sexta-feira, 28 de março de 2014

PESQUISA MOSTRA QUE FALTA MUITO PRO FEMINISMO SE TORNAR OBSOLETO

Um dos cartazes de uma das Marchas das Vadias

A pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgada ontem foi um balde de água gelada em quem luta por mudanças. 
E demonstra, mais uma vez, que alterar leis, adquirir direitos, não é tão difícil quanto mudar toda a mentalidade de uma sociedade. 
O levantamento, feito na metade do ano passado com 3.810 entrevistados (66,5% mulheres) de todas as regiões do Brasil, prova como o machismo ainda está arraigado no nosso país. E -- como se a gente precisasse de mais evidências -- oferece mais uma comprovação de que cultura de estupro não é uma invenção feminista. Existe mesmo. Senão, vejamos:
Perguntados se concordavam ou discordavam da afirmação "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", nada menos que 65% concordaram (desses, quase 43% concordaram totalmente). 
Diante da afirmação "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros", 58,5% concordaram. Ou seja, para esses entrevistados, quem causa os estupros são as mulheres, as roupas e atitudes femininas, não os estupradores. 
O interessante é que o estudo do Ipea diz que mais de 50% das vítimas têm menos de 13 anos de idade. Será que os entrevistados que responsabilizam a vítima pelo estupro também acham que são as meninas de 5, 7, 12 anos que, por não saberem se comportar adequadamente, causam seu próprio estupro? Ou isso só vale pra mulheres adultas?
Todo ano, no Brasil, no mínimo 527 mil pessoas são estupradas. Dessas, 88,5% são mulheres e meninas. Os estupradores são quase todos homens -- apenas 1,8% dos estupros são cometidos por mulheres. E aquele dado que todas as pesquisas mostram: 70% dos estupros são cometidos por conhecidos da vítima. Bem distante daquele clichê de "homem mascarado numa rua deserta à noite". O senso comum que pensa que mulher, para não ser estuprada, deve ficar no ambiente doméstico, precisa se convencer que o maior perigo está em casa. 
Estupro é o crime mais subnotificado que existe. Apenas 10% dos estupros são denunciados. E, desses 10%, uma minoria ínfima resulta em condenação. Em outras palavras, estupro é um crime impune (não só no Brasil, como em todo o mundo). 
Outro dado alarmante é que, entre as mulheres adultas que foram estupradas e engravidaram, apenas 19% fizeram um aborto legal. Entre as meninas de 14 a 17 anos, essa porcentagem cai para 5%. Vale lembrar que o aborto em caso de estupro é um dos poucos permitidos no Brasil. E, ainda assim, poucas conseguem cumprir o que é seu por direito (aí a gente fica pensando: pra que Bolsa Estupro, pra que Estatuto do Nascituro, se no nosso país nem mulheres e meninas estupradas fazem aborto legal? Por que essa ânsia em proibir ainda mais o que, na prática, já é proibido?).
Se a pesquisa do Ipea mostra que há muita tolerância na sociedade pra estupro, o mesmo não se repete -- ainda bem -- quando o assunto é violência doméstica
91% dos entrevistados concordam, parcial ou totalmente, com a afirmação "Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia". 82% discordam da afirmação "Mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos". 89% também discordam que "Um homem pode xingar e gritar com sua própria mulher". E 85% concordam que "Quando há violência, os casais devem se separar". 
Esses números são todos positivos e indicam por que a maioria dos brasileiros apoia a Lei Maria da Penha, por exemplo. Só falta que essa percepção de que a violência doméstica deve acabar resulte mesmo na diminuição da violência, o que ainda está longe de acontecer.
E talvez a violência doméstica ainda ocorra tanto porque a sociedade continua pensando que ela é um assunto privado, pessoal, "do casal", não um problema social. 63% dos entrevistados concordaram que "Casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família". 
E 82% ainda concordam com o velho clichê "Em briga de marido e mulher não se mete a colher". Assim fica difícil resolver o problema. Mais do que se contradizer, os entrevistados deram sua mensagem: "É, violência doméstica é uma droga mesmo, mas eu não tenho nada a ver com isso!".
Além dos números pavorosos descritos acima, há outras porcentagens que demonstram que o pensamento retrógrado dos comentaristas de portais da internet não é uma aberração -- é mesmo a maioria da população. 55% dos entrevistados concorda que "Tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama". 79% concordam que toda mulher sonha em se casar. 60% concordam que uma mulher só se sente realizada quando tem filhos. 64% concordam que "O homem deve ser a cabeça do lar". Parece que a mente desse pessoal parou em 1950.
E, como machismo e homofobia sempre caminham juntos, 52% dos entrevistados concordam que "Casamento de homem com homem ou de mulher com mulher deve ser proibido".
Espantosa mesmo foi a reação dos mascus à pesquisa. A conclusão deles foi que esta é uma pesquisa comunista para alavancar a causa feminista. Por que eu falo dos mascus? Porque eles são representantes do senso comum, só que um pouco mais extremado. As ideias são as mesmas (clique para ampliar).
Mascus só acreditam que estupro aconteça na prisão, com outros homens. Não é que eles não acreditem na existência da cultura do estupro -- eles não acreditam nem em estupro! No entanto, eles afirmam nunca terem visto alguém dizer que a roupa que a mulher vestia a levou a ser estuprada, ou que a mulher mereceu ser estuprada. 
Imagino que eles não devem ler seus próprios blogs e fóruns, porque lá tudo o que se faz é culpabilizar as mulheres por absolutamente tudo que homens fazem contra elas. Violência doméstica? Quem mandou a vadia se casar com um cafajeste? 
Feminicídio? É bom pra que elas aprendam. No caso trágico e recente de quatro meninas que foram executadas com um tiro na cabeça em Goiânia, mascus comemoraram, e disseram que elas não eram vítimas. "Se elas tivessem sido raptadas, torturadas, estupradas e depois mortas, aí sim seriam vítimas", disse um deles. Só ser executada no meio da rua não basta!
Fora a nota zero em Estatística, um mascu veterano fechou o tópico com sua opinião de que a pesquisa é falsa porque, afinal, ninguém jamais acusa as mulheres de nada. Muito menos eles:
A pesquisa do Ipea, como todas, é um retrato de um lugar e de uma época. E sim, é terrível constatar que no Brasil do século 21 o machismo ainda fale tão alto. 
Pro próximo que perguntar "Feminismo pra quê? Vocês já conquistaram tudo que queriam", entregue a pesquisa. E discuta esses dados com seus amigxs, pais, professorxs, colegas. Talvez assim, ao ver um machismo tão escancarado, elxs passem a autoanalisar o machismo que internalizaram.
As respostas da pesquisa indicam como as Marchas das Vadias são pertinentes, e como slogans feministas continuam sendo de máxima relevância. 
Quando a gente diz "Ensine os homens a não estuprar, não as mulheres a não serem estupradas", tem uma galera que acha ridículo -- pô, como que um estuprador pode aprender alguma coisa?! Mas a ideia não é mudar a mentalidade do estuprador. É mudar a mentalidade de quem acha que é o comportamento e/ou a roupa da mulher que causam o estupro, e não o estuprador. 
A ideia é derrubar a cultura de estupro, que sempre culpa as mulheres, que nega e ao mesmo tempo banaliza o estupro, e que faz com que os estupradores permaneçam impunes. 
Eu já vi amigos meus falarem "Com essa roupa ela tá pedindo pra ser estuprada". Já vi perguntarem "O que ela tava vestindo?", ao saber de um estupro. Eles são gente boa, que provavelmente nunca estuprariam alguém. 
Mas são firmes apoiadores da cultura de estupro. É a cabeça deles, delas, dos entrevistadxs da pesquisa, dos adeptos do senso comum, que temos que mudar.
E eu continuo sonhando com o dia em que o feminismo se tornará obsoleto.
Leia sobre as reações à pesquisa. E leia sobre a errata do Ipea.

88 comentários:

Patty Kirsche disse...

Excelente texto, Lola. Os resultados dessa pesquisa são de fato chocantes, e é imprescindível discuti-los.

L. G. Alves disse...

Postei sobre isso no meu mural e então um homem comentou o seguinte "Eu acho estas pesquisas bestas e tendenciosas. Não levo isto a sério." Quando leio um comentário assim tenho que me esforçar para não rebater com grosseria.

Anônimo disse...

Estou contente porque a pesquisa está sendo bastante divulgada. Vamos ver até quando meu contentamento dura.

Anônimo disse...

Tô numa discussão ferrenha com um cara no facebook que sobre essa pesquisa disse "mas tem que ter bom senso ao se vestir". Mas cansa tanto ter que desenhar pra pessoa e ainda assim a pessoa não entender!

Helen Pinho disse...

Li a pesquisa inteira hoje, claro que fiquei impressionada com alguns resultados,como a culpa a mulher nos caso de violência sexual e a negação de direitos igualitários aos homessexuais, mas fique também impressionada com a pesquisa em si (positivamente desta vez) achei muito boa! O texto vale muito a pena ser lido, é uma análise crítica dos dados, bem feminista inclusive na minha opinião. Achei fraco foi a parte que cita a cultura do estupro, mas pô cita cultura do estupro! Leiam a pesquisa!

Human Being disse...

Bom, a pesquisa eh um balde de agua fria mesmo, mas pelo menos tem um lado bom: Ela mostra que a Lei Maria da Penha, com toda a sua repercussao e toda as campanhas e politicas publicas para sensibilizar a sociedade e criminalizar a violencia domestica esta surtindo algum resultado. Mesmo no oceano de conivencia (em briga de marido e mulher ninguem mete a colher, roupa suja se lava em casa, etc) as frases de efeito apregoadas pelas ultimas campanhas publicitarias que tratavam do assunto (lugar de homem que bate em mulher eh na cadeia, homem que bate em mulher nao gosta de mulher, etc) colaram sim no 'senso comum' do brasileiro.

O que nos deve fazer atentar para o fato que essas mesmas campanhas sempre outorgaram a responsabilidade da denuncia para a agredida. Nao se ve por ai campanhas dizendo 'denuncie seu vizinho agressor' ou 'em briga de marido e mulher se mete a colher SIM', e as pessoas que testemunham a violencia domestica se acomodam no confortavel papel de espectadores - muitas vezes, de mulheres tao fragilizadas psicologicamente que nao tem forças para sairem sozinhas de uma situaçao como essa. A mesma ausencia de politicas de conscientizaçao vale para as INEXISTENTES campanhas publicitarias para a sensibilizacao da sociedade e a criminalizaçao do estupro como um crime sexista e abjeto, e nao como ele eh visto pelo 'senso comum': uma 'puniçao' ao 'mau' comportamento da mulher.

VEJAM BEM: Essa 'teoria' 'brilhante' nem sequer resiste a analise dos dados do estudo tecnico sobre o estupro, que chega as conclusoes que ja conheciamos: a maior parte dos agressores esta em casa, mulheres pobres e negras correm mais risco, a relaçao com um nexo causal de hierarquia e poder eh forte, a maior parte das agredidas sao crianças e adolescentes.

A propria ministra Meninucci admitiu que o governo precisa fazer mais, e eh fundamental que nos lutemos e façamos questao de publicidade oficial condenando o estupro e conclamando os 'espectadores' a assumir responsabilidade diante das manifestaçoes de violencia.

Helen Pinho disse...

L. G. Alves não precisa ser grosseira, nem ficar quieta! Questione, defenda sua opinião, veja a pesquisa completa tem vários argumentos, como o texto da Lola diz essa pesquisa é ótima para se discutir e quem sabe ajudar as pessoas a mudarem.

Carol disse...

Que dizer então que eu não devia ter usado aquele vestido rosa de bolinha quando tinha 5 anos?

Helen Pinho disse...

"mas tem que ter bom senso ao se vestir"
lembre a pessoa que NUNCA justifica a agressão. caso não entenda indique um psiquiatra ele é um agressor em potencial.

Helena disse...

"Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas". Seria cômico, se não fosse trágico, o "raciocínio" dessa "gente". Porque quando um sujeito me agarrou por trás e passou a mão no meu "traseiro" enquanto eu falava em um telefone público em frente ao prédio onde eu morava, eu estava com um casaco largo, fechado e comprido e botas até o joelho. Ah, claro, vai ver deveria estar de burca, de preferência com aquelas que só deixam os olhos de fora... E ainda assim é capaz de acontecer como alguém comentou numa postagem anterior e "merecer" ser estuprada pq estava de rímel.

Flavio Moreira disse...

Não sei funcionaria, mas pode-se "contra-argumentar" (se é que é possível fazer isso com pessoas que seguem cegamente o senso comum) que se um homem estiver só de short ou de roupa colada está "pedindo para ser estuprado"? Porque, veja bem, o "argumento" da roupa é tão raso que poderia ser usado contra o "astuto" que fala esse tipo de coisa...

Anônimo disse...

Parabéns,texto perfeito!!!! Estou inconformada com essa pesquisa, absurdo!!!!

L. G. Alves disse...

Ai Helen...e como já tentei! Mas essa pessoa, como uns poucos que já tive que debater durante vários minutos, é mente fechada e só aceita aquilo que acredita. Não adianta perder mais tempo com ela. Quem sabe outra pessoa consiga o que eu não consegui...E às vezes eu prefiro não comentar nada após o comentário para não ser grosseira. Acho melhor.

Carolina M. disse...

Ou seja, vamos andar de burca!

Nadia disse...

Outro dia, um taxista de mais de 70 anos falando com um amigo meu que estava na frente soltou o seguinte: "Fui casado três vezes, mas nunca bati nem matei nenhuma das minhas esposas" Tipo um orgulho, sabe. Aí achei muito trash. Depois pensei que talvez isso seria uma evolução, assim como o resultado desta pesquisa. Ao menos estamos discutindo, o tema entra na pauta dos principais jornais, a presidente dá sua opinião. E principalmente, a importância do feminismo.

Acho que aqui no blog da Lola sempre lemos e discutimos as questões levantadas pela pesquisa e agora temos certeza da importância disto. Lembrando de um post recente em que a Lola 'confessa' algum grau de machismo. Isso vale para todxs nós. Eu também era muito diferente do que sou hoje, mesmo sempre tendo uma pontinha de feminismo.

Mila disse...

Para quem acompanha, nenhuma surpresa. Infelizmente, essa pesquisa veio só para corroborar o que muitas pessoas já falam: o brasileiro culpa a vítima, sempre.
Não sei se é um sonho meu, mas espero que essa pesquisa não fique engavetada como tantas outras. Espero que ela seja subsídio para debates sadios e para a formulação de políticas públicas. Não é aceitável para um país que quer se desenvolver economicamente continue considerando que mais da metade de sua população seja tratada com tamanha falta de respeito.

Anônimo disse...

claro q é tendensiosa,entrevistam 3 mil e poucas pessoas em vários estados,num país de milhões e querem dizer q o povo inteiro pensa assim.

Anna Milani disse...

Bateu uma deprê ao ler o texto. Mas, é exatamente por isso que a luta não pode acabar.

lola aronovich disse...

Isso, anon das 18:41, vc manja tudo de pesquisa. É isso mesmo: pra que uma pesquisa seja válida, tem que entrevistar 100% da população. Tipo o Censo, sabe? Se não entrevistar cada um dos 200 milhões de brasileiros, não vale nadinha. Meu amado pai (que trabalhou com pesquisa de mercado durante boa parte da vida) se revira no túmulo por vc nunca ter ouvido falar em amostragem.

andré disse...

essa pesquisa diz no maximo que 102,87 mil (somando todas as entrevistas em todos os estados) pessoas pensam assim.
o povo brasileiro passa de 200 milhões ,então para se afirmar que esse é o pensamento do brasileiro ,falta muito.
tendensioso é pouco.

amostragem é uma falácia tendensiosa,assim como as estatísticas,tem gente que n sabe desse truque e cai facilmente,sem pensar,nem analisar o óbvio.

Lígia disse...

Vamos dar uma bolsa para essa galera fazer um curso de "Introdução à Estatística"?

Triste os resultados, mas não surpreendentes.

Sobre a violência doméstica... Ok, a maioria acha que homem que agride a mulher deve ser preso... mas e o tanto que acha que mulher que apanha e continua casada é porque gosta?

Muitas pessoas tem certas opiniões por ignorância - porque nunca pensaram no assunto, ou porque não tiveram acesso à informação. É muito difícil para muitas pessoas conseguir sair do senso comum.

Me surpreendeu que apenas pouco mais da metade dos entrevistados achem que uma mulher só se realiza se for mãe, achei que ia ser bem mais que isso.

Anônimo disse...

Eu sonho com isso também Lola...por enquanto a luta continua.

Ana disse...

@Human Being

"Nao se ve por ai campanhas dizendo 'denuncie seu vizinho agressor' ou 'em briga de marido e mulher se mete a colher SIM', e as pessoas que testemunham a violencia domestica se acomodam no confortavel papel de espectadores - muitas vezes, de mulheres tao fragilizadas psicologicamente que nao tem forças para sairem sozinhas de uma situaçao como essa."

Perfeito! É o que eu vivo dizendo!

Esses dias no trabalho estavam contando sobre uma mulher que apanhava do marido. Ela quase conseguiu deixá-lo algumas vezes, acabava sempre voltando. Apanhava horrores, o cara era ciumento, brigavam, ele a insultava, chamava de feia, inútil, daí pra baixo. Em certo ponto, ela sofreu uma tentativa de estupro, foi parar no hospital toda arrebentada e tudo o que o marido teve pra lhe dizer foi "eu sei que tu provocaste o cara!". As maravilhosas amizades a aconselhavam a ficar com ele, porque oras, "onde ela ia arranjar um cara bonito como ele?" (!!!!).

Ouvindo isso, me vem uma mulher e diz que "não adianta falar com mulher assim. É a pessoa tem que querer se ajudar".

Ah claro. Não vamos fazer nada, vamos deixar a pessoa que está com o emocional em frangalhos, completamente dependente de um marido machista e manipulador, decidir por si só que deve deixá-lo. Vamos deixá-la sozinha, ouvindo do marido que é feia e dos outros que deve ficar com ele por que ele é bonito demais. Ah sim, funcionará lindamente!

Isso pra mim é tão efetivo quanto dizer que um paraplégico pode andar se quiser o suficiente - é inventar uma exigência ridícula pra uma pessoa que não tem condições de atingi-la.

As pessoas ainda não entendem o impacto que a violência tem numa vítima. Acham que as coisas podem ser resolvidas facilmente, com a óbvia, racional decisão de deixar o cara. Como se a vítima estivesse em condições de ser racional.

Em suma, tens toda a razão, faltam camapanhas incentivando as pessoas a tomarem uma atitude, ao invés de jogar tudo nas costas da vítima.

Ana disse...

"91% dos entrevistados concordam, parcial ou totalmente, com a afirmação "Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia"."

"82% ainda concordam com o velho clichê "Em briga de marido e mulher não se mete a colher"."

Num outro post eu disse que hoje temos um problema: as pessoas sabem, por exemplo, que "ser machista é ruim"; mas não conseguem identificar machismo quando este acontece.

Pois bem.

91% das pessoas consegue entender que "bater na mulher é ruim".

E AINDA ASSIM, 82% não vão se meter se virem a violência diante dos seus olhos.

É uma espécie de analfabetismo-funcional-social bizarro. Acham que bater em mulher é absurdo, mas tomar providências pra acabar com a situação? Bah! Não é problema meu! Seria indelicado me meter em ~problema de família~.

A sociedade não caminha, ela engatinha.

(Mas, pelo menos engatinha...)

-------

Estou achando a pesquisa ótima. Da próxima vez que me disserem que eu "vejo machismo em tudo", não vou responder - vou pegar a pesquisa impressa e tacar na cara da pessoa.

É claro, nem todo mundo se rende - agora estão dizendo que a pesquisa é ~tendenciosa~. Como se não desse pra ver todo santo dia que é assim que o brasileiro pensa. Santa paciência.

Paula disse...

Lolinha!!! Vc ta no site do Drauzio Varella!!

http://drauziovarella.com.br/mulher-2/a-culpa-e-sempre-dela/

ele é um exemplo de homem que leva o feminismo para os espaços machista usando o poder da palavra que tem... admirável!

Luma B. disse...

A pesquisa é tendenciosa é? Engraçado que ela bate com o que a maioria das pessoas que eu e muitos, como amigos, parentes, e comentaristas desse blog conhecemos pensam. A maioria das pessoas com quem já cruzei ou conversei sobre isso pensam exatamente assim, alguns ainda pensam pior pois ate em caso de violência doméstica, dizem que a mulher apanhou por que desrespeitou seu marido, então mereceu, claro, e infelizmente já tive o desprazer de ver esse pensamento ser usado na prática no meu círculo familiar.
Acho que se querem descreditar uma pesquisa que só confirma o que a maioria das pessoas vê e ouvi no dia dia, poderiam mostrar provas concretas de fontes confiáveis que provem o contrário do que todos estamos cansados de saber. Desvalidar a pesquisa só com as palavras é tão conveniente, não é mesmo?

Ana disse...

@Paula

E o texto é ótimo!

"Como reflexo, desenvolve-se uma sociedade que não sabe identificar o que é, de fato, uma violação. Muitos não fazem ideia de que sexo sem consentimento ou forçado fazem parte da definição de violência sexual, segundo a Lei 12.015."

Leiam leiam leiam!

Musicista Feminista disse...

Há um desconhecimento absurdo sobre o que é estupro. Quando falam de mulheres estupradas há no imaginário das pessoas a imagem de uma mulher do tipo "piriguete" que ficou provocando os homens inocentes e eles apenas seguiram o seu instinto "deram o que elas queriam", afinal estavam provocando.

O babaca que se aproveita pra transar com a amiga bêbada não é estuprador.
O parente que abusa da criança, que não conta por medo, não é estuprador.
Olhando do ponto de vista dessas pessoas ninguém é estuprador, todos são "homens de família", que teriam a sua "vida arruinada" ( como o Tyson)se alguém soubesse.
E é melhor proteger a moral do comandante da família tradicional do que a vida das mulheres.

O panaca que abusa de uma criança acha que está fazendo algo tão normal quanto empurrá-la no balanço. Ele não lembra, mas ela sim. E esse trauma que "deve" ser escondido é um dos causadores desse mal. Tanto para a criança que sofreu quanto para as outras que são prejudicadas por esse pensamento idiota.

Anônimo disse...

@Ana
Perfeito. Eu adicionaria em sua sugestão o treinamento de policiais e profissionais de saúde para lidar com casos de violência doméstica e estupro.

No caso que você contou, se o profissionais do hospital fossem bem treinados e informados, eles teriam acionado a polícia e garantido atendimento psicológico à vítima.

Em minha opinião é o que devia acontecer. Está escrito na própria lei maria da penha, no artigo 8º inciso VII, sobre a capacitação dos policiais.

Quanto ao agressor, que seja julgado e condenado com o rigor previsto em lei.

lola aronovich disse...

Opa, foi mal! Estava participando do protesto online #NãoMereçoSerEstuprada e me esqueci que tinha agendado alguns posts pra hoje. Desculpem, já os retirei. Eles não estão prontos.

Anônimo disse...

Que bicho é esse na última foto, uma coruja?

Edson disse...

Em 2012, estava conversando com uns caras da empresa que trabalhava. Em determinado momento da conversa, um deles disse que mulheres não podem reclamar se forem estupradas dependendo do que elas estão vestindo, e teve um outro idiota que concordou. Eu tive um acesso de raiva naquele momento. Queria insultar os dois e dizer o pq deles estarem errados, mas me resignei, pq não adiantaria e me estressaria mais ainda.

lola aronovich disse...

Nossa, anon! Vc está me comparando a uma coruja? Assim eu me sinto lisonjeada! Corujas são lindas. Eu me sinto mais próxima a pandas. Que também são divinos, modéstia à parte. Obrigada pelo elogio! Devem ser meus olhos verdes.

Ana disse...

Lola, o protesto no FB está uma coisa. O que tem de gente ~trollando~... Que nojo.

Por outro lado, to achando um máximo, porque dá pra coletar bastante print. O que for crime vai pra PF, o que não for fica pra uso futuro...

Anônimo disse...

Quando algum homem fala esse absurdo de que a mulher foi estuprada por causa da roupa dela, normalmente respondo: "Vc gosta de ir à praia? Tem mania de ficar andando por aí sem camisa no verão? Porque, olha, cuidado, vai que um dia vc está lá na praia com a sua sunguinha e outros caras te olhem e fiquem descontrolados de desejo pelo seu corpo (afinal vc fica lá de peito e pernas de fora, com a sunga colada, é provocar os caras, né)? E aí vai que esses caras loucos de desejo por vc resolvam te agarrar e te estuprar? Vc não vai poder reclamar de nada, afinal vc pediu e provocou com aquela roupa sexy... E os caras, tadinhos, ficaram descontrolados de desejo pelo corpo que vc estava exibindo, afinal, vc sabe, né, não dá para exigir que os homens se controlem nessas horas... É instinto!".

Os caras que ouvem isso, normalmente ficam irritadinhos e resolvem encerrar a conversa por falta de argumento.

Anônimo disse...

To chocada . A repercusão ta em alta e o pior é que mulheres concordam. Eu tinha 11 anos quando me estupraram. Eu era e sou pequena, magrínha e com 11 eu parecia ter 8 . Eu brincava com bonecas. Eu provoquei desejo? Meu vestidinho era sensual? Meu gritos de dor e horror eram excitantes? Respeitem meu direito de vítima. Lola to chocada com a pesquisa. Vi isso no jornal bem cedo e lembrei do que posta aqui. Meninas tão vendo até onde vai a ignorancia? E ainda tem a questão da mulher se dar ao marido mesmo sem querer. É um retrocesso da nossa luva. Chateada muito chateada.

Julia disse...

Mas gente, é pra ser grosseira. Porque temos que ser educadas? Eu sempre sou grossa com esse tipo de gente. Funciona. Eles entendem mais rápido assim.

Julia disse...

O que você quer dizer com isso, André idiota? Que o brasileiro não é machista? Que vivemos num paraíso feminista? Que as mulheres não são culpadas pelas pessoas pelas agressões que sofrem? Vamos lá. Fale isso com todas as letras. Vamos ver até onde vai sua cara de pau.

Julia disse...

Mas pela dificuldade em usar virgula e pelo pensamento deve ser mascu esse traste.

ps: custa dá espaço antes da vírgula?

Anna Milani disse...

Ah, comentando mais uma vez... Eu li uma notícia sobre duas meninas, da cidade do Novo México.

http://noticias.terra.com.br/mundo/jovem-mata-amiga-que-divulgou-sua-foto-nua-no-facebook,db86466c9f305410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

Basicamente, a vítima divulgou fotos nuas da melhor amiga no facebook e com ódio, ela matou-a. Sabe, me assusta seriamente os comentários. Tinha mascu falando que 'a amizade feminina é linda'.
[Como se homens não matassem outros homens, ainda por cima, 'amigos'.]

Mas o que mais assustou foi os caras, todos mascus, pedindo as fotos da menina. Quer dizer, acontece um horror desses e os desgraçados, filhos de uma porca, ficam pedindo fotos da garota? Ainda acompanhado por 'kkkk', como se fosse algo engraçado?

Tive que ir ao banheiro vomitar, depois de ver a mentalidade dos machistas.

É verdade. Não precisamos mais de feminismo, não existe e nunca existiu machismo.

Fábio Henrique disse...

Eu em toda minha vida nunca pensei em estuprar ninguém, nunca nem me passou pela cabeça cometer nenhum tipo de abuso contra ninguém.
Em uma "cultura de estupro" como afirma você professora, e suas seguidoras, em que o ato estupro e regra entre os homens, não exceção como vcs afirmam, em que um estuprador não e repudiado mas recebe parabéns pelos estupros e tapinhas nas costas dos demais homens.
Serei eu, que nunca pensei nisto um E.T professora Lola?

Anônimo disse...

Vejamos, todos nós, que não somos sociopatas defendemos o fim da violência domestica,seja ela qual for, seja cometida por homens contra suas esposas, seja cometida pelas esposas contra homens, mas não e toda violência domestica que e conjugal, esta e a verdade que as feministas tentam varrer para baixo do tapete a todo custo.
Há também altos indices de violências contra idosos e crianças, segundo a própria UNESCO, 80% das agressões contra crianças no lar, são cometidas pelas suas mães e cuidadoras.Assim como a maioria das cuidadoras de idosos, e composta por mulheres, segundo a delegacia de defesa do idoso ( criada com o estatuto do idoso) o que segundo a delegacia leva a um numero maior de agressoras de idosos, que de agressores.
E ai feministas, vamos combater a violência domestica de verdade? ou vcs são posers neste sentido? CADEIA JÁ PARA AGRESSXRES DE CRIANÇAS E IDOSOS
Aqui os dados para conferir.
https://scontent-b-mia.xx.fbcdn.net/hphotos-frc3/t1.0-9/1662300_445799412188340_22085739_n.jpg

Raven~ disse...

Julia, nem perca seu tempo com uma pessoa que escreve ~tendensiosa~. Huashuah

Hamanndah disse...

Fabio, onde vc leu que Lola e suas Loletes escreveu que todos, ou quase todos, os homens são estupradores? Se ela achasse isso, vc acha que ela.iria continuar apaixonada, casada( e tendo sonhos eróticos somente com - sem trilha sonora de Wando) com um homem( Silvinho, lindo e maravilhoso)

Caro mascu, amante de mingau e das músicas de Wando, vc está precisando, urgente, de aulas de interpretação de texto, hein?

Raven~ disse...

Que nada Fabio do Mingau. Supõe-se que ets sejam inteligentes.



Vamos lá. O problema da anta que diz que mulheres são estupradas por seu comportamento ou roupas, é que elx tá sempre pensando no ambiente em que vive. A pessoa, o ser, a criatura só frequenta baile funk (e mesmo lá as moças podem fazer oq quiserem), daí x machistinha ouve que alguém foi estuprada pq tava sem calcinha, aí x anta diz: Aí mereceu! Quem manda estar em baile funk, de sainha e sem calcinha? E rebolando ainda por cima? De maneira nenhuma essa mulher mereceu, mas o machismo adora dizer que mulheres devem se comportar. E nessas o burraldo não pensa nas idosas, nas meninas, nas mulheres saindo de um trabalho sei lá... Metalúrgico, que são estupradas. É um argumento burro esse do comportamento e vestimenta. O PIOR é as pessoas acharem que são fodonas, são originais falando uma merda dessa.

Rejane Cavalcanti disse...

Lola, li agora no The Guardian este texto de uma mulher que fazz um trabalho excelente na Inglaterra, trabalho este que busca atingir mulheres do mundo todo. É a Laura Bates, que mantém um site o http://www.everydaysexism.com/ As questões do sexismo são praticamente as mesmas no mundo inteiro. Aqui o link para o texto no The Guardian http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2014/mar/29/everyday-sexism-women-encounter-laura-bates?CMP=twt_gu Vale muito a pena conhecer este trabalho, caso você ainda não o conheça

Anônimo disse...

Poxa, anon das 02:38, seu comentário foi para defender os velhinhos e as crianças mesmo ou você usou como argumento apenas por que lhe era conveniente para descreditar um pouco o feminismo?
Pois se vê que voce não é feminista, logo, não deve lutar por um mundo justo e igualitário, que se hoje é melhor do que no passado (não muito) é por que a minoria lutou por isso, não o machismo branco e hétero.

Então fica aqui a dúvida que não quer calar, que preocupação toda é essa com os velhinhos e crianças e o que VOCÊ está fazendo para melhorar a situação deles? Já que para usar tais argumentos se vê que deve esta fazendo algo e de forma diferente de nós, que ao seu ver estamos sendo hipócritas que nem certas pessoas que falam de causas que se quer pensaram de pegar para si mas sim para usar APENAS como argumento e só.

AArK disse...

Lola, depois vê a campanha show que estão fazendo por causa dessa pesquisa no facebook: #eunaomerecoserestuprada! Várias mulheres e até homens estão apoiando a causa e tirando fotos! Claro que infelizmente já tem até uns fakes mascus pra perturbar no meio!

Camila Gois disse...

Fiquei muito triste com essa pesquisa, lembrei de quando estava no ensino médio e uma aluna foi estuprada na saída da escola, enquanto voltava para casa. O diretor da escola passou nas salas, comentando com os alunos obre o ocorrido, e o discurso dele era assim: "Vocês já devem estar sabendo o que aconteceu com aquela aluna, né? Então, não sei o que ela estava vestindo, mas já vi muitas meninas que vem para a escola com sainhas curtas e blusinhas decotadas... meninas, para que vir para a escola assim?".
Imaginem só que absurdo, um diretor de uma escola passar nas salas falando isso!! E o professor que estava dando aula concordou!!

Anônimo disse...

Lola,vc so fala de estupros sobre mulheres e meninas,mas não sobre meninos.Alem de não considerar mulheres pedófilas.Pois eu te digo casos bem famosos.Corey Haim e Corey Feldman,astros nos anos 80,que fizeram Sem Licença para Dirigir,eram estuprados em Hollywood.Victor Salva,diretor,estuprou o protagonista de seu filme e hoje continua a trabalhar(um filme famoso dele é olhos famintos).Ja no caso das mulheres,Jonathan Davis,cantor,foi abusado pela vizinha.Se vc pudesse,eu ia gostar de ver um post seu sobre isso.Aqui os links:
http://www2.itatiaia.com.br/noticia/delegada-diz-que-casos-de-mulheres-acusadas-de-pedofilia-estao-crescendo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jonathan_Davis

http://www.vice.com/pt_br/read/victor-salva-curte-aterrorizar-jovens-seminus

http://juliosevero.blogspot.com.br/2011/12/recentes-acusacoes-de-pedofilia-em.html

Anônimo disse...

Meus, amigos... O que estamos vendo aí é possivelmente um crime de estelionato.
Eu aposto as duas bolas do meu saco que a pergunta que eles fizeram aos voluntários da pesquisa NÃO FOI exatamente essa descrita na pesquisa. (Se é que a pesquisa de fato aconteceu, e afinal: COM QUEM aconteceu?)

Se ela aconteceu normalmente com cidadãos comuns, decerto fizeram uma pergunta desse tipo: "você acha que uma mulher tem MAIS CHANCE de ser estuprada se vestir roupas curtas, ter uma conduta promíscua e andar sozinha por itinerários de risco?"

Tenho certeza absoluta que fizeram a pergunta nesse contexto para depois retroativamente acusar a "sociedade" de estar "justificando estupro" ou "culpando mulheres pela covardia cometida contra elas", como se dizer sem medo que um sujeito que salta de asa-delta tem mais chance de morrer estatelado no chão que um senhor que joga xadrez na praça não fosse a constatação do ÓBVIO, mas um "crime inominável" de uma "sociedade opressora contra os pilotos de asa-delta".
A psicopatia feminista se dá no momento que elas alegam que é "opressão machista" se uma moça pianista clássica, criada nos mais rígidos padrões patriarcais, que se recusa a sair de casa sem estar devidamente acompanhada tem menos chance de ser violentada do que uma mulher promíscua, que frequenta itinerários suspeitos e assume condutas de risco (embriaguez, drogas, etc); ainda mais num país governado por narcotraficantes marxistas supranacionais, facções criminosas locais e uma legislação revolucionária que protege psicopatas, assassinos, estupradores, latrocidas.

Ninguém tem o direito de reivindicar condutas de risco como "direitos": se a mulher moderna queria ter o "direito" de andar só de lingerie, calcinha socada no rabo às 3:30 da manhã sem correr o risco de ser violentada por um psicopata, eu também quero meu DIREITO de não ser assaltado se sacar dinheiro no banco 24h, quero meu DIREITO de treinar basquete sozinho na quadra da linha da Maria-Fumaça na madrugada sem que os cocainados e os zumbis do crack tentem se agrupar pra tentar me roubar e possivelmente tentar me matar, quero meu DIREITO de começar fazer barra na praça de noite, já que não teria que revezar a barra com ninguém.

Se eu tivesse competência na área de comunicações ou na área jurídica eu ia a fundo nessa história, provaria o ardil dessa "pesquisa" e deixaria essa turma DE TANGA com o processo que meteria no rabo deles.
Como minha competência é combate, destruir coisas e construir coisas, deixo a dica pra qualquer um seguidor da página formado em Direito ou Jornalismo por aqui: encha seu rabo de grana indo a fundo nessa história.

O brasileiro que invariavelmente espanca e é capaz de MATAR um sujeito do qual a mulher acuse de ter tocado-a à força não pode ser (e NÃO É) o mesmo brasileiro dessa suposta "pixquiza".
Eu pessoalmente já joguei pra outra ponta do metrô com um coice no plexo um sujeito drogado que agarrou uma mulher pelo braço, e os populares trataram de bater MUITO no cara até entregar à guarda do metrô: ele saiu de lá todo fodido e eu fiz companhia à mulher que estava assustada e mais frágil do que uma mulher é naturalmente.
Asseguro que é MATERIALMENTE IMPOSSÍVEL que 65% dos brasileiros comuns diriam que "a culpa de ser estuprada é da mulher":
A reação popular contra um SUSPEITO de estupro já prova por si só que a "cultura de estupro" é uma farsa.
Tem treta aí.
COMPARTILHEM a idéia desse meu texto e eventualmente se tiver treta na história PROCESSEM esses ardilosos filhos da puta.

Post Scriptum: Feminismo é uma doença mental.
http://oglobo.globo.com/pais/para-65-mulher-com-roupa-que-mostra-corpo-merece-ser-atacada-12006214

Joane Farias Nogueira disse...

Quem discorda ou concorda parcialmente , para mim já deve ser considerado como discórdia ou concórdia. Se eu discordo parcialmente que o homem pode xingar ou bater, eu já concordo que em certas situações isso e válido. Para mim, pode ser riscado da lista de gente de bem.

Joane Farias Nogueira disse...

E não concordo que a coisa tenha melhorado tanto assim, por que essas mesmas pessoas que dizem que a mulher tem que se separar são as que reparam quando você se separa. Se pedir pensão, então...
Uma pessoa próxima a mim passou exatamente por isso quando se separou. Todos falavam que ela deveria largar ele, outros falavam que ela não deveria largar ele porque isso ia diminuir o padrão de vida dos filhos.Quando ela largou, as duas torcidas se voltaram contra ela, chamando-a de ingrata.
Você pode não culpar a vítima de estupro pela roupa, mas pode culpá-la pelo local onde estava e com quem estava. Será que as mesmas pessoas da pesquisa que não a culpam pela roupa não te culpam pelo comportamento também, e vice-versa?
E sim, as pessoas culpam meninas de 13 anos também, porque cansei de ouvir e ler isso na net. ""Tem menina novinha que é mais safada que as velhas.""

L. G. Alves disse...

Olha o que acabei de ler (deixarei o link abaixo):
"O Brasil é incrivelmente atrasado nas questões de gênero, vitimizando a mulher e demonizando o homem seguindo uma cartilha de muito tempo atrás. Recomendo que quem queira realmente se aprofundar sobre o tema pesquise sobre o trabalho de Karen Straughan, Janice Fiamengo, Christina Hoff Sommers, entre outras. Lembrando que apenas citei mulheres pq sei que se parte de um homem não será respeitado por feministas. Elas sim, comentam sobre fatos, estudam de verdade sobre o tema e não se limitam a regurgitar ideologias semelhantes as mais antigas religiões e governos extremistas. Tira-se a humanidade do homem para a partir daí aprovarem-se as mais absurdas e desiguais leis como Maria da Penha, aposentadoria atrasada e se reflete por todo o judiciário. Quantos homens não vão apanhar injustamente ou até serem presos por encoxar alguém quando na verdade só estava passando. E ainda, com muito malabarismo mental chama-se uma encoxada de "estupro". Governos opressores e ditaduras têm uma linha de funcionamento semelhante, isso é tão claro. Como podem tão poucas pessoas se tocarem disso?"
AQUI> http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/03/29/organizadora-do-eu-nao-mereco-ser-estuprada-recebe-ameacas-de-estupro/

Laurinha (Mulher modernex) disse...

O pior é ver pessoas tentando defender o indefensável.
Me mandaram um link de um babacão na Veja tentando distorcer a pesquisa falando que atacar pode ter outros significados e defendendo o blablabla do comportamento e da roupa.
Mas um machistóide que usa uma palavra como feminazi já demonstra que está bem empenhado em manter as coisas como estão e jogar a sujeira pra debaixo do tapete.

Anônimo disse...

Só fico imaginando como tal problema pode ser resolvidos se nós mulheres achamos que é um dierito nosso nos reduzirmos á objeto sexuais seja na mídia,seja em todo lugar.Feminista defende funk,defende prostituição,defende pornografia,defende o direito das mulheres se vestirem feito pedaços de carne....tudo isso é um direito,é empoderardor.As consequências são sempre machismo.

Que tal pararmos de ensinar aos homens a nos verem como mercadorias? que tal pararmos de reforçar o machismo? até quando vai ser tabu falar sobre isso??
Está tudo mundo sempre errado,só feministas é que estão certas??

Anna Milani disse...

'Que tal pararmos de ensinar aos homens a nos verem como mercadorias? que tal pararmos de reforçar o machismo? até quando vai ser tabu falar sobre isso??
Está tudo mundo sempre errado,só feministas é que estão certas??'

Amada, põe isso na cabeça: Se você não quer se vestir como 'pedaço de carne', continue sendo oprimida. É um direito seu. Seu comentário é extremamente machista, só quando você fala que reforçar o machismo, seria a mulher simplesmente não vestir nada acima dos joelhos. Agora, por favor, feministas querem liberdade de fazer o que bem entendem, sem homens mascus dizendo o que elas têm que vestir.

Nadia disse...

Anon das 15:27, não dá para levar a sério o que vc escreveu. O IPEA é uma instituição muito séria, com pesquisadores muito competentes. A metodologia é cuidadosamente escolhida e aplicada. Colocar a metodologia (perguntar para pessoas aleatórias) em dúvida, é válido (mas aí vc teria que indicar outro método para avaliar esse problema).
Mas dizer que eles fizeram uma pergunta e publicaram outra é bizarro. Não existe isso.
Acho engraçado que só para não ver que há o problema de fato, vc tenta deslegitimar por uma via totalmente fora.
Tente direcionar seu olhar para questões que vc seja parte. Se vc não é um estuprador, nem em potencial, afaste-se e não dê suas opiniões que incentivem esse tipo em nossa sociedade. Obrigado.

Anônimo disse...

E no Face esta pesquisa está dividindo opiniões.
Um amigo meu escreveu o seguinte:
"Essas pesquisas do IPEA são tão ridículas que nem merecem um comentário em uma rede social. Tudo feito tão desorganizadamente, com indagações que levam a questionamentos bizzarros, capciosos e tendenciosos que não condizem com a verdade. Claro que o povo brasileiro não é a favor do estupro em nenhum tipo de condição, isso chega a ser ultrajante. Vamos questionar antes de postar apoio a intervenções ilógicas. Na verdade o povo brasileiro é preguiçoso mesmo, preguiçosos para investigar, não machista."


Eu concordo em partes com o pensamento dele. Existem pesquisas tendenciosas? Existem,sim.
Mas conheço muita gente que acha sim que existe mulher para casar e mulher para fazer sexo, existe sim muita gente que concorda que o tipo de roupa estimula a violência (claro, afinal um homem que é capaz de estudar, se formar, trabalhar, utilizar bom senso para fazer suas escolhas e construir uma vida com inteligência não consegue controlar um único órgão de seu corpo menor que seu pé, coitadinho).

Outra pessoa postou:
"É uma pesquisa tendenciosa, tá com cara que que é forjada para impor, formar, opinião e mobilização da população para abafar um assunto qualquer, nem precisa dizer o que está sujo no governo, porém o povo cai igual pato, obviamente nem dá para acreditar na seriedade da pesquisa, mas só sei que o povo tá mais ligado nos tarados da pesquisa do que nos escândalos do Governo, até 2012 qualquer Governo usaria o futebol para persuadir a massa, mas como não cola mais, então dá-lhe rede sociais com assuntos estranhos."

A questão não é a pesquisa ser tendenciosa ou o governo estar procurando outro assunto para desviar a atenção.
A questão é que existe sim machismo, ou melhor, sexismo e em pleno 2014 ainda temos de ouvir pessoas regulando como temos de nos vestir, falar, usar o cabelo, pensar e temos de achar que tudo bem um estranho dirigir palavras grosseiras avaliando nosso corpo, mesmo que estejamos com uma roupa que nos cubra o máximo possível.
A questão é não podermos exercer o direito básico de ir e vir sem ter de tomar milhares de precauções e sem sentir medo.
A questão é que o feminismo ainda não pode se tornar obsoleto, enquanto houverem homens dizendo que o feminismo na verdade visa conseguir a supremacia feminina, dominar os homens que já sofrem demais com violência e que são incompreendidos. Não, não queremos a supremacia feminina e não queremos utilizar resultados de pesquisas tendenciosas para manipular a população e tornar todas as pessoas "feminazis".
Queremos simplesmente respeito. Algo que deveria ser de direito de todos, assim que nascemos.

Anônimo disse...

E essa pobre jovem, também mereceu ser estuprada? Não se pode mais nem dormir em paz? Pessoal que adora culpar a vítima, manifestem-se
http://jornaldesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/seguranca/noticia/2014/03/jovem-e-estuprada-dentro-do-proprio-apartamento-em-blumenau-4458970.html

Anônimo disse...

Acabei de ir em um blog excelente que entrevistou (ou algo assim)a dona da campanha "Não mereço ser estuprada" nas redes sociais. Tudo ia bem até eu ler os comentários... Se alguém ainda acha que o resultado da pesquisa foi manipulado, é só ler as coisas horrendas postadas. Não é de admirar que as vítimas se sintam tão constrangidas para denunciar.

Jonas Klein disse...

Olá Lola, sabe eu quando li essa pesquisa fiquei de cabelo em pé mas quando eu comecei a ler comentários em portais e outros bloques por ai, comecei a ver que a coisa não e tão grave assim, pois nessas ultimas 48 horas eu tenho me detido a ler tudo o que aparece de comentários sobre isso com especial atenção os comentários dos homens sobre isso, e o que reparei e que o numero de pessoas que de certa forma acha que “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.” e muito menor que os 65% que concordam segundo a pesquisa total ou parcialmente com essa afirmação.


o que percebi lendo es comentários a que pelo menos 2 de cada 3 homens não concordam nenhum pouco sequer com essa firmação “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.” atacadas quase todos já leem como "estupradas", quanto as mulheres pelas manifestações delas na internet aproximadamente mais de 4 em cada 5 não aprova nenhum pouco essa afirmação.

E olha que eu li mais de mil comentários e com base neles e no que eu vejo no dia a dia, e a formo que essa pesquisa do ipea foi feita ela e muito tendenciosa, não reflete a realidade que as pessoas veem inicialmente e esta ainda sendo mal interpretada pelas pessoas. e por isso que depois que eu li esses comentários e essa matéria do site da revista veja


http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/03/28/a-culpa-do-estupro-nao-e-da-mulher-mas-a-da-confusao-e-da-pesquisa-do-ipea-essa-sim-merece-ser-atacada/


eu fiquei um pouco mais tranquilo porque vi que a realidade não e tão dura como inicialmente a pesquisa da entende, ate porque eu sei que o brasil e um pais que não tem por onde ser mais atrasado mais também não e pra tanto assim, aponto da maioria das pessoas acharem que as mulheres tem alguma culpa por terem sido estuprada.


Eu mesmo vale pra essa outra afirmativa aqui “Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros.” por isso eu acho bom todo mundo se acalmar um pouco, porque as coisas não são tão graves quanto inicialmente aparentam ser.

Julia disse...

Anon 22:54, daqui a pouco aparece um dizendo que é só trollaçao, zueira. É brincadeirinha, gente. Por que estupro é super engraçado. Aí vai a galerinha escrever num cartaz "#já estuprei e estupro de novo" e postar no Facebook de livre e espontânea vontade..

Anônimo disse...

Lola, faz um post sobre a quantidade de mascu dizendo que vão estuprar as mulheres na pagina do evento? A quantidade de ameaça de estupro é inacreditável! Estou chocada!

Bárbaros, pelamordedeus.

As pessoas não tem noção disso que acontece =(

Ana Eufrázio disse...

Oi Lola, lamentável não o resultado dessas pesquisas, né? E ainda tem gente que acha que os índices não revelam a realidade. nós que sofremos com os olhares indiscreto, com a as piadinhas e os julgamentos é que sabemos o quanto esse índice reflete o pensamento mediano.

Jonas Klein disse...

Bom deixando de lado essa pesquisa, na minha opinião fazer campanhas contra o machismo que funcionem e meio difícil, agora contra o estupro uma campanha tinha que se focar em 4 eixos básicos

1 - criar leis realmente duras pra punir os estupra dores
2 - as próprias mulheres aprenderem técnicas de defesa pessoal pra se defenderem em caso de violência física.
3 - as vitimas denunciarem imediatamente sempre que sofrerem algum abuso sexual
4 *- ter uma policia eficiente, pra dar segurança quando a pessoa esta na rua, e investigar os estupros quando ocorrerem.

Sem foca nisso não tem campanha contra ao violência sexual que funcione.


No primeiro eixo, eu defendo prisão perpetua ou pelo menos 15 anos de cadeia com castração tradicional, pq essa e única maneira de punir adequadamente evitar a reincidência nesse tipo de crime.


No segundo eixo, eu fedendo que as mulheres devem denuncia imediatamente sempre sofrerem abuso sexual (especialmente estupro), porque se a vitima não fizer a denuncia logo que sair do local do crime, muitas vezes não tem nem como comprovar que ela teve contato sexual com estuprador, que dirá comprovar que foi estupro que ela sofreu.


No terceiro eixo, eu acho as mulheres pra não serem estupradas, e não que isso vá resolver por completo mais pelo menos para atenuar bastante esse problema (Já que a nossa bela legislação não permite que pessoas mais comuns como eu e você portar uma arma de fogo e mesmo que permitisse nem sempre a arma iria resolver o problema), eu sugiro aos pais que levem suas filhas (e as aquando já são mulheres adultas e importante que elas façam isso por conta própria) uma escola especializada pra aprender técnicas de defesa pessoal (ou pelo menos artes marciais).


O que daria as moças em um ano +/- dependendo da situação, a possibilidade de lutar pra se defender de uma agressão não com todos mais com maioria dos homens, isso eu sugiro aos pais que façam isso com as suas filhas desde os 14 anos se for possível.


Uma alternativa a isso (ate por que tem moças que não gostão de artes marciais) seria os pais procurarem levar suas filhas a uma academia com objetivo fazer exercícios físicos, para aumentar a sua força física (ou aprender as técnicas de defesa pessoal 'ou melhor ainda ambos').


O que também daria as mulheres (em 1 ano +/-) possibilidade de lutar pra se defender de uma agressão não todos mas com a grande maioria dos homens de igual para igual (isso desde que o sujeito não esteja armado logico), isso eu sugiro aos pais que façam isso com as suas filhas desde os 14 anos se for possível.


No quarto eixo, e necessário ter uma policia eficiente, pois sem isso não a segurança pra anda na rua e quando chega a ocorrer um crime, não tem como investiga direito pra poder encontra as provas pra pode condenar o criminoso.

Dito isso eu tenho certeza que esse conjunto de medidas se bem implementado e bem mais eficiente pra evita estupros do que dizer as mulheres que elas não devem sair na rua com roupas curtas.

Julia disse...

Jonas Klein, tem alguém nervoso aqui? Eu mesma to só com vontade de matar um, principalmente os que vem minimizar a pesquisa e dizer pra gente se acalmar.

Julia disse...

Jonas, admiro seu estômago de ler mil comentários. Eu li umas dezenas e já estou furiosa. Deve ser pq sou mulher. Vc que é homem que tem motivo pra estar calminho.

Rosanna Andrade disse...

Jonas, seu coment pode ter boa intenção, mas trata de um estupro mistificado. A maioria ocorre dentro de casa, com conhecidos, sem que seja necessário coerção física, a mulher muitas vezes nem identifica que foi estuprada.

E eu realmente gostaria de dados que campanhas educativas não são eficazes. Aliás, tenho dados que contrariam essa ideia:

http://revistasamuel.uol.com.br/blogs/transtudo/nao-seja-esse-cara-campanha-diminui-violencia-sexual-nas-ruas-de-vancouver/

A campanha realizou o feito de diminuir em 10% a incidência de estupros e agressões sexuais durante o ano de 2011, a primeira queda após anos em franca ascensão

Anônimo disse...

To participando de um evento numa cidadezinha do litoral e aqui é meio deserto. Meu colega homem, o único, vai passear na praia a noite, caminha sozinho, uma liberdade total. Nada do que ele não tenha direito. Mas a gente precisa ir em outro hotel fazer as refeições e já teve 2 que disseram "cuidado com estupro vcs sozinhas aí". Isso pq a gente sai meio dia,1h pra ir almoçar e pegamos uma estradinha de terra. A noite a gente gasta dinheiro comprando lanche mesmo tendo direito a jantar completo no outro hotel, pra não ter que sair a noite. Que raiva que me dá. E ainda vem homem minimizar o resultado da pesquisa, os cretinos não enxergam o privilégio que eles tem por vivermos num mundo machista e alguns ainda abrem a boca pra dizer que a maioria que respondeu a pesquisa é mulher. Sim, e são elas tbm que não podem sair na rua a hora que querem nem pra jantar. Teve uma aqui que me disse que a gente deveria ir pro outro hotel acompanhada de um homem. Tipo cão de guarda. Mas o município onde estou é pequeno e não oferecem esse tipo de serviço de aluguel de homem pra guarda. Fora que ele pode resolver me estuprar, né? Quase mandei ela pra pqp.

Ana disse...

@Jonas [1]
“quando eu comecei a ler comentários em portais e outros bloques por ai, comecei a ver que a coisa não e tão grave assim, pois nessas ultimas 48 horas eu tenho me detido a ler tudo o que aparece de comentários sobre isso com especial atenção os comentários dos homens sobre isso, e o que reparei e que o numero de pessoas que de certa forma acha que “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.” e muito menor que os 65% que concordam segundo a pesquisa total ou parcialmente com essa afirmação.”

Jonas, você não pode usar essa observação como base pra argumentar contra a pesquisa. Tens aí um grave problema de amostragem. Só por que ~em portais~ e ~em blogs~ viste muita gente contrária à afirmação, isso não significa que isso se reflita, de fato, no Brasil.

A maneira mais simples de comprovar isso, eu acho, é acessando outros locais onde o efeito contrário ocorre. O melhor exemplo nesse momento eu acho que é o protesto virtual que foi organizado no FB, o ‘Eu Não Mereço Ser Estuprada’. Eu participei, e te garanto que tinha uma boa porcentagem de comentários bárbaros por lá. Dava pra acreditar na pesquisa fácil fácil. Eu tenho uma coleção de prints, se quiseres provas, me passe um contato e envio as imagens.

A pesquisa do IPEA teve uma amostragem relativamente pequena –isso está escrito no próprio relatório- mas foram utilizados cálculos estatísticos para amenizar o efeito da amostragem pequena. Segundo o relatório (pág 2), foi utilizado “método de amostragem probabilística de modo a garantir uma margem de erro de 5% a um nível de significância de 95% para o Brasil e para as cinco grandes regiões”. A maioria de entrevistados foi mulher, o que condiz com os números reais, já que a maior parte da população do Brasil é mulher. O relatório ainda diz que “foram considerados, inicialmente sete grupos de características: região de residência, sexo, cor ou raça, idade, religião, escolaridade e renda.” A pesquisa inclui, por exemplo, idosos. Quantos idosos você acha que vai encontrar dando opinião na internet?

Em suma, a amostragem da pesquisa foi pensada, mapeada, controlada; é muito mais confiável. Observar portais e blogs não é um bom indicativo. É tão frágil que em outros meios virtuais o efeito observado é justamente o oposto.

Depois, porque a atenção especial em cima dos homens? Não vejo sentido nisso. Repetindo, a maioria dos entrevistados era mulher.

“E olha que eu li mais de mil comentários e com base neles e no que eu vejo no dia a dia, e a formo que essa pesquisa do ipea foi feita ela e muito tendenciosa, não reflete a realidade que as pessoas veem...”

Me desculpa amigo, acredito que tenhas boas intenções, mas esse argumento é risível. Leu ~mais de mil comentários~? A pesquisa do IPEA foi “realizada em 3.809 domicílios, em 212 municípios, abrangendo todas as unidades da federação”.

Se 3.809 domicílios já é considerada uma amostragem pequena – e esse é um dos argumentos do pessoal que acha a pesquisa ruim – você quer me dizer que ~mais de mil comentários~ é suficiente pra refletir a população brasileira? Segundo o último Censo do IBGE, somos 190.732.694 pessoas. E você acha ~mais de mil~ um número confiável? Aliás, que número? Quanto mais de mil, exatamente? Nem isso você sabe.

E perceba, “domicílios” não é o mesmo que “pessoas”. Acho muito válido arriscar que havia domicílios com mais de uma pessoa, logo, o número de pessoas entrevistadas é maior que 3.809.

Além da questão dos números, você controlou a sua amostra? De onde eram as pessoas? Que idade elas tinham? Além do sexo, você não cita mais nenhum dado. O IPEA cita - depois de cada resultado da pesquisa eles dizem qual o perfil que tendeu mais a concordar (E tenho um dado interessante pra você, a pesquisa NÃO diz que homens concordaram mais que mulheres com a frase do ataque. Só avisando.)

O que você ~vê no dia-a-dia~está atrelado a onde vive, como vive, com quem vive. Não necessariamente é a realidade do resto do Brasil. Logo, também não é uma boa amostragem.

Quem é tendencioso agora?

Ana disse...

@Jonas [2]
“eu fiquei um pouco mais tranquilo porque vi que a realidade não e tão dura como inicialmente a pesquisa da entende, ate porque eu sei que o brasil e um pais que não tem por onde ser mais atrasado mais também não e pra tanto assim, aponto da maioria das pessoas acharem que as mulheres tem alguma culpa por terem sido estuprada.”

Jonas, eu li o comentário do Moura, e sabe o que eu achei? Que ele não faz idéia do que está falando. Não sabe direito o que é machismo, o que é feminismo, nem sabe direito como a pesquisa foi feita. Um amigo me enviou o link, eu li, respondi com um arquivo de 10 páginas com direito a referências. E olha que nem comentei tudo o que ele dizia no texto.

Quer um exemplo de argumentação falha no texto do Moura?

Parágrafo do texto dele:

““Atacar” como? Quase todo o palavreado nacional relativo a abordagens, conquistas e pegações consentidas é baseado em conceitos de guerra, de “caça” ou de futebol, tanto para homens (“os guerreiros”) quanto para mulheres, e nem por isso se está falando em encoxar, abusar, espancar ou estuprar.”

Parágrafo do relatório do IPEA:

“Diante disto, causa espanto observar que 65% das pessoas que responderam à pesquisa concordam com a afirmação, nem um pouco sutil, de que “mulheres que usam roupas que mostram ocorpo merecem ser atacadas”. Residentes no Sul/Sudeste, jovens e pessoas com educação média e superior, porém, apresentavam menores chances de concordar com isso.“ – Pag 22

Seguno o Moura, ‘ataque’ pode ser qualquer coisa, e as pessoas podem ter ficado confusas porque a palavra é usada como sinônimo de ~conquista~ e ~pegação~. Agora repare, Jonas, que os jovens tinham MENOR tendência a concordar com o ‘ataque’.

Se fosse como o autor acha, e as pessoas estivessem concordando porque acham que ‘atacar’ é conquistar, os jovens teriam concordado mais. Porque são eles que usam esses termos, são eles que podiam ~se confundir com a pergunta capciosa do IPEA~.

Mas, os jovens concordaram MENOS.

A não ser que você queira me dizer que foram os Idosos se confundiram com o significado de ‘ataque’ porque nas baladas que eles vão ‘ataque’ é ‘pegação’...

E por aí vai, Jonas, tem vários problemas com a argumentação dele.

Ana disse...

@Jonas [3]

Outra coisa que me incomoda bastante no texto do Moura é a sugestão de que a pesquisa suja a imagem ~dos homens~ . Vejamos o que ele escreve:

““Se eu quisesse “provar” que o Brasil é um país tão “machista” que os homens realmente acreditam que o estupro é culpa da mulher...”
“Quem lê as manchetes dos portais e, se tanto, as duas frases do IPEA em sequência fica obviamente com a impressão – e é ela que vale em matéria de opinião pública – de que os homens são muito malvados e culpam as mulheres pelo estupro.”

Machismo não se refere só a homens. Se a pesquisa diz que “o Brasil é machista e a população culpa a mulher”, e o Moura entende “o Brasil é machista e os homens culpam as mulheres”; há algo errado. Ou ele não sabe o que é machismo, ou ele não sabe ler. A intenção do IPEA nunca foi dizer que OS HOMENS culpam as mulheres. Eu não vi isso no relatório, não vi isso em manchetes na internet, não vi isso em lugar nenhum.

A manchete original do IPEA é “SIPS revela percepções sobre a violência contra a mulher - Maioria dos consultados pelo Ipea acredita que comportamento feminino pode induzir ao estupro”.

Nenhuma referência a ser a opinião DOS HOMENS.

Exemplos de manchetes usadas em sites:

“Na pesquisa, 65,1% das pessoas acreditam que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Ao todo, 68,5% dos entrevistados também acreditam que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

“Um estudo divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que a maioria da população brasileira acredita que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas" e que "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros".

“65% dos brasileiros acham que mulher de roupa curta merece ser atacada”

“A culpa é delas. É o que pensam os brasileiros sobre a violência contra a mulher”

Se você achar aí alguma referência à opinião DOS HOMENS, me avise, eu não vi.

“E tem mais um “pequeno” detalhe: 66% dos entrevistados eram mulheres!”

Do jeito que ele fala, parece que o IPEA escondeu que a maioria dos entrevistados era mulher. Isso não é verdade. Quem noticiou a pesquisa também não escondeu isso.

Ana disse...

@Jonas [4]
A começo de conversa eu te aconselho a não confiar em gente que usa o termo ‘feminazi’. Esse termo é uma junção de ‘Feminismo’ e ‘Nazismo’. Segue a definição de feminismo, segundo o Michelis Online:

feminismo
fe.mi.nis.mo
sm (lat femina+ismo) 1 Sociol Movimento iniciado na Europa com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos políticos e sociais de ambos os sexos.

(Em outras fontes, a definição não deve mudar muito disso).

Então segundo gente como o Moura, se eu quiser os mesmo direitos políticos e sociais que tu, sou tipo um Hitler.

Amigo, discordar da gente é uma coisa. Cada pessoa tem uma opinião no mundo. Você pode achar que já temos todos os direitos de que precisamos, pode achar que o feminismo vitimiza e não empodera a mulher, sei lá. São argumentos. Ninguém é obrigado a ser feminista e ninguém deve deixar de criticar o que acha errado. O Moura pode não ser feminista. Direito dele.

Mas você não acha que quando uma pessoa tem a necessidade de comparar outra a um Nazista, tem algo errado aí? Você acha que isso é pura opinião? Que isso é respeito? Você acha que uma criatura dessas merece crédito? Só tem duas opções aqui:

I - Segundo ele, se eu quero os mesmos direitos políticos e sociais que um homem, sou tipo um Nazista,

II – Ele não sabe o que é feminismo.

Em qualquer um dos dois casos, eu acho que ele não é a melhor fonte de informação do mundo.

Ana disse...

@Jonas [5]
Como quem mata a cobra tem que mostrar o pau, aqui estão os links com informações que eu citei pra você:

>> Página original do IPEA, com acesso ao relatório da pesquisa:

http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=21847&catid=10&Itemid=9

>> Definições de Feminismo e Machismo pra você dar uma olhada:

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=feminismo

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=machismo

>> Exemplos de manchetes sobre a pesquisa:

http://www.ebc.com.br/cidadania/2014/03/maioria-acha-que-mulher-com-roupas-curtas-merece-ser-atacada-diz-pesquisa-do-ipea

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2014/03/27/maioria-diz-que-mulher-com-roupa-curta-merece-ser-atacada-aponta-pesquisa.htm

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,65-dos-brasileiros-acham-que-mulher-de-roupa-curta-merece-ser-atacada,1145873,0.htm

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/03/b-culpa-e-delasb-e-o-que-pensam-os-brasileiros-sobre-violencia-contra-mulher.html

>> Sobre o “Eu Não Mereço Ser Estuprada”, pra você ver como foi amigável a resposta das pessoas:

http://oglobo.globo.com/pais/organizadora-do-protesto-nao-mereco-ser-estuprada-ameacada-de-estupro-12029898

>> População total do Brasil:

http://censo2010.ibge.gov.br/noticias-censo?id=3&idnoticia=1766&t=censo-2010-populacao-brasil-190-732-694-pessoas&view=noticia

>> A maioria da população brasileira é mulher:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/09/21/mulheres-sao-maioria-no-pais-mas-proporcao-com-os-homens-e-igual-no-norte.htm

É isso, amigo. Obrigada pelo seu comentário, de qualquer maneira.

Raven~ disse...

Vc fala bastante em rabo hein anon das 15 e 27? Já deu o seu hoje?

Anônimo disse...

E as feministas e pessoas mais civilizadas não querem mais ter filhos, logo estas que poderiam deixar um legado decente e um futuro melhor. Enquanto isso, quem não devia, e não tem condições, se multiplica igual rato. Lastimável.

donadio disse...

Aos que acham que 3.800 pessoas é uma amostra pequena... não, não é. Na verdade, é grande; em princípio, com 2.000 pessoas a amostra já é suficiente. Claro que em nenhum caso os resultados são perfeitos; por isso mesmo, as pesquisas costumam citar suas margens de erro e seus intervalos de confiança.

Com uma amostra de 3.800 pessoas, a margem de erro deve andar por volta de 2% com um intervalo de confiança de 95%. O que isso quer dizer é o seguinte: se uma pesquisa com uma amostra de 3.800 pessoas disser que "80% das pessoas gosta mais de azul do que de amarelo", então há 95% de chances que entre 78% e 82% das pessoas do universo pesquisado realmente prefira o azul ao amarelo.

O problema com amostragens não é o tamanho delas, é garantir a aleatoriedade. Por exemplo, já vi uma vez uma "pesquisa" que dizia que 80% das prostitutas americanas era viciada em drogas. Mas, infelizmente, a "pesquisa" foi feita com prostitutas detidas pela polícia, não com prostitutas em geral. E algo me diz que as prostitutas que dão mole para a polícia provavelmente incluem um percentagem maior de drogadas do que as prostitutas que conseguem trabalhar discretamente sem serem detidas.

Mas no caso da pesquisa do IPEA, não creio que haja algum problema sério de aleatoriedade. Com certeza a amostra é representativa, incluindo pessoas de todas as classes sociais, idades, nível educacional, etc., na mesma proporção que na população em geral.

Resta apenas o problema das perguntas. Aí sou obrigado a concordar que a palavra "atacada" foi mal escolhida. Ela pode ser interpretada como sinônimo de "estuprada", mas também como muitas outras coisas, desde "apedrejada" até "criticada", passando por "cantada" e "xingada" (eu, por exemplo, concordo inteiramente que o Reinaldo Azevedo deve ser impiedosamente "atacado" por suas opiniões - querendo com isso dizer que essas opiniões devem ser desconstruídas e desnudadas em seu ridículo, sua irracionalidade, seu primarismo, não que ele, Reinaldo, deva ser sodomizado à força...)

De qualquer forma, entretanto, a pesquisa demonstra que algum grau de hostilidade contra mulheres que se vestem de maneira "inapropriada" ("inapropriada" para quem, cara-pálida?) é considerado normal pela maioria da população, como se se vestir de determinadas formas fosse alguma espécie de crime.

E isso, naturalmente, é grave, mesmo se, por "atacada", os entrevistados estejam entendendo "apenas" "chamadas de vadia na internet".

donadio disse...

"eu também quero meu DIREITO de não ser assaltado se sacar dinheiro no banco 24h, quero meu DIREITO de treinar basquete sozinho na quadra da linha da Maria-Fumaça na madrugada sem que os cocainados e os zumbis do crack tentem se agrupar pra tentar me roubar e possivelmente tentar me matar, quero meu DIREITO de começar fazer barra na praça de noite, já que não teria que revezar a barra com ninguém"

Você tem todos esses direitos, meu.

Se o Estado tem força política suficiente para garanti-los, é outra questão. Mas estão todos lá na Constituição que você certamente odeia...

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"Vc fala bastante em rabo hein anon das 15 e 27? Já deu o seu hoje?"

Olha aí a homofobia de mãos dadas com a cultura do estupro...

donadio disse...

"E as feministas e pessoas mais civilizadas não querem mais ter filhos, logo estas que poderiam deixar um legado decente e um futuro melhor. Enquanto isso, quem não devia, e não tem condições, se multiplica igual rato. Lastimável."

Lastimável... esse seu comentário.

André disse...

Ana,

"Amigo, discordar da gente é uma coisa. Cada pessoa tem uma opinião no mundo. Você pode achar que já temos todos os direitos de que precisamos, pode achar que o feminismo vitimiza e não empodera a mulher, sei lá. São argumentos. Ninguém é obrigado a ser feminista e ninguém deve deixar de criticar o que acha errado. O Moura pode não ser feminista. Direito dele."

Isso que você escreveu é muito bacana. Mas, na prática, quem discorda do feminismo é automaticamente qualificado de mascuzão.

donadio disse...

"na prática, quem discorda do feminismo é automaticamente qualificado de mascuzão."

E... daí?

Seu direito a ter opiniões não inclui um suposto direito a não ter essas opiniões criticadas ou mesmo ridicularizadas.

Você tem todo direito de achar que o feminismo é uma coisa ruim. Querendo dizer, você pode achar que o feminismo é uma coisa ruim sem ser preso, sem ser processado, sem ser fisicamente molestado. Mas assim como você pode achar o feminismo uma coisa ruim, outra pessoa pode achar essa opinião ridícula, reacionária, tosca, burra, hipócrita, machista, e até mesmo "mascu". Faz parte do direito dos outros a terem opiniões também.

A crítica, mesmo que agressiva, não é um cerceamento da liberdade de opinião.

André disse...

donadio,

Mas você não acha que quando uma pessoa tem a necessidade de comparar outra a um ânus, tem algo errado aí? Você acha que isso é pura opinião? Que isso é respeito? Você acha que uma criatura dessas merece crédito?

donadio disse...

"Mas você não acha que quando uma pessoa tem a necessidade de comparar outra a um ânus, tem algo errado aí? Você acha que isso é pura opinião? Que isso é respeito? Você acha que uma criatura dessas merece crédito?"

É algo que eu geralmente não faço, e não, não acho que seja recomendável. Mas não é um cerceamento do direito de expressão. Curto e grosso, a sabedoria popular diz bem: quem diz o que quer, ouve o que não quer.

André disse...

donadio,

O texto acima é da Ana, ela escreveu "Mas você não acha que quando uma pessoa tem a necessidade de comparar outra a um Nazista, tem algo errado aí? Você acha que isso é pura opinião? Que isso é respeito? Você acha que uma criatura dessas merece crédito?"
Então concordamos que é um exagero a crítica que se faz ao uso do termo?

donadio disse...

André,

o problema é que "nazismo" não é um termo indefinido como "tosco" ou "ignorante". Nazistas não eram pessoas que defendiam igualdade entre os seres humanos - bem ao contrário, pregavam a superioridade de alguns (arianos) sobre os outros.

Então a comparação entre feministas e nazistas em princípio é profundamente equivocada. Só ser radical ou raivoso ou fanático não faz de alguém um nazista. É preciso pregar a superioridade de alguns seres humanos sobre outros, e isso o feminismo não faz.

Ao passo que rejeitar a possibilidade de igualdade entre homens e mulheres significa ser machista. E, na minha opinião, ignorante. Embora não necessariamente "masculinista", porque o "masculinismo" é mais (e pior) do que simplesmente machismo - é querer todas as vantagens do machismo, sem ter de arcar com nenhuma das conseqüências negativas da "superioridade" masculina, especialmente a obrigação de ser "provedor" - que os machistas "normais" aceitam com alguma tranquilidade.

André disse...

donadio

"É algo que eu geralmente não faço, e não, não acho que seja recomendável. Mas não é um cerceamento do direito de expressão. Curto e grosso, a sabedoria popular diz bem: quem diz o que quer, ouve o que não quer."

Joane Farias Nogueira disse...

Não faz muita diferença se a palavra foi mal escolhida ou não,no fim, mulher deve ser hostilizada e ponto final. Discutir se a palavra foi mal colocada ou não, em um contexto de hostilidade bem claro, me parece ser desvio da realidade por parte de quem alega que a palavra foi mal colocada.
Ser atacada é ser atacada e ponto final.
Os vários sentidos de atacada:
A culpa é da mulher se ela é cantada?
Não faz sentido perguntar isso.Homens cantam qualquer mulher independentemente dela dar confiança.
A culpa é da mulher se ela chamada de vadia?
Xingam as mulheres por qualquer motivo. AS pessoas acreditam mesmo que essa definição existe é válida. Tb não vejo sentido em entender a pergunta desse jeito.
A culpa é da mulher se ela for beijada à força?
Não é diferente de culpar a mulher pelo estupro.
A culpa é da mulher se ela for hostilizada de qualquer forma?
Se vc culpa uma mulher por ser hostilizada, pode culpar pelo estupro.
A culpa é da mulher se ela for violentada?
Esse é o sentido que todo mundo entendeu!!!

E quanto a maioria das pessoas serem mulheres,somos vetores da praga do machismo.Bom, eu ouço desde pequena que tenho que evitar meu estupro. Então, eu acredito mesmo que a culpa é minha. E quando era menor, eu ainda acreditava que era culpa de outras mulheres vadias se eu fosse estuprada, maltratada por um homem ou mesmo traída, porque eram elas que acabavam com a imagem das mulheres perante os homens , e era culpa delas se eles não nos respeitavam.

Mas o fato é , não são as mulheres que fazem isso com a gente, são os homens. E são os homens que eventualmente apoiam outros homens quando esses ouvem que o colega pintou e bordou com a vadia;é o pai , o avô, o amigo que vai ensinar ao adolescente como "ser um homem de verdade e não deixar nenhuma puta zombar de vc". Um homem vai se influenciar muito mais por um homem do que por uma mulher e quem começou esse sistema não foi uma mulher. A história foi escrita pelos homens e para os homens, não o contrário.
E sendo a maioria das pessoas no país é mulher. E se a pesquisa foi feita em domicílios, acredito eu que haja muito mulheres do que homens nessa casa justifica-se o número elevado de mulheres.