segunda-feira, 5 de maio de 2014

GUEST POST: O ADORÁVEL HUMOR DOS BRASILEIROS

É com muita honra que publico um artigo da Nana Queiroz, escrito especialmente para este blog. 
Nana, 28 anos, jornalista em Brasília, é a criadora da campanha "Não Mereço Ser Estuprada", que foi abraçada por mais de 40 mil mulheres, e que eu encampei no mesmo dia. Parabéns pela sua luta e pela sua força, Nana!

Nana com Fátima Bernardes
A Delegacia da Mulher do Distrito Federal indiciou, há dois dias, um homem que (supostamente) ameaçou me estuprar. Honestamente, não lembro qual foi a exata ameaça feita por ele, já que recebi cerca de 500 delas. Escolhi as 50 mais assustadoras e levei à polícia. Lá, eles fizeram sua própria triagem do que valia e não valia a pena investigar -– acredite, na capital de nosso país há apenas UM investigador para crimes virtuais contra as mulheres! Cada luta tem que ser bem escolhida por este sobrecarregado e dedicado funcionário.
As ameaças começaram a chegar alguns segundos após eu postar na internet a minha foto para o protesto #EuNãoMereçoSerEstuprada, criado meio sem querer por mim há mais ou menos um mês. Eu incentivava as mulheres a mostrarem ao menos um pouquinho dos seus corpos com os dizeres “Eu não mereço ser estuprada”. 
Era meu jeito de sugerir uma resposta à absurda mentalidade de 58% dos brasileiros, que acreditam que menos estupros aconteceriam se as mulheres “soubessem se comportar” e 26% que acreditam que mulheres que mostram muito o corpo merecem ser atacadas.
O curioso é que o indivíduo assumiu ter me ameaçado após ver a foto e justificou, marotíssimo: “era brincadeira”.
Brincadeira?!
Quero contar que parei de andar de bicicleta, meu meio de locomoção, lazer, exercício físico e momento de relaxamento, por um mês por conta da “brincadeira”. Minha mãe, uma mulher adorável debilitada por uma doença rara, perdeu noites de sono. Meu marido teve que adiar uma viagem de trabalho, sacrificando todos os colegas dele de serviço. Eu perdi peso, chorei e senti muito medo de ser estuprada. Pergunto: qual a graça em tudo isso?
O brasileiro tem a horrorosa mania de não entender o conceito de humor. Já percebeu como muita gente acha graça de fazer piada com os mais “fracos”? Riem de jogar banana para negros, acusar judeus de X atrocidades, diminuir a capacidade de mulheres ao volante e falar que coisa entediante é “programa de índio”. Alguns humoristas acham até motivo para rir de sexo com grávidas e bebês!
Quero pedir a todos que me leem que pensem com carinho antes de fazer (ou rir de) uma piada. Humor é bom quando é inteligente e respeitoso -– e é ainda mais hilário nessas condições. E como disse um colega no Twitter: no dia em que estupro for engraçado, eu quero ser mal humorada.
Nana entrega documento à ministra Eleonora Menicucci

88 comentários:

Alessandro Bruno disse...

Espero que essa desculpa de "era bricnadeira" não cole e ele seja indiciado.

Aninha disse...

3...2...1... para alguém vir aqui comentar algo do tipo: "ficou nua e não quer ser estuprada?"

Patty Kirsche disse...

Ah, mas não era brincadeira. Ele está alegando isso pra se livrar da acusação. Eu já vi gente que usou cartão de crédito dos outros alegar que não houve má-fé. As pessoas fazem alegações absurdas na defesa. Talvez ele não tivesse intenção real de cometer o estupro, mas ainda assim foi uma ameaça com intuito de agredir provocando medo. Toda aquela corja que mostrava tanta coragem agredindo a gente na hora do protesto agora vai colocar o rabinho entre as pernas. E isso é exatamente o esperado. Estranho seria se eles mostrassem o mesmo comportamento no tribunal.

Aline Lima disse...

Esse conceito de piada realmente precisa ser revisto em nossa sociedade. O texto da Nana foi muito bem colocado.

Igor Pedras disse...

É... eu já percebi que todo seriado ou filme brasileiro de comédia tem uma homofobia mandatória.

O problema é que é muito fácil fazer piada (bullying) de alvos mais "frágeis". Difícil (e bom) é fazer piada tendo os poderosos como alvo.

Anônimo disse...

Hahaha, eu te fiz refém na sua própria casa, infernizei sua vida com uma ameaça séria que toda mulher encara alguma vez na vida em maior ou menor grau, sabendo que sua exposição como ativista te colocaria em risco e minha "brincadeira" seria séria o suficiente pra desregular completamente sua vida.

Mas era só brincadeira.

Afinal, eu sou empático, maduro e muito engraçado. Sou homem e cidadão de bem, é claro que consigo me colocar no seu lugar.



Parabéns, homem. Fazendo cagada por falta de empatia DE NOVO. Alguém por favor educa esses cromossomos XY pra eles desenvolverem a capacidade de sentimento além da de um piá mimado de dois anos que só liga pro próprio caminhãozinho?

Anônimo disse...

Uma feminazi bonita e heterossexual= Poser.

Anônimo disse...

Por favor Lola,ceda espaço no seu blog par mulheres que realmente fazem diferença.Chega de dar moral pra oportunistas.

lola aronovich disse...

Pois é, né, mascutroll? Machistas passam a vida chamando feministas de barangas, mocreias, dragões etc etc etc, apesar de grande parte das feministas se encaixar no padrão de beleza. Aí vem uma feminista jovem, magra, linda e totalmente dentro do padrão, e o que vcs dizem? Que ela só pode ser uma POSER.
Não tem muito como ganhar, tem? Por isso que vcs devem ser execrados.
E, sei lá, a maior parte das feministas é hétero. Até hoje as feministas brancas e hétero têm uma dívida com as feministas lésbicas, que foram EXCLUÍDAS no começo da segunda onda.
Mas é querer demais que um mascu saiba história.

Anônimo disse...

Concordo quase integralmente com o texto, so nao 100% com o destaque dado a "brasileiro nao entende conceito de humor", pois nao eh so no Brasil que ocorrem esses absurdos, mas tambem nos EUA (vide os milhares de shows e series "comicos" reinforcando esteriotipos e preconceitos), na Espanha (vide o recente caso do torcedor que jogou uma banana para Daniel Alves) e em qualquer lugar onde haja gente mal-informada e mal educada.

Falando em humor como uma forma de oprimir quem ja eh oprimido, vim fazendo uma analise bem critica de series de TV populares que costumo ou costumava assistir. Eh curioso como assim que voce adquire uma peneira mais fina para analisar, voce capta rapidinho os discursos transmitidos. Cito dois exemplos de series de comedia famosas:

1) Two and a Half Men: nem entro no merito de que o ex-protagonista Charlie Sheen, que fez a serie famosa, tinha uma preferencia sexual por garotas jovens com o corpo perfeito. O que apreendi foi que esta serie, (ironicamente) escrita e produzida em sua grande maioria por homens, apresenta as personagens femininas fixas (Rose, a ex-namorada stalker de Charlie e Judith, a antipatica ex-mulher de Allan) como seres ora neuroticos, ora grosseiros, ora imaturos. E ai vai. Ja os homens, por mais bebados ou frustrados que sejam, possuem sempre a justificativa de suas atitudes. Se Charlie age como um perfeito babaca muitas vezes, essa babaquice ainda assim eh desculpada e ate respaldada.

2) IT Crowd: a serie britanica nao tao famosa como Two and a Half Men eh um bom exemplo de como o discurso machista pode ser rebatido na mesma moeda: tambem de forma implicita. A serie nao levanta questoes sobre machismo ou feminismo, mas a cada vez que o chefe da empresa persegue a funcionaria Jen com claro interesse sexual e a funcionaria recusa/rebate/foge/ ate desiste de cargos mais elevados na empresa para se livrar do chefe, os produtores apresentam o chefe de forma que o mesmo tenha a imagem de um completo imbecil guiado por seus hormonios. Com muito humor, IT Crowd faz os homens que estejam sempre prontos a "tirar uma casquinha" das mulheres tenham uma imagem de toscos ou losers.

(Saindo um pouco do tema do feminismo, IT Crowd ainda tem uma cena de beijo gay entre dois dos personagens principais (Maurice e Roy) num contexto humoristico, em que o fato do beijo ser gay nao possui conotacoes negativas para nenhum dos envolvidos)

lola aronovich disse...

Quem chama uma pessoa que luta de oportunista, anon das 12:26, deveria ter coragem de assinar seu próprio nome. Sua opinião anônima e covarde é totalmente irrelevante para mim.

Anônimo disse...

(Nao tive a intencao de dizer que a autora acredita que so no Brasil que o conceito de humor eh machista/racista/homofobico. Apenas acho que virou meio que habito achar que certas coisas ruins so acontecem no Brasil, ou na nossa cidade natal. Me incluo nisso, mas estou excluindo este habito do meu dia-a-dia..)

Anônimo disse...

"Uma feminazi bonita e heterossexual= Poser."

E se a maioria das feministas fosse realmente lésbica (o que não é verdade)? No que isso afetaria a legitimidade do movimento feminista?
Sou feminista, considerada "bonita" e lésbica.

Guenta mais essa mascu recalcado.

Thalita

Death disse...

O que Gil Vicente pensaria de tudo isso? "Humor" é crítica, ironia, é questionar o Status Quo e não afirmá-lo.

Está na hora de acabar com essa desculpinha de que era "só brincadeira". Esse monstro que ameaçou tem que ir em cana.

Luiza Original disse...

Na hora de ameaçar é homem. Mas quando os homi de preto batem na porta, não é homem pra dizer "é, ameacei". Só risos.

Anônimo disse...

nossa grande luta a dela,ficar semi nua com uma placa na mão...

André disse...

Anônimo 12:30,

Tem certeza que você assistia Two and a Half Men? Porque (pelo menos no início) a série se baseava no contraste entre um canalha que se dava bem (Charlie) e um cara decente (Alan) que só se ferrava. Os demais personagens eram todos secundários e problemáticos.

Julia disse...

Tomara que pelo menos um vá preso pra servir de exemplo.
Ele que vá brincar no xilindró.

Julia disse...

"nossa grande luta a dela,ficar semi nua com uma placa na mão..."


Nossa, quanta violência contra uma mulher por estar sem blusa com uma placa contra estupro na mão.


Que tal assim?



Baixando IT Crowd.

D Stoffel disse...

Feminsta lésbica e feia
angelina kolie é feminista e beyonce
tbm
aff tem tanto machista gay assumido e não assumido. Não pense que gay é a favor da mulher eles tbm são misóginos e fazem piadas.

D Stoffel disse...

Tem mais machista gay que feminista lésbica.
assumidos e não assumidos não pense que todo gay é feminista, muitos são machistas misóginos. acorda pra realidade

Imarough disse...

Quem disse que não tem machista gay é o que mais tem.
assumidos ou não tem muito machista misógino homofóbico que é gay

Kittsu disse...

Big bang theory também tem esse problema. Gosto da temática nerd da série, mas a misoginia é bem explícita.

vera disse...

onde tem misoginia no big bang theory?

vcs veem machismo e misoginia em tudo,aja saco!

André disse...

Kittsu,

Mas a série costuma deixar bem claro que o fato dos nerds não se pegarem mulher é fruto de seus defeitos (Sheldon é misântropo, Howard e Rash são completamente machistas). Tanto que o Leonard foi ampliando suas conquistas à medida que foi reconhecendo que as mulheres não são as vadias interesseiras que devem ser conquistadas como nas HQs ou nos jogos de videogame. Ironicamente, a serie se tornou mais "machista" ao tentar ser politicamente correta ampliando a participação feminina.

PERSEU THE ZETA MALE disse...

''acusar judeus de X atrocidade''

é patético os consermanginas(conservadores manginas/nazistas) que jogam a culpa nos judeus pela miscigenação. quem tem o poder de escolha sexual é a mulher branca e magra, logo quem faz as escolhas sexuais são as mulheres brancas e não algo que tenha interferencia dos judeus.

esses nazistas adoradores de medusa e kali, esses liberais feministas e esses olavetes cristãos casamenteiros que atacam o movimento da REAL são uma piada mesmo. a direita sempre vai falhar se não conhecer nessahan alita. NÃO EXISTE CONSERVADORISMO SEM MACHISMO. TENHO ORGULHO DE SER HOMEM, HETERO E MACHISTA, DESAPEGADO DAS PAIXÕES.

lola aronovich disse...

Puxa, Perseu the Zeta Mala, vc tem tanto orgulho dos seus preconceitos que podia convocar outros zeta malas cheios de orgulho para fazer uma passeata de orgulho zeta. Seria um estouro vcs três segurando placas do tipo "Sou desapegado das paixões", "Não existe conservadorismo sem machismo", e "Orgulho de ser machista" (olha aí, já são 3 placas, um pra cada um). Certeza que ia dar mais gente do que a Marcha da Família de 2014.

Anna Milani disse...

Na hora de ameaçar é cabra macho. Na hora que a polícia entra na dança, fica com o cu na mão, com medo de ir em cana. Espero que esse marginal seja indiciado.

E sobre o Brasil, bem, é minha opinião: O país tá retrocedendo MUITO. Não entrando no conceito de tudo de errado que tá por aqui [governo e SEGURANÇA, que tá uma merda, À propósito], acho que só pior do que aqui é Afeganistão e Iraque, onde mulher não pode falar um 'A'. Claro que existe misoginia lá fora, mas bem menos do que aqui. Ou alguém vai dizer que Brasil é um país 'livre'?

Quando eu viajei para Itália, EUA, Inglaterra e cia, muitos gringos pensaram que não havia país melhor para uma mulher se viver, que as roupas podiam ser minúsculas e ninguém falava nada. Quando eu disse o que acontecia aqui, a mentalidade dos homens e mulheres em sua maioria, machistas, eles não acreditaram. Eu adoro o Brasil, é um país lindo, mas falta muito pra ser um país de primeiro ou segundo mundo. Mas é só como eu penso, então segurem as pedras nas mãos e pensem antes de atirar.

De volta ao centro do texto, parece que mascu não quer entender que uma mulher que fica nua pra protestar não tá chamando homem pra estuprá-la [novamente eles pensando que são o centro do mundo, aiai...], é uma amostra que o corpo é realmente da mulher e ela pode fazer o que quiser com ele. Ah, sei porque não querem entender... Porque se essa 'teoria' falhar, eles não terão outra.

Anna Milani disse...

TENHO ORGULHO DE SER HOMEM, HETERO E MACHISTA, DESAPEGADO DAS PAIXÕES.

Recadinho curto:
Nobody Yes Door.

vivian disse...

Big Ben theory é explicitamente machista pra quem estuda gênero.

Mas claro que a população majoritariamente machista não vai enxergar machismo na série, uma vez que reflete seus próprios comportamentos e convicções (também machistas).

Um dos fatos que podem ser apontados como machista é o da série ter como personagens principais uma menina super dentro do padrão de beleza vigente e ser burra, e quatro caras super fora do padrão de beleza e serem inteligentes (mesmo que babacas, anyway). Essa contraposição beleza X inteligência, em detrimento da inteligência da mulher, é repetida a exaustão na mídia. Até mesmo antes de eu me descobrir feminista já estava cansada desta dicotomia, deste discurso pronto e sem originalidade.

Sem comentários para Two and a Half Man, este eu classificaria como misógeno, sem dúvida.

Sara disse...

todo meu apoio NANA, e que as autoridades façam sua parte, a ameaça q esse criminoso te fez é bem grave, e TODOS os homens q fazem ameaças a mulheres deveriam ser punidos exemplarmente, esse negocio de esperar com q eles concretizem suas ameaças para tomar providências é um completo absurdo.

André disse...

Anna Milani,

Se queremos melhorar temos que ter os melhores exemplos como meta, mas me parece um pouco exagerado isso que você disse. A Índia sozinha já dá uma boa equilibrada na nossa posição no mundo.

Anônimo disse...

Toda dia quando eu abro a página de noticiários - independente da fonte - tem pelo menos uma notícia de alguma tentativa de homicídio, homicídio consumado ou algum tipo de violência brutal contra meninas e mulheres. São mutilações, estupros, esfaqueamentos, esquartejamento, espancamentos,corpos jogados em matagais, rios, construções...
E é sempre a mesma história: parceiro não aceita a separação, a mulher negou as investidas do cara e o sujeito parte pra selvageria.
E também como sempre - todas as justificativas e desculpas do mundo para o bandido e toda a culpa nas costas da "puta que devia estar lavando louça".

Quando eu digo que o Brasil é o país mais machista e misógino do ocidente, ainda tem gente que acha ruim.


Jane Doe

Lavoisier Maia disse...

Só existe humor se TODOS riem... inclusive, e principalmente, a "vitima" da piada...
(coloquei entre aspas pq tvz a pessoa goste da brincadeira)...

André disse...

vivian,

E a Leslie Winkle, a Bernadette e a Priya? São todas inteligentes e bonitas. É óbvio que vai ter muita coisa machista num programa de TV que não seja um documentário ou um debate sobre os papéis de gênero. Mas me parece que The Big Bang Theory é, no mínimo, um pouco mais cuidadosa que a média por aí.

André disse...

Lavoisier Maia,

Não concordo. Só acho que na TV e no rádio (concessões públicas de grande alcance) fazer piada com o Sarney é parte da solução e fazer piada com a doadora de leite materno é fazer parte do problema.

Anônimo disse...

Só pq a penny n é um genio na historia quer dizer que ela é burra?
Esqueceu da bernadette que tb é bonita,tem mestrado ou doutorado,sei lá e ganha mais que o howard e ainda disse que se eles tivessem filhos eles que cuidaria, de onde saiu isso de que leonard tentava conquistar mulheres como se fossem personagens de hq? Kkkkk
a irma do raj e é advogada,tem a amy super inteligente.
Poderia dizer q tem preconceito contra nerds,ja´que sempre são retratados como inteligentes que n pegam ninguém e passam mal só de chegar perto de mulher.

Anna Milani disse...

Bem, André...

Pra mim é assim. Não gosto da maneira que o Brasil está indo pra "frente".

Mas afinal esse nem devia ser o foco do post, então não vou listar e nem criticar por partes. É claro, somente a parte machista do Brasil tem a ver com o assunto abordado aqui.

vivian disse...

Seus comentaristas fanfarrões, estou falando dos personagens principais.

A série iniciou-se assim e por muito tempo continuou com estes personagens apenas. Depois se inseriu mais personagens mulheres fora dos padrões (pode até mesmo ter sido por conta das críticas, mas aí já não sei mesmo).

Podem gostar o quanto quiser, eu também gosto de BBT. Porém, isso não faz a série menos machista, somente por que *eu* gosto de assistir. Temos que assumir as falhas dos produtos da mídia, especialmente dos que gostamos, e entender por que nos identificamos com essas características que combatemos, sejam elas machistas/racistas etc.

Negar esse tipo de coisa não ajuda ninguém a evoluir, gente. Questionar ajuda. Eu é que não vou ser a avózinha preconceituosa, que ninguém discute mas também ninguém da bola "por que ela é velha, né gente, no tempo dela era normal ser racista/machista/homofóbica."

Sara disse...

"Toda dia quando eu abro a página de noticiários - independente da fonte - tem pelo menos uma notícia de alguma tentativa de homicídio, homicídio consumado ou algum tipo de violência brutal contra meninas e mulheres. São mutilações, estupros, esfaqueamentos, esquartejamento, espancamentos,corpos jogados em matagais, rios, construções...
E é sempre a mesma história: parceiro não aceita a separação, a mulher negou as investidas do cara e o sujeito parte pra selvageria.
E também como sempre - todas as justificativas e desculpas do mundo para o bandido e toda a culpa nas costas da "puta que devia estar lavando louça"."
JANE DOE

PERFEITO!!!!

vivian disse...

Nossa André, não acho muito mais cuidadoso não. O machismo é descarado. Esse tipo de narrativa ser aplaudida pelo público mostra que galera não está a fim mesmo de evoluir as questões de gênero. Pior para todos, infelizmente.

Paulo disse...

Feminista adora ver machismo em tudo,assim pode reclamar mais.
A Penny é burra porque não entende a conversa dos nerds? Então,quase todo mundo que assiste Big Bang também é.
Isso é você que está dizendo Vivian e convenientemente se esqueceu das personagens femininas bonitas e tão inteligentes quantos os nerds da série.
E tem um furo na história,Leonard e o Sheldon dividem o apartamento porque é caro para uma pessoa só pagar mas a Penny que é garçonete,consegue pagar e mora sozinha.

André disse...

Aliás, uma boa parte da graça do The Big Bang Theory é rir dos preconceitos e desajustes que os nerds homens possuem. O machismo (principalmente do Howard) é criticado o tempo todo. A Leslie Winkle é mais inteligente que o Sheldon (o mais inteligente dos quatro nerds homens) e socialmente funcional. Até os defeitos das mulheres são abordados com um ponto de vista mais amistoso (seja a mãe maluca do Leonard, a mãe fundamentalista do Sheldon, a mãe xenofóbica do Raj, etc).

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Belo post. Pena que curtinho.
Vou morrer sem entender a graça de "brincadeiras" como essa e o motivo de tanta raiva ao verem uma mulher despida sem que o objetivo seja o prazer deles.

Maria Fernanda Lamim disse...

Perai..."nazistas adoradores de Kali e Medusa"????

Buguei!!! O.o
nenhum pagão curtiu isso! Nao rezamos ao lado de nazistas (ate pq para nos todos são filhos e filhas da Grande Mãe, e portanto, iguais.)

De resto, bom o texto. O fato e que a Nana, apesar de algumas posturas questionaveis (faço parte do grupo "Eu nao mereço ser estuprada" no Facebook e sei de algumas controversias por lá) acertou qd conseguiu visibilidade para essa pauta feminista. Que consigamos cada vez mais visibilidade, inclusive para as outras pautas tb.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Em tempo:
Que decepção de saber que Big Bang Theory é machista.
Assisti pela primeira vez nesse feriado, uns três episódios e gostei. Mas como não vi o começo e nunca mais vi, não posso falar muito.
Sobre a série do Charlie, eu até achava que era mais uma representação de um estilo de vida hedonista e capitalista, que muita gente, homem ou mulher, gostaria de ter do que qualquer outra coisa.
Sei lá. Ter dinheiro trabalhando pouco e no que gosta, ter uma bela casa na praia, se divertir e não sofrer nos relacionamentos, esse tipo de coisa, rs. Eu meio que via a série assim.
Mas é claro que não dá pra ignorar uma série de coisas machistas, principalmente em relação a praticamente todos os personagens femininos da série.
Mas eu adorava a mãe dele na série...

Nane disse...

Desculpa absurda essa que ele alegou! Será que nunca assimilou o que ouvimos tanto de nossos pais: NÃO SE BRINCA COM COISA SÉRIA!
ISSO NÃO É BRINCADEIRA QUE SE FAÇA!

Anônimo disse...

Lola, adorei a resposta, perfeita! Orgulho zeta kkkkk

vivian disse...

Queridos, ninguém precisa que vocês aprovem o machismo da série ou não.
Ele está lá. Machismo não é achismo, são fatos.

Mas depois que vocês ficarem pra trás na sociedade, não reclamem pelos cantos que "tudo mudou" e "no meu tempo blá blá blá".

Agora vamos para o próximo assunto que este já está óbvio, minha gente.

vivian disse...

Laurinha,

É uma decepção mesmo =(
Eu não consigo mais assistir sem ficar chateada.
Quanto mais a gente estuda gênero, mais aborrecida fica.
Enfim né =/

vivian disse...

André, para você que dialoga educadamente:

O fato de Penny estar completamente dentro dos padrões de beleza e nenhum dos homens estar (exceto aquele ex namorado dela que é bombadão e cafajeste) é algo a ser questionado. Pense sobre isso: ao que agrega ao seriado a beleza de Penny? E ao que agrega nenhum dos nerds ser bonito dentro dos padrões? Acha que esta dicotomia foi descuidadamente inserida?

Júlia disse...

Serinho que as pessoas não veem o quäo misóginas as séries big bang theory e two and a half man são? Essa me surpreendeu. Obrigada por perseverar nessa luta Vivian! Estudos sobre gênero deveriam ser mais conhecidos e debatidos no dia a dia.

TWO OF US disse...

Nana Queiroz, gostaria de saber se já há pistas deste flagelo humano. E, também, gostaria de sugerir que se divulgue o nome e foto deste panaca, pois é uma forma de frear outros abusadores virtuais. Chega de gente covarde no mundo virtual. Se não receberam ética em casa, se não têm caráter, boa índole, que fiquem reclusos, pois não sabem viver em sociedade.
Nana, ainda sugiro você voltar aqui quando tudo for solucionado, além de divulgar nas redes sociais o nome e foto do canalha.
Receba meu abraço forte e solidariedade, querida. Sinto muito você ter passado por isso! Eu já recebi muitas mensagens impiedosa, de gente má por conta do meu blog. Tive que privatizá-lo por receios dos homofóbicos.

Camila Fernandes disse...

Vivian, eu gosto e assisto e Big Bang e realmente percebo o machismo na série em alguns pontos. Mas tem pontos em que eles acertam, também.

A meu ver, esse lance da Penny estar dentro do padrão de beleza e o Sheldon e o Leonard não (considerando os três os personagens principais), requer um pouco mais de análise. Sim, isso é uma opinião machista, essa dicotomia entre homem x mulher, bonita x inteligente. Só que a série tenta, exatamente, desconstruir essa ideia. Por exemplo, a Penny não é um gênio, mas ela é que é socialmente adequada. E ela é uma boa atriz, ou seja, ela possuiu um tipo de conhecimento diferente. Até o Sheldon pede para ela ensiná-lo sobre teatro, em um episódio. Você pode alegar que a profissão do teatro e do cinema ainda está muito ligada à beleza, mas a Penny reflete sobre isso, mostra a intenção de recusar papéis ruins que a escolhem só porque ela é "gostosa" (como o filme do gorila, na temporada mais recente).

O Howard e o Sheldon, na minha opinião, são personagens muito machistas. O Howard por tratar as mulheres como um prêmio e sempre caçoar quando homens fazem algo "feminino" (em geral o Raj). Nesse ponto, a série é extremamente machista. Toda vez que algum dos garotos fica mais "emocional", é comparado com uma mulher. Já o Sheldon, chegou a dizer que a Leslie deveria estar na cozinha, entre outras coisas. Só que o machismo do Sheldon é criticado, e um dos aspectos da sua inadequação social (tem o episódio que ele compara ir a um almoço que ele não quer com a escravidão!). Quando ao Howard, ele foi mudando e crescendo ao longo da série. Isso foi muito legal! Sem dúvidas, mérito da Bernadete.

A própria Bernadete é mulher, jovem, bonita e mais bem sucedida que o marido. Ela ganha mais, controla os gastos da casa, e o Howard chegou a questionar isso no princípio, mas depois aprendeu a respeitar. Como alguém comentou aí em cima, eles cogitaram que o Howard fique em casa tomando conta dos filhos, justamente porque a Bernie não quer esse papel e não quer ser mãe.

No geral, eu gosto da série. Gosto de algumas piadas, algumas referências. Isso não me impede de enxergar o machismo (e a homofobia) e criticá-lo, o que por sua vez não me impede de encontrar pontos positivos.

Outro ponto: as garotas com quem o Leonard sai durante a série são fisicamente muito diferentes. E todas consideradas bonitas, parceiras desejáveis, etc. Tem a Leslie, que possivelmente não se encaixa no padrão de beleza. Tem uma médica que eu não me lembro o nome, do cabelo chanel, bem sucedida, e gordinha (o que, dentro do padrão, é considerado um problema). Tem a Elizabeth, que é cientista, inteligente, dentro do padrão, mas sexualmente livre.

Não estou dizendo que a série não é machista, só que, diferente de produtos como Two and a half man, ela não é misógina e em vários pontos consegue acertar.

Camila Fernandes disse...

De qualquer forma, eu gosto de discutir sobre o machismo e a homofobia nos produtos que eu curto, e é difícil encontrar gente para falar sobre isso.

Eu sou fã de quadrinhos e é triste ver o quanto alguns são misóginos. Embora eu leia alguma coisa sobre super-heróis "tradicionais" eu conheço e gosto mais de um segmento diferente, como a Vertigo. Sou viciada em Hellblazer, adoro Preacher e Lucifer Morningstar. E sou da opinião que a série pode ter personagens e momentos machistas sem ser, necessariamente, machista. Depende da forma como isso é colocado ao longo da história, se é discutido.

Hellblazer eu realmente não considero machista e nem homofóbica. O John Constantine é bissexual, tem até um arco que ele se envolve sexualmente com um cara para conseguir realizar a sua vingança. Geralmente, são as mulheres que usam da sua sexualidade para conseguir o que querem, consideradas "vadias". Ver um personagem masculino, "pegador" (ele sai com muitas mulheres ao longo da série) nesse contexto é interessante.

Em Preacher, o personagem principal é um pouco machista, mas é muito questionado pela sua namorada a respeito. Eles chegam mesmo a citar o feminismo como uma coisa positiva, e o Jesse admite estar trabalhando o seu machismo, melhorando, mudando algumas atitudes. Fora que a Tulipa, a namorada dele, é uma personagem linda e que a meu ver tem uma conotação bem feminista. Logo no começo, a gente descobre que um detetive durão e homofóbico é, na verdade, gay.

Então eu acho que as duas séries questionam bastante o status quo ao invés de apoiá-lo, apesar de tudo. Gostaria de ter alguém para conversar sobre isso, a maioria dos meus amigos que curte quadrinhos não está muito interessada em discutir feminismo e homofobia :(

André disse...

Laurinha (Mulher Modernex),

Não sei se é proposital, mas a faxineira do Charlie parece um clone dele mas sem dinheiro.

André disse...

vivian,

Não sei o que é proposital ou planejado, o que eu posso fazer é dar minha opinião a partir da minha leitura do que eu vejo. Penso que o mote principal da série é fazer graça com o comportamento típico dos nerds: inteligentes, socialmente inaptos, afetivamente machistas (creio que é por isso que a Penny é uma loira de filme de Sessão da Tarde). Mas esse comportamento é criticado o tempo todo. De uma maneira leve, já que é uma comédia, mas não há corroboração à esse comportamento.
Mas eu não entendi porque você acha que a série é machista.

Anônimo disse...

gente, eu nao to conseguindo com esse caso da mulher espancada do guaruja..

como a visibilidade que a internet da eh perigosa, danosa, tenebrosa! dai a dimensao do medo que a criadora da campanha #naomerecoserestuprada teve ao ser ameacada por tantos covardes.

meu deus, quanto retrocesso, to muito triste...

André disse...

Camila Fernandes,

Tem três episódios que eu acho muito bons.
O primeiro em que Leonard sai com uma fã de quadrinhos enquanto ainda está namorando a Priya à distância. Conversando com a Penny ele diz que está em dúvida se deveria trair a Priya ou não. Ela diz que ele não é esse tipo de cafajeste ao que ele responde que não é mas gostaria de ser. Porém, no final ele se arrepende de tentar ser o "garanhão".
Outro episódio é o que a Bernadette descobre o passado misógino do Howard (que sempre foi apresentado de forma negativa nas primeiras temporadas). E ele mesmo confessa que sente nojo do comportamento que ele tinha. E a mudança parece ser sincera, tanto que no episódio que ele ajuda o Raj a conquistar a moça surda ele fica bastante indignado com as babaquices do amigo.
Outro episódio é o que o Raj (na minha opinião o mais machista dos quatro) vai pra balada e acorda ao lado de uma moça gorda. Apesar de ser uma passagem rápida, a reação dele parece indicar uma crítica ao comportamento dos homens que exigem mulheres dentro do padrão de beleza que eles mesmo não atendem.
PS: A Leslie Winkle pode não ser loira, mas está longe de ser uma nerd feia:
http://www.bigbangweb.cz/wp-content/gallery/leslie-winkle/sara-gilbert-as-leslie-winkle.jpg

Flavio Moreira disse...

Camila, André e Vivian, estou gostando muito dessa discussão sobre BBT e quadrinhos. Também gostaria de ter um espaço para esse tipo de debate, porque é bastante enriquecedor.
Gosto bastante de BBT, embora hj não tenha mais tempo para assistir. Será que a gente não consegue criar um novo espaço de discussão para não inundar esse post com comentários que estão mais "à margem" do assunto principal?

lola aronovich disse...

Ô gente, não por isso! Se o debate sobre Big Bang Theory e quadrinhos está interessante, proponho que algum de vcs escreva um guest post sobre o assunto, trazendo o debate ainda mais à tona. Não é porque eu não assisto e mal sei do que vcs estão falando que esse não deixa de ser um tópico instigante pra discussões. Quem quiser escrever, fique à vontade!

André disse...

Sugiro a Camila Fernandes, embora eu gostaria de saber com mais detalhes as restrições que a vivian tem em relação à série.

Death disse...

Adoraria participar da discussão sobre quadrinhos tb, gosto muito da Vertigo em particular do mundo Sandman.

alguém já leu Black Hole? do Charles Burn. Fala de transição da adolescência para vida adulta e se passa num mundo onde todas as pessoas estão infectadas por uma DST misteriosa, é muito bom, traço bem underground. Fala de mutios preconceitos.

Anônimo disse...

Ô gente, não tem o que discutir não. A Vivian já desmascarou a série e provou que ela é misógina. E esses mascus André e Flávio tão só querendo trolar.

Anônimo disse...

Sei lá quanto ao BBT.

Tem muita gente que simplesmente não saca que o Sheldon é um desajustado social e por isso os atos dele são do jeito que são - o que tem de amigo meu que fala "haha, todo mundo diz que sou o Sheldon" e fala com orgulho... Eu sei que meus amigos SÃO nerds desajustados (eu também sou), mas eles não são babacas. Não sei pra que diabos se identificar com um babaca.

Anônimo disse...

"onde tem misoginia no big bang theory?"

Vera, você é cega?? Aquele programa é um poço de misoginia e slutshaming! Quantas vezes a Penny foi humilhada por não entender de Star Trek ou Star Wars? Quantas vezes ela foi assediada pelos babacas do Raj e do Howard? E você vem dizer que não tem misoginia em TBBT?

Quantas vezes o comportamento das meninas da série foi diminuído pelos ~nerds~?

Se você não enxerga isso, lamento, mas você está apoiando um programa nojento.

Anônimo disse...

Não sei quem brigou comoigo quando disse que post assim são chatos porque é muito, mas muuuuuito batido ( embora seja triste, claro). Só pra mostrar como eu tinha razão: a maiora dos comentários são sobre big bang theory. Viu?

E claro que o machismo tem que ser debatido, mas é interssante abordar por outros angulos em vez de sempre o memso.

Fábio RT disse...

As melhores comédias refletem o nosso tempo e jogam nossos preconceitos na nossa cara...fazendo a gente rir deles e de nós mesmos...existe uma linha tênue entre o mau gosto e a comédia divertida...creio que o BBT se encaixa no segundo grupo, assim como Seinfield, Segura a Onda e muitos outros...obviamente existe misoginia nestas comédias...mas as vejo como forma de crítica...que pode ser sim engraçada...acho que muito da resposta à comédia se deve ao público...do mesmo perceber que aquilo é uma situação caricata que pode refletir as incoerências e preconceitos de nossa sociedade...rir e ver o absurdo das situações...e saber que aquilo é errado e não deve ser replicado na vida real.

Fábio RT disse...

Quando falo engraçado me refiro que a critica pode vir em tom de gozação...ser engraçada....não estava me referindo a misoginia

Anônimo disse...

Curioso, eu levantei a questao dos programas de humor citando a serie Two and a Half Men e IT Crowd, e dai a conversa degringolou para debater The Big Bang Theory.

Na verdade eu ia comentar sobre TBBT em meu comentario tambem, mas como nao tenho opiniao 100% formada, preferi deixar pra la. Enquadra-la-ia em "serie machista", pois nao eh pela serie apresentar personagens femininas "bonitas e inteligentes e mais bem sucedidas que os parceiros" que esta isenta do discurso machista.
Na verdade, acho que justamente essas qualidades juntas (bonita + inteligente), vem pra reforcar a ideia de que uma mulher so pode ser bem sucedida se, alem de talentosa (inteligente), ela tambem for bonita. Ou tudo bem passar a mao na cabeca da tal Bernadette, Amy, Priya mas tudo bem considerar a Penny uma ze nada/futil/loira burra, pois a mesma se interessa mais por teatro do que por assuntos cientificos?

E outra: a serie comecou no velho cliche de que a Penny tinha namorado/ex cafajeste/troglodita, enquanto o grande "nice guy" (sirene de alerta) Leonard era desprezado por ser nerd (beta zeta chupeta ahaha) e nao um ~macho-alfa~ (AHAHA). Depois que depois de muitas tentativas, a bendita Penny sai e ate transa com o nerd mas nao continua a relacao por qualquer motivo que nao me lembro, nao eh ele que eh tachado de vadia por nao ter aproveitado esta grande chance de namorar um cara tao legal ne?

Fábio RT disse...

Acabou degringolando para o BBT porque acho que o TAHM todo mundo concorda que é 100% machista...o BBT muita gente não tem conciência do discurso ...achei legal a discussão ter ido por este lado...

Death disse...

Não vejo como debater machismo ou homofobia numa série, se não colocar elementos que sejam machistas e/ou homofóbicos (apesar que não tem homofóbico que não seja machista...enfim).


Não sei se TBBT quer ser uma série que discuta isso, mas com certeza certos acontecimentos são muito aproveitáveis.

A Penny é muito mais inteligente do que vejo as pessoas creditarem e ela é muito mais consciente do que se passa, do que o Sheldon por exemplo.

Vejo no meio Nerd muitos se espelhando/reconhecendo nele, então ver isso retratado na série não é nenhum absurdo.

Kittsu disse...

Quando o sheldon estava conhecendo a neurocientista a penny foi junto. bem 1/3 da conversa toda girou em torno de quão vagabunda a penny era por transar com quem ela quisesse.
Fora outras situações meio bizonhas, não lembro de tanto assim porquê parei de assistir tem algum tempo (minha tv só serve pra dvd e video game).

André disse...

Anônimo 12:58,

Sempre que os nerds zombam da Penny por não entender de Star Trek ou Star Wars eles estão criticando a si próprios por viverem num mundo de faz-de-conta e não entenderem nada da vida real. Sempre que ela é assediada pelo Raj ou Howard ela os coloca no devido lugar. Quase todas as vezes que o comportamento das meninas é diminuído pelos nerds eles se dão mal e elas saem por cima.

Flavio Moreira disse...

Anônimo de 6 de maio de 2014 12:27
Não sei se vale a pena discutir com alguém que covardemente se esconde atrás de um "anônimo" e ataca pessoas que não conhece, que estão tentando dialogar com alguns dos temas levantados e ainda diz que essas pessoas são mascus querendo trolar.
Se a pessoa em questão tivesse se dado o trabalho de pesquisar, iria ver que além de comentar esporadicamente, ajudo com algumas traduções, tanto de coisas que a Lola me pede quanto de outras que vou achando pela rede e que proponho para a Lola avaliar se vale ou não ser publicado.
Eu nem discordei nem concordei com os comentários; achei-os relevantes porque apontam exatamente para os problemas que são discutidos aqui e acho que, com disse uma das comentaristas, não é por gostarmos de uma série que não devemos criticá-la. Acho que muito pelo contrário, é isso que deve ser feito.
Quanto mais reconhecermos e apontarmos essas falhas, mais interessante se torna a discussão e, ainda que não possamos mudar a cabeça de quem escreve esses roteiros, podemos ajudar outras pessoas a ver essas séries com olhar crítico.
A ideia é construção de conhecimento através da troca de impressões; de consciência através da discussão das ideias.
Mas é mais fácil usar a anonimidade que a internet oferece e sair agredindo e ofendendo as pessoas.
Desculpe, Lola e comentaristas, por usar esse espaço para responder a essa pessoa anônima, mas ser chamado de mascutrol por alguém que se faz de cego/a e surdo/a para a discussão sadia por conveniência foi um pouco demais...
Não estou livre de laivos machistas, porque somos educados para isso, mas luto diariamente para reconhecer e combater meus próprios preconceitos, e esse espaço é de extrema importância para isso.
Ser gratuitamente agredido e ofendido - pô, "mascu" é uma ofensa enorme, né (rs) - ninguém merece.

André disse...

Anônimo 13:47,

A série não está isenta de discurso machista, mas há uma crítica permanente a esse discurso.
Quando você enxerga um demérito no talento da Penny (teatro) em relação ao talento dos nerds (ciências exatas) é porque a série afirma isso ou você que tem um preconceito contra o teatro?
De fato nas primeiras temporadas o Leonard era o típico "bonzinho", só depois que ele abandonou esse comportamento que eles estabeleceram um relacionamento. Para mim isso é uma crítica ao comportamento anterior dele.

vera disse...

Vera, você é cega?? Aquele programa é um poço de misoginia e slutshaming! Quantas vezes a Penny foi humilhada por não entender de Star Trek ou Star Wars? Quantas vezes ela foi assediada pelos babacas do Raj e do Howard? E você vem dizer que não tem misoginia em TBBT?

Penny também humilha eles de vez em quando,por serem nerds,gostarem de Star Treck,se fantasiarem com personagens de gibi,hq,por n saberem quem é tal cantor,por serem esquisitos,isso vc n vê né?

Teve um episódio que eu n lembro bem,ela humilhou tanto eles,que Leonard quase se desfez de seus bonecos,coleções e tudo mais pq era coisa de criança,segundo ela.

Assédio... Ela tb dá em cima de vários na série,inclusive do Leonard,assediar(dar em cima) é diferente de abusar,estuprar,parece que é isso q vc tá dizendo.

Estão falando da amy,ela está totalmente fora dos padrões de beleza e é um gênio.
aliás,eu adoro essa atriz.

Não sei pq tanta revolta,a série é de comédia e retrata pessoas que existem de verdade,ou vai dizer que n tem mulher que prefere músculos a cérebro,que n tem nerd que n pega ninguém?
Parece que vcs querem que em qualquer filme ou série só retratem a mulher fodona e feminista.

Leonard já se prostituiu uma vez para conseguir dinheiro para uma pesquisa na universidade onde trabalha.

Anônimo disse...

Flavio, nem esquenta. Foi mais um sarcasmozinho sobre quem acha que homens nao deveriam ter espaço nenhum aqui neste blog... ;-)

André disse...

Kittsu,

Essa é uma cena problemática (embora a ponderação que a Amy faz dilua um pouco a misoginia), e você vai achar outras cenas ruins também. É natural numa série tão longa.

André disse...

vera,

Ele não chega a se prostituir porque a ricaça concorda em dar o dinheiro mesmo sem que eles façam sexo. Eles acabam fazendo porque ela o convence de que seria divertido.
PS: a cena final com o comentário da Penny é outra cena problemática como a já citada pela Kittsu.

Anônimo disse...

O que irrita vocês é que a série mostra a realidade e a satiriza também,por isso é tão boa.
Nerds geralmente não pegam ninguém e são ignorados por mulheres como a Penny que preferem os bombadinhos.
E antes que venham com mimimi,não estou dizendo que mulher tem que ficar com quem não quer,só estou falando de um fato.

Kittsu disse...

"O que irrita vocês é que a série mostra a realidade e a satiriza também,por isso é tão boa.
Nerds geralmente não pegam ninguém e são ignorados por mulheres como a Penny que preferem os bombadinhos.
E antes que venham com mimimi,não estou dizendo que mulher tem que ficar com quem não quer,só estou falando de um fato."

Pare de se vitimizar, nerdão.

donadio disse...

"só pior do que aqui é Afeganistão e Iraque"

Arábia Saudita? Líbia? Indonésia? Nicarágua, onde o aborto é proibido em todos os casos (nem para salvar a vida da infeliz pode)? Chile, onde idem? Estados Unidos, onde uma mulher negra é condenada por ter dado um tiro para cima, dentro da própria casa, para afastar o ex abusivo?

Sem falar no "humor brasileiro". Este é o país do Barão de Itararé, do Millôr Fernandes, do Luís Fernando Veríssimo, da Clarice Falcão, do Grelo Falante. O problema não é o nosso "humor", o problema são os nossos meios de comunicação, que fazem questão de divulgar e promover o que de pior existe em termos de humor. Mas aí também, divulgam e promovem o que de pior existe em termos de análise econômica, filosofia (o imponderável Pondé), crítica literária, reportagem policial, etc, etc, etc. Não seria diferente com o humor, né?

Enquanto isso, nos Estados Unidos, Glenn Beck, Ann Coulter, Rush Limbaugh...

A estupidez é universal, gente. Se não fosse, o passaporte seria a solução para tudo. Em vez disso, só cria mais um problema: ser estrangeiro em algum país xenofóbico.

Quanto ao moçoilo que acha que ameaça é brincadeira, espero que seja condenado para servir de exemplo. Enquanto não puser um vagabundo desses em cana, essas coisas vão continuar se repetindo. A hora que tiver conseqüências, pode ser que mude. Parece, por exemplo, que atear fogo em mendigos já não é mais considerado brincadeira, depois que os assassinos do índio Galdino foram condenados.

donadio disse...

Já sobre o "Big Bang Theory", dificilmente assisto, embora não chegue ao ponto de não saber a diferença entre "big bang" e "Big Ben".

Não gosto de ver porcaria. Do pouco que vi, não sei o machismo é o problema principal; me parece uma série focada no estereótipo de que qualquer um que se interessa em saber um pouco mais sobre o mundo é necessariamente um anormal. Bom é ser medíocre, parece.

No contexto da série, parece também que a mediocridade é feminina, e a incapacidade social é masculina.

donadio disse...

"Pense sobre isso: ao que agrega ao seriado a beleza de Penny? E ao que agrega nenhum dos nerds ser bonito dentro dos padrões? Acha que esta dicotomia foi descuidadamente inserida?"

Olha... talvez parte do que a gente chama "beleza" seja um fenômeno biológico, objetivo. Mas a maior parte é construção social, ou até mesmo "construção pessoal": difícil ser bonito se você não se preocupa com a própria beleza. Se a sua prioridade não é ter um rosto lisinho, então você provavelmente não terá um rosto lisinho.

(Aliás, esse é uma das dificuldades da "filosofia" masculinista. Ser bonito custa caro; não dá para ter uma mulher bonita em casa, ainda por cima sem trabalhar fora, como eles sonham, sem ter dinheiro para pagar os cosméticos, a academia, a dieta especial, a empregada doméstica para que os dedos da musa não fiquem cheirando a água sanitária, etc.)

André disse...

donadio,

Gostei muito do seu comentário de 10:17 e 10:39, mas o de 10:28 só mostra que você realmente não assiste a série.

vivian disse...

A Camila Fernandes falou muito bem.

Concordo que a TBBT acerta em vários pontos, sim! Porém eu realmente fico chateada pois poderia acertar em mais pontos ainda. Claro, não chega nem perto de TAHM, mas depois que você questiona gênero pra caramba, os preconceitos saltam tanto aos olhos que até por assistir me sinto mal.

Eu entendo que a série se baseia nos nerds, em como se sentem superiores mas são socialmente rejeitados. É uma contradição muito legal de explorar.

Porém, algumas perguntas para quem quer questionar o gênero em TBBT:

- Por que não o contrário? Por que não 4 mulheres nerds e um vizinho bonitão com corpo definido? Eu fui super nerd boa parte da minha vida, e também vivi uma posição difícil. Mulheres nerds existem aos montes, por que não são representadas na tv?

- Se os 4 nerds são normais/fora de forma, por que a única personagem principal feminina (por algum tempo) "precisava" ser tão bonita e dentro dos padrões? Não há nerds bonitos? Não há vizinhas de nerds normais? Nerds não fariam amizade com uma menina não bonita? Uma menina feia ou normal não daria audiência?

- Por que 4 homens não preocupados com a aparência dão tanta audiência, assim como uma mulher preocupada com a aparência e dentro dos padrões? Não seria de alguma forma um reforço de comportamento da realidade, onde as mulheres são mais cobradas pela sua aparência do que pela inteligência e os homens menos cobrados com a aparência e mais com a inteligência?

O dia a dia da série realmente acerta muito, e traz muitas críticas construtivas.
Mas a forma como o **núcleo principal** é estruturado é machista. 4 homens inteligentes e não preocupados com a aparência e uma vizinha meio tapada e mega gostosa é um clichê machista. Não corresponde a realidade. Claro que ficção alguma não corresponde a realidade, mas TBBT precisa corresponder a uma realidade machista? Existem várias formas de construir narrativas, eles fizeram a escolha deles: construir uma realidade idealizada pelo machismo.
Em que a maior parte das mulheres se encaixa no padrão de beleza e desculpem, mas nenhum homem encaixa (mas tudo bem por que eles são inteligentes /ironia/).

Desculpe fugir do assunto do post, mas acho que os comentários servem pra várias discussões ^^

donadio disse...

vivian,

escrever ficção tem algumas dificuldades.

Se você retrata a realidade como ela é, você está retratando uma realidade machista (racista, capitalista, desigual, etc).

Se você cria uma realidade diferente, você está ignorando uma realidade machista, racista, etc.

Imagina você fazer uma telenovela.

Se você põe patrões e empregadas domésticas todo brancos, você está tirando a visibilidade das pessoas de raça negra.

Se você põe patrões brancos e empregadas negras, você está reforçando o estereótipo.

Se você põe patrões negros, você está ignorando a existência do racismo.

Então é difícil você encontrar uma terceira via entre o conformismo e o escapismo. Não estou dizendo isso para justificar absurdos, até por que é obrigação de quem quer ser autor achar uma solução; mas que é difícil, é. Já é difícil se você é autor consagrado e pode escrever quando lhe dá na telha, e é mais difícil se você tem prazo para entregar o produto.

Enfim, já dizia o Arquimedes, "dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio, e moverei o mundo". Mas o ponto de apoio precisa ser fixo e não se mover, senão a alavanca não funciona. É assim com a ficção também. Não se removem estereótipos sem dar ao leitor/espectador um ponto de apoio no senso comum, que permita expor o estereótipo nas suas contradições.