terça-feira, 19 de julho de 2011

GUEST POST: O MOTIVO DO UNIFORME DA BABÁ SER BRANCO

Clube paulistano de elite proíbe a entrada de babá sem uniforme branco

No post A Mais Bela Empregada Doméstica, a Jaqueline deixou um comentário tão bom que várias leitoras pediram para que fosse transformado num guest post. Portanto, ei-lo.

No ano passado passei por uma experiência no mínimo interessante. Como pretendo viajar como au pair (babá com algumas regalias no exterior), cuidei de uma criança da elite brasileira, dessas que a família tem lavadeira, cozinheira, arrumadeira, babás e folguistas, motorista, segurança particular. A cozinheira e eu dormíamos na casa e uma noite o nosso ventilador quebrou. Dormíamos em um quarto extremamente pequeno (uma dormia na cama e a outra em um colchão no chão) e que já era muito quente, porque lavávamos nossas roupas à noite e como não podíamos estendê-las tínhamos de secá-las imediatamente, e todos sabem que o quarto de empregada nada mais é do que uma extensão da área de serviço; a secadora ficava a exatamente dois passos da nosso quarto. Bom, não bastasse todo o conforto do qual desfrutávamos, naquela noite de um verão de 40 graus, confirmamos a famosa frase de que "tudo pode piorar". Depois de trabalharmos aproximadamente 14 horas, tivemos de dormir naquele inferno. E sabe no que pensávamos? Caramba, já é mais de meia noite e não conseguimos dormir, como a gente vai aguentar o dia todo amanhã? Depois de muito rolar em nossa sauna particular, tive uma idéia, molhei uma toalha e a coloquei sobre mim, e finalmente consegui dormir. No outro dia a nossa patroa disse-nos: ah, o patrão até ia comprar um ventilador, mas como ele estava muito cansado, achei melhor que ele fosse hoje. Ele até poderia estar cansado, mas como eles tinham o ar-condicionado em sua suite, pensaram, Ah! nem tá tão calor assim vai, até amanhã ninguém morre de calor e a área de serviço tem uma brisa muito agradável! Acho que não preciso escrever mais nada. Só sei que nunca vou esquecer o sentimento de ser tratada como um utensílio da área de serviço que poderia esperar até o outro dia para ser consertado.
Faço bicos de babá há 9 anos, desde meus 15. Já passei por várias famílias, várias mães, cada uma com seu jeito de cuidar dos filhos, bom, cada uma com sua teoria de como cuidar dos filhos, e nós obrigadas a aprender e a seguir essas teorias com as crianças que cuidamos. Tornamo-nos uma extensão da criança; geralmente dá para saber o que fizemos durante o dia dando uma olhada em nossos uniformes, marca de pézinhos, hoje elas brincaram no parquinho, umas manchas roxas, hoje a pequena quis o suco de uva, alguns riscos de caneta, quantas vezes já disse para babá não deixá-la brincar com objetos pontiagudos. Acho que é por isso que nosso uniforme é branco: ele poupa que as mães percam seu tempo perguntando-nos como foi o nosso dia. Digamos que somos um briefing escrito pelas próprias crianças.
Já assistiram ao filme Diários de uma Babá? A primeira vez que o vi chorei, ri, fiquei com raiva da patroa. Esse filme é uma adaptação do livro Diários de Nanny, de Emma Mclaughlin e Nicola Kraus. Se eu tivesse escrito um diário durante esses anos, muitas das situações do livro e do filme estariam nele. Apesar de passar o tempo todo preocupada com os possíveis tombos e machucados, prestando atenção a cada gole de água, a cada pedaço de comida que esses pequenos seres colocam nas suas bocas, no fim de cada período com as crianças o que fica na minha cabeça é o sorriso delas. Na experiência que eu comentei anteriormente, apesar de tudo o que passei, do que mais me lembro são das situações que ríamos, das brincadeiras, dela sentada na cozinha brincando de fazer pedido, enquanto eu pedia nosso almoço. Para mim a situação mais difícil era o último dia. No outro dia eu não ia ver aquela carinha de quem acabou de acordar, não ia aconchegá-la na hora do Lazy Town (desenho que ela gostava, mas tinha medo).
Ser babá é exercer a função de mãe, sem ter filhos; é ser psicóloga, nas intermináveis conversas "do que pode e não pode";
é ser pedagoga, quando brincamos de escolinha e de quebra ensinamos as letras e os números; é ser até mesmo chef de cozinha, quando fazemos um quitute que os pimpolhos gostam; é ser palhaça, só para ouvir aquela risada gostosa; é ser mágica, quando conseguimos protegê-los do medo segurando naquelas mãozinhas que são do tamanho de nosso dedo. Para aquelas que cuidam das crianças como gostariam que seus filhos fossem cuidados, babá é isso.Tem mãe que diz que só elas podem falar mal dos filhos. Bom, com a gente também é assim, a criança pode estar no maior ataque, mas se alguém fala um A, a gente já sai em defesa dos nossos picorruchos. No fim, falei mais da minha relação com as crianças, porque a relação com as mães não muda muito, continua valendo o "manda quem pode, obedece quem tem juízo" (infelizmente).

38 comentários:

J.E.* disse...

Acho o branco tão lindo para mulheres... babás! Arrasem!! Beijos, J.E*

Daní Montper disse...

Mas o motivo é qual? Só para saberem o que as crianças fizeram pela sujeira da roupa da babá?

Hum...

shan-Tinha disse...

é a cor da saúde, higiene, pureza além de diferenciar dos outros tipos de profissionais e também acho adequado já que cuidam de crianças que tem o organismo mais sensível desde que realmente limpos claro e usados só pra este propósito. Parabéns e força à jaqueline como a todas as pessoas que exercem esta função!
bjinhos pra lola!

kelly-costa disse...

Olha, geralmente gosto bastante dos posts da Lola, mas devo dizer que alguns - e algumas coisas deles - não podem ser levados tão a sério como são.

A verdadeira razão pela qual as babás usam branco é a mesma razão pela qual um profissional na área de saúde (médico/a, enfermeiro/a, auxiliar, etc.) usa branco:

Esta é mais uma profissão onde o cuidado com um outro ser humano deve ser impecável, infalível.

Logo, usa-se um uniforme na cor branca para exemplificar excelência na profissão, ou alguém aí prefere ser operado por um médico cujo jaleco está todo ensangüentado?! Não, ninguém quer.

Há também diversos outros motivos, o aprendizado, por exemplo: Crianças muito pequenas fazem associações e tiram seu aprendizado através de imagens repetitivas, ou pelo exterior de uma pessoa. É mais fácil identificar a professora quando ela usa um avental, o policial quando ele usa um uniforme, e assim por diante. É mais fácil para os pequeninos, separarem a mãe, e os membros da família, da babá, se esta estiver vestindo um uniforme.

Eu entendo o sofrimento da autora do post (fui babá por 4 anos, dentro e fora do Brasil, onde me formei num curso de babysitter), e lamento muito que ela tenha passado por situações ruins, mas infortúnios, infelizmente, qualquer profissão tem.

Desejo sorte e felicidade numa próxima vez.

Lola, por favor, sua mente é linda, vamos nos ater a isso.

Escarlate disse...

Acho super desnecessário uma babá usar usar branco. Você não está fazendo uma cirurgia na criança, não é enfermeir@, assim como uma mãe não é porca por não usar branco pra cuidar do filho. E não tem mães que são babás dos filhos, ou pais? Ué, pq não usam branco? O que adianta a babá usar branco e não lavar as mãos? Se as crianças vão sujar mesmo o uniforme da babá, qual é essa necessidade?

Pra mim é um claro aviso: "olha essa mulher não é mãe dessa criança, não confunda, NUNCA!" É um símbolo, só isso, para que as babás não sejam confundidas como mães dos filhos da madame.

Liana disse...

Essa relação mamãe-babá é mesmo delicada. Já cuidei dos filhos dos outros e hoje tenho a minha, e não é a mesma coisa. Acho que duas coisas influenciam muito, uma é estar lidando diretamente com pessoas(inhas) e outra é trabalhar em um ambiente tão privado quanto uma casa, é mais difícil não misturar os sentimentos.

As duas precisam ter em mente exatamente o que querem daquela situação, sem sentimento de culpa ou competição da parte da mãe e com muito profissionalismo da babá. Eu sempre pensava 'Não é meu filho, não é minha casa.' Difícil, mas possível.

No final, quem manda é a mãe. A babá é uma empregada. Nunca questionei isto. Eu me via como braço direito, ou esquerdo dependendo do dia, da mãe, eu não me via como extensão da criança.

Uma pensamento que eu mantinha sempre comigo era que minha principal função ali não era cuidar da criança, era tranquilizar a mãe para que ela pudesse se afastar da criança sem preocupações. Penso que isto faz toda a diferença.

Gre disse...

Admiro a devoção que essa profissão implica. Como em todas, somos analisados constantemente, mas acredito que além do cuidado, em muito as babás contribuem na formação do ser. Serão referências e estarão sempre na recordação das crianças mesmo depois de adultos. Para o bem ou para o mal. Entendam bem e mal como elogios e críticas, comparações que são sempre ponto de partida para análise sobre um ponto de vista. Penso que uniforme é necessário e mais vantajoso do que o contrário. Talvez único padrão que encaro sem contrapontos, afinal como já foi dito, identificamos, nos dirigimos as pessoas uniformizadas objetivamente. Reconhecemos suas funções e diferenciamos apenas por isso. Dentro de empresas, escolas ou qualquer instituição, os uniformes além de identificadores, inibem comparações classiais e pessoais.

Bruno S disse...

Concordo com a Escarlate. Uniforme branco na babá tem a função de evitar que a confundam com a mãe da criança.

E me incomoda bastante encontrar nos fins de semana com fanílias que saem para passear com os filhos pequenos acompanhados das babás. Fico com algumas dúvidas.

Será que essas crianças são tão problemáticas que os pais precisam de ajuda mesmo em seus momentos de folga?

Será que essas profissionais estão sendo devidamente remuneradas pelo serviço no fim de semana?

Gabriela disse...

Estava no Iguatemi em porto alegre e vi uma baba levando a criança pra comer um sorvete, aí perguntei pro meu namorado, quem tem dinheiro (e a mentalidade) pra ter uma babá 24h e fazer ela usa branco... no outro dia veio a zero hora com essa materia... http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Segundo%20Caderno&newsID=a3393254.xml

Gabriele disse...

E eu, que nem sabia que babás usavam uniforme branco? Heheheh... Lembro que algumas que cuidaram de mim quando era pequena, mas não tinha isso de uniforme não, e também as famílias que conheço que contrata babá também não tem. Mas acredito que seja também muito influenciado por isso de se criar uma marca para que ela não seja confundida com a mãe. Percebo em muitas mães hoje em dia esse medo de que a babá passe a ocupar um papel importante demais na vida da criança, com medo de perder seu espaço.

Niemi Hyyrynen disse...

Também concordo com a Escarlate.

Se o intuito do uso do branco como uniforme fosse a higiene os demais empregados da casa também deveriam usar alguma coisa do tipo, sei lá.

Daní Montper disse...

Na Zona Sul do Rio tem muita empregada que também usa uniforme branco.

Não sei o que opinar sobre isso, teria que perguntar para essas babás e empregadas o que acham, e até pras patroas... sei lá. Mas não me surpeenderia se for para 'marcar' quem é a empregada/babá da casa.

Gabriela disse...

O que eu vou falar talvez não tenha muito a ver com o post, mas hoje mesmo, estava comentando com meu pai sobre o dia em que fui na casa de uma família exageradamente rica e me deparei com uma situação triste.
Os donos da casa (os pais) ficavam no primeiro andar se divertindo com os amigos, e os dois filhos (sendo que um deles com apenas 1 mês de vida), no segundo andar com a babá, sem contato nenhum com os familiares. Tive a sensação de certa frieza da parte dos pais. Bom, a maioria das pessoas que lá estavam não devem ter sentido dó dos pequenos, simplesmente por eles terem uma boa condição financeira. Aquela velha história vinda do senso comum em que as pessoas pensam que dinheiro traz felicidade. Porém, para mim, foi lastimoso ver essas crianças sem o carinho materno e paterno que é a coisa mais importante do mundo.
Fico me perguntando qual é o papel dos pais atualmente. Porque eu pensava que era dar carinho, orientação, amor, educação, felicidade e não se resumir a presentear com bens materiais.
As babás merecem aplausos por suprirem o que essas fofuras realmente precisam.

Lola, passe no meu novo blog quando tiver um tempinho:

http://tornesimples.blogspot.com/

beijos

Blanca disse...

Já li esse comentário. Até falei disso com uns colegas. Muito triste...

Blanca disse...

Babá usa branco/uniforme que é pra quando ela abrir porta pra alguém que não seja visita íntima, a pessoa não confundi-la com a dona. Putz, deve ser. Como disse alguém, se fosse por higiene, todos os outros empregados deveriam usar branco.

Anna disse...

mas qual o problema com o uniforme e mais especificamente com o uniforme branco? voces, que são contra, são contra uniformes em geral, ou só contra uniforme de babás. porque sim, o uniforme é usado, entre outros motivos, para distinguir. assim como o uniforme das recepcionistas, dos garçons, dos maitres, dos motoristas e trocadores de onibus. e os jalecos dos médicos, o uniforme dos pilotos de avião, a farda dos oficiais? a batina do padre, o hábito das freiras, os ternos dos seguranças e os ternos obrigatórios dos advogados. o uniforme ou a roupa padronizada diminui essas pessoas? ofende? humilha?

paulinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
paulinha disse...

concordo com Escarlate em quase tudo, menos quanto à opinião de que o branco do uniforme seja pra diferenciar a empregada da patroa. quer dizer, acaba sendo também, de certa forma. mas acho que, nesse sentido, o uso do uniforme é até inofensivo - e ele poderia ser branco, verde, vermelho, enfim. muitas outras profissões se valem de uniformes, estudantes na maioria dos colégios os utilizam. além do mais, sejamos honestos: no país em que a gente vive, dado nosso contexto sócio-econômico, certamente não é o uniforme que vai diferenciar a empregada da patroa. existem outros indícios que nós interpretamos com facilidade (infelizmente) pra julgar quem é a patroa e quem é a empregada.

acho ainda que as madames estão mais preocupadas em não serem elas confundidas com as empregadas do que com a situação oposta.

e vou ter que discordar veementemente da kelly quando ela diz que "é mais fácil para os pequeninos, separarem a mãe, e os membros da família, da babá, se esta estiver vestindo um uniforme". acho que pensar assim é subestimar demais as crianças, seja lá que idade tenham.

minha opinião com relação ao assunto é a seguinte: o uniforme serve como uma espécie de controle de qualidade da vestimenta do empregado doméstico. posso apostar como grande parte das patroas institui o uso de uniforme pelos empregados a fim de evitar que eles circulem pela casa com as próprias roupas - que devem, certamente, ser vistas como inadequadas, já que habitamos um mundo em que, no geral, se valoriza muito a aparência como demonstração de status (mais uma vez, infelizmente).

Vinícius disse...

acho desnecessário e discriminador.

será mesmo que todo profissional precisa de um uniforme para que reconheçam-no como tal?

o uso de fardamento escolar, por exemplo, se presta tão somente para que os professores,diretores,coordenadores diferenciem quem é aluno da escola de quem não é.

prq uma babá tem que levar na testa (principalmente em ambientes fora do lar) a marca da sua profissão?

excelência na profissão sendo exemplificada por meio da vestimenta? outros critérios não devem ser mais importantes?

médico nenhum usa jaleco para operar. há uma roupa específica para isso e seu uso é restrito ao centro cirúrgico. em consultório, hoje em dia, só usa branco quem quer. (falei cor da roupa branca e não uso de Equipamentos de Proteção Individual que são outra coisa.)

vejo essa questão não sendo limitada ao quesito moda-método pedagógico-limpeza. há toda uma ideologia de dominante X dominado por baixo disso.

Gre disse...

Anna e Paulinha. Entendem a minha maneira de ver.

Quanto à opinião do Vinicius, discordo. Não vejo como veste que discrimina. Afinal, nenhuma profissão deve ser discriminalizada e discriminada inferior à outra independente da função e vestimenta.

Como disse a Paulinha, há outros indícios de diferenciação classial que o uniforme, infelizmente.

Dentro de toda hierarquia existem uniformes diferenciados e padronizados para cada função. Para cargos bem remunerados e para outros nem tanto. De oficial à gari.

Penso ser apenas uma questão de organização.

Trocando experiências Pedagogia disse...

Eu acho que os pais tem que cuidar mais dos filhos!

Tanko disse...

Quando criança passava a maior parte do tempo com empregadas-babás, elas não usavam uniformes e não tinha problema se me confundissem com filha delas.

Mas não vejo nada demais no tal do uniforme, sério ! Afinal usar um uniforme poupa as roupas de sair e garante a adequação das mesmas ao ambiente de trabalho. Há a praticidade de não precisar escolher roupas todos os dias.

Acho que não me sentiria desconfortável em trabalhar de uniforme, se fosse o caso.

"médico nenhum usa jaleco para operar. há uma roupa específica para isso e seu uso é restrito ao centro cirúrgico."

Tá, mas o povo que usa jaleco em laboratório e hospital, adoooora circular por aí exibindo o "uniforme", mesmo quando não é recomendável, como por exemplo, levando bactérias para o restaurante.

O "dotô" e candidato a tal tem orgulho do jaleco, mas para a babá é degradante?

As babás devem ter vergonha de sua profissão?

Paola disse...

Essa conversa é longa, ando muito assustada, há famílias com uma babá para cada filho, não é mentira, depois posto uma foto se alguém duvidar.
Eu frequento parquinhos há séculos,como criança, como irmã, como baby-sitter, como professora ( de crianças menores, eu preferia usar uniforme, não estragava minha roupa), como mãe e tia, percebo que assim como qualquer outra profissão há babás e babás, acho temerário deixar as crianças sob cuidados de certas pessoas, já vi muita babá dando safanões em crianças bem pequenas, nesse scasos eu deduro sim, tem mãe que fica brava, afinal se não soubesse não precisaria pensar no assunto, já vi babá sendo imprudente, já vi babá dormindo enquanto as crianças brincam, já vi babá falando mal da mãe para a criança, já vi de tudo.Já vi até babá fugindo na calada da noite por não aguentar as condições de trabalho.
Uma coisa é a profissão, outra é o que o status dela. Tenho percebido que as babás estão no topo da cadeia doméstica, elas vão à restaurantes, viajam, participam do cotidiano da família, são elas que tem aacesso total a convivência , presenciam festas, brigas e outras coisas mais. Acho que falta profissionalização, sei de famílias que procuram babás que falem inglês, que tenham curso superior e pagam salários condizentes,a questão do uniforme é secundária.

Paola disse...

Ah! Pior que o uniforme é o concurso, isso sim é deplorável...

Fabi Cris disse...

Muuuito bom seu texto, sou Pedagoga de formação, professora de educação infantil no serviço público... Posso falar??? dá na mesma... Somos babás de luxo... afffff rsrsrs bjuss

Barbara disse...

Olha, uma quantidade razoável de gente da classe média tem babá e empregadas. Mas nestes casos é raríssimo elas trabalharam de uniforme. Empregados domésticos que trabalham uniformizados é coisa de gente MUITO RICA. Meus olhos sequer já deram com algum empregado dessa estirpe - só conheço de novela.

Acho que seria interessante levantar a questão da mudança da legislação trabalhista dos empregados domésticos, que pouco a pouco estão conseguindo alguns direitos antes exclusivos dos trabalhadores comuns. Por que essa diferença, para começar? Nunca entendi.

Isabel disse...

Realmente eu só vejo empregadas domésticas uniformizadas em casa de gente rica. Uma dessas empregadas usa o uniforme dentro de casa, mas se precisar sair pra comprar alguma coisa, por exemplo, coloca suas roupas normais. Não sei se vejo problema nisso, já que o uniforme ajuda a não deixar a roupa dela suja. Acredito que no caso das babás um uniforme seja até necessário com o mesmo objetivo, que é o de não sujar as roupas dessas mulheres. Mas é muita inocência supor que esse é o motivo principal da existência desses uniformes, né.

Vocês juram que sair por aí desfilando com jaleco é a mesma coisa que uma babá ou empregada doméstica andar de uniforme? Isso é meio ingênuo, não? Jaleco de médico traz status, por isso que os calouros de medicina fazem questão de andar com eles mesmo sem necessidade e durante o verão. Ser médico dá status na sociedade, ao contrário de ser babá, como o guest post fala.

Minha mãe foi babá por quase duas décadas e eu a respeito muito por isso, assim como respeito bons profissionais de medicina. Mas garanto que minha mãe teria outro status na sociedade se dissesse que foi médica a vida inteira.

Barbara disse...

Sem dúvida que o branco do médico está ligado a status, mas se você vê uma pessoa de branco na rua não tem como saber automaticamente qual a profissão dela. A mulher que faz a minha sobrancelha e a que me depila usam branco para trabalhar, também. Mesmo se o tonto estiver usando jaleco na rua (é desaconselhável), como você vai saber se é médico, enfermeiro, profissional de laboratório....?

Sara disse...

É, eu imagino as babás cuidando das crianças sem poder cuidar.

Escolhi cuidar da minha criança. Sem babás. E tem gente que acha um absurdo porque estou "jogando minha vida fora".

Bruno S disse...

Pessoal, não vamos confundir a família que contrata uma pessoa para cuidar dos filhos quando os pais estão trabalhando com a família que sai para passear no fim de semana com uma acompanhante devidamente caracterizada para as crianças.

O segundo caso que me incomoda mais. Em primeiro lugar pela relação distante entre pais e filhos. No segundo lugar está a questão discriminatórria sim. Afinal qual a necessidade de se cobrar que a babá acompanhe a família num restaurante devidamente uniformizada, além de evitar que ela pessoa (geralmente negra) possa ser confundida com membro daquele grupo.
Vejo bastante disso na Zona Sul do Rio e não necessariamente em famílias muito ricas.

Dora disse...

Bem, fugindo um pouco sobre o título do post que se refere ao uniforme da babá e entrando mais na relação babá-criança...

Ainda na barriga da minha mãe, Isabel veio morar conosco para ser minha babá. Nossa! Lembro claramente como eu gostava infinitamente mais dela do que da minha mãe nesses primeiros anos de vida. Lembro de uma vez, quando eu devia estar com uns 8 anos de idade, que as vi discutindo e meu coração ficou apertado porque eu achava que tinha que tomar partido e eu não estava preparada pra isso. Isabel ficou conosco por 12 anos, claro que depois ela ficou responsável pela casa, porque a essa altura eu não precisava mais de babá. Lembro muito do dia que ela foi embora, do quanto eu chorei, do quanto eu me senti desamparada e sozinha. Meu consolo é que ela estava saindo pra ser cobradora de ônibus, para conquistar algo que ela queria muito, no intuito de melhorar de vida. E isso me fazia feliz porque eu não achava nada justo ela morar no lugar que morava - passei fins de semana na casa dela! - e ter a vida que tinha. Eu sofria por ela! queria que ela fosse tratada como parte da família.

Guardo esses 12 anos com muito carinho, a amo do fundo do meu coração (ainda a visito até hoje, ela teve um problema na coluna e não anda mais) e foi com ela que partilhei descobertas, risadas e dengos de criança. Não tenho raiva da minha mãe por isso. A parte racional do meu cérebro entende que era assim porque ela TINHA que trabalhar e que se não tivesse que trabalhar por causa da situação financeira, muito provavelmente ela escolheria trabalhar para realização pessoal. Cabe a mim julgá-la? Não, não cabe. Mas é fato de que essa ausência fez com que eu criasse um vínculo afetivo muito mais forte com Bel do que com ela nos meus primeiros anos de vida, e que quem habita minhas lembranças de momentos felizes da infância tb é Bel e não ela. Cada mãe sabe o que precisa priorizar para funcionar bem em todos os aspectos de sua vida. O importante é ter consciência de que, qualquer escolha que ela faça, sempre terá um preço a pagar.

Quando eu tiver filhos, acredito que será mais importante para mim priorizar essa relação com eles, até porque eu passei por essa experiência e não gostaria de ver meus filhos mais apegados a nenhuma outra pessoa que não eu ou o pai. Mas nem todas pensam assim e... paciência! Cada um sabe onde o sapato lhe aperta e não sou a favor de levantar bandeiras em defesa de um comportamento padrão. Claro que isso não quer dizer que acho normal mães que ABANDONAM seus filhos. Só estou falando de mães que abrem mão dessa convivência mais estreita com seus filhos para deixá-los sob os cuidados de babás, por qualquer motivo que seja.

Vale dizer que tb já fui "au pair" e, apesar dos pais trabalharem, eles eram MUITO presentes. Minha função era estar com os filhos apenas quando eles estivessem no trabalho. Mas quem colocava os filhos pra dormir, dava banho ao acordar e antes de dormir, preparava café da manhã e curtia os fins de semana com os pequenos eram eles, os pais, e não eu. Eu estava ali apenas cumprindo um papel de "irmã mais velha postiça", que dava uma super mão enquanto eles estavam fora de casa. Eles tinham 4 filhos (incluindo gêmeos de 3 anos) e eu NUNCA me senti super atarefada porque eles nunca transferiram para mim as responsabilidades e tb todas as delícias que se tem por conta da maternidade/paternidade.

Enfim, é isso.

Lola, sou sua fã! Ler seus posts sempre possibilita que mais um "frestinha" se abra em minha mente!

Beijo!

Jaqueline disse...

Oi Fabi Cris me adiciona no msn pra gente trocar experiências jaquelinepascon@hotmail.com...bjus, Jaque.

ana_alice disse...

não entendo a lógica de escolher ter filhos e dar pra outra pessoa criar. sério, se vc não pode dedicar a maior parte do seu dia à criança, não tenha.

claro q, enquanto os pais estão no trabalho, a criança pode ficar com uma babá ou ir pra uma creche (onde ela vai ficar em contato com outras crianças, num ambiente - supostamente - mais profissional, com toda uma equipe pra cuidar e supervisionar).

mesmo assim eu acho q os pais são os responsáveis por preparar aquela criatura pro mundo e "molda-las" de acordo com seus valores pessoais.

fora q nunca vai ser 100% seguro deixar a criança com outro. eu fiquei numa das creches mais caras do rio e tive vários probleminhas: desde pneumonia até desnutrição e prisão de ventre. imagina esses inumeros casos onde a babá agride a criança!

outro dia uma amiga estava revoltada pq a filha chegou em casa cantando funk... olha a que tipo de coisas a criança fica exposta contra a vontade da mãe. fora a questao da higiene mesmo, q os pais n tem como controlar.

eu lembro qd era pequena de ir brincar na casa da vizinha e ver a babá passando batom na boca da criança, de brincadeira... oq seria até bonitinho (?) se ela n tivesse herpes labial!

Paula disse...

Eu não posso concordar com a lógica de que "se não puder dedicar a maior parte do seu tempo para seus filhos, é melhor não tê-los" porque se assim o fizesse, eu estaria dizendo que era melhor eu não existir.

Mas eu entendo que nem sempre dá certo deixar seu filho ser criado por alguém e, realmente, se valer desse outros "alguéns" é um tiro no escuro.

Ainda bem que no meu caso deu tudo certo! :)

dwestfahl disse...

o motivo do branco, p. mim, é claro - segregação. Como os brasileiros levam babá até p. comer uma pizza com os filhos, fazem questão de deixar claro que aquela pessoa "diferenciada" sentada à mesa não é amigo ou da família, mas só a babá.

Rita Gomes. disse...

Que inocencia achar que o uniforme é branco por conta de higiene.. é na verdade absurdo pq cuidar de crianca suja muito. É para identificar, ou vc acha mesmo que a madame quer a empregada seja confundida com amiga ou parente qd estao andando no shopping?? e isso SÓ existe no brasil.
eu fui au pair dois anos na europa. claro que ser au pair é muito diferente de ser baba aqui no brasil. eu era uma estudante universitaria fazendo intercambio, que estava lá nao para servir e sim para dar uma ajuda com as criancas e ser a irma mais velha. babás de verdade na irlanda e reino unido sao profissionais que estudaram para isso e sao muito respeitadas pelos seus patroes. meu quarto era a suite de hospedes, a mae (apesar de serem riquissimos a familia nao tinha empregada) me servia o jantar toda noite. nós estavamos fazendo uma troca, eu aprendia ingles, ganhava casa,comida e uma mesadinha e els tinha uma pessoa de confianca pra cuidar das criancas, smepre fui tratada como igual e até hoje sou amiga da familia (e isso por que eramos de paises e culturas diferentes) eu adorei a experiencia mas no brasil ninguem acreditava que eu tinha me tornado babá por vontade e nao por necessidade (afinal, é coisa de gente pobre né?!). antes já me incomodava como as babas sao tratadas aqui, hoje me enoja. meus alunos sao ricos, com tres, quatro empregados na casa e é como se fosse dois mundos diferentes, o do patrao e o dos empregados. e já que sao assim tao diferentes, aproveitemos e coloquemos um uniforme absurdo nos serventes para ficar bem claro. (isso sem contrar as empregadas com uniforme de camareira de hotel, será que é higiene a sainha azul, a sapatinha e o chapeu branco tbm?

Iza disse...

Encontrei esse post por acaso procurando modelos de uniformes para babás.
Vejo muitos criticando as babás de uniforme , mas ninguém mencionou outro lado afora a higiene e identificação.

A um enorme custo consegui uma babá para cuidar do meu pequeno e logo que chegou ela me perguntou se teria que usar uniforme, eu disse que não precisava. Pasmem! ela disse que gostaria de usar uniforme, e ficou quase todo dia me pedindo um... entre suas alegações era de não precisar gastar as próprias roupas e que gostaria de estar bem vestida para sair conosco se necessário.

Eu fiquei enrolando a compra do uniforme até que fomos fazer a sessão de fotos Mês a mês do meu filho. Ela colocou uma roupa bem simples e perguntou se estava boa, eu afirmei que sim, n ia criticar a roupa da moça até pq sei que não teria uma roupa arrumadinha para ir. Foi aí que a minha ficha caiu... era mais prático e barato comprar logo um uniforme do que roupas adequadas para todo tipo de ocasião. Comprei 2 uniformes para começar, um para eventos e outro mais esportivo para passeios. ela recebeu com tanta alegria que parecia está ganhando uma roupa de verdade!! e no auge do seu contentamento exclamou " Nem acredito que n vou mais precisar ficar lavando meus jeans"!
Agora,procuro uniformes para ela usar no dia a dia, bonitos e práticos... e ela já está cobrando!.

Anônimo disse...

Minha leitura pro assunto.

Uniforme (e branco) tem varias justificativas:

- diferenciar mesmo quem eh quem. Se existe vergonha vergonha ou complexo, mude de profissao. Varias profissoes requerem uniforme por varias razoes diferentes. Eh a vida

- na minha casa a baba so coloca o uniforme quando esta com as criancas. Ou seja, no trajeto de casa etc, uso a roupa que quiser. Qual o racional disso. O uniforme esta limpo e minimiza trazer alhumas doencas da rua.

- a cor branca eh a melhor pra visualmente saber o quao limpa esta a roupa. Cuidar de um paciente ou um bebe vulneravel, pois ainda nao tem a imunidade de um adulto , exige limpeza e higiene. Por isso medico e baba usam branco, por exemplo.

Vamos parar de frescura com esse negocio de uniforma.. Como foi dito, muitas profissoes exigem e eh isso ai. Nao eh coisa de brasileiro, eh no mundo todo