quarta-feira, 15 de maio de 2013

ENQUANTO OS BRONCOS BRINCAM, ANGELINA SALVA VIDAS

Achei muito bonito e corajoso o que Angelina Jolie fez. Ontem ela anunciou ao mundo, através de um artigo pessoal no New York Times, que se submeteu a uma dupla mastectomia preventiva. 
Ela explicou que sua mãe morreu de câncer, aos 56 anos, após ter lutado contra a doença por quase uma década. E que ela, Angelina, descobriu, graças a um exame que custa 3 mil dólares (caro assim porque é patenteado), que tem um gene que lhe dava 87% de chance de ter câncer de mama, e 50% de ter câncer de ovário. Removendo os seios, as chances do primeiro tipo de câncer caíram para 5%.
Angelina também descreveu o processo de preparar os mamilos para a cirurgia e a própria cirurgia reconstrutiva, as conversas com os filhos, e o apoio que teve do parceiro Brad Pitt.  
Desnecessário dizer que Angelina não é uma mulher qualquer. Ela é uma celebridade, uma atriz, considerada uma das pessoas mais belas do mundo. Sua aparência física é um dos motivos de seu sucesso, ferramenta essencial para quase qualquer atriz de Hollywood. Além do mais, seios são sempre associados à feminilidade e à sexualidade. A coragem de Angelina não foi necessariamente fazer a mastectomia, mas vir a público contar que fez.
Ela podia ter ficado calada e aparecer com seus seios reconstruídos, e ninguém iria saber, porque cirurgias desse tipo costumam ser dignas de sigilo absoluto. Mas ela decidiu falar, o que significa enfrentar um escrutínio ainda maior sobre seu corpo (imagine quantos papparazzi vão focar nos seios dela) e um amontoado de piadinhas insensíveis e sem graça, como esta aí do lado. E aguentar outras barbaridades, como a do sujeito que tuitou que ela cortou as mamas porque não estava recebendo atenção suficiente (!), ou que o que ela fez equivale a arrancar todos os dentes porque a família teve cárie (como se cárie matasse, né?). 
Tem grande importância sempre que uma celebridade sai do armário, ou adota uma criança com necessidades especiais, ou conta que já sofreu estupro, ou se assume feminista. Enfim, sempre que uma celebridade vai contra o senso comum, ou toca em assuntos tabus, ela contribui para que temas polêmicos sejam destacados pela grande mídia e virem conversa na padaria, nos bares, nas redes sociais. Desconfio que os rapazes que fazem gracinhas mal viram seios ao vivo, mas vamos falar de pessoas mais inteligentes. Muita gente nem sabia que existia mastectomia preventiva. Agora sabe. 
Claro que Angelina tem todos os privilégios do mundo. Ela é milionária, pode falar em "meus médicos", assim, no plural. Se eu, por exemplo, quisesse fazer uma mastectomia preventiva, será que o plano de saúde cobriria? E as mulheres sem plano de saúde? Sem falar no privilégio de gênero. Existem pessoas que fazem tratamento hormonal e querem remover os seios para serem homens trans. Pergunte pra elas se é fácil conseguir uma cirurgia dessas. Quantos atestados psicológicos elas precisam antes que alguém conceda que elas podem fazer algo primordial para sua identidade?
É lindo que Angelina anuncie que não se sente menos mulher por ter feito a mastectomia (algo que faz tantas mulheres com câncer entrarem em depressão). Toda essa discussão é empoderadora, e o simples fato de falar de câncer de mama traz atenção para um problema muito comum, e muito sério. Enquanto rapazinhos sem massa encefálica fazem piadas, Angelina Jolie salva vidas. Meus aplausos pra ela.
Excelente resumo das críticas que Angelina vem sofrendo: a metáfora da bomba-relógio, tirada daqui (clique para ampliar).

114 comentários:

Tales Gubes disse...

Quando soube dessa notícia, minha primeira reação foi "ela está em outro patamar de riqueza e possibilidade, então para ela é fácil". Temo que esse seja o primeiro pensamento de muita gente e por vezes demais o único.

Pensando por outro lado, ela realmente está colocando a discussão sobre câncer de mama e possibilidades preventivas em pauta na grande mídia e, por tabela, em parte significativa da sociedade. Cabe a outras pessoas dar continuidade a esse processo, dialogar com mais gente, usufruir dessas questões para gerar posicionamentos críticos :)

José Tarcísio Costa disse...

Antes fossem so alguns rapazinhos sem massa encefalica que fizessem essas piadas ridiculas. Na França, Christine Boutin (do partido cristao), conhecida pela sua luta contra o casamento gay disse: "[fez a mastectomia] pra se parecer com homens? Risos, se nao fosse triste de chorar"

Tem como comentar algo sobre uma pessoa escrota dessa?

Fonte: http://www.lefigaro.fr/culture/2013/05/14/03004-20130514ARTFIG00603-christine-boutin-se-moque-de-la-mastectomie-d-angelina-jolie-et-twitter-s-enflamme.php

Patty Kirsche disse...

O tipo de gente que está fazendo piada por ela ter removido os seios naturais nunca entendeu a personalidade dela. Certamente que a opinião de alguém que só prestava atenção nela por causa dos seios nunca vai importar pra ela. Eu a admiro muito pela forma segura como sempre conduziu sua vida. Creio que ela fez o que precisava ser feito. Teve muita coragem, sem dúvida.

Luíza Antunes disse...

Importante comentar que tem alguns hospitais e centros de pesquisa que fazem esse estudo genético gratuitamente (o privado pode custar até 8 mil reais).

entrevista na TPM:http://revistatpm.uol.com.br/so-no-site/notas/a-escolha-de-angelina.html

" No Brasil, a gente faz de graça no Hospital do Câncer de Barretos [a partir de encaminhamento médico], via SUS e com o auxílio do serviço de filantropia do hospital. Há outros centros gratuitos, como o Patrícia Ashton Prolla, no Rio Grande do Sul. Mas no geral o teste só existe pra quem pode pagar. É um exame caro, custa de mil a quatro mil reais, porque exige equipamentos caros e mão-de-obra qualificada."

Rapha disse...

A admiro mmuito. Desde que conheci seu trabalho como atriz, passando pela sua nomeação como embaixatriz da ONU, até todo trabalho maravilhos que tem feito com seus filhos e família.

Para mim é uma das grandes mulheres da atualidade. Tanto como atriz, como mãe e ser HUMANO.

Maria Valéria disse...

Eu entendo a atitude dela, mas discordo do que ela tez.

Reduziu par 5% de chance de ter o tumor?
Ok, mas de alguma coisa ela vai morrer...se nao for de câncer de mama, vai ser de outra coisa,...

Sou medica, entendo as razoes dela, mas acho que eu nao faria uma cirurgia mutiladora so porque tenho X % de risco de desenvolver e se ainda estou sadia.

Se bem que,mae a pessoa ja teve uma experiencia anterior na familia, ja viu todo o sofrimento, e nao quer passar por isso de jeito nenhum...eu entendo...

Nao concordo e nao faria, mas entendo os motivos dela

Bjs

Anônimo disse...

Para mim é uma das grandes mulheres da atualidade. Tanto como atriz, como mãe e ser HUMANO.

é uma pecadora que ja admitiu que se agarrava com o próprio irmão!

Rafael Cesar disse...

PESSOAL, CUIDADO COM ESSA HISTÓRIA DA ANGELINA JOLIE!

da perspectiva de gênero concordo plenamente que foi bacana. não ter seios não faz dela menos mulher nem nada, e é interessante o fato de justamente uma sex symbol fazer isso. nesse ponto, aplaudo contigo.

mas os impactos negativos em outros campos são muitos. a HIPERprevenção (esse é o termo técnico) é uma indústria muito lucrativa. a quantidade exorbitante de tratamentos desnecessários (de quimio a extrações), em termos numéricos, equilibram a conta de mortalidade/perda de qualidade de vida do câncer. na ponta do lápis, em termos coletivos, esse tipo de coisa NÃO salva vidas. veja: http://goo.gl/SFTne

esclarecendo: o que não salva vidas é a HIPERprevenção. a prevenção salva, é claro.

e quando angelina jolie, mulher pública, faz esse tipo de declaração e exposição, ela estimula algo que é muito questionável e discutido na literatura médica atual. e ainda mais perigoso para quem não tem acesso a equipes médicas de primeira como ela. talvez, no caso dela, realmente valesse a pena. mas isso estimula médicos carniceiros e gananciosos a explorarem a fragilidade de outras pessoas e fazerem o mesmo sem necessidade real.

não sou médico, mas meu pai é jornalista da área da saúde e já há algum tempo comenta sobre essa questão, muito preocupante. o caso da jolie vem a calhar.

peço atenção a isso.

grato, seu admirador,
rafael.

Ana disse...

Eu confesso que fiquei chocada ao ler a notícia. Não pelo fato das mamas serem símbolo de feminilidade, etc.
Mas sim pelo excesso de prevenção e intervenções na medicina atual. Eu não sei até que ponto isso é saudável, muitas questões sobre o cancer não foram compreendidas ainda, o quanto de fator emocional existe para desenvolver esta doença é imenso e meio que jogado para debaixo do tapete.

Não sei, ainda não elaborei bem a notícia....

Bia disse...

Lola, é como você disse, conseguiu trazer o assunto para discussão e maior informação de todos. Eu, por exemplo, nunca tinha ouvido falar que faziam este tipo de cirugia preventiva! Grande informação, achei incrível que ela tenha resolvido compartilhar isso com todos.

Carla disse...

Anônimo das 11:02

E você é uma pessoa sem pecado nenhum não??
cada um faz da vida o que bem entender, ninguém tem o direito de apontar o dedo e criticar decisões que tomam, vai catar coquinho na ladeira!

Bruno S disse...

Podemos até questionar se a decisão tomada por ela foi a melhor. Como a Maria Valéria falou, ela fez uma cirurgia mutiladora, enquanto ainda estava sadia.

No entanto, a grande questão levantada é a autonomia da mulher sobre seu corpo. Quando ela faz a cirurgia por entender que assim ela reduz as chances de adoecer, a mensagem é de que ela pode decidir sobre como dispor de seu corpo.

E é isso que incomoda tanto. Ainda mais numa mulher bonita, que abre mão de itens que compoem seu caráter decorativo (pelo menos na visão machista tradicional).

É muita coragem.

COragem que lembra o único filme bom que ela fez (Garota Interrompida).

Laila disse...

E existe prevenção para o câncer?

Mirella disse...

Vi ontem de manhã a notícia no jornal da globo das 7:30.
Vi, pensei "nossa, 87% para 5%? ufa, tomara que ela fique bem".

O fato de ter gente falando da Jolie (negativamente) só mostra como o corpo da mulher é sempre público, nunca é dela. Nenhuma decisão que uma mulher tome sobre seu corpo será só dela. Sejam em assuntos totalmente diferentes, como aborto ou a mastectomia, a mulher nunca está apta para decidir o que acontece no próprio corpo.
Neste caso, o que está em jogo é a """"""feminilidade""""" dela.
Tenham dó. Peitos não servem só para babacas imaturos fazerem "fomfom".
Peitos não são órgãos sexuais.

Meu namorado perguntou minha opinião sobre isso, e eu respondi: opinião sobre o que? Ela comentou um tema que é difícil para muitas mulheres e poderá ajudar algumas. Acho ótimo. Sobre o que ela faz no corpo dela, não me diz respeito, logo não preciso ter opinião.
Acho importante o tema ser conversado, debatido e, quem sabe, o exame que possibilita determinar se a pessoa tem ou não o gene tenha a patente quebrada. Já pensou?

Muito bla bla bla do patriarcado, preguicinha eterna.

Carol disse...

Então, eu tive um caso parecido na minha família. Tive uma tia que teve câncer de mama, mas foi descoberto relativamente no começo, ela tratou e foi tudo bem, hoje ela está super saudável.

Porém, minha prima, filha dela, apenas com 20 e poucos anos de idade sentiu um caroço em seu seio. Normalmente uma menina dessa idade nunca pensaria que poderia ser algo, mas ela foi a alguns médicos e sim, era câncer! E o dela estava em um estágio mais avançado do que o de sua mãe e o tratamento foi um pouco mais complicado. Mas novamente, deu tudo certo e hoje ela está bem.

Só que essa minha prima tem duas irmãs, e na hora que o médico soube que a mãe dela e ela tiveram câncer de mama, na hora pediu pra que as duas irmãs dela também fossem se consultar com ele. Minha prima mais velha já tem um filho, então ela não corre muito risco, mas já a mais nova, o médico disse que a mastectomia preventiva era uma opção. Eu (e muita gente da minha família) fiquei chocada, porque minha prima não tinha nem 20 anos...

O médico disse que o prudente a ser feito era fazer o exame que eles mapeiam o DNA da pessoa para saber se ela também tinha essa 'falha' no gene. E bom, como vc mesmo disse, o exame é caro e acabou que não foi feito. Mas minha prima, que hoje tem 21,22 anos tem que fazer mamografia todo ano, como uma mulher madura. Se ela teria feito a mastectomia, eu não sei. Mas concordo que é realmente difícil conviver com o risco de ter uma doença tão grave e, pior, tão cedo...

Marina P disse...

Minha tia teve câncer de mama duas vezes; da primeira vez retirou metade da mama direita, da segunda vez ela retirou toda a mama esquerda e sofreu muito, por anos seguidos. Uma outra tia morreu de câncer de mama. Tenho um tio que teve câncer de mama e teve que fazer o esvaziamento de uma das axilas; ele tem dificuldade para dirigir até hoje. Um tio de segundo grau também teve câncer de mama. Ano passado, em dezembro, pouco antes do Natal, recebemos a notícia de que meu pai tinha câncer de mama bilateral. Em março ele retirou as duas mamas e teve complicações sérias na cirurgia, que quase o levaram à morte (meu pai leva uma vida extremamente saudável e não tinha nenhuma outra doença, nada).

Então, agora eu vou fazer o exame para saber se tenho uma chance muito aumentada de desenvolver câncer de mama. E se eu tiver? Bem, TODOS os oncologistas que trabalham mais especificamente com câncer de mama que eu consultei até agora, estão me dizendo que, se o resultado indicar um risco muito aumentado eu deveria fazer uma mastectomia bilateral preventiva. Mas dizem também que há gradações, que há diferentes marcadores e que somente em casos onde o risco é muito alto a cirurgia é indicada. Admito que eu nem sabia que existia mastectomia profilática e que ainda estou digerindo tudo isso.

Eu achei ótimo a Angelina Jolie ter vindo à público. Às pessoas que acham exagerado retirar uma mama como medida profilática, eu recomendo que pesquisem bastante sobre o tema, como eu estou fazendo. Há muita preparação antes de uma cirurgia desse tipo e ela só é indicada em situações muito específicas. Falando sobre isso no meu trabalho, conheci uma médica que fez a cirurgia. As duas irmãs mais velhas dessa médica faleceram nos últimos 10 anos, ambas com casos de câncer de mama diagnosticados na fase inicial mas de tipos mais agressivos. A médica tem dois filhos pequenos, muitos planos e sonhos e é jovem como eu.

Eu acho que a gente tem que ler esse tipo de notícia e estar aberto para mudar de ideia ou para pelo menos examinar outras possibilidades. Uma coisa é ler sobre isso e outra é se ver nessa situação, tendo visto um monte de pessoas da família adoecer gravemente, algumas morrerem, outras passando anos em um sofrimento absurdo... Eu ainda não fiz o exame (nem sei se meu plano vai cobrir ou não) e não sei como é saber que você tem uma chance de 87% de ter câncer de mama, mas imagino que deve ser assustador. Então, consigo entender a pessoa que faz a mastectomia. Também consdigo entender que não faz, porque sobra os 13% de chance de nunca ter nada, né? Mas enfim... é complicado... não é uma decisão fácil e com certeza ela foi muito forte e buscou o que acredita ser melhor para sua saúde e sua vida.

Marina disse...

Só um adendo completamente nada a ver com o assunto do post...O teste não é caro pq é patenteado, é caro pq falta regulação econômica em cima de produtos para a saúde..Trabalho com patentes e vejo a maioria das pessoas condenando esse sistema sem nem ao menos conhecê-lo.De maneira bem superficial, as patentes não existem para fazer uma determinada empresa ganhar muito dinheiro, mas sim pra dar uma contrapartida temporária (Sim, na maioria dos países do mundo, as patentes só asseguram o monopólio pelo prazo de 20 anos contados do depósito do pedido de patente) ao inventor que divulga sua invenção integralmente!Do contrário, essas tecnologia ficariam trancafiada para sempre como segredo industrial, fazendo com que a sociedade ficasse refém de um empresa detentora de um conhecimento que só ela e nenhuma outra, possui e jamais possuirá.

Anônimo disse...

Gente, essa decisão que ela tomou é muito particular e deve ter sido muito difícil. É claro que a hiperprevenção é um risco, mas como vocês acham que uma mulher que viu a mãe morrer de câncer de mama se sente ao descobrir que tem 87% de chance de ter a mesma doença? Eu acompanhei a lua e morte de uma vizinha contra o câncer e vi o quanto seus filhos e maridos ficaram arrasados. Eu conheço também pessoas que lutaram e venceram, mas assistir uma pessoa que você ama definhar por causa de uma doença, e por anos (dez anos, caramba!) deve ser horrível.

Concordo que a sociedade deveria combater a hiperprevenção, mas não é a pessoa que expôs que a sua decisão que tem que ser questionada.

Deveria ser estimulado o lado humanístico na medicina, por exemplo. E eu não falo no sentido de sair por aí fazendo caridade, mas pelo menos de avaliar a real necessidade da pessoa fazer o procedimento. Meu pai é dentista, e o que ele comenta de gente que coloca aparelho, entre outros tratamentos, sem nenhuma necessidade chega a ser bizarro. Agora imagina, se o médico ou dentista recomenda você fazer um procedimento, você vai discordar dele? Claro, você pode procurar uma segunda opinião, mas nem sempre é isso que acontece ou o que a pessoa tem condição de fazer.

Outra coisa que diminuiria o impacto da hiperprevenção é aumentar o acesso à informação, e não restringir. As pessoas tem o direito de saber do que se trata, o que pode ser feito, quais as chances e o que essa probabilidade representa em fatos. Além disso, uma mulher nessa situação deveria ter acompanhamento psicológico para ajudar a entender melhor os próprios motivos. Por exemplo, uma pessoa que tenha visto um quadro da doença na família pode ter um medo extremo do câncer mesmo com chances bem menores de desenvolver a doença. Vale sim avaliar com cuidado todos os lados da questão e repensar o que foi decidido, e aqui seria ótimo ter ajuda profissional. Tanto do psicólogo, quanto dos médicos envolvidos no diagnóstico e cirurgia.

Soa meio utópico, né? A Angelina provavelmente teve tudo isso, afinal ela tem condições de 'bancar' um atendimento da maior qualidade.

Porém, como o Bruno colocou, "a grande questão levantada é a autonomia da mulher sobre seu corpo". E, em última instância, a autonomia de cada pessoa sobre o próprio corpo. Eu não tenho histórico de câncer na família, eu não fiquei que tenho chances muito altas de desenvolver a doença. Como eu poderia opinar por ela, ou por qualquer outra pessoa em situação semelhante? A escolha é dela, é autonomia dela. Para que essa autonomia seja exercida, entretanto, é necessário que as informações estejam disponíveis, de forma que a pessoa pode fazer a melhor escolha para ela.



Camila

Anônimo disse...

Ah, bom a Marina ter tocado no assunto do câncer de mama masculino. É bem menos comum e muitos homens tem uma dificuldade absurda de lidar com isso! A aceitação da doença, e consequentemente do tratamento, pode ser um sofrimento enorme - que, novamente, poderia ser minimizado com mais informação e discussão aberta e clara a respeito.



Camila

Ana disse...

Só mais um adendo. Tem algumas pessoas que falaram sobre a polêmica toda ter sido gerada porque ela mexeu em algo "feminino", retirou uma parte "decorativa", etc.
Eu ficaria chocada da mesma maneira se fosse um homem retirando a postata, apêndice (isso já foi feito em uma época), amidalas, tudo de maneira preventiva.
Se mutilar estando saudável??? No way...
A nossa sociedade tem um pensamento muito intervencionista em relação a saúde. Se tem a idéia que fazer algo é sempre melhor que fazer nada. Vide a epidemia de cesarianas que vivemos.

Anônimo disse...

é carla,transar com o próprio irmão n tem nada demais,por pensamentos assim que o mundo fica cada vez pior.

Iara Sindrominha disse...

Eu sinceramente não entendi muito bem porque fazer a cirurgia apenas porque tinha a possibilidade...mas ela deve saber o que fez e pelo menos teve acesso a todas as informações,então espero que esteja feliz,eu acho ela maravilhosa,e a voz dela neste caso é fundamental,muitas mulheres vão se sentir melhor depois disso,a maneira como ela teve coragem de se expor foi incrível e merece uma salva de palmas...

Mas tem uma coisa,eu fico aqui pensando,já vou avisando,são dessas teorias que passam pela cabeça..sei que a doença existe,sei dos tratamentos,sei de tudo isso...mas como já treinei meu olho para ver machismo em tudo fico pensando até que ponto a indústria não está se aproveitando de uma doença para sair mutilando a todas as mulheres..é um pensamento assim,perdido,não venham me encher o saco porque eu não sou médica,nem vidente,estou apenas pensando em voz alta..tantas coisas já aconteceram que eu não duvido de mais nada,principalmente em um momento onde tantos valores estão sendo questionados...enfim,adoro a Angelina e espero que tudo dê certo,porque ela é única!

Mayara disse...

Só queria comentar que fico chocada quando alguém comenta que ela tinha "só" 87% de chance ou que se ela tinha "só" chances de ter a doença ela não deveria fazer isso...
Se eu tivesse mesmo que 50% de chance não pensaria nem duas vezes antes de fazer. Os seios não são tudo na vida, especialmente quando, como no caso dela, podem ser repostos facilmente. Qual a diferença? Só o risco de uma cirurgia, na minha opinião.
Teriam as mesmas críticas se fosse um dedinho? Meu sogro amputou o dedinho do pé, machucou, tinha diabetes, não ia curar, cortou fora. cortamos pedaços de pele por possibilidade de evoluirem para um cancer de pele. Mas ahh os seios não?
Na tv ontem ouvi falarem que ela retirou os seios porque tinha um gene que "mostrava que ela teria uma possibilidade de ter cancer de mama" não gente, 87% não é POSSIBILIDADE, é quase certeza!!

Dree Alves disse...

Off Topic
Essa é cara da Bahia? (sobre a falta de representação negra no Miss Bahia.)
Quem puder (e quiser) Assine:

https://www.change.org/pt-BR/peti%C3%A7%C3%B5es/concurso-miss-bahia-cvc-e-rede-bandeirantes-por-que-faltam-meninas-negras-no-miss-bahia-2013#

Thainara Carreiro disse...

Gente, pelo amor de Deus! As pessoas são tão ignorantes e bobas assim? O que tem de tão diferente no que ela fez? Milhares de mulheres já optaram por fazer isso, eu conheço duas inclusive, e não são de classes sociais superiores não.

Ontem a noite uma outra famosa de Hollywood comentava sobre a atitude dela em anunciar o problema, e concordei muito com a mesma, porque fora o fato dela ser uma pessoa influente e o aviso prestar para conscientizar outras pessoas, imaginem ela ter que se esconder pra ir numa consulta médica ou qualquer coisa do tipo? Realmente a pessoa se torna mais frustada com isso, pois além de tudo tem que se precaver com fotógrafos e curiosos.

Agora quanto esse auê todo, eu sinceramente, não estou entendendo. Angelina não foi nem a primeira, única e última mulher a fazer isso. Entendo sim, que chama atenção pela popularidade da pessoa, mas agora quanto ao procedimento e a doença, é uma coisa muito comum. É claro que existem mulheres que são mais preocupadas com a estética e preferem não fazer isso, como existem outras que não ligam, e acho que as preocupadas com aparência são minoria.
Vamos passar a reparar de onde saem esses comentários, pois até onde vi, são adolescentes que não sabem nada de nada da vida.

Enfim... acho desnecessário, como já falei, todo esse fuzuê por uma coisa que mesmo trágica seja comum. O rumo da história se tornou outro totalmente diferente do que era pra ser, o peito é dela, a vida é dela, e no final das contas ela aparece-rá com um silicone e acabou. E se não tivesse silicone também... e daí, né?!

Anônimo disse...

Tudo bem Ana, essa é a sua opinião. Se você souber que tem 87% de chances de ter uma doença altamente mortal,doença que matou sua mãe, e puder fazer alguma coisa (mesmo que difícil e radical) para evitar, não faça. Confie nos 13% de chances que você tem de não se manter saudável e não interfira. Ninguém vai te obrigar. Mas pq ficar indignada com o que a Angelina fez? É a escolha dela, completamente justificável, é o corpo dela. Acho que você não sabe muito bem o quanto um câncer é triste e assustador. Eu faria qualquer coisa que tivesse ao meu alcance para evitar.

Ellien disse...

Demais a Angelina

Ana Claudia disse...

Confesso que fiquei surpresa com a repercussão toda... Acho que ainda acredito na alma humana e nunca achei que as pessoas fossem fazer um escandalo (para mal) sobre isso. Essa técnica não é novidade... Eu tenho vários casos de câncer de mama na família e inclusive já cheguei a pensar na possibilidade de fazer o teste e a cirurgia. Acho que ninguém tem capacidade de julgar a atitude dela. Incrível como existem pessoas tão pequenas que não conseguem ver além do lugar comum!

Caroles disse...

Enquanto isso a galera do Testosterona faz um post de tributo aos seios da Angelina, e os comentaristas do G1 dizem coisas do tipo "ah, agora perdi todo o tesão nela". Pas de commentaire.
A Angelina Jolie é uma mulher linda por dentro e por fora, por mais tosca que essa frase seja, e ela foi muito forte e corajosa durante TODO esse processo! É fácil teorizar que ninguém deveria se sentir "menos mulher" ao tirar as mamas, mas a realidade é outra. Vi no GNT há um tempo atrás um doc sobre uma artista que pintava e fotografava mulheres que tinham passado por mastectomias (ela também passou por uma). Eles entrevistaram algumas das modelos e muitas falaram da dor de perder os seios não por ele ser uma fonte de prazer, mas porterem amamentado os filhos e tal, que elas sentiam que nos seios estava a maternidade delas, além da feminilidade. Achei triste e bonito. Enfim, requer muita coragem. A Angelina é LINDA.

Anônimo disse...

Sempre fui fã da Angelina,uma mulher não só linda,mas de personalidade.Muita gente aí incomodada pela repercussão da sua atitude,algo não novo como dizem.E daí gente? Ela poderia ter ficado calada,mas não,ela tornou público algo que pode com certeza conscientizar muitas pessoas.Ela sabe do valor e atenção que qualquer atitude vinda de uma pessoa famosa causa no mundo.E foi inteligente em usar isso de forma responsável.Mil vezes uma Angelina Jolie que leva a sério seu papel como Embaixadora da ONU,que ajuda pessoas necessitadas,do que uma Gisele Bundchen que faz teatro,que se finge de ecosanta só pra ganhar dinheiro.Criticar Angelina é de uma imbecilidade sem tamanho.

Anônimo disse...

Eu sinceramente não entendi o porque de tanto rebuliço!!

Histerectomias, a retirada dos óvulos e útero, são feitas aos montes todos os dias! Por prevenção, por complicações no ciclo menstrual , endometriose e etc. Não é uma coisa simples, mas não é nada do outro mundo. Tenho certeza que todo mundo aqui conhece mulheres que já fizeram.

A mastectomia é a mesma coisa. Se eu tivesse no lugar dela, com quase 90% de chances de te câncer teria feito a MESMA COISA.

É um órgão não essencial, ela viver muito bem sem ele ! Admiro a coragem e to indignada com esse povo que fica ditando regra no corpo alheio.

Alice

Biia disse...

Eu a aplaudo em pé. Corajosa, linda e incrível, e com a repercussão isso pode vir a ser uma coisa boa (e será!).

E que o trolls e pessoas com o cérebro danificado possam chorar as pitangas pelas suas punh*tas não mais boas (li vários comentários falando disso).

Mirella disse...

Anonimo que fica acusando a Angelina Jolie de incesto,


Primeiro: SE ela tivesse tido um "caso" com o irmão, qual o reflexo disso na mastectomia?
Segundo: como ela NÃO teve nenhum caso com o irmão, qual é o seu argumento, mesmo?

aiaiai disse...

eu acho muito bom quando celebridades saem do armário e enfrentam polêmicas porque isso pode ajudar outra pessoas a fazerem o mesmo.

neste caso, não vejo como isso pode ocorrer.

A maioria das mulheres sofre por TER que tirar as mamas. A Angelina não tinha que tirar. Ela QUIS tirar.

Vai ter muito mais gente sofrendo por achar que precisa tirar (sem poder fazer o tal exame caro) do que mulheres que TÊM q tirar achando q a Angelina as ajudou no processo.

O caso dela é raro tanto biologicamente como socialmente. É raro ter esse tipo de gene e é raríssimo ter os meios para tomar essa atitude.

Se ela estivesse clamando para que o mundo torne mais barato e mais fácil a prevenção do câncer, eu acharia lindo. Mas não foi isso o que aconteceu.

e, se ela queria fazer uma campanha para debater câncer e mastectomia poderia ter feito isso sem alardear a atitude drástica que tomou.

Anônimo disse...

Também não entendo o rebuliço.Ela fez o que achou melhor, e certamente sob orientação médica.
Talvez ela já estivesse querendo remodelar as mamas e aproveitou o útil ao agradável .

Becx disse...

Você não é médica. ..

Anônimo disse...

Como alguém que teve essa doença de merda diagnosticada com pouca idade (fui diagnosticada com 20 anos, ano passado), eu acho que a Angelina tá no direito de fazer o que quiser com o corpo dela pra evitar passar por um tratamento chato pra cacete, com quimioterapias etc.. Sei a bosta que é, e não fiz mastectomia nas duas porque os médicos só fazem quando a pessoa tem muitos casos na família. Ou seja, quando eu já fui diagnosticada sendo exceção na família, na idade, eu não podia nem fazer a preventiva na outra mama. Porque a mentalidade alheia é "foda-se a vontade da mulher sempre sobre o corpo dela", no fim das contas. Acho que eu teria me sentido menos mal se tivesse tirado as duas...
Isso foi um reforço muito positivo.

Becx disse...

Pois é, tenho certeza que mulheres com mais de 80% de chances de ter câncer, e com histórico na família, uma mãe que morreu jovem devido a isso, estão se hiperprevenindo. Me diz, se alguém te falasse que vc tem 80% de chances de ganhar na loteria, vc não jogaria? faria só um joguinho? Aposto que vc não iria querer correr o risco de perder, não é? E se um médico falasse que vc tem 70% de chances de ter câncer de próstata, o que vc faria? Ia ficar torcendo pros 30% acontecer, o resto da sua vida?

Ana disse...

Anônimo das 13:34...
Eu não fiquei indignada não, ela faz o que quer, o corpo é dela. Qualquer um poder tirar o que bem entender, a hora que quiser.
Eu fico é triste, chocada, preocupada, com uma sociedade que sofre tanto por antecipação com as doenças, que acha que sempre tomar uma remedinho, fazer uma cirurgia é a melhor solução.

Adriana Pit Andrade disse...

A atitude dela foi maravilhosa. Mulher de muita coragem mesmo, eu passei a admirá-la mais ainda.
talvez esse seja um primeiro passo para um grande avanço, tendo em vista que celebridades tem grande inluencia na vida de muita gente.
Angelina é realmente uma grande mulher, casada com um grande homem!

Mariana. disse...

Fico pasma de ver pessoas julgando a Angelina Jolie aqui nesse blog.

Pra quem não sabe, a cirurgia preventiva é uma possibilidade, está prevista no protocolo médico.

Não é o mesmo que eu, que nunca tive câncer nem ninguém da minha família inteira, chegar lá dizendo que quero tirar os meus seios e colocar outro no lugar (que aliás, no caso da AJ, ninguém notará a diferença).

Ela tinha OITENTA E SETE por cento de chances de desenvolver uma doença nada amigável que levou a sua própria mãe.

Eu acho sim que essa atitude trás um debate positivo sobre a doença, sobre as formas de prevenção, sobre a existência de um exame tão moderno que detecta isso... Feito de forma consciente, necessária e com orientação de médicos comprometidos, eu naõ vejo nada de errado.

Mas vejam bem: ainda que não trouxesse debate algum, não acrescentasse nada de bom... E daí? ninguém tem nada com isso, ela não tem obrigação social de defender causas e blablabla. Que bom que ela defende, mas ela não é obrigada a exercer um papel socialmente ativo e combativo.

Vocês aqui chooooram quando uma moça que quer vazer laqueadura não consegue, porque não apóiam a atitude da angelina?

jéssica disse...

endeusamento de famosos ,a mulher tira os seios e vira heroina e é uma coisa q muitas fazem todos os anos.
é como quando morre um famoso,uma choradeira,falam q vão fazer falta para o mundo todo,são importantes demais... quando é gente comum passa batido,anunciam na tv q fulano morreu e acabou o assunto.

mulher sordida,como falaram ai,ja ouvi dizer q tinha caso com o irmão,ja vi uma foto dos 2 se beijando,provavelmente foi amante do brad pitt quando ele tava com jennifer aniston.
e n da pra ficar encantado pq ela faz doações ,muitos fazem para aparecer,n tem como saber se foi por bondade.
gente da pior espécie.

e é burrice tira os seios,ainda sobrou 5 % de chances de ter câncer,se fosse livrar definitivamente disso valeria a pena.

Yersinia disse...

aiaiai:
De onde você tirou que é raro ter esse tipo de gene? Todxs temos uma cópia de um par de BRCA 1 e 2 (os tais genes), e quando um deles possui uma mutação, a chance de desenvolver câncer é grande (como foi o caso da Angelina).
Uma pessoa sem a mutação pode desenvolver o câncer de mama, mas já está mais que claro pra ciência a associação do gene com o câncer, e ela não é rara não.
Socialmente, concordo com você, ela é privilegiada e muitas mulheres que possuem esse defeito genético não vão saber até desenvolver a doença.

Acho que a Angelina, como muitos já disseram, foi extremamente corajosa e ajudará sim a divulgar a possibilidade de mastectomia preventiva. Eu mesma só descobri que isso existia na faculdade, estudando neoplasias. Isso foi até questão de prova.
Já admirava a atriz por tudo que ela é, mas agora meu respeito é ainda maior. Imagino que ela deve ter sofrido muito vendo a mãe doente e não quer isso pros seus filhos, companheiro e pra si mesma. Como falaram aí, 87% não é possibilidade, é quase certeza. Eu também faria, se fosse ela.
Acho que falta nas pessoas seriedade (pra não fazer piadinha com uma coisa séria) e respeito. Se você não faria, apenas aceite que alguém pode ter uma opinião diferente da sua.

Com relação ao pessoal trans que luta tanto para conseguir seios, acho que é o mesmo que falar que enquanto umas fazem aborto, outras sonham com o filho e não conseguem engravidar. São situações tristes, porém bastante diferentes.

Caroles disse...

Gente, como podem dizer que ela tá se ''hiperprevenção" ela tirar as mamas se ela tinha basicamente 90% de chance de ter a doença? Depois de ter visto a mãe dela lutar contra essa doença por uma década, sofrer, e perder? Depois de (segundo a Angelina) os filhos dela terem perguntado se ela morreria da mesma maneira? A perspectiva de quem passa por isso é muito diferente de quem assiste de fora e se sente no direito de julgar, just saying.

Elaine Telles disse...

Também fiquei admirada com a enxurrada de críticas, minimizando a doença horrível que é o câncer. achando exagerado "não faria", mimimi. Infelizmente, falta às pessoas a tal da empatia, essa desconhecida. Pessoas, câncer não é resfriado, que se pega e em uma semana se está curado. Quem vivencia um câncer, sabe o quão devastador é a doença ao paciente, e também à sua família. Cada cirurgia tentando arrancar o tumor tira pedaços do corpo, às vezes é aos poucos, outras, lá se vai seu intestino inteiro, os seios, um membro. Fora a quimioterapia, radioterapia. O processo de passar pela doença dura meses, anos, é triste, desgastante, e muitas vezes culmina com uma morte horrível. E ainda vem gente aqui falar sobre hiperprevenção. Parem de passar vergonha.

Anônimo disse...

Lola, bem interessante este vídeo:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xWX-dGOihS4#!

Reunião de mulheres empreendedoras na FIESP contando suas histórias.

Anônimo disse...

aiaiai

Uma das mulheres mais famosas, bonitas, sensuais e influentes do mundo tirou os seios pq tinha chances muito altas de desenvolver câncer.

Em vez de tratar o caso como um tabu e esconder sua decisão, ela assumiu. Suas atitudes afirmaram para o mundo inteiro ouvir que :

1- Não se sente menos mulher depois do procedimento. (Que é um grande problema para algumas mulheres que fazem mastectomia)

2- Que ela (e qualquer mulher ) é muito mais que um par de seios.

3- O corpo é dela e ela é plenamente capaz de tomar decisões sobre ele, apesar da pressão da sociedade.

Sem falar que uma repercusão desse tamanho vale mais que muita campanha de prevenção ao cancêr. Muitas mulheres que nunca imaginaram passar por isso, vão prestar mais atenção e até procurar um médico mais cedo.

Anônimo disse...

mirella

uma fotinho dela beijando seu irmão
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://i0.statig.com.br/fw/1j/vu/uk/1jvuukhg3nxd72xxdv8hebqf.jpg&imgrefurl=http://gente.ig.com.br/as-dez-maiores-polemicas-de-angelina-jolie/n1597001445486.html&h=237&w=316&sz=43&tbnid=WeHXTVmwLkP4XM:&tbnh=92&tbnw=123&zoom=1&usg=__9Nx7vR3-TI_Hb0ji0whuQ26vAks=&docid=BD2Mfg3CmBAckM&sa=X&ei=V9mTUau2A8PN0AGOuIHICw&ved=0CDYQ9QEwAQ&dur=1267


o problema é ficarem canonizando essa mulher,como se fosse a madre teresa de calcutá,só por ter tirado o seio, q deve ter sido por pura vaidade,queria colocar silicone e veio com essa.
e que com isso esta ajudando o mundo inteiro.é uma devassa,mas é esse tipo de mulher q é defendido aqui.

Foyo Silva disse...

O corpo é dela, ela tira e coloca o que ela quiser, o povo chato! =/

Com certeza ela foi muito corajosa, aposto que ela não está nem ai para as críticas, as pessoas que julgam são as mesmas que fazem de tudo para você continuar em uma posição vulnerável.

Anônimo disse...

Sei lá, não julgo. Cada caso é um caso.
Isso só me faz pensar numa discussão BEM importante nos dias de hoje, as práticas discursivas do saber médico e suas tecnologias políticas de ação sobre a MEDICALIZAÇÃO.

Fran disse...

Não é apenas a possibilidade de morrer de câncer.. morrer todos nós vamos, de um jeito ou de outro. O problema é morrer jovem, tendo 6 filhos pequenos. Acho que esse é o meu maior medo, como mãe: morrer jovem enquanto meu filho ainda depende muito de mim, principalmente emocionalmente.

Marli Belloni disse...

Sou divorciada e mãe de um filho (agora já adulto). Eu vejo uma coisa na fala Angelina (li o original) que poucas pessoas comentaram: a çreocupação dela com os filhos: de querer estar com eles, de não querer morrer não só por ela, mas pelos filhos. Eu sentia muito isso quando meu filho era pequeno: cada vez que precisava viajar de avião pensava, "ah, esse avião não pode cair, tenho filho pequeno pra criar". Então, se eu pudesse eliminar quase 100% das chances de um "avião" (câncer, no caso) cair, eu ia fazer de tudo pra garantir isso. Isso tem a ver com a visão esteriotipada de mãe que a gente carrega? Pode ser, mas isso a gente resolve ao longo da vida. Só que não dá pra resolver nada se a vida já acabou, por um câncer que poderia ter sido evitado, né?

Anônimo disse...

é uma pecadora que ja admitiu que se agarrava com o próprio irmão!
-
Nossa que argumento tosco,carregado de preconceito religioso falido, e determinismo biológico.
Eu não tenho nada contra a pratica de incesto, desde que praticado por pessoas adultas, e de forma consentida, pois acredito que como muitas coisas em nossa sociedade burguesa judaico cristã,o conceito de família, e construído, e uma das mais eficazes formas de opressão patriarcais.
Se for verdade, isto não vai diminuir em nda minha admiração por este grade exempla para nos que e a Angelina, pelo contrario.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Incrível como tem gente que consegue fazer piada em relação a certos assuntos e mais incrível ainda é alguém conseguir achar graça.
É a turminha do "humor politicamente incorreto", pra não falar em humor burro, preconceituoso e sem graça.
Enquanto eles lutam por esse direito sagrado de fazer esse humorzinho sem graça sem que ninguém possa abrir a boca pra criticar, ela salva vidas.

Cris disse...

o que o pessoal não deve estar entendendo é que fazer mastectomia preventiva é MUITO diferente de fazer mastectomia quando o câncer já apareceu.
quando a mulher já está com o câncer, a cirurgia fica muito mais invasiva, tem que retirar mais tecidos, é extremamente complicado manter os mamilos, fora a chance de haver metástase, de precisar fazer quimioterapia e acabar com o resto do corpo, sabe, chance de MORRER.

ela tem 6 filhos pequenos, gente, alguns deles nem conheceram a avó que morreu de câncer, será tão simples assim deixar as coisas acontecerem por causa de uma esperança, os 13% de chance de não desenvolver a doença? parabéns pra quem tem coragem de se arriscar, mas ela não teve e não é errada por isso.

e convenhamos - pessoas cortam partes de si o tempo todo mesmo estando saudáveis. minha irmã reduziu as próprias mamas quando tinha apenas 16 anos, porque eram muito grandes pro porte físico dela. e aí? as tetas estavam saudáveis. minha mãe fez abdominoplastia também. e aí? a camada adiposa dela também estava super saudável.

se até por questão estética as pessoas podem retirar pedaços de seus corpos sem que isso seja errado, por que é tão absurdo assim a pessoa fazer isso pra salvar a própria vida e poupar sofrimento aos familiares?

Julia disse...

Não acredito que estão fazendo piada com isso. Como tem gente escrota no mundo, não?

Anônimo disse...

Pqp, não sei o que é pior: o indivíduo dizendo que a Angelina pratica incesto só pq achou uma foto dela dando um selinho no irmão ou o outro dizendo que incesto é só uma forma de opressão patriarcal. Puxado aqui hoje...

E, gente, pelamor, o corpo é dela e ela faz o que quiser. Se é ok colocar silicone para fins estéticos, pq não seria fazer mastectomia preventiva?

KahSan disse...

Também achei super corajoso da parte dela ter feito isso, Lola, e como você mesma disse: agora muitas mulheres ficaram sabendo desse exame, o que realmente pode salvar vidas.
Nunca prestei atenção na Angelina, mas pelo que vi ela é muito fofa (pelas declarações que li na notícia) e muito corajosa.
Vi piadas e comentários horríveis, mas tenho em mente que essas pessoas não passam de imbecis, que não merecem um pingo de atenção.

Paula disse...

A atitude da Angelina de tornar público esse assunto é muito positivo. Ela chamou a atenção para o câncer de mama e tomara que as mulheres que precisam se submeter ao mesmo tratamento se sintam mais confortáveis sabendo que até uma atriz que vive da imagem fez.

Agora... Eu não sei e gostaria de saber se eu, simples mortal, poderia fazer essa cirurgia. Mesmo que eu fizesse o tal exame de mapeamento e tivesse a mesma probabilidade, os médicos fariam? Tudo bem, tem a tal hiperprevenção, mas pessoas esclarecidas tem plenas condições de fazer a escolha.

Eu sei de muitos casos que a mulher QUERIA fazer mas o médico não aceitava. Como no caso de retirada de útero/ovários. Se tirar tudo há menos chances do câncer voltar, mas o médico não aceita porque a mulher não vai poder mais engravidar.

Se alguém souber como funciona no sistema de saúde, eu gostaria de saber. Até que ponto nós temos escolha nesse tipo de cirurgia preventiva?

James Hiwatari disse...

Só queria fazer um comentário sobre a parte que diz respeito aos homens trans:

O que a Lola quis dizer é bem verdade mesmo, mas acho que foi colocado de uma maneira um pouco estranha. Em primeiro lugar, porque não se faz a mastectomia para "querer ser homem trans". O cara que busca esta cirurgia já é trans, não se torna um ao fazè-lo.

Segundo, que a Lola diz "pergunte a elas..." após falar dos homens trans. É possível que isso tenha acontecido por uma questão de concordância (a frase anterior começava com "algumas pessoas"), mas nesse tipo de contexto essa não foi a melhor escolha de palavras. Afinal, o "elas" se refere aos trans homens, e como o "algumas pessoas" estava meio distante do fim da frase, no fim acaba parecendo que a Lola chamou os trans homens de mulheres, algo obviamente ofensivo.

Enfim, só algumas sujestões para deixar o texto mais claro na parte que fala de homens trans. :)

Anônimo disse...

Bando de cocotas chatas.Quando aparece uma mulher com sangue quente nas veias,faz um baita sacrifício não só por ela,mas pelos filhos que ela tem,vocês vem logo criticando,querendo diminuir sua atitude.Mas quando a mulher em questão é uma biscate que vai dançar sem calcinha num baile funk,todo mundo defende com unhas e dentes.E querem ser levadas a sério desse jeito?Vão dormir.

Anônimo disse...

Angelina Jolie se firmando como uma das mulheres mais incríveis da sua geração.E as recalcadas que criticam e não entendem,por pura burrice,a importância que sua atitude,resta a vida perdida na mais pura mediocridade.

Anônimo disse...

Umas duas semanas atrás, na aula de biologis, vimos um vídeo que falava justamente sobre o gene causador do cbscer de mama e que ele era patenteado por essa Myriard de Salt Lake City. Lembro que discutimos sobre essa coisa de patentearem o genoma humano... e ai aparece a Angelina e dá repercussão a essa questão. Atitude corajosa. E, ao contrário dos ridículo que falam besteira, ela vai continuar sendo essa pessoa linda, por dentro e por fora!

Vie :)

Anônimo disse...

"Desconfio que os rapazes que fazem gracinhas mal viram seios ao vivo"

Adoro quando a Lola escreve ofensas ditas frequentemente pelos machistas.

Pedro Poli disse...

Esse assunto é muito maior do que o poder da mulher sobre o próprio corpo. A discussão, toda discussão civilizada, é saudável. Mas a A. Jolie é um exemplo para muitas pessoas - e, na minha opinião, um exemplo perigoso.

Minha mãe morreu de câncer no intestino. Foi um horror. A tia dela também, outro horror. Devo arrancar meu intestino e colocar uma prótese (existe prótese de intestino?)?

Acho esse mundo de protelação do inevitável indefinidamente por qualquer meio um mundo horrível.

O que uma mulher ou um homem fazem com seu corpo é um problema ou não só seu. Mas quando é uma modelo com abdômen negativo ou uma atriz com a projeção da A. Jolie as consequências dessa ação são enormes.

Costumo dizer que é da natureza de tudo o que é vivo um dia deixar de ser. Um dia. Pode ser hoje ou em 37 anos, de câncer ou de atropelamento. O que mudou para ela? Não deve (ênfase na possibilidade) ser de câncer de mama (ênfase no tipo de câncer). Mudança bem pequenininha, não?

Acho que terapia e meditação são mais eficientes para lidar com as porcentagens do que cirurgias. Mas é só minha opinião e opinião é como corpo, cada um tem o seu e se vira com ele.

Anônimo disse...

eu vi uma noticia na tv ,q n sei se é verdade,q ela pretende tirar os ovários.
câncer pode dar em várias partes do corpo,vai tirar tudo?se for assim é melhor se matar de uma vez.

Anônimo disse...

anon 17:04 pelo jeito vc deve transar com seu pai,sua mãe... fico cada vez mais enojado com o mundo que a gente vive.
n era pra eu ter me surpreendido tem gente que acha normal transar com animais.

e a tal mirella afirmando que ela n tem nada.a foto dela beijando o irmão n quer dizer nada ?


anon 20:37 argumento brilhante,se n gosta ,n concorda ou n vê nada demais em alguma coisa é recalque,tipico comentério de mulher sem cérebro.

Lygia disse...

Anon 22:45

Sim, é verdade que ela provavelmente vai tirar os ovários, já que tem uma chance de 50% de câncer neles.

Sendo o câncer de ovário uma das doenças que não tem como rastrear, acho que a decisão é correta...
O problema é que ela ainda é jovem, e não pode fazer uso de terapia de reposição hormonal (pelo altissimo risco de cancer de mama)... Então provavelmente ela vai esperar mais alguns anos pra que a menopausa precoce não afete tanto a vida dela.

Bjs

Anônimo disse...

Não entendo o porquê de tanta polêmica. A vida é dela, o dinheiro é dela, o corpo é dela. Se ela quiser retirar todos os órgãos do corpo, ela tira, ué! As pessoas só gostam de reclamar. Nada tá bom.

Pedro Poli disse...

...e o entendedor anônimo ataca novamente...

http://www.willtirando.com.br/?post=770

MaFê Senger disse...

Lola,
tudo bem,o corpo da Jolie é da Jolie, ela faz o que preferir, mas, quem faz a medicina para mulheres com exames e procedimentos pouco amistosos? Médicas mulheres?
Vê lá se pro cara que tem idem possibilidade de ter câncer de próstata alguém indica a retirada preventiva da dita cuja e ainda oferece uma prótese peniana (vai que a cirurgia compromete a ereção...)

Acho a hiperprevenção o perigo.

Aliás, prevenção de saúde se faz com alimentação, exercícios físicos, higiene do sono, respiração e saneamento básico (não necessariamente nesta ordem).
Com excesso de exames preventivos, intervenções cirúrgicas preventivas, remedinhos preventivos se faz prevenção de doença.

Saúde, pessoada!

Anônimo disse...

Eu andei lendo sobre a retirada dos ovários para a prevenção do câncer. Mtas mulheres fazem isso, mas esquecem de avisa las que o ovário é uma dos principais responsáveis pelos hormônios femininos. E não é só questão de entrar na menopausa mais cedo ou perder o apetite sexual, é questão de aumentar as chances de osteoporose e doenças cardíacas... fora que tem pesquisas mostrando que uma mulher que tira os dois ovários antes da menopausa tem um tempo de vida mais curto.

Porém eu morreria de medo de saber que tenho 50% de chances de ter cancer de ovário, pois é mto mortal e difícil de descobrir no começo.

Enfim, acho que tem q averiguar com muuuuita cautela certos tipos de procedimento... eu não sou da opinião de que ''um dia vou morrer mesmo''. Pô, eu pretendo diminuir as chances de uma morte precoce o quanto eu puder! Eu entendo essas pessoas que fazem uma hiper prevenção.

Binha disse...

Decisão dificílima e corajosa. A probabilidade era muito alta mesmo. Mas, não sei, eu sou bióloga e geneticista e acho tão complicado tomar uma decisão dessas com base na herança de genes... Será que um acompanhamento rigoroso do aparecimento da doença não seria suficiente?

Rafael Cesar disse...

não sei se me expressei mal ou não fui bem compreendido, mas não quis dizer que a angelina se hiperpreveniu. eu disse que ela tem uma equipe de médicos excelente e tal que muito provavelmente devem ter feito um trabalho sério e ter dado a ela a real situação, de chances muito altas etc.

o que eu falei é que ela, por ser uma mulher pública, ESTIMULA a hiperprevenção em casos de outras pessoas, que talvez não sejam necessários, porque já existe uma indústria disso e certamente muito médico carniceiro vai se aproveitar da fragilidade de muita gente. se o médico dela diz que tem 90% de chances de ter câncer de mama, realmente, isso deve ser verdade e não deixa de ser um bom motivo para extrair as mamas. mas se já há uma indústria de hiperprevenção, sacana e cruel como qualquer outra do campo saúde, pode ter certeza que ela sai fortalecida depois dessa, e as consequências podem ser muito ruins para muita gente.

resumindo: problema não é ela ter feito o que fez (aliás, é o que já foi dito: autonomia dela, óbvio, e bacana não se submeter às demandas de gênero da cabeça dos outros em cima das próprias mamas), mas sim incensar isso. é perigoso. quase ninguém pode ter a confiança em médicos como ela. e já há muitos casos de hiperprevenção que além de desnecessários, MATAM ou tornam muito pior a vida da pessoa.

r.

Letícia Penteado disse...

"resumindo: problema não é ela ter feito o que fez (aliás, é o que já foi dito: autonomia dela, óbvio, e bacana não se submeter às demandas de gênero da cabeça dos outros em cima das próprias mamas), mas sim incensar isso. é perigoso. quase ninguém pode ter a confiança em médicos como ela. e já há muitos casos de hiperprevenção que além de desnecessários, MATAM ou tornam muito pior a vida da pessoa."
EXATAMENTE, Rafael, obrigada.
E, by the way: MEUS PEITOS NÃO SÃO UMA BOMBA RELÓGIO! São parte da minha anatomia. Quem se trata de uma doença que não tem é hipocondríaco. E isso está sendo dito por uma pessoa cujos avós TODOS tiveram câncer (uma tia também), e três morreram dele.

Anônimo disse...

Concordo com vários depoimentos aqui que colocam em ressalva o procedimento preventivo. Vários médicos brasileiros não recomendam esse procedimento, por não haver garantias reais quanto ao futuro. Sairmos de um discurso machista e cairmos num discurso da "ciência" absolutista, para mim dá na mesma. A história está cheia de provas que a ciência já cometeu atrocidades contra corpos de mulheres e homens em nome da "saúde" ou da preservação da vida. E se fala apenas como se fosse "fácil" tirar as mamas e colocar silicone. Não é. São cirurgias perigosas como qualquer outra.

Giovanna

Mirella disse...

ô estúpido das 22:53

Você, de forma mentirosa, afirma que ela teve um caso com o irmão por conta de uma foto posada de um selinho?
Fiquei com dó de quem teve que corrigir suas redações na escola. Sua linha de raciocínio não tem lógica nenhuma.

Coisa mais normal é pessoas que tenham inclusive laço sanguíneo expressarem carinho através de selinho. Isso é normal em diversas culturas, inclusive com selinho entre homens, mãe e filho, pai e filho etc. A vida sexual de quem vê incesto em selinho deve ser uma bosta, honestamente. Olha o nível de preconceitos que a pessoa tem na cabeça.
Ignorância é foda, maucaratismo também.

E olha só a argumentação da peste:
"anon 17:04 pelo jeito vc deve transar com seu pai,sua mãe... (...)
n era pra eu ter me surpreendido tem gente que acha normal transar com animais"

HAHAHAAHHAH FAÇA MIL FAVOR (contém ironia)

Mirella disse...

"E, gente, pelamor, o corpo é dela e ela faz o que quiser. Se é ok colocar silicone para fins estéticos, pq não seria fazer mastectomia preventiva?"


My point precisely.

Marina P disse...

Letícia, todas as mulheres que fizeram a mastectomia por terem chances muito aumentadas de ter câncer de mama e que pensaram, estudaram, leram um monte sobre essa cirurgia e o que ela significava além de terem procurado não só um médico, mas vários médicos que emitiram a mesma opinião, todas elas agora podem respirar tranquilas com o seu diagnóstico de hipocondria, né?

Enfim... acho que é normal cada pessoa ter uma opinião sobre qualquer assunto, mas daí a dizer que todos que têm uma opinião diferente são hipocondríacos é exagero, né? A alteridade existe e não pode ser rebaixada à categoria de transtorno ou disfuncionalidade toda vez que nos parece estranha.

Anônimo disse...

Laila, existem várias atitudes que vc pode tomar para prevenir tipos de câncer, sim. Por exemplo, para o câncer de pele, o famigerado melanoma, é importante que as pessoas se previnam do sol, pois o efeito é cumulativo. E a incidência maior é na Austrália.

Anônimo disse...

Oi Lola, tudo bem?
É o Marco Cordeiro, de Lages, o Marcão.
Quando puder, gostaria de ler algo seu sobre John Steinbeck, pois Vinhas da Ira é um dos livros que mais gosto, a exemplo do filme tb e como seu doutorado é Literatura em Língua Inglesa, penso que muito pode agregar na minha ignara visão sobre os Oaks e o fluxo de consciência do autor. Caso vc tenha escrito já, desculpe, mas ando meio sem tempo de passar aqui com o ritmo que gostaria. Lembro que há muito tempo vc escreveu sobre o filme e a excelente interpretação da Jane Darwell, além da direção do John Ford, etc...
Sei que o tempo de todos é cada vez menor hoje em dia, mas quando vc resolver abrir um blog sobre literatura e toda sua capacidade nessa área, terá um seguidor e promotor em mim, que dentro da minha vasta ignorância, farei o possível para interagir e promover.
Sobre a Angelina Jolie, lamentável uma pessoa se mutilar nessa magnitude, pois o potencial do câncer é impossível de se detectar assim, tão localmente (você terá câncer aqui, eu ali, etc...)e suas células podem estar em qualquer parte do organismo. Penso que Angelina foi contratada como Executiva da Indústria do Câncer para tal missão, promover essa falcatrua do exame (parece um Menority Report do Câncer, extirpando o membro ainda sadio, pelo potencial que ele apresenta em desenvolver a doença. No filme, prendia-se a pessoa enquanto ela considerava a possibilidade de cometer o crime, tipo, prenda-se a ocasião, antes que ela faça o Ladrão).
Esse Instituto é uma piada misógina, da pior espécie, que tem sua moça propaganda a mesma Jolie que colocou silicone nos lábios, por pura vaidade.
Lembro que células do câncer todos temos (detectei um em mim, ano passado, Carcinoma Papilífero e agora preciso mapear o corpo todo, pois a Tireoidectomia a que me submeti, em nada garante que não aparecerá em outras partes do corpo.
Angelina é uma atriz e precisa sim, sempre estar na mídia, é do que vive e nada há de condenável em sua conduta, mas é um panfleto para que mais mulheres se mutilem sem necessidade, apenas pelo potencial de câncer e não pela doença em si.
Considero, vagamente, a hipótese dela entrar numa furada dessa por boa vontade, motivada pela perda prematura da mãe, mas ela e seus médicos sabem que há estágios para o câncer e monitorar e prevenir é muito mais racional que extirpar os seios, que nem fui pesquisar se eram siliconados ou não, mas se siliconou os lábios, algo inédito ou raro, que dirá dos seios, mas isso é assunto dela, pois o corpo é seu e faz o que for melhor, segundo seu entendimento.
Pior que as brincadeiras dos Broncos, de péssimo gosto mesmo, só a atitude dela, midiática e irresponsável, instrumento da indústria ultra capitalista do Câncer (3mil dólares só o exame é absolutamente inalcançável e mesmo que os médicos digam que irá baratear se mais pessoas fizerem, reforça o argumento falcatruoso utilizado Maquiavelicamente pelo ganancioso setor).
Ou seja, deu lucro, me parece que Angelina está dentro, não só ela, mas o cinema em si, pois é do que vive (o cinema), sem princípios morais, éticos, etc...deu lucro, tá valendo...
Um forte abraço a vc e ao maridão. Lembre-o que o Alfeu, meu companheiro de equipe, aqui de Lages, ainda não esqueceu a derrota dos Jasc 2012 (rsrsrs...brincadeira, o maridão joga muito e é um grande amigo).
Peço tb que considere essas linhas as mais assexuadas possível, pois minhas considerações são sobre o ato e não ao gênero, tão na moda hoje em dia.
"De Lages" (isso dizem nos telejornais e sempre quis copiar)
Marco Aurélio Zaror Cordeiro
Lages-SC
Rua Frei Camilo, 103/402 - Centro
RG 3.565.399

Letícia Penteado disse...

Marina, esse comportamento se baseia no medo do medo. Tenta controlar o incontrolável ao invés de aceitar e lidar com aquilo que não se tem como mudar - a morte, a possibilidade de ter câncer.
Você pode estudar um monte sobre essa cirurgia, sobre o que ela significa, encontrar vários médicos que a apoiem. Isso não muda o fato de que você estará, em saúde, removendo uma parte do seu corpo que não te incomoda (não interfere, por exemplo, na sua identidade de gêncero) e que está completamente sã, passando por um procedimento radical que tem em si os seus riscos (inclusive de morte) por conta de um medo de um possível diagnóstico futuro e com resultado morte. E isso *sem garantias* de que você evitará esse diagnóstico, diga-se de passagem. Cinco não é zero. E existem milhares de outras formas de câncer na vida.
E não é uma questão de você ter uma "opinião" diferente, como você colocou. Não chamei de hipocondríacas as pessoas que discordam de mim. Chamei de hipocondríacas as pessoas qeu de fato enfrentam uma cirurgia radical sem necessidade ou (na minha opinião) eficácia. É ter um medo tão imenso de morrer, de ficar doente, que não se percebe que neste momento se está são. E que, ainda que fosse absoluta certeza de que um dia se ficará doente, muitas águas rolarão até lá.
Mas eu não sou psicóloga ou psiquiatra para dar esse "parecer". Uso a palavra de forma leiga mesmo, sem mais pretensões, mais para colorir a minha opinião do que qualquer outra coisa (assim como usamos, sei lá, sociopata, louco, psico, etc.). Não achei que fosse um pecado dessa magnitude, mas obviamente te incomodou, então peço desculpas. Eu deveria simplesmente ter descrito tudo o que descrevi acima e deixado a palavrinha de fora.
E sim, Mirella, concordo plenamente com você. Se ela já ia colocar mesmo, acho que mata dois coelhos - aí sim, eu entendo ela ter feito isso. O problema é ela aparecer na imprensa recheando de glamour hollywodiano o terrorismo em torno do câncer de mama. Vocês leram o artigo da Peggy Orentein linkado acima? Se não, juro que vale a pena.
Repito: meu corpo não é uma bomba-relógio. É o meu corpo. São.

@pokerol disse...

o povo aí falando de retirar órgãos. Acharia relevante se ela tivesse tirado os ovários, coisa que MUITA gente faz, por vários motivos. Agora, fazer esse escandalo todo de MUTILAÇÃO por causa de dois depósitos de gordura é muito pra minha cabeça. Sério gente, que vcs não tão vendo que seio não é um ORGÃO VITAL, que não faz diferença, a não ser para amamentação, que ela faça isso?

Vocês aí chocados só me levam a pensar num texto que eu li ontem, que falava que a maioria das pessoas acha a Jolia nada mais que um agradável conjunto de seios, pernas e labios, e a personalidade dela é um incoveniente. Porque tanta raiva?

Vi gente condenando ela pq ela tem dinheiro pra fazer o procedimento. Vi gente condenando ela pq ela veio a publico. Vi gente achando que ela fez isso pra se promover.
SÉRIÃO gente? De verdade? Uma discussão tão relevante aí sobre mapeamento genético, sobre as consequencias disso, sobre a coragem dela de fazer o procedimento, mesmo sendo o corpo dela um instrumento de trabalho, e vcs aí se doendo pq ela é famosa?

SDDS prioridades viu.

Mirella disse...

Você tem 87% de chance de ter o mesmo tipo de câncer que matou sua mãe lentamente durante uma década. Você é uma pessoa jovem, bonita, com carreira, família, uma vida inteira pela frente.

Daí logicamente você é hipocondríaca por querer reduzir a sua chance de morrer de câncer, exatamente igual a sua mãe.

Ok então, já temos vários candidatos ao Nobel de Medicina por aqui.

Claro que produzir o debate sobre "hiperprevenção" é válido.
Mas acho mais válido a Jolie dar visibilidade a um tema que é delicado para milhares de mulheres. Ela mostrou que não há necessidade de entrar em depressão por fazer uma cirurgia dessas. O Pitt mostrou qual o papel do marido nestas ocasiões: apoio.
Sério que as pessoas vêem neste caso da Jolie o início de uma "extirpação" em série de seios saudáveis, mas não vêem que mulheres podem ter suas vidas salvas, suas autoestimas salvas?

@pokerol disse...

Concordo aí com quem disse que a gente não pode confiar nos médicos como ela confiou, mas cabe exclusivamente a pessoa que sofre o diagnóstico decidir se vai fazer o mapeamento ou não, se vai tirar a mama ou não. E estamos falando da mama, aquele deposito de gordura e glandulas, que não vai fazer falta pra nada na vida dela. Mesmo pq existe a reconstrução.

Acho importante ela vir a público sim, pq a grande dificuldade de tirar as mamas, de raspar a cabeça é justamente o que a sociedade configura como feminilidade. Ela veio a público dizer que aquilo não a define, como já é o histórico dela, de ser "controversa".

Acho que se ela teve a oportunidade de prevenir uma coisa avassaladora como um cancer, ela fez o que achou que era certo pra ela e pros filhos. PONTO.
Se ela tivesse aberto o corpo, tirado uma costela e colocado siliconte o pessoal tava super ok com isso né?

MaFê Senger disse...

è isso:

'Letícia Penteado disse...
"resumindo: problema não é ela ter feito o que fez (aliás, é o que já foi dito: autonomia dela, óbvio, e bacana não se submeter às demandas de gênero da cabeça dos outros em cima das próprias mamas), mas sim incensar isso. é perigoso. quase ninguém pode ter a confiança em médicos como ela. e já há muitos casos de hiperprevenção que além de desnecessários, MATAM ou tornam muito pior a vida da pessoa."
EXATAMENTE, Rafael, obrigada.
E, by the way: MEUS PEITOS NÃO SÃO UMA BOMBA RELÓGIO! São parte da minha anatomia. Quem se trata de uma doença que não tem é hipocondríaco. E isso está sendo dito por uma pessoa cujos avós TODOS tiveram câncer (uma tia também), e três morreram dele.'

lola aronovich disse...

Discordo de vcs, Letícia e MaFê. Desculpe, mas se eu tiver uma mãe que morreu jovem após lutar durante 10 anos contra câncer de mama, e se eu faço um exame que revela que tenho 87% de chances de desenvolver câncer de mama antes dos 50 anos, então meus peitos viram uma bomba relógio sim. Se fosse comigo, e eu tivesse condições de fazer mastectomia preventiva, eu faria sem piscar. E não sou nem um pouco hipocondríaca, pelo contrário. Odeio hospitais, cirurgias, remédios etc. Mas se fosse pra diminuir as chances de uma doença de 87% pra 5%, eu faria.

Letícia Penteado disse...

Ela ainda pode morrer de câncer, Mirella. Ela sempre vai poder morrer de câncer, até ela morrer de outra coisa. Não digo isso como piada, como grosseria. É algo em que se pensar. Há muito mais no câncer do que só genética. E vender a ideia de que é simples assim é um erro e uma enganação. Temos contato com quantos agentes cancerígenos por dia? Quantos que sequer sabemos que são cancerígenos?
Ela passou por um trauma, isso é claro. Não discuto isso. Discuto a forma de ela lidar com isso - não por ela, a vida é dela, o corpo é dela, ela faz o que quiser. Mas pela tendência que está sendo criada, à banalização de um procedimento que é radical. Uma tendência promovida através do pânico entre as mulheres. De novo, por favor, se ainda não leu o artigo da Peggy Orenstein, eu o recomendo: http://www.nytimes.com/2013/04/28/magazine/our-feel-good-war-on-breast-cancer.html?pagewanted=all&_r=3&
E, a propósito, não se trata de um início. A mastectomia preventiva *já é* onda nos States. E, enquanto muitas mulheres podem, muito bem ter suas vidas e autoestimas salvas, cabe a nós nos perguntar: quantas de fato? Vale mesmo a pena? Por que é tão fácil dispor do corpo feminino?
A amamentação previne câncer, sabia disso? *Pelo menos* de mama e de ovários – são os que se sabe até agora. Mas a gente não vê esse tipo de notícia ter a mesma projeção na mídia. E tem estudos apontando para uma substância no leite materno que mata células cancerígenas (http://www.sobrecancer.com/1705/cancer-2/substancia-do-leite-materno-mata-o-cancer). Olha só a ironia: no leite materno, produzido justamente pelos órgãos por cuja retirada clamam muitas pessoas que lutam contra o câncer.
A Angelina disse numa entrevista que amamentar é difícil e ela só amamentou seus gêmeos por 3 meses. Não, ela não é menos mãe por isso e amamentar nem sempre é fácil, concordo. Mas eu fico pensando se ela não teria feito um esforço maior, se as pessoas ao redor dela não a teriam apoiado mais para continuar amamentando se alguém tivesse falado para ela sobre a ligação comprovada entre a amamentação e a prevenção de tantos cânceres. Por que os tantos médicos dela sabem falar de mastectomia preventiva, mas não de amamentação? E teria sido melhor também para as crianças.
O que realmente me incomoda é que, quando se trata do corpo da mulher, é mais fácil fazer metáforas com bombas (terrorismo, much?) e arrancar logo fora do que pensar em alternativas.
E os peitos podem parecer muito mais "inúteis" do que os ovários, o útero. Mas eles são parte do corpo. E nosso corpo é como um ecossistema. Tem muita coisa cuja relevância só aparece depois de anos de estudo a respeito (vide caso do apêndice e das amídalas).
E, para mim, mesmo que eu não amamentasse, o prazer sexual que meus peitos *ME* dão (a mim, eu, reles mulher que gosta de prazer sexual) já seria suficiente para que eu queira, em princípio, mantê-los.
Como já foi dito, por que as próstatas não devem ser tocadas, mas aquilo que *traz prazer à mulher* pode ser retirado sumariamente? Ou ninguém se lembra de que peito é zona erógena agora? Precisa ser nobel de medicina?
E mesmo que de fato sejam tão desnecessários quanto se pensa que sejam - afinal, tantas e tantas pessoas os diminuem, removem, substituem, etc. - continuam sendo parte de nós. Eu não sei você, mas eu amo meu corpo. Ele não é perfeito, mas ele é meu. Ele não é meu inimigo. Eu não vou abrir mão dele ou partes dele sem um bom motivo e medo de algo que *pode acontecer de qualquer forma* não parece um bom motivo para mim. Parece (para mim) medo demais de morrer, de ficar doente. Algo que poderia - e, na minha opinião, deveria - ser melhor trabalhado antes de se tomar uma medida tão drástica.

Anônimo disse...

lola estou começando a crer que pedofilia e assedio a menor,só é proibido para homens.
ja saiu várias noticias q as panicats babi rossi e nicole bahls estariam namorando muleques de 15,16 anos.



Letícia Penteado disse...

Não quero aloprar, é só porque acabei de ver este texto e achei que é isso mesmo. Excerto:
"Há algo por trás desta notícia que me assombra verdadeiramente, e vai muito além do âmbito do indivíduo que opta por uma intervenção como esta como correta para si – o que me assusta de fato é o precedente estabelecido, o que nós como sociedade estamos aceitando como correto, saudável e aceitável no que concerne às intervenções em nosso corpo e ao papel da medicina em nossas vidas. Submeter-se a uma cirurgia de grande porte como esta em nome de uma possibilidade de doença apontada em um exame laboratorial parece-me ser a ponta de um novelo perigoso, a fresta de uma porta que, depois de aberta, podemos ter muita dificuldade para fechar. O paradigma se instala sem que possamos perceber: a partir do momento que aceitamos que nos extirpem partes do corpo que podem, quem sabe, nos trazer problemas em um futuro que nem ao menos sabemos se há de ser próximo ou distante, ou se efetivamente acontecerá, o que mais permitiremos? Quem estabelece o limite? Onde isso acaba? Qual a linha que separa a prevenção, o bom senso e o amor à vida das decisões pautadas pelo medo da morte?"
http://vilamamifera.com/mamiferas/a-mastectomia-da-angelina-jolie-o-amor-a-vida-e-o-medo-da-morte/

Gisele disse...

Lola acompanho seu blog, normalmente sem comentar, e gosto muito do que vejo aqui. Entretanto, neste tema em específico temos uma opinião bem diferente.
Assim como já escreveram aqui, a indústria da hiperprevenção lucra demais com isso. Mas eu escrevi no blog sob uma ótica diferente. Sob a mutilação dos corpos femininos, sob a alegação de segurança, prevenção e saúde.
http://vilamamifera.com/mulheresempoderadas/o-perigo-que-representa-um-par-de-seios-naturais/

Mirella disse...

Letícia,

Então, se todos vamos morrer, para quê tratar as doenças?
Vamos todos morrer mesmo.
Se for assim, não vou mais trabalhar, estudar, viajar, não vou fazer nada, porque vou morrer e o que vivi, passei ou fiz não vai fazer a menor diferença.
Que espécie de argumento é esse?
E daí que a amamentação ajuda a prevenir câncer? Ela está amamentando agora? E se ela nunca mais quiser ter filhos, ou se quiser só adotar outros filhos? Daí ela não pode fazer mastectomia?
Já sei, por que ela não engravida para poder amamentar e quem sabe prevenir o câncer??
Você acha MESMO que uma pessoa que passou por uma mastectomia está se entupindo de conversantes?
Sério?

Não vejo um ínfimo dessa mobilização tão preocupada quando se fala em cirurgias estéticas. E olha que muitas pessoas morrem em decorrência delas, ficam com sequelas graves. Não são cirurgias necessárias, tirando eventualmente para a saúde mental e psicológica.
Mas se uma mulher decide retirar os seios... noossa o que vai acontecer com o mundo, o fim está próximo...

Agora, Letícia, você falou mil vezes na SUA relação com o SEU corpo, sobre como VOCÊ tem prazer com ele, sobre como VOCÊ encara o potencial de uma doença, o que VOCÊ faria.
Oquei, e quem está tirando o seu direito de fazer o que VOCÊ quer?
Sabe. A sua relação com o seu corpo é isto, SUA.

Porque está medindo a relação de Jolie com o corpo DELA através da sua? E se ela não tiver o menor tesão nos seios? Há uma chance de que ela saiba disto melhor que você.

maria disse...

Então, se todos vamos morrer, para quê tratar as doenças?

ela n esta tratando nada,já que n estava doente. isso é insanidade,doenças podem atingir qualquer parte do corpo,e ai vamos fazer o q,ir arrancando cada orgão? melhor se matar logo.
isso n é tratamento,é paranóia ,o que ela fez n a livrou do câncer.

Lígia disse...

a mastectomia preventiva é algo que já vem sendo feito com certa frequência nos estados unidos...

eu acho um absurdo tirar duas mamas saudáveis por causa de uma chance de câncer no futuro. minha mãe teve câncer de mama, a mãe dela também. sei que a probabilidade de eu ter é grande também. mas, sofrer por antecedência? não, obrigada. ainda mais no caso de um câncer que é detectado com exames simples, ou, como foi no caso da minha mãe, com um simples toque.

mas, enfim, cada um faz o que acha melhor para si. não acho que ela trouxe o assunto a tona da melhor forma possível, como aparece no texto. ela reconstruiu as mamas. tirou-as e colocou outras que com certeza são tão bonitas e certinhas quanto as antigas no lugar. a maioria das mulheres não tem a possibilidade de fazer isso (é caro, e a recuperação é lenta e dolorosa). se tiverem que tirar as mamas, muitas vão ficar sem - foi o caso da minha avó, que usava sutiã com enchimento.

nem mesmo à prevenção ao câncer de mama ela fez um grande favor, já que fez um exame genético super caro e inacessível (e que, conforme li em alguns lugares, não é capaz de medir as chances reais de um câncer, mas sim apenas UMA das variáveis, que é a mutação genética) e se submeteu a um procedimento super invasivo. na realidade, na maioria dos casos, um médico atento, um exame de rotina (mamografia, ultrassom, etc) e até o toque da própria mulher não suficientes para detecção de um câncer no começo, e com chances quase totais de cura.

minha mãe teve câncer com 46 anos. descobriu cedo, retirou apenas um pedaço ínfimo da mama, fez quimio e radioterapia e hoja, 13 anos depois, leva uma vida absolutamente normal. nem se nota o pedaço da mama que foi retirado.

depois (em 2011), ela teve um câncer de intestino, não ligado ao anterior, e muito mais perigoso e agressivo (teve que fazer uma cirurgia super complicada e químio super pesada, mas hoje já está bem e curada). já pensou se tivesse retirado as mamas pra não ter câncer? não teria adiantado nada.

a desmistificação do câncer e o apoio às mulheres que passaram por isso com bravura, tendo que retirar suas mamas ou não, isso sim seria ajudar a causa.

incentivar os exames preventivos, garantir o direito das mulheres a eles e divulgar o exame de toque (muitas vezes o mais efetivo), isso sim seria colaborar para que cada vez menos mulheres morressem por causa do câncer.

nem em termos de questionar os padrões de beleza angelina fez favor algum pois, como eu disse, seus peitos continuam intactos, só que agora não os dela. ter contato à imprensa o que fez, na minha opinião, não tem nada demais.

enfim.

não estou discutindo a angelina em si, não conheço nada sobre sua pessoa ou sobre seu trabalho, só pra deixar claro.

Lígia disse...

Ah, e sim, só pra completar.

Acho que ela está no direito dela de fazer com o corpo o que ela quiser. Se isso vai dar mais tranquilidade a ela e â família dela, que bom.

Eu não faria, volto a dizer, e acho que há maneiras melhores de lidar com a doença (eu sei porque eu VIVI isso. minha mãe se salvou pois tratou logo. minha avó não teve a mesma sorte).

Maaaaaaaas, decisão pessoal dela.

Lygia disse...

Gente....

"depois (em 2011), ela teve um câncer de intestino, não ligado ao anterior, e muito mais perigoso e agressivo (...) já pensou se tivesse retirado as mamas pra não ter câncer? não teria adiantado nada."

Pessoal, por favor, né... Câncer não é uma entidade única que dá em qualquer lugar do corpo! O que acontece é que qualquer parte do corpo pode GERAR um cancer, independente da outra! E não, cancer de mama não é igual a cancer de intestino, que não é igual a cancer de pele, que não é igual cancer de tireoide e assim por diante...Cada cancer responde (ou não) de uma forma a cirurgia, quimioterapia, radioterapia, etc etc etc...

Isso não é nenhum conhecimento muito aprofundado sobre medicina, por favor!

Agora, aprofundando o assunto, porque parece que as pessoas estão lendo pouco sobre o tema em questão.
O cancer de mama desenvolvido por quem tem a mutação BRCA1 (a da Angelina) é MUITO ruim... De forma que na maioria das vezes NAO responde a quimioterapia, NÂO responde a radioterapia e que as chances de voltar pós-cirurgia são altissimas...
Tem muito site por aí explicando o tipo de cancer que a mãe dela teve, pessoal... Vamos ler, né...
O cancer que fulana ou siclana teve é que foi tratado super facilmente NÃO é o cancer da mãe da Angelina!
O cancer que surge após os 50 anos NÂO é o cancer da mae da Angelina!

Gente! Vcs realmente estão ESTIMULANDO que ela arriscasse 90% de chance de ter um cancer praticamente não tratável com 40 e poucos anos, tendo 6 filhos pra criar???????
E depois vem aqui cobrar empatia?
Estranho....

Lygia disse...

Outra coisa...

O pessoal tá falando aqui de "hiperprevenção" e etc...

Sinceramente, eu quero mais é que hiperprevinam MUITO!
Porque prevenir significa não ter a doença, e não arcar com os custos (economicos e emocionais) dela!
Vcs já foram ver quanto custa um tratamento completo de quimioterapia?
Eu quero mais é que se gaste dinheiro prevenindo!

Sou contra a hipermedicalização... Isso sim é perigoso!

Luiza disse...

Realmente, ela pode morrer de câncer em outro lugar. Mas, de acordo com o mapeamento genético, era quase certeza o câncer de mama, porque o gene nela é falho, e sim, existem graus.

E parem de comparar mamas com órgãos vitais, fica feio pra vocês.

Ana disse...

Lygia
Hipermedicalização é perigoso....aham
Agora realizar uma cirurgia para retirar uma parte do seu corpo não é???
Me poupe...


MaFê Senger disse...

Lola,

eu respeito as escolhas (independente de serem escolhidas mais emocionalmente do que pautadas pela informação=muita pesquisa e reflexão) das pessoas, porque eu faço a minha escolha de cotidiana manter a saúde (e de qualquer maneira, seremos todos criticados, julgados e 'incompreendidos), e não de prevenir a doença.

Se eu tivesse o mesmo diagnóstico que Jolie, com a vida dela, a grana dela e a minha consciência, eu ia apostar nos meus 13% de chance de não desenvolver um câncer de mama, fazendo exames preventivos, tendo um estilo de vida que 'em tese' inibe a manifestação de qualquer câncer. (Ah, sim, também tenho casos de câncer entre familiares.)

Porque, a cirurgia dela, 'em tese' reduz a chance do câncer de 87% para 5%, temos de ter claro na mente que a medicina (ainda que baseada em evidências estatísticas, que é coisa de matemático) pertence ao certo ramo das ciências biológicas e portanto, imprevisíveis, incertas; e que como toda ciência,é e está com suas teses inacabadas (só para lembrar, cada tese científica é uma proposição com uma resposta para aquele caso, que é verdade ou mentira, até que alguém faça outra pesquisa e encontre outro resultado. E eu nem estou entrando nos detalhes sórdidos, como as pesquisas encomendadas por interesse de grupos ou concebidas por cientistas mitômanos).
O que tem me assustado nas respostas não é o aplaudir ou o discordar, mas a 'fé absoluta' na precisão de diagnósticos e procedimentos da medicina ocidental.

Alice disse...

Um pouco fora do tópico novamente.

Lola, ando pensando o seguinte... Se o que a gente entende por feminilidade é uma construção social (vestidos, coisas rosas e meigas)... o que exatamente é a inquietude das pessoas transsexuais?

Em geral elas descrevem que desde a infância já se reconheciam no corpo errado... Mas nem todos relatam necessariamente uma aversão ao órgão sexual...

Acho que foi aqui que eu li que existe também uma pressão para que as mulheres trans sejam delicadas. Mas que isso também é uma opressão...

Será que você tem contato com algum(a) trans que possa falar sobre isso?

Marina P disse...

"Mas eu não sou psicóloga ou psiquiatra para dar esse "parecer". Uso a palavra de forma leiga mesmo, sem mais pretensões, mais para colorir a minha opinião do que qualquer outra coisa (assim como usamos, sei lá, sociopata, louco, psico, etc.). Não achei que fosse um pecado dessa magnitude, mas obviamente te incomodou, então peço desculpas. Eu deveria simplesmente ter descrito tudo o que descrevi acima e deixado a palavrinha de fora."

Letícia, não foi um "pecado" não, mas eu achei exagerado mesmo e acho que seria melhor se você realmente escrevesse tudo o que descreveu mas não usasse essa palavrinha. Quase escrevi isso quando fiz o comentário anterior em resposta ao seu! Achei chato você usar o termo dessa forma; é natural que as pessoas se incomodem. Seria como alguém dizer que "quem não faz a mastectomia nesses casos está em profunda negação". Sei lá, é um julgamento muito categórico e parece uma tentativa de invalidar tudo que é diferente da opinião de quem comenta. Se a pessoa age diferente, ela é hipocondríaca... Não sei se essa era sua intenção, mas passou essa impressão.

Letícia Penteado disse...

Calma, Mirella. Vou tentar de novo: não é porque vamos morrer que não vale a pena VIVER. Mas nós vamos morrer. Podemos adoecer, sofrer acidentes, morrer, a qualquer momento. Isso faz parte da vida (haha) e é algo com que temos que aprender a lidar.
Não é errado ter medo. O problema é quando o seu medo da morte ou da doença que podem vir amanhã começa a prejudicar a sua VIDA hoje. E é isso que eu estou colocando em questão.
Eu falei da questão da amamentação para ilustrar o quanto a medicina atual prioriza métodos invasivos e destrutivos, principalmente em relação ao corpo da mulher. Há pesquisas apontando para diminuição em cerca de 91% do risco de câncer de ovário. Em relação ao câncer de mama, os resultados foram significativos SOMENTE para cânceres de origem genética. E isso seria relevante no caso da Angelina mesmo que não protegesse especificamente contra o câncer “dela” - ou ela só está preocupada com um tipo de câncer?
A mesma medicina que transformou os seios dela em bombas-relógio não foi capaz de ajudá-la, anos antes, a ver a relevância do benefício que eles poderiam ter trazido para a saúde dela e dos filhos dela. Talvez, por algum motivo freudiano, para a medicina os peitos da mulheres tenham que ser sempre os vilões, nunca os heróis. Afinal, a heroína tem que ser ela própria.
Eu falei do meu tesão nos meus peitos porque eu vi várias e várias mulheres falando por aí que os peitos são "desnecessários", são só "dois sacos de gordura", não têm outra função senão amamentar. E isso simplesmente não é verdade. Então "dar prazer à mulher" não é função digna e suficiente para um órgão de seu corpo? Tem que ser órgão "vital", que nem falaram por aí, para que haja interesse em manter? Porque mulher não tem o direito de gozar, né? Tem que sobreviver, simplesmente. Pura. Santa. Imaculada. Sacrificada. Pelos filhos.
E daí se a Angelina talvez fosse uma das raras criaturas que não sentem nenhum tesão nos seios? O meu ponto não é sobre a Angelina em si - o seu é? O meu ponto é sobre a necessidade de buscar alternativas menos invasivas, mais conservadoras e o quanto isso parece não ter prioridade na medicina, especialmente quando se trata do corpo DA MULHER. Será que ficou claro agora?
Cirurgias estéticas são realizadas porque a pessoa não está feliz com seu corpo. Eu também acho que um acompanhamento psicológico seria muito bom antes de fazer qualquer coisa desse tipo, para a pessoa ter certeza de que seu problema é com seu corpo mesmo. Mas, para mim, é diferente você mudar uma coisa em você porque você QUER e você mudar uma coisa em você por medo de outra. Eu não consigo equiparar. Eu já disse e torno a repetir: para mim, se ela desde o começo queria colocar implantes e só aproveitou para matar dois coelhos, aí, sim, acho que faz o maior sentido. Porque aí ela já QUERIA mexer mesmo. Entende?
Eu acho que tudo o que eu escrevi aqui eu já tinha escrito antes, mas tudo bem. Vai ver que não foi você quem não leu direito, fui eu quem não se fez entender mesmo. Estou aqui partindo desse pressuposto, mas preciso dizer que, se você quiser debater de forma adulta, ótimo, vambora. Mas, se é para ficar de bate-boca, eu tenho mais o que fazer.

Letícia Penteado disse...

Lygia, em resposta a você, faço minhas as palavras da MaFê. E acrescento: tanta coisa pode acontecer até um câncer se manifestar. Tanta coisa, boa ou ruim, que pode tornar desnecessária essa cirurgia. Também pode não acontecer nada e também pode acontecer de eles estarem errados. E isso supondo que o câncer um dia se manifeste.
Ainda vai demorar muitas décadas até que saibamos exatamente o impacto desse tipo de cirurgia, quais são (se há) os riscos aumentados de outros cânceres, por exemplo. Podemos ter diversos estudos a respeito, mas pouco de fato se SABE. Na medicina, a cada dia são feitas novas descobertas, noções antigas são descartadas.
Claro que a gente tem que se basear em alguma coisa para tomar nossas decisões, mas tem certas decisões que não precisam ser tomadas hoje. Tem certas informações que são passadas como se nada demais estivesse envolvido, como se nossos corpos flutuassem inertes no vácuo e se comportassem de forma perfeitamente matemática e linear. E tem certas medidas que são drásticas demais para toda a contingência que nos cerca, mas as pessoas têm essa fé cega e inabalável no jaleco branco. A ciência e a medicina ficam parecendo religião mesmo. Uma religião em cujo altar mulheres como Angelina sacrificam seus peitos, úteros, ovários, períneos, partos...

Letícia Penteado disse...

Marina P., você tem toda razão e eu, mais uma vez peço desculpas.
Eu vi vários comentários chamando de idiotas, cocotas, imbecis, etc. todo mundo que compartilha da minha opinião, vi respostas muitos sarcásticas distorcendo minhas palavras e achei, realmente que não estava escrevendo nada demais.
Mas eu errei. Errei porque chamar de idiota e chamar de hipocondríaco são coisas diferentes, por incrível que pareça. Sem sarcasmo. O fato é que um é um xingamento aberto, o outro é uma palavra "séria", que pode ser levada a sério por uma pessoa séria como você. Nessas condições, vira um rótulo.
Eu confesso que só muito mais tarde fui ler todos os outros comentários e vi os seus. Claro que se eu soubesse que estava falando diretamente com alguém eu teria sido mais cuidadosa, mas isso não é desculpa.
E eu deveria ter tido a maturidade de não me rebaixar ao nível desse tipo de debatedor. Mas, enfim, o que está dito está dito. Só posso agora me desculpa mesmo.
Um abraço sincero.

Yohanna Cordeiro disse...

bem legal a atitude dela, serviu como um alerta para outras mulheres. Mas é uma pena que seja patenteado..

Mirella disse...

Letícia,


Entendo o seu ponto de desmistificar que o corpo feminino é doente, e que a medicina assume uma postura misógina de dar um enfoque em tratá-lo como doente em vez de se focar em outras terapias. Eu entendi. Porém, estamos falando de duas coisas:
- um caso específico, que resultou num enorme slut shaming e agressçao gratuitas à Jolie
- o caso geral do câncer de mama.

Quando falamos da Jolie, estamos falando de uma pessoa de personalidade forte, com acesso aos melhores meios de informação, aos melhores médicos. É uma pessoa consciente, até onde eu sei. Se ela achou melhor passar por um processo de dois meses para remoção das glândulas e reduzir a 5% suas chances de passar por quimioterapia, radioterapia, efeitos colaterais de tratamento, reviver o trauma de perder a sua mãe, num processo que poderia durar anos, eu não sou ninguém para julgar, sabe. E acho MUITO importante não reduzir seios ao seu fator erógeno e componente da "feminilidade", principalmente porque muitas mulheres sofrem justamente com isso, achando que sua feminilidade vem dos seios - e esta preocupação é majoritariamente associada ao medo de perder seus parceiros atuais, futuros, etc (mesmo quando já tem o câncer, e não só a probabilidade de desenvolvê-lo).
Entendo e acho válido seu argumento de que outros métodos menos invasivos e violentos devem ser pesquisados e estudados. Porém, no caso prático (Jolie), ela já foi mãe, pode ter amamentado ou não (muitas mulheres não conseguem e se sentem menos mães por isso) e isto não influenciou o fato de ela ter pré-disposição genética em desenvolver o câncer. Sim, a pesquisa de métodos de prevenção menos violentos é necessária, porém é algo que demora anos para surtir efeito prático. O que fazer com as mulheres que correm risco no hoje, agora?
Também entendo que, quando as pessoas dizem que seios são depósitos de gordura, se referem às comparações absurdas de gente que diz "vou tirar meus pulmões para evitar câncer". Sim, seios são importantes para a sexualidade, porém não são vitais. Uma pessoa pode sobreviver normalmente sem glândulas mamárias, então a comparação com pulmão, cérebro, coração, etc é descabida. Não significa que o seio não serve para nada, mas o papel deles na saúde de alguém é bem diferente de órgãos vitais. Sim, eles têm um papel na sexualidade, então que cada mulher que conhece a si possa escolher como lidar com isso.
Acima de tudo, o que eu defendo é a escolha. O acompanhamento médico, ao meu ver, serve para isso, para explicar todos os efeitos colaterais do procedimento. Não consigo ver uma epidemia de mastectomia acontecendo. Consigo ver mulheres que talvez tenham uma outra escolha caso não queiram depender da loteria genética.
Quem tiver 99% de chance de desenvolver um câncer de mama e, mesmo assim, não quiser retirar as mamas tem todo o direito de não retirar e não sofrer críticas. Assim como uma pessoa adulta, que tenha 87% de chances de desenvolver, tem o direito de tirar sem ser tratada como incapaz de decidir pelo que ocorre no seu corpo.

Letícia Penteado disse...

Concordo com você, Mirella, praticamente em tudo o que você disse.
O meu problema não é ela ter feito isso. O meu problema é ela ter dado publicidade ao ato. Porque ela é, querendo ou não (e eu acho que ela quer, e muito, e que inclusive era esse o objetivo), uma formadora de opinião. Ela é hoje tão conhecida por seu trabalho humanitário quanto por seu trabalho no cinema.
Eu também acho que as pessoas devem ser livres para fazer o que quiserem com seus próprios corpos (até coisas mais drásticas e mais loucas do que isso).
O que me incomoda é o pavor que se alastra através desse tipo de comunicado. A estatística passada como certeza.
Não são unanimidade nem a mastectomia preventiva, nem o exame em si, sua validade, etc. Alguns são mais espalhafatosos, falam que a Angelina MENTIU, que ela conscientemente queria ajudar a Myriad (empresa que detém a patente do gene em questão).
Mas o fato é que não, apesar de ter sido colocado dessa forma em muitos meios, os estudos em torno do tema estão longe de serem unânimes, ou mesmo aceitos unanimemente. E muita gente recebeu e argumenta dessa forma, como se fossem.
Sou feminista e ativista da humanização do parto e da amamentação, entre outras coisas, e nesse meio, a gente vê coisas horríveis, que a maior parte (maior parte mesmo, tá? Tipo 99%) das pessoas sequer questiona. Vê muita coisa que se passa por ciência quando na verdade é protocolo de hospital, é pesquisa enviesada, é coisa comprada por quem tem interesses financeiros em determinado resultado.
E mães e crianças sofrem com isso para o resto de suas vidas, muitas vezes com sequelas físicas, inclusive, e graves; mulheres que sentem que seus corpos são defeituosos, com seus úteros que "não dilataram", com seus peitos que "não produzem leite".
E daí eu carrego em mim esse ceticismo em relação a esse tipo de medicina que interfere, que destrói preventivamente. Que se alimenta do medo do paciente.
Não estou tratando da Angelina - ela, para mim, é aqui só um pano de fundo mesmo. Sobre ela, o que tenho a dizer é só que, muitas vezes, por mais forte que seja a sua personalidade, um trauma (como foi, no caso dela, a perda da mãe de forma tão dolorosa) pode te deixar suscetível a reagir de forma precipitada. O que não quer dizer que esteja incapaz de decidir.
Só me preocupa ver retratado em toda parte, como ato de coragem, de altruísmo, de emancipação, de feminismo, até, algo que, de certa forma (e a meu ver) é ceder à manipulação de uma indústria muito pouco interessada com a nossa saúde de fato. É a jogada de marketing perfeita.
A minha objeção é ao fortalecimento da cultura da intervenção médica, do terrorismo médico que nos faz agir muitas vezes sem necessidade, muito brutalmente.
Não é só a mastectomia da Angelina Jolie. Não é nem só as mastectomias que se seguirão (ao contrário de você, eu acredito sim num aumento desse tipo de intervenção). É a patologização da vida para criação de nichos de mercado para as indústrias interessadas.
Eu vejo essa questão (a da indústria do câncer) e a da nova "bília da psiquiatria", por exemplo, como conexas. Como também a medicalização do parto, da infância, etc.
Não que seja tudo uma só grande conspiração, hahaha. É só que é uma tendência cultural nossa, uma tendência estimulada vivamente pelas pessoas que ganham dinheiro com ela.

Letícia Penteado disse...

Sobre os peitos, quando falo da função sexual deles, não estou falando da atratividade para @ parceir@. Estou só falando do prazer da dona deles mesmo.
Mesmo porque, convenhamos, se você vai reconstruir seus peitos com implantes, @ parceir@ não vai perder nada, né? Em termos de estética pura e feminilidade, eu acho que fica equivalente, ou pode ficar até melhor, com as tecnologias novas.
O problema é que nós, mulheres, somos educadas para nos importarmos mais com o olhar de quem está de fora do que com o que nós próprias sentimos. Daí que a maior parte das mulheres que passa por uma mastectomia (qualquer que seja o motivo) entra em parafuso porque vai "ficar feia", vai "deixar de ser mulher". Estão aí os implantes (que podem, eles próprios, causar - e/ou mascarar - câncer, segundo novas pesquisas) para nos provar isso. Você se livra de um risco de um lado, mas a pressão social da estética é tão grande que você aceita um risco do outro. Loucura, né?
Para você ter uma ideia da dimensão da coisa: uma amiga me confidenciou que tinha dificuldades para atingir o orgasmo numa relação com alguém porque tinha medo de fazer "cara feia" ao gozar. Daí ela não se soltava.
Você já imaginou uma coisa dessas? Não te parte o coração de escutar?
Enfim, estou aqui divagando mesmo, porque acho que essa é uma maionese muito interessante em que se viajar, essa posição da mulher sempre mais como objeto do que sujeito de prazer.
No mais, claro, peitos não são coração, fígado, pulmão. Não são nem baço. Mas nem por isso são "descartáveis", saca? Me dói que partes do corpo feminino estejam sendo retratadas dessa forma. Quando eu vi a charge da bomba-relógio, eu fiquei passada. Comparar partes do meu corpo, que têm sua função (ainda que não vital), com um objeto alienígena, cujo único propósito é destrutivo, amarrado a mim?
E são partes femininas do corpo feminino, o que dá à brincadeira toda um tom que me lembra muito a misoginia da violência obstétrica, que muitas vezes culpa a mulher por "não ser capaz" de parir, de amamentar, quando na verdade fez de tudo para sabotar a capacidade que a mulher de fato tinha. Me lembra muito esse discurso de que o corpo feminino é falho, defeituoso, errado.
Mas talvez eu já tenha ouvido isso tantas vezes que eu já esteja escutando mesmo quando não está sendo dito. Pode ser que eu esteja deixando meus traumas influenciarem minha percepção.

Bicalho disse...

Adoro seus posts Lola, mas infelizmente acho que este pecou bastante e termos de reflexão sobre o tema da mastectomia. Faltou refletir principalmente sobre a propaganda por detrás deste procedimento de mapeamento genético e da mastectomia (será mesmo que foi só coragem dela falar publicamente sobre a realização do procedimento?); o biopoder que se julga capaz de determinar estatisticamente o futuro de um ser humano e o controle sobre a vida. Enfim, tem vários questionamentos que faço sobe o assunto. Até compreendo seu olhar feminista sobre o assunto, mas acredito que ele possa ter te cegado pra outras questões importantes.

Mirella disse...

Letícia,


Acho que numa questão fui confusa. Acredito que mais mulheres podem optar pela mastectomia preventiva, sim. Só não acho que vá acontecer de forma generalizada ou desenfreada. Comparando os posicionamentos médicos que vi, a maioria colocou bastante restrição ao procedimento, tentou esclarecer que é indicada só em alguns casos. Com isso em vista é que digo que um possível aumento não será tão alarmante. Também vi alguns médicos falando que o exame só pode ser pedido também em alguns casos, que não é o tipo de coisa que se faz por curiosidade (vi no Fantástico, vi tb algumas matérias na Folha de SP on line).
Mas vc citou a violência obstétrica, que é algo que me mata um pouco cada vez que leio a respeito. As formas de violência contra a mulher atingem níveis tão profundos. A violência está em todos os lugares.
Fazendo um paralelo da mastectomia com a cesária, por exemplo. Sabemos que um grande número das cesáreas não tem razão de ser feita, que um parto normal pode ser muito mais tranquilo, saudável, menos traumático. Também defendo a humanização do parto, apesar de não ser mãe nem de ter planos para tal. A diferença da narrativa de partos humanizados/em casa contra partos em hospitais é gritante. Mas aí é que penso que o bom senso deve prevalecer. Uma grávida que tenha hipertensão, descolamento da placenta ou alguma outra condição pode se sentir mais confortável num hospital, com o médico de sua confiança, com tecnologia à disposição. O problema não é a cesária, é tentar fazer uma linha industrial de nascimento, sem respeitar a mãe, sem dar todas as informações para que ela decida. Mas também acho importante não tratar a mãe que decidiu por uma cesária como menos mãe, mãe preguiçosa e outros absurdos.
A mastectomia preventiva não deve ser tratada como um procedimento banal, de forma alguma. Mas acho também que o corpo não pode ser tabu. A melhor maneira da MP ser feita adequadamente é conversando sobre, falando o máximo possível (minha opinião). Tem que se falar sobre tudo. Por exemplo, se a Jolie não tivesse aberto sua decisão, eu não teria conversado com você e refletido sobre como o corpo da mulher é visto como doente pela medicina (e o nosso debate não teria rolado para alguém que tá lendo sem comentar, mas que tem nossas mesmas dúvidas). Por isso, não acho perigoso falar sobre um assunto, pelo contrário. Acho necessário trazer todos os temas para debate, para conhecer os outros pontos de vista e poder formar e modificar minha opinião.


Quero pedir desculpa caso tenha sido ríspida em algum momento ou falado alguma bobagem. Escrevo de cabeça quente sem reler (clandestinamente no trabalho) e preciso melhorar este aspecto, desculpe.
Obrigada pelo debate =)

Letícia Penteado disse...

Mirella, eu é que agradeço. Foi um prazer. Tivemos nossos momentos mais aquecidos, mas isso é natural quando o tópico é apaixonante.
Sobre as cesáreas, você tem toda a razão. O movimento pela humanização do parto não é um movimento contra a cesárea em si, ou contra o direito de a mulher de optar por ela, ou contra a mulher que optou por ela. Ou pelo menos, nunca deve ser. Devemos informar, sempre, lutar para que haja a opção real e permitir que, a partir daí, a mulher faça, ela própria a sua escolha.
E eu não tinha pensado por esse lado - que o fato de o assunto ter sido trazido para a mídia foi o que possibilitou o debate a respeito dele. Verdade.
Um abraço!

Anna disse...

olha só a notícia, a tia da Angelina acaba de morrer de cÂncer de mama domingo:

http://www.people.com/people/article/0,,20703806,00.html

Só 61 anos e era irmã da mãe de angelina q passou anos lutando com a mesma coisa até a morte. Angelina literalmente tinha uma bomba relógio, é triste e impressionante ver gente fazendo piada

Juliana Del Rio disse...

Bitch, please... cê jura? Se ela está tão preocupada com a saúde, por que não para de injetar heroína? Isso é uma jogada de relações públicas. Fico pasma com o que a Angelina Jolie para ganhar o Oscar de melhor atriz. She's got fame whore written all over that Botoxed face.