segunda-feira, 14 de outubro de 2013

CORPOS PERFEITOS

Sei que esta notícia já é antiga (coisa de uma semana, o que é antiguidade em se tratando de internet), mas não queria deixar passar em branco. A esta altura quase todo mundo deve ter visto esta "matéria" da revista Marie Claire (clique para ampliar). 
A matéria, ou nota, publicada em 1 de outubro, tinha como título: “Izabel Goulart se despede do Rio e mostra corpo perfeito” E dizia: “Izabel Goulart, sensação do último fim de semana no Rio de Janeiro, se despediu da cidade, na cobertura do Hotel Fasano com uma linda foto de biquíni. Na imagem, compartilhada em seu Instagram, a top brasileira mostra o corpo perfeito que encanta na Victoria´s Secret. Ao fundo, a vista paradisíaca da 'Cidade Maravilhosa'. Entre os fãs da Angel, muitos elogios ao corpo perfeito da top. 'Perfeita... me mata de orgulho' e 'Tchau, vida, vou morrer com essa barriga' foram alguns dos comentários dos seguidores de Izabel. Quem não sonha com esse corpo, não é?”

Pois é, quem não sonha com esse corpo "perfeito"? A julgar pelos comentários na matéria, muita gente:
"Corpo perfeito? essa matéria está ensinando as meninas de hoje a serem doentes, essa mulher precisa é de uma ajuda de nutricionista, logo."
"Parece uma doente terminal de câncer, só faltou estar careca... Não sei onde um saco de ossos é dito 'corpo perfeito'."
"Isso não é beleza, é doença".
"Parece aquelas cracudas do Lins aqui no Rio".
"De perfeito não vejo nada, toda reta, muito magra pra tanto músculo, chega a ser feio, de roupa tudo bem, mas olhe lá!"

A revista acusou o golpe, e uma semana depois (demorou!), se retratou. Mudou o título para "Izabel Goulart se despede do Rio de Janeiro e fãs elogiam: 'corpo perfeito'". No texto, saiu o adjetivo "linda" antes da foto. "A top brasileira mostra o corpo que é conhecido na Victoria's Secret" (não mais que encanta). 
A matéria deixou o adjetivo "perfeita" na boca de fãs da modelo, não mais da revista. E, a parte mais problemática de todas -- "Quem não sonha com esse corpo, não é?" -- foi substituída por "Você concorda com os elogios?" Logicamente, uma pergunta retórica. Afinal, a Marie Claire só reescreveu a matéria porque viu que a maior parte dxs comentaristas não concordava.
A revista incluiu também um update: "Após a publicação desta nota, acompanhamos a reação das leitoras nos comentários e nas redes sociais e, de fato, reconhecemos que muitas delas (vocês) tinham razão. O texto não estava de acordo com a linha editorial de Marie Claire, que é a favor da diversidade e de um padrão de beleza saudável. Por isso fizemos ajustes e pedimos desculpas. Estamos em contato com os representantes de Izabel Goulart para que ela também responda aos comentários das leitoras de Marie Claire."
Há dois pontos bem interessantes neste update: primeiro, o óbvio, que a pressão das leitoras funciona. Segundo, que a nota originalmente publicada tinha sido nada mais que um press release, uma divulgação feita pelos empresários/agentes da modelo ou por alguma empresa, como o Victoria's Secret ou, talvez, até o Hotel Fasano. São os "publieditoriais" disfarçados de matérias jornalísticas que poluem revistas e jornais. Provavelmente uma nota dessas não foi paga. Mas foi publicada pela revista sem que ela pensasse duas vezes. 
Isso fica claro quando a revista explica, no update, que pediu aos "representantes de Izabel Goulart para que ela também responda aos comentários das leitoras".
Apesar da atitude da revista ter sido deplorável (escrever ou meramente publicar uma nota em que um corpo é tido como perfeito e sonho obrigatório de todas e todos), a reação das leitorxs não foi bonita. Nessas poucas mensagens que colhi na primeira página de comentários, vemos o típico body shaming, ou seja, xingar um corpo por suas características (no caso, ser magro).
Perceba como os comentários que publiquei (e que, insisto, peguei de cara, sem procurar) associam a modelo a doenças: anorexia, câncer, vício em crack. Isso não é muito diferente de quem insulta gordas fingindo estar preocupado com sua saúde, é? Você conhece: gordas vão morrer (pessoas magras e com o "peso ideal" -- ideal pra quem, cara pálida? -- vivem para sempre), têm colesterol alto, não conseguem se mexer, são "bolas de sebo", não deveriam ir à praia, muito menos de biquíni, eca! 
Existem muitas mulheres (e homens) magras com um corpo parecido ao de Izabel. A maior parte delas não é modelo. Mas você deve conhecer várias. Muitas comem bem e fazem de tudo pra engordar, mas não conseguem. É o biotipo delas. E, acredite: elas são incrivelmente criticadas por terem o corpo que têm. Parentes, amigos e conhecidos pensam que essas moças são anoréxicas ou bulímicas, que elas estão doentes, frágeis, feias. "Quem gosta de osso é cachorro", dizem pra elas (eu mesma já escrevi essa frase em várias das minhas crônicas de cinema). E não há nada de errado em ser magra. Errado é impor a magreza como único padrão de beleza. 
Algumas moças tentam aproveitar sua magreza para virarem modelos. E, sei que não é fácil de acreditar, mas a primeira coisa que uma agência diz pra elas é que elas devem emagrecer ainda mais. Mesmo que, na vida real, o pessoal as associe a "esqueletos ambulantes", a maior parte delas ainda será gorda demais pra desfilar numa passarela. É só ver como tantas modelos contam que eram bullied na escola, consideradas desengonçadas, demasiadamente altas e magras. 
E por falar em escola, semana passada fiquei sabendo que alguns colégios americanos mandam "boletins do IMC" (índice de massa corpórea) pra casas de alunas. Uma mãe ficou indignada que sua filha de onze anos, muito atlética, jogadora de vôlei, recebeu uma nota dizendo que ela estaria acima do peso. Convenhamos: receber cartinhas institucionais monitorando seu corpo é meio caminho andado para desenvolver um sério distúrbio alimentar.
O IMC é um péssimo indicador para atletas, já que, por causa dos músculos, atletas entrariam na categoria de obesos. Se estamos mesmo preocupados com saúde, bom, pouca gente pode fazer tanto com seu corpo como um esportista. Ainda que os profissionais do esporte vivam feridos, operados, lesionados, digamos que seus corpos são mais "modelos de saúde" que os corpos de top models. E, ainda assim, veja a diversidade desses "corpos perfeitos":
Todos são atletas olímpicos. Dá pra dizer que o corpo de alguma delas não seja perfeito? Ou que um é mais perfeito que o outro? Baseado em quê, fora os nossos julgamentos estéticos, que não são bem nossos, mas moldados por uma cultura que determina quais corpos são perfeitos ou não?
Então é pra se pensar: o que é um corpo perfeito? Existe um? Ou o corpo perfeito é aquele que nos permite fazer o que quisermos fazer? Mas mesmo esta não seria uma definição um tanto capacitista -- em outras palavras, uma definição que deixa de fora pessoas com necessidades especiais?
Talvez, em vez de avaliar corpos alheios, em vez de determinar quem é bonita ou feia (porque os corpos de mulheres são muitíssimo mais avaliados que os de homens, já que ainda se considera que a principal qualidade de uma mulher é a beleza), perfeita ou imperfeita, capaz ou incapaz, saudável ou doente, devêssemos reconhecer a beleza em todos os corpos. Mas isso não é nada fácil. Exige treinamento. Exige assumir que somos condicionadxs a achar perfeito o corpo que toda uma cultura nos diz que é perfeito.

89 comentários:

Ana Carolina disse...

Um dos seus melhores textos sobre corpo e body shaming, Lola. Belíssimo. Não tenho o que acrescentar além dos elogios.

Anônimo disse...

A beleza é um constructo social. No futuro, mulheres com corpos iguais ao da Lola serão Miss Universo. Esse povinho atrasado de hoje não entende, medidas proporcionais e harmônicas é algo muito 2005.

Anônimo disse...

Saindo um pouco do assunto, o que me instiga em episódios como esse relatado é como nós seres humanos somos condicionados pela moral em voga na sociedade. Daí vemos o surgimento de preconceitos e adjetivos daquilo que é bonito ou feio, por exemplo. Se eu fosse essa modelo aí, sentiria vergonha em associar meu corpo à perfeição, mesmo sabendo que esse é o trabalho dela e que, provavelmente, nem é ela quem escreve esse tipo de coisa. A própria situação de idolatria ao seu corpo deve gerar uma sensação esquisita. No final das contas, certamente, nem a modelo acredita naquilo que escreveram sobre ela, o que torna tudo meio surreal.

Anônimo disse...

Muito bom, Lola.
Pessoas magras também sofrem com essa "preocupação" alheia com o nosso corpo. Tive uma sensação super desagradável ao ler os comentários dxs leitorxs na notícia. Ter mais de 20 anos e comprar sutiãs na seção juvenil das lojas não é nada legal.

Cherry disse...

Ótimo texto, Lola. Até os 30 anos eu era extremamente magra. Sempre fui uma criança magricela, tanto que minha avó me levava na "benzedeira" para que eu engordasse. Quando adolescente, tive que fazer exame de sangue para provar que eu era saudável para parentes. Aguentei muito body shaming ("credo, como você é magra!", "tem que comer, senão bate um vento e te leva embora!", "quem gosta de osso é cachorro!"). E eu comia, comia bem e bastante, mas era meu biotipo mesmo.

Depois dos 30 eu dei uma engordada (metabolismo deve ter mudado, sei lá), e me sinto ótima com meu corpo na maior parte do tempo. De vez em quando eu sinto falta da barriga sequinha de antigamente, mas passa. Acho que a gente tem que respeitar as mudanças do nosso corpo, sabe?

Enfim, adorei o texto sobre o outro lado do body shaming. Eu tinha visto uma nota sobre essa "matéria" da Marie Claire e fiquei chocada com os comentários chamando a moça de doente. Não, ela não tem o corpo perfeito porque perfeição não existe. Mas ela não merece ter seu corpo criticado como nenhuma mulher merece.

Anônimo disse...

Tendo engordado 20kg em apenas 6 meses por causa de uma depressão (agravada quando eu percebi que TODOS OS ASPECTOS da minha vida estavam sendo alterados simplesmente pelo fato de ter ganhado peso); acabei sendo uma popular ouvinte sobre questões relativas ao corpo na minha turma da faculdade. Depois de sair da depressão, claro, pois enquanto meu quadro depressivo durou - claramente percebido por todos - ninguém nunca tocava no assunto 'corpo' comigo.
Mesmo ainda estando gorda (algo contra o qual eu ainda luto depois de 3 anos,por enquanto com pouco suecesso, mas sem NENHUMA sombra da depressão, depois de perceber que minha vida não deve ser definida pelo meu peso)algumas meninas me procuravam para conversar sobre assuntos relativos ao corpo, aceitação e bullying.
Muitas falavam: quero engordar, preciso. Ao que eu sempre respondi com uma pergunta crucial: "você tem algum problema de saúde?!decorrente ou agravado pela magreza?" Sempre a resposta foi negativa, e sempre eu complementava com um "então não engorde, você não sabe o que estará fazendo consigo mesma".

Talvez fosse medo de que elas sofressem como eu sofria, caso o regime de engorda saísse de controle. Talvez eu realmente desconsiderasse a falta de confiança dessas meninas da própria aparência simplesmente porque todo mundo acha a magreza bonita, eu querendo muito ser magra, e elas lá correndo o risco de jogarem tudo isso fora assim, sem consideração nenhuma. Mas talvez realmente fosse o feminismo que já nascia em mim, tentando convencê-las de que não importa o que os outros comentassem sobre nossos corpos, nós não tínhamos que deixar toda nossa vida ser definida por sermos magra/gorda. Naquela época eu já estava me revoltando contra todo o 'sistema' que me punia em vários aspectos simplesmente pelo crime horrível de ter me deixado 'chegar nesse ponto' de engorda.

Acho que nunca saberei ao certo a verdadeira essência dos meus conselhos. Mas hoje, depois de 3 anos refletindo, estudando e vivendo o outro lado da moeda; me entristece saber que essas meninas também são privadas de ter uma opinião própria - seja negativa ou positiva - sobre o próprio corpo simplesmente pelo fato de se enquadrarem no padrão: 'está reclamando de que?!"; "engordar?!vc é louca?"; "malhar pra que?! vc não precisa!",etc etc ad infinitum


Até hoje, ainda são pensamentos e sentimentos confusos pra mim.

Anônimo disse...

o corpo dessas modelos é tido como perfeito,ai vem outra matéria com mulheres tipo panicats e tb dizem q o corpo delas é perfeito.
no fim o bonito é ser magra,gordas são horriveis para esses babacas

Hamanndah disse...

Magraza não é "harmonico e proporcional", bundao anônimo. Vc curte osso? Trabalhe num abatedouro...ou ent, namore uma...Vassoura

Priscila disse...

Muito bom, Lola!

Hoje vim pensando em várias postagens que eu vejo no Tumblr de mulheres magras reclamando do padrão de beleza de "curvas", que elas não tem. Por um momento eu pensei "idiotas, do que estão reclamando? Todo mundo quer ser como vocês!".

Nesse momento percebi que eu estava fazendo mentalmente body shaming. Lembrei de uma colega na escola muito magra que todos riam. Ainda considero que elas sofrem menos que as muito gordas, mas mesmo assim ser associada a doente não é legal.

Então precisamos nos policiar e ter o minimo de empatia. Ninguém tá na cabeça dessa modelo. Vai que ela pensa que está feia mas que continua com esse corpo por causa da profissão? Ou pq não consegue mesmo engordar?

As criticas que eu tenho continuam sendo contra a revista que foi irresponsável mas não com a moça.

Lidiane Dutra disse...

Ótimo texto, Lola. Ouço desde pequena diversos insultos direcionados não só a mim, como também aos meus pais. Por ter sido uma criança muito magra, sempre fui taxada de doente, anoréxica, anêmica. Já apontaram o dedo para minha mãe, acusando-a de não procurar um médico pra mim.
Nos almoços de família, sempre entrava em pânico, pois algum parente ia comentar: "essa menina não come","ela é doente", "ela é fraca", e por aí vai...
Mesmo depois de adulta, continuo ouvindo as mesmas coisas, mas aprendi a ignorar e não gerar ansiedade à mesa, pois o fato de pensar no que os outros falariam sobre meu corpo me inibia na hora de me servir. Hoje, consigo frequentar restaurantes numa boa, não ligo mais para o que dizem, mas não deixo de pensar no quanto foi difícil durante a infância e adolescência e o quanto ainda é para muitas meninas.

Beijos!

Anônimo disse...

Lola, sério: se eu fosse rica, te pagaria uma fortuna (e ainda assim seria um valor meramente simbólico) só para ficar escrevendo esses textos! Ô, Lola, mais uma vez e sempre o meu muito obrigada!

MCarolina disse...

Eu tenho uma visão um pouco diferente dessa reação de body shaming por parte das leitoras. Não vejo isso direcionado a essa modelo especificamente, ou às pessoas magras naturalmente, mas uma reação meio histérica em relação à mídia. Todos os dias o tempo todo as pessoas são invadidas com essas imagens em sites, bancas, TV...não dá para fugir. E eles não se contentam em mostrar, mas insistem no "você pode e deve buscar esse ideal". E o ideal é um corpo muito, muito magro de uma mulher muito alta. Como o próprio texto diz, provavelmente uma mulher que já é magra e é obrigada a se manter abaixo do seu peso natural para trabalhar. Embora eu não leia esse tipo de revista e não conheça praticamente nenhuma modelo nem de nome, é algo que chega em você, você querendo ou não. E é muito cansativo e irritante.

Valéria Fernandes disse...

Excelente texto, Lola. Gostaria de passar o link deste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=5JNnutrYuoQ&feature=c4-overview&list=UU7L6zRg6wm7CT21Rfj44yQA Conheci a voggler por ele e ela faz excelentes colocações sobre a questão. Ainda que eu considere a pressão sobre os gordos, especialmente as gordas, muito maior, a forma desrespeitosa como os corpos das mulheres em geral é medido, inspecionado e (des)qualificado é absurda. E, no caso das muito magras, ainda que saudáveis, elas são igualmente enquadradas como doentes e ofendidas com expressões "quem gosta de osso é cachorro" até por mulheres que se dizem feministas nesta internet dos infernos.

Náy disse...

Sabe o que acho engraçado?O meu corpo é naturalmente tão magro quanto o dessa modelo,mas ao contrário dela,não faço sucesso nenhum!Ninguém elogia o meu corpo,só ganho apelidos de mal gosto,tais como cabide,cabo de vassoura,tábua.Vivo tentando engordar,sem sucesso.A minha família e os meus amigos vivem dizendo que preciso ganhar alguns quilos,para o ''meu próprio bem''.Vejo modelos magérrimas fazendo sucesso nas passarelas,mas no mundo real, as coisas não são assim.

Anônimo disse...

Lola, gostaria que você fizesse um post com a sua opinião sobre transsexuais utilizarem banheiros femininos. Vi numa reportagem num jornal local (de Fortaleza) que a luta na UFC é por este benefício a eles, agora que já conseguiram o direito de serem cahamados pelo seu nome social. Obrigada e um abraço.

Anônimo disse...

Se é magra, dizem que é doente, ou viciada em drogas (cocaína, para as ricas; crack, para as pobres), ou fútil. "Quem gosta de osso é cachorro!"
[Antigamente, ao invés de anorexia, se cogitava tuberculose. Minha avó conta que não podia sair com uma prima dela, que era super magrinha, e todo mundo achava que ela era tuberculosa.]

Se é curvilínea e "gostosa", é burra e promíscua. "Tem que saber a diferença entre gostosa e elegante!"

Se é gordinha, é preguiçosa, folgada, complexada. - nem preciso fazer citações, porque todo mundo já ouviu todas, certo?

Não existe "corpo perfeito", eles vão te agredir não importa como você seja. Acho que isso é algo que vamos ter que ter em mente: os haters jamais, JAMAIS, jamais estarão satisfeitos.

Ruama disse...

É um assunto que vem me incomodando há algum tempo e atingiu o seu ápice lendo os comentários sobre essa matéria da Marie Claire.

Eu meço 1,55 m e peso 39 kg, isto faz do meu IMC em torno de 16, ou seja, abaixo do intervalo considerado saudável, mas dentro do padrão imposto por revistas de moda. Engana-se quem pensa que a minha rotina é só aceitação, pois sempre há aqueles que acham que eu deveria ser mais gorda, já que não é saudável ser tão magra assim.

Fiz técnico em Nutrição e Dietética, não me considero uma profissional da saúde (atualmente, concluindo Engenharia Ambiental), mas acho que posso falar com um pouco de propriedade sobre o tema. A faixa de IMC considerada saudável (18,5 ≥ IMC < 25)é baseada em um padrão médio da população adulta, porém, diante da multiplicidade de biotipos, os pontos fora da curva sempre serão muitos. Dessa forma, é muito possível que IMCs abaixo ou acima do ideal representem sim corpos saudáveis. Trata-se, portanto, de um índice norteador da condição nutricional, a qual só pode ser constada via exames clínicos. E lembrando que ser saudável é um conceito muito mais amplo do que ser adequadamente nutrido, que, por sua vez, vai muito além da massa corporal.

Frequentemente, sinto que algumas pessoas (magras e gordas) tentam desqualificar o meu corpo como resposta à opressão que elas sempre receberam por não atender ao padrão de beleza imposto. Algumas mais gordas questionam a minha saúde, algumas mais magras comentam a minha magreza como se elas não compartilhassem da mesma condição e os dois tipos me lembram que secas sem bunda não são bonitas. O que pensam sobre o meu corpo não me abala, mas o que incomoda muito é me sentir objeto de uma disputa na qual eu não gostaria de ser envolvida, já que me sinto bem com o meu corpo e não vejo nada de errado no corpo das outras pessoas.

lola aronovich disse...

Anon, estou devendo um post sobre banheiros para trans há tempos! Vou escrever sim. Já até me perguntaram sobre isso numa palestra, e é sempre um tema complicado. Mas não sabia que a UFC estava lutando por isso (fiquei sabendo na semana passada que o nome social foi aceito na UFC, VIVA!). Por favor, vc poderia me passar o link pro jornal local onde saiu essa informação?


Obrigada pelos elogios, gente ótima. Os comentários por enquanto estão MARAVILHOSOS. Muitas experiências interessantíssimas. Continuem!

Bruna Paludo disse...

Perfeito esse texto, Lola! Impecável!

O mito da beleza ainda (e principalmente) hoje cumpre muito bem o seu papel. não podemos mais desqualificar mulheres por sua competência profissional ou acadêmica, mas podemos desqualificar rapidamente uma mulher por sua beleza. a beleza ataca a autoimagem de uma pessoa, e dizem que para as mulheres beleza é fundamental. então quando alguém te chama de "saco de osso" ou "caminhão de banha" essa pessoa está, na verdade, lhe acusando de ser fracassada, porque se numa coisa essencial você é alegadamente ruim (feia), como é que você pode ser boa em outras coisas?!

como mulher, eu sinto que toda vez que saio de casa (e às vezes, mesmo dentro da minha própria casa), estou com minha autoestima exposta a todos, totalmente vulnerável. eu não estou dizendo que beleza é realmente importante, mas para as mulheres não é fácil ser reconhecida como feia. quando todo mundo repara na sua aparência, você também começa a reparar (isso me lembra aquele tipo de pesadelo em que vc vai trabalhar pelada e só nota quando chega ao trabalho - na vida real, as mulheres estão sempre nuas aos olhos dos outros - e o importante é que vc é a única pessoa nua, estando todas as outras pessoas vestidas, uma analogia que pode nos remeter a pensar que vc é o único que tem defeitos, os outros são perfeitos).
vou falar o óbvio: naverdade, as mulheres deveriam ser reconhecidas como pessoas, assim como os homens o são.
um homem pode ser feio, mas ele é inteligente, ou charmoso. uma mulher pode ser inteligente e charmosa, mas ela é feia. essa é o raciocínio geral. para a mulher, a beleza ainda é fator determinante.

uma mulher nunca vai ser perfeita, nem angelina jolie, nem gisele: elas podem ser magras demais, ou gordas demais, ou comuns demais, ou estranhas demais, ou artificiais demais, ou descuidadas demais, ou vaidosas demais, ou baixas demais, ou altas demais. qualquer elogio pode ser facilmente transformado em uma crítica: uma moça magra passa a ser um saco de ossos, uma moça gostosona passa a ser um caminhão de banha, uma mulher bem vestida e arrumada passa a se excessivamente vaidosa e superficial, uma mulher bonita mas que não dedica tanto tempo para cuidar de seu corpo passa a ser preguiçosa, com pouca força de vontade, que não valoriza sua saúde.

enfim, a beleza é uma forma bem sucedida de controle sobre as mulheres. quem quer as mulheres soltas pelo mundo, se achando poderosas? quem vai segurar essas mulheres que se sentem tão bem com elas mesmas?
minar a autoestima das mulheres é fundamental para elas saberem bem o seu lugar: um lugar baixo, de gente que ainda precisa melhorar, que não chegou lá. o estranho é que nós nunca chegamos lá. lá, para mulher, é um lugar que não existe.
nos vemos torturadas e limitadas pelo pequeno mundinho da beleza, feito só para mulheres, repetindo tarefas incansáveis e intermináveis (maquigem, pele bem cuidada, cabelos bem hidratados, cabelos pintados, dietas) - sim, beleza é o novo mundo da ex dona de casa (hj compramos magreza e beleza e não mais eletrodomésticos), e é a naomi wolff quem diz isso!

o estranho é que as mulheres são as primeiras da patrulha da beleza: são as primeiras a chamar as gostosas de gorda e as primeiras e chamar as magrinhas do padrão atual de saco de ossos. o controle exercido pela beleza é genial, me lembra as pessoas de classe média que defendem os super ricos na esperança de um dia serem super ricos também (oque, estatisticamente, só vai acontecer para poucos). parece que as mulheres se sentem tão inseguradas, estão tão fragilizadas na sua autoestima, que antes de serem atacadas por outra mulher atacam primeiro, como se desqualificar a aparência de outra mulher as tornassem mais bonitas. como se elas necessitassem de aprovação externa para autoaprovação.

a beleza faz com que nossa AUTOestima resida em mãos alheias, e isso é assustador e altamente limitador. nós só acreditamos em nós mesmas quando os outros acreditam. e o que é melhor do que a "beleza", essa qualidade extremamente subjetiva e facilmente mutável?!

Anônimo disse...

Obrigada Lola.

Já estava pensando em vir comentar sobre como as mulheres magras também sofrem body shaming.

Acho que a ideia é nenhum corpo ser considerado perfeito e a gente ficar atacando umas as outras... sempre insatisfeitas.

ma1w disse...

Eu concordo com a MCarolina. Entendo que seja errado combater o preconceito com mais preconceito, mas a reação dos leitores foi compreensível.

A malandragem foi da revista. Primeiro eles tentaram vender a modelo como um padrão. Quando viram que não deu certo, tiraram o corpo fora e deixaram a modelo contra os leitores como quem diz: "eu não tenho nada com isso, vocês que se entendam."

Anônimo disse...

*Kelly*

Acho que corpo perfeito (na minha opinião, claro) é aquele no qual a pessoa está saudável e se sente bem com ele.
É gordinha? Tá com a saúde "ok"? Tá feliz? Então é o corpo perfeito.
É magrinha? Saúde "ok"? Feliz? Então é perfeito.
É fisiculturista? Tá tudo "ok"? Tá feliz? Perfeito também.

Eu peso 51kg, não sou gorda (1,59m), mas me sinto melhor com 48kg (já pesei até 44kg). Ninguém me impô isso. Ao contrário, falam que estou bem, que não preciso emagrecer, etc. Mas é uma coisa particular minha e ninguém (nem namorado, nem família, muito menos a mídia) tem que intrometer.

Por essas e outras acho muito chato alguém ficar cagando regra no peso alheio. Salvo os casos onde a pessoa realmente precisa alterar seu peso por questões de saúde (anorexia, obesidade extrema), acho que ninguém tem de criticar e muito menos ofender a balança alheia.

Um tia minha fica falando pra eu não emagrecer, pq se eu chegar nos 48, serei muito magra e perderei minha bunda (*ei bunda! volta aqui!!!* - tipo isso né?) e que mulher tem q ter "carne" pq homem gosta.

Cara, sério... Nem discuto.

Ana disse...

Incomoda-me profundamente o adjetivo "perfeito". A mim passa a impressão de que qualquer "imperfeição" vira crime inafiançável e torna o "imperfeito" alguém de segunda linha.
X mais gordinhx é a "baleia", x mais magrinhx é o "saco de ossos"... Pô, por que esta necessidade da nossa sociedade de fazer o maior número de pessoas se sentirem da pior maneira possível?

Paula disse...

gente magra que diz sofrer por ser magra eh que nem gente de pele branca dizer que sofre racismo..

por mais que seja ofensivo e minador de auto-estima ser chamado de Olivia Palito ou fantasminha camarada, nao chega a 10% do que os negros/gordos sofrem..

caras pessoas magras, vcs estao numa posicao de privilegio (voltem la no posto da Lola sobre privilegios), vcs nao tem sua capacidade profissional questionada por causa disso, vcs nao sao destratadas em lojas, ninguem controla o que vcs poem no prato, vcs nao tem que comprar roupas de "tamanhos especiais"( que porra eh essa, alguem aqui tem 3 pernas?), vcs tem um "super poder" que 11 em cada 10 mulheres gostaria de ter: poder comer a vontade sem engordar!
Alguma de vcs ja fez dieta de restricao calorica? eh muito chato e a pessoa passa uma fominha sim!

entao, queridas magrinhas, relaxem e "sejem" felizes, que o mundo esta do seu lado (com excecao de eventuais parentes mais velhos, do tempo que pessoa gordinha era sinonimo de saudavel)

elen disse...

anon de 16:51,eu n acredito muito quando uma pessoa diz quer emagrecer por ela mesma,pq praticamente todas as mulheres querem ou já quiseram isso,pq é o que a midia e a sociedade diz q é bonito.

como tb n acredito em mulheres q dizem adorar depilação,todas adoram a dor de se depilar,arrancando os pelos?
pq antes de mais essa ditadura começar,as mulheres nem pensavam nisso?

Cherry disse...

@Paula, ninguém aqui precisa entrar na Olimpíada dos oprimidos para ver quem sofre mais. Acho errado dizer para alguém que é alvo de body shaming "vc está reclamando de barriga cheia" (no pun intended).

E sim, me policiavam com o que eu botava no meu prato. Eu não podia recusar nenhuma oferta de comida, mesmo quando eu não estava com fome.

E sim, já fui maltratada em loja. Lembro uma vez que tirei meu casaco em uma loja para experimentar algo e a atendente falou bem alto "nossa como você é minúscula!". Todo mundo olhou. Só um exemplo, mas depois de muitos anos ainda me lembro disso.

Enfim, mais empatia a todas as mulheres.

Maria Valéria disse...

IMC nao pode ser usado para avaliar uma criança de 11 anos, independente de ela praticar esportes ou nao,
Para crianças e adolescentes, o que vale são as curvas e gráficos de crescimento com percentis de peso e altura, bem conhecidas pelos pediatras,

Julia Faria Codas disse...

É meio doido isso. Vira e mexe as pessoas demonstram "inveja" porque eu posso comer qualquer coisa, em qualquer quantidade, quantas vezes eu quiser no dia e eu não engordo. Alguns falam que as roupas ficam ótimas em mim. Mas tem outros que fazem questão de falar que me acham magra demais, que pareço criança, que mulher de verdade (ahn?) tem que ter carne pro homem pegar (claro, sempre tem o interesse masculino no meio). No final das contas, acho que isso mostra bem que qualquer mulher receberá críticas pelo seu corpo. Até as mulheres que aparecem na Playboy acabam criticadas como "gostosas demais" ou "vulgar demais". Não tem saída! E eu fico me perguntando "quem pediu a opinião de todas essas pessoas? por que as pessoas imaginam que eu quero saber o que elas acham do meu corpo?". Eu que já era magra consegui inexplicavelmente emagrecer ainda mais e eu ODIEI emagrecer tanto em tão pouco tempo e sem motivo nenhum. E as pessoas falavam "nossa! você emagreceu!", às vezes com espanto, às vezes como elogio. Mal sabem elas que cada vez que alguma delas falava isso eu me sentia pior comigo mesma, pensando como eu ia fazer para engordar (cara, eu realmente não consigo). Quase dois anos depois dessa perda de peso repentina eu to conseguindo voltar a gostar do meu corpo. Mas não seria incrível se as pessoas parassem de dar "reviews" sobre o que elas acham da nossa aparência?

Tom Vasques disse...

A primeira vez que eu e meu namorado transamos, nós dois morremos de vergonha. Eu tava (e ainda estou) acima do peso. Ele estava (e ainda está) abaixo de peso.O legal foi descobrir que eu tenho um tesão incrivel pelo corpo magricelo dele e ele tem um tesão incrível pelo meu corpo gorducho. Todos os corpos são imperfeitos, né. Não existe essa babaquice de corpo perfeito. Até mesmo o conceito de "peso ideal" nada mais é que uma balela cultural que varia de época e de cultura. Acho que a gente deveria ansiar por ver manchetes dizendo "Fulana de tal mostra seu corpo lindo e imperfeito".

Anônimo disse...

É tudo uma questão de treinar o olhar. Não há nada mais lindo que pelanca balançando.

Anônimo disse...

É que o público dessas revistas são mulheres e gays. Ninguém que realmente goste de mulher. Veja os padrões da indústria pornografica, que é feita para homens heterossexuais. Nada a ver né?

Anônimo disse...

A questão é para a mulher beleza = poder. Simplificando eu diria que é uma selvagem batalha por poder...

Juliana disse...

Tenhos muitos problemas sobre aceitação do corpo, é uma luta diária.
Eu sou magra e baixa demais. Entre mil neuras, detesto comer em público, mesmo entre amigos e conhecidos, aliás entre conhecidos pior ainda.
Adoro comer, mas se eu encho o prato, é um "prá onde vai tudo isso", se pego pouco "ah é por isso que é magrinha desse jeito". Então durante alguns minutos a minha magreza vira pauta da mesa. Fico com vergonha, e sempre passo fome quando ando por aí porque basta as pessoas olharem pra mim, já não quero comer. É como se o momento em que vou comer todo mundo ficasse me encanrando, sei que parte disso é noia minha, mas ajudaria se as pessoas fechassem a boca,tagarelar sobre o corpo de alguem na frente da mesma é péssimo.
Outra coisa que odeio: a mania de pegarem no meu braço e balançarem tipo: "olha como ela é magrinha", odeio que peguem em mim.
Sou do tipo que sempre compra pra viagem, no refúgio do meu lar.

Anônimo disse...

Nessa parte realmente é vantajoso ser homem. O cara pode ser feio mas basta comprar um Camaro que esse 'defeito' se torna irrelevante, é automaticamente perdoado.

Juliana disse...

Agora que eu vi o comentário da Paula.
Bom, eu meio que entendo (?) sua indignação com pessoas magras como eu, que estamos no lado privilegiado do mundo/beleza/seiláoque.

Eu passei dos vinte anos e tenho o corpo pequeno e bem magro, pareço uma menininha de onze, doze anos. Você não sabe o pesadelo que é ser mulher com o corpo de criança.

Por causa disso, as pessoas ora me tratam com pena, ora desconfiam da minha capacidade,quando abro a boca recebo muitos olhares de:"isso é jeito de garotinha falar", eu não sou garotinha, sou mulher de personalidade forte.

Todo mundo controla o que ponho no prato, se é muito ou pouco, sempre chama a atenção. O pior é quando não quero comer: negar uma refeição é atestado de anorexia.

Roupas de tamanhos especiais...as únicas roupas que servem em mim são para crianças...ou horrorosas que me deixam com um ar deprimente

Já fiz dieta para engordar e nunca deu certo, detesto me obrigar a comer

Acho que o mundo não está do meu lado, não está do lado de ninguém.

Anônimo disse...

A Juliana disse tudo... esse mundo não tá do lado de ngm, é só ver como ficam as mulheres chamadas de "linda" pela midia, a pressão pra que continuem lindas é tanta, que elas mesmas piram na batatinha...

Brigit Bardot mesmo foi uma que cansou de ser linda e na velhice largou de mão de parecer bonita. Ela dizia que ter de ser linda sempre na juventude a fazia muito infeliz, que ela se tornou muito mais feliz depois que não se importou mais com isso.

Eu sempre tive o corpo considerado bonito, tinha 97 de busto, 74 de cintura e 94 de quadril, cabia numa calça 40/42, mas o que eu mais ouvia eram críticas.

Engordei 25 quilos e aí começaram a dizer que antes eu era "linda"... aí sabem dizer, né.

Agora que emagreci e minhas medidas estão próximas do que um dia foram, me elogiam e dizem que "agora sim você arruma um namorado".

É cruel, não me sinto mais feliz por estar mais magra, é um sistema feito para apontar nossos defeitos sempre, pra nos deixar infelizes sempre.

Hamanndah disse...

Se é assim, vcs estão f.... Meu amigo, sabe quantos brasileiros possuem um camaro? Pelo visto, no seu ponto de vista, o que tem de homem sozinho no mundo não tá no gibi, hein, anônimo patético ?

Anônimo disse...

E precisa xingar a modelo por causadisso? Parece q vc Lola e suas colegas acham o máximo quando ver uma mulher que vcs consideram 'padrão da sociedade' ser xingada, um festival de comentários misóginos, machistas e até homofóbicos em ataques a moça. não sei que feminismo é esse em que se delicia em ver uma mulher ser xingada apenas pelo fato de ser magra demais e mesmo que ela estivesse doente isto não seria motivo para xingá-la e sim para acolhe-la e sendo que a própria obesidade já é uma doença de fato também. Com este tipo de comportamento Lola, só vai sobrar feministas dentro do padrão cada vez mais restrito das feministas do que uma mulher deve ser. Mais humildade sua e de suas coleguinhas por favor.

Madeleine disse...

Oi, Lola. Ler teu blog é sempre uma terapia para mim. Tenho uma amiga que é bem magra e cansei de ouvi-la contar que as pessoas mandam que ela engorde, que se cuide, afinal está "doente". É triste porque ela se acha muito feia e esses comentários só agravam esse sentimento, embora eu sempre tenha tentado fazer com que ela enxergasse o quão maravilhosa ela é. Concordo com tudo que você disse, principalmente com o final do post. É tão difícil admirar aquilo que nos foi imposto como "feio" ou "imperfeito". Lembro de uma atriz que gosto muito, a Bette Davis, e de como ela sofreu na sua época por fugir aos padrões de beleza. Teve de lutar para provar que era talentosa, já que não cumpria com o papel de ser "bonita". Isso aconteceu lá na década de 30, é triste ver como esse tipo de coisa ainda se arrasta até hoje. O que eu acho mais triste é que, no meu caso, mesmo concordando com tudo que está escrito, continuo me achando feia e acima do peso. Tenho certeza de que algum dia irei mudar esse pensamento em mim e me admirar como sou. Ainda tenho muito chão pela frente.
Ler seu blog me ajuda nessa luta incessante entre aquilo que realmente somos e o que nos querem enfiar goela abaixo.

André disse...

Concordo com a MCarolina.

Joana disse...

Eu sei que é um começo tímido, mas as pessoas que apontaram os conceitos absurdos mais uma vez expostos pelo senso comum da mídia foram capaz de fazê-los recuar e desajeitadamente tentar corrigir as distorções.

Agora, acabei de ver a nova propaganda da renner para o verão, uma propaganda que no ano passado foi super criticada porque a mulher dizia que todo o sacrifício com a dieta e exercícios tinham valido a pena e desfilava feliz por rapazes boquiabertos por sua "magreza" e na propaganda de hoje a modelo diz "sabe verão aqueles quilinhos que prometi perder para vc, então, não perdi e o importante é estar com vc.." mais ou menos isso e a modelo que diz isso é plus size. O resto da propaganda é mais do mesmo.

O importante é que podemos e fazemos a diferença. Se não querem desagradar vão ter que parar com esse desrespeito as pessoas de verdade. E vamos reclamar do que não é certo.

André disse...

Anônimo 20:07,
Discordo de muita coisa que a Lola escreve, mas esse post foi extremamente equilibrado, leia de novo.

Léty Hyuuga disse...

Ô anônimo das 20:07, em que parte a Lola xingou a modelo? Pelo contrário, ela mostrou repudio às pessoas que xingaram, nos comentários da matéria. Comentou sem ler o texto, ô anta?

Analfabetismo funcional é foda... ¬¬

Náy disse...

O nosso corpo nunca está bom mesmo.Na infancia eu era gorda e fui mega discriminada-as crianças sabem ser crueis!-.Quando entrei na adolescencia,emagreci totalmente com o tal do estirão.De gorda passei a ser a magricela sem ter feito nada pra isso.E todas a discriminação,as piadinhas de péssimo gosto continuaram.O que mudou é que antes eu era a baleia e agora sou o cabo de vassoura.Tenho 23 anos e aparento 14 e olha que já sou até mãe!Já chegaram até a perguntar para o meu esposo, que é apenas 3 anos mais velho que eu, se eu sou filha dele,situação constrangedora para ambos.

Anônimo disse...

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2013/10/vazam-imagens-de-bbritney-spearsb-manipuladas-para-work-bitch.html

agora eles retocam até imagens em videoclipes! #chocada!

Anônimo disse...

Vem cá, cc leu o texto acima? Aquele que vem antes dos.comentários..

Anônimo disse...

Homem feio + Camaro = Mulher bonita

Mulher feia + Camaro = Homem feio

Entendeu ou precisa desenhar?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Por um lado acho muito bom uma reação em massa contra um padrão de beleza imposto dessa forma, como único e perfeito. Isso só é possível através da internet. Até pouco tempo, a mídia de certa forma mandava e todo mundo se calava, não tinha um canal pra que qualquer pessoa sem algum poder pudesse se pronunciar, então a impressão é que todo mundo concordava com tudo e pronto.
Mas é claro que não é legal esse bullying contra qualquer tipo de corpo.

Maria Valéria disse...

Creio que as gordinhas sofrem bem mais preconceito e xingamentos que as magras, mas colocar esse post nao quer dizer que a Lola invalida o sofrimento das gordinhas !!! As magras tambem sofrem sim, eu sou uma das que queria fazer regime pra engordar, que ate o namorado reclamava da minha magreza e as amigas da minha mãe viviam me chamando de " seca" Agora vamos dizer que estou meio cheiinha, nao aparenta tanto porque minha gordura fica no quadril e nao na barriga e essa amiga da minha mãe que me chamava de " seca" agora diz que estou " gostosa"
Nunca morri por causa disso, mas acho bem diferente do que uma gordinha passa ( tenho varias amigas gordinhas e posso confirmar )
So que vamos combinar, que nao e legal entrar em competição " quem sofre mais, quem sofre menos?"
Eu nao sofri tanto porque sempre fui falsa magra ( com quadril) , sempre falam que meu corpo e bonito.nao reparavam tanto antes de eu engordar,fato :p
A Lola ja publicou trocentos posts com depoimentos de gordinhas sofrendo por " nao se enquadrarem nos padrões " , vamos dar uma chance das magras que tambem se sentem mal por " nao se enquadrarem " tambem falarem??
Caramba, todo sofrimento e legítimo,
;))
Beijo

Anônimo disse...

Anônimo das 21:15, acho que você ainda não se ligou que aqui é neoliberalismo e que, para sua infelicidade e desespero, mulher feia + camaro = homem bonito, aliás, homens, no plural, quer você esperneie ou não. Já pode acordar para a realidade. Ah, gente, e sobre os magros que aqui deixaram o seu depoimento, compreendo a dor de vocês, mas cabe lembrar que o mundo, tanto as cadeiras/poltronas como as portas, foram feitos para que vocês, e somente vocês que são magros, possam passar tranquilamente, sem maiores constrangimentos. Beijos.

Tom Vasques disse...

Gente, mas que coisa irritante essas pessoas que jogam a culpa da exigência da mulher magérrima como "coisa de gay". Pois eu sou gay e gosto de mulher inteligente e de bom humor, e tô pouco me lixando pro corpo delas, cacete!

Patty Kirsche disse...

Eu costumo dizer: "É claro que meu corpo é perfeito: eu vivo nele e não tenho outro".

Anônimo disse...

Esse "x" torna a leitura insuportável.

Anônimo disse...

Precisa ouvir isso hj, obrigada.

Anônimo disse...

ser chamada de saco de osso é ruim, mas é muito pior ser chamada de gorda escrota.

Sim, até na desgraça há privilégios.

Anônimo disse...

Em relação ao post da Paula,concordo com a Juliana e Cherry..só porque você vê o tempo todo pessoas magras nas revistas,não quer dizer que todas as magras serão elogiadas da mesma forma...acho que ambas sofremos da mesma maneira..é muito chato TODA a vez que vou comer com parentes coisas do tipo"Ah,por isso que é magrinha" ou "Me passa a sua lombriga",o fato de simplesmente pessoas te falarem "É bonita mas não tem peito" Hã? ou toda vez que te abraçarem comentarem "nossa,como você é pontuda" e essa balela de dizerem que tudo que uma magra põe fica com um ótimo caimento é mentira!

Heloisa disse...

Muito bom o texto, Lola, sobre um assunto que realmente deu o que falar. Mas eu gostaria de fazer um adendo em relação à magreza.

Existem mulheres magras, magrinhas, magricelas, Olívias Palito e...... modelos. O padrão de magreza delas simplesmente não é da natureza humana. Se uma menina extremamente magra entrar em uma agência de modelos, como você mesma disse, receberá instruções para emagrecer ainda mais. Esse corpo magro das modelos não é o corpo da mulher magrinha que conhecemos. é um corpo muito mais magro, que só pode ser adquirido com dietas à base de rúcula com gelo (como já confessou a Adriane Galisteu), , cocaína (dieta da Kate Moss), café (dieta da Carré Otis, citada em outro post) e outras dietas que são uma aberração à natureza. E tentam vender isso como "perfeição". Por isso, acho que sim, o corpo das modelos deve ser criticado, pois eles são mutilados para servir a um padrão irreal. Ou vocês realmente caem nessa história de que a Gisele Búndchen se esbalda em churrasco?

Um viva para as gordinhas, atletas, gordas, magras, curvilíneas, musculosas, magrinhas e a todos os corpos que encontramos por aí. Desde que não tenham sido mutilados.

Vitória disse...

Não vou mais repetir minha experiência com a magrofobia pq já estou cansada e sempre aparece alguém para transformá-la em algo secundário ou inexistente. Como Judith Butler aponta, o feminismo tenta tanto criar uma categoria de "mulheres" onde todas se identifiquem, mas falha nessa tarefa pq não consegue apreender todas nós. O próprio movimento feminista cria categorias de exclusão e silenciamento, já que toda vez que problemas específicos, como a magrofobia, entram em pauta, aparece alguém dando a entender que ele não é importante, ou tratando como algo secundário: "as mulheres muito magras ATÉ PODEM sofrer algum preconceito, mas as gordas sofrem muito mais" como se fosse uma espécie de olimpíada da opressão ou algo assim. Embora muitas não percebam, esse "até podem" disfarçado de concessão limita o debate e não ajuda em nada na resolução de problemas específicos enfrentados por mulheres reais que estão fora ou dentro das passarelas (já que criou-se o mito de que as mulheres que estão na indústria da moda não são reais, mas sim apenas representações do "ser mulher"). Ao invés disso silencia o discurso de quem já sofreu na pele algum tipo de opressão, e no caso das mulheres que sofrem com a magrofobia essa condição é condenada à invisibilidade ou à ridicularização. Em suma: o feminismo que repete tantos termos novos, como "sororidade", para falar de uma irmandade entre as mulheres, não consegue viver isso na prática. E consigo ver outro ponto crítico: muitas vezes o feminismo tenta criar uma ideia de mulher universal que teria problemas universais comuns em qualquer sociedade, o que é utópico. Adotamos muito o discurso dos feminismos dos países "centrais" (Europa, América do Norte) onde o culto à magreza extrema realmente é problemático, mas aqui no Brasil, um lugar periférico no panorama internacional, as coisas são diferentes. Os padrões aqui são diferentes e na mentalidade coletiva dos brasileiros o culto à magreza extrema é praticamente inexistente. Existe sim um culto ao corpo, mas ele não admite nem o excesso quanto a ausência de peso, e por mais que essas revistas (muitas com origem nesses países centrais que tem seus equivalentes no Brasil) tentem emplacar o padrão europeu e norte-americano de beleza, não conseguem. A prova disso é a reação extremamente negativa sobre o corpo da Izabel Goulart. E me choca que muitas feministas tenham se escandalizado mais com o texto da matéria inicial (que tb achei extremamente inconsequente e surreal) do que com o body shaming sofrido pela modelo. Pelo contrário, várias feministas praticam esse body shaming também, deixando a tal sororidade de lado.

(continua)

Vitória disse...

(continuando)

Um problema pouco discutido é pq ainda tem garotas e mulheres que desejam entrar na indústria da moda, mesmo em um país onde a magreza, definitivamente, não faz parte do padrão hegemônico. Há sim aquelas que não se encaixam nos corpos exigidos por essa indústria e que mesmo assim desejam entrar nela, mas o que eu vivi na pele e o que vi outras meninas vivendo foi o seguinte: pouquíssimos lugares admitem a magreza extrema, e um deles é justamente a indústria da moda. Depois de uma vida inteira se sentindo fora de lugar, ouvindo que seu corpo não é desejável, nem bonito, nem feminino o suficiente, vc vai atrás dessa indústria com a finalidade de ser aceita. Foi essa razão que me fez entrar numa agência de modelos uma vez, e ouvi diversas outras garotas pontuando esse mesmo motivo. Aí, uma vez que vc está dentro dela, será tratada como um cabide, um objeto e é aí que aparecem muitos distúrbios alimentares, pois como a própria Lola apontou, muitas vezes os produtores pedem para vc emagrecer mais. No meu caso, mesmo eu sendo apontada como um palito pela sociedade, exigiram que eu diminuísse minhas medidas, o que não fiz e saí da agência logo depois. Mas muitas meninas continuam e algumas desenvolvem anorexia, bulimia e esses transtornos que já conhecemos (lembrando que uma grande parcela delas tb desenvolvem depressão ou já entram nesse mundo com a doença).

Vitória disse...

(continuando)

Como o feminismo vai atrair essas mulheres para o movimento (o que acho extremamente necessário, pois acredito que ele é capaz de salvar vidas)? Já cansei de ver páginas feministas demonizando o meu corpo, tratando-o como sinônimo de opressão às outras mulheres. Poxa, meu corpo não é uma violência, não é uma opressão! Aí de um lado tem uma sociedade inteira apontando-o como ridículo, feio e inaquado para o "gosto dos homens" e de outro tem feministas apontando-o como causa de morte e sofrimento de muitas que não conseguem tê-lo. Isso só afasta possíveis companheiras que não se identificam com esse discurso e, com uma autoestima completamente abalada, preferem continuar na agência sendo tratada como mero cabide. Antes ser um cabide e ter a promessa de algum dinheiro, fama e admiração (embora na grande maioria dos casos isso não ocorra. poucas conseguem atingir o "topo), do que continuar sendo tratada como inadequada, fora ou dentro do feminismo.

Eu, como mulher extremamente magra para os padrões, posso dizer que não consigo me sentir completamente à vontade dentro do feminismo por esse motivo. A magrofobia marcou minha vida e minha autoestima de tal forma que adoraria discutir isso e encontrar a tal "sororidade" entre as companheiras, mas não consigo, pq todas as vezes tombo com práticas discursivas de silenciamento e exclusão da minha experiência, que ao meu ver não deveria ser vista como algo menor do que outros tipos de opressão vivenciados por outras mulheres. No feminismo perfeito todas teriam voz e nenhum problema que recai sobre o gênero seria menos digno de atenção. Mas como eu disse esse feminismo é utópico.

Vitória disse...

(continuando)

Eu só espero que essa discussão tenha oportunidade de evoluir, pois esses problemas são reais e muitas mulheres poderiam ser salvas.

ka Lima disse...

Oi Lola!!!
Adorei o texto, e sempre convivi com essa contradição das pessoas nesses casos.
Tenho como vizinha uma menina bem magrinha e todos da casa dela criticam ela ser tão magra(como se fosse culpa dela) mas ao mesmo tempo vivem querendo emagrecer.
É como dizem: se vc é gordo, é gordo demais. Se vc é magro, é magro demais. Se vc é alto, é alto demais. Se vc é baixo, é baixo demais. Se vc morre:- Ah, era uma boa pessoa.
Vc sempre vai ser criticado, cabe a vc julgar o que é construtivo e o que é destrutivo.
Meus parentes que são em sua maioria gordos, me criticam por ser gorda. Mas eu já disse e repito pra mim mesma que eu só devo emagrecer por mim mesma e não pelo que os outros dizem.
Bjus, adoro o seu blog e os comentários tbm!!!

Vitória disse...

Paula


Não tente falar pelas magras e nem desvalidar as nossas experiências. Controlam o que comemos sim! É difícil encontrar roupas sim (no meu caso que sou magra e alta então nem se fala)! Já sofri policiamento no trabalho por causa do meu corpo sim! E não, não tem nenhum privilégio em ser apontada como anoréxica, doente, esquálida, feia e menos feminina. Se vc acha que estar abaixo do peso é um privilégio que devemos assumir, então fique esperando sentada. Não vou assumir um "privilégio" que só destruiu minha autoestima e que me levou a desenvolver uma depressão que quase me matou! Vc não sabe 1/3 das coisas que outras mulheres passam. Eu não desqualifico e nem trato como algo secundário o que as gordas, deficientes físicas, negras sofrem, então não venha cagar regra em cima de mim e de ninguém. VC NÃO TEM ESSE DIREITO!

Vitória disse...

Paula

Outra coisa, comparar nossa situação com quem reclama de "racismo contra brancos" é RIDÍCULO, DESCABIDO e de MAU GOSTO. Procure um argumento melhor para tentar desqualificar a experiência alheia.

Anônimo disse...

Querida Lola e leitoras,
sobre essa questão da beleza dos corpos eu só adicionaria um ponto:
não existe corpo sozinho, não somos objetos. Até as estátuas são pensadas em termos de textura/luz, nós é que desaprendemos a lidar com nossa presença no espaço. Não é à toa que muita gente se surpreende qd começa a praticar esportes ou dança, como se um novo mundo se abrisse.
Gordinha ou magrinha, todas podem ser lindas, desde que saibam se portar, caminhar, sentir, ser... e, p/ todas, é necessário coragem e amor.
Bj grande.

Anônimo disse...

magras n sofrem nem 1% dos q nós gordas sofremos,vcs q estão aqui,reclamam a toa.
tenho 25 anos e até hj não consigo emprego de carteira assinada pq sou gorda demais para os padrões doentios,isso afeta toda a minha vida,ja estou em depressão,tenho 100 kg ,portanto para a sociedade sou nojenta e incapaz de trabalhar.

isso nunca vai acontecer com uma pessoa magra,mesmo q n esteja dentro da magreza ideal.

'O DIÁRIO' por Mãe Solteira disse...

Vi um texto seu publicado no facebook e gostei muito
vou seguir

Mariana disse...

Acho que a MCarolina levantou um ponto interessante. Muitos dos comentários são reações de pessoas cansadas da imposição de um padrão único e inatingível por parte da mídia e da indústria da moda. Pra uma maioria das mulheres, que não têm predisposição genética pra serem magras e mais altas do que 1.75, ter essa aparência é quase impossível, daí os distúrbios alimentares, as cirurgias arriscadas e as rotinas massacrantes de exercícios.

O problema é levarem o cansaço e a indignação com o padrão pro lado pessoal. A modelo X ou Y não tem culpa de toda uma indústria que vende a magreza extrema como padrão e não é ridicularizando os corpos magros que vamos contribuir para conceitos mais inclusivos. Como disse a Lola (Anônimo preguiçoso e analfabeto funcional das 20:07, a Lola NÃO XINGOU a modelo e criticou os comentários agressivos!), muitas mulheres têm o biotipo naturalmente magro e não é nada legal ser automaticamente associada à anorexia, ao vício em crack, ao câncer, etc. No mundo real, essas meninas super magras também sofrem, porque aí "falta curva de mulher, falta carne pro homem pegar (preguiça mor)". Se repararem, várias modelos têm um corpo ainda mais impossível de ser atingido, que é a super magra com cintura curvilínea (reparem que algumas entortam o quadril nas fotos pra criar essa impressão) e seios fartos. Ou seja, como disse a Juliana, esse mundo não está do lado de ninguém.

donadio disse...

Quem lembra da velha fábula do menino, o velho, e o burro?

A opinião dos outros é apenas isso, a opinião dos outros. Se vc der trela pra isso, acaba enlouquecendo.

Anônimo disse...

anon das 20:55, já fazem isso há algum tempo na verdade, em filmes e em clipes(mas dizem que essa fto vazou de propósito já q a britney não está ruim na vs original). No clipe de Piece of me isso também ocorre(por ex tem uma cena que quase que sumiram com as coxas dela, é ridículo). E eu só fui saber disso uns anos atrás quando a Mariah carey apareceu com um ''corpo perfeito'' de bikini no clipe sendo que nas fotos da filmagem não era assim. Photoshop não é só em foto infelizmente.

Adriana Tucci disse...

Lola o texto é excelente!
Padrão de beleza eh o que cada um sente bem e seja saudável.
Eu sou super magra (eh minha constituição), gosto de ser magra, mas cuido muito da saúde.
Já ouvi de tudo, elogios e criticas diários.
Bom, confesso que fiquei ofendida com uma das fotos da matéria, a que tem duas mulheres uma mais cheinha e a outra magrinha e tem uma seta dizendo que a cheinha eh gostosa e a magrinha eh ridícula!!!
Por que isso???
Então, qdo se institui 'magra' como bonito eh errado e qdo se institui 'gordinha' não eh???
Penso:O mundo eh plural e qq tipo de classificação e padrão eh separatista, preconceituosa e banal. Para mim esta foto eh pura bobagem e preconceito!
Um beijo,
Adriana Tucci

Maria Valéria disse...

Engraçado pessoas criticarem magras que estão insatisfeitas ,entendo que nao tenho problemas em passar pelas portas,catracas,etc, mas quando namorei um gordinho e escutei de um cara que se achava o deus grego " seu namorado nao passa por aquela porta " fiquei tão sentida e tão magoada como se a ofensa tivesse sido para mim.
Magros tambem tem o sentimento de empatia, viu?

Anônimo disse...

Só tenho que dizer que concordo em número, grau e gênero com o que a Vitória disse.
Se você for magrela vai ter que aprender a sofrer em silêncio, caso contrário verá sua dor ser desacreditada pelas pessoas ou então ouvir que está reclamando de boca cheia. Machuca muito ver mulheres diminuírem o sofrimento de outras mulheres.

Helen Pinho disse...

o principal problema que vejo é que as pessoas continuam vendo nossos corpos como algo que deveria satisfazer o outro, nem tão gordo, nem tão magro, por que se não "nenhum homem vai te querer", "nenhum homem vai querer casar contigo", "nenhum homem vai querer te comer". sério que vou regular meu corpo, pensando só no outro? dependendo do namorado a criatura vai oscilar 20kg. não, não somos comida, não somos enfeites, não somos de alguém. mas isso é tão forte que além de sim, regularmos o nosso corpo pensando se será aceito ou não pelo o outro, ainda nos sentimos no direito de agredir o outro, só pela forma do seu corpo, sabe o corpo dele - só dele.

Anônimo disse...

"isso nunca vai acontecer com uma pessoa magra,mesmo q n esteja dentro da magreza ideal."

Como você sabe?

E se eu disser que sou magra e passo por isso? E aí? É mentira minha?

Anônimo disse...

Concordo com a Adriana Tucci.

Daniel disse...

Não sou profissional da área mas gosto de estudar sobre nutrição e saúde mesmo porque sou um dos milhões de brasileiros que luta contra o excesso de peso (que no meu caso traz sim, problemas de saúde).

O que aprendi foi o que o IMC é um indicador muito eficaz para fins epidemiológicos. Se uma população está na média com o IMC alto, pode-se afirmar sem medo de errar que há um problema de obesidade como questão de saúde pública.

Mas para o indivíduo o IMC não diz muito como indicador, porque é afetado por inúmeras variáveis, especialmente a massa muscular e a ossatura. Muito mais relevante como indicador de obesidade é o percentual de gordura que pode ser aferido por exame clínico com um bom médico ou nutricionista.

De resto essa arrogância da patrulha da magreza ou da gordura é cansativa. É gorda? E daí? O que o interlocutor tem a ver com isso? É magra demais? Quem disse? Foi lá com a pinça medir o percentual de gordura? Não??? Então fecha o bico.

Obesidade ou anorexia são DOENÇAS algo que, por definição, só podem ser diagnosticadas por um médico ou nutricionista. Essa turma que faz isso vendo fotos na internet deveria ir a uma biblioteca porque ignorância tem cura: educação.

mebarak ludgero disse...

anon de 15:04 é mentira sim,parece até deboche vc vir falar que n consegue emprego por ser magra,as empresas n discriminam magros,se vc n consegue com certeza é por outro motivo,n foram com a sua cara,n acharam que vc tinha qualificação suficiente...

eu só consegui emprego depois q emagreci,era mais gorda do q anonima q vc respondeu,consegui emprego num shopping q me ignorou totalmente quando eu era gorda,cansei de deixar currículo nele e em outros lugares e nada de entrevista,para os gordos nem a oportunidade de saber se vc é qualificado ou n é dada.
o shopping é enorme,umas 500 lojas sabe quantos gordos tem lá? nenhum,pessoas um pouco acima do peso,"cheinhas" até tem mas obeso como eu era n tem mesmo.
e isso é em tudo,até telemarketing q eu pensei q isso importaria menos tem discriminação,cansei de ver anuncios de vagas exigindo boa aparência.
é um absurdo.

enadla maga lee disse...

Bem, vou postar minha opinião... Realmente para MIM acho ela muito magra, mas também a pessoa não precisa ser o oposto, tem que ser é bem amada... realizada e feliz, daí vc será bela

Helen Pinho disse...

a questão é que não importa o que tu, eu ou qualquer outro ache. é uma falta de educação e sensibilidade ficar julgando o corpo do outro e dizendo o que tu acha ou não dele. se ela fosse ver esses comentários sobre o seu corpo, ninguém percebe o quanto a machucariam?

donadio disse...

"anon de 15:04 é mentira sim,parece até deboche vc vir falar que n consegue emprego por ser magra,as empresas n discriminam magros,se vc n consegue com certeza é por outro motivo,n foram com a sua cara,n acharam que vc tinha qualificação suficiente..."

Eu vejo pessoas gordas empregadas, em todos os níveis, de faxineiro a CEO. Vou dizer que é mentira quando você diz que foi discriminada no mercado de trabalho por ser gorda?

Sério, as Olimpíadas da Opressão não estão com nada.

donadio disse...

"A beleza é um constructo social. No futuro, mulheres com corpos iguais ao da Lola serão Miss Universo. Esse povinho atrasado de hoje não entende, medidas proporcionais e harmônicas é algo muito 2005."

Quando o escritor francês Guy de Maupassant escreveu um conto sobre uma mulher extraordinariamente bonita, ela a chamou de Boule de Suif - Bola de Sebo. Era um elogio, entende?

Então, sim. Beleza é um construto social. Não sei se a Lola corre o risco de ser eleita Miss Universo, mas é muito possível que daqui a cem anos o padrão de beleza, se ainda existir, corresponda a pessoas que hoje seriam consideradas feias.

Engraçado como as pessoas pensam que o mundo começou em 1950 e não mudou nada de lá pra cá.

Marcia Alvim disse...

O foco está nas medidas.... o que é muito triste. Acho que a mídia está muito irresponsável quando fala sobre “nutrição”; injetando várias idéias errôneas sobre tipos e quantidades dos alimentos. Estou preocupada em ter saúde, em estar nutrida. Saúde e Paz.

lua disse...

Também concordo que tanto a magra como a gorda sofrem o controle do corpo.
Sou cotra as discriminações sofridas pelo padrão de beleza, que inegavelmente é magro, portanto, há mais preconceitos voltado para gordofobia.

Agora, minha preocupação vai além. Penso que o controle do corpo é inclusive voltado para a comida.
A epidemia de obesidade mostra que a sociedade nos entope de comidas como formas de vender a felicidade em uma sociedade que não nos satisfaz, em uma sociedade individualista, solitária e cheia de vontades não realizadas. Isso é uma forma de controlar o corpo, nos fazer doentes e dependentes destas comidas que mais traz doenças que auxílio para uma vida plena.

Sou socialista, por isso acredito que temos que mudar tudo para que isso mude, não adiantando portanto saídas individuais.
Só acho que o meu feminismo também precisa problematizar o controle do corpo não só no sentido da aparência (combate a gordofobia e aceitação), mas também sobre o que comemos como forma de controle de nossa vida. Ao que parece, estamos nos tronando refém da indústria do junk food.
abraços

Celso Carlos Gomes Goneçalves disse...

Belo texto. Retrata o que a GRANDE maioria pensa a respeito dos esqueletos que nos são apresentados como padrão.

Anônimo disse...

Sou magra - meu corpo é como de uma adolescente e eu tenho quase 24 anos - e sempre vejo comentários rudes, grosseiros sobre mulheres magras, em especial no brasil onde a cultura é de um corpo feminino de coxas roliças, seios e bundas grandes, muito grandes.
Izabel tem uma profissão, a magreza dela é valorizada lá e entra em conflito num país (EUA) onde a população caminha em direção a obesidade. O brasileiro tende a desmerecer uma para enaltecer outra. Tratam mulheres como algo consumível - "quem gosta de osso é cachorro" - o corpo das mulheres sempre tem que ser adaptado ao gosto masculino e que nunca um homem poderia achar belo o corpo de uma magricela ou de uma gordinha. Eu nem me incomodo mais quando alguém chega e diz "precisa engordar" - sempre digo "um dia eu engordo, calma". Eu não vou engordar e tentar engrossar as coxas com suplementos/academia só para me adequar ao gosto do homem brasileiro, tenho outras prioridades e nenhuma delas é com relação a minha aparencia.

Ana Nazaré disse...

Porque nós mulheres temos medo de ser nós mesmas e dizermos não? Nós estamos fazendo aos homens infelizes, e a nós mesmos. Igualdade de sexo é impossível, mas se uma mulher é dominadora, o homem se sente forte, pois ele luta pelo desafio enquanto a mulher concebe a segurança, e portanto, isso não é ruim, é observar a natureza.Pensamos, mas somos animais tbm. As mulheres colocam silicone e saem pra rua pra trabalhar numa memória inconsciente de tentativa de voltar às épocas do matriarcado. Homens não querem transar com mulheres domadas, e mulheres querem ser desejadas. Acordem.

Anônimo disse...

Ver uma magra dizendo que sofreu de magrofobia meio q me faz pensar na definição da terminação "fobia" pra essa pessoa. Será que o que ela passou se assemelha com o que negros e gays passam atualmente? Alguma vez existiu uma KKK para magros/magras? Alguma vez magros/magras deixaram de trabalhar por serem considerados incapazes??? Acredito que essa terminação "fobia" só é propriamente utilizada quando há na real mais malefícios, desvantagens, lado negativo do que benefício, não sendo esse o caso das pessoas magras. Seguindo este mesmo raciocínio de que não da pra "comparar" as dores, então também há HETEROfobia? BRANCOfobia? Haha, muito engraçado. As pessoas tem que reclamar de tudo e quando não me acham do que reclamar me vem com essas! Cade as cotas pra magras então? NEM se compara

Ana disse...

Esse post foi publicado em 2013, logo vi...

Pois bem, como um anonimo revelou ali em cima, o padrão pornográfico (feito para homens héteros e para eles somente) é diferente do da moda e indústria cinematográfica (que por sua vez são feitos tanto para homens quanto para mulheres), mesmo que a diferença entre os corpos das indústrias citadas seja mínima. As atrizes porno são magras, porém tem seios e bunda 1 ou 2 tamanhos mais voluptuosos se comparados ao das atrizes de cinema e novela e modelos.

Eu acho de uma completa irresponsabilidade da ciencia, pra não dizer burrice, porque né... eles são ''estudados'', essas pesquisas sobre preferencia de corpo feminino admirados pelos homens. Não somente porque, sob essa ótica, dão-nos entender que nosso corpo é consumível ao olhar e admiração masculinos (le-se assédio) e buscamos isso e por essa razão eles nos ''auxiliam'' a agradá-los. Mas por incentivar gordofobia. Homens gostam de magras, sejam elas um pouco mais bundudas ou as retilíneas. E se a bunda ou o peito mais cheio (a barriga sempre lisa, sempre frisando isso) ainda são preferencia, é por causa da pornografia, somente. Nossos gostos são sociais e não organicos, como nos diz a ciencia patriarcal. Se a TV mostra mulheres muito magras, os homens vão sim gostar de mulheres muito magras. Mas a peituda e bunduda ainda é ''admirada' no porno, então os padrões acabam se confrontando e a gostosa acaba virando preferencia, aliás ela é retratada sempre nua e sexualmente subserviente. Mas acontece que a gostosa também é magra.

Uma vez uma feminista me disse que o padrão de beleza remete á pedofilia, pois meninas de 13 anos é que tem imc 18, pesam 40 kgs, mesmo tendo 1,60 de altura e não mulheres, mesmo as naturalmente muito magras. A época que estive mais magra, a base de dieta muito restrita, pesei 58 kg com 1,74. Ainda sim no peso normal, de acordo com o imc, mas estava muito esquálida e vivia desmaiando! Um médico me diagnosticou com anorexia, pois ele disse que a doença é psicológica e mulheres podem ser anorexas mesmo acima do peso. O padrão de beleza magro remete também a fragilidade, necessidade de auxílio, infância. A magreza, ao contrário da virilidade e força dos músculos do padrão de beleza masculino, sempre impondo a altivez social do homem, remete a submissão. A magreza é fraca, fisicamente falando. Por isso querem mulheres magras, cada vez mais magras.

Mulheres naturalmente magras não são como essa modelo, com músculos sobressaltantes. Tudo o que nos é mostrado na mídia é antinatural. As gostosas tambem são, pois suas curvas são de silicone, não de músculos ou grandulas naturais do corpo. Com uma barriga lisa daquelas, e o peso tão diminuto pelas dietas, elas não poderiam mesmo manter seios e bundas naturalmente fartos.

O que eu digo para magras que querem engordar para ganhar seios e gluteos? Não engordem. E as gordas geneticamente gordas, não emagreçam. Corpos irreais criados pelo patriarcado não servem para ser alcançados, servem para que nunca os alcancemos, para nos odiarmos e para que os homens nos odeiem, para que eles nos odeiem tanto que precisem recorrer ao status social de virilidade, seja no campo financeiro ou qualquer outro, para que finalmente tenha acesso a mulher irreal, e assim as outras se odeiem ainda mais.