terça-feira, 23 de dezembro de 2014

ENTREVISTA PARA A FOLHA SOBRE O CASO DO PROFESSOR

Semana passada dei uma entrevista para a Folha de S. Paulo, para a querida Marcela Paes, que já havia me entrevistado outras vezes. A matéria saiu bem truncada no domingo, então pedi autorização pra publicar a entrevista completa aqui. Nem sei se o assunto ainda atrai interesse ou se alguém vai ler. Vocês estão todxs viajando mesmo!

Folha: Nesse caso específico do prof. Idelber, a troca de mensagens com as duas mulheres que se dizem vítimas pode ser considerada assédio sexual? Se sim ou não, por quê?
Resp: Acho que enviar foto não solicitada do pênis, como o professor em questão fez com várias mulheres, pode ser visto como assédio sexual. No caso das duas mulheres que denunciaram, uma delas tinha quinze anos quando começou a ser abordada por ele na internet. Mas não sei se foi assédio. Como eu disse o tempo todo, não considero criminoso o que ele fez (mandar mensagens; já usar seu cargo como professor para seduzir alunas é muito problemático, principalmente nos EUA). 
Eu e tantas outras pessoas ficamos surpresas ao constatar que a persona dele -– professor, intelectual, defensor dos direitos humanos, feminista -– é tão diferente do que ele parece ser em particular. Por exemplo, numa das mensagens com a adolescente, ele enviou os prints de uma amante que ele tinha tido. Quando o marido policial desta amante descobriu a traição, colocou uma arma na cabeça da esposa. E o professor usou este caso como modelo do seu sucesso. É bem perturbador.
A moça que me procurou para contar a sua história não era adolescente. É casada e tem 25 anos. Mas o que ela diz é que, se o professor não fosse tão bem conceituado, ela nem teria permitido ser adicionada por ele em sua rede social. É antiético fingir ser feminista para levar feministas pra cama.

Folha: Como as mulheres podem distinguir se estão ou não sendo assediadas nas redes sociais?
Resp: Acho que, de modo geral, as mulheres adultas sabem quando estão sendo assediadas. Uma foto do pênis não é algo muito ambíguo. Aí vai de cada uma decidir o que fazer. O importante é que quem queira denunciar tenha a coragem e as condições de fazê-lo.

Folha: Por que muitas blogueiras femininistas se calaram diante desse episódio?
Resp: Creio que é porque o professor era uma figura muito conhecida e admirada entre várias feministas, que divulgavam mais os textos dele do que os de qualquer blogueira feminista. Muitas preferiram se calar a criticar alguém que admiravam. O outro motivo é que o professor namorava uma feminista. Muitas acharam que falar sobre o caso era expor essa mulher.

Folha: Você foi criticada por outras feministas pela sua postura. Como enxerga essa divisão e essa reação contrária na militância feminista?
Resp: Estou acostumada. A divisão é comum entre as militantes feministas em inúmeros assuntos. Nunca há unanimidade. O que precisamos fazer é aprender a discordar. Por exemplo, não é porque uma feminista discorda da outra que seja mais ou menos feminista.

Folha: Na sua opinião, toda mulher que sofre assédio deveria se identificar? O que acha da não exposição dessas duas vítimas do caso Idelber?
Resp: Para mim, que há sete anos me exponho com meu rosto, nome completo, local de trabalho, todo dia na internet, e que recebo centenas de ameaças de morte e xingamentos simplesmente por ser feminista, é difícil dizer que uma mulher deveria se identificar, porque fazer isso é receber o tratamento que eu recebo. Tenho 47 anos, sou casca grossa e nunca me deixo abalar, mas estamos falando de moças jovens, com menos experiência. Por outro lado, dizer quem você é confere mais credibilidade ao que você está dizendo. De modo geral, por um lado quero que todas as internautas tenham coragem e assinem com seu nome completo. 
Por outro, só o fato de ter um avatar feminino já implica que a pessoa sofrerá muito mais assédio, insultos de cunho sexual e ameaças de estupro do que se tiver um avatar masculino. Então entendo perfeitamente quando uma internauta não quer se identificar.
No caso das duas vítimas, se elas já foram vilipendiadas de tudo quanto é jeito sem se identificarem, imagine como estaria a vida delas agora se todos soubessem seus nomes.

Folha: Por que o prof. Idelber foi tão defendido nas redes sociais? Tanto por homens como também por muitas mulheres?
Resp: Porque este é o comportamento padrão na maioria dos casos de denúncia. Duvida-se sempre das vítimas. As culpadas acabam sendo as vítimas. A sociedade adota o discurso de “denuncie sempre”, mas, quando há denúncias, a reação é sempre desmerecê-las. Como de costume, muitas pessoas só titubearam na defesa do professor quando um homem validou o que as mulheres diziam. Foi quando eu publiquei o depoimento de um ex-aluno do professor dizendo que o que aquelas duas vítimas contaram era só a ponta do iceberg, e que seu comportamento predatório na universidade americana onde dá aula era conhecido. Foi nesse ponto que a opinião pública mudou e muita gente passou a ver as atitudes do professor como impróprias. E foi só aí que o professor se manifestou, ameaçando todo mundo com processo, para intimidar mais vítimas de se manifestarem.

Folha: O que você acha do fato de que o prof. Idelber só gostava de sair com mulheres casadas?
Resp: Não acho nada. Esse é um fetiche dele. Se ele só se envolvesse com mulheres casadas que concordassem com sua abordagem, nem estaríamos falando do assunto.

Folha: Muita gente acha que as críticas ao comportamento do prof. Idelber tem cunho moralista porque ele só gostava de sair com mulheres casadas e também por praticar o "cuckolding". Qual a sua opinião sobre isso?
Resp: Acho incrível que muita gente veja as denúncias como moralistas, e não o fato de um professor que até um mês atrás era um modelo de feminismo escrever mensagens chamando mulheres que transam de putas e seus maridos de cornos. Eu e essas moças que denunciaram temos uma posição favorável quanto ao relacionamento aberto, por exemplo. Quem nas mensagens era contra o relacionamento aberto era o professor. Isso, pra mim, é moralismo.
Eu fico só imaginando o que várias das pessoas que defendem o professor estariam dizendo se fosse um pensador de direita que pedisse para uma moça com quem se comunica entrar num hangout e, quando ela entra, ele está se masturbando. Tenho a impressão que os defensores não seriam assim tão compreensivos. O que é incrível, para mim, é que este professor vinha fazendo isso há anos. Muita gente sabia, e ninguém falava nada. Quando uma das vítimas me procurou, eu pensei que o caso jamais viria à tona.
Que eu saiba, o “cuckolding” é algo bem diferente. No cuckolding há consentimento de todas as partes (amante, esposa, marido). O professor parecia sentir prazer em competir com esses maridos e humilhá-los. Pelas mensagens, percebe-se um comportamento totalmente narcisista, de alguém que tem um ego tão grande que é incapaz de olhar para o outro. Uma atitude nada bacana vinda de alguém que se dizia feminista. 

43 comentários:

Patty Kirsche disse...

Muito melhor ler a entrevista completa, Lola. Legal você ter publicado. ;)

catlin lol disse...

Uma pergunta a namorada ainda tá com ele? Uma feminista namorar com ele é um tiro no pé.

Anônimo disse...

Na verdade as mulheres pareciam querer ficar com ele, mas depois elas desistiam pelo seu comportamento.

Anônimo disse...

Graças a Deus nunca ouvi falar desse idelber, só agora quando ele mostrou a neca.
Não confio em homem feminista

D Stoffel disse...

Não sei porque quer pegar feminista, será que ele acha que elas são as que topam mais coisas no sexo, eu não gosto de nada que ele gostava
anal, cuckolding,bdsm.
Nada disso me atraí e acredito que as mulheres no geral tbm feministas ou não.

Barbara O. disse...

adorei a entrevista. por que saiu truncada na folha????????????? tem no naofode?

Bizzys disse...

Ótima entrevista, Lola. Não tinha lido a versão da Folha, pena que ela não foi completa, pelo que você disse.

Venho acompanhando o caso, mas ultimamente não tenho visto nenhuma novidade. Depois das ameaças do Idelber, houve mais denúncias?

lola aronovich disse...

Oi, gente! Tem um link pra matéria logo no primeiro parágrafo. Eu disse que a matéria "saiu truncada" porque uma matéria que ouviu (ou procurou ouvir) tanta gente, assinada por 3 jornalistas, sair tão curtinha, é sinal de que houve "truncamento". Tipo, partiram de uma pauta e não conseguiram chegar onde queriam. Enquanto eu estava viajando, um jornalista da Época também me procurou para uma entrevista sobre o caso. Ele iria entrevistar várias feministas. Eu não pude participar porque fiquei sem acesso à internet logo no dia seguinte após receber seu email. Finalmente, a matéria acabou não saindo, porque o editor desistiu.
É uma pauta complicada mesmo.
No caso desta matéria da Folha, quanto a que eu falo, meus esclarecimentos são que (como se pode ver na entrevista) eu não disse que há um pacto de silêncio entre feministas para poupar a namorada. E meu blog não foi o primeiro a denunciar o caso. Antes do post houve uma página apócrifa e até hoje há um tumblr escrito pelas meninas.


Catlin, sobre a namorada, não sei se ela continua ou não com ele, e isso não é importante. Ela não tem culpa de nada. Ponha-se no lugar dela -- deve ser difícil pra ela.

D Stoffel disse...

Apoiada deveria ter falado sim, tem páginas que colocam os homens falando que dizem estuprar garotas, inclusive podia criar um grupo de denúncia, eles criam pra porn revanche nós criamos contra eles. Tirar a máscaras deles seria muito bom.

É difícil ser feminista, é uma toda desconstrução, eu entro em blogs e páginas todo os dias , pra reforçar pois é muito machismo na sociedade.
E Eu fico feliz de ver mulheres se defendendo de homens não espero nada.


catlin lol disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...


_tata_


eu quase fiquei com um homem assim ele gostava de tudo isso, parece que é mal de homem eca(detalhe era professor)
por isso nem fiquei a transa nãoo ia ser boa
no final eu nao ia gozar e pra mim isso é o que interessa.

catlin lol disse...

nao dou apoio a esse tipo de mulher, sabemos o que um cara nessa situação faria chamava de puta, ou ate nos matava ou espancava! pra mim se ela a com ele é falta de amor proprio sim
boas festas LOLA e usuarios

André disse...

Interessante é que alguns defensores do professor ficaram mais indignados com o pau de selfie do que com a selfie de pau.

Anônimo disse...

tem muita "gente"=zomi que te odeia mas mta gente que te admira, como dizem
haters gona hate.

@vbfri disse...

Faço coro com o anônimo de 12:10 que nunca tinha ouvido falar dessa figura até vir esse escândalo à tona.
Esse cara é doido.

Ana disse...

Lola, vc tinha dito q sua finalidade nao era a de que o professor fosse demitido. Passou a ser? Nao há provas nem denúncias diretas de que ele tenha seduzido ALUNAS, como vc diz. O depoimento do Alex é indireto, e ele parece ter motivos de raiva do professor.
Acho q vc deveria pensar bem. Ele é um cretino, abrir essa história foi importante, para que outras mulheres que ele assedie saibam de quem se trata, mas ele já ficou desmoralizado. Acho que basta de tanto auê. Para que essa entrevista? Nao seria melhor parar por aí? Acabar com a vida de uma pessoa, sobretudo sem poder ter certeza absoluta do grau de culpa dela, é triste...

Julia disse...

Também nunca tinha ouvido falar do Idelber. Aliás, eu tinha lido aquele texto dele de 2010 que foi linkado algumas vezes mas não lembrava que era dele.

Anônimo disse...

Só mais um exemplo do pq q homem pode NO MÁXIMO ser simpatizante do feminismo, mas nunca, nunca mesmo feminista.

Anônimo disse...

Nada do que o cara fez foi crime, as mulheres sabiam no que estavam se metendo e inclusive a casada curtiu bastante e deu corda pro sujeito até a coisa começar a ficar ruim pra ela, como é bem normal aliás, ninguém é obrigado a aceitar comportamento de gente fajuta.

Ele não fez nada sozinho ou sem a conivência das "vítimas".

Ética tem que valer pra todo mundo.

Anônimo disse...

Lola, você vai falar alguma coisa sobre o caso do Bill Cosby?

lola aronovich disse...

Anon das 4:28, não tinha pretendido falar sobre o caso Bill Cosby. Até porque só fiquei sabendo do caso agora em dezembro, e aí descobri que as denúncias já estão acontecendo desde 2007, 2008, por aí (inclusive, quando eu ainda vivia nos EUA, mas não falaram muito disso na época, não que eu me lembre). Enfim, é muito importante, e aceito guest posts. Quer mandar um? Porque realmente é um caso triste e chocante: Bill Cosby sempre foi um símbolo pra comunidade negra nos EUA, e aí a gente começa a ver todos os podres... Ah sim, e li também que o caso só voltou à tona porque um comediante falou disso. Quer dizer, enquanto eram as mulheres que denunciavam, elas eram desacreditadas e ridicularizadas. Sounds familiar, né?

lola aronovich disse...

Ana, o Alex foi uma das pessoas que sofreram assédio moral nas mãos dele. Parece ter sido bastante traumatizante. Há sim algumas coisas acontecendo nos EUA, mas não me sinto autorizada para falar delas no momento. As duas moças que fizeram a denúncia acabaram não querendo falar com a jornalista, então ela me perguntou se eu poderia ser entrevistada. Só isso. É ridículo falar de "acabar com a vida de uma pessoa". Vc parece não saber como o privilégio funciona. É tão ridículo quanto ele dizer que está sendo perseguido por motivos políticos. Pelamor! Pois é, as duas moças que fizeram o tumblr eram agentes infiltradas!


Julia, Vbfri, SAUDADES!

Anônimo disse...

" Ah sim, e li também que o caso só voltou à tona porque um comediante falou disso. Quer dizer, enquanto eram as mulheres que denunciavam, elas eram desacreditadas e ridicularizadas. Sounds familiar, né?"

Exatamente Lola. Um monte de mulher contando histórias realmente parecidas em épocas separadas e ninguém acreditou, apareceu UM homem pra validar a história, pronto, aí virou verdade.

Anônimo disse...

Deve ser uma pauta tão complicada que a revista Veja não falou sobre o assunto. Eu pensei que a Veja ia fazer uma matéria pra sambar na cara da esquerda, tripudiando do fato de um dos seus porta-vozes ser desmascarado
como feminista e se vingando dele ter falado mal da revista em vários posts do seu blog, mas nada. Ou não quiseram se comprometer tocando num assunto espinhoso ou não quiseram dar cartaz para o movimento feminista.

Sobre não haver provas nem denúncias diretas de que ele tenha seduzido alunas: que tal alguém ir atrás da confirmação da história de que ele foi demitido da Universidade de Illinois por assédio a alunas? Procurar
a Universidade e solicitar cópias de documentos internos que relatem sobre a sua expulsão?
Por que uma demissão desse tipo não é feita verbalmente, sem gerar ao menos um memorando. Se houver alguém interessado em conseguir provas mais concretas, sugiro ir por esse caminho.

Anônimo disse...

Ana, o comentário mais sensato que ja vi nesse blog

Anônimo disse...

Lola: você viu que a Dilma nomeou a Kátia Abreu pára Ministra da Agricultura? Merece um post, não?

Raven Deschain disse...

Gente, não entendi aquele primeiro print. Ele mandou a foro da moça com a arma na cabeça e a pessoa que tava falando com ele riu? É isso? Oo

Pq se for... Bem, estranho. Mas enfim, sou dessas que nunca tinha ouvido falar desse cara. Sobre feminismos, não costumo frequentar sites e blogs de autoria masculina. Gosto mesmo das molheres.

Anônimo disse...

COMO VC É CHATA! O CARA É UM IDIOTA MAS NENHUMA DAS MULHERES É VITIMA DELE. MUITO COITADISMO P/ MEU GOSTO

@vbfri disse...

Com tudo isso, periga na hora H o advogado do cara alegar insanidade mental e o psiquiatra chancelar isso. O cara é doido de pedra. Narcisista ao extremo.
O problema do assédio sexual é justamente esse: a dificuldade de comprovar.
Uma vez eu fui dar carona para o pai de uma das minhas melhores amigas (ele tava sem carro e era caminho). No trajeto ele passou a mão em mim (quase bati o carro).
E aí? Cadê prova? Seria a minha palavra contra a dele. Ele era jurista renomado, doutor em direito, cheio de títulos e honrarias.
Eu era uma estudante de direito.
Nem perdi meu tempo denunciando. Só ia ganhar dor de cabeça e ia ser taxada de louca.
Porque, né? De alguma forma a culpa era minha.
Vários anos depois disso, fui levar uma amiga pra fazer B.O. na Delegacia da Mulher contra o ex dela (apareceu quando descobriu que ela estava namorando) e os policiais tanto fizeram que ela desistiu de registrar a ocorrência. Segundo eles, ela não ia querer ACABAR com a vida do cidadão SÓ por causa de uns tapas, né? Porque ele JÁ TINHA passagens pela DEAM antes da Lei Maria da Penha... E, por causa disso, ele seria PRESO... Só por causa de "UNS TAPINHAS!" E eu o tempo todo afirmando que ela deveria, sim, registrar ocorrência, principalmente porque ele JÁ TINHA batido em OUTRAS.
E a derradeira: "ah, mas conversa com ele. Tenho certeza que vocês podem resolver isso na conversa".
E eu "qual parte do cara ter batido nela você não entendeu"?
No fim das contas tinham uns 3 policiais (todos homens, na Delegacia da Mulher) COAGINDO a menina a NÃO registrar a ocorrência.
Daí ninguém sabe o porquê dessas m*rdas serem subnotificadas.

Anônimo disse...

ô Lola te contaram que prenderam um assassino em série de mulheres na baixada fluminense?

Foram mais de 40.O que tua acha a respeito?

Anônimo disse...

Um dos motivos pra não participar da entrevista foi saber que ela seria truncada, resumida, alterada.

O outro foi o fato de a internet inteira querer discutir nossas vidas, nossas condutas e pq fizemos isso e aquilo e não o fato do amiguinho ser um predador, que sente prazer em assediar e humilhar mulheres enquanto discursa pelas minorias.

Já li tanto absurdo por aí, tanto julgamento errado, tanta avaliação de quem não faz ideia de 1/3 da história mas faz questão de atirar pedras nas ~adúlteras~...
Até agora não consegui entender se somos putas ou moralistas, mas é quase um consenso que fomos rejeitadas e que somos loucas.
Como se fosse algo fácil e simples se encarar como vítima de um predador.

As denúncias e os outros depoimentos mostraram que a coisa é ainda pior do que imaginávamos. O depoimento de Alex Castro veio para confirmar o que todas as vítimas sabem, que ele é um predador e já tem todo um roteiro elaborado para atrair suas presas.

Mas, enquanto a maioria das pessoas e os/as amiguinhos(as) avaliam a conduta das mulheres, muitas outras vítimas dele optaram pelo silêncio, pois já sabem o que as aguarda.

Viemos a público para denunciar um predador sexual e foi exatamente isso que o Alex confirmou: "essas mulheres fazendo denúncias não estão loucas, não estão inventando, não estão exagerando, não estão vendo coisas.
e, mais importante, não estão sozinhas.
o que aconteceu com elas é parte de um padrão que já acontece há muitos anos, e que vem sendo silenciado, relevado, e perdoado por pessoas que ou admiravam, ou temiam, ou precisavam do idelber."

Mas a mensagem que recebemos foi: fiquem caladas e deixem que outras mulheres continuem caindo na armadilha. Vcs são apenas putas esquizofrênicas e não foram vítimas de nada.

O que importa realmente é que o alerta foi dado e daqui pra frente toda mulher que for abordada por ele, menor de idade ou não, saberá com quem está lidando de verdade e esse era o objetivo das denúncias.

Agradeço por tudo Lola, abração pra vc e Feliz Natal :)

Anônimo disse...

Off topic:
Em pleno século 21, mulheres sendo vendidas como escravas sexuais, pelo islã, triste :(
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/12/23/fui-vendida-por-r35-como-escrava-sexual-pelo-estado-islamico.htm

lola aronovich disse...

Anon das 10:41, sim, "me contaram" q prenderam um assasssino em série. Pelo (pouco) que li, ainda estão investigando se ele de fato matou 40 mulheres (psicopatas costumam aumentar o número de vítimas). O que eu acho a respeito? Que tipo de pergunta é essa? Acho horrível, mas não sei escrever um post sobre isso que não demonstrasse o óbvio. Se alguém quiser se arriscar e escrever um post que fuja um pouco do óbvio sobre o assunto, eu publico como guest post. Porque só pra noticiar que foi preso um serial killer misógino, temos jornais pra isso.


Bravo, anônima das 10:45 e vbfri!

Anônimo disse...

Em relação a esse caso, fiquei estarrecida ao ver mulheres e principalmente feministas jogando pedras e julgando algumas vítimas só pq eram ou são casadas. Gente, que feminismo é esse? Moralista?
Não sei se esqueceram, mas vivemos num mundo machista, com homens machistas, com diferentes tipos de atitudes machistas. E numa sociedade que adora dar ênfase ao amor romântico e a monogâmia como verdades absolutas, como único meio de sermos felizes. As mulheres no geral são mais incentivadas do que os homens a acreditarem nisso e sabemos que mt coisa dita é pura ilusão. Amor romântico mts vezes não é bom, nem todo mundo é monogâmico e nem todo mundo quer ter alguém do lado pra ser feliz. Aliás, a felicidade tá em nós mesmas e não apenas nos outros(homens).
E com tudo isso, qts mulheres não se desiludiram com seus companheiros, qts depois de juntarem as escovas passaram a ser abusadas e qts perceberam que não são capazes de viver apenas com 1? E qts são julgadas e agredidas qd decidem que não querem mais isso? Ou as que não podem sair fora?
E qts tb, não se sentem seduzidas por alguém que diz ser feministas, como esse Idelber, com alguém que as trata diferente, que aparece defendendo elas em contraposição a seus namorados e maridos machistas que não as tratam como deve?
Não sei se esse professor babaca pensou nisso, sabia que mts tem companheiros assim e usou isso pra se dar bem. Não sei, mas pode ser.
Porém independente disso, é feio ver mulheres julgando mulheres, mulheres que são a parte mais fraca e fragilizada dessa história, as vítimas. Não importa se tão traindo, ninguém sabe o que passou pra elas aceitarem esse cara(às vezes pode sim ter rolado admiração que pode ter virado atração sexual).
A traição delas é o de menos. O que importa é o que esse Idelber fez e ponto final.

Anônimo disse...

Não consigo ver vítimas nessa história, o cara fala um monte de merda,é escroto,elas dizem q acharam ele um babaca mas ficaram com ele assim mesmo e por isso viram vítimas?
Foi escolha delas e as q traíram os maridos, colocam a culpa de um ato delas nesse professor,elas n tiveram culpa alguma na traição,foram manipuladas...
Não dá para engulir isso,n é a traição em si ,é ridículo tirarem a responsabilidade pelos próprios atos.
N importa qual foi o motivo de terem um caso com ele,o fato é q nenhuma delas foram obrigadas ou chantageadas para ficarem com ele.

Julia disse...

Raven, eu também não tinha entendido. Tanto é que comentei uma besteira qualquer naquele post sobre se tinha foto ou se ele tinha inventado isso.

Mas depois entendi. Ele estava conversando com a adolescente e para se gabar do seu poder de amansador de cornos ele mostrou uma conversa que teve com outra mulher em que esta mulher conta que o marido policial a ameaçou com uma arma por causa da traição. E ele achou isso engraçado.

Anônimo disse...

Lola,
cada vez mais admiro sua coragem. Concordo com a sua posição nesse caso (em geral concordo com as suas posições aqui no blog). Mas confesso que não sou tão corajosa a ponto de dar minha cara a tapa. No entanto,estou disposta a ajudar (juridicamente) no que puder, daqui de São Paulo, se você ou as denunciantes precisarem. (recebeu meu e-mail?).
Abraços,
N.

Carla disse...

"é feio ver mulheres julgando mulheres, mulheres que são a parte mais fraca e fragilizada dessa história, as vítimas"


Feio e irritante é ver que quando convém,a mulher sempre é a idiota fragilizada,que não é capaz de pensar por contra própria(onde vai parar o empoderamento,mulheres fortes,que sabem o que fazem?).
Para mim essa história se resume a mulheres que se envolveram com um idiota,se arrependeram e como não querem assumir que fizeram uma escolha errada,basta jogarem a culpa de tudo no professor idiota.

Não faz o menor sentido a posição de vítima,elas alegam que ficaram ofendidas com as merdas que ele falava e com a foto do pinto murcho dele,daí se sentiram tão abusadas que tiveram um caso com o cara??
Não vejo moralismo nenhum em falar da traição de alguma delas,elas trairam,problema delas,mas é cara de pau demais dizer que a culpa é só do amante.

Parece que vocês passam a mão na cabeça dos erros das mulheres sempre,se fosse o contrário,alguma de vocês engoliriam essa história?

"Ah,sou um pobre homem fragilizado,entrei na net,encontrei uma mulher bem podre,mas tive um caso com ela assim mesmo,trai minha esposa/namorada,mas eu não tenho culpa de nada,fui manipulado."

Ana disse...

Anônimo das 19:49: ir atrás disso para o quê? Quer ser o "julgador", tomar a justiça em maos?
Eu concordaria que o cara perdesse o emprego se fez algo com ALUNAS ou ORIENTANDAS, mas nao bastam boatos sobre isso ou uma denúncia de um desafeto dele! Que nao falou nada sobre o próprio problema que teve com ele, mas que "sabe" de outras coisas que nao pode dizer. Assim ficamos iguais à mídia...
Se ele fez algo com alunas, que elas DENUNCIEM, mesmo se anonimamente. Agora vcs quererem tomar a "justiça" em maos, nao se queixem de receber críticas de que estao praticando linchamentos.
Reparem, nao estou falando das denúncias iniciais, com as quais concordo. E que foram feitas por, ou a pedido, de algumas das próprias envolvidas, e nao de gente agindo por elas. Mas acho que o resultado a ser obtido -- que ele nao engane mais ninguém -- já foi obtido, e que continuar agora é sim perseguiçao.

Raven Deschain disse...

Ah entendi. Valeu, Julia. =)

Cão do Mato disse...

Pois é Carla, você tem toda razão. Aliás, semana passada li na Internet uma notícia sobre um jurado do Master Chef, aquele careca todo tatuado, em que ele comentava sobre o assédio das mulheres. Disse que tinha mulher que mandava foto pelada. Já imaginou a gozação que ia ser se ele fosse fazer uma denúncia, se dizendo "traumatizado" com o episódio?

Anônimo disse...

Se tivesse dado tudo certinho, se o professor Pardal fosse um fofinho que cantasse mulheres casadas e levasse adolescentes para sessões carinhosas de sexo, todo mundo ficaria bem quieto e foda-se ética né.

Mas como não deu tudo certinho, o professor Pardal é um monstro malvadão que colocou pistolas na cabeça de mulheres casadas obrigando-as a dar bastante corda para suas conversinhas picantes de MSN.

As pessoas só se arrependem do que dá errado.

Anônimo disse...

"Se ele só se envolvesse com mulheres casadas que concordassem com sua abordagem, nem estaríamos falando do assunto"

Tipo aquela que fez o primeiro relato? Ah...