terça-feira, 11 de março de 2014

GUEST POST: OS ABUSOS QUE SOFRI ME LIBERTARAM

O relato da L., de 26 anos, é polêmico, assim como demonstra o título. Dependendo da má vontade, quem ler apenas o título e um ou outro parágrafo pode sair dizendo que ela (ou eu -- porque tem gente que não consegue entender que posts "de convidadxs" não são escritos por mim) está dizendo que o estupro é algo bom. 
Mas é óbvio que não é, e L. não diz isso em momento algum. Ela conta a sua experiência, e a sua reação a dois momentos terríveis da sua vida. Não é uma reação típica, mas nem por isso quer dizer que não exista. A reação mais comum é que vítimas de abuso sintam-se culpadas. Não foi assim com a L.

Te devo um agradecimento em meu nome e em nome de todas as mulheres para as quais já indiquei o seu blog, pois elas sempre me deram um feedback positivo: o seu blog torna as pessoas mais fortes, Lola. Tanto por você acreditar nos valores que defende quanto pelo fato de vermos tanta coisa semelhante a situações que já vivemos.
Pois bem, é exatamente sobre tornar as pessoas mais fortes que eu resolvi te escrever. Há uma semana a ideia de compartilhar a minha história passou pela minha cabeça e desde então, sempre que estou fazendo alguma atividade no automático, me pego imaginando frases que escreveria e finalmente notei que não sossegaria enquanto não o fizesse.
Para dizer tudo em poucas palavras, a minha história é a seguinte: fui estuprada e tive minhas fotos nuas publicadas online quando estava no colegial. E isso me fez uma mulher mais forte.
Na realidade são dois episódios completamente isolados um do outro, mas que, de forma complementar, me ajudaram muito cedo a romper as barreiras da sociedade hipócrita na qual cresci, e a fazer de mim uma mulher bastante forte.
Nasci e fui criada em uma família tradicional católica. Na época em que estava no colégio ainda vigorava o ideal de boa moça, que ia para a escola e até para a faculdade, mas deveria casar virgem e, principalmente, não ser falada. Isso parece tão retrógrado, mas foi dos anos 1990 até os 2000 e pouquinhos que fiz minha educação básica. Sexualidade era uma coisa tão tabu que não era de forma alguma discutida, ou sequer apresentada, em um colégio de instrução cristã.
Eu sequer tinha pensado sobre a minha virgindade e o que eu queria da vida até os 13 anos. Afinal, a sexualidade era uma coisa apenas para os adultos e, mesmo tendo virado mocinha, ainda não era digna de saber o que os adultos faziam entre aquelas quatro paredes. Ao ser abordada pelo meu namoradinho do colégio me perguntando sobre o que eu achava de brincar de fazer um filho, fiquei com muita vergonha, pois não tinha ideia de como se fazia isso. 
Terminamos o relacionamento, não por isso, mas graças a ele pude perceber que definitivamente eu vivia sufocada dentro de uma redoma, dentro da qual minha pureza poderia ser preservada, desde que eu não soubesse o que é sexo. Notei o quão impressionante era a influência do pensamento dos outros na minha vida porque a resposta dos meus pais era sempre a mesma: o que os amigos, familiares e até mesmo os vizinhos vão pensar de você?
Tentava de todas as formas lutar contra isso, mas para os meus pais a importância do que os outros iam dizer era sempre mais importante do que as minhas vontades. Assim, ao descobrir a internet, prontamente tirei algumas fotos do meu corpo e enviei para algumas pessoas em uma sala de bate-papo. Fui ingênua, claro, mas diante de tantos “nãos”, essa foi minha forma de aprender mais sobre mim mesma, meu corpo e finalmente o que significa ser desejada. 
Apesar das fotos, a ideia de perder a virgindade ainda era algo impensável, pois seria fugir das regras do jogo que involuntariamente eu participava desde o meu nascimento. Seria romper as barreiras não numa brincadeira virtual, mas no mundo de verdade. 
Com muita insistência, e às vezes com algumas mentirinhas para os meus pais, consegui aos poucos sair com algumas amigas e amigos. A diversão era beber e ficar conversando besteira. Sempre gostava dessas saídas. Aniversários na casa de amigos eram sempre desculpa pra encher a cara. 
Tinha 15 anos quando fiquei embriagada numa festa, entrei em coma alcoólico e acordei no dia seguinte, com banho tomado e com um familiar do meu amigo tentando me dar açúcar para ver se eu acordava. Fiquei horrorizada com tudo aquilo e corri para casa. O medo que meus pais descobrissem que eu tinha me embebedado dessa forma era terrível. 
De tão grande que era o medo, deixei minha preocupação com o que tinha acontecido em segundo plano. Só depois notei que havia sido estuprada. Não com essa palavra. Notei que minha vagina estava um pouco dolorida e eu estava sem calcinha. Não tenho a menor ideia do que aconteceu comigo naquela noite, só sei que em nenhum momento isso representou uma preocupação ou tristeza para mim. Eu até sorri e pensei “estou livre de tudo aquilo agora” quando caiu a ficha do que tinha acontecido. Nunca quis saber o que realmente houve naquela noite. 
Sabe, Lola, essa é a minha primeira preocupação ao pensar na minha história. O fato de eu ter “gostado” que isso tenha ocorrido, não significa de forma alguma que penso que o estupro seja uma coisa correta. Eu gostei de me libertar daquelas amarras que me prendiam e me sufocavam. Eu odiava tudo aquilo e sequer me permitia pensar em ultrapassar as barreiras fixadas pelo discurso católico, que em sua grande parte prega muito mais do que age. Eu fui criada dessa forma e nunca sequer me senti católica! 
Era tanta coisa imposta pelo meio no qual cresci, que essa “desgraça” na minha vida me tornou capaz de pensar em coisas que eu teria demorado bastante para pensar. Não deixei em momento algum isso me definir, na realidade só vim pensar nisso como um estupro depois que comecei a ler o seu blog. O que eu passei é gravíssimo, não é algo bom ser estuprada, mas pensar em sexo era uma coisa que inconscientemente eu me proibia e desejava ao mesmo tempo, e essa experiência terrível que é ser estuprada, para mim, foi uma atividade libertadora. 
Porque igualmente terrível é a pressão que se faz, ou se fazia, nas meninas por conta desse discurso absurdo e ultrapassado sobre mulheres que não devem ser tocadas até o casamento. Eu vivia num mundo assexuado, no qual eu não tinha qualquer direito e, de forma inesperada, virei dona de mim mesma. 
O resultado para mim foi impressionante. Desde que comecei a namorar, não muito tempo depois do ocorrido, desejei ter uma vida sexual -- protegida, tanto contra a gravidez como contra doenças sexualmente transmissíveis. Claro que para os meus pais era um terror saber que eu passava algum tempo na casa do meu namorado, mas nada mais poderia ser feito, eu não me importava mais com o que o vizinho iria pensar. O vizinho vivia chegando em casa bêbado, nem se importava com a família dele. Como eu poderia ligar para a opinião de uma pessoa assim?
O segundo episódio foi mais pesado. Mais para os meus pais do que para mim mesma. Como falei acima, a internet foi o primeiro meio através do qual eu pude descobrir que havia mais do que me falavam sobre o mundo e a relação das pessoas. Quando tirei aquelas fotos, nem sabia o que era sexo. Não tinha ideia do que podia acontecer caso alguém resolvesse divulgá-las. Descobri anos depois, quando eu já estava perto de concluir o ensino médio. 
Alguém juntou todas as fotos que eu tinha tirado, que aliás eram bem inocentes (pra ter uma ideia, só em uma eu estava sem sutiã e em outra eu mostrava parte da vagina, cobrindo o restante com a mão), adicionou uma montagem de uma mulher de pernas abertas e tocando a si mesma e divulgou tudo isso em um site de hospedagem gratuita, que foi amplamente divulgado numa sala de bate-papo da escola onde eu estudava e em muitas outras escolas da minha cidade. Isso rapidamente chegou ao ouvido dos meus pais, que, claro, correram para a polícia. 
Mas a polícia naquele tempo nem tinha um departamento para crimes virtuais, Lola. Ficaram perdidos. Conseguiram acionar o site de hospedagem e tirá-lo do ar, mas as investigações para descobrir de onde aquilo tinha vindo eram vergonhosas. O delegado mal sabia o que era internet. Até hoje não sei quem fez aquilo. Aquilo afetou muito as pessoas do meu colégio, que passaram a me olhar estranho, e os meus pais, que descobriram que não adiantava me proteger, o mundo está aí e não falar sobre ele pode ser muito pior do que fingir que ele não existe. 
A mim, mais uma vez, os efeitos não foram nem um pouco drásticos. Perdi muitos amigos, talvez tenham ficado com vergonha de mim, mas achei que esse tipo de amigo não valia a pena. Em contrapartida, ganhei muitos outros. Um amigo me protegeu como se eu fosse uma irmã quando alguém me abordava no colégio. Outra amiga me levou doces em casa. Mais uma vez tive a oportunidade de ver como todos aqueles valores eram ridículos. 
Mas é incrível, Lola. Isso não me traumatizou em nada. Na realidade, meus pais, e, especialmente minha mãe, passaram a ver o mundo de outra forma depois de tudo isso. Pude notar na educação de minhas irmãs como isso influenciou profundamente o comportamento dos meus pais.
Bem, é a primeira vez que falo de forma tão clara sobre tudo isso que aconteceu comigo. Nunca tinha usado a palavra estupro, por exemplo, nem contado esse episódio para ninguém. Talvez essa seja a primeira vez que sistematizei esses fatos na minha cabeça, parece até que lendo o seu blog pude compreender melhor a forma como reagi a essas coisas e como lidei com elas. Sei que não foi fácil. Sei que muitas meninas passam por situações parecidas ainda hoje e é muito importante sair das amarras, procurar alguém com quem conversar. 
Não é fácil nadar contra a maré e deixar os outros te criticarem de forma tão aberta, mas é muito melhor do que deixar que valores que não respeita te definam. E eu consegui, Lola. Hoje me dou conta que se “posei” na internet, fiz apenas o natural para quem assistia televisão aos 12, 13 anos, já que as mulheres são sempre representadas como objetos do desejo masculino. Percebo que fui estuprada e nada pude fazer para ir atrás de quem fez isso porque eu nem sabia o que era ser estuprada, nem sabia que eu podia escolher fazer sexo ou não, já que eu mal sabia o que era sexo. 
Contudo, através dessas duas experiências, que em sua essência são extremamente condenáveis, fui filha do meu tempo e aprendi com ele: sou mulher e faço da minha vida o que eu bem entender. Hoje sinto como se eu sempre tivesse sido feminista. Apesar de frequentar a marcha das vadias desde 2011, nunca tive um interesse maior pelo movimento feminista. E agora, olhando o quanto eu precisei sofrer para poder me sentir livre, vejo como seria melhor um mundo livre dessas opressões enraizadas.
É isso, Lola. Obrigada pelo seu tempo e, mais uma vez, pelo seu belíssimo blog. Pessoas como você ajudam o nosso país a ser um lugar melhor para todos. 

67 comentários:

Anônimo disse...

Achei tenso publicar esse post.
Parece que ter pais católicos é pior do que ser estuprada.

Enfim, achei bem contra produtivo publicar isso aqui.
Será que agora quando um menino ficar com alguma menina religiosa e virgem, vai achar que ela diz não, mas no fundo ela só foi reprimida pelos pais?

As pessoas já acham impossível ser uma escolha livre e consciente ter relação só depois do casamento, existe uma preconceito enorme e acreditem, opressor sobre isso.

Já é um saco essa análise Freudiana de que quem vive a castidade no namoro é porque foi reprimido e vai ter traumas por isso.

Agora além de 'estupro corretivo em lésbicas' vai ter uma modalidade de 'estupro libertador em virgens'??? fala sério!!

Anônimo disse...

Eu tive uma educação sexual tranquila. Tive minha primeira relação aos 16 anos com o namorado e depois disso tive mais 4 ou 5 parceiros, inclusive numa relação bem longa (4 anos).

Hoje eu namoro dentro dos moldes cristãos e não faço sexo com meu namorado. Já namoramos há 3 anos. É uma experiência excelente. Foi muito bom pra desenvolver uma relação mais saudável e livre em relação ao sexo e a sexualidade.
E também foi ótimo para construir uma relacionamento maduro e saudável. Recomendo a experiência.

Como eu já vivi um relacionamento 'normal', com sexo e tudo o mais, posso claramente defender minha escolha. Mas as meninas e principalmente os meninos que optam por viver a castidade sofrem muita pressão com esse discurso de que é impossível viver sem sexo e que elas/eles são oprimidos pela religião.

Na verdade as meninas têm que ter um comportamento sexual num molde muito restrito. Não pode ser 'rodada' mas também não pode ser 'travada' na cama. E por mais que parece que o mundo acha a virgindade uma virtude, na nossa sociedade hiper sexualizada, tentar viver um namoro sem sexo está longe de ser algo bem visto.

Anônimo disse...

Sorry invadir o post com outro tema, mas acabei de ver esse vídeo e achei interessante. A justificativa espontânea de alguns diz muita coisa sobre o assédio de rua: "achei que fosse uma mulher".

http://entretenimento.r7.com/mulher/rapaz-faz-teste-da-legging-e-comprova-assedio-11032014

Anônimo disse...

*comentarios ~cassando carteirinha~ por um relato estar supostamente defendendo estupro em

3..
2..
2

Elaine Telles disse...

É interessante essa visão de que coisas tão ruins a libertaram. Mas acredito que o fato de não prejudicado a relação dela com os pais - rejeição,expulsa de casa, apanhar, por exemplo - ou virar vítima de escárnio por parte de todos - ela relata que muita gente se aproximou dela nesse período - ajudou- a ver esses episódios horríveis como algo a se fortalecer. Acredito que ela tenha uma autoestima muito forte também, para não ter sucumbido. Infelizmente não é o caso da grande maioria. :-(

Anônimo disse...

Gostei desse post.Em vez de ficar se fazendo de vitimazinha,mimimi,a garota simplesmente assume a responsabilidade pelos seus atos.Tudo que aconteceu foi plantado por ela mesma.Vai ficar chorando as pitangas pelas besteiras que fez?A gente colhe o que planta.O que não tem remédio,remediado está.
Tô gostando da sua nova fase Lola,nem todos os homens são estupradores e criminosos e nem todas as mulheres são coitadinhas.
Rodrigo /SP

Anônimo disse...

Não sei o que achar dessa história.A moça parece não sentir remorso pelas coisas que fez e muito menos revolta por achar ter sido estuprada.Aliás,essa parte eu acho que foi inventada.Ela fez sexo consensual e inventou ter sido abusada pra justificar a perda da virgindade.Ela deixou claro que pra ela o hímem era um problema e deu um jeito de se livrar dele.Por isso tanta tranquilidade em relação ao suposto abuso.

lola aronovich disse...

"Nova fase". Acho que vc não lê o blog, Rodrigo. Me aponte UM só post meu em que eu digo que todos os homens são estupradores, ou que todas as mulheres são coitadinhas. Não precisa de dois posts não, só um basta.

Yuri Alves disse...

Porra, Lola! Isso pode ser trigger para pessoas que foram abusadas :/

Anônimo disse...

^ MasCUZÃO analfabeto funcional detected.
Hora nenhuma ela falou que a culpa era dela e não do estuprador e nem a Lola disse isso.
A culpa NUNCA é da vítima, seu ignorante.
E esse povo que defende com tanta ânsia o estuprador... sei não viu.

Thalita.

Marina disse...

Aaahh Rodrigo..sério??Entaum ela tem responsabilidade por ter sido estuprada quando estava em COMA??Ou por algum imbecil ter espalhado as fotos dela na net??Ela foi é mto forte por não deixar os erros/crimes de OUTRAS PESSOAS (do estuprador e do imbecil q espalhou as fotos) a afetarem!Impressionante como certas pessoas conseguem desvirtuar todas as coisas para o seu ponto de vista machista..Credo!

Renata disse...

Rodrigo, ela não planejou ser estuprada em coma alcóolico.
vale lembrar que ela era de menor, acordou limpa e sem calcinha, depois de um coma alcóolico, assistida por uma pessoa adulta. Que aparentemente não sabia do ocorrido. Ou fingiu que não sabia.

Renata disse...

E vale lembrar: ela não sabia o que era sexo. Foi abusada, ainda adolescente.

Zrs disse...

Tb acho que um post assim pode sugerir - para mentes doentes - que estuprar uma menina virgem e de família rígida faz um bem e tanto.

Sei lá, penso que nem todo depoimento (mesmo com a melhor intenção possível) é bom de ser publicizado, tem gente que pode não entender.

Júlia disse...

Vi um relato semelhante a esse uns tempos atrás de uma moça que vivia num ambiente que exigia integridade (sexual) dela até chegar ao ponto no qual ela sentia-se mais confortável com a ideia de um cara se forçando nela, pois então a culpa da perda de sua virgindade não seria dela. É bem triste isso, pra falar a verdade. Enquanto umas se sentem pressionadas a se manterem virgens pelo maior tempo possível, eu me sinto extremamente pressionada a perder a virgindade e ser sexual desde nova.

Julia disse...

Rodrigo, não acho que a maioria dos homens são criminosos mas com certeza a maioria é babaca. Taí você como exemplo disso.
A besteira que ela fez foi ter tirado foto nua e publicado na internet. Quem fez montagem com as fotos e divulgou é CRIMINOSO e quem a estuprou é CRIMINOSO.

Tirar foto pelada não é crime e beber até cair também não.
A L. não é coitadinha, ela foi vítima de dois crimes.

E já que você gosta tanto de ditados aí vai um pra você: Em boca fechada não entra mosca

Elaine Telles disse...

Ah, a falta de capacidade de interpretação de textos é dura hein Rodrigo. Sabe, ler, refletir sobre o que leu, estudar, escrever ajudam bastante a desenvolver essa habilidade. Pode ser legal viver na ignorância, para você, mas para um emprego, por exemplo, você precisa ter capacidade de entender o que leu. #ficaadica

Anônimo disse...

Lola, me sinto muito próxima dessa menina. Quando "decidi" perder a virgindade eu era bem nova,não estava namorando, estava apenas ficando com um menino de quem eu gostava muito e que gostava muito de mim, ou seja, o oposto do que é pregado para as mulheres Tinha enorme curiosidade, e apesar de não ter sido prazeroso ou romântico, foi uma experiência ótima. Me senti muuuito livre por não ser mais virgem. Não era um fardo, algo que as pessoas condenassem ou julgassem, era um assunto meu que eu encarei de forma madura e segura com meu parceiro.
Tenho amigas com 20 anos que são virgens, morrem de medo de sexo e evitam até mesmo se informar sobre pílula e camisinha, pq "agora não preciso saber disso". É muita ignorância!!!

Anônimo disse...

Kkkkkk como as feminnistas são dissimuladas!
"todo homem é um estuprador em potencial" te lembra alguma coisa lola?
N teve post mas isso foi repetido a exaustão.
E vc pregam sim que mulher é coitadinha,já que tudo que fazem de errado é culpa dos outros.

Anônimo disse...

Post bem perturbador (não pelo lado ruim), mas te faz sair do senso comum, onde a mulher se culpa e se sente um lixo pelo que aconteceu.
O post te toca la dentro, num ponto adormecido dentro da gente que nunca paramos pra pensar.
Achei ótimo ela ter passado por isso de uma maneira forte e "pouco" dolorosa (porque agressão dói muito em todos os casos).
Acho que os pais não devem proibir seus filhos de transar, mas orientá-los a fazê-lo somente quando tiverem muitos seguros disso, e sempre com proteção.

Adriana A.

Anna Milani disse...

Como a própria Lola disse, POLÊMICO. Bem, eu sou católica, mas assim... Eu acredito em Deus e só. Não gosto de me prender em religião, sabe? Eu odeio a bíblia, simplesmente acho que ela foi escrita pelos apóstolos machistas. Algumas coisas Deus pode ter falado, mas duvido que Ele queria que a mulher fosse tratada como lixo. O próprio Jesus salvou uma mulher das pedradas. UMA PROSTITUTA. E ainda assim, há católicos e evangélicos que insistem em julgar a mulher que faz isso.

Enfim, não tenho uma religião. Simplesmente acredito em Deus. Acho que a religião é aproveitadora. Não preciso ir à igreja e se eu for para o inferno por causa disso, pois bem, eu não ligo. As pessoas falam de Deus como um ser vingativo, é tipo... 'ooooh, vusse foi bom a sua vida toda, ma n acreditô nimim, arda no fogu du infernu huehueheueheu'

Para minha sorte, eu sou verdadeiramente espírita agora. Adotei essa doutrina. A católica e evangélica são muito controladoras com a mulherada. No espiritismo eu nunca vi nada à respeito de opressão, sabe... Não é aquele negócio de mulher submissa.

Quanto à parte do estupro, bem... Eu entendo o ponto da autora, mas na minha opinião, ser pressionada é balelas fácil, comparada à um estupro. Como muita gente disse, Lola, eu achei meio arriscado publicar isso. Eu disse uma vez, em um post seu, que tinha uma amiga que foi violentada e tal. Acredito que essa moça seja a única que se sentiu assim. Eu entendo que seu blog é um espaço para relatos, mas os mascús são tão ignorantes que vão achar que podem fazer isso sem culpa agora.

Você sabe, 'olha, eu vou dar uma estuprada naquela mina ali porque ela é virgem e oprimida, vou lá libertar ela e já volto'. Na cabeça deles, acredito que seja assim.

O blog é seu, vocÊ publica o que quiser, mas sei lá...

Edson disse...

Eu tbm achei muito interessante o post. Eu acredito que ela é uma pessoa forte e que não deixou que os crimes definissem quem ela é. E acredito que isso seja possível.

Anônimo disse...

A diferença de uma mulher com autoestima alta é essa aí.Não deixou que nada a abalasse.
Não entendi por que algumas pessoas se escandalizaram tanto com um ponto de vista que coloca a autora do post como responsável por seus atos.Qual problema de deixar as pessoas se responsabilizarem por suas decisões?Mulheres fortes amedrontam tanto assim?

Aninha disse...

Triste mundo esse em que vivemos, em que alguém precisa ser vítima de um crime para conseguir libertar sua sexualidade.

Acho que a grande sorte da autora é que ela não lembra do que aconteceu, tampouco sabe quem foi. Que bom que para ela deu tudo certo, mas ainda é uma pena que o autor do crime esteja livre, leve e solto por aí.

Juba disse...

Que bom que a moça do post se sentiu fortalecida por experiências ruins. Acho uma pena, porém, que isso seja considerado libertador.

Lolinha, acho que faltou seu comentário na discussão, abordando a questão da não-virgindade como libertadora e até a questão de não ter responsabilidade nisso, como o Júlia comentou mais acima, e do quanto isso é... não me ocorre uma palavra melhor que doentio. De porquê isso é ruim. Tipo explicando que dois e dois são quatro, mesmo. Do contrário, acaba mesmo virando um prato cheio para gente que não sabe interpretar texto.

Infelizmente, ainda é necessário apontar o óbvio, e por vezes também se faz necessário subestimar os leitores para evitar esse tipo de coisa. :(

Anônimo disse...

Ler esse post me fez lembrar de um livro de Dickens, no qual um dos personagens tinha tanto medo de que um determinado fato ocorresse, que, quando ocorreu, a única coisa que ele sentiu foi alívio, pois o pior já tinha passado. Acho que foi mais ou menos isso que a L. sentiu. "nada pior pode acontecer". Fico contente que ela sobreviveu a td isso e se tornou uma pessoa funcional.

Aline/Recife

Juba disse...

Ah, que fique claro que "doentio", no caso, é o contexto que gera esse quase desejo de ser vítima de uma agressão sexual, e não o fato de alguém reagir positivamente a uma experiência ruim.

Anônimo disse...

http://spressosp.com.br/2014/03/para-o-estado-professora-obesa-nao-pode-lecionar/

está acontecendo de novo...

Anônimo disse...

Tive minha primeira experiência sexual ao 18 anos(considerada tardia pros padrões),mas aos 13 já tinha noção de muita coisa sobre sexo e sexualidade.E só pra frizar meus pais era católicos ortodoxos.L. fez o que quis,teve personalidade pra assumir os riscos.O que há de mal nisso?Ficou bêbada pra sentir menos culpa,quantas meninas não fazem isso?

Anônimo disse...

Rodrigo/SP você é um mascu e ignorante (redundância?). Em nenhum momento a L. teve responsabilidade por ter sido estuprada ou mal orientada na adolescência. Viver num - tipo, específico, determinado, apontado pela L. - ambiente católico significa abandono e omissão por parte dos adultos, falta de informação em relação ao mundo e colocar uma criança para viver numa bolha é extremamente prejudicial, postura que os pais dela mudaram. Nenhuma violência física ou psíquica é plantada pela vítima. O relato e o ponto de referência, que foi muito bem explicado pela Lola e pela L., é de como ela lidou com a violência, como ela superou, como ela transformou a dor em vontade de viver. E o mais importante, não se sentiu culpada por isso. Ela não se sente culpada, ela não é culpada por isso, nenhuma mulher é culpada por essa desgraça, nenhuma criança, nenhuma adolescente. Muito diferente do que você falou: a culpa da agressão é dos agressores! A culpa do estupro é do estuprador! A culpa do assassinato é do assassino! Quem deve pagar são eles, a responsabilidade é deles! Quem planta o terror são eles! Nunca a vítima.

Anônimo disse...

As lições que ela obteve desses episódios de violência sexual e emocional na vida da autora do post a deixaram mais esperta em relação a sexualidade e a lidar com essa sociedade patriarcal, machista e hipócrita.

Cada pessoa lida com a dor e o sofrimento de maneiras diferentes, e no caso dela foi no melhor estilo daquela música da Christina Aguilera, "Fighter" (http://www.youtube.com/watch?v=PstrAfoMKlc).

Eu acho importante publicar esse tipo de guest post, porque tem gente que consegue superar a dor. Mas, não podemos generalizar e exigir de outras vítimas a mesma postura da autora. Infelizmente, esse tipo de superação é exceção e não regra.

Agora, para aquelas amigas que acham que esse tipo de história é um desserviço ao feminismo: não se esqueçam que estuprador NUNCA precisa de desculpa para estuprar. Nunca mesmo. Eles simplesmente se acham no direito de fazer isso, pois - para eles - nossos corpos estão a disposição de TODA sociedade para QUALQUER fim.

E para os mascus, o fato dela ter superado os abusos não retira a culpa do estuprador e do difamador de maneira alguma. Parem de arranjar desculpas para estupros.

Maria Ferreira

Anônimo disse...

Qual o problema das suas amigas de 20 não quererem perder a virgindade? Você mesma disse que sua experiência não foi prazerosa, mas existe essa imposição para as mulheres terem uma experiência que na maioria das vezes é dolorosa e não prazerosa. Pra ter orgasmos não precisa perder o hímen.. Reflitam...

Anônimo disse...

É impressão minha ou tem gente culpa do a L. pelo estupro? Queridxs, ela não programou ser estuprada. Ela não bolou essa super estratégia pra perder a virgindade e não sentir culpa. Ela bebeu, perdeu a consciência e no outro dia acordou e percebeu sinais de que tinha sido violentada. A reação dela depois do que aconteceu não muda o fato de que ela foi vítima de um crime. Ok?

Vocês estão apenas demonstrando como a cultura do estupro funciona. Homens estupram mas mulheres são responsabilizadas pelo estupro. Enquanto essa cultura existir e mulheres forem ensinadas a como se 'proteger' desse crime homens serão vistos como estupradores em potencial. E não são as feministas que 'ensinam' isso mas nossas famílias, mães, pais, avós, escola, enfim, sociedade.

Sinto muito pelo seu sofrimento com essa dura verdade, mascu. Fica bem.

Aninha disse...

Se alguém leu esse post e entendeu: "olha, vou fazer um favor a uma moça religiosa, vou estuprá-la para ela se libertar", essa pessoa é doente.

Se violentar alguém, a culpa não é do post e sim da pessoa!

Pelo amor, qualquer pessoa normal entendeu que a moça não tá fazendo uma campanha: "Faça uma católica feliz, estupre-a"

Anônimo disse...

Também achei tenso a publicação do post.
Como Nietzsche disse: "Aquilo que não me mata, só me fortalece".
Cada um tem a sua maneira de lidar com os CRIMES que acontecem na sua vida, infelizmente.
Lola, você poderia falar daquele filme brasileiro chamado "Bonitinha mas ordinária"?

André disse...

Não seria um pouco precipitado afirmar com tanta certeza que ela foi estuprada? Se ela não se lembra de nada do que aconteceu, então ela não se lembra de ter consentido ou não. O fato dela estar muito bêbada deveria ser um sinal para que um cara sóbrio evitasse transar com ela mesmo ela pedindo, muito menos se ela nem tivesse condições de se manifestar. Mas não sabemos o estado alcoólico de quem fez sexo com ela (ou nela, conforme a situação).

Nane disse...

Tenho experiência semelhante.Depois que deixei de focar no ódio aos criminosos que me estupraram, começei a reagir positivamente. Me tornei uma mulher forte, dona da minha sexualidade e feliz por saber superar.

Anônimo disse...

Eu também fui estuprada e só vi isso depois de conhecer blog da Lola.

Anônimo disse...

Na internet encontrei um fórum da revista Marie Claire onde várias mulheres fazem depoimentos das humilhações ,vergonhas e situações chatas por continuarem virgem apesar de já terem passado dos 30 anos.Tem fakes,mas muitas histórias comoventes.Vale uma conferida.



http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,DFG45352-17588,00-MARIE+CLAIRE+QUER+SABER+VOCE+E+VIRGEM+AOS+ANOS.html

Rosanna Andrade disse...

Pessoas católicas, vcs podem até terem relações distintas e saudáveis com sua religião, mas não querer a publicação do post para não manchar a religião beira a censura.

Sou ateia e sei bem o que é ter uma religião enfiada na vida de uma criança sem nem pedirem licença a ela, pq nem ao menos é pensado que talvez ela não a queira. Foi chato, nao me identificava, senti um alivio ao me identificar com o ateísmo, sofri preconceito ao ser atirada fora do armário pela minha família. Isso pq minha família é de católicos moderados, praticantes apenas em ocasiões de batismos, casamentos e velórios. Nem imagino o que essa garota do post passou ao ser privada de informações sobre seu próprio corpo e autonomia a esse ponto.

Por mais que existam religiosos que não são assim, não dá pra negar que a religião influencia negativamente. O papa anterior desestimulou o uso de camisinha e enfatizou a castidade em plena África em epidemia de AIDS. Os únicos métodos anticoncepcionais aceitáveis do ponto de vista da doutrina são os "naturais" (ex: tabelinha). Posição oficial do vaticano, google tá aí pra quem quiser conferir.

Sem falar na valorização da virgindade. Preciso falar de Maria? Preciso enfatizar que isso sempre recai mais sobre a mulher? Que o cristianismo historicamente é patriarcal? Que os pais dela não tiraram essas ideias do vácuo?

Eu acho muito triste que mulheres (ou pessoas em geral) sejam desvalorizadas por terem feito sexo, uma coisa tão natural. Também acho triste que haja grupos em que essa tendência esteja se invertendo, e que haja uma certa obrigação da mulher em não ser mais virgem depois de certa idade. Ambas são controle da sexualidade.

O que eu quero dizer é que não deveria haver nenhum juízo de valor em relação a quando/quanto/com quem a pessoa faz sexo ou deixa de fazer. Só deveria contar se ela se sente bem com isso. Ponto. (Convenhamos que as religiões não fazem isso, e sim pregam a castidade como algo desejável e que necessariamente traz coisas boas).

Rosanna Andrade disse...

Quanto a virgindade feminina, uma vez li uma coisa nos comentários da Lola que eu adoraria ter ouvido quando era adolescente.

1- O hímem não define virgindade - ele pode romper na primeira, segunda ou milésima transa. Ou em nenhuma (certos tipos de hímem são assim).

2- Sexo não é só penetração vaginal. O conceito de sexo é tão amplo quanto as pessoas puderem imaginar. Considerar que só se deixa de ser virgem quando um pênis penetra sua vagina é um conceito carregado de machismo. Dá pra não ser virgem sem penetração, portanto.

3- Vamos perder o medo do nosso corpo, meninas. O seu corpo é seu, não do seu parceiro. Pq então é impensável romper seu próprio hímem numa masturbação? É uma boa chance de conhecer seu corpo, o q vc gosta ou não antes de compartilhar esse prazer com outra pessoa. E pode ajudar com o nervosismo e a insegurança tão comuns na tão mistificada "primeira vez".

Mari R disse...

Gostei do post.Não existe maneira certa de reagir a um estupro. Como ela disse, na época nem sabia que era uma violência. Se conseguiu sair disso tudo mais forte e livre, melhor para ela.

Anônimo disse...

Concordo em gênero numero e grau, fui muito reprimida sexualmente pela minha mãe isso não impediu de eu namorar escondida e depois de namorar varios sem transar escolhi o cara que eu ia peder a tão famigerada virgindade, justamente por ter tido esta educação eu pensei bastante. Agora mesmo com toda patrulha da vagina em casa eu não gostaria de ser estuprada, como assim a vagina dolorida e ela não procurou um médico pra constatar? nem escondida? não perguntou a ninguém da festa se viram algo??? não se importou em ser violada???? Isso é mascu disfarçado. Eu não fui estuprada mas aos 10 anos minha mãe me deixava com uma vizinha pra visitar minha irmã em outro estado e o filho desta mulher me tocou, me abusou, pos a mão nas minhas partes intimas, como senti nojo dele, raiva por ele ser filho de uma senhora que eu tanto gostava. Se eu até hoje não sei lidar com isso, imagine um estupro? por mais que ela n se lembre, como assim?

jaust. disse...

lolinha, lolinha... quero ser você quando eu crescer.

Anônimo disse...

Tudo okay gente mas quando ela acordou do coma na casa dessas pessoas não quis saber o que ocorreu com ela, como a encontraram? as últimas pessoas que estiveram com ela, gente foi um mascu com email de mulher que mandou isso pra lola

RavenClaw~ disse...

Caralho anon. Qual a dificuldade de entender que não há responsabilidade dela em ter sido estuprada? Ou bater fotos nuas. A Julia já disse e eu repito pq pelo visto vcs tem alguma deficiência em leitura. Essas coisas não são crime. Estupro e divulgar fotos de alguém sem prévia autorização é! Pq é tão difícil?

Marina disse...

Anônimo das 21:56..Não julgue a reação dos outros por vc..cada um reage d um jeito e não existe jeito certo para isso..E outra..Sinto lhe informar mas o que aconteceu com vc foi sim estupro....

donadio disse...

"Ficou bêbada pra sentir menos culpa,quantas meninas não fazem isso?"

Não é isso que o texto diz.

A "leitura criativa" está em alta pelo visto...

Anônimo disse...

Se ela precisou sofrer esses abusam pra se libertar, ela precisa ir a um psiquiatra. O problema dela é muito mais sério!

Anônimo disse...

Ajudem a chegar o relato no abusador:

http://relato2003.blogspot.com.br/2014/03/ano-de-2003.html

Feminazi Satânica disse...

Ah não, me desculpem vcs, mas achei esse post problemático. O problema pra mim não é que a autora reagiu de forma diferente a um estupro, afinal ela nem sabia na época que foi estuprada. E sim a afirmação de que o "estupro foi libertador". Vejam bem, ela não falou que o processo de superação pós estupro foi libertador pra ela, e sim o ato, por ter tirado o "peso" da virgindade.

Anônimo disse...

Marina

Isso que eu não concordo com a maioria das feminista, o estupro é definido como sexo não consensual. Passar a mão, tentar beijar a forçar, "bolinar" isso pode até ser considerado violência mas NÃO É ESTUPRO! Quando se usa um termo indevidamente ele fica banalizado e acaba perdendo o sentido, qualquer coisa vira estupro e isso não é bom para as vítimas de estupro DE VERDADE e nem para ninguém!

Anônimo disse...

Bacana ela superar o fato e sair mais forte disso, mas acho bem deturpado ela achar que 'se livrou de um peso'. Qualquer que tenha sido o trauma dela sobre a virgindade, o peso foi 'arrancado' dela!!

E outra, virgindade não é hímem, não... se ela foi estuprada enquanto estava inconsciente, ela ainda teve muito o que descobrir, muito o que superar, muitas amarras pra soltar. Ou ela descobriu num estupro inconsciente o que era tesão, sexo oral, camisinha? Perdeu a vergonha de pesquisar, de perguntar?
Pra quem foi criado com valores rígidos de 'pureza sexual', se livrar da culpa de fazer sexo, se masturbar, sentir tesão é algo bem profundo e complexo. E sem maiores detalhes por parte da autora, fica difícil de imaginar isso acontecendo a partir de um estupro inconsciente.

E concordo com que se falou aí nos comentário que se é pra publicar um guest post tão controverso como esse, seria bom a Lola desenhar o be-a-ba da interpretação de texto... qual o objetivo de publicar esse relato, sobre quais pontos são legais de refletir (criação sexual rígida, formas diferentes de lidar com um trauma...) quais conclusões o texto pode produzir de bom? e a Lola mesma tentar responder algumas dessas perguntas...

Mariana disse...

Um gest-post um tanto difícil de entender, digerir... não quero julgar, acho ótimo
que L. tenha superado e se tornado mais forte. Num primeiro momento, me senti lendo o conto
da "Bela Adormecida" - a menina que cortou o dedo numa roca e adormeceu a espera daquele
que irá libertá-la. A Bela Adormecida não consentiu nada a nínguém, mas se viu livre da
maldição que caía sobre ela. A libertação das amarras do patriarcado veio pela mais cruel
forma de agressão do... patriarcado!

MAS...

L. propõe um reflexão sobre a cultura da mulher responsável pela violência contra ela.
Se ampliarmos o olhar sobre o texto, ela desmonta alguns mecanismos reforçadores. Um seria
a condição natural de vítima e a desqualificação da mulher à um estado de passividade
absoluta, já que as atitudes das mulheres são sempre reativas e nunca dotada de vontade,
intencionalidade e livre-arbítrio. Por isso o texto choca. L. tem uma história onde ela não
está na posição de vítima passiva versus algóz ativo. L. não se reduz ao ato violento, mas tb
não o defende, óbvio.
Isso é difícil de pensar dentro de uma estrutura patriarcal onde, além de possuir uma vasta cultura
de estupro, a mulher tem q ser vista como frágil, pura e passiva (e culpada) diante da violência que ela recebe
diariamente. O estupro é violento, opressor e ativo. Nem sei se estou me fazendo entender.
Mas percebem a lógica...?
L. não está defendendo o estupro, ela está contando de uma maneira invertida, o que choca aqueles
q sempre buscam a voz da mulher vitimada e marcada. Ela demarca seu território de identidade, possuí
uma história e tem conquistas. Interpretar a violência contra ela simplesmente como um "ato libertador",
também é uma visão reduzida. Temos que ampliar a visão e analisar o discurso de L. frente ao patriarcado,
pois ele subverte muita coisa...

Anônimo disse...

Lola, eu entendi o texto, mas para 1) uma vítima ler e se sentir diminuída por não superar o abuso; 2) um doente ler e achar que estupro liberta; é um passo. É muito arriscado.

E essa é a palavra: arriscado. Dentro da militância, existem algumas narrativas que se tornam predominantes e outras que não são expostas, dependendo do efeito que causarão na visão pública. Porque esse é o papel da militância: exposição e convencimento.

Marina disse...

Anônimo das 11:07..seu conceito de estupro está errado..estupro NÃO é definido como sexo não consensual e sim como "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ATO LIBIDINOSO"(LEI Nº 12.015, DE 7 DE AGOSTO DE 2009. Logo, "Passar a mão, tentar beijar a forçar, "bolinar"" - ou seja, atos libidinosos, É SIM ESTUPRO e não somente violência genérica...Se informar é sempre bom!

Anônimo disse...

Anon 11:21,

Se "dentro da militância, existem algumas narrativas que se tornam predominantes e outras que não são expostas, dependendo do efeito que causarão na visão pública", isso não é militância e não pode, em hipótese nenhuma, falar em nome de todxs.
Q militância é essa q diz o q pode e o que não ser dito? Isso me cheira a opressão ...

e...
1) como se sentir reduzida por uma história que não é minha?
2) um "doente"? explica isso.

Anônimo disse...

"Tb acho que um post assim pode sugerir - para mentes doentes - que estuprar uma menina virgem e de família rígida faz um bem e tanto".

Então não vamos mais falar sobre nada que seja humano. Resolvido. Vamos sempre escrever para robozinhos ou amebas, afinal ninguém consegue ter um entendimento diferente sobre as contradições e diferentes formas que nossa psique lida com as intempéries da vida. "Mentes doentes" não existem. Homens que estupram existem. Pais, irmãos, tios, primos, amigos, colegas de trabalho, namorados, esposos. Vamos crescer por favor. Ragusa

Marina disse...

Feminazi Satânica..entendo seu ponto..Mas o q eu entendi do texto é q uma das consequências de ter sido estuprada, que foi perder a virgindade, foi libertador pra ela, e não o estupro em si, independente de como ela elaborou o fato d ter sido estuprada(c é q elaborou pois, como ela mesmo disse, não sabia q tinha sido estuprada até pouco)

Anônimo disse...

Feminazi Satânica,

Cada um se expressa da maneira que lhe convém. Sendo uma Feminazi, possivelmente, vc está em contato com muitos textos e teorias sobre o feminismo. O que vc está lendo é um relato, não é a voz de um movimento, nem a teoria dada.

E fora q... me desculpe... alguém q junta feminismo+nazismo+satanismo pra se expressar ou dizer o q pode ou não pode ser dito... contraditório!

Pensando bem...
nazismo + condenar formas de expressão ... hummm...

é, tá sertinha!!!! :)

Anônimo disse...

"Isso que eu não concordo com a maioria das feminista, o estupro é definido como sexo não consensual. Passar a mão, tentar beijar a forçar, "bolinar" isso pode até ser considerado violência mas NÃO É ESTUPRO! Quando se usa um termo indevidamente ele fica banalizado e acaba perdendo o sentido, qualquer coisa vira estupro e isso não é bom para as vítimas de estupro DE VERDADE e nem para ninguém!"

Informe-se. Juridicamente é estupro. Fonte: Código Penal Brasileiro, googla aí.

Feminazi Satânica disse...

Anônimo

Primeiro que eu não disse que ela não pode se expressar como quiser, e sim que achei o post problemático. Isso não é censurar. Interpretação de texto passou longe.

Se bem que pra uma pessoa incapaz de perceber que meu nick é uma ironia, é até esperado essa dificuldade textual.

Anônimo disse...

Eu não acredito em nada do post. Ela embora discordando seguia a rígidez da família. E se estava bêbada na casa dum conhecido da família era certo que iria se preocupar em saber o que havia ocorrido durante a bebedeira. Já que era tabu o sexo ela se preocuparia em ter engravidado ou ter contraído doenças que de todo geito revelariam o ocorrido. Como uma mulher tão autosuficiente passa por duas situações tão exploradoras e ela diz: me libertei da algema ? Mulher que tem mesmo auto estima ela exige transparencia com algo que mexeu com sua intimidade. Ta parecendo coisa de maníaco que acha natural estupro duma mulher que está bêbada. Eu fui criada num lar tradicional e católico e quase tudo que aprendi sobre sexo foi lendo. Eu não concordava com tanta tirania e mesmo assim eu me libertei com dignidade. E as pessoas que estavam com ela? Não teve falatório? Se embreagou que apagou e acordou na mesma noite indo para casa como se nada tivesse acontecido? Pais rígidos não deichariam uma filha de 15 anos sair para chegar na hora que bem entendesse. E coma alcóolico não é um sono do tipo que se acorda, levanta e sai. Ela nem se quer tomou o açúcar para se fortalecer e embora tivesse tomado não a levantaria de supetão. Tem várias incoerências aí .

Anônimo disse...

1o - Jesus veio para acabar com as ridicularidades que as PESSOAS (não Deus) faziam ao não considerar a mulher.

2o - Ele ama a todos nós, mas não ama nossos pecados. Ele amou a prostituta mas condenou o seu pecado pois disse "vá e não peques mais".

3o - Deus não é tirano como dizem mas é amoroso e JUSTO. Ele é nosso Pai e quer o melhor para nós, por isso há algumas "regras", não para nos prender, mas para nos poupar de sofrimento.
É isso que acontece com quem faz o que aos olhos dEle não é bom... apenas se machuca :/

Então não é a opressão que tem que ditar as regras da virgindade, mas uma conversa expositiva do tipo "Você não é obrigada a não fazer. Mas se fizer vai ser pior tanto para sua mente quanto para o coração".

E #FIKDIK

Anônimo disse...

Anônimo das 13:16

"Você não é obrigada a não fazer. Mas se fizer vai ser pior tanto para sua mente quanto para o coração".

Eu e inúmeras outras pessoas que não seguiram essa regra discordam totalmente.

Como uma lei divina pode simplesmente não valer pra todo mundo?

Anônimo disse...

"1o - Jesus veio para acabar com as ridicularidades que as PESSOAS (não Deus) faziam ao não considerar a mulher.

2o - Ele ama a todos nós, mas não ama nossos pecados. Ele amou a prostituta mas condenou o seu pecado pois disse "vá e não peques mais".

3o - Deus não é tirano como dizem mas é amoroso e JUSTO. Ele é nosso Pai e quer o melhor para nós, por isso há algumas "regras", não para nos prender, mas para nos poupar de sofrimento.
É isso que acontece com quem faz o que aos olhos dEle não é bom... apenas se machuca :/

Então não é a opressão que tem que ditar as regras da virgindade, mas uma conversa expositiva do tipo "Você não é obrigada a não fazer. Mas se fizer vai ser pior tanto para sua mente quanto para o coração".

E #FIKDIK"

Ainda bem que não acredito em nada disso.

Thalita.

Dan disse...

Que post mais... difícil de digerir, mas com calma da pra entender a moça perfeitamente. Esse relato só mostra o quanto o ser humano é único, e como de fato tudo é relativo. Penso que, antes de qualquer coisa, ela era muito ignorante em relação ao mundo, mas não digo isso em tom de crítica, já que cabe aos pais se importar mais em ouvir os filhos e instruí-los do que se preocupar com o que os outros vão dizer. Mas não são culpados, culpados são é quem estupra, é quem divulga foto dos outros sem autorização.