quinta-feira, 25 de abril de 2013

GUEST POST: FESTA DE VETERINÁRIA DA USP ORGULHA-SE DE SER ESCROTA


Toda semana chega relato de trotes preconceituosos, de casos de estupro em festas, de discussão que descamba pro velho machismo... Não são casos isolados. São a regra. 
Este email da R., tema deste guest post, veio ontem. É sobre (mais) um caso que mostra como tantos estudantes não se dão conta da sua posição privilegiada. Para elxs, universidade não é lugar de mudanças, mas de perpetuar preconceitos.
Quinta que vem, a convite do DCE Livre da USP, estarei em SP (às 18 h, no Auditório de História da USP) para um ato-debate em relação ao machismo na universidade e no movimento estudantil. 
A R. não tem nada a ver com o evento, e nem sei se o DCE Livre já está a par da última da Veterinária.

Sou estudante de Medicina Veterinária da USP. O panorama do meu curso é desanimador, existe uma tradição de brincadeiras ofensivas e machistas (das quais participei quando entrei, e não tinha maturidade para entendê-las), onde quanto mais escroto (desculpe, não consegui pensar em nenhuma definição melhor) você for, mais popular você será.
Normalmente, devido à profissão, veterinários têm uma tolerância maior a coisas consideradas nojentas. Cada um se acostuma com o seu dia-a-dia, e durante o curso somos treinadíssimos nisso. Então temos essas "tradições" muito bem inseridas no contexto calouro-veterano. Somos apadrinhados por um veterano, e ele nos ensina a SER um calouro de veterinária. O que significa que somos ensinados desde o primeiro dia a ser o mais escroto possível para alcançar o sucesso social. 
As brincadeiras são muitas, envolvem tanto 'bixos', 'bixetes' e veteranos de diversas turmas (inclusive formados há bastante tempo). Uma das mais comuns é a mastiguinha, onde forma-se uma roda de veteranos e calouros, o primeiro pega algo (normalmente do chão ou um pedaço de comida), mastiga e passa para o próximo da roda, assim sucessivamente; o último engole. Outra 'brincadeira' comum é o cuecão/calcinhão, e alguns dxs veteranxs chegam até a arrancar a calcinha/cueca dxs calourxs. E não acontece só com as mulheres, existem tradições com os meninos que também são muito ofensivas, como o "pascu" (passar pasta de dente você imagina aonde).
Essas "brincadeiras" têm como motivação a integração entre as turmas e diversão, não existe obrigatoriedade em participar, mas você será o chato, o sem-graça e sem-amigos se não se integrar. Para um adolescente que acabou de entrar nesse novo universo, torna-se obrigatório participar. Existe a possibilidade de viver à margem dessa cultura, mas temos que concordar que é difícil encontrar garotxs dessa idade com maturidade e esclarecimento o bastante para entender que isso é sim uma forma de abuso e de lavagem cerebral e que ninguém precisa passar por isso para ser aceito. Então 70% dos alunos acaba se tornando o próximo opressor da fila.
Isso acontece mais durante o primeiro ano de cada sala, depois esses calouros vão realmente se tornando os próximos 'carrascos'. No geral a coisa está mais branda do que quando eu entrei; menos gente participa das brincadeiras mais pesadas. Mas o preconceito e a intolerância estão cada vez mais flagrantes.
Num ambiente onde as aulas ocorrem das 8h às 18h, em que moramos em outro campus durante 6 meses de faculdade, e onde à cultura das festas universitárias é acrescida essa escrotice toda, dá pra imaginar o quanto significa para um calouro de 17 ou 18 anos alcançar esse sucesso social.
Acontece que essa tradição tem esbarrado em alguns problemas.
Amanhã (como sempre acontece) haverá um happy hour no Centro Acadêmico da FMVZ-USP. Nada de mais até então.O problema é que o tema é Happy Hour da Empregada. Com a seguinte descrição do evento (clique para ampliar):

Quando eu vi o tema dessa festa me senti extremamente incomodada. 
É grotesco usar num cartaz de péssimo gosto uma atriz pornô fantasiada com um uniforme representativo de um trabalho feito por mulheres pobres (e em sua maioria negras). Ainda mais quando boa parte do país comemora a PEC das Domésticas, vista por muita gente como uma segunda abolição. Uma festa com esse nome, com esse mote, com esse cartaz, equivale a reafirmar o preconceito social contra essas trabalhadoras e reforçar a imagem de que mulher só serve se for atriz pornô (nada contra a classe, mas somos bombardeadas constantemente com preconceitos vindos de homens que exigem uma postura e um relacionamento digno de filme B). E acaba reforçando o velho fetiche machista da empregada como escrava sexual por estar dentro da sua casa.
Seguindo o mesmo discurso usado pelos organizadores do Miss Bixete em São Carlos, somos bombardeadxs com desculpas de 'é só brincadeira", 'é tradição', 'não seja tão radical'. Sei que discussões assim nas redes sociais não levam ninguém a lugar algum, mas elas expressam a mentalidade dos usuários com bastante precisão. Jovens que hoje acham graça em banalizar empregadas domésticas e pedreiros (sim, existiu um evento chamado Happy Hour do Pedreiro -- e a chamada era algo do tipo 'mulher ao comprar cerveja ganha uma cantada'), vão ver como corretos pro resto da vida discriminação e abuso.
Ao tentarmos debater o assunto, levantar essa questão e pedir para que seja trocado o tema da festa, somos atingidos por uma avalanche de ofensas. Não entendo essa falta de abertura para diálogo. Não vejo outro motivo se não o medo do novo, de ser 'prejudicado' ao ter que mudar de pensamento. É como aquela brincadeira que tem circulado na internet há algum tempo "O homossexualismo [sic] era proibido. Agora é permitido. Melhor eu me mudar antes que se torne obrigatório". Do que se tem tanto medo? É dificil lidar com isso numa universidade, onde deveríamos ter espaço para debates e para o início da construção de algo novo para a sociedade. 
E a resistência dos alunos acaba virando parte também desse rol de brincadeiras que somos ensinados a fazer desde que entramos. Ninguém discute nada, só se ridiculariza e ofende o outro para ter mais destaque social. O encontro de amanhã se tornará uma espécie de comemoração da vitória sobre as "feminazi" que foram abatidos pelos Grandes Campeões da escrotice. E a coisa se perpetua. 
Fico indignada em nome dos que lutam por mudanças sociais e se deparam com uma sociedade tão fechada e elitista. Acho que o início de tudo vem desse tipo de postura que ridiculariza a discussão e a luta social, disfarçando tudo em brincadeiras a la Rafinha Bastos.

106 comentários:

Anônimo disse...

Ok, já podem parar de serem chatos.

Desculpem, mas eu não consigo ver nada de tão condenável nisso tudo.
Não é o máximo, não é demais, não é sensacional. É escroto.

Mas ahh, o que é que tem?

Malu.

Anônimo disse...

Nunca tive paciência pra essas babaquices de grupinhos de colégio e faculdade. Nunca cogitaria participar desses "trotes" (esse da mastigação me deu vontade de vomitar). Se a "pena" pra isso é ser a chata sem amigos, que seja. Com certeza vai ter mais gente que opta por não participar dessas coisas. Prefiro andar com essas pessoas.

Anônimo disse...

Mais lenga lenga de pobres adolescentes q são obrigados a fazer o que n querem.
Vejo isso desde sempre nas escola 1 serie até segundo grau,quem aceita essas babaquices quer aparecer e é tão babaca quanto os outros.
Adoram zuar as pessos,n tem nada de coitadinhos.

Leio Lola Leio disse...

Olha, foi também numa festa da veterinária da USP que aconteceu aquela situação do rapazes serem expulsos da festa por estarem se beijando, acho que em 2008 [ http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,usp-reconhece-erro-em-caso-gay,269284,0.htm ]

E essa não é a primeira, tampouco a mais pesada "escrotice" promovida nessas festas.

Anos atrás aconteceu uma briga forte, ao menos dentro da USP, entre alguns cursos, não sei se virou caso de polícia, mas numa dessa viagens de jogos entre as faculdades, aconteceu de um aluno da Química estuprar uma aluna do Instituto Oceanográfico, ela estava bêbada.
A coisa toda gerou inúmeras piadas nas redes sociais, várias pessoas de vários cursos de manifestaram dizendo que a menina era louca e etc.

Falo da USP porque é onde conheço e já presenciei inúmeras situações semelhantes (inclusive cheguei a chamar a guarda universitária para intervir em uma situação, mas o membro da guarda informou que não entrava em festas da ECA, chamei a polícia e ela não veio e, depois de muito tempo, alguém da guarda resolveu intervir) e cito também a universidade pois o GUEST POST se refere a ela, mas é claro que esse tipo de situação não se restringe a USP ou às faculdades públicas.
Acho bem fácil mesmo um bicho entrar na onda e se tornar "o próximo opressor". O mesmo sujeito que se diverte vendo o programa Pânico ou assistindo vídeos com recorde de visualizações no youtube com pessoas se divertindo humilhando mulheres, é esse mesmo sujeito que entra na universidade, praticamente com sangue nos zóio pra "aloprar geral" e cair na escrotice!

Anônimo disse...

Vou contar um segredo. Uma piada só tem graça por que é 'escrota'(ridiculariza alguém ou alguma situação). Cada dia estou mais convencido que são um bando de mulheres desocupadas. Menos mal que são meia duzia de pelagatos esquerdistas de universidade (com ressonância social próxima de zero). Uma trouxa de roupa para lavar cairia muito bem.



Liana hc disse...

É curioso pensar que papel a universidade, principalmente as públicas, tem dentro da sociedade. O que alunos do ensino médio pensam, calouros, aqueles já prestes a concluir a faculdade, pessoas pobres, classe média, empresários etc.

Acho que muitos escutam que precisam estudar, fazer um curso "superior" para poder ser alguém na vida, ter chances de um futuro melhor, para se garantir, porque seria uma sequência "natural" após o 2º grau. E a coisa parece parar por aí. Apenas mais um meio de se inserir no mercado de trabalho, assim como a escola muitas vezes, com um conteúdo basicamente voltado para acumular conhecimento para que o aluno possa prestar vestibular, e não como um espaço de realização pessoal, de questionamento social, de criatividade, de interação, de conscientização e mudanças... isso sempre foi algo temido, ameaça o status quo. E dá nisso aí, mais um grupo social que reflete contradições e preconceitos, ao mesmo tempo que se torna foco de propagação. Precisamos rever isso, abrir espaço para discussões mais amplas, e em setores diversos da sociedade, não só sobre o papel das universidades, mas da educação de um modo geral.

Clara Lopez disse...

Tampouco entendo como é que alguém jovem, que já passou pelo bullying do segundo grau, ainda se presta a essa babaquice de trote. É preciso aprender a dizer 'não', ponto.
clara

Anônimo disse...

bom, nao da pra esperar muita coisa da usp. lugar retrogrado, machista, patriarcalista, preconceituoso, discriminatorio, elitista.

micro-cosmo da sociedade brasileira.

e pode ter certeza que nada vai mudar.

olivia

Anônimo disse...

Meu curso costumava fazer brincadeiras legais com os calouros,coisa leve e divertida.
Até que chegou uma turma que resolveu mudar e passaram a fazer brincadeiras escrotas com os calouros. Não sei profundamente como eram essas brincadeiras,mas por conta disso eu resolvi não participar do meu trote.
Qd as aulas iniciaram,vi que praticamente toda a turma já estava unida por conta desse trote e uns falaram que fiz errado em não participar qd nao faria amigos e nenhum veterano me ajudaria.Mas já de cara fiz algumas amizades.
O tempo passou e minha turma ficou encarregada se aplicar o trote,quis ficar fora. Eles imitaram as brincadeiras que seus veteranos fizeram e descobri que uma delas consistia em um liquido com mistura misteriosa que contia...saliva!
O tempo passou mais ainda e estamos no final da faculdade.
Bem,minha turma é a turma mais odiada do curso pq boa parte dos alunos são babacas,metidos e escrotos.
Eu tenho mts amigos dos mais diferentes periodos(apenas 3 da minha turma),amigos que são da pós e umas paquerinhas...
Não precisei participar de nenhuma palhaçada pra ser aceita. As amizades que conquistei foram pelo meu mérito.
Detalhe: a turma que agora está aplicando o trote,resolveu botar os calouros pra arrecadar roupas e alimentos,e doar sangue...fiquei mt feliz!

Lara Frutos disse...

A festa é escrota, sim. Concordo. O trote também é escroto e a R. participou porque ela não sabia que era escroto na época. Se ninguém a obrigou a participar, ela não pode se vitimizar por ter participado. Pode apenas lamentar não ser esperta o suficiente na época pra dizer "não".

Anônimo disse...

Não fiquei sabendo dessa menina do IO. Que absurdo. Isso pq aqui nessa merda era pra ter a elite intelectual. Que bosta.

Thaís B disse...

Nossa, se a coisa tá tão feia assim nas universidades públicas, agradeço por não ter passado em uma, porque se tem uma coisa que jurei desde que saí do ensino médio é estudar em um lugar BEM LONGE de gente assim.
Essa história de "ofender tudo e a todos para provar ser alguém p/ os outros" ocorria direto no meu colégio, alunos desrespeitavam professor( "to pagando seu salário então faço o que quiser") e praticavam bullying nos colegas com a velha ideologia de "vou zoar de você e pouco me importa se você vai rir junto ou não". Nunca fui na onda deles, não gostava que falassem de mim e não ria de quando falavam do outro, por isso eu era isolada da maioria dos colegas(e obviamente um dos principais alvos deles) e não me arrependo nem um pouco. Nunca fui nem serei algo que não concordo para fazer parte do "clubinhos de preconceituosos descolados", não vale nem um pouco a pena. No colégio eu via muitxs meninxs que humilhavam os outros ou ficava/beijava/whatever alguém só pra se provar "comedor" ou "desejada por todos os meninos". Engraçado que as meninas que eles julgavam santas, tentavam força-las para ficar com alguém e a garota que pegava muitos era vadia, (obviamente vadia só depois de ficar com eles, antes disso tratavam como princesa) só as patricinhas que eram amigas mais próximas dos garotos bullys ficavam a salvo de serem julgadas.
Enfim, entre ser você mesmo com poucos amigos e ter milhares de amigos que só gostam de você por ser um babaca, por favor, não seja esse ultimo que ao olhar para trás você não se arrependerá.

Obs: E o que mais me impressiona é que esse povo se acha no direito de fazer o que quiser com os outros, MASSS quando alguém fala deles só falta denunciar na polícia de fobia e preconceito.

Guilherme disse...

Eu sei que é impopular, porque a responsabilidade individual morreu, mas acho importante dizer.

Participa quem quer; critica, mas pagar o preço de manter sua posição (o preço da impopularidade), fica com pé atrás.

E sobre as pessoas não aceitarem críticas, isso chama democracia. A maioria quer a festa daquele jeito e pronto. Não gostou não vai, ou monta a sua própria festa.

Parece que você está falando "olha, eles são escrotos e babacas e eu quero que eles mudem e façam a coisa do meu jeito, que é melhor, e interajam comigo" Se são babacas, se afasta, acabou.

Guilherme disse...

Ah, e porque em vez de dizer "não existe obrigatoriedade em participar, mas você será o chato, o sem-graça e sem-amigos se não se integrar. Para um adolescente que acabou de entrar nesse novo universo, torna-se obrigatório participar"

você não diz:

"fiz uma coisa ridícula da qual tenho vergonha"?

porque todo mundo hoje em dia tem que falar que "foi obrigado" (pela sociedade ou sabe-se lá o que), que "não teve escolha", etc?

Não tinha maturidade mesmo, mas e daí? Qual o problema de adolescente fazer uma coisa idiota e se envergonhar depois?!

Anônimo disse...

Faço Unesp e aqui ainda (porque antigamente era pior) tem dessas mesmas palhaçadinhas. É sim uma merda você ter como opção de "integração" essas atividades imbecis, mas sinceramente... É bem ingênuo pensar que você PRECISA fazer qualquer coisa pra ser aceito, mesmo pra um adolescente de 17 anos. Afinal de contas, de que tipo de grupo você quer fazer parte? As universidades seriam formadas por um bando homogêneo de babadas?

Ju

André disse...

Eu fiz Caaso, não sei na veterinária como é, mas uma escola de engenharia não é um ambiente dos mais progressistas. Lá no Caaso esse negócio de que se você não entrar de cabeça em qualquer atividade escrota vai virar um pária social é um mito. Melhor que tentar filosofar com pessoas que só querem viabilizar uma festinha, é alertar os calouros sobre esse mito.

Elisa disse...

As pessoas da idade do meu pai, e de uka classe social mais abastada, aprenderam, de uma forma dolorosa, a ter senso crítico (por causa da ditadura), e ensinaram isso aos seus filhos.

Duvide de tudo, não creia em tudo que lê nos jornais, nas revistas, na tv, na publicidade, pense por si mesmo, leia nas entrelinhas.

Eu também fui educada assim.

Mas esse senso crítico, esse ler nas entrelinhas, está se tornando exagerado e absurdo.

O povo lê o que não tem nas entrelinhas, e acaba desvirtuando.

O p9vo critica mesmo o banal, o comum, o que não precisa ser criticado, porque não tem nada por trás, nem segundas intenções.

Ai acaba dando nisso.

E os pseudo intelectuais se propagam, achando que estão arrasando, afinal, "veja como eu sou esperto! O sistema não me engana, ninguém me engana! Eu sou mais inteligente que todos, eu vejo tudo".

E saem esses posts suuuuper criticos.

É a unica explicação que eu vejo pra essa geração ser tão chata.

Mariana. disse...

O quão idiota vcs eram quando entraram na faculdade para se sentirem ~~obrigados a fazer isso ou aquilo, mesmo discordando?

sinceramente, eu não me lembro de ser tão babaca assim, sabia dizer não. Párem de passar a mão na cabeça desses jovens (ou do passado de vcs) e falar que foram coagidos a agir assim ou assado por pressão social.

Sabe, as pessoas tem o direito de ser diferente de vocês. Na verdade, eu sou muito mais inclinada a considerar essa postura dos univesitários bastante idiota, nem por isso acho que eles devam mudar para serem como eu.

Eu fico me perguntando, esses jovens que justificam suas condutas pela pressão social e medo de rejeição: porque vcs querem tanto a aprovação de quem consideram idiotas?

Meu deus, onde foi parar a liberdade de expressão??? Temos que parar de querer criminalizar toda e qualquer conduta que nos desagrade ou ofenda minimamente alguém ou um grupo.

Claro que vcs tem direito de discordar e achar babaca e gritar isso aos quatro cantos do mundo. E eles, por outro lado, tem o direito de serem babacas (desde que não seja um crime, lógico).

Valéria Fernandes disse...

Por mais que eu saiba, sim, que adolescentes (*e nem todo mundo ao entrar na faculdade tem 16, 17, 18, 19 anos*) acreditem que precisam se enturmar, é da idade e há estudos sobre isso, acredito que a estratégia, como alguém bem assinalou, é conscientizar os calouros e calouras de que há vários grupos dentro da universidade e que você pode, sim, escolher. Isso é uma atitude feminista bem mais efetiva do que, acredito eu, ir falar com os promotores babacas da festa. É possível aproveitar a primeira semana de aula para tentar romper com essas práticas focando nos calouros e calouras. Por que, não?

E mais, não há curso universitário neste mundo, que seja formado por um bloco homogêneo de pessoas. E outra, a não ser que a pessoa veja como única forma de ter amigos e grupo pertencer a essas patotinhas ditas “populares” (*naquele sentido péssimo de filme americano de fraternidade*). Quando meu irmão entrou na faculdade (*Biologia em uma Federal*), tinha míseros 16 anos, e eu tentei esclarecê-lo de que ninguém é obrigado a passar por trote, ainda mais trotes humilhantes (*coisa corrente por lá*). Bem, bem, o menino não acreditou em mim, achou que seria ostracizado por todos durante todo o curso (*essa necessidade de ser amado...*) e pagou o preço...

Nunca fui a nenhuma festinha escrota de faculdade, nunca tentei ser popular com veteranos e asseguro que uma das melhores fases da minha vida foi a faculdade (*História/UFRJ/1993-97). Me diverti muito, fiz amigos, alguns mantenho até hoje, e, como boa aluna, nunca tive problema em conseguir montar grupo de trabalho. Aliás, a chave está aí. Quando comecei as aulas tinha acabado de completar 17 anos.

Anônimo disse...

"O trote também é escroto e a R. participou porque ela não sabia que era escroto na época. Se ninguém a obrigou a participar, ela não pode se vitimizar por ter participado. Pode apenas lamentar não ser esperta o suficiente na época pra dizer "não"."

Olha, infelizmente tenho que concordar com isso.
Acho que a maturidade está em cada um. A idade não justifica isso.
Participei do trote e de muitas brincadeiras as quais julguei engraçadas, como se pintar, se sujar, pedir dinheiro no farol, etc.
Mas certas coisas simplesmente falei NÃO e pronto. Foda-se o que vão pensar ou não, se serei excluída ou não.

Quanto à festa, apesar de não frequentár esses happy-hours, acho que é exagero. Claro que não concordarão comigo. Mas o fato de fazerem tanta tempestade em copo d'água assim acaba fazendo vocês (feministas, etc) perderem toda credibilidade e argumento em coisas muito mais sérias e que merecem mesmo serem discutidas e combatidas.

Ass. G

Anônimo disse...

Lola, você vive dando palestras Brasil afora. Me responda: quando é que você dá aula na UFC??Não tem vergonha de usar o dinheiro dos nossos impostos para ficar viajando?

Patty Kirsche disse...

Poxa, trote é um lixo. É o pior da escória universitária. Nunca participei, mas não acredito que tenha perdido amigos nisso. E, sinceramente, nem tenho paciência pras festas. Fico impressionada com o nível de imaturidade.

Esse semestre, na turma de graduação pra qual dou monitoria, rolou uma discussão sobre cotas e eu fiquei estarrecida como o pessoal é não politizado(a) e preconceituoso(a). USP, gente! Alunos(as) que não entraram por cota acham que quem entrou por cota é privilegiado(a) e não vai conseguir acompanhar. E têm coragem de dizer isso abertamente, diante da sala inteira. Só que não se percebem como de direita.

Pra acabar com esse nojo de trote, é preciso conscientizar as pessoas sobre o quanto o trote é um processo preconceituoso em todos os aspectos. E isso inclui trazer consciência política para os(as) ingressantes, o que não interessa para as universidades.

Anônimo disse...

Afff Lola! Os comentários de hoje estão sensacionais! puta que o pariu quanta gente bacana! Fico feliz sabendo como pensam meus compatriotas!
Ragusa

lola aronovich disse...

Acho que vc não está muito interessado numa resposta, anônimo. Deve estar mais interessado em trollar. Mas vou responder: pra começar, os impostos também são meus. 27,5% do meu salário vai pros impostos. Segundo, este semestre eu tenho nada mais nada menos que CINCO TURMAS. Pra vc pode parecer pouco, mas comente com qualquer professor universitário o que é dar aula pra cinco turmas. Quer dizer que não pude oferecer curso de extensão este semestre, infelizmente. Terceiro, o mês em que eu dei mais palestras (acho que foram sete) foi março. E, sabe, eu estava de férias em março. Quarto, eu tento sempre pegar dias pras palestras e debates em que eu não precise cancelar nenhuma aula. O evento na USP na semana que vem eu só vou poder ir porque quinta é o dia em que não dou aula (e o evento cai justamente na quinta), e porque quarta é feriado (1o de maio), daí posso viajar nesse dia sem problemas. Ontem mesmo recebi outro convite, pra palestrar na OAB. É aqui em Fortaleza, mas era num dia em que estou cheia de aulas. Pedi pra que mudassem o dia, e expliquei que só teria disponibilidade nos horários x e y.
Eu também incluí no cronograma de todas as minhas turmas uma aula não presencial, em que os alunos teriam que fazer um trabalho em casa. Isso está previsto, está dentro do regulamento.
Mas se nada disso resolver e um dia eu realmente tiver que cancelar uma aula pra palestrar em outro lugar, eu marco a aula pra outro dia. Tipo, final do semestre está previsto para o dia tal, e terminaremos um dia depois. Evito ao máximo fazer isso, claro.
Pergunte aos meus queridos aluninhos quantas aulas eles perderam nos meus 3 anos da UFC...
Aliás, ontem uma aluna disse que quer ser minha guarda-costas, e que quem mexer comigo terá que mexer com ela antes. Fofinha, ela.

sue disse...

o problema é que as pessoas geralmente não gostam de assumir a responsabilidade pelos seus atos,ai tudo que fazem vem com essa conversa de "fui obrigado e oprimido."

existe uma coisa chamada afinidade,babacas atraem e se dão bem com babacas,só assim para aceitar participar desses trotes ridículos e pelo que eu entendi,continuar agindo feito idiota durante toda a faculdade para ser popular e aceito.

não dá pra ficar achando que em pleno século 21 adolescentes são coitadinhos que não sabem o que fazem.

P.S. Lucas disse...

Não quero generalizar, mas já generalizando, nós sabemos que quantos mais alunos homens um curso tiver, mais escrotas serão suas festas e trotes da faculdade.

Claro, isso generalizando, mas não mentindo.

Estudo na federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, e alguém criou uma página para que as pessoas pudessem conversar, paquerar alguém que viu bonito no RU ou em algum lugar da rua, tipo: você, fulaninho de blusa azul, te vi no RU e te achei um gato. Tá, beleza.

Mas aí teve uma guria que escreveu o seguinte: "Machaiada da veterinária, sou uma gatinha. Alguém aí quer me dar leite?". Aí colocaram embaixo assim: "Pra estar tão necessitada assim, essa aí só pode ser gorda".

Eu escrevi: "o que tem a ver ela querer transar com ser gorda?". Várias pessoas curtiram, mas ninguém me respondeu.

É triste, mas não é por estarem na faculdade, que alguns alunos já largaram as fraldas.

Abraço,

{http://www.duasgotas.com.br/}

Koppe disse...

"não existe obrigatoriedade em participar, mas você será o chato, o sem-graça e sem-amigos se não se integrar. Para um adolescente que acabou de entrar nesse novo universo, torna-se obrigatório participar."

Cada vez que ouço falar em trotes, mais me orgulho de ser o "chato", o "sem-graça", o "sem amigos" e "o que não se integra".

Como já comentei em outros lugares: acho o trote algo muito patético. Na parte de quem aplica, vem de uma mentalidade muito porca, de exercer domínio, poder sobre os mais fracos, associados à mentalidade do "não quero ser o último otário, se fizeram comigo vou descontar em alguém". Na parte de quem aceita, vem da necessidade idiota de ser aceito a qualquer preço. Mesmo que pra isso precise passar por humilhações, agressões e até ser ferido.

Eu como sou meio anti-social mesmo, alguns diriam ignorante, não dou a mínima pra aceitação do grupo (que na minha opinião se conquista por mérito, e não se submetendo a humilhações), não me imagino passando por isso. Nunca estive numa universidade, o mais próximo que cheguei de trotes foi no serviço militar. Pra mim sempre teve uma linha bem nítida entre o que era dever ou obrigação daquilo que era palhaçada dos soldados mais antigos. Posso ter cometido muitos erros, mas esse não: nunca me sujeitei a nada disso, cheguei até a ameaçar soldado mais antigo, se ele me aprontasse alguma, de revidar à altura quando ele estivesse dormindo (e eu pretendia fazer mesmo), e com isso comprovei que eles também têm medo - me deixaram em paz a partir dali. E não virei persona non grata como muitos disseram que ia acontecer. Pelo contrário, passei a perceber um certo respeito da parte de alguns deles.

Eu já me envolvi em agressões físicas com colegas de trabalho, por motivos bem parecidos, e não me arrependo disso. Quem toma a iniciativa de alguma "brincadeira" sem noção se torna automaticamente o culpado por todas as conseqüências.

Sobre a "impopularidade", quem se afasta de mim ou me exclui por não participar desse tipo de palhaçada tá na verdade me fazendo um favor, gente babaca eu prefiro longe de mim.

E quanto a festas... pode ser ignorância minha, mas eu sempre achei que universidade fosse lugar pra estudar, não entendo a extrema importância que tantos parecem dar às tais festas, assim como aos trotes...

Safira Solitaria disse...

Acho bizarro ter gente (veteranos) que acha super legal brincadeiras de humilhar os outros...

Anônimo disse...

Pro pessoal que diz, com outras palavras, que quem cai nessa de se sentir obrigado a participar de trote escroto é idiota, olha esse comentário que achei de uma mãe num site sobre maternidade que acompanho:
"Podemos tentar protegê-los do lixo, mas só a escola pode protegê-los da solidão."
Então, né...

Marina C. disse...

Vim para deixar essa imagem aqui, dos veteranos da Engenharia de Petróleo da UFPel.
https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/310772_451816234892462_1696357708_n.jpg

Nenhuma palavra consegue descrever o nojo e a raiva que eu senti quando vi essa imagem.

(Lola, tu é ótima!)

Patty Kirsche disse...

Ai, sempre aparece gente pra dizer que as pessoas "não são obrigadas" a participar de trote.

Não, não somos obrigados(as) a participar do trote, assim como não somos obrigados(as) a fazer os trabalhos, mas se não fizermos, ficamos sem nota.

Eu fui perseguida por alguns grupos ao entrar na graduação por ter me recusado a participar. Sofri cyberbullying, quase entrei na justiça. O coordenador do curso interveio no sentido de abafar, mas pelo menos garantiu minha segurança dentro do campus.

Conclusão: Não fui obrigada, não participei, mas sofri consequências. Fui excluída de atividades, perseguida e precisei recorrer à coordenação do curso. Nunca fui aceita pelos grupos, tem gente que não fala comigo até hoje, e já estamos na pós. É isso, nem todo mundo tem energia pra assumir tudo isso. Felizmente, eu tenho.

Patty Kirsche disse...

Hey Lola, em qual evvento da USP vc vai estar dia 02/05?

Selene disse...

Lola, fugindo um pouco (talvez bastante) do assunto do post, fiquei chocada ao ver no caixa de supermercado a seguinte capa de revista: http://www.escala.com.br/contamais.asp
Como assim "Mullher" solteira procura?? O que estão insinuando com essas aspas? Que a sexualidade de alguém ou o modo como a pessoa se veste faz dela mais ou menos mulher? Que mundo...

lola aronovich disse...

Mais uma imagem de universidade machista pra habitar nossos pesadelos...

Repito o comentário da Marina C. com o link.

"Marina C. disse...
Vim para deixar essa imagem aqui, dos veteranos da Engenharia de Petróleo da UFPel. [Universidade Federal de Pelotas]

Nenhuma palavra consegue descrever o nojo e a raiva que eu senti quando vi essa imagem.

(Lola, tu é ótima!)"

Maria Valéria disse...

Nao acredito que estou lendo comentários quem culpam as vitimas,

Aquela máxima de " so fazerem com a gente o que a gente permite" , de " ser idiota quem deixou fazer" , sei nao, viu,,,,

Nao acho tao simples assim...:/

Eu fiz medicina na Unesp, naquela época ( 93) os trotes eram bem mais leves com as mulheres.

Mas, os trotes com os rapazes, especialmente nos cursos de VETERINARIA e agronomia,eram bem pesados, porque esses cursos tinham aulas numa fazenda,e um dos trotes incluía banho de lama, banho de barro, e coisas piores.eu sabia que naquela fazenda rolavam coisas pesadas, entao nao fui.
E aluno da medicina nao precisava freqüentar o campus da fazenda, mas os de VETERINARIA, agronomia, zootecnia., sim...

Teve um rapaz da minha cidade que passou em agronomia no mesmo ano que eu...ele desistiu da faculdade porque nao agüentou o trote....:/

Anônimo disse...

Como assim vc foi perseguida só pq se recusou a particpar Patty?? Só isso? Não houve discussão, embate, vc não brigou com ninguém? Simplesmente vc disse não e depois foi perseguida?

Sinceramente, não to duvidando de vc. Mas acho muito estranho. É muita energia pra ser dipendida numa pessoa, por um motivo tão besta. Se ainda tivesse mais algum fato que justificasse isso, tipo, o povo ter pegado antipatia pq te acharam "chata" , mandona ou sei lá o que, ainda entenderia.

Tb me recusei a passar pelo meu trote, quer dizer fiz aquilo que eu quis fazer e neguei aquilo que achei idiota. E ok.
Nem sei se alguém me achou babaca ou chata, mas eu taquei o foda-se pra eles.

E fiz muito amigos bem rápido. Sinceramente, acho os trotes babacas, mas não engulo essa de "ser obrigado a..."

Não aceito essa postura vitimista.


Alice

Mariana disse...

Tem lugares como a universidade da minha cidade, onde os trotes são bem tranqüilos, mas eu tenho certeza que tem muitas universidades por aí onde os trotes são pesados e os alunos são "obrigados" sim a participar!
Gente! Com 17 anos os adolescentes são muito imaturos! Eu sei como é você ter medo de nao se encaixar no grupo, de nao ser aceito, de nao fazer amizade com ninguém. Na hora você nem raciocina direito sobre o que esta acontecendo, tem alguém mandando você fazer alguma coisa e você apenas faz, e não venham me dizer que isso é querer se vitimizar por que nao é! A maturidade de uma pessoa depende da idade dela sim!

Patty Kirsche disse...

@Alice: Eu não costumo contar essa história, mas já que vc perguntou, lá vai. Quando fui fazer a matrícula, fui abordada por uma menina na entrada do bloco. Disse que não queria ser pintada. Ela insistiu, e eu continuei firme. Só que ela só foi embora porque estava sozinha. Na verdade, ela foi chamar o grupo pra me coagir. Recebi outras abordagens, até na sala de matrícula. Falei educadamente que não queria ser pintada, novamente houve insistência, mas consegui seguir em frente. Quando saí da sala de matrícula, um grupo com umas 8 pessoas me esperava. Eu pretendia passar, mas o grupo me encurralou. Uma garota chegou a virar um pote de purpurina no meu cabelo. Mas meus pais estavam vendo e sabiam que eu não queria. Então minha mãe segurou a mão duma moça que ia virar um vidro de tinta em mim dizendo: "Menina, ela não quer!" E foi aí que começou a merda. É assim que funciona. Eu disse que não queria várias vezes, mas eles não aceitaram. E minha mãe só se envolveu porque percebeu que eles iam me coagir. E por incrível que pareça, coação é crime. Mas isso não é claro pra um grupo de alunos(as) louco pra mostrar o lugar de quem está ingressando. No meu caso, o grupo ficou com muita raiva. Sorte de quem passou por isso sem estresse.

Mariana disse...

Lola,
Sinceramente, quando vejo posts sobre trotes, tenho bastante preguiça. Essa história de que se vc não fizer tal coisa vc não será aceito não é verdade. Eu estudei na USP e nunca participei de nenhum trote bizarro. Quer dizer, pedi dinheiro no farol, mas foi pq eu quis. Quando eu me vi numa sala sendo 'obrigada' a fazer uma brincadeira ridícula em que a garota tinha q se abaixar sem dobrar as pernas, eu bati a perna e não fiz. Reclamaram, gritaram, mas eu simplesmente me retirei da sala e fui embora. É simples.

Veja bem, Lola, não estou defendendo os trotes idiotas. Acredito que alguns deles realmente sejam agressivos, machistas e coisa e tal. Só que eles só se postergam pq as pessoas continuam aceitando fazê-los. Se uma turma toda se recusasse, o q aconteceria? Todo mundo seria excluído? A turma não seria amiga entre si? O problema é que, para cada idiota fazendo o trote, há outros 10 idiotas que não tem coragem de dizer NÃO e simplesmente se retirarem.

Meu, as pessoas esquecem rapidamente que vc não participou. E, mesmo que não esquecessem, qual o problema? Como outras tantas pessoas comentaram aqui, também cansei dessa postura vitimista, de achar que PRECISA se integrar naquele momento ou então nunca mais se integrará. E outra coisa, Lola, qual é o real interesse em se integrar com pessoas toscas como as q praticam o trote??

Eu acho que, no fundo, as mesmas pessoas que aceitam participar dos trotes para ser amigx do pessoal q os aplicam desejam ser e agir do mesmo modo que eles.


Mariana

danilo disse...

não acredito em tanto vitimismo,fiz tal coisa pq fui obrigado,oprimido,foi o sistema,me coagiram ,foi isso e aquilo,pressão dos amigos,nunca é pq a pessoa quis.

será q aqueles que organizam trotes,sofrem de alguma pressão social para agirem como idiotas?

se alguém pratica bullying pq o outro se recusou a participar de trote,provavelmente ela persegue e humilha os outros em qualquer outra situação.

sofri isso no ensino médio e n tinha trote nenhum como desculpa,quem faz isso é simplesmente um imbecil com problemas de auto estima que precisa pisar nos outros pra se sentir melhor.

sempre surge uma desculpa para pessoa n assumir o que fez,já cheguei a ver uma psicologa dizendo que quem pratica bullying não tem idéia de que está fazendo mal ao outro(??????)
impossível acreditar ,o próprio praticante disso, não gosta de ser xingado e humilhado,pq outra pessoa gostaria ,ficaria euforica por ser perseguido?


" so fazerem com a gente o que a gente permite"
isso é verdade e se aplica a muita coisa mas n tudo.
e o trote é uma delas,ninguém tem que aturar brincadeira idiota,aliás nem precisa ir no dia do trote.
ja estou prevendo comparações sem sentido do tipo " se eu n permitir, um carro não vai me atropelar"

P. disse...

Às vezes eu acho que metade das pessoas que postam aqui já se esqueceram do que é ser jovem, querer ser aceito no grupo, sentir-se pressionado a ter um determinado comportamento, sentir-se errado por ser o único que (muitas vezes silenciosamente) discorda daquele pensamento opressor dominante...

E olha que nem precisa ser jovem pra se ver nessas situações. Mas quando a gente tem 17, 18 anos, as coisas ficam um pouquinho mais difíceis.

Luana disse...

Esta é a página oficial do tal evento. Notem a maturidade das discussões acerca do tema da festa!

http://www.facebook.com/events/117039651827732/?ref=3

Renan disse...

"Ao tentarmos debater o assunto, levantar essa questão e pedir para que seja trocado o tema da festa, somos atingidos por uma avalanche de ofensas. Não entendo essa falta de abertura para diálogo."

Não vi ninguém 'tentando pedir pra o tema da festa ser trocado' só inquisição. Eu também não entendo a falta de abertura para diálogo, que ,pasme, vem dos DOIS LADOS... Sinto muito, eu sou uma pessoa que gosta de discutir coisas pacificamente, a abordagem de muitas pessoas é completamente ofensiva e irracional beirando ao 'escroto' que tanto falam.

danilo disse...

P.
não é esquecer como é ser adolescente,é parar de se vitimizar e dizer q adolescente tem quase QI 0 e que nunca sabe o que faz.

hj tenho 28 anos,tinha uns garotos na escola que viviam me infernizando,me chamando de otário pq eu não fumava baseado,nunca cai na deles e se eu caisse eu n teria um milimetro de culpa,pq meus coleguinhas estavam me zuando??
que necessidade a pessoa tem de ser aceita por quem debocha de vc?

eu tinha só 2 amigos na escola,n fiquei desesperado pq n fui convidado para festas,não morri pq algumas pessoas n falavam comigo,me parece que quem aceita tudo de todos,quer agradar,ser popular,o fodão da escola.

Mariana. disse...

Os trotes da minha faculdade foram leves e participou quem quis.

Eu participei em partes: fui pintada e pedi dinheiro no sinal.

Quando me pediram pra subir na mesa e dar uma reboladinha, recusei. Fui vaiada.

E aí, o que eu fiz?

( ) voltei atrás por medo de rejeição;

(x) mandei um beijo pra platéia e saí sorrindo a acenando feito uma miss, brincando num ambiente que permitia isso (não acho que precisaria falar que sou feminista e me recuso a participar de brincadeiras que objetificam as mulheres. ainda que eu pense isso, não é um debate).

Depois ninguém lembrou do episódio, não fiquei com fama de chata e fiz alguns amigos veteranos. Párem de dar importância pra coisa pequena.

E uma dica: não reclame da sua fama de chato se você é realmente chato.

Anônimo disse...

Quando era calouro não quis participar do trote e simplesmente não fui. Nada de horrível ocorreu por isso. Socializei muito desde o início do curso, tive amigos que mantenho passados quase 10 anos e foi um período muito interessante da minha vida.

Detesto a ideia do trote e recomendo a quem não quer participar que simplesmente passe longe. Fui calouro em duas graduações e não vi ninguém ser marginalizado por simplesmente não participar do trote.

Anônimo disse...

Sobre o tema, Lola, olha isso: http://www.midiamax.com.br/noticias/844833-calouro+revida+apos+levar+ovada+trote+termina+caso+policia.html

André disse...

P.S. Lucas,

Mais ou menos, na minha época, um monte de mulher da UFSCar dizia ser melhor tratada no Caaso (em que a maioria é homem) que na Federal (em que tem mais mulher).

Weber disse...

olha, ainda bem que eu, mesmo adolescente, nunca me preocupei em acabar sendo a "chata e antisocial", segui a faculdade sem ter participado de trotes e choppadas e rifas, nem pedir dinheiro eu pedi. Facilitou que o pessoal da minha faculdade era beeeeem mais tranquilo, mas a minha postura no dia do trote era bem assertiva, decidida mesmo, ele viram que eu não iria fazer o que eu não queria e repito: isso não prejudica a vida social de ninguém. Eu nunca me importei em ser popular, não acho que as pessoas precisam fazer isso acontecer, isso tem que ser encarado com naturalidade, senão você neurotiza e perde o foco da sua faculdade, que é aprender. Sei que muito adolescente não tem maturidade pra entender isso, mas essas merdas só vão acabar quando mais e mais calouros chegarem com uma atitude diferente, e denunciar o assédio, botar a boca no trombone. Se eles continuarem cedendo, não dá. Claro que é difícil, mas olha quanta gente aqui vai ficar do lado deles!

thiago disse...

O nível de crueldade dos trotes depende de regionalismo e universidades. No meu caso foi em Brasília. Isso que no meu aso foi no semestre seguite em que mataram o estudante de medicina afogado em são Paulo. O clima estava pesado.

Eu disse não quero. Tive que repetir várias vezes. Fiz uma veterana me pagar uma camisa em que ela passsou tinta vermelha contra minha vontade. Fizeram calunia de mim, porque eu obriguei uma veterana bonita a pagar minha camisa.

Engraçado que não tive problemas de fazer amizades na Universidade, inclusive com pessoas de outros cursos.

Parte dos que vestiram a roupa de "palhaço escravo" vão vestir depois a roupa de "Carrasco". Fica o questionamento de como que alguém que sofre humilhação quer fazer o mesmo com os outros. Será que é sindrome de Estolcolmo? Me parece mais que a maioria quer fazer um ritual de passagem cruel que vai endossar a fazer o mesmo com os outros no futuro.

Vou comentar essa parte do texto:
"Essas "brincadeiras" têm como motivação a integração entre as turmas e diversão, não existe obrigatoriedade em participar, mas você será o chato, o sem-graça e sem-amigos se não se integrar."

(...mas você será o chato...)
É sério que te incomoda ser tachada de chato por pessoas que você mesma definiu chulamente como "escrotas"?
Você realmente acha que o julgamento dessas pessoas devem ser levado em conta?
Você pensa mesmo em ser amiga delas?


(...Essas "brincadeiras" têm como motivação a integração... mas você será sem-amigos se não se integrar...)
A lógica da sua frase condiciona fazer amizades com a participação o trote. Até porque eu entendi depois que você quer modificar o trote para que ele seja mais saúdavel.
Claro que você será sem-amigos se não se integrar, mas há inumeras formas de integração ser ser por meio de trote.

Weber disse...

olha, ainda bem que eu, mesmo adolescente, nunca me preocupei em acabar sendo a "chata e antisocial", segui a faculdade sem ter participado de trotes e choppadas e rifas, nem pedir dinheiro eu pedi. Facilitou que o pessoal da minha faculdade era beeeeem mais tranquilo, mas a minha postura no dia do trote era bem assertiva, decidida mesmo, ele viram que eu não iria fazer o que eu não queria e repito: isso não prejudica a vida social de ninguém. Eu nunca me importei em ser popular, não acho que as pessoas precisam fazer isso acontecer, isso tem que ser encarado com naturalidade, senão você neurotiza e perde o foco da sua faculdade, que é aprender. Sei que muito adolescente não tem maturidade pra entender isso, mas essas merdas só vão acabar quando mais e mais calouros chegarem com uma atitude diferente, e denunciar o assédio, botar a boca no trombone. Se eles continuarem cedendo, não dá. Claro que é difícil, mas olha quanta gente aqui vai ficar do lado deles!

Anônimo disse...

O que faz uma pessoa ser excluída não é não participar do trote, e sim como ela reage com os colegas de faculdade, veterano ou calouro.

Sou da vet e as pessoas que são excluídas não o são por conta de não participar do trote, são pessoas que são de difícil convivência e querem impor à força sua opinião, seja o assunto que for. Inclusive a maioria delas tem problemas com um número considerável de professores por conta desse tipo de conduta.

A imbecilidade está na intolerância e radicalismo, assim como em se esconder atrás de desculpas e querer se fazer de coitado.

Por fim, o que muda a sociedade e o mundo é a educação, não fazer bravata e barulho por todo e qualquer motivo que você não concorde. O que eu não concordei ou concordo na minha vida, inclusive durante a faculdade, ou não me envolvi ou eu trabalhei e me envolvi de forma harmoniosa para mudar. Posso dizer que graças a Deus até hoje tive mais resultados positivos que negativos.

Mais amor e fraternidade, menos radicalismo. E educação na mesma importância...

Fernanda disse...

Nossa Senhora.

Há um tempo atrás fizeram um experimento prático para comprovar o poder do chamado fenômeno de massa, que é quando o sujeito está de tal forma diluído em um conjunto de pessoas (massa), que acaba desprovido de sua individualidade. Em uma sala de espera médica, colocaram uns 10 atores, que faziam o papel de pacientes, ao lado de apenas uma pessoa que não sabia da farsa. De repente, começava a sair uma fumaça debaixo da porta do médico. Os atores não se moviam; continuavam lendo tranquilamente suas revistas. A única pessoa que não sabia de nada olhava para as outras, achava estranho, mas também não se movia. A fumaça chegava a tomar quase todo o ambiente da sala de espera, e a pessoa não ousava fazer nada, simplesmente porque o grupo não reagia. Se fosse fogo mesmo, estariam todos cozidos lá dentro. Assim caminha a humanidade.

Quando alguns aqui falam do poder de escolha, de dizer "não", tenho sempre a impressão que querem se exaltar: "vejam como sou forte!", "o mundo não é para os fracos!", "quem mandou aceitar isso?", e por aí vai. Clap, clap, clap, à la americana, que bom que vocês são fortes, decididos, bem amados, determinados, imunes à violência social, com uma auto-estima de aço e profundamente seguros de si. Isso é ótimo.
Basta compreender agora que a humanidade é bastante diferente disso. Se consciência fosse uma aquisição natural, nata, esse blog não existiria, pelo menos não nesse formato, com essa função.
A grande maioria das pessoas é insegura, hesitante, e, sobretudo, adormecida. Não sabe direito o que quer, o que deve querer, o que pode querer. E cada um tem seu tempo de despertar, isso para aqueles que conseguem... Aí vocês querem exigir que com essa fragilidade toda eles se imponham com todo fervor contra a própria participação nos trotes das faculs. Isso aos 17, 18 anos. Alô alô empatia??? Alô alô compaixão???

A massa só se transforma em grupo com consciência. Com a escolha de estar presente ali no meio daquelas pessoas, sem se fusionar com elas, mas dividindo um propósito comum. E, se isso não está ainda claro para alguns, pode ser ensinado e aprendido. Daí a importância de se evitar o tipo de comportamento e atitude que os trotes reafirmam.

Ps: Lola, seria o melhor investimento do governo se você fosse inteiramente financiada para escrever no blog.

Joao D'Andretta disse...

Sou da Veterinária da USP, nunca participei de nenhum trote do qual não concordava e nem por isso tenho menos amigos. Tenho certeza que se a R. fez tudo que fez é porque tem cabeça fraca ou realmente gostava de fazer.
Os ativistas sempre fazem a revolução nas consequências, mas ninguém quer agira na causa! Será que a festa da Vet influencia a rede globo, band e record a colocar bundas na programação? será q nossa festa colabora com a composição de funks no rio de janeiro? será q nós influenciamos a Madona a fazer aqueles clipes sensuais? será que nossa festa faz as mulheres gostarem de ler 50 tons de cinza?

Talvez nem todas as mulheres sejam a favor desse feminismo desenfreado e talvez nem todas as empregadas sejam a favor dessa defesa sem causa contra o tema da festa. É importante o "advogado" consultar o interesse da vítima antes de entrar no julgamento!

André disse...

Fernanda,

Penso que a maioria dos comentários não foi com intenção de dizer "Vejam como eu sou forte!" mas no sentido de dizer que se recusar a ser humilhado não vai excluí-lo socialmente na universidade. Claro que os jovens são mais vulneráveis, e que cada em faculdade vai ter uma pressão diferente. Mas quem ganha com a perpetuação do mito que quem recusa trote não terá amigos?

Anônimo disse...

o curioso é que R pode ser identificada, na faculdade todo mundo se conhece e sabe que ela mesma nem sempre seguiu a conduta que diz concordar, incoerente...

Leio Lola Leio disse...

Resposta ao comentário da Elisa 25 de abril de 2013 17:39,

A nossa geração não é chata! Antes fosse... A nossa geração (aliás, é uma tremenda generalização o termo "nossa geração") é consumista e hedonista e não percebe o limite do outro, nem se propõe a percebê-lo.
Quando um grupo se propõem a organizar uma festa com a temática "empregada doméstica" do jeito que foi abordada, conforme a autora do guest post contou, esse gurpo está sujeito a reações negativas e positivas.
Respeito você não achar nada demais, não se ofender ao se deparar com uma manifestação como a da veterinária, mas não acho que você possa falar pelos outros. Eu posso me ofender com detrminada frase de um comercial, foto numa revista... Aquilo pode me afetar, pode afetar um grupo e a questão não é questionar a "legitimidade da dor do outro", mas sim pensar que aquela comunicação poderia ter sido diferente. Festejar a PEC das empregadas domésticas, por exemplo, pode ser um tema bacana, pode ser abordado com humor, oras! Mas, como certa frase que ouvi por aí, vamos rir dos opressores e não dos oprimidos, caceta!

Débora disse...

Nossa, q exageeeero... em 5 anos de vet usp eu não fiz uma mastiguinha e ninguém me repreendeu, eu não fui menos aceita por isso nem tenho menos amigos... e olha que entrei com 17 anos, a tal da "fase que quer alcançar o sucesso social"!
Na faculdade tem todos os tipos de gente, junte-se aqueles que são como você e pronto! Se a pessoa só se foca no pessoal super popular e se submete a coisas que não quer aceitar só para ser popular, já é um problema que ultrapassa o feminismo e entra na ignorância, de não entender que você não precisa disso pra ser feliz na faculdade e na vida.
Minha amiga também entrou com 17 anos e nunca bebeu na faculdade. Uma questão de princípios dela da qual ela nunca abriu mão para ser popular, por mais que todo mundo insistisse e, nem por isso, ela é considerada uma das chatas da sala... Pelo contrário, ela é super festeira e se diverte com todo mundo, mas do jeito dela...

Nanda disse...

Acho que temos que tentar separar o tema de festas de trotes, pois são situações diferenciadas, ao meu ver. Primeiro, pra galera que fica aí falando que festas são um absurdo, que temos mais é que estudar na Universidade, fico pensando se já foram em alguma. Porque eu, pelo menos, durante a minha graduação, fui a muitas festas, conheci muita gente, fiz vários amigos, e foram nessas festas que fui conhecendo o debate sobre feminismo e direitos lgbt, já que no meu instituto esses debates são bem fraquinhos. E não deixei de estudar por isso.
Quanto ao tema dessa festa (é uma festa, não um trote) precisamos discutir a ideia dela, e não sair tachando todos os veterinários de machistas escrotos. Bem, concordo com a autora, o tema foi infeliz. Se quem bolou a festa (sim, sabemos que a ideia partiu de mulheres, isso não muda em nada o debate)acompanha os debates sobre a profissão de empregada doméstica, deve saber que esse fetiche da empregada doméstica e o assédio que elas sofrem é real, ou não? A questão do cartaz foi fazer troça com uma profissão que foi desvalorizada durante tempos (desvalorizada sim, porque valorizar não é dar bom dia, é assinar carteira de trabalho, pagar salário decente, garantir férias, décimo terceiro). Se vc faz uma piada com empregada ser motivo de fetiche, você reforça o estereótipo. Agora, pro estudante da vet usp que falou que feministas são muito extremas, bem, estamos discutindo um assunto. Não estamos demonizando vocês, só achamos o tema da festa machista. Não concorda? Paciência, demos mil motivos pra achar isso. E por sinal, você deveria procurar um pouco sobre feminismo, descobriria que o feminismo não é uma massa compacta, que quando falamos de feminismo falamos de feminismos. Existe a militância negra, trans, existem movimentos populares (você por acaso já foi em algum assentamento ou já ouviu falar da marcha das margaridas?). Sempre que alguém vem falar que feministas extremas, fico pensando: mas com quem essa gente anda conversando? São uns discursos tão sem pé nem cabeça.

Safira Solitaria disse...

Honestamente, acho engraçado tanta gente comentando da imaturidade dos calouros que participam e NADA da imaturidade de quem cria essas "brincadeiras"

Anônimo disse...

Creio que a R. nunca tenha aplicado trote em nenhum calouro do curso....certo?

opa, aplicou sim...!!

hummm..interessante!!!

Anônimo disse...

verdade seja dita, se um bixo se recusa a fazer algum trote É INTIMIDADO SIM, já é chamado de bixo escroto, mala, que não quer socializar, não digo todos, mas há veteranos na veterinária que querem ser tratados como rei e impor sua vontade sobre os bixos, não é essa coisa amigável que estao dizendo, que se o bixo diz não, é tratado bem, MENTIRA, tem veterano que intimida e intimida MUITO. Mas agora quanto a festa, pelo amor de deus, não tem nada demais, acho que todo mundo entendeu que foi um tema infeliz, SIM, mas a veterinaria nao quis ofender ninguem, entao assim como os veterinarios ja entenderam que foram infelizes na escolha do tema, mesmo sem intenção de ofender ninguem, acho que os revolucionários poderiam parar de tanto alarde e ladainha, porque já ta ficando insustentavel essa guerrinha por nada

Maria Valéria disse...

Fernanda , que escreveu as 09:25

Como faz para assinar embaixo do seu comentario??

Do jeito que alguns comentários estão escritos, da na mesma do que culpar a vitima de bullying pelas agressões sofridas porque ela e " fraca"

E ja existem estudos que relacionam trote violento com o bullying que existe nas escolas., como se fosse uma perpetuação desse comportamento.( sugestão de leitura: bullying, mentes perigosas nas escolas)

Bjs.

Anônimo disse...

Só para deixar bem claro, na veterinária da Usp entram por ano 10% à 15% de homens, então não é por causa dos homens que as brincadeiras existem!

Huan Icaro Piran disse...

Quando eu tinha 13 anos, eu estava voltando para casa com minha mãe e vi um calouro na rua, sujo, de roupa intima, descalço, com os pés cheios de bolhas por caminhas, ele acabara de ser surrado por dois veteranos e estava lá, no meio fio, de uma cidade brasileira conhecida por ser um lugar bacana onde neva por vezes, choramingando.
Naquele dia eu comecei a alimentar um ódio por isso que nunca parou de crescer e em meus primeiros dias de faculdade fiquei esperando, queria mudar isso a força, pela força que eu sabia que seria possível. Fui para a instituição com um porrete artesanal esperando apanhar como aquele calouro, mas disposto a reagir a altura e não aceitar me submeter. Eu sei que a Lola não gosta quando posto estes posicionamentos belicosos, mas relato que realmente fui para a aula com uma mescla de medo e ódio, pronto para apanhar.
Fui alguem de muita sorte, o trote de nossos veteranos foi meramente fazer uma vaquinha de 5 dinheiros dos novatos para ajudar a custear um churrasco de boas vindas, onde todos, veteranos ou calouros recitaram poesias, debateram Focault, Marx, Emma Goldman (eu não a li até hj, mas esta na minha pilha de quase 1m de livros por ler lá na mesa) entre outros, beber (pela primeira vez passei mal de tanto beber...) e por fim, aqueles que aceitaram (os calouros e veteranos que foram aceitaram por vontade própria)sujar-se com maquiagem para tirar uma foto.
Me considero alguém de sorte, mas a imagem daquele rapaz surrado e humilhado, no relento frio do meio frio choramingando nunca vai sair da minha cabeça e a raiva que sinto por conta disso dificilmente vai passar, assim como não passou nestes 10 anos.
E olhe que eu nem compreender o feminismo não compreendia na época. Não se trata de feminismo, nem de qualquer outra ideologia que sigo ou não, mas sim de ser humano. Humilhar e ferir outro ser humano é moralmente errado.

Huan Icaro Piran disse...

Há sim.
Eu estudava em uma Universidade Particular, mas nas de cá isso ocorria no passado da mesma forma que ocorria nas publicas.
Contudo um reflexo da cultura local que nem tanto é do machismo (Anita Garibaldi e Maria Rosa que o digam) e sim da grande quantidade de guerras e conflitos armados que tivemos é de que as pessoas ainda tem habito de andarem armadas (O Contestado, luta contra o governo terminou na década de 20...ainda temos filhos de revolucionários vivos por aqui). Também digamos que há uma forte descrença na legitimidade do poder do estado por aqui (muitas pessoas respeitam a policia aqui por achar que eles são piores que bandido).
Junte esses fatores, somem com o filho de alguém assim naquela situação que eu citei sobre o garoto no meio fio e tente imaginar quant@ pai e mãe teve de responder judicialmente depois de agredir (nem sempre de mãos limpas) jovens de 18 a 25 anos...

Há bons motivos para trotes por aqui serem proibidos e qualquer suspeita deles gerarem expulsões.

Huan Icaro Piran disse...

@Patty Kirsche

Um amigo meu que estudou no CAV (Centro de Agro Veterinaria - Posto avançado da UFSC no alto da serra) contou sobre um rapaz que fez o mesmo que você. Mesmo as pesquisas em campo deles, no meio do mato, que eram feitas em duplas ou trio por questões de segurança ele teve de fazer só por ninguém aceitar ser dupla com ele. Seus casos mostram as opções claramente.

@Mariana

Não reclamo da minha fama de chato. A verdade é que me aceitar como uma pessoa chata pra caralho me rendeu muitas amizades. Vá entender...

Huan Icaro Piran disse...

@Joao D'Andretta

Cara, na boa. Na boa cara.

Você quer mesmo que eu respeite um profissional formado em uma instituição onde os alunos tem orgulho de serem imorais?

Você quer que eu considere um profissional ético e comprometido alguém formado em uma instituição onde os alunos tem orgulho de serem imorais?

Você quer que eu acredite que os fatores sociais de repressão a quem não quiser fazer parte do trote não vão ocorrer com alguém que estuda em uma instituição onde os alunos tem orgulho de serem imorais?

Você quer que eu acredite que alguém formado em uma instituição onde os alunos tem orgulho de serem imorais, vai ser um bom companheiro de trabalho?

Olha cara, ética não se mede apenas por não fazer o que os outros não querem, mas também por não fazer aquilo que você considera imoral, mesmo quando os outros aceitam. Ou vai me dizer que se eu, um adulto de 25 anos fizer sexo com uma aluna de 10 vai ser moral apenas porque ela quis? Oras, se eu fizer isso com sua filha vai dizer para o advogado consultar a vítima também.

Não, pera. Comecei a gostar de sua ideia... '-'

Anônimo disse...

Hahahahahaha, concordo!

André disse...

Anônimo 14:29,

Não muda muito o sentido do seu comentário, mas só para colocar um número mais exato, os bixos nos cursos de veterinária da USP são 30%.

jéssica disse...

ficar dizendo o quanto os vetaranos são babacas serve para alguma coisa?
enquanto continuarem nessa passividade e mimimi de que "sou obrigado,coitado de mim",esperando que eles tomem vergonha na cara e façam brincadeira decentes, nada vai mudar.
por que não pensam em alguma forma de trote ser proibido de uma vez?
já que parece que a maioria acha trote uma besteira,se juntem,façam uma petição contra isso,ou talvez combinem de ninguém aparecer no dia do trote,qualquer coisa é melhor do que ficar aceitando brincadeira idiota.

vanessa disse...

Alguém vai na casa do aluno e o obriga a ir na faculdade no dia do trote? Não.
É vitimismo mesmo,como já estava cansada de saber como estão essas brincadeiras,eu simplesmente não apareci na facul durante os trotes.
E tudo continuou como sempre,uns falam comigo,outros não,não dá pra agradar a todos.

Leio Lola Leio disse...

O trote muitas vezes é na matrícula.
Na boa, o problema é quem promove o trote e a festa com a temática e não do calouro.
Quero lembrar novamente que foi na veterinária da USP que o casal gay foi expulso da festa por estar se beijando anos atrás e que pessoas que participaram desse ocorrido na época também estão na organização desse evento citado no Guest Post.

Caroles disse...

O episódio de Law and Order SVU dessa semana foi muito triste e mostrou casos de estupros em "frat parties" nos EUA, que eu acho que muito se assemelham a essa cultura do trote no Brasil e principalmente a essas festinhas abomináveis.

Ah, e outra coisa: http://sphotos-e.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/310772_451816234892462_1696357708_n.jpg
Segundo um guri da turma todo mundo já retirou a foto e eles estão redigindo uma carta de retratação a todos que se sentiram ofendidos com essa imagem. Ok. Mas isso isenta eles de terem FEITO isso?

Será mesmo que o certo é achar que "cada um faz o que quer", "participar do trote é cabeça fraca", "as festas não têm nada de mais, não dá pra mudar tudo". Sei não.

Anônimo disse...

Sou aluna do 2º ano de veterinária da FMVZ-USP e afirmo.. o relato da R. (eu sei quem é a pessoa, só pra constar. Ela me disse que iria mandar esse relato ao blog. Só não disse que ia mentir sobre diversos assuntos)não procede. NÃO existe essa história de 'pascu' na Vet USP (em outras faculdades acontece, aqui nunca presenciei e nem conheço alguém que tenha feito) muito menos as meninas tem sua calcinha arrancada.. ISSO É MENTIRA! NUNCA ninguém fez isso comigo e nem com nenhuma outra menina. Por favor, antes de postar qualquer coisa tente pelo menos averiguar se os fatos procedem.
Nossa faculdade sim, tem diversos problemas que inclusive já melhoraram muito. Vários alunos não concordaram com o tema da festa (que realmente, é deplorável) e tão pouco as ofensas que as pessoas favoráveis a festa destinaram aos que se pronunciaram contra. Eu tive muita vergonha da conduta adotada por diversos graduandos, mas isso não justifica esse texto com conteúdo que falta com a verdade. Mais uma vez, antes de publicar qualquer coisa tente averiguar.
Se eu mandar um texto pra vc fazendo uma falsa denuncia/acusação sobre alguém ou sobre alguma instituição, vc simplesmente vai postar? Sem nem saber se é verdade?
Achei lamentável a atitude do blog. Nem tudo que te falam condiz com a verdade.

Anônimo disse...

falou tudo!
dar desculpa pra falta de personalidade é fácil.

Anônimo disse...

fato...

Anônimo disse...

Nossa, lola, os comentários estão sensacionais! Me parece estranho que em um blog feminista, em que um dos problemas discutidos é a culpalização da vítima, tem gente culpando os calouros. Se vcs eram pressoas bem resolvidas com 17 18 19 etc.. beleza, mas tem gente que não e não sabe/sabiam lidar c essa situação. É facil falar dos outros, o dificil é ser empatico. É desanimador ter q ler esse tipo de coisas em um blog libertador desse... falta cumplicidade entre os brasileiros

Caroles disse...

Pois é Anônimo 01:46. Todo mundo tri adulto aos 17.
Estão basicamente dizendo que grande coisa ter esses trotes, participa quem quer - a mesma coisa que os machistas que promovem esses trotes e festas dizem para se justificar. Preocupante.

Julia disse...

"enquanto continuarem nessa passividade e mimimi de que "sou obrigado,coitado de mim",esperando que eles tomem vergonha na cara e façam brincadeira decentes, nada vai mudar."

Realmente, pedir de universitários um pouco de maturidade e que não humilhem os outros é demais. Estão exigindo muito de pessoas que estão dentro de uma Universidade. Peguem leve, pessoal.




Estou sendo irônica, tá? Achei que era importante avisar.

Teresa Villas disse...

bem engracado e totalmente logico o comentario da Julia.
assino embaixo!

mebarak ludgero disse...

Realmente, pedir de universitários um pouco de maturidade e que não humilhem os outros é demais. Estão exigindo muito de pessoas que estão dentro de uma Universidade. Peguem leve, pessoal.


kkkkk essa foi boa,quer dizer que veteranos tem toda condição de serem maduros ,mas os calouros que são praticamente da mesma idade não conseguem isso,tanto é que dizer um simples não aos trotes é impossível.

e ainda negam o vitimismo

Leio Lola Leio disse...

Para a maioria das pessoas, entrar na universidade é entrar em um universo antes desconhecido. Acho que isso é mais intenso numa universidade pública, porque há a possibilidade inclusive de conhecer pessoas e ideias fora da própria área, já que para assistir uma aula em outro curso, por exemplo, é muito mais fácil que numa particular (para começar, não precisa pagar para ser ouvinte de uma aula fora da sua graduação). Então, espera-se que o veterano realmente tenha uma postura mais madura que o bicho.
A RIUSP tem (ou tinha) a tradição de "adotar um bicho" e lhe auxiliar nas coisas mais simples relativas à burocracia da faculdade, até coisas mais complicadas, como conseguir moradia nos arredores da universidade. Isso é genial! Isso é uma recepção positiva! Isso é um interesse legítimo pelos colegas que chegam à faculdade, ainda mais porque é muito mais fácil entrar na USP que sair e muitos desistem porque não conseguiram se manter em São Paulo, por exemplo, porque não tiveram acesso a algumas informações, não tiveram a quem recorrer.
A questão não é exigir seriedade do calouro, ou sei lá, mas, poxa, há uma diferença gritante entre o exemplo de recepção que eu dei e o exemplo da R. e de outros que por aqui comentaram sobre trote abusivo. É fácil dizer: não assiste TV, não coma porcaria, não vote em político corrupto, não vá às festas da universidade... Gente, como já foi colocado aqui, infelizmente, a vida não é tão simples assim. Esses sujeitos que estão se divertindo com essa história, que ficam tirando sarro de alguém que pontua o que está inadequado no tema da festa, que o tema é ofensivo, essas pessoas que sequer se dispõem a dialogar sobre isso (me poupe: a R não mentiu sobre o tema da festa, pára de encher o saco querendo ridicularizar a menina. Imagino como a situação vai se complicar para o lado dela na vet. Sugiro que busque pessoas que sejam mais parceiras na universidade, não se restrinja à vet, não faltaram uspianos nesse fórum que desaprovam o ocorrido na veterinária, R. vc não está sozinha! talvez seja o caso de andar por outros lugares e grupos lá dentro).
Essas pessoas que organizaram a tal festa estão reproduzindo certa lógica e já passou da hora delas se darem conta que um cartaz como aquele provoca tais interpretações, é um ato ofensivo. Imagino que as trabalhadoras que fazem a limpeza na universidade não gostaram do que viram nos cartazes, como os funcionários que trabalham nas obras da USP também não devem ter achado "super legal" o cartaz da festa do pedreiro.
Aliás, a imagem dos alunos da USP para a maioria dos funcionários é bem queimada, viu! Como se todos fossem um bando de filhinho de papai que não limpa a própria sujeira, mas são capazes de "botar fogo em índio". (Lola, por que não dá mais para comentar anonimamente?)

Monica disse...

sabe uma coisa que me irrita profudmente? gente que acha que o mundo gira ao redor do umbigo delas.

"porque EU não participei de trote", "porque EU me recusei a participar e não fui excluída depois", "porque EU tenho personalidade e me neguei a fazer o que eu não queria".

poxa, parabéns pra você, campeão/ã. quer uma medalha?
pois teve gente que aceitou participar e foi humilhada. sabe qual o problema disso?

o problema não é existir jovens de 17 que cedem à pressões. o problema é existir dentro de universidades trotes que humilham. ESSE é o problema.
não sei porque a caixa de comentário desse post virou uma enxurrada de relatos de fodões e fodonas que nunca fizeram nada que não queriam por pressão social.

e eu que pensei que o post era sobre um trote escroto e estudantes universitários sem noção...

ps.: vocês não leram o comentário da Patty às 21:10 e 23:10 ou fingiram que não viram? ela conta como recusou participar do trote e por isso foi perseguida. leiam e tenham um pouco de empatia.

adasfazfafsddsaf disse...

Leio Lola Leio.
Novamente, evite publicar mentiras.
As chapas de CA/ Atlética mudam de ano em ano. O fato ocorrido do beijo gay no CA (que na verdade nada teve a ver com homofobia - pode ser debatido depois) ocorreu a 4 anos. Quem era da chapa em questão já é formado. Não tem nada relacionado com esse HH.

Maria Valéria disse...

Assino embaixo, Mônica

Ta cheio de gente forte e bem resolvida nesse mundo,

Eu heim.. :/

Leio Lola Leio disse...

Pode não ser da chapa do CA, mas são os tais veteranos que sempre estão por lá! Que no meio da discussão na página do evento da festa que já aconteceu postam vídeos do Mc Catra porque tudo tem que ser muito engraçado sempre, né?

mebarak ludgero disse...

monica

não é questão de posar de fodão,é que é irritante ficar nesse choramingo de "sou obrigado", sem ter atitude nenhuma.

todo mundo sofre pressão e faz coisas que n quer por isso,mas isso n significa q a gente deva ficar aguentando uma situação que n gosta eternamente.

eu sempre fui obrigada a ir em festas de familia que eu n gostava,porque n gosto de festa em geral e eles conseguiam isso me chantageando emocionalmente,dizendo que ficariam tristes,magoados se eu não fosse,que era falta de consideração da minha parte.
chegou uma hora que eu n aguentava mais e como tava na cara que eles n iam parar com a palhaçada,quem tinha q tomar uma atitude era eu,não fui mais em festa nenhuma,nem no natal eu apareço,se eles n gostam problema deles.
e funcionou porque ninguém mais fica de mimimi comigo,tentando me obrigar a ir.

com o trote é o mesmo,estou vendo reclamações sobre isso a anos e tudo continua na mesma,porque ninguém faz nada.
vcs n acham q esses veteranos n sabem que muita gente acham eles uns babacas? sabem sim e estão se lixando para isso,a prova é esse post,com mais um trote imbecil deles.
eles deveriam saber q n tem q humilhar ninguém?deveriam,mas pelo jeito não sabem.

só tem uma solução,parar de reclamar e fazer alguma coisa,nem precisa ser os adolescentes,porque pra vcs eles n são capazes de nada,então q sejam os pais dos alunos ou qualquer um q ache isso absurdo.
porque se ficar esperando eles tomarem vergonha na cara,essa situação não vai acabar nunca.

Maria Valéria disse...

Mebarak

Existe uma grande diferença entre chantagem emocional para ir a festas de familia e trote universitário violento,

Alias, eu nao considero trote violento muito diferente de bullying, ha ainda quem considere o trote uma das variantes de bullying e que pode deixar marcas tao pesadas quanto,
No bullying ha uma relacao de poder entre o agressor e a vitima .Se nao houvesse esse relacao de poder do agressor e a auto - estima baixa da vitima,nao haveria bullying,
Fica facil cobrar de uma pessoa com baixa auto - estima que ela tenha poder de decisão ou segurança para dizer " nao" sempre que quiser.A violencia só existe porque ha o elo mais fraco, certo?
Em vez de cobrar das vitimas uma " postura" , que tal cobrar mais empatia e mais respeito dos agressores?? Ou mesmo punir quem age assim?? ;))
Um abraco ! ;))

mebarak ludgero disse...

Em vez de cobrar das vitimas uma " postura" , que tal cobrar mais empatia e mais respeito dos agressores?? Ou mesmo punir quem age assim?? ;))"

quem é que vai cobrar,os veteranos?não né ou você acha que eles por si só vão perceber o quanto são idiotas?
obviamente quem tem q reclamar é quem é atingindo por isso.
será que até os pais dos alunos tem a auto estima baixa,que n podem pedir providências da faculdade,afinal,eles tem responsabilidade pelo que os alunos fazem lá dentro?

imagina se as mulheres de antigamente tivessem ficado nessa,só reclamando dos homens,do machismo,da opressão e esperando que eles reconhecessem nosso direitos,hj em dia ,a gente ainda estaria confinada em casa cuidando de inúmeros filhos e servindo de empregada para os maridos.

Maria Caroline disse...

Lola, Lola, Lolinha...
Eu sou a Carol, que te mandou aquele guest post "Lola, preciso te agradecer" e você não consegue imaginar minha felicidade ao saber que você vem quinta pra USP! Eu faço Letras lá, comecei esse ano e também já entrei pro coletivo feminista da Letras, o Marias Baderna, o que eu estou amando! Não vejo a hora de te ver ao vivo e de te tietar!

Beijos e obrigada por dividir seu tempo conosco.

E ao anônimo que questionou o uso do seu tempo, Lolinha: Queridx, vamos lá, você é mais inteligente do que isso. Por que em vez de tentar monitorar o tempo dos outros , você não tenta ir fazer algum bem pro universo, começando a deixar de ser ou parecer um(a) troll?! Vamos lá, acredito em você!

Maria Caroline disse...

Olha, Olivia, que disse:
bom, nao da pra esperar muita coisa da usp. lugar retrogrado, machista, patriarcalista, preconceituoso, discriminatorio, elitista.

micro-cosmo da sociedade brasileira.

e pode ter certeza que nada vai mudar.



Acho que é capaz de mudar, sim, viu? Esse ano já tivemos vários exemplos das pessoas se posicionando contra esse tipo de trote,tivemos a oposição contra o miss bixete em são carlos e o integrapoli aqui na usp de SP, por exemplo. Acho que isso já é um bom começo, pois, agora pelo menos as pessoas estão abrindo os olhos para a realidade do que é , como é e quem mais sofre nesses trotes violentos: é algo que existe com a finalidade de humilhar e encobrir casos de misoginia e racismo. Se o mundo está mudando, ainda que devagar, graças a pessoas que se posicionam em busca de mudanças, por que não a USP?
Não estou dizendo que lá é um lugar maravilhoso, perfeito e livre de preconceitos atualmente, apenas estou dizendo que isso pode sim mudar!

Maria Valéria disse...

Concordo que alguem tem que reclamar de alguma coisa, principalmente os PAIS dos alunos atingidos.

So que vc se esquece de um detalhe: por medo de mais represálias ou por vergonha, muitos estudantes nao contam aos pais as humilhações sofridas.Muito semelhante ao bullying...se o aluno nao conta para os pais, como e que eles vao saber e vao reclamar?...

Teve um caso na faculdade de Leme ( cidade vizinha da minha) que fizeram o cara beber, espancaram e depois o largaram caído na rua.Se a mae de outro aluno nao tivesse encontrado o rapaz caído e socorrido, ele estaria morto,Esse caso so foi denunciado porque chegou ao extremo, o menino quase morreu, saiu na imprensa, etc...e tantos outros casos?

Nao adianta dizer pra reclamar se vc nao tem pra quem reclamar , se vc nao tem um canal com quem conversar ali na faculdade.na minha opinião, esse papel deveria ser feito pela própria universidade, com espaço pra denuncia.Na minha época nao existia, nao sei sei hoje existe.

Em alguns países da Europa o bullying e passível de denuncia e o adulto que souber e nao denunciar pode ser indiciado por omissão ou negligencia.

Por que aqui nao e semelhante , ou nao existe com quem as vitimas conversarem? ...porque se for esperar que uma vitima conte para pai e mae...so se for e, casos extremos,muito graves.( me corrijam se e tiver errada)
Bjs

mebarak ludgero disse...

maria valéria

nisso eu vou ter que concordar com você

Nandinha Pereira disse...

Uma estudante da Universidade de São Paulo (USP) diz ter sido estuprada na noite da última sexta-feira (26) durante uma festa em uma república de estudantes na cidade de Lorena, no interior de São Paulo.

http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2013/04/aluna-da-usp-diz-ter-sido-estuprada-por-colegas-em-festa-em-lorena.html

Joao D'Andretta disse...

Como já foi dito, pesquisem antes de publicar afirmações falsas aos 4 ventos. Compareça no trote da veterinário em 2014 e constate se tudo isso que a querida R. escreveu realmente existe. Só pra constar, fui à festa na 6a feira e não houve desrespeito algum à classe de domésticas, não houve estupro algum e muito menos desrespeito às mulheres (até pq seria difícil isso ocorrer em uma faculdade onde 70% são mulheres). Como mtos disseram isso foi uma tempestade em copo d´água feito por mtas pessoas de uma faculdade q se vangloria por ter cânticos favoráveis ao uso de entorpecentes, inclusive com bandeirões. Isso pode né? Deixem de ser hipócritas, isso é muito pior do q um cartaz com uma mulher semi-nua para divulgar uma festa. Vcs precisaram trilhar um roteiro de filme hollywoodiano para estabelecer uma relação com o estupro em Lorena. ao passo q a compra da maconha está diretamente ligado ao crime! E os trotes considerados mais pesados, são feitos por um grupo, q hj é minoria, logo, basta se distanciar deles e estar aberto a amizade dos demais. A veterinária não é esse monstro que vcs querem ver! Convido todos a aparecerem por lá antes de sair cuspindo estrume por aí!

Joao D'Andretta disse...

@Huan Icaro, gosto da sua maneira de distorcer as coisas. primeiro entenda como funciona o direito, dps faça analogias realsitas. No caso da garota de 10 anos, esta deve ser representada por seu pia/mãe/tutor, etc maior de 18 anos, pois não tem condições de responder por si. Logo sua história é surreal, assim como muitas outras aqui escritas, inclusive a que causou toda esta discussão. Mas internet é isso, vc divulga o q quiser, seja verdade ou não, e seus seguidores acreditam cegamente, sem ao menos consultar a outra parte. Uma ótima forma parcial de ver o mundo! Quando digo que devem ver se todas as mulheres querem ser defendidas sob os princípios feministas, pauto-me na indignação que vejo por parte de muitas amigas q discordam do movimento, na quantidade de livros "50 tons de cinza" vendidos e amado pelas mulheres, na quantidade de programas televisivos que abusam do corpo feminino e atingem topos de audiência. Será que todas querem mesmo td isso q vcs reivindicam? Mostrei o folder da festa para minha empregada e ela não viu nada demais, não se sentiu ofendida. Por isso escrevo mais uma vez: parabéns pela tempestade no copo de água! Agora lutem por coisas sérias, por favor. menos teoria e mais prática!

Leio Lola Leio disse...

Joao D'Andretta, as suas muitas amigas que não se sentiram ofendidas (inclusive a ruiva que ia brindar a vitória sobre as feminazi na fatídica cervejada) são machistas. Existem mulheres machistas, assim como existem homens vítimas do machismo. Muitas mulheres que permitem e participam de trotes e eventos que subjugam mulheres estão reproduzindo a lógica machista e a cultura do estupro. Tá, mas é melhor eu nem ir por esse caminho na resposta a você. Talvez, se você se dispuser a ler uns três textos aqui do blog (nem vou solicitar que você leia algo sobre feminismo, veja, bem, vamos ser café com leite, ok?), pode ser que o exercício de leitura esclareça algumas questões para você, ou te permita elaborar novas questões sobre como as mulheres são diariamente bombardeadas com certa violência silenciosa.
Ah, concordo com você: bando de usuários de drogas de certas faculdades, né? Não sei como o Denarc ainda não interviu... Afinal, na veterinária não há uso de drogas! Não, as bebidas no pancadão da vet e eventos afins são vendidas sob controle, só apresentando RG e comprovando a maioridade. Não há baseado nem nas HH da vet, nem na quinta i breja da ECA, nem na FESTECA, nem na Só Nóis Constrói, nem na Festa Abate, nem nas festas realizadas pela Poli no velódromo... Só numa faculdadezinha que as pessoas insistem em ter senso crítico a droga rola solta! Como ninguém vê?! Por que não implodem logo aquele antro da droga, daí todos os problemas do mundo acabariam. Ah, vale lembrar que também não tem drogas ilegais nas festas da prainha da PUC, na rua do bar vermelho, na saída da São Judas... Só na universidade pública e naquela faculdadezinha do Florestan Fernandes, do Fernando Henrique Cardoso, da Marilena Chauí! tsc tsc tsc (Ah, só pra constar: essa última parte da minha fala foi irônica!)

Joao D'Andretta disse...

Claro que existem drogas em todas as faculdades da USP, de São Paulo, do Brasil, do Mundo. Só me espanta a que se julga o único cérebro ativo e pensante da faculdade ser a que mais faz apologia, sabendo que se trata de crime e que traz consigo além dos malefícios à saúde (q é individual e seria indiferente para mim se vão morrer por conta disso ou não), tem toda a questão do crime organizado por trás disse, onde muitas mulheres tbm são estupradas, subjugadas, etc e tal.
O mínimo que deveriam fazer é evitar fazer a propaganda gratuita do crime organizado, já que o vício não permite que cessem os investimentos nos delinquentes de amanhã.
O que me incomoda é a hipocrisia de vir nas faculdade dos outros e apontar o dedo, esquecendo-se de olhar para o seu próprio nucleozinho e ver se tem alguma moral para julgar os demais. Por isso a Vet fica na dela, faz suas festas e curte a vida numa boa sem confusões, pq sabe q tem seus defeitos e não vai ficar falando mal dos outros. Portanto, façam suas festas regadas a baseados e não fiquem pentelhando a festa dos outros. Simples assim!

Fernando Junior disse...

Joao D'Andretta.
é claro nem todas as mulheres vao querer ser feministas ou ser protegidas sobre a ideologia feministas .mas também nem todos aderem a ideologia de igualdade para todos,ou estado laico,ou esquerdismo ,ou anarquismo ,e etc...(por alguns motivos óbvios ,outros nem tanto assim).
existe até mulheres que acham que mulher só tem que ser mae ,ou deve obediencia ao marido,enfim algumas mulheres sao contra ao feminismo.mas isso de forma alguma invalida o movimento acho que voce sabe disso.
mas também todas as conquistas do movimento servem para mulheres anti-femiistas também .sobre o que voce falou dos livros do 50 tons de cinza,programas que objetificam a mulher fazerem sucesso ,há um erro de conceitos :primeiro ,pelo que eu sei o movimento feminista nao que acabar com a sensualidade , mulheres ser modelo ,e coisas do tipo,as criticas vao :ao contexto de dominaçao masculina,exigencia de beleza,que isso é a funçao primordial da mulher ,e uma coisa que me incomoda e que parece que a sexualidade da mulher nao é feita para ela ,e sim para um homen .é nisso a critica nao a atividade em si.e qual seria essa reivindicaçao do feminismo ao qual voce mencionou?a reivincaçao nao é que as mulheres parem de ganhar dinheiro com o seu corpo ,mas que alguns conceitos sexistas relacionados a isso sim.a luta é pela liberdade ,de ser modelo,strpper ,e o que quiser.e sobre a sua empregada nao se sentir ofendida ,nao muda nada ,alguns negros nao se ofendem com alguma coisa racista,por exemplo,sem falar que ela pode nao enteder o contexto,ai eu já nao sei.mas nao é tempestade em copo d'agua nao ,como eu já disse o problema nao é a sensualizaçao ,mas esteriotipizaçao das domesticas (como a moça do post falou)ainda por cima o momento que fizeram isso (ainda satirizando de uma forma muito imbecil).

umbrios disse...

Olha, eu fiz Vet na Usp também, sou da turma 63. Os trotes eram estúpidos, melhores do que das turmas anteriores (a famosa turma 59, que dava beijos à força nos calouros, tinha acabado de sair), talvez piores que nos posteriores (você não citou o banho de líquido ruminal nem o morde-bunda. Espero que ao menos o segundo tenha terminado, depois que aquela caloura fez, muito corretamente, BO por agressão).

Primeiro de tudo: responsabilidade individual. Se você participou de brincadeiras para ser aceita, então não, você não foi obrigada a nada. Pode não ter gostado, mas tome a responsabilidade por sua vida, guria.

Eu estive nessa mesma situação de trotes escrotos, e, na boa, para a grande maioria, basta dizer não. Vão te chamar de chata? Talvez. Na minha turma, tínhamos o grupo dos Coxinhas. Assumimos o apelido e nos encontramos até hoje. Deixávamos o povo mais tresloucado ir para as festas de puta e cafetão, ou qualquer outra bobagem que quisessem, e os ignorávamos. Chegamos a ser acusados de bulling >:) , porque quando o povo mais tresloucado chegou bêbado no quarto tentando tocar chifre (é o instrumento do peão mesmo), sertanejo e fazer festa no dormitório às 3 da manhã (o INPS coletivo, não sei se ainda é usado), simplesmente pegamos nossos colchões, travesseiros e roupas e fomos todos para o outro quarto, deixando a meia dúzia de bagunceiros sozinhos, para depois eles reclamarem que "puxa, vocês não gostam da gente?". Pressão social funciona dos dois lados.

Páre de tentar ser amiga do grupo "popular" (que talvez nem seja tão popular assim), e viva a sua vida, que você vai descobrir que não é difícil arrumar amigos, e que não é a única que não gosta desse tipo de coisa.

Tenho orgulho de dizer que durante a nossa faculdade, o CA da vet quase faliu, por falta de quórum nas festas em que conseguia dinheiro.

Segundo: responsabilidade individual tem limites. Se as coisas não mudaram (e alguns fatos que ouvi sobre a faculdade me fazem acreditar que talvez os mais idiotas tenham aprendido) algumas das "tradições" mais imbecis da vet não eram voluntárias. Um calouro podia escolher não ir ao final de semana de Pirassununga (óbvio antro de trotes), mas uma vez lá, não tinha como fugir do banho de líquido ruminal, por exemplo (alguns calouros eram até amarrados para não fugirem). O morde-bunda, também, outra excrecência da veterinária, não era algo com o que o mordido concordasse... os calouros (e calouras) eram às vezes agarrados por cinco, seis veteranos. Para fugir dessas coisas (era possível, passei pela vet sem tocar em líquido ruminal e sem levar nenhum morde-bunda) era necessária bastante capacidade de discernir entre armadilhas de veteranos e situações normais, o que é difícil e no meu caso envolveu grande parte de sorte (até no fato de que meu aniversário cai em julho, mês de férias). Gente que odiava trote, que não participou de nadica de nada, caiu nessas porcarias, e como toda violência em grupo, isso era bem difícil de ser evitado.

Mas o que não se evita pode ser punido. A melhor de todas foi a de uma menina : foi agarrada, teve a bunda mordida, saiu do lugar, fez um BO e processou a veterana (que já era formada e nem deveria estar ali). A veterana, a Mause, merecidamente, perdeu o emprego e quase perdeu a bolsa de doutorado, por ter perdido a ficha limpa. E creio que o morde bunda foi para a história, por causa dessa caloura heroína.

Huan Icaro Piran disse...

@Joao D'Andretta vou fazer alguns recortes aqui.

"@Huan Icaro, gosto da sua maneira de distorcer as coisas. primeiro entenda como funciona o direito, dps faça analogias realsitas."

Você que começou com a brincadeira de distorções cara.

"No caso da garota de 10 anos, esta deve ser representada por seu pia/mãe/tutor, etc maior de 18 anos, pois não tem condições de responder por si."

Qual a parte de maturidades psicológicas você não entendeu? Tenho de explicar as bases da violência simbólica também ou será que vou ter de explicar o funcionamento da teoria que embasa a lei...

"Logo sua história é surreal,(...)"

Simbolismo, conhece?

"Quando digo que devem ver se todas as mulheres querem ser defendidas sob os princípios feministas, pauto-me na indignação que vejo por parte de muitas amigas q discordam do movimento, (...)"

Conheço mulheres que defendem a ditadura militar, conheço mulheres que são anarquistas. Pessoas são assim, algumas querem ter direitos, outras gostam de ser capachos de seus opressores. É a vida, esta pequena entidade metafórica sádica.

"(...)na quantidade de livros "50 tons de cinza" vendidos e amado pelas mulheres,(...)"

O incrível livro que alega falar de BDSM sem falar de BDSM? A maioria das mulheres que conheço e leram (ou tentaram) odiaram essa porra.

"(...)na quantidade de programas televisivos que abusam do corpo feminino e atingem topos de audiência. Será que todas querem mesmo td isso q vcs reivindicam?"

Explica isso melhor que não fez sentido mesmo com o resto do texto.

"Mostrei o folder da festa para minha empregada e ela não viu nada demais, não se sentiu ofendida."

Mas alguém se sentiu. Esse alguém não deve ter voz?

"Agora lutem por coisas sérias, por favor.

Você esta me dando uma ordem? Cara, tem certeza que quer me dar uma ordem?

"menos teoria e mais prática!"

Faz assim cara, vem comigo em uma Ocupe ver o que debatemos, conhecer umas feministas (e uns também) que fazem passeatas e dai você me fala novamente sobre pratica. Pode ser?

Huan Icaro Piran disse...

@Joao D'Andretta agora, sobre seus demais comentários. Fico feliz então que algumas pessoas como você tentem garantir que a imagem do curso esteja limpa e que seja uma minoria que cometa trotes mais pesados.

Contudo não basta que esses grupos sejam evitados, eles precisam ser combatidos.

Joao D'Andretta disse...

O combate não deve ser feito generalizando uma classe toda sem ter certeza de que as informações são procedentes. É injusto com a grande maioria que não apoia essas atitudes e a imagem passa aser construída de forma imparcial.

Leio Lola Leio disse...

Curiso você dizer isso, João D'Andretta, porque é você quem mais generaliza as pessoas em suas falas, como as feministas, por exemplo, ou até mesmo afirmando que toda uma faculdade, que tem em torno de 10.000 alunos na graduação e cerca de 3.500 alunos na pós, todos esses 13.500 alunos são usuários de drogas entre outras coisas que você colocou nessa discussão e tantas outras que colocou em outros meios, redes sociais como muito menos polidez que por aqui. Quanta incoerência!

liliforful Forna disse...

Tudo isso é por causa do EGO, essa imagem falsa que muitas pessoas fazem praticamente qualquer coisa para defender, e quando jovens isso é ainda pior, com necessidade de ser "aprovado", aceito.
Nessa atual sociedade doente que vivemos quando alguém falar que você é estranho e diferente, pode ter certeza que certamente estará no caminho certo.