domingo, 3 de fevereiro de 2013

GUEST POST: CASAS NOTURNAS, O PERIGO QUE NÃO VEMOS

Na semana passada, quando escrevi sobre a falta de respeito dos "engraçadinhos" com a tragédia de Santa Maria (já são 237 os mortos na boate Kiss), a Julia deixou um ótimo comentário. Pedi pra que ela falasse mais sobre a segurança -- ou falta de segurança -- nas casas noturnas, pois ela e o marido trabalham no meio. O que ela conta é estarrecedor. E claro que não está restrito apenas ao Rio Grande do Sul (aliás, nem ao Brasil, imagino).

Me chamo Julia, sou de Porto Alegre. Por aqui, no Rio Grande do Sul, qualquer um pode imaginar como está o clima. Essa tragédia é algo no qual é impossível não pensar. Pena se tratar de uma tragédia anunciada.
Eu e meu marido trabalhamos nas casas noturnas daqui de Porto Alegre e do litoral gaúcho há muitos anos, o suficiente para conhecermos dezenas delas. Nesse meio poucos ganham bem, então os trabalhos extras são frequentes. Tu trabalhas sexta e sábado numa casa, domingo noutra e terça um amigo te chama pra trabalhar na terceira.
Gostaria de agradecer a possibilidade de contar um pouco sobre o que vemos nas casas noturnas e passa despercebido por seus frequentadores. Estes, não estão ali para inspecionar saída de emergência. Estão ali para poder se divertir, e só. A existência de uma saída de emergência é seu direito, não deveria ser sua preocupação. O extintor de incêndio não é com o que me preocupo quando quero ser jovem em uma noite entre amigos!
Tive um gerente que disse uma vez que para o cliente, a bebida deveria se materializar estupidamente gelada, dentro do freezer. Em outras palavras, as pessoas estão lá para se divertir, não têm que saber o trabalho que dá por 4 mil cervejas long neck para gelar, nem o que aconteceu para que estas não estivessem geladas o bastante.
Elas não têm que se preocupar com o "modus operandi", com a validade do extintor, com o material inflamável recobrindo o teto. Essas preocupações devem ser de outras pessoas. Daqueles que estão lá para garantir a felicidade da sua festa e seu retorno pra sua casa quando a música parar.
No último domingo choramos muito, nos colocamos no lugar destes pais, pois temos filhos, empatia por outros seres humanos e vivemos neste tipo de ambiente há bastante tempo. Depois do choque ao ver as imagens e saber da notícia, começamos a conversar sobre os nossos muitos locais de trabalho nesse ramo, e chegamos a conclusão de que NENHUMA casa das que conhecemos estaria preparada pra esse tipo de "acidente". Listo as semelhanças.
O fato de haver apenas uma saída (que se destinava também a entrada de clientes) é bastante comum. Saídas de emergência são raras. Quando existe alguma saída alternativa, parece piada, como uma no primeiro bar em que trabalhei, que ficava em uma janela do terceiro andar... sem escada do lado de fora. Ou seja: se os bombeiros demorarem para chegar, pode não servir pra nada.
O uso de sinalizadores virou uma febre por aqui. O garçom leva a bebida (cara) do cliente até a mesa com um destes aceso, preso à garrafa. Todos acompanham o showzinho, acham o cara "o ricaço", e este continua gastando bem, para manter o exibicionismo. (E eu que achava que o risco seria que uma faísca caísse no rosto de um cliente. A palavra tragédia ganhou outra dimensão. Como fui tolinha!).
Os seguranças normalmente são terceirizados, e mesmo bem mal pagos, muitas vezes tiram desse tipo de atividade seu sustento. Deixar um cliente sair sem pagar pode colocá-lo nas estatísticas de desemprego no país na próxima semana. Fora que o segurança da portaria fica na porta a noite toda, não tem como saber o que ocorre dentro da casa. A não ser que se utilizem rádio para comunicação, fato pouco frequente. Por isso as pessoas seriam barradas na porta em um primeiro momento.
Alarme de incêndio? Sinceramente, nem sei se é obrigatório, já que ele só pode ser ouvido se a música pára. Em um ambiente com um som mais baixo, até poderia funcionar, mas no som ensurdecedor de uma casa noturna? Julgo ser impossível.
Alguns depoimentos citam uma possível superlotação no local. Alguém pode imaginar quantas vezes meus gerentes queridos superlotaram o estabelecimento? O atual gerente do meu marido nunca diz a ele o real número de clientes na casa, pois ele é o responsável por barrar a entrada de mais pessoas. O lucro é garantido, a segurança manda um abraço.
Ter vários ambientes é visto como algo maravilhoso, fato sempre citado nos sites destes estabelecimentos, mas faz com que uma casa noturna se torne um verdadeiro labirinto. Os clientes que saíram de lá no domingo passado, antes de chegar à saída, passaram por outra porta, bem estreita, que delimitava o primeiro ambiente (ao qual quem estaria na rua/portaria teria contato).
Quanto ao alvará, inúmeros são os locais que não o possuem ou não conseguem renová-lo, mas permanecem funcionando. Isso acontece pois a multa decorrente pode ser paga tranquilamente (quando ocorre a rara fiscalização), e o lucro de uma noite é grande.
Luzes de emergência e sinalização na saída já vimos bastante, digamos que na metade dos locais em que estivemos.
Lola, tudo isso nós consideramos comuns, baseados somente nos locais em que eu e meu marido trabalhamos. Algumas, sendo consideradas as casas noturnas mais badaladas de Porto Alegre e litoral gaúcho. Podem haver muitas exceções por aí, mas os erros da Kiss se repetem em muitas, muitas outras.

31 comentários:

Patty Kirsche disse...

Terrível isso... Só posso dizer que, de agora em diante, estarei sempre atenta a saídas de emergência, extintores e tudo mais...

Giovana Zampieri Klimpel disse...

Lola, como tb sou tola. Realmente acreditava que estávamos mais preparados no quesito " segurança" nestes estabelecimentos. Depois dessa o melhor é ficar em casa curtindo com os amigos do que sair por aí??? Isso é muito triste!!!

Anônimo disse...

Olá, pessoal!

Realmente, não há segurança nesses lugares. Estou tão chocada com tudo o que aconteceu que perdi a confiança de deixar meus filhos irem a lugares assim. Não só as casas noturnas precisam de fiscalização, como também as escolas, universidades, cinemas ...
Meu irmão esteve recentemente na europa, e foi a uma casa noturna (não me recordo agora qual é e o país), e contou que havia cinco andares, e apenas uma saída de emergência para todos os andares (vejo com ele depois posto aqui o nome).

Anônimo disse...

Sinto muito pela tragedia e sou solidaria aos parentes das vitimas, mas fico pensando que na verdade nao sao apenas casas noturnas que apresentam risco iminente. Estou vendo uma movimentacao dos bombeiros e autoridades para fiscalizar casas noturnas, mas acho que o Brasil inteiro eh uma bomba ambulante. A populacao nao esta preparada para um incendio e ouso dizer nem os bombeiros. Moro num predio com 80 apartamentos e em media 400 moradores. Nunca foi feito um treinamento para o caso de um incendio. Os extintores soh foram trocados depois de 2 anos de vencimento mesmo assim soh quando o orcamento do condominio permitiu. As portas corta-fogo estao sempre abertas ou obstruidas e nao adianta falar em todos as reunioes de condominio porque nem sempre todos os moradores vao e muitas vezes sao as faxineiras que deixam as portas abertas. Nao existe detector de fumaca e ja pedi varias vezes que fosse instalado, mas o dinheiro nunca sobra (tem muita gente inadimplente no predio). No predio onde trabalho eh a mesma historia. Sao 12 andarem com em media 5000 funcionarios e descobri recentemente que as escadas de acesso ao primeiro andar foram fechadas com uma parede de gesso. Em caso de incendio tem que primeiro quebrar a parede (tem ate alguns machados a vista) para depois sair. Nao sei quem em panico e em meio a fumaca consegue fazer isso, mas os bombeiros aprovaram a reforma entao soh posso rezar para que se tiver um incendio realmente a parede seja facil de derrubar. Trabalho neste predio ha 10 anos, ja tivemos varios principios de incendio e apenas 1 treinamento com os bombeiros. Sei que falta verba, que falta pessoal, mas o governo tem que entender que prevencao e fiscalizacao tem que ser feitas a todo o momento e em todos os lugares que se tenha aglomeracao.
Maria Lia.

Carlos disse...

As coisas estão assim porque as pessoas só pensam em dinheiro. Movimentando dinheiro que dane-se o resto.

A imprensa, a mídia, os telespectadores, os leitores, etc... são sanguinários, só consomem tragédia, ninguém quer ver coisas boas na televisão.

O resultado? Está aí.

Anônimo disse...

Ai, como a classe média sofre... =~

Priscila MR disse...

Sobre toda essa tragédia eu levanto uma questão. Aqui no Estado de SP temos a lei do Fumo, onde não pode fumar dentro dos estabelecimentos fechados. Assim, muitas casas noturnas e bares criaram as áreas para fumantes" que são ambientes abertos, para que os fumantes fumem sem necessariamente sair do estabelecimento. Eu acho que a existências dessas áreas são fatores de ajuda para que se evitem tragédias como essa (no caso, a maioria foram vítimas por asfixia). Enfim, achei muito bom o texto e tomara que depois do terrível evento de Santa Maria crie-se mais consciência a repeito da segurança das casas noturnas.

Teresa Silva RJ disse...

E ainda tem essa história do alvará, que dizem que é uma mina de ouro dos fiscais corruptos.

Lola, olha a dica do Elio Gaspari para tentar nos proteger do perigo das casas noturnas:

""A REDE PODERÁ PROTEGER A GALERA

Depois de uma tragédia como a de Santa Maria é garantido que começou outra: o constrangedor jogo de empurra de prefeitos, bombeiros e autoridades policiais dizendo a coisa e seu contrário ou fazendo promessas inúteis. Felizmente, as redes sociais da galera poderão evitar que casas de espetáculo funcionem como armadilhas para seus frequentadores.
A freguesia poderia adotar um sistema de proteção mútua. Sempre que houver festa, evento ou balada, alguém pode entrar na rede alertando a moçada.
Um pode dizer que já foi lá e as saídas de emergência são precárias, outro pode contar um incidente que testemunhou.
Pode-se até imaginar que em alguma cidade uma pessoa resolva fazer um guia de segurança das casas. Tem alvará? Está vencido? A casa exibe a licença do Corpo de Bombeiros? Quais dificuldades o freguês tem de enfrentar para chegar à rua?
Assim como não se vai a restaurante de comida ruim, não se deve pôr os pés onde a segurança é precária. Se uma casa fica mal falada na rede, recebe o mais grave sinal de perigo, aquele que lhe afeta o bolso.
Santa Maria mostrou que deixar essas coisas na mão dos governos acaba em tragédias e empulhações. Se o dono de uma casa perceber que perde freguesia porque a galera desconfia de sua segurança, fará tudo o que precisa para limpar seu nome."(Folha de S. Paulo, 3/2/2013.)"

Nivaldo Brás disse...

O que mais me entristece é que logo o Brasil vai esquecer essa tragédia. E esses "barões" da noite continuarão colocando a vida de pessoas inocentes em risco. Os frequentadores tem que se conscientizar é BOICOTAR esses lugares perigosos. Se a Lei não penaliza então vão direto no bolso. Mas como eu disse o Brasil esquece fácil.E muitos vão dizer que é raro isso acontecer e continuarão a apoiar esses "barões da noite" e eles continuarão alegremente colocando vidas alheias em risco.

Anônimo disse...

Nao entendi anonimo. Talvez fosse bom tu rxplicar melhor pq to com quase certeza de que vc é um imbecl.

Luh

Anônimo disse...

E só pra mostrar o completo despreparo da prefeitura de Santa Maria, a atitude tomada foi a de fechar TODOS os estabelecimentos por 30 dias. Os propretários é que vao ter que ir à prefeitura apresentar a documentacao em dia. Ou seja, nao só estao duvidando da inteligência da populacao fingido tomar uma atitude, como estao lavando as maos em termos de fiscalizacao. E os trabalhadores que dependem dos empregos nesses estabelecimentos (que sao sim em muitos casos irregulares e inseguros) seguem invisíveis.

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/02/prefeitura-de-santa-maria-fecha-bares-e-boates-da-cidade-por-30-dias.html

Sobre o assunto, vale muito a pena ler o texto do Popriaga:

http://www.ijui.com/especiais/artigos/44448-identificando-os-verdadeiros-responsaveis-do-incendio-de-santa-maria-por-francisco-carlos-popriaga

Valéria Fernandes disse...

Em primeiro lugar, ótimo post, estou repassando.

Lendo sobre a questão, só desejo que a tragédia de Santa Maria possa ser usada para melhorar as condições de segurança em casas noturnas e outros estabelecimentos e locais de eventos de massa. Conforme vi em uma entrevista com um dos comandantes dos bombeiros envolvidos no resgate, as leis são obsoletas, isso somado a corrupção e o desinteresse geral por segurança, já viu. Não vejo possível – e escrevi sobre isso em meu blog – eliminar o risco de tragédias em locais onde massas se reúnam – boates, estádios de futebol, grandes igrejas, etc. – mas uma legislação de segurança mais rígida e fiscalização em cima desses lugares pode, sim, minimizar danos.

No mais, acredito que quem freqüenta esses lugares (*e outros*) deve, sim, se preocupar com segurança. Não estou culpando os mortos, mas, no geral, somos todos muito mal educados, relaxados com questões que podem, sim, ajudar na preservação de nossa vida e de outros.

Jéssica disse...

Eu deveria ignorar... Mas nao da' para nao ter raiva de um comentario "classe media sofre" para esse caso, como se so' a classe media frequentasse ambientes de massas e incendios fossem um problema exclusivo da classe media. Alem de estar claramente minimizando o que aconteceu em Santa Maria, pqp.

Anônimo disse...

Classe média sofre, essa foi ótima!

Anônimo disse...

Claro, classe média sofre TOTAL, pq se preocupar com segurança é tããããão fútil, sabe?

Luiz Prata disse...

Jéssica disse...
"Eu deveria ignorar... Mas nao da' para nao ter raiva de um comentario "classe media sofre" para esse caso, como se so' a classe media frequentasse ambientes de massas e incendios fossem um problema exclusivo da classe media. Alem de estar claramente minimizando o que aconteceu em Santa Maria, pqp."
[2]

Concordo plenamente. É de uma lamentável falta de empatia esse tipo de comentário num momento tão doloroso como esse. Independentemente de origem, as vítimas de Santa Maria eram seres humanos, e suas famílias também. Dançar e se divertir não é pecado algum, e cobrar boas medidas de seguranças de casas noturnas é o justo.
Enfim, para quem comentou "classe média sofre", eu teria um gesto, mas meus dedos estão ocupados digitando.

Lele disse...

No Carnaval do ano passado fui numa festa no Teatro Odisseia no Rio de Janeiro e por incrível que apareça vi 2 portas de entrada enormes fechadas com correntes de ferro e cadeados e a única porta de entrada e saída era minúscula. Me lembro que pensei que se tivesse um incêndio lá todo mundo morreria. É uma pena que tragédias desse tipo tenham que acontecer para que se tomem providencias.

Verô! disse...

A tragédia de Santa Maria causou consternação em todos nós e é difícil não pensar nas vezes em que nos colocamos em risco quando saímos para nos divertir. Mas nesse momento precisamos ser realistas.

Em primeiro lugar, não há como garantir 100% de segurança em locais de grande aglomeração, mesmo ao ar livre já aconteceram tragédias de grandes proporções em shows e eventos com grande público. O que dizer sobre aqueles shows imensos em estádios de futebol? Já faz tempo que eu não participo desse tipo de coisa, sempre me senti insegura nessas situação, qualquer coisa pode desencadear correria e acabar em tragédia.

Em segundo lugar, se colocar 300, 500, mil pessoas em um ambiente fechado é necessariamente perigoso, imagina quando não são observadas as normas mínimas de segurança? E essas normas não são observadas também porque existe uma enorme MÁFIA DE LIBERAÇÃO DE ALVARÁS, uma rede de pagamento de propinas para manter em funcionamento bombas relógio e toda a sorte de "jeitinhos" que fazem nosso país funcionar.

Terceiro. Sua casa é segura? Você faz manutenção na rede elétrica? A mangueira do gás está na validade? O gás fica num ambiente com circulação de ar permanente? Você consulta um engenheiro antes de fazer reformas que podem alterar a estrutura da edificação? Essa histeria com as casas noturnas é compreensível e até boa, mas o perigo pode estar mais próximo do que imaginamos.

E por fim, gostaria de falar do comentário patético "classe média sofre". Eu já cansei de ler coisas do tipo. Uma vez ele veio acompanhado de uma notícia sobre o aumento de assaltos em bairros de classe média em São Paulo. Engraçado ouvir essa papagaiada vinda de gente que alega lutar contra preconceitos. Quer dizer que todos da Classe Média são desprezíveis e portanto merecem sofrer assaltos ou morrer numa casa noturna? Eu sou da classe média e imagino que a maioria das pessoas que frequentam esse blog também, assim como o anônimo que fez o comentário ridículo deve ser. Isso é típico de uma esquerda tacanha, imbecil e desmiolada que parou no tempo e não consegue pensar nada além do que está escrito na cartilha de grupelhos que leram o manifesto comunista e acham que sabem tudo do mundo. Cresçam!

Anônimo disse...

Vicente.

Uma lastima mesmo, este proprietários de casas noturnas, são capitalistas selvagens ao extremo, pelo vil metal eles enfiam 1.500 pessoas aonde cabem 500, mais mais idiota e quem vai.

baladas são ambientes de perdedores e ególatras.

alias um bom exemplo de rebater a falacia de " homem mau opressor" como padrão masculino.
Nos primeiros momentos do incêndio de do desespero,enquanto as mulheres que se salvaram deram no pé e fugiram,quem estava la para resgatar os sobreviventes, e salvar inúmeras vidas, arrebentando paredes a marretadas, inalando fumaça, e pondo suas próprias vidas em risco ? nada menos que os " homens opressores"
E se duvidam aqui está a prova :
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=423794741034632&set=a.331999136880860.79028.313319455415495&type=1&theater

Sara disse...

Julia adorei seu guestpost, embora eu nunca tenha trabalhado em casas noturnas, sou uma frequentadora até assidua de várias, e tudo o q vc falou confere, infelizmente.
A superlotação de muitas dessas casas chega ao absurdo, tem uma que eu costumava ir , mas nem pretendo mais, que vc mal conseguia se movimentar la dentro, quanto mais se divertir ou dançar, e mesmo assim eu conseguia ver que mesmo o ambiênte estando superlotado continuavam a permitir a entrada de mais e mais clientes, num desrespeito obvio.
Na hipótese de q acontecesse uma tragédia ali, pouquissimos se salvariam.
Sei que desastres como o de Sta.Maria, ja aconteceram em outros paises, um muito semelhante aconteceu no Estados Unidos, e outros na Argentina, Russia.
Fico pensando o q é possível fazer para q acidentes tão pavorosos como esse NÃO se repitam.
E sinceramente acho dificil, os locais onde tem as baladas mais concorridas são regiões muito valorizadas geralmente, onde ficaria qse inviável fazer grandes construções que oferecessem segurança adequada, o q geralmente acontece, é uma adaptação de um imovel ja existente, que dificilmente tem espaço suficiente para um publico maior, muito menos vai oferecer todos os requisitos para que haja segurança pra quem frequenta.
Tb acho dificil apontar um único culpado, pois como vc mesma disse praticamente todos esses tipos de estabelecimentos tem as mesmas deficiências.
A fiscalização tb tem sua parcela, mas se for pra condenar os donos daquele fatídico local, teriamos que prender todos os outros q estão igualmente irregulares, bem como todas as autoridades responsaveis pela fiscalização.

Moema L disse...

baladas são ambientes de perdedores e ególatras

Agora se divertir virou coisa de perdedor, que engraçado, eu achando que coisa de perdedor era não ter empatia pelo sofrimento alheio e ficar na internet enchendo o saco de quem tem.


É realmente muito triste o que aconteceu, a falta de preocupação com as vidas que estão dentro do estabelecimento, por parte dos dono, é preocupante.

Anônimo disse...

sobre o comment de 4 de fevereiro de 2013 01:36

Como tem gente estúpida nesse mundo! É o sistema social/político/econômico que é opressor, seu idiota. As pessoas, individualmente, são apenas peças que tentam desesperadamente se encaixar reproduzindo os rígidos padrões aceitos ou se rebelando contra eles na tentativa de incluir todas as pessoas. Se você aceita bovinamente tudo que é imposto à você sem nenhuma reflexão, não espere que todos façam o mesmo. Nem todo mundo nasceu pra ser rebanho.

Haamanndah disse...

"Nos primeiros momentos do incêndio de do desespero,enquanto as mulheres que se salvaram deram no pé e fugiram,quem estava la para resgatar os sobreviventes, e salvar inúmeras vidas, arrebentando paredes a marretadas, inalando fumaça, e pondo suas próprias vidas em risco ? nada menos que os " homens opressores"
E se duvidam aqui está a prova :"

A Revista "Espia" dessa semana diz que a Hostesss da Boate, uma loura cujo nome eu não me lembro, voltou tres vezes á boate para salvar um amigo e foi encontrada morta junto a ele


Outra coisa: é fato comprovável que o pulmão feminino tem a metade da capacidade respiratória do pulmão masculino, por esse motivo, muitas das jovens que estavam na boate morreram ou não puderam ajudar a salvar seus amigos e amigas não por egoísmo e sim por incapacidade fisica

LOLA, VC PRECISA FAZER UM POST PARA COMENTAR QUE O FATO DAS MULHERES SEREM MAIS FRAGÉS FISICAMENTE QUE OS HOMENS E, POR CONSEQUENTEMENTE, NÃO TEREM A MESMA CAPACIDADE FISICA QUE OS HOMENS TÊM DE SALVAR VIDAS HUMANAS, NÃO FAZ DELAS, AS MULHERES, SERES HUMANOS COM MENOS VALORE/MERECEDORES DE MENOS DIREITOS QUE OS HOMENS

EU MESMO ESCREVERIA UM POST PARECIDO NO MEU BLOG, MAS NAO ESCREVO TÃO BEM QUANTO VOCE

Bjs
Hamanndah

PSS: outra coisa, anônimo ridículo, se uma pessoa, homem ou mulher, tem mais força física que outra, não é de direito dessa primiera dominar a segunda, só porque a primeira pode, com facilidade, salvar a vida da segunda. Os heróis nós admiramos e agradecemos o desprendimento, os machistas, nos rechaçamos. E heróis podem ser encontrados em ambos os genêros, seu idiota machista, como comprovou a linda hostess que perdeu a vida tentando salvar a do amigo. Limpe, portanto, seu teclado sujo e machista antes de vir aqui no blog da Lola fazer um comentário tão mesquinho

Anônimo disse...

PARA Anônimo das 01:36 chamado Vicente

Muitos que vão a baladas são trabalhadores e universitários, existem poucos perdedores e egocêntricos como vc porque homens do teu tipo existem em todos os lugares.

Você disse sobre os proprietários da boate, o curioso é que todos eles são...HOMENS e nem por isso vc vê as mulheres culpando os homens por esta nefasta tragédia, talvez porque generalizar seja coisa de fracassado babaca como vc!
Será que vc é "analfabeto funcional"? Só pode ser!
Não há falácia, há falta de entendimento da tua parte.
Não há discurso contra "homem mau opressor" porque a MAIORIA dos homens não é assim, mas, claro não podemos elogiar babacas misóginos como vc!
Nenhuma feminista é contra os homens, nem as lésbicas estão em guerra com vocês, o que somos CONTRA é o machismo que muitas pessoas(mulheres inclusive) que enxergam as coisas de um lado, sem avaliar o outro pessoas, BURRAS e PREONCEITUOSAS como vc!
Muitas mulheres, caro acéfalo MORRERAM salvando ou no mínimo TENTANDO salvar a vida de seus amigos e amigas!
Claro que a estrutura física diferente dos homens acaba sendo um fator contra, mas, a CORAGEM é a mesma!
Vc não chega aos pés, seu VERME que não merece ser chamado de HOMEM, no fator CORAGEM de muitas mulheres que morreram!
Quanto aos seus colegas machistas que vc diz que referimos a eles como "homens opressores", estes com certeza NÃO estão salvaram e nem irão salvar vidas porque são COVARDES DEMAIS pra isso, estão ocupados demais discriminando, humilhando, agredindo, estuprando e matando quem eles acham "inferior".


Sawl

Anônimo disse...

Ainda bem que não sofro do mal da falta de segurança das casas noturnas, já que defendo que é jogar dinheiro no lixo pagar caro pra ficar a noite inteira num lugar ensurdecedor, espremido e bebendo feito um camelo junto de uma multidão em que uns 90% você sequer conhece.

Estar no meio de um rolo desses durante uma situação como a que atingiu Santa Maria é realmente um castigo ao nosso bom senso e segurança pessoal.

Não faço a menor idéia do porquê os jovens de hoje julgam divertido isso?? Não vejo diversão alguma, mas somente incômodos e preocupação. Além de todo o gasto, deslocamentoo até o local.

As pessoas chegaram ao ponto infeliz de confundir diversão com multidão e música boa com artista divulgado pela mídia.

O comentário da Júlia é a total realidade das casas noturnas de praticamente todo o Brasil. Os donos do estabelecimento querem o lucro, o meu dinheiro de trabalhador e o qual hoje em dia eu valorizo muito mais e não gasto mais em baladas. Eles pagam mal os funcionários, cobram preços abusivos dos clientes e ficam com os bolsos cheios ao fim das festas enquanto os jovens em sua grande maioria voltam bêbados pra casa achando que se divertiram à beça.

Abraços Lola, eu sou o que você insiste chamar de 'mascu-troll', há 3 anos investindo a grana que eu perdia em várias noites de baladas em livros.

Anônimo disse...

não acredito que estão discutindo quem é mais forte e quem é mais fraco, físicamente!!!
Não acredito que estão discutindo sobre quem vai na balada e quem não vai, ser isso ou aquilo!!!
Simplesmente não acredito!!!

Garoto do Brazil disse...

O problema é que o Brasil é a república do tapinha nas costas e do deixa-disso: ninguém vai pra cadeia rápido e quando vai nem fica na cadeia por muito tempo... a não ser pelos nossos já conhecidos 3 Ps: Pretos, Pobres e Putas.

Esses caras nunca vão ver o sol nascer quadrado. Afinal de contas, que destino tiveram os caras do Bateau Mouche que naufragou em 1989? Que destino tiveram os caras do Osasco Plaza Shopping que explodiu em 1996? Que destino tiveram tantos outros donos impunes?

Ah, claro, os noticiários nos lembraram do incêndio monstruoso que matou centenas de crianças num circo em Niterói nos anos 60. Provavelmente foi o único caso em que os responsáveis do crime foram efetivamente enjaulados pela justiça... mas peraí, olha só que coisa curiosa: eles eram, pelo o que se viu nas fotografias em preto-e-branco mostradas nas matérias, PRETOS e POBRES! Não que eles não merecessem a cadeia pelo o que cometeram, mas na verdade isso é uma amostra de como a justiça brasileira é... injusta.

Falando nisso, como vai o juiz Lalau, hein? Última vez ouvi dizer que ele estava "cumprindo pena" dentro do apartamento dele, bem longe das barras de ferro, das paredes de concreto cru e dos banheiros de chuveiro frio e latrina-buraco compartilhados...

Outra coisa: caceta, deveriam PROIBIR AGORA E PARA SEMPRE E EM TODOS OS LUGARES DESTE PAÍS aquela ESPUMA CINZA MALDITA que solta gás de campo de concentração nazista (cianeto) quando queima: aquilo é perigoso em qualquer lugar, não só em isolamento anti-acústico interno! Mas que esperar do país que ainda usa o cancerígeno amianto massivamente, né?

Ju disse...

Essa espuma nem deveria EXISTIR.

Anônimo disse...

Pior que isso é retrato do país inteiro viu...só fui a boate uma vez na vida, aqui em Belo Horizonte, pq uma amiga comemorou o aniversário dela lá. Eu não vou por gosto mesmo, não acho errado quem gosta de ir nem nada. E nesse dia confesso que foi a primeira vez que fiquei apavorada de estar em um ambiente, o lugar era mto parecido com a Kiss, a diferença é que é menor (deve ter capacidade pra 100-150 pessoas): uma única porta pra entrada e saída ( estreita e com aquele mesma gradinha de organizar fila), não enxerguei UM extintor no lugar e também tem a pratica de colocar aquele sinalizadorzinho na garrafa de champagne, nosso grupo ganhou por causa da minha amiga aniversariante... eu já tenho fobia de fogo no dia a dia,mas na hora...a única coisa q eu consegui pensar foi " espero que a moça esteja prestando atenção na direção dessas fagulhinhas,pq tá mto perto da PILASTRA".

Eu consegui reparar nisso tudo apesar de ser dia de comemorar pq sou meio paranoica. Quando vi o caso da kiss me doeu mto,pq já estive num lugar mto parecido, correndo risco parecido.

Tomara que essa fiscalização repentina não seja fogo de palha e sim um começo de regularização das casas noturnas,pra que nunca mais seja necessário chorar vidas perdidas por coisas remediaveis.

Ingrid

Ju disse...

Às vezes ser paranóica é bem útil, viu?

Anônimo disse...

O problema aqui no Brasil (e mais especificamente falando, aqui em SP, onde moro) é que as coisas valem mais na base dos relacionamentos pessoais e do dinheirinho por debaixo da mesa do que pelas letras da lei.

Justiça seja feita, eu já vi muito lugar com boa infra-estrutura aqui na cidade ser fechado abruptamente pelos "hômi" da fiscalização da prefeitura por causa de uma desculpinha ou outra, o que é relativamente fácil com o emaranhado de leis crípticas que temos (além de pressões de moradores conservadores e endinheirados que não admitiam casas noturnas GLS perto de seu "nobre" convívio — foi assim que a noite GLS, que existia nos Jardins desde o fim da década de 80, foi praticamente extinta nos anos 2000, cá entre nós)... ao mesmo tempo que notórios mega-pulgueiros sem condições nem de ventilação e que soltam seu barulho por quarteirões funcionavam (e funcionam!) de boa durante anos, anos e mais anos, porque seus donos tem boa$ relaçõe$ com os "hômi".

PS: ah, sim, as mega-igrejas construídas a partir de cinemas e galpões de fábrica do início do século 20, tá tudo bem com elas? Afinal parece que nenhuma foi fechada até agora, né... quem teria a coragem?