quarta-feira, 24 de março de 2010

"E SOBRE O HOSPITAL FEMININO A LOLA NÃO FALA"

Enquanto isso, no hospital feminino...

Este comentário foi deixado no post de ontem por uma leitora que só comenta pra falar mal (e, pelo jeito, pra querer pautar meu blog). A minha reação só não foi “Ahn? Que hospital feminino?!” porque lembro que, em algum post mais no início do mês, alguns leitores reclamaram do meu silêncio diante do es-cân-da-lo da Dilma ter inaugurado um hospital com atendimento pras mulheres no Rio. Isso porque, segundo aqueles comentaristas, o hospital tem manicure e cabeleireiro.
Oi? Não tô acompanhando o raciocínio. Só porque eu, pessoalmente, não sou chegada a cabeleireiro e muito menos a manicure (minhas unhas são virgens, nunca viram esmalte na vida), não quer dizer que eu condene quem gosta. Eu também não tenho filhos, e nem por isso sou contra o atendimento neonatal que, aparentemente, é o maior foco do novo hospital. Não vamos confundir as coisas. Se o hospital tivesse apenasportante pras mulheres. Vivemos numa sociedade em que mulheres são ensinadas, desde criancinhas, a estar com uma aparência boa até quando estão doentes. Não sei se cabe a um hospital mudar isso. Se um atendimento médico quiser se aproveitar dessa construção que é a “vaidade feminina” para que suas pacientes sintam-se melhor, por mim tudo bem.
Mas desconfio que nem estaríamos falando do tal hospital feminino que vai atender às muheres pobres da Baixada Fluminense se ele não tivesse sido inaugurado pela Dilma, certo?
O hospital, que custou 40 milhões de reais, foi inaugurado dia 7. Segundo uma notícia da Globo que segue o padrão de qualidade “Instituto Millenium: temos que bater forte na Dilma e no PT, senão eles ganham a eleição”, ele não recebeu “um centavo” de verba do governo federal. Logo, não haveria por que Dilma (ou outros quatro ministros) estar lá. Eu não engulo meia linha do que a grande mídia diz sem antes ler mais análises. Infelizmente, sobre essa notícia do hospital, encontrei pouquíssimo material. Ou é uma notinha bem curta e sem análise, ou espalham a linha editorial da Globo. Aliás, devemos aprender a ler nas entrelinhas. Tipo: notem como a notícia global termina falando nada sutilmente de “desinfectação completa das instalações”, sugerindo que, depois da passagem de Dilma e dessa corja de políticos, é preciso fazer uma limpeza geral (velho clichê, que ressoa ainda mais entre quem viveu a vitória do Jânio pra prefeito de SP, quando ele dedetizou a cadeira onde FHC havia sentado antes da hora).
Antes de mais nada, pra quem condena a Dilma por inaugurar obras e participar de eventos, cabe lembrar que o Serra, governador de São Paulo, vez por outra vem pro nordeste fazer justamente isso (e, que eu saiba, governador de SP não governa Pernambuco). Por isso é engraçado ouvir que Serra não está em campanha (é só ver os números da verba publicitária do governo de SP). Dilma também está. Todos os políticos que vão concorrer à eleição estão em campanha, e faz tempo. E político em campanha comete todos aqueles chavões de beijar criancinhas e fazer discursos genéricos. Qualquer um. Por que Dilma inaugurou um hospital feminino? Porque foi na véspera do Dia Internacional da Mulher. Foi uma jogada de marketing para falar da Dilma nessa data. É, a Dilma faz marketing, sabe?
Mas talvez alguns leitores tenham ficado indignados por causa do que ela falou na inauguração: “Estamos avançando muito. Esse hospital é um avanço. É um lugar humano. Tem até manicure e maquiadora. Quando a gente dá a luz, ficamos gordinhas. Não custa nada sair do hospital mais bonitinha”. Reparem no até do “tem até manicure e maquiadora” (ué, só uma manicure e maquiadora? Pensei que houvesse toda uma ala hospitalar só pra isso!). Foi um exemplo que Dilma deu pra dizer que o hospital é mais humano. E tem outro detalhe: há diferenças entre uma mulher falar em se arrumar, e um homem falar em mulheres que devem se arrumar. Assim como há uma grande diferença entre um gay chamar outro gay de bicha ou viado, e um homofóbico chamar alguém de gay ou viado. As palavras não têm o mesmo peso, mas este é assunto pra outro post.
No mesmo discurso, porém, Dilma falou outras coisinhas: “A gente tem a responsabilidade de criar os filhos, de colocar comida na mesa… Nós somos impressionantemente corajosas. [...] Nós não fomos feitas somente para cuidar da casa, lavar a roupa, fazer comida… Nós nascemos também querendo oportunidades, querendo ter acesso a trabalho, ter acesso a uma vida com as mesmas oportunidades que os nossos companheiros homens”. E comentou sobre o empenho do governo Lula em dar maior atenção às mulheres (com direito a uma Secretaria Especial): “Tanto é assim, que o Bolsa Família é, prioritariamente, recebido pela mulher. O programa Minha Casa, Minha Vida dá preferência para a mulher. Todo o processo de assentamento agrário no país é feito em nome dos dois, do homem e da mulher”. Ah, eu lembro de quando foi discutido se o Bolsa Família deveria ser recebido pela mulher da família! Grandes polêmicas, gente reclamando de sexismo (contra os homens)... Hoje nem se fala mais nisso. Parece que foi uma decisão acertada, não?
Este site, Mulheres com Dilma, foi dos poucos a explicar o porquê do nome do hospital, uma homenagem a uma escritora feminista, Heloneida Studard. Mas o bonito foi ler este parágrafo da notícia (totalmente diferente da abordagem do Globo):
Emocionada, a menina de nove anos, Bianca Carvalho Pontes, violinista que, juntamente com a orquestra local, homenageou a ministra Dilma, fez um pedido: 'Manda um beijo para o Lula. Eu sei tudo de política, sei que ele acabou com a dívida do Brasil', afirmou. O sonho dela é 'ser presidente do país'.”
Isso foi música para meus ouvidos e me deixou com um sorriso no rosto. Quando uma menina de 9 anos sonha em ser presidente (e não top model), é sinal que as coisas estão começando a mudar.
Pronto. Falei do hospital feminino. Quer dizer, espero ao menos ter acertado o hospital! Era esse?

36 comentários:

Andrea disse...

Lola,
Eu não vejo problema nessa idéia de ter maquiadora/manicure dentro de um hospital só para mulheres. É só ver por ai quantas mulheres tem depressão pós-parto, por exemplo, e como seria bom se elas recebessem um pouco mais de atenção (a.k.a. ter o ego um pouco mais "massageado"). Quem curte essas chamadas "frescurites de mulher" sabe o quanto é bom cortar e arrumar o cabelo ou fazer as unhas. Corto o cabelo com um gay assumido só porque ele me dá tanto, mais tanto elogio durante o corte. Isso levanta o astral de qualquer um. As unhas faço em casa mesmo q não sobra dinheiro pra tanto. Hehehehe

Quanto a fazer marketing em cima de inauguração de obra perto de campanha eleitoral... bem... isso é clichê! Não sei o que o pessoal estranha nisso!

Abração!
Andrea
http://segredosdaborboletadomar.blogspot.com/

aiaiai disse...

Lola,

Eu já disse que te amo???!!!!

beijos e saudações dilmistas.

Giovanni Gouveia disse...

Há uma pequena correção a ser feita:

ABSOLUTAMENTE NENHUM Hospital público deste país, desde 1988, fica na condição de "não recebeu um centavo sequer do governo federal", se não houve repasse de verbas federais para a parte "de pedra" do hospital, haverá, inevitavelmente, o repasse pelo resto da vida das verbas do SUS, para custeio e manutenção, seja de pessoal seja dos equipamentos.

Usuale disse...

Oi! Tem um site muito bacana que possui mais de 50.000 acessos ao dia e fazem parceria com blogs/sites, vale a pena! Eu já fiz o meu!Só lembrando que como se trata de uma parceria você tem que colocar o selo deles também no seu blog/site, que você pode pegá lo no mesmo link abaixo!Senão você não receberá acessos!

Aí vai o link: http://www.guiademulher.com.br/enviar_blog.php

Um abraço!

Usuale disse...

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Aí vai o link: http://www.guiademulher.com.br/enviar_blog.php

Um abraço!

Patrick disse...

Esse Hospital recebeu um repasse de R$ 44 milhões do Ministério da Saúde. Essa informação eu peguei no ótimo blogue do Deputado Brizola Neto:

Rede de saúde do RJ recebe reforço de R$ 296 milhões

OUTROS INVESTIMENTOS — Durante o evento, Temporão anunciou ainda um investimento de R$ 73 milhões para ampliar o atendimento à população em consultas especializadas, internações e cirurgias nos hospitais estaduais. O valor será investido na instalação de 103 novos leitos de UTI coronariana — serão 34 leitos no Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, e 69 no Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, no Rio — e em repasses para o Hospital da Mulher Heloneida Studart (R$ 44 milhões) e para o instituto de transplantes Hospital de Alta Complexidade, ex-Santa Mônica (R$ 20 milhões).

Cynara disse...

Lola,pela primeira vez na história desse país....rsrsr
Alguém 'olha'para o Norte e Nordeste.
Quem não é daqui não tem idéia de como fez a diferença.
Beijos.Daqui de Manaus :)

Mari Biddle disse...

Ai, que lindo! Se nao fosse lendo aqui no blog eu nao saberia sobre a existencia deste hospital.

Como eu sou uma vaidosa - to tentando me livrar dos excessos aos poucos - adoraria ter um lugar assim com atendimento medico e manicure.

Queria saber qual eh o problema da Dilma ir a esses eventos e tals. A tah, eu sei qual eh o problema. Ela vai sofrer com essa imprensa tosca mas ela vai ficar mais forte.

bjim

Isabela disse...

"Lola,

Eu já disse que te amo???!!!!

beijos e saudações dilmistas" (2)

Masegui disse...

Lolinha,

Toda vez que você der atenção a esse tipo de comentário, vai ter que desenhar, como fez agora. :)

Ps.: "Manda" o CM atualizar o blog dele com as novidades do xadrez que ele está encontrando por aí.

Ana Flavia disse...

Eu nao sabia desse hospitaL; que bom que a tal leitora de cobrou um post assim pude ficar sabendo.
Em campanha política, as alfinetads sao inevitaveis. Acho que pferecer manicure e cabelereira nao é um servico essencial mas a idéia é a abordagem do bem estar como um todo. Ha uns anos, foi inaugurado uma maternidade modelo, pública e gratuita, na periferia de onde vim, e o atendimento humanizado era brilhante e todas as mulheres atendidas lá se sentem tao felizes e dignas, com tratamento antes só conhecido de ouvir falar nas casas das patroas.

Bjim

Cristão disse...

ei Lola faça um post comentando o julgamento dos Nardoni.

Mariana. disse...

As pessoas criticam a campanha eleitoral porque as vezes ela começa cedo demais (antes do prazo estipulado em lei).

Mas é absurdo falar apenas da Dilma, quando todos estão em campanha também. É usar dois pesos e duas medidas.

Além do mais, é complicado classificar os atos de um político em 'isso é campanha, isso não é', 'isso pode, isso não pode'. É besteira ficar batendo nessa tecla.

Quanto ao hospital, já tinha ouvido falar. Não vejo nada de tão absurdo em ter manicure num hospital feminino, mas também não acho tão necessário.

Eu me sinto bem quando vou ao salão, porque saio de lá mais bonita e tals. Mas tem mulheres (e não são poucas) que não sentem essa necessidade. A lola, por exemplo. E o errado é generalizar.

Ou então a repetição da idéia de que mulher só se sente bem se estiver bem arrumada, como se salão de beleza fosse requisito essencial para nossa felicidade (sendo que, pra falar a verdade, não é nem divertido).

Laura disse...

Tenho a seguinte teoria: político nunca deixa de fazer campanha. Eleito, não eleito, em ano de eleição, em ano sem eleição - todos os atos são um pouco de campanha política.

Samantha disse...

Olha, penso que um hospital ter cabeleireiro e manicure é um tecurso ótimo para elevar a auto-estima de uma mulher doente. Aliás, quando comecei a ler a notícia, achei a idéia excelente.

Acho uma tolice, por parte de algumas feministas, criticar mulher vaidosa, dona de casa, mãe em tempo integral, etc. A vida é feita de escolhas e cada um sabe onde o sapato aperta (utilizei 2 frases-clichê numa mesma afirmação...rs). Quero dizer, a mulher que escolhe ser mãe em tempo integral e/ou abdicar da carreira sabe, ou deveria saber, das consequencias. Cada caso é um caso, cada relacionamento é diferente, cada pessoa possui uma condição social diferente. Eu sei que a empregada doméstica que é mãe gostaria de ficar em casa integralmente cuidando de seu filho, mas a condição financeira não permite.


Voltando ao caso do hospital: eu realmente não vi problema algum com relação ao hospital. Vi problema no fato da Dilma estar lá do lado do Lula, como se ela tivesse feito aquilo. Mas isso, como vc mesma disse, Lola, não é exclusividade do PT. Vários políticos fazem essa "propaganda eleitoral nas entrelinhas". E eu não concordo com isso.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Lola, aqui tem uma matéria, mais uma pérola a la psicologia evolucionista que talvez vc goste de comentar...

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u709956.shtml

Segundo a psicóloga mulheres só são felizes se "reconhecerem diferenças de gênero" e se aceitarem que ganham menos por questões evolutivas...
Viva o status quo!!! Ainda bem que existem blogs como o seu que fazem sim uma análise das coisas e não simplesmente tentam justificar as coisas e manter tudo como está...

Abração Lola!!!

Atena disse...

Eu também acho que esse mini "salão de beleza" deve equivaler ao que pretendem os "doutores da alegria" junto às crianças doentes, ou seja, distraí-las, alegrá-las, dar um colorido ao ambiente hospitalar. Os críticos realmente não têm um pingo de boa-vontade para avaliarem honestamente a questão.

Bruno Stern disse...

Laurinha,

a entrevista da moça entrar na página de ciências é uma piada.

A moça apresenta um livro com "base científica" e depois diz que o problema das mulheres com a ciência é aptidão. Acho que é uma mensagem clara para não levar o livro dela a sério.

Mariana. disse...

boa bruno!

Anônimo disse...

Gostaria de fazer uma pergunta: Se fosse "a direita" que inaugurasse um hospital (que recebeu R$ 44 milhões do governo federal) que oferecesse manicure e maquiadora, a opinião e a reação da Lola e demais admiradoras da Dilma seria a mesma? Poderiam responder-me com franqueza? Agradeço desde já por algumas respostas. Marciane

Jack Duraes disse...

hmm.sempre leio esse blog.
Eh lola vc tem tido trabalho em responder essa galerinha hem!?
é isso ai, só nao deixe de responder, amo seus posts.
e como muitos já t dizem, eu vou te perguntar se tem vaga em sua sala de aula?
rsrsrrsrsrs.
fã!

Junior disse...

Lola, a Dilma e os ministros compareceram á inauguração pq o hospital foi construído com verba do governo do estado, mas quem vai manter o hospital funcionando é o governo federal. Faz parte de um programa entre o estado/federação. Um constrói e o outro mantém.
Por isso ambos governos estavam representados na inauguração.

CLAAAAAAAAAAAAARO que o Pig não tem a menor intenção de esclarecer isso né? Manipula a seu bel prazer e não responde por isso.

Michele disse...

Lola,

É um absurdo falarem da Dilma em inaugurações. Nos noticiários de São Paulo, são informadas as inaugurações DIÁRIAS do Serra, e ele está aproveitando qualquer ocasião. Ontem, por ex., ele foi "inaugurar" a demolição - sim, INAUGURAR A DEMOLIÇÃO!!! - de um quarteirão no centro de SP, onde haverá uma obra no futuro!!!!

Isso sem contar a campanha massiva de Tv e rádio, dá até para decorar o jingle!

Ai, ano eleitoral!!!!

Um beijo e como já disseram, saudações dilmistas!

aiaiai disse...

Ups!

exemplo de discurso das "loucas por um risoto":

"Quero dizer, a mulher que escolhe ser mãe em tempo integral e/ou abdicar da carreira sabe, ou deveria saber, das consequencias. Cada caso é um caso, cada relacionamento é diferente, cada pessoa possui uma condição social diferente. Eu sei que a empregada doméstica que é mãe gostaria de ficar em casa integralmente cuidando de seu filho, mas a condição financeira não permite."

Tradução: "sou rainha do lar porque posso...quem não pode tem é inveja! Eu tenho pena, claro, mas que que eu posso fazer"
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Backlash nessa!!!!

Samantha disse...

aiaiai não sei qual o problema no que eu disse, até porque éminha opinião pessoal, e eu apenas queria participar da discussão deste tópico. aliás, aparentemente seu comentário foi tecido sob uma ironia que para mim falhou.

enfim, quando eu era criança, quem limpava o chão e lavava a roupa é a minha mãe. aliás, até hoje ela faz isso e quando possível meu pai colabora.

sua mãe já fez serviços domésticos? se não fez, talvez a sua avó ou alguma outra mulher de sua família. não vejo nenhum problema nisso. não vejo nenhum problema em se dedicar a casa.

entretanto, ANTES as mulheres só tinham ESSA OPÇÃO. hoje em dia, existem inúmeras. e cuidar da casa em tempo integral é uma delas. infelizmente,é uma decisão que poucas podem tomar.

eu por exemplo trabalho fora de casa, trabalho naquilo que gosto muito, não sou dona de casa full time, tento deixar as coisas organizadas na medida do possivel. sem neuras, pois minha prioridade é a profissão. eu escolhi assim. tenho amigas da minha idade que já tem filhos e não estão tão "adiantadas" na carreira profissional, como eu. eu sou mais feliz que elas? claro q não. cada uma escolheu um caminho para viver e ser feliz.

eu me considero feminista. só que não adoto uma postura em criticar tipos de serviço (ser dona de casa é serviço sim, e pesado!). senão eu me igualaria ao boris casoy.

existem mulheres, q eu tenho certeza, gostariam de ficar em casa mas não podem porque realmente precisam trabalhar. são mulheres q não possuem o companheiro apoiando e colaborando nas decisões, além de serem pobres. essas mulheres são empregadas domésticas, na maioria das vezes. ou operadoras de telemarketing, como conheço algumas em são paulo.

agora citar o backslash para inserir em meu comentário foi forçar a barra demais. eu falei de escolhas. você sugere coisas que as mulheres TEM que fazer (TEM que ter uma carreira, TEM que trabalhar fora de casa). e gostaria de dizer que o machismo já se encarregou em dizer o que a mulher deve fazer (TEM que se depilar até arrancar o último pelo, TEM que ser gostosa, TEM que ser sensível, etc).

Samantha disse...

e risotto é muito bom. não sou descendente de italianos, mas aprendi a fazer. se você jogar as pedras fora, eu te ensino a receita =)

Patrick disse...

Cara Samantha, quantos amigos homens você tem que optaram por fazer serviço doméstico?

Quando se critica aqui no blogue da Lola a pressão social para que mulheres façam serviço doméstico, não se está criticando as mulheres que fazem esse trabalho, de forma alguma. O trabalho doméstico é tão honesto e importante quanto qualquer outro. Mas para a grande maioria das mulheres não é uma opção.

Veja essa matéria sobre pais nos Estados Unidos e reflita: quantos homens fazem isso no Brasil? Até hoje, na minha vida, eu só conheci um.

Samantha disse...

Patrick, eu sei que não é opção para muitas, acho que deixei isso bem claro no post.

Por acaso, conheço 1 que decidiu ficar em casa enquanto a esposa trabalha. Aliás, esse número vem crescendo. E hoje em dia é muito mais comum que os dois dividam as tarefas.

O que não posso admitir é que pensem que eu sou uma deslumbrada por acreditar que pode sim haver opções de escolha.

Eu pertenço a uma classe privilegiada, sou da classe média. Em meu universo, sei que isso é perfeitamente possível. Entretando, deixei claro q não é questão de escolha para muita gente.

Atena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Atena disse...

Para Laurinha e Bruno:

A psicóloga que escreveu esse artigo é irmã do Steven Pinker, um dos mais famosos teóricos atuais da chamada "psicologia evolutiva", autor do livro Tábula Rasa, e aposto que se vocês ficaram indignados com o artigo ficariam ainda mais estupefatos com este livro que é levado a sério por muita gente inclusive no meio científico. Por sorte, ele também é criticado e combatido por muitos outros cientistas e estudiosos.

Omar Talih disse...

Uma vez, a muito tempo atrás, nos anos 80, quando a UNE e o Movimento Secundarista, juntamente com outros grupos, lutavam para nos livrar da Ditadura (Dita branda para alguns como Folha e Globo)e termos uma educação de qualidade, melhor saúde e segurança, discutiamos sobre o aprendisado do povo em questões políticas. Infelizmente é assim mesmo. As pessoas só aprendem com experimentação e são influenciadas pelas opiniões dos "formadores de", seja ela de esquerda ou de direita. Mas como história e leituras do que aconteceu no passado, não é o habitual na população, continuaremos vendo esta discução sobre se a Dilma deve ou não inaugurar isso ou aquilo, se uma mulher tem ou não capacidade para governar o país. Se as pessoas conhecessem quem foi Getúlio Vargas, e outros deificados políticos do passado, entenderiam a disputa de hoje e porque as universidades particulares não contratam doutores. Os militares diziam que o Brasil precisava de tecnicos e colocou no mercado uma avalanche deles com pouca qualificação, provocando primeiro uma desvalorização do profissional e segundo um numero absurdo de acidentes de trabalho. Em S. Paulo o Cerra (Serra)faz propaganda de quando ele foi ministro. Porque será? Ele tem pouco a dizer do governo do estado? Mas o importante no 'post' é a discução que ele gerou. Quem sabe daqui a alguns "séculos" o povo que o lê entenda que opiniões são sempre divergentes.

wagner disse...

Posso apostar que a maioria das pessoas desse blog não joga lixo na rua. E por que não, se todo mundo faz, se é uma prática comum nas nossas cidades ? Porque tentamos ter bom senso e civilidade e não vamos fazer só porque todo mundo faz.

O que tem isso a ver com o hospital ? Tudo a ver, porque a desculpa para a campanha descarada que Lula e Dilma vêm fazendo é exatamente esta: todos fazem!! Alguns mais hipócritas dizem ainda: “se não fizermos isso não ganhamos a eleição”. Mentira. O PT revolucionou e melhorou a forma de fazer política no Brasil, sem esses artifícios toscos. Até a eleição do Lula, o PT se caracterizou pela criatividade no marketing e combatividade da militância para conseguir o que parecia impossível: ganhar espaço e poder agindo de modo diferente do padrão medíocre e corrupto usual.

Podem argumentar, como já ouvi: isso não importa, o que importa é que o país está melhor, Lula fez muita coisa, etc e tal, ou seja, como tudo foi para o bem do país, está OK. Discordo. O governo Lula tem muitos méritos, principalmente o de ter trazido a questão social para o centro das decisões. Dificilmente algum governo futuro poderá abandonar as conquistas implementadas por Lula nesse quesito. Mas ainda não sabemos o custo disso do ponto de vista ético e político. A indiferença de todos para o caso Arruda é conseqüência direta disso, por exemplo.

Não estou sendo ingênuo. Claro que é necessário conviver com a podridão que ainda domina muitos redutos políticos, mas não era preciso ficar tão feliz com isso. Com a força política que o governo tem e teve, poderia, pelo menos, tentar algum tipo de reforma para melhorar os costumes, mas não, achou tudo ótimo e se enfiou até o pescoço, com o argumento acima: é assim mesmo, vamos fazer o que todos fazem.

Resumindo, é preciso botar o bloco na rua e mostrar o que o governo fez e pode fazer, se tiver continuidade ? claro que sim, mas não era preciso fazer uma campanha tão cínica e debochada como a que Lula vem fazendo.

Ricardo Schiavoni disse...

Sempre gostei de absolutamente tudo que vem de teu blog: agora sou teu escravo! Tu é boa, mesmo!
Beijo
Ricardo

Mariana. disse...

Não ligue, Samantha. A AIAIAI não sabe o significado de educação.

Vejam que o Patrick discordou de voce (e eu pessoalmente não estou dizendo que concordo ou discordo), mas não precisou apelar.

Ela é assim mesmo...

Leila disse...

só para os desavisados o Centrinho da USP, hospital referencia para fissura de palato, aonde os tratados sao em sua grande maioria crinças, bebes, é permitido apenas a compania das mães que ficam as vezes por semanas até que tudo seja resolvido e a crinça sofre diversas operação e essas mulheres largam suas vidas para cuidar de seus bebes.
lá também é oferecido maquiagem, cabeleleiro e manicure por que é compreendido como uma maneira de aumentar a auto-estima dessas mulheres.
Se você constroi uma sociedade onde a mulher deve ser feminina e essa feminilidade eh compreendida como estar arrumada, com cabelo feito, unha pintada e maquiagem, bom então voce sabe que isso esta intimamente ligado ao bem estar dessas mulheres.
Outra coisa ter isso numa maternidade também pode ter uma initma relação com a depressão pos parto, que é uma coisa q a maioria das mulheres passam, principalmente ao sair da maternidade depois de dar a luz e ter que voltar a uma vida "normal" em uma casa que muitas vezes o homem nao está presente para ajudar a mulher, onde muitas vezes ela tem mais do que apenas o bebe para cuidar como outras crianças, a mãe a sogra e sei lá mais quem para dar pitaco na vida dela, se pelo menos ela sair da maternidade se sentindo bem consigo mesma, auto estima auta, isso pode causar algum tipo de resiliencia na hora de voltar para o lar.
Resumindo
sou super a favor!

Gi disse...

Passei aqui só pra dar um oi. Fiz leitura dinâmica. Fiqueicom preguicite. A vida tá uma loucura.

Lolita, eu rôo as unhas desde pequena mas se eu pudesse, nossa, era um esmalte diferente a cada dia. E supergrandes mas sem ser Zé do Caixão. ;-))) Bjs

ps: li a matéria no jornal. Achei meio estranho e o comentário da Dilma.. uff.. Meu voto não será pra ela.