quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

GUEST POST: APANHAR DOS PAIS NA INFÂNCIA DÓI A VIDA INTEIRA

Faz uns quinze dias falei sobre o terrível caso de Larissa, menina de 15 anos que morreu após ser espancada pelos pais, indignados com seu namoro com um garoto de sua idade, no interior de SP. Recebi este email doloroso de uma moça que deseja se manter anônima. Ela fala sobre sua experiência como cobaia de “corretivos”, aqueles que os defensores das “palmadas educativas” juram ser o melhor para formar pessoas de caráter. Depois de enviar o email e autorizar a publicação como guest post, a leitora quis alertar que, ao contrário de Larissa, ela não veio de uma família de classe baixa e religiosa de uma cidade do interior. Ela e sua família, de classe média alta, viviam numa capital: “Esse tipo de violência com filhos acontece em qualquer lugar, não só famílias humildes interioranas evangélicas retrógradas. Durante a noite, jantares beneficientes do Lions. Durante o dia, surra na filha mais velha”.

Esse seu post sobre a Larissa me tocou.
Sempre me perguntei por que as pessoas acham que bater em seus filhos é ok.
Eu, até os meus dez anos, morei com a minha vó e nunca soube o que era um tapa.
Quando minha mãe casou e engravidou, o marido dela me assumiu como filha legítima, e fui morar com eles. Em pouco tempo passei a apanhar muito.
Durante o fim da minha infância e toda a minha adolescência até os 17 anos apanhei, mais do meu "pai", que chegou a me bater com o meu guarda chuva uma vez porque eu disse que não queria usá-lo para ir até a escola. Ninguém nunca interferiu, até eu ter 14 anos e minha mãe apanhar dele. Depois que isso aconteceu todo mundo percebeu que era "verdade" o que estava acontecendo, e meus avós interferiram. Voltei a morar com eles, e como não era mais "criança" e também era "revoltada" (palavras deles), não durou muito. Minha mãe perdoou seu marido, eu voltei para a casa deles. Apanhei mais um pouco até que, quando tinha 17, revidei e passei dois anos sem falar com ele.
Minha mãe também bateu em mim incontáveis vezes, tapas no rosto, puxões de cabelo. Ele não, me empurrava contra parede e me batia até eu cair. Sempre doeu, tudo o que ele e ela fizeram. DOEU. Muito, não só na minha pele, mas na minha alma. Dói até hoje.
Não penso mais nisso, desde os 10 anos percebi que não tenho família, e que sou sozinha. Ninguém nunca quer se envolver com isso, ninguém nunca fica do lado do filho até que uma tragédia acontece. Uma vez cheguei a ir na delegacia prestar queixas, mas como eu era menor de idade me disseram que alguém teria que estar comigo, ninguém quis. Ouvi dez milhões de vezes o sermão de "eles fizeram o melhor por você", ou "eles te deram tudo, você que era revoltada". Gostaria de saber quanta revolta eu tinha com 10, 11 anos para apanhar tanto. E que tipo de revolta alguém precisa ter para ser merecedora de ser arrastada pelos cabelos pela casa e ser jogada contra o chão da cozinha.
Os dois fizeram (e fazem até hoje) tratamento psiquiátrico, já me pediram desculpas, eu disse que desculpava, até porque há dois anos discuti com minha mãe, e depois de tudo ela tentou se matar, e escreveu um bilhete dizendo que era minha culpa.
Tudo o que aconteceu mudou algo em mim, não me fez uma pessoa mais decente, ou uma mulher melhor, ou mais determinada. Me fez ter gastrite nervosa, ataques de ansiedade quando pessoas gritam comigo, me fez ter pânico de escuro (eu ficava de castigo no escuro depois da "surra"), mas também me fez ODIAR pessoas com atitudes ofensivas contra crianças, ou mulheres ou outras minorias.
Não importa se são pais, não importa se acham que é corretivo, é errado! É humilhante. É doloroso! Apanhar dos pais machuca na hora e a dor continua para o resto da vida.
Hoje eu moro em São Paulo, sozinha, e esperam que um dia eu volte para a casa deles, o que nunca mais vai acontecer...
Desculpa a sessão desabafo aqui. Nem pedi licença e já fui falando da minha vida. Mas eu só queria que você soubesse um pouquinho da minha história, já que você no seu blog abre tanto a sua. Me senti à vontade para contar para você o que eu passei, para que você entenda porque me toca tão profundamente tudo o que fala sobre feminismo e sobre sua luta e ideais pessoais.

107 comentários:

Dona Aninha disse...

É horrível levar uma bronca, quanto mais apanhar!
Eu odeio natais desde o natal em que eu ia me apresentar na escola e meu pai me deu umas chineladas que eu fiz xixi nas calças.
E uma vez, nunca me esqueço, ele esfregou o chinelo na minha cara... Eu não odeio meu pai, mas tipo, isso marca! Eu tinha uns quatro, cinco anos. E nunca vou esquecer.
Posso viver cem anos, mas essa sensação de desamparo é terrivel.
Imagina espancamentos como o descrito acima...lamentável!

Por trás das notícias disse...

É interessante como injustiçado vira sinônimo de revoltado de uma hora para outra nas famílias.

Binah Ire disse...

É realmente humilhante apanhar dos pais, padrastos, madrastas ou seja lá quem que esteja te criando no momento. Os adultos se acham no direito de "educar"desta maneira estúpida e contraproducente. Nunca apanhei da minha mãe, a não ser puxõezinhos de orelha e tapas na bunda q eram mais pra me assustar do que para machucar, e mesmo assim eu ficava chateada.
Mas apanhar mesmo apanhei de uma madrasta, para a qual meu pai deu plenos poderes e toda a razão. Até o dia em que ele entrou na dança e resolveu me dar uma surra de cinta, aos seis anos de idade. O que isso ensina a uma criança? A ter medo dos seus pais, no mais, nada.
Certa vez essa pessoa lamentável que era minha madrasta me surrou com tanto afinco que molhei as calças, ela me deu com o chinelo até na cabeça. O pior mesmo eram os xingamentos que ela proferia contra a minha mãe, que estava em outra cidade na época a trabalho (ela é jornalista), dizia que minha mãe não gostava de mim, que era uma puta de Cabaré, essas coisas.
Hoje, com 25 anos, não sinto raiva, mas preferiria não ter passado por isso. Me custaram muitas "revoltas" que foram consequência destes momentos, e não o contrário. Até hoje não entendo pq meu pai me bateu tanto com aquela cinta, devia estar com raiva de algo, e acabou descontando em mim. O que mais me lembro desse dia, é a madrasta me olhando e sorrindo, como se dissesse: "viu? Não tens pra onde correr"
A vida segue, mas surras não educam nem dão caráter a ninguém, apenas servem para desequilibrar aquela pequena criatura que pouco entende do mundo.

Binah Ire disse...
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Isadora disse...

Hummm, esse assunto é extremamente relativo.
Sou contra essa Lei da Palmada. Mas também sou totalmente contra os pais baterem dessa forma humilhante numa criança que não tem motivo pra ter revolta. Apanhar do guarda-chuva por que não o quer levar pra escola? Aí já é demais.

Mas... Eu, por exemplo, merecia levar umas boas palmadas, viu. E meus irmãos estão indo pelo mesmo caminho. São mimados demais, DEMAIS!!
As crianças de hoje precisam aprender a respeitar os pais, se não isso piora, e atinge os professores, colegas, namorados(as)... É preciso bater sim, pra impôr limite.
Mas também é preciso limite na hora de bater, óbvio.

Beijo Lola.

Milena Pinheiro disse...

Eu nunca apanhei em casa, nem palmadinha, e, cada dia mais, vejo quão raro isso é. Nem por isso, deixei de aprender sobre respeito ou responsabilidade. Minha mãe se habituou a impor limites com o olhar e a voz firmes e isso é bastante eficaz com crianças pequenas. Daí pra frente, é hábito. Educar é isso.

Nakereba disse...

Isadora: "E meus irmãos estão indo pelo mesmo caminho. São mimados demais, DEMAIS!!"
Mas se são mimados, alguém os mimou. Quem precisa de corretivo é quem os mimou! Essa agora! Os pais erram e ao invés de reconhecer e corrigirem seus erros resolvem punir os filhos.

"As crianças de hoje precisam aprender a respeitar os pais... É preciso bater sim, pra impôr limite."

São os pais é que precisam aprender a se fazer respeitar. Punição física ensina medo, mas não impõe respeito. Respeito se conquista por meio de exemplarismo e conversa, muita conversa, mas isso toma tempo. É mais fácil punir fisicamente, né??

Luma Perrete disse...

Eu só apanhei uma vez e não foi por causa de um descontrole da minha mãe. Eu não queria entrar na escola porque tinha chegado muito atrasada, fiz o maior chilique na frente da escola e ela disse que se eu não entrasse eu ia apanhar quando chegasse em casa. Eu disse que ia apanhar então. Quando chegou em casa ela me bateu 3 vezes com uma vara e me deixou de castigo. Não tenho ressentimentos desse episódio porque foi meio uma coisa acertada, né?

Mas, enfim, não acho que seja certo bater nos filhos. 99% das vezes as pessoas batem porque estão com raiva, estressadas e não conseguem se conter.

Quem diz que a criança precisa apanhar pra aprender a respeitar os pais está muito enganado.

Nakereba disse...

Lola,

Eu também apanhei muito na minha infância, mas não tanto quanto a autora do post. Lembro-me de, entre os 10 e 14 anos, várias vezes ter apanhado de cabide de madeira, de cabo de vassoura...Ficava com marcas durante semanas. Eu era obrigado a tirar a camisa e as calças para que as marcas ficassem escondidas. Fui criado pela minha irmã mais velha e entendo que ela não tinha os recursos psicológicos para dialogar com uma criança, pois não era muito mais velha do que eu. Estava reproduzindo comportamento. Não tenho nenhum rancor ou mágoa dela.
Eu até admito que algum corretivo teria que ser aplicado na época, pois eu aprontava muito, mas não necessariamente punição física. O pior é que as surras não tinham efeito muito longo, pois logo estava aprontando de novo.

Nola disse...

Isadora,

Se seus irmãos são mimados, provavelmente eles são por sempre conseguirem o que querem e não por ter apanhado de menos.

Na minha casa meu pai batia no meu irmão qdo eu era pequeno e minha mãe, talvez por pena, compensava fazendo as suas vontades para não ver ele chateado/irritado. Resultado: hoje é um adulto que tenta conseguir tudo no grito e batendo porta. É um cara que aprendeu a ser mimado pela mãe e violento com o pai. Me dói ver hoje como ele trata nossos pais e talvez me doa mais ainda pensar que talvez eles mereçam, e eu ainda passo o tempo todo me policiando pra qdo me irritar, não descontar na pessoa errada, ou mesmo não descontar em nada ou ninguém (eu tb me vejo com traços mimado/violento, mas numa escala bem menor).

Bater não educa e nem impõe limites.

Carol disse...

Que absurdo esse comentário da Isadora.

O ato de bater nos filhos parece um ato de desespero e impotência de pais que não conseguiram dar uma educação adequada para que a violência não se tornasse necessária (não que de forma alguma o seja).

As crianças não se tornam mimadas "sozinhas". Elas não nascem "estragadas", pra precisar apanhar pra serem "corrigidas". Pais problemáticos criam filhos problemáticos e depois querem puni-los.

Violência, em maior ou menor grau, não ensina nada às crianças a não ser sentir medo, e se sentir acuado e desprotegido. Não há justificativa para um ser mais forte, que deveria ser responsável pelo conforto e segurança da cria, usar de força física contra o pequeno. Isso faz com que a criança sinta-se traída e sozinha no mundo.

Ela vai crescer aprendendo a "respeitar os mais velhos"? Não. Ela vai crescer aprendendo a não abrir a boca pq senão pode ser punida, ou a ter medo de seus atos. Então realmente, ela se torna mansa e educadinha. Aparentemente. Mas as cicatrizes continuam a doer pra sempre.

Ártemis disse...

Tenho dois filhos, o mais velho tem quase 6 anos. Eu não bato mesmo:

http://mamaecintia.blogspot.com/search/label/bater%20em%20crian%C3%A7a%20%C3%A9%20covardia

Meus filhos não são angelicais, não, como qualquer criança. Mas eu sou a adulta da relação e controlo minha raiva.

Já falei muito disso no meu blog: bater em criança é covardia. Humilhação não é o caminho.

Toda a minha solidariedade à moça do post.

Patrícia Tavares disse...
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Leo disse...

Bem...na minha opinião tudo é relativo...os pais dessa menina do post, são pessoas com problemas psiquiátricos e realmente não saberiam nunca lidar com uma criança, agora por exemplo, eu aprontava demais em casa...batia na minha irmã, quebrava brinquedos dela, cheguei até a fazer buracos no chão de mármore com prego e martelo, e todas as vezes tomei uns bons tapas na bunda dos meus pais. Nada com cinto ou algo parecido. E sinceramente, acho que foi o melhor que fizeram por mim e também considero eles como os melhores pais q eu poderia ter. Admiros eles profundamente como exemplo de honestidade e humanidade. Nunca me esqueci da surra que tomei quando trouxe pra casa um brinquedinho na escola que não era meu. Não pela dor, mas pela má ação. E daí nunca mais pensei em pegar nada na vida que não fosse meu. Hoje tenho um filho que já está com 8 anos. Ele é um menino super carinhoso com todos e muito obediente, mas eu já cheguei a dar uns tapas na bunda dele por algumas más ações. Sempre opto pelo diálogo inicialmente, mas existem casos e casos. Isso também não impediu ele de ser mais ligado comigo do que com qualquer outra pessoa da família. Acho que é preciso fiscalizar sim para punir os pais que realmente agridem os filhos, mas na minha opinião, a palmada, pode ser encarada como uma analogia da má-concequência de uma escolha ruim. E essa educação, se for totalmente omitida, pode ocasionar em pessoas que contam com a impunidade para toda má ação que praticam.
Minha opinião certo?
abraço Lola

Isadora disse...

Oh, gente, talvez eu tenha me expressado mal.
É como Patricia Tavares disse: vocês precisam ver a diferença entre apanhar e ser espancado.

Um tapa na mão é espancar? Não, né?!
Os pais têm sim que mostrar autoridade. E eu acho que a conversa ajuda, óbvio, eu converso demais com meus meninos [irmãos] mas ainda assim... Enfim.
Acho que um mínimo tapa não deixa a criança se sentir acuada ou algo do tipo.

Minha opinião. :)

nelsonalvespinto disse...

OFF

Lola, vou usar este espaço pra falar sobre seu piso. Se quiser apagar este post depois de ler fique a vontade.

Pode ter ocorrido que a terra baixou (por diversos problemas) e isso fez soltar o piso.Repare se o piso rachado não forma uma espécie de circulo. No caso de ter baixado o piso vocês terão de consultar um engenheiro (algumas prefeituras possuem um engenheiro para cuidar disso) que deve dizer o que tem de ser feito.

To escrevendo isso porque ocorrem casos do piso soltar novamente depois de um ou dois anos.

Eu fui pedreiro e sei como é isso. Dificilmente alguém gastaria uma grana preta na lajota e usaria massa de terceira (ou contrataria um pedreiro tão ruim assim).

Larissa disse...
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Larissa disse...

Eu não acho que autoridade se mostra com violência, não, sabiam?
Autoridade tem a ver com postura. A criança tem que ter admiração e respeito pelos pais, não medo.
Super Nanny ensina essa diferença direitinho. :)

Ashen Lady disse...

Violência contra crianças é prova de que os adultos responsáveis por elas estão falhando na educação. Não acho que um tapinha na mão é diferente de espancar; xingar, ofender e humilhar também são diferentes de espancar e causam o mesmo mal. Se você apanhou e acha que isso formou o seu caráter, que tal pensar que se seus pais fossem realmente adultos e preparados eles podiam ter ensinado a mesma lição sem usar de violência.

Caso me esqueçam disse...

é, isso eh mais normal do que deveria ser. eu apanhei demais. eu apanhei, meus irmaos apanharam, minha mae apanhou e ate o cachorro ja levou surra do meu pai. surra de sandalia, de cinto, mao, o que tiver pela frente. e saia sangue e ficava roxo e ficava inchado e... sabe o que eh pior? cresci achando isso muito normal.

um dia, meu pai me bateu tao forte, que a marca dos dedos dele ficaram gravadas na minha pele, num inchaço. finalmente eu tomei coragem, apontei pra marca e disse: "olha o que voce fez. tah feliz?" e ele respondeu "isso eh pouco! meu pai me batia de corda".

taih: frustraçao, a vontade de descontar a infancia de merda na vida dos filhos, revolta, amargura. tudo isso senti nessa frase do meu pai. tive pena dele. mas pena que soh durou meio segundo.

nao adianta achar que um tapa eh inocente, ele pode se reproduzir por geracoes. ad infinitum!

Caso me esqueçam disse...

"cresci achando isso muito normal" soh explicando: quando era criança, achava que isso era uma forma de educar os filhos. achava quase que a gente mereceia. claro que isso mudou no começo da adolescencia. e, claro, nao pretendo transmitir aos meus filhos a forma de "educaçao" do meu papai e da minha mamae.

Por trás das notícias disse...

Não concordo com a comparação bater/espancar. Espancar nem deve entrar em discussão. É como comparar espancar/matar. Sempre tem algo pior e, comparando com o pior, sempre a outra alternativa soa suave. Bater é covardia sim. Acontece que em nossa sociedade, o ritmo de trabalho, estudo, a dinâmica dessas relações, a superficialidade, a rapidez de tudo, torna difícil a tarefa de educar. Educar exige dedicação, diálogo e, sobretudo, paciência. Tentar colocar na cabeça de que não podemos nem devemos reproduzir toda a cultura e premissas que carregamos é difícil, mas é a chance de extinguir o machismo, a violência, o preconceito, etc.

Giovanni Gouveia disse...

Minha primeira surra foi aos 2 anos...
Levei vários puxões de orelha (literais) mesmo com as advertências de minha tia que isso poderia redundar em labirintite (eu e minha irmã temos...)
Apanhei de escova de cabelo, escova de roupa (que funcionava como palmatória), chinelo, cinturão, mão, galho de árvore...
NENHUMA surra me fez não "voltar ao erro", apanhava num dia fazia o mesmo no dia seguinte
Violência física não serve pra nada!!!

Atena disse...

Será que estes que são a favor das palmadas aceitariam que uma professora desse uns 'tapinhas' no seu filho para educá-lo? Ou então que alguém adulto, na rua, que o visse fazendo algo errado, fizesse o mesmo? Afinal, se é uma questão de educação, qualquer um poderia fazê-lo... Talvez até mesmo o irmão mais velho quando achasse que o mais novo o está desobedecendo...

Mas eu acho que não concordam com isso, não é verdade? Dos outros esperam tolerância, respeito e formas alternativas de educar e de lidar com as crianças, ou seja, o tratamento que não sabem dar aos filhos.

Será que uma criança que aprende respeito na base da palmada vai respeitar um professor que não pode bater nela, ou vai respeitá-lo 'por tabela', por medo da palmada dos pais?

Tapinhas ou tapões só ensinam uma coisa, pelo que estou vendo aqui: ou revolta e desejo de não repetir isso com os filhos ou o inverso, necessidade de achar que deve fazer o mesmo com eles.

MINHA OPINIÃO!

Bu disse...

Gostei muito desse post. Vivia tentando discutir com meus amigos que achava covardia bater em criança, mas ninguém nunca concorda comigo.

Já levei uns tapão quando criança, nada que tenha me ferido profundamente (física e psicológicamente), mas não é porque eu não fiquei traumatizada, que isso deixa de ser covarde e inútil.

ceci.jordi disse...

Eu também apanhei muito, eu e uma irmä apanhamos muito.Nös somos 5,mas sö duas apanhavam.Eu apanhei de vara daqueleas que nao quebram.Minha irmà até no pescoço dela minha mae pisou.Nös nunca conseguimos ser felizes, nunca.

Patrícia Tavares disse...
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literaturaexperimental disse...

Pra mim é confuso. Meu pai me batia bastante.. Nunca sem que eu tivesse aprontado alguma. Minha relação com ele hj é ambigua.. um mixto de medo e respeito. Moro longe e faz 1 mes que nao o vejo, mas não sinto saudade. Me sinto aliviado. Qdo ligo pra minha mãe, tenho q ligar pra ele (são separados) enrolo, não quero ligar... Não da pra negar as coisas boas q ele fez por mim, por isso disse q os sentimentos são ambiguos...

Por isso é confuso pra mim, mas entendo os pontos...

Sobreo comentário da patricia Tavares: se não tem tempo pra cuidar, dar atenção, se não tem paciência, se não tem vontade, não tenha filhos...é bem mais simples...
Crianças exigem todos esses cuidados. Adolescentes não são mto diferentes...é mais fácil pensar antes

Mari Biddle disse...

Sabia que já saiu estudo serio sobre crianças que apanham serem menos inteligentes daquelas que nunca levaram um tapa dos pais? Só digo isso.

Marilia disse...

Eu sou contra e pronto. Estudei, formei, sou cidadã consciente e NUNCA apanhei de meus pais. Não acredito na palmada como disciplinadora. Não fui adolescente rebelde, nem criança mimada. Sempre disse que se um dia tiver filhos usarei as mesmas táticas da minha mãe: foram dois filhos e deu certo!

Carol disse...

Pois é, que negócio é esse de se pautar na "falta de tempo" ou "falta de paciência" para dedicar ao filho uma atenção melhor do que simplesmente dar palmadas (ou coisa pior) para que ele cale a boca e não te perturbe mais com suas malcriações?

Se você não tem disposição para cuidar de um SER HUMANO da maneira como deve, não tenha filhos. Ter filho não é brincar de Barbie. Crianças podem ser dificílimas. Podem ser demoniozinhos. NADA justifica se utilizar da sua vantagem de força física sobre um ser mais frágil e indefeso que está sob seus cuidados. Isso pra mim é puro resultado de falta de paciência, de desespero, de raiva, de frustração, qualquer coisa assim. Ou de simples ignorância, de não saber outras formas de mostrar para o filho o que é errado.

Não é questão de "simples diálogo" resolver tudo. Não, muitas vezes não resolve mesmo. Mas diálogo X violência não são, de forma alguma, as únicas altrnativas de como se lidar com um filho.

E quanto à comparação de filhos com ladrões e estupradores... nem comento.

Pedro.. disse...

Patrícia, você faz parecer que só existem duas opções: ou dialogar, ou bater.

E você ainda faz parecer que "dialogar" é uma opção curta, que logo se esgota, sem vários elementos pedagógicos implicados aí. E que assim que isso se esgota, tem que se bater.

É uma mentalidade rasa e preguiçosa da sua parte. Existem milhares de técnicas pedagógicas que não envolvem agressão física.

E a preguiça de seu argumento fica clara quando você diz: "vocês acham que conseguem sempre conversar com seus filhos a ponto de estarem 24h à disposição (...)"

Ou seja, se você não consegue conversar, fica a opção educação "fast food", que é bater? fácil, rápido, eficiente?

À que preço?

Pra que ter filhos, se é pra ser assim?

aiaiai disse...

putz...fico aqui na torcida para que a patricia não tenha filhos ou pelo menos q, se os tiver, eles sejam lobinhos!
kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Patrícia Tavares disse...
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Bu disse...

"Se um dos lobos cometem algum erro, o líder vai lá e abocanha o pescoço, chegando muitas vezes a derrubá-lo. Não é para mostrar agressão ou superioridade, e sim fazê-lo entender onde errou."


Essa aprendeu a criar filhos assistindo animal planet.

Patrícia Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro.. disse...

"Cada um leva e educa os filhos como quer. Pra mim educação na família dos outros é igual a querer se intrometer em briga de marido e mulher (até certo limite)."

Pois é, Patrícia. Logo se vê que você enxerga as crianças como "propriedade" dos pais, e não como seres individuais com direitos.

E nessa de não se "meter em briga de marido e mulher", muita gente já se omitiu de prestar socorro para violência doméstica. Até mesmo policiais. Interessante, né?

Por trás das notícias disse...

Como assim cada um educa como quer? Estamos falando de agressão? Espero que o "até certo ponto" da briga de marido e mulher não inclua agressões também.

Gabriela disse...

Eu sou contra qualquer castigo e agressão física à crianças. E acho esquisitíssimo que a gente defenda que porrada não resolve as coisas, que é errado bater em esposa(o), namorada(o), idoso... mas em criança tá tudo bem.

Por observação, o que eu vejo é que adulto bate na criança quando ele está descontrolado - não sabe como lidar com aquela situação, e aproveita que é maior e consegue intimidar. E pancada não funciona: tenho uma prima que apanha demais e ainda assim não obedece aos pais. Mas a avó nunca levantou a mão contra ela, e é obedecida. Porque? Porque coloca limites. Ao contrário dos pais, que batem por um lado, mas mimam do outro.

O que eu acho que rola, muitas vezes, é uma falta de paciência com criança. O adulto diz "não", a criança repete aquilo várias vezes, não por desrespeito, mas por curiosidade ou porque quer atenção. Aí o adulto bate, e claro que ela para, porque aquilo dói e assusta. E o adulto acha que é o único jeito que funciona, e segue usando o "método".

Colocar limite não se faz com chinelada na bunda ou tapa na mão. Eu tb achava q mereci as poucas chineladas que tomei, mas hoje vejo q meu pai poderia ter feito de outra maneira.

literaturaexperimental disse...

O assunto é controverso pq as pessoas não estão preparadas para a responsabilidade de criar uma criança. No fim, acabam reproduzindo o método que usaram com elas. A regra é: EU APANHEI E SOU BOA PESSOA. mEU PRIMO NÃO APANHOU E VIROU UM XAROPE.
Meu pai reproduziu esse comportamento por muito tempo. Meu avô chegava bêbado e batia sem motivos. Batia pq tinha um copo sujo na pia. Batia pq descobriu q eles estavam brincando na rua.
Como ele nunca bateu sem motivo nos filhos, então pra ele estava tudo bem.

É fato que, esses pais que defendem umas palmadas corretivas, acreditam sinceramente que estão fazendo bem a seus filhos...

Complexo, bem complexo...

Um dos motivos pelos quais eu decidi não ter filhos...

Thiago Beleza

Gabriela disse...

E eu pensei que a referência aos lobos fosse por causa de Crepúsculo...

Patrícia Tavares disse...
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Patrícia Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Por trás das notícias disse...

É melhor não ter filhos mesmo. Cada um educando como quer, como uma espécie de laboratório. Vivemos em sociedade, com outros seres humanos. Este seu "como quer" não está meio solto não?

literaturaexperimental disse...

Ih... começaram os ataques pessoais... Melhor eu sair daqui antes que sobre pra mim...

THiago B.

Pedro.. disse...

Gabriela, gostei de seus comentários.

As pessoas querem ter filhos, mas são preguiçosas. Aí depois elas alegam que "não têm tempo", que é tudo muito difícil.

Fica parecendo que existem técnicas limitadas de se ensinar uma criança. E fica parecendo que a criança é uma coisa que você deposita ensinamentos na marra, e não um ser inteligente com capacidade cognitiva etc.

E parece que logo que certos pais esgotam essas técnicas de diálogo (imagino eles dialogando...!), só resta o "cala a boca". Isso é um despreparo preguiçoso.

E criminoso.

Larissa disse...

o que eu acho pior, como a autora disse, é a dor psicológica, o sentimento de injustiça. Podem ter certeza que as palmadas que as pessoas lembram são aquelas acompanhadas de injustiça.. como quando vc apanha porque seu irmão fez uma coisa errada, ou porque quebrou alguma coisa sem querer. Nunca apanhei e meus pais nunca falaram comigo aos berros, mas sempre os respeitei demais. Já trabalhei muito tempo com crianças e sei bem que há milhares de formas de se obter respeito e até disciplina, sem precisar apelar pra intimidações e agressões de qualquer tipo. Agora uma coisa que não aguento é o tipo de cobrança relatado.. de gente que pensa que só porque os pais "deram tudo" = um teto, comida e roupas pra se vestir, não podem ser contestados. Tirando os casos de estupro, uma criança só nasce se duas pessoas quiserem, por vontade própria, ter uma relação sexual. Cuidar dos filhos é obrigação, não favor.
E histórias como essa acontecem em todas as classes sociais... eu trabalhei numa escola beeem cara e tinha impressão que muitos casais ali tinham tido filhos só pra formar a família feliz, com pai, mãe e filhinhos - afinal isso continua sendo uma cobrança da sociedade, perguntem pra quem é casado. O que eu mais via eram crianças totalmente carentes de afeto, mas cheias de brinquedos caros e com agendas lotadas - assim dá pra por a culpa na falta de noção do filho na professora da escola, da natação, do ballet, etc
muito triste essa história...mas acho que serve pra mostrar por que precisa existir lei contra palmadas...pode parecer radical demais, mas se não existir, absurdos como esse vão continuar acontecendo.

Patrícia Tavares disse...
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Carol disse...

Aliás, tem um pedaço de um texto rosacruz que fala disso, e eu acho que exprime bem oq eu penso:

"É um crime infligir castigos corporais à criança, seja qual for sua idade. A força nunca foi um direito, e os pais, como os mais fortes, sempre devem ter compaixão pelo débil. Não há criança, por mais indócil que seja, que não reaja ao método de recompensa pelas boas ações e à supressão de privilégios como conseqüência da desobediência.

Coloquemo-nos no lugar de uma criança: gostaríamos de viver agora com alguém de cuja autoridade não pudéssemos escapar, que fosse muito maior do que nós, e que nos batesse quase todos os dias? Ponhamos de lado essa prática, e notaremos que muitos dos males sociais desaparecerão em uma geração.

Reconhecemos o fato de que o chicote dobra o espírito de um cão, ao mesmo tempo que deploramos os indivíduos sem fibra e de vontade fraca. Deve-se isto aos açoites impiedosos a que foram submetidos na infância. É deplorável que certos pais considerem como sua missão na vida quebrantar o espírito de seus filhos pela lei da vara.

Como pais podemos e devemos orientar e sanar o mal guiando a vontade de nossos filhos por linhas que a nossa própria razão amadurecida possa indicar. Deste modo ajudamo-los a cultivar a fortaleza de caráter, ao invés da fraqueza e subserviência, que infortunadamente afligem muitos de nós.

Por conseguinte, nunca bata numa criança. Quando a correção se fizer necessária, retire uma concessão ou suspenda um privilégio."

literaturaexperimental disse...

O comentário da Carol, disse tudo..

Sem mais...

Thiago Beleza

Patrícia Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jota Marques disse...

Ora, comparar bater em criança para "educar", com "mordida do lider da matilha" é um verdadeiro absurdo. Então porque ir na escola, estudar e trabalhar? Os lobos vivem no meio do mato sem precisar de nada disso. Se um argumento "funciona" em uma situação, e é absurdo em outra, é porque esse argumento não serve.

Apanhei qdo criança sim e muito. Hj até vejo que fui uma criança dificil e etc. Mas acredito que o ser humano é capaz de resolver qqr situação sem ter que apelar para a "mordida do lider da matilha", e jamais recorreria a esse artifício para educar meus filhos.

Patrícia Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bu disse...

Não sei... mas eu continuo achando que esse método de educar a maneira antiga, (como se faz na selva). Ainda é muito rápido e eficiente do que conversar, cortar privilégios, e todo esse falso moralismo da "não-violência".

Tiago disse...

Autoridade é diferente do autoritarismo!

Autoritarismo é violento, perverso e covarde = pais que gritam e batem nos/as filhos/as;

Autoridade é saber colocar os limites através do diálogo = pais que conversam com os filhos;

Criar um/a ser humano/a é um ato de coragem e responsabilidade que exige delicadeza, bom-senso e paciência.

Pelos posts, existem, crianças que apanharam e que são bem educadas, mas existem casos contrários. Assim como existem crianças que nunca apanharam e que não são educadas, mas há aqueles/as que são. Isso é realmente relativo.

Fato é, não há coisa mais vergonhosa e humilhante que ver uma criança apanhando. Isso, para mim, reflete o autoritarismo dos pais sobre os filhos/as para mostrar quem é que manda: o mais forte.

Basta ao pai e à mãe decidir: o valor da autoridade ou o contra-valor do autoritarismo? O que queremos ter autoridade (passa pelo repeito, afeto, confiança)? Ou autoritarismo (covardia, medo, sobreposição)?

De fato as crianças precisam apreder o que é certo e errado, porém os pais precisam saber ensinar do modo certo ao invés do errado.

Carolina Pombo disse...

Como mãe eu só tenho uma confissão a fazer: nas únicas (e poucas) vezes que passou pela minha cabeça dar um tapa corretivo em minha filha, eu estava exausta, estressada, e nervosa. Por isso percebi claramente que a educação não é o principal motivo que leva os pais a baterem nos filhos. Nunca bati em minha filha, e pretendo continuar assim. A banalização da palmada leva a casos como o relatado, de total desamparo da vítima porque as pessoas a culpam ou minimizam sua dor. Agora bater é crime! E isso serve de baliza para uma mudança cultural. Talvez a lei não fosse necessária, se um projeto de conscientização profunda fosse feito, mas que pelo menos ela sirva para promover discussões tão importantes como essa que estamos tendo.

Koppe disse...

Infelizmente conheço uma família onde o pai resolvia a maioria dos problemas batendo. Hoje em dia diminuiu, porque é como se o filho mais velho (hoje com 5 ou 6 anos) estivesse "adestrado", basta um olhar do pai ou levantada de voz e ele obedece.

Também conheci um caso estranho de um vizinho batia na filha, a guria gritava tanto que a vizinhança inteira ouvia. O motivo? Ele tinha que sair pra trabalhar, e ela era tão apegada a ele que não queria deixar, tentava segurar.

Não entendo muito dessas coisas, não sou pai e nem tenho planos de ser, mas não gosto de ver essas coisas acontecendo. Apanhei dos meus pais poucas vezes, e nunca me senti injustiçado, sempre tinha algum motivo. Apanhei muito mais de colegas de escola, aí sim era injusto, e por isso eu revidava. Até hoje me pergunto se eles não agiam assim exatamente porque tinham aprendido com os pais deles a serem violentos pra se afirmarem.

Patrícia Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Letícia disse...

Só queria fazer uma adendo pequeno ao que foi dito: educar sem bater não é necessariamente a mesma coisa do que 'só conversar', a criança pode ser punida de maneiras que não sejam violentas e nem humilhantes.
Pode-se tirar o videogame/brinquedo preferido/passeios/ tv por um tempo, explicando claramente que ela perdeu aquilo que gostava por um mau comportamento, e que voltará a ter se melhorar.

Educar sem bater não é sinonimo de não impor limites!É preguiça mental isso de resumir tudo ao 'nunca bater' 'só dialogar'.

Gabriela disse...

O problema é que muitos confundem "não bater" com "deixar o filho solto pra fazer o que quiser". E se esquecem que não existe apenas "bater" X "ficar conversando enquanto o guri chuta suas canelas".

Há pouco tempo tive uma conversa superprodutiva com várias mães que resolveram abolir ou nunca usar a palmada, e foi super produtivo. Era legal ver as alternativas que elas achavam. E em algumas situações elas até se sentiam contestadas e repensavam certas coisas, no lugar de simplesmente levantar a mão ou ameaçar... achei lindão.

Glasgow 0 disse...

Sou contra bater, mas não vou criminalizar uma palmada na bunda. Nem sempre estamos com aquela paciência toda, aí damos umas palmadinhas na bunda, de leve, e não faz mais isso menin@!!

Paulodaluzmoreira disse...

"As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural."
"Pareceu-me que a figura imponente minguava – e a minha desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu. Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, inquieto. Depois se afastou.
Sozinho, vi-o de novo cruel e forte, soprando, espumando. E ali permaneci, miúdo, insignificante, tão insignificante e miúdo como as aranhas que trabalhavam na telha negra.
Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça."
Abertura e fim de "Um cinturão" de Graciliano Ramos

Paulodaluzmoreira disse...

E sinceramente acho que muitos problemas da existência humana seriam melhor explicados, não pelo complexo de Édipo [aquele que matou o pai], mas sim pelo complexo de Cronos [aquele que matava os filhos].
Aprender a matar o pai [psicoanaliticamente] é importante, mas aprender a não matar o filho é uma tarefa ainda mais urgente!

Leo disse...

Acho engraçado como tem pessoas aqui comentando frases do tipo: "jamais faria isso se eu tivesse filho" ou coisa parecida. O que vejo são várias pessoas que não fazem idéia do exercício diário que é ter filhos, educá-los e prepará-los para o dia que deixarão a segurança debaixo de suas asas. É um exercício diário mesmo...E muito receio pelo futuro deles. E tem gente que até escreve livros querendo ensinar outros a educar, sem nunca ter tido filhos...acho isso um absurdo. Eu trabalho em casa. Sou designer autônomo. Minha mulher trabalha e estuda o dia inteiro, então sou eu que faz o café, prepara o almoço, bota pra tomar banho(ele sempre enrola pra sair) leva pra escola, busca, ajuda nas lições e no final do dia ainda arruma tempo pra fazer algo para o lazer dele. Ou seja, nas horas vagas, eu também trabalho :P (e sustento a maior parte da casa). Por isso tudo posso garantir que sou um dos pais mais presentes que já ouvi falar. Nem por isso deixei de dar uns tapinhas durantes estes 8 anos que passaram, e não me considero criminoso por isso e garanto que ele não me ama pouco por isso. Pelo contrário. Palmada é sempre o último recurso. Se alguém aqui tiver um filho com essa idade ou mais, considero com base para argumentar comigo...se não tem, espere ter para debater. Todo mundo se redescobre quando tem seu primeiro filho.
E não adianta argumentar que "se pais batem, deixa professores também" porque professores, assim como babás, tias de creche nem mesmo avós, nunca terão o mesmo amor que os pais tem por sua cria. Nunca! E se alguns pais não sabem dosar força na palmada, outras pessoas nem fariam questão.

Laura disse...

Oi Lola, tanta gente ja escreveu tanta coisa interessante (ou não) nos comentarios, que acabo achando que cheguei tarde demais. Mas como sou uma mãe recente, acho que é valido me expressar. Apanhei rarissimas vezes na vida, ao contrario da minha mãe q foi educada no tapa, na vassourada, na surra de fio, com a frigideira e por ai vai.
Lembro que qdo acontecia de apanhar era com aqueles chinelos de plastico fofo, que mal fazia barulho, doer mesmo nem doia. Mas o pior era a humilhação de ter levado a chinelada. Lembro de ficar com a moral baixa, de me sentir mal com aquilo. Agora o que me fazia realmente refletir a respeito do erro que havia cometido eram os castigos. Perdia o direito de ir brincar com as amiguinhas, de ir algum passeio da escola, de fazer algo que gostava.
Aprendi muito com a Super Nani. Não sei se ainda passa ai no Brasil. A daqui da França, infelizmente faleceu ha poucos meses atras. Com a daqui aprendi que o tapa não educa, ele apenas faz parar uma atitude indesejada, ao contrario de um castigo, que faz a criança pensar no que fez.

Logo aprendi que o que faz a diferença é uma mistura de saber punir (castigo no cantinho do pensamento, ser privado de algo que ela gosta - tv, chocolate, etc), disciplina e carinho.
A partir do momento que eu começei a estipular horarios pra tudo, colocar ela de castigo por alguns minutos (poucos pois ela so tem 2 anos) e tratar os momentos de rebeldia com um pouco mais de paciencia, senti que ela tem mais confiança em mim e mesmo que não pareça, nela mesma.
E a respeito de ser mimada ou não.... sei la se isso é motivo pra apanhar, afinal, quem mima são os pais.

***********

Toda a minha solidariedade a moça do post, espero que ela consiga superar essa parte triste da vida.

Abraços Laura

Leo disse...

Veja bem Lola..só esclarecendo meu ponto pois vi que você twitou pra mim...rss. Eu não disse que "quem não tem filho não pode ser contra palmada" o que eu disse é que quem não tem filho, não pode realmente afirmar que não bateria no seu filho. Porque nunca viveu a experiência desse cotidiano. É como dizer "nunca vou reagir a um assalto" sem nunca ter sido assaltado. É difícil. Ninguém é capaz de agir racionalmente em todas as situações da vida ainda mais quando a adrenalina toma conta. Imagine você escrevendo, seu filho de brincadeira puxa a tomada do seu PC fazendo você perder um texto gigante que não salvou. É um exercício tremendo de auto-controle(respira,fecha os olhos, conta até dez...tenho várias táticas...rss) que só quem passa realmente se conhece a ponto de dizer: "Eu me controlo e não bato no meu filho." E como eu disse antes...é um exercício diário e minucioso. Agora, não me entenda mal. Eu não estou apoiando nenhuma relação baseada em agressividade como as descritas por algumas pessoas aqui...abomino isso completamente.

nelsonalvespinto disse...

Curioso notar que os que abominam as "palmadas educativas" nas crianças usam sem o menor constrangimento "palmadinhas educativas" (ironia, sarcasmo e ataques pessoais) nos adultos.

Lamento informar, mas quem não tem paciência pra aplicar a técnica do diálogo com um adulto tem as mínimas chances de fazê-lo com uma criança.

Grua disse...

lola, só me preocupa, em todo os posts que tenho lido, a falta de propostas/alternativas, ou mesmo um espaço para que elas possam aparecer de você e de terceiros, para as injustiças que você tão bem combate no seu blog. fica tudo na retórica e nos bons argumentos, a partir do bom-senso humanitarista.
mas, como no maio de 68, fico pensando se esse militantismo todo que tem aparecido e se fortalecido pelos meios eletronicos, se eles, na falta de um projeto/proposta alternativa às "coisas como são e estão" não pode acabar como um fim em si mesmo. a retórica fácil para isso é que não é motivo para deixar de brigar pelos direitos de quem sofre (e o humano hoje é cada vez mais um ente constituido por leis e direitos, o que é uma catástrofe para a própria noção de humanidade). é claro, o próprio fato dessas mudanças estruturais, de pensamento, só ocorrerem a longo prazo, implica que propostas/planejamentos acompanhem essas mudanças também a longo prazo. mas o exemplo do maio de 68 é bom, pelo vigor que vejo em você e em outras pessoas com idéias semelhantes. tenho visto mais combate que idéias, mais crítica que propostas, mais respostas que problematizações. é bacana ser radical e defender o feminismo, mas será que o feminismo não tem seus problemas ideológicos, até por ser contraponto de uma base que suporta a própria idéia de contraponto, ora, de um feminismo que combate o machismo? não sei se me faço claro. é que isso tudo as vezes me parece essas pancadas que você critica nesse post. substituir as pancadas por conversa é resolver esse bicho que é a criação de um ser humano em um núcleo familiar, em uma sociedade como a nossa? essas respostas rápidas e espontâneas fogem, de certa maneira, de uma questão muito maior, que vai acabar no próprio mistério que é o ser-humano. me parece aquela idéia metafórica do vírus. ele entra no organismo e o destrói por suas proprias falhas e mecanismos, atacando-as em seus princípios básicos, jogando célula contra célula, célula contra vírus, vírus contra corpo. só que aí o corpo não resiste e morre. e o vírus, esse herói visionário que nos mostrou a imperfeição da estrutura, vai junto.

nelsonalvespinto disse...

Concordo com o Leo sobre ser um exercicio diário. Eu usaria a palavra desafio. Vamos falar de cinema?
Um exemplo de pais que não batiam e foram muito mal avaliados pelo filho? Correndo com tesouras tem uma das falas que mais me emocionou nos meus dias de pai. Ele diz a certa altura:
"Eu quero ter alguém que me dê bronca por dormir fora de casa. Eu quero quem me ensine os limites".
Felizmente nós somos avaliados por nossos filhos pelo conjunto da obra. O amor há de vencer, afinal.
Adoro o programa da super nanny. Estou aprendendo aos poucos com ela, minhas esposa e minha filha. Como diz uma música do Lennon "Até voc6e crescer nós dois teremos de ser pacientes."

Outro belo filme é parenthood, que me parece virou série. Numa das falas um garoto diz: Pra ter um carro eu preciso fazer exames, passar num teste e tem um monte de policiais me fiscalizando. mas pra ser pai não. É uma triste verdade.

Em São José dos Campos havia um cursinho dado por um enfermeiro do postinho que eu não pude participar. Por que não torna-lo obrigatório e exigir que o patrão permita? Por que não acompanhamento trimestral de psicologos, tal como é feito por pediatras? Acreditem, isso mudaria muita coisa.

Meus dois filmes favoritos sobre a relação pai-filho: ladrões de bicicleta e "a estrada". Não vou me estender mais senão fica maior que o post.

Laetitia disse...

Eu não tenho o que dizer, porque nunca apanhei de ninguém. Mas eu já fico triste só de ver pais tratando os filhos com agressividade pelas ruas, ônibus, shoppings. Não há nada mais triste do que ver um ser frágil, que não pediu pra estar ali, levando palmadas ou ouvindo gritos daqueles que são as pessoas em quem ele mais confia, com quem ele deveria contar na vida.

Nenhuma criança comete nenhum erro que justifique agressividade. Alguns adolescentes se envolvem em problemas e podem até gerar preocupação, mas nunca ouvi de nenhum ex-adolescente-problema que a solução primordial na sua vida foi o tapa, a violência... violência só gera violência. Dizer "não" e ensinar o certo é a única maneira de se educar alguém...

nelsonalvespinto disse...

Acabei de lembrar outro filme belíssimo de relação pai e desta vez filha baseada na paciência e diálogo: I am Sam.

Eu gostaria de ser um pai com o o do filme.

Cirilo Vargas disse...

Quando pequeno eu era um capeta. Apanhei bastante algumas vezes. As palmadas que recebi (delas não esqueço) em nada contribuíram para a minha educação ou para aumentar o respeito pelos meus pais. Um abraço Lola. Post excelente.

lola aronovich disse...

Amei vários comentários deste post, e gostaria de responder a todos. Não dá tempo! Comecei a responder um tiquinho, e ficou meio grande, não enorme. Vou transformar em post.
E Patricia, espero q vc possa refletir um pouquinho.


Grua, se eu tivesse a solução pra resolver os problemas do mundo... Em alguns posts, as alternativas são bem claras. Neste, por exemplo, a alternativa é abolir totalmente a violência, e dialogar, impor limites através de castigos e remoção temporária de privilégios, dar o exemplo (crianças imitam os pais). Em outros posts, como aquele do “Homem, faça a sua parte”, eu fui super didática, chamando os homens pra nossa luta, e explicando como devem agir se quiserem combater a violência contra as mulheres. Nos posts sobre o Nassif, de fato, eu não tinha muitas propostas. Não sei o que dá pra sugerir prum cara que publica um post absurdo justificando o uso do termo feminazi, e depois se comporta como se comportou. No primeiro post, eu queria um pedido de desculpas, eu acho, uma publicação no blog dele de algum texto contrário. Mas, no segundo post, eu já não queria mais nada. Não espero mais nada. Em vários outros posts, meu pedido é pra que as mulheres reajam, não sejam passivas, botem a boca no trombone mesmo. Sei lá, acho essas propostas bem concretas.


Nelson, adoro Parenthood. Faz anos que quero escrever um post sobre ele! E essa frase que vc citou é uma das minhas preferidas do filme.

D. disse...

Desde que vim morar na Suécia, até hoje, NUNCA testemunhei violência dos pais contra seus filhos, nem em público, nem em situações familiares nas quais estive presente. Também NUNCA vi criança fazendo birra, se jogando no chão, gritando, batendo em desconhecidos, etc. A palmada é proibida aqui há muitos anos. A sociedade deles não é perfeita, mas violência não é problema aqui. Por que as pessoas se negam a ver o óbvio?

Eu apanhei bastante, até quase os 18 anos, e me tornei uma pessoa violenta também. Uma vez, já com vinte e poucos anos, espanquei minha irmã. Eu, mais forte do que ela, deixei marcas em todo o seu corpo. Ela foi à universidade e as pessoas perguntaram o que tinha acontecido. Ela disse que tinha apanhado de um trombadinha na rua que a tentou roubar. Eu tenho tanta vergonha disso que jamais toco nesse assunto. Eu só queria que esse episódio pudesse ser apagado, não da memória, mas da história, que isso jamais tivesse acontecido.

Eu tenho, sim, mágoas dos meus pais, em especial do meu pai. Hoje, praticamente não falo com ele. Ainda pior do que os castigos corporais foram as humilhações verbais que eu sofria e o machismo. A única coisa que eu aprendi com essa educação violenta foi a ter baixa auto-estima, ansiedade e raiva.

Masegui disse...

Li o post mas não li os comentários. Para não ser influenciado por outras histórias de horror.

Eu nunca apanhei de meu pai. Minha mãe me deu umas boas chineladas, mas nada que marcasse, física ou moralmente.

Sempre fui a favor da palmadinha educativa. Meus filhos sempre foram "encapetados". Até os 10 ou 12 anos eles, eventualmente, levavam umas palmadas e ficavam "de castigo".

Nunca dei porrada nos meus filhos, nunca espanquei, nunca surrei, sempre foi uma ou outra "palmadinha educativa". Mesmo assim me arrependo profundamente.

HV disse...

Leo,

Se a experiência valida mais, então vou passar a nossa: Eu e meu esposo, nos nossos 12 anos de pais, nunca batemos na nossa filha. E ela, como toda e qualquer criança, já aprontou as dela (e continua aprontando). Mas minha filha tem limites. E muitos. Impostos com amor e bem explicados, mas nunca impostos com palmadas, gritos ou humilhação (por mais leve que seja a palmada). É sim um exercício diário e exige técnicas (não apenas diálogo), mas vale muito a pena!

Michelle Silva Toti disse...

Sou mãe, sou professora e sou filha. Nunca levei uma surra. E me considero uma pessoa muito educada, honesta e ética. Se eu levasse um tapa, de qualquer pessoa, isso me assustaria, iria querer fugir dessa pessoa. Por que faria isso ao meu filho?
Há outras formas de educar. Meu filho não é um anjo, mas sabe muito bem que há regras a serem obedecidas e obedece. Quando faz algo errado, perde algo que gosta por um período, ou definitivamente. É orientado a pensar sobre por quê está sendo punido. Ele só tem 6 anos. Não consigo me imaginar batendo em alguém que eu amo tanto, por quem daria minha vida e ainda tão menor que eu. NÀo admito. Quero que meu filho seja feliz, violência física não traz felicidade.
Além disso, mesmo que sejam só "alguns tapinhas" os pais não têm como avaliar como seu filho vai assimilar isso. Uns tapinhas para os pais podem ser assimilados como espancamento, desrespeito e falta de amor pelos filhos.
Tenho alunos que apanham muito, por nada, por tudo, os pais conversam dando tapas na cabeça. Adivinhem? Eles batem muito na escola. Resolvem tudo batendo. Em dias que apanham antes de ir para a aula, chegam muito violentos, batendo "de graça" nos outros. Eu já fui agredida por dois desses alunos ao tentar acalmá-los. Sabe a idade deles? 4 e 5 anos.
Então não me digam que bater é uma forma de educar.

Grua disse...
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Grua disse...

oi lola.
acho que fui um pouco mal interpretado. meu texto não foi muito em cima de formas de agir, ou de soluções de curto prazo (que você indica e discute, sim).
foi mais batendo no ponto de uma tentativa, da parte de todos que escrevem esse tipo de conteúdo de protesto e luta, de não só olhar para essas questões urgentes e pontuais, mas abrir espaços e olhares para percepções mais amplas de problemas mais profundos. acho que a verdadeira transformação está aí, em entender de onde (e não só historicamente) vêm esses preconceitos e problemas que tanto combatemos.

só para comentar o tópico: devo ter levado duas palmadas na vida. e me lembro bem delas. não doeram, mas a exceção fica bem registrada. ainda assim, tenho profundas mágoas em relação à educação que recebi de meus pais. claro, não senti falta dos tapas, e sempre achei horrivel ver amigos sofrendo repreensões dos pais. enfim, isso é um pouco o meu ponto.

a violência e as manifestações de preconceito são estados que podemos combater diretamente porque são mais visíveis e seu reflexo é mais imediato.

foi difícil, e ainda estou em processo, superar essa mágoa e entender e amar meus pais, mesmo pelas marcas, que não são físicas, mas bastante profundas, que me deixaram.

(tenho que admitir que tenho sido mais simpático aos cegos que aos sãos - isso vem inclusive de um estudo de mitos que tenho feito. e que o levantar de armas da resistência geralmente me faz querer abrir os olhos para a fragilidade dos opressores (que mais de uma vez outrora já foram os oprimidos))

não vejo como proibir as palmadas, ou pregar contra, vai efetivamente mudar o impulso de violência de um pai que sempre agiu assim. na pior das hipóteses, vai refrear esses impulsos, e eles podem ser canalizados para coisas piores.
concordo e apoio absolutamente a reação contra esse tipo de tradição e prática de educação, mas insisto que isso parece tocar só de raspão nos problemas que evitamos encarar já faz milhares de anos.

enfim, somos anjos e diabos.

(perdão pelo simplismo de algumas frases, mas essa caixinha de comentários é extremamente opressora, hahaha)

Leo disse...

HV, realmente creio que você esteja de parabéns...eu poderia contra-argumentar dizendo que é diferente porque você tem uma filhA, e não filhO (e dizem que meninas geralmente são mais fáceis de se lidar do que meninos), mas sei que existem casos semelhantes com menininhos também. Em todo caso, eu sinceramente não sei se teria coragem de dar palmadinha em uma filha, porque mulheres já são frágeis, ainda mais crianças, acredito que não teria coragem. Muitas vezes eu batia na minha irmã quando criança, e sempre tomava palmadas por isso. A meu ver, eu as merecia. Ela nunca apanhava e nem por isso tenho qualquer mágoa pelos meus pais. Pelo contrário, entendo eles. Mas independente disso, sei que sempre existem outros caminhos e o exercício diário que me refiro é em sempre buscar estes. Espero sinceramente que todos consigam como você. Mas é difícil.

Ághata disse...

Já desisti de discutir com as pessoas sobre bater ou não nos filhos (seja em conversa informal, em oficinas de Direitos Humanos, com pais, professoras, amigos ou parentes).

Não adianta. Pra educar crianças você tem que usar o cérebro, tem de ter paciência e criatividade.

Mas, parece que essas pessoas tem limite pra estes três requisitos. E já percebo isso na própria argumentação que eles usam pra bater nos filhos. Até porque Não existe Nenhum argumento Racional de que a violência educa. O que você ensina através da violência é a) noção de hierarquia, b) respeitar a lei do mais forte (manda quem pode, obedece quem tem juízo) e c) a violência não apenas é aceitável como faz parte das relações humanas (pode até ser um gesto de amor, oras!).

Os argumentos à favor do uso da força são um tanto quanto emocionais, olha só:'Se você tivesse filhos, entenderia...'/'Eu trabalho o dia inteiro...'/'Sempre apanhei dos pais e sou absolutamente normal' (Se você diz, eu acredito, ó.)/'Eu bato pro policial não bater depois!!'(Adoooro essa!)/'Se o meu filho fosse que nem o seu, um anjinho, eu não bateria! Acontece que ele não é...' (Por que será?).

Bom, eu espero que depois essas pessoas não venham reclamar que os filhos - quando chegaram na adolescência - não só se defenderam das palmadas educativas como revidaram também. Espero que depois eles não façam drama quando ouvirem algo como "Você não manda em mim!!", "Você é um estúpido ignorante!" ou "Eu não pedi pra nascer!" porque, infelizmente, é exatamente isso que você tá formando, uma pessoa tão paciente e tolerante quanto você, que acha que vai conseguir o que quer dos outros na base da intimidação.

Ághata disse...

Hehehe, é mesmo, menininhas são mais fáceis de lidar e mais frágeis(deve ser por isso que minha irmãzinha era conhecida como pitbull na escola).

Leo, veja o exemplo que você deu: seus pais te ensinavam a não bater na sua irmã o batendo? Aliás, fiquei realmente curiosa, eles não batiam na sua irmã, só batiam em você?

HV disse...

Concordo com você, Ághata! Fica realmente difícil para uma criança entender que não deve bater em alguém quando para isso batem nela! Afinal, bater pode ou não pode? Ou o que os pais querem ensinar é que SÓ eles podem bater?

Leo disse...

hahaha...é verdade Ághata...as vezes aparece uma menininha pitbull em algumas escolas...mas eu falo pela minha experiencia pessoal certo? Realmente não me lembro del eles terem batido nela alguma vez. Porque era sempre eu aprontando, inclusive quebrando as bonecas dela...ela só chorava. Hoje eu sei como eu era covarde, mas na época éramos duas crianças da mesma idade disputando atenção. Engraçado Ághata, que eu já adolescente, falei com minha mãe frases parecidas com as que vc colocou que os filhos diriam "você não manda em mim!" para minha mãe, mas quem me batia era sempre meu pai. Mas vc não faz idéia da admiração que sinto por ele hoje e dá relação maravilhosa que temos. E por minha mãe também(Detalhe que hoje, eles como avós, são extremamente contra que se batam em filhos...rss)

Atena disse...

Pelo que observo na minha família, geralmente os avós não batem nos netos (mesmo os que bateram nos filhos no passado) e têm uma paciência muito maior com estes. Que será que eles aprenderam nestes anos todos que os fizeram mudar de tática?

Sammy disse...

Eu tenho um priminho de 6 anos que está sendo educado pelo método da Supernanny (cantinho da disciplina, conversa e recompensa por boas atitudes). Tem funcionado, viu. É um menino de 6 anos super inteligente, comunicativo e muito obediente. Nunca apanhou e nem por isso é um monstrinho mimado.

O que acho complicado dessa lei da palmada é que há pais que dão um tapa só, como um 'corretivo' (não que eu concorde com uma pequea palmadinha) e há aqueles que espancam horrivelmente, como os pais dessa menina de Cafelândia. Há os pais que batem por qualquer motivo. Acho que é complicado julgar casos tão diferentes usando a mesma lei. Mas não entendo muito de leis, deve ser por isso que não compreendo.

Jéssica disse...

Eu apanhei tanto da minha mãe que aos 5 anos quis fugir de casa. O pior: ela era incitada por uma creche de alemães (a única do bairro) que dizia que só pais ruins não batiam nos filhos. Além de apanhar em casa, os pessoa da creche fazia as crianças sofrerem humilhações quando faziam algo de errado. Lamentável. Isso afetou tanto meu amor-próprio que acho que nunca irei recuperá-lo...

karina disse...

A Carol disse 'Isso pra mim é puro resultado de falta de paciência, de desespero, de raiva, de frustração, qualquer coisa assim. Ou de simples ignorância, de não saber outras formas de mostrar para o filho o que é errado'

Ja dei palmandas no bumbum do meu filho. Em duas ocasiões. Então, sei, por experiência, que a Carol está certíssima. Bati pq estava sem paciência, em desespero, raiva e frustração por ter sido ignorante e incapaz de lidar com situações difíceis. Aprendi. O meu sofrimento ao perceber isto tudo foi enorme. Não quero e não vou passar por isto novamente. Educação é algo muito mais complexo do que simplesmente bater. Post fundamental esta.

Tereza Dorte disse...

Andei lendo não somente o texto como os comentários, e tenho uma opinião a respeito.

Meu nome é Tereza, tenho 35 anos, casada há 16 anos. Tenho três filhos maravilhosos, um de 15 anos, outro de 11 e a caçula de 5. Logo vou estar com meu blog, por favor, não deixem de acessá-lo!!

Utilizo somente um método para educar meus filhos: escolhas.
Muitos pais infelizmente tratam os filhos como propriedades seus, o que pode levar a dois extremos: o da violência e o da superproteção.
Nunca em nenhum momento agredi meus filhos sob influência do stress, álcool, drogas, problemas psiquiátricos, etc. e também, nunca os protegi ou mimei, a ponto de apontar o dedo na cara de um professor.

Eu dou sempre opções aos meus filhos, dos quais ou haverá consequências boas ou ruins. Há uns anos atrás, o mais velho estava de namorico com uma menina. Como conhecia o irmão dela, sabia que ela já estava de rolo com outros rapazes. (e inclusive eu mesma já havia presenciado ela de mãos dadas). No dia seguinte eu apenas falei: “querido, ela não ama você tanta quanto você imagina. Ela está namorando outros rapazes”. Na verdade esperava que fosse acreditar em mim, mas ele ficou calado e saiu. Continuou com ela. Nunca mais toquei no assunto. Dois meses depois, ele simplesmente chegou e disse: “obrigado mãe, devia ter acreditado”.

Não foi preciso discussão, violência, brigas, nem nada. Infelizmente ele teve que aprender pela dor da vida: experiência. Por mais que nós pais amamos nossos filhos, nem sempre avisando ou conversando conseguimos fazê-los crer em nossas próprias experiências. O máximo que podemos fazer é orientá-los da melhor forma possível, para que cada vez possam confiar na gente.
Por outro lado, à minha caçula eu utilizo o mesmo método com uma diferença: palmada como experiência. Não há como nessa idade uma criança raciocinar a ponto de escolher o melhor caminho ou aprender com ele ouvindo nossos conselhos. Quando ela tinha 4 aninhos, o pai dela estava do outro lado da rua, nos esperando para entrarmos no shopping. Mas pela alegria de vê-lo, ela simplesmente saiu do meu lado e foi correndo até a sua direção. Meu coração pulou pela boca. Graças a Deus não havia carros naquele momento, e a puxei pelo braço. Eu abracei tão forte que ela até gemeu, mas voltei a razão e a encarei bem nos olhos: “FILHA! Nunca mais faça isso! Não saia do meu lado enquanto estivermos na rua! Entendeu bem?”. Ela olhou assustada, mas concordou com a cabeça.

Tereza Dorte disse...

Algum tempo depois fui a casa da minha mãe a levei junto. A deixei brincando como cachorro no quintal, mas avisei que não saísse dali, pois não queria que acontecesse o que aconteceu da última vez. Entretanto, não deu meia hora e ela estava na rua de novo. Simplesmente sai calmamente da casa, caminhei até a sua direção, a pegue pelo braço e lhe dei duas palmadas na bunda. Soltei sua mão, ela chorou e falei: “É isso que irá lhe acontecer se escolher sair à rua sem mim (não tenho como mostrar a ela uma consequência pior, que é o atropelamento)”. Desde aquele dia, ela nunca mais fez isso. Até mesmo me perguntou se podia ir atrás do papai (que estava na mesma calçada, indo buscar o filho do meio). Respondi que sim.
O que me deixou satisfeita é que ela começou a fazer suas próprias escolhas. Acredito que ela sabe o que é fazer uma escolha boa ou uma ruim. E isso sim será muito importante para o desenvolvimento do caráter dela, futuramente. E dou graças a Deus por ter lhe dado aquelas palmadas e não há lei alguma que me fará mudar de ideia. Se acontecesse novamente, acho que morreria de tristeza.

Alguém citou um outro método de educação, que é a de proibição. Falo um pouco nesses termos porque sou psiquiatra, em muitas coisas relevo como parte da minha profissão.

Infelizmente não concordo com esse método. Para mim é a mesma coisa que chantagem, e não consequência de uma escolha. Se você disser: “ou você faz isso ou você não irá para a festa do seu primo”, é a mesma coisa que incentivar ao uso para conseguir algo, seja material ou comportamental. Se você avisa ao seu filho para não descer no morro de skate e ele mesmo assim o faz, não faz sentido puni-lo não o deixando ir a um acampamento. Aí sim ele se sentirá injustiçado, pois um fato não liga ao outro. O fator é ele entender que se machucando ao descê-lo, ele simplesmente ignorou seus conselhos como mãe (do qual poderia ter evitado esse desastre). Sei que como pais queremos impedi-los de um acidente mais grave, pois a vontade que me dá é nunca deixa-los sair sob minhas asas, rsrs. Mas como havia dito, temos que cria-los para o mundo, e não para o nosso egoísmo. E perdão às mães mais corujas, mas se algum filho meu vier a cometer algum crime, pessoalmente o levarei à delegacia. Rezo para que nunca aconteça isso, mas caso vir, prefiro a isso a presenciar um futuro pior ao caráter dele.
Para mim, as escolhas são fundamentais na educação de um criança. Mesmo na bíblia é citado sempre esse tipo de relacionamento entre Deus e os homens. Deus também ofereceu escolhas ao Adão e à Eva, e o resultado da má foi exatamente a consequência do aviso, não uma chantagem.

Um rapaz comentou acima também sobre uma comparação com lobos. Bom, talvez eu tenha entendido o que ele quis dizer. Quando nosso corpo está com algum problema, ele nos avisa enviando sinais de dor. É a forma como a natureza nos comunica sobre algo errado. Os cães em matilha, como não podem falar, eles utilizam outras linguagens de sinais, como a mordiscada no pescoço. Acredito que ele esteja se referindo mais ou menos a como lido com minha caçula. Os líderes “avisam” com uma mordiscada. Eu aviso com uma conversa ( e posteriormente a palmada, mas simulando a consequência). Claro que são meios bem diferentes, mas estava só tentando entender.

Só lamento que muitos pais (principalmente os de antigamente) acreditavam que quanto maior a violência, maior a aprendizagem. O importante agora é essas crianças agredidas que hoje são adultas, possam entender por que essas situações aconteceram, para que hoje e futuramente, possam seguir uma vida mais saudável e estável.

Tereza Dorte disse...

Quando citei "infelizmente não concordo com o método", me referiria a contrariar a pessoa que o citou, perdão, rsrs!

Ághata disse...

Olha só, Leo, seus pais mudaram de ideia, conversa com eles sobre o motivo deles terem mudado de postura (pode ser que é porque ser avó ou avô é mais fácil, mas...).

Jéssica, sabe que isso é muito comum? Pessoas que trabalham em creches e professoras de primário que incentivam os pai a baterem nos filhos? Quando eu fazia oficianas nestas escolas isso era super comum.

Sobre a lei, é o seguinte, espancar a criança já é crime, claro. A lei visa proibir também a 'palmadinha educativa'. Se eu bem me lembro, a lei visa alterar um artigo do ECA que proibe os castigos imoderados, de forma que a proibição abarque também as palmadas leves.
É que, na prática, proibir castigo imoderado não diminuiu nem um pouco a violência doméstica contra crianças.

Leo disse...

Olá...eu novamente...Ágata...realmente considero que o motivo dos meus pais mudarem de postura, assim como todos os avós, é que simplesmente não são suas crias. Os avós geralmente fazem o papel de mimar as crianças...deixam fazer tudo que querem. Meu filho então é o único neto de quatro avós e tem os 4 totalmente liberais em relação a tudo que ele quer. Completamente diferente de quando eram pais (a minha esposa, pra vc ter idéia, teve uma experiência com o pai dela parecida com a da menina do post da Lola. sofreu bastante com esse pai dela que agora é avô babão. Tem como falar que agora ele seria um pai melhor pra uma nova menina? duvido muito. Ele é machista ao extremo).
O comentário da Tereza acima, me fez lembrar de duas ocasiões onde eu dei uma palmada na bunda do meu filho. Uma vez que ele saiu correndo no estacionamento do prédio mesmo eu mandando não correr e logo na frente um carro apareceu do nada freiando de frente pra ele. Ninguém que não tem filho, é capaz de imaginar o que é uma situação como essa na cabeça de uma pai...é como se um filme passasse na sua cabeça com a situação que poderia ter ocorrido por uma fração de segundos sem que você pudesse ter feito nada. é um desespero imensurável. Assumo que perdi a cabeça totalmente, mas duvido quem aqui não perderia e dei um tapa na bunda dele explicando (aos gritos) em seguida o que poderia ter ocorrido. Pedi desculpas a ele quando me acalmei, mas nunca mais precisei repetir a lição. Todos vocês podem me julgar e a lei pode me prender, mas eu prefiro mil vezes passar uma lição realmente marcante do que contar com paciência e táticas supernanísticas e torcer para que ele aprenda e ele repetir um erro que pode ser fatal. A segunda vez que me lembrei foi num parque aquático lotado e em 5 minutos que desviei o olhar ele saiu correndo pra procurar o avô no meio da multidão. demorei 5 minutos pra encontrá-lo que duraram uma eternidade. Tentem se imaginar nessa situação....já vi uma mulher se jogar no chão esperniando como criança porque perdeu o filho no shopping. Realmente me desculpe que não tem filho, não é sentimento de superioridade, mas não tem como saber o que é isso. É do instinto animal que temos que acorda. Proteção e sobrevivência. Conversamos tanto sobre civilidade e esquecemos que a civilidade é uma convenção, que varia de país pra país. Somos animais instintivos que tentam o tempo todo se controlar. Claro que alguns são mais animalescos, e estes que considero perigoso.

coep disse...

Gostei, linkei.
http://cremildadentrodaescola.wordpress.com/2010/12/20/professora-lola-escreve-uma-critica-contra-as-palmadas-educativas/

APRENDER SEMPRE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
APRENDER SEMPRE disse...

Este espaço é oportuno para a socialização ou mesmo para os desabafos. Não fui de apanhar muito, mas uma coisa me intriga "não lembro quase nada da minha infância". Sofro com isso e estou em análise para um maior conhecimento de mim mesma.

Anônimo disse...

Jane
Eu apanhei da minha mãe, do meu irmão mais velho e da minha irmã, sendo a mais nova da família, sempre fui humilhada, parecia q não fazia parte daquela família. Só meu pai e meu outro irmão não me batiam. Minha máe me batia mtas vezes sem motivo, estava de mal humor e me batia, meus irmãos a mesma coisa, nunca dialogavam comigo. Meu pai trabalhava fora e meus dias de ansiedade eram mtos até q ele voltasse pq ele não deixava me baterem. Minha mãe me batia com chinelo, com cinto e com vara, me obrigava a cortar uma vara bem fininha de alguma árvore do pomar para me bater. Cresci uma pessoa triste, insegura, com medo do escuro, crise de ansiedade qdo alguma situação é mais agressiva, tomo anti-depressivos e remédio para dormir, não consegui ser ninguém na vida por sentir medo de encarar a vida e as situações difíceis. Acabei me casando com um homem violento q me agride moralmente e me chantageia emocionalmente e não consigo me livrar dessa situação. Tenho mágoa da minha mãe e dos meus irmãos q me fizeram ser uma pessoa q se sente inferior às outras.

Anônimo disse...

nao é so apanhar o simples chingoes que os adultos falam que e so cv tambem doe mais que uma boa chinelada...
estou pra levar uma boa chingada agora pq estrapolei na conta do telefone...

Anônimo disse...

meu nome é lucas silva idade 9 anos ainda apanho do meu pai eles sao muito educado eles sao evangelico da igreja conservadora moro em campina grande PB

eu apanho ate fica roxo
pq eu faço coisa errada
porecenplo bato poenta
vejo pornografia de mulher pelada
q o meu pai sai e minha mae eu fico pelado no sofa batendo uma ai q eles ve é uma surra muito grande as vezes eu chamo palavroes q o meu pai e minha mae mim bate

Anônimo disse...

ola sou uma mae ki criei minha filha com minha mae desde 13 anos e agora ela com 16 anos fui ate acasa dele pedi uma ajudade 60 reas pra ela paga um curso e acabei sendo agredida pela amulher atual e minha filha foi entra para separao pao dela deu 2 socosno rosto dela e um tapa nas costa na rua os vizinhos viram poxa ele nunca deu carinho amor mas porradaele deu essa foi aresposta dele pra minha filha poxa esto mim sintindo culpada pelo o k aconteceu pois minha filha nao consegui mas dormir anoite fika agitada e qual a poniçao sera tomada na justiça alguem sabe mim disse a esposa dele disse ki sempre odeio minha filha so tolerava ela por causa do pai dela ate quando isso vai dura

Uchiha Itachi disse...

Bem senhorita, primeiramente gostaria de dizer que o texto está incrivel.

E na minha concepção, algumas palmadas podem ser uma solução. É claro que tudo tem um momento, um jeito e como sempre meu pai disse, isso é extremo. Uma surra que eu levei quando eu era criança foi pelo fato de birra, depois desse acontecido nunca mais eu fiz. E isso não interferiu até hoje pelo menos na minha vida, porque os pais em tese deveriam proteger e amar os filhos(coisa que hoje não é mais tão comum), por isso realmente está caindo na normalidade o fato de filho matar pai e vice-versa. A estrutura está ligada a educação da população que não possui mais a ciência de como educar e ter um filho. Daí temos pais irresponsáveis para filhos sem culpa alguma.

mariana@hotmail.com.br disse...

é na sapecada que se aprende eu aprendo na sapeca bom sapeca pro meus pais eles inventaram uma que é um conjunto que é 9 puxão de cabelo 9 chinelada no bumbum 5 cintada mais a cintada não é muito forte e mais 11 puxão de orelha eu tenho 14 e ainda apanho no shopping no super mercado nas lojas na escola e o pior na rua não mais tem coisa pior que apanhar na frente das amigas e dos guris que gostam de mim sou a mais bonita da escola é por que eu e ouras garotas fizemos um concusso mais apanho por notas baixas pois repeti de ano 3 vezes a e pior é que o recorde que apanhei dos meus pais num dia só foi de 12 vezes 7 de manhã pois tenho que acorda as 3 da manhã se a sapeca pega 3 de tarde 1 foi na escola e mais duas vezes uma foi na frente das minhas amigas e pra vocês verem como meus pais são ruins o dia que eles menos me bateram foi quando apanhei 7 vezes 5 de manhã e 2 de tarde 2 as 2 na escola

** karol ** disse...

bom eu tenho 12 anos e apanhei e apanho muito minha mae nunca tinha me batido ai ela se separou do meu pai ai ela casou o meu padrasto incentivou ela a me bater ja tive a cabesa inchada e tudo mais ela fala que vai me matar gente pra que isso ela sabe que isso machuca ela nunca que falar com migo . isso é muito humilhante ela nao gosta de mim ela falou na minha cara que não queria que eu nascesse bom eu nao acho que isso vai me encinar alguma coisa .

Anônimo disse...

Cícero

Olha as coisas como é meu pai e minhã mãe também me batiam muito ...meu pai já me bateu com madeira, socos, cascudoe etc...minhã mãe me batia direto com um pedaço de pneu...não aprendi nada com essas surras que levei....fiquei foi revoltado a minha vida toda...quando eu tinha 18 anos fui expulso de casa pelo meu pai....depois ele foi atras pedindo para eu voltar...nunca me ajudou em porra nenhuma sempre usei roupa usada do outros sempre fui humilhado pela familia dele que também me batia sempre falava que ia me vingar de todos eles...quando eu era criança que tinha que cortar o cabelo eu tinha que olhar carro na feira e catar latinha pois ele não me dava dinheiro....foda né...o cara achava que filho era só bater, dar arroz e feijão...trabalhando de ajudante de pedreiro comprei um computador para estudar e ele não queria deixar eu ligar em casa com muito custo consegui nos 18 anos fui fazer faculdade quase apanhei....o cara era contra tudo que fazia....fiz faculdade se matei para pagar usava tenis rasgado na faculdade...mais com muito esforço me formei trabalho em uma boa empresa , tenho meu carro, meu aprtamento já tive moto...hoje sou casado tenho um filho e nunca vou bater nele...mais ainda hoje tenho vontade de bater nas pessoas que me bateram.

Anônimo disse...

Parece que eu tô vendo a história da minha infância ao ler isso tudo.
Bom, se querem saber, apanhar fez de mim uma pessoa melhor.
Sou faixa-preta, treinado em 18 formas de combate, armado e desarmado. Poderia matar uma pessoa com as mãos, tranquilamente. Até hoje não o fiz, não por falta de vontade de fazê-lo, nem falta de coragem ou sangue frio. Como eu disse, tenho treinamento pra isso. Viram como hoje sou uma pessoa melhor?
Não sou mais o fracote que apanhava de todo mundo. Hoje as pessoas têm até medo de mim, e isso é ótimo porque não se aproximam muito e eu não tenho que aguentar suas ignorâncias e preconceitos.
Foi isso que eu aprendi com a educaćao básica que me deram: perdão é para os fracos, e na guerra como na vida só o que importa é vencer, a qualquer custo.
Acho que por isso gosto tanto dos meus alunos: crianćas ainda não aprenderam a linguagem da violência e da competićão, que nossa sociedade idolatra e nossos adultos acham normal.
Crianćas são mentes em formaćão, algumas delas ainda podem ser salvas, se orientadas adequadamente.
Quanto a perdoar seus pais e parentes, desista, você nunca vai conseguir porque, lá no fundo você sabe que eles não estão nem um pouco arrependidos. Pedirão seu perdão, tentarão se matar e deixarão bilhetes dizendo que a culpa é sua: mentira, a culpa é deles e não estão nem um pouco arrependidos. No máximo estão se cagando de medo do "castigo divino" quando percebem a velhice chegando e a morte se aproximando.
Minha filha tem 16 anos, o máximo que apanhou foi aquela palmadinha na bunda quando usava fraldas, e mesmo assim tenho sérias dúvidas de que isso tenha ajudado a educa-la.
É aluna excelente, filha atenciosa e carinhosa, que vive pendurada no pai e na mãe.
Faćo o máximo pra não deixar ela perceber o sociopata-psicótico em que me transformei. O maior prejuízo que a surra traz a crianća é que o pai que bate geralmente é injusto também: não coloca regras claras de modo que a crianća possa o certo e do errado, nem a medida daquilo que pode ou não pode fazer, e geralmente adota dois pesos e duas medidas pra tudo. Isso confunde totalmente a cabeća da crianća. Vive em crescente paranóia, porque tem medo que qualquer deslize, qualquer coisa fora do lugar vá lhe render outra surra. A crianća vive confusa, não aprende, não se dedica aos estudos, o sistema imunológico está sempre sobrecarregado.
Se tiver sorte, essa crianća vai ser um desajustado social como eu, que estou aqui muito para refletir o que dizer para os pais de um certo aluno meu, vítima da mesmíssima ignorância.
Vou fazer um esforćo muito grande para não colocar meus dedos na jugular desse pai. Mas vou ter uma conversinha muito séria com ele.

PROJOVEM URBANO NUCLEO ELIANA disse...

Gostaria de poder me corresponder com essa pessoa. Tive um problema parecido e gostaria de trocar experiências.

Anônimo disse...

Pois eu sei bem o que e isso minha mãe diz ter sido vítima de estrup o e eu sou fruto disso pois na minha infância inteira fui chamada de peste e ela até me expulsou de casa assim quando tinha menos de 10 anos e sempre ela falava que um dia um homem ia me da muito tapa na cara e sempre me batia com tanta raiva e eu não sabia o motivo falava que eu era uma peste e eu tinha 9 anos um dia sair de casa até que um primo me achou tinha 10 anos dique depressivo com nove anos e hoje com 30anos vivo as marcas de uma infância triste não podia trocar de roupa ela fazia eu repete a roupa 5 dias eu evitada ir nas reuniões escolares com vergonhabpois ela falava que não era minha empregada não ela trancada o quarto para que eu não entrasse tinha pressa que terminasse o colegial um dia ela ligou para um homem e disse que eu estava afim dele sem eu mesma saber fiquei chorando e ela falou querem era muito mole foi uma vergonha a minha sorte foi que o homem não foi.Tive minha primeira filha ela me disse que eu tinha que ter um filho e quando eu fui ganhar a criança ela nem pisou oab pés no hospital.Ela me deixou um dia com a minha vó. esse me bateu na cabeça depois me trancou wm um quarto escuro fui falar ela nem deixou eu começar disse que não interessava o que aconteceu comigo depois em seguida ela perguntou se tinha batido na minha irmã que a minha vó e se vêcoms ela Dói muito se eu continuar contando da para escrever um livro.