domingo, 11 de janeiro de 2015

POR QUE NÃO PODEMOS NOS CALAR

Para este domingo à tarde, reproduzo o texto que acabei de receber do Dawton Valentim, estudante de Letras pela UECE:

#PorqueNãoMeCalo Depois de me solidarizar com a @lolaescreva, achei minha própria interpretação para o título de seu blog: Escreva Lola Escreva. Por muito tempo, internalizei minhas discussões acerca das influências do machismo na sociedade. Com timidez, quando via alguém mais militante na causa, me aquietava perto e torcia para conseguir extrair daquele discurso algo que me desse mais material para continuar problematizando uma questão que, infelizmente, enraizou-se à banalidade. 
Material para continuar questionando se minhas atitudes, por mais inconscientes que parecessem ser, não eram resultado de um machismo depositado, uma espécie de "contaminação social".
No episódio que desencadeou a campanha #PorqueNãoMeCalo, tive acesso a discursos de todo tipo. Dos mais absurdos aos mais esclarecedores. Li. Li mais. Pesquisei. Opinei. Mudei de ideia. Esclareci dúvidas. Problematizei. Acho que é isso que anda faltando pra muita gente. Problematizar virou "mimimi". Problematizar virou "se importar com apenas uma piada". Problematizar virou ameça a um sistema cultural predominante que (não consigo conceber) só parece ser visto por uma parte de uma parte de uma parte da população geral. 
Lola diz que "o inimigo não é o homem, mas o machismo", e como não concordar com isso? O machismo bate na mulher, nos filhos da mulher, no gay, em estudante de humanas, em homens que gostam de cozinhar, em mulheres que usam roupa curta, em adolescentes que gesticulam muito, em mulheres divorciadas, em mães solteiras, em filhos de mães solteiras... 
O machismo faz muita gente pensar que monogamia é a única forma válida de amor, que família só é família quando reproduz, que mulher não pode pagar a conta, que só homem pode transar adoidado, que homem não pode chamar outro homem de machista. O machismo tem um quê (triste!) de "doutrinário". Parafraseando, com tristeza, Beauvoir: ninguém nasce machista, torna-se machista.
Não me calo porque o machismo não só estupra, não só humilha, não só motiva ódio, dominação não consensual, não só mutila, mas porque (e não somente) ele marca, se deposita em nós e se banaliza. Não me calo porque uma piada nem sempre é apenas uma piada, porque problematizar é preciso, porque não deve ser assim só porque sempre foi assim. Quando leio "Escreva Lola Escreva", penso na importância da liberdade de expressão, também, para os que problematizam, porque os do lado de lá dizem que "não aceitamos opiniões contrárias às nossas" à medida que eles são os que mais se parecem com os que não aceitam vozes diferentes das deles. Por isso, Escreva Lola, Escreva!
P.S.: A Daniele disse: "Proponho que não deixemos a tag #PorqueNãoMeCalo morrer no Twitter e nem no Facebook onde também tenho usado. 
Quem não usou, pode começar a usar agora. Que ela seja habitual. Vamos fazer do Twitaço apenas o nascimento da TAG que vai representar a nossa luta. Ela pode ser usada toda vez que testemunharmos violência contra as mulheres. 
A tag pode ser usada sempre, inclusive quando formos twittar notícias, como o caso do linchamento da dona de casa no Guarujá que ainda está longe da punição, usar a tag junto dos links das notícias relacionadas à impunidade, injustiça e omissão contra as mulheres e manter a tag ativa o ANO INTEIRO! Façamos dela a nossa voz, a nossa revolta, a nossa indignação, a nossa luta. #PorqueNãoMeCalo #JUSTICA para Fabiane Maria de Jesus!

10 comentários:

D Stoffel disse...

Chega de abuso contra mulher e cagação de regra.

Wellington Fernando disse...

Se o feminismo um dia se calar, significa que o machismo venceu. Não fazer nada diante do que aí está é se omitir, é se conformar com toda violência, injustiça e desigualdade que sempre existiu. Apesar de não me considerar um feminista, sou profundamente grato pela transformação que o feminismo trouxe em minha vida e por ele abrir a minha mente para que eu seja um homem melhor. Por isso, mulheres, não desistam dessa luta jamais. Não esperem que os homens lutem por vocês, porque isso nunca vai acontecer: deixem suas diferenças de lado, se unam e ergam a cabeça. Somente quando todas essas diferenças de gênero construídas culturalmente forem destruídas é que poderemos baixar a guarda. Não se calem jamais e parabéns para todas as mulheres (e homens) feministas. Sejam vocês, sejam livres, sejam felizes.

@dddrocha disse...

<3 Lola

Anônimo disse...

Lola,

não tenho twitter ou Facebook, mas quero deixar aqui minha solidariedade e meu apoio.
Te acho MUITO corajosa e te admiro por você permanecer tão firme mesmo depois de tantas ameaças e insultos.
Eu confesso que no teu lugar, meu espírito já teria se quebrado há muito.
Pra mim, você é uma grande fonte de inspiração e força - uma espécie de Anita Garibaldi =D. Acredito que você entrará para história como tantas outras feministas que lutaram e conseguiram fazer do mundo um lugar menos hostil para as mulheres.

Long life to Lola!!!

Jane Doe

Anônimo disse...

Jamais poderemos nos calar, a revolução é permanente!

Pelo fim dos papéis de gênero, feminismo para sempre!

Raven Deschain disse...

Gente, off topic.

Tou lendo a série Divergente. E recomendo pra quem curte literatura infanto-juvenil. A grande maioria das personagens fortes e marcantes são mulheres. Mostra amizade, sororidade, nada de julgamento sexual, físico ou qualquer outro. A representatividade é uma coisa linda: tem homossexuais, negros, asiáticos, cadeirantes... E o enredo é bastante político. Muito legal mesmo.

L. Coral disse...

Olá, Lola!

Venho entrando em contato com tudo que tem acontecido contigo, me refiro a essas intrigas problemáticas de internet. Sinto muito. O material colocado na internet por uma pessoa manipuladora facilmente dissemina a opinião da mesma. O que o pseudo-humorista, Danilo Gentili faz é a prática da violência verbal, e infelizmente é apoiado por um público ignorante e maleável.
Tenho 19 anos e acompanho seu blog desde os 15. Confesso que tive muitos problemas de auto-estima e distúrbio alimentar por volta desses anos, porém nunca lhe escrevi. Bastava abrir seu blog e você estava lá, os resolvendo para mim. Embora eu não possa lhe retribuir de mesmo modo todo auxílio que você me deu, faço questão de deixar aqui o meu apoio e o meu carinho.
Não se deixe abalar, você é uma grande mulher. Você é a voz de muitas pessoas, tem o dom da palavra e a capacidade de abrir mentes. Além de ser linda demais por fora e por dentro.
Tenho certeza que você é uma ótima educadora na sala de aula assim como é no blog, pelo qual tanto desenvolve nossa frágil população
Para mim essa é a profissão mais linda e gratificante do mundo! Simplesmente, te admiro!
Obrigada por tudo, Lola!

Fique em paz!
Abraços!

Anônimo disse...

Divergente é podre

Bianca Patriota disse...

Gente, por favor, estou bem perdida com relacao a como vai ficar para a gestante q realmente quiser a cesarea, alguem sabe me explicar?? Pq o q parece é que n tera a opção....

Gustavo Nunes disse...

Olá, Lola! Queria agradecer sua atitude de defender as mulheres diante essa sociedade extremamente machista. Conheci seu trabalho através de minha namorada. Esta, por sua vez, se encontrava a pouco tempo em um quadro de bulimia. Seus textos, portanto, lhe ajudaram muito na cura dessa doença.
Ao pesquisar sobre sua luta, me deparei com a horrível opinião do "humorista" Danilo Gentili sobre suas publicações, disseminado discurso de ódio e alienando milhares de pessoas escassas de conhecimento.
Só tenho a te dizer para não se desanimar jamais diante dessas intolerâncias e preconceitos, seu trabalho é maravilhoso e pode ter certeza que há muito mais gente a seu favor. Enquanto homens e mulheres machistas, repletos de conceitos preconceituosos e preocupados com suas imagens nas redes sociais, trazem sofrimento e revolta para as vítimas do cyberbullying, seu blog manifesta aconchego e consciência para diversas pessoas, que te apoiaram fielmente nessa luta.
Agradeço, mais um, por possuir essa coragem de se expor em prol do bem comum e passar adiante o exemplo de respeito ao próximo.