quinta-feira, 23 de maio de 2013

GUEST POST: FILHOS, NÃO TÊ-LOS E NÃO SABÊ-LOS

Uma das minhas comentaristas preferidas, a Roxy Carmichel, me enviou este guest post.

Vinicius de Morais, que podia ser bem categórico às vezes, como quando proclamou o caráter não só necessário como fundamental da beleza, se permitiu no "Poema Enjoadinho" o benefício da dúvida ao se perguntar sobre os filhos: se não os temos, como sabê-lo? A dúvida vai se reduzindo consideravelmente até chegar à certeza quando o poetinha lista os benefícios da procriação e termina por convencer a mais indecisa das almas. Mas algo me diz que essa dúvida, ainda bem tímida, tenha ficado datada, perdida em algum lugar dos anos 70 entre os discos do Led Zeppelin e a sexualidade desvinculada da reprodução com o advento da pílula anticoncepcional.
No Brasil questionar esse mandato social ainda é tabu. Ano passado, a matéria "Ter filhos traz mesmo felicidade?" da revista Época provocou a ira dos papais e mamães contra a sugestão que a maternidade/paternidade pode até ser padecer no paraíso, mas talvez um paraíso menos ensolarado e sem palmeiras. Vale lembrar que essa sugestão aparece na matéria de forma até cândida, já que lá pelo final do texto, os autores reconhecem que o esforço “vale muito a pena”.  
As idéias de esforço e sacrifício, por sinal, são as mais comumente reivindicadas pelos entusiastas da procriação. E nesse quesito, há uma clara vantagem do gênero feminino em relação ao masculino. Certa vez, escrevendo um artigo para a universidade sobre o mito do herói, li que numa certa cultura indígena existia a crença no céu enquanto espaço para onde se dirigem os bons depois da morte, tal qual a gente aqui acredita, com a diferença que nesse céu existia certa hierarquia, onde o lugar mais especial estava destinado aos heróis guerreiros. Do gênero feminino, só as mães ascendiam a esse espaço V.I.P. por suas notáveis qualidades abnegadas de dar a vida por outro ser. 
Por outro lado, a femme fatale, anti-heroína por excelência na cultura ocidental, representa a nemesis da mãe, não só porque nunca tem filhos, mas porque a sua principal atividade é desestabilizar o mocinho que ingenuamente é tragado ao submundo por obra da loira estonteante, porém fria, calculista, individualista -- características que a cultura patriarcal não perdoa. Não perdoa na mulher, claro, a quem está destinado o protagonismo dos afetos e do cuidado, sentimentos esses pertencentes ao âmbito doméstico. 
No homem essas características (frieza, racionalidade, individuação, autonomia) são não só positivas  como incentivadas, afinal estão associadas à racionalização abstrata e ao âmbito público. Pensam eles: “Mas enquanto criamos a matemática, precisamos de alguém que se encarregue da criação dos nossos filhos varões, aqueles que irão fazer algo de nobre com a nossa criação matemática, propulsando assim o motor da evolução da história e das filhas mulheres que seguirão a vocação da mãe de cuidar das filhas para que cuidem dos filhos e...”. E daí realmente, o mínimo que se pode fazer para impedir que mulheres rejeitem essa tarefa que precisamos que elas desempenhem, é uma campanha difamatória onde a mulher que não tem filhos será uma puta egoísta sem sentimentos, e quem melhor que uma poderosa louraça belzebu para simbolizar esse nosso medo? 
E assim é constituída a figura da femme fatale, como síntese dos medos masculinos do feminino, e consequentemente dos temores femininos também, já que esse glamour que ostentam no início da narrativa, serão prontamente destruídos e daí, só irá emergir a miséria e a punição pela ousadia de ser... mulher.
Certo é que esse modelo foi desmascarado. Que em alguns países, pais e mães dividem o trabalho de criação dos filhos e cuidados com a casa. 
Que ainda nesses mesmos países, mulheres avançam sobre o âmbito público. Que pais e mães educam seus filhos e filhas para desenvolver as mesmas potencialidades. Só que em muitos outros países, incluindo o nosso, o modelo "mulheres responsáveis pelo âmbito doméstico" ainda é o dominante. Mas as mulheres ainda querem ser mães. Nem que para isso tenham que assumir uma jornada dupla, muitas vezes tripla. E é por isso que ainda que não acredite em instinto materno, considero o tema da maternidade um dos mais enigmáticos do feminismo.
Como aponta a autora Muriel Dimen, “mesmo se a estranha relação entre sexualidade e reprodução não for conscientemente problemática, ela continua na experiência inconsciente das mulheres que cresceram no patriarcado”. Isso se deve ao fato de que mulheres são consideradas “biopsicologicamente apropriadas para a criação de filhos, e na prática, são treinadas para isso”.  Desse modo, “qualquer que seja o trabalho assalariado que as mulheres façam, são inseridas em primeiro lugar no âmbito doméstico”. E ainda que a mulher não queira se candidatar ao posto, a maternidade ainda povoa os pensamentos femininos na forma de controle de natalidade.
Recentemente perdemos uma ótima oportunidade de pensar nessas questões condensadas na maternidade como mandato social por meio do excelente filme Precisamos Falar sobre Kevin, que a imprensa preguiçosa preferiu estigmatizar como um filme de terror disfarçado de filme de arte, não interessada em investigar a origem da psicopatia do complexo personagem-título que acabou reduzido ao mal encarnado. Outra leitura, igualmente banal, atribuía dita psicopatia à falta de amor que a mãe dedicou ao filho. Muitas questões aparecem ali. Entre elas, o papel da mãe que deve se sobrepor a todos os outros papéis desempenhados por Eva (ou por qualquer mulher) –- o de executiva, o de amiga sociável que se deleita em receber amigos em seu loft em Nova Iorque e até mesmo o da mulher erótica que deseja e quer ser desejada. 
Quando fica grávida, o marido (aquele mesmo que depois não dedica cinco minutos a prestar atenção no comportamento estranho do filho) exige que ela não dance pra não prejudicar o bebê, grita de indignação quando Eva toma um cálice de vinho e impõe uma mudança pra uma cidade do interior, onde os filhos poderão ser criados nos mais destacados padrões e valores dos comerciais de margarina, distantes dos amigos e do trabalho que ela desenvolvia com paixão. Também está a cena de contornos incestuosos, em que mãe surpreende filho em plena atividade masturbatória no banheiro, desafiando-a com o olhar, em vez de retrair-se de vergonha ao ser descoberto. 
Numa conversa com minha mãe (quero deixar claro que se esse espaço VIP do céu existe, que a minha santa mãezinha seja conduzida pra lá de primeira classe), ela me confessou que na minha idade não queria ter filhos, mas quando soube que estava grávida, ficou imensamente feliz e hoje entende que foi excepcional ter filhos. Eu não duvido. No entanto, se ela me dissesse que muitas vezes duvidou do sucesso dessa decisão e da respectiva empreitada de ser mãe, eu não teria me sentido menos amada e teria me solidarizado, enquanto mulher que sou e que entende que é desumano que a dúvida ou a expressão de insatisfação, e mais, o acolhimento diante dessa dúvida e insatisfação seja negado às nossas mães ou a nós, enquanto mães. E que não só seja negado, como seja utilizado para desqualificar.
No livro Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade, a antropóloga Miriam Goldenberg faz um estudo comparativo entre mulheres brasileiras e alemãs na faixa dos 50 anos para responder como essas mulheres lidam com essas questões. No Brasil, um dos principais capitais que uma mulher pode ter é o capital marital. E isso não tem nada a ver com ter um marido pra te sustentar e sim, um marido para ostentar. O corpo seria outro grande capital feminino no Brasil, o que explica porque as entrevistadas destacaram o sentimento de frustração diante da constatação que seus corpos não são mais atrativos para a sociedade. Já as alemãs destacaram o sentimento de realização ao terem alcançado o respeito a partir de uma carreira consolidada durante vários anos. 
Não pretendo me aprofundar muito nas conclusões do livro (mas recomendo muito que leiam), e sim, me deter no objeto de estudo de Goldenberg, que já traz algumas conclusões para o tema que abordo: das entrevistadas brasileiras, todas eram mães, estavam casadas ou haviam sido. Já as alemãs, havia no grupo de entrevistadas mulheres casadas, solteiras, divorciadas, mães e mulheres que não tinham filhos. O interessante é que os filhos apareciam como os lanterninhas na lista de realizações das entrevistadas brasileiras. Surpreendente? Eu diria que não.
O pediatra argentino Mario Sebastini publicou recentemente um livro retomando a pergunta do Vinicius de Morais, mas as conclusões são bem distintas das do poetinha. 
Primeiramente ele é enfático ao afirmar que boa parte das concepções da classe média não são planejadas, prática essa que a própria classe média condena em classes menos abastadas. Depois ele lista as justificativas mais comuns que escuta em seu consultório ao atender futuras mães: “eu não queria, mas meu marido não queria parar até ter um filho homem”, “não queria ter filho, mas ou ficava grávida ou perdia meu marido”, “Nos cuidamos com preservativos, mas uma noite, depois de uma festa de casamento e muitas taças de champanhe, não usamos... Foi um acidente”. A palavra amor não figura nesses relatos.
Mas o pediatra propõe uma reflexão que nenhuma mulher ou homem deveriam se abster de ter. Ele diz: “Não tenho duvidas de que uma sociedade é melhor e será melhor se cada um de nós, sozinhos ou enquanto casal, perguntarmos se faz sentido ter filhos, ou que sentido daremos ao passaporte que outorgamos a nossos filhos na chegada a este mundo.”
Afinal, quem se beneficia com o crescei e multiplicai-vos religioso e mecânico, com o não menos mecânico argumento da importância da propagação da espécie ou com a ideia da existência do instinto materno? 
Certamente não as próprias crianças que muitas vezes vem ao mundo para justificar o desejo egoísta dos pais que não se comprometem com o desenvolvimento dessa nova vida (e aí não entra somente a questão material, e sim, um cenário que vai permitir que a criança se desenvolva nas melhores condições possíveis). 
Certamente não o planeta que mudou um pouquinho desde que a bíblia foi escrita e hoje sofre com os efeitos da propagação da espécie, e falo de números, mas mais de ações (você sabe quantos recursos são gastos para a manutenção dessa vida?). 
Certamente não as mulheres que precisam justificar tal instinto acumulando uma jornada dupla ou tripla, já que elas são “biopsicologicamente mais apropriadas para a criação dos filhos” e precisam pagar as contas, trabalhando.
E por falar em espécie humana, será ela assim tão sagrada? Não nos esqueçamos que a espécie humana que produziu a arte, a filosofia, é também a mesma espécie que mata, explora, discrimina, escraviza, humilha. Acho que não vivemos atualmente e talvez jamais tenhamos vivido no Éden, onde todos têm liberdade, amor, recursos materiais e imateriais para desenvolver nossas potencialidades, portanto não consigo entender muito bem essa defesa apaixonada da propagação da espécie, a não ser que ela parta das grandes empresas que necessitam de mão de obra barata (e ela será barata se for abundante e não tiver trabalho pra todos). 
Já aqueles que insistem em afirmar que podem ser os progenitores dos futuros Einsteins, eu pergunto: será que esse futuro Einstein já não existe e se encontra agora num lar adotivo esperando alguém que lhe dê amor, bem como uma casa e uma escola para que ele possa desenvolver sua genialidade? Será que ter seus genes é condição sine qua non para tornar-se o novo Einstein? Ou é só condição sine qua non para realizar seu desejo narcisístico de reconhecer seus traços em outro ser?

103 comentários:

Rebecca disse...

SENSACIONAL! Não tem outra palavra pra esse guest post.

Isabela Candeloro Campoi, disse...

Quando voltei pro Brasil, depois de um ano morando na Alemanha, fiquei surpresa com o que entendi como incentivo à maternidade propagado pela mídia: espiei as capas de revistas enquanto esperava no caixa do supermercado e 90% era sobre artistas, ou grávidas ou com os rebentos no colo... a questão mercadológica é o pano de fundo nesse cenário. Certa vez fui comprar sapatinhos de bebê de presente e me indignei com os preços; dei um cheque de 100 reais pra minha sobrinha de 6 anos comprar o que queria no aniversário: ela quis roupas!! Achei um horror tudo isso... Boa reflexão no post: obrigada!

Rafa Angel disse...

Por isso ter filhos é melhor em epoca de aposentadoria,se caso nao deu pra congelar o material na epoca de novo,adote.Nessa idade de aposentadoria pode ter filhos biologicos e adotar tambem.Multiplas escolhas tai hj em dia pra depois de se aposentar.
De qualquer forma essa comscienca de que o melhor filho é do teu gene é pura balela.

Dani Rabelo disse...

É simples: ter filhos é para quem quer.

Quem não quer, não tem que ter. Não há certo ou errado, defesa de ideia X ou Y....

Quem não quer ter filhos, não precisa tê-los e, eu garanto, é melhor que não os tenha.
O mundo seria muito melhor se não houvesse essa cobrança em torno da mulher reprodutiva e, quando ela chega aos 30 anos já começam os bombardeios de "vai casar? vai ter filhos? pretende ter filhos? vc tem até 38 anos para engravidar, hein??"...

Pelamor, isso não é comércio, não é um mercado, não é uma meta a ser atingida por ninguém.

Filhos são a melhor coisa do mundo (posso falar pela minha, de 2 anos e 5 meses), eu gostaria de ter mais uns 5, mas não posso, então, devo ter mais 2. Não viveria a minha vida sem tê-los, sem conhecer este amor, essa vida cheia de orgulho, de carinho, de objetivos, de completude.

A maternidade é para quem quer, pq, como tudo na vida, tem o lado bom e o ruim.... e para arcar com o ruim, vc tem que estar certa de que era isso o que queria. E para mim, era. Excelente. Quero mais, por favor.

Para quem não quer: não tenha.

Fábio disse...

Em menos de trinta anos, a previdência social, e a economia como um todo vão entrar em colapso, devido a baixa natalidade.
Teremos mais pessoas idosas, necessitando de assistência governamental, do que jovens produzindo.

Felipe disse...

Não quero filhos!

Liana hc disse...

"Primeiramente ele é enfático ao afirmar que boa parte das concepções da classe média não são planejadas, prática essa que a própria classe média condena em classes menos abastadas."

Pois é, é o que mais vejo. Por isso sempre entendi parte disso como preconceito contra pessoas pobres.

Outro fato bastante ilustrativo é o de a maioria das crianças adotadas serem bebês meninas brancas e "sem defeito". Acho que essas pessoas devem pensar: "Uma menina é mais fácil de domar e tem mais chances de ser grata e obediente até a nossa velhice." Por que né, o papel da mulher é ser "caseira e solícita". A questão aí não é o ser humano, é que a criança compreenda e aceite as expectativas que essa família está depositando sobre ela, qual cargo ela deve desempenhar ali. E isso também acontece com os filhos biológicos.

Já escutei pessoas falando que jamais adotariam, muito menos uma criança mais velha, porque ela já viria cheia de manias e sabe-se lá que gene ruim carregariam (tipo, dúvidas se o cão é de raça ou vira-lata). Parece essas pessoas que pegam menininha "pra criar" e moldar como a empregada doméstica perfeita e sem grandes perspectivas de mudar de vida.

É como dizem por aí, "filho/a a gente cria pro mundo, não pra gente". Só falta praticar.

Voyager III disse...

Em resposta ao Fábio.

Afirmar que a economia vai colapsar belo baixo número de jovens trabalhando é uma análise superficial (senão ultrapassada) das condições econômicas e tecnológicas mundiais. A era industrial está chegando ao fim, dando início à era pós-industrial. O que isso significa?
A figura de operário, de profissões inteiramente mecanicistas, em breve, não existirá. O que precisaremos é de mais pessoas criativas, a fazer trabalhos que uma máquina não pode. Tendo as pessoas muitos filhos, ou não, não vai alterar, de qualquer forma, quantos empregos serão disponibilizados.

Nosso país precisa de educação, visão de desenvolvimento tecnológico, maior acesso à cultura.


Igualar "nascimentos" à "produção", além de ser uma visão pouco humana, é demasiado simplista.

Barbara disse...

Eu não pretendo ter filhos, mas sinceramente fico meio incomodada com algumas defesas anti-maternidade. As pessoas tem todo direito do mundo de terem quantos filhos quiserem e acha-los lindos e maravilhosos, a melhor coisa que lhes aconteceu. Na verdade, é melhor que seja assim. Não consigo compactuar com a ideia de "pra quê ter filho biológico, com tanta criança em orfanato", ideia expressa ao final do texto. Não é egoísmo, acho natural que as pessoas queiram passar por todo o processo de gravidez e parto. Adoção é ótimo, mas querer ter filho biológico é um direito.

A única coisa que eu acho que as pessoas DEVIAM fazer era planejar, o que é bem raro - a maioria dos bebês vem de surpresa, se é que é surpresa quando alguém faz sexo sem prevenir e engravida.

Não quero ter filhos, nem mesmo gosto de crianças, mas não acho que me cabe questionar os desejos e comportamento de quem quer filhos.

Veronica disse...

Ótimo post !! Ninguém nunca fala também para as mamães o que acontece depois do "encantamento " da reprodução.

A culpa de ir trabalhar e deixar o rebento não diminui nuncaaaaaaaa.

A mulher tem que refletir muito para não embarcar na pressão social.

Filho não é somente para quem quer, filho é para quem quer e pode tê- los .

Tenho amigas que veem os filhos pequenos só no final da semana. Vale ser mãe assim? Eu acho que não.

Graziella. disse...

Já viram o Café Filosófico com a Rosely Sayão sbre esse tema?

Título do programa: "Filhos melhor não tê-los"

É excelente a reflexão traduzida por ela, está dividido em 4 partes.

http://www.youtube.com/watch?v=dhx_lvKhjyg

Fábio disse...

Espanha Itália e Portugal não me deixam mentir.

Fábio disse...

A figura de operário, de profissões inteiramente mecanicistas, em breve, não existirá. O que precisaremos é de mais pessoas criativas, a fazer trabalhos que uma máquina não pode.
-
e o desemprego vai nas alturas. O Brasil e um fazendão de materias primas, nos vendemos banan, madeira, minerios, e compramos TVs de led, celulares maquinas etc, e não o brasil não tem fabrica de nada, o que temos aqui e montadoras.

Alex Mamed disse...

Fábio, o Voyager II é desses que vivem no mundo da lua. Acham que riqueza e produção surgem como geração espontânea; que dinheiro representa a riqueza de uma nação, e não a produção de bens e serviços. Ti garanto que boa parte das pessoas que pensa assim jura, crer e briga, se possível, que alimentos nascem em gôndolas de supermercado. Mas isso é economia.

Quanto aos filhos, alguém disse que é tão simples: não quer? não os tenha! Seja feliz e pronto. De igual modo que não se deve julgar que os tem - como se fosse decisão da mídia, deve-se respeitar aqueles que decidem não ter.
.
Nem me incomoda o feminismo defender isso. É direito delas. Me incomoda que não se diz feminista ou mesmo sem filhos, sair criticando os que optam por ter.

Josiane Caetano disse...

Adorei este Post: acho que todos, mães, pais, quem não quer ser mãe ou pai, deveria lê-lo. Porque ter filho não é brincadeira! Precisa realmente ser uma atitude muito bem pensada e não só realizada por pressões sociais. Eu sou mãe e adoro. Mas confesso: não é nada fácil!

Leio Lola Leio disse...

Lola, tocante quando você falou da sua mãe (nem sei se nesse texto, porque vou clicando nos links e, quando vejo, estou comentando textos de 2008! rs). Difícil para eu, mesmo já sendo adulta, enxergar esse ponto da história de vida da minha mãe, que ela podia nutrir sentimentos nada nobres sobre ter me gerado porque, puxa, ela é um ser humano como qualquer outro e com todas as nuances que isso implica. Acho que ainda preciso de muita terapia e vivência de mundo pra deixar de ser uma filha meio idiota que sempre aponta algo na infância e adolescência para justificar os percalços afetivos e sociais que vivencio hoje.

Junior disse...

Simplesmente uma pena,que as mães de cada uma de vocês ,que tanto abominam a maternidade e que tentam impor seus ideiais abomináveis de matar fetos por pura futilidade não tenham usado do direito total sobre seus corpos e não tivessem levado a gravidez de vocês a diante.Não teríamos tanta gentinha petulante,metida a culta,repetindo a exaustão tantas idiotices.
Filhos não são pragas,não são um câncer,não são um castigo como vocês tanto ladram.Vocês não querem ser mães?Ótimo.Bom demais saber que a espécie pôdre de muitas criaturas pedantes serão extintas da face da terra.

Jane Doe disse...

Mais uma aqui no time dos "não-reprodutores". 0/

Essa lavagem cerebral sobre as "maravilhas da maternidade" e "instinto materno" sempre foi algo que me provocou náusea! É tão irreal quanto o príncipe encantado ou o corpo "Photoshop" das revistas de moda (outras duas coisas que me deixam louca de vontade de vomitar).
Não duvido por um segundo que há mães que amam seus filhos até o fim do mundo e além. Não duvido que há mulheres que tem o desejo sincero e verdadeiro de serem mães. Mas também não tenho dúvida alguma de que há uma proporção equivalente de mães que não ligam para seus filhos e odeiam a maternidade.
Ainda é um tabu imenso falar em não ter filhos, especialmente para as mulheres. É tão tabu que muitas nem consideraram não tê-los, mesmo com inúmeras formas de evita-los, mesmo não os desejando de verdade.

André disse...

E existe uma espécie que não mata, não explora, não discrimina, não escraviza nem humilha?

Unknown disse...

Fabio, só rindo, viu? Vc cita Portugal, Espanha e Italia como exemplos de crise da previdência, por ter poucos jovens para trabalhar - imagino que esta seja sua percepção. Mas a crise não é exclusiva da previdência e a falta de jovens no mercado de trabalho não é problema. Alias, a fatia de desemprego entre jovens é estrondosa, e não se pode falar em falta de especialização. Procure entender as crises antes de usar o chutômetro.

Lord Anderson disse...

Post bem oportuno ainda mais pq essa semana ouvi de novo a pergunta de quando vou ter filhos.

E vem todas as justificativas, de instinto paterno, de egoismo, e pensar em quem vai cuidar de mim no futuro etc.

Ai eu respondo que todo meu instinto de paternidade ja esta em bom uso me fazendo tio coruja de uma meia duzia sobrinhos, e que ter filhos pensando em que eles cuidem de mim mais tarde é o verdadeiro egoismo.

Quanto a quem disse nos comentarios, quem quiser não tenha, olha é exatamente isso que o texto fala alem é claro de pedir respeito a quem escolheu não ter, pq sinceramente um grande numero de pessoas não entende isso e fica na eterna cobrança em cima dos outros, sobre quando vai "crescer", casar, ter filhos, etc.

Espero que chegue realmente o dia em que cada pessoa adulta posso decidir a melhor maneira de levar a vida sem tanta gente querendo cagar regra.

Lord Anderson disse...

AH sim, e depois que a pessoa tem filhos, o numero de cobrança aumenta ainda mais...

MCarolina disse...

Eu sempre fiquei incomodada com essa história de milagre da maternidade, de que só com filhos uma mulher se sente completa etc.(como se não nascessem trilhares de seres o tempo todo, sem milagre nenhum). São coisas que eu aparecem o tempo todo (no facebook vejo todos os dias posts do tipo). Parece, segundo esses dados mostrados, que em outros países as pessoas tem filhos, cuidam e gostam deles, mas não tem essa lavagem cerebral da maternidade santa e abnegada. Claro que a pessoa tem que se dedicar aos filhos e fazer o melhor por eles, mas vira meio uma psicose da maternidade que eu acho esquisitíssima. Da paternidade também, mas em menor grau. Afinal, quando alguma criança faz algo errado sempre falam "Onde está a mãe dessa criança?" e nunca "onde está o pai".

Dani disse...

Post excelente.
Estou casada há 2 anos e é claro que todos perguntam se vou demorar para ter filhos... é claro que todos se assustam com a resposta, que é: não sei, talvez quando estiver em melhor condição, talvez depois que me aposentar, talvez eu adote ou talvez não tenha mesmo.
Todos ficam indignados e me julgam por achar que se realmente quiser ser mãe um dia, não preciso parir. Já ouço logo: ah, você não quer é engordar! E se por um acaso eu não quiser engordar? Isso também é uma decisão minha. Mas o que as pessoas não conseguem compreender é que eu decido se quero ou não, e não a sociedade ou a minha família.

Dani disse...

Post excelente.
Estou casada há 2 anos e é claro que todos perguntam se vou demorar para ter filhos... é claro que todos se assustam com a resposta, que é: não sei, talvez quando estiver em melhor condição, talvez depois que me aposentar, talvez eu adote ou talvez não tenha mesmo.
Todos ficam indignados e me julgam por achar que se realmente quiser ser mãe um dia, não preciso parir. Já ouço logo: ah, você não quer é engordar! E se por um acaso eu não quiser engordar? Isso também é uma decisão minha. Mas o que as pessoas não conseguem compreender é que eu decido se quero ou não, e não a sociedade ou a minha família.

May Pacheco disse...

Ta ai, tudo o que eu sempre pensei sobre ter filhos mas nunca consegui exteriorizar. brilhante. Concordo, adoção é a solução.

Fernanda disse...

"E existe uma espécie que não mata, não explora, não discrimina, não escraviza nem humilha?"
Tendo consciência de que faz isso, do porquê e de como evitar, só nós. De maneira a desequilibrar a natureza por pura vontade, só nós.

André disse...

Fernanda,

Os grandes primatas fazem isso com algum grau de consciência também. Se for exigir o mesmo grau de consciência dos humanos complica. Não porque não existam outras espécies cruéis, mas porque seríamos a única consciente. Além disso, não acredito na bondade intrínseca da natureza. Somos parte da natureza e se causamos uma perturbação no equilíbrio que existia antes de nós isso não é antinatural. Pode ser inconveniente, já que o novo ponto de equilíbrio talvez não seja adequado para nossa sobrevivência, mas os líquens e as baratas vão nos ser muito gratos.

Jill Julia disse...

Sawl - The Rebel

Para Junior "troll" invocadinho
das 13:58

Simplesmente uma pena que sua santa mãezinha NÃO o tenha ensinado a ser um HOMEM de verdade que ama e respeita as mulheres e principalmente, um ser humano melhor.
Ninguém aqui ô santa ignorância abomina maternidade!
Você já estudou? Ou é um semi-analfabeto com dificuldades de interpretação?
Ninguém aqui DEFENDE aborto. Ninguém aqui quer matar fetos! É leviana, mentirosa e ridícula sua declaração, digna de um ser imbecil e misógino como vc! O que se defende principalmente é o uso sem discriminação de métodos anticoncepcionais e a ESCOLHA que uma mulher deve ter quando está em situações de perigo ou sofrimento frente à uma gravidez não-planejada(tipo: estupro, risco de vida, feto anéncefalo, etc), situações da qual você NUNCA saberá porque nasceu homem embora NÃO honre as calças que veste!
Se mais mulheres tivessem acesso à bons métodos anticoncepcionais(digo anticoncepcional, NÃO o aborto) sua mãe não teria o colocado no Mundo porque ela só pode ser uma pobre coitada que não pode evitar sua gravidez e pariu um ser tão ignóbil, acéfalo e misógino como vc.
Se mais mulheres tivessem acesso à bons métodos anticoncepcionais não teríamos tanta gentinha preconceituosa, ignorante, hipócrita e moralista neste Mundo.
Realmente filhos não são praga, nem câncer, são bençãos, quando BEM CRIADOS, e BEM AMADOS.
Parir 15 filhos, deixá-los à própria sorte, e alguns deles se tornarem marginais não é benção, é perigo à sociedade.
Espero que vc NUNCA seja pai! Irá espalhar seus preconceitos e legado de ignorância.
Nunca seja pai. Bom demais saber que a sua espécie podre, estragada pode ser extinta da face da terra.
Antes de julgar as mulheres, aprenda a ser um HOMEM DE VERDADE, porque isso vc não é!

Sawl - always the rebel

Jeferson Brian disse...

Gostei da reflexão. Concordo com quase tudo. Mas acho que não se sustenta a ideia de que frieza, individualismo, racionalidade são características elogiadas. Pelo menos não é assim de um modo geral. Pelo contrário, as histórias do totalitarismo são também críticas a esse tipo de personalidade amiga de abstrações e disponível ao poder. O mundo será melhor quando as mulheres forem todas assim? Duvido bastante.

Nossa questão não é que, nas relações sociais, as mulheres sejam tão ruins quanto os homens têm sido, mas que todos aprendamos novos jeitos de nos posicionar e construir.

Maria Fernanda Lamim disse...

Ola, sou leitora assidua mas quase nunca comento. :)

hm, e interessante essa questao da maternidade...acho que so deve mesmo ter filhos quem deseja isso, independente de ser homem ou mulher. Nunca acreditei nesse papo de "instinto maternal". E, claro, ser mae nao exclui todo o resto: ter uma carreira, amigos, amores, hobbies...e nem é bom o tempo todo (alias, nada na vida é).

Sei que há muito preconceito com as mulheres que nao desejam ter filhos, tenho amigas que passam por isso. Mas posso dar so um pitaco, correndo o risco de ser mal-interpretada? Existe o preconceito ao contrario também!

Falo de mim: tenho 32 anos e sempre sonhei em ser mae. Se esperei ate aqui foi por motivos financeiros e profissionais (porque não quero ser SÓ mae, quero ser mae TAMBÉM). E escuto muita coisa chata também...gente me dizendo que eu sou louca de querer isso, que vai atrapalhar a minha vida...gente me dizendo que eu "nao tenho condiçoes" de ter filhos porque me dedico seriamente a minha carreira...e, desde que passei dos 30, muita gente (inclusive dois médicos) me dizendo que já estou "velha" demais para engravidar!

Ah, e tem também aquele já conhecido comentario preconceituoso, o tal do "relogio biologico". Essa é uma das maiores falácias já criadas para orpimir/assustar as mulheres independentes.

Em que pese nao sermos ferteis para sempre, eu nao quero ter filhos por causa desse maldito "relogio", ele nao começa a "apitar" de repente depois dos 30. Dizem que vc só passa a querer ser mae porque esse tal de relogio resolve funcionar...Costumo dizer que no meu caso, o relogio foi financeiro: só esperei por causa disso!!

Enfim, é so ser mulher e sempre aparecera alguem pra te criticar. Se quer ser mae, é por causa do "relogio", já tá "velha", é "irresponsavel"; se não quer, é "egoista".

E vá voce dizer que planeja uma maternidade independente (meu caso)...nossa!!! prepare-se para um verdadeiro interrogatorio da Inquisição!!!

De resto, gostei muito do texto (em geral gosto de todos os posts, da Lola e tambem dos convidados).

Ah, e "Precisamos falar sobre o Kevin" é um filme essencial, para pais, maes e educadores também (meu caso). :)

beijos a todxs! :)

Lucio Fernandes disse...

Mas e aí, querem dizer que pessoas que 'não têm' condições (qualquer uma) de criar filhos não deveriam ter?
Seria invadir a liberdade dos pais?

Fabrízia Serafim disse...

O livro "Precisamos falar sobre o Kevin", da Lionel Shriver, é ainda melhor do que o filme (como acontece na maior parte das vezes)! E. pelo que eu li, ele foi fruto justamente das reflexões da autora sobre a maternidade, quando ela estava com 42 anos e quis resolver se iria ser mãe ou não.
Uma das entrevistas com a autora: http://readinggroupguides.com/guides_w/we_need_to_talk_about_kevin2.asp

Foyo Silva disse...

Não sei se é muito egoista dizer isso, mas a vontade de ser mãe/pai, deve vir primeiro de um desejo, de ter uma realização PESSOAL.

Ouço muito a galera que defende ter filhos, defendendo isso como se fosse colaborar com a paz Mundial ou a economia do Planeta...

=/

Renata Velloso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renata Velloso disse...

Bom, eu tenho 3 filhas, todas planejadíssimas e ser mãe é a maior realização da minha vida, cheia de outras realizações importantes, como ser médica por exemplo. Eu me sinto totalmente vocacionada para ser mãe, não acho sacrifício nenhum. Não costumam dizer que quem adora o que faz não trabalha nunca? Pois é eu adoro ser mãe então não vejo a maternidade como um fardo.

Não acho que ter filhos faça de você alguém melhor, mas também nem pior.

A autora do texto para contestar o ponto de vista de que "quem não tem filhos é egoista", joga esse egoísmo para o outro lado. Injusto também.

Que todo mundo que queira ter filhos que tenha, cuidem bem, se divirta! Quem não queira ótimo, se previna e divirta-se também!

Acharia bacana se pudessem parar de apontar o dedo para o coleguinha, tanto aquele que não tem filhos quanto aquele que tem meia dúzia.

Ximena Morais disse...

Maria Fernanda, bem pontuada essa questão do relógio biológico, considero esse um dos pilares da irracionalização do ser feminino. Aqui no Brasil estamos habituados à pressão pela mulher ser mãe antes dos 30, já nos países europeus é muito comum ser mãe depois dos 30. E se a fertilidade foi embora? Paciência, a vida de uma mulher não pode se resumir a um óvulo exemplar, embora tantos queiram incutir o contrário.
A verdade é que há pressão por todos os lados, se a mulher quiser ser mãe cedo ou tarde, quiser ter 0, 1 ou 10 filhos, quiser adotar ou parir na banheira de casa, for mãe solteira, engravidou de um ET ou o que for, sempre vai ter alguém para dar seu pitaco em uma vida que não conhece (por mais que pense que conheça só por causa do banho de senso comum que toma todo dia antes de sair de casa).

Ângela disse...

Não vi o texto defender a "não maternidade", e sim, apenas, que ela não deve ser uma imposição social. Gostei, está muito bem escrito e não tem iconoclastia barata (algo que eu deteeeeesto!!!).

Letícia Penteado disse...

Eu nunca quis ser mãe... até que quis. Eu comecei reparando na forma como as crianças eram tratadas e em como eu queria que fosse diferente. E daí comecei a pensar como seria, como seria o rostinho da minha criança, o que ela iria falar, pensar, o adulto em que ela iria se transformar.
E meu relacionamento com o meu marido sempre foi tão legal, a gente sempre se deu tão bem! Concordávamos em tudo o que é fundamental para ter filhos - em relação a criação, digo. Daí resolvemos embarcar nessa juntos.
Eu comecei a ler e me informar. Comecei com gravidez e parto, passei a estudar bebês e crianças, daí fui para a psicanálise, filosofia.
Eu sou formada em Direito mas nunca estudei nada jurídico com a mesma paixão.
Graças à minha filha eu sou hoje muito mais ativista e bem resolvida do que antes de engravidar. Para mim, esse processo de me tornar mãe foi fundamental. Sedimentou meu anarquismo, meu feminismo, até minha alma queer.
E eu vi que ter filhos é a coisa mais revolucionária que eu já fiz. Porque não é só que eu tenho a chance de ser para ela o que os adultos da minha vida nunca foram para mim; é também que ela terá a oportunidade de crescer de forma diferente de 99% das crianças do mundo. Sem violência, sem autoritarismo, sem desrespeito. Sem imposição, ainda que a mera imposição de não impor (porque conheço muito pai supostamente libertário que grita para o filho "você tem que questionar a autoridade!!!" - super libertário isso, né?).
Eu hoje não faço nada remunerado. Fico com a minha filha o tempo todo. E adoro. Já fiz muita coisa nesta vida - faxineira, garçonete, professora, estagiária de direito, funcionária pública concursada... e nada nunca me trouxe mais satisfação. Juro.
Mas isso, sou eu. Eu. Eu, que QUIS esta criança que eu amo tanto (e esta outra que já está crescendo na minha barriga =)), quis um monte, quis tanto que, antes de tê-la, me assegurei de que teria as condições - financeiras, psicológicas, emocionais - de criá-la da forma como eu (e meu marido) achávamos que tinha que ser.
Eu achei muito legal que a autora do texto falou do "sacrifício" das mães e pais. Porque não tem sacrifício nenhum. Eu ESCOLHI ter filhos. Ninguém me impôs isso. Eu não "perdi" nada. Eu troquei, conscientemente, voluntariamente, por algo que eu queria mais. E não me arrependo.
Recomendo muito ter filhos sim - mas só para quem quer FILHOS, o que é diferente de só querer ser mãe, por exemplo, ou só querer "fortalecer a relação" com o cara que será o pai da criança.
Até por isso mesmo, a exigência social em torno disso é deletéria. Porque procriar não pode ser mais um gesto fundamentado no tédio, na inércia, no que é esperado, etc. Hoje em dia não há mais desculpa para isso.

Poli Moura disse...

Cara, tô até sem ar. Que texto sensacional!

Gabi disse...

Fui mãe pela primeira vez aos 40 sem ter feito nenhum tratamento nem nada. Durante os meus muitos anos de mulher sem filhos nunca tive baby fever nem acreditei nesse conto da maternidade mística, etc. Levei minha vida muito bem, trabalhando, me divertindo, viajando, estudando. Nesse tempo, não fazia sentido ter filho. Mas daí conheci um cara legal, juntei os trapinhos e, de repente, ter filho começou a fazer sentido. Quando percebemos que a relação estava madura para isso, começamos a tentar e felizmente deu tudo certo. Hoje não rola mais levar a vida com tanta liberdade, filho demanda tempo e planejamento. Talvez seja isso que as pessoas chamam de sacrifício. Para mim, não é. É diferente só isso. É outro barato, outra viagem. Também adicionei novos medos na minha vida. Medo de que ela fique doente, medo de não conseguir dar uma educação suficientemente forte para enfrentar esse mundo tão consumista que a gente vive, medo do aquecimento global. Mas tambem adicionei novos prazeres, descobri novas areas de interesse, tenho me empolgado em discutir e descobrir sobre educação, etc. Enfim, tenha filho ou não tenha, as pessoas devem ter opção. A maternidade em si não salva nem condena, fazer algo por imposição isso sim deve ser massacrante

Ângela disse...

Letícia Penteado: lovely!

Letícia Penteado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Letícia Penteado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruno S disse...

Muito bom o texto. Conseguiu abordar um monte pontos sobre a questão de ter filhos ou não.

Vou deixar aqui uns breves pitacos.

1 - A última frase vem com algo que sempre penso. Há um forte teor narcisístico em ter filhos, há uma certa vontade de fazer com que os filhos sigam os passos dos pais, ou que realizem os sonhos que os pais não conseguiram realizar.

Eu tenho vontade de ter filhos e já me peguei pensando que gostaria que filho ou filha fossem tão legais quanto eu acho que sou.

2 - Acho legal que fale que mesmo na classe média, boa parte da concepções não são planejadas.

Lembro do pai de um amigo comentando que se fosse para planejar e fazer contas nunca teria tido filhos (e ele tinha 3). Tenho a impressão que por conta da insegurança gerada pelos altos custos financeiros e pessoais envolvidos muitos casais vão diminuindo suas atenções com a contracepção, de forma que permitem a gravidez que se fosse pensada não rolaria.

3 - Outro ponto legal é o questionamento sobre se realmente filhos tornam a vida melhor da reportagem da época.

Vejo nesse ponto pessoas se frustrarem e/ou transferir a responsabilidade para crianças e adolescentes por não terem feito suas vidas um paraíso.

Assim como já vi mâes que sentiram imensamente culpadas porque não amaram seu filho assim que saiu da barriga e que só construíram esse amor com o tempo, com a construção da relação com essa nova pessoa.


Como diria o tio do Homem Aranha: "Todo grande poder gera uma grande responsabilidade."

Letícia Penteado disse...

Obrigada, Angela!

Ana Carolina disse...

Um dos maiores sonhos da minha vida é ter filhos. E poucos desesperos foram maiores do que uma suspeita de gravidez que tive no começo do ano (27 anos, emprego instável, namorado em outra cidade e cujo salário não dá pra uma família, seria PÉSSIMO ter filho agora por N razões). Quero tê-los, sim - porque acredito na renovação da espécie, porque quero aumentar minha família, por vários valores meus. E me preparo para uma maternidade responsável, para os recursos materiais que serão necessários, para os recursos emocionais que serão necessários.

O que acho horrível é a imposição social da maternidade: mulheres que não querem filhos, que não querem as mudanças de vida que eles impõem, mas que são obrigadas a tê-los - pelos maridos, pelas famílias, pelo mundo. Por uma sociedade que ainda olha a mulher, principalmente, que não quer ter filhos como alien sem alma, que "vai se arrepender". Seria muito melhor quebrar essa obrigação, tanto para essas mulheres quanto para o batalhão de infelizes, dependentes emocionais e até mesmo, como no exemplo do filme, psicopatas postos no mundo e criados de má vontade (quando não delegados a uma empregada doméstica ou largados mesmo). Precisamos da escolha, do ter filhos por desejarmos ter filhos (e não, como pontuou outra comentarista, por "ser mãe" - isso é egoísmo e é uma visão muito rasa da responsabilidade de criar outra pessoa). Precisamos da escolha de não ter filhos porque a vida sem eles é boa. Precisamos espalhar que cada um pode ter sua escolha individual e fim, sem pressões para nenhum dos lados.

Cética disse...

"Até por isso mesmo, a exigência social em torno disso é deletéria. Porque procriar não pode ser mais um gesto fundamentado no tédio, na inércia, no que é esperado, etc. Hoje em dia não há mais desculpa para isso." Leticia penteado

Não poderia concordar mais com vc e é por isso que eu não quero ter filhos,pena que algumas pessoas ao meu redor insistem em deslegitimar minha posição,como se eu fosse alguma incapaz,pq só assim pra "entender" uma mulher não querer parir ( inclusive minha gineco que já me sugeriu engravidar,pra evitar o câncer de mama ) e sou obrigada ( tirando as inúmeras vezes na quais perdi a paciência e sai como a chata da hist)a ouvir toda essa baboseira ( sobre não saber o que estou perdendo,sobre o quanto ainda vou me arrepender,e como não adianta querer adotar pq não é a mesma coisa ) com um sorriso amarelo.

Patty Kirsche disse...

Eu não quero ter filhos e ponto final, nem aceito discutir. Nem sei se sou fértil, na verdade. Se, algum dia, eu mudar de ideia, sempre posso adotar. Então estou tranquila! =D

buca disse...

Leio sempre teu blog Lola, mas dificilmente comento. Adorei o guest post de hoje, porque esse é um tema que me interessa. Tenho 24 anos, namoro há cinco e meu namorado e eu somos constantemente questionados sobre o motivo de não querermos filhos (a princípio). Como se fosse uma obrigatoriedade ter mesmo sem querer.
Confesso que tenho mudado de ideia nos últimos meses, e penso que talvez essa seja uma experiência pela qual eu queira passar na vida. De qualquer forma, ela exige muita reflexão, como colocado pela autora do post. Gostei muito da análise do argentino, sobre as camadas médias que condenam os pobres por terem filhos sem planejar, quando eles mesmos agem de forma igual.
Abraços!

Renata Velloso disse...

Que lindo Letícia! Nossa é tão bom encontrar gente que pensa igual nesse mundo <3

Zrs disse...

É extremamente desgastante viver em uma sociedade onde a todo o momento somos bombardeados com as maravilhas da maternidade. Já perdi de conta quantas vezes fui abordada de forma cruel por parentes, amigos, médicas, questionando o porque de não querer ter filhos, afinal sou bem casada há 12 anos, tenho uma bela profissão, tenho uma mãe (futura avó) morando ao lado, estou indo para os 40...bom, todos dizem em coro, quase que como uma praga: "Você irá se arrepender"
Nunca quis ter filhos, mas sempre quis viver outras emoções tão fascinantes quanto a maternidade, pelo menos para mim, sempre fui tão feliz assim, mas confesso que tenho estado angustiada, me questionado se estou tomando a decisão correta, devido as inúmeras pressões..será que todos estão certo, e na verdade sou eu a errada? Creio que só a psicanálise pode me dar o sossego que preciso, confesso que não aguento mais.

Junior disse...

kkkk Alguém aí espumou,espumou pela boca,latiu,mas a resposta ficou bem ao nível que eu imaginava.
Questionar minha masculinidade,insinuar uma possível ignorância e inferioridade de minha mãe,...isso é tudo que pôde pensar na hora de responder?
Ficou revoltadinha amor por que pisei no seu calo e fiz você se lembrar que graças aos céus sua raça vai desaparecer desse mundo sem deixar descendentes,vestígios,lembranças ou saudades?
kkkkkkkk
faça um favor a humanidade,não tenha filhos nunca.

Siena disse...

Amei o texto!

Lalá Morango disse...

Oi lola,
vc já viu este texto ("Conselho Nacional de Justiça (CNJ), "Casamento" homossexual e o fim da democracia") que está no site da faculdade de direito da Universidade Federal do Ceará?
http://www.direito.ufc.br/index.php?option=com_content&task=view&id=288&Itemid=1


Absurdo! Esse professor de direito realmente não sabe o que é democracia...

Luiz F. disse...

Estou na espera pelo post sobre pornôgrafia.

Jill Julia disse...

Sawl - The Rebel

PARA JUNIOR a louca, kkkkk.

Sim, eu falei, mas, não lati, nem espumei não fofinho.Sua declaração mostra que vc não sabe diferenciar cachorros de mulheres, ou seja, vc não sabe NADA de mulher (nada contra as prostitutas, mas, só elas pra aturarem um homem do teu nível).
Aliás, sou mãe de um casal! Sou arquiteta, casa, bem sucedidade e feliz mãe de um garoto e uma menina, Claro que não to defendendo NADA, nem aborto, nem método anticoncepcional, estou defendendo a LIBERDADE de escolhas.
É fácil pra um homem não engravidar uma mulher, basta ele usar camisinha.
Pra mulher não engravidar ela precisa usar: pílula, diu, outros métodos, falar pro companheiro usar camisinha, etc.
Enfim, a carga de responsabilidades é sempre maior pra uma mulher do que pra um homem.
Quando tive meus filhos, eu ESCOLHI tê-los!
Não me senti ofendida com o texto, se vc se sentiu ofendidinho é porque não sabe interpretar.
Filho NÃO é obrigação nem de homem, nem de mulher.
Não é porque uma mulher é adulta e apta à nível saudável que deve ser OBRIGADA a parir crianças das quais ela não está apta pra criar ou simplesmente não tem vocação pra isso.
Assim como muitos homens (como vc) não são aptos a serem pais, porque não tem dom pra paternidade.
Uma mulher que ajuda os outros, um homem que cuida do próximo, mas, ambos não pensam em terem filhos são pessoas muito mais altruístas do que certos seres egoístas que colocam crianças no mundo(me refiro tanto a homens quanto mulheres) por razões fúteis: bolsa-família, prender o namorado, mostrar aos outros que é o "machão", etc.
Vc pode latir o quanto quiser, o mundo está mudando, as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho e optando se querem ou não serem mães, e homens como vc estão cada vez mais descartados, se tornando velhos armargos que torram dinheiro com garotas de programa, viagra e bebida pra mascarar a solidão.
kkkkkkkkkkkkk.
Faça um GRANDE favor a humanidade, não tenha filhos nunca. Eu digo...NUNCAAAAAA!


Sawl - always the rebel

Rafa Angel disse...

E nessa caixa de comentarios parece que os pais nao existem tanto quanto as maes,quando o casal deseja ter muito filho,no final a mulher em quem fica criando.É meio sexista,os meninos já vem que tem que se abdicarem se caso queiram se pais realmente como suas maes o foram,mas...

Tem que ser pró escolha da mulher numa sociedade que ela quaase nao tem....é compreensivel de que ela nao queira prover homem.

Jaine Moreira disse...

Esse é o melhor post que já li. Sou uma leitora assídua, mas é a primeira vez que comento. Esse post descreve tudo que eu penso sobre maternidade, e acredito mesmo, de coração que a metade das mulheres (independente da classe) tem filhos "por acidente" e metade por puro egoísmo!

Cris disse...

Achei o post muito libertador. Sempre pensei em como ter um filho para muitas mães e pais é um desejo narcisístico, a adoção é um aresposta incrível para essa minha inquietação. Me identifiquei e foi bacana ler: "Ou é só condição sine qua non para realizar seu desejo narcisístico de reconhecer seus traços em outro ser?"

Luana M C disse...

Olá Lola...você poderia fazer um post sobre o "pânico" de engravidar? Não encontrei textos interessantes na internet, gostaria de saber se outras mulheres também sofrem de medo excessivo da gravidez. Sou estudante de mestrado e não me imagino grávida, ou mãe, por isso mesmo tomando anticoncepcional rigorosamente e usando camisinha sempre não me sinto confortável no sexo vaginal, fico pensando na possibilidade remota da gravidez e em como me sentiriam, quando está chegando o dia da menstruação descer fico apreensiva, mesmo que não atrase. Gostaria de saber se outras pessoas passam por isso e como fazem para se tranquilizar. Grata, Luana.

Gabriel disse...

Lola, could you stop being so amazing?? Estou precisando de uma terapeuta com o perfil da Lola, alguém sabe em que universo paralelo poderia achá-la?

Fórmula de Bhaskara disse...

Gostei muito do post e também NÃO QUERO TER FILHOS, assim em caps lock pra não deixar dúvidas, às pessoas que desejam ler algo em português sobre childfrees ou childless eu recomendo o blog Útero Vazio (http://uterovazio.blogspot.com.br/), não é atualizado com frequência, mas tem textos muito bons. Eu nunca pensei em ter filhos, desde criança, acho que meus pais falharam em estimular em mim este desejo, não que eles fossem esclarecidos ou moderninhos, apenas não queriam que a filha tivesse muito interesse em sexo, isso também deu errado, heuahea.
Eu sempre pensei assim : filhos, na dúvida, não os tenha. Mas antes eu era partidária do pensamento “quem pariu Mateus que o embale”, aquela coisa de punir o ato sexual com a procriação. Hoje eu sou totalmente a favor da maternidade e paternidade facultativa, que tenha filhos quem tiver INTERESSE, VOCAÇÃO e CORAGEM pra isso, mas o que mais vejo é gente que não tem noção de nada pondo filho a torto e direito no mundo, criando mais um serzinho que vai ficar ao “deus dará” ou pondo um monte de ideia idiotas nas pobres mentes em formação, eu fico realmente muito PUTA com isso. Tenho amigos usuários de drogas e que pensam em ter filhos, ao que desejo muita sorte, aos filhos deles, claro.
Acho muito limitante e triste ser mãe, eu vejo pela minha mãe, que é aquela mãe tradicional sempre pronta a atender as vontades de toda a família e por último, as dela, a família é a prisão que ela escolheu viver, ela casou cedo, como tantas outras, e quando piscou lá se foram 30 anos de vida, e assim o ciclo se repetirá até sua morte. Converso muito com ela, acho que já a despertei de várias coisas do senso comum, e procuro ser uma filha menos folgada, hoje em dia até evito partilhar com ela minhas tristezas, frustrações e preocupações porque vejo que ela se culpa e fica mais triste, frustrada e preocupada que eu mesma.
Ser mãe é chato, é aquela que te dá carinho e atenção quando tudo que você quer é privacidade e solidão, igual ou pior que um@ namorad@ grudent@ e insegura@, daí tem dias que você se segura pra não ser uma estúpida, mas tem outros que você, filh@ ruim, vai agir mal e vai se sentir mega culpado, vai pedir desculpas depois e se policiar da próxima vez.
Ser mãe não vai te fazer onipresente na vida de seu filho porque ele nunca vai contar tudo que já aprontou na vida pra você, ele pode até ter vontade, mas vai optar pela prudência.
Ser mãe é se sacrificar pel@ filh@ mas sem esperar REALMENTE nada em troca, mas se você é mãe, não se preocupe porque o bem que você fez, com certeza será passado adiante, igual àquela lógica da corrente do bem. O cérebro tem esses mistérios que nos fazem menos diligentes com quem mais nos ama.
Tirando a minha experiência pessoal em ser filha e observadora das mães, posso afirmar que concordo com a lenda indígena em que o papel de mãe é tido como heróico, é a única ambição admitida em uma mulher, por isso esse papel ainda é tão PROCURADO, é o que responde aos anseios de meninas da favela que não tem nada, mas tem filhos na esperança de terem sua dignidade respeitada enquanto mães, é o que justifica o abuso de direitos de algumas senhoras grávidas, a tenacidade de patricinhas em buscar um bom partido, etc., afinal qual mulher não desejaria estar no Panteão dos Guerreiros, adorada como uma deusa?

Por Fórmula de Bhaskara, Feminista e questionadora sempre.

Fórmula de Bhaskara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Letícia Penteado disse...

Oi, Fórmula de Bhaskara!
Eu só resolvi responder porque, quando li:
"Ser mãe é chato, é aquela que te dá carinho e atenção quando tudo que você quer é privacidade e solidão, igual ou pior que um@ namorad@ grudent@ e insegura@, daí tem dias que você se segura pra não ser uma estúpida, mas tem outros que você, filh@ ruim, vai agir mal e vai se sentir mega culpado, vai pedir desculpas depois e se policiar da próxima vez.
Ser mãe não vai te fazer onipresente na vida de seu filho porque ele nunca vai contar tudo que já aprontou na vida pra você, ele pode até ter vontade, mas vai optar pela prudência."
Meu coração apertou.
Se é assim que você vê a sua mãe, é claro que você vai achar que ser mãe é uma coisa triste e limitadora.
Mas, assim, quando a gente pensa em ser mãe (no sentido de filosofar a respeito, não de querer, ok?) a gente começa pensando na nossa própria mãe. Daí transcende isso (o que é muito terapêutico), começa a questionar o que ela fez com a gente, o que poderia ter sido diferente. Normalmente essa transcendência já é fruto ou de uma gravidez ou de um desejo mesmo de ser mãe - é o que eu observo.
Normalmente a gente "se protege" de encontrar defeito no que nossos pais fizeram com a gente, mesmo quando sabemos que não fizeram por querer, assim, que fizeram com a melhor das intenções. Aliás, essa é a nossa maior desculpa para os atos deles - ao invés de reconhecermos o quanto eles nos incomodaram, ficamos repetindo que foi sem querer, que foi para o nosso bem, etc.
Não estou dizendo que você esteja errada em não querer filhos. Só estou dizendo que esse seu receio em relação à maternidade, da forma como você o colocou, não me (a mim) parece ser em relação à maternidade em si, mas em relação a tornar-se A SUA mãe. Saca?
E isso não precisa ser. Eu sei que justamente o que me trouxe à maternidade foi a minha vontade de fazer DIFERENTE o que eu acho que deveria ter sido diferente e manter o que eu achei legal.
Eu recomendo muito a leitura de Alice Miller, você conhece? É uma psicanalista que trata muito da forma violenta (física e emocionalmente) como crianças costumam ser educadas pelos pais, e que daí reproduzem essa mesma educação, não só porque é só o que conhecem, como por ser uma forma de eles legitimarem os atos dos pais, de se sentirem mais amados, por incrível que pareça.
É muito interessante. Porque a forma como somos criados nos leva a não ter empatia com crianças, não vê-las como seres num mesmo patamar nosso, mas como subalternos. As pessoas cometem violências terríveis sem nem sequer se darem conta disso. Um exemplo: forçar a comer. Como você se sentiria se alguém maior do que você te impedisse de sair da mesa até você terminar o prato, a despeito da SUA vontade ou não de comer? Não é violento? Não é uma agressão?
Pois é. Mas como acontece todo dia, com todo mundo, somos levados a crer que é assim mesmo, que isso é para o melhor.
Só que não é. Mas as pessoas continuam fazendo, dizendo que se não for assim a criança não come (de onde? Qualquer pessoa com fome e com comida à disposição come, qualquer bicho faz isso, é uma questão de sobrevivência, pelamor).
Entende onde quero chegar?
Um abraço,
Letícia

Letícia Penteado disse...

Deixa eu só esclarecer: não estou querendo dizer que você quer ser mãe e não sabe, ou alguma babaquice do gênero.
É só que existe mais na maternidade do que usar filh@s para curar a própria carência, ou querer ser confidente, ou querer ser admirada ou seguida por alguém. Mais do que querer que alguém siga os seus passos, seja como você, queira a sua aprovação.
Existe também o assistir a uma pessoa nascer, crescer, se desenvolver. Ver através de olhos frescos um mundo que você tinha se esquecido de como era belo, intrigante. É redescobrir pequenos prazeres, é aprender. Aprender tanto, tanta coisa que você achou que já sabia! Sobre si mesma, sobre outras pessoas, sobre a vida.
Estar presente, ajudar quando pedido, curar com um sorriso, com um beijo, um afago. Buscar amar tão incondicionalmente quanto você própria nunca foi verdadeiramente amada, talvez até numa forma de satisfação vicária por esse desamor, essa condicionalidade que se chama criação tradicional. É ter a chance de fazer por alguém o que não foi feito por você, ao invés de se vingar em alguém que não te fez nada aquilo que um dia te fizeram.
Se você se abre para a maternidade, ela se abre para você. Ela te transforma.
O que não quer dizer que você esteja perdendo alguma coisa não sendo mãe. Eu acredito muito que quem não quer ser mãe nunca ganha nada sendo mãe. Não tem meio-termo, é como você disse: filhos - na dúvida, não os tenha. =)

rafaela disse...

Sabe uma coisa que eu acho terrível? A simples pergunta: "você tem filhos?"

Os motivos que levam uma mulher a não ter filhos podem ser alheios à vontade dela. E, ao ser confrontada com essa pergunta, a mulher pode sim ficar bastante constrangida.

Quando me perguntam se eu (com 40 anos) tenho filhos e eu digo que não, já não há mais a cobrança (talvez agora me achem velha pra ter...). Pelo contrário: recebo parabéns, "ah que legal resolveu se dedicar à carreira", "isso mesmo, não tenha não, dá muito trabalho!" (isso vindo de uma pessoa que tem um,ou dois ou mais filhos porque quis).

Falta sensibilidade nas pessoas. Sabem, esse é o tipo de pergunta íntima. E se por acaso alguém deixar escapar essa pergunta, por favor não elogie a decisão, não diga que a pessoa vai aproveitar mais a vida, não diga nada. Eu não decidi nada. Eu queria filhos.

Jane Doe disse...

Bah... eu achei muito legal (e necessário) o comentário da Rafaela!

Até pouco tempo atrás eu não me sensibilizava com sofrimento de querer ter filhos e não poder. Eu cheguei a ser idiota (confesso isso com muita vergonha)e insensível em algumas situações.
Apesar de eu não compreender a dor, NADA no mundo justifica ser escrota! Mesmo quando eu não entendo o sofrimento de alguém, empatia é o mínimo que um ser humano decente deve ter!!!

Outra coisa importante que ela colocou e me parece que uma parcela significativas das pessoas "não sabem" disso - É de uma falta de educação sem tamanho fazer perguntas pessoais, principalmente para pessoas que você não tem convívio diário e não conhece. Assim como é grosseiro e nada civilizado comentar sobre o peso, a aparência ou dar "conselhos" quando não solicitado!

Jane Doe disse...

Uma coisa que sempre me incomoda no assunto maternidade ou não-maternidade é:

1°) a idéia de que mulheres são seres incompletos e defeituosos por natureza, como um quebra cabeça sem metade das peças, logo elas precisam desesperadamente de marido e filhos para serem completas e "funcionais".
2°) A idéia de que mulheres não conseguem por si só tomarem decisões importantes. Que são volúveis, estúpidas e precisam de aconselhamento e vigia constante para não fazer uma imensa m*** a cada 5 min.

O primeiro leva muitas mulheres a uma busca insana e sem fim a uma plenitude e uma felicidade que, na verdade, não existe. É essa mesma idéia que leva muitas mulheres a se manterem em relacionamentos abusivos e violentos e que leva muitas mães a serem abusivas e violentas com seus filhos. Afinal, elas o(s) tiveram para alcançarem a "graça eterna" e quando esta não veio, a culpa é da(s) criança(a).

O segundo item me causa uma revolta extrema e pessoalmente, me sinto ferida na minha dignidade como ser humano quando se passa comigo.
Essa é uma das causas por que tantas pessoas se acham no direito de cobrar filhos/casamento/whatever das mulheres - por que "lógico" - se alguém não meter o bedelho, policiar e humilhar essas "burras" nunca vão aprender. É por isso que às vezes alguns médicxs não receitam um método contraceptivo de longa duração (já aconteceu comigo - o sujeito disse que não coloca SIU/DIU/implante em mulheres jovens pois em menos de um ano elas estarão lá chorando pra tirar e engravidar oO). É o mesmo motivo por que, apesar de a LEI permitir, a esterilização consciente e voluntária é algo extremamente demonizado e cheio de tabus.
A idéia de que mulheres são e eternamente infantis e incapazes que a violência obstétrica é encarada quase como necessária pelos prof. de saúde e também, mesmo dentro do movimento feminista, há uma perseguição das mães que decidiram pelo parto "X" e não "Y".

Quando se trata de direitos reprodutivos, eu diria que estamos apenas engatinhando. O caminho até o reconhecimento da mulheres como ser inteiro, pleno e capaz é longo e o feminismo fundamental!!!

BETO disse...

Lola, veja que análise superficial desse cara dos Estados Unidos. https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=iOYFAj4fRhw

Ta-chan disse...

Me identifiquei com o coment. da Luana M C!
Tenho horror de crianças.Quando termina a cartela do anticoncepcional eu já entro em pânico.Esse mês minha menstruação não veio pela manhã, e eu chorei até descer!Talvez, no futuro, quando a vida estiver mais estável eu adote uma criança com mais de cinco anos.

Vivi C.S disse...

Nossa, acompanho o blog há algum tempo, mas nunca tinha comentado.
Resolvi comentar hoje porque esse guest post é exatamente o que eu penso! No trabalho e entre amigos as pessoas vivem achando que eu sou insensivel por não querer ter filhos, ninguém aceita como "normal" o fato de uma mulher saudável não querer engravidar! O fato é que não tenho intenção nenhuma disso, e se por acaso quando ficar mais velha venha sentir falta de um criança na minha vida irei adotar uma das muitas que esperam num orfanato. Aliás, é um absurto a cirurgia de laqueadura de trompas só ser autorizada pelo SUS se a mulher tiver mais de 30 anos e mais de 6 filhos!!! WTF!!! Se quiser fazer antes disso tem que pagar e é muito caro!

Anaquim disse...

Dificilmente dou feedback em algum texto que leio na web, mas este é sensacional. Parabéns. Adorei.

Roseane Viana disse...

Escrevi sobre isso no meu blog dia 12 de maio, um atrevimento no dia das mães. Mas o bloguito não tem uma audiência comoa sua, então pouquissimos comentários, mas bons.
Não tenho filh@s, mas tenho 2 enteados. Gosto muito de crianças,mas sou feliz assim sem crias.

Sara disse...

Não sei dizer até onde meu desejo de ter um(a) filhx foi construido socialmente, ou se foi um desejo biológico de perpetuação da minha espécie.
Mas reconheço q nunca tive vocação p a maternidade, nunca acreditei q eu derivaria muito prazer dessa atividade, mas quando aconteceu (diga-se de passagem sem planejamento, mas não por DESCUIDO)
afinal fiquei grávida, mesmo tendo consultado médicos q garantiram minha esterilidade por um fator hormonal, eu procurei fazer por minhas filhas o melhor q eu pude, pensei sempre no bem estar delas.
Mas meu desejo pela maternidade nunca foi tão forte ao ponto de eu pensar na hipótese de adotar uma criança, e admiro profundamente quem faz isso, pois pra mim isso soa como um grande desprendimento e sacrificio, muito embora ha pessoas q valorizem tanto a maternidade que consideram um grande privilégio poder adotar uma criança.
Nunca aceitei elogios por nenhuma consecução que minhas filhas obtiveram, pois sempre achei q não sou responsável por eles, se elas tiveram alguns, foi por mérito único e exclusivo delas, não acredito que a educação q pude proporcionar a elas tenha sido o fator mais importante na formação do caráter delas (tanto é q elas são totalmente destintas uma da outra).
Por fim nunca nutri as idéias e condicionamentos que comumente são atribuidos a maternidade, procuro tratar minhas filhas com respeito por suas individualidades, embora me critiquem horrores por isso, tenho minhas preferências e afinidades e não abro mão delas, em nome dessa ladainha lendaria de q mãe não faz diferença, que é um ser iluminado q só tem atitudes justas e perfeitas.
Nunca jamais enganei minhas filhas sobre o meu carater, sobre meu passado bem nebuloso rrssss, jamais posei de santa para elas com objetivo de poder assim exigir delas uma atitude de acordo com a moral vigente.
Enfim só não digo q me considero amiga de minhas filhas, pois em minha casa sempre deixei claro q embora elas tenham muita liberdade, a casa é minha e as regras tb.

Letícia Penteado disse...

"rafaela disse...
Sabe uma coisa que eu acho terrível? A simples pergunta: "você tem filhos?"
EXATAMENTE! Acho isso a maior falta de noção da face da terra.
E "você é casada"? Ou simplesmente presumir que há um MARIDO na vida da mulher porque ela tem filhos. Como se isso fosse um ELOGIO, diga-se de passagem - "olha como eu penso o mundo de você, eu presumo que você não é uma 'vadia' que teve filhos sem um macho para tomar conta de vocês". yuck!

Brigitte disse...

Ei,por que meu comentário foi APAGADO?
Só por que eu disse que a essas mulheres interesseiras que engravidam pra garantir vida boa com pensão,que usam filhos como apólices de seguro deveriam ser conscientizadas?Isso por acaso é mentira.Só por que eu disse que certas mulheres merecem nascer estéreis por que não merecem o dom da maternidade?
Esse blog prega hipocrisia?
Comentários ridículo foram liberados,por que o meu não?

Livia Siqueira disse...

Vivi, eu não sei onde vc viu esses dados, mas eles não são verdadeiros.
No Brasil, a cirurgia de laqueadura (pelo SUS, inclusive) é regulamentada pela Lei 9.263/96 (Lei do Planejamento Familiar), que dispõe que é permitida "a realização da laqueadura em mulheres com mais de 25 anos OU com mais de dois filhos".

Com relação ao tema do post, sou mais uma das que não querem filhos. Mas não acho que sofro nenhum tipo de pressão, não. Talvez por eu não dar margem pra esse tipo de coisa.
Pessoas da família, amigos, colegas de trabalho, etc já sabem que eu não admito interferências na minha vida pessoal. E, felizmente, não costumo lidar com estranhos tão inconvenientes rsrs.

Acho q outro mito a respeito de mulheres que não querem ter filhos é o de q somos desalmadas que não gostam de crianças. Gente, eu AMO criança - e não é bem longe de mim, não! rsrs

Laurinha (Mulher modernex) disse...

O que mais me incomoda, é que muitas vezes a cobrança pra casar e ter filhos (afinal parece que um sem o outro não vale muito pra nossa sociedade hipócrita) vem exatamente de quem mais passa o tempo reclamando do casamento, do marido, dos filhos.
É muito estranho.
Acho que quem é feliz de verdade não precisa ficar cobrando do mundo à sua volta que todos façam exatamente como eles.
As vezes fica parecendo que só querem que todo mundo siga o mesmo caminho só pra convencerem a si mesmos que fizeram o certo, que esse é o mesmo o único caminho, que não existe outra opção viável. Como se outro estilo de vida ser visto como bom fosse uma ofensa ao estilo de vida deles.
Eu não quero ter filhos. Pelo menos não nesse modelo atual onde tudo recai sobre as costas da mãe, onde sofrer, viver cansada, estressada, por suas vontades sempre em último lugar é tido como bonito, normal e se você tem "apoio" como o vindo de creches, babás, avós e do próprio pai, ainda é criticada.
Acho que nossa sociedade é muito cruel com as mães, só finge bajular pra que as coisas permaneçam exatamente como estão.

medb hErenn disse...

Tô fora... Eu vou é cuidar de mim,não quero botar mais uma alma nesse mundo pra ele passar coisas que eu passei.Se for menina então...Vish.Não,não. SOU LIVRE \o/
Livre como o vento,posso ir para qualquer direção,mas digo que GRAVIDEZ HOJE não é a minha intenção.Sou uma mulher feliz,tenho um bom dinheiro comigo,um bom namorado ao meu lado e muita liberdade para desfrutar. Sinto que eu tirei um pouco disso dos meus pais,mesmo que não fosse culpa minha. Gastaram muito no meu nascimento,na minha criação e eu Sou Grata,eternamente. Mas tenho o direito de usufruir da vida que meus pais me deram sem filhos. Amém,que assim seja. E se eu quiser ter um filho,de coração,que Ele venha.

Roxy Carmichael disse...

lola, que surpresa, faz um tempo que nao comento aqui por causa da correria (a mesma correria que me impediu de reduzir um pouco o texto). muito obrigada pelo espaço!

como eu sou uma das comentaristas mais pentelhas aqui, vou comentar meu próprio guest post, hahaha
queridas e queridos
sinto informar mas a questão não se resume a querer ter filhos, que tenha, nao querer ter filhos, que nao tenha. essa lógica se assemelha muito à lógica do suposto combate ao racismo que prega nao se referir às pessoas a partir da raça, como se nao soubéssemos muito bem, qual a cor da pele de quem é preterido em entrevistas de emprego, de quem é revistado pela polícia sem motivo aparente, enfim, tudo aquilo que nós sabemos.
a maternidade nao se resume a querer/nao querer, existe uma desigualdade gritante em letreiros de neon vermelho e isso é atestado pelo nosso sistema legal e jurídico que impõe leis bem restritivas ao direito da mulher sobre o proprio corpo, no que concerne à reprodução. falo do aborto, obviamente e do que ja comentaram aqui, ou seja, as restrições absurdas às mulheres que querem realizar uma cirurgia de laqueadura. falo também da licença paternidade de uma semana? quinze dias? ouvi dizer que no méxico é de um dia, me corrijam se eu estiver enganada.

o outro ponto não é somente reclamar ou ignorar o comentário do papagaio da tia da vizinha da avó que vc precisa ter filhos, ou vai se arrepender amargamente de nao ter tido. mas sim, a identidade feminina ser fundada na oposição entre a mãe e a puta. da puta, falamos muito ultimamente, pro bem e pro mal, e tá aí a marcha das vadias que nao me deixa mentir. mas ainda é um grande tabu falar da mãe (falar que ser mãe é padecer no paraíso e escrever textos elogiosos no dia das mães, nao é falar da mãe!) e especialmente, do DESEJO da mãe, do erotismo da mãe.

por fim, nao prego uma defesa irreflexiva da adoção em detrimento de uma gravidez. o que tento mostrar é como essa história do filho biológico é fetichizada. basta ver qualquer reportagem sobre celebridade e a distinção que a mídia (e a sociedade) faz entre os filhos biológicos e os filhos adotivos. eu só nao acho que deveria haver essa distinção. é filho e ponto. o mais interessante é que geralmente a adoção só é protagonista quando os pro-vida querem obrigar mulheres que nao quererm filhos a parirem, aí sim, ela aparece como um milagre, que tem pouco, ou nada a ver com a nossa realidade em que as crianças mofam em orfanatos (com exceção claro, das recém nascidas brancas). e o fetichismo do filho biológico chega ao ponto de converter a índia no paraíso dos ventres de aluguel. aliás esse é um grande filão do turismo lá por aquelas bandas, funciona assim: as mulheres pobres gestam os filhos dos casais ricos, e durante nove meses sao super bem cuidadas em clínicas caríssimas (muito mais eficientes e rentáveis do que as clínicas e hospitais destinadas a tratar a população local), depois sao abandonadas à própria sorte, enquanto os casais heteros ou gays voltam pros states ou pra europa com um filhote que é a carinha deles! entao eu acho sim que se deve questionar o "direito" à reprodução.

concordo muito com uma comentarista que disse que no fundo existe essa ideia latente de que a mulher é incompleta e precisa de marido e filhos. e acho que isso é bastante evidente na nossa sociedade, vide pesquisa feita pela miriam, citada no texto, onde ela cunhou a expressão "capital marital".

Renata Velloso disse...

A mulher é julgada sempre independente das suas escolhas, isso é fato. Mas não acho que a mulher que não queira ter filhos é mais julgada do que a que quer, tudo isso depende da circunstância.

Vamos pensar numa entrevista de emprego. O entrevistadxr pergunta: o que você planeja para o futuro. A a mulher responde: "ah meu sonho é ser mãe e ter pelo menos 3 filhos", e outra responde "ah eu quero me dedicar a minha carreira, aprender, viajar". Quem vai ser melhor vista?

Quando uma mulher inteligente, estudada, chega numa roda de amigas, ou em qualquer lugar na sociedade e diz que decidiu que quer ser mãe período integral, que é disso que ela gosta, é isso que a deixa realizada, quantas pessoas não torcem o nariz? Quantas não julgam? Você acha que a pergunta "ah você não vai ter filhos" é tão mais frequente do que "ah, você não trabalha?"

Uma mulher pode trabalhar mil vezes mais duro em casa cuidando dos filhos e mesmo assim vai ser sempre vista como a madame, ou como a inútil, ou como a coitadinha.

Então no fundo estamos toda no mesmo barco já que o preconceito rola solto em relação as mulheres, meio que sempre. Claro que se for negra, pobre, homosexual é pior, mas não vejo a não-mãe numa situação pior do que a mãe.

Rafa Angel disse...

Exatamente Roxy,o abismo é grande,o ser mae é mais superestimado,sem duvida.

Enquanto a ultima comentarista olha quanto a trabalha,sim existe mae que trabalha se somando com as casadas e maes solteiras dar um numero mairor, nos estamos aqui falando de maes e nao de trabalho.sorry.

Rafa Angel disse...

Mas sempre é bom pautar mesmo q off topic esse assunto de nao trabalhar fora,quem sabe sai um post

Tatiana Learth disse...

Tenho um filho de três anos e vejo muitas crianças na idade dele muito carentes de amor, de carinho, de atenção e de cuidado, mesmo vivendo num ambiente classe média. Acho que muitas pessoas não se dão conta de que não queriam ter filhos. Para as mulheres brasileiras, ser mãe tb é questão de status.

Por outro lado, acho que existe uma luz no fim do túnel. Os pais estão mais participantes e há muito mais mulheres conscientes e feministas do que no passado.

Acho que o único pecado desse post foi ser um pouco pessimista...

Em tempo: nos primeiros quinze dias, pensei que ia morrer e até o fim do primeiro ano (período da amamentação) minha felicidade materna vinha junto com uma tristeza enorme. Essa fase passou e acho que amar uma criança é uma grande oportunidade que homens e mulheres têm para se tornar pessoas melhores (ou piores, se maltratarem essas coisinhas fofuxas).

Fórmula de Bhaskara disse...

Oi Letícia Penteado,
Maternidade, como qualquer grande empreitada, tem seus prós e contras, de repente eu vi o lado ruim e você se concentrou mais no lado bom, cada uma com as suas experiências e nenhuma está errada. Mas o que eu acho sempre válido questionar é não limitar a felicidade das mulheres à ser mãe e ter marido,buscar outras alternativas de educação às crianças, quem for mãe ou educador@ que seja capaz de mostras às crianças que não precisamos seguir estereótipos para sermos complet@s. Também sinto o incômodo de algum@s comentaristas quanto à perguntas comuns quanto à família, na maioria das vezes quem faz estas perguntas não está sendo escrot@ de propósito, mas apenas cumprindo um papel que já está consolidado em nossas mentes e condutas, por exemplo: não é natural pra mim escrever em gênero neutro (usando @ e x), o que me obriga a revisar diversas vezes meu texto, da mesma forma, nos contatos sociais para "quebrar o gelo" as perguntas pessoais presumem que tod@s estão no padrão hetero, branco e queiram ter filh@s.

Renata Velloso disse...

Rafa,
Eu não quis comparar mãe com trabalho. Mas assim dizer que como existe a pergunta "vc não é mãe?" , tb existe a pergunta 'vc é só mãe?" E o fato é que estamos sempre no tronco. Se vc está solteira questionam se não tem namorado, se tem namorado, qd vai casar, se casou qd vai ter filho, se tem um filho qd vai ter outro pq filho único é triste e mimado, ai vc tem 2. Vc acha que a sociedade alivia o preconceito e a vontade de se meter na sua vida? Óbvio que não!

Primeiro porque mesmo sendo mãe vc continua tendo que estar gostosa, depilada, com as unhas feitas, sexualmente disposta, ser boa dona de cada, ter uma carreira bem sucedida e óbvio ser boa mãe. Ser boa mãe é bastante subjetivo, então vão questionar se vc teve parto normal ou cesárea, se amamentou ou não, se bate ou não bate no seu filho, e claro qualquer coisa errada que ele fizer vai ser culpa sua.!

Então já que estamos todas sendo julgadas o tempo todo já ajudaria bem se parássemos de julgar umas as outras. Se a mulher decide ter filhos biológicos, adotar um recém nascido parecido com ela ou uma criança órfã no Camboja, ou chamar seus gatos de filhos, problema dela. Cabe as outras mulheres apoiarem e aceitarem essas escolhas.

Renata Velloso disse...

Ah sim, esqueci de dizer, se vc tem mais de 2 filhos, como eu, vai ouvir frequentemente: nooooossa você planejou? Não tem tv em casa??? É impossível agradar a sociedade ;-)

L. G. Alves disse...

Minha "querida" mãe deveria ler este post mesmo que ela não quisesse entender ou não entendesse. Ela nunca deveria ter tido filhos pois ela não gosta de crianças, detesta o "trabalho de ser mãe" e não tem mesmo "vocação" pra maternidade. E eu, por ter sido "criada" por ela, e por assistir um pouco da vida das minhas amigas com seus filhos, prefiro não ter filhos. Deuls me livre. É trabalho, é limitação, é estresse, é medo e etc Não, obrigada. E depois, ainda, quando estão maiores, ficam terríveis com os pais. Já pensei várias vezes se eu queria ser mãe, se eu aguentaria, se me sentiria feliz ao ser mãe. Sempre a resposta é NÃO. Acabaria culpando a criança por não ter a vida que tinha antes dela nascer. Ela não mereceria isso.

Letícia Penteado disse...

Oi, Fórmula de Bhaskara,
Não foi a minha intenção colocar a coisa em termos de quem está certa ou errada, desculpe se foi assim que pareceu.
Só o que eu quis foi, a partir do meu próprio exemplo, demonstrar que há mais em ser mãe do que o vemos nas nossas próprias mães ou mesmo em outras mães, entende?
Eu ainda hoje me surpreendo com o quão feliz eu (eu) me sinto sendo mãe. Eu, que durante tanto tempo nunca nem pensei que um dia iria querer filhos, que durante tanto tempo achei um absurdo uma mulher abandonar carreira e profissão para se dedicar à maternidade.
A minha sensação no começo era a mesma de quando você se descobre gostando de algo super mainstream (tipo, sei lá, Justin Bieber) muito contra a sua vontade, sabe? hahahaha
Claro que existe uma expectativa social em torno disso, claro que muitas vezes a mulher que não quer filhos ou não é casada é tida como incompleta e claro que isso é uma besteira sem tamanho, não discordo disso nem por um segundo.
Não estou aqui defendendo ser mãe, ou que isso é necessário para a realização da mulher, ou algo assim. Eu só me manifestei em relação ao seu comentário por conta do que eu disse - que me pareceu (peço desculpas se entendi errado) que o seu receio não era relacionado à maternidade, mas a tornar-se a sua mãe, o que, muitas vezes, é justamente o receio de muitas pessoas (de ambos os sexos) que não querem filhos.
Ao sentirem em suas próprias peles a frustração de seus pais e mães, gravaram para si mesmas que ter filhos é algo frustrante.
Eu cresci ouvindo que "filho é uma merda", que "faça um favor a si mesma e não tenha filhos", que "filhos estragam tudo". Não da minha mãe, mas do meu pai.
E durante muito tempo da minha vida, depois de crescer, amadurecer, etc., creio que me impedi de sequer cogitar a ideia de ter filhos, não porque de fato não os quisesse, mas porque não queria me tornar a pessoa que falava isso para um@ filh@. Era um bloqueio.
Meu caso, tá? Não estou falando que seja o seu, ou o de qualquer outra pessoa.
Eu entendo não querer ter filhos porque não se gosta de criança, porque não se quer colocar gente para sofrer no mundo, porque se prefere a vida sem filhos, porque não se tem vontade de tê-los. E não é que não entenda também não querer ter filhos para não se tornar como seus pais. É só que, em relação a este item em particular, trata-se de algo sobre o qual nós temos controle.
Foi só uma ressalva que eu quis fazer em relação ao que eu li no que você escreveu.
Sobre a perguntinha de elevador, a questão para mim não é tanto da expectativa - é a falta de noção mesmo. De bom-senso.
Que nem chegar para uma mulher aparentemente grávida e perguntar de quantos meses ela está. E se ela não estiver grávida?
Que nem chegar para uma pessoa que estava com um parente no hospital e perguntar como ele está. E se ele morreu e a pessoa está evitando o assunto?
Acho que você está certíssima quanto ao "padrão" e tal. Só acho que, nesses casos, a escrotidão é inescusável porque é muita falta de... bom-senso mesmo. De sensibilidade, de consideração.
Ah, e, a propósito (e off-topic), eu também tenho muita dificuldade com essa questão de escrever sem gênero. Muito tempo escrevendo com ele. Sempre achei besta, tudo no masculino, mas, enfim. E tenho muita dificuldade em escrever algo que não é legível. Não sei se você também encontra esse problema. Acho que já vi mais alguém reclamar disso por aqui.

Letícia Penteado disse...

Roxy,
Creio que a discussão aqui tenha se enveredado para o lado do querer ou não querer porque o seu post pareceu (a mim, pelo menos) se centrar na questão da mulher considerada como ser insuficiente quando sem marido ou filhos, etc.
Eu, de minha parte, acho vital destacar a importância e a responsabilidade da maternidade na formação de pessoas, não como motivo para que mais pessoas sejam mães sem o quererem, mas como motivo para que as pessoas que não querem ser mães JAMAIS sejam forçadas a sê-lo. E isso inclui, claro, isso que você está falando - infelizmente muita gente é obrigada a ter filhos que não queria (com muitas pessoas dizendo que ela "merece" isso, como se fosse um castigo pelo seu "descuido") ou obrigada a parar de ter filhos quando queria mais deles (porque, né, quem é miserável não pode procriar assim).
Já temos blogs de mães tratando da mãe como mulher (eu recomendo muito a Vila Mamífera nesse sentido), com tesão e tudo, não só como uma espécie de Virgem Maria. Tem um em particular que eu acho excelente, que é o MILF, no wordpress, lindamente escrito por uma pessoa linda. E feminista (assumidamente).
Sobre o "fetiche" do filho biológico... será que não estamos virando isso do lado do avesso? Será que não estamos interpretando uma "necessidade" instintiva, biológica como um processo psicológico? Até que ponto isso seria um narcisismo, como você colocou (não nego que seja, pelo menos em parte), e até que ponto seria um impulso natural de procriar, de reproduzir-se? É muito interessante pensar a respeito.
Não estou falando em termos do que deve ou não ser feito, ou do que é ou não certo, ou errado, do que é condenável. Estou divagando mesmo.
Quanto à utilização de mulheres carentes para a função de barriga de aluguel, acho essa questão tão complicada quanto à da prostituição.
Se por um lado temos mulheres sendo exploradas em virtude de uma necessidade que elas estão passando, por outro, creio que não podemos simplesmente impedir a prática, sob pena de estarmos incorrendo justamente no pecado que parecemos, todas condenar: querer determinar o que uma mulher pode ou não fazer com seu corpo. Além de dificultar o acesso da mulher que está envolvida nessas atividades à proteção contra eventuais abusos.
Enfim, ambos temas polêmicos dentro do feminismo. E muito interessantes de serem explorados.

Vivi C.S disse...

Livia Siqueira

Por experiência próxima posso afirmar qu essa lei não é respeitada,
pois tenho uma amiga com 27 anos e 3 filhos que tentou (e muito) fazer essa cirurgia pelo SUS e resposta era sempre que ela não atendia aos "critérios básico" para a realização da cirúrgia, que ela precisaria ser maior de 30 anos e ter no mínimo 6 filhos! Aliás não tevira ter "limite de filhos" pra fazer essa cirurgia, seja de 2 ou 6 pois é uma decisão SUA, não deveria ser necessário vc já ter tido filhos para ter o direito de escolher ligar as suas próprias trompas, isso é um absurdo!

Roxy Carmichael disse...

pra mim o grande ponto é esse: será uma necessidade biológica, instintiva? eu nao saberia responder e tenho a impressão que pouca gente saberia (se é que saberia). só acho que instinto ou necessidade biológica nao sao expressões e conceitos adequados a essa situação, e na minha humilde opiniao deveriam ser citados com muitas reservas, já que se tornam infinitamente mais complicados se os relacionamos com o que entendemos como a divisão sexual do trabalho. e nesse sentido creio que nao vamos discordar, ja que temos uma historia de milhares de anos pra atestar isso. pergunto também como o instinto materno se articula com casos de mães que assassinam filhos ou que os abandonam, e eu já ouvi falar que lá no japão essa ocorrência tem sido um tanto quanto frequente.

eu só acho que deveríamos ser mais criativos na forma como nos relacionamos e isso envolve ter ou nao uma relação, envolve ter ou nao filhos e penso que uma etapa fundamental é a reflexão acerca dos mandatos sociais. e isso nao me parece uma atitude diletante, e sim urgente, já que temos mulheres morrendo porque se supõe que uma mulher é no final das contas, uma incubadora. é urgente porque é um ultraje que uma mulher nao possa realizar uma cirurgia de laqueadura se nao tiver filhos. é como se dissessem: cumpra seu dever, e depois (só depois) sim, faz o que vc quiser.

em relação a fetichização do filho biológico, não penso que se deva restringir ou diretamente proibir que casais recorram a ventres de aluguel em países do terceiro mundo (embora eu particularmente ache isso uma aberração), mas acho que se deva sim interrogar, debater qual a origem desse desejo de ter um filho com seus genes nessas condições (e até mesmo em outras condições). ou num caso ainda mais extremo, o que leva um casal que supostamente nao podia conceber uma criança, adote, para, depois de enfim conseguir conceber, devolver a criança adotada pro orfanato, situação que a leva ao suicídio? lembrando que a criança em questao tinha menos de dez anos e isso ocorreu na itália. eu tenho uma hipótese e tem a ver com o video que vi ontem, que a gaziela recomendou aqui, da psicologa no café filosófico: penso que sim, a maternidade/paternidade pode ser pensada atualmente na chave do consumo. que pessoas consomem essa idéia da familia margarina, assim como consomem a ideia de poder que um carro confere ao consumidor. digo que se resume a isso? definitivamente nao. mas é perpassada por isso? seguramente.

Jane Doe disse...

Sobre o "instinto materno", ou "instinto de reprodução" aqui tem um texto antigo com comentários (em inglês) escrito por MÃES que falam sobre como elas se sentem em relação a maternidade:

Livre tradução de alguns trechos:

"Eu descobri que estava grávida 2 meses depois da lua de mel. Eu também senti que não tinha outra escolha senão mantê-lo e eu estava infeliz com isso (...) Eu o amo, mas esse "instinto maternal natural" nunca apareceu(...)"

"Eu me sinto tentada a ir embora. Tem dias que é tão difícil, mas tão difícil, muito pior do que eu jamais imaginei que fosse. Eu queria sair em uma estrada, entrar em uma rodovia e ir embora para nunca mais ser vista (...).

(...) Eu procurei no google por "eu odeio ser mãe" e estou feliz por não estar sozinha. Sim, eu amo meus filhos, sim eles foram planejados (...) e não, ninguém pode te preparar para isso.

fonte:
http://vomitcomit.wordpress.com/2007/03/26/i-cannot-handle-being-a-mother-anymore/

Não sei, posso estar redondamente enganada, mas se fosse assim tão natural e automático querer ter e amar os filhos não teriam tantas mães querendo correr deles!

E falando em natureza - muitas fêmeas, mesmo em condição selvagem abandonam e matam seus filhotes. Nos animais, a maternidade também não é algo assim automático ou mágico. Muitas pesquisas feitas com animais domésticos mostram que o comportamento materno tem sim uma parte inata, mas há a parte fundamental do aprendizado. O laço mãe-filhote depende de uma série de fatores internos (fisiológicos) e ambientais.

Acho que o ser humano complexo demais para se aplicar leis simplistas do tipo "a natureza quer assim". E mesmo que a natureza se aplique, não podemos esquecer que esta também é complexa e nem sempre exata,

Letícia Penteado disse...

Roxy Carmichael disse...
"pra mim o grande ponto é esse: será uma necessidade biológica, instintiva? eu nao saberia responder e tenho a impressão que pouca gente saberia (se é que saberia). só acho que instinto ou necessidade biológica nao sao expressões e conceitos adequados a essa situação, e na minha humilde opiniao deveriam ser citados com muitas reservas, já que se tornam infinitamente mais complicados se os relacionamos com o que entendemos como a divisão sexual do trabalho. e nesse sentido creio que nao vamos discordar, ja que temos uma historia de milhares de anos pra atestar isso. pergunto também como o instinto materno se articula com casos de mães que assassinam filhos ou que os abandonam, e eu já ouvi falar que lá no japão essa ocorrência tem sido um tanto quanto frequente."
Roxy, animais também matam (e muitas vezes comem suas crias). Só porque existe um instinto num sentido em uma espécie, isso não quer dizer que ele sempre se manifestará, em todos os indivíduos, etc.
O fato de sermos animais não nos restringe à nossa animalidade. Inclusive no que se refere à divisão sexual do trabalho. Por outro lado, não é por isso que podemos negar nossos instintos, ou a existência deles, etc. Isso é uma presunção que pode nos levar a racionalizar e recalcar muitas coias com que lidaríamos muito melhor abertamente.
Por isso, não tenho mesmo nenhuma reserva em citar esses instintos, porque é justamente compreendendo-os e seu relacionamento com a nossa cultura e a nossa razão que podemos melhor compreender o que se passa dentro da gente.
Claro que pode ter algum babaca machista que vai tirar as coisas do contexto - vive acontecendo, vide o que ocorre com as descobertas da neurologia. Mas eu prefiro lidar com a descontextualização depois do que ignorar a informação no agora.
Ressalto que não acho que nenhuma mulher seja incapaz de resistir ao impulso biológico de se reproduzir se, racionalmente, não quiser fazê-lo.
Minha colocação quanto ao instinto foi mais em relação ao desejo de se ter um filho biológico, de se repassar sua carga genética adiante. E foi mais uma divagação mesmo, como eu disse.
No mais, concordo plenamente.

Letícia Penteado disse...

Jane Doe, não sei se isso que você escreveu foi para mim; caso seja, por favor veja a minha resposta acima, para Roxy. Ninguém disse que "a natureza quer assim", ou qualquer coisa do gênero.
Minha colocação quanto ao instinto não foi só para mulheres e não se tratava da necessidade de ser mãe em si - estava restrita à questão do filho biológico. Divagando (divagando, não postulando, veja) sobre os possíveis motivos que levam uma pessoa a querer ter um filho biológico, ao invés de adotar uma criança.

Ximena disse...

Sobre a questão do dito instinto materno, a filósofa Elisabeth Badinter tratou do tema em seu livro "Um amor conquistado - O mito do amor materno".
Segue um trecho da sinopse: "Observando-se a evolução das atitudes maternas,
verifica-se que o interesse e a dedicação à criança não existiram em todas as épocas e em todos os
meios sociais. As diferentes maneiras de expressar o amor vão do mais ao menos, passando pelo
nada, ou quase nada. O amor materno não constitui um sentimento inerente à condição de mulher, ele não é um determinismo, mas algo que se adquire. Tal como o vemos hoje, é produto da evolução social
desde princípios do século XIX, já que, como o exame dos dados históricos mostra, nos séculos
XVII e XVIII o próprio conceito do amor da mãe aos filhos era outro: as crianças eram
normalmente entregues, desde tenra idade, às amas, para que as criassem, e só voltavam ao lar
depois dos cinco anos. Dessa maneira, como todos os sentimentos humanos, ele varia de acordo
com as flutuações sócioeconômicas da história."
O livro está disponível para quem tiver interesse no seguinte link: http://www.fiocruz.br/redeblh/media/livrodigital%20(pdf)%20(rev).pdf

Jane Doe disse...

Não, Letícia, não foi...
Só aproveitei o "gancho" já que o assunto surgiu.

Falei sobre isso pois o determinismo biológico sempre foi, assim como a religião, uma arma poderosa de opressão. Afinal, quem pode discutir com deus ou a força da natureza?

Letícia Penteado disse...

Ah, sim, Jane Doe!
Com certeza. A biologia triste e equivocadamente acaba sendo a religião das pessoas que não usam a religião como argumento. Tão dogmático quanto...

Adriana disse...

Lola, Gostei muito deste post mas o final para mim cheirou-me a chavão. Tenho 38 anos e ainda não sou mãe, mas quero ser. Como casal sofremos de infertilidade e ler palavras tão simplistas como " talvez o próximo Einstein esteja num orfanato a espera de ser adotado" Ou esta indignação por alguém querer um descendente dos seus próprios genes demonstra uma falta de tato com todos os casais que sofrem com este problema. A adoção, no meu caso, não realiza o meu desejo de parentalidade. Já foi uma questão proposta, pensada e repensada e para nós que vivemos em Portugal ( o que não torna fácil esta escolha)foi rejeitada enquanto houver opção de luta. Sim, há mulheres que querem ter filhos. E isto nada tem a ver com ser melhor que os outros ou merecer uma área VIP no paraíso.

D. W. disse...

Adriana, acho que você está confundindo alhos com bugalhos: desejo de parentalidade e desejo de engravidar/passar seus genes adiante/se reconhecer em outro ser é outra coisa. Talvez por isso você ache que o seu "desejo de parentalidade" não seja realizado pela adoção. Cada um sabe de si: tem quem não queira ter filhos, tem quem os queira do jeito que for e tem aqueles que não se contentam em criá-los e amá-los sem tê-los gerado. É tudo muito ok, mas acho interessante a decisão de se manter nisso que você chamou de luta, quando há um sem número de crianças cuja necessidade se encaixa perfeitamente nesse tal desejo de parentalidade.

Adriana disse...

D.W. Obrigada por responder. Como eu disse eu gostei muito do post. Acho que há sim pessoas que têm filhos pelos motivos errados e aqui onde vivo a vida nos empurra mais para não ter filhos do que para ter. O projeto "adoção" foi muito ponderado por mim e por meu marido e não se trata só de estabelecer uma ligação por alguem que tem ou não tem os seus genes, infelizmente a questão no nosso caso é muito mais complexa porque aqui, onde vivo, a maior parte das crianças que estão para adoção foram retiradas dos pais por este ou aquele motivo e não foram abandonadas. ( eu repito, não foram abandonadas, foram retiradas das familias por decisão de um juiz) Ser alienado da sua família por problemas financeiros e (por vezes) como consequencia abusos de alcool e droga. Uma molestia social que, ao meu ver não se resolve dando as crianças a casais com mais condições de os criar. Esta é a realidade de onde vivo e eu me recuso a participar disto. Esta solução "perversa" a meu ver, não satisfaz o meu desejo de parentalidade e ponto final. Tentarei sim ter um filho e se ele não vier não serei menos mulher por isso.

Letícia Penteado disse...

DW,
"É tudo muito ok, mas acho interessante a decisão de se manter nisso que você chamou de luta, quando há um sem número de crianças cuja necessidade se encaixa perfeitamente nesse tal desejo de parentalidade."
Não é algo tão simples assim. Não se trata de economia. Não se trata de surplus aqui, escassez ali. Seres humanos são complexos e a decisão de ter ou não filhos é uma decisão complexa.
Pessoas são substituíveis? Tanto faz um como o outro? Se você quer uma criança, então toma aqui esta que já está pronta?
Não vejo confusão alguma na declaração da Adriana. O que ela disse foi "A adoção, no meu caso, não realiza o meu desejo de parentalidade."
O desejo de parentalidade pode para uma pessoa incluir um componente que, para outra pessoa, não inclui, como, por exemplo, o "desejo de engravidar/passar seus genes adiante/se reconhecer em outro ser".
Pode parecer egoísmo para você. E talvez seja egoísmo. E daí? Ser mãe não é, (nem deve ser!) em si um ato de caridade. Creio firmemente que não se deve ser mãe por pena. Por dó. Por responsabilidade social.
Como eu já disse, ninguém deve ser mãe a não ser que *queira* ser mãe E *queira* ter filhos. E se o seu desejo de ser mãe passa por ter *o seu próprio filho*, então "lute", como colocou a Adriana, para tê-los, se for o caso.
Essa decisão não é só a meu ver "interessante", como você disse, mas justa, pessoal e digna de respeito e aceitação, independentemente do tipo de programa de adoção existente onde se está.