quinta-feira, 20 de março de 2014

GUEST POST: A MÃO NA BARRIGA E A SOLIDÃO DE NÃO PODER ESTAR GRÁVIDA DO JEITO QUE EU QUISER

Se o corpo da mulher já é considerado propriedade pública normalmente, parece que quando a mulher está grávida, todo mundo quer por a mão (ou dar palpites).
Maira Pinheiro, militante feminista, estudante de direito, militante do PT, e grávida de seis meses, tem algumas coisas a dizer sobre isso.

A gravidez tem muitos momentos de intensa solidão.
No começo, essa sensação de solidão vinha da desproporcionalidade entre o que eu sentia com relação à gravidez e a reação das pessoas ao saber da notícia. Eu ainda estava me acostumando com toda essa situação, e as pessoas vinham me dar parabéns efusivamente e, pra ser sincera, eu não sentia essa alegria toda. Estava desempregada, ainda não tinha me formado e estava aprendendo a lidar com a ansiedade e o medo que vêm com uma gravidez não planejada. 
As pessoas vinham com essa enxurrada de alegria e felicidade pra cima de mim e eu não tinha muito espaço pra expressar o que eu estava de fato sentindo. Tinha medo e vergonha das pessoas me acharem uma "má mãe" por não estar explodindo de alegria. Não me sentia confortável pra conversar sobre o que eu realmente sentia com quase ninguém. Com as amigas e amigos mais compreensivos consegui conversar sobre a história de pegar leve no "parabéns", pelo menos nesse início. Alguns poucos entenderam.
No começo, por muitos momentos me culpei por sentir uma profunda inadequação entre como eu me sentia e o que as pessoas "esperam de uma grávida". Chegavam cheias de opinião pra dar, ou com uns papos "virgem maria" sobre como gravidez é linda e mágica, ou sobre como elas admiravam minha coragem porque gravidez é assustador e elas não queriam engravidar de jeito nenhum. E aí eu me sentia mal ou por não estar pulando de felicidade, ou por me sentir um ET. Por causa disso, era sempre difícil ficar confortável pra conversar com as pessoas sobre o que a gravidez estava sendo pra mim.
Eu até imaginava que as elas iam sair pondo a mão na minha barriga sem pedir e isso me deixava particularmente insegura, mas não tinha noção nos primeiros meses que ia ser muito pior do que eu imaginava.
Eu ainda estava me acostumando a colocar minha própria mão na barriga e a pensar que tinha um feto lá dentro, estava ainda desenvolvendo a minha relação com a gravidez e sentia que quando as pessoas botavam a mão em mim, elas estavam invadindo meu espaço e atropelando o meu processo de me acostumar com tudo o que estava acontecendo.
Mesmo assim eu não estava preparada pra como isso ia ser assim que eu contasse pra todo mundo. Pouco depois que postei no Facebook, começaram as aulas. E começou o festival de mãos, várias vezes ao dia, exatamente do jeito que eu temia que fosse acontecer. Homens, mulheres, pessoas próximas e outras nem tanto, todo mundo tocando meu corpo sem me pedir e sem saber (e sem se importar) se eu estava gostando ou não. Algumas, depois de colocar a mão, olhavam pra minha cara e percebiam que eu não estava gostando, e pediam desculpas. Eu dizia que tudo bem e tentava explicar pros poucos com paciência pra me ouvir porque aquilo me incomodava. E não tive as melhores reações diante da minha explicação. Vou reproduzi-la aqui pra ver se isso diminui um pouco.
É o seguinte: eu entendo que vocês tenham curiosidade em por a mão na barriga da grávida, de verdade, e não acho que as pessoas tenham que ser proibidas de fazer isso nem nada. MAS CUSTA PEDIR ANTES?! Entre o feto e o mundo há o MEU CORPO. Sim, meu. Só meu. Então, quando vocês colocam a mão em mim achando que estão tocando no feto de alguma forma, vocês estão equivocados. Vocês estão tocando no meu corpo sem permissão e sem saber se eu vou gostar, e isso é invasivo e desconcertante. 
Superado esse ponto, passemos ao próximo: quando a minha filha nascer e entre o corpo dela e a mão de vocês não houver mais o meu corpo, se vocês insistirem nessa sanha de sair pondo a mão, vocês ainda estarão tocando o corpo de outra pessoa sem a permissão dela, e isso vai continuar sendo problemático. 
Eu não quero que minha filha aprenda, desde recém nascida, que as pessoas tocam nela sem ela querer, que o corpo dela não é dela de fato, e que dele podem dispor pessoas maiores que ela, independente da vontade dela. 
Por isso, enquanto ela não puder manifestar de forma clara a própria vontade, quem responderá por ela sou eu, e eu estou bastante disposta a comprar essa briga desde o começo e a não deixar que fiquem tocando nela sem pedir pra mim. Não vai ter essa história de ficar forçando ela a dar "beijo na tia" ou "beijo no tio". Além disso, não se mete a mãozona suja em recém nascido, por isso quem quiser tocar na Betânia vai ter que, além de pedir pra mim, passar álcool em gel na mão.
Só pra não acharem que eu sou uma grossa insensível nem virem desqualificar minha fala em razão dos "hormônios de grávida", que diga-se de passagem não me impedem de pensar claramente nem de responder por meus próprios atos, quero deixar claro que eu sei que a maioria das pessoas que põe a mão em mim o faz com a melhor das intenções e, muitas vezes, com carinho. Em outras, é só uma vontade unilateral de satisfazer a própria curiosidade, sem nenhuma preocupação com os meus sentimentos. 
Mas aos bem intencionados, eu pergunto: em algum momento vocês pararam pra pensar sobre o que eu acho disso? Em algum momento vocês refletiram sobre como eu me sinto sendo tocada contra minha vontade várias vezes ao dia todos os dias, todas as vezes que me aventuro num espaço público "apesar de estar grávida"? Se não, passem a fazê-lo.
Essa tem sido uma das faces da solidão de estar grávida. Porque quando eu reclamo das pessoas me tocarem sem eu querer e minha crítica é recebida com resistência, eu me sinto muito só. Afinal de contas, eu deveria poder reclamar de tocarem o meu corpo e ponto final, só que já ouvi algumas vezes, ao tentar explicar pras pessoas o meu desconforto, que eu deveria ter mais "compaixão com o senso comum". Não, não vou ter. Resolvi que meu papel neste momento é politizar minha gravidez e tentar desconstruir todas essas noções machistas pré-concebidas que as pessoas tem sobre os corpos grávidos.
Por fim, queria colocar que não tenho muito interesse em saber o que as pessoas que discordam de mim pensam sobre este assunto. Porque não tem o menor cabimento virem aqui me dizer como eu tenho que me sentir e o que eu tenho que achar sobre tocarem em mim sem eu querer. O corpo é meu, simplesmente aceitem isso.

70 comentários:

Anônimo disse...

Ai Ai, dei algumas risadas. As pessoas são meio folgadas mesmo. Além do mais, acho que elas têm um reflexo pegador. É meio automático. Não sei o que dá na cabeça.

No meu caso, lá pelas tantas, meio que desencanei. É um saco? É, mas, pelo menos para mim, mais saco ainda é discutir com as pessoas.

De qualquer forma, se eu puder dar uma dica (que funciona) cada vez que alguém vier e botar o mãozão, contra-ataque. Pegue no queixo da pessoa, no nariz pegue onde der. A pessoa toma o maior susto, entende a mensagem e você não precisa ficar explicando. Já com o bebê, tenho notado que as pessoas andam mais comportadas. Pelo menos minha filha não é muito atacada (e olha que ela é bem fofa).

Flavio Moreira disse...

Compreendo perfeitamente o seu sentimento. Sempre gostei muito de crianças e curti muitoas gravidezes da minha família, mas sempre respeitando os limites que elas colocavam. Algumas vezes elas mesmas pediam pra eu "ver" o bebê chutando e é claro que eu curtia muito.
Mas o que o depoimento da Maira tem de mais revelador para mim é o quanto a ideia de que o corpo da mulher grávida não pertence a ela! Mesmo eu respeitando a vontade das grávidas das minha família, nunca parei para pensar que, na verdade, a barreira entre nós e o bebê que carregam é o seu corpo! E essa barreira é ultrapassada sem seu consentimento o tempo todo. Parabéns pelo alerta, porque ele traz para o plano da consciência uma forma de desrespeito que ignoramos frequentemente. E tudo de bom para vocês nessa jornada, Maira.

Lígia disse...

Nossa, acho horrível gente que fica pedindo pra criança dar beijo... eu achava um inferno quando era criança.

Pior quando era algo como "só se você der um beijo". Que vontade de ter a esperteza ou a coragem, quando pequena, de ter dito "então não quero mais essa merda".

Beijo é demonstração de afeto, não moeda de troca.

Boa sorte com a sua gravidez, sua filhinha e com sua vida de mãe!

Anônimo disse...

Concordo com tudo!
Estou com 7 meses de gestação e não suporto todo mundo passando a mão em mim! Até hoje, só duas, DUAS pessoas me pediram permissão. Outra coisa, quem sabe como eu devo me sentir sou eu! No início da gravidez, enjoava muito, mas, mesmo assim, as pessoas (leia-se mulheres) queriam que eu estivesse radiante. Minha vontade era de mandar todo mundo catar coquinho!

Aline/Recife

Anônimo disse...

ADOREI A POSTAGEM, EMBORA NÃO TENHA FILHOS LEMBRO DA MINHA IRMÃ GRÁVIDA. A QUEIXA DELA É QUE GRÁVIDAS E MÃES "SOMEM", DEIXAM DE EXISTIR, DEIXAM DE SEREM PESSOAS E TUDO GIRA EM TORNO DO FATO QUE A MATERNIDADE É "MARAVILHOSA E MÁGICA".
LEMBRO-ME DA MINHA IRMÃ FALANDO QUE QUASE NGM PERGUNTAVA MAIS COMO ELA ESTAVA OU SE SENTIA.... SENDO QUE ELA CARREGAVA AQUELA VIDA DENTRO DELA...
O QUE VEJO TB E POSSO ESTAR ERRADA É QUE A MÃE FICA PRA SEGUNDO PLANO AFINAL AGUENTA ESSA INVASÃO DE ESPAÇO E O PAPEL DE PAI É SUPER VALORIZADO... AFINAL ESTÃO SE TORNANDO PAIS. VEJO COMENTÁRIOS DO TIPO O QTO FULANO OU CICLANO É BOM PAI PQ LEVOU O FILHO NO PEDIATRA, OU TROCOU UMA FRALDA... E A MÃE AHHH ELA É MÃE É OBRIGAÇÃO.
SE FALTA AO TRABALHO É RELAPSA, TA LEVANDO O FILHO NO MÉDICO OU EM REUNIÃO NA ESCOLA, NÃO TA MAIS DANDO CONTA. UM PAI QUE SE AUSENTA PRA MSM TAREFA É ENDEUSADO...
MATERNIDADE TEM QUE SER ENCARADA COMO UMA TAREFA A SER EXECUTADO POR 2 PESSOAS (MENOS OU MAIS DEPENDENDO DA FORMAÇÃO FAMILIAR) MAS ESSA INVASÃO DE ESPAÇO E CONSTRUÇÃO DE VALORES A CERCA DO ASSUNTO SÓ FAZ COM QUE UMA BOA EXPERIENCIA SE TORNE ANGUSTIANTE PARA MUITOS.

Anônimo disse...

Eu treinei meu reflexo de bloqueio e minha feição plácida ao dizer "tire a mão".
Nunca engravidei, mas entendo completamente essa agonia, não suporto que fiquem 'me pegando', e tem gente que tem esse hábito, só fala encostando, forçando um contato. Imagino que com a barriguinha grávida isso deve piorar exponencialmente, pensando bem não é por que todo mundo faz que deixa de ser algo bem invasivo. Normalmente ninguém sai por aí acariciando barrigas alheias, deve ser um saco quando isso acontece na gravidez.

Graciema disse...

É por ai mesmo. E a expectativa das pessoas de que ser mãe é a maior benção de todas e nenhuma outra reação é permitida é de lascar. Geralmente tem muita ambivalencia, e se tornar mãe é um processo, nao algo magicamente definido de imediato, mas há uma suposição tácita na sociedade de que não se pode admitir isso, de que o unico sentimento permitido é a felicidade radiante, na gravidez e depois. Se serve como sugestão, grupos de mulheres são uma boa opção nessa fase, pelo conhecimento adquirido, apoio emocional e, principalmente, por poder discutir o total da experiencia da maternidade, não apenas a linda e brilhante. Ao menos para mim, foram fundamentais.

Sandro Chernicharo disse...

Nunca coloquei as mãos numa grávida, a não ser na minha esposa, com muito amor por ela e pelos meus filhos.

Não me lembro, mas talvez eu já tenha sentido outras barrigas, com o pedido e consentimento da dona da barriga.

É inacreditável como as pessoas são "sem noção". Minha esposa reclamou bastante disso, das mãos bobas, durante a atual gravidez.

Só não entendi muito bem o porquê de considerar essa intromissão como um forma de machismo. Me parece mais um caso de desrespeito a outro ser humano, que aconteceria também ao homem, se o ele engravidasse. O problema é que esse "se" é paradoxal e não dá pra imaginar muito bem essa hipótese.

Porém não entendi mesmo o machismo. As pessoas tinham mania de tocar no meu filho, homem, sem a permissão dele ou a minha. Eu não deixava e pedia pra usar álcool. Onde está o machismo nesse caso específico? Estou perguntando com a guarda baixa, uma vez que só agora que estou enxergando o machismo nosso de cada dia para coisas que eu simplesmente chamava de "normal".

Parabéns pelo texto.

Maria Valéria disse...

Entendo e empatizo totalmente com a autora do post, porque embora eu nunca tenha ficado grávida, sempre fui uma pessoa de pouco contato físico, mesmo com amigos e familia : nao sou de ficar abraçando apertado, dando beijinho, pegando na mão, tocando no outro.
Exceções de contato físico mais próximo: minha irmã, que mora no exterior e vejo a cada dois anos,entao quando a encontro quero dar um abraçao!! E o homem que eu amar, claro.-:)

Anônimo disse...

Vou ter que admitir que muitas vezes fui sem noção com grávidas e bebês.

Esses textos são ótimos pra gente aprender que não temos direito de tocar nas pessoas sem a permissão delas mesmo que estejamos bem intencionados.

Valeu pela dica!

Anônimo disse...

Lígia, esse negócio de "só te dou, se vc me der um beijo", eu já respondi: - Então, não quero mais! Pode ficar. Eu tinha uns 7 anos.

Hahahahhahahhahhahah.

A pessoa ficou com a maior cara de bunda, hahahahhahah.

disse...

Puxa, eu fico p. da vida com esse negócio do desrespeito ao corpo da mulher grávida. Muito bom guest post. Eu sempre falo sobre isso com minhas conhecidas que engravidam. E sobre essa questão de deixar o/a bebê rodar de mão em mão. Ragusa

Anônimo disse...

Nossa, entro em panico quando leio esses relatos. A mumher ta gravida, ela para de existir. Vira um receptaculo, incubadora.

Li em algum lugar uma moça falando que o melhor presente que ganhou durnte a gravidez foium video- game, que ela ganhou do pai dela. Isso a fez sentir que mesmo gravida, ela ainda era uma pessoa, que ainda tinha seus gostos s preferencias. Ela não era só a "futura mae".

Matarnidade é endeusada demais, tenho certeza que muita gente sofre por causa disso.. porque não està tão feliz de vomitar 10 vezes por dia, ou de ter o equilibrio afetado... eu hien, se as pessoas fossem menos hipocritas o mundo seria um lugar melhor

Links

Camila disse...

Eu estou tendo sorte com as mãos na minha barriga, quase ninguém se aventurou sem pedir, acho que pq eu nunca dei mto espaço pra me tocarem no geral. Mas uma coisa que está me incomodando muito e faz eu me mto sozinha sem ter com quem desabafar é essa onda de "conselhos" que eu ando recebendo, é um tal de "parto normal? vc é louca!!" ou então "não vai comprar chupeta, e mamadeira? vc é mto ruim". Gente, é meu filho, eu só quero o bem dele e quero fazer do meu jeito, é tão difícil entender? Sem falar no fato de que tá todo mundo achando que é "dono" do meu bebê, isso aí, só pq sou "mãe de 1ª viagem" automaticamente sou uma ignorante e que vai matar o filho se não tiver alguém junto 24 horas por dia. Aja saco, minha mãe é a pior, ela enfiou na cabeça que o bebê é dela! Pode isso arnaldo? Fica falando bobeira tipo que vai tirar ele de mim, que eu não vou saber cuidar, que ela vai pegar ele quando ela quiser e não quando eu quiser, que se ela quiser, vai dar mamadeira, chupeta, bobeiras...enfim, tá um inferno pra ser sincera...
Desculpem o desabafo, preciso muito falar...

Camila Brenner.

Anônimo disse...

Esse é assunto é pra lá de interessante.
Eu sempre fui uma pessoa com um alto grau de simancol ou sitocol kkk, portanto jamais meti a mão em barriga de grávida na minha vida e tmbm nunca dei palpites, sério!, sempre tentei ser o mais neutra possível p ir sentindo como a pessoa quer que a conversa se desenvolva, mas a compreensão da extensão disso aconteceu numa rápida conversa com a minha cunhada, ela demonstrou que tmbm achava incomodo, constrangedor e invasivo colocar a mão na barriga de uma gravida ou ficar dando aulas, depois desse dia isso ficou ainda mais sólido em mim.

Excelente texto.

Izabel Soraia

Anônimo disse...

Prepare-se para um período de solidão maior ainda no puerpério, pois a coisinha fofa vai fazer todos esquecerem completamente de ti. A grávida ganha muita atenção comparado a puérpera. Tu tá lá naquele momento íntimo, conhecendo o bebê e ele te conhecendo, e chega aquele monte de gente sem noção querendo fazer o social na maternidade, pegar, beijar o RN, cagar regra sobre como fazer as coisas... Tu lá perdida, no luto da tua barriga que sumiu, seminua, vazando leite por tudo... Aquela parentage toda e tu tentando começar a amamentar... é o fim! O peito dói, o bebe não pega direito... só com persistência a amamentação se realiza. Não tem nada de mágico mesmo, é um verdadeiro sacrifício. E continua pelos próximos meses, tu coladinha no bebê e ele em ti, 24hs por dia, chorando juntos... As vezes com desespero as vezes com ternura, mas sempre na solidão. Só melhora mesmo quando acaba a licença e a gente volta pra vida normal, se afastando um pouco dessa experiência tão intensa e animal chamada maternidade. Confessar esse tipo de coisa faz meio mundo #sensocomumfeelings te achar uma mãe horrível. E é absolutamente normal se sentir assim, ganhar um bebê (assim como a gravidez) não te transporta ao paraíso. Não há amor imediato e absoluto no primeiro momento, mas no cuidado constante tu conhece e aprende a amar a pessoinha que nasceu: é um amor construído. Só que a maioria das mães não confessa, não pensa enfim, e tenta se ajustar ao que é esperado de uma clássica "boa mãe" calada. Já leu a Badinter? Recomendo "Um Amor conquistado: o mito do amor materno"

Anônimo disse...

Cara, eu acho q esse negócio de beijo no tio/tia, dependendo de como é falado, não tem nada de mais. Não acho q pode ser usado como moeda de troca, do tipo "só te dou isso, se me der um beijo". Mas acho q devemos ensinar a criança a dar e receber afeto, não colocá-la numa redoma de vidro, dizer q ninguém pode pedir um beijo ou um abraço, q a criança só faz o q ela quer. Quer dizer q se uma criança q é fria, arredia, não demonstra sentimentos pelos parentes deve ser ensinada de q isso é completamente normal? Se depois de adulta, ela fizer essa escolha, é decisão dela, agora quando criança ela ainda está em formação. Meu irmão tem um enteado q era completamente arredio, frio não gostava de beijo, nem abraço. chegava a ser mal educada. Fomos ensinando aos poucos q é natural demonstrar afeto. Acho q não tem nada de mais falar "Dá um beijo no titio, dá um beijo na vovó". Ele, hj, é outra criança. E acho q essa história de falar pra passarem álccol em gel na mão a cada vez q tocarem na criança, me soa como exagero, como um TOC. A criança precisa estar em contato com sujeira pra criar anticorpos. Isso, definitivamente, não é sadio, nem fisica, nem psicologicamente. Há uma linha q separa escolhas pessoais de neuras, e achar q precisam passar álcool em gel na mão a cada vez q encostarem na criança, me soa mais como a segunda opção.

luana disse...

isso não é machismo,gente abusada,folgada e espaçosa existe aos montes.
isso não acontece só com mulher grávida mas com qualquer um que tiver a "sorte" de encontrar um sem noção.
conheço uma mulher que é irritante demais,ela vai falar comigo e fica praticamente em cima de mim,eu me afasto para ter o minimo de espaço e ela vem atrás e n se manca de jeito nenhum,sem falar que fica olhando para minha cara igual uma doida e ela faz isso com todo mundo.
outros n conseguem falar com a pessoa sem ficar tocando,gesticulando,segurando o braço dos outros.

eu nunca toquei a barriga de grávida nenhuma,n fico pegando nos outros mas é isso mesmo que ela fala,todo mundo endeusa a maternidade.
cada vez que alguém engravida na minha família é uma festa,como se fosse a melhor coisa do mundo,acho que sou a única que n vê graça nenhuma e nem acha que isso é uma benção.

luana disse...

"Mas acho q devemos ensinar a criança a dar e receber afeto, não colocá-la numa redoma de vidro, dizer q ninguém pode pedir um beijo ou um abraço, q a criança só faz o q ela quer. Quer dizer q se uma criança q é fria, arredia, não demonstra sentimentos pelos parentes deve ser ensinada de q isso é completamente normal?"

eu acho errado sim,vc n está ensinando nada,está forçando a criança a agir do jeito que vc acha que é normal.
se ele n é meloso,qual é o problema?
só pq ele n agarrava os parentes,ele é frio,estranho,o quê?

tb me forçavam a ficar beijando os parentes e eu odiava,mas eu fazia n pq eu tinha virado outra criança e sim pq me enchiam o saco,me obrigavam a ir na casa dos meu avós,dos meus tios,com chantagens emocionais "mimimi sentem sua falta,vão fica chateados"... sei.
quando eu finalmente parei de ir pq já era adolescente e eles n podiam mais me obrigar,veja se apareceu algum parente morrendo de saudade na minha casa? sumiram.
eu n ligo de n me visitarem pq eu respeito o que os outros querem ou n fazer.

hj em dia eu continuo igual,n gosto de ficar agarrando,dando beijinho nos outros.
me encheram o saco e n adiantou nada,pq é meu jeito e deveria ter sido respeitado.

Thays disse...

Maira, obrigada por existir e por politizar a tua gravidez. Entendo - e mesmo não grávida - compartilho dos teus sentimentos.
Força e paciência <3

Joana disse...

Cada uma com seus sentimentos. Eu nunca tinha pensado que isso pudesse gerar tanto sofrimento. Eu não tenho problemas com demonstrações de afeto e adorava ter meu barrigão afagado por pessoas queridas. Nunca aconteceu de alguém indesejado tocasse nela. E como para mim foi absolutamente agradável sentir o carinho que as pessoas já nutriam pela minha filha ainda dentro de mim, costumo fazer o mesmo com amigas queridas. Agora mesmo, uma esta grávida e sempre que a encontro também "falo oi" para o bebê que esta a caminho. Igual a mim ela curte sentir o carinho. Mas sabendo agora desta outra possibilidade, só vou expressar minha afetividade com quem realmente eu tenha intimidade de saber que o carinho será bem vindo.

Anônimo disse...

Essa coisa de beijo quando criança é coisa de criação. Eu fui criada numa família beijoqueira. Beijo quando acorda, quando saí e quando chega, mas esse comportamento era dentro do círculo familiar, fora era diferente.

Mas essa coisa de por a mão na barriga de mulher grávida eu nunca entendi. Qual é a lógica? Eu coloquei a mão numa barriga duas vezes pq a mãe queria que eu sentisse os chutes do bebê. Só! E ainda fiquei constrangida, pq do mesmo modo que é terrível um monte de mão em cima da barriga, também é quando se é obrigado a ter que tocar e ser obrigada a fingir uma mega felicidade por ter sentido algo... aff!

Anônimo disse...

Uau!!! Ótimo guest post!!!
Nunca - nunca - entendi essa MANIA de sair pondo a mão na barriga de mulher grávida.
Eu não fico à vontade para tocar nem com consentimento.
Mas a questão central do post, apreendi agora! Tal atitude como (mais uma) expressão do "entendimento" de que o corpo da mulher é uma INCUBADORA. Machismo nojento.

Prx comentário aí de cima: NADA A VER com TOC, que bobagem! Qual o exagero nisso? Se precisamos passar álcool em gel (principalmente se não puder lavar as mãos) antes de comer, ou após tomar uma condução, se teclados de computador e celulares/smarts acumulam bactérias (não há costume de desinfetá-los)! Lógico que tal cuidado não impedirá que a RN crie anticorpos!

Thata

Anônimo disse...

Anônimo das 13 :40 que escreveu "... E acho q essa história de falar pra passarem álccol em gel na mão a cada vez q tocarem na criança, me soa como exagero, como um TOC. A criança precisa estar em contato com sujeira pra criar anticorpos. Isso, definitivamente, não é sadio, nem fisica, nem psicologicamente. Há uma linha q separa escolhas pessoais de neuras, e achar q precisam passar álcool em gel na mão a cada vez q encostarem na criança, me soa mais como a segunda opção." sinto que a autora do guest post se referia a fase neném,bebê e fase oral.Gente,por favor,bom senso!O bebê por mais que esteja na fase de rastejar no chão,enfiar tudo na boca não significa que você, na rua/na casa/na fazenda ou numa casinha de sapê , coloque as suas mãos numa criança que não é sua e que provavelmente levará os pés e/ou as mãos na boca,passará nos olhos...Enfim.Isso não é TOC ,é higiene.

E a criança também é gente.Pode ser tímida,introspectiva , o que for.Uma coisa é "dá um beijo na vovó" e outra é dar um beijo em um desconhecido.Peloamor!

Mulheres e crianças sendo preteridas e desrespeitadas desde...

-

Cris.

Anônimo disse...

Mulheres sempre são consideradas inaptas para administrar sozinhas as suas vidas e por isso sempre tá cheio de gente "bem intencionada" que para te dar aquele "bom conselho".
Mas quando envolve maternidade acho que a quantidade de gente importunando, se metendo, xingando as grávidas/mães cresce na décima potencia.

Uma parenta minha teve bebê há pouco tempo. Não me lembro de ela ter se queixado das mãos bobas - mas o que a deixava a ponto de ter um aneurisma era a quantidade de gente - principalmente HOMENS - que vinham dizer come ela DEVIA se cuidar na gravidez, como ela DEVIA parir, como ela DEVIA amamentar...
É muita falta de noção...

Jane Doe

Izabela F. disse...

Já que vão fazer tanta questão de tocar na sua filha, então peça pra trocarem as fraldas, acalmá- la quando ela começar a berrar sem motivo ou acordar de madrugada e ficar com ela no colo até ela dormir de novo.

Sou mãe e, assim como no seu caso, a minha gravidez não foi planejada, eu estava na metade do meu curso na faculdade, desempregada e desde o começo fui mãe solteira (parece que essa é a pior coisa que uma mulher pode ser na vida, né?). Só que, ao contrário de você, não recebi lá muitas reações esfuziantes de alegria, principalmente no começo da gravidez. Me senti e ainda hoje me sinto muito sozinha as vezes. Acontece que depois de 4 anos, muita água passou debaixo da ponte e aprendi a lidar melhor com algumas coisas e o melhor de tudo é que o meu filho está se tornando a cada dia o melhor companheiro que tenho.

Boa sorte, Maíra!

Thata disse...

A dica - dicona - do primeiro comentário é ótima hein? rsrsrs
Ótima principalmente pra quem não tem empatia suficiente (nível elementar) para compreender as explicações verbais (porque né, caramba, explanação melhor que a da Maira não há...). Sentir algo mais ou menos (beeem +/-) análogo na própria pele - inesperadamente - deve levar a pessoa sem noção a "perceber" algo.


Sandro C. (20/3 12h20)
Essa intromissão é machismo porque o corpo que engravida é o da mulher, sendo que, em nossa cultura é considerado ou como UMA COISA, ou como PROPRIEDADE DE OUTREM (propriedade pública, ou de uma famímia, ou de um homem), devido a uma rede complexa de ideias e práticas, construções ideológicas a respeito do que se considera feminino-masculino, corpo, individualidade.
Se o homem engravidasse, como dizem, o aborto seria um sacramento. Mas, na verdade, não nos é possível conceber COMO SERIA, pois se uma variável fosse diferente, provocaria, historica e culturalmente, modificação no conjunto todo.

Sandro, ótimo exemplo do seu filho. Conheço uma experiência similar.
Antes: CORPOS de crianças também são considerados propriedades de outros, embora de maneira distinta (tanto é que a maioria acha "natural" bater em uma criança, quando, numa MESMA situação, seria inconcebível bater em um adulto).

Há anos, uma amiga, quando teve seu filho (sexo masculino), dividiu os cuidados com o esposo/ex-esposo. Após a separação, o bebê ficava na casa dos avós paternos.

Certa vez, ela estava a trocar a fralda na casa dos avós paternos. A avó do bebê tocou na genitália dele - uma mania comum, antiga, de "brincar" com o (na verdade, NO) corpo do bebê.
Imediatamente, a mãe segurou a mão da avó e a retirou do bebê. Disse à avó que a genitália do filho não era brinquedo.
Claro, ela, a mãe já tinha, na ocasião, toda uma consciência sobre a formação do machismo através do corpo, uma das formas é a exaltação do órgão sexual masculino, até concebendo-o separadamente da PESSOA.
Até certa idade, se "mexe" no órgão sem respeito nenhum ao corpo da criança (corpo como propriedade).
A partir de certa idade, a genitália da criança não é mais tocada com tal naturalidade e, nos meninos, se estimula o orgulho pelo próprio órgão sexual (orgulho desmedido, incomparável com qualquer outro órgão corporal), quase que identificando-o a partir dele. Daí, não é difícil conceber as disputas, iniciadas na pré-adolescência, entre grupos de meninos, em torno do próprio órgão sexual tornado um "instrumento" de poder - ideia extensamente estimulada de forma explícita pelos homens adultos (ir)responsáveis pela criança de sexo masculino (infelizmente é comum, por exemplo, pais assediando mulheres nas ruas, acompanhados - "ENSINANDO" o assédio - às crianças de sexo masculino - tomada, a priori, como heterossexual e cisgênero).
O ECA pode proteger as crianças desse tipo de coisa, mas, como lidamos com uma cultura machista extremamente arraigada, ainda não vi nenhuma ação nesses casos.

Anônimo disse...

Eu sempre achei que eu era uma pessoa totalmente antipática por não ficar eufórica com a notícia de gravidez de alguma conhecida, por não ficar colocando a mão na barriga de grávida pra sentir o bebê e por não ficar pedindo beijo como moeda de troca.
Agora eu vi como sou uma pessoa totalmente agradável aos olhos das grávidas/mães.
E quando eu engravidar e não me sentir confortável com mão na minha barriga, vou falar.
Melhor, vou mandar fazer uma camiseta: POR FAVOR, NÃO COLOQUE SUA MÃO NA MINHA BARRIGA, OBRIGADA!

Adriana A.

Anônimo disse...

Lola, totalmente fora do contexto, vc está acompanhando essa história dos encoxadores do metrô em SP? Parece que os caras tinham até site para compartilhar experiências. Muito nojento.

Aninha disse...

[off topic]

Galera, não sei quanto vocês estão sabendo disso, mas não custa dividir:

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/03/apos-onda-de-videos-de-abuso-em-trens-policia-prende-17-suspeitos.html

Resumão: Agora virou moda no metro de São Paulo homens abusarem de mulheres e filmarem para por no youtube ou similar. São feitos desafios e brincadeiras pela net: quem ejacula, quem pega a mais gostosa e por aí vai. É isso mesmo: eles cometem um crime e o FILMAM. É muito impunidade para um país só.

RavenClaw~ disse...

Obrigada Luana. Eu tb fui uma criança "chata". Não gostava que me pegassem, beijassem, a abraçassem e tenho nojo dessas coisas até hoje. EXCETO, claro, nos casos que a Maria Valeria citou. =)

Ain gente pegando e dando palpite na nossa gravidez é uó. Dar meia hora de bunda ngm quer neh? Huashuahsu

julie disse...

Muito interessante o post, engraçado é que eu intuitivamente sabia dessas coisas, mas nunca parei para racionalizar.

Zrs disse...

Um mãe fez um post no seu blog dizendo que "ser mãe é se foder no paraíso". Com o desabafo feito, várias mães pintaram no blog e desabafaram tb, coisas nunca ditas nas rodas das pracinhas, vale a leitura do post e dos coments.


http://www.mulherquecorrecomlobos.com.br/coisas-de-mae/ser-mae-e-se-fuder-no-paraiso/

RavenClaw~ disse...

Nossa gente. Disse que vcs tão falando dos encoxadores. Como assim?? Como assim site, page no fb, video no youtube?? Como assim encoxatrizes? Existem mulheres que fazem isso? Oo

Mas daí me lembrei... Já fui encoxada por uma mulher... =/

Ana disse...

Maravilhoso o Guest Post. Adorei. Confesso que usei bem pouco do meu tempo pra pensar nessa questão até hoje. Daqui pra frente vou prestar mais atenção nisso.

Uma das poucas coisas razoáveis que eu ouvi enquanto estava no ensino médio (numa escola muito machista), foi um comentário do meu professor de Biologia, que também era formado em História, sobre a maternidade.

Algum aluno perguntou como eram as cesárias na época da Idade Média, se não me engano. Afinal, não se tinha tecnologia, então, como fazer um parto complicado?

"Ué. Abre a mulher e tira", foi a resposta do meu professor.

"Mas como assim, professor? Tinha anestesia, essas coisas?"

"Não, claro que não."

"... Mas, mas então... Como era possível... Abrir? Isso não mataria a mãe... Dolorosamente...?"

"Sim, óbvio. Mas ninguém se importava com isso."

E aí ele explicou, pra uma classe de adolescente atônitos, que por muito tempo a mulher foi completamente insignificante - e uma mulher grávida nada mais era do que um receptáculo para o bebê. Se o parto não fosse tranquilo, pegava-se um instrumento cortante e abria-se a mulher, e ninguém teria dó - era só uma mulher. Mil vezes salvar o bebê do que a mulher.

Ele precisou repetir o raciocínio várias vezes, porque a classe não conseguia compreender como era possível existir uma realidade daquelas. Geralmente as pessoas não param muito pra pensar em como a mulher foi invisível durante a História. Ainda mais hoje, quando vendemos a idéia de que 'já conquistamos igualdade' - então né, está tudo no passado, hoje não é mais assim, pra quê pensar nisso?

Eu nunca mais me esqueci daquilo... "Um receptáculo para o bebê".

Agora lendo esse Guest Post, as coisas fazem sentido, de um jeito escabroso. Os tempos mudaram, mas alguns costumes ficaram. As pessoas ignoram a autonomia da mulher de maneira automática. Muitos aspectos continuam invisíveis.

Elaine Pinto disse...

Sabe que aconteceu comigo uma vez? Na época eu namorava um rapaz e nos encontramos com ex-colegas de faculdade dele. Uma delas estava grávida e eu, que tinha acabado de conhecer a moça, vou lá e paf! Ponho a mão na barriga dela sem pedir. Percebi a besteira que fiz quase que imediatamente e pedi desculpas, ela foi bem simpática. Nunca mais fiz isso.

Anônimo disse...

Ah, Cris, dá licença. Eu sou extremamente tímida, mas muito tímida mesmo, não conheço nenhuma pessoa mais tímida q eu. E nunca me recusei, nem quando criança, a cumprimentar alguma pessoa q veio me cumprimentar de forma respeitosa, nem tenho agonia e pessoas q me cutucam quando precisam falar comigo, lógico se não for de forma insistente e repetitiva. Isso não tem nada a ver com timidez. E não estamos falando de desconhecidos, ELA falou de beijo em tio/tia, releia o texto. Não distorça as coisas pra fazer sua opinião parecer mais certa, isso é desonestidade. Não há nada de errado em tio/tia/avô/avó pedir um beijo pra criança, isso é natural, isso é demonstrar afeto. A autora do texto fala como se fosse uma coisa horrível e abominável. Não se deve forçar a criança a fazer nada q ela não queira, isso acontece naturalmente. O q não significa q não devamos incentivar uma criança a demonstrar e receber afeto. Não estou entrando nem no campo do machismo, abuso, nem nada, estou fazendo uma observação sobre esse negócio de dar beijo em tios, então nada a ver vc falar em "mulheres e crianças sendo desrespeitadas desde sempre". Não distorça as coisas, por favor, não tem nada mais ridículo em um debate q uma pessoa q não sabe criticar algo sem distorcer.

Maria Valéria disse...

"Mas acho q devemos ensinar a criança a dar e receber afeto, não colocá-la numa redoma de vidro, dizer q ninguém pode pedir um beijo ou um abraço, q a criança só faz o q ela quer. Quer dizer q se uma criança q é fria, arredia, não demonstra sentimentos pelos parentes deve ser ensinada de q isso é completamente normal?"

Tão complicado.....cada criança e de um jeito...

Eu fui uma criança " arredia " e olha que meus pais eram o oposto, minha irmã tambem...por eles, eu seria como eles.
No começo eles reclamavam, depois de muitos anos entenderam que esse era o meu jeito...
Nao tem nada de errado em nao querer ficar abraçando e beijando todo mundo, mesmo que seja a sua família

= p

Tatah disse...

Hoje mesmo, eu coloquei a mão na barriga de uma grávida. Tinha dado um abraço nela antes. Vou sempre perguntar agora se posso. Eu encaro como uma forma de carinho, como o abraço.

Janaina disse...

Quando minha cunhada e irmã ficaram grávidas eu nunca tinha coragem de colocar a mão na barriga delas e achava que elas podiam se incomodar por isso, por não parecer uma tia tão calorosa com os bebês, ainda bem que lendo esse texto vi que foi melhor eu ter agido assim. Só coloquei a mão uma vez na barriga delas, pq elas queriam que eu visse o bebê chutando ou soluçando e fiquei tão sem graça por fazer isso, mesmo sendo um pedido delas, pq pra mim parecia uma coisa muito intima.
Eu tb não gosto de contato físico com as pessoas no geral, odeio pessoas que ficam te pegando e tb sempre fico sem graça ao cumprimentar as pessoas com beijinhos, mas isso tb acontece pq sou tímida. Só com meu namorado mesmo que não tenho o menor problema nisso.

Anônimo disse...

Bom, parecem q ignoram partes essenciais do meu texto propositalmente...Complicado. Maria Valéria, já disse, cada criança é de um jeito e não se deve forçar situações, as coisas acontecem naturalmente. Incentivar alguém a dar e receber afeto não tem mal algum, vcs falam como se fosse uma coisa horrível. E falei, inclusive, q se a criança mostrar mais tarde q é o jeito dela, deve-se respeitar isso, ela tem o direito de ser assim. Acontece q quando somos crianças, não temos a personalidade nem o discernimento formados, não dá pra saber q característica é própria da personalidade dela e o que é um bloqueio/fobia/medo/problema que está ali se desenvolvendo. Então não se pode resumir o problema a "é o jeito da criança, então deixa ela decidir", pq não é assim q as coisas funcionam. Seria o mesmo q dizer q devemos respeitar a escolha de uma criança q não quer frequentar uma escola e prefere estudar em casa pq incentivá-la a ir pra escola seria uma violência contra ela. Todo mundo sabe q o convívio social é importantíssimo pro desenvolvimento da criança, tal como demonstrações de afeto. Se depois de adulto, a pessoa quiser se isolar do mundo, não beijar, nem abraçar ninguém, aí sim podemos, talvez, encarar como uma escolha. Lembrando q "incentivar", não é o mesmo q forçar, obrigar a criança fazer determinada coisa aos berros.

Anônimo disse...

Sinceramente entendo o quando deve ser desagradável para algumas grávidas as pessoas tocarem a suas barrigas sem permissão e que as mesmas tem o direito de não querer que as pessoas toquem em suas barrigas seja por qual motivo for. Porém ela parece não gostar nem que as pessoas demonstrem afeto, o que eu particularmente eu acho grosseiro e insensível da parte dela, pois as vezes as pessoas cumprimentam grávidas apenas por educação. Entendo a preocupação dela com a saúde e com a proximidade das pessoas com sua filha quando a mesma nascer, mas ela parece ter vontade de colocar a filha numa redoma. Parece coisa de quem tem TOC. Falo isso pois meu pai tinha TOC e quando eu nasci ele tinha um pensamento bem parecido com o da gestante. Ela poderia procurar um psicólogo quem sabe não está passando por algum tipo de transtorno, meu pai tinha TOC com higiene e melhorou quando procurou ajuda.

Sara disse...

Tb concordo q tem muita gente invasiva, eu não gosto muito q me toquem, mesmo pessoas amigas, não gosto de muita proximidade, e tem algumas q é um verdadeiro problema vc conseguir manter certa distância.
Quando estava gravida, embora não gostasse desses toques q grande parte das pessoas faziam, não me incomodava muito, mas o q me deixava mais invadida é quando queriam tocar na minha barriga por baixo da blusa, ai ja achava abuso mesmo.
Mas nunca dei barraco, pra não parecer mal educada, mas tb não fazia cara de estar gostando,e me afastava qdo possível.
Agora barraco eu dei qdo nasceram minhas filhas, pq as pessoas parecem não ter nenhuma noção de higiene, chegam das ruas, algumas até de transporte publico e sem nenhuma consciência querem pegar o bebe, que poucas defesas imunológicas tem ainda, e beijam abraçam, sem nenhuma cerimonia, intuitivamente eu ja sabia q aquilo não ia prestar, e não prestou mesmo, minha filha enchia de brotoejas, e tome banho de permanganato de potássio, dando o maior trabalhão por causa dos sem noção de plantão na minha família e amigos da onça.
Da segunda filha, aprendi a lição, quando saia com ela nas ruas eu cobria todo o carrinho de bebe para q ela não ficasse a mostra, tadinha mal pegava sol, comprei álcool e exigia de todos q lavassem as mãos e higienizassem com o álcool, meu sogro ficava puto, mas acabava me atendendo, uma vizinha q ia todos os dias me visitar, levava junto sua filha pequena, q como todas as crianças brincava no chão, mexia com cachorrinhos e queria vir tocar o bebe em seguida, pedi algumas vezes q ela n fizesse isso, e como não fui atendida, nem por ela nem pela mãe q achava frescura da minha parte, simplesmente as deixava tocando campainha da minha porta e não atendia nem a pau.
Até q elas se tocaram e não foram mais me encher as paciências.
Todos me diziam q eu não devia ter tanta preocupação com minha bebe, q expô-la as eventuais sujeiras só iam fortalecer o sistema imunológico delas, mas eu vivia limpando e desinfetando tudo o q elas tocavam, não sei se foi praga ou sei la o q mas as minhas duas filhas tem problemas alérgicos...

Helena Bera disse...

Maira, parabéns pelo seu posicionamento frente à uma situação tão pré-estabelecida nas nossas relações q estão a tanto tempo, q pensamos estar aqui desde sempre.
Arraze com tuas convicções e - aliás, mil e um parabéns pelo nome de tua abelhinha rainha! - crie a pequena como você achar por bem e com tuas crenças. Ela também precisa crescer, assim como a mãe, com a noção de q não se pode violar o espaço do corpo alheio, assim, deliberadamente.
Gostei, vc foi sincera!
Força e fé pra você(s)! :-)

Anônimo disse...

Olá Maira, tudo bem?

É isso aí, querida! Faça valer as suas vontades, não deixe que as pessoas - mesmo que sinceramente bem intencionadas - ditem como você deve se sentir em relação a sua gravidez e tomem conta do seu corpo. Eu, quando grávida, também não gostava destas intervenções, porém, como tenho uma personalidade mais complacente, mesmo contra a minha vontade, permitia que as pessoas opinassem sobre gestação e maternidade e tocassem na minha barriga (sendo que eu mesma tinha certa agonia de tocar aquela pele toda esticada, que parece que vai rasgar!). Mas eu permitia porque não queria desagradar as pessoas, que geralmente só estavam demonstrando afeto pelo bebê.

Mas é sim uma invasão. Achei a idéia da camiseta com o aviso de "não toque" ótima!

Nunca na vida recebi tantos pitacos, dicas e cagações de regra como quando engravidei e pari. Meu deus, é um festival de procedimentos - contraditórios, muitas vezes - que se deve seguir, de expectativas em relação aos seus sentimentos elevados de Virgem Maria, e essa enxurrada de opinião alheia só dificulta todo o nosso processo introspectivo de internalizar essa grande transformação física, mental, social e espiritual (se você é de alguma forma espiritualista) de se tornar mãe.

Já que você é combativa (te admiro, está certíssima) seja livre para se sentir cansada, confusa, desesperada e o que for, tanto agora quanto depois que o bebê nascer, e seja sincera com as pessoas, fale mesmo, faça cara feia, doa a quem doer, pois isso vai te deixar muito mais tranquila para seguir sua intuição e fazer exatamente aquilo que deseja e acredita, dentro do que sua consciência, valores e ética pessoal orientam.

Parabéns pela clareza de idéias e posicionamento político, ninguém tem que ser a super mãe maravilhosa do comercial do sabão em pó, do suco de caixinha, da bíblia, dos filmes, e e o senso comum só vai se abrir pra essa idéia revolucionária de que cada mãe é uma pessoa única e irrepetível e pratica a maternagem do seu jeito todo especial quando nós começarmos a ser mais sinceras em relação a maternidade. Que tem picos de felicidade nunca antes experimentados - e de depressão, culpa, raiva e tristeza igualmente. A gente se depara com o Eu interior profundamente, sem filtros, na prática do dia a dia, e muitas vezes conhecer-se em todas as facetas pode ser assustador. Pra mim foi, eu acreditava muito nas ilusões de maternidade criadas pelo sistema.
Mas justamente quando admitimos essas dificuldades abertamente ao mundo é que conseguimos nos perdoar com franqueza, refletir profundamente sobre as causas destes sentimentos e criar novas oportunidades cotidianas de amadurecimento pessoal e materno.

Desejo que curta sua gravidez exatamente deste seu jeito único, sincero e especial, impondo seu espaço e do seu bebê às pessoas a sua volta para ser plenamente respeitada em sua vida, como merece.

Um abraço virtual,

Laura.

Maria Valéria disse...

Oi, anônimo 21:18

Entendi o que você quis dizer, sim.
Alias, acho que me expressei mal.
A questão nao e " ensinar a dar e receber afeto" , a questão e " cobrar " isso da criança,
Lembro de ter ouvido algumas vezes " você nao deixa a gente fazer carinho em você" , " você podia dar mais carinho pra fulano" ( da família ou amigos ) .
Como eu disse acima, nao sou uma pessoa que gosta de muito contato físico. E nao gostar de contato físico nao quer dizer que a gente nao tenha carinho, muito pelo contrario!!
Quantas vezes nao escutei de uma amiga da minha mãe " você nao se doa como sua irmã, você nao abraça igual, você podia se soltar mais "
Essa amiga nao entende ate hoje que esse e meu jeito.amigos ja entenderam, meus pais, minha irmã e minha tia( irmã da minha mãe , com quem tenho mais proximidade ) depois de muitos anos entenderam que esse e meu jeito.
Dar carinho e afeto tem inúmeras formas : conversar,contar piada, trazer um agrado, um presente que você sabe que a pessoa vai gostar, compartilhar sua vida e pedir opinião, dar risada...enfim...;))
Na minha profissão ( medica ) eu tive que aprender a gostar de contato físico , cumprimento,aperto a mão, dependendo do caso dou um beijo no rosto ( so de pacientes mulheres pra nao dar mal entendido !) ou ate abraço se o paciente quiser, fico feliz.mas isso e lá dentro da profissão,no consultório,,fora dali sou fisicamente evasiva.
Engraçado que nao sou exatamente tímida, falo bastante,converso muito,dou risada,mas fisicamente....sei lá o que acontece, n consigo...;))
Beijos

Marina P disse...

Também acho estranho esse costume de colocar a mão na barriga de mulheres grávidas sem pedir, sem perguntar. Realmente a maior parte das pessoas nunca pensou nisso e várias consideram isso algo usual, quase como se fizesse parte de cumprimentar alguém por ter engravidado. Pessoalmente, eu tenho a dificuldade oposta: não tenho vontade de colocar a mão na barriga de grávidas que não sejam extremamente próximas (acho que só fiz isso numa boa com a minha melhor amiga).

Em mais de uma ocasião me deparei com mulheres grávidas que pegam a minha mão e colocam em suas barrigas ou então com mães de recém nascidos e bebês que colocam a criança no meu colo sem que eu queira pegar, sem me perguntar, etc. Eu me sinto muito desconfortável e geralmente expresso verbalmente o que estou sentindo de uma forma direta mas meio brincalhona e leve, o que ajuda as pessoas a regairem melhor. Não é uma grande questão pra mim, mas é constrangedor e chato. Na minha família ou com amigas próximas não é tão complicado, mas vive acontecendo de uma colega de trabalho engravidar (trabalho com muitas mulheres) e de pegar a minha mão inadvertidamente, colocar sobre sua barriga e falar algo como "ó, agora ele chutou, viu?". O pessoal no meu trabalho é muito extrovertido e eu sou mais reservada...

Sobre criancas serem tocadas ou incentivadas a serem fisicamente afetivas (dar beijos, abraços, etc.) com membros da família, novamente tenho a experiência oposta. Meu pai e minha mãe não deixavam muitas pessoas terem contato comigo por questões higiene e por uma preocupação semelhante à que muitas pessoas estão expressando e eu acredito que isso dificultou muito minha relação e estabelecimento de laços afetivos mais amplos com o restante da minha família. Eles não me isolavam nem nada do tipo, mas não foi a melhor estratégia no meu caso, embora eu aprecie a intenção e o carinho dos dois, mesmo porque deve ser bem difícil decidir tudo isso e criar uma criança! Mas isso fui eu, acho que cada criança reage de um jeito a esse tipo de coisa: criar filhos não é uma ciência exata e, pelo que observo, mães e pais fazem muitas coisas esperando um determinado resultado mas as coisas acabam não sendo tão simples assim. Pra alguns pode soar invasivo essa coisa de beijar tios, para outrxs pode soar natural e para outrxs pode ser a coisa mais deliciosa do mundo. No meu caso, eu evitava esse tipo de contato e gostaria de ter sido incentivada a me abrir mais a isso.

Adorando ler os comentários desse post!

Lola disse...

Já faz um tempo que acompanho o blog, mas esta será a primeira vez que comento. Descobri minha gravidez já com 5 meses e imaginem meu susto. Até então todas as suspeitas eram de um cisto. Enfim, fiquei apavorada, com os mesmos sentimentos que a Maira. Muitos me davam parabens desesperados e outros me amaldiçoavam como se a criança fosse o fim completo da minha vida. O que mais me irritou, foi que pessoas que não tinham filhos, não paravam de repetir para mim e para o futuro pai, que nossa vida agora estava acabada, que esse era um mau duradouro. Eu acabei perdendo as estribeiras com algumas pessoas, porq embora eu estivesse apavorada, achar que minha vida tinha acabado não era o motivo do desespero. Sinto-me péssima quando alguém, especialmente que não seja amigo próximo, resolve por a mão na minha barriga, inclusive quando apertam e cutucam pra ver se ele se responde lá dentro. Pode parecer bobeira, mas eu sinto como se já molestassem meu filho antes mesmo do nascimento. Mesmo agora, vendo o pequeno Antonio começando a se mover e empurrar a minha barriga, ainda não consegui me acostumar completamente. A nossa única certeza, futuros pais do Antonio, é que ele receberá exemplos suficientes para não ser machista ou cultivar qualquer preconceito. <3

luana disse...

eu n ignorei nada,acontece que tem coisas que tem deixar as crianças resolverem se querem ou não,claro que ir a escola n é uma delas.
meus pais n gritavam comigo,n ameaçavam me bater,o incentivo era a chantagem emocional "mimimi os parentes vão ficar magoadinhos" pq eu nunca queria visitar ninguém.

mas como eu era criança isso n importava,acho que pode até incentivar mas se perceber q a criança n gosta,tem que deixar em paz.
é um porre ser obrigada a fazer o que n quer.

de nada RavenClaw

Anônimo disse...

Eu não pego na barriga das grávidas, acho falta de respeito. Exatamente porque eu não gosto de gente sem intimidade pegando em mim. Como eu adoro cortar o cabelo, sempre de maneiras diferentes, tem gente que chega pegando sem nem te pedir. Amigos próximos, meus pais, e unão ligo... Mas aquela vizinha dez andares acima que você só conhece de dar bom dia no elevador? Aí não, né.

Maria Fernanda Lamim disse...

Nossa, identificacao to-tal!! Tb to gravida de 6 meses e acho.um saco esse lance de as pessoas acharem que sua barriga e publica. Tb acho uo do borogodo gente que pede pra pegar recem nascido...isso de chantagear pra dar beijo tb e peeessimo! E a anon que falou do lance de tocar a genitalia do bebe menino "de brincadeira"...estou esperando um menino e ja disse as duas familias que nao quero isso tb. Acho deploravel fazer "ostentacao de penis" de bebe. Ng faz isso qd o bebe tem uma vagina, nao e mesmo? :p

Outra coisa que sempre evitei fzer com gestantes e reduzi-las a condicao de "futura mae" e so falar desse assunto com elas, ou mesmo, no caso de presentea-las (aniversario ou natal,.p ex) so dar presentes para o bebe. Po, alem de mae ela e um individu ne galera? Qd sao datas nao relativas ao bb , dou presentrs para o "individuo mae", hehehe.

Cynthia disse...

Me irritava profundamente durante minha gestação essa "cultura" que barriga de grávida é pública.
Lá pelo meio eu desenvolvi uma resposta padrão "que bom que você acha minha barriga linda! Eu acho a sua bunda linda. Que tal se todo mundo resolver passar a mão na sua bunda sem te perguntar como você se sente a respeito?"
O resultado da minha resposta padrão é que eu fiquei com fama de descompensada e estressada entre os conhecidos. Não ligo, no final até foi útil porque os conhecidos ficavam receosos da minha reação e não tocavam na minha filha sem minha permissão.
Com desconhecidos eu pegava mais pesado e era o mais grosseira possível com a intromissão. Pensava e ainda penso que se toda mulher/mãe reagir com o máximo de força nessas situações de invasão a turma dos sem noção irá pensar pelo menos 10 vezes antes de fazer de novo.

Jac disse...

Deixarei pra comentar o lance das detestaveis maos bobas na barriga de mulher gravida. Quero focar especialmente nessea questao de as crianças terem demonstrar afeto por quem quer que seja, familiar, amigo, estranho, etc.

Sempre fui da opiniao que JAMAIS deve se forçar, nem pedir, que a criança beije, abrace alguem. E li um artigo excellente que explica o porque disso ser tao ruim e desrespeitoso em relacao a criança. Um trecho resume precisamente:

“Cuando forzamos a los niños a someterse al afecto no deseado para evitar ofender a un familiar o lastimar los sentimientos de un amigo, les enseñamos que sus cuerpos en realidad no les pertenecen porque tienen que dejar a un lado sus propios sentimientos sobre lo que se siente bien para ellos”

Link do artigo

http://cnnespanol.cnn.com/2012/06/25/los-ninos-tienen-derecho-a-no-abrazar-ni-besar-a-los-adultos/

Anônimo disse...

Esta geração de mães anda tão cheia de 'mimimis' que a gente tem receio até de olhar para os bebês, para a barriga, então.


Eu nunca coloquei a mão na barriga de nenhuma grávida, até porque acho aflitivo, feia. Sim, eu acho um barrigão enorme feio. Mas, claro que você olha, sem querer, mas olha. Algumas amigas pedem para sentir os pontapés, eu odeio...Digo que não e pronto, a cara vira de um monstro, olhando feio para você. Vai entender...Porém, ultimamente, finjo ser cega e nem dou bola. Não pergunto, não olho. E se for amiga, também não pergunto nada: o sexo do bebê, o parto ( virou uma onda relatar partos no facebook. Algo tão íntimo e elas fazem inclusive um artigo, ou acreditam que seja um artigo acadêmico. A quem interessa esse momento tão pais e filho?), o enxoval e todas essas coisas do tempo da minha avó, mãe, irmãs, sabe. Era tudo mais leve há alguns anos. Essa geração esqueceu o que é leveza.

Eu sei que incomoda ficar perto dessas mulheres cheias de hormônios, descontroladas, engordando ( a maioria fica ansiosa e diz comer por dois, o que é um mito), ansiosas, a maioria engravida sem querer, daí...vai saber, pode até estar com depressão. Então, a melhor atitude é deixar falar. Mas nem ouço muito, porque se a gente deixa, elas falam pelos cotovelos.
E quando os bebes nascem, não gosto de ver recém-nascidos...parecem todos com carinhas de joelho...Aflitivo. Só visito se insistirem muito. Porém, não coloco em meus braços. Mas eu prefiro conhecer quando estão maiores, lá pelos dois anos...E vai lá. Nesta fase, eles estão tão chatinhos, irritantes, chorões...A melhor idade é acima dos 7 anos. Aí, claro, se pode conversar com a criança. Acho super esta fase! Eles são tão mais interessantes...Depende de como estão sendo educados, né? Alguns, sabe, você precisa fugir.

E presentear?? As mães desta geração estão tão absurdamente chatas, que parecem agentes da CIA. Não pode isso, não pode essa outra coisa. Tudo fiscalizado, tudo NÃO, NÃO, NÃO. O que presentear? Livros. Dou livros. E se os pais não gostarem, que doem para uma biblioteca. Mas não dou brinquedos, nem roupas, embora gostaria de dar brinquedos, pois eu fui criança a amava ganhar livros e brinquedos. Mas esta geração de pais estão muito chatinhos, mimados. Será a geração do real, que teve tudo com mais facilidade? Será a geração que cresceu com muita atenção de todo mundo, dos filhos únicos, ou de um irmão? Será o quê?

Uma coisa é ser mãe consciente, outra é ser mãe chata. Se apropriam de mil teorias para elucubrar a chatice. É o que que eu penso. Depois, quando os filhos criam autonomia, já falam, ficam enchendo teus ouvidos das queixas de filhos problemáticos, que eles não têm mais saco, pois não sentem mais tesão pelo marido, namorado, amante. Não saem mais, não têm tempo livre, o corpo não é mais o mesmo, nem a mente...Daí querem que você ouça, mas sem falar nada. Sabe o que eu faço? Se for no meu trabalho, finjo que preciso ir ao banheiro. Ou finjo que preciso ligar para alguém, vou em outro espaço e fico ao celular, fingindo falar com a minha gerente do banco. Se for numa festa de amigos, fujo de pais com filhos pequenos e adolescentes. Se na família, faço de tudo para ficar longe dos problemas dos pais com sobrinhos. Não ouço e digo que nada sei sobre filho.

Sim, eu NÃO terei filho. Não quero ser uma pessoa triste e ansiosa.

Uma pergunta: se elas não gostam que olhem para o barrigão enorrrrme e aflitivo, por que cargas d'águas colocam fotos e mais fotos nas redes sociais da barriga? Fazem fotos super produzidas, como se viessem de uma família margarina? Depois vem a fase dos filhos. Um SACO ver TODO dia fotos de bebês...Algumas até colocam os vômitos...ECAA dos bebês. Se não gostam, por que se exibem tanto? A psicologia, ou a sociologia, talvez, né, explique. Fala sério, só os avós curtem fotos diariamente de bebês. E depende dos avós. Os que têm vida após a aposentadoria, correm dos pentelhos, inclusive as fotos.

Anyway, nem desejarei boa hora para essa mulher, vai que é moda não desejar bom parto, né?

RavenClaw~ disse...

Anon para de ser chatx! Eu disse ali encima que sempre fui uma criança arredia. Fria mesma. Se não é o jeito da criança, como vc explica que desde cedo meu filho seja grudento, beijoqueiro, que sai colando em todo mundo? EU não ensinei isso pra ele. Esse é o jeito dele. E isso desde cedo. Ele não "decidiu" isso mais tarde tarde.

Bruxinha disse...

Eu odiei a gravidez e pela cara de poucos amigos que passei os nove meses ng se arriscava a tocar na minha barriga. Rosnava mesmo! e eu própria não pego em barriga de grávida exceto se tiver muita intimidade e ela me pedir. Tb não fico com essas efusivas congratulações pq vai que a mãe tb não está curtindo a enxurrada de hormônios, né? Se ela própria estiver radiante e comentando muito, felicito e desejo saúde ao bebê.
A maternidade é uma ótima viagem, mas gestar eu achei um pé no saco. Queria ter podido pular essa parte rsrsrs

Alexandra R. disse...

Eu sempre achei invasivo essa coisa de qualquer um já ir metendo a mão na sua barriga qnd vc está grávida e ficava morrendo de receio de acontecer comigo pq eu detestaria...
Mas fico pensando se não seria algo cultural.
Eu moro no Canada há alguns anos e agora estou grávida. Nenhum canadense (amigo, conhecido, desconhecido) nunca demonstrou a minima vontade de colocar a mão na minha barriga - mesmo que alguns demonstrem claro entusiasmo com a gravidez. Uma unica vez uma pessoa pediu para colocar a mão, e era uma colega de trabalho que é mexicana.
Entretanto, entre meus amigos brasileiros que moram aqui, isso já aconteceu algumas vezes... Confesso que me incomodou menos do que eu achava que iria, pois eram pessoas próximas, mas ainda acho que se fosse alguém não tão próximo, eu não iria gostar.
(Não vou nem comentar sobre o pegar, beijar ou pedir beijo do filho alheio, pois aqui, entre os canadenses, isso não acontece de forma alguma, e talvez já pela adaptação, tb não vejo acontecer entre os brasileiros que conheço aqui.)

Musicista Feminista disse...

Sempre odiei essa história de ter que ficar dando a mão e beijo em todo mundo. Hoje já se acostumaram, mas demorou, eu era sempre a esquisita que não pula no pescoço dos outros.
É muito chato chegar por exemplo em um aniversário cheio de desconhecidos e ter que ficar dando beijo no rosto de todo mundo, eu mal dou a mão. É invadir o espaço dos outros isso tbm, mas as pessoas não entendem, mania de brasileiro...

Anônimo disse...

Anon de:21 de março de 2014 09:00.
Vc é mto chatx, pelo amor hein, aflição é ter que ler esse comentário ridículo.

Sacuda disse...

Lendo os relatos e o texto continuo sem entender como ainda tem gente que quer ser mãe.
eu nunca toquei numa barriga de gravida nem fiz bilu bilu em neném, nem pego em nenhum nem muito menos dou palpite porque esse é um tema que me desinteressa totalmente.

Mas boa Sorte as gravidas! E as mães.... Vcs precisam muito,

Anônimo disse...

Depois dizem que ser mãe é bom. Nossa, ser mãe é uma merda! Coitada da minha! Coitada da minha sogra! Coitadas das minhas avós! Coitada das avós do meu marido! Nunca quero ser mãe! Sou casada há 14 anos e nunca quis ser mãe. Nossa vida é tão boa, tão tranquila comparada ao povo que decidiu ter aquelas que optaram por ter um.

Letícia Arcanjo disse...

Vi alguém comentando aí em cima que é frescura ter que passar álcool na mão antes de pegar no bebê. Não é não. Isso de que bactérias e sujeira estimulam o sistema imunológica da criança é mentira, é uma grande falácia. Ter contato com sujeira e bactérias estranhas ao corpo do bebê deixam ele DOENTE. O que estimula o sistema imunológico são as bactérias que o bebê recebe da mãe no momento do parto e as que ele ingere naturalmente na comida. Então sim, tem que estar com as mãos bem limpas antes de segurar um bebê.

Sacuda disse...

Por outro lado tb acho invasivo quando vc ta numa boa e vem gravidas e mães de bebezinhos que so falam nos bebezinhos delas e querem que vc fale "que amorzinhos" quando na verdade vc acha criança tudo monstrinho.

Eu nao gosto de crianças, cada vez que vejo uma gravida me da muita pena da criança que vai nascer. Acho o mundo principalmente o Brasil muito merda pra viver: violento, machista, as pessoas sao muito falsas aqui.

Eu acho maldade ficar gravida, serio.

Sara disse...

Leticia A. creio q o comentário foi meu, mas entenda q se vc o ler verá q não foi bem isso q vc disse q eu falei.
Sempre fui até meio paranoica com questões de higiene, talves pq eu tenha TOC, eu recebi foi muitas criticas nesse sentido, de pessoas q diziam que o meu excesso de higiene com as crianças iriam prejudicar suas defesas.
Nunca cedi as essas criticas e fiz o q eu achei correto fazer, mas a verdade é q minhas filhas são portadoras de alergias, q muitos atribuem ao meu excesso de zelo com a higiene delas.

Anônimo disse...

Eu amei ficar grávida! Foram uns dos melhores meses da minha vida. Estou curtindo muito meu bebê, mas nada se compara à gravidez...

Eu me sentia ótima, super feliz com a minha barriga. Sabe um dos motivos principais? Porque eu sempre fui gorda e me sentia (ainda sinto) mal por isso, mas a grávida tem permissão para ser gorda, para ter barriga, para comer em público sem ninguém de cara feia. Agora, após a gravidez e mais gorda do que eu era quando grávida, eu me sinto muito mal. Só de pensar que está chegando o aniversário de um ano do meu filho e será aquele drama para arrumar roupa, sem falar nas fotos que me registrarão gorda para a eternidade, eu fico muito triste.

Mas mesmo ainda gorda, quero engravidar de novo e me sentir livre mais uma vez.

Sacuda disse...

Ser gorda ou nao ser,se vc se importa tanto com o que as outras pessoas falam ou pensam de vc vc nao vai viver nunca a sua vida. Foda-se o mundo,

Mari disse...

Ser mãe é sim difícil, desafiador, tem obstáculos, pode ser um processo solitário, mas é igualmente maravilhoso, viu Sacuda e outras anônimas que foram agressivas e irônicas. Não precisa ter pena não. Ser mãe não é melhor do que qualquer outra escolha que a mulher tome em sua vida. Nem pior. É uma escolha, ponto. Tem lá seu lado difícil, e também seu lado esplêndido, incrível maravilhoso. Como qualquer caminho que a mulher escolha traçar em sua vida.
Queria falar isso porque vejo aqui a facilidade com que algumas despejam seus ódios contra as mães. Agora que venha uma única mãe falar aqui do quanto a maternidade é maravilhosa que logo aparecem cem para atirar pedras, como se esta mãe estivesse, por expor sua alegria, querendo provocar alguém, ou certamente mentindo.
Eu hein, um espaço feminista onde mulheres deveriam amparar mulheres, mas, ao invés disso, hostilizam mulheres por suas escolhas.

Anônimo disse...

A amiga da minha irmã tinha essa estória de que a 1ª filha só ia falar/cumprimentar quem quisesse... pois a menina cresceu e ficou tão mal-educada que ela passou muita vergonha... depois ela viu que cumprimentar alguém nada mais é do que uma demonstração de educação e que a filha dela tinha se tornado uma pessoa mal-educada. Hoje ela incentiva o 2º filho a falar/cumprimentar todo mundo.

Anônimo disse...

Como tem gente antissocial e com raiva do mundo, comentando esse post. Alguns, se virassem eremitas seriam mais felizes. Li algumas opiniões com um discurso de ódio, como se a mulher que gosta e quer ser mãe fosse uma alienígena. Deve-se respeitar as mulheres que amam a maternidade, da mesma forma que as que optaram por não serem mães querem ser respeitadas.

Ser mãe pode ter mil coisas ruins mesmo. Estou sofrendo no fim da minha terceira gravidez, mas se não fossem as mães, essas mulheres guerreiras que enfrentam essa batalha de carregar uma vida no ventre, a humanidade não teria chegado até aqui.

E quem acha que a vida é boa sem filhos, imagino que seja mesmo e que tenha bons motivos pra pensar assim. Quando eu não tinha filhos eu já adorava minha vida também. Mas eu troco tudo, absolutamente tudo, só pra ouvir meu filho de 4 anos me dizer espontaneamente: "mamãe, te amo muito, você é o amor da minha vida". E é um amor incondicional que só um filho pode dar a uma mãe.

Outro assunto:
Tá certo que obrigar uma criança a ser beijoqueira é péssimo, mas também não ensinar a importância do afeto e deixa-la se tornar mal educada, que não cumprimenta ninguém direito, aí é o fim do mundo.

Anônimo disse...

O machismo se encontra no fato de que, ao estar grávida, a mulher se torna uma "função mágica universal" e perde a autonomia e a individualidade, e essa visão faz com que a grávida se sinda silenciada e anulada, pois o senso comum impele q ela deva estar radiante, tenha q aceitar isso, tenha q achar normal todo mundo pôr a mão nela pq ela está no meio de uma "funçaõ sagrada" de gerar uma criança, ou ainda, acham normal que se intrometam na vida dela para apitar em tudo "pelo bem da criança"