sábado, 19 de maio de 2012

GUEST POST: EU RECICLO MULHERES

Arte e foto Mundano

Selene me enviou esta mensagem com dúvidas que não sei responder. Acho que a dúvida é maior que "o que responder a um aluno que carrega mensagens equivocadas sem se dar conta?". Num mundo preconceituoso como o que vivemos, tod@s nós, em algum momento, nos pegamos pensando "o que dizer num caso assim? Aliás, será melhor dizer alguma coisa?". Espero que vocês possam se identificar com o que conta a Selene e, ao mesmo tempo, dar sugestões.

Sou formada em Artes Plásticas e dou aula de arte em uma escola particular localizada em uma região tranquila na zona leste São Paulo. Sempre digo que tenho sorte de lecionar nessa escola, que me dá total liberdade para que eu possa planejar minhas aulas da maneira que acredito. Há um ateliê bastante amplo com mesas grandes e com os materiais que eu desejar. A escola procura adotar um modo construtivista de ensino, dando ênfase em oficinas ao invés de aulas expositivas, onde se possa aprender cada vez com mais autonomia. Ou seja, os alunos que lá estudam são privilegiados por terem acesso a uma educação pensante, aberta e repleta de propostas interessantes.
Meus alunos têm entre 6 e 11 anos e as turmas têm em média 25 alunos. No ano passado, havia uma turma especialmente mais complicada de lidar, pois concentrava muitas crianças que adoravam falar o tempo todo -– o tempo todo mesmo. Era difícil que alguma proposta os cativasse, e grande parte da aula era tomada pelos pedidos de silêncio e atenção.
Em uma dessas aulas, os alunos realizavam com alarido a proposta do dia. A cada 5 minutos, eu tinha que lidar com problemas “alheios” (digo entre aspas pois encaro que não vivemos em uma bolha e frequentemente surgem questões, desvinculadas à matéria propriamente dita, que não devem ser ignoradas): “professora, não consigo trabalhar com tanto barulho; professora, o fulaninho me mandou calar a boca; professora, alguém escondeu meu material” etc. No meio disso tudo, um aluno se dirigiu até mim e, levantando a blusa do uniforme, me mostrou todo orgulhoso a camiseta que estava por baixo, ostentando os magnificentes dizeres “EU símbolo de reciclagem MULHERES”.
Eu já havia passado por situações parecidas em sala de aula; aquela situação em que você sabe que deve dizer algo muito certeiro, mas fica tão atordoado que acaba deixando passar. Só consegui perguntar duas coisas para ele: se ele sabia o que aquilo significava e onde ele tinha arranjado a camiseta. A primeira pergunta foi respondida com um simples sim e a segunda com “foi minha mãe que me deu, é do Pânico”. Logo perdi a chance de dizer mais alguma coisa. A conversa se dispersou, o garoto rapidamente estava em outra atmosfera e outras questões foram surgindo. Porém, diferentemente de outras situações que não consegui conduzir da maneira que gostaria, essa em especial não me deixou em paz. Naquele dia, voltei para casa com uma forte sensação de derrota. E hoje, meses depois, não passa um dia em que não confabulo uma conversa imaginária com aquele aluno naquele momento. O problema é que por mais que eu imagine essas conversas que não ocorreram, sempre ficam lacunas. Não sei o que diria. Não sei como explicaria para um garoto que, no auge dos seus 9 anos, carrega no peito dizeres que, provavelmente, ele só acha “engraçadinhos”, não tendo noção da dimensão daquilo. Não sei se de fato foi a mãe dele que o presenteou com a camiseta, mas certamente a mãe sabe das roupas que seu filho tem. Ela acha aquilo engraçadinho também?
Lembro que quando eu tinha mais ou menos essa idade, usava dias seguidos a mesma roupa. Não gostava de usar uniforme e uma vez levei uma advertência por ir na escola de calça preta (tinha que ser azul marinho). Eu amava aquela calça e não queria vestir nada além dela. Acredito que a camiseta estava sendo para o aluno o mesmo que a calça preta era para mim –- do contrário ele não iria usá-la por baixo do uniforme em um calor de 30 graus. Por algum motivo, ele se sentia bem carregando aquela mensagem. Como eu poderia instigar um garoto dessa idade a refletir que a frase implica na conotação de que mulheres são descartáveis, algo para ser usado e trocado? Que ele estava simplesmente repetindo um comportamento machista do “pegador”, sendo que ele nem sequer tem maturidade para vivenciar e escolher se quer mesmo ser esse tipo de cara? Que pessoas, homens e mulheres, não são recicláveis justamente por serem pessoas, e não lixo ou objetos descartáveis? Como fazer para que essas colocações façam sentido para uma criança, ainda mais para uma criança que costuma dar de ombros a qualquer coisa que um professor fale?
Sei que situações como essa ainda aparecerão. Quero estar mais preparada para que, da próxima vez, eu possa fazer mais do que perguntar se o aluno tem noção do que está dizendo. É inevitável imaginar esse garoto daqui a uns anos da pior maneira possível e, querendo ou não, deixar passar faz com que essa pior maneira possível seja responsabilidade minha também. É fácil ignorar, achar que é só bobeira de criança, que ele deve estar repetindo comportamentos dos pais e que não necessariamente será igual a eles. Mas não consigo fechar os olhos e achar que as questões impertinentes que surgem dentro do ateliê não me dizem respeito. Portanto, isso é um apelo para que me ajudem a pensar maneiras de conduzir uma conversa quando essas situações surgirem. Acredito que, quanto mais esse assunto for discutido, mais ferramentas teremos para argumentar, seja com um aluno, como foi o caso, ou com quem for.

76 comentários:

aiaiai disse...

Eu não consegui entender qual é a mensagem da frase. De onde o menino tirou isso? É uma frase famosa. Explica mais, please!!!

Eu acho o conceito de reciclar tão bacana mas não consigo ver em que contexto vc poderia dizer que recicla uma pessoa. Reciclar recursos humanos é usado nas empresas significando programas de treinamento, etc. Mas, acredito, que não é o caso aqui...

Unknown disse...

Olha, eu também sou professora e já fiz um debate com os meus alunos sobre o pânico na TV. Como os seus são pequenininhos, fico pensando que seria interessante marcar uma reunião com a coordenadora e a mãe desse menininho. Conversar com os pais dele sobre o significado de td isso, se a escola te apoiar...

Eduardo Marques disse...

Uh, alguém me explica a piada da camisa?

Dária disse...

Nunca vi camisa destas, mas vindo do pânico eu imagino como sendo algo assim: reciclar mulheres = reutilizar as que os outros já jogaram fora.

Nisso já entraria vários conceitos machistas. Primeiro a própria idéia de usar, como um prazer seu, e não dos dois.

Segundo a noção de que a mulher sempre foi antes descartada por alguem, nunca foi ela quem dispensou, nunca que ela está sozinha por opção própria. É lixo que alguem não quis mais.

Se usada num contexto de cirurgia plástica (o que não acho que seja o caso, mas apenas explorando possibilidades), poderia ser "usar a carcaça velha para fazer uma mulher nova". E aí já implicaria numa discriminação com biotipos e imposição de padrões.

Enfim, não consigo imaginar realmente uma forma que a frase da camisa significasse qualquer coisa positiva.

Tampouco sei se saberia conduzir a conversa, acho que partiria das suas perguntas, se o aluno diz que sabe o que significa, sentaria com ele em um canto e pediria para ele me explicar o que entendia da mensagem. Provavelmente ele não desenvolveria nenhuma ideia profunda, então eu tentaria apontar variáveis possibilidades de interpretação (talvez até inentasse algumas positivas pra pôr no meio), e mostraria que como algumas delas são ruins para as mulheres acaba não sendo uma boa mensagem.

Enfim, trabalharia com ele dentro do seu campo de aula, como se fosse um trabalho de interpretar um quadro. Sem repreender muito, sem nem aprofundar muito em relação ao perfil do programa ou ao contexto social, já que é uma criança.

aiaiai disse...

tá, agora vi que é coisa do programa panico...só q eu nunca vi esse programa e não sei em que situação eles usam essa frase. A autora do post poderia explicar melhor?

A Dária deu duas explicações, mas, não sei se é o que o menino compreende...ou tem "orgulho de" ostentar.

Anônimo disse...

eu tbem não entendi muito bem a mensagem da camiseta. talvez que ele use as mulheres como objetos e que, na hora de jogar no lixo, essa mulher seja reciclada? ou trocada? algo assim? de qualquer forma, tratada como objeto que pode um dia vir a ser lixo.

bom,até pela idade do menino, talvez seja interessante falar com a coordenadora pedagógica e conversar com a mãe. acontece que essa mãe tbem tem lá as crenças dela e a cultura do lugar de onde eles são. talvez esses pais gostem de assistir pânico. estão apenas reproduzindo no menino o que eles são. talvez perguntar pra essa mãe se ela entende a mensagem, entende que não é "apenas" uma piada de um programa de tv. sem acusar e sem forçar nada, mas questionando se ela sabe de tudo que tá embutido ali.

outra saída seria tirar o foco da camiseta (até pq ele vai esquecer essa camiseta daqui a pouco. crianças crescem rápido e largam coisas que adoram assim que outra novidade surge), mas, em sala de aula e pra todos os alunos, valorizar a mulher, ensinar que a mulher tem que ser respeitada, que a mãe deles é mulher e deve ser respeitada. algo do gênero. poderia até ser feito um brainstorming no quadro sobre o que vem à mente qdo se fala em mulher e depois a professora poderia lançar uma atividade mais própria da aula de artes. ela poderia dizer que a arte é importante na sociedade, já que carrega expressões de ideias correntes, podia explicar que as próprias mães deles dão duro pra trabalhar, arrumar casa, cuidar do uniforme deles e que, como os pais, tbem são muito importantes pra eles. e, daí, falar que outras mulheres tbem são como as mães deles, que trabalham, dão duro e que, por isso, também merecem respeito.

como são muito novos, seria algo como plantar uma semente. sementes podem germinar ou não, né, mas o esforço valeria a pena, acho eu. pq há casos de gente que nasceu num determinado ambiente e cresceu completamente diferente. então, acho que educar pra que essas crianças entendam que mulheres não são coisas seria bem legal.

Joãozinho disse...

hmm.. acho que é ofensivo porque a reciclagem consiste em pegar um objeto gasto e sem valor e transformá-lo em algo útil, mas de menor valor que o original novo e bonito que todo mundo quer.
Eu não usaria essa camiseta porque parece que eu tô é catando mulher lixo. Pra mim, passa a imagem de um bagaceiro chinelão que só come mulher feia,gorda,etc.

Hamanndah disse...

Joãozinho

Lola é gorda e está fora dos padrões de beleza e nem por isso o maridão dela - que existe mesmo, viu? - a considera um lixo.

Lixo é o seu preconceito e o seu machismo

Anônimo disse...

sem palavras...

"Pra mim, passa a imagem de um bagaceiro chinelão que só come mulher feia,gorda,etc."

Ramon Melo disse...

Eu reforço a dúvida da aiaiai. Não consigo entender qual é o sentido lógico dessa frase. É óbvio que ela é de extremo mau gosto, mas o que ela significa?

Tem homens que reciclam a mesma mulher durante toda a vida. Aliás, as pessoas se reciclam, ninguém é o mesmo do início ao fim.

O que realmente me irrita é o uso de um símbolo de união, solidariedade e altruísmo ser usado para humilhar outros seres humanos. Compreendo a Selene perfeitamente, também não saberia o que dizer.

Anônimo disse...

hm, ramon, taí. talvez vc tenha visto uma única coisa positiva nisso tudo. só é ruim que ele afirma (na camiseta) que ele recicla mulheres. o gancho poderia partir dessa ideia de que as pessoas se reciclam ao longo da vida, mas deixando claro que não é a pessoa que vira lixo, mas, por exemplo, uma fase da vida da pessoa não serve mais pra ela e ela se recicla e se esforça pra melhorar. obviamente, não acredito que tenha sido essa a mensagem do pânico. mas, né, pra uma conversa, poderia servir de gancho.

Luciana disse...

Se a camiseta é do Pânico, não tem como ter mensagem boa nisso, gente. Alguns minutos daquela programação chula e vcs vão entender o tamanho da misoginia do programa.

Eu reciclo mulheres = eu aproveito a mulher que vc jogou fora.

Joãozinho disse...

Hamanda, pegar uma mulher gorda,feia,etc é comer da lata de lixo, se outro homem não acha isso, se o mundo não achar isso, ainda assim não mudam meus valores pelo pensamento dos outros.
Você só pensa,sente e age da forma que o politicamente correto te disse que era certo ou foi a Lola(ou a mamãe)? Que pena, você é um cordeirinho.

Anônimo disse...

joãozinho, me explica uma coisa: o que vc faz aqui? vc veio aqui por se interessar pelos temas, por querer aprender alguma coisa... ou por quê? queria saber mesmo, já que aqui é espaço pras pessoas abrirem a cabeça, pra entenderem que o padrão imposto por aí sobre mil coisas (inclusive beleza) não é real e é imposto. e, não, isso não é ser policamente correta e nem dizer que todos deveríamos ser gordos ou gostar da mesma coisa. é apenas olhar pra vida e perceber que tem gente muito bem amada, gente curtindo sexo incrivelmente, atuando em vários setores da sociedade e sendo o que vc chama de "gorda, feia, etc"(o que seria o etc?). espero que vc seja pelo menos um décimo do que vc espera de uma parceira pra poder exigir tudo isso. e, sério mesmo, se eu não gostasse de algum lugar, eu não voltaria. a dona do blog não é super magra e nem tem interesse em ser igual a uma capa de revista. vir aqui vomitar todo seu preconceito é desrespeito, sim.

vc pode ter o gosto que quiser, mas respeite o gosto dos outros. chamar de lixo o que os outros acham bonito é querer impor suas ideias. cuide do seu tesão (me parece que cuida mais de agredir os outros) que os outros cuidam dos tesões deles.

Carol M disse...

Conversa com a mãe e a coordenadora pra ontem!

E Joãozinho, vê se cresce moleque zé ruela!

Dri Caldeira disse...

Mensagem que o programa Pânico passa: pegar uma menina bonita c/ o cabelo lindo e fazer ela raspar a cabeça careca. Em situações normais, as paniquetes jamais dariam atenção pra eles. Então, pra se vingar, eles as obrigam a passar pelas mais humilhantes situações por dinheiro. E por serem caras comuns, que jamais chamaram a atenção de outra maneira na vida, eles se vingam de tudo o que passaram humilhando tb: anões, negros, gordos, deficientes mentais... Todo mundo vai dizer que eu estou exagerando. Mas parem e analisem os quadros do programa. É uma espécie de vingança. Vingança contra a global que não quis dar entrevista, contra as gostosas... E coloca na cabeça desse menino pra nunca assistir essa porcaria e que o que eles fazem nunca foi nem vai ser humor.

Anônimo disse...

Simbólico! E como tudo que é muito simbólico, depende do olhar de quem vê, de quem usa a camiseta, a Lola, por ex, se visse usando esta camiseta, logo viria a minha mente uma mulher que recicla "idéias" de outras mulheres... Ou outras pessoas... Que torna os pensamentos diferentes ou mesmo que coloca pensamentos ali! Entenderia como algo bom! Acho que é muito válido no sentido de reciclagem do pensamento! Até porque penso que quando algo se recicla sempre surge algo melhor, ou seja, um melhor pensamento depois seria criado... Não necessáriamente entendi a mensagem da camiseta sendo ruim, reciclagem de pessoas... Um menino de 9 anos dizendo com esta camiseta, ai é outra história! E realmente creio que é uma problemática, do que esta por de trás disso, do relacionamento de todos ali envolvidos... Da postura familiar... Seria a mensagem, dizer que a mulher é um lixo? E pode ser descartada e/ou reciclada? Depende de quem vê! Falando em lixo me lembrou um poema que acho que cabe a questão, refere-se ao lixo de fato, mas creio que ajuda na reflexão, pois é da visão de uma pessoa para com seu lixo:

"Isso aqui é um depósito de restos e descuidos. As vezes é so resto. E as vezes vem também o descuido. Quem revelou o homem ensinou a ele a conservar as coisas. E conservar as coisas é proteger. É lavar, limpar e usar mais. O quanto pode. Miseria não! Mas a regra sim! Porque economizar é maravilhoso!" Estamira

Sobre o programa, nunca me dei o desprazer de assistir.

Ass: Amelia

Anônimo disse...

é, tbem nunca vi o programa,mas eu soube que rasparam a cabeça da menina lá. acho essa coisa de cabelo bem simbólica e aquilo me incomodou muito. só não sabia que humilhavam anões, negros, etc. e ninguém faz nada contra? sério que é tudo piada?

Anônimo disse...

Anônimo das 14:02

Também ouvi essa história da cabeça da moça sendo raspada ao vivo... Olha eu não sei, também não sei qual tipo de pessoa vê piada nisso! E o quão doente é uma pessoa que vê piada na humilhação do próximo...

Ass: Amelia

Joãozinho disse...

Anonima:
Venho aqui para aprender, se não fosse interessante eu não voltava, eu gosto do blog e da Lola(!).
Eu fui deliberadamente agressivo e vago, não é porque uma mulher é gorda e feia que ela é lixo, nunca pensei isso. Mas, há mulheres que são lixo e não, o etc refletiria "questões da alma" aparência física é mais um reflexo do interior da pessoa, é mais ou menos isso que eu quis dizer.
Você não diria que todos tentam impor suas idéias? Quer dizer, a professora tá há dias matutando uma resposta pro garoto e até ajuda de blog na internet foi procurar...isso que ela nem sabe o que o menino entendeu.
PS: o argumento da Hamanda é burro demais,se esforça mais amiguinha.
PS2:CarolM :* beijo tia

lola aronovich disse...

Joaozinho, seu primeiro comentário no blog só não foi deletado porque algumas comentaristas foram mais rápidas do que eu e te responderam. Mas vc não tem nada pra fazer aqui se acha que alguma mulher (ou homem) é "lixo". E agora vc continua ofendendo comentaristas... Faz assim: vai embora do blog, porque ele certamente não é pra vc. Ou fica lendo sem comentar. Ou muda de nome e, de preferência, de personalidade, e volta pra comentar aqui. Mas como Joaozinho vc não tem mais muito futuro aqui não.


Gente, concordo que "reciclar mulheres" até pode ser interpretado de outras formas. Mas, se é camiseta do Pânico, creio que isso revove possíveis interpretações. Eu ficaria curiosa em saber o que o menino de 9 anos vestindo a camiseta acha que "reciclar mulheres" significa. Ah, e como eu coloquei numa das imagens, o "I recycle boys" tb existe. E imagino que seja uma ideia americana copiada pelo Pânico (poucas coisas que esses programas tipo Pânico e CQC fazem são criações deles).

Geraldo disse...

Bem, tratando-se do Pânico e do seu constante tratamento ofensivo com as mulheres e minorias, já era de se esperar algo do tipo. O que ficou claro para mim: a frase "Reciclar garotas" pressupõe que elas podem ser usadas e jogadas no lixo, como objetos de consumo descartáveis. Assim, uma moça "usada" significa que ela não é mais virgem, isto é, "perdeu" o seu valor segundo a ótica machista. Logo, o rapaz "reciclador" de mulheres é o que transa com elas, as "rodadas", as que já perderam a virgindade.

E sobre o cabelo raspado da panicat: em que diabos aquilo é humor? Confesso que, sim, há bastante tempo já ri com Cristian Pior e Sabrina Sato, mas acho que eles "descobriram" que investir pesado na humilhação do ser humano alavanca a audiência.

Joãozinho disse...

Lola, eu não xinguei comentarista nenhum, disse que a argumentação foi tosca, não disse que a pessoa é tosca.
Você não acha que eu estou simplesmente expondo uma opinião? Não é saudável debater visões diferentes? Veja que eu não apontei o dedo pra ninguém em momento algum pra chamar de gord@,fei@,bob@ ou coisa parecida, não chamei ninguém de zé ruela...
Apresentei uma visão de que algumas pessoas são "lixo", mas isso é um estado que pode ser mudado(na minha visão).
Vocês não acham que machistas,misóginos,mascus,espancadores de mulheres,pedófilos são "lixo"?
...i'm just asking questions

Eduardo Marques disse...

Tá na cara que ninguém aqui sequer sabe o que significa exatamente a frase da camisa (nem eu!), se é realmente ofensiva. Só estão dando piti porque é do pânico faz referência a mulheres. Gente, vão perder o tempo com alguma coisa mais útil, ou então saber do que estão falando, antes de reclamar!

Anônimo disse...

Eduardo Marques, eu não vejo nada de positivo em Reciclar pessoas, porque pessoas não são lixo, principalmente mulheres, que são discriminadas o tempo todo.

E quanto ao tempo, eu decido com que e como gastar meu tempo, não você.

A. Pensante.

Edna Mara disse...

Joaozinho,

Tchau!!! Esse blog não é para pessoas como você, não tem justificativa o q você disse.

Vivi disse...

Eu nunca tinha visto este “reciclo mulheres”. Mas, ao contrário do que a Amélia disse aí em cima, não podemos pensar de que o significado depende de quem vê. Claro que é simbolismo, mas o simbolismo não existe no vácuo. A frase que sempre damos como exemplo aqui “100% branco” não depende de quem vê. Existe toda uma ideologia e sociedade em que as frases são ditas. Se não, tudo depende, e nada é machista/racista..afinal, tudo depende de quem vê, não? Por isso que temos que considerar sim que, sendo o Pânico usando esta frase, e sendo o Pânico um programa machista, seja bem provável que a frase tenha este significado. Não desconsiderando a grande possibilidade desta frase ser de origem machista, se não soubesse que o Pânico que usa,e se tivesse visto a versão de “reciclo homens” tb poderia dizer que trata de algo como “a fila anda”, por isso usamos e utilizamos várias pessoas para relacionar em nossas vidas...O que igualmente não sei se gosto desta ideia....

Vinicius disse...

Peraew, não há "interpretações". Isso é achar que cada um é um universo a parte da realidade. Se juntar os dados, a camiseta, a sociedade em que vivemos, quem está sendo propagandeado pela camiseta e quem que compra esse tipo de camiseta, já se percebe que a expressão social é machista. É exatamente o que a Dária falou no primeiro parágrafo do seu comentário e o que a Luciana colocou.

Reciclar é pegar aquilo que o outro jogou fora, não se importar em ser "pega-bagulho".

Não creio que seja machista somente pela conotação do uso unilateral (só o homem goza), mas acho que é por tratar a mulher como objeto de gozo, ponto final. O sujeito recicla o objeto descartado, ele dá mais uma gozada no objeto que já foi objeto de gozo de outro. Substancializa (por dizer que a mulher é o objeto de gozo) a mulher no papel passivo (pois pode ser usada e jogada fora, enquanto não toma partido do que sente a respeito disso).

Vinicius disse...

Vivi falou tudo...

Vivi disse...

Sobre o apelo da autora do post, eu conduziria uma fala com o garoto com algo do tipo; que nós não reciclamos as pessoas, nem mulher, nem homem, porque não somos objetos. Quando vc diz reciclar, se remete a usar, reutilizar, descartar etc, como fazmos com lixo, e não podemos comparar mulher com lixo. Porque, como ser humano, igual ao homem, ela tem sentimentos, ideias, etc...
Bom, eu tentaria algo por aí....

(sei que tem o termo reciclar ideias, ou reciclar nos recursos humanos, mas não gosto desta utilização de qq maneira...Para mim, reciclar se remete a "utilidade", "funcionalidade" de um objeto, e relacionar isso com o ser humano eu não gosto...Muito utilitarista para mim..)

lala disse...

Juro que qnd li o título pensei em um extreme makeover! Enfim... dps eu volto...

Vinicius disse...

Sim, dá pra fazer uma ligação com o que o Bauman fala no Amor Líquido. Em que o outro mais parece um estorvo para as realizações individuais na sociedade líquida, por isso ele deve ser usado na medida em que um desenlace não seja traumático. Desta forma, as relações desaparecem (relações como responsabilidade mútua, como insegurança em relação ao outro e etc) e as conexões aparecem (conexões seriam as formas mais frágeis das relações, que tem uma vantagem para o cidadão pós-moderno, elas são fáceis de ser quebradas, na verdade, serem quebradas é o mais atrativo. Elas podem ser desconectadas sem nenhum arrependimento ou remorso em relação ao outro).

Este utilitarismo já coloca o Eu em primeiro lugar, sem considerar que o Eu só é o Eu em relação ao outro.

Bruno disse...

Lola, nas Univ Fedeerais, como se passa de prof. adjunto para associado e de associado para titular?

Abs,

Bruno.

Eduardo Marques disse...

Caro/a A. Pensante,

Reciclar, para mim, tem um significado bom. Vc pega algo que estava inutilizado e transforma em algo útil. Reciclar mulheres pode significar que ele se relaciona meninas não tão procuradas (injustiçadas pelo padrão de beleza, p/ ex.) porque vê além da superfície delas e lhes devolve a auto-estima, cuidando bem delas. Uma papel riscado e amassado não serve para nada para a maioria das pessoas, mas um "reciclador" veria o verdadeiro valor dele e, após o devido tratamento, transforma-o em uma folha "nova" (tá, papel reciclado não é igual ao novo, isso é só um exemplo).

É um pouco de inocência que o pânico esteja vendendo algo assim, eu sei. O problema é que a professora simplesmente viu um aluno usando uma camisa onde tinha escrito "EU [símbolo qualquer] MULHERES" e já deu piti feminista sem nem saber o que significa. E nem a Lola se deu ao trabalho de verificar também.

Eduardo Marques disse...

Aqui, uma rápida googlada deu nisto:

http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20080805095227AAa1hgL

http://www.mrtees.com/root.php?i-recycle-girls-funny-joke-t-shirt.html

Para mim, isso NÃO é nem de longe uma piada machista, pois tem a ver com relacionamentos, não com gênero. A frase não perde o sentido se for usada por homens, mulheres ou homossexuais, basta colocar no fim da frase o gênero de sua preferência ("eu reciclo homens/mulheres/travestis/etc.").

Selene disse...

Pessoal, obrigada pelas considerações. Também fiquei me perguntando durante muito tempo o que afinal essa mensagem quer dizer de fato. Acho que mesmo que eu não soubesse que a mensagem vinha do Pânico, não sei se consigo encontrar outra conotação pra ela que não seja degradante. Como a Vivi disse, "reciclar" está muito vinculado a um caráter utilitário, e realmente aplicar o termo em relação a pessoas pode cair num campo perigoso.

Só pra complementar: esse mesmo aluno apresenta repetidamente um comportamento machista, como xingar as meninas (e apenas as meninas) de imbecil pra baixo; ou quando é pedido que escolha uma imagem aleatória de revista para fazermos algum trabalho, ele escolhe a mulher de biquini porque "ele é homem, não mulherzinha" (palavras dele). Ele precisa afirmar o tempo todo o quanto é macho. Se o dia da camiseta em questão tivesse sido um episódio pontual, não sei se me preocuparia tanto, mas o que observo no dia a dia nas falas e atitudes dele me assusta um bocado, porque é constante.

lola aronovich disse...

Bruno, é por progressão funcional. A cada dois anos o professor entra com um relatório detalhado de todas as publicações, comissões, palestras, bancas, organizações de eventos, cursos, avaliação dicente, proejto de pesquisa, cursos de extensão etc etc – enfim, de tudo que o pro fez nos últimos dois anos. Esse relatório é avaliado pelo departament, que emite um parecer, que é lido em reunião do colegiado. Se aprovador, o prof passa de um nível pro outro. Assim, quem é adjunto 1 (um doutor ao ingressar numa universidade) passa pra adj 2, depois pra adj 3, depois pra adj 4. Eu no momento passei pra adjunto 2. Acho que o salário aumenta em 200 reais. Depois de adj 4 vem associado, que foi uma categoria criada pelo Lula (antes ia de adj pra titular, o que significava, na prática, que o pessoal chegava a adj 4 e morria lá). De adj 4 pra assoc 1 o salário aumenta bastante, uns 3 mil reais. Bom, aí vai assoc 1, assoc 2, assoc 3, e assoc 4. A mesma coisa, progressão funcional a cada dois anos. Na hora de ir de assoc 4 pra titular é que a coisa pega. Porque titular é um outro concurso, com banca totalmente de fora, tem que escrever uma monografia ou algo assim, é super difícil. Tanto que na PGI da UFSC, onde fiz mestrado e doutorado, só havia 3 titulares entre todos os professores (e olha que a maioria estava lá há 20 anos). Sem falar que é preciso abrir vaga pra titular, e é meio uma vaga a cada 5, 10 anos, sabe? E o salário de assoc pra titular nem aumenta tanto assim. Enfim, não tenho nenhuma ambição de me tornar titular um dia.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

No lugar em que trabalho constantemente aparecem meninos entre 10 e 12 anos cantando músicas de funk, dizendo que são pegadores, que já ficaram com não sei quem, que a mãe de fulano é cachorra porque dá pra todo mundo, que querem pegar a fulana de tal.
E eles não estão somente repetindo como papagaios, eles sabem muito bem o significado de tudo o que estão dizendo.
Acho que devemos essa misoginia mais explícita a esses programinhas tipo Pânico e a essa porcaria de funk. Antes, os garotos ainda se tornavam rapazes antes de começarem a dizer esse tipo de coisa e não era tão escancarado assim.

lola aronovich disse...

Esta é a remuneração bruta, com tudo somado (venc básico + gemas + retribuição por titulação), pra 40 horas dedicação exclusiva. Salário atual, antes do gigantesco reajuste de 4% que teremos:

Assistente 1 (que é geralmente o prof que tem apenas mestrado): R$ 4.650. Assistente 2: 4.760. Assist 3: 4.875. Assist 4: 4.985.

Adjunto (geralmente quem tem doutorado) 1: 7.330. Adj 2: 7.520. Adj 3: 7.715. Adj 4: 7.910.

Associado 1 (ou D4): 10.700. Associado D5 1: 10.875. Assoc 2: 11.090. Assoc 3: 11.425.

Titular (categoria única): 11.755.

Ou seja, o máximo que um professor em nível máximo da carreira conseguirá ganhar será 11.755... que é a BASE de boa parte das carreiras de outros servidores públicos.

Anônimo disse...

Oi Vivi... Meu nome é Amelia (amêlia), sem qualquer acento, prazer!

Entendi oque vc disse, mas ainda digo que depende de quem vê, pois antes de ler o post, quando vi só o titulo e também dei para uma amiga ler e ela disse a mesma coisa que pensei... "Algumas boas idéias vem ai!" Compreendo oque vc disse e acredito que pode se aplicar a maior parte das pessoas sim, mas n meu caso não se aplicou. E realmente nem consigo imaginar uma boa conversa com esse menino e nem oque ele diria sobre "oque acha do que diz na camiseta?"

Flores

Ass: Amelia sem acento

lica disse...

Bom, lendo rapidamente o comentário da professora ali em cima, listando que o menino tem vários comportamentos machistas, ela pode conversar com ele diretamente sobre esse assunto (machismo, julgar as mulheres inferiores, o respeito aos coleguinhas independente do sexo e etc). A camiseta é algo muito mais sutil e provavelmente ele só vai entender muito mais pra frente.

Eu tive professores que eu admirava, que foram fundamentais para combater alguns valores errados que eu tinha em casa.

Por fim, achei que era a lola dizendo: eu reciclo mulheres. Bom, ela ao menos tenta reciclar idéias, como diz a figurinha, para deixar um mundo melhor. A priori eu não teria visto conotação negativa no "reciclo" se a camiseta não fosse do Pânico.

Sátiro disse...

Suponho que a moça usando a bolsa com a mensagem "Eu reciclo garotos", da foto usada para ilustrar o post esteja apenas celebrando a sua liberdade de escolha sexual, numa atitude bonita, corajosa e digna de ser louvada, não é?

lola aronovich disse...

É mais fácil ver as figurinhas do que ler o post, né, Sátiro? Porque se vc tivesse lido teria visto que está escrito que é errado reciclar homens ou mulheres. Pessoas em geral.
Mas sim, existe algo chamado FALSA SIMETRIA, que é o que vc está fazendo. É aquele negócio de achar que usar camiseta 100% Negro é igual a usar camiseta 100% Branco. Não é.
Só seria igual se vivessemos num mundo sem racismo.

Vivi disse...

Oi Amelia, me desculpe o acento em se nome.
Olha, entendi seu raciocínio, mas ainda não concordo não viu. Não valeria em nada discutirmos “frases”, “propagandas”, “expressões”, “filmes” se tudo dependesse de quem vê. Temos que ir 'além" de nossas opiniões individuais. Se relativizarmos desta maneira nem machismo existiria, pois dependeria “do ponto de vista de cada um”. Eu compreendo que vc e sua amiga não viram mal na frase quando leram. Não duvido isso. Mas não se trata da sua, ou da minha opinião isolada, trata-se da frase “inserida em um contexto” a meu ver, compreende? Como já comentei, as frases não circulam livres de ideologias por detrás. Como li uma vez, no excelente texto da Ana Maria Gonçalves quando discutindo racismo, “Não é sobre você que devemos falar”. Isto é, não importa a sua e a minha opinião isolada, pois não estamos falando de vc nem de mim, estamos discutindo o que esta frase “representa” em uma sociedade (que é patriarcal, capitalista, etc etc..ou seja, que tem todo um contexto.). Temos pensar sempre, em termos de “coletividade”. Não do que a frase x, ou y é apenas do “meu” ponto de vista “isolado” da sociedade.
Abraços

Anônimo disse...

Bah, eu fico entediada às vezes, mas ainda não cheguei ao ponto de ir em blogs, ler os posts e os comments e depois ficar dando uma de troll só pra... pra quê mesmo?

Anônimo disse...

Oi Vivi!

Compreendi totalmente.

Flores e vinhos pela noite.

Ass: Amelia

Luca disse...

Só podia ser coisa do Pânico mesmo!Esse programa desprezível e machista¹

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Eu acho que o mais indicado - e o que eu costumo fazer quando um assunto espinhoso chega em minha sala de aula - é devolver a pergunta para o aluno.

"O que isso significa?"
"O que você está dizendo com isso?"
"O que você quer dizer com reciclar mulheres? Me explica?"

Questionar o que ele assume quando usa uma camiseta com esses dizeres pode levar sim à reflexão, mesmo com crianças pequenas. Muitas vezes eles nem se dão conta do que estão vestindo em termos ideológicos, apenas reproduzem o que os adultos em redor acham legal.

Anônimo disse...

Passei batida. O que significa reciclar pessoas na prática? Descartar? Usar de novo? Não entendi.

Allen Barros disse...

Entendo q a msg tem esse contexto de "reaproveitar" mulheres, ou seja, sou "tão fodão" que nao me importo de "pegar" mulheres que já venham de outros relacionamentos, ou mesmo de reatar com mulheres com as quais já tenha me relacionado, "reciclando-as" desta forma (caramba). Acho que é por aí.

Clarissa disse...

"Mas não se trata da sua, ou da minha opinião isolada, trata-se da frase “inserida em um contexto” a meu ver, compreende? Como já comentei, as frases não circulam livres de ideologias por detrás. Como li uma vez, no excelente texto da Ana Maria Gonçalves quando discutindo racismo, “Não é sobre você que devemos falar”. Isto é, não importa a sua e a minha opinião isolada, pois não estamos falando de vc nem de mim, estamos discutindo o que esta frase “representa” em uma sociedade (que é patriarcal, capitalista, etc etc..ou seja, que tem todo um contexto.). Temos pensar sempre, em termos de “coletividade”."

Comentário perfeito da Vivi! Em todas as minhas discussões, eu tenho sempre que começar dizendo: eu sei que você não pensa assim quando fala isso, mas estamos aqui discutindo o pensamento da sociedade.

♪Sueli Alves♪ disse...

Eu faço a mesma coisa que a Lays. Faço a Socrática sabe? Dificilmente eles conseguem argumentar e percebem o tamanho da asneira dita rs.

Caroline disse...

Reciclar = reaproveitar

Imagino que seria algo como reaproveitar a mulher que foi abandonada, largada por outro homem. Eu acho que a professora deveria chamar a mãe do aluno e juntamente com a equipe pedagógica da escola conversar e tentar resolver esse caso. O aluno é uma criança, mas é de agora que já tem que começar a mostrar pra ele que esse não é um comportamento adequado.

Bruna Vicente disse...

Essas é uma das coisas que costumo refletir: como explicar para as crianças assuntos que não fazem necessariamente parte de sua realidade?

Carolina Coutinho disse...

É uma boa começar perguntando se ele gostaria que o reciclassem. É verdade o que disseste, não adiantaria muita coisa travar um diálogo com um aluno desatento, ainda mais nesse contexto, mas de fato poderia perguntar se ele gostaria de reciclar alguma mulher que conhece, a própria mãe, por exemplo. "Pânico" é um programa muito caótico, e na verdade todos os programas nessa linha são machistas. É algo extremamente antigo mulheres com pouca roupa dançando juntas no palco. No Pânico, as mulheres estão semi nuas e são chamadas de panicats, fazendo tudo o que mandam - e isso, acompanhado de piadas desrespeitosas com artistas, dá uma grande audiência. Os jovens, pra forjarem uma inserção social cool, seguem essas tendências. (Aliás, muitos adultos também fazem o mesmo. O ser humano é assim, mesmo com uma noção de justiça já ampla, seu caráter, infelizmente, depende ainda desse tipo de coisa.) Crianças estão cada vez mais ''pré adolescentes", assim com uma necessidade de se mostrarem mais parecidas com os jovens, e isso já entra naquela questão da precocidade. Ambas as questões são complicadas realmente, mas a verdade é que o machismo acompanha até mesmo essa mudança na juventude. Os pais preocupados em como educar, tentam fazer o que é 'certo'. O problema é que o que é "certo" normalmente está ligado a valores antigos - e estes, ao machismo.
Acredito que é muito importante deixar claro, de forma firme, o quanto esse tipo de coisa é estúpida, e digno de ser conversada com os pais.
Fico feliz de terem professoras e professores como você, preocupados com essas questões.
Boa sorte e nos mantenha informad@s sobre casos assim, para pensarmos ainda mais!

Anônimo disse...

O menino é muito novo para ser abordado segundo da forma como 00:01 sugere. O melhor será ensinar que reciclamos COISAS e não pessoas. E a partir daí passar uma mensagem construtiva.

Caroline disse...

Mais uma vez, ótimo post Lola...e bem eu estou há tempos alertando para a questão deste programa Pânico e o quão ele pode ser prejudicial, tendo em vista que a maior parte de seus telespectadores são crianças e adolescente (e adultos infantilizados)este programa não transmite nada de bom e acaba sendo balisador dos valores destas criaturinhas que não conseguem discernir entre o certo e o errado...pra mim o programa Pânico é, sem dúvida, um caso para o Ministerio Publico!

Anônimo disse...

lola, por favor, me diz que o atentado à escola italiana que matou uma menina e feriu 7 não tem relação com o movimento masculinista. o próximo genocídio que veremos será o de mulheres?

Anônimo disse...

Sobre a atitude da "professora":

a) tempestade em copo d'água.
b) chifre em cabeça de cavalo.
c) falta do que fazer (vou passar uns 20 diários para ela preencher).
d) todas as opções acima.

Pelo amor de Deus! Nunca vi tanto drama por uma simples blusa. O garoto nem devia saber o que estava usando.

Anônimo disse...

"Pra mim o programa Pânico é, sem dúvida, um caso para o Ministerio Publico!"

É gostoso demais ver as pessoas pregando a censura no país. Parabéns! O programa, de fato, fere a moral e os bons costumes.

Anônimo disse...

Antes de tudo essa mãe deveria ser chamada a atenção, pq pânico não é exatamente programa de criança. Então acho q não é legal dar uma camisa desse tipo pra uma criança

Telma disse...

Também sou professora e costumo falar da forma mais crua possível. Diria algo assim: "Boa ideia! Vou reciclar meu cachorro!"e depois da reação, continuaria "Ué, mas se não pode reciclar bicho, como pode reciclar pessoas?"
E pronto... Consideraria uma semente.
Beijão

Carol M disse...

"O garoto nem devia saber o que estava usando."
Como se isso não fosse um problema por si só. Replicar msg sem entender seu conteúdo é uma forma antiga de garantir preconceitos.

Selene, se o garoto tem todo esse problema de auto afirmação como macho, mais um motivo pra uma conversa com os pais e a coordenação pedagógica. Tem garoto homofóbico que é assim por pressão da família e no fim era um homossexual cheio de self-hatred.

Anônimo disse...

não adianta, sempre terão comentários ignorantes nos posts... mas eu me sinto bem em ver a forma articulada e paciente com que o pessoal prontamente responde.

Sara disse...

Ao que parece a Europa tb tem sido vitima de mascus misóginos, esse último atentado a um colégio feminino na Italia, só pode ter sido mais uma obra de ódio desses dementes.

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/05/20/investigadores-tracam-perfil-do-autor-do-atentado-de-brindisi.htm

Patrícia Gomes disse...

Poucas vzs fico sem saber o que dizer. Esta é uma. Como tenho uma amiga que está estudando o assunto p/ uma monografia, vou encaminhar para ela e talvez saia algo interessante.
Gostei muito do texto e de toda a reflexão e vou repassá-lo a to@s que conheço - não só por e-mail, claro. Todos, até via sinal de fumaça.

Fer Tiberio disse...

Olá a todos.
Fiquei envolvida com o post. Até pq tenho dúvidas como esta em muitos momentos.
Não consegui ler todos os comentários, mas acho que, sendo a professora da turma, eu aproveitaria essa situação pra discutir com a turma como a sociedade ensina e impõe o machismo. Dá pra trabalhar isso de forma leve e apropriada pra idade. Lembro de um post aqui no blog falando de uma professora que abordava questões de gênero com suas turmas.
Quanto ao garoto e à situação. Eu certamente não terai uma reação imediata tb. E acho que é assim mesmo. Mas nada impede de vc ir conversar com ele sobre a camiseta. Saber o que ele entende e explicar novos pontos de vista. Isso é muito rico pra vc e pro aluno! Ensinar a ter pensamento crítico não só sobre o conteúdo escolar, mas sobre o cotidiano, é uma oportunidade incrível!
Boa sorte.

Patrícia disse...

É uma situação com a qual me deparo sempre. Dou aulas pra alunos de 11 a 13 anos e como sou uma das mais novas, acho que sentem mais liberdade e sempre trazem uma "pérola" do pânico pra eu lidar.
Geralmente eu devolvo a questão pra eles, tento fazer com que eles pensem sobre a besteira que estão reproduzindo, mas é uma questão delicada, procuro não fazer um carnaval muito grande em cima dessas coisas pra não ter um efeito contrário e acabar perdendo o controle sobre a discussão.
Como as questões de gênero e sexualidade são recorrentes em minhas aulas e até nas conversas de corredor, estou pensando em fazer um trabalho mais crítico com eles nas aulas de português. Mas sempre vem aquela dúvida: será que não estou forçando a barra? será que são muitos novos? Os pais vão vir reclamar, etc, etc.
Como professores, temos que achar um meio termo, já que essas questões estão surgindo cada vez mais cedo, não dá pra ignorar, achando que são muito novos e deixando a TV com o papel de incutir as ideias sobre isso sem nenhuma reflexão por parte deles, e já que os pais deixam os meninos assistirem ao pânico, sobra pra quem né?

Luisa disse...

Antes de ler os outros comentários, deixa eu dar uma resposta pra Patrícia aqui de cima.

Patrícia, eu tenho 20 anos, sou filha de professora e por isso sempre estive em contato com "questões pedagógicas". O fato de ter 20 anos só quer dizer que minhas memórias do colégio ainda são bem frescas.
Você não está forçando a barra e não, eles não são muito novos. Pra mim quanto mais cedo for apresentada a diversidade de pensamento às crianças, melhor. Se os pais forem reclamar isso será um terrível bom indicativo! Haha, veja por esse lado: se os pais reclamarem quer dizer que você fez uma diferença na consciência daquele aluno, vai que o próprio filho não consegue ensinar os pais um pouco sobre igualdade de gêneros?

Majô disse...

Pânico e CQC oferecem como "contribuição" à sociedade um atraso de meio século. É incrível o grau de influência desses caras. Eu fico chocada. E o pior: eles conseguem formar hordas de defensores fanáticos de suas ofensas disfarçadas de piada que se levantam furiosos ao menor rumor de críticas.

Stéfany disse...

Não sei se alguém aqui já assistiu ao filme "Como você sabe". Ao ler o texto, eu lembrei muito dele, especialmente de uma cena. A protagonista, Lisa, conhece um rapaz e passa a noite na casa dele. No outro dia, acorda e vai ao banheiro. Lá, não só se depara com um estoque de escovas de dentes, como também, o dono da casa lhe oferece uma roupa pra vestir, abrindo o armário e mostrando moletons femininos de todos os tamanhos. Ela, ao entender que ele deve estar acostumado a receber muitas mulheres em casa, se incomoda e diz se sentir cuspida por uma linha de montagem. O rapaz diz que não entende a reação da moça, afirmando que na verdade somos mesmos linhas de montagem uns na vida dos outros, até que um dia, escolhemos um objeto para levar p/ casa e fechamos a fábrica.
Acho que é apologia a esse tipo de relação que a camisa do garotinho quer fazer. A um tipo de relação que mais se aproxima de um consumo desenfreado de afeto, onde as pessoas se utilizam e se descartam com essa rapidez característica destes tempos pós-modernos em que vivemos.
Há, inclusive, não só uma, mas, uma coleção de camisetas do Pânico com mensagens desse tipo. Já ví várias a venda na Riachuelo, só não conhecia essa em especial.
Acho que uma conversa com o garoto teria sido muito importante pra ajudar a entender tudo isso. Pelo menos alguns questionamentos, para que ele fosse dizendo, com suas palavras, o que a camiseta representava para ele. O diálogo com a mãe também seria fundamental. Será mesmo que foi ela quem o presenteou? O presente foi dado com quais intenções? Curtiu a estampa, o programa, entendeu a mensagem? São perguntas que me faço aqui e que certamente ela poderia ajudar a esclarecer...

LisAnaHD disse...

Quinta, 01 de Março de 2012 - 00:00
Conselho defende que PL Antibaixaria também proteja crianças e adolescentes
por Juliana Almirante
Deputada Luiza Maia é autora do projeto
"O Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Salvador aprovou, em assembleia geral ordinária, uma moção de louvor ao Projeto de Lei (PL) Antibaixaria, em que manifesta apoio à não contratação, com verbas públicas, de artistas cujas músicas depreciam a imagem feminina e propõe a inclusão de questões do mesmo teor para o público infanto-juvenil."
http://alagoinhasemfoco.blogspot.com/2012/03/senador-marcelo-crivella-assume.html

Anônimo disse...

majô, não que eu ache que deva haver censura. mas me espanta que esse tipo de programa ainda exista e que tenha gente que goste. eu não sabia o que era pânico até uns tempos atrás. comecei a ouvir falar das panicats e não sabia que eram de um programa de tv. eu nunca vi o programa, mas eu sinceramente não vejo graça em programas com gente sendo humilhada - e isso existe em mil canais. tem programa metido a informativo que bota artista pra comer inseto ou andar em cordas a sei lá quantos metros do chão em troca de dinheiro, tem programa que bota gente obesa pra malhar como se não houvesse amanhã (olha, até acho os resultados incríveis, mas eu sinceramente não acredito que esses treinadores fazem aquilo por algo além da grana. dia desses, um obeso estourou o joelho. claro, emagreceu, mas e depois, qdo não tiver mais toda essa equipe pra fazê-lo emagrecer mesmo com o joelho detonado, quem vai cuidar do cara?)... devo estar ficando velha pq eu odeio programa com gritaria, com preconceitos sendo reforçados abertamente (se bem que nunca gostei dos trapalhões mesmo qdo era criança e me lembro qeu passava todo domingo. eu me sentia agredida, sério mesmo. tinha uma vergonha de ver aquilo)... adoro programas de história, de gente discutindo coisas, esse tipo. não que eu fique sentada vendo tv, mas gosto de ouvir gente falando, não gritos.

e eu acho que não sou nenhum ser mais desenvolvido por isso. o povão tbem gosta de outras coisas menos nefastas. claro que tudo isso tá inserido em contextos de comercial, de programas "controlados", mas tem quadro de dança em programas populares que fazem sucesso, tem aquele soletrando do luciano huck... e o povão mesmo deu audiência. por isso que não acredito qdo alguém diz que quem não é altamente culto não gosta de coisas muito diferentes de pânico e afins. acho que essa desculpa não cola mais.

Letícia disse...

Já ouvi coisas horrorosas de homens e isso só me lembrou de uns babacas que falaram que chegando aos 30 iam trocar a mulher por uma de 20. aos 40 trocariam por uma de 25. aos 50 por uma de 30. Espero que se arrependam muito do que disseram.

Anônimo disse...

letícia, a vida real é tão diferente. quer dizer, os babacas sempre serão babacas, mas conheço muito cara que fca torcendo pra eu chegar nos 30 e tantos, 38 pq eles adoram. acho que muitos passam dos 30 e começam a reconhecer o que realmente gostam numa mulher. tem gosto pra tudo. que esses fiquem com quem quiserem... pq sempre vai ter alguém pra outra pessoa. uma amiga uma vez ouviu um cara dizendo que não ficava com mulher com mais de 25 pq os peitos já eram caídos. e por aí vai. que sejam (in)felizes como quiserem pq eu vou cuidar da minha vida e ser feliz.

qdo a gente vive na uti por meeeeeses, as coisas tomam uma perspectiva tão diferente e a gente passa até a agradecer que esses se manifestem logo pra que a gente possa sair de perto.

Dostoyevski disse...

"Dri Caldeira disse...

"Mensagem que o programa Pânico passa: pegar uma menina bonita c/ o cabelo lindo e fazer ela raspar a cabeça careca. Em situações normais, as paniquetes jamais dariam atenção pra eles. Então, pra se vingar, eles as obrigam a passar pelas mais humilhantes situações por dinheiro. E por serem caras comuns, que jamais chamaram a atenção de outra maneira na vida, eles se vingam de tudo o que passaram humilhando tb: anões, negros, gordos, deficientes mentais... Todo mundo vai dizer que eu estou exagerando. Mas parem e analisem os quadros do programa. É uma espécie de vingança. Vingança contra a global que não quis dar entrevista, contra as gostosas... E coloca na cabeça desse menino pra nunca assistir essa porcaria e que o que eles fazem nunca foi nem vai ser humor."

Eu já assisti o "Pânico" algumas vezes e segundo o que vi todos passam por situações "humilhantes" e idiotas. Não sei qual é o objetivo de defender essas moças que topam tudo por dinheiro só porque uma teve a cabeça raspada. E daí? Parece que já fizeram isso com os integrantes homens várias vezes. De todo modo, o cabelo dela vai crescer, diferente de tantos homens irreversivelmente carecas por aí que não tem a mínima atenção. rsrs