quarta-feira, 18 de março de 2015

"ESTOU TRAINDO O FEMINISMO?"

Sempre recebo emails de leitoras (alguns leitores também, mas principalmente leitoras) perguntando se pode ser feminista e fazer X, ou se não fazer Y faz dela menos feminista. Alguns exemplos. Primeiro, este da D.:

Adoro seu blog e por meio dele aprendi muito sobre o feminismo e sobre a necessidade de mudarmos a sociedade em que vivemos também nas relações de gênero. Hoje lhe escrevo devido a uma conversa que tive com amigas, que me deixou bastante triste. Sou socióloga e há três anos comecei a fazer uma pesquisa, ainda na graduação, que tratava da trajetória política de mulheres. A partir daí, fui me interessando cada vez mais pelo tema do feminismo, até que me vi participando das Marchas do 8 de março e da Marcha das Vadias. 
Eu demorei um pouco pra assumir que era feminista, porque achava que precisava amadurecer e entender todo aquele novo mundo que me foi apresentado, e inclusive me aprofundar nos estudos teóricos. Mas antes que eu assumisse o feminismo como bandeira minha, amigos e colegas de faculdade passaram a me rotular nesse sentido, e muitas vezes não soava como elogio. 
O fato é que tomei um rumo no qual não posso voltar atrás. Não sou a mesma depois de tudo que já refleti sobre as relações de gênero, sobre o patriarcado, sobre a misoginia. Assumi a luta, e hoje assumo minha posição de feminista e claro, dificilmente fico calada em situações ou opiniões machistas. Entretanto, embora eu lute pela liberdade das mulheres no geral, defenda que nos libertemos de estereótipos e padrões de comportamento e beleza, eu sou uma mulher vaidosa, que gosta de maquiagem e de um estilo que muitos diriam ser "feminino" da forma convencional. 
Esses dias duas de minhas amigas me questionaram sobre o fato de eu ser vaidosa, preocupada com a aparência, e ser feminista. Uma de minhas amigas afirmou que eu estava sendo contraditória, que sempre estava arrumada, que usava maquiagem, que me preocupava com o corpo e que agora era feminista e que tinha que segurar "o rojão" dos julgamentos. Eu fiquei muito chateada, porque cobraram de mim o estereótipo da feminista. Ou seja, para eu ser feminista eu teria que abdicar do meu jeito de ser, da vaidade que sempre tive desde pequena. 
Para mim, o feminismo é um movimento que luta pela liberdade, pela superação de relações de gênero opressoras, pelo respeito às diferenças. As mulheres são muitas, de todos os tipos, de todos os jeitos. E é isso que tenho visto em qualquer encontro feminista. Mulheres vaidosas, mulheres maquiadas, mulheres de cara limpa, gordas ou magras, negras, brancas, mas livres, livres para escolherem seus caminhos e cheias de autoestima. Será que estou enganada, que foi tudo alucinação e sou mesmo uma hipócrita?
O que eu me pergunto é porque tanta incompreensão e perseguição por parte de pessoas que são tão próximas e também da sociedade, que rechaça as feministas? Quer dizer que pra ser feminista eu tenho que levantar a bandeira contra a maquiagem ou o creme de cabelo? Contra o brinco ou a bijuteria? Então não posso mais passar batom ou usar um vestido florido que me faz me sentir bem? É isso? Eu tenho que me enquadrar em outro padrão, a da mulher feminista, que deve ser odiada e perseguida, chata e mal-amada? 
Tyra Banks, feminista assumida
O que tenho visto nos movimentos feministas por onde ando são mulheres lindas à sua maneira, bem resolvidas, bem amadas, felizes por serem livres e conscientes do que é ser mulher numa sociedade machista, e por isso desejosas de mudança. Eu vejo mulheres de todos os tipos que celebram a diferença. Nunca me senti excluída ou acusada de hipocrisia por nenhuma delas. Ainda estou digerindo essa situação, e por isso quis escrever para você, e saber de você se estou errando em ser vaidosa e feminista.

Este foi da A.: 
Tive uma discussão com uma amiga que me disse que não posso mais ser feminista, pois vou apenas cuidar do meu filho e estudar este ano, pois estou me recuperando de uma cirurgia na coluna e, pra exercer meu trabalho, que envolve ficar em pé 8 horas por dia, só daqui a um ano. Ela completou que quando eu voltasse a trabalhar, eu poderia voltar a discutir feminismo com ela. Juro que fiquei sem reação na hora. A meu ver o feminismo luta pra que todxs sejam iguais e tenham liberdade de escolhas. Por que vou deixar de ser considerada feminista só por querer cuidar de filho e estudar? Ai, Lola me diz a tua opinião, pois não é a primeira vez que escuto feministas dizendo isso.

E este foi da L.:
Lola, estou no meio de um pequeno dilema, sou maquiadora, e gosto muito de coisas ligadas ao que é visual, artístico, estético, considero meu trabalho uma arte, e acho que tenho bastante talento. Tenho amigas e clientes que gostam do meu trabalho, e sinto vontade de investir nessa profissão, pois me lucra e me dá prazer em trabalhar.
O que esta me perturbando um pouco, é que EU SOU FEMINISTA, e algumas pessoas já me perguntaram como eu posso ser feminista, se sou maquiadora, e "sou instrumento da ditadura da beleza" para as mulheres. De início eu achei isso tão horrível, e me senti triste, pois eu sempre vi meu trabalho como uma arte, não como uma imposição de que toda mulher deve se maquiar, acho que se uma mulher não ama a si mesma, nenhum tratamento estético funciona, pois penso que isso é escravidão, fuga de si mesma...
Nunca tive problema de autoestima, sou uma super leonina confiante, sempre me senti bonita, até mesmo sem maquiagem, nunca me importei com a aprovação ou desaprovação das outras pessoas, apenas gosto de me sentir feliz, com a experiência de trabalho que venho adquirindo, vejo muitas mulheres que nunca se sentiram tão bonitas quanto quando estão maquiadas.
Será que estou fazendo errado, Lola?
Eu não sei muito como responder, quando me questionam, eu acho tão  ridícula essa visão que as pessoas têm do feminismo, como se fosse um livro cheio de regras, feminista não pode se maquiar? Feminista não pode gostar de estética? 

Minha resposta: Lindas e queridas, todas vocês são feministas. Não existe uma competição para medir quem é mais ou menos feminista. Uma vez li que tem feminista que se incomoda porque digo que me considero feminista desde os 8 anos de idade. Mas nunca tive a intenção de me exibir ou de me dizer mais feminista que alguém que assumiu o feminismo aos 30 ou 40 ou 70. É só que minha experiência foi essa (e, admito, é uma experiência privilegiada). 
Tampouco existe um comitê feminista que fica avaliando o feminismo de cada pessoa, e, às vezes, decide cassar a carteirinha de alguém que traiu o movimento. Talvez até devesse existir (seria divertido?), mas a verdade é que não existe carteirinha. Não é um clube fechado. É um movimento gigantesco, revolucionário, com várias correntes, e já muitas décadas de história. 
O feminismo é sobre liberdade, sobre poder fazer escolhas. Nem todas as escolhas são necessariamente feministas, mas tampouco são não feministas. Por exemplo: se você adora esmalte de unha, esse não é um bom motivo pra se assumir feminista. Mas se você defende a igualdade e luta contra as opressões, não é porque você adora esmalte que você não será feminista.
Trabalhar em casa cuidando dos filhos é trabalho, embora não remunerado e nem valorizado (e ninguém venha me dizer que não é valorizado pelo feminismo; quem não valoriza o trabalho doméstico é o patriarcado mesmo). No domingo dei uma palestra sobre as muitas conexões entre ativismo materno e feminismo (ainda vou falar mais nisso). Só digo que estamos no mesmo barco. E definitivamente não é uma canoa furada.
Pregar que quem gosta de maquiagem ou que quem larga o emprego para ficar temporariamente com a família não pode ser feminista é sem dúvida embarcar nos velhos estereótipos sobre feminismo. Nós que somos feministas e conhecemos montes de feministas sabemos que há uma diversidade formidável de mulheres (e homens) dentro do feminismo. Só quem pensa que feministas são ogras peludas castradoras e mal-amadas é quem não sabe nada sobre feminismo -- nada, apenas que é um movimento que deixa essa gente avessa às mudanças muito temerosa e desconfortável.
O feminismo tem inúmeros inimigos. Por que deixar que eles nos definam? Esses dias vi uma entrevista linda com o ator e comediante Aziz Ansari (da ótima e feminista série Parks and Recreation). Ansari defende que as pessoas não tenham medo de se assumir feministas. Segundo ele, não dá pra um médico que cuida de doenças da pele recusar o rótulo dermatologista, porque essa seria uma palavra agressiva demais. 
Então assumam seu feminismo. E não deixe que ninguém diga que você não pode lutar contra opressões.

67 comentários:

Anônimo disse...

É diferente usar maquiagem porque você "precisa ser do padrão x" de usar maquiagem porque você considera isso arte e é um acessório bonito. É diferente usar maquiagem porque você se odeia e porque você se ama.

Eu não uso batom, que eu adoro, por que sinto que não tenho direito a usar o que eu gosto porque alguém vai me criticar por "não ser mulher o suficiente" pra isso. Eu só quero usar batom, eu não sei usar primer, base, sombra, nada, eu só queria usar batom :(
Eu só uso uma vez por ano, na Marcha das Vadias :(

i.ssan disse...

É a minha interpretação ruim ou ficou faltando sua resposta, Lola (deixou o pessoal no vácuo, rsrsrs?!)

Anônimo disse...

i.ssan, foi sua interpretação ruim.

Nelia disse...

Por que atem comentários com data de 1 de julho de 2014?
I.ssan, talvez a resposta da lola não tenha saído na data do seu comentário, hehe.
Quando eu li o post a resposta da Lola começa assim: "Minha resposta:".Nelia

Mila disse...

Eu acho onda muito ruim esse negócio de que pra ser feminista tem que ser isso ou aquilo. Ninguém tem moral pra expedir carteirinha de feminismo pra ninguém.
O importante é vc se sentir bem consigo mesma e sentir que está fazendo sua parte. É difícil que a gente se desvincule de todas as opressões patriarcais, afinal vivemos nesse mundo e estamos suscetíveis a ceder, seja por pressão social ou outra coisa.

Anônimo disse...

O que vcs acham do Michelão Temer como novo presidente? parece que a esposa dele é feminista também.

Anônimo disse...

O que eu não entendo, e feminista admitir, ter sentimentos românticos para com o inimigo.
E dizer que combate o machismo, não o homem(Agente opressor)
E como dizer que "combate o nazismo, não os nazistas".

Raven Deschain disse...

Almoço rapidinho, só esse por enquanto: hairy feminist. Huashuahsuahsuahshahshahsua meldels.

Aninha disse...

Anonimo das 11:37, vamos desenhar.

O "inimigo" do feminismo não é o homem e sim o machista (que pode ser até uma mulher).

Então, quando uma mulher se relaciona com um homem, ela não está tendo envolvimento romântico com o inimigo, sacou?

Barbara disse...

Eu tinha uma colega de faculdade que eu pessoalmente nao suportava. Eu achava ela arrogante e mal educada, futil e materialista. Ela era feminista, igualzinha a mim.
Por algum tempo isso me incomodou, como alguem tao desprezivel pode dividir o ideal feminista comigo? Era o meu ego falando... o feminismo nao eh meu, nao eh teu, nao eh de ninguem e eh de todxs.
De todas as coisas que eu nao gostava nela, e isso inclui conviver com ela, essa foi a unica caracteristica que eu tive que admitir que admirava na personalidade dela.

Algumas feministas por nao se identificarem com a tua personalidade, te "confiscam" a carteirinha. Eu quase fiz isso, e muitas pessoas no movimento nao sao pessoas com quem eu teria amizades ou mesmo toleraria socialmente. Mas meu ego eh menos importante que a causa, e esse tipo de conscientizacao nao ocorre com a frequencia que seria ideal.

Como diriam os americanos, it's just business.

Anônimo disse...

Eu tenho 43 anos e me identifiquei com o feminismo há poucos meses.

O interessante, no meu caso, é que esse processo veio junto com uma mudança nos cuidados comigo mesma.

Explico: antes eu vivia pra família, não me cuidava e aceitava uma série de imposições machistas na minha vida (ainda por cima com a culpa por não me encaixar nos padrões estéticos mas sem tempo pra isso).

Comecei a perceber como estava me anulando em função dos filhos (3 homens! com 2, 11 e 14 anos) e do marido e como isso era consequência de uma imposição social que eu aceitava sem crítica.

Passei a frequentar o blog e a questionar com o marido e os filhos mais velhos: por que essa louça eu é que tenho que lavar? Se você vai sair hoje com os amigos (pro marido) eu vou outro dia fazer coisas pra mim e você fica com as crianças. E por aí vai.

E junto com isso veio uma vontade de me arrumar! Pra mim e do jeito que eu me sinto bem. Passei a me maquiar um pouco e pintar as unhas. E eu me sinto ótima!

Eu sei que ser feminista é muito mais do que não lavar a louça (kkkkk) mas o fato é que passei a questionar o que antes era o "meu papel" e a perceber as imposições machistas ao meu redor.

Está dando certo! O marido é um fofo, super me apoia, e os meus filhos estão aprendendo a respeitar as mulheres como iguais.

Gostaria de acrescentar que eu sempre trabalhei e fui muito libertária mas, com o casamento e a maternidade, apesar de continuar trabalhando, comecei a me anular. Eu achava que era natural....mas não é e agora ninguém me segura!!!

Abraços a todas,
Novata Feliz :)

B. disse...

"O "inimigo" do feminismo não é o homem e sim o machista (que pode ser até uma mulher)." (Aninha)

Concordo 100% contigo, mas essa opinião, te garanto, daria briga de faca em grupos feministas do Face e afins, que afirmam que "não existe mulher machista, e sim a que reproduz".

Aliás, sugiro um post/guest post sobre esse assunto, pq ainda não consigo engolir essa ideia.

Anônimo disse...

Que linda e maravilhosa a anonima de 43 anos!!! Vc tem tooooda razão. Antes tarde do que nunca ,né? Sem falar que esndo feminista, vc vai passar para seus filhos que TEM QUE SIM AJUDAR A LAVAR A LOUCA, oras bolas. E faz um favor para as gerações futuras.

Agora, autora do post... sou feminista até o ultimo fio de cabelo. Sabe porque? Porque quero direitos iguais, salarios iguais, poder dar pra 10 na balada e ninguém envher o saco - e falo isso pelas outras, ta? pq eu sou casada e feliz!-. Para poder ser mulher e viver plenamente. Não é isso o feminismo?

E por outro lado, gastei uma fortuna com depilação a laser, adooooro sapatos e todo dia dou uma olhadinha em blog de moda. E sou feminista sim, e ai de quem dizer o contrario.

Porque um homem pode "ser ele mesmo". pode gostar de carro. Pode gostar de perfume. POde gostar de jogar bola. E porque eu não posso fazer coisas de mulherzinha? Onde isso é degradante? POrque eu não posso nem gostar do que eu quero?

Sejamos femnistas. E maquimeos até a orelha, se assim quisermos. POis ser feminista, é ser livre.

Beijao

Luluzinha

Anônimo disse...

Acho que eu já devo ter comentado em outras situações a questão da maquiagem - quando eu adolescente eu vivia numa cidade pequena do interior com provavelmente a população mais machista da face da terra. Lá usar maquiagem, principalmente escura, era motivo para escândalo e escracho. Pra vocês terem uma ideia, algumas mulheres não usavam nada de maquiagem por medo de apanhar do pai ou do marido (ou dos dois).

Maquiagem pode ser sim uma forma de romper com a opressão e uma forma de protesto.
E esse é um dos motivos por que eu adoro maquiagem. Lembro de como minha mãe ficou escandalizada quando eu comprei minha primeira máscara para cílios.

O problema que agora, em muitas sociedades ocidentais, ela se tornou obrigatória. Maquiagem agora não está mais associada a transgressão e se tornou mais um dos trocentos inalcançáveis critérios para se ter "permissão" para existir como mulher.
E é isso que o feminismo combate.

Jane Doe

Jonas Klein disse...

Olá Lola.

Belo artigo este, agora sabe estes relatos, só mostram o quanto as pessoas desconhecem a essência do feminismo. A verdade que coisas como:

1 - ser vaidosa.
2 - procurar manter o peso normal.
3 - ser dona de casa.
4 - ser mãe.
5 - ter um alto padrão de vida.
6 - ser de direita.
7 - casar virgem (se eu para relação comigo, já não curto muito mulher virgem, mulher que quer casar virgem, então não passa da minha friend zone nunca).

Não tem nada haver com ser ou não feminista, e esse desconhecimento das pessoas em sua maioria da essência do feminismo, só mostra o quanto as estratégias de comunicação do movimento com a sociedade, tem sido falhas.

Nada destas coisas, que eu citei acima são incoerentes com ser ou não feminismo.


Incoerência é o que descobri esta manha.

E o seguinte eu descobri que a deputada Maria do rosário, que luta ferozmente pelo desarmamento da sociedade, recebeu uma polpuda doação para campanha dela, da poderosa tiam, tiam, tiam.

Fabricante de armas Taurus, e não venha me dizer que aceita uma doação desta empresa pra ela não e incoerência porque e incoerência sim, e ainda tem gente que faz cara feia, quando eu digo que esta cidadã, e um a das pessoas mais insuportáveis que tem na politica brasileira e especialmente Gaúcha.

Um abraço

Anônimo disse...

Interessante o relato da Novata Feliz.
Acho que a maternidade traz uma carga machista muito grande. Conheço muitas mulheres que se anularam depois que viraram mães. Acho que esse tema merecia um post, Lola.

Anônimo disse...

Anonima que tem medo/vergonha de usar batom... quantos anos você tem?

Pergunto porque sempre adorei short com bota, batom bem colorido, etc.. e sempre morri de vergonha de usar. Não usava mesmo.

Fiz 30 anos agora. E sabe o que? Comecei a usar tuuuuudo. Em um primeiro momento todo mundo estranhou. Agora ninguém da a minima, e eu adoro.

Vai fundo aí no batom. Ainal, é como dizerm mesmo: não são eles que pagam suas contas.

yara

Anônimo disse...

E outra coisa - ser e se assumir feminista não te torna uma super-heroína livre de todo o machismo que nos foi incutido desde a vida intrauterina.
Há coisas no feminismo que me deixam em dúvida. Há coisas com as quais eu ainda não me sinto confortável. Há mesmo coisa com as quais e não concordo.
É um processo lento e muitas vezes doloroso de se livrar de ideias que até pouco tempo atrás você tinha como verdade absoluta.

Devemos entender que feministas são, acima de qualquer coisa, humanas. E todo humano é falho, mesmo naquilo que ele faz de melhor.


Jane Doe

Anônimo disse...

Essa é a mesma questão da "esquerda caviar". Para vc ser de esquerda é obrigatório que vc passe fome e more na rua. Idiota isso. Ser de esquerda é querer que todos tenham as mesmas oportunidades, a mesma qualidade de vida, os mesmos bens de consumo. É nivelar por cima, não por baixo. Acho que ser feminista é a mesma coisa. Assim como um homem dificilmente é julgado pela maneira como se veste, se faz ou não a barba, a mulher também não deve ser julgada por suas roupas e nem pela sua maquiagem.

Lud disse...

Eu acho que feminista pode usar maquiagem e gostar de moda, sim, mas que não faz sentido ela achar que quem não usa ou não gosta é "menos mulher" ou "menos feminina". Em suma, que tal não ficar julgando as outras pela aparência, ainda que você se preocupe com a sua?

Anônimo disse...

Acho que feminista deve sim ter o direito de ser vaidosa, usar maquiagem, fazer as unhas. Eu faço essas coisas de vez em quando, só fico encucada com quem acha que é uma obrigação, critérios que vc precisa preencher para poder existir como mulher (como a Jane Doe disse).
Se você pensar em quanto tempo e dinheiro muitas mulheres perdem com essas coisas porque acham que PRECISAM disso. É um assunto pro feminismo também.

Além de que isso é muito cultural, reparem em como em países mais machistas as mulheres são muito mais preocupadas com aparência. Porque nos é exigido isso. Mulheres em países mais feministas são muitos mais livres dessas imposições.

Não é uma coincidência que quanto mais machista um lugar mais 'vaidade' se exige das mulheres..

lola aronovich disse...

Pessoas queridas, desculpem não poder escrever sobre tudo que vcs querem. Vcs acompanham (porque eu posto todo domingo) as palestras que estou dando, e isso é só uma parte ínfima do meu tempo. Além disso, dou aula na universidade TODOS OS DIAS, participo de várias comissões/representações (ou seja, inúmeras reuniões longas), tenho orientandas, ofereço curso de extensão, tenho projeto de pesquisa, corrijo papers e provas, tenho que preparar aulas e palestras etc etc etc (hoje, por exemplo, estarei na universidade entre 9 da manhã e 10 da noite, com intervalo de uma hora -- agora! -- pro almoço). E dou várias entrevistas também. Ah, e tem o blog, que bem ou mal, é atualizado diariamente. Então tá bem, bem difícil. Março está sendo um sufoco. Espero que em abril as coisas mais ou menos entrem nos trinques e eu tenha um pouquinho mais de tempo, porque, por enquanto, não sobra tempo nem pra dormir.


Vcs vêm que o post foi publicado (sem querer) em julho, sem a minha resposta. É que eu agendo posts, e às vezes esqueço que estão agendados, e aí são publicados sem querer, sem links, sem imagens, sem respostas etc. Foi isso que aconteceu com este post. Ele provavelmente só tinha uma das perguntas/relatos, não os 3. Ontem às 10:30 da noite juntei os 3, cortei algumas partes, revisei, escrevi a resposta, ilustrei, linkei.
Abração, até às 11 da noite! Amanhã às 4 da manhã eu viajo pro Rio.

Raven Deschain disse...

Vamos lá. Moda, maquiagem, unhas: no contexto correto é arte. É lindo. E empoderador. Eu já postei o link, mas aqui vai de novo: http://divando.pop.com.br/contra-campanha-zero-makeup-jovem-faz-video-defendendo-o-uso-da-maquiagem/

No contexto incorreto, como a nossa atual sociedade é escravidão pra maioria das mulheres, verdade. Mas de maneira nenhuma a mulherada é menos feminista por usá-los. Quando há obrigatoriedade do uso ou do não - uso, a liberdade foi pro inferno. Se ser feminista é lutar por liberdade não dá pra ficar cerceando as escolhas das outras com base no que você faz ou não faz.

Nessa tou com o Jonas. Eu curto mulher experiente, vulgo "rodada". u.u


Moça de 11:37: digamos que o machismo seja uma gripe. O/a machista o gripado. Vc trata essa gripe ou mata o doente e problema resolvido? Pq se vc pensa assim, essa é minha cara: O----O

Anônimo disse...

Eu não vou criticar e nem confiscar carteirinha de feministas que usam maquiagem, mas acho sim que nós devemos ter uma visão critica da feminilidade e masculinidade e como essas duas coisas foram construídas historicamente.
E é lógico que a maquiagem e o salto alto fazem parte dessa construção histórica da feminilidade. Podemos considerar o salto alto e a maquiagem símbolos da opressão feminina? Sim, mas não quero cagar regra em quem pode ser feminista e quem não pode.

Vanessa Figueiredo disse...

Não resisti e acabei postando o texto no meu blog, era uma das minhas crises e questionamentos que as pessoas me faziam com frequência, fiz as devidas citações!
http://vanessinhafigueiredo.com
<3

Anônimo disse...

"Porque um homem pode "ser ele mesmo". pode gostar de carro. Pode gostar de perfume. POde gostar de jogar bola. E porque eu não posso fazer coisas de mulherzinha? Onde isso é degradante? POrque eu não posso nem gostar do que eu quero?"

Quem foi que disse que homens são "eles mesmos" quando fazem/gostam dessas coisas?

"Assim como um homem dificilmente é julgado pela maneira como se veste, se faz ou não a barba, a mulher também não deve ser julgada por suas roupas e nem pela sua maquiagem."

OOOOOOOOOOOIII? Vamos fazer um teste de reação pública com um homem de saia e uma mulher de calça na rua?
Laerte Coutinho manda lembranças.

Cêis tão precisando nascer homem pra ganhar alguma perspectiva...

"Além de que isso é muito cultural, reparem em como em países mais machistas as mulheres são muito mais preocupadas com aparência. Porque nos é exigido isso."

Você só se esquece do Oriente Médio, onde mulheres não podem nem usar rímel, né?

B. disse...

Falsa simetria e homoexplicanismo aqui não, né?

Death disse...

Eu não ligo para maquiagem, mas alguns dias acordo com vontade de me maquiar, simples assim. Acho que feminismo é isso, poder ser e fazer o que quiser.

Afinal o feminismo não é plural?

Anônimo disse...

Sem contar que às vezes os estereótipos trabalham contra nós. Essa ideia senso comum que a feminista tem que ser gorda, peluda, masculinizada, lésbica e tudo o mais partem de expectativas externas à nós. É aquela ideia de "sou feminina, não feminista". Acho que isso afasta/ causa dúvidas em muitas moças que acham que pra ser feminista tem que ser exatamente o que o senso comum diz.

Anônimo disse...

Não entendi pq vc não usa batom.

Anônimo disse...

Muito legal essa questão. Nunca fui muito vaidosa, sempre ouvia que deveria ser mais "feminina", porém, desde adolescente adoro pintar as unhas. Faço com prazer.
Quando comecei a ter contato com o feminismo uma garota me falou que pegava mal estar sempre de unhas pintadas, parei de pintar as unhas até perceber que eu estava tolhendo minha liberdade. Puxa, eu não era menos feminista por isso.
Acredito que não deveria existir imposição, quer pintar, pinta, não quer, não pinta. Morro de preguiça de me maquiar, então não me maquio, o que não faz de mim mais ou menos feminista, estou apenas exercendo meu direito de escolha.

Anônimo disse...

Eu acho, sim, que a gente precisa debater os padrões impostos às mulheres e problematizar maquiagem, moda, depilação, etc.
Mas uma coisa é problematizar, debater, e outra é deixar de fazer/usar o que se quer pq alguém disse que "não pode".

Além disso, a gente tem que lembrar que as coisas têm significados diferentes para mulheres com vivências diferentes.
As mulheres negras, por ex, têm uma relação diferente com a maquiagem que as mulheres brancas. A elas não era permitido o uso da maquiagem, a "vaidade". Até hj muitas marcas nem fabricam tons de base para peles negras. Sabe, é bem complicado vir dizer que "não pode" para alguém que nunca teve acesso a essas coisas antes.
As mulheres gordas tbm têm uma relação diferente com essas questões que as mulheres magras. A gorda é vista como relaxada apenas por existir. É diferente uma mulher gorda deixar de se maquiar e se depilar, por ex, de uma mulher magra fazer o mesmo.

Panthro disse...

Eu acho que se você acredita que homens e mulheres devem ser tratados como pessoas ao invés de espécies diferentes, você é feminista. O que você faz de resto na sua vida são escolhas pessoais. Feminismo não é um estereótipo, nem chega a ser um conjunto de valores, é um valor só: A idéia (revolucionária) de que mulheres também são gente.

Anônimo disse...

O esteriotipo de feminista é muito ruim para nós. Estou no ensino médio, e td que as pessoas sabem sobre feministas é que elas são peludas. Só. É impressionante, é só isso. Até meninas que tem ideias bem igualitárias, rejeitam o preconceito contra quem está fora do padrão, por ex., só falam que feministasnão se depilam. Sério, as vezes dá vontade de rir. Pra não chorar.
Carol

Anônimo disse...

Feminismo não é luta pra que a mulher seja livre, ser como ela quiser, sem ser considerada inferior ou reduzida por ser mulher? Se uma mulher gosta de se maquiar, não faz isso pra agradar os outros nem depende da maquiagem pra se sentir bem, por que ela não poderia usar maquiagem?


Otavio, você escreveu bullying errado.

Ah, é mesmo, pra você dizer que um homem fez/falou/pensa algo errado é bullying. Pra você, discordar de um homem é bullying. Responder a um homem é bullying. Explicar porque não concorda com as suas ideias é bullying. Enfim, pra você uma mulher existir sem viver pros homens e pro que eles querem é bullying. Tô morrendo de dó de você...

...só que não.

Denise Marinho disse...

Môr! Não faz isso não! Tasca um ruby woo no beiço e vá ser feliz!

Já ouvi td isso e mto mais, pq além de td sou negra, aliso o cabelo e não suporto roupas coloridas (é, conheço gente q insiste q eu tenho q usar estampa étnica).

Sempre respondo: se eu fosse um homem, você me faria essa pergunta? Acredito que alguém fala essas coisas por que só conhece feminismo de "ouvir falar" nem sempre é por maldade. É nessas horas que temos com muita paciência soltar uma informaçãozinha aqui, outra ali... é um trabalho de formiguinha, tipo convencer td mundo da sua rua q tem q limpar o quintal por causa da dengue, saca?

Anônimo disse...

Otávio, vai lamber sabão!

Denise Marinho disse...

Concordo com você. No sentido que maquiagem/salto podem ser tanto sinônimos de revolta quanto de opressão.

Estava pensando isso na fisioterapia ontem... Tem uma mulher com um puta problema no pé e q continua usando salto pq "nao fica bem" no escritório, "não fica elegante". Pura falta de informação de moda! Hahaha salto já deixou de ser sinônimo de elegância faz tempo. Mas a tia ta lá, sentido dor, se matando na fisio a troco de q? Pra ela é q não é. Será q ela já se questionou?
A base de criação de um sapato masculino é o conforto, ao contrario do feminino, ele pode ser feio, mas tem q ser confortável, senão eles nao compram.
Sintomático, né?

pp disse...

Eu adoro maquiagem e moda. Nada como entrar no escrevalolaescreva e também nos blogs de beleza. São os momentos que adoro no dia.

nadiaschenker disse...

Adorei o post de hoje! E o comentário da Anon que assumiu o feminismo aos 43 anos!

Anônimo disse...

É contraditório sim,criticam a maquiagem, depilação e até o conceito de feminilidade é opressão, construção e assim mesmo adoram tudo.

pp disse...

mas anon das 20:40, é opressão quando a pessoa faz como obrigação. Eu mesma gosto de maquiagem e outras coisas, mas não de salto, por exemplo, e não me imponho usar sapatos que não gosto. A questão é exatamente essa: devemos ser livres para escolhermos o que adotar.

Jonas Klein disse...

Raven Deschain, não que eu esteja te criticando, mas já vi que você gosta de mulher também (foi que me pareceu), confirma isso?


Anônima das 14:08, não é bem assim, no passado homens usavam salto alto, e na Escócia homem anda de saia, procure estuda historia e conhecer cultura de outro povos, antes de fazer comentários.


Otavio, eu morri de rir com o teu comentário cara, o pessoal não percam tempo discutindo com o Otavio, e inútil tenta argumenta com caras como ele, o melhor e ignorar ele sempre.


Anônimo das 20:59, pois é meu chapa o problema maior e que todos não vamos paga essa conta juntos, ainda bem que o aeroporto ainda esta funcionando.

Raven Deschain disse...

Craro, craro. Confirmo sim.

Anônimo disse...

A relação da Raven e Jonas é o ponto alto dessa caixa de comentários.
O Thomas Toddy e a Kittsu são o casalzinho fofo protagonista, a Raven e o Jonas são os coadjuvantes de humor que roubam a cena.

Anônimo disse...

Hahahahahahaha.... gasp gasp hahaha... tem que levar de boa e ao fim e ao cabo eu leio sempre os comentarios do Jonas.

Jac disse...

Tenho alguns questionamentos. Não sobre quem é ou não feminista, mas sobre como contribuímos ou não para um ambiente mais difícil para mulheres.

Por exemplo, uma mulher deve ter sua liberdade de usar maquiagem, salto, etc. Naturalmente, uma mulher feminista que siga essa linha de feminilidade não vai apontar para quem não segue e desmerecer a pessoa. NO ENTANTO, ao ser mais uma mulher com "pele perfeita", "cabelo perfeito", "unhas feitas", essa mulher contribui para uma desnaturalização da mulher. Assim, aquela que não usa maquiagem passa a ser considerada a estranha, a desleixada - a que não segue o comportamento comum das mulheres.

Com mais mulheres aderindo ao padrão de beleza, este se eleva e o que é considerado "belo" passa a cada vez mais ser mais trabalhoso. E quem não quer ter todo o trabalho que demanda estar nesse alto padrão de beleza, passa a estar abaixo da média. E aí o que acontece? A pessoa não produzida passa a ter a auto-estima afetada - e, para ela recuperar, só entrando no padrão. Por isso esse efeito "empoderador" de melhora de auto-estima ao usar maquiagem, ao pintar as unhas, ao fazer o cabelo.

Anônimo disse...

ah, apagaram a piada antes de eu ler..

Anônimo disse...

Ah claro, uma mulher não pode usar o que quiser por que vai atrair o desejo dos homens e despertar a inveja e baixa autoestima nas outras mulheres. Que belo raciocínio.
Vamos proibir as academias também, assim nem homens nem mulheres conseguem ficar mais "gostosos" que os outros.
Melhor, todo mundo de burqa sempre!

Anônimo disse...

Nada foi dito sobre ficar mais bonita ou mais gostosa!!! É sobre o fortalecimento, ainda que involuntário, de um padrão!

Anônimo disse...

Ah, que bom anon das 23:42, achei que esse padrão era sobre estética. Se não é, qual a discussão mesmo?

Anônimo disse...

Recentemente vivi o dilema contrário...

Me considero feminista desde sempre...mesmo! Então quando me tornei católica, com 24 anos, foram alguns conflitos internos por alguns anos! haha

No fim me encontrei... na minha liberdade e individualidade.

Entendi que posso ser o que eu quiser, não o que o feminismo quer que eu seja e nem o que o catolicismo quer que eu seja. Só tenho que estar em paz com a minha consciência.

Adoto o lema de que o pessoal é político. Então contesto bastante a realidade ao meu redor. E qualquer lugar é campo fértil pra questionar esteriótipos machistas (da igreja ao trabalho). Sou do tipo religiosa carola. Ninguém me obriga a ser católica, então, se é pra ser, vou seguir as regras da igreja (ao contrário do grupo CDD). Sou do tipo que se absteve de relações antes do casamento e usa o método billings.
Por outro lado, quando meu marido e eu casamos, ele ainda estudava e não só eu paguei o casamento,como sustentei a casa por um tempo, e por aí vai...

Ps: tb adorei a história da 'novata'.

Anônimo disse...

Jac

Sei lá.. acho que a ideia do feminismo é fazer com que sejamos tão auto confiantes, que realmente sintamos que não precisamos da aceitação de ninguém pra fazer o que queremos... Porque a gente precisa validar nosso comportamento a partir de comportamentos similares?

De qualquer forma, a sociedade sempre vai ter comportamentos 'médios'. Eu escolho me enquadrar naqueles que me convém, faço uma análise de custo x benefício... Por exemplo, eu detesto depilar o bigode. Adoraria ser bigoduda e ter meu bigode validado por outras mulheres bigodudas também... mas me submeto ao padrão. No entanto vou pra academia com minhas belas pernas peludas quase todos dias, e não to nem aí para o que os outros pensam disso. Escolho não me submeter ao padrão.

Também faço academia alguns dias da semana pensando em ficar sem celulite (entrar no padrão), mas nos outros dias da semana, treino artes marciais e vivo com braços e pernas roxos (o preço de não treinar algo que eu gosto é alto demais pra valer a pena estar no padrão).

Anônimo disse...

Pergunta-se, *sem ironias, é uma pergunta mesmo*:
Até que ponto uma feminista pode ir (maquiagem, politica, sexo e etc...) sem se tornar machista ?
Pergunto, pois esse post me lembra uma discussão sobre as Marcha das Vadias, era algo do tipo:

-Se uma das pautas do feminismo luta contra a "objetificação e sexualização de mulheres", a marcha das vadias luta ironicamente para ser livre para ser esse esteriótipo ?

Parece uma pergunta besta, mas entre tantos "blogs feministas" por aí, dá a impressão que se criou um universo de "feminismos" e cada um inventa suas próprias regras.

Carol F. disse...

Eu acho que é um assunto bem mais complexo do que parece e dá muito pano pra manga para debater.
Em princípio eu responderia não, vocês não estão traindo nada. Mas não podemos fechar os olhos para o fato de que as mulheres, em várias situações, são coagidas a usar maquiagem e os homens não. Quem faz produções para sair, ou mesmo ir para a escola, está se divertindo. Mas e quem está no trabalho e recebe a informação de que deve usar maquiagem? E quem recebe a "dica" de que deveria alisar o cabelo? E escritórios onde as mulheres são obrigadas a usar saias e salto alto, que sim, prejudica a saúde? É diferente usar para sair e ser obrigado a usar todos os dias. Ainda, há casos em que não há obrigação formal as as mulheres usam porque é "padrão feminino". Destroem pés com salto por conta própria, não conseguem ir comprar pão sem maquiagem (já conheci um caso assim em primeira mão). Não acho certo perpetuar essa ideia de padrão feminino. Por fim, mencionei só salto e maquiagem mas entra tudo o que é "de mulher".

Rosanna Andrade disse...

O feminismo livrou minha consciencia da obrigacao de varias coisas. Por exemplo, ate acho unhas pintadas legal, artistico e tudo mais. Nos outros eh maravilhoso! Mas tenho uma preguiça absurda de fazer ou que façam pra mim. Entao raramente faço, e qdo faço eh pq a artista baixou em mim =)

Sobrancelha entao nunca mais fiz. N vejo muita diferenca.

Depilacao com cera virou sinonimo de tortura medieval. n faco mais tbm.

Mas certa vez minha mae veio com uns papos muito estranhos insistindo q eu fizesse as unhas e dizendo que eu provavelmente estava "depressiva", ja que nao estava "me cuidando". Fiquei muito ofendida na hora.

Hoje acho q ela aceita melhor, mas n entende completamente.

Donatien Alphonse François disse...

A ideia de que feministas são peludas e descuidadas com a aparência não saiu da cabeça dos homens heterossexuais, embora alguns, não todos, acabem fazendo piadas com isso, veja:

http://blogueirasfeministas.com/2015/03/por-que-zeze-e-cabeluda/

Foram vocês mesmas que começaram isso, para combater a opressão da industria da beleza que vocês criaram.

Wasp Salander disse...

Exatamente, Lud!

Denise Marinho disse...

Jac, acho que muito do q vc falou faz sentido pra mim. Mas aí tb pensei:

Não necessariamente uma mulher "montada" está seguindo algum padrão de beleza vigente, por exemplo roupas da moda, cabelo igual a da novela ou cara de quem fugiu de um blog de moda.

Também acho q uma pessoa q n usa maguiagem e n faz a unha pode ser mto bem cuidada sim! Roupa bem passada, pessoa limpa, cabelo penteado, unhas limpas...

Mesmo entre as mulheres q se dizem feministas as vezes vejo q falta profundidade de reflexão. Não de informação, mas parar pra pensar no outro, buscar o q significam essas coisas na prática. Essa mania que as mulheres têm de ficar xuxando as outras só nos enfraquece enquanto sociedade. Mas acho q a maioria faz isso até sem perceber. Se percebessem e parqssem de fazer isso, poderiam aí sim ajudar quem não tá se sentindo legal a se empoderar como quiser.
Opressão é uma bosta vindo de quem vier e pelo motivo que for!

Bj!

Denise Marinho disse...

Eu acho que a idéia é conscientizar as pessoas da diferença entre "fazer pq TEM q fazer" de "fazer OU NÃO pq vc quer".

Sou um poço de vaidade e tb me digo feminista desde sempre, mas nao entendo direito esse "movimento", já q fui xuxada várias vezes por meninas q eu considero super caretas, dizendo q n pode isso nem aquilo. O anônimo aqui de cima disse q ele ve q existem varios feminismos. Eu super me confundo com isso tudo, oq me guia então é q não há pq o gênero ser determinante de costumes.

Sobre o trabalho oq dizer? Não aceite trabalhos assim. Se mais pessoas tiverem consciência doq estao fazendo, as coisas mudam.

Só faço uma ressalva ao restaurante (minha area por 10 anos): ng paga 300 reais pra ir num restaurante e encontrar na porta uma pessoa com cara de normal. Vc, qdo vai num restaurante considerado "bacanudo" ou "fino", quer viver um sonho. Não tem q ser modelo e toda no padraozinho de beleza, tem q ser *impecável* na apresentação e no serviço. Exemplo? As meninas do terraço italia.

Bj!

Raven Deschain disse...

Nossa Donatien, vc leu um texto claro como cristal e não entendeu? Plmdds. Será burrice contagiosa?

E nós não criamos porríssima nenhuma. Quem não gosta de chupar buceta cabeluda são vcs machinhos frescurentos.

Sara disse...

Já eu acho que isso é uma questão que vai muito além de apenas "usar salto/rosa/gostar de moda/maquiagem não faz de ninguém feminista" porque até aí usar calças, dispensar maquiagem como se ela fosse o demônio e etc também não faz. Aliás, pode ser um indicativo forte de misoginia internalizada, afinal quem nunca ouviu o discurso " não sou como as outras, não faço coisa de mulherzinha" vindo de alguém no estereótipo "tomboy"? Dizer que coisas estereotipadas como femininas são automaticamente inferiores é tomar o feminino por inferior também. Mas assim como usar calças, não se depilar, não usar maquiagem e etc -pode- ser um sinal de subversão e feminismo se aliado ao discurso da quebra de padrões, usar maquiagem e moda podem também servir pra isso sim e podem fortalecer o seu discurso feminista. Usar maquiagem numa cidade pequena e preconceituosa como a descrita por outra comentarista aqui é um ato de subversão. Passar um batom vermelho quando isso é associado a "vadias escandalosas" (lê-se mulheres de sexualidade livre) é subversivo sim, quem nunca ouviu o discurso "mulher pra mim tem que ser linda e natural, muita maquiagem parece um palhaço, use menos porque você fica mais bonita" (e foda-se o gosto pessoal dela, o importante é o macho a achar bonita)? Moda também pode ser uma ferramenta pra isso, sempre estive no meio da moda de subculturas e o homem comum sempre achou isso um horror mas mesmo assim milhares de mulheres seguem em modas alternativas enquanto trocam dicas e elogios entre si e cagam pro male gaze e pras "tendências que os homens odeiam". Luis XIV inventou o salto alto originalmente pra se sentir maior, mais altivo e poderoso e era algo masculino que foi apropriado para o feminino, então porque (se for uma opção minha e não obrigação) não posso me sentir altiva e poderosa usando um sem ser tida por "coitada oprimida"? Não preciso nem ir muito longe, muitas das minhas amigas gordas usam a moda pra se libertar: Se todo mundo diz que gorda não pode usar algo, vão lá e usam mesmo assim. É lindo de ver. As pessoas esquecem que embora seja uma indústria muito focada em opressão, essa estrutura pode ser facilmente quebrada. Não existe só roupa e maquiagem pra parecer a mulher da revista e pegar homem, existe todo um mundo de gente que faz disso uma arte e assim como toda arte nos faz pensar como o mundo funciona e quebra com esses padrões de outras formas, usando as coisas que o patriarcado usa pra nos oprimir como armas contra ele. Não adianta de nada demonizar e rejeitar o que é tido por feminino porque "isso não faz de ninguém feminista" ou tomar isso logo de cara como pressão social e ficar pensando "nossa, coitada, não se libertou do estereotipo patriarcal ainda". Isso é cair em outro tipo de opressão. A intenção não é "evoluir" de """miss"""" pra "natural e feminista", é perceber que você pode pensar fora da caixa e combinar tudo, usar uma maquiagem diferente mesmo que te achem maluca, vestido de gala sem se depilar, raspar as pernas mas não o sovaco, ser gorda e usar roupa curta e foda-se o que o resto achar.

Anônimo disse...

não entendo essa necessidade de aprovação que algumas mulheres tem, pra que perguntar se "posso' usar maquiagem e ser feminista ?
vai viver sua vida, se alguem não gostar e reclamar que está traindo o movimento, para e pensa se vc quer seguir algo que te impõem regras.
parecem mais com crianças do que com mulheres que lutam por algo.

Priscilla Souza disse...

Não entendo.se é sobre liberdade de escolha por que é tão doutrinário sobre como os homens devem ser?por que não é focado na mulher em si?por quer os direitos e liberdades individuais são mudados de acordo com argumento?por que não se fala nada,absolutamente nada,sobre como o comportamento feminino causa danos ,também,aos homens?não faz sentido.volto a falar,já que você não entendeu da primeira vez,seus textos parece uma versão feminista do olavo de carvalho,não fala coisa com coisa.torce a realidade para concordar com a sua opinião.posso estar enganada,mas tudo que li aqui é decepcionante.não consigo ver nada em seus textos que criariam um lugar mais justo para se viver,e se a idéia do feminismo e as mulheres terem mais escolhas, é por que isso seria melhor ou não?

Raven Deschain disse...

Orangotanga!! Vc voltou??

Já pode ir embora.

Vai com dels! =D

donadio disse...

Tem uma palestra muito interessante de uma escritora turca, Elif Shafak, com uma crítica bastante pertinente da "identity politics".

...as much as I love stories, recently, I've also begun to think that they lose their magic if and when a story is seen as more than a story. And this is a subject that I would love to think about together. When my first novel written in English came out in America, I heard an interesting remark from a literary critic. "I liked your book," he said, "but I wish you had written it differently." (Laughter) I asked him what he meant by that. He said, "Well, look at it. There's so many Spanish, American, Hispanic characters in it, but there's only one Turkish character and it's a man." Now the novel took place on a university campus in Boston, so to me, it was normal that there be more international characters in it than Turkish characters, but I understood what my critic was looking for. And I also understood that I would keep disappointing him. He wanted to see the manifestation of my identity. He was looking for a Turkish woman in the book because I happened to be one.

Eu acho que é um pouco isso: estamos desaprendendo a ser indivíduos, e nos conformando cada vez mais com ser "representantes" de estereótipos. Se você é turca, espera-se de você que se comporte de acordo com os estereótipos que temos dos turcos. Se você é feminista, espera-se que você, etc.

Agora, já é chato suficiente quando o seu "ismo" é questionado por pessoas que, bem, fazem jus a pertencer ao mesmo "ismo". Mas atinge o ponto do ridículo quando alguém que definitivamente não pertence ao seu "ismo", e até, muitas vezes, é radicalmente antagônico a ele, vem questionar a sua legitimidade num movimento a que você pertence, e ele/ela não...

Ainda mais quando a crítica não é dirigida às suas ideias e sua suposta incompatibilidade com as ideias (ou, mais frequentemente, com os estereótipos acerca dessas ideias), mas a coisas que não têm relação nenhuma com essas ideias.

Tipo, "como assim, você é comunista mas não gosta do Stalin? Todos os comunistas gostam de Stalin!" é ruim, mas "como assim, você é comunista mas não se veste de vermelho?" consegue ser pior.

Anônimo disse...

Tive uma educação que me incentivou a ser forte e a seguir só a mim mesma desde pequena. Nem sempre deu certo, eu demorei uma vida toda pra "desabrochar". Mas desde jovem eu questionava muitas coisas. Me lembro de detestar trechos de músicas da minha cantora favorita, porque eram machistas... embora eu nem soubesse o que era machismo/feminismo.

Você não precisa abdicar de tudo pra ser isso ou aquilo. Não é um teste, ninguém precisa provar nada.