quarta-feira, 28 de março de 2012

GUEST POST: AGRESSÃO A IDOSOS VEM DE FAMÍLIA

Luana me enviou este relato sobre um tema comum, mas que ainda não foi tratado neste blog: a agressão aos idosos. Leiam, e antes de decidirem culpar uma ou outra pessoa individualmente, pensem no todo. Na nossa sociedade, qual o valor dado a pessoas mais velhas? Na enorme maioria dos casos, a quem cabe cuidar dos idosos -- aos filhos ou às filhas?

Quando minha mãe se separou do meu pai, ela, minha irmã e eu fomos morar com meus avós e com a minha tia, irmã de minha mãe. Minha mãe sempre foi uma pessoa difícil de conviver. Amarga, vivia reclamando que seu passado havia sido difícil, trabalhando pesado no campo, e que tudo isso era culpa de minha avó, que explorava os filhos fazendo-os trabalharem como escravos. Não sei até onde isso é verdade, mas as minhas tias não reclamavam tanto desse passado como ela. A minha avó por sua vez também era uma pessoa difícil de conviver. Criada sem muito amor e também trabalhando duro desde a infância, não foi capaz de oferecer todo aquele suporte emocional para a família. Por causa disso, não fomos criados para nos dar carinho uns aos outros. Abraços eram extremamente raros e demonstrações de afeto, idem.
Como eu fui morar lá desde muito pequena, era comum todos os dias eu ouvir minha mãe gritar com a minha avó, dizer que ela cheirava mal, e que as roupas que ela usava eram ridículas. À medida que a minha avó foi envelhecendo, a situação piorou. Com a idade avançada, minha avó começou a andar mais devagar, deixar de fazer certos serviços domésticos por cansaço, e por causa disso as agressões verbais eram mais frequentes. Consequentemente, eu e a minha irmã passamos a tratar minha avó da mesma maneira. Minha irmã pegava os calçados dela para usar e não devolvia mais, empurrava ou dizia que ela precisava morrer logo, pois era uma inútil. Nenhum carinho era dado, apenas gritos e ofensas. Minha avó retrucava com as palavras dela, mas não podia fazer mais que isso, pois nós gritávamos mais alto. Meu avô e minha outra tia ficavam em silêncio, pois também não tinham muito que fazer. Um pai não iria expulsar a própria filha e as duas netas de casa, então as coisas ficavam por isso.
Os anos se passaram nessa mesma situação, e um dia, felizmente, eu acordei. Em uma briga corriqueira, minha irmã quase bateu em minha avó. E eu percebi o que muita gente que frequentava a minha casa via e ficava chocada. Éramos violentas com ela e a agredíamos em sua própria casa. A partir daí eu comecei a defender minha avó com unhas e dentes, e por isso eu e minha irmã viramos inimigas. Se minha irmã falasse alto com a minha avó, lá estava eu para mandar a minha irmã ficar quieta. Por causa dessas brigas, muitas vezes eu e minha irmã partíamos para a agressão física. A minha mãe continuava a maltratar a minha avó e dar razão para a minha irmã. As coisas tornaram-se insuportáveis para mim. Todos os dias eram cheios de brigas e nós não tínhamos nenhum clima de família. Depois de algum tempo a minha irmã casou e teve filhos, mas isso não a fez parar com as agressões; ela sempre ia em nossa casa e maltratava a minha avó.
Há cinco anos, minha mãe faleceu em um acidente de carro. A partir daí as coisas mudaram da noite para o dia. Não posso dizer que a morte da minha mãe foi boa, pois para mim foi a pior coisa que já aconteceu, mas tudo se resolveu. Minha irmã deixou de ser a pessoa violenta que era, e meus sobrinhos, que já estavam começando a maltratar a minha avó e a minha mãe, também melhoraram muito. Desde a morte da minha mãe, a minha avó também já não é mais a mesma, ela teve depressão e agora está com mal de Alzheimer, recebendo o cuidado que até pouco tempo atrás lhe era negado.
O motivo de eu estar contando essa história, além do desabafo, é para dizer que ao contrário do que as pessoas pensam, a violência contra o idoso não é caso isolado e nem praticada apenas por psicopatas ou sociopatas. Eu não sou nada disso. Sou uma pessoa boa, faço trabalhos voluntários porque quero ajudar o próximo, respeito ao máximo as pessoas e tenho carinho pelos animais. Não estou me excluindo da culpa, pelo contrário, não tem um dia sequer que eu não me arrependa de tudo, mas por anos isso foi uma coisa normal do nosso dia-a-dia. Nos foi passado pela minha mãe, assim como outros valores. Eu agradeço por ter enxergado sozinha, mas em muitas famílias nesse exato momento ainda acontecem agressões verbais, físicas, roubos de aposentadoria, e até mesmo a recusa de alimentar seus idosos, deixando-os passarem fome, deixando-os sujos em cima de uma cama. E como eles não podem se defender, não dizem nada para não apanharem ainda mais. Só esperam os dias passarem.
Grande parte da culpa também é da nossa sociedade que é levada a acreditar que velhos incomodam, não têm mais utilidade. Na China ou na Índia, eles fazem a lei da casa e são ouvidos pela família toda por serem mais sábios e experientes, mas em muitos países como o Brasil, muitos moram com os filhos e precisam se contentar com o que lhes é oferecido. Isso precisa ser mudado, e as únicas pessoas que podem fazer algo a respeito são os próprios familiares, reconhecendo a importância que o idoso representou durante toda a nossa vida e fazendo com que ele viva os seus últimos anos dignamente. Porque eu sei, por experiência própria, que as vozes deles estão abafadas demais para fazerem seus direitos serem ouvidos.

95 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, fiquei muito chocada com o depoimento. Mas o que importa é que ela se arrependeu e não faz mais isso, pelo contrário, procura defender a avó. Isso é evolução, parabéns.

Patrick disse...

Lola, nos jornais e no noticiário em geral o que nós vemos é a transmissão dessa cultura da desvalorização das pessoas idosas. Em veículos como Valor Econômico e Folha de S. Paulo é frequente a publicação de artigos por economistas criticando gastos previdenciários e com a terceira idade. "São esses gastos que impedem ou atrasam o desenvolvimento do país", dizem.

Mas, se lembra do guest post sobre os flertes na Suécia? Eu comentei por lá sobre como os países nórdicos, e em especial a Suécia, eram tão pobres como os da América do Sul no início do século XX.

O que fez a diferença para o desenvolvimento dessas sociedas? A criação de um estado social e o amparo aos mais velhos! Isso liberou grande parte das pessoas em idade produtiva do fardo de sustentar seus pais (ao mesmo tempo em que lhes deu o benefício de se tornarem independentes dos humores dos filhos). As consequências positivas foram ainda mais importantes para as mulheres, que puderam entrar no mercado de trabalho e se tornarem mais independentes.

Nossas sociedades sulamericanas tomaram o rumo oposto: o da desigualdade, da casa grande e senzala, do machismo e do racismo, da falta de solidariedade.

O resultado se reflete não só nas diferenças econômicas como também sociais.

F. disse...

Posso contar uma coisa que vi na rua recentemente? Uma senhora segurava sua neta de 5 anos pelo braço e com a outra mão batia muito na menina. A menina chorava implorando pra ela soltar seu braço e quando apanhava gritava "mamãe, mamãe". A mãe estava dentro de uma loja e a avó cuidava da menina do lado de fora. Não sei qual era a situação, nem o que a garota tinha aprontado, mas foi uma cena horrível. Aquelas horas que você não sabe o que faz.
Fico me perguntando, se toda a violência que as pessoas sofrem na infância é o que faz aumentar a violência contra os velhos. Você vê uma pessoa internada em um asilo e o filho nunca mais foi visitar. Juro que eu me pergunto pq. Que tipo de pai, de mãe essa pessoa foi? Ela ensinou esse filho a não ser violento? Ela mesma respeitava pessoas idosas?
Lembro da minha infância e acho que sofri muita violência, mas não foi quase nada perto da maioria das famílias. Bater nos filhos era um coisa normal, quase uma obrigação cotidiana. A lição que fica é: eu te bato pq você é mais fraco. Ora, os velhos são mais fracos também. A infância precisa ser menos violenta.

Anônimo disse...

Lola e autora do post de hoje: moro com minha vó e sei realmente que não é nem um pouco fácil. Idosos tem manias cultivadas por ano que inclusive fazem mal para eles mesmos (higiene, cuidados com a alimentação e as próprias coisas, etc). Juro pra vcs que conviver com ela, mesmo ela não tendo nenhum problema muito sério, é uma luta diária de paciência. Minha avó é extremamente machista, então muitas vezes para que ela acate determinadas coisas tenho que pedir para meu pai ou meu irmão falar com ela. Eles acham ruim, acham que eu perco a paciência muito fácil, mas sabe? Eu prefiro que eles pensem assim do que bater de frente com ela. Sei que ela escuta mais eles do que eu, então melhor que eu não haja em algumas situações. Sofro muito com essa situação, de não ter muita paciência. Mas olha, nunca, nunca passou pela minha cabeça agredi-la - verbal ou fisicamente. Tento entender que é como uma criança, que tem que ser tratada com carinho, que certas coisas tem que ser levadas até como brincadeira, para que ela não sofra. Pra quê? Já viveu tanto, já passou por tanta coisa, não precisa passar tristezas essa altura da vida. Mas não é fácil, viu? Minha luta atual é que possamos conseguir um cuidador pra ela, uma pessoa que tenha preparo pra lidar com ela, e possa fazer suas vontades, criar atividades para dar a ela uma qualidade de vida melhor. Amor e carinho da parte da família nunca faltaram, a todo momento brincamos com ela, fazemos agrados. Mas é justamente para que essa relação não se desgaste que eu creio que ela precisa sim de um cuidador, alguém que seja acompanhado de perto pela família para dar a atenção que ela merece, e que infelizmente não temos o tempo e o conhecimento necessário de dar.

Força para você!

Lucas disse...

Além de tudo que foi comentado, acho importante ressaltar o teor do texto quando comenta sobre como incorporamos comportamentos porque assim fomos ensinados.

Em vez de colocar simplesmente na divisão "eles, os agressores" contra "nós, os superiores", mostra como esses valores são passados e nós os absorvemos sem refletir.

Ninguém nasce machista ou agressor. Acredito que, como eu, muitos dos que visitam esse blog hoje em dia já tiveram idéias machistas, até serem levados a se questionarem.

Atacar a cultura e o comportamento, não nos endeusarmos como portadores dA Verdade.

Marina disse...

Falou tudo Lucas!!! O mais difícil é enxergar que certos comportamentos, passados a nós pelos nossos pais e sociedade, estão errados ou não traduzem o que vc realmente pensa ou sente.
Mtas vezes as pessoas são machistas, racistas e etc, pq foram ensinadas assim, sempre viram todos agindo dessa forma, acham normal e não enxergam que isso não é o certo e que existem outras ideias no mundo...É necessário aprender a desaprender!

Sara disse...

Lola esse assunto é muito espinhoso, e quando chegam casos na mídia, ou escutamos opiniões sobre a maneira correta de se tratar desse assunto, fico pensando em como as pessoas são hipócritas.
Só mesmo quem é cuidadora de um idoso em tempo integral, e tem q abdicar de trabalho, passeios, lazer, festas, cuidados consigo mesma e sua família, deveria poder falar sobre esse assunto.
Eu passei pela breve experiência de cuidar de um sogro idoso, e nem foi por tempo integral, e garanto que não é nada fácil, e fiquei pensando na situação de pessoas que vivem essa realidade sozinhas e sem recursos para procurar uma ajuda especializada, é muito difícil agir com bom senso em tempo integral, eu creio sinceramente que vez ou outra pessoas que passam por isso cheguem num limite de fadiga onde não deve ser nada fácil lidar com o stress.
O que se vê é que nas famílias atingidas por esse tipo de situação, as tarefas dos cuidados com o idoso são geralmente atribuídos a uma só pessoa, na maioria esmagadora uma mulher.
Entre os muitos problemas sociais que enfrentamos aqui na Brasil, esse é um dos mais graves em minha opinião, acho que deveria haver mais políticas públicas no sentido de dar uma qualidade de vida melhor para os idosos e seus cuidadores também.
Eu tenho visto vários exemplos de como as famílias lidam com esse tema, um dos casos é de uma família de japoneses, que tendo uma pessoa muito idosa e incapacitada, decidiram entre os filhos desse idoso, que os cuidados deveriam ser dados por revezamento, e o idoso passa um mês na casa de cada filho, que teve que adaptar essa realidade a sua vida.
Achei que esse sistema é pelo menos mais justo.
Já em outra família, apenas uma senhora entre cinco irmãos foi incumbida dos cuidados de sua mãe idosa e acamada, o que aconteceu e eu acompanhei de perto, foi que essa senhora cuidou de sua mãe por onze anos, sozinha, ela não ia a festas nem viajava, não tinha vida social, ela vivia para esses cuidados com a mãe idosa, o q eu acabou acontecendo foi que finalmente quando a mãe dela faleceu, eu fiquei imaginando que essa senhora poderia voltar a viver uma vida normal, mas não foi assim, primeiro ela caiu em forte depressão, logo em seguida teve Alzheimer, como me mudei da vizinhança não soube mais o que foi feito dessa senhora, e, sobretudo a quem ficou reservado os cuidados com ela, pois que me lembre seus filhos nunca a ajudavam nos cuidados com sua avó.
Mas acho essa historia emblemática dessa situação.

Stefano disse...

Me vejo constantemente nesta luta contra mim. Contra o que eu absorvi durante toda a minha vida. Tento não engolir o que nos é empurrado garganta abaixo como "valores absolutos", indiscutíveis.
Não nos questionamos porque simplesmente aceitamos "normal", o "corriqueiro". Vamos desenvolvendo a tendência a ver o mundo com olhos maniqueistas, aceitando a ideia errada de que se somos "bons" não fazemos "mal" e vice-versa. Pessoas de boa índole, de bom caráter, fazem muito mal por apenas não perceberem isso, reproduzindo comportamentos do grupo social. E, como nossa sociedade está (ou é) extremamente doente, estamos todos doentes, até percebermos isso, até combatermos isso. É muito comum vermos pessoas horrorizadas com ataques homofóbicos como os ocorridos na Paulista a não muito tempo atrás (aqueles das lâmpadas fluorescentes). Em contraponto, as mesmas pessoas que se horrorizam de forma sincera, reproduzem frases, pensamentos e gestos que indicam que a questão não é tão resolvida assim. Precisamos de relatos diretos e claros, como o do post em questão, para que, como em um tapa na cara, acordemos do torpor do senso comum e pensemos sobre nossos atos, desde os mais corriqueiros, para não cairmos nas armadilhas da necessidade ancestral de aceitação social.

Anônimo disse...

Eu já bati em uma pessoa bem idosa. Era um senhor de idade que era meu vizinho, morava na casa ao lado. Ele matou meu gato de estimação. Eu fiquei tão brava que fui lá e empurrei ele. Quando ele estava no chão eu chutei várias vezes. A família dele ficou com medo de ter que levar o senhor para a casa deles e também ficou com medo de fazer alguma coisa contra mim e eu voltar lá e fazer algo pior. Então não foram na delegacia e eu mei livrei de responder um processo.

As vezes fico pensando se o que fiz é certo ou errado. Mas se o senhor mata o meu gato, por ser idoso ele não vai responder um processo devido a idade avançada. Penso nos traficantes que usam crianças para traficar e adolescentes para carregar as armas, porque eles não podem ser presos. E o idoso está na mesma condição. Com mais de 75 anos não pode ser preso, ou seja, ele pode matar alguém e não vai acontecer nada.

Eu acho isso errado. Bater no idoso também é errado. Eu acho que o errado anula o outro errado e o que eu fiz foi certo.

Sandra Nishimura disse...

Um filme japonês trata sobre esse tema, até porque no Japão a longevidade é muito grande devido a combinação de genética com alimentação.

O japonês tem uma mutação no gene chamado HLA que dá resistência a vírus, o gene deles é chamado HLA2 porque confere uma resistência suprema a vírus. Isso somado a uma dieta predominantemente vegetariana dá uma longevidade muito grande.

O filme Balada para Narayama - Fortalecendo o espírito Utinanchú do diretor Shohei Imamura trata sobre esse dilema do idoso em situação de grave crise, onde o idoso representa uma boca a mais para comer.

Não vou contar a história do filme e recomendo que não procurem na internet. Apenas assistam o filme. Vale a pena. O filme é premiadíssimo e com todo merecimento.

Alex disse...

Este post me lembrou a minha casa. Não que o clima por lá (estou escrevendo do meu trabalho) já tenha sido tão pesado como na casa da autora, mas na minha casa há muitas dificuldades. Meu pai está com quase 80 anos (completa 80 no final de maio). Foi um pai extremamente ausente e um péssimo marido. Era do tipo que, quando eu ou algum dos meus irmãos ficávamos doentes quando éramos crianças, só podíamos contar com a ajuda de vizinhos para ser levados a um médico, ou a algum hospital nos casos mais urgentes, pois ele nunca estava em casa quando precisávamos. Como marido, vou contar algumas coisas que ele fez a minha mãe: A) Minha mãe se casou com ele com 17 anos no começo da década de 1960, ainda virgem. Na lua-de-mel, ele embebedeu minha mãe para ter a tão aguardada noite de núpcias. Ou seja, apesar de estarem casados, meu pai estuprou minha mãe; B) Quando solteiro, meu pai teve duas filhas com outra mulher. Uma delas morreu. Antes de se casar, minha mãe ficou sabendo que meu pai já tinha uma filha e, por essa razão, pensou em desistir do casamento. Então ele pegou o atestado de óbito da menina que havia morrido e enganou minha mãe, dizendo que não havia mais filha nenhuma. Ou seja, ele escondeu da minha mãe a filha que ainda estava viva. Depois de uns dois ou três anos, quando já estavam casados, ele obrigou minha mãe a registrar a menina como filha legítima, a menina que até então minha mãe tinha como morta; C) Meu pai vira e mexe admitia lá em casa menores de idade como empregada doméstica, meninas de 13, 14 anos, de quem ele já havia se tornado amante. Como eram meninas muito pobres, as relações extraconjugais com meu pai eram toleradas e incentivadas pelas famílias das moças porque meu pai dava dinheiro aos pais delas; D) Quando minha terminou o equivante na época ao ensino médio de hoje, ele impediu minha mãe de estudar, pois morria de ciúmes dela, que era uma jovem bastante bonita; E) Minha mãe tentou fazer costuras para fora, mas ele também a impediu, pois odiava ver a casa cheia de gente; F) Era do tipo de marido que, quando chegava em casa e não gostava da comida, simplesmente jogava as panelas para o ar. Enfim, meu pai era um homem mulherengo, sem caráter e violento. Minha mãe só não se separou dele porque foi criada por uma família adotiva que não lhe dava o menor apoio. Foi dessas meninas levadas do interior para ajudar na casa adotiva; na verdade, trabalhava como empregada doméstica, mas sem receber direito algum, embora fosse apresentada socialmente como filha adotiva. Saiu de uma família opressora diretamente para a casa de um homem opressor. Apesar de tudo isso meus pais estão juntos até hoje. Eu não trato meu pai com agressões físicas, mas mal consigo falar com ele. Ele recebe toda a assistência, especialmente da minha mãe, a mulher que ele tanto maltratou, mas não recebe amor dos filhos. Ele simplesmente não fez por onde. Por isso acho muito difícil julgar o comportamento de certos filhos com relação aos seus pais idosos. Muitas vezes o passado não justifica atitudes do presente, mas pode ajudar a entendê-las.

Anônimo disse...

Esse comentário do Alex me fez lembrar uma coisa que meu irmão costuma dizer:

"Não se esqueçam que até os canalhas envelhecem".

Envelhecer não santifica ninguém, claro. Mas como ele disse, nada lhe falta, só que ninguém é obrigado a amar uma pessoa que só plantou desamor a vida toda. Apesar dos erros, ele é um ser vivo que merece respeito.

Anônimo disse...

ALEX

O seu pai é um homem viril. Parabéns.

Cuide bem dele. Ele merece.

Anônimo disse...

"Grande parte da culpa também é da nossa sociedade que é levada a acreditar que velhos incomodam, não têm mais utilidade. Na China ou na Índia, eles fazem a lei da casa e são ouvidos pela família toda por serem mais sábios e experientes,"

sem querer ser chata mas nem sempre isso é uma coisa boa, considerando o apego que os mais velhos têm a certas tradições estúpidas, ensinando os filhos a serem assim e posteriormente, sujeitando aos netos.

lola aronovich disse...

É. Mascus realmente acreditam q a descrição do pai da Alex é a de um homem honrado. O comentário do anônimo não foi brincadeira. Eles REALMENTE acreditam nisso.
E depois não querem ser vistos como grupo de ódio...


E sobre não santificar os idosos, concordo totalmente. Mtos idosos são pessoas difíceis. Mas mesmo essas pessoas merecem uma vida digna. O comentário do Patrick foi perfeito: um estado social que ampara os idosos libera as pessoas (quase sempre mulheres) em idade produtiva a trabalhar fora. O problema é social, não individual!

Anônimo disse...

"As vezes fico pensando se o que fiz é certo ou errado. Mas se o senhor mata o meu gato, por ser idoso ele não vai responder um processo devido a idade avançada."

Não acho que vocẽ agiu mal em bater no velho. Você não bateu em um velho aleatório da rua e sim em uma PESSOA tão má que seu gato pagou por isso. Quem tem coragem de maltratar um bicho totalmente indefeso tem coragem de fazer coisa muito pior. E não interessa a idade, nesse caso é irrelevante. A Justiça não ia te ajudar em nada em relação ao que aconteceu ao gato, então que valha o Direito Natural mesmo.

Eu acho complicada essa questão dos idosos porque já tive que lidar com alguns da minha família e da família do meu esposo e não foi fácil em nenhum dos casos. Até porque, tem velho que se acha no direito de n coisas, só porque é mais velho que você, e a coisa não é por aí.

Minha sogra é a pior pessoa que existe na Terra, bota os mascus no chinelo, até o "Silvio" que foi preso. Ela coloca um filho contra o outro, cria intriga entre as noras, fala mal de todo mundo que ela teoricamente gosta e depois vem com aquela cara lavadinha de "sou uma idosa, me respeite"... me respeite O CARALHO! Eu mandaria ela pra um asilo sem pena, nem ferrando que eu quero essa cobra perto de mim e dos meus filhos. Nem o meu marido troca muita idéia com ela, por ter sacado o tipo de mãe que tem. A minha cunhada já cansou de falar que não aceita ela dentro de casa de forma alguma, ainda mais porque tem uma filha já grandinha e que pode ser influenciada pela avó (que é mãe da minha cunhada).

Ela pode estar doente de câncer em uma cama que se depender de mim, não vai ganhar uma visita sequer. E quando ela morrer, eu vou ter que disfarçar a minha alegria. To falando bem sério e sei que não sou a única.

Então toda vez que eu vejo hstórias de um velhinho desamparado nas ruas, abandonado em hospital ou em asilo, eu fico me perguntando o que essa pessoa fez pra merecer isso e que histórias as pessoas de sua família nos contariam. Tem caso que é maldade pura mesmo? Lógico que tem, muitos! Mas tem caso que a família só tá se livrando de alguém que plantou essa desgraça para si mesmo ao longo de toda uma vida, e agora tá colhendo os frutos amargos. Ninguém é obrigado a aguentar isso em nome de um valor furado ou por medo do que os outros vão pensar. Essa é a minha opinião.

Anônimo disse...

Nossa,eu chorei lendo esse depoimento.Eu amo tanto a minha vó,tanto,que não entendo como alguém pode fazer isso.Fico com o coração partido.
Mas o importante,é que ela se arrependeu e reparou o erro.Seria bom se todas as pessoas agissem assim.

Anônimo disse...

tudo muito complicado... esse assunto me deixa bem triste pq eu já vi ônibus não parar pra uma velhinha e aquilo me cortou o coração. liguei pra companhia, passei horário, número do ônibus e nada. eles queriam a placa. sabe? dificultando... hoje ando com o telefone da seção pra idosos do ministério da justiça no celular. se eu vir isso de novo, fotografo e ligo na hora.

mas, sendo da própria família, eu penso assim: velhice não santifica. e, sim, idosos ficam mais chatinhos e difíceis. só que sempre um santo da família assume todo o peso sozinho. e a vida não é fácil pra ninguém. se todos os filhos fizessem um pouco e se organizassem, não sobrecarregariam só um deles, normalmente mulher. o que acontece é que um assume e os outros lavam a mão.

mas nada disso justifica a violência. se vc não está conseguindo, peça ajuda. seja com enfermeiro (se puder pagar e for alguém de confiança), seja com asilo mesmo. asilo não é lixão. muitos velhinhos são esquecidos lá. mas tem lugar decente, sim. entendam, não apoio o abandono. só acho que, se a pessoa vai maltratar, que deixe onde alguém possa cuidar com o mínimo de dignidade.

Drica Leal disse...

De doer o coração esse post...

Nada justifica o ato covarde de agredir, humilhar quem não pode mais se defender e está totalmente dependente de seus familiares, que não tem mais nenhuma consideração pelos pais ou avós idosos que não podem mais lhes servir... É muito, muito triste e revoltante!

Porém, fica uma reflexão também para como os pais de agora estão criando seus filhos. Vejo hoje uma geração de crianças e adolescentes para quem os pais são meros serviçais ou caixas eletrônicos para bancar cada capricho; alguém assim irá mesmo querer cuidar de uma mãe ou pai idosos no futuro? Fico indignada com a permissividade dos pais hoje em dia para não frustrar nem contrariar seus rebentos, a quem tudo é permitido e ai de quem contrariar seus filhinhos! Será mesmo que pessoas tão acostumadas a serem servidas, a só receber sem nada dar em troca a quem quer que seja, estarão aptas a cuidar de pais e avós no futuro?

Duvido muito...

Angélica disse...

Emocionante!


Patrick, eu concordo com você.


É realmente difícil dar respeito e dignidade ao próximo. Dar a mesma dignidade que gostaria de receber é quase um mito.

Mirelle Siqueira disse...

Oi Lola,

La vou eu de novo usar a França como exemplo porque é aqui que eu moro e sei como a coisa funciona. O grande debate de alguns anos pra ca é justamente sobre o que você comentou, que o idoso é um problema social, não individual. Como vcs devem saber, depois da 2Guerra Mundial a França instaurou o Estado providência, que se ocupou (e se ocupa até hoje) das pessoas, através por exemplo, da criação de aposentadorias, creches, asilos, etc. Acontece que até a esquerda francesa reconhece que com a crise, acabou o dinheiro e que o governo francês não tem mais condições de dar ao cidadão o que ele podia oferecer ha 60 anos.

Levanta-se então a questão do CARE (não sei se existe uma expressao em português, aqui na França eles usam a expressão americana mesmo), que visa justamente tirar essa responsabilidade do governo e passar para os individuos. Veja bem, eu disse que até a esquerda é a favor disso.

Outra questão sobre esse Estado que cuida tão bem dos seus idosos, doentes e crianças é o fato de que a sociedade, tranquila porque não precisa se preocupar com isso, meio que desencana da coisa. Quando cheguei na França fiquei assustada com a falta de cuidado que as familias têm com os idosos. Eles vivem sozinhos, ninguém visita, ninguém faz companhia. Sim, eles têm ajuda do governo, mas são super solitarios. Vira e mexe aparece um novo programa para incentivar a população a prestar mais atenção nos velhinhos que estão vivendo mais, so que sozinhos. (aqui existe ate programa para os estudantes morarem de graça na casa de um idoso, se comprometendo apenas em fazer companhia para ele).

Enfim, fico comparando o tratamento que Estado e sociedade dão para os idosos franceses e brasileiros e me pergunto quem leva a pior: os brasileiros, porque não possuem nenhuma ajuda financeira do Estado (mas que, na grande maioria são cuidados pelas familias) ou os franceses, abandonados pela familia e sustentados pelo Estado.

Iara disse...

É um assunto dificil.Já tive idosos em casa e ninguém maltratou,mas vi as mulheres se consumindo para dar conta do recado, sem ajuda de maridos nem do Estado.Quem já teve um idoso sabe o que exige de cuidados,muito mais do que uma criança de colo.O alerta que deveria ficar é sejam responsáveis pelo seu futuro ,economizem, guardem dinheiro para poder ir a um bom lugar, descansar e não ficar a merce da familia .O Estado é ausente,então as pessoas deveriam pensar no seu futuro, o que elas podem fazer para não cair nas mãos de filhos e filhas violentos.Mas ai vem outra questão, vi pessoas que tinham sido abusadas, queimadas e torturadas por pais se vendo obrigados a viver com eles e cuida-los, quem deveria ser obrigado a cuidar do propio carrasco? Mas é pai! Foi pai quando a abusou e queimou?
Enfim, penso que essa questão corresponde ao Estado sim, mas na ausencia dele as pessoas deveriam ser mais prevenidas,é muito fácil não dar nada aos filhos e depois se jogar em cima deles e querer ser tratado como um rei .
Sou contra qualquer tipo de violencia, mas um idoso sempre acaba aos cuidados da mulher da familia,isso não é uma violencia com ela? Parar a vida dela ?
Minha avó foi cuidada por algumas filhas,mas o filho nunca se deu o trabalho, dizia que isso das fraldas e tal, era coisa de mulher e todo mundo teve que ficar quieto.
É dever do Estado ter bons lugares para os idosos, já que quem teve a experiencia de ter um em casa sabe que é impossivel cuidar bem deles até o final, sem sacrificar a propia vida.

Anônimo disse...

1. Alex, seu pai é/foi um escroto da pior espécie. Você já conversou com ele para chamá-lo à consciência de quanto sofrimento causou?

2. Minhas avós estão na casa dos 80 e o que mais me espanta é a solidão delas. Vivem com os filhos, em casas em geral cheias de gente, e estão sempre muito sozinhas. Eu as vejo uma vez por ano, quando vou visitar meus pais, e me dá dó, mesmo. Apesar de que também é verdade que elas são muito difíceis e que é difícil ser abnegado - a vida é muito forte.

3. A questão dos idosos - assim como de qualquer cidadão que não tenha as devidas condições de manter-se - é pública, sim. Não acho que haja problema da família (em geral as filhas) ou de um cuidador ficar com o idoso, mas o estado deve estar preparado para a obrigação, sobretudo quando as famílias não têm estrutura psicológica/monetária para lidar com ele.

4.Provavelmente, eu morrerei daqui a 4 décadas. Até lá, gostaria de ter o direito de morrer. Acho que seria de uma dignidade sem tamanho (de verdade) que eu, idosa e já cansada, pudesse chegar em um hospital público ou privado e dizer: está na minha hora. Aí me dariam/eu pagaria uma injeção letal e eu morreria sem dor.

Anônima Beócia

Amanda Lima disse...

Como já comentado no texto, é uma questão de exemplo dentro de casa. Eu tenho um mega respeito pelos meus avós e, mesmo que um deles esteja falando uma bobagem sem tamanho, não retruco, pois sei que aquela visão que ele acredito certo é o que aprendeu há muitos anos atrás!
Por exemplo, minhas duas avós. Uma foi criada na roça, casou, teve cinco filhos e nunca trabalhou fora de casa. Já a outra foi criada na cidade, começou a trabalhar como fotografa aos 18 anos, não casou virgem, teve dois filhos e não sabe passar uma roupa. Para a primeira, gastar com cabelo/roupas, por exemplo, é futilidade, e o marido tem que sustentar a casa. Já para a segunda, sempre maquiada e cheia de jóias, mulher ser obrigada a ficar em casa é quase um crime. Não vai adiantar eu argumentar com a primeira que eu quero ter meu dinheiro e nem com a segunda que eu posso escolher ficar em casa com os filhos. Elas já tem opinião formada e não vão mudar, não importa o quanto eu argumente!
O que me resta é aprender o que elas pode ensinar e filtrar o que pode ser usado agora, sem nunca desrespeitar ou levantar a voz para elas.
Escrevi um testamento, mas fico muito chocada quando eu vejo a falta de respeito com idosos. Como comentou o Alex ali em cima, ele não tem como amar o pai por tudo que já aconteceu, mas o respeita o bastante para trata-lo como ser humano que ele é, por pior que seja.

Anônimo disse...

Fiquei horrorizada com este depoimento.Uma vivencia como esta da pessoa que mandou o post deve marcar até o fim de sua vida, não sei se teria paz de espírito depois de maltratar alguém tanto assim...
Mariangela

Sandra Nishimura disse...

Anônima Beócia

Você tem razão, no Japão os familiares idosos eram levados para as montanhas "para ver o inverno chegar". Após o inverno nada mais havia, senão ossos.

Entre os japoneses do passado era comum deixar os idosos em lugares bonitos, tipo, perto de um riacho, na floresta e levar comida para eles lá. Assim evitavam o problema do odor dos velhinhos. Um costume antigo dos mais abastados era construir uma cabaninha perto de um riacho para o idoso ficar pescando e admirando a natureza.

Para a maioria dos japoneses Deus é a natureza, a força maior da vida. Admirar a natureza é admirar a vida e a Deus e a si mesmo.

Hoje em dia, a população do Japão está muito velha, pouca gente quer ter filhos, a maioria prefere cuidar da carreira profissional, morar sozinho e ficar na farra durante a noite. A noite das cidades japonesas são muito agitadas.

A quantidade de idosos sem filhos e morando sozinhos é muito grande.

Esses velhinhos modernos se organizam em redes sociais pela internet e ficam o tempo todo em casa, jogando e conversando pela internet. Quando algum não dá mais notícia o grupo telefona para o serviço da prefeitura para ir até a casa do velhinho porque provavelmente morreu. Eles recolhem o cadáver e cremam, assim mesmo, sem família e nem nada.

Hoje em dia é comum o idoso falecer dentro de casa e descobrirem semanas ou meses depois. Algumas vezes os vizinhos notam o odor, mas nem sempre.

Anônimo disse...

Vamos encarar um fato : existem pessoas boas e pessoas más . Não é a idade que vai fazer com que uma pessoa má se torne , de repente, "boazinha" . Pinochet e o Generalíssimo Franco não ficaram bonzinhos quando se tornaram idosos, muito menos os carrascos de Auschwitz ou os torturadores da época da ditadura militar.
Eu sempre re3speitei meus avós, embora eles fossem "durões", como se diz. Meus pais também. No entanto, meu pai tratava muito mal os filhos, surrava com chicote e relho . várias vezes, simplesmente porque ele estava de mal com a vida. Quando minha mãe estava grávida do quarto filho, ele engravidou uma adolescente, mentindo que morava com a irmã grávida. Quando a moça descobriu que ele era casado, tentou o suicídio. Hoje , depois que minha mãe faleceu, temos contato com o filho desse relacionamento, um irmão , que não tem culpa de nada disso. O velho vivia viajando e aprontando, sempre endividado. Agora está com mais de 80 anos, e há pouco tempo, aprontou mais uma com os filhos. Desde então, cortei o contato com ele. Avisei aos irmãos que não vou deixar de prestar assistência, mas que não esperem carinho e afeição de minha parte, isso a meu ver é impossível. Respeito à dignidade de uma pessoa idosa sim, mas nada além disso.

Luciana Mendonça disse...

o depoimento de Alex me fez pensar o qto essas histórias são comuns (ou eram?) pq o relato é qse identico ao de uma paciente minha. Filha de uma mãe que foi criada "nas cozinhas dos outros" e que como "vivia de favor" contentou-se em casar c o pai dela - um homem mulherengo, violento, que tentou inclusive assassiná-la golpeando-a c uma faca no pescoço, e que não permitia q ela trabalhasse fora. A mãe desta paciente morreu segundo ela "de desgosto", pois foi ficando calada, quieta e parou de alimentar-se. Mas enquanto não adoeceu, continuou a cuidar deste marido, colocando até comida em seu prato e - coincidentemente - qdo esta comida não estava boa ele quebrava tudo. Os filhos viviam em terror.Hoje ela faz terapia, não suporta o pai, e como o padrão acaba se repetindo, casou-se também com um homem que a trai e a desvaloriza. É uma mulher insegura ao extremo, dependente emocional e com estima baixíssima. Aceita inclusive dentro de casa uma funcionária doméstica que lhe dá ordens e lhe diz que fica com o marido dela a hora que quiser, num estalar de dedos.

É preciso ter respeito antes de tudo ao ser humano (sem julgar o seu passado). Um idoso deveria receber cuidados independent de ser bom ou ruim. Agora, os filhos não precisam e não devem amar pais que os torturaram e que estragaram suas vidas.É possível não desamparar um idoso com passado condenável sem necessariamente ter amor ou gratidão por ele.

É recomendável inclusive que estes filhos, não neguem sua raiva, seu ódio. Algumas religiões dizem que deve-se amar aos pais de forma incontestável, mas isto não é saudável.

Acho ótimo Lola que seu blog tenha tantos acessos e vc aborde temas assim.Feliz de ver pessoas contando suas histórias.É uma grande oportunidade.

Bj,Luciana

Scandella disse...

Anônimo 14:57, não acho que existam pessoas boas ou más. Não totalmente, o humano é as duas coisas. O que existem são ações ruins ou boas que vão te transformar num criminoso ou não. De resto, não me adiantaria dizer o quanto faço coisas boas, ainda terei aqueles detalhezinhos ruins dentro de mim.

Quanto ao idoso e o gato morto, não acho que seja um ato louvável descer a porrada no sujeito. Claro que ter matado o bichinho foi horrendo da parte dele, mas não dá pra justificar assim. Acho que, mais do que isso, foi uma reação compreensível, a sua,não dá pra criticá-la sem parecer hipócrita.

Minha família sempre teve uma "política" de que as filhas mais velhas são responsáveis a cuidar dos pais. Meu pai ainda é jovem e orgulhoso demais para pensar no que fará quando estiver mais velho, mas acho que essa tradição vai acabar nessa geração. Vendo como são meus irmãos e tal... Acho que eles acabarão ficando comigo. Com minha mãe, enfim, a convivência vai ser mais difícil: nos gostamos, mas se passamos mais de uma semana juntos é briga na certa. Acho que somos parecidos demais para convivermos bem por muito tempo, enfim...

Anônimo disse...

Uma coisa interessante é a questão do filho único e do futuro dos pais. O que será dos velhinhos de amanhã que hoje tem só um filho? E casais que tem filhos cada vez mais tarde? É bom que tenham uma boa previdênica privada, porque é justo que filhos ainda tão jovens desistam de suas carreiras e vidas para cuidar dos pais idosos, se estes não desistiram?

Sara disse...

Até entendo alguns comentários aqui justificando a falta de empatia com idosos em sua familia, devido a atitudes passadas, não é facil perdoar.
Mas me parece que muitos não estão atentos de que TODOS NÓS ERRAMOS, em um momento ou outro, ninguem é perfeito, a não ser que tenha sido um criminoso de fato, outras circunstâncias não deveriam impedir o empenho em cuidar dos nossos idosos.
Eu mesma ja tive serios problemas com minha mãe, que até criaram um distanciamento entre nós, mas agora que ela esta idosa, faço o possível para que ela tenha conforto, e não vou ficar pensando em tudo o que aconteceu no passado para justificar um descaso com as necessidades dela.

bruna disse...

aff lolinha! amo tanto os meus avós e tenho tanto respeito pelo que eles representam que não consegui terminar de ler o post sem chorar. Sem dúvida, de embrulhar o estômago, assim como a violência às mulheres, aos crimes de racismo, homofobia, à violência em relação às crianças, E tudo o mais que se discute neste blog. Eu realmente não consigo compreender historicamente onde foi que o respeito aos idosos ficou ( ou foi interrompido). Alguém que estude o tema arrisca-se a esclarecer?

Koppe disse...

Na minha família não cheguei a conhecer casos assim, porque meus avós, mesmo em idade avançada, eram pessoas relativamente fortes e independentes, só se tornaram dependentes dos filhos por períodos curtos quando adoeceram já perto do fim.

Mas eu tive um amigo que abandonou o pai dele, e com razão. Era um machão do tipo clássico, que batia e maltratava a mãe dele, e esse amigo cresceu vendo a mãe dele ser maltratada enquanto se esforçava pra cuidar da família. Um belo dia, quando os filhos já estavam crescidos e ela não precisava mais se preocupar com eles, ela decidiu viver. Deu um pé na bunda do sujeito, começou a se arrumar e se cuidar e sair na noite pra dançar. O pai dele virou quase um indigente, andava bêbado caindo pelas ruas e os filhos passavam por ele e não juntavam. Não deixavam mais ele entrar em casa, e sempre que ele invadia de alguma forma causava problemas. Certo dia ele pulou a cerca da casa bêbado e os cachorros fizeram miséria com ele, morderam tudo que conseguiram; os filhos só perguntaram se algum cachorro tinha se machucado. As últimas notícias sobre ele eram de que ele andava freqüentando a igreja universal e se consertando um pouco.

Vera disse...

Lola,
É por essa e outras que eu sou ativista em defesa da CRIANÇA.
Totalmente contra palmadas e a favor da paternidade/maternidade consciente.
A agressão contra idosos é algo terrível, sem dúvida.
No entanto, eu também me questiono o quanto esses idosos, talvez, enham sido péssimos pais/mães, capazes de transformar o próprio filh@ numa pessoa agressiva dessa forma.

Acredito que com exceção de alguns poucos casos de psicopatia, a agressão de filhos contra pais idosos é decorrente do acúmulo de 3 fatores principais:

Primeiro, a violência sofrida na infância (dizem que palmada não traumatiza, mas podem ter certeza que qualquer tipo de agressão que sofremos, uma hora é posta pra fora); Segundo, a vida estressante e individualista que vivemos. E, terceiro, a desvalorização das pessoas idosas.


Juntando isso: Uma rotina já estressante que temos, além de individualista, na qual não temos paciência para as dificuldades, manias e "lerdezas" apresentadas por velhos (e crianças); mais a desvalorização das pessoas idosas, juntamente com o trauma decorrentes de tapas e palmadas (além de outros) sofridos na infância e há anos latejando em nosso inconsciente: o resultado só poderia ser esse: violência contra os idosos.

Portanto, se quisermos evitar a violência contra idosos, devemos, antes de tudo, lutar contra a violência infantil.

natalia disse...

Bom Lola, penso que a obrigação de cuidar dos idosos cabe a todos os filhos, independente de sexo. Todavia, na prática, parece que são mais as filhas que se dedicam aos cuidados.
Quanto ao valor que a nossa sociedade dá as pessoas mais velhas, depende muito do que essa pessoa representa. Por exemplo, FHC e Lula ganham muito bem para palestrar país afora e até no estrangeiro. Vejo que nos meios intelectualizados os idosos são bastante valorizados enquanto ainda podem expor suas ideias. Agora, se a pessoa não tem lá grande valor intelectual, é difícil encontrar quem a escute.
Na minha experiência, tive grande amor e respeito pela minha avó materna, que era analfabeta, porém, foi o ser humano mais evoluído que conheci. Sempre dava suas coisas aos outros (roupa e comida) e não aquelas coisas que estavam sobrando, pois era pobre, mas sim o que também necessitava. Nunca cuidei dela, pois sempre morei em cidades distantes da dela. No entanto, ela também foi muito independente até os 92 anos. Nos últimos 4 anos, uma tia tomava conta dela e eu mandava meio-salário mínimo para ajudar nas despesas. Minha avó já não reconhecia ninguém e eu pedia a Deus para que ela partisse, pois ela sempre foi independente e não gostava de dar trabalho a ninguém. Quando finalmente ela morreu, mesmo tendo pedido por isso, chorei o dia inteiro.
Atualmente, a pessoa mais idosa com quem tenho mais contato é a minha mãe, filha dessa avó que tanto amei. Minha mãe é um pouco difícil de conviver, mas jamais permito agressões a ela. A casa onde ela mora me pertence. Ela está um pouco infantilizada, se sente muito sozinha, pois criou 6 filhos e creio que queria todos ao redor dela. Está com 72 anos e raciocina muito bem. Então, eu não engulo tudo quanto é desaforo, argumento com ela. Nem sempre ela quer compreender, mas vamos vivendo e uma coisa é certa, se alguém levantar a mão para minha mãe vai se ver comigo e se eu não der conta, vai se ver com a polícia.

Rogério Santos disse...

Esse texto é perfeito para aquelas pessoas que ainda pensam que ter filhos é bom porque assim nós teremos quem tome conta de nós na velhice. Aí a resposta, rebanho de malas!!

Vera disse...

Rogério,
Ter filhos pra ter alguém que te cuide na velhice é o cúmulo do egoísmo, não é?

Mari R disse...

Estou lendo a história do gato e lembrando do meu avô que tem 99 anos. Há uns dois anos atrás havia um gato morando em sua casa, minha avó reclamou que o gato estava estragando suas plantas, ele não teve duvida: pegou o cinto e foi bater no gato. Um primo socorreu o gato e ele não se machucou muito.
Claro que é errado, mas meu avô não tem consciência disso.Ele nasceu e passou boa parte da vida em fazendas, está acostumado a matar desde pequeno com as próprias mãos, galinhas, porcos, bois e outros tipos de animais.Há uns 4 anos ele foi picado por um escorpião, em vez de achar q ia morrer e chamar alguém, terminou o que estava fazendo, pegou um ônibus, viajou 1 hora e foi sozinho ao hospital.
Como é que se explica para uma pessoa com essa experiência de vida que é errado maltratar animais, que mulheres são iguais aos homens ou que tudo bem ser homossexual ?
Meu avô não é santo, sempre foi um homem duro,batia muito nos filhos, mas nessa altura não há como mudar sua maneira de ser. O jeito é minimizar os danos e contornar certos assuntos. Eu não vou conseguir ensinar nada a alguém de quase 100 anos, no máximo vou choca-lo, então deixo quieto.

Anônimo disse...

Lola (e outr@s),


Gostaria de sugerir a divulgacao deste link (senado.gov.br/ senado/ alosenado/ codigo_penal.asp). É uma boa oportunidade para exercer a cidadania e utilizar os novos meios de comunicacao em prol de um futuro mais promissor e de várias bandeiras atuais (e democráticas)que fazem parte das concepcoes e, muitas vezes, do dia a dia de muit@s que lutam por democracia e fim da violencia.

Maira disse...

Tenho um exemplo em minha família. São 4 irmãs e 1 irmão, vivos. Uma delas, doente mental desde sempre. Todos os irmãos tão cristão, não quiseram cuidar da doente, porque ela se veste mal, não tem a menor higiene, além de ter uma mania horrenda de acumular entulho.. Coube à minha mãe esse fardo, que ela vem carregando por 22 anos. Fardo, porque é doente mental, é violenta, ganha 4 salários mínimos e gasta tudo com fanatismo religioso,dá dinheiro a sobrinhos que não dão a mínima a ela, não toma os remédios e não admite que os controlem. Resultado é que ela nunca está em seu estado normal, apesar de ter acompanhamento médico, e está sempre em surto. 1 vez por ano virou rotina interná-la, mas com a nova lei, ela fica pouquíssimo dias por lá e volta do mesmo modo. Saí de casa para estudar aos 18 anos e posso dizer que foi um alívio. Dói meu coracão ver aquela mulher maltratando minha m@ãe e a desvalorizando por tantos anos, e valorizando os irmãos que não querem nem saber dela. Eu e meus irmãos convivemos com ela desde crianca e só posso dizer que desde que ela chegou, nossa vida foi um inferno. Ela não admitia que criancas pudessem ser felizes, e mais tarde, quando adolescentes, pudéssemos ser normais. Queria que trabalhássemos aos 10 anos, chamava as meninas de vadias, vivia inventando aos parentes que éramos o que há de pior. Porém, minha mãe nos ensinou a respeitá-la, o que considero ultrajante, pois lembro de diversas vezes que ela me humilhou, e eu tinha apenas crianca. Agora, aos 25 anos, ela com 70, continua a mesma pessoa horrível. Passa o dia fofocando ao telefone ou ouvindo rádio evangélica, ou sai à rua catar entulho. destruindo nossa família, destruindo o casamento dos meus pais. Ela tem preguica de cozinhar, limpar, então deixa tudo a cargo da minha mãe. Nem lavar o próprio prato, nem tirar a comida da panela ela se dá ao trabalho. Minha mãe não pode viajar, sequer sair de casa, sendo obrigada a ficar submetida 24h àquela mulher horrível que é a irmã dela. Há idosos sendo maltratados, injusticados, roubados, mas também há idosos acabando com a vida alheia.

Anônimo disse...

Donsidero essa história de respeitar a cabeca dos mais velhos bobagem. Se eles chegaram até aqui, deveriam ter se moldado aos novos tempos. Querer viver como em 1950 no ano de 2012 e querer que todos respeitem, mesmo que prejudique, é demais

Alex disse...

Continuando meu depoimento. A 1ª parte está lá em cima, para quem quiser ler. Eu e meu irmão do meio pegamos a melhor fase do nosso pai, ou a fase menos ruim, talvez seja mais adequado dizer assim. Meus irmãos mais velhos (irmão e irmã, aquela sobre quem meu pai mentiu à minha mãe antes de se casar com ela - veja-se a 1ª parte do meu depoimento) pegaram uma fase muito mais difícil. Foi a fase da violência. Num dos episódios, meu irmão tinha uns 5 anos de idade (ele nasceu em 1963, eu, em 1976), meu pai quebrou um cabo de vassoura e fez que ia investir contra ele a arma improvisada; só não o feriu porque minha mãe se interpôs entre os dois, que conseguiram se esquivar e fugir para a casa de uma vizinha. Noutro episódio, meu irmão já adolescente, tinha uns 12, 13 anos, segundo me contam, como meu irmão demorasse a tirar a bicicleta (nova, diga-se de passagem) da frente da garagem, meu pai desceu do carro e simplesmente a destruiu, arremetendo-a no chão até danificá-la na medida do extravasamento da sua raiva. Noutro episódio, esse com minha irmã, a qual na época já tinha mais de 15 anos, os dois chegaram às vias de fato e meu pai a fez cair. Como ela tivesse o cabelo bem comprido, meu pai começou a arrastá-la pelo chão. Eu, felizmente, não presenciei nada disso. Essas informações me chegaram através de quem as vivenciou na própria pele. Como disse, eu e meu irmão do meio pegamos uma fase mais amena. Foi a fase da ausência. Nosso pai passava semanas fora de casa. As ausências prolongadas começaram a acontecer porque meu irmão mais velho cresceu, tornou-se mais alto e mais forte do que ele, de modo que começou a se tornar comum os dois chegarem às vias de fato, isso além das agressões verbais. Meu pai fazia dívidas, muitas dívidas naquela época, chegando ao ponto de dever a agiotas mais de 10 vezes o que ganhava, o que era motivo para mais tensão e discussões. Mas é menos mau ter um pai ausente do que um pai violento. Eu acho que sofri menos, embora tenha sofrido bastante com as discussões entre meu pai e minha mãe e meu pai e meu irmão. Eram diárias quando meu pai estava em casa. Minha irmã se casou muito cedo, fez um casamento péssimo. Provavelmente se casou para se livrar do nosso pai. A última vez que a vi foi em 1987. Ela não pode chegar perto do pai. Odeia-o profundamente. Além disso, ela nunca gostou da minha mãe e do irmão. Achamos que na cabeça dela meu pai e a mãe dela só não ficaram juntos por causa do casamento dele com minha mãe. Hoje, quando meu irmão vem aqui em casa, ainda há discussões, acontecendo de ele sempre jogar na cara do nosso pai tudo o que ele fez a família passar. O conteúdo dessas discussões é sempre o mesmo. Não há mais as agressões físicas, mas continua havendo agressões verbais em que o passado é sempre ressuscitado. Quanto a mim, a coisa que meu pai me fez, e que mais me magoou, foi quando eu tinha uns 15, 16 anos. Ele me tirou do curso de inglês, que eu adorava, alegando que não estava podendo pagar. Depois descobrimos que ele havia alugado um quarto, desses de quinta categoria, que usava para se encontrar com prostitutas, algumas menores de idade, que sempre foram as preferidas dele. Hoje em dia seria impossível meu pai agir como agia naquele tempo. Existe o Estatuto da Criança e do Adolescente. Existem Promotorias da Infância e da Juventude. Existe a Lei Maria da Penha. Mas naquela época... Uma vez ele bateu na minha mãe. Foi a única vez em que a mãe de criação dela tomou partido. Ela disse que se ele batesse na minha mãe de novo que ia com ela fazer queixa na Marinha. Meu pai era 1º tenente. Seja por ter se arrependido, seja por ter sentido medo das repercussões de um escândalo desses no trabalho dele, ele nunca mais bateu nela. Ficou "só" nas agressões morais mesmo, mais difíceis de ser provadas e gerar condenações sociais, administrativas e jurídicas. Hoje, com 80 anos, ele nem parece mais aquele homem. Ele era forte, atlético; como disse, era militar, os exercícios físicos faziam parte da rotina dele. Sofreu

Alex disse...

vários micro-AVCs que afetaram sua locomoção, ocasionados por ele beber muito (hoje não mais). Além disso, teve hanseníase numa das pernas. A doença foi tratada, atualmente ele está curado, mas ela comprometeu ainda mais a locomoção dele. Ele anda sozinho, mas bem devagar e precisa fazer fisioterapia 2, 3 vezes por semana, para não perder de vez o movimento das pernas. Quem cuida da minha mãe e do meu pai sou eu. Levo a médico sempre que posso, por causa do trabalho; levo pra fazer exames, pra fisioterapia, vou pegar os resultados dos exames... Antes quem fazia todas essas coisas era meu irmão mais velho. Mas ele passou num concurso e foi morar em João Pessoa. Acho que meus pais tiveram sorte: eu e meu irmão somos gays. Se tivéssemos mulher e filhos acho que seria mais complicado cuidar dos nossos pais. Pelo menos isso meu pai tem de bom, ele não é homófobo. Mas, se fosse, ficaria sozinho. Melhor para ele não ser. Conheço muitos gays que cuidam de seus pais idosos. A situação de alguns deles é muito triste, por causa do Alzheimer do pai ou da mãe. Meus pais, graças a Deus, não têm Alzheimer nem Parkinson. Já tive crises terríveis por ainda estar morando na casa dos meus pais. Mas cheguei à conclusão de que não conseguiria sair para um teto só meu, embora ganhe mais do que suficiente para viver bem sozinho. Minha mãe foi uma mulher tão tolhida que, hoje em dia, não sabe usar um caixa eletrônico, não sabe nem ligar um computador. E tem a síndrome do ninho vazio. Morro de medo de sair de casa e minha mãe morrer de depressão. Ela está com 66 anos, nunca trabalhou fora; o mundo dela é a casa, e ela precisa ter pelo menos um filho por perto para ligá-la e levá-la ao mundo lá fora. Felizmente meu "namorido" entende minha situação e aceitou estar aqui comigo. No futuro será inevitável alugarmos um apartamento, mas, enquanto está dando, eu vou adiando essa iniciativa e ele vai fazendo a concessão de estar aqui comigo. Minha mãe sempre exerceu uma força centrípeta poderosíssima sobre seus filhos gays. Sei que posso sair, se quiser e quando me der vontade. Mas a culpa não me deixaria em paz. Mas, no auge das minhas crises, hoje já superadas, cheguei a me perguntar algumas vezes: "Meu Deus, meu Deus, será que vou ter que esperar minha mãe morrer para viver minha própria vida?!". Escolhi ficar e aguardar. Por amor e por medo da culpa. Por fraqueza e talvez por força também.

Giovanna Fiamoncini disse...

Cara, na nossa sociedade capitalista só tem valor quem é produtivo para a indústria, para girar a roda do sistema. Acredito que muito da forma com que as pessoas idosas sáo tratadas vem disso.

Vera disse...

Nossa Alex,
Que história!
Você é uma pessoa muito generosa, viu?

lola aronovich disse...

Que tristeza essa história toda, Alex! Deve ser muito difícil perdoar alguém que agiu tão mal durante a vida. Mas nem sei se tem que perdoar -- tem é que cuidar, tratar bem. Mas não sei por que essa função tem que ser dos filhos (aliás, em geral, DAS FILHAS). Deveria haver um bom serviço do Estado que cuidasse dos idosos (e das crianças).


Maira, muito triste a sua história também. É, não dá pra empatizar com alguém só porque a pessoa já tem uma certa idade...

Barbara disse...

Relato de uma sinceridade comovente...

Luciana Mendonça disse...

voltei.Lola tuita tda hra! =)

Rogério, pessoas que têm filhos pensando em ter cuidadores pra velhice, não têm filhos, fazem investimento. Pessoas não são objetos. "Vou ter 1 filho p ele cuidar de mim na minha velhice" não é amor, é egoísmo. A criança vai sentir-se usada e isto ñ gera vinculos verdadeiros.

Melhor pagar uma boa aposentadoria nestes casos pra poder pagar c ela, enfermeiros.

Anônimo disse...

Por falar em idosos, os governos de todos os países (principalmente na Europa) tem reformado a previdência no sentido de arrochar as aposentadorias e aumentar o período de trabalho. O pretexto: "os gastos estão muito altos pois há muitos idosos, então precisamos cortar" (principalmente na Europa).

Não faz muito tempo que um colunista da New York Times chamou os enfermos a aceitar a morte pela saúde financeira:

http://www.nytimes.com/2011/07/15/opinion/15brooks.html

Cruel né? Pois é, se os próprios governantes e os meios de comunicação social difundem a idéia de que o idoso representa um encargo, o você deixa para a população?

Anônimo disse...

Blog da Lola logo irá virá: Escrevam, Lola e Convidados, Escrevam. =P


brimks, bjs miga

Murillo Jorge disse...

Essa conversa que criança tem que ser tratada sem levar porrada é um lixo.

Nas escolas públicas os professores e professoras não se importam mais em dar aula, elas não podem fazer nada contra o aluno. O aluno sabe e faz o que quer na sala de aula. Quando um professor surta e arrasta um aluno para fora da sala de aula ele é processado pelo Estado.

Agora com essa moda de criança com celular eles fazem aposta para ver quem é que filma a coisa mais violenta dentro da escola. Desde espancar alguém a rasgar a roupa ou tocar fogo no cabelo das meninas.

E se o professor toma o celular de um estudante ele é processado.

Criança tem que levar porrada até aprender. Se não aprender, então dê porrada até ela não aguentar ficar de pé. O filho de um vizinho começou a usar drogas o pai dele foi lá e deu um tiro no moleque. Achou melhor um filho morto do que um filho maconheiro.

Eu acho errado essa Lei da Palmada. Felizmente a Frente Parlamentar Evangélica barrou essa lei estúpida e fez uma alteração que permite a correção rígida por parte dos pais, desde não cause lesão grave.

Anônimo disse...

Axo a palmada verbal muito eficaz. melhor do que uma surra de vara!

Anônimo disse...

Crianças segundo a Justiça são adultos.

Supremo Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal AUTORIZARAM A PEDOFILIA.

Entendimento do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre estupro de vulneráveis. Ontem (27), a Terceira Seção da Corte decidiu que atos sexuais com menores de 14 anos podem não ser caracterizados como estupro, de acordo com o caso.

Acusado de estuprar prostitutas menores é inocentado no STJ

O tribunal entendeu que não se pode considerar crime o ato que não viola o bem jurídico tutelado, no caso, a liberdade sexual. No processo analisado pela seção do STJ, o réu é acusado de ter estuprado três menores, todas de 12 anos. Tanto o juiz que analisou o processo como o tribunal local o inocentaram com o argumento de que as crianças "já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data".

A decisão do STJ é uma reafirmação do entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a questão. Em 1996, o ministro Marco Aurélio Mello, relator do habeas corpus de um acusado de estupro de vulnerável, disse, no processo, que presunção violência em estupro de menores de 14 anos é relativa.

Alex disse...

Certamente deveria haver um bom serviço do Estado aos idosos. Afinal de contas, pagamos uma carga tributária imensa. É sempre aquela velha distância entre o "dever ser" e o "ser". Antes da Constituição Federal de 1988 havia muitas leis que garantiam à filha solteira de servidores públicos, militares inclusive, o direito à pensão por morte do pai (geralmente do pai, já que a inserção da mulher no mercado de trabalho só se tornou mais marcante de pouco tempo pra cá) ou da mãe servidores(as)/militares aposentados(as)/inativos(as). Mas essas leis foram extintas depois de 88. Na verdade, deveriam ter sido estendidas aos homens também, já que há homens que não trabalham pra cuidar do pai ou da mãe idosos em regime de dedicação exclusiva (posso estar enganado, mas acho que muitos desses homens são gays). Essas leis, que amparavam as mulheres, existiam porque era muito comum uma filha ficar "pra titia" em casa cuidando dos pais. Com a Constituição de 1988 essas leis passaram a ser vistas como um privilégio das mulheres. E realmente houve muito abuso, como no caso de Maitê Proença, por exemplo, que ficou com a pensão do pai, que era promotor de justiça em São Paulo, só porque nunca se casou civilmente. Essas leis não foram feitas para mulheres como ela, mas para aquelas que renunciaram à vida pessoal, ou a uma parte significativa dela, para cuidar dos pais idosos. Como estamos vivendo cada vez mais, acho que vai ser inevitável a valorização da velhice. Daqui a alguns anos os idosos serão a maioria. E seremos idosos com cada vez mais saúde e condições de trabalhar. As aposentadorias vão acontecer cada vez mais tardiamente. Estaremos, cada vez mais, nos parlamentos, nas chefias do poder executivo, no judiciário, no ministério público... Nós, os velhos de amanhã, trabalharemos em causa própria num futuro talvez não muito distante. Mas, até lá, há realmente muita coisa a ser feita, especialmente porque há muitos idosos que não podem esperar tanto tempo.

Anônimo disse...

Murillo, não fále bobagens, conheço muitos casos de crianças que levaram muita "palmada" e hoje apanham da polícia e estão presos. Por outro lado, conheço casos de crianças que NUNCA levaram uma palmada na vida, que hoje são homens educados, sabem se comportar.

Luciana Mendonça disse...

verdade..tem o post e tantos coments! mas Lola deixa! =)

é Lola e convidados mesmo. Acho q só para qdo ela lança outro post!

E est rapaz curioso do fio terra? nada a ver c o tema! É por pena q vc não exclui Lola?

Vera disse...

Murillo,
E você acha que essas crianças mal educadas ou pessoas que estão na cadeia não levaram porrada??!!
Ah, pelamordedeus!!! Você acha mesmo que essas crianças e adultos mal educados foram criados com
exemplos, afeto, diálogo, atenção, com pais que as obrigavam a arcar com as consequências de seus atos, etc. ?
Não seja ingênuo. É lógico que essas crianças apanham!

Vá numa cadeia e veja quantas pessoas que foram "educadas" na base da porra estão lá e quantas pessoas que foram educadas na base de uma paternidade/maternidade consciente estão hoje na cadeia.

Muitas amigas professoras reclamam justamente do problema da palmada gera nas escolas, pois em casa, a criança aprende que o limite é a palmada. Aí, na escola, a professora não pode usar o mesmo "limite". A professora faz o quê?
Muuuuito mais fácil lidar com crianças verdadeiramente educadas, que sabem dialogar e tem respeito pelos outros.

Não fale uma bobagem dessas. Além de não ter qualquer embasamento, você está contribuindo ainda mais com a violência.

lola aronovich disse...

Murillo, na boa? Lixo é o seu discurso fascista de que criança tem que apanhar, ou de que é melhor um filho morto que um filho maconheiro. Eu só não deleto seu comentário cheio de ódio porque ele é engraçado no final, quando vc elogia a “correção rígida por parte dos pais, desde que não cause lesão grave”. Tiro no filho não deve constituir lesão grave, imagino.

MYNAH DRAKUL disse...

Apanhar gera medo, ódio e ignorância. Apanhar machuca mentalmente. Apanhar invalida o processo de aprendizagem. Apanhar torna a criança um ser amoral...
Quem apanha dos pais não tem auto-estima e costuma ser preconceituos@ em larga medida.
Tirando a parte do preconceito; esse é um resumo da minha história.

E eu te desejo Murilo, muita sabedoria para que você veja o estrago das suas palavras e atitudes... Eu não te conheço, mas pelo que você diz, eu infiro que suas atitudes sejam iguais.
Desejar sabedoria a você, não me torna boa; pelo contrário, pois eu quero que você sofra com essa sabedoria.

Anônimo disse...

Puxa, Lola! Você sequer percebeu que comentou no post errado. hahahaha

Anônimo disse...

Nem todo velhinho é a coisa mais cuti-cuti do planeta e nem toda pessoa merece nosso respeito. Se a pessoa faz burrada a vida toda, ferra com a cabeça de marido/esposa, filhos, netos e tudo mais durante sei lá, cinquenta anos da vida, que não espere amor ou um saco de feijão dos seus parentes. E ninguém deveria se sentir culpado por encostar uma pessoa que só atrapalha sua vida de propósito.

Anônimo disse...

Minha história tem muito a ver com a do Alex, embora menos dramática. Mesmo assim, eu não consigo falar com meu pai. Não o suporto. A única coisa que importava na vida do meu pai era andar com carro zero. E para isso, os filhos e minha mãe andavam com farrapos, e o pior, ele fazia terror todos os dias de que nós é que éramos culpados por ele ter tantas dívidas, que a gente era um bando de vagabundos que só fazia consumir o dinheiro dele. Todos os dias havia briga com minha mãe. Minha mãe começou a trabalhar como secretária para ele (ele é médico) para "economizar" com outras secretárias. A princípio não recebia, mas quando passou a receber era o dinheiro dela que colocava comida na mesa. Ela ia fazer as compras no supermercado distante e voltava com feridas nas mãos de carregar o monte de bolsas pesadas porque não tinha dinheiro para pagar um taxi, e ele se recusava a lhe emprestar o carro ou a ir buscá-la. Ele gritava e a humilhava na frente dos pacientes. Meu pai também me tirou do curso de inglês, que eu adorava, alegando não ter dinheiro suficiente. Mas continuou com o dele. Meu pai não me deixava usar o computador para eu fazer meus trabalhos de faculdade porque ele tinha que ficar de bate-papo com outras mulheres no msn. Meu pai também teve diversas amantes, uma das quais trazia para dentro de casa, e com uma outra teve um filho. Tentou estuprar uma de suas secretárias. Me obrigou algumas vezes a tirar fotos “sexy”, na primeira vez eu tinha 4 anos. Me obrigou também a fazer um “check up” no seu consultório, quando eu era pré-adolescente. Uma vez fiz uma cirurgia, meu pai prometeu me levar de carro até o médico (em uma outra cidade) na primeira semana do pós-operatório. No dia deu uma desculpa e não levou, nem ao menos pagou um taxi. Tive que pegar uma van que foi chacolhando a viagem inteira e eu morrendo de medo daquilo abrir meus pontos. Meu pai me ameaçava de morte se eu arranjasse um namorado (isso com 16 anos), mas ao mesmo tempo dizia que eu deveria ir dar o rabo na esquina para aprender a dar valor a tudo aquilo que ele fazia por mim. Meu pai quase bateu na minha mãe grávida. Meu pai reclamava da comida todos os dias, também jogava panelas no chão. Meu pai destruía meus brinquedos em seus acessos de fúria e alguns dias depois tinha outro acesso de fúria no qual me culpava por “eu” ter destruído meus próprios brinquedos. Me batia por eu fazer xixi na cama. Qualquer coisinha era motivo para seus acessos de fúria. Se eu atendesse o telefone ofegante porque corri para fazê-lo, quando ele chegasse em casa aquilo era motivo de escândalo. Ele também adorava nos humilhar em público, claro. Ainda crianças, ele achava que deveríamos conversar como adultos com outros adultos, e se nossa “performance” fosse “ruim”, ele nos punia. Ele nos abandonou uma vez na praia, num lugar ermo, à noite, quando meu irmão ainda era de colo, sem dinheiro para pegar um ônibus, apenas porque se irritou com um machucado que eu tinha na perna.Enquanto meu pai andava com seu carro zero e suas roupas armani, eu e minha irmã tínhamos que ir mendigar o almoço na casa de uma prima, quando saímos de casa para estudar. Ele nunca ligava para saber como estávamos; quando, depois de sermos humilhadas pela empregada da tal prima, com muita insistência, conseguimos que ele nos colocasse a disposição um cartão de débito, ele passou a nos ligar diariamente. Ele conferia todo e qualquer uso do cartão, exigindo detalhes.

Anônimo disse...

(cont.)A última que meu pai me fez foi ter roubado meus livros. E não queria devolver. Livros sobre coisas que eu comprei com meu dinheiro, e que ele não tem a menor capacidade de entender, e que por isso, sempre julgou serem de “cultura inútil”. No início minha mãe sempre ficava do lado do meu pai, nos culpando pelas castigos que recebíamos. Mas com o tempo até a alienação dela foi cedendo e eles acabaram por se separar. É tanta coisa que ele fez que eu já nem me lembro. Hoje em dia eu não sinto nenhuma culpa por não ter proximidade com meu pai e sinceramente, não quero saber quem é que vai cuidar dele quando ele ficar velho. Ele teve todas as oportunidades de construir um relacionamento saudável com os filhos, mas optou por distanciá-los. Agora ele que arque com as consequências.

Anônimo disse...

Ah...só mais uma que lembrei: meu pai também comprava guloseimas que só ele tinha o direito de comer. Ele fazia questão de comer na nossa frente e a gente chorava pedindo um pedaço. Às vezes, depois de muita humilhação, ele dava alguma coisa. E aí da gente se ousasse comer essas coisas sem autorização dele, apanhava mesmo.

Anônimo disse...

correção: "Livros que comprei com meu dinheiro,sobre coisas que ele não tem a menor capacidade de entender"

Patrick disse...

Mirelle,

Esse discurso de crise para justificar os ataques ao estado de bem estar social existe desde que eu me entendo por gente. E no Brasil, que não está em crise ao menos na última década, ele é repetido ipsis litteris do que é dito aí na França. Sobre o apoio de certa parte da esquerda francesa a esse discurso: eles tem Antônios Paloccis tal como nós.

Deixo como sugestão de leitura A consciência de um liberal, no qual o economista Paul Krugman - que não é exatamente um esquerdista - mostra como as décadas de ouro da economia americana coincidiram com a implantação do welfare state. E como a decadência deste tem levado a economia pro buraco.

Anônimo disse...

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1068660-ministra-critica-decisao-do-stj-sobre-estupro-de-menores-de-14-anos.shtml

Lola, por favor, que podemos fazer?

Anônimo disse...

Bom dia! Sou Patrícia Toledo.

Lola, você SEMPRE deleta comentários que incitam a violência, como matar o outro, caso estuprem um filho, parente nosso.

Eu já escrevi aqui que comprei uma arma caso alguém mate, ou violente um familiar meu. Eu sou servidora pública do judiciário e advogada. Fiz treinamento e tenho licença, pois sinto MUITA INSEGURANÇA CIRCULAR SEM ARMA EM NOSSO PAÍS.

Tudo bem você excluir, super apoio! Muitas vezes a gente se excede ( e eu nunca matei ninguém e nem quero jamais fazer isso) com gente horrenda nestes comentários.

Porém, o que eu não entendo, Lola, é você NUNCA excluir comentários de ataque às mulheres, aos gays, crianças, aos tantos outros que incomodam os que debatem com conteúdo e sinceridade. Eu realmente não te entendo. Parece que você curte certos comentários para mais gente ficar aqui rebatendo, tentando derrubar os "saicos" que comentam.

Qual é a tua linha de raciocínio? Sinceramente, não entendo!

" Eu só não deleto seu comentário cheio de ódio porque ele é engraçado". Então você acha tudo que é lixo engraçado? Agora, sobre o debate das pessoas se defenderem porque o Estado é omisso, você deleta? Sobre a gente não amar, mas, claro, também não sentir pena que os mascus presos possam sofrer abuso sexual, você deleta? Qual é a linha aqui? Você parece gostar não sei por que de tais comentários.

Fico chocada com você. O comentário abaixo é um dos tantos que há neste blog e você JAMAIS DELETA:

"Eu sei que um dia eu ficarei velho, vou ser dependente de alguém, vou sujar as calças e não vou conseguir andar porque faltarão as forças das pernas.

Eu sou pálido, viril, peludo e careca. Minha força equivale a de 4 homens e minha libido é a maior da América. As mulheres passam por mim e se jogam no meu colo para serem agraciadas por minha pica viril. Dou 10 pirocadas na cara delas e depois dispenso. Nem dou telefone, senão vão ficar me ligando o dia inteiro e eu tenho que trabalhar, pois o trabalho é algo inerente ao homem branco.

Não quero ficar velho, quero deixar o meu sangue no chão de alguma universidade brasileira onde matarei algumas vadias das humanas.

28 de março de 2012 12:59"

Este você também acha engraçado?? Este não é incitar a violência?? Qual a linha aqui para deixar um escrúpulo deste??????

Olha, para mim, você deixar tais comentários muito mais agressivos que outros, não é nada diferente dos canais que apresentam programas politicamente incorreto.

E não sei se você se deu conta, mas muita gente com conteúdo se afastou de debater em seu blog. Você não modera como deveria ser moderado. Deixar os lixos humanos se apropriarem dos comentários, não é moderar com democracia, uma vez que você deleta muitos outros. Na verdade, eles comentam cada vez mais aqui, porque você os tolera.

Eu indiquei seu blog pra minha filha de 12 anos, mas, sinceramente, não a deixo mais acessar este blog, uma vez que ela lerá muitos comentários sujos, podres por aqui.

Bom, escrevi muito e espero que você reflita sobre isso.

Relicário disse...

Nossa que post chocante...eu concordo muito com a autora quando ela fala que isso não é caso isolado, nem privilégio de sociopatas e psicopatas...

Meus pais sempre me educaram para respeitar e ouvir os mais velhos, meu pai jamais desrespeitou alguém mais velho que ele, idem minha mãe, eu não tive a sorte de conviver com todos os meus avós, convivi apenas com minha avó materna, que era bem difícil, mas que ninguém da minha família jamais agiu com negligência ou truculência com ela...

Gente, em cada comentário por aqui eu fico mais desanimada, alguns anônimos têm sustentado cada bobagem, cada absurdo...

Sustentam que andar armado faz diferença, que "dar porradas" em filhos é correto, que alguns idosos, sejam pais, avós ou mães merecem apanhar por um dia ter batido neles...numa perpetuação da ignorância...triste demais...

Um beijo Lola!

lola aronovich disse...

Olá, Patricia Toledo. Acho que vc não está muito familiarizada com a política de comentários deste blog. Seria bom se vc evitasse usar palavras como SEMPRE e NUNCA. Primeiro que eu não deletaria um comentário de alguém que dissesse que anda armad@. Sou completamente contra alguém andar armado, mas não considero isso necessariamente incitação ao ódio. Então não sei de onde vc tirou que eu deletei algum comentário seu, se é isso que vc está dizendo. O comentário do anônimo ontem de madrugada reflete uma opinião que infelizmente muitos têm: a de que filho só aprende apanhando. O comentário que vc citou aqui é horrível, e o único motivo que não o deletei é porque eu não o tinha visto. Eu trabalho direto, não tenho como ficar no blog o tempo todo. E sou a única pessoa que cuida do blog. Muitas vezes alguém pergunta “Por que esse comentário não foi deletado?”, e a pergunta geralmente deveria ser “Por que esse coment. AINDA não foi deletado?”. E não foi porque eu não estava por perto quando o coment. foi feito, e o blogspot não permite bloquear comentários. Mas, no caso desse coment., eu simplesmente não o vi. Passou por mim. Eu não o li. Eu leio os comentários não na caixa em que os leitores comentam, mas num espaço interno, que só pode ser acessado por quem tem senha do blog (no caso, eu). É mais fácil pra deletar, porque é só clicar numa caixinha e depois apertar “delete”. Mas está longe de ser o sistema ideal, porque só há 25 comentários por página, e às vezes, quando se muda de uma página pra outra, um comentário some, fica na outra página. Enfim, acho que estou me explicando demais a vc, que já veio cheia de pedras na mão dizendo estar chocada comigo, me acusando de ser incoerente no controle dos comentários. Como já disse diversas vezes aqui, há alguns trolls que eu deleto automaticamente, sem ler. Eu só vejo o nome e já deleto, porque nada que eles têm a dizer interessa (eu gostaria que o blogspot fizesse isso por mim, mas não faz). Esses são fáceis de deletar. Qualquer coment. com agressões a leitor@s ou a mim também é deletado. Coment. odiosos como este que eu não vi, CLARO QUE SÃO DELETADOS. A menos que eu não o veja. Aí é só avisar, e pronto – problema resolvido. Durante 3 anos dos quase 4,5 anos do meu blog, eu não deletava comentário nenhum. Se vc for em caixas de comentários mais antigos, encontrará coisas bem horríveis. Mas, à medida que o blog foi crescendo e o número de comentários aumentando (a média de coment. do blog, contando todos os posts e tds os coments, é de 45 coment. por post. Mas se pegar de um ano pra cá, imagino que a média de coment. tenha subido pra 80 por post, chutando. É comentário pra caramba). E não há moderação. Sou só eu, que deleto alguns comentários depois de publicados. E agora com licença que já estou atrasada pro meu trabalho. Que não é o blog.

Anônimo disse...

Eu não sei se meu pai me ama. Às vezes penso qeu sim, às vezes que não. O que eu sei é que ele diz coisas de lascar. Ele já me disse que era pra eu ser a sua aposentadoria. Como eu não enriqueci, como ele pensou que fosse acontecer como consequência natural da minha 'inteligência' ele me trata com um misto de desprezo e pena. Em tempo, meu pai não planejou me ter pra que eu cuidasse dele. Eu fui um ônus que poderia ter virado bônus. Não virei e ele fica decepcionadíssimo comigo por causa disso.

Anônima Beócia

André disse...

Nem todo mundo que agride idosos é criminoso porque existe todo um contexto e etc, uma pessoa agride um idoso que matou um gato (matou por acidente? o gato enchia o saco?) e tudo bem.
Isso não vale para o machismo? Será que todo homem que bateu na mulher é criminoso? Não existe contexto? O Joaquim Barbosa já bateu na mulher.

Juliana disse...

Enfrento o mesmo problema tal qual muitos aqui. Meu avô materno morreu há quase 20 anos, e desde então minha avó mora com a gente. No início as coisas não pareciam que iam tomar esse rumo, talvez porque eu e minha irmã ainda éramos crianças, mas com o passar dos anos as coisas só foram piorando. Durante a nossa adolescência minha avó escutava nossas ligações, revirava nossas bolsas... era um inferno. Meu pai e minha mãe eram bem "cabeça aberta" e nem um pouco controladores. Sempre diziam que quem procura acha e que um dia ela ia acabar ouvindo ou encontrando alguma que não ia gostar. Embora vivessemos nesse inferno, eramos incapazes de responder à minha avó. Só que ai o tempo passa e as pessoas mudam. As manias pioram e, além disso, passamos a ter contato de fato com a realidade da família. Minha avó era mulher de um segundo casamento de meu avô, do qual minha mãe é a única filha. Do primeiro casamento do meu avô tenho 2 tias. Todo mundo sabe o quanto minha avó maltratou elas duas. E, apesar de tudo, foi um choque descobrir que pessoa ela era realmente. Nessa época eu e minha irmã já nos sentiamos no direito de dar respostas a ela.
Para piorar, fazem 2 anos que meu pai morreu. E era ele quem conseguia impôr mais respeito. Na verdade o que ela respeitava não era o homem, mas a "instituição sagrada do casamento", carola que é.
Com 1 semana que meu pai tinha morrido, minha mãe ia sair pra jantar com uma amiga e tinha vestido uma roupa clara. E minha avó veio com aquela conversa de que não pode, o que é que os outros iam pensar. Tenha paciência. MUITA paciência, viu. Foi a primeira vez que vi minha mãe responder a uma provocação (ou maldade... vai saber, né) dela.
Logo depois, para me provocar ela jurou uma mentira qualquer pela alma de meu pai para tentar me atingir. Uma falta de respeito sem tamanho, mas atéia que sou, virei as costas e sai. Fiquei uns bons meses fingindo que ela não existia.
Na minha casa temos uma empregada que acertamos faz pouco mais de 1 ano, porque a anterior minha avó infernizava, e até agrediu pegando a mulher pelo braço certa vez. Foi o único episódio em que cogitamos mandá-la para um asilo ou alguma de nós teria que deixar o trabalho.
Apesar de todo esse tumulto que se transformou as nossas vidas, temos também nossos dias de paz em que todos esses problemas parecem não existirem. Como se nossa convivência fosse agradável e perfeita. Amor. Isso é o que dá força para superarmos os dias mais difíceis.

Koppe disse...

Juliana disse...
"Durante a nossa adolescência minha avó escutava nossas ligações, revirava nossas bolsas... era um inferno."

Acho que falar algumas coisas bem cabeludas sobre sexo, para escandalizar mesmo, resolveria o primeiro problema (das conversas telephônicas)... ou pioraria tudo de vez.

Já o segundo problema, esquecer uma ratoeira armada dentro da tua bolsa certamente resolveria.

F. disse...

"Tentou estuprar uma de suas secretárias. Me obrigou algumas vezes a tirar fotos “sexy”, na primeira vez eu tinha 4 anos. Me obrigou também a fazer um “check up” no seu consultório, quando eu era pré-adolescente."

Entendo e concordo que o problema todo é social. Não só pq deveria existir um estado social que ampara os idosos, mas também pq o modo que educamos (e há poucos anos atrás era bem pior ainda) nossas crianças, com violência, sem dialogo. Mas, isso eu penso em relação aos meus pais, por exemplo, que acreditavam que bater era forma de educar, que criança não tinha direito de discutir, etc, mas no geral davam carinho e, financeiramente, tudo o que podiam. Pois é, bons pais também batiam e não tinham noção do quanto isso é humilhante e prejudicial à criança.

Esse caso da anônima (o pior de todos eu acho), do Alex e outros que comentaram, já extrapola tudo. Não se trata de "cometer erros", como alguém falou acima. Sinceramente, eu não conseguiria passar por cima e desejar vida digna para um ser desse. Abandono é pouco.

Sim, vamos lutar por um estado social que ampare todos os idosos (até pq a maioria é só gente normal que as vezes comete erros, igual todo mundo), mas enquanto isso não acontece, por favor, só contem comigo os idosos que foram minimamente gente durante a juventude, alguns desses mereciam era cadeia e não asilo.

Anônimo disse...

canalhas tb envelhecem

Anônimo disse...

Olás,

Infelizmente perdi a minha avó ( uma mulher extraordinária que mesmo sem saber me ensinou sobre o feminismo) por causa de maus tratos, não somente por causa do que sofria em sua casa, hospedava um primo e sua esposa, que batia nela sempre que quisesse (e não podíamos fazer nada além de chamar a policia anonimamente ou levá-la para nossa casa, pois tínhamos medo de que as agressões piorassem, eles tinham apoio de outra parte da família... um negócio horrendo).
Mas o que realmente contribuiu para sua morte foram os maus tratos sofridos no hospital em que ficou para se tratar de uma doença rara. Um hospital público que a deixou lá para morrer, ela sequer era tratada ou alimentada, permaneceu por dois meses na UTI, ao lado de pessoas com doenças gravíssimas e altamente contagiosas, só recebia o tratamento que nós lhe dávamos (banho, comida, remédios, etc.). NO dia em que tentamos tirá-la de lá o médico responsável agrediu minha mãe, minha avó faleceu três dias depois desse incidente... Tentamos de tudo, inclusive denunciamos ao prefeito da cidade... mas não conseguimos salvá-la... não podíamos quase visitá-la (4 horas por dia), muito menos retirá-la de la.... Lola, talvez seja interessante se fazer uma pesquisa sobre o tratamento de idosos em hospitais, pois é isso que vejo, são deixados para morrer e muitos médicos não querem tratar pois são casos difíceis...
Mas são maus tratos que tem consequências permanentes e acabam com famílias inteiras...
Abs,
Raquel

Anônimo disse...

Oi, F., eu sou a anônima do post que você comentou. Obrigada pela compreensão. Embora eu, hoje, não sinta culpa por ser distante do meu pai, às vezes ainda me bate uma dúvida se eu estou sendo justa com ele. Daí que é importante para mim ouvir a opinião de outras pessoas. Mas uma coisa que você disse que é importante para o meu entendimento do que é um "erro" e do que é sadismo é que há pais bons que erram e que batem nos filhos. Minha mãe me batia, mas por ignorância. Depois se arrependeu. Mas ela sempre deu carinho e sempre se sacrificou financeiramente pelos filhos, e depois de alguns anos parou de dar razão ao meu pai. Então eu não tenho ressentimento, a amo muito e somos próximas. Eu só queria acrescentar que eu também odiava minha avó materna. Ela criava intrigas do nada comigo só para ver meu pai me aterrorizar. Inventava coisas que eu não tinha feito. Ela inventava e depois ainda fazia drama, dizendo que ela foi incompreendida, que "não era nada daquilo", que eu não havia entendido e que ela era a grande vítima de tudo e todos...minha avó nunca me fez um carinho. Ela morreu sozinha e miserável. Ela teve cinco filhos e o único que falava com ela, advinha? Era meu pai, claro. Quando ela morreu, seus filhos nem foram ao seu enterro. Acho essa discussão gerada por esse post muito boa. Antes de sair por aí apontando o dedo para filhos "desnaturados", a gente tem que ver se essas pessoas que hoje precisam de amparo apenas erraram ou fizeram uma escolha de serem o que foram.

Anônimo disse...

Só corrigindo, eu quiz dizer avó paterna. Minha avó materna era maravilhosa, e foi cuidada por todos na família dela quando ela ficou doente, até morrer.

F. disse...

A sua história me tocou muito, é revoltante saber como algumas pessoas podem ser tão destruidoras para quem está em volta. Fico feliz de saber que você não sente culpa. Não sinta mesmo. Culpa é uma merda. Pq você acha que sua mãe ficou tanto tempo submetida ao seu pai? Provavelmente ela sentia culpa sem nem saber do quê. Que bom que ela se libertou disso e você também. A pior coisa que um ser-humano pode fazer é oprimir e aterrorizar uma criança desse jeito. Ele tentou destruir a sua vida, que bom que ele não conseguiu.
Espero que você tenha superado tudo, que você consiga dar carinho pra quem está à sua volta e merece. Parabéns pela sua força.

F. disse...

Luciana Mendonça disse:

"É recomendável inclusive que estes filhos, não neguem sua raiva, seu ódio. Algumas religiões dizem que deve-se amar aos pais de forma incontestável, mas isto não é saudável."

Não pode ser saudável mesmo...

Caroline disse...

O que eu vou escrever aqui é o relato do ponto de vista de uma neta. Desculpem se o texto ficar meio bagunçado, mas esse tema veio a calhar.

Meus avós paternos chegaram no fim da vida sendo praticamente esquecidos por alguns filhos e netos. Primeiro aconteceu com o meu avó, um idoso de 99 anos que 6 meses antes de falecer ficou de cama e nunca mais andou. Ele era quase surdo e cego dos dois olhos, devido a cirurgia de catarata mal-sucedida. Quando ele ficou de cama, meus pais deram a idéia de todo dia algum dos 4 filhos dormissem lá, pois a minha avó estava perdendo as forças já para cuidar de um outro idoso. Foi aí que meu pai conheceu a verdadeira face de cada um dos seus 3 irmãos. Ele e minha mãe todo dia saiam de sua casa para ir dar banho no meu avô, pq os outros não tinham a capacidade de lavar as costas do próprio pai que tanto lutou para dar aos filhos uma vida digna. Minha mãe, q nem filha era, quantas vezes teve que dar banho sozinha no meu avô, nos dias em que meu pai estava trabalhando. Lamentável. Foi ai que o meu avô pouco tempo antes de morrer avisou meu pai que quando ele morresse, a minha vó iria sofrer o dobro do que ele sofreu no fim da vida e para que ele nunca deixasse que isso acontecesse. Há 4 anos, aquele homem negro, cabo-verdiano, de 99 anos, homem doce e meigo, que chegou no Brasil e conseguiu ser uma pessoa bem-sucedida com dignidade, morreu sendo praticamente abandonado por 3 de seus 4 filhos.
Depois disso, minha avó começou a ficar debilitada, fisicamente e psicologicamente. Também pudera, mais de 60 anos casada com a mesma pessoa, é compreensível que ela tivesse se sentido assim. Já no primeiro Natal depois do meu avô morrer, cada filho seguiu pra sua casa e se não fosse meus pais, eu e minhas irmãs, ela teria passado o fim de ano sozinha. Começamos a prever o que esperava. O combinado entre os filhos era de cada um ficar com ela 3 meses, para que ela passasse mais tempo com cada um dos filhos. Nenhum deles tinha paciencia de conviver com ela. Eles simplesmente ignoravam a existência. Idoso chega num momento que volta a ser criança, mas isso é normal e o lance é ter paciencia e tratar com carinho, afinal todos chegaremos lá, né.

Caroline disse...

Continuação

Bom, ela ficou 3 meses com a minha mãe e pediu para voltar a antiga casa que ela vivia com meu avô. Nessa casa, mora uma tia minha. Mulher amarga, seca por dentro, provavelmente seu coração seja de pedra, pq eu nunca vi a própria filha passar pela mãe e não dar nem bom dia, fingir que a mãe não existe ou é desconhecida. Ela deixava a minha avó numa edícula nos fundos da casa, com um televisão ligada 24 horas por dia, sozinha o dia todo e só colocava ela pra dentro de casa na hora de dormir. Minha avó ia sozinha ao banheiro, mal conseguia se limpar e uma prima minha que cobrava 300 reais (dinheiro esse tirado da pensão que ela recebia do meu avô)para dar um banho muito mal dado nela. Ela tinha a perna cheia de hematomas por bater nos móveis e devido a falta de sensibilidade, ela machucar a perna toda a ponto de ter que ficar internada com perigo de perder a perna. Quantas vezes meu pai foi visitar a minha vó e ela fedia a urina e estava toda suja. Ele chegava em casa com o coração apertado de ver a situação que a mãe passava. Isso sem contar que minha tia usava o dinheiro da pensão para pagar a empregada que faxinava a casa dela!! Um absurdo.
Mas a gota d"água foi quando minha avó ficou internada e todos foram pra um casamento em outro estado e quando ela saiu do hospital não ter como ir pra casa pq não teria ninguém pra cuidar dela. Foi quando meus pais, resolveram que ela não poderia passar o fim da vida sofrendo desse jeito e levaram ela pra casa deles, onde ela vive até hoje, sempre limpinha, rodeada de gente, e cheia de carinho. Ela está vivendo seus ultimos dias, pois sua saúde está bem debilitada. Mas eu tenho certeza que está tudo valendo a pena. Quando vc faz questão que os ultimos dias de alguém que vc ama seja os melhores possíveis.

A familia virou as costas pros meus pais depois que eles passaram a cuidar dela. Vai entender a cabeça desse povo.

Desculpem o texto enorme, mas tb precisava desabafar.

Abraços =)

LisAnaHD disse...

". . . indiquei seu blog pra minha filha de 12 anos, mas, sinceramente, não a deixo mais acessar este blog, uma vez que ela lerá muitos comentários sujos, podres por aqui." 29 de março de 2012 09:35

Esse não é blog para menina de 12, quero dizer pra mãe indicar... se navegando pela net a menina de 12 anos chegar aqui é bem diferente da mãe indicar o blog. Não digo isso no sentido pejorativo ao blog e sim que não é blog pra menina de 12 anos pq ainda lhe falta pelo menos dois anos a mais pra ter maturidade necessária particularmente para acompanhar certos comentários.

LisAnaHD disse...

A familia virou as costas pros meus pais depois que eles passaram a cuidar dela. Vai entender a cabeça desse povo. 30 de março de 2012 03:11

a família virou as costas pq agora não tem mais acesso ao dinheirinho, é isso.

Anônimo disse...

Olá Lola.

Leio sempre seu blog, já comentei uma ou duas vezes, mas prefiro postar em anônimo dessa vez.
Eu nunca deixaria minha mãe na mão, apesar de achar que filho não foi feito pra cuidar dos pais depois que ficam velhos. Sempre me perguntam se eu quero ter filhos (sou mulher) e eu digo que não e vem a pérola em seguida "E quem vai cuidar de você depois que ficar velha?". Eu realmente não quero ter filho só pra ter alguém pra cuidar de mim.
Mas a questão é meu pai. Ele sempre foi um pai exemplar quando a questão era dinheiro. Nunca deixou faltar nada. Aliás, só por isso ele se julga mais importante que minha mãe. E daí que ela me carregou por 9 meses na barriga enquanto ele ia pra farra chifrar ela? Ele me sustentou e isso é o que importa. Bom, nunca faltou carinho da parte dele apesar de que de uns tempos pra cá ele começou a agir de forma desrespeitosa comigo e minha irmã. Nos finais de semana ele bebe e adora humilhar todo mundo em volta dele. Esse tipo de comportamento começou depois que minha mãe largou ele e ele casou com a amante. É, meu pai teve muitas amantes e por sorte ele não passou nenhuma doença pra minha mãe, já que na cabeça dele (e de tantos outros ignorantes) hetero não pega DST.
Meu pai faz questão de dizer pra mim desde pequena de que homem nenhum presta e que se eu quiser ser me dar bem com algum homem eu não devo ligar se ele apronta. Na visão do meu pai homem bom é aquele que sustenta, não importa se trai ou não.
Por essas e muitas outras eu não sei se quero cuidar do meu pai. Enfim, até lá eu aguento ter que conviver com ele.

Anônimo disse...

Não cheguei a passar por situações tão tristes como algumas relatadas aqui, embora também carregue lembranças péssimas do convívio familiar. Descubro a cada dia a força com que a combinação violência/bebida/ausência influenciou minha formação.

Imagino que as pessoas agredidas que se manifestaram neste espaço carregam um grande peso (mágoa, rancor, tristezas). Quem sou eu para condená-las? Todas podem estar tão feridas e esgotadas que dificilmente poderão - ou quererão, é um direito de cada uma delas - lançar um outro olhar sobre a situação. Mas, "aconteceu comigo". Uma descoberta mudou minha cabeça e me deu forças para lutar pela saúde de um familiar e, consequentemente, por uma vida melhor para os demais membros da família.

Depois de pesquisar bastante, tenho consciência de que durante todos esses anos, meus familiares e eu fomos vítimas de uma pessoa doente, com DEPRESSÃO. Parei para analisar e percebi que outros familiares já haviam falecido em consequência desse mal hoje comprovadamente hereditário, em uma época em que sequer sabia-se da existência da doença. Se hoje em dia ainda existe preconceito no campo da saúde mental e do tratamento de distúrbios psiquiátricos e neurológicos, imaginem há 20 ou 30 anos, quando não sabíamos da existência de doenças como mal de Alzheimer, bipolaridade e depressão. As pessoas "caducavam", ficavam "esclerosadas", eram "de lua" ou tinham "frescurite aguda", lembram?

Eu imsginava uma pessoa depressiva como sendo apática, querendo morrer, enfim, o clichezão. Não é assim, necessariamente. Os especialistas podem explicar melhor do que eu, mas existem tipos e graus diferentes de depressão. Algumas formas causam irritabilidade, dependência química, agressividade ... e aí já sabemos o final do filme. Somem aí fatores como pobreza, machismo e frustrações em geral e vejam que o estrago pode ser muito, muito grande.

É claro que minha nova visão das coisas não vai passar uma borracha em décadas de sofrimento, e, creio eu, não eximirá totalmente o doente de sua responsabilidade - vejam que não estou usando o termo "culpa". Também não tenho a intenção de ser advogado do diabo: somente cada vítima sabe o que passou e qual o peso dessas experiências em suas vidas. Mas, quem sabe a resposta que encontrei em minha busca - e que me serviu tão bem - também não sirva para mais alguém, ainda que seja apenas para entender a raiz do problema?

Ina Emery disse...

Eu não sei se estou certa, mas acredito muito na importância do "ciclo de violência" e que ele deve ser quebrado.

Porque quando somos mais novos, quando fazemos algo supostamente ruim (mesmo quando achamos que é certo!), apanhamos da nossa mãe ou do nosso pai. A lição que fica é: que o mais forte pode bater no mais fraco, se achar necessário. Mas o mais fraco nunca pode bater no mais forte, mesmo que ele esteja incrivelmente errado.

E essa lição as crianças levam não somente para a escola (você não tem noção do quanto eu vejo as crianças do primário se espancando!), mas para a vida inteira. Na UFRJ um professor cismou comigo, dizendo que eu não o havia cumprimentado nas duas vezes da semana que passei por ele pelo corredor (?), disse que eu era mau-educada e que o ramo da música era muito pequeno, que não seria bom se alguém resolvesse me perseguir (mas que "isso não é uma ameaça"). Ele disse tudo isso no meio da aula de história da música, pra turma inteira. Depois da aula, uma aluna (formada em psicologia) me disse: "A vida é assim mesmo, mas não adianta comprar briga com o professor, é melhor você ficar na sua". E depois saiu bem rapidinho, pra não correr o risco desse professor vê-la falando comigo.

Sem falar das inúmeras no Pedro II e no Newton Braga (a escola em que estudei no ensino fundamental) em que o professor ou professora foi desrespeitoso com alunos, não só comigo. E geralmente os alunos não fazem nada por medo de ganhar suspensão ou advertência, mesmo quando os professores estão evidentemente errados.

Pra mim, o grande problema são é a hierarquia. Aquela velha história de que quem é mais forte manda. A velha (porém conservada) política do medo.

Moon disse...

Gente, eu li o depoimento do alex, realmente muito chocante. Eu tenho problemas com minha mae tambem, ela nos abandonou (ate comentei no blog da Letícia). Eu bloqueei minha infancia e essa dor do abandono de tal forma, que só hoje, pensando no post do Alex, é que lembrei do que passei com minha mãe. Faz anos que nao a vejo e tenho contato com ela, daqui uns 10 anos ela já será idosa, mas se descobrisse que ela tivesse morando nas ruas, não levantaria nem os cilios para olhar na cara dela.

Jessica disse...

Eu tenho Passado por um momento difícil,mas minha historia e diferente. Meu pai sempre foi presente, atencioso, mas muito rígido, nada era mais importante pra ele do que as duas filhas. Ate o salário integral ele dava na mão da minha mãe pra ela comprar e pagar o que fosse necessário. As vezes ele excedia um pouco na bebida, mas nunca presenciamos briga dele com minha mãe, víamos somente ele dormindo no sofá. Ele faleceu há 10 anos. Minha mãe também sempre foi atenciosa, brava mas sempre preocupada comigo e minha irmã. Nada nunca nos faltou e tudo o que tivemos vontade obtivemos fizeram sempre tudo pelas filhas. Infelizmente minha irmã nao enxerga isso, ela e mais velha nunca tivemos muita ligações somente convivíamos e depois que meu pai morreu, parece que surtos. Ela, o marido e os filhos moram com minha mãe que precisou ir busca los porque passavam fome, ela grita o tempo todo, sempre reclamando, nao cuida nem das próprias roupas e nem dos filhos, xinga e humilha minha mãe o tempo todo e So fala no dinheiro da herança que meu pai deixou, tudo pra ela e dinheiro!! A situação esta insustentável e eles nao saem de lá, minha mãe tem 60 anos e e super ativa, trabalha fora e tudo, mas morre de do da minha irmã. Tenho ate medo que numa discussão possam se agredir, amo demais minha mãe e se isso acontecer nao sei do que sou capaz...

Anônimo disse...

Olá. Achei este blog pq estava em busca de algum site q me desse uma luz sobre o q passo com minha idosa mãe.
Nossa familia era constituída por 4 pessoas: Pai, mãe minha irmã e eu.
Minha mãe desde nova era o tipo de pessoa problematica. Muito pobre, sofreu la seus perrengues em sua infancia. Tornou-se uma adulta rancorosa, extremamente critica e controladora.
Ate hoje não entendo a relação de meu pai com ela. Agrediam-se, mas continuavam juntos.
Resumindo pra não ser chata: Minha mãe sempre diminuiu toda e qq pessoa q estivesse ao seu lado. Fez isto com minha irmã q não suportando, saiu de casa antes dos 18 anos. Meu pai morreu e sobrei eu.
Solteira, continuei morando com ela, sempre acreditando q eu era um ser incapaz de produzir algo de bom. Minha mãe sempre deixava claro q eu não tinha valor algum. Qq iniciativa minha era recebida com deboches e frases jocosas. Aos 31 anos, ja debilitada com seus ataques, saí de casa e decidi me livrar daquele vampirismo q tanto me atormentou ao longo da vida.
Decidi nunca mais ouvir frases como: Vc cozinha muito mal, eh pessima para arranjar namorados, ng lhe quer, eh pessima profissional, mora comigo ainda pq não sabe se virar sozinha, mãe incompetente etc, etc.
Hoje, com 79 anos, minha mãe continua lúcida mas com probleminhas fisicos inerentes `a idade.
Diz q ja não pode mais morar sozinha, mas só de pensar em te-la novamente em minha companhia, sinto calafrios.
Quem achar q hoje se tornou uma adoravel velhinha, engana-se. Continua a mesma controladora de frases jocosas.
Agora pergunto: Em que ponto sintonizo esta tal atitude moral q dita q devo acolhe-la? Pra ser "moralmente aceitavel" devo trazer para dentro de minha casa o objeto dos meus 31 anos de inferno?
Sim, pq de fora eh facil opinar e ser politicamente correto. Nem todo idoso eh lindinho, adoravel e inocente. Há aqueles, como minha mãe, q desagregaram qq estrutura e ainda apresentam gas o bastante pra continuar desagregando. No meu caso, corro o risco de eu mesma estourar em mil pedaços q 10 anos de terapia custaram a reunir.
Ao menos, sua historia de vida me deu o exemplo necessario para criar meu unico filho com o maximo respeito.
Qto à sua atual situação, não vejo outra saída a não ser ir para um lar de idosos e infernizar enfermeiros e afins com suas acidas criticas e deboches.
Não sou secretaria de Deus. Estamos aqui para viver e aperfeiçoar nossos defeitos. Viver 8 decadas e nada aprender, eh brincar com a verdade.

Andrea Oliveira disse...

Parei aqui por puro desespero... hoje quase avancei na minha mãe de 74 anos. Estou quase pirando!!! Li os comentários tb , me identifiquei com alguns, pasmei com outros e concordei com Patrick. Estou sofrendo horrores... tenho muito medo da culpa, de quando chegar a minha vez...

Anônimo disse...

Também vim parar aqui por desespero. Através de uma busca no google.
Gostaria muito de ser diferente, de ser mais tolerante mas não tenho a menor paciência. São coisas que podem parecer insignificantes aos olhos dos outros mas que na convivência diária estressam e levam o cuidador/parente responsável ao limite.

O mais pesado para mim é suportar as porquices, as manias, a falta de higiene e a teimosia. Sim, me irrita profundamente ter que me privar da minha própria vida para cuidar de alguém. Sou um monstro? As vezes penso que sim outras, porém, sinto que sou apenas um ser humano preso em uma situação nova e muito - mas muito - desconfortável.

Não escolhi cuidar. Simplesmente por não ter irmãos e ser solteira a vida me fez tal imposição. Sinto vontade de sumir. Não consigo acreditar que exista gente capaz de ser feliz nas mesmas circunstâncias. Sinto raiva quando leio textos piegas de "amor incondicional" aos velhos, onde as pessoas repetem o que dizem cinco vezes com um sorriso nos lábios e divertem-se ao ouvir sempre as mesmas histórias. Soa irreal, para mim. Também por esta razão, achei o relato da autora muito corajoso e sincero, coisa que não vemos por aí, quando todo mundo só quer sair bem na foto e posar de paciente com idosos.

Posso cuidar, fazer a minha obrigação. Mas ter alegria, prazer ou satisfação nisso, nunca. Para mim, essa tarefa não passa de uma imposição odiosa que a vida me fez.

Anônimo disse...

Boa tarde lola estou com um problema desses, a minha avó esta igual a sua velhinha e a minha mãe não quer mais cuidar dela diz q é um estorvo em sua vida, que ela tem que viver, sair, passear e acaba deixando ela sozinha em casa, não dá banho e agride verbalmente eu sou casada e não mora mais com elas e não temos condições de pagar alguem para cuidar dela, vc pode me orientar o que fazer fico muito revoltada mas de mãos atadas.

Anônimo disse...

Ai gente me desculpem, mas não sei porque tanta proteção a esses velhos miseráveis, é certo que alguns merecem respeito, mas tem outros que são uns aproveitadores da idade para trepudiar em cima dos mais novos, eu mando se fuder mesmo, lei nenhuma me obriga a respeitar idoso, só não posso agredir, tem muito velho que sacaneia mesmo, merecem porrada pena que não podem apanhar, se apanhar sou eu que me complico, quero ficar longe deles na minha vida, tem velho que merecem o abandono da familia, morrer sozinho, no asilo e se vc tem pena pega e leva para tua casa.