sexta-feira, 9 de maio de 2014

HÁ MOTIVO PARA HAVER TANTOS ESTUPROS NOS SEUS PROGRAMAS DE TV FAVORITOS

Pedi para a querida Elis traduzir este artigo muito interessante de Eliana Dockterman, publicado na Time:

Top of the Lake
Este ano na TV, personagens femininas foram forçadas, repetidas vezes, a lidarem com estupros ocorridos em seu passado –- um enredo que reflete como nossa sociedade finalmente está enfrentando a cultura do estupro.
Anna em Downton Abbey
Houve uma quantidade enorme de estupros na televisão este ano. Embora esperemos roteiros com estupros em programas sobre procedimentos policiais como Law and Order: SVU, a violência sexual se tornou um tema corrente também em dramas intelectuais: The Americans, Scandal, Top of the Lake, House of Cards, Game of Thrones e Downton Abbey destacaram ocorrências desse tipo de violência. Algumas pessoas ignoraram a tendência, considerando-a uma maneira fácil de criar tensão e drama e obter compaixão. Ao lado da morte e de torturas, o estupro está no topo da lista de piores coisas que podem acontecer com uma personagem.
“Agora, em vários dos estupros recentes na TV, temos personagens femininas que são vistas pelo público como frias, impiedosas e calculistas. Essas personagens são desgostadas ou até mesmo odiadas pelo público”, afirma Lisa Cuklanz, professora no Boston College e autora do livro Rape on Prime Time (Estupro no Horário Nobre, em tradução livre). “Quando ficamos sabendo de sua vitimização sexual, este novo conhecimento serve para humanizar a personagem.”
Estupro de Mellie em Scandal
Elizabeth, de The Americans; Mellie, de Scandal; Robin, de Top of the Lake, ou Claire, de House of Cards, se encaixam no perfil da mulher forte, porém fria, que pode ser difícil de amar. Mas às vezes o estratagema do “estupro por compaixão” tem efeito inesperado e parece ser um recurso barato, como muitos observaram no início do ano, quando um flashback em Scandal mostrou Mellie sendo estuprada pelo sogro.
Mas eu não acho que seja o caso da maioria dos enredos. Há algo diferente nesses estupros. Nós costumávamos ver ou ser informadxs de casos de violência sexual em tempo real, e víamos como eles mudavam as personagens. Agora, os roteiristas revivem ataques que ocorreram antes da linha do tempo do seriado. No caso de The Americans, Scandal, Top of the Lake e House of Cards, a trama traz uma mulher que precisa lidar com uma violência sexual sofrida anos, ou mesmo décadas antes. 
Não vemos o ataque em tempo real, mas em um flashback (se o virmos). Essas mulheres já lidaram com as consequências, enterraram a dor e seguiram adiante com suas vidas. Apenas quando o estuprador reaparece (The Americans, House of Cards) ou quando uma nova circunstância, como a investigação de um crime ou uma entrevista, as faz lembrar do incidente (Top of the Lake, Scandal) a “trama do estupro” começa.
E essa mudança na maneira como a violência sexual é retratada não é uma total coincidência. A televisão está reproduzindo o que vem acontecendo em nossa sociedade em maior escala. Como uma cultura, estamos -– assim como essas personagens ficcionais -- enfrentando de novas maneiras o problema do estupro, antes relegado ao esquecimento. A ideia de “cultura do estupro” surgiu nos últimos anos como um tema importante de discussões e debates. 
Joan estuprada pelo noivo em
Mad Men
O caso do estupro em Steubenville, ataques sexuais em campus universitários e ataques dentro da corporação militar trouxeram o problema do estupro, existente há muito tempo, ao primeiro plano na mídia. Nós vimos tramas em que as personagens se vingam de um estupro (Veronica Mars), salvam a si mesmas ou outras personagens de um estupro (Buffy) ou usam o estupro como uma mudança de enredo na história de um casal (Mad Men). Mas essa nova safra de sobreviventes de estupros que lidam com as consequências de longo prazo dos ataques que sofreram parece nascer diretamente de nossa cultura.
Elizabeth em Americans
Como Joel Fields, produtor de The Americans — um drama de espionagem ambientado na Guerra Fria e exibido pelo canal FX — observa, “Tem havido um esforço no vocabulário popular para parar a se referir às pessoas como vítimas de estupro e passar a chamá-las de sobreviventes do estupro. E isso realmente se aplica [a Elizabeth].” Mesmo assim Joe Weisberg, criador e roteirista principal do seriado, afirme que eles não escreveram o roteiro como um truque para obter a compaixão do público, e sim como um segredo de longa data que a impediria de se aproximar de seu colega espião e marido Philip.
“Seria algo que ela reprimiu”, diz Weisberg. “Em nossa trama, acredito que muitos de nossos esforços se concentram na ideia de que a repressão do ataque foi um grande fator que a separou de seu marido ao longo dos anos." Somente quando Elizabeth revela o segredo para o marido, o casal consegue começar a eliminar o espaço que há entre eles.
The Americans levou o padrão a um outro nível, de maior metalinguagem, nesta temporada: Elizabeth continua se recuperando por meio de um tipo bizarro de terapia, disfarçando-se de vítima de estupro para obter informações de um alvo.
“Elizabeth disfarçada com Brad começa a falar sobre o estupro e o reformula de forma consciente e inconsciente ao mesmo tempo. Mas disfarçada, e por meio de outra identidade, ela consegue pela primeira vez expressar e explorar alguns dos sentimentos nesse bizarro ambiente paralelo que é seguro para ela”, diz Fields.
Claire em House of Cards
Como espiã, Elizabeth desempenha o papel da vítima que vemos tradicionalmente na TV — uma tentativa clara de obter compaixão. Mas Elizabeth, a esposa e mãe, luta muito mais profundamente para lidar com seus sentimentos relativos ao estupro. [SPOILERS] Elizabeth pode se consolar com o fato de que seu marido matou o estuprador; em House of Cards, Claire pode ficar orgulhosa de si mesma por seu plano para justificar um aborto e retaliar seu agressor ao mesmo tempo, anunciando seu nome na rede nacional de TV;
Duas sobreviventes em Top of the Lake
em Top of the Lake, Robin pode respirar aliviada sabendo que o homem que orquestrava uma rede se exploração sexual de menores está morto; em Scandal, Mellie -– bem, pelo menos seu sogro finalmente morreu.
Mas essas mulheres começam a realmente se recuperar quando o segredo é revelado –- ao mundo, a seus maridos ou a um(a) confidente, não quando elas se vingam.
Elizabeth e Philip se aproximam em The Americans quando ele fica sabendo do ataque; em House of Cards, Claire se torna mais forte e se vinga do agressor sem ajuda do marido (normalmente, ela segue as ordens do marido calculista); 
em Top of the Lake, o seriado termina com Elizabeth pronta para ajudar a criar uma criança que foi resultado de um estupro coletivo (após entregar o próprio filho para adoção muitos anos antes), e em Scandal Mellie se consola com a escolha de seu marido pelo candidato Andrew à vice-presidência — o único que sabe de seu estupro.
Conscientemente ou não, isso reflete o esforço de nossa sociedade de desenterrar ataques, novos ou antigos, e de lidar com o fato de que há muito tempo o estupro é algo que é varrido para debaixo do tapete. Apenas assim podemos começar a nos recuperar.

24 comentários:

Anônimo disse...

" Conscientemente ou não, isso reflete o esforço de nossa sociedade de desenterrar ataques, novos ou antigos, e de lidar com o fato de que há muito tempo o estupro é algo que é varrido para debaixo do tapete. Apenas assim podemos começar a nos recuperar. "

To sentindo cheiro de imperialismo norte-americano hein.
Você tem essa conclusão se baseando em séries gringas? de qual sociedade que você tá falando Lola?
É uma conclusão bastante questionável essa sua.

Anônimo disse...

Coincidiu do blogueiras feministas ter traduzido esse artigo há um tempo atrás.
Acho interessante que se fale a respeito de estupros em seriados, mas em Downton Abbey eu não gostei da forma como foi conduzida. Primeir que eles usaram uma personagem que é uma das mais queridas por quem acompanha a série, segundo porque fizeram a história ser sobre o marido dela. Porque ela foi estuprada por um cara que estava de passagem na casa da família (não da família deles, da família nobre, a Anna e o marido são empregados na casa) e a ela não queria que o Bates descobrisse por medo do que ele poderia fazer com o cara. Mas o Bates percebeu que ela estava mal e depois de um tempo a Sra Hughes (pra quem a Anna tinha contado primeiro) contou pra ele. Tudo levou a crer que ele matou o cara, mas foi disfarçado como um acidente de trem. Então ficou essa dúvida no ar, e antes a tensão de saber se ele ia descobrir ou não e o que ia acontecer. O sofrimento da Anna ficou em segundo plano, achei isso horrível, perderam uma oportunidade boa de desenvolver isso.

lola aronovich disse...

Putz, que droga, Anon das 14:05. Não vi que o Blogueiras Feministas tinha traduzido o artigo. Não apareceu nem quando eu estava procurando imagens no Google pra ilustrar o post. Enfim... Muito interessante isso que vc diz do Downton Abbey. Fiquei surpresa em ver que Anna foi estuprada e que ela não conta pro marido, com quem tem muito companheirismo. Eu vi a primeira temporada e adorei, a segunda beeeem menos, e aí acho que parei de ver quando um dos protagonistas morre (é na terceira?). Depois não vi mais. O maridão continuou vendo, e recomenda. Eu cansei um pouco. Mas concordo plenamente com o que vc diz sobre terem transformado o sofrimento da Anna no sofrimento do marido, o que é algo bem machista de se fazer.


Anon das 13:53, vc leu o começo do post? Em que deixo claro que o texto é uma tradução da Elis de um artigo da TIME? Acho que tem muita gente que não lê os posts, ou se lê, tem problemas na interpretação de texto. Porque o que tem de gente que acha que eu sou autora de guest post e de outros posts em que a fonte é citada (e não sou eu), não tá no gibi...

Anônimo disse...

Anon da 13:53, o post é uma TRADUÇÃO de um texto, a conclusão não foi da Lola e sim da autora(autor) do texto original. Pq esse blog sempre atrai analfabetos funcionais, hein?

Anônimo disse...

só fala disso! vira o disco!

Renata disse...

O estupro em Beverly Hill 90210 (Barrados no Baile, lembram? Eu adorava!) sofrido pela Kelly me marcou muito.
-Na verdade, na primeira temporada ela conta que a primeira relação sexual dela foi um "date-rape".-
Já na temporada nove, Gina conta pra Kelly que quase foi estuprada na saída do clube mas a Kelly não acredita.. aí, um tempo depois a própria Kelly é estuprada num beco escuro..
Dia depois, quando ela tá na loja da amiga, o estuprador entra e avança com uma faca e ela atira nele.

O estupro sofrido pela Charlotte em Private Practice (spin-off de Grey's Anatomy) também mexeu muito comigo. Foi brutal. A cena do ocorrido, os flashbacks de Charlotte, a reação dela, tudo.
Num episódio posterior, uma outra personagem (Violet) conta para Charlotte que ela que foi estuprada na época da faculdade.

Nesses dois seriados, a trama toda por causa dos estupros é bem perturbadora. Impossível não se relacionar com as histórias.
Só assistindo pra saber.

-O episódio do ataque de Charlotte passou pouco tempo depois de eu ter sito atacada também. Eu passei muito mal assistindo, mas, nos episódios seguintes a força de Charlotte acabou me ajudando a ser forte também. Parece idiota um drama de TV ter me ajudado, mas foi praticamente a única ajuda que eu tive.

D Stoffel disse...

Olá tem um tumblr muito legal pra quem é feminista se chama como comoumafeministasesentequando
mostra através de gifs como as feministas se sentem nas situações
vale a pena dar uma olhada

http://comoumafeministasesentequando.tumblr.com/

D Stoffel disse...

e esse gif foi feito pra lola rsrs

http://comoumafeministasesentequando.tumblr.com/post/32379434581/le-um-post-no-blog-da-lola-que-resumia-tudo-aquilo-que

Kittsu disse...

Em um circulo de ativistas pelos direitos dos animais, fala-se dos maus-tratos e debatem a lógica que leva uma pessoa a cometer maus-tratos para poder compreender e combater. É óbvio e não há questionamentos, ninguém acha que eles falam disso porquê querem que animais sejam maltratados..
Em um circulo de ativistas pelos direitos das crianças, fala-se das formas de violência contra a criança, os sinais que podem garantir a identificação de uma ocorrência dessas para evitar a continuidade do abuso. É óbvio e não há questionamentos, ninguém acha que eles falam disso porquê querem que crianças sejam agredidas.
Em um grupo de apoio para toxicomanos, fala-se dos malefícios das drogas e como evitar o consumo É óbvio e não há questionamentos, ninguém acha que eles falam disso porquê querem que as pessoas se droguem...
E por aí vai.
Um grupo se junta para discutir as mazelas que atingem o gênero feminino, e quando falam do mais óbvio aparece um monte de debilóide "AI VOCÊS FALAM DEMAIS NISSO VOCÊS QUEREM SER ESTUPRADAS HUR DUR". Se você é um desses, faça um favor: vá punhetar usando um ralador de queijo.


Bizzys disse...

Interessante o texto, não tinha visto essa recente inclusão de histórias de estupros em séries por esse lado. Acho que é porque nas séries que eu assisto não ocorre essa problematização.

Game of Thrones tem me decepcionado muito nesse aspecto. Além das várias cenas de estupro e ameaças que também ocorrem no livro, os diretores se dão a liberdade de transformar cenas de sexo consensual no livro em estupro na série, e acrescentar ameaças desnecessárias só para chocar. Um exemplo:

[SPOILER]No episódio 5, a Meera Reed, uma adolescente, é ameaçada de estupro por um ex-patrulheiro da Night's Watch, uma cena incrivelmente nojenta, onde ele pergunta "aposto que você gosta que seja por trás, né?" e outras coisas horrorosas. Isso não acontece no livro e não acrescentou NADA à história, foi colocado só pela necessidade de chocar o público.[/SPOILER]

É triste essa falta de sensibilidade de autores/diretores/roteiristas com um assunto tão sério quanto estupro, dá pra ver que essas pessoas não tem o mínimo de empatia com mulheres mesmo.

Caroles disse...

Eu não concordo que o jeito que lidaram com o estupro da Anna em DA foi machista. Digo, foi, mas porque é uma série que se passa nos anos 20/30, e achei que foi um "machismo realista". Não concordo nem um pouco quando dizem que o sofrimento da Anna não teve destaque ou não foi mostrado. Vimos ela sofrer bastante sim, e achei que fez bastante sentido (principalmente considerando-se a personagem e sua personalidade - além da época) que ela tivesse como grande preocupação esconder o acontecido, e que ela colocasse os sentimentos do marido em primeiro plano. Fizeram um comentário com essa opinião no Buzzfeed e eu gostei muito do que uma guria respondeu: eu acho mais feio tentar decidir como a vítima deveria reagir. Enfim, como eu disse, vemos o sofrimento dela sim, em diversos momentos... e a época, local e circunstância não podem ser desconsideradas: se ela tivesse ~colocado a boca no trombone~ a situação teria ficado inverossímil.
Ah, e uma coisa que eu achei legal nesse plot foi a sororidade da Mrs Hughes, que em nenhum momento julgou a Anna, e da Mary depois. As duas só se preocuparam com o bem-estar dela.

E Lola, eu recomendo muuuuuito Top of the Lake! Que série foda! E curtinha, 7 capítulos. Vale muito a pena!

juliana disse...

lola gostaria que vc falasse sobre as garotas sequestradas da nigéria
é assunto importante a ser tratado

Anônimo disse...

É na terceira que a Sybil morre sim, Lola. Por falar nisso, a trajetória dela na série foi uma pena, de ativista a controlada pelo marido. Realmente a terceira deslizou um pouco em qualidade, mas eu gostei muito da quarta.

Caroles
Entendo esse posicionamento, mas acho que a série representa uma época passada, mas é exibida hoje, e como o artigo fala indiretamente, o que um programa de televisão transmite é importante. Se foi mostrado um evento machista, acho que a história deveria problematizar o ocorrido, mostrando que essa atitude não é correta. E condiz ela se preocupar com ele descobrir, mas grande parte do enredo foi isso, pessoalmente eu teria preferido se tivessem focado mais nas aparições do nojento e em como Mary, Ms Hughes e Anna lidavam com isso. Mas meu julgamento pode estar afetado pelo fato da Anna ser minha personagem preferida na série e eu achar que ela não receba o destaque que merece :P E Mary e Ms Hughes se preocupando e fazendo algo por ela foi muito legal, adoro a relação da Mary e da Anna na série, é uma amizade distanciada pela classe social, mas em que uma cuida da outra como pode.
E quanto a decidir como a vítima deve reagir, só me expresso dessa forma pq estamos falando de ficção e acho que o que é televisionado tem responsabilidade com o que exibe.

Anônimo disse...

Lola,eu to em duvida.Uma amiga de uma amiga minha estava ficando com um garoto mais velho,eles inclusive ja tinham transado.Ai um dia eles estavam juntos e ela tinha que ir,so que ele nao deixou.Obrigou ela a transar,e sem camisinha.Ela nao queria e ficou com medo de ficar gravida,mas ele era mais forte.So que ela nao tem uma opiniao formanda sobre a situaçao e nem passa pela cabeça dela que foi estupro.Mas o que me faz ficar em duvida sobre a situaçao foi na hora ela acabar gostando muito,por isso ela nao considera estupro e eu nao sei o que pensar.O que vc acha?

Anônimo disse...

Eu (homem) não me sinto confortável vendo estupros na TV. Acho um ato muito violento. Quando escrevo minhas histórias de ficção, geralmente coloco o estuprador como um filho da puta. Por isso fiquei chateado quando o Jaime estuprou a Cersei.

Mas é uma coisa que existe e, se existe, é importante mostrar, não só o lado da vítima mas também o da sociedade que exclui a vítima e ignora seu sofrimento.

Luciana disse...

Em Revenge tb aparece um estupro. É revelado que a Victoria sofreu um estupro quando era adolescente, e que esse estupro teve como consequência um filho que ela levou para um convento para que fosse adotado. A série é bem boba e essa foi só mais uma historinha, não foi foco da série. Mas algumas coisas me chamaram atenção. Primeiro, quando a Victoria reencontra seu estuprador, ela tem um ataque de pânico, ela relembra com trauma tudo o que ele disse para ela naquela noite e tem ódio mortal dele. Já o estuprador, a princípio não se lembra dela, quando se lembra, ele acha que foi apenas uma transa normal, pra ele não há nada demais em usar a força, em estuprar. Apesar da série não aprofundar, achei legal mostrar essa dicotomia que, embora seja nojenta, é infelizmente tão real.

lola aronovich disse...

Difícil dizer, anon das 22:56, porque sabe-se lá qual versão vc está ouvindo. Não é nem da menina, é de uma amiga dela... Pela descrição, parece que foi estupro sim. Mas quem tem que decidir é ela. Se ela não acha que é estupro, ninguém pode denunciar por ela, a menos que ela seja menor de idade, e mesmo assim é complicado. Mas a parte do "obrigou a transar sem camisinha" é bem mais forte do que "ela acabar gostando". Imagina se ela engravida, se ela pega uma DST ou Aids, porque o cara a "obrigou a transar sem camisinha". Talvez aí ela repense o que ela achou dessa situação.

Anônimo disse...

Esse texto foi traduzido, distraído.

Anônimo disse...

Sawl

Eu vou explicar o seguinte quanto à questão do G.O.T(que além dessa série tb vejo The Americans, Dowtown Abbey quem vê é minha mãe, assisti alguns episódios da 2ª temporada e achei bem bonito, mas, curto mais séries de ação), não vi o "quase-estupro" da garota Meera como machismo porque o Kal, ex-patrulheiro dos "patrulheiros da noite" é um homem asqueroso, repulsivo e covarde, ele não é mostrado de forma heroica como aconteceu com o Khal Drogo e o Jamie, e sim de forma como ele é "um nojento de marca maior que não tem respeito por mulher nenhuma"!
E, SPOILER PRA QUEM NÃO VIU, ele é merecidamente assassinado por uma das garotas filhas daquele velho podre e escroto do Craster(que matava os filhos homens e estuprava as filhas mulheres) o qual este Kal mais abusava e sua morte finalizada pelo Jon Snow. Sem falar que eu gostei do final das Craster's girls que depois de tanto sofrerem nas mãos do "pseudo-pai" e em seguida dos patrulheiros da noite botam fogo na "Fortaleza de Craster" onde tanto sofreram e decidem se unir e viver de forma independente de qualquer homem, seja bom ou opressor. Elas, conseguem depois do sofrimento, se unirem e se fortalecerem. Achei bonito e feminista o final das moças.
Quanto á uma pessoa ignorante e que nãos sabe NADA de Feminismo, mais uma mulher famosa pra dizer merda! A estrelinha Shailene Woodley declara que "não sou feminista, até porque amo homens". WTF!!! Don't talk shit, girl!!!!
Engraçado, essa garota é atriz, bem sucedida, famosa, rica, fez uma heroína destemida a Tris do filme Divergente e no entanto esculacha o Feminismo. Ela devia ser grata à que? O MACHISMO?! kkkk
Coitada, mostra que pode ser bonita e ter talento mediano, é uma garota burra, preconceituosa, ignorante e babaca!
Por isso sou infinitamente mais fã da maravilhosa Anne Hathaway que invés de aparecer na imprensa pra falar "MERDA", aparece na mídia pra ajudar na campanha do resgate das meninas africanas sequestradas.
Poxa Shailene se o Feminismo é tão ruim porque vc não larga a vida de estrela de Hollywood pra ir para alguma país árabe casar com um homem de 60 anos, ser impedida de trabalhar e ter um certo nível de lazer(ir ao cinema, ao teatro, ir à praia, etc) e ser impedida até mesmo de falar. Poxa Shai, o Feminismo é tão "ruim" que vc pode falar merda à vontade sem ser agredida né? kkkk.


Sawl - Always the rebel


https://br.mulher.yahoo.com/blogs/preliminares/voc%C3%AA-pode-amar-homens-e-amar-voc%C3%AA-ao-131251871.html

Karol Ribeiro disse...

Sobre o comentario da Renata:
Tambem fiquei super abalada com o estupro da Charlote,com o sofrimento dela e do Cooper por não ter percebido antes, mas pra mim o que trouxe mais humanidade à personagem foi o fato dela não ter descido ao nivel dele quando ele precisou de ser operado pelo Sam. A parte que ela entra na sala de cirurgia, olha bem fundo nos olhos do cara e diz: ''Quero me assegurar que se vc morrer, meu rosto vai ser a ultima coisa que vc vai ver na vida'', mostrou o qto a Charlote foi guerreira na sua superacao. Só me fez gostar mais da personagem <3

Renata disse...

Karol Ribeiro, também gostei muito da cena que você descreveu!
O desenrolar da história é muito bom e mostra várias faces do impacto que um estupro causa, tanto na pessoa que sobreviveu ao terror quanto nas pessoas próximas.

Karol Ribeiro disse...

Espero que, assim como a Charlote, você tbm tenha superado o trauma ^^

Julia disse...

Nossa, concordo plenamente!

@dddrocha disse...

Olha Lola, eu até andei comentando em casa que estava pensando seriamente em parar de ver GoT, por causa do excesso de estupros. O livro tem muitos estupros sim, mas na série tem mais, e chegou num ponto que está me fazendo mal, mesmo.
Apesar de saber de toda a violência que permeia a mulher, o estupro, na minha opinião, é a cereja do bolo. E quando diretores começam a forçar essa situação, perde o sentido na minha cabeça. Não sou obrigada a aguentar tanta violência pelo fato de gostar da trama.

Agora sobre as outras séries que a autora do artigo cita, infelizmente não posso opinar pois não vi nenhuma. E acho importante essa crítica sobre o debate da cultura do estupro, porque o mundo pode finalmente estar aceitando que tem algo de errado nisso.