi reprimida pela frase "Sem violência". Esse foi o maior erro de toda a manifestação, foi o que hoje colaborou pra minha auto-flagelação (eu também gritei "sem violência"), mas vamos pensar: os manifestantes ao tomarem a Pça Cívica seria o maior símbolo de democracia possível, pense só aquela multidão no local que representa a sede do governo estadual, representaria descontentamento do povo com o atual governo, representaria o povo no poder e é isso que deveria acontecer em uma democracia de verdade. 

Eu: Penso que você tem uma visão bem restrita do que é protestar. Festejar pode ser um ato de protesto, não acha? Eu vejo a Parada do Orgulho Gay como ato de protesto. As Marchas das Vadias costumam ser bem "festivas", e obviamente são protestos. Não precisa ter carranca ou violência ou invasão de prédios ou confronto com a polícia pra fazer um protesto "de verdade".

Mas sabe o que aconteceu? Uma ação descomunal da polícia, porque foram pouquíssimos manifestantes que estavam conscientes do que estava acontecendo e que tentaram a ação, e veja só: a dispersão foi gigantesca, foram milhares de pessoas correndo, sendo arrastadas, desesperadas, pessoas essas que na maioria (como eu) estava lá feito cãozinho adestrado. Essa foi a maior prova do quão coronel e inteligente é o nosso governador, que foi no mínimo sarcástico ao publicar uma nota parabenizando a população pela demonstração de democracia, mesmo depois de manipulá-la e oprimi-lá quando esta tentou realmente dar a ele uma prova democrática.

Eu: Você separou as pessoas nas manifestações entre quem protestava pacificamente -- cães adestrados, segundo você -- e quem queria violência, os "verdadeiros democratas". Desculpe, mas acho que quem quer quebrar tudo não tem consciência de nada.

E no final, ainda tinha gente gritando "Parabéns PM", parabéns por que? Por não precisar bater em cães adestrados? 
Agradeceram (dessa vez não fui tão burra a ponto de gritar também) pela PM ter defendido um governo que nos alienou tão bem, um governo que além de não preparar bem seu povo e sua polícia ainda explora a classe militar. A repressão foi "pequena" porque praticamente não houve ação de manifestação de verdade, porque se tivesse ocorrido um verdadeiro protesto não tenho dúvidas que o número de presos (8) seria multiplicado por mil e o número de feridos quase que se igualaria ao numero de manifestantes.
Quando cheguei em casa falava-se sobre a invasão da Assembleia Legislativa, mas parece que houve ação de torcidas organizadas, não soube o que realmente aconteceu e prefiro não escrever sobre isso.
Li hoje também sobre a retirada do MPL e de outros grupos de esquerda dos movimentos por causa da inversão de valores que está acontecendo dentro dos protestos. E estou assustada, o que fazer, o que defender, já que os mais coerentes se retiraram? Como viu, estou tentando ao máximo me informar e tornar alguém consciente sobre a luta social. Estou com medo de divulgar qualquer parte desse texto, com medo de represálias não só dos ignorantes, mas dos governantes. É correto, ter esse medo?

Eu: É realmente complicado. Retirar-se dos protestos equivale a deixá-los inteirinhos pro pessoal da direita se deleitar, essa gente que, tal qual a primeira galera do "Saímos do Facebook", podia estar postando cartazes com os dizeres "Saímos dos portais de notícias". 
Não há dúvida que as manifestações foram invadidas por pautas reaças, principalmente em SP. Meus queridos alunos e alunas que andam participando dos protestos em Fortaleza dizem que aqui não é bem assim, que nas ruas se veem pautas de todos os tipos, se bem que também está sendo perigoso sair com camisas e bandeiras vermelhas. 
Agora mesmo recebi email de um estudante da UECE: "Fui criticado por criticar o Feliciano: as pessoas me disseram que lutar contra a cura gay é uma 'distração' ao movimento, e que eu deveria me empenhar em lutar contra a corrupção e a favor de escolas e hospitais de qualidade. Mas eu também sou a favor de ter escolas e universidades de qualidade, bem equipadas e com professores satisfeitos, sendo reconhecidos pelo trabalho que realizam, isto é, uma coisa não anula a outra. Será que as minhas causas não merecem ser ouvidas? Sinceramente, estava animado pra ir às ruas protestar, mas parece que as manifestações perderam a causa e o efeito."
Marcha das Vadias de Brasília, hoje
Pois é, essa queixa dele é recorrente. Mais uma vez, muitas causas feministas, LGBT, de movimentos negros -- que também deveriam ser causas de todos -- ficam de fora. Isso quando não vemos cartazes abertamente preconceituosos.
B, protestar é direito nosso, e você não deveria ter medo algum de fazer isso. Mas duvido muito que quem protesta com violência tenha as mesmas reivindicações da gente.
A tristeza que me dá ver uma mulher carregar um cartaz desses, em Goiânia: "De quantas mulheres precisamos para o fim do Brasil? DiUma".

30 comentários:

José Abrão disse...

Lola, sou de Goiânia e estou muito feliz com seus comentários: finalmente encontrei alguém que pensa o que eu pensei. Eu fui na manifestação e sim, tinha muita gente jogando bombas e estalos no meio dos manifestantes. O mais decepcionante aqui é que os movimentos sociais e de esquerda estão completamente perdidos e agindo de forma imatura.
Eu ouvi com meus próprios ouvidos: a orientação era "vamos tomar a Praça Cívica", pela força, partir pra cima do Choque. As pessoas que foram embora com medo de um possível confronto foram chamadas - principalmente posteriormente nas redes sociais - de covardes e coxinhas.
Mais tarde, quando houve o confronto na Alego, a Assembleia Legisativa, um líder do movimento disse que "foi a única coisa boa em uma manifestação desperdiçada". O Assembleia e um banco depredados foram a única coisa boa de acordo com um dos LÍDERES de um movimento social em Goiânia.
As pessoas que foram lá pra gritar e fazer barulho foram excluídas como "turistas" alienadas etc.
Eu não concordo com a violência aqui e sou chamado de reacionário e burguesinho pelos meus colegas que fazem partes desses movimentos.
Mais tarde, um desses mesmos colegas que me desprezam veio me pedir ajuda para por na imprensa que os jovens presos durante a depredação precisam de ajuda e que um deles apanhou feio.
Achei isso engraçado -e triste- por dois pontos: eu, como jornalista,sou chamado de manipulador por eles e acusado de trabalhar para uma mídia golpista, mesmo assim, pediram ajuda.O outro ponto é que eu estava lá, a PM só foi pra cima quando a depredação começou. Estes manifestantes depois acusam a PM de covardia e fascismo, mas, no caso dessa manifestação em particular, a PM não fez nada fora do protocolo e evitou o confronto o tempo todo.
Enfim,é simplesmente triste, Lola, a situação política dos jovens daqui. Os "riquinhos" ainda estão desorientados, como a maior parte dos manifestantes que acabam de chegar ao movimento. E a esquerda está iludida e se comportando de forma imatura e arrogante, excluindo e alienando pessoas, querendo escolher quem pode e quem não pode se manifestar e acreditando piamente que o confronto com a PM e o vandalismo são o único caminho para a mudança.
Sinceramente, estou muito, mas muito decepcionado mesmo e não sei o que fazer. Um abraço, amo seu blog.

Ass: José Abrão (o notebook é da minha namorada e está logado na conta dela)

Alice Mariel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Julia disse...

Desculpa desviar do assunto mas a explicação para mulheres carregarem cartazes como esse último do post tem a ver com isso.

http://www.guardian.co.uk/education/mortarboard/2013/jun/20/why-i-started-a-feminist-society

Uma menina abriu uma "sociedade" feminista na escola dela no Reino Unido e recebeu um monte de respostas agressivas. Passaram a receber ameaças dos garotos da escola depois de postar fotos em um grupo no facebook, e esta preferiu pedir que elas retirassem a série de fotos para não serem mais ameaçadas. É mais fácil ir com a corrente e ser machista. Dá menos trabalho.

patricia. disse...

Eu não vou a favor de vandalismo e violência.Nunca,acho que nada justifica,à não ser em caso de defesa pessoal.

Para mim, uma pessoa que destrói patrimônio público não tem o menor amor pelo país, pois está destruindo algo que é de todo mundo.Mesmo que eu não usufrua,ou você não usufrua,alguém usufrui,e o dinheiro do conserto vai sair do nosso bolso.

Achei ótimo que os próprios manifestantes tenham denunciado quem estava incitando a violência aqui em Fortaleza.É bom que as pessoas saibam que a maioria ali quer um protesto pacífico, e que atos de vandalismo e violência não serão tolerados.

Para mim um protesto não precisa ter violência, uma quantidade enorme de pessoas e briga com a polícia para que seja válido.Próxima semana participarei de um ato contra o ato-médico e a cura gay e outro contra o estatuto do nasciturno.Vou porque independente da quantidade de pessoas que vão estar lá, porque são causas que eu acredito e que nesse momento devem receber a devida atenção da população.Acredito que ambos os atos serão extremamente pacíficos e que provavelmente não ocorrerá confusão em nenhum dos dois, o que não significa dizer que a mensagem não será passada.

Claro que um protesto com violência e vandalismo atrai mais atenção das pessoas e da mídia, mas eu não acho legal você lutar pelos seus objetivos infligindo medo e destruição.

Reveja os seus conceitos, violência não leva a nada.

Ivana Lima Regis disse...

Em São Paulo, desde a saída do MPL, no dia 21, quem está “liderando” as trocentas páginas do MOVIMENTO DA DEMOCRACIA SEM PARTIDO no Facebook é o Anonymous. Imagina ser liderado por “alguém” que pede transparência em tudo e não mostra a própria cara?

Demorei para entender o que estava acontecendo, mas, no dia 20, encontrei Jesus!! (kkkkk!!!).
Tive que me jogar na Paulista, enrolada na bandeira do PT e, por conta disso quase ser linchada (junto com os outros integrantes da pequena passeata), para entender que o ideário desses protestos tornou-se FASCISTA.

Por mais que o MPL tenha se declarado de esquerda, eles incentivaram a criação dessa massa amorfa de gente porque queriam engrossar as manifestações pela redução da tarifa. No dia 20, na Paulista, eles viram o monstro que ajudaram a criar. Foram xingados, ameaçados e avacalhados junto com os partidos e demais movimentos sociais organizados de esquerda.

"Fora Dilma", "Meu partido é meu país", "O povo unido não precisa de partido" e por aí vai. Porrada, vaia, xingamentos, ameaças, ataques a bandeiras etc, etc. etc. O que é isso? FASCISMO.

O tal movimento revolucionário da “geração coca-cola com mentos” saiu do Facebook direto para o colo da extrema direita.

E, para vocês não acharem que eu foi acometida por algum tipo de “paranóia golpista”, segue lista de vinte comunidades do facebook que convocam o ato da extrema direita para o dia 10 de julho. Sem partido? Not!

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=538407982884717&id=149047141820805

patricia. disse...

Gente,tenho uma pergunta para quem quiser responder:

Embora ache que não chegue à isso,esses dias tenho estado mais que um pouco preocupada com um golpe militar.Em que isso acarretaria para a população?Funcionaria da mesma forma que a ditadura de 64?Haveria o mesmo tipo de cesura,perseguição e violência?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Acho que quem é a favor ou causador da violência não vai ter direito de reclamar se for vítima de alguma.
Uma coisa é se defender outra é causar e depois querer reclamar se o outro lado se defender.

Desmond disse...

Eu ainda acho que os protestos devem ser apartidários, e, ao máximo possível, sem causa.

O motivo pelo qual tanta gente se reuniu é justamente porquê existe algo que supera todas as diferenças - seja você de direita ou esquerda, preconceituoso ou não.

E esse motivo é o simples descontentamento.

Todos estão descontentes. Todos estão putos da vida. Ninguém tem uma solução.

É sobre isso que deveriam ser os protestos - a política tem sido impotente para fazer o mínimo que seja - o problema é a insatisfação, não pautas específicas - e a luta é para que abram-se os canais de diálogo e servidão pública aos que desejam se manifestar.

Esse deve ser o foco da luta - abrir os canais, tornar os servidores públicos em servidores do público. Todo o resto é dividir e enfraquecer a unidade do movimento.

Sam disse...

Lola, não sei se você já viu, hoje saiu uma coluna interessante nO Povo Online: http://www.opovo.com.br/app/colunas/politica/2013/06/22/noticiaspoliticacoluna,3078824/ao-jovem-manifestante.shtml


Destaque para um dos comentários, bem pertinente: "Ei, você que "acordou", não hostilize quem nunca dormiu."

Luciana Lu disse...

Ora, ora, ora. Olha quem acaba de chegar para se juntar ao Movimento: Sim! É ela: A luta de classes entrou na pauta. Porque a periferia não vai se omitir. Não vai deixar a Direita dar o Golpe. Só que as balas de lá, “não vão ser de borracha”.

E agora, a revolucionária geração Coca-cola, que saiu do Facebook direto para o colo da extrema Direita, vai fazer o quê? Jogar Mentos em cima da periferia paulistana? Ou tentar cooptar a moçada para o “Movimento dos Sem Partido”? Façam suas apostas.

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2013/06/contra-fascismo-grupos-de-periferia-se-articulam-em-sao-paulo-6181.html

Mari disse...

Oi, Lola,

sou leitora assídua, mas nunca tinha postado aqui, acho. Enfim, gostaria de levantar um ponto acerca da violência.

Calhou que esta semana li um artigo sobre cultura visual e educação, que como tantos estudos da contemporaneidade, reflete sobre a questão dos filtros culturais: "as transformações tão rápidas da nossa sociedade e experiências parecem configurar-se como uma espécie de paradigma que influencia os processos de construção de subjetividade e se instala no imaginário visual de crianças, jovens e adultos". As vivências das pessoas se configuram em filtros culturais. Como esperar de uma pessoa que na vida só viu violência como instaurador de poder e de palavra, que seja plenamente pacífico, que não provoque vandalismo porque tudo é de todos nós? Esse tudo que "é de todos nós" nunca foi para vários dos que chamamos de vândalos. Gente que não tem o direito à rua, às lojas, ao comércio, a reações dignas dos outros se sente parte do nosso país?

Claro que sei que há pessoas que não viveram embebidos na violência física propriamente dita sendo violentos, mas também para esses, há filtros culturais, certo? Nossos amigos fascistas também não foram traídos pela cultura, como fala Faludi em Domados?

Enfim, se qualquer coisa, para um espírito analítico, a violência ou exigência violenta da falta dela nas manifestações mostra justamente o que é nossa cultura, e onde temos que melhorar.

Sobre um "golpe", bom, tem um chegando, disfarçado na festa da democracia do ano que vem: o Partido Militar, recém-instituído, está convidando o über carismático (o povo ama esse senhor demais da conta) Joaquim Barbosa para concorrer :/

http://www.jusbrasil.com.br/diarios/55758312/tre-go-20-06-2013-pg-29

http://www.partidomilitar.com.br/?p=880

Kah disse...

Lola, tô com um orgulhinho bobo de morar em João Pessoa. Vendo como os protestos por aí estão bagunçados, dá uma coisinha na alma ver como as coisas estão aqui. Além do Major da Polícia declarar que ia trabalhar o máximo para a manifestação correr com tranquilidade (e ocorreu! terminou tudo na paz), o Avante João Pessoa definiu o que quer com a onda de protestos.
Acho fofo, acho bacana, acho honesto, acho exemplo.

Olha só a página https://pt-br.facebook.com/avantejoaopessoa

simone disse...

meu pai, coronel do exército na reserva, meu amado reaça (que eu abraço todo dia!), revoltadíssimo com a "comissão da verdade unilateral" e em sintonia com seus companheiros das forças armadas, respondeu o seguinte quando comentei sobre o medo de um novo golpe (que ele carinhosamente chama de "revolução") militar:

"jamais! os militares estão enfurecidos com a falta de apoio da população (frente a comissão da verdade e o ato heroico de 64 para desinfetar o país de comunas). o exército quer ficar longe da política, não quer mais se meter nisso!"

e, vindo dele, que recebe panfleto contra kit-gay do bolsonaro aqui em casa (*vergonha*) e está em contato com os militares do IME e AMAN, me parece um comentário bem fundamentado.

quanto às manifestações no RJ: fui na de quinta e vi sim muita gente puxando sardinha para as """próprias""" causas (pq feliciano deveria ser pauta de todo mundo, né não?), mas os gritos, em sua maioria, eram sobre saúde, educação e a PEC 37. não boto na conta os xingamentos contra o governador sergio cabral ou gritos genéricos contra corrupção etc. saí de lá meio frustrada, mas em casa me animei um pouco ao pensar q, apesar de superficial gritar por saúde e educação, estamos gritando exatamente pelo q dói mais e pelo o q mais é mascarado e sofre remendos e é jogado pra debaixo do tapete. a sensação é q levantamos o tapete na marra e jogamos essa sujeira no ventilador, msm q voe pelos ares e fique por isso msm, pelo menos agora eles sabem q nós sabemos e não estamos sendo inteira e mansamente tapeados...


ah sim... essa menina tem quantos anos? que tom de pseudo-intelectual irritante!

gonnabeallright disse...

Lola, eu sou não sou favorável nem contrário ao vandalismo (não confundir com violência). Na verdade, ninguém é a favor do vandalismo, como ninguém gosta de fazer um aborto.

Por exemplos:

1. os índios, que cada dia mais têm ficado sem terras e, portanto, não conseguem se alimentar, não podem pichar a prefeitura exigindo direitos?

2. um aidético que, depois de expulso de casa e sem acolhimento por nenhuma instituição do estado, está ao ponto de decidir se matar não possui o direito de depredar a frente de um hospital público, que deveria lhe atender, mas não o faz?

3. uma mulher que foi estuprada, engravidou e corre risco de vida quer fazer um aborto. O estado não permite. Então, ela não estaria no direito dela de mostrar sua revolta pichando os muros da cidade?

Desculpa, Lola, mas não concordo com você quando o direito à propriedade estão acima do direito à vida.

OBS: Gandhi foi chamado de vandalista (porque burlava a lei), muito embora seguisse o princípio da não-violência.

Sofia L.B. disse...

gentem, embora pareça uma coisa meio óbvia d+ pra nos darmos o trabalho de fazer, vamos assinar a petição a favor da Dilma terminar o mandato dela?

http://www.avaaz.org/po/petition/EU_APOIO_A_PRESIDENTE_DILMA_CONTRA_A_TENTATIVA_DE_GOLPE_DE_SETORES_DA_ELITE_BURGUESA_DO_BRASIL/?fFjJWeb&pv=143

2014 tá aí e se o povo quiser depor o governo do PT, penso que seria a melhor ocasião...

Fábio disse...

Os baderneiros vândalos são conservadores infiltrados ?
Porra ninhuma, são anarquistas, punks, e mantes da "revolução marxista" os mesmos que pregam o tempo todo "não existe revolução pacifica" e blah blah blah.
E vcs agora querem empurara-los para nos, nâ, na ni na não, toma que o filho e teus esquerdinhas, rsrs.

O que realmente esta incomodando vcs, e que o povo brasileiro em sua gigantesca maioria e patriota, conservador, e anti-comunista por convicção, não vai comprar nenhuma de suas revindicações opurtunistas coitadistas, chupem essa manga esquerdalha.

Liv disse...

É DISSO que eu estou falando. De gente que encontra os seus ideais dentre aqueles ditos de esquerda, e incorpora junto tudo o que há de podre nesta mesma esquerda.
"Participei do grupo x da esquerda e li fulaninho, por isso estou por dentro de TUDO e detenho a Verdade (por mais confusa que eu esteja, isso não vem ao caso, porque a Verdade está comigo). Se vc não leu ou discorda, é uma besta alienada fascista comparável a um cão amestrado".

E mais: "minha opinião só se alterará se um(a) Guru da Verdadeira Esquerda me disser que posso estar levemente equivocada. Porque se for um outro alguém qualquer, se enquadra na categoria acima de cão amestrado."

O nome que eu dou a isso é alienação, e, nos casos mais graves, lavagem cerebral. Mas quem liga para o que um cão amestrado diz? É tão mais legal continuar fazendo sucesso entre os amiguinhos com piadinhas de coxinhas no facebook, e brigando que PC do B e PT juntos JAMAIS, enquanto a tucanofauna vai expandindo sua população e limites geográficos...

Sabe que fico até feliz que tenham me tomado a carteirinha de esquerdista? Porque essa esquerda brasileira dá uma vergonha...

L. G. Alves disse...

Querem um Brasil melhor deste jeito? Quebrando tudo, roubando? Ah, me poupe deste povo sem noção. Mudar a atitude no dia a dia ninguém quer, né? A revolução tem que ser interna, em cada pessoa. Mudança de mentalidade e de comportamento. Ser atuante no bairro, para começar. Quem tem que mudar é o povo porque quando o povo muda pra melhor o país muda. Se nem vão a uma reunião de condomínio com o sindico, imagina o resto. Fácil ir pro protesto exigir e cobrar, difícil mudar a si mesmo.

Vitória disse...

Lola, que bom que meu email serviu para algo, e os relatos vão aparecendo mais. Tenho duas amigas que são mães de lgbt e que foram ao protesto de quinta e levaram cartazes contra a cura gay . Eu quase fui, mas quando soube que seria junto à marcha do vinagre/acorda brasília/whatever decidi não ir. Enfim, essas duas senhoras foram hostilizadas, escutaram provocações do tipo "sim à cura gay", tiveram que guardar suas bandeiras do arco íris e foram embora. Estrategicamente acho suicídio coletivo movimentos libertários irem, pois esse mov já foi tomado pelos reaças e só estaríamos ajudando a dar mais volume (e logicamente mais legitimidade a eles). Nossas causas nem aparecem na mídia e, fora as hostilizações. Chegou a hora de fazermos uma marcha nossa, com mov. Sociais, partidos de esquerda, sindicatos e bandeiras vermelhas. Ou então ficar em casa, pois marchar ao lado de seu opressor é burrice.

Vitória disse...

Lola, aqui o relato da minha amiga:

"Demorei 2 dias para me recuperar mentalmente e poder expressar meus sentimentos em relação à manifestação de 5a feira, aqui em Brasília.
Fui com a L. e minha filha, com o intuito de protestarmos contra o tal projeto da "cura gay", aprovado pela CDH na última 3a feira.
Eu tinha esperanças no começo dessa movimentação no Brasil, confesso....mas minhas esperanças nada tinham a ver com o rumo que as coisas tomaram, com esse show de desrespeito, de falta de conhecimento da nossa história e da luta dos movimentos sociais, com esse "estar ali por estar, pra fazer volume", com uma bandeira do Brasil, gritando e cantando pelo nacionalismo....
Acompanhando depois tudo aqui pelo face, encontrei alguns textos que exprimem o meu sentimento em relação a tudo isso, e em especial esse, da I., que, como eu, se sentiu deslocada naquela manifestação.
Mais importante do que falar sobre o medo que eu e a L. sentimos, sobre o quanto corremos na Esplanada fugindo de bombas, de tumultos, foi a sensação que tivemos de que aquela não era a nossa luta, de que lá havia homofobia, misoginia, racismo, desrespeito aos movimentos sociais, e tudo isso sim, me assustou muito.
Fui avisada que o Bolsonaro Jr estava, naquele momento, conclamando a população a ir para as ruas; observei cartazes pedindo "2a PONTE PARA O LAGO NORTE" (Nota minha: Lago Norte é um dos bairros mais ricos de Brasília), "APOIO ÀS FORÇAS ARMADAS", "IMPEACHMENT PARA DILMA", entre outras pérolas.
Aí, vc ouve alguém gritar do seu lado "FAMÍLIA TRADICIONAL!!!"; aí alguém atira uma garrafa propositalmente em sua filha (estávamos as 3 com a bandeira LGBT amarradas no pescoço, feito capas, e portando cartazes contra o projeto lunático da "cura gay"); aí vc ouve um grito "DILMA SAPATÃO"!!!, outro "SIM À CURA GAY"; e aí, quando em fuga (eu e a L.), a mesma me aconselha a tirarmos as bandeiras por medo dos homofóbicos ao nosso redor...Senti mais medo disso do que das bombas pipocando a todo momento. Senti medo de uma juventude que dizia estar ali cobrando várias coisas do governo, mas que sequer respeitava o seu semelhante (claro que não posso generalizar, haviam representantes de movimentos sociais ali, mas em minoria). Fiquei assustada com uma grande massa dizendo estar ali lutando (objetivos difusos e reacionários) e demonstrando total desrespeito aos direitos humanos.
Precisamos sim, de reformas, esse país precisa realmente de muitas mudanças, e isso não é de hoje, vem de muito tempo. Mas, para mim, depois de tudo que presenciei na 5a feira, a reforma mais urgente e necessária precisa ocorrer dentro de cada um/a de nós".


Na disse...

Oi Lola, acompanho há muito tempo seu blog, meu preferido devo dizer, mas nunca tinha comentado, acompanhei a primeira manifestacao em Sao Paulo indignada, fiquei totalmente em choque com a atitude truculenta por parte da pm e mais fiquei perplexa com a postura da mídia, decidi naquele dia que faria parte dos protestos aki em Bh, nao pude ir no primeiro dia mas no segundo eu já estava lá, fui com meus filhos, queria que eles fizessem parte disso, devo dizer que já estava um pouco preocupada com o rumo de tudo, sabe aquilo de ver pessoas que o dia inteiro sao a favor do redução da maioridade penal, pessoas que soltam pérolas classe media diariamente? Então, esses começaram a apoiar incansavelmente as manifestações e o sem partido, aquilo realmente me enojou, mas o que vi em BH foi pior, manifestante brigando com manifestante, cartazes preconceituosos, pessoas xingando aquelas que estava, dentro dos ônibus, uma falta total de lógica, fui para casa decepcionada! Na quarta feira vi a convocação para a marcha das vadias, decidi tentar novamente ir, te digo que foi um dia melhor, fiquei ao lado do MPL e do PSTU, lá os gritos eram mais lógicos. Mesmo assim já tinha decidido nao fazer parte daquilo, nao queria caminhar com quem apóia quem me oprime, seja machista, fascista ou o que for. Agora assisto assustada minha linha do tempo do fb se tornar uma guerra, amiga minhas me reprovando pelo abandono a manifestacao, pessoas dizendo que somos ovelhinhas do governo(oi?) boicote a rede globo(depois vou ficar de olho em quem comentar novela, viu?! Rsrs) estou acompanhando uma revolta sem nome sem lógica sem princípios, pessoas se guiando por um sr de mascara( me explica a lógica!) , um fora dilma ridículo, realmente uma baderna provocada por pessoas que nunca quiseram e acho que nem querem se aprofundar em assuntos relacionadas a política e agora se vestem com as cores do Brasil(como na copa) e decidem que estão contra tudo isso aí! No começo eu até perguntava contra o que mesmo eles estavam protestando mas depois de ser alvo de xingamentos, de indiretas resolvi falar menos e deixar o pau quebrar! Lembrando que esse gigante aki nunca dormiu, que o meumapoio aos anseios e questionamento de varias classes trabalhadoras que colocam a cara nos protestos que antes eles tanto questionavm continua igual, e que vou continuar a apoiar movimentos que nao tenham objetivos claros e que condizem com meus sonhos de um mundo sem preconceito e com igualdade, infelizmente abandonei essa causa de agora, pq realmente me recuso a caminhar com quem apóia cartazes onde diz que a dilma é sapatão, que uma MULHER acabou com o pais, que prega a favor da pena de morte, e por aí vai, e pior que chega em casa e me diz que os vândalos nao devem tomar bala de borracha e sim bala de verdade, realmente nao entendo mais eles e nem sei se quero entender, essa intolerância já convivo diariamente e nao quero e nem vou protestar ao lado deles! So um desabafo, rsrs

S. disse...

Gente, o que vcs acham disso aqui que estão propondo?

http://www.reformapolitica.org.br/

yulia2 disse...

Existe várias denuncias de que gente ligada ao psdb e dem pagou manifestantes para carregar cartazes contra a Dilma

Les temps sont durs pour les rêveurs. disse...

u ainda acho que os protestos devem ser apartidários, e, ao máximo possível, sem causa.

O motivo pelo qual tanta gente se reuniu é justamente porquê existe algo que supera todas as diferenças - seja você de direita ou esquerda, preconceituoso ou não.

E esse motivo é o simples descontentamento.

Todos estão descontentes. Todos estão putos da vida. Ninguém tem uma solução.

É sobre isso que deveriam ser os protestos - a política tem sido impotente para fazer o mínimo que seja - o problema é a insatisfação, não pautas específicas - e a luta é para que abram-se os canais de diálogo e servidão pública aos que desejam se manifestar.

Esse deve ser o foco da luta - abrir os canais, tornar os servidores públicos em servidores do público. Todo o resto é dividir e enfraquecer a unidade do movimento.[2]


disse tudo

Natália disse...

Lolíssima, um pouco fora de tópico. Gostaria que vc me desse uma luz sobre quais publicações valem a pena ser lidas (sabemos que veja não dá né). Muitos amigos me recomendaram a carta capital, caros amigos e piauí. Gostaria de saber a sua opinião. Algum jornal salva?? Dá pra ler a folha ou o estadão?
Desde já agradeço.

Sofia L.B. disse...

Lola, se vc puder dar a sua opinião sobre o projeto:

http://eleicoeslimpas.org.br/

eu agradeceria...

Liana hc disse...

Sou favorável a fazer manifestações, passeatas, panelaço, ocupação de prédios públicos (quando há um objetivo mais definido do que mera empolgação porque "sou brasileeeeiroooo, com muito orguuuulhooo..."). Eu discordo de depredação e violência.

Acho que tem muita gente confusa com o que está acontecendo, e suas opiniões irão mudar algumas vezes ao longo desse processo. É preciso mais tempo para digerir isso tudo, principalmente quem está participando pela primeira vez. Essa empolgação pode parecer muito bonita num primeiro momento, mas também pode cegar, e só depois é que as pessoas caem em si.

Ludmila Nascy disse...

Não ignorem a luta de classe dentro dos próprios protestos e não esqueçam que nós todos aqui somos em menor ou maior grau da classe média. Nem finjam que não existe racismo no Brasil só porque não somos escancarados como os EUA nessas barreiras.

E lembrem-se que a história desse país é uma história de colônia e escravidão. Somos desiguais e desiguais vão ser nossos pontos de vista, ações e emoções.

Que todos nós demos um tempo nessa sapiência que achamos que temos mais que o outro e parar de se ofender por pequenas coisas que o outro disse discordando de nossa opinião.

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria.

Alyne Braga disse...

Como filha, neta, sobrinha e prima de presos políticos fico REVOLTADA em ver essa vontade, esse fetiche da juventude de reviver essa repressão.

Vamos falar francamente? Os universitaróides curtem isso, acham lindo, desejam essa repressão, o papel de mártir. O buraco é muito em baixo, é a estética vintage, é a novidade da liberdade, é o conforto das injustiças... O fato é que há essa fantasia nessas cabecinhas.

Quantas vezes já vi colegas chamando o reitor ou o coordenador de curso de DITADOR e até TORTURADOR... Sério? Assim como eu, cresceram com liberdade de dizer o que quiser, de pensar o que quiser. A realidade é que, assim como eu, o jovem adulto da classe média teve tudo muito nas mãos. Mesmo assim, enchem a boca pra dizer que Lula mudou, que é mais comunista que Yoáni Shánchez. Sério??? A gente lá sabe o que é falta de liberdade! A gente lá sabe o que é depender do SUS pra não morrer, depender de bolsa família pra comer... NÃO SABE!

Essa galerinha vai pra apanhar, pra tá no olho do furação, pra reviver o tempo que eles nunca viveram.

Será que eles querem mesmo isso? Será que eles sabem o que um filho, neto, sobrinho de ex preso político sofre? NÃO SABEM.

Como eu disse, fico revoltada com isso. Não vou reler o que estou escrevendo pq eu preciso dizer isso. Vcs não sabem o que é crescer num ambiente cheio de gente traumatizada, louca... Não desejem isso. VOLTEM PARA O FACEBOOK!!!!

Audrey Hepburn disse...

Sou de Goiânia, fui ao protesto, e confesso que me retirei qnd ouvi a mulher que estava no 'trio elétrico' (queria saber quem foi que pagou esse aluguel...)dizer que iríamos 'ocupar a assembleia pacificamente'. Não concordo com depredação, nem do bem público e nem do privado; sabia que ia ter confusão, e NÃO, não estou afim de participar disso de nenhuma forma. Se retirar é uma forma de mostrar seu desagrado aos rumos do movimento tb, e não exclusivamente de submissão ao nosso 'coronér Marconi'. Me enquadro dentre os perdidos que se utilizaram do protesto pra reivindicar qq coisa. Estava entre umas das poucas - mulheres - que levava uma mensagem "CONTRA O ESTATUTO DO NASCITURO". Fui propagandear nossa causa e não me envergonho disso. Expliquei para várias moças, que não tinha a menor ideia do que era isso, os prontos principais do projeto! E acho que consegui angariar algumas para nosso lado. Acho que valeu a pena :)