sábado, 6 de abril de 2013

GUEST POST: CORTAR PARA ALIVIAR A DOR

Saber que há tantas meninas (uma em cada cinco adolescentes) que se cortam foi uma das coisas surpreendentes que aprendi com o blog. Eu nunca imaginava. Pra entender melhor o que leva essas jovens à auto-flagelação, já publiquei dois posts sobre o tema. Eis o relato da C.

Desde os 12 anos de idade eu criei o hábito de me arranhar, cortar, para aliviar a dor que eu sentia. Engraçado porque você colocou a auto-mutilação como um sintoma do autodesprezo, coisa que sinceramente eu nunca tinha associado com esse hábito. Sim, eu me odiava, com todas as forças, na verdade eu odiava a vida e queria sinceramente morrer. Mas isso foi por causa de um monte de coisas juntas: minha situação familiar, o fato de ter um corpo de moça, mulher e cabeça de criança (me dava nojo o assédio dos homens, fora as situações de abuso nas ruas que vivi -- comentários baixos ditos em alto e bom som, passadas de mão, eu nem entendia tudo isso e nem sabia como reagir).
 Cortar e arranhar meu corpo era uma maneira de aliviar a dor, era uma coisa que realmente resolvia meu desespero, até mais que chorar. Anos depois eu fui conhecer aquela música famosa do Legião Urbana (Clarisse), que fala disso. Não pude deixar de me identificar:

"E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada num canto, seus tornozelos sangram...

E a dor é bem menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida
Calma e força..."

Só depois disso eu parei pra pensar em como isso era comum, meninas e mulheres sofrendo, sem ver esperança, sabe? O Renato fala na mesma música da "violência e injustiça que existem contra todas as meninas e mulheres". E não é assim, no mundo todo?
Eu me odiava mas me cortava e arranhava pra que a dor física pudesse me fazer fugir da realidade da dor na alma. Confesso que de vez em quando ainda tenho crises e faço isso, sempre tento fazer isso em lugares que não apareçam as marcas depois. Uma vez, ano passado, dei bobeira (e uma pirada), e fiz isso num lugar onde as cicatrizes ficaram à mostra. Tive que ficar usando blusas de manga comprida pra esconder até melhorar, mas as marcas ficaram. Aí tive que arrumar uma desculpa. Minha sorte foi que um dia um de meus gatos se assustou no meu colo e me arranhou sem querer, então as marcas que ele fez em mim se misturaram com as cicatrizes, aí eu tive uma explicação.
Eu me cortava e arranhava na nuca e nas costas, perto dos ombros (sempre tive cabelos compridos, era mais fácil esconder). Fazia cortes e arranhões na parte de dentro do braço, nas dobras. Usava o que estivesse mais fácil e mais perto -- pontas de tesouras, estiletes... Levei uma faca várias vezes para o meu quarto, mas não tinha coragem de cortar os pulsos, então só a usava pra me arranhar e cortar...
Terminei um longo namoro há algum tempo, foi muito difícil. No dia que ele terminou comigo estava sentindo uma dor insuportável, queria morrer, não via muito sentido na vida. Então eu me cortei com um caco de vidro que estava perto, pra aliviar a dor e a culpa de ter acabado com o que me parecia ser o amor da minha vida.
Muito tempo se passou desde então, há muitas feridas ainda, mas cresci e vejo que a culpa não foi minha, não foi de ninguém. Hoje estou muito feliz em um relacionamento, aprendi um pouco a amar e me relacionar de uma forma madura. Só que a vida não é feita só de relacionamento homem-mulher, né? Estou com a vida toda bagunçada, e vez ou outra bate um desespero. Fico feliz em só ficar nos cortes, porque hoje eu vejo quanta dor eu poderia causar em outras pessoas -- família e amigos -- caso resolvesse ir além. 
Então eu sempre tento pensar nisso e neles, naquela história boba e batida de que somos responsáveis pelo que cativamos. É o amor e a amizade que me ajudam a continuar, sempre. Creio que embora eu tenha tido problemas há algum tempo, nunca deixei que essas pessoas percebessem essa dor que é a minha vida, assim espero que continue. Antes eu não tinha noção da responsabilidade que é fazer parte da vida de alguém.
Hoje não me corto nem me arranho como antes. Como eu disse, são só alguns poucos momentos de real desespero. Sei que não é legal. Quando deixei as cicatrizes aparecerem, fiquei com medo que suspeitassem. Não quero passar por louca, é só um pouco de dor que tem que vir pra fora de vez em quando. E se hoje não é como antes, é porque eu tenho muito mais consciência dos meus problemas que antes. Mas sou humana, não? Pressão na vida é diária, tem horas que os remédios e a terapia não dão conta da ansiedade, do desespero. Espero poder me controlar a cada dia, por mim, por aqueles que me amam.
Entender meu papel no mundo como mulher e cidadã capaz de fazer a diferença me ajuda demais, a cada dia. Uma das responsáveis é você, pelo espaço que você abre em seu blog -- de aprendizado, de respeito à vida e ao planeta.
Obrigada, não só a você, mas a todxs que fazem parte do Escreva Lola Escreva! Vocês conseguem fazer a diferença!

73 comentários:

Conceição Lima disse...

Lindo relato. Força pra essa moça. E pra esse blog, q ele continue ajudando outrxs.

Patricia disse...

Me identifiquei demais com o seu relato,C.Também comecei a me cortar aos 12 anos,e me corto até hoje,porém,com menos frequencia.Hoje em dia,talvez eu me corte uma vez à cada três meses,bem menos do que quando eu comecei,quando os cortes costumavam acontecer uma vez por semana +/-
Meus pais demoraram horrores para descobri,e depois que descobriram,minha mãe sempre que via um corte fazia um escândalo.Chorava,gritava,falava em me levar para o hospital,e isso atrapalhava bem mais que ajudava,né...A psicanálise me ajudou muito,muito mesmo.Desde criança frequentava psicologos,mas a abordagem comportamental e psicodrama nunca fizeram muita coisa por mim,comecei a melhorar de verdade depois que comecei a analise,então,fica a dica,se vc nunca tiver tentado.Os remédios me ajudam bastante também,mas não quero ficar presa a um comprimido pelo resto da vida,sabe...mas por enquanto ainda preciso deles.
Diferente de você,eu raramente me corto quando estou triste,geralmente acontece quando estou com muita raiva,de mim ou de outra pessoa,ou então quando eu estou muito 'dormente',que geralmente acontece quando eu troco de remedio,aí eu me corto pq eu preciso sentir alguma coisa,nem que seja dor.
Mas é isso mesmo,fico feliz que vc esteja em um lugar melhor agora,em um relacionamento saudável.É bom saber que vc não é a única,que tem mais gente por aí passando pelo mesma coisa que vc:)
Um abraço C,parabéns pela coragem,pela força,pela vontade de continuar vivendo,mesmo em meio a tanta dor,e obrigada por compartilhar sua historia!

Novas Descobertas disse...

A gente vai se identificando com essas histórias mesmo. Sempre achamos que estamos sozinhas com o nosso desespero, mas na verdade nos ensinaram a esconder o que sentimos, e por isso fazemos as escondidas. Foi bom você falar disso, pois me lembrei do meu passado, quando levava uma faca para o quarto ou banheiro eu nunca tive coragem, mas muitas tem. Essa atitude é só pra mostrar a dor que sentimos mesmo. Chorar, cortar, isolar, auto punir-se faz parte de uma tentativa de demostração ou alivio do que sentimos, queremos que as pessoas ao nosso redor vejam, mas elas não vêem o que acontece.

leticia disse...

Oi, Lola! É muito triste estas histórias do pessoal que se corta, ninguém deveria se machucar para ficar mais feliz ou menos triste...

Eu recomendo pra todo mundo o livro Willow da Julia Hoban (acho que até tem um e-book traduzido dele) que é uma FICÇÃO, mas trata sobre esse assunto. beijos.

Anônimo disse...

Eu me cortava, mas parei. Tentei suicídio 2x, mas os cortes não eram relacionados a ele, era pra aliviar a dor interna, exatamente isso.
na época eu não tinha tanto acesso a internet e nem na internet tinham canais de fácil entendimento desse assunto, mas conforme eu fui saindo da adolescência, foi passando.
hoje vejo as cicatrizes no meu braço e parece que foi outra pessoa que fez. eu não sinto orgulho nem vergonha, mas me sinto feliz por ter passado por isso. existem várias formas de fazer o mal a si mesmo, mas também existem várias formas de sarar.
no meu caso, foi o tempo. mas com certeza essa maior clareza e firmeza que não me faz voltar a me cortar tem como um grande responsável o feminismo =)
A quem ainda faz isso, não tenha medo de procurar ajuda, mesmo anônima, o cvv por exemplo.

Anônimo disse...

Vocês que gostam de se cortar deviam canalizar o seu masoquismo pra alguma coisa produtiva.

ass:Zelpis.

Anônimo disse...

Bem estranho isso,eu n vejo como podem sentir alivio se machucando,seria uma dor a mais pra aguentar.

Moço Ocupado disse...

Também não tinha noção desse fenômeno antes de ler o blog da Lola. Fui ler um pouco mais na Wikipedia para entender. De fora parce bem assustador mas pelos relatos parece que quem faz não acha tanto. Agora pergunto, para muitos homens como eu, situações de ansiedade e stress são às vezes "extravazadas" com a masturbação. Não funcionaria para as muheres também? Entendo que não é só ansiedade que está envolvida aqui mas mesmo assim, não seria uma maneira mais prazeirosa de sentir algo, mudar de sintonia, esquecer os problemas, etc.?

Ou é o tabu da masturbação feminina em nossa sociedade que leva a que isso nem seja considerado? (Ou estou viajando mesmo?)

Rê_Ayla disse...

na boa, indiquem terapia pra essa galera. E os pobrezinhos que se vitimizam com tudo, favor ir fazer algo que lhes dê prazer pra aliviar a dor ok - a não ser que o prazer seja se auto flagelar

michael disse...

frescura de adolescente querendo chamar atenção,a geração de hj ta perdida,se focassem mais no estudo e trabalho e n ficassem vagabundeando pelo shopping,como vejo muitos fazendo,n teriam tempo pra pensar em besteiras.

Sara disse...

"Entender meu papel no mundo como mulher e cidadã capaz de fazer a diferença" C.

Se pudessemos canalizar essa energia destrutiva para ações que nos beneficiassem ou beneficiassem a outros, pelo menos, seria o ideal.
Creio q todos nós temos nossos momentos de dor, ou sentimentos q nos incomodam, acho tb q deve ser comum ter sentimentos auto destrutivos, como vc C., tem algumas pessoas q descontam frustrações em comida, bebida ou mesmo drogas ilegais.
Embora eu me considere saudável, não sou imune a esses sentimentos, mas lido de outra forma com eles.
Se percebo q algo me incomoda e me faz sofrer, tenho tendencia a querer ficar num canto me entupindo de comidas sem nem ter fome, mas luto com isso e embora não tenha nenhuma disposição ou as vezes tempo, eu largo tudo e saio p algum parque, e começo a correr , isso me faz um bem danado.
Sei q não é facil assim, pra todos, pq não acha um modo de purgar esses seus sentimentos destrutivos, em alguma coisa boa p vc.
Espero q vc e todos q passam por isso consigam elaborar melhor seus sentimentos, e aprendam a se defender dessas tendencias.

Anônimo disse...

Me dói tanto quando vejo referências ao sef-harm no tumblr!
Pesquisando agora sobre o assunto, vi que não tem tantas informações em português na internet sobre isso, então é muito importante falar sobre.
Self-harm não tem necessariamente a ver com vontade de suicídio, mas os casos que têm devem ser tratados com muito cuidado. Eu sinceramente não acho o suicídio uma coisa vergonhosa nem proibida, se a pessoa é adulta e tem noção do quanto a vida pode exigir de nós, ela é capaz de fazer a escolha de querer continuar vivendo ou não. Mas esses casos de adolescentes que se matam por sofrer agressões ou não ter nada na vida delxs que xs faça seguir em frente, essxs são tão importantes de serem discutidos e evitados. Ninguém deveria ser tão julgado como são as pessoas na nossa sociedade, nenhum jovem deveria sentir essa dor, essa falta de "pertencimento ao grupo". Por isso que o feminismo é tão legal, sabe, e é tão vital espalhá-lo na sociedade. Um movimento que te empodera (independente do gênero que tu pertence), que te mostra que somos todos iguais e perfeitamente capazes de sermos/vivermos o que quisermos, te permite conhecer pessoas com os mesmos ideais e te dá forças pra enfrentar o modelo atual, excludente e conservador, é muito amor <3
Força pra moça do guestpost e pra todxs que passam por isso, como é comum dizer: Nós nos importamos *-*

Não sei se pode, Lola, mas ficam aqui alguns links (em inglês) sobre self-harm: como identificar e lidar com um familiar teu que possa estar sofrendo com isso, definições e motivos que levam a automutilação e atividades que substituem o self-harm e não fazem mal.
http://www.helpguide.org/mental/self_injury.htm
http://mugglerags.tumblr.com/post/39000564113/mentalillnessmouse (esse é muito legal, pra todo mundo não só pra quem pratica self-harm)
http://www.thesite.org/healthandwellbeing/mentalhealth/selfharm/whydopeopleselfharm

Esse é em português, mas tem menos informações: http://psiadolescentes.com/compautolesivos/

Tumblrs em inglês que dão conselhos, mensagens positivas, etc.:
http://lending-hearts.tumblr.com/
http://we-do-care.tumblr.com/
Tumblr em portuguê que faz o mesmo:
http://ajudaautomutilacao.tumblr.com/

Anônimo disse...

Estava quase escrevendo um post pra Lola sobre isso. Não exatamente focando na auto-mutilação, mas no transtorno Borderline e as possíveis causas que desencadeiam esta "doença". No meu caso, já não me corto há uns três anos, mas lembro de vários momentos de auto-agressão na pré-adolescência. E sempre com muita mágoa dos meus pais, principalmente de minha mãe. Apanhei demais quando criança, de levar surra, viver roxa sem nem saber o motivo direito. Quem sabe eu ainda escrevo sobre isso... Vivo com um medo que me persegue, medo de surtar a qualquer hora, e junto me vem sempre um tipo de raiva por lembrar dos atritos familiares. É bem difícil relembrar tudo. Sou totalmente contra educar filhos batendo, justamente porque sou uma prova de que isso não resolve nada - pelo contrário.

Patricia disse...

Leticia,já li Willow,também gostei muito,recomendo bastante tbm!:))

Anônimo disse...

Desconhecia esse tipo de pratica e confesso que fiquei chocada ao pensar na dor e sofrimento de quem passa por isso. Não consigo entender o que leva alguém a isso e porque tais pessoas não pedem ajuda. Não estou criticando somente fazendo uma reflexão

Patricia disse...

Moço Ocupado,no meu caso ajuda,mas com o estresse e a ansiedade.Quando estou com muita raiva ou deprimida a ponto de querer me cortar,nunca me passa nada pela cabeça,a não ser o objeto cortante mais proximo.

Felipe disse...

Michael, se a atual geração de adolescentes está perdida é porque a sua não fez porra nenhuma de bom. Crescemos seguindo modelos (os adultos), não é? Ou seja, a sua geração foi tão medíocre quanto a atual.

Anônimo disse...

Tenho muito respeito pelo sofrimento das pessoas, mesmo quando não passei por situações semelhantes ou não entendo muito bem o que o desencadeou... Jamais diria que autoflagelação é coisa de covardes ou desocupados. A mente humana é um mistério muito grande.
Espero que a C. supere tudo isso e nunca mais se machuque. Boa sorte, C.!

Amanda disse...

Me identifiquei e lembrei dos vários momentos de desespero em que procurava qualquer coisa na minha frente para cortar os braços e as coxas. Usava facas, estiletes, quebrava coisas de plástico rígido para fazê-lo e no meu quarto tinha uma caixinha com gilete, tesoura e fósforos. Comecei a me cortar aos 13 anos, e depois de um tempo já não sabia mais como controlar emoções de outra forma, tudo era motivo de choro e cortes. Também lembro das muitas vezes que ia para o banheiro com uma faca, mas nunca tive coragem de fazer os cortes profundos que desejava. Um tempo depois, muitas das meninas que eu conhecia começaram a me mostrar os pulsos e braços cobertos por blusas de manga comprida e moletons. Me choquei ao perceber que algumas tinham cicatrizes tão profundas e que muitas faziam o mesmo que eu. Me afundei em álcool e me cortava sempre; depois de um tempo passei também a me queimar com fósforos, cigarros e isqueiros. Naquela época só sabia que não poderia mostrar isso para ninguém, a não ser as que dividiam do mesmo hábito. Hoje, com 20 anos, já não faço mais isso, as cicatrizes estão aqui e eu aprendi a lidar com emoções, apesar de muitas vezes bater aquele desespero, me controlo. Para os que dizem que isso é bobeira, é por que não sabem o que é desespero, o que é não saber como lidar com o que sente. Muitas vezes na adolescência, há um turbilhão de duvidas, sentimentos, indecisões e pressão dentro de uma pessoa, em alguns mais e em outros menos, alguns sabem lidar com isso e outros não. Os cortes me faziam chorar de dor e de desespero, mas depois me acalmavam. As cicatrizes, que carrego até hoje, servem para me mostrar que eu mudei e venci mais um obstáculo. Aprendi e estou aprendendo, tenho muito a superar.
Força a todas que ainda não conseguiram parar. Eu sei o que é essa dor.

Mariana. disse...

Eu conheci um garoto que se cortava quando era adolescente.

Ele era lindo, as garotas realmente se sentiam atraídas por ele. Era um bom aluno também, tinha muita facilidade pra se expressar em redações, apesar de novo já conhecia vários lugares do mundo, enfim, tinha várias qualidades e uma vida que a maioria das pessoas consideraria boa, perfeita até.

Eu tinha uma certa proximidade com ele, nos conhecíamos desde os 7 anos, e estudamos juntos, na mesma série por várias turmas. Daí é claro que eu conheci os pais deles (que pareciam ter um casamento ótimo, no mínimo normal e saudável), frequentei a casa dele, ele a minha, eramos amigos mesmo (só amigos mesmo).

Um dia ele simplesmente me contou. Me contou como gostava disso, na verdade ele no começo deu a entender que era uma forma de expressão, de arte, como riscar papel, fazer uma escultura, pintar um quadro. Ele preferia desenhar no corpo.

Eu sugeri tatuagem, claro, porque eu não tava entendendo o que tava acontecendo ali.

E ele completou dizendo que não era só isso. A cicatriz era um troféu por ter aguentado a dor.

Ele de fato tinha muitas marcas, algumas pareciam machucado normal de infância, outras eram alinhadinhas demais pra serem obras de acidentes infantis. A maioria era na canela e na lateral da cintura. Ele riscou as iniciais dele também, próximo ao tornozelo.

Eu não liguei na época. Ele não parecia sofrer.

Um pouco antes de ele praticamente sair da minha vida, quando teve que se mudar por conta do vestibular - que ele passou de cara, na USP -, o assunto voltou. Eu perguntei o por quê dele fazer aquilo, em que ocasiões ele fazia.

Ele não sabia muito bem o que me dizer. Disse que achava que era quando estava ansioso. O que mais o deixava ansioso, isso eu via, eram suas notas, seu desempenho escolar, sua aprovação numa boa universidade.

Ele vinha de uma família de bons alunos, seus dois irmãos mais velhos tinham passado com aparente facilidade pelo vestibular, eram motivo de orgulho e o mínimo que restava a ele era ser o mesmo.

Hoje não tenho abertura pra falar com ele sobre isso mais. Eu espero que tenha passado, que ele tenha aprendido a canalizar sua ansiedade pra uma outra forma, e que ele consiga "se expressar" artisticamente de outra forma também.

Hoje vejo que isso é muito mais sério do que me pareceu na época.

Carlota disse...

Entendo sua dor, isso é inquestionável. Mas, trabalhei com crianças com câncer,e vejo o quanto elas lutam para viver nesse mundo. Cada pessoa sofre de forma diferente, cada um tem uma dor de tamanho diferente, mas porque uns querem tanto viver enquanto outros tem saúde e desprezam?(estou generalizando) eu sei que você sofreu abusos, mas agora a pouco eu vi um depoimento de uma travesti que levou facadas, se prostituiu, foi estuprada, agredida, etc, etc, etc, mas com tudo isso, finalmente ela está dando a volta por cima. Que bom que você também deu, mas acho que se você pensar : a minha dor, não é maior do que outras pessoas, talvez, você e as outras pessoas que se cortam/cortaram busquem outra alternativa. Obrigada pelo relato, me fez refleti sobre opostos: as pessoas que lutam para viver com doenças, e as outras pessoas que também lutam, porém, se auto-flagelam.

Carlota disse...

Indico para as pessoas que se cortam, ótima terapia:

1. Trabalhos voluntários com crianças com câncer.

2. Trabalho voluntários no nordeste : SECA/FOME.

3. Trabalhos voluntários Internacionais: África
Trabalhar com crianças com AIDS, fome, Mulheres abusadas e estupradas etc etc.

4. CRIANÇAS E ADOLESCENTES que vivem na rua, drogas e etc.

ETC, ETC, ETC.

Têm várias alternativas para curar a dor, sempre existe alguém que está numa situação pior do que a nossa. Mas hoje em dia, as pessoas preferem 'aumentar' o sofrimento, se enchem de remédios, cortes, como se suicídio fosse resolver. NÃO VAI: quer dizer resolve o seu problema, se você for uma pessoa egoísta, morreu e acabou, mas e a família e amigos? Quantos anos de terapia seus pais vão precisar para entender sua partida? Eles voltarão a ser feliz? e o resto da família? Tenho certeza que alguém se preocupa. ANTES de desistir de viver, faça algo bom para quem precisa. Para esse mundo ser mais justo, deveria funcionar assim: as pessoas que desejam se suicidar automaticamente passariam sua saúde, dinheiro, órgãos, para as pessoas que estão lutando para viver.

Luiz F. disse...

Sabe o que é engraçado? Essa galeris no tumblr defendendo a auto-mutilação. Auto mutilação é uma terapia, auto mutilação não é suicídio e bla bla bla.. O tumblr é um lugar de pessoas depressivas, sim. Mas agora parece que virou espaço de doentes também?

Tem que ver isso aí.

Anônimo disse...

Nunca consegui fazer isso, apesar de ter várias amigas que faziam... Eu não julgava ela, mas quando eu tentava, me sentia idiota e tinha medo da dor. Achei que seria pior.
Hoje em dia, adulta, ainda não encontrei minha válvula de escape e lido com vários problemas de saúde de fundo emocional e me pergunto se extravasar, mesmo de uma maneira mal vista pela sociedade, não teria sido melhor.

Anônimo disse...

Fico chocada com a falta de sensibilidade de algumas pessoas. É evidente que existem adolescentes desocupados, que tomam essas atitudes devido ao ócio, ou simplesmente para chamar a atenção. Mas achar que todos são assim é um absurdo. A dor de alguns é real, e essa prática ajuda sim, a suportá-la.

Anônimo disse...

Não sei a razão do espanto para pessoas que se cortam, até porque o que não falta é jeito das pessoas maltratarem a si mesmas. Fumar, por exemplo. Você sabe que aquilo está te matando mas continua, um cigarro por vez, vinte cigarros por dia (ou mais). Comer demais é outro exemplo. Ainda que não exista a consequência da obesidade, que é outro mal causado a si mesmo, quem eventualmente se entope de açúcar, gorduras ou mesmo excesso de proteínas está sim causando mal ao corpo e tentando preencher algum vazio dentro de si com comida. E as dietas malucas, quer tortura maior que essa? Posso ir além: beber em excesso, não se mexer, ou qualquer outra coisa que sabemos, inequivocamente, estar deixando consequências em nosso corpo físico e cuja causa basicamente vem do nosso corpo mental. Negar-se ao sexo, ou aceitar um sexo de má qualidade. Negar-se ao amor, ou aceitar uma migalhinha amorosa que só vai te causar frustração. Aceitar desaforos. Deixar-se ser usado por pessoas que não te querem bem. Odiar a si mesmo, ter problemas de autoimagem, posso ficar aqui falando uma semana e a lista não vai terminar nunca. A menos que você seja uma pessoa realmente equilibrada e tenha alcançado para si um ideal de vida plena, todo mundo "se corta", em algum nível. Cortar-se é, antes de tudo, punir a si mesmo. Punir pela forma como somos ensinados desde criança, pela dor, quando a dor dentro de si é grande demais e o corpo precisa se adequar. Nenhuma surpresa, portanto. Mas o tratamento é possível, a questão é: a pessoa quer mesmo parar de sentir dor ou está tão acostumada a sofrer que ele, o sofrimento, já virou a zona de segurança de quem se nega uma vida melhor e um futuro brilhante? Quando você opta por si mesmo, a dor vai embora e as mil formas de autoflagelo se descontextualizam, perdem a razão de ser. Assim como a dor, essa é uma decisão que vem de dentro também. Cabe a cada um perceber isso e ver o que é melhor pra si.

Anônimo disse...

Tumblr e" lugar de depressivos?? Desde quando? Detesto qundo tentam minimizar a dor alheia comparando com o sofrimento dos outros... Cada um sabe o tamanho da dor que leva.

Anônimo disse...

Eu comecei a me cortar tarde na faixa dos 20 e até meus 28tinhacrises de ansiedade tão fortes que eu me machucava. para não perder totalmente. o controle com terapia e remédios. hoje aos 30 descobri o qto era imatura e Ainda sou, cresci tarde tenho personalidade boderline e me disseram que minha "cura " viria com a idade,acho que sou uma das poucas mulheres. que gostam de envelhecer pois cada ano que se passa me sinto melhor. Acho que qualquer pessoa que julga dizendo que eh falta do que fazer ou vitimizacao. Tem um pensamento pobre somos individuais temos que respeitar as.nossas.diferenças.Desculpa o mal escrever eh que estou no celular e corretor ortografico +teclado miúdo não me ajudam.

Anônimo disse...

Fiquei triste ao ler isso.
Espero que todas as pessoas que Sofrem desse transtorno consigam se tratar antes que aconteça algo mais grave.

Toda vez que me sinto infeliz, muito infeliz, eu corto o meu cabelo.
Não me machuco, mas tento destruir a minha imagem. Nem se compara com o que essas meninas passam, mas é intenso, fico atordoada para "deixar de ser eu", é como se o corte de cabelo me fizesse ser outra pessoa e o pior é que eu trouxe isso para a minha vida adulta.
Minha mãe e meu marido costumam brincar dizendo que se eu cortei e escureci o cabelo é porque a "coisa está séria"... e evidentemente está!

Anônimo disse...

Sabe o que realmente me deixa zangada? Gente que posta comentários como "existem" pessoas piores que você ou "essas pessoas são egoístas".

A verdade é que a menos que você tenha passado por isso você não tem a mínima ideia do que alguém que se corta está passando. Ninguém que se corta faz isso por diversão -- e mesmo quem faz por "prazer", não está livre dos problemas emocionais e psicológicos que levaram a isso.

Falar da seca, da fome, do câncer para uma pessoa que luta para viver não ajuda em nada com perspectiva. Porque das duas uma: ou vai fazer ela se sentir culpada, porque vai achar que de fato não tem problemas tão sérios. Ou, se ela for como eu, ela não mede problemas quantitativamente. Nem todas as torturas são físicas, sociais. A menos que você tenha vivido com uma doença mental, você não tem ideia de como é isso, não tem propriedade para fazer comparações.

É isso. Quem se corta não faz isso de graça. Não é fácil viver com isso, não é divertido. Muitas vezes nem é de propósitos. É uma luta constante, mesmo depois que você para.

Anônimo disse...

Luiz F. Se existe tumblr defendendo a automutilação é uma minoria, a maioria se preocupa mais em NÃO julgar e ajudar de alguma forma. E antes de falar sobre uma coisa, é bom ter conhecimento sobre ela. O tumblr não é um lugar de pessoas depressivas, lá (como em todos lugares) tem todos tipos de pessoas, algumas utilizam o blog de maneira a externar sua dor. Você não tem o direito de dizer o que pode ter lá e o que é certo ou não.

Anônimo disse...

"Vocês que gostam de se cortar deviam canalizar o seu masoquismo pra alguma coisa produtiva.

ass:Zelpis."
E tu por acaso serve de exemplo para dar conselho sobre coisas produtivas?
"na boa, indiquem terapia pra essa galera. E os pobrezinhos que se vitimizam com tudo, favor ir fazer algo que lhes dê prazer pra aliviar a dor ok - a não ser que o prazer seja se auto flagelar"
na boa, se não tem nada pra acrescentar, não comente. Seria bem legal assim sabe, se as pessoas demonstrassem mais empatia pela dor alheia, essa é uma das lutas feministas.
"frescura de adolescente querendo chamar atenção,a geração de hj ta perdida,se focassem mais no estudo e trabalho e n ficassem vagabundeando pelo shopping,como vejo muitos fazendo,n teriam tempo pra pensar em besteiras."
Nossa, esse aqui tem graduação em psicologia, tá sabendo legal você hein?

michael disse...

"frescura de adolescente querendo chamar atenção,a geração de hj ta perdida,se focassem mais no estudo e trabalho e n ficassem vagabundeando pelo shopping,como vejo muitos fazendo,n teriam tempo pra pensar em besteiras."
Nossa, esse aqui tem graduação em psicologia, tá sabendo legal você hein?

autalmente tenho 40 anos e eu começei a trabalhar com 14 anos para ajudar em casa e ainda ia para escola,ou seja,não tinha tempo para ficar fazendo merda como os jovens de hoje,que ficam pelo shopping fazendo nada ou ficam pela rua se drogando,tentando se mostrar para os colegas.

C. disse...

Olá Lola e leitorxs. Sou a autora do guest post, e gostaria de vir aqui agradecer o carinho e a força que muitos comentaristas desejaram. Como disse em meu texto, esse é um espaço que me ajudou e ajuda muito, e creio que isso não acontece só comigo.

Gostaria de deixar claro que não acho que a minha dor seja maior do que a dor de qualquer pessoa, nem acho que seja digna de pena. É minha, simplesmente. Sei que não estou sozinha nesse caminho, e gostaria de agradecer de coração aos que se abriram antes de mim nesse espaço, pois foi o que me motivou a falar e pensar sobre isso também. Nunca tinha procurado ajuda nesse sentido antes, a vergonha e o medo de despertar preocupação em excesso eram muito maiores. Muitas vezes é bem mais fácil sofrer calada, seguir tentando ser invisível, até um dia, quem sabe, conseguir dar fim a uma dor insuportável.

E gostaria de falar àqueles que comentaram sobre valorização da vida, sobre como existem pessoas que lutam pela vida(ainda que com boa intenção): acho que há de se respeitar sempre a dor alheia, sem tentar medir o tamanho. Pensem que eu talvez não ignore que há pessoas que sofrem de doenças, de fome. Que talvez eu seja uma pessoa que luta contra essas injustiças e sofrimento. Não escolhi ser assim, sentir assim. Apenas sou, e pensar por esse ponto de vista aumenta a vergonha de pedir ajuda.

Quisera eu poder transformar essa dor em vida para aqueles que lutam por ela. Quisera eu. Tento, ao meu modo, com meu trabalho, meus ideais. Quisera eu que fosse simples, de verdade. Não é. Não escolhi sofrer.

Ter escrito essa mensagem à Lola foi um grande passo. Espero que minha mensagem ajude outras pessoas, como fui ajudada aqui. Obrigada!

Anônimo disse...

Seu relato trouxe lagrimas doloridas aos meus olhos. Doloridas exatamente por me identificar com a sua dor. A diferenca e' que eu lido com a minha dor de forma diferente, porem o desespero continua la e eu continuo o escondendo, querendo nao machucar aqueles que me sao caros. Assim como voce, so nao fui em frente e me suicidei por causa do sofrimento que causaria aqueles que amo. Obrigada por compartilhar a sua historia.
C

Garota Atópica disse...

Ter uma família boa, ou "perfeita" não garante felicidade, ou que a depressão passará longe de você. Tive depressão severa, j'a fui diagnosticada como suicida, e o fato de ter uma vida "perfeita" acabava ainda mais comigo. Como, com tantas pessoas boas me dando toda a estrutura necessária, eu ainda OUSAVA estar deprimida?? Tanta gente não tem nada, não é mesmo? E mesmo assim conseguem ser felizes... Isso me deprimia cada vez mais. Me fazia sentir mais inútil...

Afinal, eu só tinha alguns traumas na infância e adolescência, frustrações enormes oriundas de uma auto-cobrança muito rígida e uma doença de pele. Afinal, minha doença "apenas" me deixava vermelha, inchada, infeccionava a pele do meu corpo todo (o que por consequência gerava um mau-cheiro terrível) e me dava uma coceira INSUPORTÁVEL. Sentia dores para me mexer por causa da falta de elasticidade na pele, e sofria muito para tomar banho, por exemplo. Eu me identifico com as pessoas que se cortam, pois eu me coçava.

"Poxa, mas sua dooença não mata. Fique feliz por não ser câncer!"

Mas bem, o que é isso perto de um câncer, ou passar fome, não é mesmo?? Me lembro do tanto que sempre fiquei revoltada com isso.

NÃO É PORQUE OUTRAS PESSOAS ESTÃO SOFRENDO MAIS DO QUE EU QUE MINHA DOR VAI DEIXAR DE EXISTIR!!

Não é porque minha doença não é letal que eu vou parar de sofrer com ela.

Só o dono da dor sabe o quanto dói, e as pessoas tem que aprender a respeitar isso e parar de julgar.

Já conheci pelo menos 2 pessoas que se cortavam... Eu implorava "por favor, não machuque uma pele tão perfeita, por favor..."

Enfim...

Deixo aqui uma música sobre o assunto.

Melhoras, seja forte!! ;)

http://letras.mus.br/dresden-dolls/132881/traducao.html

Anônimo disse...

Todo mundo aceita que existe depressão, transtorno bipolar, mas vai se cortar que o conselho é "vá fazer trabalho voluntário" e "deixa de frescura de adolescente". Isso é ignorância, desconhecimento, e mais: falta de respeito com pessoas que sofrem tanto quanto em outros distúrbios de comportamento.

Meu conselho é mais prático: saiam do tumblr e do YouTube (é onde vc acha mais material). Quando vem o aviso de "triggering", leve a sério. As pessoas colocam fotos, videos e depoimentos com boa intenção, mas pra quem se mutila isso só vai disparar o processo.

Ou então não corte os pulsos, tornozelos são ótimos, porque a gente não tá no hemisfério norte e vai ser difícil esconder cortes no pulso.

Fernanda Somenauer disse...

Mais um guest post pra me identificar...
Eu me cortava desde a adolescência também, mas foi depois dos 22 que ficou mais grave.
Durou até os 29.
Eu digo hoje que sobrevivi, que não me matei pq consegui ganhar forças na raiva que sentia de mim mesma.
Eu não tinha uma família pra me apoiar, por quem viver. Eu não tinha família alguma, todos já tinham morrido. Então nunca foi pra chamar a atenção ou qq coisa assim.
Era a solidão que fazia a dor brotar e só sangrar aliviava essa dor, como se fosse um grito mudo.
Só quem já sentiu entende. Trabalho, voluntário ou não, não aliviava.
Isso me lembra que era a época em que eu era magra e me achava gorda, também. Hoje engordei de verdade e apesar disso não me sinto mal comigo mesma. Estranho. Ser magra não é de modo algum ser feliz.
Identificação tão grande com o relato que dói....

Anônimo disse...

Grupos anônimos também teem ajudado muitas vidas...em vários e vários assuntos. Acho que vale a pena procurar um.
É difícil, quase impossível, pra mim que simplesmente AMO viver, entender essa raiva, essa dor, essas coisas...
Mas espero que Deus abençoe cada uma das vidas que sentem qualquer tipo de desconforto consigo mesmo.

Anônimo disse...

É assustador o quão comum e ainda desconhecido é o problema da auto-mutilação.
Eu comecei com 12 anos também, após sofrer abuso sexual, me identifiquei com a C. também por ter corpo de moça e sentir nojo de mim mesma pelas coisas que ouvia na rua.
Depois de alguns anos eu parei, tratamento psicológico/psiquiátrico ajuda bastante, mas normalmente a iniciativa tem que partir de dentro, na época eu fiz um pacto com uma amiga de que se ela parasse eu pararia também.Eu parei, ela não, mas mesmo assim eu continuei insistindo, nós começamos a passar mais tempo juntas, eu comecei a fazer trabalho voluntário, aos poucos a gente foi melhorando, mas é muito difícil buscar ajuda, por que 80% das pessoas não vão procurar entender, nem ajudar, a maioria se afasta mesmo. Uma boa parte também é bem cruel, sofri vários tipos de humilhação quando uma pessoa viu os meus cortes e ligou uma coisa a outra, foi duro, certamente fez piorar, e tenho certeza de que não aconteceu só comigo.

Anônimo disse...

Não sou mais adolescente. Comecei a me cortar quando era. Nunca fui desocupada, nunca fui de vagabundear em shoppings. Não, eu estava trancada em casa, sofrendo, doendo e sangrando.
Tenho depressão clínica, tenho transtorno de personalidade borderline, tenho pontos segurando meu pulso fechado nesse momento e de todas as coisas que me cansam dessa vida, uma das que mais me cansam é gente tentando diminuir minha dor, tentando fazer parecer escolha.
Como se eu quisesse ser assim. Como se eu quisesse precisar fazer isso comigo. Como se eu fosse cortar os pulsos se eu achasse que tinha algum outro jeito.

Por tempo demais eu acreditei em gente dizendo que eu só queria chamar atenção, por tempo demais eu achei que isso não era sério, que eu era muito chorona, muito frescurenta.

Eu me recuso a deixar um idiota que não sabe absolutamente nada da vida real me falar que isso é coisa de adolescente desocupado. Eu me recuso a ouvir queta que deviam "indicar terapia pra essa gente" como se eu nunca tivesse ouvido falar de psicólogo na minha vida, como se eu não tivesse me entupido de remédios. Eu me recuso a ouvir gente tratando isso com condescendência, desimportância.
Porque essas pessoas não sabem o que é passar por isso. Essas pessoas não sabem o que é passar por porra nenhuma, porque sequer conseguem ter empatia o suficiente pra sair do seus mundinhos.

...Há semanas atrás esses comentários teriam desencadeado algo horrível dentro de mim. Hoje eu me recuso.

Carlota disse...

Por favor, né gente? Quando eu digo fazer terapia com trabalho voluntário é porque EU SEI que resolve(não com todas as pessoas, mas SIM resolve). E para resolver vai depender de cada um querer a cura. As pessoas que estão doentes com depressão, sequer aceita conselhos! Acha que ninguém os entende, mas quando alguém quer ajudar, acha que é brincadeira e não leva a sério, pior ainda, ainda critica. Cada um sabe o tamanho da sua dor e cada um sofre diferente pelas mesmas perdas, abusos, términos e etc.
A cura está dentro de si, nenhum profissional ou terapia vai te ajudar se você não quiser. E antes de falar dos trabalhos voluntários(quem criticou), já fez algum na sua vida? já conversou com crianças que estão na luta pra viver? AH TENHO certeza que não, se fez e não resolveu, o problema não foi o trabalho e sim você mesmo, pois está no seu mundinho sofrendo e se martirizando(às vezes por coisa pequena).
Trabalho voluntário ajuda a enxergar um outro lado da vida. Uma outra pessoa em cima disse: gente que tem depressão porque TEM TUDO e outros nada. Espera, se você tem tudo e outros NADA porque não ajudar os que não tem nada?. Vai se sentir culpada por você ter nascido no conforto? e as outras pessoas que não tem nada, elas estão se perguntando a mesma coisa, porque elas não nasceram numa família com mais condições?. Isso é complexo demais, a pessoa que é depressiva ver motivo em tudo para sofrer, e as pessoas que querem se curar procuram motivo em tudo pra sorrir ou achar uma saída. (são as crianças com câncer, vou continuar nesse exemplo).
DEPENDE de você! APENAS! Nada que eu aconselhar aqui vai AJUDAR. NADA que as outras pessoas criticarem aqui vão PIORAR a situação. Se alguém se sentir mal por ler os comentários, é porque já está mal por dentro, e isso não é nossa culpa, aceite! VAI VER O LADO RUIM DE CADA PALAVRA QUE LER. Enfim, você que se corta, o corpo é seu, faça o que quiser, mas saiba: que a ajuda só vai chegar e fazer efeito pra quem realmente se permite ser ajudada.

Anônimo disse...

Você… Você… Você… Você…
Você fica chorando em sua banda de rock triste:
“Lou Reed, corte os meus pulsos com gilete,
Ao som de Radiohead…”
A minha esperança do amanhã se resume a uma cartela de lexotan.
Pra mim não importa se na Bahia é verão,
Será sempre inverno no meu coração…
Eu não me sinto acolhido na Terra da folia
E por isso faço meu rock triste, cheio de melancolia…

Cissa Guimarães, Lou Reed, corte meus pulsos com gilete

Anônimo disse...

Cortar-se é sintoma clássico de TPB: Transtorno de Personalidade Borderline, o qual é necessariamente caracterizado por outros sintomas.
É um transtorno bem específico, cujo tratamento também é próprio de TPB.

E não me venham xs psicofóbicxs falar m**** (=negar, falar que é "frescura"- é, tem quem. .. - falar que cruancas passam fome na África etc) sobre algo que desconhecem completamente.

No documentário Miss ... (esqueci o complemento, acho que é "Represented", está aqui neste blog lindo) tem uma parte que fala sobre isso.
Ou seja, uma cultura criando uma auto-rejeição tal (principalmente em mulheres, e referida ao corpo) que o alívio imediato da dor se dá através da auto-mutilação.

No filme "A Pianista", lançado no Brasil como "A professora de piano" (desvirtuamento total do sentido), a personagem principal também se corta, no caso corta a própria vagina. Mas não sei se aqui se trata de TPB, acredito que não. Lembre-se que este filme foi baseado em livro da feminista Elfriede Jelinek.

Thata

Anônimo disse...

Não é nada disso, Carlota.
Quer dizer que quem discorda de vc vê o mundo de forma "errada", e isso é que causa problemas psicológicos e/ou psiquiátricos?
Saia da sua visão voluntarista se desejar compreender fenômenos humanos dos quais visivelmente você não tem a menor idéia: nem do problema em suas manifestações, nem das causas, nem das consequências a curto/ médio / longo prazos se nao tratados, nem dos tratamentos baseados em evidências.

Thata

Anônimo disse...

Ah, detalhe importante: o TPB é fortemente relacionado com abuso sexual na infância/ adolescência.

Thata

Anônimo disse...

Meu deus Carlota, não é possível que vc tenha escrito tanta besteira num comentario só. Vc claramente não sabe o básico sobre depressão e doenças mentais. Se vc acha que comentarios como o seu não pioram quem já está mal, LEIA os depoimentos aqui mesmo nos comentários de gente que passa por isso e está dizendo que piora sim. E vamos parar com essa besteira de "nao posso sofrer p a dor dos outros é maior que a minha". Se for assim, vamos parar de lutar por algumas causas feministas né? Que importa se mulher ganha um salário mais baixo, se tem criancinhas na Africa
Morrendo de fome? Que importa se sofremos assédio na rua, se tem gente por ai com cancer? Entenderam a ignorancia de se comparar coisas completamente diferentes ou ainda nao ficou claro? Por ultimo, dornças mentais (como depressão) são, como diz o nome, DOENÇAS, ninguem escolheu ter, sofrimento não é opcional, e qualquer pessoa pose ter. Depressao não é tristeza, é uma doença séria e deve ser tratada como tal. Estou falando especificamente da depressão pq é o que eu tenho e conheço, mas vale pra qqr doença mental. Aos que se cortam, muita força pra superar, não tenham vergonha de pedir ajuda, pq mta gente se importa sim!

Anônimo disse...

Exato, Anônimo 10/3 09h13,
O que a Carlota faz é a mais NEFASTA atitude: não é só uma negação, mas uma DESQUALIFICAÇÃO, reproduz um discurso tão ignorante quanto comum, que tira a legitimidade desse sofrimento enquanto DOENÇA.
Não entende que nso se trata de fenômeno da ordem da vontade racional, por isso é D O E N Ç A.
Ela coloca, pior, como uma questão MORAL. Quer dizer, além de sofrer, de ter seu sofrimento diminuído, negado, deslegitimado em sua existência, a pessoa ainda é MORALMENTE CONDENADA por não "querer" melhorar.
Esse discursinho me enoja.

Thata

Anônimo disse...

Thata e Anônimo 10/3 09h13, sou a anônima do dia 8 às 15h e queria só agradecer.
por que depois que li a resposta da Carlota, por mais que eu estivesse tentando me recusar a deixar isso me afetar, as palavras quase me derrubaram por um momento.

"motivos pequenos", ela disse. Ela não tem como saber.
O número de vezes que ela escreveu que o problema sou eu... Eu TENTEI terapia, e TENTO ainda. Faço trabalhos voluntários e me dedico de corpo e alma tanto a eles quanto a me curar. Tanto que tenho consciência de que estou doente, tanto que me esforço pra ignorar esse tipo de discurso.
Mas é o que eu ouvi a vida toda e machuca.
Quando eu sofria abuso quando criança, quem me abusava dizia que a culpa era minha por ser tão meiga e bonita. Quanto eu finalmente contei pra alguém, ouvi que a culpa daquilo se estender por tanto tempo foi minha, porque não tinha dito nada antes. Quando eu tive as primeiras crises de depressão, ouvi que eu era apenas preguiçosa, que só não queria levantar da cama por folga, que o problema era eu. Quando eu comecei a me cortar, eu ouvi que era maluca, que queria chamar atenção, que existe gente com problemas piores e que eu estava de frescura. Ouvi que o problema era eu.

Agora, num espaço tão cheio de gente que me entende e apoia, mesmo nunca tendo me visto na vida, como esse blog, eu me pego lendo que se a análize/ terapia ocupacional / terapia comportamental e os trabalhos voluntários não funcionaram, o problema, adivinha? Sou eu. Isso me entalou a garganta e me encheu o olho de lágrima. Me senti egoísta, inútil e mais uma vez culpada. Não consigo nem articular o tamanho do mal que esse tipo de discurso faz.

Então só queria agradecer vocês pelos comentários que estavam logo abaixo daquilo tudo, que me acalmaram e me colocaram de novo no estado racional da mulher adulta que sabe que está doente e que não tem culpa disso.

Carlota disse...

Nossa! Aqui está cheio de psicólogos de plantão. Achei que a parte dos comentários fosse para que cada pessoa dotada de suas experiências pessoais pudesse opinar. Quando uma pessoa envia seu relato de vida no blog, ela deve estar ciente de que vai receber críticas, e muitos julgamentos, pois essa é a lei da internet. Quem está doente, não deveria vim para parte dos comentários, e se veio, saiba que a probabilidade de encontrar algo 'que piora a situação' é muito grande.
Volto a repetir: Se a pessoa se sentir mal com que eu disse ou outra pessoa falou, a culpa não é minha, se você estiver bem consigo mesmo vai levar na naturalidade e não fazer uma tempestade num copo d'água. Vocês, que tem conhecimentos em psicologia, já tentou ajudar (voluntariamente) algumas pessoas que estão precisando do seu apoio? vamos começar com algumas pessoas que se cortam. Não vale cobrar, ok? ( sim, eu tenho uma visão voluntarista). Eu não vou ficar aqui debatendo com vocês(psicologia), sou mesmo ignorante no assunto.
Agora vou ali me cortar um pouco, os comentários que eu li aqui foram muitos pesados, pessoas nem sabe o que passei nessa vida, nem sabe da onde eu vim , nem sabe por quais causas eu luto pra ter chegado nesse blog, não sabem da minha infância, o que meus pais passaram, os que meus avós e meus bisavós passaram, ah vocês também não sabe o que meu cachorro me fez passar, até ele. (sarcasmo mode on)

ps: peço desculpa do fundo do meu coração, exclusivamente para autora do post,em nenhum momento eu quis ser nefasta, você é a dona do post e tem direito de ler os comentários que aqui estão expostos. Como eu disse acima: estou tranquila, mas um pedido de desculpa nunca é demais. DESCULPA!

ps2: Ei, você que se corta, se você não está bem de saúde, por favor, pule a parte dos comentários, pois eu não estou mal, com o fato de você está se sentindo mal, com a minha opinião, ok?.

thata0lo disse...

Então pessoas queridas,
Temos acima o exemplo típico da postura de desrespeito, desqualificação dos sentimentos alheios.
Nesse discurso, evidencia-se que a preocupação com o próprio ego (nao é culpa minha se você se sente mal com meu desrespeito; sarcasmo, de péssimo nível aliás, com o sofrimento real e pungente de tantas pessoas - maioria de mulberes) supera, e muito, a empatia (zero) e o interesse no bem estar das pessoas que têm o referido sofrimento em comum.
É possível tirar uma lição disso: toda vez que você encontrar esse tipo de postura escrota (que constitui importante fator para a manutenção dos sintomas), tenha em
mente: isso é um monte de besteira ao quadrado, proferida por alguém egocêntricx, que não merece um segundo da sua atenção. Esse ser desrespeita seus sentimentos, se acha no direito de fazê-lo mesmo após ter oportunidade de se informar. Seja familiar, seja "amigx", seja namoradx, seja conhecidx ou desconhecidx: o lugar desse monte de estupidez é a lata do lixo. Jamais permaneça ao lado de alguém que lhe trate assim, você merece respeito.

Anônimo disse...

Espaços seguros não existem, pelo visto. :/ Passei a considerar os comentários desse blog como um lugar onde eu podia sempre contar minhas experiências, expor meus pensamentos e ser respeitada por eles. Basicamente a pessoa acredita que tem direito de desrespeitar as pessoas e quem não estiver bem pra aguentar, que não leia. Quem não estiver bem que se isole do mundo, porque obviamente ninguém é obrigado a sentir empatia. A pessoa acredita que os comentários são pra expressar sua opinião pessoal apenas, e que se você tem algum conhecimento profissional naquela área, deveria calar a boca sobre isso, porque ninguém quer aprender nada, nem rever seus discursos, muito menos suas ideias. E o mundo segue a merda que está.

Karoliny disse...

Tenho depressão, sou borderline, e também me corto. Eu entendo a sua situação. Passo pela mesma dor, o mesmo aperto, sei como é dolorido tudo isso, e ficar procurando locais que não apareçam os cortes, ficar disfarçando a sua tristeza e agonia, é foda.
E nem contar para todo mundo nós podemos pois não sabemos se teremos palavras amigas ou julgamentos... É uma dor sem fim...

Anônimo disse...

Olá, Meu nome É Marivânia de Lara,
Eu sempre conheci uma menina aqui da minha cidade que ela usa esse tipo de coisas para aliviar a dor, mas como eu não conhecia ela eu nunca dei muita moral, mas como hj de manha fui a escola e uma menina amiga minha chegou com os braços com cortados, dai me chamou atenção, mas foi muito tenso, pois minha cabeça ficou ligada a isso, e agora pesquisei, mas acho que isso realmente vai aliviar a dor sim, eu sempre acho que nesse mundo tem pessoas maldosas, eu desde pequena as pessoas me usam me fazem de babaca, eu me sinto tão mal com isso, meu novo argumento vai ser me cortar, pois eu acho que realmente isso vai ser uma boa, pois assim eu acho que eu não sofrerei mais pois minha dor acalmara e talvez eu me sentirei melhor..............

Natália Elisa disse...

Eu fazia isso,fui estuprada aos 13 por um garoto com que eu queria ficar ele tinha 19,nessa epoca meu pai tinha sido preso e minha mae vivia pra ele,correndo atras das coisas dele,trabalho e a faculdade dela,eu não tinha como e nem vontade de contar o que houve,além do medo,meu pai me batia muito e pensei em tudo o que podia acontecer comigo,guardei isso comigo até meus quinze anos quando ela descobriu,nesse tempo eu me auto flagelava,ia pro hospital levar ponto,caia na rua porque perdia sangue,já me deixaram 3 dias lá mais como minha mae não sabia me liberaram eu me machucava de varias formas,esquentava as pontas do garfo e me queimava,me cortava com gilete,me ralava com pedra pomes me arranhava até arrancar a pele,foi muito triste depois que conheci meu noivo,graças a ajuda dele eu não faço mais isso apesar de as vezes senti uma necessidade imensa de fazer me controlo.Esse post é muito esclarecedor espero que as meninas e meninos que fazem isso,possam parar e se conhecer a fundo ao ponto de perceber que isso não os ajuda em nada,só da a falsa ilusão de que ajudou,perdi muitos amigos com isso,me isolei do mundo,reprimi meus sentimentos hoje corro atras disso pois me faz muita falta !
Beijo Lola beijos meninas e meninos
Lola te vejo na Bienal do Livro em VR ;*

Taís Albina disse...

Primeiramente, sobre o odioso comentário da Carlota e a linha de pensament "pense nas criancinhas que têm problemas DE VERDADE e pare com sua frescura":

O meu sofrimento dói. Por que, diabos, meu sofrimento vai doer menos ainda se eu pensar que existem pessoas no mundo com mais motivo ainda do que eu pra sofrer? No que melhoraria meu sofrimento saber que existe gente mais ferrada, com menos direitos, com problemas ainda piores?

Isso me parece ser de um sadismo absurdo!

"Segundamente", os vários que aqui postaram uma opinião do tipo "isso é falta do que fazer": Eu faço graduação numa federal. Às vezes, algumas greves muito longas acontecem e eu fico totalmente entediada. Se fossem vocês no meu lugar, entediados com a greve e sem nada pra fazer, vocês pegariam giletes e começariam a se cortar??

Pra quem pensa desses dois jeitos, aí vai minha opinião pessoal: Vocês precisam mais de tratamento do que as pessoas que se cortam pra alivia dor emocional. É uma pena que não exista remédio pra falta de empatia, mas pra falta de informação existe e é de graça.

Anônimo disse...

Tenho 12 anos , eu tenho um costume grave de me torturar para aliviar a dor e sou iniciante nisso mas não consigo parar, a primeira vez em que isto ocorreu foi quando eu peguei vários pedaços de gelos e apertei em alguma parte do meu corpo ate me queimar e logo depois comecei a morder minha língua , arrancar cabelos , me arranhar e tomar vários remédios sem autorização medica , era vários modos que eu me torturava mas isso começou a ficar serio e agora utilizo além do que mencionado a cima cortes no pulso , não são fundos que nem de muitos mas quando ocorre começa a ficar mais fundo do que do que o que eu fazia antes e assim eu passo a aliviar minha dor . Eu não tenho nenhum controle , seriamente acho que estou ficando louca , sim eu tenho muitos amigos e minha família e muito boa comigo mais o que causa isso é brigas dos meus familiares ( como de irmãs , primos , tios ,pais , etc ) e também ocorre quando alguém me xinga ( eu sei motivo besta mas não e culpa minha eu simplesmente me magoo fácil e acho que não tem jeito de impedir isso ) as vezes eu tenho vontade de morrer e faço coisas estranhas para isso acontecer sem que pareça suicídio

Então deu pra imaginar como é minha vida , eu só tenho 12 anos e fico imaginando quando isso vai parar, eu simplesmente rezo para um dia isso parar de acontecer e seriamente peço socorro

Anônimo disse...

EU TENHO 12 ANOS COMECEI A ME CORTAR POR CAUS A DE AMIGOS ESCOLA,ETC ISSO ALIVIA A DOR Q EU SINTO ISSO E NORMAL? EU ME ODEIO

Anônimo disse...

entendo muito bem desse assunto pois me auto-flagelava para esquecer a dor da rejeição do meu pai,os relacionamentos frustrados,as traições e a falta de amor daqueles que deveriam me amar.hoje estou completamente curada, e devo isso a um encontro genuino com jesus.depois que entreguei minha vida a Ele,sem restrições, minha vida mudou. Eele entrou tirou toda tristeza,toda dor; e preencheu os espeços vazios com sua doce presença e amor. hoje não dependo da atenção,amor,compreesão,atitude dos outros para comigo para me sentir bem. Jesus supriu todas a minhas necessidades.Acredite Ele quer fazer o mesmo com voce!!! Não precisa de atitudes religiosas somente chame Jesus para fazer parte da sua vida,faça iso hoje em seu quarto,diga que vc faz dele seu Senhor peça pra ele entar em sua vida.e o resto deixe com ele. depois me conte!!!!

Anônimo disse...

Não julgue o que voce não sabe! Descobri que minha filha fazia isso e tratei como frescura, então ela piorou e fui obrigada a leva-la ao médico, onde descobri que ela apresenta TPB, bipolaridade, depressao e crises de ansiedade. Hoje ela está internada para melhorar a doença que eu tratei como birra adolescente. Ela nunca teve amigos e sempre tirava as melhores notas de toda a escola, e mesmo assim sofria desse mal. Preste atenção a isso e ajude, dando amor, carinho e compreensão, pois, senão perderá entes ou amigos com muita facilidade.

Anônimo disse...

Passei a me cortar a pouco tempo, sinceramente, o alívio é tão grande a sensação de que vc pode sentir algo, que nem tudo é errado ou irreal é de certo modo maravilhosa. Nunca fui muito fã da dor, mas quando não vi mais saídas para amenizar uma dor usando outra passei a fazer isso, não penso em para ainda, afinal faz pouco tempo mesmo, mas as vezes eu sinto bem lá no fundo, dentro de mim, naquele momento antes de passar a lamina, uma voz dizendo que o que estou fazendo é errado, mas não posso parar, pelo menos não agora.

Leticia L. disse...

Como sao engraçadas as coincidências, pensei nisso hoje e por fim me tranquei no banheiro, nao pensei em nada, apenas em aliviar minha dor interna. Fazia algum tempo que nao me cortava. A primeira vez que me cortei foram aos 10 anos, eu nao tinha a quem desabafar e poder contar o que acontecia comigo, então me vi diante uma lamina e a vontade de eliminar o sofrimento e a pessoa suja e desmerecedora que eu me senti. Eu fui abusada sexualmente quando eu tinha 10 anos por um pai de uma amiga e depois disso me cortava e acabava me sentindo melhor, ficava encolida no chuveiro me arranhando, me perguntando porque. Depois de um tempo me envolvi com drogas ilícitas, felizmente nao uso nada há uns 4 anos, mas tudo te deixa seqüelas e hoje eu tenho depressão e preciso ser acompanhada por psiquiatras e psicólogos frequentemente. Já tentei o suicídio uma vez e passei muito mal, mas eu nao queria morrer e nem quero. Eu li em um livro que diz exatamente o que sinto; " Na verdade, eu só queria matar uma parte de mim: a parte que queria se matar, que me arrastava para o dilema do suicídio e transformava cada janela, cada utensílio de cozinha e cada estação de metro no ensaio de uma tragédia" e é exatamente isso que sinto. Hoje com muitos problemas na minha vida atual, eu volto a estaca zero e me sinto aquela menininha indefesa do mundo, com medo de sair de casa. Hoje encontrei meu psiquiatra e ele disse que eu estou melhorando mas tudo tem seu tempo e que preciso continuar com minhas medicações e consultas. Saindo de lá, tudo o queria era ir pra casa e o taxi demorou muito e eu comecei a chorar desejando estar em casa. Encontrei esse site por acaso e me indentifiquei muito e senti que precisava desabafar. Lola você tem um blog incrível e espero que você e algumas pessoas possam me ajudar, eu nao tenho com quem desabafar e encontrei aqui um lugar que eu possa me abrir. Obrigada.

Wendy nayara disse...

Eu me corto dez dos 10anos e hoje tenho 11 encontrei uma pessoa que se corta tanbem o meu primo ele tem 18anos agente sempre cv onversa sobre essas coizas a irmã dele falou que ele so comessou a se corta depois que viu eu fazendo isso estou com duvidas ele fala dessas coisas comigo nomalmente eu nao soi muito descreta mas tanbem comento sobre isso com ele

Wendy nayara disse...

Ola eu sou a wendy e me corto dez dos 10anos eu tenho hj 11 e nao quero me mata so fasso isso para aliviar as dores do coracao

Anônimo disse...

Tenho 19 anos e comecei a me cortar recentemente, to com depressão a cerca de um mês e isso tudo vem ocorrendo por problemas familiares(que des de criança eu tenho) e por um relacionamento mal resolvido, nao sei como eu entrei nessa, so sei que um dia eu tava sentindo tanta dor, que eu me cortei e senti um alivio...minha família fico sabendo atravez desse menino que eu tinha um relacionamento, eu sempre contava tudo pra ele, minha família me chingou muito oq nao me ajudou muito porque eu tenho mais vontade de me cortar agora do que antes... e antes de me criticarem eu estudo, e tiro notas otimas...eu tenho vontade de me matar com frequencia, eu nao sinto mais nada alem de uma solidao profunda, mas nao me mato pq nao quero que minha família sofra, eu piorei muitos esses dias pq o menino que estava me ajudando ele deciu me deixar pq não tava aguentando a pressao, então hj eu me cortei denovo, nao foi fundo pq nao quero que minha família veja, mas eu so nao tenho sentido nada, nao sinto fome, vontade de falar, nao tenho vontade de mais nada, a unica coisa que eu sinto é a vontade de me cortar, eu sinto que eu so to piorando e eu ja pedi ajuda aos meus amigos, so que eles falam que é frescura e que isso é ridiculo, mas ninguém entende meu sofrimento, e sinceramente hj eu vejo oq as pessoas sente ao se cortar, eu sei como é conviver com essa dor, e a unica coisa que eu espero é melhorar...

D.Cristina disse...

Realmente é um relato surpreendente, e me indentifico muito, pois eu passo porisso, cheguei a cortar os puços, e sou cheia de marcas pelos braços, pernas e rosto e ja tentei me matar tomando vários remédios com bebida alcóolica. E quando me perguntam o que aconteceu simplismente eu falo que me machuguei brincando com a minha cachorrinha. Eu não era assim e isso dói muito, me tornei uma mulher agressiva e hoje para não ofender e nem machugar que eu amo, eu me mutilo, e a pior sensação é você ver as pessoas que estão do seu lado tentando te ajudar mas sem sucesso.

Anônimo disse...

tenho 12 anos e me corto , eu não sinto mais dor e é por isso que me corto com mais força, mas quando não consigo eu pego um de meus perfumes e taco nos cortes a dor é imensa. no começo não fazia isso por que eu me odiava ou pq era feia (eu sou ate bonita), o problema era um garoto muitos dizem que sou muito nova para me apaixonar, mas não escolhi isso aconteceu . minha prima também já se cortou, no começo eu pensei que eu tinha me influenciado por ela , mas depois desse post vi que eu problema é bem mais antigo só agora eu sei que se arranhar também faz parte do quatro de automutilação. percebi que desde de pequena tenho esse hábito de me arranhar quando tenho raiva ou quando estou desapontada. muita gente acha que isso é besteira e que nós só queremos aparecer , mas eu digo não é para aparecer pois nós não dizemos a todo mundo que nos cortamos nós escondemos e mentimos dizendo que estamos com frio. tem gente que diz tá assim por que quer por que se quisesse parar já tinha parado, eu mesma já prometi inúmeras vezes a mim mesma parar mas não dar tem uma voz interior dizendo:
- vai lá pega a lâmina e se corta depois e ate mesmo você nem sente mais dor!
Hoje me corto sem motivo virou um vicio. o vicio da dor, eu me corto apenas para sentir dor só pra isso , por favor não me critiquem, me entendam! se eu pudesse eu voltaria no tempo e não fazia o 1º corte por que depois do 1º você começa o vicio imparável, na minha 1º sessão de cortes eu fiz 21 pequenos mal saia sangue por que doía muito, hoje faço uns 10 mas fundos ate sair sangue e quando sai taco perfume para arder. então é isso por favor não me critiquem!

Anônimo disse...

Tem muitos meninos q tbm se cortam pelos mesmos motivos q vc cito no começo, eu só um exemplo.
gostei muito do seu texto, pois sua vida praticamente é parecida com a minha, tambem me corto pra passar a dor, pra melhorar, e sempre ajuda, tbm não faço direto, só em momentos quando a dor é insuportável...

Mille Nogueira disse...

Eu comecei a me cortar no começo do Ano passado , o povo q

Thaís Miorim disse...

Ameii... Me ajudo muito le isso

Francisco Fonseca disse...

eu lie seu blog e so um garoto passando pela uma situação dificil por isso me decidi cortar já crtei o dedo e um pequeno corte no pulso mas cria fazer esse corte um pouco maior pena que não tenho força

hanny grubert disse...

Hoje estou muito triste, estou desistindo de um amor porque sou obsecada por ele.sempre fui infeliz com 8 anos ja queria morrer isso porque com essa idade fui abusada sexualmente. Sinto uma vontade quase incontrolável de me matar sei que presiso de ajuda mais nao consigo dizer a ninguém quanta dor eu sinto na minha alma. eu me arranho puxo meu cabelo me mordo e isso me alivia queria poder me matar mais sou fraca tenho medo. mais sei que estou preste a conseguir porque cada vez a vida vai ficando mais inpossivel para mim... obrigada por me ouvirem bjs

hanny grubert disse...

Quero morrer a cada instante que vivo me corto porque alivia a dor da minha alma.