sexta-feira, 28 de setembro de 2012

POR UM BRASIL SEM HIPOCRISIA

Só a hipocrisia pra explicar porque aborto é um tema tão tabu. Motivos pra interromper uma gravidez sempre existiram, o que explica porque abortos sempre existiram. E sempre vão existir, independente da minha opinião sobre o assunto. Isso porque a decisão de ter ou não um bebê não é minha, e nem deve ser do Estado, e muito menos da igreja. Deve ser de quem está grávida.
Hoje é Dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização e Legalização do Aborto. Esta data é importante porque continuamos sendo dos países mais atrasados do mundo em matéria de direitos reprodutivos. 
Na terça, o Uruguai mostrou que é mais inteligente que a gente e aprovou o aborto (ainda precisa passar no Senado). Um deputado da oposição ao governo de esquerda de Pepe Mujica se recusou a votar com seu partido, que exigia que o aborto continuasse proibido. Justificou ele: “Há dois tipos de sociedades que condenam o aborto: as que têm um poder religioso tão forte a ponto de submeter as liberdades ao dogma, como as muçulmanas, ou as democráticas porém hipócritas, como a nossa”. A nossa também.
Infelizmente o Brasil, que também deveria ter um governo de esquerda, aliou-se à bancada religiosa. Em fevereiro, peritos da ONU colocaram o governo contra a parede. Citaram a cifra assombrosa de 200 mil mulheres mortas por ano por abortos clandestinos, e perguntaram: o que vocês vão fazer? Vocês vão continuar se aproveitando da divisão da sociedade sobre esse assunto para não fazer absolutamente nada? O governo só balbuciou que essas decisões não cabem ao executivo.
Em abril, o Supremo Tribunal Federal aprovou que grávidas de fetos anencéfalos podem abortar sem ter que recorrer à Justiça. Parece mentira, mas nossas leis retrógradas forçavam a gestante a levar em seu ventre até o final da gravidez um feto que nasceria morto, ou morreria minutos depois. E parece mentira também que até para derrubar uma crueldade dessas apareceram montes de fanáticos para crucificar as mulheres, clamando que um bebê sem cérebro têm direito a nascer, e que milagres acontecem, e que se dane a mãe porque, no mundo da religião, a mulher tem duas opções: ser manjedoura ou ser caixão.
Em junho, na Rio+20, um retrocesso, mais uma vez causado por líderes religiosos: o termo direitos reprodutivos ficou fora do relatório final da ONU como meta de saúde pública.
Agora o Brasil discute a reforma do Código Penal, já que o texto ficou estacionado em 1940. A inovação, proposta pela Comissão do Senado, é que uma mulher possa fazer aborto até a 12a semana de gravidez. Só que tem um detalhe: ela precisaria de um laudo médico ou psicológico comprovando que não pode arcar com a maternidade. Seria um avanço em comparação às leis arcaicas que temos hoje, mas, ainda assim, está muito longe do ideal -- a mulher continuaria sob a tutela do Estado. O corpo seguiria não sendo dela.
Não tem jeito. Toda discussão sobre a legalização do aborto descamba em duas vertentes: ora a religiosa, ora a mesma velha regra de controlar o corpo da mulher. Um corpo que, numa sociedade patriarcal e misógina, está sempre sob suspeita. Um corpo que é visto apenas como receptáculo de um ser muito mais importante que a mulher, que é o feto (ainda mais se for menino). Por isso que acho complicado ser feminista e ser contra a legalização do aborto. Ser feminista e ser pessoalmente contra o aborto (ou seja, se você engravidar, não vai abortar)? Beleza, entendo totalmente. Mas estender a sua vontade para bilhões de mulheres, ainda mais sabendo que um milhão de abortos clandestinos são realizados no Brasil todo ano, e que milhares de mulheres morrem em decorrência desses abortos malfeitos? E é uma atitude elitista, porque raramente são as mulheres ricas e de classe média que morrem em abortos clandestinos.
Quem crê que a gestação começa na concepção condena até a pílula do dia seguinte. Afinal, ela é abortiva, mesmo que esteja “assassinando” um grãozinho de pó imperceptível. Para outras pessoas, cientistas inclusive, só há vida com o desenvolvimento do cérebro, o que demora semanas pra acontecer. Não dá pra menosprezar a importância do cérebro nessa história (até porque é ele também que comanda o sentimento de dor). É só ver que, no caso de um adulto, quando há morte cerebral considera-se que a pessoa está morta, mesmo que ainda possa ser mantida “viva” através de aparelhos.
Portanto, o pessoal contra aborto trabalha sempre com expectativa de vida. E essa é uma coisa que pouca gente comenta, mas essa expectativa é bastante tênue. Quem nunca ouviu falar de uma mulher que teve um aborto espontâneo? Eu conheço um monte. O caso mais triste foi de uma colega (numa escola em que eu trabalhava) que estava fazendo tratamento pra engravidar havia anos. Quando finalmente deu certo, ela e o marido contaram pra todo mundo. Só que pouco depois ela perdeu o bebê. Ela ficou arrasada, até porque os “Parabéns!” e “Pra quando é?” e “Como vai se chamar?” continuavam vindo. Cada vez que isso acontecia, ela chorava. Muito.
O que pouca gente comenta é que 25% das gestações resultam em aborto espontâneo no primeiro trimestre. Ou seja, é a coisa mais comum que existe. Tanto que, em inglês, existe uma palavra para abortos naturais (miscarriage) e outra para abortos provocados (abortion). É tão comum que muitas gestantes evitam contar que estão grávidas pra parentes e amigxs. Elas só contam após o primeiro trimestre, após o “bebê vingar”. Mas aborto natural é um assunto tão tabu que uma leitora que tinha acabado de sofrer um aborto espontâneo, em abril, deixou seu depoimento, relatando não ter encontrado quase nada na internet sobre um tema que é tão frequente.
Por que gastamos tanta saliva pra condenar o aborto induzido, ao mesmo tempo que fingimos não ver que uma em cada quatro gestações termina em aborto espontâneo? Será porque a ideia de interromper uma gravidez passa a ser bem menos terrível quando sabemos que isso acontece naturalmente, querendo ou não? Afinal, estamos falando em legalizar o aborto para que ele seja realizado mais ou menos no mesmo período em que ocorre o aborto espontâneo (no primeiro trimestre). E, por mais triste que seja ter um aborto espontâneo, quando isso ocorre não se fala em funeral, não se tem um nome pro feto. Ele não era um bebê, muito menos uma criança. Ele era uma expectativa de vida. Que não se concretizou.
Outra questão interessante é aquela do “se você não queria um bebê, por que não se cuidou?” –- que é sempre dirigido apenas à mulher. Bom, eu defendo que as pessoas usem sempre camisinha, que “se cuidem”. Mas você já parou pra pensar como é comum engravidar sem querer? Eu já li uma estatística que dizia que metade dos casos de gravidez era não planejada. Aí me corrigiram e falaram que o porcentual estava mais pra 80%. Em outras palavras, a esmagadora maioria das gravidezes são sem planejar. Atenção: não planejado não é necessariamente indesejado. A pessoa pode não ter planejado, e ainda assim vir a gostar da ideia e, a partir daí, desejar a gravidez.
Esta é uma vantagem que os casais gays têm sobre os casais hétero, e ninguém fala nisso, né? Casais gays não ficam grávidos acidentalmente. Eles têm mais tempo de pensar, de planejar o futuro. Pais que planejam a gravidez não são necessariamente melhores que os que não planejam, mas convenhamos: é bom poder ter controle da situação. E nós héteros não temos. Duvida? Pergunte pra sua mãe ou pai se você foi fruto de uma gravidez planejada. Porque as chances são que você (e eu) não fomos.
Onde eu quero chegar com isso? Só quero mostrar que engravidar sem planejar não é irresponsabilidade de jovens inexperientes de 16 anos. Não é aquela pessoa que pensou que transar uma vez sem se preocupar com anticoncepcionais não daria problema. Estamos todos no mesmo barco. Gravidezes acidentais acontecem. Pelo jeito, somos uma espécie que se reproduz meio sem querer. E vamos continuar nos reproduzindo, mesmo que muitas mulheres decidam que aquele não é o momento apropriado pra ter um filhx. 
Mas é aí que parece estar o problema: na autonomia da mulher sobre seu corpo. Uma sociedade patriarcal abomina abrir mão desse controle. Então fica a pergunta aos que insistem tão veementemente que nosso corpo não nos pertence: vocês são pró-vida ou apenas pró-feto ou pró-nascimento? Porque essas mesmas pessoas que são contra o aborto também são as que desprezam mães solteiras, as que não querem que o governo invista em creches, as que não aceitam nenhum modelo de renda mínima, as que são contra as cotas nas universidades públicas, e as que são a favor da pena de morte e da violência policial. Então realmente fica parecendo que o conceito de pró-vida de vocês acaba alguns segundos depois do nascimento. E a vida é um pouquinho mais longa que isso.
Vamos deixar de hipocrisia. O aborto já é realizado em massa no Brasil. Com a descriminalização, ele deixaria de pertencer à esfera policial e passaria a ser parte da esfera da saúde. Com a legalização, as vidas de muitas mulheres seriam salvas e, provavelmente, o número de abortos cairia (foi isso que aconteceu nos países que legalizaram o aborto). Em outras palavras, já passou da hora dos pró-vida-até-o-parto-depois-salve-se-quem-puder aceitarem discutir seriamente o aborto. Se a preocupação de vocês é com a vida, vocês estão fazendo isso errado. 



Hoje temos duas lindas trilhas sonoras pra protestar pelo Dia Latino-Americano da Legalização do Aborto: “Ventre Livre de Fato”, das Católicas pelo Direito de Decidir, com letra de Luana Hansen e Elisa Gargiulo (vou incluir aqui a foto que ela tirou comigo na última vez que estive em SP. Eu nem sabia que ela era a famosa Elisa!). E “Diga Sim às Nossas Vidas”, do SOS Corpo, grupo feminista de Recife. 
Hoje, daqui a pouquinho, às 14 horas, vou participar deste seminário sobre a legalização do aborto. Será na UFC, campus Benfica, Centro de Humanidades III, Depto. de Ciências Sociais, Auditório Luiz de Gonzaga. Apareça!

341 comentários:

1 – 200 de 341   Recentes›   Mais recentes»
Anônimo disse...

Gostei da diferenciação entre ser contra o aborto pessoalmente e ser contra a legalização. Eu pessoalmente sou contra, não faria, um pouco por questão religiosa, um pouco por moral. O problema é, não tentem impor sua crença aos outros. Ninguém é obrigado a ter a mesma religião e mesmos princípios.
E isso de engravidar acidentalmente é uma realidade. Eu tomo pílula anticoncepcional há anos e tenho relacionamentos sem camisinha com meu noivo. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir num exame de rotina que eu estava ovulando (coisa que a pílula deveria evitar). Ainda bem que não engravidei, mas enfim.
E a diferença que os contra-aborto fazem entre o aborto e a perda do bebê deve ser provavelmente porque imputam esse segundo à vontade de Deus.

Marina disse...

Lola, não sei se um desses links que vc colocou (não entra youtube no meu trabalho), ligados à Elisa, é de um protesto contra o aborto na Praça da Sé em que ela foi, sozinha, se manifestar pela vida das mulheres mortas em situação de aborto. Fiquei absolutamente admirada pela coragem dela (é de arrepiar!), se colocar como única no meio dessas pessoas a tentar fazê-las refletir sobre esse absurdo, e mostrando que nós não vamos nos calar, vamos continuar lutando por isso, pelo nosso direito.

Anônimo disse...

URL

Pôxa, até que enfim a esquerda reconheceu que foi seu governo que se aliou a uma bancada religiosa para fazer merda.

E mais uma coisa é uma casal de pessoas já adultas, vivem trabalham e dividem uma vida ( mesmo que não morem juntas), pois há casais que não vivem em estado de união estávelo, mas compartilham uma vida terem uma gravidez indesejada e outra são dois jovens adolescentes na flor da idade, que vivem as custas dos pais e não fazem mais nada na vida além de estudar e tirar nota baixa na escola arrumar filhos para os pais criar .Nesse caso é uma gravidez indesejada elevada ao cubo... achei essa comparação ruim.

Perdoi, amigue

Anônimo disse...

URL

*Desculpe o termo que vc usou foi "não planejada". Acho que há diferenças entre um casal adulto que teve uma gravidez não penejada e outro adolescente de 15 16 anos que engravidou por acidente

Anônimo disse...

Estudei em colégio particular de renome em São Paulo, porém vivia com pessoas com poder aquisitivo menor fora da escola.

Quando uma garota da escola engravidava, ela contava para o namorado e/ou para os pais, que prontamente conseguiam os 6 mil reais (preço que me informaram a época) para ela fazer o aborto numa clínica, linda, limpa e segura, e ainda ganhava um atestado para levar na escola dizendo que fez um 'procedimento genecológico'para abonar a falta.

As amigas pobres, compravam citotec pirata na praça da sé, usavam agulha de crochê, chá recomendado por algum erveiro, etc.

Preciso dizer quem se dava mal?

Mariana disse...

Nossa... sempre entro aqui, mas nunca comentei nenhum post, apesar de, em geral, concordar com muito do que é escrito aqui.
Devo discordar de vários dos seus argumentos citados no texto. Não é só pq abortos acontecem muito que eles devem ser legalizados, afinal, assassinatos são a coisa mais comum do mundo e mesmo assim não legalizamos!!
Acho tb absurdo dizer que quem é contra o abortó é contra mães solteiras e etc.. só pq alguém é contra o que considera ser um infanticídio, não quer dizer que ela é contra uma vida digna para qualquer pessoa!
Quanto aos abortos espontâneos, sim eles acontecem. É um fato que eles são muito comuns, mas é fato também que na maior parte dos casos de abortos espontâneos há algum problema com o feto e por isso o desenvolvimento se interrompe e ele "não vinga".
Por fim acho extremamente irritante ler que quem é contra o aborto é hipócrita e que todos nos encaixamos em uma forma, que somos extremistas religiosos e odiamos mulheres. Para mim, pessoalmente, aborto é um tipo de assassinato em que a vítima não tem chances de defesa, não tem rosto nem nome e por isso as pessoas acham que tudo bem matá-la!
Sei que provavelmente todos que comentarem aqui serão contrários à minha opinião, mas acho importante que haja uma voz discordante em qualquer discussão!
No mais, parabéns pelo blog, gosto muito de entrar aqui e ler o que vc escreve!!

Carlos disse...

Realmente chega de hipocrisia, eu sou a favor do aborto de fetos que nascerão sem o cérebro e até que venham a nascer com síndrome de down, pois estes indivíduos NUNCA terão autonomia para ser independentes, mais ainda não tem maldade nenhuma com outros seres humanos (por sinal, são muito maldosos).

Numa gravidez, não diria a culpa, mas a responsabilidade é da mulher sim. Homem tem poucas maneiras de evitar de engravidar uma mulher (camisinha, vasectomia), já a mulher tem vários (diu, camisinha, injeção, pílula, romper trompas, etc...)

Se for aprovado o aborto... homens também poderão "abortar" a paternidade, não tendo compromisso financeiro com o filho.

Uma mulher que não tenha filhos, é suspeita de dizer que é a favor do aborto, pois quem garante que ela não sente uma frustração de (não poder) ter um filho e quer que outras mulheres sintam o mesmo?

lola aronovich disse...

Anônimo das 10:43, sabe o que é? É que quando a gente pensa em aborto, a maioria pensa em adolescentes irresponsáveis transando e tendo uma gravidez indesejada. Só que essa imagem do senso comum não combina com as estatísticas. Só 2,5% dos abortos vêm de relações consideradas eventuais (nada fixo). Só entre 7% e 9% dos abortos são realizados por adolescentes. A grande maioria é realizada por mulheres entre 20 e 29 anos. 70% dos abortos são feitos por pessoas em relação estável (casadas, namorando etc). A maior parte é católica, assim como a maior parte da nossa população é católica.
Então sim, lógico que há diferença entre adolescentes de 16 anos sem relação fixa engravidando e entre casais casados e mais maduros. Assim como há diferenças entre adolescentes de 16 anos, não? Ou entre casais maduros. Não são todos os adolescentes que são iguais. Inclusive, há adolescentes de 16 anos que querem ser mães.
Há gravidezes indesejadas mais indesejadas do que as outras, e...? E daí? Quem quisesse deveria ter o direito de interromper essa gravidez. Só isso.


Marina, não acho que todas as pessoas contra a legalização do aborto são conservadores religiosos. Mas a maioria é sim. E isso em todos os lugares do mundo, pelo que eu sei. Boa parte é assim, como sabe qualquer pessoa que já debateu sobre a legalização do aborto.

Anônimo disse...

Mariana, é seu direito não querer abortar.

Agora, não o é querer que eu não aborte por conta de suas convicções.

Anônimo disse...

Lola, rapidamente:

1. É fato que existe vida. Tênue, ou não, existe vida.

2. O feto não faz parte do seu corpo. Ele tem um outro DNA. Qualquer célula que faça parte do SEU CORPO, terá o mesmo DNA que o seu.

3. Não é porque a mortalidade com um tipo de câncer é alta, que vale matar quem for diagnosticado. Logo, a mortalidade alta de fetos até o terceiro trimestre não justifica um possível direito de matá-los

4. Gravidez não planejada acontece. É o risco que se corre. Somos adultos, lidemos com as consequências.

Enfim, também tenho muita vontade de discutir racionalmente sobre o assunto. E trabalhar com estatísticas confiáveis. Mas ninguém chega a lugar nenhum assumindo que o outro lado só pode pensar diferente por ser hipócrita.

ta-chan disse...

Mariana

vamos pensar assim:
Eu não tenho condições de ter filhos e tomo anticoncepcional.Se minha pilula falhar e eu ficar gravida não podendo abortar, você e os outro Pró-Vida vão me ajudar a criar meu filho?

Tenho MUITA curiosidade sobre isso..

Anônimo disse...

"Mas ninguém chega a lugar nenhum assumindo que o outro lado só pode pensar diferente por ser hipócrita".
Obrigada por resumir perfeitamente o meu pensamento.

Kate disse...

O que muitas pessoas não entendem é que se uma mulher quer fazer o aborto, ela VAI fazer. Seja pagando uma pequena fortuna numa clínica ou usando um cabide velho. É pura hipocrisia alegar que a criminalização do aborto vai ajudar a reduzir o número de mulheres que abortam.

Maurício Melo disse...

Olá Lola,
Nem sempre concordo com sua forma de pensar o aborto, mas acho que esse tema deve ser discutido sempre e que, democraticamente devemos decidir sobre como devem ser nossas leis. Mas tão importante quanto termos o direito de fazer nossas regras, é segui-las.
Sendo assim, o argumento de que milhões de abortos feitos clandestinamente no país deve ser, no máximo, um ponto de partida para uma discussão sobre o assunto, nunca uma desculpa para legitimar os abortos.
Se fosse assim, os assassinatos, tráfico de drogas e, principalmente, os desvios de verbas públicas feitos por nossos políticos teriam que ser legitimados também.
Enfim, reafirmo que a discussão deve existir, um plebiscito deveria acontecer e a decisão, sejam ela qual for, deveria ser respeitada.
Força na sua luta e um abraço.

Anônimo disse...

Pra todo mundo que é contra a legalização, tentem me explicar esse mapa sobre a legalização no mundo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Abortion_Laws.svg

Todos esses países que legalizaram, são o que?

1. Assassinos?
2. Odeiam bebês humanos?
3. Como explicar o fato de muitos deles terem índice IDH elevado e boas economias?

Me iluminem.

Priscila Boltão disse...

Mariana, eu entendo que você veja aborto como assassinato, pq é uma vida e tudo o mais, mas veja bem: o aborto é assim chamado se feito dentro de um determinado prazo - mesmo que aconteça espontâneamente. Esse é o prazo em que o feto é um feto, uma possibilidade, não um bebê ainda. Ele não tem sistema nervoso central ainda e não sente, apesar de ser um organismo vivo. E se vamos falar de vida, vamos falar de árvores e bactérias e tudo o mais. Eles também não tem sistema nervoso central. Diferente da carne na mesa de muita gente que fala mal de aborto. Os animais que viram hamburguer tem sistema nervoso central e sentem muito mais a morte do que uma célula pouco desenvolvida.
(desculpa a comparação, eu só digo que se a desculpa for a dor ou a consciência, viremos todos veganos. Devíamos, mas enfim.)
O que quero dizer é que ngm tá proclamando assassinato aos bebês, muito pelo contrário. Muitos desses casos que vemos de mães que matam seus bebês - e corremos condenar, e sim, eu acho errado - são mulheres que não tem condição de arcar com um bebê. Aí vem MUITA gente dizer: se não quer dá pra adoção.
Só que elas não podem. Pq a lei no Brasil não permite que uma mulher possa simplesmente dar o filho pra adoção, dizer "não quero" e pronto. Mesmo que ela corra com todos os trâmites legais, ela AINDA corre risco de ser processada por abandono de incapaz.
Aí vc me diz, quais as opções que restam a mulher, se ela não pode nem abortar - uma vida em nível praticamente celular que não vai sentir nada e pode nem vingar sozinha - nem dar pra adoção, o que resta a mulher? Fechar as pernas, como gostam de dizer. Se abster de ter prazer de medo de uma camisinha que estoura ou um concepcional que não funciona.
Pessoalmente eu não acho que eu faria um aborto. Não teria coragem, eu acho, sabe? Mas o que eu faço com meu útero não é da conta de ninguém e o útero alheio não é da minha conta.
A concepção de que aborto é assassinato é simplesmente o que nos foi ensinado pela sociedade patriarcal e cristã (estado laico my ass) que a gente vive. Eu lembro q qdo eu era criança tb achava errado abortar e condenava as mulheres (eu tinha uns 8 anos quando vi o assunto vir a tona e me posicionei imediatamente contra). Pq isso vem da idéia de que a partir da concepção, é uma vida humana que não pode ser tirada. E sério, eu até concordo, mas é mais uma possiblidade doq qualquer coisa. Não é uma questão de "não se pode tirar uma vida humana apesar de essa vida não ter função cerebral que determina a consciência humana". É uma questão de não ter opção.
Pq quem faz aborto não vai feliz. Ngm escolhe isso como método contraceptivo retardado (como a pílula do dia seguinte - tb pode ser uma forma de aborto como a lola apontou). Quem faz - ainda mais correndo o risco que se corre fazendo ilegalmente - está desesperada, está disposta a cometer um "crime" (pela legislação) e correr risco de vida. Ninguém faz aborto levianamente. Quem faz é porque realmente, não tem outra opção. Ou corre o risco com um aborto clandestino, ou abandona o bebÊ - e além da culpa tem que lidar com o medo de ser processada E ter que pegar o bebê de volta, ou cria um filho que preferia correr o risco de morrer a ter - e tb, aposto que rola uma culpa de pensar assim.
Enfim, desculpa qualquer coisa. Mas eu tenho impressão que quando as pessoas são contra acham que quem é a favor faria aborto como quem toma anticoncepcional, o que totalmente não é o caso.

Anônimo disse...

Gente uma coisa muito interessante é tentar botar seus argumentos em outros contextos e ver como as vezes eles são absurdos.
A infância é uma invensão social. Se você pensa que é errado se relacionar sexualmente com crianças, não se relacione, mas deixe quem quer e não vê nada de errado disso fora dos seus conceitos limitados.

Pense, matar é errado. Mas pq? Pq nós decidimos que sim. Mas e se alguém pensar diferente e sair por ai matando? Só pq a sociedade pensa que matar é errado ele deve ser punido?

Tudo na nossa sociedade que é punido, o é pois combinamos socialmente. A moral e o pensamento comum de uma sociedade combina o que é crime e o que não é. Transgredir um crime com esses argumentos que servem pra qualquer crime, isso sim é hipocrita.

Priscila Boltão disse...

Em tempo: George Carlin, provando sempre que stand up não tem que ser babaca e que piada pode ser usada como protesto e não como humilhação.

transfeminismo.com disse...

Gostei do texto Lola, principalmente porque logo no começo vc não fala em 'mulheres' mas sim em 'gestantes'. Não acho que foi de propósito mas ao menos foi menos cissexista.

Mas tipo vc escorregou aqui: "Esta é uma vantagem que os casais gays têm sobre os casais hétero, e ninguém fala nisso, né? Casais gays não ficam grávidos acidentalmente."

Homossexualidade não requer simetria genital, como a maioria pensa.
Ou seja, se eu me relacionar sexualmente com uma mulher cis há possibilidade de concepção, não? (caso seja sem camisinha e etc.) E continuará sendo um relacionamento lésbico.

Vou postar isso como comentário lá tb

Anônimo disse...

"1. É fato que existe vida. Tênue, ou não, existe vida."


E o que é considerado vida? Atividade elétrica, alma etc?

André disse...

Para quem acredita que a vida começa na concepção, a diferença entre um aborto natural e um provocado é a mesma que existe entre morte por assassinato e por infarte.
Aparentemente, o assunto não anda porque o brasileiro é conservador, é contra o aborto, e os políticos não estão muito dispostos pagar o preço político por assumir essa bandeira (vide a Dilma em 2010). Simplesmente qualificar de hipocrisia a opinião dessa maioria (que pode muito bem ser a favor da vida após o nascimento também) não me parece ser a melhor forma de dialogar.

Anônimo disse...

Assuntos correlatos que não foram abordados são o planejamento familiar e a educação sexual. Em vez de discuti-los e implementá-los, a sociedade, especialmente a ala religiosa, prefere fingir que as pessoas não fazem sexo e passar a conta dos efeitos colaterais para a mulher.

Lola, como você é nossa antenada "escriba", rs, sugiro os seguintes temas para você escrever quando te der na telha:

- educação sexual
- planejamento familiar
- adoção por homossexuais

Obrigada. Um grande abraço.

Ângela

Mordred Paganini disse...

1. É fato que existe vida. Tênue, ou não, existe vida.

vida, com certeza há. Uma colônia de fungos ou bactérias também é uma vida. Assim como trocentos animais que matamos sem dó. Alguém aqui deixa de usar inseticida, por acaso? O que é inadmissível é falar em vida humana nem córtex cerebral. E bem, somos especistas, malzaê!

2. O feto não faz parte do seu corpo. Ele tem um outro DNA. Qualquer célula que faça parte do SEU CORPO, terá o mesmo DNA que o seu.

Sim cara, assim como todos os microrganismos que habitam meu corpo e mesmo possíveis vermes...Cada um deles possui DNA completamente diferente do meu e no entanto precisam se alimentar do meu corpinho para continuar vivendo ou arrumar outro. E não é por isso que eu vou deixar de tomar antibióticos e albendazol. MalzaÊ, mais uma vez.

3. Não é porque a mortalidade com um tipo de câncer é alta, que vale matar quem for diagnosticado. Logo, a mortalidade alta de fetos até o terceiro trimestre não justifica um possível direito de matá-los.

Esta afirmação só faz sentido a partir da crença de que há vida humana até o terceiro trimestre. Não há, a menos que você acredite em uma alma imortal que habite o corpo desde a concepção. Bem, ninguém precisa se importar com o que você acredita. Malzaê X 10³³³³³

4. Gravidez não planejada acontece. É o risco que se corre. Somos adultos, lidemos com as consequências.

Exatamente. Somos adultAs, lidemos com as consequências como acharmos melhor. A Igreja não tem nada a ver com as decisões de uma mulher independente e adulta.

Enfim, também tenho muita vontade de discutir racionalmente sobre o assunto. E trabalhar com estatísticas confiáveis. Mas ninguém chega a lugar nenhum assumindo que o outro lado só pode pensar diferente por ser hipócrita.

só pra finalizar, se eu quisesse o governo ou a igreja no meu útero, foderia um padre ou um senador.

Marina disse...

E essa coisa de "se for casal de adolescentes, se foi acidental, se não se cuidou pq foi irresponsável..." ?! Pra mim nenhuma dessas condições faz a menor diferença. A única coisa que me importa é que NENHUMA mulher deve ser obrigada a levar adiante uma gestação que nao deseja. Ouvi uma expressão interessante num seminário feminista essa semana , que o feto pode se tornar um "feto tumoral", no caso de não desejado. Isso pode ser absolutamente patológico pra saúde mental de uma pessoa, enlouquecedor mesmo. Quem fica nessa postura impositiva de achar que mulher nenhuma tem esse direito, devido a próprias ideologias (que deveriam então ser aplicadas a toda a população), é pq provavelmente lidaria bem com uma situação de uma gravidez inesperada, talvez sejam mulheres que cultivam o sonho de ser mãe desde crianças e tal... ótimo PRA VC!
MUITAS mulheres podem não aceitar nunca esse filho, lidar de forma desastrosa com a maternidade, tanto pra ela quanto pra criança. Maternidade é uma função que não pode ser imposta a ninguém, isso é simplesmente cruel. E dizer que o feto é um ser separado da mãe,não, não é, ele é absolutamente dependente e sem o corpo dela, nao é nada. Ainda está um pouquinho longe de ser um ser humano. É, tipo um parasita mesmo.
E comparar legalização do aborto até 12 semanas a legalização de assassinato é preguiça de pensar...

Fabiola disse...

@maurício melo
"Se fosse assim, os assassinatos, tráfico de drogas e, principalmente, os desvios de verbas públicas feitos por nossos políticos teriam que ser legitimados também."

Nossa cara calma, esse seu argumento serve para a descriminalização do aborto por um motivo: Vc está considerando assassinatos de pessoas que existem para o estado, pessoas reais, que trabalham, que JÁ NASCERAM, que tem relações sociais, que possuem família, uma vida!

Não podemos supor que um monte de célula com até 12 semanas é uma vida, pq não é. Nem o feto é uma vida considerada com tanta importância. Pode ver que o médico sempre vai considerar a vida da mãe, um ser formado que tem família e uma relação social, do que a vida de um feto, caso tenha de escolher entre um e outro.

Mulheres, cidadãs, pessoas reais, estão morrendo por causa da criminalização do aborto, então temos de considerá-las mais importantes do que um possível futuro cidadão. Temos de pensar no presente, real, e não em um futuro que possa haver.

nina disse...

Pra você, Lola

http://comoumafeministasesentequando.tumblr.com/post/32379434581/le-um-post-no-blog-da-lola-que-resumia-tudo-aquilo-que

Anônimo disse...

Seguinte,nós defensoras das mulheres, vamos conseguir primeiro um parto digno e gratuito, depois a gente conversa sobre o estado prover um aborto digno.

Grão da Noite disse...

Eu nasci de uma gravidez não planejada e indesejada. Quando minha mãe descobriu que estava grávida de mim, em 1976, ela tomou duas vezes um remédio cujo efeito colateral era o abortamento. Ela estava com 32 anos e disse que, na época, já estava se achando velha pra ser mãe de novo. Ela tinha medo de que a gestação fosse de risco. Mas, ou ela não tomou o remédio direito nas duas vezes, ou eu contei na época com a proteção divina "twice" e acabei "vingando". Meu nascimento foi um parto muito difícil pra minha mãe (ela quase morreu). Vai ver foi por isso que ela sentiu vontade de abortar e fez duas tentativas (pressentimento, talvez). Interessante é que eu nem tive eritroblastose fetal (minha mãe é Rh- e tinha tido meu irmão, que é Rh+). Terá sito a 3ª proteção divina? Pois é. Quando o sistema nervoso está formado, e já disse isso noutros posts/guestposts sobre aborto, tenho dificuldade pra aceitar o aborto como algo indiferente. Um feto não é um pedaço do corpo da mulher. Eliminar um feto com o sistema nervoso formado não é a mesma coisa que cortar o cabelo ou as unhas. Toda legislação tem que eleger um marco inicial para a vida. A legislação brasileira, na minha opinião, fez essa eleição de forma indireta ao dizer que a morte é a cessação da atividade cerebral. A meu ver não havia aborto quando se interrompia a gestação de um anencéfalo exatamente por ser impossível se cogitar de atividade cerebral nesses casos.

Anônimo disse...

Achei meio sem noção colocar todo mundo no mesmo bolo. Ser contra a pena de morte não me torna necessariamente a favor do aborto :P
Cuidado com essas generalizações, Lola!

Andressa disse...

Na minha opinião é hipócrita sim ser contra a descriminalização do aborto.

Deixa eu escrever com bastante clareza: o fato do aborto ser proibido NÃO VAI impedir as pessoas de abortarem. As pessoas vão continuar abortando, só que vão morrer mais por isso. É isso aí: não só a mãe, mas o feto também. Quando o aborto dá errado, vcs acham que a mulher morre e o aborto vive? ooops. NÃO. Então, independente da sua opinião individual sobre o tema, ele vai continuar existindo.

Pra mim, tem algo de sádico em ser a favor da criminalização do aborto. É aquela velha história: transou sua safada, não se cuidou direito sua safada, agora arque com as consequências desse amontoado de células que está crescendo em ti, e boa sorte porque eu não vou fazer nada pra te ajudar a criar essa criança.

Eu gosto de dizer: é contra o aborto? não aborte. Deixa os outros se acertarem com as crenças ( ou falta de crenças) deles.

Aninha disse...

Mariana, você disse aquilo que eu queria dizer. Obrigada!

Ta-chan:

Eu tenho um grave problema de coração. Eu tenho 60% de chance de morrer em um parto. Eu tomo pílula e uso camisinha. Se as duas coisas falharem e eu engravidar, provavelmente eu e a criança morreremos. Faço votos que não falhem até eu conseguir operar.

A questão é: com todos esses riscos, eu transo normalmente. Eu assumo o risco. Todos nós assumimos.

Quando uma camisinha fura, além do risco de engravidar, há o risco de doenças. Aids é pior que um filho.

Se você não ter condições de criar seu filho, entregue-o ao Estado.

Se você tem um filho de dois anos, e não consegue sustentá-lo, você pensa em matá-lo?

Lola, fico triste de você generalizar as pessoas que defendem a criminalizaçao do aborto como retrógradas e cegas religiosas. Sou atea e conheço muitas pessoas como eu que não concordam com o aborto.

A vida que gera é tão importante quanto a vida que está sendo gerada.

Anônimo disse...

Eu não vou comentar direito porque não quero me estressar apresentando meus argumentos como feminista anti-aborto, já que serão soterrados por mil tower defenders que vão me xingar de tudo quando não conseguirem manter a argumentação (inclusive me chamando de assassina de deficientes [??], carola, filhinha de papai, imbecil, etc). Já aconteceu antes, e me estressei muito. Melhor deixar pra lá. Não faz bem pra minha saúde comentar aqui neste blog, apesar de lê-lo sempre.

Agora não posso deixar de apontar algo que é realmente surreal, Lola: comparar abortos espontâneos com induzidos. É como disse o André: é o mesmo que comparar uma morte natural e/ou acidental com um assassinato. Há intenção de dano. Mesmo que sim, 25% das gravidezes não vinguem, foi simplesmente isso que aconteceu: não vingaram. Ninguém foi lá e as terminou. Simplesmente não eram pra seguir, e a vida continua.

Dizer que "abortos acontecem tanto, gente, que diferença faz se são induzidos ou espontâneos?" é uma comparação grosseira que só leva e conta os fins, e não os meios. E não é válida para a discussão, me desculpe.

Anônimo disse...

"Gravidez não planejada acontece. É o risco que se corre. Somos adultos, lidemos com as consequências"


Eu concordo totalmente com isso. Mesmo assim, não é possível ainda exigir isso de uma ideologia que joga a culpa toda da mulher. Antes é preciso um trabalho intensivo para mudar a forma como as mulheres são vistas de forma a fazer com que todos entendam de que os homens são igualmente responsáveis pela gravidez. Os homens tem de aprender a ficar "grávidos".

De forma similar, acho que a Educação Sexual tinha de começar muito cedo. Cedo mesmo, com 5 anos ou por aí. Criança é criança, mas não é idiota. Eu comecei a me masturbar com 6 anos, e descobri não faz muito tempo que não era de jeito nenhum a única. A diferença é que eu não sabia o que estava fazendo, e tem muita gente que chega à adolescência e a idade adulta sem ter nem ideia do que está fazendo. Tem de saber, porque aí você aprende a se relacionar consigo mesmo de maneira muito mais íntima, sem tabus nem vergonhas, desenvolvendo a sexualidade de forma sadia. E você tem maior consciência daquilo que você quer do sexo. Dito isso, todo esse stress em relação aos temas de sexualidade diminui e aumenta a noção de responsabilidade sobre os atos. O que, imagino, levará a uma queda monumental não apenas nas gravidezes indesejadas, mas das DSTs, das humilhações de gênero, da homo e transfobia, além de uma verdadeira aceitação desses temas na sociedade.

Antes eu era a favor da legalização do aborto. Agora não acho que o aborto seja bom simplesmente porque ele é um paliativo. Não negarei que o sofrimento é imediato e que 200 mil é uma cifra cavalar, mas acho que a legalização é vista como uma solução mágica, quando na verdade o buraco é muito mais embaixo e quase nenhuma atenção é dada para as origens do mal. Tenho medo de que o problema verdadeiro seja esquecido depois que a legalização acontecer.

E nem mesmo aqui, que tem ótimos artigos falando de questões de gênero e sexualidade, vi algum com uma abordagem realmente direta a respeito da questão da educação sexual no Brasil e no mundo (me avisem se estiver enganada), enquanto há vários sobre o aborto, pura e simplemsnte...

Anônimo disse...

Duzentas mil mortes por ano ?, eu gostaria das fontes destas duzentas mil mortes, com dados concretos, não suposições !

E porque as mulheres preferem arriscar a vida a serem mães ?
camisinha ,diu ,pilula manda um abraço...

Anônimo disse...

Comecemos pelo óbvio: INEXISTE UMA BASE DE DADOS QUE PERMITA DIZER QUANTAS MULHERES MORREM EM DECORRÊNCIA DE ABORTOS DE RISCO. Logo, de onde tiram os números? Mas isso, se querem saber, é o de menos. O maior escândalo vem agora.
Em 2010, o Censo, do IBGE, passou a investigar a ocorrência de óbitos de pessoas que haviam residido como moradoras do domicílio pesquisado. ATENÇÃO! Entre agosto de 2009 e julho de 2010, foram contabilizadas 1.034.418 mortes, sendo 591.252 homens (57,2%) e 443.166 mulheres (42,8%). Houve, pois, 133,4 mortes de homens para cada grupo de 100 óbitos de mulheres.
á começou a faltar mulher. Ora,porque o censo diz que elas são maioria entre a população adulta, o que morre em massa no brasil e homem, para que pudessem morrer 200 mil mulheres vítimas de abortos de risco, é forçoso reconhecer, então, que essas mortes teriam se dado na chamada idade reprodutiva — entre 15 e 49 anos. É mesmo? Ocorre que, segundo o IBGE, 43,9% dos óbitos são de idosos, e 3,4% de crianças com menos de um ano. Então vejam que fabuloso:
Total de mortes de mulheres – 443.166
Idosas mortas – 194.549
Meninas mortas com menos de um ano – 15.067
Sobra – 233.550
Dessas, segundo os delirantes, 200 mil teriam morrido em decorrência do aborto — e necessariamente na faixa dos 15 aos 49 anos!!!

Anônimo disse...

Eu não faria um aborto, mas queria perguntar aos pró-vida, e como fica a vida dessas crianças indesejadas depois de nascerem? é simples assim: obrigar a mulher a parir e pronto, e se a mãe abandona-la? E se essa for um fardo na vida dessa mãe e for negligenciada? O valor da vida dessa criança para vocês é até a criança nascer? Depois a criança que se ferre, afinal já fizeram algo por ela, proibiram a mãe de aborta-la? O que quem quer obrigar a mulher a ter um filho indesejado, faz para ajudar essa criança a ter uma vida digna? Muito fácil né , nasceu agora não é comigo, a criança que se exploda.

Anônimo disse...

Só um ponto, que eu vi algumas pessoas falando aqui: não quer o filho, entregue-o ao Estado.

Mas, peralá! Que eu saiba, no Brasil as coisas não são tão simples assim não.

Alguém com conhecimento de causa pra dar maiores explicações??

Anônimo disse...

O aborto e efeito de um problema maior, porem ao invès de atacarem a causa raiz deste problema, atacam o efeito !

Educação sexual e a solução, prevenir e o melhor remedio !

nina disse...

Intenção de causar dano, pecado, assassinato e eu só leio 'blá blá blá'.

Não há consenso sobre quando começa a vida, nem religioso, nem científico nem droga nenhuma. Se não há consenso, a minha escolha é tão arbitrária quanto a de qualquer outro. E vale tanto quanto qualquer outra. Deal with it e não venha dizer o que eu posso ou devo fazer.

"Eu gosto de dizer: é contra o aborto? não aborte. Deixa os outros se acertarem com as crenças ( ou falta de crenças) deles." [2]

Mihaelo disse...

Toda mulher tem o direito de ser contra o aborto e não fazè-lo! Mas não tem o direito de impor essa sua vontade àquelas que desejem praticá-lo.É simples isto.Direito á liberdade de escolha, se quem é contra tem o direito de não fazer, porque as que o desejam têm de ser proibidas de fazè-lo?
Pelo menos agora as brasileiras e argentinas de classe média têm uma opção menos cara e sem o risco de serem processadas e presas. Basta irem ao Uruguai e pagarem a um médico particular de lá. É mais próximo que ir à Cuba e talvez será mais barato.

Priscila Boltão disse...

Aninha, vou repetir oq eu disse: dar filho para a adoção não é nem um pouco fácil nesse país. É um processo lento, complicado e que muitas vezes acaba empurrando a criança de volta para a mãe que não a quer.
A quem disse lá em cima "somos adultos, lidemos com as consequências", lidemos quem? Quem tem que acabar lidando é a mulher e o bebê que não fez nada, e mesmo quando se tem um companheiro ao seu lado, ele não pode dividir o peso da gravidez com a mulher.
De resto, aos comentários de Mordred Paganini, Marina, Fabiola e Andressa: clap, clap, clap, clap, clap.
Vocês resumiram tudo que eu penso e não tenho o que acrescentar.

Jera disse...

Mas por que a formação do sistema nervoso é um marco aceito para o abroto? Por que não é a possibilidade de independência do corpo da mãe (por volta da 24ª semana)? Porque apesar de ter cérebro, o feto não vive sem pulmões formados tampouco?

Ou será que é a capacidade de senciência e raciocínio. Ora, não se sabe o ponto em que o raciocínio começa a se desenvolver num feto, já que as partes são formadas aos poucos. Aliás, não se sabe se chegará a esse ponto, já que algo pode ir mal na gravidez, ou ter um problema genético, que impeça o desenvolvimento do encéfalo em condições de apresentar inteligência como a conhecemos. Um bebê que nasça com cérebro, mas com esse tipo de deficiência cerebral gravíssima, é considerado humano? Por quê? Só porque nasceu?

Alguns dizem que a questão é a capacidade de sentir dor. Que sem um cérebro, não há sensação de dor e que, por isso, não tem grandes problemas. Mas um estudo (me desculpe, não lembro a fonte) disse que os bebês ficam anestesiados dentro da barriga até quase a hora do nascimento. Se isso for confirmado, mesmo que o cérebro esteja programado para identificar a dor, eles não sentirão nada. Assim, um aborto poderia ser realizado até o último mês de gravidez, se há técnicas para fazê-lo com um feto tão grande dentro da barriga (ao sair, a criança já sabe o que é dor).

A gravidez começa na concepção? Bem, enquanto o zigoto não se implanta na parede uterina não há como haver desenvolvimento, e isso é o que mais acontece; por isso os médicos consideram que a gestação começa com a implantação do zigoto no útero.

Um feto que ainda não desenvolveu o cérebro não é humano? Depende. Muitas pessoas tem deficiências cerebrais graves e são consideradas humanas. Fetos são formados de necessariamente DNA humano, o que os torna, sob todos os cânones das ciências biológicas, humano. Isso não é um argumento válido? Porque é mais verdade que dizer que uma pessoa não é humana porque não tem capacidade de raciocinar e não defender a eutanásia de deficientes mentais graves.

Um feto antes de formar o cérebro é como uma pessoa em estado vegetativo? Bem uma pessoa em estado vegetativo nasceu e viveu fora do útero. Uma vez fora, não há mais possibilidade de formar-se nada, é o fim da picada. Um feto tem uma probabilidade muito alta de desenvolver um cérebro normal (comparativamente, anomalias cerebrais são raras). Arrancar uma planta pela raiz antes que cresça é o mesmo que cortar uma árvore morta?

Falei tudo isso apenas para ilustrar o quão arbitrário é discutir onde começa a a vida. Qualquer ponto que se argumente, por mais apoio que tenha, é completamente baseado em algum tipo de teoria ou preconceito, e não na Ciência - a ciência é um instrumento, não uma entidade. Então não é válido reclamar das pessoas que são contra a legalização do aborto porque argumentam (e também tem argumentos, e não são místicos muitas vezes) que a vida começa na concepção - elas estão certas também, igual a quem acha que a vida começa com a formação do cérebro! O que muda é o ponto de vista.

Como sempre disse meu velho professor: "Tudo pode ser provado, basta escolher bem o autor de referência"

Anônimo disse...

Lola concordo totalmente com o que vc escreveu!Parabens pelo post! A maioria das mulheres a minha volta fez aborto. Eu não fiz, tenho dois filhos, mas sou radicalmente a favor que cada mulher decida e cada um que pese suas questões religiosas, sem impor nada a ninguem!

aiaiai disse...

anonimo das 11:32,

as leis existem porque temos um consenso em relação a elas (ou os poderosos têm um consenso em relação a elas).

Por exemplo, a escravidão existia porque aqueles que mandavam no mundo daquela época, consideravam legítimo escravizar pessoas.

Ainda é consenso na nossa sociedade, acho, que matar e fazer sexo com crianças, é abominável. Então, não achamos que essas leis devem mudar.

Mas, existe hoje um grande grupo de pessoas em todos os países que considera legítimo que a mulher decida sobre a gravidez, escolhendo abortar ou não de acordo com suas convicções e circunstâncias. Então, há possibilidade de mudar essa legislação. Como fizemos quando começamos a considerar a escravidão abominável. Mudamos a lei.

Sacou?

Aborto não é assassinato, na minha visão e na de muita gente. Aborto é um direito da mulher. Pois aquele feto só vai viver se a mulher fizer a sua gestação. Simples assim.

E mais, aborto não foi sempre proibido. Antes do século XVIII era uma prática normal... A coisa começou a mudar quando os poderosos se deram conta de que estavam perdendo braços para o trabalho ...

Leia sobre http://www.ibamendes.com/2011/02/breve-historico-do-aborto.html

e depois volte a pensar no assunto.

Espero ter contribuido.

Parabéns Lola pelo magnífico trabalho que vc faz e pela paciência!

Anônimo disse...

Os rodeios são uma importante manifestação cultural no Brasil, e muitas pessoas dependem dos trabalhos gerados por essa atividade para viver e sustentar a família. O sedem,a espora pontuda, o confinamento, os choques elétricos, a prova do laço, a vaquejada são tradições importantes do nosso povo, mas esses ecochatos ficam querendo se meter na nossa vida e controlar nossa maneira de viver por causa de seres que nem são humanos. Eles são as mesmas pessoas que se preocupam tanto com esses animaizinhos, mas não dão a mínima para seres humanos. Todos iguais, esquerdistas ditadores que querem que eu divida a minha casa com um mendigo e se dizem vegetarianos, mas comem carne de criança, como todo comunista faz. É simples, é contra rodeio? Não vá a um!

ViniciusMendes disse...

Meus dois centavos sobre o assunto :P

1. A questão é: Para os anti-aborto, os problemas acabam assim que a criança nasce, mas para a família e para a criança (principalmente para a criança), os problemas começam assim que ela nasce.

2. Legalizar o aborto é também uma forma de haver algum controle sobre os abortos que ocorrem, a justiça legalizando ou não. É uma forma de garantir que a mãe não morra no processo, que ela tenha acesso a médic@s em caso de complicações e a psicólog@s para lidar com esse acontecimento. Além de ser mais uma forma de garantir que a escolha do aborto foi feita pela mulher grávida, e não pelo seu marido/pai/namorado/mãe.

3. Via de regra, as mesmas pessoas contra o aborto são contra a educação sexual e o planejamento familiar, o que é ridículo, ainda mais com uma população de mais de 7 bilhões... Qualquer outra espécie que atingisse essa população e consumisse o tanto de recursos naturais que nós consumimos seria considerado uma praga e seria exterminada. Eu não sou a favor de exterminar humanos, mas vamos ter que encarar a possibilidade de controlar de verdade o quanto nos reproduzimos e quanta gente colocamos no mundo, se não por bem hoje em dia, forçadamente em algumas décadas.

E por fim, eu não gosto do aborto... Não gosto da ideia de aborto, jamais recomendaria pra alguém e possivelmente perderia muito do respeito por alguém se eu soubesse que fez... Mas o corpo não é meu, o útero não é meu, a condição socio-econômica não é minha, a maturidade emocional e psicológica não é minha... Como eu posso decidir por outra pessoa o que fazer da vida se não sou eu quem vai lidar com as consequências?

Marli disse...

Os países que proibiram o rodeio deveriam ser mais inteligentes, permitindo essa atividade como o brasil, porque todos sabemos que a posição política a respeito de uma questão controversa é a melhor forma de se medir a capacidade intelectual de alguém. Os que concordam conosco são inteligentes e os que discordam são burros, além de serem todos iguais.Não é elitismo intelectual e nem preconceito. O mundo é assim, a real é assim

Roxy Carmichael disse...

para as pessoas que acham que o aborto é uma prática condenável que a exemplo da pedofilia e do assassinato de pessoas (reconhecidas pelo estado como pessoas),não deve ser legalizado ainda que seja uma prática comum, eu pergunto:
vocês são a favor de aborto em caso de estupro?
em caso afirmativo, sob que argumento?
então pensemos assim: qual é a pena para quem comete estupro e para quem comete homicídio? vocês estão de acordo que para o estado, cometer um homicídio é muitíssimo mais grave já que atenta contra a vida da pessoa enquanto o estupro atenta contra a dignidade? sob esse aspecto, o assassinato deve ser punido com maior rigor, e caso você acredite que aborto é assassinato, então ele não deveria ser permitido nem em caso de estupro?
tem diferença entre aborto (ou assassinato de acordo com a lógica de alguns) em caso de gravidez fruto de relação sexual consentida e em caso de estupro para o FETO que é abortado, aquele que tem DNA diferente do da mulher é uma vida e não merece morrer?
por que não se trata disso?de respeitar os direitos do feto?
a mulher adulta que faz sexo consentido deve ser responsável pelo risco que representa fazer sexo que pode resultar em gravidez?a mulher adulta também não deve assumir o risco de viver numa sociedade extremamente perigosa para as mulheres em que existe uma cultura do estupro?

Anônimo disse...

oooO
(....).... Oooo....
.\..(.....(.....)...
..\_)..... )../....
.......... (_/.....não li!!!
oooO
(....).... Oooo....
.\..(.....(.....)...
..\_)..... )../....
.......... (_/.....
oooO
(....)....Oooo....
.\..(.....(.....)...
..\_)..... )../....
...........(_/.....
oooO........
(....).... Oooo....nenm lerei !!!
.\..(.....(.....)..
..\_)..... )../...
.......... (_/.....

Claudia disse...

Estou impressionada como ate o Uruguai esta mais adiantado e civilizado do que nos. Juro que fiquei deprimida com a noticia. Quando nossos politicos vao comecar a discutir o aborto? Precisamos da legalizacao pra ontem! Conversando com o meu ginecologista outro dia, perguntei sobre o indice de gravidezes na adolescencia, que para mim tinha diminuido aqui em BH. Ele respondeu que o que aumentou foi o indice de abortos! Meu proprio medico e varios outros que conheco fazem aborto sem problema nenhum na clinica deles. Alguem vai denunciar? Claro que nao, vai que a filha de alguem precisa? O problema com o aborto no Brasil eh que quem nao tem condicoes financeiras paga as vezes com a propria vida, correndo risco em clinicas clandestinas e tomando medicamentos duvidosos. Temos que nos organizar para pedir a legalizacao do aborto ja.

Anônimo disse...

Minha prima tem 20 anos e já fez dois abortos, ela troca sempre de parceiros, meu namorado disse que um amigo dele saiu com ela, e tava todo preocupado, pois fizeram sexo no carro sem camisinha, eu não acho certo não !

Anônimo disse...

Psiu, você que já e mãe, e e a favor do aborto, pergunte para seus filhos o que eles acham disto ? se você tivesse decidido que não queria te-los, seria um direito exclusivamente seu ? eles estão ai do seu lado !

Roxy Carmichael disse...

pra mim dizer que existem métodos concepcionais e se uma mulher é irresponsável a ponto de não usá-los ou administrá-los mal e que se ela fica grávida esse é o risco que se corre e deve ser assumido é o mesmo que dizer que a mulher estuprada é culpada por estar bêbada ou por usar roupa curta porque nessas duas situações, ignora-se que pra existir uma mulher estuprada e para existir uma mulher grávida é preciso um pequeno detalhe chamado "homem". esse mesmo detalhe chamado "homem" acha bastante conveniente ser contra o aborto porque para ele, a mulher é a ÚNICA responsável por ficar grávida. se ela ficou grávida a culpa é só dela, ainda que para a concepção seja necessário o semen dele. esse mesmo raciocínio, o detalhe chamado homem utiliza pra dizer pra garota que está gravida: "vc fez de proposito!você é uma puta que dá pra todo mundo! como vou saber se esse filho é meu? não tenho nada a ver com isso" por que na hora de fazer sexo o homem coloca toda a responsabilidade de evitar a gravidez na mulher mas na hora do aborto, ela deve pensar em todo mundo, nele, nos valores da sociedade como um todo, na igreja?sabemos que todos os homens reclamam de usar preservativo. pra eles, é mais importante fazer sexo sem camisinha do que se prevenir da forma mais adequada possível contra doenças e gravidez. mas, na hora que a mulher fica gravida e recorre ao aborto, aí ela não é a única responsável?como é que é isso? e ainda tem mulher que faz corinho pra esse absurdo?
as mocinhas aqui vao dizer: ei!não faço corinho pra esse absurdo não!acontece que se a senhorita vive no mesmo mundo que eu e sabe muito bem que as coisas vão funcionando assim perfeitamente bem pra turma do bolinha, enquanto pra turma da luluzinha o resultado dessa equação é a morte de muitas mulheres, então me desculpa, mas vc faz corinho pra isso sim.
abracinho

Roxy Carmichael disse...

coerência:
1.o aborto deve ser proibido em todos os casos, afinal um feto não vai achar ok ser abortado porque a mãe dele foi estuprada e não sentiu prazer na concepção,
2.os papais não precisam assumir seus filhinhos já que as mulheres são as que devem assumir o risco de uma gravidez.
quando os pró-vida tomarem essa posição coerente, eu posso pensar em discutir.

Anônimo disse...

acho legal o q a jera falou sobre a arbitrariedade...acho tb engraçado: se um filho nasce, é protegido pq? pq nasceu? respirar faz alguma diferença se ele nasceu com uma deficiencia grave? se a pessoa levou até o fim pq quis e depois sei lá, o namorado deu o fora, ela n pode matar a criança pq? pq não é mais o "corpo" dela? mesmo que seja outra criatura, mesmo que dependente dela, desde o início?

o embriap nao é parte da mae, é só sustentado por ela.

(e eu nao defendo o infanticidio nem o assassinato, e sou contra a legalizaçao do aborto, NAO contra a descriminalizaçao. eu só quero saber por que seria diferente. é pq você agora pode ver o que você tá fazendo?)

Mirella disse...

Sei lá.

Minha opinião: filho não é uma consequência, gente. Não é juros de cartão de crédito que estourei e agora é uma dívida para eu arcar. Não é um X-bacon que eu comi que pode alterar minha pressão. Filho não é castigo, sabe. Gravidez não é punição.
Olha a carga negativa que se gera em torno da sexualidade da mulher: ahh quis dar agora se fode aí com um filho. Jura que é assim que vocês encaram a melhor maneira de gerar uma vida?
Aí beleza, a mulher não abortou. Nasceu o rebento. Pronto, agora você pode encostar sua cabeça tranquila no travesseiro que você fez do mundo um lugar melhor.
Mesmo que aquela criança cresça num orfanato. Ou na rua. Mesmo que ela provavelmente cresça sem família (a Angelina e Brad não vão poder adotar todo mundo), a menos que ela seja branquinha-de-olho-claro. Ou que a família a DEVOLVA, sabe. Você consegue continuar dormindo tranquilamente sabendo que foi a sua negativa que proporcionou esta beleza de vida ou aí já não é problema seu? Creio que venha daí a hipocrisia. Quem é contra a escolha do aborto simplesmente assume que a mulher não é capaz de saber o que é melhor para si, para seu corpo e sua vida, então decide por ela, obriga que se continue a gravidez e depois lava as mãos. Clap clap clap, tá de parabéns.
E como já disseram: aborto criminalizado afeta sabe quem? Vou te contar: não é tanto quem comenta aqui, mas sim a moça que limpa a sua casa ou escritório, a caixa do supermercado, a balconista da loja, a empacotadeira, a gari, a frentista. Pessoas que estão bem mais à margem da informação do que qualquer comentarista daqui.


Quando uma pessoa morre, há certidão de óbito. Há o reconhecimento civil do início da vida (certidão de nascimento) e do final. Num aborto espontâneo, para citar um exemplo legal, não há nada. Não há registro da existência daquela "vida". Por que? Por que é POTENCIAL de vida. Não é a mesma coisa que uma pessoa. Não é assassinato. Ou aborto espontâneo é homicídio culposo?
Me poupem.

André disse...

Priscila Boltão,
Acho que esse argumento não é válido não pela dificuldade legal da doação em si, já que isso poderia ser resolvido. Mas porque, entre 12 semanas e o parto, tem todo um custo fisiológico para a gestante. Além de um crescente envolvimento psicológico, para o bem e para o mal. A menos que fosse possível entregar o feto para adoção.

Ana disse...

Gente,

o dado das 200mil mortes está realmente estranho - até o Ministro da Saúde já se pronunciou:

"O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, contestou informações divulgadas pela Organização das Nações Unidas segundo as quais 200 mil mulheres morrem anualmente no Brasil por causa de abortos de risco. Ele acredita que pode ter havido confusão com outro dado, já que cerca de 200 mil mulheres se submetem a curetagens por ano no Brasil, procedimento muito utilizado após o processo abortivo."

(http://oglobo.globo.com/pais/ministro-da-saude-contesta-dados-da-onu-sobre-abortos-no-brasil-4019839).

Pelo jeito o Estadão pisou na bola.

O 12:44 teve a capacidade de copiar o texto do Reinaldo Azevedo (sim, da Óia) que obviamente subiu nas tamancas com essa história - sobrou até pra ONU (tipo, quem eles pensam que são pra dizer que morte por aborto é coisa ruim?). E claro, por cima disso tudo o Azevedo ainda jogou calda de morango e uma cerejinha, dizendo que os pró-aborto mentem a toroto e direito (porque errar dados só acontece com a gente - quando é o outro, é claro que é mentira descarada).

Não aconselho que leiam os comentários do site da Óia, porque o negócio está um caos. Gente dizendo que "essas feministas deviam mesmo é se preocupar com as pessoas morrendo na fila do SUS" e daí pra baixo.

Anônimo disse...

Eu acho que o aborto em casos de estupro é válido, Roxy, porque nesse caso a mulher passou por uma violência. Nesse caso você está, sim, fazendo uma pessoa sofrer por algo que ela não tem culpa nem controle. Apesar de ser contra o aborto e sofrer ao dizer essas palavras, porque realmente acho a vida algo importante, não sou a favor de fazer o inferno da vida dessas mulheres nesse caso.

No caso de risco de vida da mulher também é válido porque é uma situação crítica ter de decidir entre viver ou morrer... mas no demais, não, não acho.

E nem todos os pró-vida acham que o problema acaba com o nascimento, sem pensam que a educação sexual é besteira. Até a Igreja Católica se posiciona a favor a esse respeito, com uma encíclica do papa que diz a importância da educação sexual (não sei sob que bases, ainda que certamente pela de castidade de ambos os sexos). O problema, como sempre, é o telefone sem fio e a pseudomoralidade martelada sem descanso por séculos...

Roxy Carmichael disse...

quer ser contra o aborto eu acho super ok, mas com uma condição: só de depois de brincarmos de educação sexual e igualdade de gênero por 50 anos.
mas antes disso que tal brincar de listar as barbáries da sociedade sueca, que não respeita a vida, uma sociedade como essa só pode mesmo ser fundada sobre a completa degradação moral, enquanto a maioria das sociedades africanas respeitam a vida, onde todos os fetos tem direito a nascer, sociedades essas que são exemplos de moralidade?
beijo

Patrick disse...

Meus avós tiveram 30 filhos, dos quais 22 chegaram à idade adulta. Meus pais só tiveram 2 filhos. Devemos chorar pelos que não nasceram? Pelos óvulos e espermas desperdiçados por culpa da pílula e da camisinha?

Até o século XIX, a Igreja Católica admitia o aborto, pois não atribuia o início da vida ao momento do encontro entre o óvulo e o espermatozóide. Mudou de opinião por pressão política da França, que desejava um aumento nos índices de natalidade.

O aborto de um feto onde não há atividade cerebral é tão "assassinato" quanto o transplante de um órgão a partir de um corpo vítima de morte cerebral.

Mais uma pergunta aos defensores da criminalização do aborto: vocês encomendam uma missa toda vez que é feita uma inseminação artificial? Porque a cada tentativa, de 4 a 5 embriões se perdem...

Maurício Melo disse...

Oi Fabíola, na verdade não estou falando de células, nem mesmo de vida. Não entrei nesse campo de discussão. Estou falando de leis e regras. Não acho que se deva escolher que leis seguir. Se você puder dar uma relida no post e no meu comentário anterior, vai perceber isso.
Abraço

Roxy Carmichael disse...

que tal brincar de ser contra o aborto quando homens e mulheres souberem que eles DOIS são IGUALMENTE responsáveis pela interrupção de uma gravidez, de uma vida em potencial. e que se o homem não usa preservativo, ou pílula masculina em caso de que venha a ser comercializada, ele é igualmente tão responsável quanto a mulher pela já mencionada interrupção (que alguns acham mais carinhoso chamar de assassinato) do feto ou da mulher que morre em caso de aborto.
porque enquanto o argumento dos pró-vida começar com A MULHER pode usar anti-cocepcional pra se prevenir de uma gravidez e deve assumir o risco, eu vou continuar chamando de hipócrita, pra ser gentil, e MISÓGINO pra ser realista.

Jean Cássio Lima disse...

Parabéns pelo texto e pela forma de pensar. Junto-me ao teu grito: "Por um Brasil sem hipocrisia"

Anônimo disse...

"só pra finalizar, se eu quisesse o governo ou a igreja no meu útero, foderia um padre ou um senador."

Não ia comentar nada mas achei que essa frase da Mordred Paganini diz TUDO o que eu penso da forma mais resumida e clara que existe.

Maurício Melo disse...

Ao amigo Aiaiai,
de fato, as leis podem mudar. E é justamente por isso que eu acho que nós deveríamos respeitá-las. Se a maioria passa a discordar de uma regra, temos formas legítimas de contestá-la e mudá-la. Não acho que o caminho seja, simplesmente, não obedecê-la.
Abraço

Homem Maravilha disse...

Às vezes eu olho pra esses cartazes de garotas desaparecidas e fico pensando quantas delas na verdade morreram porque com medo da família fez um aborto escondido que não deu certo.

Mihaelo disse...

Na questão das camisinhas há um ultraviolentíssimo machismo nas duas: a camisinha masculina, os machistas não toleram utilizar e a feminina é extremamente cara ficando portanto fora do alcance das mulheres pobres e de classe média baixa. E a camisinha feminina é supercara por ter baixíssima demanda. Se vivêssemos numa economia baseada em recursos, este problema não existiria

Anônimo disse...

Existe uma frase bem famosa pela internet, em relação aos religiosos e conservadores contra o aborto: se esse feto depois de nascer for homossexual, você continuará defendendo os direitos delx?

Anônimo disse...

Psiu, e eu que não quero ser mãe, que uso camisinha e pílula? E se acontecer? Posso mandar para vc cuidar?

Anônimo disse...

Carlos, que absurdo ser a favor do aborto em casos de síndrome de down.
Eles, apesar de terem déficit intelectual, são pessoas plenas, que pensam, amam, sentem dores e alegrias.
Sou, sim, a favor do aborto. Mas de modo generalizado, sendo o bebê normal ou não. Mas também sou a favor da vida de pessoas dos mais diversos tipos.
Política Mengeliana para ti, HH!

Paula disse...

Concordo e me identifico com a anônima 28 de setembro de 2012 10:34

Pessoalmente sou contra o aborto (para mim) mas quem deseja fazer que faça. Já tenho a vida tensa demais para me preocupar com a dos outros. Eu só queria que com a legalização também viesse a preocupação do governo em manter com saúde, educação e amparo as mulheres que optem por trazer a vida seu bebe.

Carolina Lucas Paiva disse...

A Roxy Carmichael apontou uma visão importante sobre o tema.
Se a vida é o bem maior a ser protegido em todos os casos, como esse mesmo bem pode ser relativizado pela nossa legislação, nos casos de estupro e até mesmo nos de risco de vida para a mãe?

Através desses casos nós podemos perceber com maior facilidade a diferença feita entre vida de fato e vida em potencial.

A vida de fato é sim o bem maior a ser protegido, mas a vida em potencial não teria o mesmo amparo, já que a dignidade sexual de uma vida de fato pesa mais na balança, nos casos do aborto por estupro.

É por isso que comparar aborto com homicídio é bem falho. Se fossem a mesma coisa, valoradas sob o mesmo aspecto, teriam penas iguais, não é mesmo?

Não é sim nem aqui, nem em outros países. O raciocínio que temos é que a vida em potencial e a vida de fato não são a mesma coisa, e que, portanto, tem valorações diferentes.

Em um conflito de princípios, a vida em potencial pode pesar menor do que os direitos da vida de fato.

A questão é: a vida em potencial pesa mais ou menos do que a liberdade de escolha/ dignidade de vida/ situação médica e/ou psicológica da gestante, que é vida de fato?

De acordo com as minhas convicções pessoais, pesa menos, pois trata-se de uma vida em potencial (nos primeiros meses, de vida vegetativa, já que não existe atividade cerebral). Portanto, de acordo com essa visão, o aborto até a 12ª semana seria parecida (mas não equivalente) com a da pessoa com morte cerebral, mantida viva por aparelhos. A situação não é a mesma, pq a vida em potencial não é valorada como a vida de fato, mas ambas só são possíveis, nessa situação, através de meio externo, pela falta de atividade cerebral.

Se não é moralmente condenável desligar os aparelhos de uma vida de fato vegetativa, também não seria no caso da vida em potencial vegetativa.
----
Enfim, quanto aos argumentos pró-vida. Nem todos são fanáticos religiosos, nem hipócritas. Há sim muitos argumento hipócritas, mas a teoria de que a vida em potencial começa na concepção não é absurda. É uma valoração diferenciada dessa vida em potencial, apenas.
Argumentando bem (ser apelar, chamando os pró-escolha de assassinos, nazistas, etc), dá para levar essa discussão a outro nível.

Enquanto a discussão for reduzida a: pró-escolha vs pró-vida, a gente vai continuar na mesma merda.

Val disse...

Priscila Boltão, faço minhas as suas palavras! excelente comentário!

Lola, parabéns pelo post, mais uma vez vc foi incrível..

Bruna B. disse...

Perguntinhas para quem se diz pró-vida (da mulher é que não):

Vocês são a favor do aborto em caso de gravidez resultante de estupro?
Vale lembrar que entre o feto resultante de um estupro e o feto resultante de uma relação consensual não existe nenhuma diferença. Não relativizem o 'direito à vida', ok?

Se uma clínica de fertilização in vitro estivesse pegando fogo quantos de vocês entrariam lá para tentar salvar as vidas dos óvulos fecundados? Quantos?

Qual é a solução que vocês propõem para uma mulher que engravidou e não tem condições para criar um filho?
'Dar para adoção' não é uma possibilidade, afinal, abandono de incapaz é crime e a mulher pode ser processada por isso.


Qual é o telefone e endereço de vocês?
Na próxima vez em que uma mulher me procurar, desesperada, porque foi estuprada pelo marido (que também a agredia), engravidou e PRECISA fazer um aborto, insistirei para que ela não o faça e encaminharei TODAS as faturas dos gastos referentes à gravidez e à criação de um filho para que vocês paguem.

Anônimo disse...

Claudia disse...
Estou impressionada como ate o Uruguai esta mais adiantado e civilizado do que nos.
28 de setembro de 2012 13:17


até o Uruguai?
Saiba que o Uruguai sempre foi mais adiantado do que o Brasil e idem a Argentina e outros países da América do Sul também. O Brasil é um país atrasado sob vários aspectos.

Carolina Guedes disse...

olha Lola, não sei como você aguenta moderar comentários. eu já teria dado um tiro na testa ou me internado numa clínica psiquiátrica.

meus parabéns, vc tem uma saúde mental de ferro.

Bruna B. disse...

E, pra deixar todos os falso-moralistas horrorizados, vou dizer o seguinte: Eu, Bruna, não quero ter um filho DE JEITO NENHUM, tenho horror só de me imaginar com uma criança nos braços. Pra que uma gravidez não aconteça, eu me protejo, tomo contraceptivos orais e uso camisinha... mas, como o mundo é mundo e nem tudo é perfeito, essa proteção pode falhar e eu não tenho um pingo de vergonha de dizer que se isso acontecer eu farei um aborto, sim. Pelo meu bem e pelo bem do feto/bebê/criança, que não seria amado e desejado em momento nenhum.

luh disse...

Não tenho posição tomada neste assunto mas tendo a ser favorável à legalização do aborto.

isso se dá por uma razão que dependendo do ponto de vista pode ser considerada fascista, que é que já há gente demais neste mundo escasso de recursos materiais.

também acho que a legalização possui vantagens como a dimunuição da criminalidade. pelo que li onde o aborto foi legalizado houve uma diminuição nos indíces de criminalidade com o passar dos anos. (mas sei que houve também aumento na contaminação por dsts)


no entanto o assunto é muito mais delicado do que parece.

por exemplo, argumenta-se que a mulher tem o direito de abortar pq o corpo é dela. mas uma mulher grávida de seis meses continua dona do próprio corpo não? e alguém defende o aborto nestas circunstâncias, com o bebe já completamente formado? o fato é que em um determinado ponto serão duas vidas diferentes.


também não concordo com quem argumeta que quem contra a legalização do aborto é só não faze-lo. a ampla maioria dos que são contrários ao aborto o são pq entendem que há vida desde a concepção. e ninguém diz se vc é contra matar não mate só deixe quem quer mater sair matando por aí.


a ciência não diz que a vida começa só a partir dos três meses como já ouvi dizerem por aí. e nem poderia fazê-lo pois o conceito de vida varia de pessoa para pessoa. o que a ciência diz é que a partir dos três meses o feto tem sistema nervoso, que então já pode sentir dor. mas poder sentir dor = estar vivo?? se eu não sinto dor não estou vivo? também sei que em um método abortivo em que há sucção do feto, ele tenta fugir, comportante - tentar fugir - não encontrado em casos de morte cerebral por exemplo.

também já ouvi o argumento de que se não se possui certza qto a qdo se da o inicio da vida não se deveria arricar. pessoalmente achei um argumento bem forte.


eu tenho certeza que não faria um aborto. mas qto a ser legalizado entendo que é um assunto bem mais complexo.


Anônimo disse...

O maior contracenso conservador: ser a favor da pena de morte e contrário ao aborto.

Por que isso é defesa da vida.

Vá se entender....

MCarolina disse...

Eu gostei do texto, mas ainda não consigo aceitar a discussão em torno desse tema. Debate? Plebiscito? Para uma questão íntima e individual? Quem vocês pensam que são para decidir a vida de outras pessoas?
Se para vocês aborto é assassinato, se para vocês a vida começa na concepção etc problema de vocês. Se são burros o suficiente para achar que aborto é a mesma coisa que matar um adulto, que a terra é triangular e que os dinossauros não existiram, podem achar o que quiserem. Se acham que mulheres que fazem aborto merecem morrer, e que o feto é independente do corpo da mulher (ahã) podem achar. Mas nunca imaginem que podem decidir o que uma pessoa faz ou não com o próprio corpo. Que podem decidir se uma pessoa deve ter um filho ou não.
Por fim, não acho que os militantes anti-aborto são hipócritas. Acho que são é sádicos.

Anônimo disse...

Santa ignorância Batman!!!

A França autorizou o aborto na década de 70 cacete!!

Odeio gente burra!!

Leandro disse...

O Dr. Ron Paul:

"aqueles que argumentam que um feto em desenvolvimento não é de maneira alguma um ser humano têm muita evidência científica contra eles. Já está bem documentado que há um coração batendo após 18 dias de fertilização e que a formação de ondas cerebrais já ocorre após um mês e meio (tenha em mente também que a maioria dos abortos ocorre bem depois desses desenvolvimentos)."

O Dr. Ron Paul era médico ginecologista e obstetra, imagino que ele tem muito mais autoridade no assunto do que qualquer "especialista" aqui, né?

Então, vamos fazer o seguinte acordo feministas: até 1,5 mês, o aborto é 100% liberado. Depois desse período, a mulher, o médico e o dono da clínica de aborto pegarão de "de doze a trinta anos" de reclusão (ou seja, a mesma pena de assassinato) - exceto se for por estupro ou risco de vida da mulher. Topam?

Anônimo disse...

Parabéns pelo post, Lola. Você é necessária num país tão machista como o nosso.

Gostaria que me confirmassem se o Diu tem um efeito abortivo, já que ele impede a nidação na cavidade uterina de um óvulo já fecundado.

Nesse caso, o que dizem os que são contra a legalização do aborto?

Sara disse...

Lindo post Lola e muito verdadeiro,
eu mesma faço parte das estatisticas q vc apontou, sofri tres abortos expontâneos proximo ao terceiro mes de gravidez, e minhas duas filhas NÃO foram planejadas, embora eu desejasse muito ter planejado, as variantes são tantas e nosso corpo NUNCA será uma maquina perfeita q faz exatamente o q queremos.
Da primeira gravidez o médico havia me dito que por problemas hormonais q eu tinha, teria q fazer um complicado tratamento para engravidar, não bastasse isso, por uma série de problemas nem tinha contato com meu marido quem dirá relações sexuais, bem contra todas as possibilidades, em um ÚNICO encontro com ele, engravidei da primeira filha, rrrssss.
Da segunda foi mais complicado ainda, ja havia perdido tres antes, e nem acreditava que poderia mais ter filhos, pois havia feito tratamentos para preservar a gravidez e ainda sim perdido, quando engravidei novamente, só fiquei esperando para perder mais uma gravidez e rezando para q meu marido fizesse uma vasectomia, para parar com aquele ciclo de curetagens, mas ai esta minha segunda filha.
Eu só não fiquei chateada como a sua amiga, quando perdi as gestações pois na realidade queria uma filha apenas, só estava tentando mais um, por insistencia do pai.
Como se vê é exatamente como vc expôs aqui, a vida é muito fragil e poucas gestações progridem, da até vontade de falar uma blasfêmia, mas para não ofender os ouvidos dos fieis, vou me calar.
Mas desrespeito muito maior é tirar o direito da mulher sobre seu próprio corpo.

J.M. disse...

Os "pró-vida" que defendem o aborto em caso de estupro, mas não nos demais casos por escolha da pessoa grávida, o fazem porque consideram a gravidez uma punição para a irresponsabilidade da mulher. Mimimi de "não pode matar o feto" é para tornar o discurso mais bonitinho. Porque, se fosse pela "vida", abominariam o aborto em TODOS os casos.

Rayane Medeiros disse...

Você falou sobre mesmo sendo tão triste perder um bebê,ainda assim não há funeral,e lembrei das palavras de Pereira Junior citando o deputando Genuíno que fiz questão de "guardar" por ser de grande relevância. E ele diz o seguinte: "Não se tem notícia, disse Genuíno (deputado federal), de padres que já tenham encomendado a alma de um feto, mesmo os de abortos involuntários e acidentais, nem tampouco tenham celebrado rito ou sacramento (missa de corpo presente ou de sé
timo dia, por exemplo), o que é habitual na igreja para indicar o rito de passagem de quem estava vivo e morreu.
-Nem a igreja considera aquele feto uma vida senão o trataria como uma alma a ser encomendada.”

Sara disse...

É preciso muita paciência e educação para não falar certas verdades para esses PRÓ VIDA ATÉ O PARTO.
É muita falta de empatia , sensibilidade com o problema e dor do outro.
É absurda a maneira como defendem um uma fragil possibilidade de vida em DETRIMENTO TOTAL de uma vida ja existente e em progressão e ja estabelecida não se importando a mínima das consequencias que a falta desse DIREITO provoca na vida de tantas mulheres.
Me desculpem mas gente assim não merece meu respeito, porque basicamente não respeitam seu semelhante.

Elaine Telles disse...

Ainda não vi ninguém vir responder: E depois que nasce, quem vai garantir os direitos do bebê? Direito a saúde, alimentação, vestiário, carinho, por 18 anos. Ae vão chamar de marginal, favelado, menor, problema social. E então, o que vocês dizem do bebêr depois que nascer? Cadê as condições garantidas?
Galera, é o seguinte: vocês concordando ou não, as pessoas continuarão abortando. Ricas farão, e dirão que fizeram uma viagem. Pobres precisarão de socorro e irão parar num hospital onde vai ter médico e enfermeira dizendo que ela é uma escória, será maltratada e saíra de lá para a delegacia. Para mim, quem é contra aborto é elitistada pior espécie "Só rico pode".

Dri Alves disse...

Olá, Já fui radicalmente contra aborto, qualquer aborto. Depois passei a ser a favor em caso de anencéfalos e depois em casos de estupro.
Agora em relação a qualquer mulher fazer aborto é : Não sei!
Gosto de pensar, por isso estou aqui lendo post, comentários pró e contra, ora dando razão a um , ora dando razão a outro.
Tenho medo que se legalizado seja também banalizado, mas lendo o post fiquei em dúvida como a legalização diminuiu a quantidade de abortos feitos ? Qual a relação entre esses fatos ?
É claro que tenho ressalvas religosas, é claro (para mim) que é um ato contra uma vida, mas se a legalizão diminuir tantos os abortos quanto o números de mortes derivados destes, não seria então salvamento de vidas em massa do que assassinato em massa? Minhas crenças podem ser mais importantes do que as vidas que podem ser salvas.
Não sei, estou pensando...

Mariane disse...

A igreja católica (e companhia) só fazendo merd#, pra variar...

Bruno S disse...

Eu discordo de alguns pontos da argumentação, mas concordo no objeto. Da necessidade de legalização do aborto no Brasil.

Não acho que todos que sejam a favor da proibição sejam hipócritas, mas tenho certeza de que os grupos que se denominam "pró vida" o são.

Como bem disse o Vinícius, " Via de regra, as mesmas pessoas contra o aborto são contra a educação sexual e o planejamento familiar,".

Sobre essa discussão de se é vida ou não, eu penso que se o ser em formação não tem condições de viver sem o corpo da mãe, ele é parte dela. E sobre o corpo da mulher, quem manda é a mulher.

Patty Kirsche disse...

Gostaria de lembrar sobre a petição pedindo ao senado a legalização do aborto no Brasil. http://www.avaaz.org/po/petition/O_ABORTO_LEGAL_SEGURO_E_GRATUITO/

fatima disse...

Nem discuto mais com esses pró-vida.
tudo farsantes e fracos de argumentação.
Esses hipócritas são os mesmos que fecham os olhos para a pedofilia, o estupro e crianças abandonadas. E são os mesmos que são contra o uso da camisinha , educação sexual e do planejamento familiar.

natalia disse...

Olha, realmente não entendo a preocupação do pró-vida? Está faltando gente no mundo? penso que está é sobrando. Ainda, se os pró-vida são contra é só não fazer. Eu sou a favor, deveria poder fazer sem correr o risco de ser presa.

Anônimo disse...

Sou totalmente a favor do aborto sob qualquer circunstância.

A discussão se tem ou não vida ali não faz sentido, uma vez que um embrião ou um feto não são pessoas. Passarão a ser pessoas assim que nascerem, antes disso não são.

Os direitos do embrião e do feto não devem sobrepujar os direitos da gestante. Embrião e feto são totalmente dependentes da gestante e não o contrário e ela deve poder decidir se quer manter essa dependência ou não. O Estado deveria proteger os direitos das pessoas. No caso, da gestante. O embrião e o feto ainda não são pessoas. Não são da alçada do Estado.

Toda pessoa tem direto a autonomia sobre o seu próprio corpo. Esse é um direito humano básico. O corpo da gestante não pode ser usado como incubadora se ela não quiser, independente da maneira com a qual ela engravidou, independente dos motivos que ela apresenta para uma interrupção da gravidez.

Luci

Daniela disse...

Engraçado...
Quando esse tipo de assunto pipoca nos sites de notícias, geralmente os comentários são um show de horrores (poupo meu coraçãozinho doente, na maioria das vezes, e não leio), e todos tão preocupadinhos com o feto, com a vida do feto, com os direitos do feto, que vagabunda tem que arcar com as consequencias bla bla bla
Mas e quando falam sobre lei seca contra palmadas? As mesmas pessoas falam que quem manda nas suas casas são só elas, que o governo não deve se meter, e a decisão do feto-agora-criança de não ter sua integridade física violada nem sequer é mencionada.
Engraçado, só que ao contrário.

Mordred Paganini disse...

Só um detalhe:

Eu entendo o raciocínio segundo o qual o aborto não é a solução, que educação sexual de verdade é que seria.

Mas existe um detalhe aí: pessoas que se cuidam também engravidam. O que fazer nesses casos? Ignorar?

Claro que uma política massiva de planejamento familiar é muito mais humana e eficaz, mas parece um pouco com aquela argumentação contra as cotas.

É fácil dizer que o importante é melhorar a educação de base e etc.
Claro que faz todo sentido oferecer a mesma qualidade de ensino a todos e alcançar a igualdade por este meio.

Mas quem tem fome tem pressa, quem está em situação de vulnerabilidade tem pressa.

Hoje, hoje mesmo, existem milhares de negros, estudantes de escolas públicas, deficientes, indígenas, etc. que poderão ter alguma ascensão social porque conseguiram cursar uma boa Universidade. Estas pessoas ascenderão socialmente em apenas uma geração e os filhos destas pessoas terão melhores oportunidades. De outra forma, demoraríamos algumas décadas para conquistar o que já conseguimos.

Da mesma forma, é óbvio é que precisamos de uma política de planejamento familiar muito mais eficaz (e isso está atrelado ao empoderamento da mulher), mas temos a oportunidade de salvar a vida de milhares de mulheres. Vamos deixar para amanhã? Essas vidas não valem?

Priscila Boltão: ^^

Em tempo: estou administrando a página humorística Feminista Indelicada, lá no facebook. Fiquem à vontade para mandar sugestões.

Beijo a todxs!

Anônimo disse...

Veja isto:http://www.youtube.com/watch?v=lh0ZB9OD_fg
É hilário.

@vbfri disse...

Roxy: muito amor pelos seus comentários! <3

roseanjos disse...

Essa discussão toda é culpa do fato das pessoas acharem que têm o direito de opinar na vida alheia.
- se a SUA religião não permite, siga as ordens de SEU deus.
- se seus conceitos morais não permitem, siga-os você e as pessoas de sua família, se elas quiserem.
- comparar aborto com assassinato é no mínimo risível. Gente que não sabe diferença entre vida concreta e expectativa de vida.
- quando cada pessoa que "defende a vida" pegar uma criança abandonada para criar, vou acreditar menos em hipocrisia.
- vou morrer sem entender a repulsa à sexualidade feminina. Se sexo é sujo, pecado condenável... é para todo mundo, não só para as mulheres.

E por favor senhores católicos, vão se aprofundar mais em sua própria religião, procurem pelos NOVOS 7 PECADOS CAPITAIS. Daí vão ver que QUALQUER método contraceptivo é pecado.

Vamos todos arder no mármore do inferno!!! Sr. Lúcifer pedirá para sair, não aguentará esse povinho se metendo no que ele pode ou não fazer em sua própria casa.

Mordred Paganini disse...

E mais uma coisa: sou psicóloga e se me pedirem laudo eu darei, desde que se trate de uma mulher decidindo isso por si mesma.
A rigor, vejo poucos motivos para não dar este laudo, uma vez que os possíveis danos psicológicos decorrentes de um aborto são aumentados no caso de levar a gravidez adiante de maneira forçada. Dano por dano, fiquemos com o menor.

@vbfri disse...

Sobre dar uma criança para adoção (no Brasil):

Alguém falou que não é fácil e, de fato, não é.

O Brasil não tem uma coisa maravilhosa que existe em alguns países que é a possibilidade de se entregar anonimamente o bebê com bombeiros ou num hospital. Salvo engano isso existe em alguns países da Europa e nos EUA.

Querem saber como é dar uma criança no Brasil? Um inferno. É quase um novo parto. Não se destitui o pátrio poder "sem mais nem menos." Investigam a vida da mãe. Viram a vida dela de cabeça para baixo.

Fiz seis meses de estágio na Defensoria Pública e posso dizer com conhecimento de causa:

1) Uma das coisas mais difíceis é dar uma criança para adoção (não estou falando aqui do aspecto emocional mas, sim, do burocrático);
2) Por causa dessa burocracia milhares de crianças não podem ser adotadas e passam anos e anos nas ONGs e orfanatos.

Para quem acha "ah, se você tivesse sido abortado, seria contra o aborto." Claro que não, né, Pedro Bó? Se eu tivesse sido abortada, eu não estaria aqui. E, pela minha história de vida, muitas vezes eu gostaria de ter sido abortada, tá?

Porque ser abusada física, moral e sexualmente é uma delícia, né? Super legal. E todas as vezes que fui abusada foram por pessoas conhecidas. Nada de beco escuro, à noite, ou na balada.

Mas isso não vem ao caso.

O caso é adoção no Brasil.

Primeiro esmiuçam a vida da mãe que tem que explicar por A + B + C + D porque ela quer dar a "coitada da criança para adoção."

Se vocês acham que mulher estuprada sofre, não sabem o *inferno* que é doar uma criança.

Aí eles (nosso governo) vai atrás de TODOS os parentes da mulher e da criança. T-O-D-O-S. Porque, né, é melhor a criança ficar com alguém da família.

Na boa? Se a família fosse estruturada, a mulher não estaria ali, entregando o filho para adoção. Ou vocês acham que a mulher é burra e não pensou em dar para alguém da família dela?

Aí tem um psicopata/estuprador/pedófilo na família que é bem sucedido e vai a-d-o-r-a-r ficar com a criança.

Aí vão atrás do pai da criança pra ver se ele não tem interesse.

Importa se a mulher foi estuprada pelo primo? Não, né?

Preciso dizer que nisso a criança, muitas vezes, já nasceu?

Aí, depois de perguntar mil vezes se a mãe TEM CERTEZA ABSOLUTA que não quer a criança, depois de falar com os parentes e amigos dela, se convencerem que ela é uma "desalmada, piranha, etc que não quis ficar com o filho"... aíiiii ela é destituída do pátrio poder e a criança é liberada para a adoção.

Muitas vezes, depois de atingir os dois anos.

Idade em que 99% dos pretendentes não querem a criança nem pintada de ouro.

Sério, gente. Por que vocês acham que a "adoção à brasileira" (ilegal) era (e é) tão, mas tão mais fácil??

E por que vocês acham que é tão difícil adotar criança por aqui?

O detalhe é que, teoricamente, tem tanta criança esperando ser adotada do que casal querendo adotar. Só que são duas filas que não se cruzam. Por quê?? Porque as pessoas só querem crianças (brancas, de preferência), sem irmãos, de, no máximo, 2 anos.

@vbfri disse...

Licença para chorar um pouco...

#mimimi

Ok. Passou.

Não sei se preciso desenhar... Mas, vamos lá.

Mulher estuprada: Put* irresponsável que "deixou ser estuprada"

Mulher grávida: Put* irresponsável que não usou pílula/camisinha/etc

Mulher grávida decorrente de um estupro: Put* que deixou ser estuprada irresponsavelmente sem usar pílula/camisinha/etc (nem vou falar de pílula do dia seguinte pq, né? Deveria ser proibida, pq é abortiva, etc)

É realmente muito fácil ser mulher neste país.

Aí mulher grávida decorrente de um estupro que decide doar a criança: Put*, desalmada, irresponsável, que deixou ser estuprada e não usou pílula/camisinha/etc/

Sério... se as mulheres (todas) fossem tratadas com dignidade, da mesma forma que o homem-branco-hétero, a gente conversaria numa boa sobre educação sexual, prevenção, o escambáu.

Mas culpar a mulher por todos os males da sociedade já deu, né? Cansei disso, minha gente.

Vamos combinar: se você é contra o aborto, não aborte. Incentive pessoas a não abortar. Faça campanhas de prevenção. Distribua camisinhas e pílulas. E ensine as pessoas a usarem (muita gente acha que só precisa tomar pílula nos dias em que transa). Ensine a sua diarista, a moça do cafezinho, seu pedreiro, marceneiro, etc sobre concepção.

Quer ganhar pontos com o papai do céu? Adote uma criança. Vire vegano.

Se você acha que aborto é pecado, parabéns para você.

Só não venha impor essa sua opinião aos outros.

E lembre-se: o aborto só mata mulheres pobres. Quando mal feito, mata criança, mata a mãe.

Se a mulher que morre já tem 10 filhos, é você quem vai criar?



@vbfri disse...

Para quem perguntou se é verdade que em países onde o aborto é liberado acaba ocorrendo menos abortos:

VERDADE.

Minha monografia de final de curso foi sobre o aborto de fetos inviáveis. No primeiro capítulo eu analisei o aborto em diversos países.

Os dados eram antigos, ano 2001, salvo engano. Naquele ano, só a título de ilustração, ocorreram 800 mil abortos nos EUA (país com a população maior do que a nossa). No Brasil foram 1 milhão e 600 MIL abortos. O DOBRO.

Na Alemanha o número de abortos é irrisório.

A mulher que aborta nesses países passa por triagens, por profissionais de diversos ramos, que conversam com elas e tentam evitar que o aborto ocorra novamente.

Há um acompanhamento. Trata-se a mulher com dignidade.

Se a pessoa não tem conhecimento de como prevenir uma gestação, ensinam.

Achar que nesses países é "festa da paçoca" é falta de conhecimento. Não é. Eles levam a prevenção ***muito*** a sério.

Aí é claro que cai o número de abortos.

Sem contar que na maior parte desses países há educação gratuita de qualidade, saúde pública, segurança.

Anônimo disse...

Anônimo de 12:36
Masturbação com 6 anos? Isso não é normal, concordo com você sobre a importância da educação sexual, mas tratá-la do modo que você quer tratar com crianças de 5 anos não é normal. É importante começar por aí mas não desse jeito...

Allice disse...

Eu sou Pró vida: eu quero que aborto seguro deixe de ser um privilégio das ricas e quero que as pobres parem de morrer com essa prática, quero que o governo se sinta obrigado a informar melhor e investir em prevenção, QUERO QUE O NÚMERO DE ABORTOS CAIA, ASSIM COMO CAIU EM PAÍSES CUJA PRÁTICA É LEGALIZADA, a legalização da prática trás muito mais informação, prevenção e menos hipocrisia! Eu não faço aborto, mas NÃO POSSO IGNORAR O FATO DE QUE NÃO VÃO DEIXAR DE FAZER PORQUE EU NÃO FARIA, ASSIM COMO NÃO DEIXARAM POR SER PROIBIDO.

Allice disse...

"Enfim, também tenho muita vontade de discutir racionalmente sobre o assunto. E trabalhar com estatísticas confiáveis. Mas ninguém chega a lugar nenhum assumindo que o outro lado só pode pensar diferente por ser hipócrita."
EIS ABAIXO UMA PESQUISA SÉRIA:
http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=7059

Pedro Cavalcante disse...

Anônimo das 13:10
Que parada é essa de rodeio cara? Quem falou especificamente e criticou os rodeios e toda sua importância cultural? E que negócio é esse de: "Todos iguais, esquerdistas ditadores que querem que eu divida a minha casa com um mendigo e se dizem vegetarianos, mas comem carne de criança, como todo comunista faz."? Que visão simplista é essa de que o a teoria marxista de comunismo é: dividir a casa com mendigo? Essa é a visão mais simplista, conservadora e idiota que eu vi sobre o comunismo. E olha que eu ainda não falei de "comer carne de criança, como todo comunista faz.", é o que meu amigo anônimo? Vou te contar um segredo: a Guerra Fria já acabou, não precisa ficar inventando mentiras para convencer que o comunismo é cruel, e não justo. Infelizmente, o capital venceu (momentaneamente) essa disputa, mas não venha com um argumento idiota como esse para falar sobre vegetarianismo, rodeios e aborto. Não tem nada haver.

Allice disse...

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3404
AQUI ESTÁ A REPORTAGEM COMPLETA SOBRE A PESQUISA.
"Pesquisa reacende debate sobre descriminalização do aborto
Estudo da UnB revela pela primeira vez quantas e quem são as mulheres que interrompem a própria gravidez no Brasil. Elas somam cerca de 5 milhões, sendo que a maioria é casada, tem filhos e religião"

Pedro Cavalcante disse...

O pior, se o aborto for legalizado a discussão não vai parar por aí. Os conservadores vão criar a discussão se o Estado deve arcar monetariamente com o aborto ou não. Aposto um doce que eles vão começar a dizer que o SUS assegurar o aborto é perda de tempo, dinheiro, enquanto existem tantos outros problemas... É, para as classes economicamente baixas vai ser muito difícil ainda conseguir realizar o aborto de forma segura, mesmo com os claros problemas que as MULHERES (sim, destaque para elas) sofrem, sem o aborto assegurado pelo governo tudo isso vai estar MUITO longe...

Anônimo disse...

Mesmo se o feto for considerado um ser humano (que é o que estão tentando fazer pra criminalizar o aborto nos EUA) nenhum ser humano tem o direito de ser parasita de outro (o ser humano dono do útero) sem o seu consentimento. Então é ilegal forçar uma mãe a ser a fornecedora de seu corpo, metabolismo e nutrientes em função de qualquer outro ser. Mesmo o feto sendo uma vida, ele não tem esse direito.

Roxy Carmichael disse...

anônimo das 13h58
acredito que assim como você, as pessoas minimamente sensatas acham que uma mulher que sofre violência sexual não deve ser obrigada a criar o fruto dessa violência. mas a questão aqui não é essa e vc sabe MUITO bem disso. porque eu disse, qual é a diferença pro FETO. ASSIM MESMO EM LETRAS GARRAFAIS. portanto, se puder responder a pergunta que eu fiz, ficarei imensamente agradecida, vai lá, novamente:
se se trata de preservar e defender os direitos do feto, que muita gente aqui afirma que é uma vida, esse direito não deveria se sobrepor ao direito da mulher estuprada já que, contra ela foi cometido o crime contra a dignidade. mas contra o feto será cometido o crime de HOMICÍDIO?
o feto, que para alguns é uma vida e que tem DNA diferente do da mulher, que está no corpo da mulher mas não é a mulher, existe alguma diferença entre ser abortado porque foi gerado por estupro e não por sexo consentido?
porque assim, estamos falando com gente que argumenta: só é contra o aborto quem já na nasceu. como se aqueles que não nasceram tivessem plena consciência sobre a vida, mas infelizmente, já que vivemos numa sociedade injusta, eles, assim como os pobres, os negros, os gays e as mulheres, não podem opinar sobre seus destinos, mas para isso é que está o estatuto do nascituro não é mesmo?para que pessoas que tem um verdadeiro senso de humanidade (coincidentemente são essas pessoas que lutam bravamente pelos direitos dos negros, dos gays e das mulheres, só que não) possam lutar pelos direitos do feto que pobrezinho, não pode ir lá no congresso nacional fazer manifestação.
insisto, qual a diferença mesmo pro FETO entre ser abortado porque foi gerado por estupro ou relação consentida?

Gabriela disse...

Vcs realmente acham q algumas letras em um papel vão mudar a realidade desse pais?Veja parturientes são abusadas em pleno trabalho de parto.É difícil encontrar uma mulher q use o SUS q não tenha sido maltratada por seu médico.Vamos dizer q o aborto seja legalizado e daí?As mulheres iriam ser maltratadas e mal-guiadas.Iriam abusar delas moralmente.Envergonhá- las.Se não fizessem um trabalho porco para mata-las de propósito.E não seria crime.Até onde eu sei imperícia médica não é crime.Mesmo sendo legal juridicamente falando elas seriam socialmente punidas.Sim sou contra aborto,mas sou a favor do direito de escolha.Não acho q tenho direito de impor minhas crenças e minhas vontades guela abaixo das pessoas.Meu ponto?Vcs q são pró -aborto estão indo pelo caminho errado.Antes da discussão se o aborto deve ou não ser legalizado deveria haver uma campanha pró educação sexual.Eu entendo q vcs lutam por isso também,eu só estou dizendo q isso deve ser a prioridade em primeiro plano.Educação sexual deveria fazer parte do currículo escolar.E a saúde pública deveria ser melhorada.Eu não sei exatamente como mas a mulher deveria ter um estatuto próprio.E esse estatuto deveria cobrir como ela deveria ser atendida.Somos maltratadas quando parimos.Nesse atual quadro não seríamos abusadas se decidirmos não continuar com a gravidez considerando q vivemos em uma nação amplamente católica?Várias mulheres da minha família q pariram de modo natural foram abusadas de formas diferentes.Uma prima minha foi abandonada sem ninguém para dizer o q estava acontecendo.Sozinha,assustada,com dores.Sem contar q proibiram o marido dela estar presente.Sim o direito de ter um acompanhante é garantido por lei.E daí?A lei não foi suficiente para protegê-la.Será suficiente para as mulheres q decidirem abortar? Outra montda pelo médico.O bb não saia então ele decidiu sentar em cima dela.Quando a minha mão me teve ela teve engolir os gritos a seco porq o médico disse q não a atenderia se ela gritasse.Isso é clássico."foi bom fazer não foi?Agora aguenta". Sem contar os abusos sexuais.A lei garante privacidade a parturiente.Isso de fato não ocorre no SUS.É faxineiros e faxineiras entrando e saindo quando bem entendem.Se não um amigo do médico responsável q acha de bom tom bater um papo com o amigo enquanto a mulher da a luz.Parir pelo SUS pelo aqui no RIO é um horror.Então eu pergunto a lei vale alguma coisa?Minha experiência diz q não.Leis são só palavras em um papel.E na prática não significam nada.

Luiza disse...

@vbfri

Concordo com tudo o que você escreveu. E eu queria acrescentar um outro jeito de dar um bebê para adoção, dos Estados Unidos, que acho muitíssimo humano e deveria ser implementado no mundo todo, que é a mulher, com ajuda de uma assistente social, escolhe o casal que adotará seu filho. A assistente dá uma gama de escolhas, fala as profissões, onde moram, como são, e a mulher escolhe conhecer um casal, para ter certeza de que o bebê ficará bem.
Não sei se vale para todos os casos, mas pra mim seria o modelo ideal de adoção.

Quanto ao aborto, já disseram por mim. A vida tá fácil, né?, tá boa pra tanta gente, não precisam trabalhar, dinheirão entrando, nada pra pensar, que tem tempo pra meter o nariz aonde não são chamados.

Sara disse...

Patty Kirsche disse...
Gostaria de lembrar sobre a petição pedindo ao senado a legalização do aborto no Brasil.
http://www.avaaz.org/po/petition/O_ABORTO_LEGAL_SEGURO_E_GRATUITO/

[2]

Obrigada pela dica ja assinei....


Carolina Guedes disse...

Eu sou a favor da legalização do aborto até a 12ª semana e entendo a medida como de saúde pública, mas eu tenho uma ressalva contra esse argumento de que "não é a favor do aborto, não faça um", acho muuuito falho:

pensa só, pra grande maioria das pessoas anti-aborto, a prática é um homicídio puro e simples, então quando você chega pra uma pessoa dessas e usa esse argumento aí ela entende assim:

"não é a favor de assassinar pessoas, então não assassine uma"

ou seja, não só não convence, como ainda vai fazer a outra pessoa achar sua argumentação incrivelmente falha (e não deixa de ser. por isso esse argumento aí eu não uso, nem apoio.

acho que no fim precisamos mesmo é conscientizar que abortos já são realidade nesse país, que precisamos cuidar das mulheres pra evitar que elas morram em consequência disso e que no fim das contas um embrião (mera expectativa de vida) valha mais que a mulher que pode vir a perder a vida por causa dele...

como toda a discussão de se o aborto pode existir aqui é sobre se ele é vida ou não, existe um precedente muito interessante. na época da discussão da liberação das pesquisas com células tronco embrionárias foi basicamente a mesma base de discussão, e no fim decidiram pela liberação da pesquisa com embriões que seriam descartados pelas clínicas de fertilização in-vitro.

daí a gente percebe uma situação interessante:

- embriões são jogados fora em clínicas de fertilização e ninguém nem TCHUNS, ninguém taí fazendo campanha pró-vida desses embriões. e esses foram DELIBERADAMENTE concebidos, pagaram pra que eles existissem e depois jogam fora.


Maiê F. Rezende disse...

@vbfri

Estou achando seus comentários muito pertinentes. Eu não sabia dessa dificuldade para dar uma criança em adoção. Mas isso explica muita coisa...

Esse assunto tem tantos pontos para se comentar que não sei nem por onde começar. Só quero dizer que eu não consigo ter o menor respeito por esses pró vida. E acho essa denominação uma piada.
Já está mais do que na hora do Estado parar de controlar o corpo das mulheres. Não só na questão do aborto, mas em outras menores também, como é o caso da legislação brasileira que regulamenta a procriação assistida.

Marina disse...

Quem diz que é só mandar para adoção não tem idéia de como adoção é complicada. Além de todos os problemas já citados para a mulher conseguir colocar a criança para adoção, ainda existe a dificuldade de outras pessoas adotarem.
Quando uma amiga minha estava prestes a ir para a faculdade, os pais dela decidiram adotar uma criança, mas, mesmo depois de MAIS TRÊS ANOS, ainda não conseguiram. Não sei se é um procedimento nacional ou só aqui no Rio, mas, antes de receber autorização para adotar, o casal precisava fazer "aula de paternidade" (mesmo já tendo duas filhas); os dois tem que comparecer a todas as aulas, que são ministradas em dias úteis durante horário de expediente, dura mais de um mês e, se um dos dois faltasse alguma aula, tem que começar de novo. Ou seja: praticamente impossível. Eles vão sempre em orfanatos, conhecem as crianças, ajudam, mas a burocracia não os deixa levar nenhuma para casa.
Já meu tio e a esposa decidiram pular esse processo todo, encontraram uma mulher grávida que não queria o bebê, fizeram um acordo lá com ela e, quando a menina nasceu, quem registrou foi meu tio e a mulher. Já me disseram que isso é ilegal, mas o que eles iam fazer? Assistir as aulas por anos e nunca conseguir terminar o curso?
Enquanto isso os orfanatos vão recebendo mais crianças, e as mais velhas vão sendo EXPULSAS por falta de verba.
Então, para quem diz para a mulher mandar o bebê pra adoção que outra pessoa vai criar: não é fácil assim não, tá.

Vivian disse...

Vejo argumentos pra lá, argumentos pra cá. De gente que é contra e a favor.

Esse debate precisa ir direto ao ponto, e o ponto é:


VOCÊ QUER QUE A LEI SE MANTNHA E AS MULHERES QUE REALIZEM ABORTO EM ATÉ 12 SEMANAS DE GESTAÇÃO SEJAM PRESAS?


Esse é o foco. Não é pra perguntar se tu é contra OU a favor do aborto, até por que a opinião de ninguém vai mudar os números e a vontade de uma mulher em ter a criança ou não.


A QUESTÃO É A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO.


Sua opinião? Contenha-se. Para a mulher que engravida, pode ter certeza, o que você pensa não vale 1 real.
Ou ela vai abortar ou não vai, e eu e você não temos interferência ALGUMA no que ela vai fazer. Sinto dizer a você, mas não, não mudaremos nada. Chocante, não?

Quando os debates sobre aborto tiverem o foco correto, esse país vai mudar as leis.

Cora disse...

anon 1348 disse:

“eu só quero saber por que seria diferente.”


É diferente porque, após o nascimento, existe uma pessoa completamente formada e independente do organismo que lhe deu origem (embriologicamente falando, certo? evidente que a criança depende de adultos pra sobreviver), que completou seu desenvolvimento e nasceu. É essa a diferença.

A partir do nascimento é que a pessoa passa a existir no mundo e para o mundo. Enquanto no útero, aquele organismo existe, de forma efetiva, apenas para a gestante e apenas através da gestante (e, claro, podemos extrapolar que existe para sua família também, mas ainda assim, apenas como expectativa).

Eu não vejo problema em interromper uma gestação até a 12ª semana. Neste caso o que se faz é interromper o desenvolvimento de uma pessoa, impedir que a formação dessa pessoa se complete. Assim, não podemos dizer que, neste estágio da gestação, existe de fato uma pessoa, simplesmente porque o organismo não completou ainda o seu desenvolvimento. A pessoa, de fato, ainda não existe. Todos fomos, um dia, meras expectativas. Neste caso, expectativas que se confirmaram.

**

Eu tampouco defendo infanticídio ou assassinato de qualquer natureza. Ocorre que uma interrupção de gravidez até a 12ª semana não pode ser considerada nem uma coisa nem outra, simplesmente porque ainda não existe uma pessoa, um indivíduo, que está ainda, em processo de formação e desenvolvimento.

**

É impossível dar status de pessoa para o embrião/feto sem, ao mesmo tempo, desumanizar a gestante. O organismo que merece e precisa ser protegido, antes de mais nada, é aquele que já existe de fato. Aquele que já veio à luz. A gestante.

E, antes que me acusem, digo que sou ferrenha defensora do uso de dois métodos contraceptivos ao mesmo tempo, sendo um deles, de barreira (camisinha masculina ou feminina) em TODAS as relações sexuais, casuais ou não. Defendo campanhas de incentivo ao planejamento familiar, acesso irrestrito e facilitado a métodos contraceptivos, educação sexual, defendo conversas francas e sem pudores sobre a sexualidade adolescente. Enfim, é muito mais adequado e simples evitar uma gestação não planejada do que interrompê-la. E, como sempre digo também, mesmo que nenhuma mulher nunca, jamais, em tempo algum interrompa uma gravidez, este direito deve estar assegurado por lei.

Vivian disse...

E aliás, parabéns pelo post!

Teu blog é sempre uma oasis no meio do deserto... quando estou pra perder a fé na humanidade, eu venho aqui e... recarrego as baterias!

Teu trabalho mudou a cabeça de muitas pessoas, eu inclusa.

Obrigada por compartilhar conosco o teu precisoso tempo e ideias maravilhosas!

=*

Lorena Dani disse...

Lola, não sei se o comentário anterior pegou, coisa confusa! Olha, esse dado das 200 mil mortes está equivocado. Isso não tira a força dos argumentos, mas venho sugerir um update pra que vc não seja acusada de desonestidade intelectual como tantos outros que passaram adiante esse erro. Segue o link para maiores eclarecimentos:

http://www.feminismo.org.br/livre/index.php?option=com_content&view=article&id=99992692:ministro-padilha-o-erro-nao-foi-da-onu-e-sim-do-estadao&catid=134:saude&Itemid=541

Anônimo disse...

Todos os vídeos do Carlin citados foram removidos :(

Cora disse...

Não sei de onde saem essas estatísticas da onu, mas acredito que são baseadas em amostras que são, então, extrapoladas pra população. Imagino que leva-se em conta o número de habitantes e a taxa de mortalidade de abortamentos inseguros.

Ações de prevenção e orientação só são possíveis quando reconhecemos o aborto como um direito. Assim as mulheres (e os casais) podem falar sobre isso, tirar dúvidas, ter acesso a serviços de aconselhamento e orientação. Enquanto mantivermos o aborto no submundo da ilegalidade, nenhuma ação poderá ser tomada, já que o problema, oficialmente, não existe.


**

É interessante que o le.andro perceba que não há ainda um ser humano completo, por isso não se pode comparar uma interrupção de gravidez até a 12ª semana com assassinatos de pessoas nascidas. Não é a mesma coisa.

Evidentemente tudo está vivo, desde sempre. Óvulo e espermatozóide são células vivas, zigoto é uma célula viva, blástulas e gástrulas estão vivas, o embrião está vivo, o feto está vivo. Tudo está vivo. Todas as estruturas estão formadas em seus primórdios. A organização das células formando os folhetos embrionários já são primórdios das estruturas corporais que se formarão. E nem poderia ser diferente. A “montagem” de um indivíduo se inicia com a fecundação. Sistema nervoso e coração inclusos. É necessário levar oxigênio e alimento do cordão umbilical para todas as células. Por isso os batimentos do coração em formação. No entanto, le.andro, ainda não existe um pessoa, já que o desenvolvimento embrionário ainda não se completou. O organismo ainda não está total e completamente formado (embriologicamente falando). E não nasceu. Então, não é possível traçar paralelos com pessoas já nascidas. Não é o caso.

(veja bem , você pode ser contrário ao aborto, mas essa sua linha de raciocínio não faz sentido)

**

Pergunto a você, le.andro, se os homens estão dispostos a usar preservativos em todas as relações sexuais. Pergunto se os homens estão dispostos a assumirem, juntamente com a parceira (casual ou não), a responsabilidade por evitar uma gravidez. A responsabilidade é de ambos. O fato de sermos mamíferos placentários não pode ser usado pra jogar sobre as costas da mulher toda a responsabilidade em evitar, sozinha, uma gravidez.

E muito menos arcar, sozinha, com os estigmas de um abortamento, quando sabemos que a maior parte das mulheres que abortam está num relacionamento estável e a decisão pela interrupção é, em geral, do casal. No entanto, o estigma fica apenas com a mulher. Você mesmo, excluiu os homens do seu comentário. Pergunto: os homens estão dispostos a dividir TODA a responsabilidade?

Porque a sua posição é muito cômoda. Ficar sentado julgando e apontado o dedo pra todas as mulheres é muito fácil.

**

Estatísticas (link da Allice):

81% têm filhos; 88% têm religião, 64% são casadas; 84% têm mais de 25 anos; 54% ganham até 2 salários mínimos; 65% são católicas.

Alex disse...

Não vou comentar a questão de legalização ou não do aborto, mas alguém falou de aborto gratuito... aborto gratuito!? o estado já dá pilula, dá camisinha, dá pilula do dia seguinte, dá informação e não duvido que existam programas de planejamento familiar... vocês ainda querem aborto gratuito? Só pode ser piada, né? Todo o papo de "não quero o estado na minha vida, autonomia e bla bla bla" só serve para direitos, não pros deveres? Quero me drogar, mas quero que existam clinicas de reabilitação gratuita! Quero fazer aborto sem que o estado interfira, mas quero que ele pague a conta! É um raciocínio bem comodista esse.

E mudando um pouco o foco mas complementando, toda a argumentação de "shit happens", pessoas engravidam sem querer é ridicula... como muitos já diseram, esse raciocínio utilitarista serviria para validar um monte de merda que acontece na nossa sociedade, quer gostemos delas ou não. Por último, seus textos serem completamente parciais não é o problema, problema é você misturar argumentos válidos com outros completamente estapafúrdios como esse, é você fazer generalizações(que você tanto condena nos outros), é usar silogismos... enfim.

Carolina Guedes disse...

pro amigo Alex... rapaz, vc quase acerta!

não existe essa coisa de aborto GRATUITO (there ain't such thing as a free lunch), o sistema de saúde desse país não é gratuito, TODO mundo paga imposto, até aquela mulher que ganha menos de um salário mínimo paga imposto embutido no feijão que ela compra (o que joga por terra esse papinho idiota de que pobre não paga imposto, paga menos, mas paga). é mais do que direito dela receber isso de volta em assistência a saúde, seja pra comprar uma aspirina, seja pra abortar.

não existe Estado "pai" que dá dinheiro pros filhos. Existe Estado que funciona em função dos seus cidadãos, afinal de contas, se não há cidadãos não há Estado.

o Estado serve justamente pra isso: pra nos garantir as liberdades em faces dos outros e pra me devolver em benefícios tudo aquilo que ele me tira em imposto. é pra mim e pra todo mundo.

acho até engraçado pessoa vir me dizer que é DE GRAÇA. Alex deve achar que SÓ ele paga imposto e que essas perversas mulheres vão abortar com o suado dinheirinho dele.

Leandro disse...

"o Estado serve justamente pra isso: pra nos garantir as liberdades em faces dos outros e pra me devolver em benefícios tudo aquilo que ele me tira em imposto. é pra mim e pra todo mundo." - Já dizia George Owen: "Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão". Estado serve para garantir as liberdades? Pelo contrário, o Estado serve para nos reprimir, para nos controlar, para CONFISCAR nossas liberdades individuais.

Leandro disse...

Bom, Cora. Imagino que você alguma médica, ginecologista e/ou obstetra, pois o Dr Ron Paul fala por ter conhecimento no assunto, afinal ele foi ginecologista e obstetra. Só sei que já existir um cérebro funcionando e um coração batendo já indica que formação de uma vida humana. Sendo assim, até 1,5 mês (que é algo como 7 semanas) já ocorreram estes desenvolvimento e o aborto poderia ser 100% liberado. Depois disso, é homicídio, afinal acabou com uma VIDA HUMANA.

Anônimo disse...

Sou totalmente a favor do aborto em qualquer estagio da gestação, sob qualquer argumentação que a mulher tenha para tal.
mas com uma ressalva, com educação sexual rígida nas escolas, colégios e faculdades,inclusive com cenas de fetos abortados e esquartejados, como eu já vi, só depois de presenciar esta realidade, a pessoa pode fazer sua escolha como bem quiser !

ena disse...

O que devemos entender é que essa moral Kantiana de que "matar é errado em TODAS as ocasiões, independentemente das circunstâncias, pois se um grupo pode 'matar' alguém todos o farão" não está adequada à nossa sociedade. E isso não é de hoje. Vocês acham que matar em legítima defesa é errado? Matar milhares de animais por dia? (animais que possuem sistema nervoso ao contrário de fetos de menos de três semanas, para quem gosta desse argumento)
Com certeza, é muito mais fácil relativizar e contextualizar quando o que está em jogo é o NOSSO estilo de vida. Uma pessoa, só de consumir uma determinada marca, está contribuindo e participando da escravidão de outras, do outro lado do mundo.
O aborto ilegal é um problema de saúde pública. Muita gente morre por causa disso. O que acontece é que quando o assunto vai ser discutido a maioria das pessoas simula uma sociedade ideal, volta à moral universal, demoniza qualquer forma de violência a qualquer forma de vida. E o bife que comeu no almoço? isso é outra história...
Podem perceber que coloquei vida entre aspas. Não tem como descobrir a essência da vida. Alguns lêem a Bília e acham que é a fecundação, alguns lêem o livro de ciências e acham que é qualquer coisa com o DNA diferente do seu. Em algumas culturas, a pessoa só é considerada viva quando nasce e em outras quando completa certa idade (devido à grande mortalidade infantil).
O Brasil é um país laico (apesar de que algumas vezes isso ainda me deixa em dúvidas..). Não concorda com aborto? Não faça. O que realmente me incomoda é essa repentina empatia com o feto supostamente vivo de pessoas desconhecidas, enquanto o mendigo da esquina pode ser queimado vivo e 'a culpa foi do vagabundo', animais podem ser torturados e 'isso é parte da nossa cultura', mulheres podem ser estupradas e 'elas eram putas'.
Incoerente.

Anônimo disse...

"Masturbação com 6 anos? Isso não é normal, concordo com você sobre a importância da educação sexual, mas tratá-la do modo que você quer tratar com crianças de 5 anos não é normal. É importante começar por aí mas não desse jeito..."

Você não acha que eu comecei porque me ensinaram, né? Não me faça rir. Eu só descobri que uma pessoa pode fazer carinho em si mesma e gostar. Nem tinha ideia do que estava fazendo. O problema é que eu só me dei conta depois dos 10 anos, quando comecei a entender sobre sexo, e morria de vergonha, porque NINGUÉM havia falado que isso era ok. E se falasse?

@vbfri disse...

Alex, Alex, Alex....

Vou falar de novo, porque, quem sabe, você não entendeu...

Vamos lá... Sei que é difícil pra você entender isso, mas existem mulheres que *não sabem* como usar a pílula.

Muitas mulheres pensam que pílula é que nem remédio de dor de cabeça. Você toma quando precisa (ou seja, no dia que faz sexo).

Não sei em qual cidade você mora, mas eu moro na capital do Brasil e ouço relatos de pessoas que vão ao posto de saúde e **não tem** pílula. Não vou nem falar da camisinha que, quando tem, vai um monte de adolescente, pega tudo e fica usando de balão.

"Ah, é só comprar na farmácia!"

Oh, really? Sabe quanto custa uma pílula? A minha custa por volta de 50 reais. É. Pois é.

Você sabia que tem muitas mulheres que ***não podem*** tomar pílula?

Tenho uma amiga privilegiada-branca-classe-média-alta que pode *morrer* se tomar pílula. Ela, mesmo sem histórico, mesmo sem ser fumante, mesmo sendo atleta, mesmo tendo menos de 30 anos, sofreu uma embolia pulmonar e ficou 30 dias internada, dentre os quais 13 na UTI.

E muitos e muitos homens tem medo-terror-pânico de camisinha. Porque, né, é como chupar bala com papel. Porque tira a sensibilidade. Porque não é algo que duas-pessoas-que-se-amam-e-confiam usam.

Ah, antes que você venha falar - ah, se a pessoa não pode tomar pílula, que use o DIU -, não é bem assim, tá?

DIU é algo que nem toda mulher/organismo se adapta. É um pedaço de cobre no seu útero (ou no útero da mulher). Eu tentei usar durante 2 anos e não deu certo pra mim. Comecei a menstruar 20 dias por mês.

Fora que quem, como minha amiga, teve embolia, DIU também não é recomendado.

E o Estado NÃO PAGA o DIU.

Ah, #mimimi, existem outros métodos. Sim. Menos eficazes.

Ah, #mimimi, é só não fazer. <-- Esse é o argumento mais furado/idiota/imbecil. VOCÊ pararia de fazer? JURA????

Entendeu? Quer que eu desenhe mais um pouco?

Dai disse...

Parabéns, pelo texto e pelo seu ativismo, Lola. Vou compartilhar.

@vbfri disse...

Em tempo. Aborto pago, Alex, já existe, tá? Ric@s, classe média, etc, vão para as clínicas particulares, pagam R$ 5.000,00 e saem de lá super bem cuidadas e tratadas.

ta-chan disse...

@Aninha:
Não sei se você vai ler mas mesmo assim...
Entregar um filho depois de nascido é uma coisa muito diferente de um aborto até a decima segunda semana de gestação.Vê se você consegue imaginar a dor de carregar uma criança que mesmo indesejada você amando aos poucos, as pessoas perguntando " pra quando é?" menino ou menina" "já tem nome?".Acho quem quem se diz pró vida na verdade tem dificuldade de se colocar no lugar das outras pessoas.
Quanto a dizer que se fosse o caso de ter um filho crescido e querer tirar a vida dele me pareceu estremante cretino da sua parte.Nem vou considerar uma resposta pra esse absurdo que você escreveu.

A opinião de vocês que se dizem pró vida não tem valor algum para as mulheres que precisam abortar.
Nem vocês nem ninguém podem ter poder sobre as decisões das outras pessoas.

Carolina Guedes disse...

Leandro, você deve ser daqueles que também fala que todo político é ladrão e não presta né?

O Estado deve ser sim garantidor de liberdades, e se seus cidadãos são cientes disso eles fazem com que seu Estado cumpra sua tarefa. Não é fácil, não é perfeito, mas cidadãos conscientes cobram e cobram MUITO, pq eles sabem pra que deve servir uma máquina estatal. Não ficam esperando que caia do céu.

Bem como achar que todo político é igual é um grande embuste alienador que torna as pessoas apáticas e inertes.

O Estado pode ser sim cerceador de liberdades, como ele é ao nos proibir de abortar com segurança e dignidade, mas ele também pode ser garantidor da mesma liberdade basta que para isso a sociedade da qual ele advém tome o poder que por direito é dela, enfim, que lute. Eu conheço George Orwell e a obra dele, mas tenho certeza que o que ele dizia era justamente isso: cobre e fique vigilante. Nada mais certo, por sinal é o que estamos fazendo.

Quanto ao anônimo da 01:26:

Eu lembro que quando estava no ensino médio (estudei em colégio católico regido por freiras) nós tínhamos umas palestras que exatamente mostravam bebês já formados completamente estraçalhados por curetagem (uma técnica abortiva). qual o intuito daquilo? na época eu ficava chocada, bem como todo mundo nas palestras. mas qual o objetivo? fazer as pessoas acreditarem que todo aborto é isso: triturar crianças. nada mais errôneo e tendencioso.

com o tempo eu aprendi a entender o que me mostraram e hoje sou ferrenha defensora da legalização do aborto ATÉ A 12ª SEMANA bem como a maioria das ativistas que conheço. falando por mim, eu jamais defenderia aborto no 9º mês, por exemplo.

mas infelizmente muita gente ainda acha que defensoras da legalização são perversas pessoas querendo esquartejar crianças no útero, pq esse tipo de ideia é o que é repassado por aí. e ainda digo mais, se o aborto for legalizado, se existir um aparato médico e burocrático voltado a esse procedimento esses casos de aborto tardios diminuirão e muito, tenho certeza. afinal de contas, se a mulher puder abortar com segurança quando o procedimento é menos invasivo, pq ela se submeteria a um procedimento tão cruel e de alto risco (tanto pra mulher quanto pro bebê) como a curetagem em período posterior?

Anônimo disse...

"Já dizia George Owen: "Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão"".
Leandro 00:42
Repita comigo Lelê: George ORWELL.De novo ORWELL!
Juro que não é difícil!
Cite autores quando você souber o nome deles.

Carolina Guedes disse...

Gostaria de deixar esse link aqui: http://2think.org/abortion.shtml

é uma reflexão sobre o aborto feita pelo Carl Sagan, que era um astrônomo e foi um dos maiores divulgadores da ciência ao grande público. o artigo foi escrito junto com a esposa dele e apesar dele ser físico, acho as assertivas apresentados muito lúcidas. ele expõe tanto as falhas argumentativas e os acertos de ambos os lados e mantém o debate o mais limpo possível.

faço a ressalva de que ele fala do aborto sobre a óptica da legislação americana, mas muito do que tá lá se aproveita em qualquer situação.

Infelizmente a íntegra na internet só achei em inglês e aí vai um trecho:

"There is no right to life in any society on Earth today, nor has there been at any former time… : We raise farm animals for slaughter; destroy forests; pollute rivers and lakes until no fish can live there; kill deer and elk for sport, leopards for the pelts, and whales for fertilizer; entrap dolphins, gasping and writhing, in great tuna nets; club seal pups to death; and render a species extinct every day. All these beasts and vegetables are as alive as we. What is (allegedly) protected is not life, but human life.

And even with that protection, casual murder is an urban commonplace, and we wage “conventional” wars with tolls so terrible that we are, most of us, afraid to consider them very deeply… That protection, that right to life, eludes the 40,000 children under five who die on our planet each day from preventable starvation, dehydration, disease, and neglect."

Enfim, a quem interessar, fica a dica.

Mordred Paganini disse...

Meninas, o Leandro é um caso perdido. Ele só ouve as vozes na cabeça dele mesmo. Não adianta usar a lógica, a ciência, a história ou sei lá o quê...Ele simplesmente não faz sentido!

Só que eu não sou normativa, não acho que ele deve se enquadrar nos moldes da racionalidade tradicional.
Por outro lado ele sofre, porque vê a realidade de maneira distinta.

Mas eu já me ofereci para indicar um CAPS ou um atendimento ambulatorial ou se ele preferir, profissionais em consultório particular, mas infelizmente ele não se interessou.

Resumindo: deixem-no sozinho em sua realidade alternativa.

Daniel disse...

Aborto é imoral e nojento.

100% dos defensores da legalização, só podem ter essa opinião, justamente por não terem sido abortados.

Hipócritas mor

Mihaelo disse...

Para quem acha que todo mundo sabe usar camisinha, segue o relato de um caso real ocorrido na capital gaúcha.
Uma mulher pobre, moradora de uma vila popular e que já tinha muitos filhos recebeu uma aula de como usar o preservativo masculino. A enfermeira colocou-o no dedo mostrando como desenrolá-lo e usá-lo. Apesar disso a mulher continuou engravidando. Perguntada se ela estaria usando a camisinha, respondeu que sim, fazia exatamente como a enfermeira procedera, colocando o preservativo no dedo!!!!! A radialista Beatriz Fagundes da rádio Pampa comentou que com este tipo de pessoas tem que se falar e explicar tudo exatamente como se estivesse lidando com uma criança. É o mesmo analfabetismo funcional que faz com que as pessoas mais pobres não consigam entender o mundo no qual vivem e não saibam o significado de milhares de palavras, como por exemplo:"vate,alude,absconso,tez,
épico,burlesco,subjetivo,circundar,ufanismo,etc." Eu fiquei pasmo de ver alunos de 3º ano do médio que desconheciam o significado de todas estas palavras!!! Para mim que as aprendi ao ler clássicos da literatura brasileira aos 10 anos de idade, foi realmente muito espantoso!!!

Anônimo disse...

Abortar é condenar à morte um reuzinho sem crimes. O que ele te fez mãe, para ser tão cruel, a ponto de executá-lo em seu próprio ventre, sem direito de apenas dizer: não me mate mamãe.
Não queira ostentar o negro titulo de infanticida

Anônimo disse...

Jucy Pinheiro
o que é ser moderno(a)?
dizer sim ao aborto?
Nossa! Que modernidade!!!
Me envergonho de minha "geração moderna".
Creio eu que a partir da fecundação e da formação o feto que se encontra na barriga de sua mãe já seja uma pessoinha, um ser humano.
mas por que pessoas dizem o contrário?
Só por que o feto ainda está mal formado?
Por isso não tem o direito de ser chamado de humano?
Então o que direi dos seres deficientes que já estão neste mundo?
Matá-los não seria um crime, afinal, eles são "mal-formados" não é!?
Mas falando assim parece cruel!?
Te chocas?
Que hipocrisia!!!
Aborto nada mais é do que a mesma coisa, mas com uma diferença, o ser dentro da barriga da mãe ainda teria oportunidade de talvez ter seu corpo perfeito!
Tirar a vida de um ser inocente é crime!!!
Não posso nem dizer que é um ato animal, porque por pior que seja, um animal irracional não possui um ato tão cruel!!!
Então quem é o irracional da história???
A sociedade é mais do que cruel, ela é imunda, hipócrita, nojenta!!!
Um ser que não pode nem se defender é brutalmente arrancado da barriga daquela que se diz mãe, e o pior sem nenhum remoço!
Mas mãe não é um ser que protege, cuida???
???
E o que dizer da tortura?
Pegar uma pessoa e arrancar seus órgãos por pedaços e ouvi-la gritar e agonizar de dor é cruel!?
E isso acontece num aborto, só que o grito de socorro é diferente, é gritos e choros da alma daquele que está sendo privado de vida!
E ainda tem pessoas que dizem que este ser não sente dor!
Como não???
Se apenas um simples tombo já dói, agora imaginemos o nosso corpo sendo dilacerado, deve ser uma dor insuportável!!!
Mas por que ainda existem pessoas que praticam tal atitude???
Minha cabeça fica confusa!
Tudo é contraditório!!!
Aprendi algo que nunca esquecerei:
"O ser humano é o único animal que mata sua própria espécie!"
E de uma coisa tenho certeza: SOU TOTALMENTE CONTRA AO ABORTO!!!

Anônimo disse...

minha ex-namorada estava gravida de 3 meses e 18 dias,ela tirou meu filho só por que ela perdeu a guarda das outras tres filhas dela

Anônimo disse...

Virginia
Acho q o meu maior presente que Deus me Deu até hj foi o nascimento da minha filha,mesmo o "Pai" dela por diversas vezes ter me dito para aborta,ñ me deixei levar por algo q ele dizia,muito menos pelas ameaças q ele fazim se eu ñ abortasse... tenho certeza q si estivesse abortado assim como ele e muitos q diziam ser meus amigos diziam para eu fazer,ñ seria hj uma pessoa completa e digna cmg msm... Minha filha é simplesmente a Minha vida e muito mais muito mais... !!! ñ apoio o Aborto! ñ acho justo um ser tão indefeso pagar pelos nossos erros,é questão de ter conciência sobre o mal e o sofrimento q vc estará causando em um ser q ñ te fez nenhum mal,q pelo contrario Deus por sua vez lhe mandou por alguma circunstância,para sua vida para q com ele venha muita Paz,Amor,e muita mais Muita Alegria. Pare de ser egoísta e para de pensar só no seu bem estar,lembre-se q existe uma Ser dentro de vc,q depende muito dos seus cuidados,e que quando maior te amara incondicionalmente,ñ jogue seus erros em quem ñ tem culpa,e que ñ tem suporte para se defender das suas maldades!!!

Carolina Guedes disse...

mas como assim o ser humano é o único que mata a própria espécie?

viúva negra, animais que matam a própria cria em típico ato de controle de natalidade, brigas por território e por fêmea em rituais de acasalamento... já chega de achar que a natureza é um paraíso de bondade e harmonia, não há nada mais cruel que a natureza.

na vdd essa consideração pela morte de um indivíduo da mesma espécie é coisa tipicamente humana...

Mas pra quem acha que só o ser humano mata os seus, ai vai um pouco de ciência:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120521_infanticidio_animais_mv.shtml

"O infanticídio tende a ser pouco estudado enquanto recurso para garantir a sobrevivência dos mais fortes em uma determinada espécie. Entretanto, há registros de que ele acontece entre roedores e primatas, peixes, insetos e anfíbios."

Carolina Guedes disse...

E antes que alguém venha dizer que to aqui levantando a bandeira do infanticídio, por favor ter a consideração de ler meus outros comentários. grata.

Anônimo disse...

Anônima das 11:53
1. Nas primeiras semanss,não há corpo, não há nem cérebro, portanto não há dor nem sofrimento.
2. Há várias mães de outras espécies que matam seus filhotes.(e o aborto não é 'matar", vc mata quando há vida, quando há um indivíduo. Como nem sistema nervoso há, estamos falando de outra coisa) Você não sabia? Pois informo-lhe que há várias "mães" animais que COMEM seus filhotes. Pássaros e até mesmo mamíferos.
Você pode ser contra o aborto. Não aborte. Siga seus princípios. Tudo certo.
Agora, vc faz alguma coisa para ajudar todas as mães que não abortaram e que tiveram filhos sem a menor condição de tê-los? De criá-los com dignidade? De alimentá-los, prover-lhes educação? Voce ao menos VOTA em quem se preocupa que o estado tem responsabilidade com as nossas crianças?

Anônimo disse...

Em primeiro lugar há que definir a noção de aborto. Depois de que estamos a falar qd descriminalizamos. Finalmente, se há restrições a essa política.
Aborto, para este efeito, quer dizer interrupção voluntária da gravidez. Isto é, não é um acidente ou uma necessidade médica, é a mulher que decide recorrer a uma clínica ou hospital e pede para lhe ser retirado o feto, sem ter de justificar. Apenas porque assim decide. Depois, descriminalizar significa que esse acto não é merecedor de crítica penal. É tolerado e aceite pela lei (nem sempre é moralmente aceite, mas isso é outra conversa). Finalmente, qt às restrições elas podem variar de país para país, de legislação para legislação, quer pela imposição de motivos, quer pelo tempo a partir do qual já não é permitido.
Estes são os aspectos objectivos do problema. Depois há os religiosos, morais e científicos. Na maioria dos países ditos mais avançados, não há crminalização até às seis ou dez semanas de gravidez. Permite-se ao médico a recusa, tipo "objector de consciência", mas tem de haver sempre nos hospitais públicos quem não se recuse. Ou seja é um acto médico q tem de ser executado.
Qt a haver já vida ou não, a ciência divide-se. Qt a haver alma, a religião não tem dúvidas, os não-religiosos tb não.
Desde já refiro que sou a favor até ao período em que a ciência considera não existir ainda vida. Depois disso só em situações clínicas muito graves que ponham em risco mãe ou filho, ou ambos.

Anônimo disse...

james emanuel de albuquerque
Sou contra qualquer criminalização, logo
sou A FaVOR da descriminalização do aborto!

Anônimo disse...

Claroque é também pode ser uma questão de saúde pública. Mas acima de tudo é uma questão moral. Acham que se deve descriminalizar totalmente? Até aos 4 meses, aos 6 meses?... Ou seja, tanto faz. Há uma relação sexual não protegida e acidental. Segue-se uma gravidez incómoda, mas tudo se resolve. O aborto está ali para permitir safar a coisa. Isto é saúde pública? Só saúde pública? Não estão a ser muito redutores? E a vida do feto fica aonde?!

Anônimo disse...

Jorge,
Creio que acima de qualquer tese, por mais ética que seja, está a vida das mulheres.
O abortamento INSEGURO é uma das principais causas de mortalidade de mulheres gestantes, provoca milhares de internações e acarreta problemas para a saúde de inúmeras mulheres, principalmente pobres, negras e jovens.
A questão é puro pragmatismo:
transformar o aborto INSEGURO em aborto com todos os cuidados médico-hospitalares pelo SUS(Serviço de atendimento gratuito para todos, no Brasil).
Aí, logicamente vai haver a interferência, a conivência ou não, a análise, o apoio de um médico e do serviço social responsável.
Para isso, primeiro deve haver a Descriminalização.
Abraços.

Anônimo disse...

Criminalizar? Criminalizar um drama? Não é impunemente que se faz um aborto. Há sequelas físicas e psíquicas. Não há legislador algum que possa saber o que vai no coração duma mulher que recorre ao aborto. Nunca é de ânimo leve que se faz a interrupção voluntária da gravidez. Não sou eu que vou criminalizar. Sou por isso A FAVOR da DESCRIMINALIZAÇÃO.

Anônimo disse...

sou contra o aborto, embora aceite e compreenda situações de excepção - trata-se de uma questão que remete para a consciência de cada pessoa. Em relação à descriminalização, sou a favor, pois a política não consegue apurar os verdadeiros motivos, acabando por limitar a liberdade da pessoa que tem de decidir de acordo com a sua consciência. Mas é um problema muito complexo, impossível de generalizar.
Quanto às semanas, resolvam os cientistas e os políticos, porque para mim a vida não começa de repente só às tantas semanas.
Parabéns pelo blog, obriga-nos a pensar, a não ficar indiferente, a tomar posição.

Anônimo disse...

Creio que a condenação, em maior ou menor grau, esteja na consciência da mulher que resolve fazê-lo por qualquer motivo, seja terapêutico ou não... Questões como esta são muito polêmicas e a meu ver, dolorosas. Sou contra a violência (silenciosa ou não) à mulher, sou a favor dos direitos da mulher, sou contra a banalização do feto (hoje em dia é tão corriqueiro evitar uma concepção. Por quê chegar a este ponto?). Sou contra o aborto generalizado, banalizado mas, sou a favor da descriminalização do aborto em prol da saúde da mulher... beijocs, Lu

Mordred Paganini disse...

E a hipocrisia rolando solta!

Mas não apenas hipocrisia, mas analfabetismo funcional mesmo!

É o que eu sempre digo: os pró-vida não fazem sentido.

Querem ver um exemplo?

Eles são completamente contra, por exemplo, interromper uma gravidez tubária.
Para quem não sabe, uma gravidez tubária é quase 100% de chance de morte para ambos.
Mas quem liga se a vida do "bebê" não pode ser salva? O importante é jamais, sob hipótese alguma, interromper uma gravidez e matar o fetinho coitadinho inocente! O fato de que o fetinho coitadinho vai morrer de qualquer jeito é mero detalhe...

Daí eles também são contra o aborto de anencéfalos. O fato de que sem córtex cerebral é absurdo considerar que há ali uma vida humana é mero detalhe.
Quem liga pro fato de que uma gravidez de anencéfalo é de alto risco pra mãe? Quem liga para o fato de que ali não há algo que se tornará um ser humano?
O importante é que o fetinho foi salvo! Não interessa se ele vai morrer horas depois ou se provavelmente vai morrer na barriga da mãe, naturalmente.

E é exatamente como disse o Carlin né? A única vida que precisa ser preservada é a intrauterina!
Depois que nascer, FODA-SE.
Eu realmente gostaria que a minha vida fosse defendida com a mesma convicção e garra que mórulas são defendidas, sabe?
Queria mesmo que houvesse tanta gente assim para defender a vida de pessoas nascidas, produtivas, com laços sociais estabelecidos...

Alguns anos atrás, houve um massacre na Candelária, aqui no Rio de Janeiro. Policiais mataram várias crianças. Cadê os pró-vida nessas horas? Ocupados demais com os que ainda não nasceram?

E sabe do que mais? Muita gente veio dizer que na verdade eles não era crianças inocentes, mas bandidos mirins! Quanta humanidade!

Muita gente gosta de dizer que é radicalmente contra o aborto, mas acha a diminuição da maioridade penal uma boa coisa, acham a chacina da candelária uma coisa legal, são a favor da pena de morte...E por aí vai...

E como eu sei disso?
Por que pena de morte, diminuição da maioridade penal, etc. são bandeiras da direita no Brasil.
Assim como a criminalização radical do aborto. É o mesmíssimo grupo!

Então, sinceramente, "pró-vidas": FUCK YOU!

Anônimo disse...

E ainda tem um energúmeno lá em cima que diz que a mulher "quer fazer aborto". Meu filho, entenda uma coisa. NENHUMA mulher quer fazer aborto. O aborto é a última opção para uma situação em que a mulher não se encontra em condições de ter um filho, seja por que motivo for. Não conheço nenhuma mulher que gostou de fazer um aborto, que tenha saído totalmente igual depois de uma experiência tão violenta quanto essa. Sim, é uma violência para a mulher,ou você imagina que é como ir ao parquinho? Acorda, criatura! Enquanto o "papai' sumiu ou está na sala de espera, quem está sofrendo é a mulher por um ato que foi feito à DOIS.

Anônimo disse...

" Pare de ser egoísta e para de pensar só no seu bem estar,lembre-se q existe uma Ser dentro de vc,q depende muito dos seus cuidados"

Quem e você para "aconselhar o que devo fazer, e como levar minha vida ?
Sou egoísta mesmo, não vou aceitar ser uma mera incubadora, levo minha vida do jeito, sou independente, não devo nada a ninguém.
Tenho horror a ser mãe,e um direito meu, não me imagino pondo um a criança neste mundo, e só de pensar que será homem,em então ,me embrulha o estomago imaginar que um dia ele possa a ser um machista misógino nojento , ele que vá crescer dentro de outra !

nina disse...

Pessoas comparando aborto a infanticídio, ATÉ QUANDO?

Lola, meus parabéns pela paciência. Milhões de vezes. Porque eu desisto de discutir dependendo das bobagens que escuto.

Mordred Paganini disse...

Adoro quando vem uma aqui dizer: ai eu não abortei, acho que quem faz é errado mimimi.

Sabe o que eu tenho a te dizer? Parabéns, champs? Quer uma medalha por ter decidido por si própria ter sua filha?

Você se acha mesmo uma pessoa superior só porque pariu? Tenha santa paciência, mulher!

Ser pró-escolha não é ser pró-aborto. A posição pró-escolha consiste também na prevenção.

E já que tocamos no assunto escolha, acho que em um ponto o feminismo tem falhado feio. Melhorar a legislação sobre a adoção é urgente! Dar para adoção também é escolha, gente!

E nós brasileiros já sabemos qual a melhor forma de adoção: a adoção à brasileira.
Não é porque você não quer criar um filho que você não se importa com ele. Se fosse comigo, eu iria fazer questão de escolher quem criaria o meu filho.
Seria ótimo se as mulheres tivessem a opção de escolher e conhecer a família que adotaria seu filho e que de preferência a criança poderia por vontade própria conhecer sua mãe biológica algum dia. Mas aqui, pelo visto, dar para a adoção é praticamente proibido. Qual alternativa resta, então?

Vamos ser coerentes, né?

Aliás: os mesmo que são contra o aborto também são contra planejamento familiar. VTNC.

Anônimo disse...

Texto sensacional, Lola. A reflexão sobre "aborto" e "miscarriage" é importantíssima para vermos como a sociedade pode ter dois pesos e duas medidas. Parabéns;

ViniciusMendes disse...

Quem diz que só o ser humano mata a própria espécie dormiu nas aulas de biologia...

Anônimo disse...

Sabe uma coisa que me irrita demais nesse assunto?
É que muitos pró-vida(de quem?)ficam atacando a mil pedras quem aborta,desejando até que a mulher seja condenada a morte e discutindo quando começa a vida,de direitos humanos e bla,bla,bla.
Mas ninguem procura se lembrar do homem,de quem engravidou a mulher. Pois é ela que sempre leva a culpa de não ter se protegido e ele?
E ninguem,também,quer saber os motivos que levam a pessoa a cometer aborto.
Parece que querem fingir os reais motivos,fingir que não existe explicações consistentes e pesadas a cerca disso!

Anônimo disse...

A pessoa que falou que o ser humano é a única espécie que mata a própria espécie não pensou 2 segundos antes de falar, hein?

Sara disse...

Quanta apelação, demagogia barata desse povinho hipócrita dos PRO VIDA ATÉ O PARTO, chega dar ânsia.

Carolina Guedes disse...

comentário de utilidade pública:

gente, a expressão correta é UM peso DUAS medidas.

pq se vc parar pra pensar, é meio óbvio que dois pesos terão duas medidas. então se vc qr passar a idéia de que há duas formas de avaliar a mesma situação o certo é
UM PESO DUAS MEDIDAS.

só a título de informação mesmo :)

Anônimo disse...

Até a formação do cérebro, eu não seria contra o aborto. Mas não classificaria quem vê aquela vida em potencial como vida de hipócrita, e falar de fungos, animais etc é divergir do assunto, afinal, a questão da descriminalização do aborto é social, e, certamente, sobre a vida humana. Depois de se poder considerar aquilo como uma vida, acho que a mulher perde o direito de decidir abortar, afinal, assim como o governo não deve ter o direito de tirar a vida de alguém, nós também não devemos. Não seria só mais o meu corpo ou o corpo dela. Quanto ao que vem depois, à assistência do governo, paternidade assegurada, são direitos que o bebê e a mãe devem ter, cuidar dele não é uma responsabilidade somente materna. Essa história de "é contra, vai cuidar?" é da mesma maturidade de um comentário "defende direitos humanos pra bandido, leva pra casa". Enfim, como eu disse, sou a favor até aquele período, e a favor de planejamento familiar.

Anônimo disse...

A maior hipocrisia e demagogia dos Pró-Vida está em que nao se mobilizam para um protesto contra a adequada falta de creches para as crianças economicamente carentes. O povo brasileiro paga altíssimo imposto, mas nao se dá conta pq o imposto vem embutido no preço da mercadoria. Com todo o imposto que o governo arrecada, nao se justifica a falta de creches (como lemos no post a seguir). Pró-Vida deve ser estendido a muito mais do que lutar contra o aborto.
LisAnaHD

Elaine Telles disse...

Pessoas, concordo que a educacao sexual evitaria muitas gravidezes indesejadas. Porem, e quem se preveniu de todo modo, evitando a todo custo ter filho, e memso assim aconteceu.Quem trabalha em industria farmaceutica sabe bem como eh relapso o controle de qualidade, ha diversos lotes ruins, de medicamentos que nao estao aptos a exercer aquilo que prometem no organismo e mesmo asim sao postos no mercado.E ai?
Outro fato eh que todos vem aqui falar do milagre e da mudanca que eh ter um filho. Sinto muito, mas a mulher que trabalha e tem filho cai na costa de todos. Avos, tias, todo mundo tem que cuidar e ajudar financeiramente e com cuidados. Quando nao trabalha e o dignissimo pai nao asusme, piora ainda mais.
Comentaram aqui o estigma que o sexo tem pra mulher. As pessoas encaram realmente como um castigo pra `safada` que quis `pecar`. Ah, o principal. Homem vir dar pitaco nisos eh tao surreal. Na vida deles nao muda nada!!! No minimo vao desenbolsar um valor mensal e olha lah. Pra mulher que passa 9 meses gerando, e muitos anos cuidando, soa outros 500. Facil falar de algo que nunca irah te atingir neh?

Mordred Paganini disse...

Anônimo das 15:17

A comparação com outros seres vivos é importante para corrigir aquela bobagem que é dizer que não há vida em um embrião. É mais do que óbvio que há vida em um óvulo fecundado, o que não quer dizer que se trata de vida humana.

A vida humana acaba quando não há mais atividade cerebral. Deste ponto em diante, pela lei brasileira, os aparelhos podem ser desligados e os órgãos podem ser doados. Isto porque sem atividade cerebral deixa de existir tudo aquilo que faz daquele corpo não apenas um ser humano, mas um cidadão.
Pelas leis brasileiras a noção de cidadania é aplicada aos nascidos VIVOS.
Então, se após o fim da atividade cerebral não há ali mais uma vida a ser preservada, um cidadão a ser protegido, porque haveríamos de proteger a vida de seres que sequer possuem atividade cerebral?
Este marco é importante e não é arbitrário.

Então resumindo: um embrião é um ser vivo, comparável a outros seres vivos existentes na natureza, porém não é um cidadão, tampouco um ser humano.



Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Os "pró-vida" nunca cansam de me surpreender com o nível das chantagens emocionais e falácias que usam em seus pseudo-argumentos. Não duvido nada que a Lola não tenha deletado aquela historinha do feto que pede "mamãe, não me mate", mais de uma vez, se bobear...

Fato: pró-vida não estão interessados nos argumentos contrários. Não estão interessados em ouvir a outra parte. Estão interessados apenas no feto, enquanto feto (porque todos nós sabemos a quantidade de abortos vivos que caminham nas ruas, fazendo com que os pró-vida gritem por mais segurança pública e pena de morte). Estão interessados em manter o controle, não importa o quão sujos e desleais sejam os meios para fazê-lo.

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

E como assim, "não quero que MEUS impostos paguem o aborto das mulheres no SUS"???? Oi??? Matemática básica, por gentileza???? O aborto seguro, feito nas primeiras semanas de gestação, é um procedimento ambulatorial de baixo custo, muito mais barato do que as curetagens e internações para tratar sequelas de abortamentos mal feitos. Isso sem contar no custo social acarretado pela existência dos "abortos vivos", crianças geradas e depois abandonadas à própria sorte. Se é por questão de economia, o aborto legal e seguro seria a opção óbvia.


Mais uma coisa: um médico pediatra/obstetra/ginecologista não têm formação para determinar quando começa a vida. Embriologistas trabalham nesta área, lembrando que ainda não há uma resposta definitiva para essa questão. Portanto, nada de carteirada pra cima da gente!!!

Mordred Paganini disse...

Uma coisa que me lembrei: certa vez o queridíssimo (not) governador do RJ, Sérgio Cabral, se referiu ao estudo de um economista para defender a legalização do aborto. Na época ele utilizou uma argumentação desastrosa (dizendo que a favela era uma fábrica de bandidos)para defender seu ponto.

O economista em questão na verdade seguiu uma linha argumentativa muito diferente da adotada por Sérgio Cabral.

Segundo este, vários fatores contribuíram para a diminuição da criminalidade.

Levitt apontou um fator específico que seria ainda mais contundente do que o apregoado "combate ao crime" praticado na época: a liberação do aborto.

O Levitt é católico e não é eugenista, ms infelizmente sua pesquisa pode ser lida desta forma. Mas o que ele chama atenção é que mulheres que querem abortar possuem BONS MOTIVOS para tal.
A pesquisa dele aponta, ao contrário, que obrigar uma mulher a criar um filho que não desejou pode ter consequências sociais e não apenas para a vida daquela mãe e daquele filho.

Também não quer dizer que todo filho indesejado será bandido.

Mas de fato há inúmeras pessoas em situação de indigência e isso poderia ter sido evitado com políticas mais responsáveis com relação à saúde reprodutiva da mulher e o planejamento familiar.

Cora disse...

le.andro,

é vida humana o tempo todo! Apenas seres humanos podem dar origem a outros seres humanos. O objetivo da gestação é justamente formar (gestar, “montar”) um novo indivíduo. Tecnicamente falando, as estruturas de nosso corpo começam a se formar assim que ocorre a fecundação. As células começam a se organizar para dar origem aos nossos tecidos, órgãos e sistemas. Nada no embrião é aleatório. Cada célula ocupa um lugar específico com um objetivo específico.

Com 15 dias começa a organogênese propriamente dita e os folhetos embrionários iniciam a formação dos tecidos, órgãos e sistemas.

Não é o coração e o cérebro que indicam a formação de uma vida humana. Todo o processo, de zigoto a feto a termo é a formação de uma vida humana. O coração existe pra fazer o sangue circular, apenas isso. O fato dele “bater” indica que ele está cumprindo sua função, nada mais. O sistema nervoso é formado por células excitáveis e o impulso elétrico é a forma de comunicação entre essas células. Ter atividade elétrica indica que as células estão vivas e funcionando. Isso não é mais especial do que as células que estão se organizando pra formar a pele ou o fígado.

O que eu disse pra você é que não há ainda uma pessoa, já que o organismo não está completamente formado e não houve, evidentemente, nascimento. É o “vir à luz” que faz surgir para o mundo, vamos dizer assim, uma pessoa que, até este momento, o do nascimento, é uma expectativa de vida, é um organismo em desenvolvimento, portanto, incompleto. Por isso, qualquer paralelo entre a interrupção da gravidez no primeiro trimestre e indivíduos nascidos é completamente absurda.

O limite para a interrupção da gravidez leva isso em consideração. A partir da 24ª semana, aproximadamente, o feto já é capaz de sobrevivência extra-uterina (os chamados partos prematuros). Há registro de sobrevivência sem sequelas de uma menina prematura de 21 semanas, mas é raríssimo.

Assim, convencionou-se como limite para as interrupções voluntárias o primeiro trimestre (é o que defendo e considero adequado). Poucos países permitem ivg após esse período.

Acredito que a gravidez e a decisão por sua manutenção ou não são estritamente pessoais e dizem respeito apenas à mulher grávida ou ao casal.

**

le.andro,

george orwell.

e ele fala de estados totalitários.

estados democráticos, mesmo imperfeitos, devem garantir o máximo de liberdades individuais possíveis que não firam a vida me grupo.

apesar dos eua e aliados praticarem a máxima “guerra é paz, ignorância é força”.

e o capitalismo ter, como essência, a outra máxima “liberdade é escravidão”.

talvez sejam inevitáveis pra vida em grupos com milhões de indivíduos. triste, né?

conseguiremos, algum dia nos organizar socialmente sem dominação, exploração e humilhação?

Mordred Paganini disse...

Ah, mais uma coisa Lola: vem pro facebook!!! Estamos todxs te esperando!!

(até eu já tenho uma página por lá. Só tá faltando você)

Roxy Carmichael disse...

homens delirantes que acham que o brasil é a suíça onde existem contraceptivos disponíveis no posto de saúde e todas as mulheres do país estão orientadas a utilizá-los, que acham que governo não deve dá aborto "di gratis", eu gostaria que antes de começarmos a discutir, vocês me enviassem um relatório sobre cada relação sexual que vocês tiveram, assinado por vocês e pelas parceiras de vocês que vocês usaram o preservativo em TODAS elas. registrado em cartório.
quanto ao aborto di gratis, então que tal sugerir ao governo uma forma de arrecadação em que vc possa especificar para onde vc quer que seu dinheiro vá e pra onde vc quer que o dinheiro nao vá pq eu por exemplo não tô afins de arcar com as despesas do hospital pelo tratamento de recuperação de um idiota que sofreu acidente de carro pq bebeu e dirigiu.
beijo no coração de vocês

Roxy Carmichael disse...

ao fofo do daniel eu sugiro que ele faça um plebiscito entre os fetos de até 3 meses sobre o que eles opinam de aborto em caso de risco pra mãe, estupro, anencefalia, ou sobre aborto em qualquer caso respeitando o período de 12 semanas. quando você estiver de posse desse resultado, me envia que a gente conversa.

roseanjos disse...

Esses mesmos moralistas que são contra o aborto, são contra a educação sexual nas escolas.
Alegam que as MENINAS serão expostas ao o que é sexo muito cedo e vão querer provar, que é imoral, que educação sexual é obrigação e direito da família...
Então me respondam, como evitar os nascimentos indesejados sem educação sexual e campanhas de esclarecimentos para a população adulta?
E tirem as vendas dos olhos, NENHUM método contraceptivo é 100% eficiente. Só a abstinência. Ah esqueci, eles pregam a abstinência FEMININA. Seeei.

Roxy Carmichael disse...

pro outro fofo que tem só uma fonte que segundo ele é a única voz autorizada por ser médico, vai aí a opinião de um médico, tão voz autorizada quanto, que deve ser um conhecido seu já que é um médico pop:

"A questão do aborto está mal posta. Não é verdade que alguns sejam a favor e outros contrários a ele. Todos são contra esse tipo de solução, principalmente os milhões de mulheres que se submetem a ela anualmente por não enxergarem alternativa. É lógico que o ideal seria instruí-las para jamais engravidarem sem desejá-lo, mas a natureza humana é mais complexa: até médicas ginecologistas ficam grávidas sem querer.

Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente"

http://drauziovarella.com.br/mulher-2/gravidez/a-questao-do-aborto/

@vbfri disse...

Anônimo das 11:58

Você quer uma medalhinha por não ter abortado? Toma a medalhinha pra você...
\ /
(&)
Eu sou a favor do aborto mas nunca abortei. Mereço medalhinha também?
Quando, numa situação de desespero me pediram opinião sobre aborto, eu falei para não abortar. Mereço medalhinha? O "bebê" fez 5 anos.
Ninguém aqui defende aborto como forma de prevenção e ninguém aqui está falando de OBRIGAR uma pessoa a abortar.
Abortos acontecem aos montes, diariamente. Quer mudar isso? Legalize. Aí o Estado vai saber quem abortou, quando e onde e pode dar condições a essas mães para evitar uma nova gravidez indesejada.
Em tempo, sou a favor da laqueadura e da vasectomia em quem quiser, na idade que quiser. Acho que é decisão pessoal (hoje o Estado só permite em maiores de 30 anos E que tenham 2 ou mais filhos).
E antes que me venha com #mimimi você não ia querer ser abortada, vou dizer logo: QUERIA SIM!
Você não conhece nada da minha vida, não sabe o que eu passei ou deixei de passar, não sabe a minha história.
Outra coisa: Eu não entendo essa história de que quem não tem filhos é egoísta. Normalmente é muito mais altruísta do que muita gente.
Vai por mim: eu não ter filhos é um ato de amor a eles e a mim. Neste momento não seria uma boa mãe.
Só que *eu* tenho condições de prevenir. Conheço os métodos contraceptivos a fundo e uso, normalmente, mais de um. Não raro usei pílula E DIU E camisinha.
#mimimi filho é uma bênção.
E essa é a última mensagem anônima que eu respondo.
Att.

@vbfri disse...

"homens delirantes que acham que o brasil é a suíça onde existem contraceptivos disponíveis no posto de saúde e todas as mulheres do país estão orientadas a utilizá-los, que acham que governo não deve dá aborto "di gratis", eu gostaria que antes de começarmos a discutir, vocês me enviassem um relatório sobre cada relação sexual que vocês tiveram, assinado por vocês e pelas parceiras de vocês que vocês usaram o preservativo em TODAS elas. registrado em cartório.
quanto ao aborto di gratis, então que tal sugerir ao governo uma forma de arrecadação em que vc possa especificar para onde vc quer que seu dinheiro vá e pra onde vc quer que o dinheiro nao vá pq eu por exemplo não tô afins de arcar com as despesas do hospital pelo tratamento de recuperação de um idiota que sofreu acidente de carro pq bebeu e dirigiu.
beijo no coração de vocês"
(2)
----
Eu também não quero pagar pelos salários e benefícios de vários políticos. Pode ser?
Quer ser elitista, benhê? Então pensa que não quer pagar pelo recapeamento da estrada Belém-Brasília porque, né, você mora em SP ou no Rio e nunca vai usar (só se esquece que muita coisa que chega por aí vem por caminhão e, né, se não estiver recapeada a pista, vai encarecer transporte e, por fim o preço final do produto vai subir.
Olha só, deixa eu explicar de uma forma que você entenda...
Se sua prima, irmã, tia, amiga abortar, provavelmente ela vai numa clínica especializada sem ninguém saber, vai pagar por isso e nunca mais vai ter um problema de saúde relacionado.
Agora, como a maior parte da população não tem 5 mil pra usar num aborto seguro, muitas vezes a mulher que aborta (porque, não se engane, quem quer vai abortar) vai parar no hospital ou no necrotério.
Sabe como você perde com isso?
Assim, ó...
Muitas vezes é a sua faxineira, a moça que serve o cafezinho no seu trabalho, a mulher que limpa o seu escritório.
Olhe para a cara delas. Sei que deve ser difícil do alto do seu privilégio de classe média. Converse com elas.

Mandy disse...

Roxy ganhou meu respeito. E não, não vou me dar ao trabalho de ler os comentários de pessoas que ainda não entendem que se não querem apoiar o aborto basta não praticar e deixar o resto do mundo em paz.

Anônimo disse...

Eu acho o debate interessante, mas noto que ele tem ficado muito no campo acadêmico, nada contra, mas eu queria levar mais para o lado pratico, alguém já experimentou perguntar para um órfão, ou um filho não planejado, se ele acharia melhor para ele não ter nascido ?
Experimentem !

@vbfri disse...

Eu falei umas 10 vezes... mas vamos lá.

EU QUERIA TER SIDO ABORTADA!

Meu pai não me queria e a minha mãe, sim.

SE TIVESSEM ME PERGUNTADO: EU PREFERIRIA NÃO TER NASCIDO.

Tá claro ou quer que eu desenhe?????

Patty Kirsche disse...

Também escrevi um post sobre a legalização do aborto em meu blog. Considero momento muito importante para essa discussão: http://t.co/qhSu7u1h

Carolina Guedes disse...

Quando essa questão do aborto surge aqui e acolá na minha vida fica alguns dias ressonando.. e hoje lembrei de um caso que aconteceu no meu colégio no ensino médio (aquele mesmo em que tínhamos palestras com bebês esquartejados)...

uma moça morreu em decorrência de aborto meu sucedido e o pai dela tinha ficado em choque pq diziam que um dia ele teria dito a própria filha que ela jamais engravidasse pq se isso acontecesse ele a colocaria pra fora de casa, enfim, aconteceu, ela entrou em desespero, tentou abortar antes que a família soubesse e morreu.

e agora esse pai vai carregar pra sempre esse peso nas costas. e pensar que tudo poderia ter terminado de um jeito diferente se ela tivesse tido um acompanhamento digno.

Luan disse...

Sou a favor de um lei que obrigue o pai (ou suposto pai) a arcar com a gravidez ao lado da mulher. Comparecer a todos os exames, ajudar no transporte, pagar parte da alimentação e vestuário da grávida e ajudar a fazer enxovaldo bebê. Se a mulher é obrigada por lei a continuar a gestação, pq quem é responsável por 50% na hora da concepção pode simplesmente fingir que não está acontecendo nada?
Caso no final das contas o homem não seja o pai pode acionar mecanismos legais contra a mulher. Mas na dúvida, fica obrigado por lei a participar. Tá muito fácil ser contra o aborto se não é obrigado a arcar com as consequências.

Roxy Carmichael disse...

PATTY muito importante isso de divulgar informações sobre como ter uma vida sexual segura de doenças e gravidez não desejada. e principalmente, como não entrar em pânico caso tenha optado por abortar e algumas possibilidade de realizar o procedimento da forma mais segura possível. acho muito importante que se discuta a lei e que as mulheres que apoiam a descriminalização se manifestem para que fique claro que somos muitas e fazemos barulho! mas diante do quadro pouco animador, diante da hostilidade dos nossos legisladores com respeito ao tema, acho que devemos tornar publica (e que chegue ao maior número de mulheres possível) a informação sobre como proceder nessa situação. é uma situação de solidão, porque toda a informação é tratada como segredinho de familia e ninguem fala pra ninguem e essa incerteza só aumenta o pânico e o sofrimento de muitas mulheres. sendo assim, peço licença pra publicar esse link:
http://www.womenonwaves.org/
no mais, esse assunto me estressa porque é uma injustiça cometida diariamente contra um dos setores mais vulneráveis da sociedade, as mulheres pobres. e não há nenhum argumento pro-vida que vai mudar essa realidade, essa injustiça, que é uma injustiça de gênero (por isso tô contigo lola, mulher que se diz feminista se declarar contra o aborto é algo que jamais entenderei), mas é uma injustiça social também. por sorte aqui encontro sempre mulheres muito bem informadas e homens também, o que me faz recuperar um pouco a fé na humanidade. beijão mulherada, tamo junta! e obrigada lola pelo blog!

Patty Kirsche disse...

Obrigada, Roxy! Não conhecia esse link, já atualizei meu texto. É importante transmitir esse tipo de informação para o maior número de mulheres possível. :)

Camila disse...

Falo sem medo que sou a favor do aborto, não só da legalização do aborto, porque é muito bonitinho dizer que "jamais faria um" sem ter passado pelas seguintes situações:

- estupro (marital inclusive)
- engravidar de alguém que não quero ver nunca mais da vida
- engravidar sem ter emprego
- engravidar mesmo tomando anticoncepcional certinho (eu mesma sou uma filha da pílula)
- engravidar de um feto anencefálico ou com qualquer doença incompatível com a vida extra-uterina
- simplesmente não querer um filho naquele momento da vida de jeito algum

Nunca engravidei, logo, nunca abortei. Mas se um dia eu precisar, não gostaria de ter que ir até o Uruguay pra fazer valer uma coisa que já direito das mulheres em mais de sessenta por cento do mundo (e olhando quem nos acompanha na ilegalidade dá pra entender direitinho os motivos disso ainda ser ilegal por aqui).

E também não dou a mínima para o argumento de "mimimi tem que se cuidar", é claro que tem que se cuidar, mas se uma pessoa não se acautela e engravida, querem que ela tenha filho pra quê? Ela nem consegue cuidar de si, vai cuidar de outra pessoa? Tenha dó. Até parece que filho santifica alguém (tirando a Virgem Maria, que pregava abstinência e acabou engravidando do boto cor-de-rosa).

Pra lei não faz a menor diferença, tanto faz se você é uma santinha que engravidou na primeira relação sexual, se é uma piriguete do baile funk, se usou camisinha, se não usou, se a pílula do dia seguinte falhou, tanto faz: A MULHER ENGRAVIDOU, TEM QUE PARIR e é isso que é errado. E o homem? Ele pode abandonar que tudo bem, é só pagar 30% do salário mínimo dali um tempo que tá tudo tranquilo pra ele.

Aliás né, homem que é tão ligado nessa coisa de dinheiro e pagar pensão, eles deveriam ser os primeiros a quererem legalizar o aborto porque todo mundo "defende a vida" até engravidar quem não devia, aí corre feito um louco atrás de Cytotec no Orkut e pau no cu do fetinho inocente e indefeso de olhos azuis que vai descobrir a cura do câncer e compor uma linda sinfonia (reparem que o fetinho nunca é um menor infrator).

Sou a favor do aborto EM QUALQUER CASO que a mulher entenda que deve fazer um. E também não tenho problemas com o tal do aborto tardio, assistam ao filme "O Aborto Dos Outros" e vocês entenderão o que leva uma mulher a querer interromper uma gravidez no sexto, sétimo mês de gestação e tentem julgar, se conseguirem.

tete disse...

Abortar é condenar à morte um reuzinho sem crimes. O que ele te fez mãe, para ser tão cruel, a ponto de executá-lo em seu próprio ventre, sem direito de apenas dizer: não me mate mamãe.
Não queira ostentar o negro titulo de infanticida


Aborto: terminar uma gravidez
Infanticídio: matar o próprio filho durante o estado puerperal, depois do nascimento

E pra você eu desejo sabe o que? Se for mulher, uma gravidez vinda do estupro e se for homem, que você engravide uma "vadia". Aí quero ver esse papo de "reuzinho", viu?

tete disse...

eu realmente dou risada de quem diz que "só a espécie humana tira a vida de seu semelhante".... gente assim precisava terminar pelo menos o ensino médio pra não falar tamanha besteira.

Anônimo disse...

Alguns anos atrás, houve um massacre na Candelária, aqui no Rio de Janeiro. Policiais mataram várias crianças. Cadê os pró-vida nessas horas? Ocupados demais com os que ainda não nasceram?

Ah mas são meninos de rua, menores infratores, não são mais fetinhos loiros inocentes, são apenas trombadinhas que podem morrer - ESSA É A VERDADEIRA MENTALIDADE "PRÓ-VIDA"

Nancy disse...

Alguém mencionou o Woman on Waves e eu gostaria de dar uma informação muito importante aqui.

O site envia um kit aborto para mulheres sem acesso ao aborto legal no mundo, composto por 2 medicamentos diferentes e um teste de gravidez. Mandam aqui para o Brasil também, mas tudo isso tem um custo em euros, acho que dá uns 200 reais.

PRESTEM MUITA ATENÇÃO:
"Apenas pedir esses remédios, entretanto, não traz, em um primeiro momento, problemas legais. A delegada Eliana Yamasaki, da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) explica que a mesma lei que poderia punir o Women on Web tem uma espécie de "buraco" quando se trata da mulher que recebe o coquetel abortivo.

“Nosso Código Penal não fala em uso pessoal. Para que essa mulher fosse alvo de investigação, então, seria preciso que ficasse comprovado que ela importou esses medicamentos para venda ou distribuição”, esclarece a delegada."

IMPORTAR O MEDICAMENTO PARA USO PRÓPRIO E EM PEQUENA QUANTIDADE NÃO É CRIME, É FATO ATÍPICO INCLUSIVE, VENDER É QUE NÃO PODE.

http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2011/09/16/brecha-nas-leis-brasileiras-abre-as-portas-para-o-aborto-pela-internet/

quem precisar, não corra riscos na mão de falsários do Orkut.

Tiago disse...

Bem, esses são pontos que para mim são relevantes no assunto do aborto, parecendo idiotas ou não. Estou aberto a

discussões e sei interpretar a opinião alheia, só não me venha com ignorância e ataque, que isso não é útil no

debate.

1º - Natureza: Só a mulher pode ser mãe, somente. Se quer culpar, culpa a entidade divina de sua crença ou seus

genes, por ter nascido uma, pois (in)felizmente você tem essa obrigação para com a raça humana. E veja que por mais

idiota que soe, é uma faca de dois gumes, pois do mesmo jeito que você pode ter filhos, o homem não pode, pense

nisso.
2º - Não tem como separar totalmente na razão, a maternidade, pois ela em si já é movida a sentimentos, desde os

mais primitivos e instintivos aos mais pessoais, então, tome cuidado em relação aos argumentos relativos a isso.
3º - Qualquer que seja o nome dado à vida que reside dentro do útero da mulher, não deixa de ser vida. Não é

questão de crença religiosa ou não, há vida ali.
4º - Partindo do ponto em que há vida, e a Constituição defende o direito a vida, a vida dentro da mulher não

deveria ser tirada pelo simples fator de 'vontade de não ser mãe'. Se você acha que deveria, seria o mesmo que você

estar concordando que uma pessoa não deveria ser punida pelo fato de ter cometido um homicídio pela simples vontade

de matar. Bem, se você não defende o direito a vida, então sim, você tem todo o direito de defender o aborto em

qualquer circunstância.
5º - Questão familiar: tirando a personagem bíblica, Maria mãe de Jesus, desconheço na história da raça humana a

fêmea que engravidou sem a participação da figura masculina, ou seja, sua célula reprodutora. Logo, se aquela vida

não foi gerada por uma pessoa só, o que dá a mulher, o direito de decidir sozinha se irá ou não ter aquela vida?
(Aqui não estou querendo dizer que o aborto deveria ser permitido caso o pai biológico autorizasse, apenas

levantando mais um quesito à discussão).
6º - Psicológico: o que prova de fato que a mulher está preparada para um aborto ou que está preparada para criar

um filho? Ser mãe não é uma ciência exata com fórmula perfeita, os filhos são criados na base do erro e acerto.
7º - Não vejo a luta por uma educação sexual de qualidade (qualidade MESMO). Em vez disso, vejo a colocação de

culpa no que não tem. Como ilustração, cito o exemplo típico do estupro, em que a mulher que estava usando roupas

consideradas vulgares, e/ou em situações propícias a um estupro, receber carga da culpa por ter sido violentada.
8º - Altas taxas de morte ou sequelas entre mulheres que procuraram o aborto, mostra a irresponsabilidade e o

despreparo psicológico da mulher e seu parceiro a respeito da relação sexual, e não que deveria ser legalizado o

aborto. É como por ex. dizer que a lei não deveria defender o direito a vida, porque o que mais acontece no mundo é

humanos matando humanos.
9º - Métodos anticoncepcionais não são 100% eficazes: sei que é clichê, mas novamente, a única fêmea da raça humana

que ouvi dizer que engravidou sem a relação homem-mulher, é a Virgem Maria, ou seja, não quer correr o risco de

filhos? Que tal não enfiar um pau dentro da sua boceta? Ou uma boceta no seu pau? :D
10º - "Ahhhh, mas a mulher tem direito ao sexo, ao prazer, não é justo ficar sem transar, ter essa privação,

etc...". Tudo nessa vida tem consequências. Todas as outras raças na Terra sabem da consequência da relação, que

aquilo resultará em procriação em período fértil, e arcam com as consequências, só o grande e racional humano que

não sabe disso. Risos.

Tiago disse...

11º - "Ahhhh, mas tenho direito ao prazer, não deixarei de senti-lo por isso, bla bla bla...", bem, a tecnologia e

a masturbação já resolveram isso pra você. E por você digo homem e mulher, pois, novamente, não existe vida sem o

envolvimento dos dois sexos.
12º - "Nãooo, eu não vou deixar de me envolver com o outro ser humano só por isso, e me satisfazer de modos

"alternativos"". Então espere os dias certos ou use a criatividade oras! Ainda bem que existem outros meios de

satisfazer uma pessoa que não seja por penetração!
13º - "Mas os casos de abortos são geralmente em pobres, ou mulheres maduras que já tem filhos ou que já tem

consciência que não querem realmente ter um." Bem, para as pobres 7º tópico, para as sábias que não querem filhos,

10º tópico.
14º - Religioso: Nem queria entrar nesse tópico desnecessário, mas para dizer que não falei, as religiões comuns

são bem pró-vida, acreditam na alma e tudo mais. Algumas indicam até o fogo eterno por você fazer essas coisas

(pecado, aborto). Então nem preciso dizer que é melhor não tostar eternamente e ir para o grande paraíso de

felicidade. E como estamos no Brasil, e o cristianismo é o forte aqui, lembre-se de Jesus: "Amai-vos uns aos

outros." Se você, no seu maior esforço, tentar seguir isso, tem erro não, você é a favor da vida do ser. E se você,

se diz religioso, mas não se esforça para seguir, que como dito, as mulheres mais velhas e católicas andam

abortando bastante, então, acredite, você está no caminho certo, a igreja Católica tem um carinho especial por

matanças ;D
15º - Essa necessidade de legalizar o aborto é um grande reflexo de uma sociedade que caminha para a busca

constante e desenfreada do prazer, e incosequente ao mesmo tempo. São crianças mimadas que cresceram sem pensar nos

seus atos, que querem tudo, e querem agora. E a tendência disso tudo é só se agravar. Então, nesse passo, a

urgência e necessidade de hoje, se tornará a rotina e futilidade de amanhã.
16º - "Ahh, mas a mulher tem que ter o direito de abortar porque o pai não ajuda a criar". Bem, primeiro que já ta

grávida, ou seja, em algum momento ficou afim de dar, e não se segurou e entrou nessa (ahhh mas o cara tinha que

olhar também e tals. É, mas é você quem fez questão de estar com um cara irresponsável que não te ajuda a se cuidar

nessa. Novamente, acredito na obrigação do homem de não se lascar nessa, e aprender a se segurar também). Bem,

dinheiro não resolve o problema, mas a única coisa que dá cadeia no Brasil é não pagar pensão né (quase um ditado

popular isso), então pelo menos nesse aspecto a lei procura amparar. Não digo que resolve, longe disso, mas ei,

consequência dos atos, melhor que uma mão na frente e outra atrás.

Enfim, pura e simples opinião: acredito na legalização do aborto no que já tange a lei, e também acredito que

deveria se estender a qualquer problema de saúde que o feto possa apresentar (como síndrome de Down por ex.),

porque sim, acredito que uma vida que por obrigação deve ser vigiada a todo tempo, e em dia nenhum terá

independência para viver por conta própria, se detectada na gravidez, sou a favor do aborto.
Procurei ser o mais racional possível, e espero que os pró-legalização, tentem realmente ver de outra forma o

assunto e saibam realmente 'ouvir' a opinião alheia, porque, como religião, a sua opinião sempre está certa.

Amanda Martins disse...

Lola, pelo que li sobre a legalização do aborto em Portugal, 96% das mulheres que fizeram um aborto estavam usando algum método contraceptivo (60% tomavam a pílula). Ou seja, não se pode alegar irresponsabilidade ou descuido em grande parte dos casos.

Mirella disse...

Tiago,

"1º - Natureza: Só a mulher pode ser mãe, somente."

Primeiro, você ignora a existência dos homens com vagina. Sim, eles existem. O mundo vai muito além do binário mulher-com-vagina ou homem-com-pênis. Segundo, a pessoa não engravida sozinha. Precisa de dois tipos de gameta, ou seja, todo mundo tem responsabilidade ae. Terceiro, eu não tenho obrigação nem responsabilidade nenhuma para com a raça humana. Vou ter filhos se e quando quiser. Como também já disse, não faço filhos sozinha. Aqui é 50%-50% de responsa.
"2º - Não tem como separar totalmente na razão, a maternidade (...)" O que que tem uma coisa com a outra? E digo, novamente, não existe isto de "instinto maternal" em toda mulher. Tem gente que quer ter filhos e quem não quer. Cuidado ao generalizar esta história de sentimentos. Se existem tantas pessoas que abortam, deve ser porque não existe todo esse romance em torno da gravidez/maternidade, certo? Então por que você não para para ouvir quem engravida(ou), como esta pessoa se sente, antes de resumir tudo a senso comum?

"3º - Qualquer que seja o nome dado à vida que reside dentro do útero da mulher, não deixa de ser vida. (...)"
Um corpo que funciona normalmente, com ausência de atividade cerebral, também é vida. Não deixa de ser vida. Inclusive o corpo precisa estar vivo (ou ser mantido assim artificialmente) para que a doação de órgãos seja possível. E aí, isto é assassinato também? Como pode o fato de células em desenvolvimento, sem a formação de um sistema nervoso (logo, sem atividade cerebral) ser comparado a um corpo desenvolvido e independente (no fato de sobreviver externo a um outro corpo)? Se é tão vida assim, por que em casos de aborto espontâneo não é fornecido certidão de óbito? Não é feito registro desta vida? Por que padres não encomendam esta dita alma? Só tem vida quando não é aborto espontâneo?

"4º - Partindo do ponto em que há vida(...)" Conforme disse acima, discordamos do ponto de vista da "vida", não dá para comentar aqui. Mas homicídio, é? Então quando a mulher sofre um aborto espontâneo deve ser processada criminalmente por homicídio culposo? E se gestante não tomou as vitaminas e complementos e não fez todos os exames pré-natais, deve ser processada também, no caso de o bebê não nascer "perfeito"? E a responsabilidade criminal do pai ou equivalente? Vai saber se não foi este material genético que causou o aborto espontâneo! Vamos criminalizar todo mundo! No caso de aborto "criminal", o pai deve ser responsabilizado também, obviamente. Afinal, sem os gametas dele nada disto teria acontecido. Bora colocar todo mundo na cadeia.

"5º Logo, se aquela vida não foi gerada por uma pessoa só, o que dá a mulher, o direito de decidir sozinha se irá ou não ter aquela vida?" Porque é no MEU corpo. Ou você acha que eu posso dizer o que acontece no seu corpo? Não quero engravidar, então vai lá fazer uma vasectomia, dura alguns minutos só. Vai lá, to esperando. E daí que o corpo é seu, EU QUERO. Depois eu engravido e aí você vai querer dizer o que acontece no meu corpo.

Mirella disse...

"7º - Não vejo a luta por uma educação sexual de qualidade (qualidade MESMO)." Comece agradecendo àquelas pessoas que acham que educação sexual é incentivar sexualidade ~das crianças~. E também àqueles setores que condenam o uso de qualquer contraceptivo (tipo uma certa igreja que tem adeptos na maioria da população do país). Agradece também quem ficou gritando contra o "kit-gay". Mas calma que você vai acabar fazendo um agradecimento só, porque são as mesmas pessoas que tem esta postura. Pode perguntar para qualquer pessoa aqui: tods nós defendemos educação sexual. Entretanto, este tipo de política demora ANOS até apresentar efeitos. O que fazemos com as pessoas AGORA? E mesmo com a política de educação sexual haverá pessoas engravidando sem querer, porque métodos falham. Pessoas falham. Tudo falha.

"8º Altas taxas de morte ou sequelas entre mulheres que procuraram o aborto, mostra a irresponsabilidade e o despreparo psicológico da mulher e seu parceiro a respeito da relação sexual(...) Não, isto demonstra que a clandestinidade põe em risco a vida de milhares de mulheres de forma desnecessária, porque altas taxas de morte/sequelas ocorrem ONDE O ABORTO É PROIBIDO. Onde é legalizado, isto não existe. Mas você prefere defender a possibilidade de vida no útero de uma mulher do que a vida da mulher que já existe. E se ela morrer, bom, azar né. Realmente, você tá se importando muito com a vida das pessoas.


"9º Que tal não enfiar um pau dentro da sua boceta? Ou uma boceta no seu pau? :D" Que tal não se enfiar na minha vida? E se você tem tanta certeza de que política de abstinência é tão eficaz, vai dar uma olhadinha no que aconteceu nos EUA, tá? Depois volta pra conversar.

"10º Todas as outras raças na Terra sabem da consequência da relação, que aquilo resultará em procriação em período fértil, e arcam com as consequências, só o grande e racional humano que não sabe disso. Risos."
Por raças você quer dizer outros animais? Hm, ok, vou me comportar como os outros animais então. Pode ser igual à viúva-negra ou a louva-deus fêmea e matar o parceiro depois do rala-e-rola? Ou imitar, por exemplo, meus amigos símios que praticam sexo por entretenimento e, muitas vezes, homossexual? Ou posso pedir para meu parceiro fazer igual o cavalo marinho e carregar o neném durante a gestação? Ou fazer como cães que muitas vezes copulam com seus irmãos/pai/mãe? Você é tão racional, ó grande humano defensor da moral e dos bons costumes. Risos.

«Mais antigas ‹Antigas   1 – 200 de 341   Recentes› Mais recentes»