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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

EU QUERO UMA MARMOTA SÓ PRA MIM

Você lembra de Feitiço do Tempo (em inglês, Groundhog Day, ou O Dia da Marmota)? Aquela comédia de 1993 que pra muitos é clássica, em que o Bill Murray é um repórter frustrado que vai pra uma cidadezinha cobrir a tradição da marmota, e fica preso no tempo? Toda manhã ele acorda às 6 e fica no mesmo dia, que simplesmente se repete. Primeiro ele entra em desespero e tenta se matar, mas não consegue - no dia seguinte ele sempre acorda, vivinho da Silva. Com o tempo, ele vai tentando ter um dia perfeito, até conquistar a Andie MacDowell. Só que ele tem que conquistá-la diariamente, porque no dia seguinte o placar zera de novo. Que é o que os maridos deveriam fazer com a gente, né? Nos conquistar diariamente, como se todo amanhecer fosse o primeiro, e não o, hum, 365o de 18 anos de casamento (faça as contas, que estou com preguiça).
Eu gosto muito do filme, mas ele foi uma frustração, porque o trailer sempre me pareceu infinitamente melhor (veja aqui, sem legendas)! Eu esperava me acabar de rir com a comédia, o que nunca aconteceu, apesar de ter a maior afeição por ela (veja uma compilação hilária de quatro minutos, com legendas). Acontece que ele é tão citado em todo o canto que só pode ter alcançado o status de clássico. Por exemplo, em Um Grande Garoto, romance do Nick Hornby (que foi adaptado e virou a bela comédia com o Hugh Grant), o menininho decide fazer uma sessão de vídeos e pipoca com a sua mãe, logo depois d'ela ter tentado o suicídio. Então ele vai à uma locadora e pega o que parece ser a comédia mais levinha possível, Feitiço do Tempo, algo que não faça a mãe pensar no que passou. Os dois começam a ver o vídeo (o romance é de 98, antes dos dvds) e chega aquela montagem em que o Bill Murray tenta o suicídio de 50 formas diferentes, jogando uma torradeira na banheira, jogando seu carro de um precipício, jogando-se de um prédio, etc. Imagina a decepção do garoto ao ver a cara da sua mãe...
Mas enfim, a tal tradição existe mesmo. Todo dia 2 de fevereiro, na Filadélfia, uma marmota sai da toca e olha em volta. Se ela vir a sua própria sombra, haverá mais seis semanas de inverno. Se não, a primavera chegará logo (o que é uma ótima notícia, considerando o clima em que esse pessoal vive). A Mônica, do Crônicas Urbanas, escreveu sobre a marmota aqui, num post breve e informativo.
Mas quem me fez rolar de rir foi o Nate, do That's Right Nate. Ele escreveu um texto chamado “Como a Marmota Salvou a Cristandade”, onde explica que a história marmotística seculariza a ressurreição de Cristo após 40 dias. A primavera representaria a vida nova que Jesus quer que vivamos. Mas Nate vai além, e explica o porquê dessa tradição ter optado por uma marmota. Por que não um outro bicho? Bom, parece que, como esse costume nasceu na Europa, era necessário um animal nobre, e as cores da pelagem da marmota lembravam as roupas com que Cristo foi enterrado. Mas o principal é que eles precisavam de um animal que hibernava, e aí era a marmota ou o urso, e “ninguém iria querer acordar um urso pra isso”.
Quando eu li esse trecho pro maridão, até ele morreu de rir, imaginando como deve ser um urso ser acordado, sair da toca pra ver se sua sombra tá lá, e dar de cara com bandinha de música e festejos. O maridão raramente ri de piadas que não sejam as dele. Eu achei sua gargalhada nesse momento simbólica, como se fosse mesmo possível ressuscitar os mortos. Feliz dia da marmota pra você também!