quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

GUEST POST: COMO SOBREVIVI A UM RELACIONAMENTO ABUSIVO

Kah Dantas fala na roda de conversa

Sexta participei de uma roda de conversa muito bacana no lançamento do livro da Kah Dantas, Boca de Cachorro Louco. Kah foi minha aluna, e também fez estágio docência (brilhantemente) no semestre passado numa disciplina minha. Ela é mestranda e pesquisa sobre Game of Thrones
Ela publicou o livro sozinha. Ainda não li o livro tudo, mas pelo que li, é excelente, muito bem escrito. Recomendo que você compre e chame a Kah para palestras e rodas de conversa sobre o tema. Ela é uma sobrevivente, uma guerreira. 
Kah e eu depois da roda de conversa
Confesso que, ao planejar o lançamento do Boca de Cachorro Louco para o dia 2 de dezembro, não tinha me ocorrido que, alguns dias antes, seria celebrado o Dia de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. A data marca a consciência de muita gente, e também contribuiu bastante para a promoção do meu relato em forma de livro, um conjunto de textos que reúne as mais diversas e doloridas impressões que tive -- durante e depois -- de um relacionamento no qual sofri violência física e psicológica. E, devo dizer, registrá-lo com o próprio punho não foi mais fácil do que vivê-lo.
Sempre gostei de escrever. Escrever para dar forma aos sonhos, às felicidades e, especialmente, às tristezas. Escrever para espantá-las e, depois de vê-las longe, entendê-las. E não foi diferente com o Boca de Cachorro Louco. Como eu mesma escrevi em algum lugar daquelas páginas, “A ode se transformou em um exorcismo poético [...]” e o enganado amor, em companhia da cega paixão, deixou de ser para dar lugar ao medo e ao desprezo.
Minha gente, foram dias laboriosos. Todos os dias eu morria pelas mãos dele. E todos os dias eu o desejava mais perto de mim. E demorou um bocado para eu perceber como uma das minhas cantoras favoritas não poderia estar mais errada ao afirmar que “ele me machucou, mas pareceu amor verdadeiro” [“he hurt me, but it felt like true love”, Ultraviolence, Lana Del Rey].
Público na roda
Antes dele, eu achava simplesmente absurdo que uma mulher continuasse em um relacionamento povoado de agressões físicas e psicológicas, provocações, humilhações e por aí vai, porque me parecia que dar um fim nele era a coisa MAIS ÓBVIA e FÁCIL a ser feita.
Mas isso foi só até eu, depois de alguns anos, viver coisa parecida -- por mais de um ano. Mais- de- um- ano. Será que eu era uma sem-vergonha? Será que eu gostava de apanhar? Será que eu me sentia bem ouvindo as ofensas mais espinhosas e cruéis? Eu? Logo eu? Que me achava tão bonita, tão inteligente, tão segura, tão empoderada? Absolutamente não. Ele me deixou doente.
Eu e a coach de relacionamentos
Vânia Mendes também participamos
da roda
Na época, eu tinha um caderno/ diário onde escrevia sobre a minha rotina dentro daquele relacionamento (sempre achei o registro da minha vida importante), sobre como eu me sentia e o que eu pensava, sobre as conversas com ele, os sonhos, os maus tratos, a incredulidade, as agressões e a minha própria e estúpida obsessão na ideia de que ele me amava muito e de que era por isso que... (Não vale nem a pena terminar o raciocínio). 
O resultado? Um retrato maravilhoso e fiel do meu encarquilhado estado emocional e do difícil caminho de aceitação e esclarecimento que precisei percorrer até que tivesse forças para finalmente entender que ELE ME BATEU, MAS NÃO PARECEU UM BEIJO. 
Boca de Cachorro Louco tem aproximadamente 134 páginas recheadas de eventos dispostos de forma não linear, alguns dos quais eu me envergonho, outros dos quais discordo veementemente e muitos que me entristecem ainda hoje por representarem a perda sem volta de um tempo precioso da minha existência, tempo que tento resgatar através da esperança de que esse livro poderá ser útil a outras mulheres que, assim como eu, conhecem na pele (muitas vezes literalmente) o que é um relacionamento abusivo.
Deixo o convite da leitura para quem tiver ficado interessado. E aproveito para agradecer à querida Lola pela presença no primeiro lançamento do Boca, lá na biblioteca do Cuca Mondubim, aqui em Fortaleza, como convidada e parte essencial de uma roda de conversa esclarecedora sobre o tema e que, sem sombra de dúvida, fez a diferença na vida de quem esteve lá conosco.
Você pode conferir algumas amáveis resenhas sobre o livro aqui, aqui, e aqui
O livro (e-book) pode ser adquirido neste link da Amazon, por R$ 10, e o livro impresso e artesanal pode ser solicitado através do e-mail contatocontakah@gmail.com, por R$ 15.
É isso, gente! Obrigada!

47 comentários:

Anônimo disse...

O foda e passar por tudo isto e ainda insistir em se relacionar com homem :/

Aninha disse...

Para o anônimo do primeiro comentário: Não é um relacionamento abusivo que vai mudar a orientação sexual de uma pessoa. Além disso, só para constar, lésbicas também sofrem abusos em relacionamentos...

Mas que bacana o texto da moça! Que bom que vc livrou dessa :) muita força aí para vc


Anônimo disse...

"Para o anônimo do primeiro comentário: Não é um relacionamento abusivo que vai mudar a orientação sexual de uma pessoa"

Pois deveria, em mim mudou e claro que existe abuso em historia entre lésbicas, mas e infinitamente menor que com homens.

Anônimo disse...

"Não é um relacionamento abusivo que vai mudar a orientação sexual de uma pessoa"

Aninha como vai tudo bem?!" Então na sua concepção isto seria uma forma de determinismo? muitas, inúmeras mulheres se encontram heterossexuais de forma compulsória, uma vez que foram socializadas no sentido da heterossexualidade ser a única expressão sexual possível. Ora, a maioria das mulheres na sociedade não consegue definir as partes de sua vulva, ou muito menos se tocou e masturbou para praticar o auto-conhecimento (ao contrário dos homens, que tem suas sexualidades estimuladas, de modo heterossexual, desde a infância). Imagine se uma mulher pode, livremente, se conhecer e conhecer sua sexualidade, cogitar amar outra mulher, perceber sem amarras de onde vem o seu tesão? Não, ela não pode. A mulher é o ser que deve ser “belo, recato e do lar”, inexpressivo, servente e obediente. É impensável dentro do sistema heterocentrado que ela exerça sua sexualidade de forma livre, muito menos com outra mulher. Duas mulheres juntas desafiam a ideia de que o macho é o ser provedor único de prazer e sustento.
Com esses conceitos em mente, chega-se às questões centrais: toda mulher heterossexual só o é de forma compulsória? Se toda relação heterossexual na nossa sociedade corresponde aos conceitos misóginos de violência masculina e servidão feminina, por que as mulheres são heterossexuais? Por que elas não optam por um celibato?

Anônimo disse...

vamos problematizar o namorado de uma mulher que "carinhosamente" não soltava a mão dela na rua, porque não queria deixar ela muito solta e desprotegida na rua. Há um grau de abuso? Sim. Mesmo que seja leve, sutil. Todo relacionamento heterossexual tem um grau de abuso, sim, porque sabemos que existe toda uma construção de como deve ser e agir o homem e a mulher que é socialmente "aceita". Agora as relações lésbicas e gays podem ser abusivas como a relação entre mãe/filha, patrão/empregado e até numa relação de amizade, mas o abuso numa relação heterossexual tem apoio no machismo.
Todo relacionamento heterossexual é abusivo porque historicamente o homem exerce uma relação de poder sobre a mulher, e seria muito ingênuo da nossa parte encarar isso como uma questão individual, sendo que se trata de uma questão coletiva, uma construção social. Partir com exemplos individuais para tentar isentar o homem e a relação que atualmente vivemos é tão típico quanto aquela que apanha do parceiro, física ou psicologicamente e continua idealizando a relação. Não tome o comentário de todo para vc, Elisa, só estou mesmo tentando explicar. A sociedade entra, sim, na discussão, porque a sociedade reforça os papéis do homem e da mulher, a sociedade naturaliza a relação abusiva do homem para a mulher, agora a mulher que se atreva a ser abusiva com o homem pra vc ver como vem toda a sociedade condenar. O abuso na relação heterossexual do homem para mulher é naturalizado, e muitas vezes romantizado pela sociedade, porque historicamente o homem é aquele que domina, e a mulher subjugada. O exemplo máximo de romantização do abuso é quando assassinatos de mulheres cometidos por homens em que elas mantinham alguma relação são chamados pela mídia de crime "passional".

Anônimo disse...

Sobre orientação sexual não ser escolha... É carma? É natureza? Ou é não compreender que as escolhas se realizam para além da consciência?Vamos falar aqui rapidão sobre teorias PIV(Pênis in vagina)
Primeiro:Não dá para achar que lésbicas só podem escrever sobre lésbicas e para lésbicas. Não diminuam nosso potencial, não somos burras
Segundo: parem de distorcer teorias lésbicas para elas parecerem mais aceitáveis pra vocês e doerem menos. Feminismo não é um mar de rosa e não é sobre ser agradável e fácil.
Agora vamos ao PIV.
Sem entrar no mérito de todo PIV (Penis In Vagina, ou seja, sexo hétero) ser ou não estupro, esse assunto é SIM sobre mulheres hetero e bissexuais TAMBÉM. Não é porque é teoria escrita por lésbica que o assunto tenha que se ater a esse grupo de mulheres.
A problematização em cima do PIV não tem a ver com o seu sexo individual e o que você gosta ou deixa de gostar na cama. Tem a ver com o coletivo. Tem a ver com penetração (não só compulsória, como OBRIGATÓRIA) ser usada como forma de dominação patriarcal de homens sobre mulheres. Não acredita em mim? Experimenta dizer para o seu namorado/marido/ficante/foda casual ou sei lá mais o que, que você só transa sem nenhum tipo de penetração pro resto da sua vida. Qual a reação dele? Pois é.
TODAS as mulheres são empurradas para a penetração. Sejam elas lésbicas, heteras, ou bissexuais. A penetração tem que ser obrigatória e compulsória dentro de uma sociedade patriarcal, porque o sistema reprodutor feminino precisa ser controlado por homens, e a penetração é o que da acesso a isso.
Agora pensem nessa frase: "dentro do sistema capitalista, todo trabalho é uma forma de exploração"
Não importa o quanto você ame o seu trabalho, se você se sente realizada com ele, não importa se o seu trabalho te faz gozar ou se te trás chocolate quando você tá de TPM. DENTRO DA SOCIEDADE CAPITALISTA, ele será usado para te explorar. E você não tem que se sentir culpada por trabalhar e gostar do que faz.
É a mesma coisa com o PIV.
O fato é que sendo estupro ou não, o PIV é a OBRIGAÇÃO de TODA mulher e você SERÁ punida de uma forma ou de outra se não cumprir com a sua obrigação.
Isso porque PIV é, em uma sociedade patriarcal, uma forma de exploração.
E isso diz respeito SIM a mulheres hetero e bissexuais, como também a mulheres lésbicas.

Anônimo disse...

19:18

Eu só posso lamentar pelas mulheres q tem etERROssexualismo

Anônimo disse...

Eu tenho muita empatia por mulheres que ainda se enxergam heterossexuais sim acho injusto certas criticas, se elas foram socializadas assim, não se conhecem se permitem e se tocam e muito injusto também alguém apontar o dedo e dizer 'olha vai se envolver com omi da nisso'
poxa gente feminismo tem que unir as mulheres e não criar divisões, critica las assim gratuitamente sem mostrar o melhor caminho e injusto, a desconstrução e lenta as vezes, e como olhar para alguém com síndrome do panico e dizer "olha ta vendo fica se pondo em risco' temos que entende las e ajuda las a superar isto tudo, imaginem como deve ser angustiante acreditar que sente atração pelos que lhe oprimem, a autora do livro explica bem esta parte, e muito sofrimento.

Anônimo disse...

Inacreditável mulheres lésbicas tentando convencer mulheres hetero de que elas não gostam realmente de homens.

Se fosse o contrário, estariam dizendo que é falta de respeito, certo?

Anônimo disse...

"Inacreditável mulheres lésbicas tentando convencer mulheres hetero de que elas não gostam realmente de homens. "

Pouco provável. Esses ai de cima provavelmente são mascus que escrevem essas bobagens para tirar print para depois tentar denegrir a imagem do feminismo com isso.

Anônimo disse...

Claro, porque a capacidade de falar merda é algo exclusivo de mascu, é quase como se não tivesse um bando de radfem sempre enchendo a paciência por aqui nos comentários, magina.

Anônimo disse...

Então. As lésbicas que eu conheço nu ca vieram com esse papo não.

Anônimo disse...

Eu sei que estou prestes a dar murro em ponta de faca, mas a falta de coerência de alguns comentaristas é de chorar. Vocês falam que são a favor da livre expressão e da experiência sexual pelas mulheres, mas se negam a enxergar que para muitas a bi / homossexualidade não é uma opção? Ficar de mimimi que mulheres hetero são ""erradas"" vai ajudar em que? Vai empoderar mulheres, vai ajudar vítimas, vai combater a raiz do problema?
Pra mim isso tá começando a parecer recalque escondido atrás de ideologia, isso sim.

Anônimo disse...

10:52 - eu também nunca vi radfems ao vivo, pero que las hay, las hay

Anônimo disse...

Off topic:

Na Coreia do Sul Park Geun-hye foi deposta da presidência da republica porque a sua amiga interferiu nos negócio do governo. Agora, olha e diferença da Dilma que fez coisas muito mais graves e saiu esbravejando; a Park Geun-hye pediu desculpas a população. Aprendam! Aprendam brasileiros a serem honrados! Ser honrado só é vergonhoso pra quem não presta.

Anônimo disse...

Anônimo 11:35

Não se apoquente, pra ser coerente é necessário ter capacidade de raciocínio. Me entenda bem: não aquela capacidade de raciocinar que ser eu não for ao banheiro vou ficar com a calça suja. Raciocínio mesmo! Raciocínio que parte de uma base fundamental e se chega a uma conclusão lógica, livre de preconceitos, paixões e falta de conhecimento.

Anônimo disse...

Parabéns para a cruzada de pernas da Kah Dantas. Maravilhosa; mulher linda.

Anônimo disse...

08h18 quem der, estas são teorias puras RadFems mesmo.

Anônimo disse...

De novo esse bando de psicopatas querendo converter todas a mulheres em ''lésbicas"? Que coisa insuportável. Demonizando e trollando mulheres heteros toda hora, isso virou uma praga aqui. O que esse bando de trolls estão fazendo é nojento, um porre, assim ninguém aguenta mais esse blog.

lola aronovich disse...

É um porre. E isso que deleto no mínimo dois terços dos comentários de "omi merece morrer", "homens são lixo", "só anencéfala insiste no heterossexualismo", "anomalia y" e sei lá mais o quê. Só não deleto TODOS porque existe a chance (pequena) de que não sejam mascutrolls tentando se passar por radfems, e sim alguma radfem de verdade que depois vai reclamar no FB que eu censuro os comentários radfems. Mas é troll de qualquer jeito. Quem faz comentário repetitivo é troll.
(Agora, cá pra mim, torço MUITO que sejam mascutrolls se passando por radfems, e não radfems reais, porque o nível é ridículo).

Vinydimax disse...

Engraçado como há violência em todos os lados e sentidos.
Uma amiga minha teve que trocar de faculdade por causa de lésbicas dando em cima dela, elas foram extremamente insistentes e abusivas em suas investidas.
De certeza forma elas pensavam assim:
"Como eu sou mulher também, eu POSSO"

Não vem com essa não.

Anônimo disse...

Anon. 11:35

Acontece que ninguém resiste em controlar e regulamentar a sexualidade feminina - nem mesmo algumas feministas. É como ver um bolo de chocolate com 3 palmos de cobertura e recheado com cerejas e não beliscar.
Não me incomoda nem um pouquinho o questionamento, mas esse tom paternalista: "oh vocês pobre coitadinhas!!! Agora calem a boca e façam o que eu mando" - isso é a base do machismo... Mulheres precisam de rédea curta, senão fazem merda. Trocar 6 por meia dúzia??? no, thank you!!!

Do mais, eu compreendo o ciclo de abuso que muitas mulheres, entre elas a moça do post, passam. E sei por experiência própria como é brutalmente difícil e doloroso quebra-lo.
Nunca tive um parceiro abusivo. Mas minha mãe foi/é emocionalmente abusiva.
Você faz de tudo pra ganhar o amor dessa pessoa, pra agrada-la. Você faz de tudo para tornar o teu captor(a) feliz na esperança de que assim o abuso vai parar. De que se você se moldar aos caprichos dele(a) tudo vai parar..

Mas não para.. nunca vai parar...
Por que o problema nunca está no abusado(a), está no abusador!!!


Jane Doe

Anônimo disse...

Eu tbm tenho problemas com mãe abusiva... Os relacionamentos abusivos entre lésbicas tem em número menor porque há casais de lésbicas em quantidade menor. Por isso a proporção deve ser menor.
Esses comentários de trolls/radfems são insuportáveis mesmo. São repetitivos, pedantes e autoritários. É insuportável essa mentalidade ''paternalista'' e tirana de radfems querendo também controlar as mulheres.

Anônimo disse...

não sei o pq de tanto mimimi dessas mulheres em admitir q relacionamentos q elas tem com omens são quase sempre ruins

o mesmo não se dá em relações lésbicas

Anônimo disse...

Relacionamentos abusivos, eu já tive. Mais de um. Cada um de uma forma, com graus e maneiras de controle diferentes. Desde o controlar nossas roupas, passando por querer controlar nossas vontades e chegando ao nível mais agressivo, onde ameaças físicas e mentais acabam tornando-se naturais. E sempre de maneira gradual, disfarçado de amor e do mais puro sentimento de preocupação com a parceira

As vezes é tão difícil perceber estes sinais, a evolução é tão natural que quando vc se dá conta já está em um deles.

tenho cicatrizes que vou levar para minha vida inteira. Mas continuo em frente.


Anônimo disse...

(Viviane)
Ah, Lola, se eu fosse você, bloqueava tudo. Quem quer debater a sério não destila preconceitos e muito menos usa o que você ou outros comentaristas como "prova contra você". Preconceito não deve ser "mais aceitável" por partir de mulheres. De minha parte, fico imensamente aliviada por as rads que assinavam o nome terem sumido daqui (ou estão por trás desses anônimos, vai saber).
Quanto ao tema do post, acrescento ao comentário da Jane Doe que quem teve mãe ou pai abusivos tende a repetir esse modelo em seus relacionamentos afetivos. Isso torna ainda mais difícil perceber e lutar contar o abuso, já que é o padrão a que a pessoa está habituada.

Anônimo disse...

Alguém namorou a Lola ?
Coragem...por isso que eu falo que o feminismo foi um erro.

Anônimo disse...

Eu só fui dar valor a mim mesma depois que conheci alguém louco de amorespor mim. Antes achava que nao valia nada hoje vejo o quanto sou...e nao aceito menos...

lola aronovich disse...

Anon das 19:38, mesmo pra trollar, é preciso ter um mínimo de inteligência. Seu comentário é indecifrável. Primeiro, o que tem a ver com o post? Segundo, se alguém me namorou, é por isso que vc acha que o feminismo é um erro? Qual a ligação entre as duas frases? E terceiro, como sou casada, e não foi um casamento arranjado, calculo que sim, alguém namorou a Lola. E antes da Lola casar, vários outros namoraram a Lola. Sei lá, imagino que foram bem mais namorados do que vc terá de namoradas na vida.

andreiaprets disse...

Que felicidade ver duas queridas juntas e falando de coisas tão importantes pra nós. Parabens Ana, e obrigada por compartilhar a sua história que lamentavelmente e tão comum... você contando a sua história traz segurança pra gente, a certeza de que estamos lúcidas. Viver relacionamento abusivo nos destrói de tantas formas mas é nessa rede de compartilhar nossas histórias que nos fortalece e nos mostra que não estamos sós. Ainda criando coragem para compartilhar a minha história de relacionamento abusivo e colaborar com vocês. Beijo enorme cheio de gratidão.

Anônimo disse...

Eu não me incomodo com os comentários de radfem. Inclusive acho muito interessante essas teorias. Como eu nunca me relacionei com homens apesar de ser hétero não fico me doendo.

Conta Kah disse...

Oi, gente! Vim cá dar uma espiada nos comentários de vocês! Primeiro, quero é super agradecer à minha querida professora Lola, por este espaço e pela oportunidade de dividir com vocês a empreitada difícil que é o Boca de Cachorro Louco. Segundo, tenho que dizer que vou ignorar a maioria boba dos comentários ali em cima, porque sim, né, gente? E, terceiro, quero agradecer a todo mundo que leu e teve um bocadinho de empatia pelas palavras que deixei aqui. E, realmente, Andreia, estar junto à Lola naquela roda de conversa foi uma grande felicidade. Um relacionamento abusivo, de fato, deixa a gente destruída (e dependente do nosso destruidor). Mas o que importa é que a gente sobrevive e, depois de um tempo, vive, volta a ser feliz, a cuidar melhor da nossa existência e a dedicá-la às coisas e pessoas que realmente valem a pena. Então, a gente tem mais é que se unir mesmo, falar sobre o tema, discutir, porque esse deve ser um processo contínuo de esclarecimento e educação!

Anônimo disse...

" Não acredita em mim? Experimenta dizer para o seu namorado/marido/ficante/foda casual ou sei lá mais o que, que você só transa sem nenhum tipo de penetração pro resto da sua vida. Qual a reação dele? Pois é."

O meu ia adorar =(
Ele teve uns problemas na juventude e disso aí sobraram umas marcas. Então ele gosta de mim, me quer, inclusive fala em casamento em tudo, amo ele mais que a vida, gente boa, inteligente, carinhoso, lindo de morrer, a gente se dá super bem mas chega na hora da cama, um abraço. Ele fica nervoso e a coisinha lá não funciona. Então nem começa. Ficamos nos beijos e depois cada um vira pro seu lado.

Mas eu gosto de penetração, não sou bem "hétera" mas pra transar com homem, eu gosto do pau sim. Muito. Mas enquanto eu ficar com ele, vai ser isso aí, tudo perfeitinho na vida e na cama, dois irmãos.

Dizer a ele que eu não quero ser penetrada nunca mais seria a maior felicidade da vida dele. Só dele, não a minha.

Então amiga, generaliza não que tá feio.

E só pra que ninguém diga que isso é um caso em um milhão, não é, eu participo de uma terapia em grupo com mulheres em situações semelhantes às minhas e essa é uma realidade extremamente comum, fazendo contraponto com essa ideia, falsa, que todo homem é um maníaco sexual que mete em qualquer buraco de fechadura. Bem longe disso.

Gouinage, apesar do termo, não é uma realidade só de lésbicas e gays. Tá dentro do escopo de muitos héteros também, como medida intermediária entre o nada e a penetração que, no caso, é indesejada por um ou ambos.

Pronto, suas definições de vida real foram atualizadas.

Denise disse...

Kah, fiquei super interessada em ler seu livro mas nao consigo comprar pela Amazon porque nao moro no Brasil. A versao impressa tambem nao daria porque o frete ia ficar mais caro que o livro. Tem outra forma de comprar?

Vânia Mendes disse...

Lola minha querida, e Kah minha adorável vitoriosa, agradeço ter tido a oportunidade de estar nessa roda, de ter podido compreender cada vez mais a importância de conversarmos sem preconceitos de um tema tão relevante e ainda tão temido.
No dia do lançamento eu vi a vida real acontecendo, as estatística impressionantes apresentadas por Lola, e a clareza do objetivo da Kah ao relatar a violência vivida.
É um ciclo absurdamente destruidor e difícil de ser quebrado,esse dos abusos já acima citados em cada comentário, todas as crenças, as repetições exigem coragem, enfrentamento, ajuda, para serem eliminados.
O importante é que a cada roda de conversas, a cada iniciativa, vamos refletindo nossos comportamentos e desejando sair de dentro da caixa, e contribuir para uma vida mais plena e equilibrada.
Nossa sociedade ainda pautada no machismo vem deixando marcas que as mulheres a passos curtos e constantes, vêem ressignificando a história e a sua própria cura, diante das sequelas deixadas, no intuito de quebrar esse ciclo maldito de abusos.
Quando resolvi trabalhar com mulheres, foi pelo motivo de potencializar a força que temos, e nos tornarmos cada vez mais autoresponsáveis.
Vânia Mendes

Anônimo disse...

Como evitar que a violência doméstica aconteça se as mulheres heterossexuais quando apanham normalmente arrumam outro macho que batem nelas também? Ficar solteira é sim uma opção para impedir a violência. Estou cansada de mulheres que erram, erram e erram. Todo mundo sabe como funciona um relacionamento abusivo, para quê ficar sempre insistindo e tendo esperança em algo que não vai melhorar?

Anônimo disse...

Eu me considero radfems e sou uma estudante universitária. E para mim, o que mais deferencia o feminismo do feminismo liberal é como eles lidam com a realidade. Equanto muitas ficam se concentrando em futilidades as rads sempre querem discutir a parte mais pesada,o problema real: prostituição,pornografia,religiões sexistas que o mundo apoia pela relativização cultural,educação feminina. Como uma mulher que se vê empoderada usando decote pode criticar a objetificacao feminina? Como uma mulher que só se preocupa com maquiagem e não estuda pode se preocupar com a educação das mulheres no Paquistão? São paradoxos que as libs precisam lidar.

Anônimo disse...

Ao invés de reclamar tente pensar: você é tão incrotolavelmente animalesca para continuar namorando pessoas que te tratam mal? Qual é o melhor: ficar sem ter relação sexual ou sofrer no casamento?

Anônimo disse...

Ela vai sentir falta de quando o assédio que sofria era tão pequeno assim,vai por mim, se elas tiverem que trabalhar em um ambiente mais masculino, vai ficar muito pior.

Anônimo disse...

Jane, é muito melhor uma mulher ficar solteira do que arrumar vários relacionamentos abusivos em sequência e ainda continuar nisso. Porque ou elas quebram esse ciclo ou vão morrer.

Anônimo disse...

Paternalista uma porra, ou as mulheres vão aprender a se defender para evitar conflitos ou vão apreder na marra. Qual você iria preferir: ter sido avisada quando criança/adolescente ou descobrir depois?

Anônimo disse...

Isso, já estou cansada de ver mulheres se fodendo toda hora. Precisar parar com isso. As pessoas já sabem que no casamento a mulher fica em desvantagem e mesmo assim continua dando merda.

Anônimo disse...

Continua em frente, mas caso se relacione novamente vai sofrer de novo. Parece que mulheres que sofrem em relacionamentos abusivos sempre vão continuar sofrendo. Depende apenas de você parar essa situação, parar de arrumar partidos escrotos, ficar solteira, mas muito feliz.

Anônimo disse...

Mas você não representa a maioria da sociedade brasileira,que força as mulheres a gostarem de sexo porno e agradecerem por isso.

Anônimo disse...

A menor violência entre casais lésbicos possuem base biológica também,visto que mulheres em geral cometem menos crime. Seu namorado/companheiro produz um nível de testosterona muito maior que qualquer mulher, e esse hormônio é conhecido por levar a violência e impulsividade.

Anônimo disse...

Mesmo que relacionamentos lésbicos fossem regra teria um índice menor de violência. Veja as estatísticas de violência da ONU,estude biologia e pare de falar merda.

Anônimo disse...

Anônimo 19:50

Pode produzir o nível de testosterona que for, isso NUNCA vai ser justificativa para QUALQUER tipo de agressão em um relacionamento. Meu Deus é cada uma que a gente tem que ler desse povo...