quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

GUEST POST: COMO FAZER COM QUE ELES ESCUTEM?

Gostei muito deste email que recebi de uma moça que prefere se manter anônima. A mensagem está cheia de perguntas sobre atitudes que afetam tant@s de nós. Por exemplo, como ver discriminação e não se indignar, ou pelo menos não se indignar o tempo todo? Como não se zangar com amigos machistas e homofóbicos? Como não permitir que o preconceito deles arruine a amizade? E, principalmente, a pergunta do título: como fazer com que eles escutem? Como fazer para que parem de ser preconceituosos? Leiam o guest post e compartilhem as suas sugestões e experiências nos comentários.

Acompanho seu blog faz alguns meses mas já devorei boa parte do conteúdo. Você me ajudou a enxergar o mundo e me deu muitos bons argumentos que usei com propriedade em algumas discussões e foram muito efetivos. Estou agora com aquele sentimento de que aos pouquinhos, palavra por palavra, a gente pode mudar o mundo, e o único jeito de fazer isso é através da informação. Te agradeço bastante por isso.
Do ano passado pra cá meu feminismo (que antes era escondidinho e envergonhado) vem se afirmando e tomando conta do meu corpo, e acho que tem muito a ver com o meu amadurecimento como pessoa. Tenho 21 anos e nunca sofri abuso, nem fui vítima de violência. Meus pais nunca levantaram a mão para mim. Quando eu fazia caca e era muito levada, eles me botavam numa cadeira e batiam um papo comigo, de igual para igual. Tive uma infância ótima e muito feliz. Minha mãe é professora de artes, e por isso sempre estive num meio cultural bem efervescente. Meu pai morreu quando eu era pequena, e dizem que ele me amava muito e eu acredito, de verdade. E eu não poderia ter mais sorte, porque logo depois minha mãe conheceu um cara maravilhoso que hoje eu chamo de pai com orgulho e me ama tanto quanto meu pai biológico me amaria. Sempre vivi rodeada de carinho. Meu namorado é tão feminista quanto eu (depois falamos sobre isso) e nos amamos de verdade.
Mas uma coisa vem me incomodando muito, e isso começou no ano passado. Acho que por estar quase me formando na faculdade, ter arranjado um emprego bacana na área que mais gosto, devo ter crescido bastante. Minha adolescência mais que definitivamente já ficou para trás. E por isso 2010 foi marcado por decepções com o mundo, com conhecidos, com amigos, e com familiares. Sinto que meu mundinho feliz é uma bolha isolada, rara e em extinção.
Passei a prestar mais atenção na quantidade de notícias sobre violência contra a mulher. E contra crianças. E a cada notícia de estupro seguido de assassinato, abuso sexual contínuo em casa, violência contra homossexuais e idosos, meu coração ia se quebrando. E hoje sinto que ele está em pedacinhos. Como isso nunca fez parte da minha realidade, acordar e perceber que eu vivo num mundo violento, intolerante e odioso foi terrível. Tudo bem, não é que eu nunca sofri. Fui vítima de bullying na escola mas né, foi uma coisa que durou pouco e eu sobrevivi e cresci muito depois disso. Isso ficou pra trás, sabe? Por mais que meu ensino médio tenha sido um cocô por causa disso, meus amigos de verdade não sairam do meu lado e eu não sofri tanto. Hoje eles continuam do meu lado, 5 anos depois. Mas quando eu comecei a sentir as chibatadas da vida porque eu, além de ser mulher, OUSO ser feminista e ateia (e além de ser ateia, promovo o pensamento crítico pra tudo, de astrologia a zoroastrismo), foi um baque de verdade.
Eu comecei então a perceber o machismo enraizado na sociedade, e que se demonstrava até nas pessoas que eu mais amava, como amigos do coração e até no meu pai querido, em níveis diferentes. Meu pai ainda sente dificuldade em me entender, mas eu noto que ele se esforça. Ele tem algumas coisinhas machistas que aos poucos estão sumindo, e eu tenho orgulho dele por pensar sobre isso. Tipo, REALMENTE pensar sobre isso.
Mas meus amigos... Já não é bem assim. Essa introdução ENORME aqui serve mais pra, além de desabafar sobre meu desapontamento com o mundo, te situar. Você já percebeu que por mais que eu nunca tenha sofrido abuso minha capacidade de sentir dor pelos outros fez meu coração se despedaçar e eu tento juntar os pedaços. Hoje alguns amigos me dizem que eu vejo machismo e estupro em tudo, e que eu perdi o senso de humor (porque eu não dou risada de piadas machistas e preconceituosas em geral). Meu namorado está dividido. Ele é um homem feminista, que eu amo demais, e também é ateu e promotor de pensamento crítico. Ele é muito parecido comigo. Mas eu entendo que entre os amigos, ele ficaria isolado se admitisse isso com orgulho, e por isso não o faz. É difícil pra ele ser homem e feminista ao mesmo tempo, mas isso não vem ao caso. Com ele eu me entendo perfeitamente.
Mas recentemente uma discussão cresceu e eu fiquei magoada com um amigo por uns dias, e aposto que ele também, mas por outros motivos. Eu percebi que não só o machismo mas a homofobia ainda fazem parte da criação de muitos amigos meus. Falando sobre preconceito, algumas pessoas disseram o famoso "não, eu não tenho preconceito, só não gosto de ver dois homens se beijando, e detesto homem afeminado". Eu tento racionalizar, tento gerar algum tipo de empatia, mas não adianta.
Eu realmente tento mudar a cabeça deles, mas não consigo. É difícil demais, e isso tem me deixado cansada e decepcionada. Tenho medo de simplesmente não conseguir mais gostar dos meus amigos por causa disso, e eu não quero que isso aconteça.
Não sei por que casos de estupro e violência me tocam tão pessoalmente. Sinto raiva pelos outros, e queria poder fazer alguma coisa. Aí quando tento educar aqueles que estão mais próximos de mim (não porque eles cometeriam um estupro ou por serem violentos, mas porque podem servir de meio para educar mais gente), eu não consigo e fico frustrada. Eu indico seu blog, mas duvido que eles leiam. Eu quero que eles acordem e escutem, mas eles não escutam. O que eu faço para que eles escutem, Lola?

(Ilustrações: pinturas de Wang Ke expostas na galeria de arte chinesa contemporânea).

92 comentários:

Carolina disse...

Eu adoro uma discussão acalorada, mas sinto que muitas pessoas levam para o lado pessoal.

Por isso, e para não deixar (sem querer) pessoas que eu gosto tristes, eu rebato somente quando diz respeito a mim diretamente (a mim como mulher, a mim como uma pessoa que vota na Dilma, etc).
Porque aí as pessoas entendem o motivo de eu estar puta (e ainda eventualmente pedem desculpas.)

Ex: "Ah só vota na Dilma quem não tem cultura." "Oi? Como assim, eu votei na Dilma, você quer dizer que eu não tenho cultura? De onde vc tirou isso?"


Tenho um grupo de amigos que um dia já foram muito meus amigos. Então eu descobri que eles passaram a não me chamar mais para as partidas de pôquer que sempre combinávamos, porque eles decidiram fazer daquilo um evento masculino. Eu reclamei, mas não adiantou: eles continuam não me chamando porque sou mulher (palavras deles.)
Na época fiquei muito, muito, muito triste, porque senti meus AMIGOS me excluírem com base num argumento tão ignorante. Mas resolvi que, se eu sou uma amiga de 2a categoria, que eles também seriam... Com o tempo, arranjei outros amigos e hoje os antigos não representam pra mim nem 10% do que já representaram um dia. (e eu não me esforço nem um pouco para reverter esse quadro).

Enim, sei que está confuso, mas são essas as minhas experiências que achei válido compartilhar. =)

Acho que temos que nos cercar de quem nos faz bem, afinal de contas.

Lord Anderson disse...

Putz, é um caso serio mesmo.

É como no post com a historia de terror da sua leitora Lola.

Não demorou nada p/ aparecer homens na defensiva, querendo amenizar, dizer que tava promovendo preconceito contra homens, etc.

Tem muitos colegas com quem falo sobre essas questãos que simplesmente não conseguem despertar empatia.

Ja ficam na defensia, reclamando que to exagerando, que o politicamento correto quer acabar com o humor...

e pior é que ultimamente o conservadorismo tem ficado mais explicito.

Em alguns casos em que eu ou outra pessoa levantava o assunto, ja aparecia um gritando que feminsitas só reclamam, querem acabar com os homens,etc

ja teve sujeito me chamando de idiota por ser manipulado pela ditadura feminista.

ou me acusando de só fingir p/ ficar bem na fita com as mulheres com quem falo, e quem sabe depois conseguir "come-las" mais facilmente...

quanto a racismo e homofobia é mais dificil ainda, pq todo mundo jura de pé junto que não é homofobico/racista, só quer que os "outros" se "comportem".

Enfim, dificil e complicado.

Sinceramente não sei se isso tem melhora a curto prazo.

Felizmente, meu amigos mais proximos fogem desse tipo.

mesmo todos nós ainda tendo que aprender muito sobre igualdade, desse tipo de pensamento lixo, nós ja começando a nos afastar.

Thiago beleza disse...

Bom.. passo um pouco do mesmo. Meu caso é ainda um pouco pior pq fui criado em meio a normalidade de piadas racistas, homofóbicas, machistas, classistas...

Quando comecei a pensar e romper alguns paradigmas, os amigos se afastaram. Dizem que eu fiquei muito chato, que virei um intelectualzinho insuportável e que não deixo que se divirtam. Que fico me achando p fodão questionando filmes e piadas inocentes.

Eu sou praticamente um traidor do movimento libertário das pesssoas preconeituosas e não é facil... A família tolera, mas compartilha a opinião dos amigos...

Enfim, a sensação de isolamento é terrivel...

Por isso eu passso tanto tempoi na internet.. É o único lugar que da pra filtrar e selecionar o círculo de contatos.

Patrick disse...

Eu passo aqui só para registrar a minha solidariedade, porque as reações que você observa são comuns a muita gente. E me incluo nessa. Mas quando eu paro pra pensar na quantidade de pessoas que passaram a refletir sobre essas questões e, alguns até, se tornaram frequentadores assíduos aqui da Lola, depois das minhas divagações feministas, fico mais otimista.

aiaiai disse...

Bom, só tenho a dizer para a autora do post que, por enquanto, é assim mesmo. A gente se sente impotente muitas vezes diante da apatia das pessoas para a questão da igualdade de gênero...Mas, acho que tá mudando para melhor. Cada vez mais temos mais representantes da facção do "traidor do movimento libertário das pesssoas preconceituosas" (adorei tiago e vou usar). Eu sou uma traidora do movimento libertário das pessoas preconceituosas com muito orgulho!

Ashen Lady disse...

Não é fácil. A gente começa a ficar quieta pra não ser chata, estou aprendendo a escolher minhas lutas pra poupar energia e não ganhar uma úlcera. Aproveito para praticar a arte da tolerância e paciência.

Victor disse...

"Traidor do movimento libertário das pessoas preconceituosas", muito bom! HUAHAUHA.

Olha, como nós sabemos, os costumes vigentes são tudo isso que a gente não gosta - racistas, homofóbicos, machistas - e é difícil ir contra isso em qualquer círculo social.

Considero minha mãe uma liberal moderada. Ela dá muita bola fora! Mas eu e uma prima - que somos os mais "liberais" da família, no quesito do ateísmo e da simpatia aos movimentos sociais - não gostamos de discutir.

Geralmente são pessoas mais velhas e que não dão muita atenção a isso. Minha mãe tem amigos negros, gays e tudo, mas às vezes solta algumas opiniões que você vê que é coisa de gente sem conhecimento, sem vontade de aprender ou de se aprofundar no assunto. Se ela andasse por aí queimando índios, talvez eu me preocupasse mais, mas acho que do jeito que tá, tá bom... Vou tentar educar meus filhos melhor - se a "Justiça" Brasileiro permitir que eu os adote!

Lua** disse...

Também compartilho dessa situação de ser "a chata", "a crítica","a feminista", "a sem humor"... Com as eleições do ano passado, então, diria que atingi "índices históricos de impopularidade" no trabalho, na família, entre amigos e colegas de faculdade. Isso porque decidi parar de ficar em cima do muro em situações polêmicas ou preconceituosas e me manifestar, questionando e problematizando, sempre educadamente. Mesmo que se argumente com o máximo de educação, evitando as acusações (afinal, se não queremos que o fulano acuse os outros por ser "a puta", "o vagabundo", "o viado" ou "o nordestino", não dá para gritar na cara dele "SEU REAÇA"), as pessoas não gostam de ser questionadas sobre suas posições.

No trabalho, onde tenho o relacionamento mais difícil, desisti de entrar em argumentações muito profundas, pois os colegas não conseguem "sustentar" de forma racional os seus preconceitos (se é que isso é possível, aliás) e ficam muito ofendidos (ou seria envergonhados?). Um chegou até a parar de falar comigo. Depois disso, me limito a soltar ironias de vez em quando - parecem que são mais eficientes.

O fulano está defendendo da forma mais tosca e preconceituosa o separatismo de São Paulo e eu solto em tom de brincadeira: "Ah, que ótimo! Com a nossa diversa produção agrícola, vamos comer cana no café, no almoço e no jantar, e o bom é que a gente ganha bastante energia para nadar nos alagamentos da cidade, né?". Enfim, não sei se essa é a melhor estratégia, mas é assim que eu tenho sobrevivido ultimamente. Eu diria que os mais precoceituosos diminuíram os comentários fascistas e as piadas de mal gosto. Tenho esperança de viver em um ambiente mais harmonioso com menos bobagens entrando nos meus ouvidos, mas duvido da possibilidade de mudar o pensamento deles - infelizmente!

Lord Anderson disse...

Verdade Lua

A epoca das elições tb foi o momento em que me tornei mais militante, menos condescendente e por isso mesmo, segundo alguns, mais chato e babaca rs.

E para piorar tudo, é incrivel como tantos desses conservadores são jovens.

Rita disse...

A Ashen Lady só gostaria de dizer que compreendo a sua atitude mas, com todas as desculpas, não aprovo. È que não se pode tolerar o intolerante porque isso significa demissão da nossa responsabilidade de lutar por uma sociedade melhor com a agravante de que o intolerante limita e de que maneira a nossa liberdade.
Quero ainda dizer que em minha opinião a qualidade básica de uma feminista é a coragem, coragem para defender as opiniiões que considera correctas contra uma sociedade que é profundamente antifeminista e que por isso nos ostraciza.

Raphael disse...

Aceitar todos os comentários preconceituosos possíveis em nome do tal do humor negro é um troço complicado.

Até onde se deve levar o humor a sério? Acho que ninguém consegue fazer piada com tudo. Deve ter algum tema que é tabu pra pessoa.

Uma vez conheci um cara que fazia piada com o fato de o pai dele ter morrido num acidente de avião. Poucas pessoas seriam capazes de fazer isso, não é verdade? Brincar com o próprio sofrimento. Mas também... que tipo de pessoa você se torna quando é capaz de fazer piada sobre tudo? Eu não sei.

A maioria das pessoas só brinca com o sofrimento dos outros.Em geral, brancos fazem piadas sobre negros, homens sobre mulheres, Heteros sobre homosexuais. O grupo dominante querendo mostrar - até nas piadas- quem é que manda.

Decidir não fazer piadas sobre isso é uma decisão política que eu tomei. Decidi que esses temas não eram apropriados para piadas e não as faço. Querer que os seus amigos atuais façam o mesmo já está fora do seu alcance. As decisões políticas deles só eles podem fazer. Mas você vai acabar encontrando pessoas que pensam mais parecido com você. Eu espero.

Boa sorte!

L. Archilla disse...

Me identifiquei pra caramba com a autora do texto. Até pouco tempo atrás eu era uma pessoa muito solitária pelas mesmas questões que ela coloca.

Na adolescência eu era cheia de amigos: estudava numa escola moderninha (apesar de pública), militava em mov. estudantil, fazia teatro, ou seja, vivia em meios "libertários", com gente "progressista". Conforme fui me aprofundando nos meus questionamentos, fui vendo o tanto de reacionário disfarçado tinha ao meu redor. Então meus contatos foram diminuindo gradativamente.

Depois de uma boa enxugada nas amizades, me restaram pessoas isoladas (um amigo da escola, dois ou três do teatro, um do trabalho, etc.) com quem eu achava que podia contar. Só que aí eu tinha que sair isoladamente com cada um, já que um era de esquerda mas não gostava do outro que era gay, que por sua vez não se aproximava daquela outra que é gorda, que adorava gays mas evitava o fulano que era pobre. Então eu tb percebi que não adiantava nada a pessoa ser feminista porém não se permitir nenhum questionamento acerca do seu elitismo, por exemplo. E nessa eu fui me isolando cada vez mais. E podem falar o que for, mas não é fácil não ter um grupo de amigos sequer pra tomar uma cerveja no fim de semana, assim como não é fácil sair com gente medíocre.

Mas devo dizer que pra tudo nessa vida tem um jeito, haha. Porque finalmente, em 2010, encontrei uma turma pra chamar de minha. Claro que nós temos diferenças, discutimos, mas sempre respeitosamente, e o que é melhor: nos permitimos refletir sobre nossas próprias convicções, percebendo preconceitos, evoluindo. Minha vida teve um salto de qualidade absurdo.

O que eu posso recomendar pra moça é que não desista de conhecer gente. Eu sei que nessas horas dá preguiça da humanidade, mas em algum lugar por aí deve ter gente que compartilha dos mesmos ideais seus e do seu namorado. Por enquanto respira fundo, evita sair quando estiver mais sensível e tenta ir levando...

Thiago beleza disse...

Eu cocordo com a Rita.. é preciso ter coragem pra enfrentar e debater. Só que o estômago é ais fraco que a coragem. Em alguns debates com pessoas da esquerda (uando se trata de classismo, ainda é difícil) perco o sono, fico com dores fortes de estômago de cabeça...

Enfim, tudo o que eu consegui com essa postura foi o isolamento completo. OS amigos da adolescência se afastaram completamente e os novos amigos são mantidos na base da tolerância...

No ambiente de trabalho é ainda pior...

É difícil viver em completo isolamento..

natalie catuogno consani disse...
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natalie catuogno consani disse...
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natalie catuogno consani disse...

Acho que todo "traidor do movimento libertário das pessoas preconceituosas" (sensacional!) sofre mais ou menos as mesmas coisas.
Meu pai é super conservador; meu irmao, idem (embora um pouco menos); minha mãe, um pouquinho; a maioria dos meus amigos, também.
Meu namorado é exceção à regra, ainda bem, tão feminista quanto eu.
Mas muitos dos amigos que temos são machistas, preconceituosos, homofóbicos e por aí vai.
Até os "progressitas" que conheço, gente de esquerda que se acha cool e defende boas bandeiras (como igualdade a gays e negros), dá derrapadas fenomenais quando o assunto é igualdade de gênero ou direitos dos animais.
Sou vegana e não raras vezes sou a "xiita que não come carne" ou aquela que "não tendo nada mais útil pra fazer, resolveu defender os bichos e impedir as pessoas boas de participarem da cadeia alimentar" (é, já ouvi isso váárias vezes). Se defender a igualdade entre seres humanos já é difícil, imaginem quando eu tento dizer, assim, na boa, que eu acho que os bichos também têm direito à vida...
Fazer o quê? No meu caso, continuo falando o que penso. Discordo quando acho que tenho de discordar e da maneira mais adequada à situação. Às vezes, com humor, com ironia (qdo sei que não vai rolar mesmo um debate racional), às vezes com argumentos bem lógicos (qdo há espaço pra isso), às vezes com paciência, às vezes sem ela.
Sempre vai ter quem não quer ouvir. Não adianta muito forçar a barra, nem desistir de falar.
Paciência, quem não ouve não troca, não cresce. Eu sempre vou estar disposta a falar. E a ouvir, pois também acho que tenho muito a aprender, com os "reaças", inclusive.

.:*Mandy*:. disse...

O problema é que a geração que nasceu no final dos anos 80 (a minha) continua com ideias ultrapassadas.
É só você soltar um comentário a favor de gays ou ateus (ou contra a homofobia e a intolerância religiosa) que o caldo entorna. Fica todo mundo "brabinho", esses novos "homenzinhos de bem".
Eu tenho medo da minha geração, viu.

lola aronovich disse...

Puxa, que demais, gente! Os comentários estão excelentes. Continuem mandando, que depois eu faço um post com partes de alguns comentários!
É bom saber pelo menos que não estamos sozinh@s, e que muita gente sofre com isso do "Devo dizer alguma coisa ou ficar calad@?".
Não é fácil mesmo!

Jether disse...
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Jether disse...

Não adianta dar informação, apresentar o argumento a alguém que não valoriza essa busca, que não se questiona, e não tem esse hábito. É preciso antes convencê-la não do feminismo, por exemplo, mas da necessidade de filosofar, de se questionar, de questionar o que recebeu pronto etc, é preciso formá-lo antes de informá-lo.

Como fazer isso? Ninguém ensina ninguém que não queira aprender. E se ensina por exemplo e/ou palavras. Só se a pessoa der abertura, se ELA quiser, é que ela vai aprender. Se o seu objetivo é vc não se estressar, seja justo com a pessoa. Siga dando exemplo, onde estiver, e, no contato com ela, vá até onde ela vai. Se ela sinceramente estiver lhe pedindo de alguma forma informação, argumento, dê. Se ela depois de ouvir, logo se desinteressar, deixa quieto. Se quiser mais, dê mais, dê o que ela quer. Se de repente, parar, pare também. Se depois quiser continuar, continue. Porque se vc se esforçar muito e não receber nada em troca, provavelmente vai se ressentir. Então, de novo, se o objetivo é não se estressar, avance na direção dela só um pouquinho, na medida q vc aguentar sem depois ficar com raiva se não for correspondido o esforço, ou só depois que ela vier até vc, nessa medida. Também tenha uma atitude de pôr em xeque no momento em que ensina o que está ensinando. Esteja sempre pronto a escutar algo vindo do "aluno" que possa fazer VOCÊ mudar de opinião. Enfim, eu aconselho ler os livros de Mortimer Adler, porque o cara foi realmente um aluno-professor (claro, deve ter outros! Ele mesmo cita outros).

Se o objetivo é ter amigos, evitar as situações onde elas dão essas mancadas, ficar quieto quando derem uma mancada, ou trocar inteiramente por gente mais tolerável.

L. Archilla, pô, me apresenta esse pessoal! (Ainda não encontrei...)

Jether disse...

Eu respondi à pergunta: "Como fazer com que eles escutem?", com "Sendo educados e tratando-os com educação, se forem educados com vc, e se não forem, não devolver a má-educação, ficar em silêncio" ou se quiser fazer uma tentativa, fazer na medida que consegue sem se ressentir depois se ela for desprezada e tudo isso com a ressalva que é impossível fazer eles escutarem se não quiserem. Eu acabei não respondendo à pergunta "Como então, formar alguém?" Como formar um adulto, que ACHA que já é educado, você numa posição não de autoridade em relação a ele, e mesmo que estivesse (por exemplo, sendo professor universitário dele), não é garantia de que ele iria realmente aprender (ele poderia simplesmente agir interessadamente)?

Acho que a melhor forma, junto com o que eu já falei, é só ler bons livros, só ter bons livros em casa, e deixar à mostra, e dar ou emprestar alguns se ela ou ele quiser, e não falar sobre maus livros, maus programas, só sobre coisa boa. Dar um jeitinho de sair quando for porcaria. E bons livros que sejam de temas amplos. Que, se bem lidos, mexam com as fundações da pessoa. O Adler compilou uma lista de livros desse tipo no seu livro mais famoso. Mas é claro que não precisa se limitar a esses. Aliás, alguém aqui já leu "The Subjection of Women" do John Stuart Mill? (Está na lista e deve ser feminista [só li o começo].)

alexrnbr disse...

Assim como muitos já escreveram, tb me identifiquei com a autora do texto.


Fiquei com vontade de indicar pra ela sites e mais sites, nos quais encontrar outras pessoas que seguem linha parecida de reflexões.

Bom, como imagino que ela deve estar acompanhando os comentários, peço a licença da Lola para deixar umas dicas:
http://bulevoador.haaan.com/2010/07/06/ha-limites-para-o-humor/
http://bulevoador.haaan.com/2010/09/14/silencio-hipocrisia-ou-sinceridade/
http://alexrnbr.wordpress.com/2010/08/29/reconhecendo-direitos/

Recomendaria a ela que acompanhe constantemente as postagens do BuleVoador (olha o jabá), pois lá ela vai encontrar muitas pessoas que pensam e sentem como ela.

Abraço a tod@s

Jether disse...
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Jether disse...

Agora, isso que eu falei dos bons livros, além de já ser complicado (o que são bons livros?), pra não se estressar, tem que seguir aquela regra. Se a pessoa ficar espalhando livros pela casa, e ninguém der a mínima, e ela se ressentir, não tá sendo "justo" com essas pessoas (no sentido de ir só até onde elas vão), nem tá fazendo a tentativa numa medida que ela aguenta depois ver frustrada.

Eu já encontrei pessoas que pensavam O QUE eu pensava, mas não COMO. E foi uma decepção. Infelizmente, às vezes a pessoa tem as opiniões certas, pelo menos sobre um determinado assunto, mas não tem flexibilidade. É melhor alguém ignorante ou até errado que esteja disposto a pensar realmente do que alguém com o texto certinho. Por isso, eu não acredito que encontrei um amigo(a) baseado no que ele diz. Só conversando q dá pra saber. Como ele reage a perguntas, a críticas etc.

Letícia Castro disse...

Se os preconceitos são construções culturais q sobrevivem do alimento diário da ignorância, podem e DEVEM ser desconstruídos - o q exige postura ativa - e assim acabarão extintos por inanição.

Esperar passivamente q a mudança venha de cima e espontaneamente - através de programas de governo (sem pressão/apoio social) ou de novelas e BBBs educativos \o/ - é perda de tempo, não vai acontecer pq não interessa a esses setores modificar o status quo q os mantém no poder.

E aqui cabe o q disse o gde Luther King: "O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética (...) mas o SILÊNCIO dos bons" - é por essa combinação q o as injustiças se mantém.

Claro q todo pioneirismo tem preço e andar na contramão da correnteza é difícil, mas ser gado talvez seja ainda mais duro, pq o preço de seguir passivamente a manada é a morte lenta daquilo q nos faz humanos...

PS1: tbm sobre esse tema, um post e um vídeo mt legais aqui: http://bit.ly/eO69Dz (via @GustavoBarreto_)

PS2: ADOREI a sacada do Thiago Beleza - tá mais q na hora de sermos "traidores do movimento libertário das pesssoas preconeituosas"!

Bjs e até a próxima! ;)

Letícia Castro disse...
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Anônimo disse...

@alex
Parece besteira eu permanecer anônima, mas quis agradecer os links. Já conheço e acompanho o bule faz um tempo, mas não tinha lido os posts indicados por ti ainda.
E obrigada a todo mundo que se identificou, os comentários de vocês me ajudaram a ver que eu não estou sozinha no mundo. Amo vocês.

nelsonalvespinto disse...

Curioso como o choque de gerações acaba moldando a próxima.
Esta sensação de que "não há mais ninguém na minha árvore (pra citar Strawbeyy fields forever) aparece cada vez que coisas novas começam a nascer.
Eu temo que a próxima geração se isole do embate de idéias. Definitivamente essa é a pior resposta. O choque é inevitável e precisamos dele para refinarmos nossos ideais.
Para mim, que aos 17 anos resolvi sair de casa pra mudar o mundo e morei nos piores lugares e convivi com todo tipo de gente enquanto lia o "inferno"de Dante, as melhores armas são a arte e o humor. Compreeender como os grandes filósofos dialogavam e ensinavam foi primordial. Sócrates, por exemplo, através de perguntas mostrava as contradições das pessoas e deixava que estas caminhassem para as respostas.
Até hoje me parece a melhor forma de ensinar.

É o que tento mostrar aos meus alunos. Criamos uma cultura retrógrada que quer ser "descolada" por defender duas ou três causas nobres, mas que esqueceu completamente de olhar a humanidade como um todo.
Enfrentar esta cultura senil vai ser o grande desafio da vida deles.

Mari Biddle disse...

Oi, vc estah vivendo uns dilemas que eu estava passando algum tempo atras. Eu resolvi cortar da minha vida os amigos (na verdade, amigos de meu marido pois eu me mudei para o pais dele) que estava me aporrinhando com as toneladas de preconceito deles. Possivelmente nao farei muitos amigos por aqui e ficarei bem isolada. Uma pena mas eu estou tao de saco cheio de ouvir asneiras. Uma dessas `amigas` abre a boca a todo instante para dizer 'oh, isso eh coisa de gay'. E outras barbaridades. Eu nao quero esse tipo de gente na minha casa. Nao mesmo. Quando afirmei que era feminista um ser humano e ficou olhando para mim e repetindo 'nao, vc nao eh' com cara de nojo.

Desculpe a falta de otimismo e o tom bem pessoal deste comentario mas eh que acho que estou muito velha para gastar saliva com a idiotia de certas pessoas.

bjs

alexrnbr disse...

Minha cara,

dependendo do seu contexto social e do círculo de convivência, é perfeitamente compreensível a decisão de permanecer anônima.


Lembrei de uma discussão que tive recentemente em um grupo de emails.

Alguém mandou uma daquelas piadinhas babacas, porém recorrentes e comuns, sobre futebol e homossexualidade... invarialvelmente são piadas que tendem a "tirar sarro" da torcida e time adversários, "acusando-os" de homossexualidade, ou seja, coisa bem patética...

Aí eu compartilhei o seguinte texto: http://terribili.blogspot.com/2010/12/os-cumplices-da-homofobia-assassina.html

e destaquei passagens como
"A intolerância violenta de animais que circulam pela Avenida Paulista - a mesma que recebe, todos os anos, a maior Parada do Orgulho LGBT do mundo - ou em muitos outros cantos do país é legitimada por escolas que corroboram com a homofobia, por policiais que tratam com displiscência situações de discriminação, por homens que se julgam poderosos o suficiente para julgar quem merece ou não ser respeitado neste mundo. E muito mais gente. Sabe aquela piada de viado que você adora reproduzir em situações de descontração? Devia parar."

e

"Não, eu não quero equiparar a sua piadinha homofóbia, ou a sua disposição de cantar palavras de ordem homofóbicas no estádio de futebol, à tentativa de assassinato que alguns empreendem contra outros por serem homossexuais. Eu só quero dizer que a sua atitude faz parte da mesma lógica. E que devia parar"

Bom, desnecessa´rio dizer qual foi a reação que obtive... tão patética qto as piadas...

Se perdi os colegas? Pouco me importa... hj em dia não mais faço questão da companhia de pessoas que considero preconceituosas.

Ana disse...

O desafio é que o diálogo não é baseado em pressupostos comuns, e tentar fazer com que @s interlocutores/as compartilhem dos nossos pressupostos sempre exige algum tipo de persuasão.

As pessoas acreditam em neutralidade da língua, em objetividade da ciência, na inconsequência do humor. Acreditam também que existem preconceitos e violências melhores ou piores, mais ou menos condenáveis. Não correlacionam domínios diferentes de suas existências. Confundem esfera pública e foro íntimo, decisões pessoais e liberdades institucionais.

Você pode questionar, evidenciar suas contradições, mas existem infinitos mecanismos de defesa, barreiras intransponíveis. Ou você se vitimiza irracionalmente, ou você está sendo analític@ e racionalizante demais.

À pergunta: como fazer com que eles/elas escutem, eu torno: como dialogar sem exigir que eles entrem e aceitem (pelo menos a priori) nosso campo semântico e nossos sistemas de verdade? Que tipo de mediação é possível?

Jether disse...

Letícia, só quem pode descontruir meus preconceitos sou eu, os seus, só você, e assim por diante. Isso é fato, não é uma regra. Que a pessoa fique preparada pra estender a mão QUANDO pedirem ajuda, e sinceramente. Antes, não adianta nada. Nesse momento é que não pode ficar em silêncio. E claro, não impede a pessoa de continuar falando pros seus, a dando o exemplo pra todos.

E anônima, não fica numa só de dar, dar e não receber nada em troca. Além de abandonar essa gente no momento em que não querem aprender, vá ter com bons professores, seja vc também o pedinte, o aprendiz e bons professores te recompensarão (se é q já não faz isso). Aliás, mais sobre o seu drama, que é meu tb (no momento tô sem amigo fora de casa e virtualmente principalmente por causa disso, embora os meus detratores vão dizer porque não sou bem-humorado, sou chato etc), esse Adler escreveu em um livro que quando vc começa a se educar, tem que tentar educar seus amigos, ou ficará sem mesmo (se entendi bem). Daí ele aconselhava discussão de grandes livros, não só leitura analítica deles (não só uma atividade solitária). Não pra todos chegarem à mesma conclusão, mas pra todos terem o mesmo entendimento das questões, conhecerem vários lados, e optarem, ou não, por um.

Ana, respeitando a realidade dos fatos da linguagem e da mente humana, e agindo de acordo. Só quem pode fazer isso por você é você mesmo, só quem fazer pelo outro é ele mesmo. A pergunta do post está de certa forma contendo algo impossível de conseguir. Repito: não dá pra fazer alguém escutar. Só escuta quem quer. E além de querer, só quem age de acordo com a realidade é efetivo, independente de modas e grupos.

Jether disse...

Ana, nossos sistemas de verdade são os nossos pressupostos, os nossos valores? E campo semântico seria o nosso vocabulário?

Pois é, o professor tem que saber com quem está falando, e adaptar sua linguagem à ele, não o contrário. Senão, não é professor.

Bia disse...

Caramba... Se eu tivesse algum distúrbio do sono ficaria realmente em dúvida se não teria sido eu quem escreveu esse texto sonâmbula, rs. Passo pela mesma situação e diante das reflexões feita pela autora desse texto e das minhas mesmo, tudo sempre acaba com um ponto de interrogação na minha cabeça. As vezes fica difícil digerir algumas coisas quando vc passa a enxergar melhor a realidade e estudá-la, de alguma forma. Enfim.. rs. No fim das contas a impressão que me dá é de que as vezes eu não caibo mais dentro da minha realidade (lê-se meu mundinho. minha família e amigos de infância da cidade onde vivo que é de interior, pequena. daquelas que todo mundo se conhece.) Isso é um sentimento esquisito...

Jether disse...

É Ana, muita gente que se acha professor, está é ditando coisas pro "aluno". Não está fazendo a sua parte. A resposta à sua pergunta é que Nelson falou: questionando o aluno socraticamente. Sócrates ensinava a partir das opiniões próprias e vocabulário do fulano. E, claro, só obtinha sucesso se o aluno co-LABORasse.

Anônimo disse...

O Alex Castro tem um post ótimo sobre isso de como falar, no caso sobre racismo, mas na minha opinião, serve pra quase tudo. O link é:
http://www.interney.net/blogs/lll/2011/01/05/como_dizer_para_alguem_que_ela_soa_racis/

Letícia Castro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jether disse...

E quanto à persuasão, é preciso dar a mensagem (logos) só depois de ethos (o caráter de quem fala) e pathos (a disposição dos ouvintes*) estarem estabelecidos (coisa que não fiz aqui, então não dará certo, a menos que alguém reputado por esse grupo adira ao meu argumento, seja lá por que motivo se deu ao trabalho de me escutar). Tomara que Lola ou alguém respeitado aqui dê o seu aval ao meu argumento, caso contrário, não vão me escutar. Se a pessoa não tiver um nome primeiro, e favorável, na roda em que tá entrando, ninguém escuta. Não é crueldade, é um fato da vida.

Por isso, ao que tudo indica por enquanto eu estou só pensando alto, falando sozinho. Não ensinando.

* tipo não adianta tentar dar aula num jantar em que todos querem se divertir, por exemplo.

Jether disse...

Uma das formas de persuadir é sempre começar contando um fato engraçado sobre si próprio. Não é preciso sempre ser apresentado, convidado por alguém já estimado. Se já começar "dando aula", como eu fiz...

Patrick disse...

Jether, por favor, uma sugestão de primeira leitura de Adler :).

Mariana. disse...

Me identifiquei muito com a garota do texto, não só porque temos a mesma idade... Comparado com o mundo real, o meu mundo pessoal sempre foi cor-de-rosa (no bom sentido). Claro que meu pai e minha mãe, as vezes, soltam umas pérolas machistas, mas nada que não tenha jeito: desde que me descobri feminista (também com a Lola), eu converso, explico pontos de vista.
Na parte do namorado feminista, porém, eu não tenho a mesma sorte. Quando começei a namorar com ele, ainda não sabia que era feminista; sabia que era atéia, mas não tinha notado como isso choca as pessoas (inocente que era...). Enfim: as opiniões dele, e de alguns amigos meus, incomodam. Já ouvi que eles não são machistas de jeito nenhum; que eu tbm não devia ser feminista, porque feminismo é o contrário de machismo e, afinal, pra que, se já conquistamos tudo?; já ouvi que eles detestariam ter um filho gay e que não são homofóbicos, apenas não gostam de ver dois homens se beijando. Coisas absurdas assim. Fora as piadinhas, que eu decidi tolerar porque se eu for puxar um discurso feminista a cada gracinha inocentemente homofobica ou machista, eu perderia tempo demais. Mas quando o assunto é 'sério', eu rebato. Boa parte dos meus argumentos vem daqui, também. E eles também dizem que eu exagero. até as meninas, que tem medo de parecerem que não são femininas, ou pra casar, e ficam na moita, sem participar muito da discussão. mas eu gosto de todos profundamente e também não sei mais o que fazer.

Meu namorado anda falando em casamento e eu gosto dele suficientemente para isso (não agora). Mas eu fico pensando se ele pretende educar nossos filhos com essa mentalidade; ou se tivermos um filho gay, como vai ser? sei lá.

A autora do post: não tenho as respostas; tenho as mesmas perguntas que você.

Letícia Castro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jether disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
aiaiai disse...

queria reforçar a indicação à leitura do post do alex (tem um vídeo também)...é muito instrutivo e vai ajudar muito a todos os que integram o grupo dos "traidores do movimento libertário das pesssoas preconceituosas"

Isabela Candeloro Campoi, disse...

Quanta troca boa: o post rendeu, heim Lola! Lindo, lindo isso!
Nem quero escrever demais, mas acho natural o afastamento de pessoas que têm opiniões muito diversas das nossas. Eu morei em muitos lugares e onde eu fui encontrei minha turma. Hoje voltei pra minha terra natal e me afastei de amigos de infância que não têm nada haver comigo: normal...!
Ah, meu último apelido foi Fidela...kakakakka...

Mariana. disse...

o link do texto do alex não funcionou pra mim =/

alguém tem o texto?!

aiaiai disse...

novo link para o texto do alex:

http://www.interney.net/blogs/lll/2011/01/05/como_dizer_para_alguem_que_ela_soa_racis/

aiaiai disse...

acho que entendi o problema no link, segue novamente em duas versões:


http://www.interney.net/blogs/lll/2011/01/05/como_dizer_para_alguem_que_ela_soa_racis/

e

http://migre.me/3CtLj

lola aronovich disse...

É verdade, gente, esse post do Alex é muito bom. Vejam o vídeo lá. Ele diz que não é eficaz dizer pra alguém "Você é machista" ou "vc é homofóbico" ou "vc é racista" ou qualquer coisa do gênero. É muito mais eficaz dizer "sua atitude foi machista" ou "sua piadinha é homofóbica" ou "sua opinião sobre esse assunto é racista". Porque se a gente só falar "vc é machista", o cara vai vir com aquele discurso que não, ele não pode ser machista porque nasceu de uma mulher e é casada com uma, ou que não pode ser racista porque até tem um amigo negro, sabe? Mas, se a gente se concentrar no que a pessoa falou, ela vai tentar rebater a ideia... ou não. (Geralmente ela vai falar mais e mais coisas pra provar que sim, é machista). Mas acho uma sugestão interessante, e um bom exercício pra tod@s nós.

Lord Anderson disse...

O assunto rendeu mesmo, rs

É algo importante, gostei dos comentarios a respeito.

É uma tarefa espinhosa mesmo, mas não tem como deixar de lado.

Temos que continuar.

Luciano Dias disse...

Oi, Lola, meu nome é Luciano, moro em Goiânia, formado em História pela Universidade Federal de Goiás, e na época da militância estudantil eu escrevia alguns textos, e criei um blog há muito tempo a fim de postar alguns dos textos que escrevi. Agora eu resolvi reativar o blog, fazer dele um blog bem sujo, e voltar a militar novamente, depois de ter trabalhado muito pela internet durante a última campanha eleitoral para presidente, seja respondendo a e-mails mentirosos de Soninha Francine/Serra, seja no twitter. Dessa forma, informo que estou seguindo você e peço para que coloque o link de meu blog em sua lista, fico muito agradecido e parabéns pelo seu trabalho. Valeu! - http://asarvoressaofaceisdeachar.blogspot.com/

porcausadamulher disse...

Muito bom o post!
Conto um pouco da minha experiência, mais ou menos semelhante: bom, estou morando fora há mais ou menos 3 anos, e dessa distância pude vivenciar um pouco mais 'fora do armário' minha transgeneridade (sou transgênero, e me considero próxim@ à identidade crossdresser). Depois de perceber essas possibilidades, e a liberdade de fazer o que se quer, é incrível como você começa a perceber o quanto de opressivo foi internalizado, e aí se incluem desde coisas aparentemente inofensivas, como piadas sobre 'travecos', como os anos de adolescência em que reprimi minhas expressões de gênero.
A partir dessa observação, dia a dia comecei a reagir de maneira diferente quando amigos ou familiares tinham atitudes incorretas; como não estou 'out', ainda é um silêncio que deu lugar a risadas condescendentes. Mas a consciência é outra, e pouco a pouco reúno as forças para lutar.
Em relação aos amigos, é sempre uma situação difícil, e aqui me solidarizo com a autora do post: muitas vezes, são pessoas com as quais você já se identificou, mas que agora, aos seus olhos, apresentam ideias que em alguns casos sequer são conciliáveis com seus valores. Sinceramente, não sei como eu resolverei isso, mas acredito que deve valer a ideia de que, se não me apoiam, não devem ser amig@s de verdade -- e, como alguns apontaram, podem até abrir as portas para novos amig@s.

Jether disse...

Desculpem-me, mas tenho paixão por esse assunto e estou de férias :)

"Nós somos aquilo que fazemos repetidamente." Aristóteles
Ele tá certo em não generalizar, tal, mas...

Pra que dizer pra alguém, que não lhe deu o direito de corrigi-lo, que ele está agindo errado? (Embora eu já tenha feito isso várias vezes, mas por isso mesmo eu sei q nunca dá certo.)
Ninguém é EDUCADO assim. Pra educar alguém, você tem que ter autoridade (moral, espiritual, não física) pra ele, ele tem que tá disposto a mudar e você realmente saber e comunicar bem esse conhecimento. Então se a pessoa não deu abertura, não adianta fazer nada se o objetivo é educação. Parece-me que o vídeo ensina no máximo a punir, to held accountable, mas aí você tá COMPRANDO a consciência dele no máximo. Se for isso, é tratar pessoas como animais, ou adultos como crianças, tentando TREINÁ-las a agir da forma certa. Os fins não justificam os meios.

Dá muito mais trabalho ensinar do que punir, to held accountable...

Se alguém que lhe "considera", lhe perguntar querendo saber (o que é raro, no máximo é querendo saber a sua resposta, não a verdade) O que você acha disso que fulano fez?, aí vc diz pra ESSA pessoa (ou grupo de pessoas), com todas as letras, se concentrando na ação mesmo, como um pastor falando pros SEUS fiéis do homossexualismo. Aí vc TALVEZ vai estar educando essa pessoa, não o fulano que fez a coisa errada (se é que foi errada mesmo). Se esse fulano quiser um dia saber, se um dia ele se questionar se fez algo de errado, ai sim ele pode aprender. Bater nele (mesmo com palavras) não vai mudar a cabeça dele, no máximo mascara a atitude dele na sua frente. E se ele é adulto, ele pode pensar por si mesmo, a longo prazo é desperdício de energia bater nele. Se você ganhar a mente, você ganhará um verdadeiro aliado.

Carol disse...

Identifiquei-me MUITO com o texto.

Abs.

likapaar disse...

Gostei do post!

Estou engatinhando no feminismo ainda, lendo textos e blogs como esses e estou gostando bastante.
Questões que mudam o status quo das pessoas sempre causam polêmicas e poucas pessoas param pra pensar e questionar os valores estabelecidos.
Sou estudante da área ambiental e vejo o preconceito que as pessoas têm sobre a questão ambiental. Muitas e muitas vezes recebi apelidos preconceituosos de ecoxiita, hippie desocupada, natureba e por aí vai...
Parabéns pelo blog Lola. Ele é demais!

cris comenta tudo disse...

Entendo bem a autora desse texto, pq tenho uma vida muito parecida com a dela... Trablha num ambiente onde sou a úica moça. Então vc imagina como é, né? O dono da loja que eu trabalho, por exemplo, não votou na Dilmma, pq, bem ela é muulher, então ouço pérolas desse tipo o tempo todo, e embora seja um trabalho legal, estou seriamente pensando em deixá-lo. Não aguento ouvir tanta bobagem... às vezes me sinto um peixe fora dágua, as pessoas dizem que sou do contra e ás vezes me cansa ter que argumentar, pq é fogo, mas vou tentando, quem sabe um dia as coisas mudem, né?

cris comenta tudo disse...

Oi Mariana, me identifiquei muito com vc, em tudo, inclusive na parte que se refere ao casamento. Amo meu namorado, mas num dá pra casar sem terminar os estudos, pq ganho muito pouco para sair de casa, e não dá pra ficar sendo dependente dele ...Pra ele as coisas são muito fáceis. È so a gente mudar pra casa dos pais dele, que passam a semana inteira num sítio e só voltam no final de semana, tenho certeza absuta que não daria certo, pq eu ficaria mais do que frustrada vivendo tal situação. Outra coisa, ele tem tudo nas mãos, a mãe dele é muito zeloza, já que ele é o caçula, e eu sinceramente não tenho um pingo de paciencia pra "servir" alguém. Outro dia estavamos fazendo uma pizza na casa dele, ai eu perguntei: vc vai fazer ou vai lavar? Ele me respondeu: ué, mas e quando a gente casar? Perguntei novamente se ele achava que iria fazer de tudo em casa. Ele respondeu: mas isso é coisa de mulher. Ri na cara dele, mas as risadas viraram uma grande discussão e cada vez mais chego á conclusão que esse casamento não dará mesmo certro, não por enquanto..

Amer H. disse...

Hey, que tal isso: ao invés de tentar moldar seus amigos para que se tornem seu ideal de perfeição na sociedade, por que a autora do artigo não os aceita como são?

Ninguém neste mundo é perfeito. A própria moça que escreveu tantas palavras demonstra uma intolerância imensa com aqueles que não compactuam de sua maneira de pensar.

Como o camarada (cujo nome esqueci) disse, as pessoas mudam quando tem esta intenção. Não adianta chegar e chamar o sujeito (ou sua atitude) de machistas, homofóbica ou o que for. Você passa por chata e não muda o sujeito.

E novamente, uma piada ou comentário não torna ninguem machista, homofóbico ou racista. Vocês podem não gostar de certos comentários, mas isso não lhes dá o direito de rotular as pessoas. Vocês se tornam propagadoras de intolerância tanto quanto as pessoas que dizem combater.

Larissa disse...

Machismo é uma coisa bem enraizada mesmo, a gente nem percebe. Às vezes eu me assusto com uns pensamentos meus, do tipo "ai que medo de dirigir na BR, se eu fosse homem eu saberia dirigir melhor." Mas imediatamente me repreendo, aos poucos a gente vai abrindo a cabeça.
Quanto aos amigos do tópico, a minha sugestão é simplesmente mudar de círculo. Sério. Igual a Carolina fez. Mudar os outros é besteira, não existe. O que você pode fazer é mostrar coisas novas às pessoas, pra elas abrirem a cabeça. Mas se elas não quiserem, não adianta nada.

Carolina Pombo disse...

Boa pergunta!!! Também me senti assim várias vezes. Sou de uma família altamente crítica, que às vezes beira a inconveniência. Sento-me à mesa com algumas parentes distantes e fico vermelha de raiva, tentando controlar o ímpeto de me manifestar. Aqueles comentários batidos sobre bolsa-família ser bolsa-esmola ou de que o Brasil é assim porque os escravos vieram da África e não da Europa... aaaargh Confesso que na maioria das vezes NÃO CONSIGO ME CALAR! E meu marido até se diverte com isso! Porque, para ele, não vale à pena discutir com gente que tem a mente tão fechada. Ele não se estressa. Mas, por mais que, às vezes, eu lembre daquela passagem bíblica "não jogue pérolas aos porcos", ainda tenho esperanças.

A amizades, a gente faz novas, a gente multiplica quando consegue ser honesto. Tem muita gente por aí que aprecia uma boa dose de sinceridade!

Pessoal, para quem se interessa pelo tema do consumo consciente e da maternidade/paternidade, por favor, respondam esta enquete!!!

https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dFZZcjhXa19ELUlYUjdIb3czVTZ6MHc6MQ#gid=0

Daniela disse...

Olá a todos!

Engraçado como muitos se identificam com a história da anônima, inclusive eu, e acredito que isso é um bom sinal, pois, acredito eu, uns anos atrás você se sentiria muito mais sozinha, por não haver a internet que nos permite encontrar "gente que pensa como a gente".
Ainda tenho problemas com isso, pois sou bem intolerante em relação a várias formas de preconceito e machismo, homofobia e racismo são os que me perturbam mais, então, muitos dizem que me acho superior ou mais inteligente que os demais por ficar fazendo discurso politicamente correto e por querer mudar o pensamento dos outros como seu eu fosse a mais certa.
Dizem que eu deveria ficar calada quando ouvisse um comentário racista, homofóbico ou machista para não gerar mal-estar nas demais pessoas presentes, e então eu respondo que quem fala o que quer (e me obriga a ouvir), ouve o que não quer e ficamos quites.
Costumo não puxar os assuntos, por já prever aborrecimento, mas não consigo ficar calada quando puxam o tema, pois pra mim quem cala, consente.
Rompi vários relacionamentos devido aos meu valores e essas pessoas não fazem mais falta, cheguei a conclusão de que a maioria das pessoas é substituível, infelizmente. Se ela não me respeita, não merece minha amizade, afeto.
A sorte é que tenho conhecido cada vez mais gente que pensa como eu e feito novas amizades e relacionamentos, e se não encontro pessoas que pensam exatamente como eu, pelo menos respeitam minha opinião e pelo menos tentam me ouvir.
No final, seu e-mail só me fez voltar a uma questão que me faço há anos "como fazer com que as pessoas sejam empáticas?" porque é isso que falta aos outros, ou é isso que tenho demais, pois também nunca sofri nenhum tipo de preconceito, violência ou abuso para me revoltar tanto com esses temas como me revolto e ainda assim o faço, e vejo gente que já sofreu preconceito, ou abusos ou violência que são preconceituosas de outras maneiras e não enxergam, não conseguem se por no lugar da outra.
Há algo de muito errado nisso tudo u.u

Desculpe-me por não te consolar ou te dar boas notícias, mas a tendência é piorar até você achar um meio de lidar com isso. E devo dizer que em algumas ocasiões você terá que escolher se vai querer manter certos laços ou seus princípios, e em qualquer uma das opções que escolher, haverá uma grande perda.

No mais, que tal criarmos uma comunidade para as(os) "traidoras(es) do movimento libertário das pesssoas preconeituosas"? xD (quem disse que não temos senso de humor? hunf!)

Daniela disse...
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Daniela disse...

Desculpa, Lola, o comentário foi duas vezes, é que no primeiro apareceu um erro u.u apaga pra mim, por favor!

nelsonalvespinto disse...

O que gosto no blog da Lola é que os comentários complementam muito bem o texto sem aquelas discussões inúteis tão comuns em outros blogs.

Voltando ao tema: notaram o número de pessoas com os mesmos sentimentos?

Trata-se de um choque que ocorre naturalmente entre as gerações. E nenhuma geração é tão radical a ponto de não ter um pouco da geração anterior. Como dizia o velho Leibnitz, a natureza não dá saltos.

Nenhuma idéia é definitiva e absoluta. Vocês mesmos vão mudar de idéia em muitas coisas. Seus amigos também. E quem faz isso é o diálogo (mesmo que conflituoso) entre pessoas diferentes.

Um exercício interessante seria ler os comentários feitos ao post sobre "Lei da palmada" e notar a defesa ardente que foi feita sobre o brilhante poder do diálogo. Quer dizer que funciona para as crianças, mas não com os adultos? Perdoem-me, mas há uma pequena contradição a ser resolvida.

Eu não me afastaria dos meus amigos, mesmo dos ruins. Nem dos meus inimigos eu faço questão de ficar longe.

Há de se aprender a dialogar. Alguns são metódicos, outros confusos, outros afoitos. Cada um começa do seu jeito. Mas cedo ou tarde todos nós temos que começar.

Anny Cruz disse...

Adorei como vc espoe seus textos

Koppe disse...

Também me identifico com o texto, até porque vivo cercado de pessoas com um ou outro desses problemas.

Acho que devemos evitar extremos. Afastar qualquer pessoa que faça piadinhas que a gente considere preconceituosas é um extremo; já aceitar o preconceito, manter amizade com alguém que realmente é preconceituoso, pensa e age sempre assim, é outro extremo.

Também ficar o tempo todo martelando na mesma tecla é um extremo, e quem faz isso e passa a ser considerado(a) chato(a) deixa de ser ouvido(a), então as idéias também deixam de circular... e não falar nunca não deixa de ser omissão.

É complicado mesmo, porque se está lidando com pessoas, e pessoas são complicadas. Na minha opinião o melhor é tentar achar um ponto de equilíbrio, sem exagerar nenhum dos lados, sem radicalizar. Até porque a maioria dessas pessoas não são pessoas ruins, estão apenas enganadas. E quem não se engana de vez em quando?

Laetitia disse...

(Eu nunca sei se meu comentário será relevante, pq só acesso a internet de madrugada e não tenho tempo pra ler tudo que foi dito. Mas meu vício em "dar opinião" é incontrolável, então, aqui vai:)

Cara leitora,
Quer ser minha amiga? Rs! Olha, tirando a parte em que vc fala sobre o seu pai, este texto poderia ter sido escrito por mim. Tenho a sua idade, fui criada nas mesmas condições que vc e tenho um namorado e amigos na mesma situação. Louco, né?

Quanto aos amigos, que são o dilema em questão: eu tb vivo passando por isso. Às vezes penso se não é intolerância da minha parte o fato de querer sempre provocar uma discussão, mas enfim... rola aquela história de fazer a sua parte pra mudar o mundo, né? E eu tb fico muito chateada com a postura de certas pessoas. Por exemplo: amigos homens que são libertários pra tudo, estão sempre comigo nas "campanhas" em eleições, a favor da igualdade, contra injustiças... mas quando o assunto é com as mulheres, encontro narizes torcidos e caras viradas. Muita gente se uniu a mim quando "xinguei muito no twitter" sobre uma proibição de festival dentro da universidade, mas quando comecei a divulgar o caso das meninas sendo atacadas numa saída da Unicamp (que virou post aqui no blog), cadê todo mundo? Quando falei sobre a responsabilidade dos homens na prevenção à violência contra a mulher, os machos libertários foram os primeiros a pedir penico e correr.

Quanto às mulheres... geralmente é mais fácil conversar com elas sobre feminismo, mas nem sempre. Sabe aquela amiga que fica querendo tirar sua sobrancelha e passar maquiagem na sua cara? Acho que todo mundo tem ou já teve. Sabe, vc até tenta dizer pra ela que vale a pena fazer uma festança de despedida de solteira com go-go boys e tal, em vez de "chá de panela" e de "lingerie" (WTF?!), mas quem disse que entra na cabecinha dela? (só pra dar um exemplo bem bobo.) Complicado, complicado...

Eu acho que a única coisa que pode funcionar é a insistência. Desistir jamais! Fique falando, azucrinando mesmo, não perca uma oportunidade. Já consegui convencer gente que ia votar no Serra a anular o voto, e até um votou na Dilma - quem disse que o mundo tá perdido, hã?

Mauro Alves da Silva disse...

Lola,
Gostaria de chamr-lhe a atenção para o seguint artigo:
Professor matou a esposa e foi dar aulas…
13/01/2011 — Mauro A. Silva | Editar

Seria mais uma tragédia paulistana, não fosse o inusitado da ocorrência e a complacência da imprensa quando trata de investigar casos em que os acusados são professores…
O professor Claudemir Nogueira matou a esposa e foi dar aulas “normalmente”, como se nada tivesse acontecido…
A morte da professora Mônica El Khouri aconteceu em 23 de outubro de 2009…
Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio… mas a família reagiu e apresentou desconfiança em relação ao companheiro dela…
No dia 14 de dezembro de 2010, o professor Claudemir Nogueira confessou ter assassinado a própria esposa por estrangulamento…

http://cremildadentrodaescola.wordpress.com/2011/01/13/professor-matou-a-esposa-e-foi-dar-aulas/

Atena disse...

Puxa, eu me identifiquei muito com o post e gostaria de compartilhar com a autora umas coisas que eu tento colocar em prática e que me ajudaram muito, por também ficar revoltada com opiniões emtidas por pessoas próximas mesmo diante de tanta violência e injustiça provocada pelo racismo e pela discriminação.

Primeiro, normalmente as pessoas dizem coisas sem ter a exata consciência do que aquilo significa. Quando por exemplo meu marido diz alguma coisa machista ou preconceituosa contra os gays, sei que ele jamais trataria um ser humano próximo assim (mesmo porque tem conhecidos gays e os respeita) mas mesmo assim continua falando só para defender uma ideologia que não bate com sua verdadeira índole, que é bondosa. Então eu tento ver, por detrás do discurso da pessoa, o que ela realmente faz na prática, pois isso é o mais importante. E a maioria das pessoas é assim. Não que não devamos emitir nossa opinião e questionar essas idéias ultrapassadas, mas sem criar inimizades por conta disso (a não ser que alguém realmente esteja COMETENDO uma injustiça e não falando da boca pra fora).

A segunda coisa é que eu cansei de discutir o problema dos outros que não se importam com o próprio problema. Estes dias entrei numa discussão boba sobre depilação, sobre como uma mulher é cobrada pra estar até com a 'periquita' depilada, rs, mas afinal de contas se eu não me deixo levar por modismos e imposições do gênero, por que vou ficar arranjando briga por causa de outras mulheres que aceitam isso passivamente? Não deveria estar cuidando da minha vida como acho que ela deve ser ao invés de ficar defendendo quem não precisa ou não quer ser defendido, só pra arrumar polêmica?

Sei que a moça do texto está sensibilizada com tantas atrocidades que acontecem no mundo e acho sim que o que falamos e as idéias que transmitimos ajudam a acabar com os preconceitos, mas acredito que com tolerância e focando nos pontos positivos das pessoas próximas (vendo o quanto no fundo elas são boas e seus atos não coincidem com seus discursos) é mais fácil mostrar-lhes o quanto elas estão sendo contraditórias.

Oliveira disse...

Eu sei que você não vai publicar, mas vale a pena te falar.

Morreram mais de 500 pessoas em um desastre por culpa do governo petista do Rio e você só fala de leviandades.

É pra isso que serve blog? Pelo menos tente ajudar.

Bom quando você estava em Joinville, houve uma tragédia lá e você nem tocou no assunto, imagina agora.

Jether disse...

Amer, vc, além de ficção, lê textos políticos, por exemplo? Porque vejo que algumas pessoas que SÓ lêem "literatura", assistem desenhos, lêem mangás [nada contra, hein?] etc. geralmente não se compadecem com esses problemas. Note que a anônima só começou a notar esses problemas, depois que leu, e de uma certa forma, textos sobre a realidade. Cuidado pra não criticar sem se pôr no lugar da pessoa criticada, sem empatia. O problema da anônima acontece com um monte de gente "legal", não é como vc coloca simplesmente alguém chato, que não sabe conviver com os "amigos". É alguém que se importa, e geralmente isso acontece porque ela lê alguém tipo Marx, um autor que trata de problemas práticos. Só faz sentido essa discussão pra pessoas como nós, que lêem pra caramba autores tipo Marx, Mises, Hayek, Mortimer Adler etc., textos práticos, sobre como é certo se conduzir na vida. Só aí que surge esse drama.

Lord Anderson disse...

Hum Jether...desculpe, mas isso ficou meio pedante.

Eu não li Marx e mau conheço a maioria dos autores que vc citou e sou grande fã de quadrinhos, mangas, filmes, rpgs, etc.

Nem por isso deixo de entender e compartilhar do que a leitora postou.

Estudo e conhecimento são sim fundamentais, mas dizer que só quem leu determinado obra ou autor pode entender um assunto, chega perto do elitismo.

Não preciso conhecer filosofia socratica profundamente p/ tentar estabelecer um bom dialogo com pessoas de opiniões diferentes, e mesmo se for o caso de apresentar a elas meu ponto de vista.

Jether disse...

Anderson, eu falei autores TIPO Marx (não é preciso ter lido todos, eu não li livros de todos esses que eu citei). E falei NADA CONTRA gibi, desenho (que eu vi e li MUITO, até colecionava, e ainda vejo), rpg etc. Eu mantenho minha posição: geralmente a pessoa só sente a necessidade de querer "fazer as outras pessoas escutarem", quando lê algum autor que fala de problemas práticos da realidade, seja Marx ou seja um anti-Marx, ou um articulista político escrevendo num jornal ou num blog etc. Como no caso da anônima, ela disse que foi lendo a Lola sobre machismo, feminismo, de novo, textos que tratam de conduta humana.Se soou pedante, foi pq vc leu muito rapidamente e não atentou para esses sinais, q eu pus justamente p/ não cometer esse excesso.

Jether disse...

E Anderson, falei "geralmente" querendo dizer a maioria. O seu exemplo não contraria o que eu disse, portanto.

E não estou dizendo que ler ficção conduz à apatia. Talvez, se conduzir, conduza tanto à ação quanto à apatia (sendo que apatia é ação, né?). Só que não sei porquê parece que só gente que se chega a se envolver na leitura de economia, política esse tipo de assunto, seja qual autor for--e não precisa ser um original, inclusive, pode ser um mero repetidor de Marx, por exemplo (o Adler mesmo diz que nunca escreveu um livro original, a contribuição dele foi outra)--, só gente assim que sente isso. Vendo o blog do Amer PARECE que ele nunca sentiu isso. Aí é fácil falar. E me irritou um pouco.

Jether disse...

Fora que eu não gostei do "ideal de perfeição" q ele falou. Muitas vezes o que as pessoas querem é o mínimo de civilidade. Pelo menos na cabeça delas. Enfim, achei o cara leviano. Embora eu tenha concordado em parte com ele nas recomendações, e ele tenha concordado comigo. Realmente, entre família e círculo de amigos, tem que tolerar ou mudar mesmo. Mas eu sei "de onde a anônima está vindo", e ele tudo indica que não!

Lua** disse...

Jether,

Eu concordo com você que uma pessoa só ouve se quer assim como só é possível mudar por si mesma. Porém, discordo quando você insiste na necessidade de "ensinar" as pessoas e encontrar estratégias para que escutem. Acho que o que está em jogo a partir do e-mail da anônima são as formas de nos relacionarmos com as pessoas preconceituosas que nos cercam, aprender a debater e até mesmo aceitá-las como são ou, se for o caso, afastar-se delas. Cada caso é um caso.

Eu, por exemplo, disse no outro post que desisti de debater algumas questões no meu trabalho para não ser justamente "a chata", até porque eu não quero moralizar ninguém, só quero problematizar as questões, entender como pensam. Como eles não gostam de debater, eu respeito e resolvi só fazer ironias. Essa é a humilde resistência diária que encontrei, mas se alguém quer debater educadamente, estou aberta. No demais, quero viver bem com os meus colegas, passo 8 horas por dia ao lado deles e reconheço que eles têm qualidades e que posso aprender também coisas com eles.

Ler Marx, Freud, Foucault ou tantos outros textos "acadêmicos" não legitima em nada uma pessoa a querer assumir uma relação de "professor" com as pessoas com quais se relaciona - e mesmo que essas outras pessoas sejam seus alunos. Na minha opinião, ser professor não tem nada a ver com a posição de "pastor", pois considerar os outros como um "rebanho" que precisa ser conduzido parece-me a maior falta de respeito em relação à existência do outro, à sua autonomia e à sua capacidade de pensar por si mesmo.

E outra, não acho que a literatura seja um gênero "menor" para fazer pensar sobre as questões humanas. Muitos textos literários (assim como outras obras de arte) abordam de maneira muito mais profunda assuntos sociais ou da psicologia do Marx ou Freud o fariam.

Enfim, acho que devemos ter em mente que inclusive os valores que consideramos "corretos" e "justos" são arbitrários e não podemos querer imputá-los à força (ou de maneira pedante) em ninguém. Afinal, a religião já faz isso, né? Bem, aí é outra discussão.

BrunA disse...

É ,meu povo e minha pová ,é uma questão complicadissima ,para mim tambem .

Vou lhes conatr uma histórinha .




Trabalho num espaço ,especialmente masculino ,não bastando ...

MACHISTAS E "EVANGÉLICOS"

Seguidores de igrejas ,que partem do princípios do tipo .

" mulheres não podem cortar os cabelos ."

Aproveito ,quase todo tempo que tenho junto a eles ,para comentar sobre coisas do tipo
Mulher,homofobia ,politica ..
Politica essa >( QUE NESSA ÚLTIMA ELEIÇÃO ,DEU MUITO O QUE FALAR ).

Nessa ultima eleição ...fui apontada como "criminosa" ,em meu local de trabalho( SEM EXAGEROS ) por todos , por que simplismente fui a ÚNICA a votar na guerreira Dilma .
Criminosa ,eu !?
Acusada de acabar com o mundo !

(TRÁGICO E CÔMICO )...kkk

Por que no entendimento mas machista que vi até os dias de hoje ,afirmam ,que quando primeira mulher fosse eleita no Brasil varonil ,o FIM DO MUNDO ESTÁRIA MAS PRÓXIMO QUE NUNCA !
( Na verdade,nem soube classificar esses pensamentos como : machistas ...mau informados ..ou burros mesmo ! )

Conclusão > machismo puuuuro !

No quesito homofobia ...estão na primeira fila ,para jogar pedras etc ...
( SEM EXAGEROS) ,imagine vc caro leitor ,se esses preconceituosos não concordam com o fato de uma mulher cortar os cabelos ...
imagine então...

Que uma MULHER corte seus cabelos ,e um HOMEM os compre e coloque em sua cabeça
rssss !!!

As coisas que esses ,FALSOS MORALISTAS dizem ,me fazem mal ...

Temos sempre que estar falando sobre estes assuntos .
Se possível ..dar uma palestra ao mundo !!!
sempre que possível .

Adorei perceber,que não estou sozinha .
TANKS !!!

Flávio Brito™ disse...

Boa tarde!
Tenho lido seu blog...
E apesar de eu ser
Machista, homofóbico, fundamentalista religioso, reaça...
Dentre outras coisas!
Ai vai uma dica!
Escreva mais sobre gatos!
Meu atual sonho de consumo é um Maine coon.

Mariana disse...

Dia desses, conversando com um amigo extremamente sens´vel a muitas causas (ou seja: mais esclarecido que muita gente de meu convívio), comentei, toda serelepe, que estava lendo bastante sobre o feminismo (foi bem na época que conheci esse blog); e de muitas sutilezas que às vezes nem percebemos. Sabe o que aconteceu? Ele simplesmente começou a fazer piadinhas machistas... =/

Tenho perdido um pouco o encanto por certas pessoas, por elas insistirem em viver na ignorância, repetindo clichês sem, ao menos pensar. Tenho tentado não levar tanto para o lado pessoal mas, realmente, vejo que do ano passado para cá, tenho me afastado de muitas. Vejo que não há, por parte delas, a mínima questão de, ao menos, ver o outro lado, conversar temas assim com seriedade. Colocam como se aqueles que fogem ao senso comum fossem "radicais", ou seres exóticos, fazendo piadinhas sem o mínimo gosto, e que reforçam mais a minha opinião, desapontamento e desencanto.

Jether disse...

"não acho que a literatura seja um gênero "menor" para fazer pensar sobre as questões humanas."
Eu não disse que ficção não conduz à ação (ou à apatia, que é uma forma de agir). Tem até literatura, filmes etc feitos pra isso mesmo, pra provocar uma reação nas pessoas. Eu só afirmei o fato de que não vejo pessoas querendo "fazer os outros escutarem" até que tenham lido livros, artigos, tido conversas, aulas etc onde se falava sobre a realidade (ou o que pensavam ser ela) e além disso propunham o jeito certo de fazer as coisas.Mas além disso que eu acabei de falar, o tipo de "literatura" que pelo jeito o Amer gosta é "alienante", ainda por cima.

Sobre o seu depoimento pessoal: resistência por quê? Vc tem medo de perder a sua opinião se escutar a opinião contrária mil vezes todos os dias? Então é opinião, não conhecimento. Daí a importância da verdadeira educação, que não nos faz adotar uma nova opinião, mas a conhecer.

Jether disse...

"verdadeira educação, que não nos faz adotar uma nova opinião, mas a conhecer."
Opa, não nos faz nada, nós é que fazemos conosco. Não somos passivos, mas ativos.

Lua** disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lua** disse...

O problema, Jether, é que "fazer os outros escutarem" é contraditório com a sua ideia apresentada anteriormente de "só escuta quem quer". Ao insistir para que as pessoas escutem (à moda do pastor de igreja que fica gritando ou com técnicas de retórica frouxas), o risco de se parecer "chato" e "pedante" é muito grande e isso não auxilia em nada que as pessoas pensem sobre as suas atitudes.

"além disso propunham o jeito certo de fazer as coisas" Outra questão a se pensar é que não existe "jeito certo de fazer as coisas". Existem N modos de fazer as coisas e elas não precisam ser necessariamente certas ou erradas. Existem sim maneiras respeitosas e não respeitosas de considerar o outro, mas ainda assim depende muito do contexto em que se dá, na época em que se dá e com quem se dá. Ficar martelando no discurso "você é certo" e "você é errado" possui necessariamente um tom moralizante, desculpe-me.

Sobre o irrisório exemplo do meu dia a dia, eu diria que toda relação social é um tipo de resistência e por isso eu tenho as minhas resistências diárias. Os discursos e as atitudes sempre são uma forma de resistência a outros discursos e atitudes. Não tenho medo de nada, muito menos de perder a minha opinião. Só insisto: quero viver na medida do possível harmoniosamente (e não passivamente) e para tanto, adoto as estratégias de resistências que me parecem adequadas a cada caso. "Onde há poder, há resistência", conforme Foucault.

Sobre a literatura, bem, vejo que você tem um preconceito com o poder da ficção. "até que tenham lido livros, artigos, tido conversas, aulas etc onde se falava sobre a realidade". Oras, os grandes escritores não falam da realidade? Para Fernando Pessoa, "A literatura como toda arte é uma confissão de que a vida não basta". O Real (com R maiúsculo) não basta mesmo. Guimarães Rosa discute o homossexualismo em "Grande Sertão: Veredas" muito, mas muito melhor do muito pretenso psicólogo por aí. Graciliano Ramos aborda melhor a histórica questão da seca nordestina e suas consequências do que sociólogos em teses de doutorado. Clarice Lispector traz questões feministas de grande força. Enfim, só para ficar em três nomes nacionais. O que quero dizer, portanto, é que desqualificar a arte como meio de reflexão e ação não faz sentido. A arte pode, inclusive, trazer "resultados" maiores por ter a capacidade de emocionar, de sensibilizar, de nos colocar no lugar do outro. Só conseguimos agir respeitosamente se nos colocamos no lugar do outro.

Desqualificar as pessoas pelo o que elas lêem me parece também problemático.

Enfim, só quis problematizar algumas coisas que você colocou.

Jether disse...

Corajosa "Lua", desde o seu primeiro comentário a mim, vc tá me lendo mal, colocando palavras na minha boca. Eu não estou dizendo pra ninguém tentar fazer as pessoas escutarem. Então não tem contradição nenhuma, só na sua cabeça. Eu só disse (pela 3ª ou 4ª X) q não conheço pessoa que só de ler mangá, assistir desenho tipo Dragon Ball etc ou mesmo literatura tipo a que vc citou se engaje. Pode existir, mas geralmente são pessoas que vão ALÉM disso (não AO INVÉS). Apostos q vc não lê só esses autores. Se só lesse eles, provavelmente não estaria aqui tendo essa discussão comigo. E não nego tudo isso que falou de ficção, filhinha. Claro que num sentido ficção é sobre realidade. Leia direito! Também não desqualifiquei ninguém pelo que lê. Desqualifiquei por julgar sem compreender antes. Se liga!

Agora, vc tem vários preconceitos em relação a regras e religião. Eu evitei falar disso, porque já deu pra ver que vc não me dá o benefício da dúvida, não me julga inocente até prova em contrário, e já tem algumas prevenções contra mim. Eu só quis esclarecer aquele ponto, porque antes do seu comentário, depois do comentário do Anderson, notei que alguém poderia fazer uma objeção mais ou menos nessa linha.

Jether disse...

Também seria bom dizer o seguinte: dificilmente existe ficção pura. Frequentemente o autor comenta, não só conta história. Então são fragmentos de textos morais, práticos ou teóricos misturados com a estória.

Jether disse...

A sua resistência, a sua guerra, é eventualmente o que eu chamei de "treinar" as pessoas, ao invés de "educar". Vc diz que podemos educar (não sei se por isso vc entende o mesmo que eu) às vezes, q vc está aberta a isso. Eu disse que eduquemos (e irá partir do aluno) ou fiquemos quietos, ou ainda mudemos de ares, se possível. Eu acho coisas tipo essas tiradas que vc dá erradas (e muitas fazem isso no twitter, por exemplo, de direita ou esquerda, com nomes de guerra inclusive) até eventualmente, embora às vezes eu incorra nesse erro (como agora há pouco, com vc). Vc não, vc diz q eventualmente bater verbalmente é certo (no meu vocabulário, substitua pela palavra que quiser, já que vc tem horror a "certo e errado", acha que não é certo falar em certo e errado hehe).

P.S.: CO-MENTário a mim vc ainda não fez.

Lua** disse...

Jether,

Será que você não está armado demais em relação a mim? Reli tudo o que escrevi até o momento e não fiz acusação nenhuma a você JETHER, quem eu nem conheço (assim como você não me conhece). Não fiz comentário sobre você e nem o faria, pois o que está em debate são as ideias. Ao contrário, você despejou uma série de ironias - eu diria, pouco educadas - a mim: "filhinha"; "Leia direito!"; "Se liga!", entre outros.

Como eu já expressei na primeira vez que comentei neste post, se não queremos ser alvos de adjetivos grosseiros, não o façamos com os outros. Pois bem, não gosto mesmo de adjetivar as pessoas, principalmente aquelas que não conheço. Eu só debati e problematizei questões que você levantou a partir do post da anônima porque acho que este é o objetivo deste espaço no blog da Lola: trazer experiências pessoais, novos aspectos, dúvidas e, inclusive, discordar.

Quando uma discussão cai na troca de ofensas pessoais, eu prefiro parar em respeito ao outro, a mim e as demais pessoas que compartilham o espaço - neste caso, a Lola e os demais leitores. O irônico é que esse post era justamente sobre como lidar com ideias adversas. Enfim, vamos tentando...

@snoopy_xxx disse...

Bom, eu sou homossexual e já fui vítima de bullying na escola, fui atacado uma vez em 2009 na avenida paulista e existe preconceito na minha família, embora eu saiba que eles me amam. Tudo isso foi muito difícil de encarar e por mais que eu seja um cara calmo, lógico que ficaram sequélas e isso me entristece, mas nunca me põe pra baixo! Eu sempre fui o do contra, tanto na minha família como em relação aos amigos e com essa questão não foi diferente: Eu vivo encarando o mundo e sou assumido em qualquer lugar que eu estou. Pessoas se incomodam? Paciência. A parte boa disso tudo é que de vez em quando eu encaro um momento feliz vendo uma pessoa que antes era intolerante começar a mudar o pensamento e olha, sentir que você mudou a realidade de alguém para melhor, não tem preço!
Anônima, não desista! Você terá muitas decepções, mas também terá o prazer de vivenciar momentos lindos!

Jether disse...

Pergunta: Como fazer com que eles escutem?

Resposta: É impossível. Só vão escutar se quiserem. Não dá pra abrir a mente de ninguém à força. Pra lhe escutarem, tem que achar que vc tem moral pra falar do assunto, tem que estar dispostos a encarar o problema, e tem que se fazer as mesmas perguntas que vc supostamente resolveu. Aí, se lhe pedirem, e vc realmente puder, pode ajudá-los a achar a verdade por si mesmos. Se a pessoa não lhe dá essa confiança, se não se questiona, se não se coloca na atitude certa, já era. Ela vai ficar ou batendo cabeça com vc, implicando com qualquer coisinha, ou vai entender tudo, mas não dar a mínima etc.

A melhor forma que eu conheço é a chamada por alguns de educação "liberal" , como preconizada no How to Read a Book, porque ensina a tratar todo mundo como inteligente até prova em contrário, ensina a disposição básica certa que se deve ter o estudante nos diferentes ramos do conhecimento (por exemplo ter a atitude de cientista ao ler um texto científico, de poeta ao ler poesia etc.), e achar as questões que agitaram a mente do professor. Agora, como fazer com que as pessoas escutem as regras da ed. liberal? :) Cai no mesmo problema.

A verdadeira resposta: Cada pessoa tem um gosto diferente. Alguns vão se interessar mais por poesia, outras por ciência, por exemplo. O ideal é vc ter uma cultura vasta, ter grandes livros de tudo quanto é tipo, e deixar o outro escolher conforme o gosto dele. Liberdade e excelência. A resposta pra vc é escolha bons livros do tipo que te interessa. Não escolha best-sellers. Não escolha clássicos que vc não se interessa. Se vc gosta de ciência, por exemplo, vai fundo nos clássicos científicos. Pro outro, dar-lhe liberdade, incentivá-lo e oferecer o melhor que existe da preferência DELA(E).

Eu falei muito em livro, mas isso vale pra conversas "ao vivo", e descobertas sem ajuda de professores.

Agora, se vc quer tentar controlar o comportamento deles, vc pode agredi-los verbalmente e fisicamente. Vc ficará preso a eles, não poderá deixá-los soltos, porque senão voltam a fazer caca. E eventualmente, haverá retaliações. E talvez chegando à morte.

Jether disse...

Lua, desculpa.

Jáder disse...

Só quero fazer um adendo quanto ao que disse a Carolina no primeiro comentário. De fato foi muito errado os amigos dela excluirem-na do pôquer pelo fato de ela ser mulher. Mas mulheres quando se reúnem em grupo também costumam ser bastante excludentes. Duvidam?

Um homem pode até manter um debate com uma ou duas mulheres numa boa sobre quase todo tipo de assunto. Mas se entra mais um ou duas mulheres na roda, o homem será sumariamente ignorado da conversa. Nada do que ele disser será escutado. É como se ele nem estivesse ali.

Fato: num grupo de mulheres conversando, qualquer som saido da boca de qualquer infeliz com cromossomo Y será 100% inaudivel.

Vai dizer que vocês mulheres quando estão em grupo não fazem isso?

Daí uma pode até dizer: "Ah, mas é papo sobre coisas de mulher!" Tudo beeeem. Mas vá um homem com seu grupo de amigos dizer "isso aqui é papo de homem" e veja se ele não será imediatamente taxado de machista, misógino ou coisa pior!

Larissa disse...

que ótimo assunto! acho q todo mundo passa por esses dilemas... eu não tenho uma turma só, que aceite todas as minhas posições, mas fui aprendendo que todo mundo tem coisas legais pra ensinar e compartilhar. quando tem gente sem noção demais, e eu posso escolher me afastar, eu o faço, afinal não tenho tanto tempo livre pra passar com gente que não me acrescenta nada. Mas acho que a convivência com gente diferente é enriquecedora também, claro que tem que ser gente com um mínimo de noção, porque gente extremista que só quer falar e não quer ouvir eu já risco bem rápido do meu círculo de amizades. E se a gente quer que o mundo mude, as pessoas precisam mudar né? Aos poucos eu fui convencendo muitas amigas a serem um pouco mais exigentes com relação aos seus companheiros, a não aceitarem qualquer porcaria só porque a sociedade tem todos aqueles preconceitos contra mulheres sozinhas.
Mas acho que a parte mais difícil é quando a gente sofre com a família.. minha mãe vive insistindo pra que eu tenha filhos, e o pior, já falou uma ou duas vezes que eu deveria parar de trabalhar porque meu marido ganha bem. Eu juro que não entendo, porque minha mãe é super culta e sempre trabalhou, inclusive eu não sei oque teria acontecido quando meu pai morreu de enfarte fulminante (qdo eu tinha 13 anos e minha mãe precisou contar com uma pensão equivalente a 1/6 do salário dele pra criar 3 filhos) se ela já não trabalhasse. Minha avó ficou viúva muito cedo e também sempre trabalhou.. e desde cedo eu ouço das duas um montão de coisas pra feminista nenhuma botar defeito...
Acho que a gente tem que aprender a filtrar um pouco, e também a entender quem merece nossa insistência. Uma frase que minha mãe sempre me disse foi que eu devia evitar dar "pérolas aos porcos", então quando vejo que estou lidando com gente preconceituosa e inflexível eu já nem perco meu tempo porque eles não merecem.