sexta-feira, 17 de junho de 2011

PAI, NÃO SOU MAIS VIRGEM

De impulso, decidi escrever este relato mais pessoal depois de ver aquelas partes de Insensato Coração em que o pai se preocupa com a "honra" da filha, e de uma leitora que nunca teve pai me perguntar como costuma ser a reação paterna ao saber que a filha tem uma vida sexual. Lógico que a reação varia de família pra família, mas duvido muito que, em geral, essa reação seja de orgulho (ao contrário de quando o pai fica sabendo que o filho não é mais virgem).
Perdi minha virgindade (é um termo tão feio esse, perder! Como se a gente estivesse perdendo alguma coisa, em vez de ganhando) com 15 anos. Foi tudo meio de repente e sem grande planejamento. Conheci um rapaz de 19 anos no Guarujá. Não transei com ele porque, acho, nenhum dos dois estava preparado (o que quer dizer também estar sem camisinha, e olha que isso foi em 82, pré-Aids). Foram meus primeiros amassos. Mas perder o hímen foi com um dedo de um menino da minha idade, numa praia em Búzios. E sexo mesmo pela primeira vez pouco depois, com um garoto um ano mais novo que eu, no meu apartamento em SP. Foi a primeira vez dele também. E é difícil a primeira vez ser boa!
Tudo isso foi durante meus 15 anos. Quando apareceram duas ou três gotinhas de sangue na minha calcinha, simbolizando a minha não-virgindade, contei pro meu pai, bem natural: “Pai, não sou mais virgem” ou algo assim. A reação imediata dele foi ficar um pouco zangado, vermelho, e devolver com um “Como assim?!”. Mas ele voltou pouco depois, depois de ter refletido melhor, e me disse: “Parabéns”. Eu teria achado estranho se fosse diferente. Afinal, meus pais eram liberais, andavam nus pela casa, eram acessíveis pra conversar, e nunca relacionaram sexo a nada negativo ou pecaminoso. Mesmo que, tirando esse comunicado meu a meu pai, não me recordo de falar com eles sobre sexo. Mas eu lia bastante.
Então não lembro da negociação que foi levar meus casinhos pra casa. Não sei se conversamos sobre isso ou se eu simplesmente apareci com um namoradinho e o levei pro meu quarto, onde ele ficou durante a noite. Só sei que nunca me passou pela cabeça procurar um motel, até porque não seria possível ― meus amantes costumavam ser tão menores de idade quanto eu. Sei que eles achavam estranho, e um pouco assustador, dormir no quarto da namoradinha, sendo que toda a minha família estava lá perto. Mas pra mim era muito natural. Aquele era meu quarto, ué, aquele era meu corpo, e eu não estava fazendo nada de errado. Logo foi natural pro meu irmão e minha irmã, dois e quatro anos mais jovens que eu, levarem seus casos pros quartos deles também. Sem constrangimento.
Tenho a impressão, mas não a certeza, que meu amado pai fazia cara de bravo pros meus namoradinhos, caso cruzasse com algum deles no corredor. Ele não gostou quando um deles, na manhã seguinte, usou sua lâmina de barbear e ainda deixou a pia suja. Mas tenho uma leve lembrança que mais de um tomou café da manhã com meu pai. Não sei. A verdade é que ele não gostava deles. Lembro bem quando um deles decidiu usar o piano na sala, e, bem, foi uma martelada atrás da outra. Meu pobre pai, que havia sido violinista na juventude, só olhava pra mim e revirava os olhos. (Na realidade, esse carinha foi bem depois, já na faculdade, e juro que não me recordo se transamos ou não. Lembro que passei uma noite no apê que ele dividia com um amigo, e que vimos Sindicato de Ladrões na TV, durante a madrugada. Ele tinha a ilusão que sabia tocar piano, e se considerava muito mais inteligente do que de fato era).
Quando eu já era adulta, mais de 20 anos, meu papi continuava implicando com meus casinhos. Um deles era um advogado alto e loiro que meu pai apelidou entre nós de “El Nazi”. Por isso foi tão surpreendente que ele tenha gostado do maridão à primeira vista. Foi o primeiro (e único) que levei pra casa que meu pai tratou com carinho. Não sei o que aconteceu, se foi porque ambos jogavam xadrez, ou porque o então namoradão andava de mãos dadas comigo (ideia dele; que eu saiba, eu nunca tinha andado de mãos dadas com um sujeito, mas também nunca tinha ficado muito tempo com algum deles ― meu recorde era três semanas), ou porque ele era mais velho (32 anos quando nos conhecemos). Mas sei que eles se deram muito bem automaticamente, e que o relacionamento entre eles foi ótimo nos três anos de convívio, até que meu pai morreu, em 93. Durante todo esse tempo (e os primeiros anos definitivamente não foram fáceis), meu pai foi um grande entusiasta pra que eu continuasse com o maridão.
Por isso é tão esquisito ler sobre pais que chamam sua filha de vadia só por ela ter iniciado a vida sexual, ou a expulsam de casa, ou a ameaçam, ou sei lá mais o quê. É ridículo. Será que eles acham que a filhinha não vai ter vida sexual, ou que vai se casar virgem? Entendo que quando falei pro meu pai que não era mais virgem sua primeira reação foi ter se chateado. Talvez eles pensem que nós seremos suas menininhas para sempre. Mas, sinceramente, acho que deve doer mais ao evitarmos, por exemplo, andar com o pai de mãos dadas em público. Não lembro quantos anos eu tinha quando achei que eu estava velha demais pra segurar a mão do meu pai na rua, mas tadinho, tenho certeza que ele se lembra. Deve ser duro ver a filha crescer e perceber que, logo logo, ele não será mais o centro do universo. Mas, racionalmente, o objetivo de mães e pais deve ser preparar a prole pra ser independente, e pra ter uma vida plena e feliz. E isso obviamente inclui uma vida sexual.

E hoje tem Marcha das Vadias em Fortaleza! A concentração, que não sei se é às 15 ou 16 horas, será no Centro de Humanidades da UECE. Espero que você de Fortaleza compareça! Eu estarei lá depois da aula. Este poster é da Marcha de amanhã, que acontecerá em Belo Horizonte (e em várias outras cidades, como Brasília, Salvador, João Pessoa, Floripa e Juiz de Fora). E haverá tuitaço hoje às 17. Vamos marcar presença para que nossa sexualidade deixe de ser algo condenável.

55 comentários:

Hamanndah disse...

Parabéns pelo seu pai

Bjs
Hamanndah

Mariana. disse...

Lola, adorei seu relato!

Comigo também não teve neura nenhuma, meu pai é até mais liberal que minha mãe.

Na verdade eu nunca cheguei e contei que não sou mais virgem, pra nenhum dos dois. Foi aos 18 anos, depois de uns bons meses de namoro, e etc. Então ainda que eles não tenham sabido de uma data específica, eles deduziram, depois de um tempo de namoro, que eu provavelmente não era mais virgem.

Hoje, 4 anos depois, ainda com o mesmo namorado, não tenho qualquer problema em dormir fora, na casa dele, etc. Na minha casa não rola pq divido o quarto com a minha irmã, não porque é proibido. Enfim, nunca tive problemas, e sinto muito fazer parte da minoria entre as mulheres, isso devia ser regra.

PS: isso é lá em casa. Minhas primas não tiveram a mesma sorte. :(

André disse...

Meu pai é bastante machista, já foi mais, bem mais. Minha irmã mais velha foi criada num "cativeiro", meu pai nem era violento, mas parecia haver um terror psicológico que "prendia" ela. Tudo era errado, tudo era "saliência", tudo era sinal de fim dos tempos. Creio que ele não fazia por maldade, na cabeça dele era uma proteção. Minha irmã mais nova era mais revoltada, brigava, tentava se impor, chegou a ser ameaçada de ser expulsa de casa por chegar tarde (tipo meia-noite, e ela tinha uns 20 anos e já fazia faculdade). Hoje minha irmã mais velha tem uma série de dificuldades em tocar a própria vida e creio que meus pais se arrependem da forma que a criaram. Eu tento, sei que não vou conseguir, proteger meus filhos de meus próprios medos e paranóias, eles são muito mais perigosos que os "perigos" do mundo.

Escarlate disse...

É estranho mesmo Lola, mas eu até entendo meus pais. Eu fiquei dos 12 aos 16 como a beata-mor da igreja que não falava de sexo nem pra procriação. Qual não foi a surpresa deles quando eu larguei a religião, conheci um cara da net e transei com ele? Minha mãe ficou super decepcionada pelo meu "mundanismo", meu pai fingiu que não viu, mas um dia bebeu até quase cair e chegou no meu quarto fazendo escândalo do tipo: "Por que você fez isso comigo? Você, minha filhinha?" E eu com a cara mais WTF ever....

Meu irmão me odeia com todas as forças desde que nasci, e quando tá com raiva de mim, me chama de vaca, puta e outros absurdos que uma mulher ouve quando não se importa com a opinião alheia.Eu transo, me previno, falo de sexo como se falasse de comida. Eu me sinto lisonjeada por me xingarem, mostra o quanto eu incomodo!

Mas hoje eu vivo numa paz de cemitério com meus pais. Eles fingem que não sabem da minha vida sexual e tá tudo certo pra ele. Depois que eu comecei a trabalhar foi mais tranquilo, eu tenho minha grana e minha relação com eles é mais normal. Sou maior de idade, vivo minha vida e quem quiser cuidar da minha vida, que pague minhas contas e assuma meus problemas. Simples assim.

Rebecca disse...

Oii Lola!
Super parabéns pelo post! É bastante raro o casos de pais como os seus rs
Acho que esse é um assunto que deve sempre ser cada vez mais discutido, pois infelizmente a virgindade feminina ainda é um tabu muito grande e motivo de neurose na cabeça de varias meninas em um momento em que elas deveriam estar se sentindo seguras para iniciar sua vida sexual.

Parabéns!

Escarlate disse...

Acho que só consegui me libertar de todas as neuras sobre sexo por causa do feminismo. Não que eu conhecesse o movimento, mas já achava, desde sempre, que apenas eu era dona do meu corpo. Nem meu pai, nem minha mãe, nem ninguém poderia mandar naquilo que é a única coisa que verdadeiramente nos pertence: nossa vida.

Eu tinha abandonado a religião meses antes de conhecer meu namorado, e o sexo antes do casamento era tão demonizado que foi um pouco difícil abandonar todo aquele medo de pecar. Felizmente, eu amadureci rápido e deixei essas neuras pra lá. Mas conheço histórias de meninas que quase foram expulsas de casa pq ousaram quebrar a "santa moral familiar"...

Roy disse...

Muito, muito bom, o melhor texto que eu li ate agora. Acho muito interessante o relacionamento que voce teve com seus pais, ainda mais sendo de uma geracao anterior a minha. Gostei deles rs. Eu nunca achei estranho trazer alguem pra casa, claro, como homem, mas todas as minhas namoradas tinham algum ou outro desconforto vindo pra casa. Algumas nao passaram a noite. Outras nem vieram, e quando morava assim, perdi a oportunidade de me envolver por isso em uma ocasiao.

As pessoas, no geral, todos nos, gostamos de nos enganar. Por isso tantos acham que a menina sempre sera menina, e o menino sempre "machao".


bjx

Rubens disse...

Otimo o texto como sempre.

Não quero ter filhos, mas se um dia tiver e for menina, não vou cria-la em um cativeiro não, pelo contrário vou incentivá-la a se conhecer e buscar descobrir o mundo a sua volta sempre.

Espero que ela aprenda que sexo é bom mas não é mágico, que ele faz parte da vida e só. Que algumas pessoas vão procurá-la apenas para sexo, mas que é ela quem tem que saber se quer isso mesmo ou não, para não cair em ilusões. E tb desejo que ela não reprima nenhuma vontade para atender a sexualidade alheia nem se sujeite a algo que não goste, só para agradar.

Enfim livre arbitrio para o sexo tb.

alemdaporta disse...

Lola,

Realmente sua relação com seus pais foi muito boa nesse sentido. Sou homem e tenho uma irmã mais nova. Olha vou te contar...é difícil pra ela viu. Minha mãe é super religiosa, casou virgem com o primeiro namorado (meu pai) e já tinha 30 anos. Imagine o que ela espera da minha irmã que é a independência em pessoa. Simplesmente não aceita que ninguém dite a ela como tem que se comportar. Sinto também uma pressão em relação a mim, sou homem deveria ter perdido a virgindade já, eles pensam. já perdi, mas com outro homem e bem, se imaginar a filha de 18 anos não mais virgem é o apocalipse, o filho gay é o fim. Sempre que esse tipo de discussão surge em casa sou o primeiro a dizer que minha irmã é dona do corpo e sabe o que faz com ele, ela é sim muito responsável e sempre usou preservativo, somos muito unidos nesse aspecto, contamos tudo um pro outro. Não sei como seria minha reação se eu fosse hétero e tivesse tido a criação que meus pais desejam, mas sempre estou do lado dela nessas questões.

Niemi Hyyrynen disse...

Pq só vagina tem "lacre"?

Pq só menina precisa se preservar...

Quando eu perdi minha virgindade eu nem contei para os mais pais, eles deduziram também, acho que foi melhor, ambos não poderiam saber, meu pai por ser machista mesmo e a minha mãe por medo (até hoje)de que eu me apaixone mesmo e me case com brasileiro.(não me perguntem pq ela pensa assim já que se casou com um e veio para cá...)

Lord Anderson disse...

Essa questão de educação sexual foi complicada na minha familia.

Meus pais deixaram tudo p/ a escola e só reforçaram os esteriotipos, como homem, eu tinha que pegar logo todas (mas não podia "deixar" elas engravidarem)e minhas irmãs tinham que se "preservar", etc.

Minha primeira transa foi uma bagunça, eu era muito jovem e mal sabia oq tava fazendo...

sexo nunca foi um assum seriamente descutido, por isso li muito, falei com professores e medicos...

as vezes acho incrivel que consegui desenvolver uma visãotão aberta de sexo, rs

(sim, isso foi auto-elogio, eu sou convencido ^^)

Laila disse...

Oi Lola, vixi esse assunto é problema. Meu pai sempre foi super machista e protetor, daqueles que declaravam abertamente que só queria filhos homens e não escondeu a decepção nas duas vezes que descobriu que viria uma menina...
Desde criança eu era muito reprimida, ele não me deixava brincar com outros meninos da familia, só com meninas... mas um belo dia, ele e minha mãe se separaram e ele foi morar fora do Brasil. E isso foi ruim pq me fez "aloprar". Com o opressor fora do alcance, eu quis sair por aí experimentando tudo que me fora negado durante tantos anos e aí, aos 15 anos, acabei perdendo a virgindade de uma forma tosca com o um cara idiota da escola que depois ainda espalhou pra geral (ainda bem que, como eu tinha "fama" de quietinha, mto tímida mesmo, ninguém acreditou nele).

Veja bem, não é que eu idealize a virgindade, nem achasse extremamente necessário... só queria ter tido mais diálogo, mais aconselhamento nesse sentido, para que a primeira transa pudesse ser o mais agradável possível, e não foi.

Mas tem momentos que me vejo "satisfeita" por minha primeira vez ter sido assim porque meses depois fui estuprada por dois primos e aí a minha virgindade teria sido "tirada" à força... acho que me faria sofrer mais do q sofri...

:) disse...

Que sorte a sua.Minha mãe é uma mulher maravilhosa que fez, e faz tudo que pode por mim e por meus irmãos, nossa situação familiar é um tanto quanto complicada devido a problemas financeiros e ao estado de saude delicado do meu pai, de modo que, bem, a vida da minha mãe é uma droga, a minha não é lá uma maravilha, mas é bem melhor que a dela, então, embora faça isso com frequencia, eu me sinto culpada por criticar qualquer coisa da minha mãe, mas enfim, ela é um tanto quanto conservadora, e na minha casa tudo é tabu, desde um palavrão que eu não deveria falar por ser "menina"(aqui a repressão não funciona muito, me considero um pouco boca suja) a um copo de cerveja, e dormir na casa dos outros então, é guerra, meramente querer fazer isso já é uma guerra, pq só o fiz sem ser em casa de parente umas 3 vezes na vida.a minha mãe tem uma noção errada de quem eu sou, quem ela pensa que eu sou já não a deixa muito feliz, a verdade então, tiraria toda a paz da minha vida, e assim, eu realmente não faço nada que justifique uma grande revolta dela, eu sou universitaria, estudo numa federal, bebo toda semana, em geral, mais de uma vez, não fumo, nunca usei drogas, 90% das vezes que eu saio eu tenho uma alternativa para ir embora ou para dormir na casa de uma amiga,um jeito seguro de não dormir no meio da rua sem que ela tenha de me buscar em algum lugar, mas ela faz questão de me buscar se eu for voltar muito tarde,e não me deixa passar a noite fora, muitos diriam, você é maior de idade, a vida é sua, foda-se a sua mãe e seu conservadorismo super protetor, é, sou maior de idade, mas ainda é ela que me sustenta, e não posso fingir que posso fazer tudo que quero, não, tudo que eu faço, eu faço com o dinheiro que ela rala para ganhar, não é assim que funciona, e, na minha casa nem é tão simples, não basta arrumar um emprego e ligar o botão do foda-se, o gente tem um milhão de problemas que me obrigam a ceder por questões de carater(e eu nem posso trabalhar no momento, devido a alguns desses inumeros problemas), enfim, eu creio que eu não sou uma filha tão má assim, e que, as razôes pelas quais minha mãe mais briga comigo são as erradas, não acho que meus piores defeitos como filha são chegar em casa de madrugada com alguma frequencia, beber ou falar palavrão, minha mãe discorda,imagina se eu tentasse trazer alguem para dormir aqui em casa?É simplesmente inimaginavel, eu ou meus irmãos jamais trariamos companhia para casa, temos amor a nossas vidas

Carol disse...

Eu na verdade nunca entendi esse negócio de pai se zangar/decepcionar/etc com a "perda da virgindade" da filha.

Não, eu não entendo que eles fiquem chateados por pensarem que "seremos suas menininhas para sempre". Não entendo a relação que isso tem com a perda da virgindade, com a filha fazer sexo. Parece até que algo é roubado do próprio pai, que possuía até então o "lacre de garantia" da própria filha. Parece um resquício dos tempos em que a virgindade da filha era valiosa como um bem, uma propriedade da família - do pai da família, no caso, que é quem cuida e possui os bens familiares.

Não acho que pais tenham nenhum direito de ficar zangados com a "perda da virgindade" de suas filhas. O que é que ELES estão perdendo, realmente? Tem ALGUMA justificativa compreensível? Pq "pensar que serão suas menininhas pra sempre" não cola. É menininha do papai até outro macho botar a mão, ou o pênis, é isso? Aí perde o direito de propriedade, e isso é frustrante pro papai, e poxa, é compreensível? Não, não acho.

E os filhos homens, não precisam ser "os menininhos do papai" que ele não quer perder? Bom, machismo pouco é bobagem né.

Escarlate disse...

Carol, é bem isso mesmo. É como se o pai perdesse o "bem" da filha, não faz muito tempo que a virgindade era negociada. Ainda estamos numa fase de transição, o feminismo é muito recente, muita gente foi criada com essa mentalidade patriarcal (e ainda é).

Foi assim que meu pai me tratou, como se após o sexo, eu tinha crescido, virado adulta. Como um ritual de iniciação, muito escroto isso. E eu falei na cara dos meus pais, depois que eles vieram com umas broncas do tipo "menina de respeito não dorme em casa de namorado", que a vagina era minha! O corpo é meu, e se eles se incomodam, que ignorem, pq eu posso morar na casa deles, mas não sou propriedade de ninguém.

Nunca mais me falaram nada.

Ana disse...

Meu pai deve achar que sou virgem até hoje (tenho quase 25 anos e namoro há 2 com um cara de 33). O namoradão tava morando comigo por um tempo e quando meu pai viu uma cama só na casa falou "ah, só falta colocar mais uma cama aqui na sala" o.O

Lembro do primeiro namorado sério ficando na casa da minha vó, onde eu morava na época, pq moravamos em cidades diferentes. Eu tinha mais de 20 anos já.

Ficamos uma tarde no quarto de portas fechadas (aliás, como sempre ficava quando estava sozinha), não fizemos nada demais. Dividia o quarto com minha irmã, ela tava no pc e nós dois na cama caímos no sono. Minha vó armou o maior barraco, usando a desculpa que minha irmã queria dormir e estavamos incomodando, q não tinhamos respeito (estavamos só dormindo). Ela chamou minha mãe pra ir lá cuidar de mim, falou que a casa dela não era motel e caralho a quatro.

Fugi de casa durante um mês e ficaram loucos e mansinhos depois. O atual até dormiu comigo na última vez na casa dela e todos morrem de amores por ele.

Fernando Henrique disse...

Meus sogros são tiranos. Minha esposa sofreu o pão q o diabo amadeu com o pai machista e com a mãe extremamente encanada. Pra vós terem idéia eu tive de ir pedir a "mão" dela em casamento p o pai, super cheio de cerimónias e isso a 7 anos atrás. Essa ditadura causou profundas marcas na personalidade dela. Eu tolero
meu sogro por causa dela. Mas fico extremamente contrariado tudo o q ele faz ou pensa me enoja. Tanto você quanto o maridão tiveram sorte Lola.

Ana Vitória disse...

Lola, meu pai faleceu em 2008 de câncer e até hj choro a morte dele. Sempre o amei muito. Apesar dele ter se separado da minha mãe quando eu tinha 7 anos, ele era um pai presente. Claro que não o via todos os dias, já que morávamos em bairros distantes e ele ainda revesava entre DF-MG, mas com ctz o via toda semana. Ele que pagava minha faculdade, que dava minha mesada, que me levava para as festinhas, que conversava comigo. Ou seja: não posso nunca dizer que ele foi um pai ausente.

Com 17 anos eu tive o meu primeiro namorado, que era um rapaz de família mais humilde e morava numa cidade do DF não muito bem vista pela classe média. Eu sei que meu pai não gostava do meu namoro, mas nunca se meteu e tratava meu ex com muita educação. Ele sabia que eu e meu ex dormíamos juntos e que eu não era mais virgem, mas nunca grilou com isso. Então eu, na minha inocência, achava que meu pai era mais liberal em relação a essas coisas.

O meu namoro terminou e continuei minha vida normalmente. Não sofri, não fiquei "de luto". Se alguém me interessava eu ficava sem ter nada sério, o que julgo ser normal.

Em 2008, no mesmo ano em que meu pai morreu, foi o casamento do meu irmão. Eu já estava com 20 anos de idade. Na festa do casamento, conheci um carinha legal. Papo vai, papo vem, ambos solteiros, ambos maiores de idade, e nos beijamos. Como a reação do meu pai com meu ex foi tranquila, pensava que se ele me visse ficando com alguém não iria se incomodar. Engano meu, quando ele viu fez um escândalo. Me chamou de puta pra baixo no meio da festa de casamento do meu irmão. Saiu de lá me puxando pelo braço. Fui o assunto da família por meses. Depois descobri o "motivo" (não é um motivo que justifique, mas que ele usou): o cara que eu tinha ficado era enteado do meu tio.

Enfim, fui xingada de puta pra baixo no meio das pessoas, cheguei em casa me sentindo humilhada pelo meu próprio pai. Mas o curioso é que no dia seguinte meu pai encontrou o rapaz que tinha me beijado e o tratou normalmente. A única que foi penalizada pela situação fui eu.

Já perdoei o meu pai por isso, mas esse episódio ficou na memória.

Milady Carol disse...

Que lindo texto, Lola... Lembrei de uma historia do meu pai. Ele sempre foi muito amigo e carinhoso, mas quando chegou a nossa adolescência (minha e da minha irmã mais nova), ele mudou um pouco. Lembro até hoje de um dia em ele me viu aos beijos com um namoradinho, eu tinha 16 anos (hoje tenho 31). Ele me mandou subir para casa aos gritos, brigou comigo, gritando que não tolerava essa pouca-vergonha na rua, perto da casa dele, e isso e aquilo... E eu sem entender nada, pois o que eu tinha feito nada que justificasse isso... E ele nunca tinha falado assim comigo! Dai minha mãe, que sempre foi mais ponderada, começou a brigar também, e eu sem entender nada. Quando meu pai saiu de perto, minha mãe disse: "filha, eu briguei com você para o seu pai parar, ele so não soube lidar com isso, vai passar, não se preocupe". E passou. Acho que ele não sabia como conviver com as filhas, que não eram mais menininhas, eram tão diferentes agora! Acho que também tem muito medo da filha sofrer. Mas depois disso, ficou tudo bem, apesar de eu não ter podido passar a noite com nenhum menino no meu quarto, so depois do meu casamento :)

André disse...

Carol e Escarlate, creio que alguns desses tipos de pais tem medo que os homens tratem suas filhas do mesmo modo que eles tratavam as mulheres quando eles estavam no "mercado". Ou seja, como objetos sem sentimentos. Outros cresceram acreditando que mulheres que "dão" são vagabundas e merecem ser apontadas e desrespeitadas, e parte da "culpa" é dos pais delas. Por isso, se ressentem tanto da vida sexual das filhas e sempre estão prontos para encenar esse teatrinho ridículo que vocês citaram. Grande parte do que grande parte das pessoas fazem é apenas para mostrar para a sociedade, enão para benefício próprio. É difícil concordar com essas pessoas, mas não é muito difícil entendê-las.

Camila disse...

Lola, meu pai, quando soube que eu não era mais virgem, disse que não havia motivo pra chateação - o amor, segundo ele, era lindo e eu devia aproveitá-lo... Disse ainda que eu DEVERIA usar camisinha, e nunca deixar o controle do meu corpo nas mãos de outra pessoa. Pra ele, pior que uma gravidez era ficar doente...

Já minha mãe... Reação horrível. Um dia, oportunamente, conto essa história com mais calma.

aiaiai disse...

eu sou um pouco mais velha do que vc, Lola, tenho 47 anos hoje, e minha história é radicalmente diferente. Também transei a primeira vez com 15 anos, mas nem passou pela minha cabeça contar para meu pai. Lembro que, ainda inebriada pela experiência - que foi excelente embora tenha sido em condições bem precárias kkkkkk -, pensei em falar para minha mãe como eu estava feliz...mas logo deixei esse pensamento de lado. Minha mãe sempre foi mais conservadora ainda do q o meu pai. Ela ia ter um troço se eu contasse que tinha transado.
Só assumi para os meus pais que eu não era mais virgem quando eu tinha mais de 26 anos, morava já há uns 3 com meu primeiro marido em são paulo, e meus pais, no rio, não faziam a mínima ideia kkkkkkk
Vai vendo.
Dai um dia eles disseram que estavam sem fazer nada e pensaram em ir me visitar em são paulo. Eu (doida) pensei na hora numa solução: não, não venham, eu e o fulano (q eles sabiam q era o meu namorado, mas não sabiam q a gente morava junto) estamos planejando ir ai neste final de semana.
Daí, fizemos a viagem e lá no rio contamos que havíamos decidido morar juntos. Claro que todo mundo aceitou na boa, já não era sem tempo.

até hoje eu lembro das mentiras deslavadas que eu contava para dormir na casa de vários namorados e sempre achava q eles acreditavam. Hoje, sendo mãe, sei q eles não acreditavam, apenas fingiam acreditar para não ter q encarar a realidade de ter uma filha totalmente sex free kkkkkkkkkkk

Carol disse...

O engraçado, André, é a falta de lógica nesse tipo de pensamento:

- Filhos homens têm que sair comendo o quanto antes, e o mais que puderem;
- Filhas mulheres têm que se resguardar, se fizerem sexo são putas e vagabundas.

Então, quem é que os filhos homens devem comer? Mulheres casadas? Ou as moças que acontecerem de não seguirem a regra e serem vagabundas? Como é que fica essa matemática? Heh.

Lord Anderson disse...

Pois é Carol.

Isso tb cai na contradição do machismo.

O pai quer que o filho seja garanhão e pegue todas, mas não permite que a "sua" menina "pega" por outro candidato a machão do pedaço.


Por isso que muitos pais incentivavam (ou mesmo levavam) seus filhos para terem suas primeiras relações com protistutas.

Na logica torta isso pode, afinal elas ja não são moças de "familia".

Mateusz disse...

Lola, você viu isso?
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/931305-onu-aprova-resolucao-de-igualdade-para-homossexuais.shtml

A ONU reconheceu a diferença de orientação sexual como um direito humano. Não representa muito efetivamente, mas é uma grande vitória simbólica. Como disse um secretário estadounidense, isso mostra que homossexuais e transexuais de todo o mundo não estão sós. Acredito que uma vitória contra a homofobia e a transfobia é uma importante vitória contra o machismo e o patriarcado também.

Sobre o post de hoje, não sei o que comentar, como homem nunca vi a virgindade como problema ou algo que meus pais deveriam saber e não inferir. Como gay, nunca tive qualquer liberdade ou espaço pra falar sobre isso. o.O

Daiah Scarlet disse...

Lola, adorei esse post, aliás, tenho lido seu blog com frequencia e já está nos meus favoritos.

Comigo na verdade não aconteceu nada demais, nunca falei diretamente quando perdi a virgindade para os meus pais, sei que eles logo deduziram, quando eu tinha 15 anos e comecei a namorar e ir para a casa do namorado.E pra ser sincera tive até mais problemas com a minha mãe (talvez pq eu não more com meu pai).Ela sempre se disse mt liberal, mas quando pedi para dormir na casa do meu namorado ela se enfureceu, e disse: Tá, então tu começa a lavar tuas roupas e fazer tua comida! (como se uma coisa tivesse haver com a outra)

Lembro que ela chegou a comentar alguma vez: "agora tu já é uma mulher.." Ou seja, além de não ter o controle sobre meu corpo, preciso de um homem para me tornar mulher? Ah sei lá, posso estar viajando, mas acho que o pior machismo ainda é quando vem das próprias mulheres.

Quanto ao post, na parte que vocÊ fala sobre quando não queremos mais andar de mão com o pai.. concordo totalmente. Pelo menos para o meu pai, deve doer muito mais quando ele me convida para almoçar com ele, por exemplo e eu não vou, do que saber que eu não sou mais virgem.

Escarlate disse...

Daiah, minha mãe tb veio com esses papos que eu já tinha me tornado mulher e etc... Aí eu falei: "Ué, eu precisava de um pênis pra virar mulher? Engraçado isso..."

Ana disse...

Nossa, você teve sorte com uma família assim.

O meu pai quando descobriu (meses depois) chorou por duas noites seguidas. Por mais machista (e ignorante também) que ele seja, eu esperava algo bem pior, algo como querer me proibir de sair de casa, mas não, ele só ficou triste. Foi estranho, até porque eu já não me sentia a "garotinha do papai" fazia tempo e também porque reivindicava o direito de trazer namorados aqui (meu irmão sempre trazia as namoradas dele em casa e eu não podia). Minha relação com meu pai nunca foi de cumplicidade, ele nunca sentou pra conversar e dar bons conselhos como a minha mãe faz. Ela é minha melhor amiga. Ele nem chega perto disso e em muitas vezes eu sinto falta.

Beijo Lola.

André disse...

Carol, não é matemática, é matemágica. Creio que a maioria das pessoas fica no piloto automático e nem pára para refletir sobre a incongruência de seus pensamentos.

Hel disse...

No meu caso foi mais tranquilo também. Meus pais já eram separados, e meu pai não era muito presente.

A minha irmã mais velha já tinha quebrado os paradigmas, então na minha vez foi tudo mais simples.
Um belo dia ela chegou em casa e disse: "pai, amanhã o Paulo vai almoçar aqui em casa". E a resposta dele foi: "já tem até nome esse FDP??"
Apesar disso, acho que ele acabou levando na boa.

Eu dormia com o meu primeiro namorado. O engraçado é que ele era mais velho que eu e nunca transamos. Ele porque tinha medo de me pressionar, e eu, que tava louca pra transar, tinha um pouco de medo de tomar a iniciativa. Admiro o respeito dele, mas eu devia ter sido mais corajosa.

Acabei transando a primeira vez com um cara, no primeiro encontro com ele, alguns dias depois de conhecê-lo num show. O pior é que foi muuuito bom, namoramos alguns meses e eu ainda procurava ele pra transar mesmo depois de termos terminado. Hoje em dia achei essa decisão de sexo no primeiro encontro meio perigosa, porque foi no apartamento dele (e se ele fosse um maluco violento?). Mas felizmente deu tudo certo.

Nunca contei da primeira vez pros meus pais, acho que eles deduziram.

Pedro @snoopy_xxy disse...

Que texto bacana Lola. Amo como esse blog explora bem todas as formas que o machismo apresenta. E achei seu pai um fofo rsrsrs.

Escarlate disse...

Lola vc viu isso:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5186123-EI17594,00-Na+Arabia+Saudita+mulheres+protestam+por+direito+de+dirigir.html

Eu não sabia que as mulheres sauditas nem podiam dirigir! Aqui tem a página da campanha Women2Drive no Facebook:

http://www.facebook.com/Women2Drive?sk=wall#!/Women2Drive

Cynara disse...

Essa da Escarlate foi ótema....kkkkkkk
Bem gente,ah...sei lá acho que meus pais não tem que saber da minha vida sexual não,nem se já começou.
Tenho um filho de 19 anos e não tenho o menor interesse.

Patrick disse...

A Arábia Saudita é o pior lugar do mundo no que se refere a liberdades individuais. Recentemente foi executado um cidadão condenado à morte sob a acusação de bruxaria (é isso mesmo, você não leu errado). Mas como o reino absolutista Saudita é composto por "homens de bens", ninguém dá um pio no mundo ocidental.

liyle disse...

você teve sorte então, a minha família inteira tem essa neura de se casar virgem e ser uma boa moça, a minha prima apanha do irmão até se der apenas um beijo na boca. No dia em que eu dei meu primeiro beijo minha avó quase morreu, me senti como se tivesse matado alguém. Isso por beijo imagina se eu tivesse feito sexo.

Megatherium disse...

Lola, não tem nada a ver com o tema, mas você viu isso?
Bispo Católico diz que “mulheres dificilmente são violentadas sem consentimento”
http://kiminda.wordpress.com/2011/06/14/bispo-catolico-diz-que-mulheres-dificilmente-sao-violentadas-sem-consentimento/#comment-42930
Estou tão chocada que não sei o que dizer...

Ju R. disse...

Por favor, Lola, poste fotos da Marcha, ok?

Beijão.

Sooraya disse...

Oi Lola!

Esse seu post me lembrou uma coisa interessante. Vc já ouviu falar no “Father Daughter Purity Ball”?

Neste evento (??) pais e filhas trocam votos de pureza. O pai promete ser puro e integro em sua vida e sua filha promete adivinha o que???? Manter a virgindade, claro!

Pai e filha até trocam alianças, e esta só deverá retirar a sua no dia em que passar à tutela de outro homem ... no casamento.

Algumas dessas crianças chegam a ter apenas 04 anos.

Fico pensando, que tipo de neuras sexuais uma criança como essa cultivará ao tornar-se mulher.

E sabe? Um monte de gente acha isso lindo, veja só http://siloejovem.blogspot.com/2009/09/compromisso-com-o-pai.html. Aqui tem um vídeo de uma moça na hora do casamento agradecendo ao pai.

Correndo o risco do radicalismo, eu acho torpe. Um pai posar de "namorado" da filha, e se comprometer a assegurar a virgindade da filha é muita repressão sexual.

Links interessantes:

http://www.umavisaodomundo.com/2011/03/seita-evangelica-cerimonia-virgindade.html

http://www.purityball.com/purityBall.html

Bruna disse...

Como meus pais são separados e eu vivo com a minha mãe, não me sinto à vontade pra conversar sobre sexo com meu pai. Ele já tentou algumas vezes dizer que sexo é natural, que não tem nada demais... Só que isso mais me dá vontade de rir do que de qualquer outra coisa, eu noto que ele se esforça bastante pra não soar muito conservador. Acho digno o esforço dele. Ainda assim, pra mim seria impensável falar pra ele que eu não sou mais virgem, não porque eu ache que ele vá ter um treco, mas porque não enxergo o contexto em que essa seja uma informação do interesse dele. Talvez numa relação mais próxima seja, sei lá.
Uma das últimas vezes em que ele tentou conversar algo nesse sentido, eu notei um certo desespero da parte dele, dizendo que eu deveria arrumar um namorado, que era normal querer namorar e tal. Até hoje acho que é porque ele tava com medo de que eu fosse lésbica, hahaha.
Algum tempo depois eu até arrumei um namorado, mas não sei se com isso consegui acalmar o coraçãozinho conservador do meu pai: o namorado era cheio de piercings e tatuagens.
Bem, enfim, acho que, no meu caso, tem tantas outras conversas atravessadas no meio do caminho entre mim e meio pai que essa fica meio de lado.

Bruna disse...

Uma coisa que o atual namorado da minha mãe fala que me deixa pensativa é o clássico: "A gente fica preocupado com as filhas porque sabe tudo que esses cabras safados fazem com elas, porque a gente já fez com as filhas dos outros". Ele disse que foi isso que mais o afetou quando as filhas começaram a namorar.
Fico pensando na responsabilidade que os pais e mães têm ao criar filhos. Quando se diz que "pais não criam os filhos pra si mesmos, mas para o mundo", não é só que os filhos vão pro mundo e vão ter que se virar nele sozinhos, mas que esse filho vai ter ações que vão afetar o mundo e as pessoas nele. E, sinceramente, se eu tivesse um filho e ele fosse desses cafajestezinhos com as mulheres ou coisa pior, acho que eu morreria de vergonha.
PS: nossa, agora lembrei de uma colega do tempo de escola cujo namorado, quando dormia na casa dela, dormia trancado num quarto e de manhã bem cedo, quando acordava, a mãe dessa colega o destrancava. Imagina um incêndio nessa casa e esse menino preso, gente?

Koppe disse...

Fico imaginando se um desses pais conservadores descobrisse que sua filha foi na marcha das vadias...

Cristina Tonon disse...

Essa parte do seu relato bem no final quando você fala do medo que eles tem de nos ver crescer pra mim é o ponto mais importante, meu pai ficou quase um mês sem falar comigo quando apareci com o primeiro namorado, foi o tempo que ele precisou para aceitar essa transição para a vida adulta. Ver a filha de 13 anos com namorado realmente o abalou mas depois disso não tive qualquer outro problema em relação a ele. Quando deixei de ser virgem o namorado dormia em casa e não foi feita nenhuma declaração a respeito de nada.
Ainda assim lá em casa não falamos de sexo alias eu não converso sobre isso com ninguém por não me sentir confortavel em comentar sobre coisas tão intimas.
E uma grande tristeza saber que tantas pessoas tem suas vidas podadas e desrespeitadas pelos próprios pais a respeito de algo tão natural.

Ana Carolina disse...

Achei lindo o texto, Lola.

Meu pai descobriu que eu não era virgem da pior forma possível (testemunhando a ação), mas não me tratou mal ou diferente por isso, continuou sendo o pai amoroso de sempre. Na verdade, ele nunca tocou no assunto.

Minha mãe não. Me chamou de vagabunda, piranha, me ameaçou pôr pra fora de casa e até hoje, quando brigamos, faz questão de me jogar na cara a vagabunda que eu sou.
E achou super bonitinho meu primo contando pra ela que transou com uma menina... É porque os homens transam com alienígenas, não com mulheres, né?

paulinha disse...

Lola, cheguei aqui! (eu que te mandei o e-mail ontem com um monte de questões sobre as cantadas de rua).

Li a maioria dos comentários e à medida que ia lendo, ia pensando: acho que não tenho muito o que dizer sobre isso. Meus pais são separados e, ao contrário de alguém que comentou antes, meu pai foi muito ausente, se meteu muito pouco na minha educação. E com minha mãe sempre foi tudo muito tranquilo no que dizia respeito a sexo, não tenho do que reclamar.

Mas aí me deu um estalo! Eu tenho um irmão que sempre foi muito machista, e olha, só agora consigo associar esse termo a ele. Não me entenda mal, amo meu irmão de paixão e hoje, que moramos em cidades diferentes, nossa relação é de uma lindeza sem fim. Mas vou contar uma situação só, que é pra dar uma ideia. Uma vez tive um namoradico, durou menos de dois meses, não existia envolvimento sexual (ao menos que eu me lembre) e o menino era amigo do meu irmão. Um dia estávamos sozinhos em casa, eu e o rapaz, deitados no chão, usando almofadas como travesseiro, de mãos dadas, um ao lado do outro, vendo tevê. Realizou a inocência? Meu irmão não. Ele chegou, acendeu a luz, foi super grosseiro e disse que eu deveria me dar ao respeito. E o menino era amigo dele, imagine!

Fica então minha observação: a gente pensa muito nos efeitos do comportamento do pai na vida da filha... mas acho que os homens podem ser seriamente afetados por isso, não só pela presença de um pai machista mas também pela ausência qualquer exemplo de pai, sabe? E assim esse comportamento abominável vai encontrando terreno pra se perpetuar...

Beijos!

paulinha disse...

ah, outra coisinha que não tem a ver com o post mas preciso registrar: hoje, pela primeira vez, reagi a uma cantada que recebi na rua. inocente, é verdade, mas aproveitei pra exercitar meu poder de reação. e quando passei andando por dois caras e um deles soltou um "bonitinha, hein..." devolvi com "e inteligente também eu sou, viu?". não fiquei pra ver o que ia acontecer, mas certamente surpreendi, porque de longe escutei o rapaz: "pôôô...."

e já pensei em mil e uma respostas, algumas menos educadas que outras, pra usar nessas ocasiões. rs.

beijo de novo ;)

Laetitia disse...

aah, Lola, minha história é tão diferente da sua! eu fui criada em escola católica, meu pai é super católico e, embora minha mãe seja bem mais mente aberta, sexo nunca foi uma coisa extremamente fácil de se lidar. o que houve de bom aqui em casa foi educação suficiente, por parte de minha mãe, pra que eu conhecesse bem o meu corpo e não acontecesse nem de transar "perigosamente", nem de eu virar uma mosca morta que acha que nasceu pra satisfazer homens e não pra se satisfazer. nesse aspecto, eu agradeço muito à minha mãe, mas a parte prática é outros quinhentos. minha família tem muita dificuldade em lidar com privacidade, com a questão de que a filha, mesmo dependendo financeiramente, pode ser livre e dona do próprio nariz em outros aspectos - o que sempre impossibitou trazer qq rapaz pra casa, mesmo o meu atual namorado, depois de 5 anos de namoro.

a questão da virgindade foi chata. primeiro, pq eu não achava que 1ª penetração = 1ª relação sexual. tinha feito muita coisa antes disso... segundo, pq não sentia necessidade de contar, e minha família acabou exigindo que eu contasse, o que foi desagradável. bom, eu já tinha 17 pra 18 anos na época, namorava há um ano e não via nenhuma necessidade pra alarde. por mim, bastava confiar em mim e "subentender" que já havia sexo...

agora, quanto ao lance do sexo casual, eu não sou adepta, e nem é por moralismo, não. infelizmente, os caras que apareceram na minha vida querendo esse tipo de coisa eram, francamente, todos horríveis. do tipo "quero pegar todas, sou foda, sou o macho alfa", sabe? não consigo querer ter qq intimidade com alguém assim. não acredito que um tipo machista assim seja bom de cama, que fosse valer a pena aguentar a falta de miolos por um pouco de sexo. por esse aspecto, preferi esperar por um relacionamento mais bacana, com alguém diferente, com quem eu pudesse me sentir realmente à vontade na cama...

Adwilhans disse...

Como fui criado com mais três irmãos (sem irmãs) e sem pai, o tema "sexo" nunca povoou as discussões na casa. De maneira geral, só conversei sobre isso com amigos...
Hoje sou pai de primeira viagem, de uma menina com três aninhos recém completados, e já estou fazendo cursos intensivos aqui no blog para agir adequadamente quando a hora chegar. Imagino e espero que seja mais fácil do que dizem, tomara seja mesmo...

Jéssica Almeida disse...

Aqui em casa não se conversa sobre quase nada. Aquele típico: pais que trabalham o dia todo e acham que dar educação/dinheiro é suficiente. Tenho duas irmãs (uma mais velha e outra mais nova), e dividimos o mesmo quarto. Então, meio que por reflexo dos nossos pais, não temos muita conversa entre nós tambem.
Se não há conversas cotidianas, imagine sobre sexo?
Pra se ter ideia, nem eu que tenho 19, nem minha irmã mais velha (23) podemos chegar tarde em casa. Meu pai fica ligando mandando ir pra casa, e controla até a hora que a gente dorme.
Não contei pra ninguem da minha familia, e nem acho necessário contar, mas eles supõem isso, claro! Só tive um namorado, que durou quase 3 anos, e perdi minha virgindade com ele.
Acho engraçado como minha vó fala: Fulana, já é "perdida". Como se isso fosse coisa de outro mundo!
O fato de sexo ser um tabu acaba levando a pensar que isso é errado, que transar por transar é ser puta, vagabunda, cachorra.
Isso acaba ficando incorporado, como se fossem valores, convicções, "moral".
Queria ter tido pais como os seus Lola! Pra pelo menos ter descoberto antes que sexo não ébicho de 7 cabeças!

=]

Calíope disse...

Bom, andar de mão dada com meu pai eu não tenho verognha, não... Tenho 17 anos e, na verdade, é ele quem não gosta de segurar minha mão na rua porque diz que se sente "um velho saindo com uma mocinha". Já perguntaram ao meu pai se eu era sua esposa, quando estávamos juntos no carro, e ele ficou realmente constrangido...
:S papai tímido....

Gabi Bianco disse...

Bem, meu pai morreu quando eu era muito menina, então nem deu tempo de ter vergonha de andar de mão dada com ele ou de ter que contar sobre sexo.

Mas sobre "perder a virgindade", eu acho que a gente perde alguma coisa quando não sabe aonde deixou. E eu sei direitinho onde deixei a minha, com quem, quando, como foi... Não perdi nada não, disso tenho certeza. :)

@dani_13 disse...

- Nossaa, sorte a sua pelos seus pais ein.
Aqi em casa foi totalmente ao contrario. Perdi a minha virgindade com 15 anoos, e a neura da minha mãe ja começaa ai. ((ela fala qe era mtt nova.)), e também, rolou com um cara que não era meu namorado, nós só ficavamos, porém isso acontecia a 2 anos. Senti que podia confiar nele, poq ja o conhecia bastante, e gostava dele.
Rolou, e um mes depois minha mãe descobriu.
Fez uma tempestade em copo d'agua. Disse que eu não estava me dando o valor. Que estava decepcionada cmgo, chorou mtt,... aqele drama tdo de mãae. E coom suas palavraas ela acaboou me magoando tbn :s
Foi beem tensoo, e até nos dias de hoje, ela joga isso na minha cara qndo brigamos.

Anônimo disse...

Bom, comigo também naum foi tranquilo. Perdi a virgindade com 18 anos e na época naum tinha contato com meu pai, que havia se separado da minha mãe dois anos antes. Não contei nada pra minha mãe também, porque afinal, nunca, nunca mesmo, haviamos tocado nesse assunto. Tinnha aprendido tudo sozinha ao longo dos anos e com a ajudinha da internet, que chegou lah em casa quando eu tinha uns 12 anos. Nem ir ao ginecologista eu nunca fui, de tão grave q é o bloqueio com assustos sexuais lah em casa.

Um ano depois minha mãe achou a caixinha de um contraceptivo de emergência nas minhas coisas e quando foi me interpelar sobre aquilo, eu interrompi o assunto e essa ficou sendo a conversa mais profunda que jah tivemos sobre sexo.

Hoje voltei a falar com o meu pai e aos 23 anos ele ainda acha que sou virgem. (há pouco tempo, quando soube que eu ia morar sozinha em uma cidade universitária, mandou minha madrasta tentar ter uma conversa sobre primeira vez comigo).

Eu acho péssima toda essa situação pq eu queria naum ter que me esconder e fingir tanto pros meus pais, mas hj em dia eu mesma naum conseguiria ter nenhum tipo de conversa sobre sexo com elesou sobre qualquer coisa mais íntima. Faço sexo casual por aí, frequento swings, bebo, fumo, etc, mas eles naum sabem de nada disso. Às vezes sinto como se eles naum me conhecessem realmente, pois boa parte da minha vida segue às escondidas.

Anônimo disse...

Sinceramente, fiquei perplexa com a reação do pai..mas admirada por outro lado !

Anônimo disse...

Puxa, deu até uma certa inveja de como seus pais a criaram! Admirável mesmo!!! Eu resolvi não contar nada pros meus pais, sempre que dormia na casa do meu ex-namorado precisava mentir que dormíamos separados, inclusive com colaboração da mãe dele e depois do pai uma vez que fomos viajar! Sim, eles mentiram para os meus pais também... Era desconfortável pra mim, mas não tinha coragem de enfrentar. Depois de um tempo minha mãe parou de perguntar se dormiríamos separados, mas não acho que via tal fato com naturalidade... Bom, eu já tenho 23 anos, ainda não trabalho porque estou um tanto atrasada na faculdade, mas quero ver como será com o próximo.

Anônimo disse...

Deixei de ser virgem aos doze anos de idade, mas meu namorado não quis mais saber de mim. contei o acontecido para meus pais e eles ficaram muito revoltados. Não me deixavam sair de casa. Aos dezessete anos conheci um rapaz catorze anos mais velho que eu e aceitou o fato de eu não ser mais virgem. Namorei seis meses e me casei. Durante o namoro ele me bateu duas vezes, falei para meus pais, mas eles não se importaram e disseram que isso era normal acontecer entre casais. Casamos e na viagem de núpcias ele me deu uma surra de cinto. Daí por diante, apanhei todos os dias e tudo por conta da falta de virgindade. ele dizia que casou com uma mulher arrombada. Consegui me separa dele recentemente, pois não aguentava mais apanhar. Hoje vivo melhor, ainda com muito medo,mas felizmente olho para meu corpo e não vejo as marcas roxas. Acho que tudo o que aconteceu comigo foi uma ignorância dos emus pais e marido e falta de maturidade da minha parte.