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domingo, 17 de fevereiro de 2008

MAIS DISCUSSÃO SOBRE A POLÍCIA

Mais pra frente no fórum do orkut, a discussão sobre temas referentes à Tropa de Elite continuou, depois que um leitor muito amável, o Rodrigo, reclamou que na família dele há vários policiais, e eles são honestos. Eu respondi:

Não quero ofender, mas como eu disse, não gosto de polícia como instituição, porque acho que é um grupo que emprega violência (é permitido dentro da lei que a polícia empregue violência para combater a violência), anda armado, pune muito mais que previne, e que está fadado a abusar do seu poder. Mas, individualmente, é óbvio que deve haver muitos policiais decentes. Acho que seria ótimo, por exemplo, se um dos meus vizinhos fosse policial - a menos que ele adorasse ouvir música no último volume, porque aí, suponho, seria pior lidar com policiais arrogantes que com meus vizinhos barulhentos de outras profissões. Por mais que seja perigoso ser policial, os criminosos em geral também respeitam os policiais, e vão pensar 50 vezes antes de assaltar a casa de um policial. Mas tenho certeza também que, se um dos meus familiares fosse policial, e se eu precisasse da polícia, poderia contar com ela. Imagina se o maridão fosse policial quando nossa casa foi arrombada? Tenho certeza que a polícia teria feito alguma coisa. Bom, no caso da nossa casa foi pouca coisa, roubaram um video e uma garrafa de Cointreau que a gente usava pra alguma receita mais elaborada de bolo de chocolate, mas pouco depois de sair pra fazer mestrado, a escola de inglês onde fui coordenadora por sete anos foi assaltada. Roubaram uns 30 mil reais em equipamentos. Pô, 30 mil é muita coisa! A polícia levou 12 horas pra ir lá, e quando finalmente chegou, não fez qualquer tipo de perícia. Um professor perguntou se os policiais não iriam recolher as impressões digitais que estavam em todos os cantos, e um deles respondeu: "Você tá vendo muita série de TV americana, rapaz!".

Eu tava lendo uma reportagem minúscula e superficial na Time sobre a polícia americana em vários estados exigir que seus policiais cubram as tatuagens, porque tatuagem grande hoje em dia tá muito associada com gangues. Ok, eu concordo. Mas o que me chamou a atenção foi a reportagem dizer bem de levinho, sem entrar em detalhes, que vários policiais usam tatuagens de teia de aranha, que parecem ser símbolos de grupos de supremacistas brancos. E aí eu pensei: ahn, dane-se a tatuagem, como que um supremacista branco pode virar policial?! Como uma instituição que emprega violência pode permitir que seus membros sejam supremacistas brancos ou qualquer outra coisa associada à violência e à discriminação?! A polícia dos EUA tem tantas acusações de racismo quanto a brasileira, eu acho. Os homens negros sabem muito bem como a polícia os trata, em todos os lugares. Uma amiga minha contou que o marido dela, um professor universitário negro, estava andando numa rua de Belo Horizonte com um amigo, branco, quando apareceu a polícia e pediu os documentos dele (só dele, por ser negro). Ele se recusou a mostrar e foi parar na delegacia. Quando descobriram que ele era professor universitário, o delegado perguntou: "Por que você não disse antes?". Gente, uma polícia dessas não pode ser considerada bem-preparada.
Sobre Tropa de Elite lidar com os “mesmos temas de sempre do cinema brasileiro”, ah, não sei. Tropa fala de violência e de corrupção policial, mas não tem nada a ver com Carandiru ou Cidade de Deus, tem? É um outro enfoque. É o ponto de vista de uma tropa de elite. Acho também que a criminalidade é o nosso maior problema no Brasil. É um problema que afeta todo mundo. A nossa vida é influenciada por isso. A gente tem medo de sair à noite, não quer carregar dinheiro, bola estratégias pro caso de ser assaltado... Aqui em Detroit a criminalidade é alta, mas nada comparado ao Brasil. Mesmo assim, eu fico de alerta ao sair, e suspeito de homens aparentemente desocupados (de qualquer cor) que venham na minha direção.

CRÍTICA: TROPA DE ELITE / Viva Tropa, apesar de fascista

Fico muito feliz que Tropa de Elite, do José Padilha, venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Como tem bastante gente me perguntando o que achei do filme (da vitória só tenho isso a declarar, por enquanto), lá vai. Vi Tropa no meu computador, e comentei sobre ele, bem informalmente, com o pessoal querido da minha comunidade no orkut. Permitam-me reproduzir o que disse (até porque faz meses, e não me lembro bem). Como filme, Tropa é totalmente envolvente e bem-executado, com boas atuações (tirando um ou outro, como o ator que faz o Matias, que é meio fraquinho). Mas a mensagem é fascista! Simplesmente defende a pena de morte sem julgamento pra bandidos, usuários de drogas e policiais corruptos. E defende a tortura também. É uma mensagem altamente perigosa, na minha opinião. Mas pelo menos faz pensar e levanta muitas discussões interessantes. Por exemplo: o que aconteceria se as drogas fossem legalizadas no Brasil? (o filme não levanta essa hipótese em nenhum momento, mas eu pensei nisso). Não tenho nem opinião formada sobre legalização das drogas. Só fiquei imaginando o que os traficantes fariam se as drogas deixassem de ser ilícitas e fossem vendidas normalmente em farmácias. Imagino que num primeiro momento houvesse uma escalada da violência, porque os criminosos teriam que ganhar dinheiro com outros crimes. Mas e depois? Só pra esclarecer. Pessoalmente, detesto drogas. Nunca experimentei nada. Mas também considero o álcool uma droga. Conheço muita gente que usa maconha, e geralmente são pessoas que funcionam bem em sociedade. Mas mesmo essas pessoas devem assumir sua parcela de responsabilidade. Não dá pra fingir que seus atos não tenham consequência. Aí eu fiquei pensando: se chocolate fosse declarado ilegal, eu continuaria comendo? Se gerasse tráfico de chocolate, não. A menos que eu conseguisse cultivar chocolate na intimidade do meu lar, sem depender de ninguém... Quer dizer... Hipoteticamente é muito fácil falar, já que ninguém seria louco de proibir chocolate (o preço já tá bem proibitivo, né?). Sobre a polícia, não gosto dela como uma entidade. Tenho certeza que, individualmente, existem policiais honestos. Mas como instituição é um horror. E quanto mais violentas as pessoas no país, mais violenta será a polícia (suponho que na Suécia os policiais não sejam tão violentos).
Pra gente como eu, polícia é desnecessária. Sempre que precisei, ela não me ajudou em nada. Quando minha casa foi arrombada, prestei boletim de ocorrência, mas não adiantou. Várias vezes quando meus vizinhos joinvilenses sem noção de cidadania põem a música no volume máximo, eu e outros vizinhos chamamos a polícia. Nada. Ou ela não vem, ou ela vem e vai embora sem resolver. Temos um posto policial perto de casa que não tem utilidade alguma. Os policiais de lá não fazem ações preventivas. De vez em quando um vizinho diz, orgulhoso, que os policiais de lá estão espancando alguém que eles pegaram em algum ato criminoso.
Se eu estiver numa rua escura à noite, sozinha, e alguém estiver me seguindo, claro que eu ficaria muito feliz em ver um guarda na esquina. Mas nessas horas nunca tem polícia! Então eu não sei bem pra que serve a polícia. No meu caso, só resta torcer pra que os criminosos mantenham tanta distância de mim quanto a polícia...

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