quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O CRIME SEXUAL DO FUNDADOR DA WIKILEAKS

Bastante gente tem pedido minha opinião sobre todo o caso Wikileaks. E tem coisas sobre as quais não tenho vontade de escrever. Nem acho que eu deva ter opinião sobre tudo! Bom, a verdade é que nunca entrei no Wikileaks. Até poucos dias, nunca tinha ouvido falar em Julian Assange. Estou sem tempo pra me informar tanto quanto devia, e como fatos (ou versões) novos surgem a cada dia, as chances de eu escrever alguma besteira são enormes. Mas é o seguinte: falando aqui do alto da minha ignorância, posso dizer que admiro o que a Wikileaks vem fazendo. É importante que “documentos secretos” sejam divulgados abertamente, e que o que chegue à mídia (ou melhor, apenas aos monopólios da mídia) não venha em contagotas, num modelo pré-fabricado, pronto pra consumo fácil. Se alguns desses documentos colocam em risco a segurança nacional dos EUA, é sinal que a segurança deles é bem frágil. Pelo que tenho lido, os tais documentos mais fazem a soberania americana passar vergonha, isso sim. Mas também não trazem nada de novo. Ou alguém em sã consciência pensava que os americanos gostavam do MST? Essas revelações só mostram que a gente da esquerda estava certa: que nem o embaixador americano em Honduras acreditava que o golpe de estado no país não foi golpe de estado, por exemplo. Que Israel e alguns países arábes estavam (por que o passado?) loucos para que os EUA bombardeassem o Irã. Etc etc. Acho ótimo que a Wikileaks fechou parceria para divulgar documentos sobre o Brasil diretamente pra representantes da mídia independente. Mas anseio por uma notícia, uma só que seja, que não me faça pensar “Eu já sabia”.
Esta semana Julian Assange, 39 anos, australiano, foi preso. E é óbvio que ele é um preso político. Tem grupos fundamentalistas nos EUA querendo seu cadáver. O governo americano deseja julgá-lo, não se sabe exatamente por que crime. Mas ele foi preso por abuso sexual, e a história toda está muito mal contada, até por que boa parte dela vem sendo contada em sueco. Mas o que se sabe? Que Julian esteve na Suécia em agosto e que, já naquela época (em que ele estava começando a ser vilanizado), duas moças o acusaram de abuso. Uma promotora analisou o caso, constatou que a acusação não era de estupro, e dispensou o caso. Agora que os EUA estão doidinhos pra colocar as mãos em Julian, é altamente suspeito que as denúncias voltem à tona.
Parece que estupro não houve. As próprias vítimas dizem que o sexo foi consensual. Mas parece que ele se recusou a usar camisinha, e este é um crime na Suécia (um crime menor, pago com multa). Aliás, eu acho justo que seja crime. Algo do tipo já aconteceu comigo, muitos e muitos anos atrás. Um rapaz que eu não conhecia direito e com quem só transei uma vez fingiu que colocou a camisinha (o quarto tava escuro), mas não usou. E eu só fui notar depois do ato. Fiquei indignada quando percebi, porque pô, eu só transaria com ele (ou com qualquer outro) se fosse com camisinha. Na época, eu já não tomava mais a pílula (e, mesmo quando tomava a pílula, eu exigia que meus parceiros usassem camisinha). E se eu tivesse engravidado? Pior: e se ele tivesse me passado alguma doença sexualmente transmissível? E se ele tivesse me passado Aids? Ou seja, estupro não foi. Mas poderia ter sido bem sério. Eu lembro bem que fiquei morrendo de raiva, e o xinguei de todos os palavrões que não costumo usar. Mas engraçado, disso de homens que fazem qualquer coisa pra fazer sexo sem camisinha ninguém fala. Aí, se a mulher engravida, é porque ela é uma oportunista querendo garantir seu futuro com pensão. Juro, eu não queria pensão, não queria um filho (e felizmente nada aconteceu). Só queria que o crápula usasse camisinha. É pedir demais?
É bem possível que Julian seja um desses idiotas que estão mais preocupados com seu próprio prazer do que com a exigência número um da parceira (usar camisinha), ou com as consequências da sua falta de responsabilidade. E, portanto, é possível que as duas mulheres tenham procurado uma delegacia para forçar Julian a fazer um teste para provar que estava livre de doenças. Também fala-se que a camisinha furou, e aí é outra história. Mas furou com as duas moças? E se, segundo uma versão, a camisinha rompeu durante o sexo, a moça pediu pra ele parar, e ele não parou? Outra versão é que uma das transas aconteceu quando a moça estava dormindo. Bom, aí não é sexo consensual, é? Existe até a possibilidade de que uma moça não gostou que ele não retornou as ligações e fez a acusação (esta possibilidade, óbvio, é a preferida entre os misóginos que pululam a internet). E existe também a possibilidade de conspiração (Cuba acusa uma das suecas de ser espiã da CIA). Eu não sei o que aconteceu. E, surpresa: você também não sabe.
Como eu já disse, é altamente suspeito que Julian tenha sido preso por isso quando o país mais poderoso do mundo quer picá-lo em pedacinhos. Mas também é de uma estupidez atroz algumas asneiras que li, dizendo basicamente que todas as acusações de estupro são invenções das mulheres. Peralá, né? Primeiro que uma coisa é a acusação de estupro, ou de abuso sexual, e outra é o que é feito com essa acusação. Atenção: não feito pelas vítimas, que não têm o poder de prender ninguém, mas por um tipo de justiça que quer Julian preso o mais rápido possível (é, comum, nesses casos, o acusado pagar fiança e responder em liberdade, o que, "curiosamente", está sendo negado a Julian).
Julian não é bem o meu tipo de herói, mas não o quero preso. Se ele cometeu um crime sexual, que ele seja julgado com isenção, o que parece impossível neste momento. Torço para que o Wikileaks continue com ou sem ele. Que seu maior crime parece ter sido o de peitar os EUA, ah, isso não há dúvida. Como também não há dúvida que é agradável pra muito machistinha de plantão desviar o foco da atenção (Julian como preso político) para o tradicional mulher-não-é-um-bicho-de-confiança-mesmo. Típico. Então, gente, devagar com o andor. Nada de defender Julian atacando suas vítimas.

28 comentários:

aiaiai disse...

Concordo com vc mas, acrescento q gostei muito desse texto sobre isso:

http://animot.blogspot.com/2010/12/carta-das-mulheres-contra-o-estupro.html

Ághata disse...

Aaah, Lola, essas mulheres aí vão se acusadas de todo tipo de coisa, não vão ter sossego depois dessa.

Mas, misoginia não existe, é tudo invenção das nossas cabeças...

E você lembrou muito bem. O povo adora acusar a mulher de engravidar pra ganhar a aquela miséria que é a pensão pra sustentar o filho[!!] mas lembrar dos idiotas que se negam a usar camisinha, aah, aí ninguém lembra. Tudo muito conveniente.

Bruno Stern disse...

A acusação de violência sexual, aparentemente confusa, serve para detonar a reputação do atula inimigo público número 1.

E ainda joga os defensores do Assnge no perigoso campo de desacreditar as supostas vítimas. Perigoso porque sempre vai ter qum utiize de argumentos que generalizem para demais vítimas de violência sexual e, quiçá, para todas as mulheres.

E a divulgação confusa de qual teria sido a violência(não usar camisinha) ajuda bastante esse propósito.

Dêco disse...

Este texto foi de uma inteligência inerente a vc. Fato!
Está mais que óbvio a armação para calar a boca de quem enfrenta a tirania disfarçada dos USA. E como você disse, espero que essa voz não se cale.
Quanto ao machismo, isso está impregnado na sociedade [mundial?]. Quando vejo os caras dizendo que as mulheres que engravidam de um jogador, é pq elas são "maria chuteira" e querem crescer, isentam o jogador da responsabilidade, como se este não pudesse usar camisinha, e quiçá dar uma pílula do dia seguinte. É uma lástima. Mas eu tenho um sonho de que as pessoas aprendam, apenas, a respeitar ao próximo como querem ser respeitado.
Um abraço apertado.

disse...

Sobre essa notícia aqui http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=8089
O primeiro parágrafo:

"Uma cidadã cubana que acusa o jornalista australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks, de "crimes sexuais" na Suécia foi apontada como "colaboradora" da CIA e teria planejado o caso, segundo a rede de TV venezuelana TeleSur. No início do ano, ela mesma divulgou na internet um "guia para se vingar" de alguém usando denúncias de abusos sexuais."

Alguém tem mais informações ou outras versões sobre isso? Porque é tão absurdo...

lola aronovich disse...

Cá, cuidado com o que vc lê, porque as histórias que estão sendo publicadas são absurdas. E agora todo mundo deu pra culpar uma das vítimas, Anna Ardin. Que eu saiba, ela é sueca, não cubana. Mas ela é anti-castrista. E social democrata. E cristã. E feminista. E, dizem, agente da CIA. Sobre ela ter escrito um "guia" pra se vingar de um amante, hum, não é bem assim. Ela escreveu sete passos superficiais no seu blog. Pode ler aqui, traduzido do sueco pro inglês. Não tem nada de tão escandaloso. Ela diz que é pra pensar melhor em se perdoar. E termina dizendo que a vítima pode querer fazer o cara sofrer tanto quanto sofreu. Ela escreveu isso em janeiro, e agora isso seria usado contra ela? Mas ela é a vítima!
Além do mais, na história toda existem duas mulheres. E Anna foi a primeira, identificada nas matérias como Woman Number 1. Quem denunciou Julian à polícia foi a Woman Number 2 (que, a essa altura, todo mundo sabe o nome tb).
A quantidade de matérias misóginas que vi nesses dois dias foi impressionante.

Pentacúspide disse...

As pessoas atacam as duas mulheres por serem o elo mais fraco dessa história. Aliás, na minha opinião (deixem-me dizer que gosto de teorias de conspiração) faz tudo parte de um jogo para desviar a atenção sobre os EUA.

Em vez de as pessoas ficarem a discutir sobre a censura, o tremendo abuso do poder e o fascismo disfarçado dos EUA, ou, sem temendo exagerar, o terrorismo político, elas distraem-se a monstrificar ou a beatificar as duas mulheres, conforme a sua visão. O caso está a tornar-se uma discussão sobre a igualdade dos géneros quando não é disso que se trata.

O que me intriga mais é que tem gente que não quer perceber a armação dos EUA e não acha no mínimo estranho que Julian seja considerado criminoso internacional por violência sexual contra duas mulheres adultas quando Roman Polanski por pedofilia foi deixado em paz durante uns 30 anos, até quando os EUA, por alguma razão obscura começaram a precisar dele ou do seu dinheiro ou da sua imagem.

Julian pode até ter sido culpado de violação, mas os EUA decretarem a sua prisão é um abuso extremo, não tão extremo como a invasão do Iraque e de outros tantos que vêm fazendo, mas extremo e ridículo na medida em que, há um par de anos apareceu notícia sobre soldados da ONU que praticam abusam de crianças na África e América do Sul, mas não se falou de detenção, nem de investigações posteriores, porque são realmente soldados da Sua Majestade, os EUA, que usa a ONU e a NATO como fachada para o controlo mundial. Sem falar de que os "soldados" do Vaticano são constantemente acusados de abuso sexual e os EUA não reagem e máximo que acontece é uma desculpa formal por parte do Vaticano (mas isso é questão para outro fórum).

Enfim, só quero dizer que essa condenação de Julia Sei-lá-o-Apelido é demasiadamente absurdo como a atribuição prémio Nobel de Paz ao chinês, ao Obama e ao Dalai Lama .

aiaiai disse...

bom mesmo é ter um presidente assim:

http://www.youtube.com/watch?v=_No3PuIiJ4Q

amo Lula!

Dirceu Barquette disse...

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Se juntar tudo não dá nada. E fica o dito pelo não dito.
Sei lá, entende?...

Mariana disse...

ninguém sabe se ele realmente cometeu os crimes sexuais...mas é bem oportuno ser preso agora né? se ele não fosse do wikileaks seria julgado na suécia e não uma figurinha no site da interpol. e se ele fosse chinês? os governantes do mundo todo o aplaudiriam e ele ganharia um premio Nobel...

disse...

Lola, obrigada pela resposta!

Sabe, quando vi a notícia e as reações quanto ao caso (e tá sobrando mesmo pro feminismo e da-lhe deboche das leis e das mulheres) nem tive coragem de ler, fui atrás dela por causa do post, e coloquei aqui até porque é do mesmo site que vc linkou, operamundi.uol, o q me preocupou mais ainda, pelo site ser sério... daí eu perguntar se havia outras versões, pois só tinha ouvido as desse tipo

nelsonalvespinto disse...

São dois casos diferentes com um mesmo personagem.

Os que acreditam numa conspiração americana que envolva as moças tem bons motivos pra desconfiar. No fim desta história elas serão duplamente vítimas.

Sobre o wikileaks: o grande problema que o wikileaks trouxe foi com relação aos aliados americanos. Para os árabes, pedir que os EUA matem outros árabes é alta traição. Isso vai ter desdobramentos.

Interessante notar a forma agressiva que os EUA usam a diplomacia. Há medo neles. Dizer que sempre foi assim é controverso. Na década de 60 eles nem sabiam onde era o Paraguai.

Tenho por mim que no futuro estes documentos servirão para mostrar como foi a queda do império americano. Ou pelo menos mostrar o mal que o Bush fez ao mundo e aos EUA.

Outro ponto importante é que prender, denegrir ou matar o Assange não farão a menor diferença.

Lembro do poema da inconfidência da Cecilia Meireles onde ela narra os fatos sempre terminando com o verso: "...e as idéias..."

Não se mata uma idéia. Nem a maior nação do planeta tem poder pra isso. Eles terão que aprender a conviver com a transparência.

lola aronovich disse...

Este artigo diz que, inicialmente, em agosto, as duas mulheres queriam que Julian fizesse testes para ver se ele tinha alguma doença sexualmente transmissível. Exatamente o que eu disse! Ele não compareceu a um interrogatório, não atendeu telefonemas, e as mulheres procuraram um advogado. É bem provável que, se ele tivesse feito os testes, a Interpol teria que encontrar algum outro motivo para prendê-lo, e não acusações de estupro ou “má conduta sexual”.
Seria interessante que alguns dos machistas escrevendo barbaridades contra as duas vítimas (li que uma é praticamente uma prostituta, que após transar com Julian iria transar com Berlusconi e sei lá quem mais do mundo político; li que é impossível pra um homem parar de transar quando começa, mesmo que o preservativo estoure; vi este vídeo horroroso da Fox News, que até imita a voz das mulheres, dizendo “Ah, ele não me ama”. Pra Fox, pior que um “espião terrorista” como Julian, só uma mulher acusando um homem de estupro depois de abrir sua casa pra ele), falassem sobre como é lindo um homem insistir em transar sem camisinha mesmo quando a mulher diz “Sem camisinha, nada feito”.

Ariadne Buendía disse...

Ai, estou cada vez mais decepcionada com a blogosfera de esquerda... Cancelei inscrição de um dos blogs que reproduziu um artigo do Jânio de Freitas, na Folha de São Paulo, com o seguinte comentário:
"Precisar fazer estupro, logo na Suécia de tão dourada generosidade? Ainda se fosse na Suíça, nada a estranhar. E reclamação contra assédio masculino? Na Bélgica ainda podia ser."
Como assim, PRECISAR "fazer" estupro??? Nos comentários, nenhuma mulher se manifestou, todas caladinhas. Nem sei exatamente o que pensar sobre o WikiLeaks e já está me dando uma azia danada dessa história toda. Vontade de achar ruim só de birra. Claro que a está tudo mal-contado, mas, se houver algo de verdade nisso, que ele pague de maneira proporcional.

Laetitia disse...

Quando fiquei sabendo do Wikileaks, pensei: "quanta baboseira. Ninguém vai se importar com isso". Tipo o que vc falou: alguma novidade aí? Mas, pra minha surpresa, um Julian incomoda muita gente, e o Wikileaks incomoda muito mais.

Sobre o lance da camisinha... bom, tb acho justo que seja considerado crime não usar, se pedido. Eu tenho problema com anticoncepcionais e realmente não posso transar sem nada. No caso, meu namorado sabe disso, mas e se o bonito resolvesse me pregar uma peça? Claro que é um crime sexual! Afinal, eu tinha consentido fazer sexo com uma condição... se ele não cumpre essa condição, é quase como se fizesse sexo sem o meu consentimento.

Por falar em estupro: lembra do caso Unicamp? Então, parece que a passeata do movimento feminista não repercutiu. Abafada, como sempre. O que me irrita é o DCE não ter se envolvido no caso, pq tenho certeza que o negócio ecoaria muito mais. Pq, hein? Claro que daí a levantar a hipótese de que próprios alunos da Unicamp sejam os estupradores é forçar a barra, mas não se pode descartar uma possibilidade dessas... ainda mais que já soube de casos de alunas violentadas por colegas.

É, o jeito tá sendo mesmo aprender jiu jitsu!

Vivien Morgato : disse...

O comentario da Ariadne me deixou boquiaberta....entaoo tal jornalista disse uma asneira dessas?
Cara, assustador!

J.anquevitti disse...

Olha Lola, não simpatizo com esse Julian, mas que essa história é estranha, ah é.

Se ele cometeu abuso sexual, que seja preso sim. Mas que não usem isso como desculpa pra julgá-lo pela Wikileads.

Bem, como você disse, ninguém realmente sabe muito dessa história...

Abraços

nelsonalvespinto disse...

Pra entendermos melhor o caso wikileaks. Não é o que o wikileaks revelou que está afetando os governos.

É a idéia por trás do wikileaks. Numa comparação boba: algo como napster para a indústria da música. Um programinha com uma idéia boba causou o prejuízo estimado em 50 bilhões aos capos da música. Isso na primeira década.

Numa coisa todos os dirigentes afetados concordam: a idéia do wikileaks tem de morrer no ninho.

Resumindo:
De um lado está Atenas,
do outro Esparta
e essas moças no meio.

Barbara O. disse...

Lolinha,

para variar é um ótimo post seu. E o pressuposto é mesmo que não sabemos o que aconteceu. Só nos restam conjecturas. Você resolveu acreditar nas moças, o que também é um caminho possível e provável. O que não podemos admitir é a lógica torta, que se vale de situações sem nenhuma clareza e de grande complexidade para

1) invalidar o feminismo ou

2) invalidar a ação do wikileaks

beijão

Vitor Ferreira disse...

Lola, sem querer ofender ninguém, mas eu DUVIDO muito dessa história de estupro. E ainda mais, no mundo machista que vivemos você acha que a Interpol iria expedir alerta vermelho em 188 países por um "mero" estuprador? Lógico que usaram um tipo de crime que quase todos (até os hipócritas) consideram como inquestionável e indesculpável para meter as mãos no cara e tentar despistar, má e porcamente, a opinião pública.

Laetitia disse...

[OFF]
Lolinha, cê viu isso?
http://fashiondilma.tumblr.com/

Tava demorando... rs

Wonderwoman disse...

Final de período é uma correria só e tem tempo que não comento aqui.
Mas tinha que passar para dizer que esse post diz tudo e um pouco mais.
Assim que saiu a notícia sobre a prisão pensei no absurdo de um promotor usar uma acusação como essas para validar o furor punitivo contra o mais novo inimigo dos EUA.
E pensar que a gente achava que só o MP daqui fazia esse tipo de lambança...
O pior de tudo é que essa bagunça não só é uma violação ao próprio Assange, uma manipulação monumental e uma chacota com nossa inteligência, mas, também, um desserviço ao feminismo...
Parabéns Lola
beijos

Patrick disse...

Lola, dois artigos e tweets para colaborar com o debate:

"No one gains from this 'rape-rape' defence of Julian Assange", publicado no The Guardian.

E os comentários de Naomi Klein no twitter:

"Rape is being used in the #Assange prosecution in the same way that women's freedom was used to invade Afghanistan. Wake up! #wikilieaks"

"@oxfordbloo no, the level of misogyny around this is not at all okay with me." referência

E na Salon: The rush to smear Assange's rape accuser

Bruno T. disse...

mulher é bicho sem confiança mesmo rs

Por trás das notícias disse...

Concordo que o Wikileaks não divulgou grandes novidades, POR ENQUANTO. Mas constrangeu. O que antes era como que teoria da conspiração agora é algo institucional. E constrangeu até outros países internamente, como nosso caso com o ministro Jobim. Mas principalmente os "Isteites". E esses aí não brincam em serviço. Se o tal Julian cometeu mesmo estes crimes, com certeza NÃO SERÁ JULGADO POR ELES.

gustavotche disse...

Parabéns! Agora está todo mundo discutindo o crime sexual do Julian, como os EUA queriam.
Esse é um "cala a boca" contra qualquer pessoa que enfrente o Império.
É triste que algumas pessoas reproduzam esta discussão que não faz nenhum sentido agora.
Lembrem-se que os EUA não encontraram nenhuma arma de destruição em massa no Iraque.
Vou nessa torcer pra que o cara seja logo liberado e voltemos a discutir a diplomacia americana.
"Nós mulheres não aceitamos que nossa exigência de segurança seja mal-utilizada, enquanto os casos de estupro no melhor dos casos continuam sendo negligenciados, no pior dos casos são blindados." Katrin Axelsson, da Women Against Rape

Por trás das notícias disse...

É brabo ler alguns progressistas(?) tratando do assunto com deboche, desfaçatez e machismo, muito machismo. Se não se deve cair no jogo dos EUA e desviar o foco do Wikilesks para o crime sexual, então que não se fale sobre o desconhecido. Ou que se fale respeitosamente. Fui lá no http://gonzum.com/ ex- óleo do diabo e li um texto muito apelativo, debochando das suecas, machista mesmo. Comentei lá e pretendo comentar em todo progressista que tratar do tema desse jeito.

A.H.B. disse...

Nesse aqui terei que comentar. Essa acusação contra o Assange é muito estranha. Aparentemente, depois de ler muita coisa pela internet a fora, estou inclinada a acreditar que a CIA infiltra agentes em todo tipo de organização, inclusive organizações com agendas contrárias à da CIA, para ter instrumentos de manobra. Por exemplo, seria fácil infiltrar uma agente num grupo feminista da Suécia e aí arrumar algo para incriminar o Assange, ou fazer uma suposta "militante faminista" atirar nele durante o caminho entre um carro e o prédio onde será realizado o julgamento.
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É ótima essa estratégia porque divide as opiniões, cria intrigas, vilaniza o Assange e seus apoiadores.
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A wikileaks lançou documentos muito interessantes, inclusive mostrando o grande poder de grandes companhias privadas sobre muitos países. Tem uma conversa de um embaixador com um empresário da Shell, por exemplo, onde o empresário se coloca como um colonizador de países africanos.