terça-feira, 28 de julho de 2015

NOVO SITE DE ÓDIO MASCU NÃO TEM NADA DE NOVO

Nesses últimos dias um "novo" site de ódio viralizou, chegando às manchetes da grande mídia. Eu, que venho denunciando (e sendo rotineiramente atacada) por esses sites há mais de quatro anos, mal aguento mais falar no assunto. Porque é sempre a mesma coisa.
Porém, como tem um monte de gente que não sabe do que se trata, vamos começar pelo começo, pra quem acha que há algo de novo no ar -- que parece ser o jeito como a imprensa lida com esse tipo de denúncia. Existe no mundo um movimento misógino chamado masculinismo, que diz lutar pelos direitos dos homens. 
Segundo os mascus (como eu os apelidei), o homem branco e hétero é a verdadeira vítima do mundo. Lógico que, com esta lógica torpe que não se sustenta, mascus não são levados muito a sério, e quase sempre têm que se esconder por trás do anonimato para não serem ridicularizados na vida real
Qualquer pessoa minimamente inteligente que passar cinco minutos em qualquer blog, chan ou fórum mascu percebe que são grupos formados por homens frustrados, preconceituosos e anti-sociáveis que elegeram o feminismo como seu inimigo número um. Um ótimo resumo do que é o masculinismo continua sendo este vídeo de 40 segundos: homens revoltados porque não ganharam o que lhes foi prometido (mulheres lindas, carrões, status, poder, dinheiro). Eles passaram a ver como foram enganados ao tomar a "pílula vermelha", e descobriram que todas as mulheres são vadias. E não entendem como as vadias não os querem, apesar de serem caras tão bacaninhas. 
Essa ideologia misógina está longe de ficar só no discurso, e volta e meia gera trágicos massacres: Marc Lépine em Montreal, George Hennard no Texas, Charles Roberts na Pensilvânia, George Sodini, também na Pensilvânia, Wellington Menezes em Realengo, RJ, Anders Breivik, em Oslo, Elliot Rodger na Califórnia, e o mais recente, John Houser, que atirou em onze pessoas num cinema da Lousiana na semana passada. Em comum entre eles, o ódio às mulheres. 
Site de ódio de 2014
Homens como esses são encorajados e idolatrados por outros homens na internet que também odeiam mulheres. Eles são a prática de toda uma "teoria" (sem nenhum embasamento) de ódio. Tanto que, quando um mascu cometeu o massacre de Realengo, matando dez meninas e dois meninos numa escola, vários blogs mascus imediatamente fecharam as portas, temendo a investigação da polícia. 
Montagem de mascus sanctos na prisão
(criação deles)
Um deles, logo o mais popular, o de Silvio Koerich (um pseudônimo), voltou meses depois, no segundo semestre de 2011, agora nas mãos de dois mascus sanctos (uma ala mais radical, mas só muda a intensidade do ódio, o pensamento é igual): Emerson Rodrigues, que se autointitulava Engenheiro Emerson (embora não tenha diploma de engenheiro), e Marcelo Valle Mello, que já havia sido condenado em 2009 por racismo e tinha BO por bater na própria mãe
Durante meses, essa dupla dinâmica da extrema direita fez posts ameaçando pessoas (eu e o deputado Jean Wyllys parecíamos ser os alvos preferenciais), oferecendo recompensas para quem nos torturasse ou matasse, prometendo um atentado na UnB (ex-faculdade de Marcelo) para matar "vadias e esquerdistas", rindo da polícia ("ninguém vai me pegar"), e defendendo a legalização do estupro, o estupro corretivo para lésbicas, a pedofilia, e o fuzilamento de mulheres, negros e homossexuais. 
O site viralizou, e chegou a quase 80 mil denúncias na Safernet. Muita gente sabia quem eram os autores (Emerson, inclusive, tinha feito um vídeo na Índia com seu rosto e nome, com o mesmo discurso do blog), mas ninguém ia preso. Finalmente, em março de 2012, aconteceu: Emerson e Marcelo foram surpreendidos pela Operação Intolerância, em Curitiba, e levados à cadeia. Todos achavam que eles seriam liberados logo, mas felizmente não foi o que ocorreu. Ambos ficaram presos por um ano. Durante a prisão, foram julgados e condenados a 6,5 anos. 
Assim que saíram, em maio de 2013, os dois me enviaram emails dizendo que iriam me processar. Emerson teve uma filha enquanto esteve na cadeia, e por um breve período pareceu que se afastaria do ódio virtual. Não durou muito: logo se envolveu com o ódio da direita legalmente aceita (Olavo de Carvalho, Julio Severo, Padre Paulo Ricardo, Bolsonaro etc). Quando foi recusado até por seus velhos gurus, bolou uma justificativa para explicar o "assassinato de reputações" do qual se diz vítima. Inventou que foi perseguido por ser Nessahan Alita, um outro guru misógino respeitado apenas por mascus e alguns PUAs (pick up artists). 
Salvo um reaça qualquer como Luciano Ayan, ninguém mais acreditou. Emerson fez (faz ainda) dezenas de vídeos repetindo as mesmas fantasias. Em alguns deles, me implorava para fazer uma aliança com ele para mandar seu agora desafeto, Marcelo, de volta à cadeia. Em outros, me xingava e continuava dizendo que iria me processar. Em mais alguns, afirmava que eu fazia aliança com Marcelo para destruí-lo. Eu nunca troquei meia palavra com Emerson porque, né? Ninguém merece.
Post de Emerson na época do Orkut: dicas de como estuprar meninas
Já Marcelo, pouco depois de se ver livre, em 2013, voltou a ameaçar os inimigos de sempre (principalmente eu, claro). Criou um chan para se comunicar com outros misóginos. Encontrou um parceiro do crime na figura de Gustavo Guerra, um jovem neonazista gaúcho. 
Uma das ameaças de Guerra a mim,
em dezembro de 2014
Guerra chegou a fazer várias ligações telefônicas com ameaças para a minha casa, o que me levou a registrar um outro boletim de ocorrência contra ele e Marcelo. Nos últimos meses, depois de criar a página "Eu não mereço mulher preta", que também viralizou, Guerra sumiu. Acredita-se que ele esteja internado.
Marcelo continuou fazendo a única coisa que sabe fazer, a sua missão na vida: espalhar ódio. Criou vários sites, como Homens de Bem, Tio Astolfo e PUAHate. A criação de todos eles, a convocação para que seus seguidores contribuam com textos, a criação de fakes para divulgá-los, as comemorações por conseguir "gerar lulz" e alguns trocados, e as frustrações quando não era capaz de viralizar os sites -- tudo isso está registrado no seu chan (cujo nome não vou passar, porque ele ainda existe). Não há dúvida alguma que Marcelo (CPF 002.395-011-01, RG 237959-3/SSP-DF e 14252264-0/SSP-PR) seja o autor de todos eles. A Polícia Federal está cansada de saber disso.
Eu monitoro o chan dele há um ano e meio, e até agora não consegui entender a rixa que ele tem com um tal de Cauê Felchar. Nem sei quem é Cauê. Aparentemente é, ou era, aluno de Química da Unesp e moderador do 55 Chan. Parece tratar-se apenas de rivalidade entre chans. Mas Marcelo o odeia e vez por outra cria textos ridículos e os assina com o nome de Cauê.
Nos últimos meses, intensificou-se a briga entre Marcelo e Emerson (que brigaram já quando estavam presos, porque, segundo Marcelo, Emerson o "caguetou").
Um fica ameaçando o outro de morte, prisão, espancamentos mil. O chan de Marcelo tem especial predileção por ameaçar também a filha de Emerson, uma menina de 2 anos. É frequente a publicação de fotos da garota com esperma por cima. Ainda assim, mesmo com ameaças nada veladas a uma menina de 2 anos, Emerson e Marcelo vivem costurando tréguas do tipo "Se você parar de falar de mim, eu tiro do ar meus vídeos contra você". 
Recentemente, um tal de Robson Otto Aguiar, que se autointitula (juro!) "uma voz viril neste mundo vaginante", um rapaz de Várzea Grande, Mato Grosso, que tem a coragem de assinar as sandices que diz com seu nome real, fez alguns vídeos defendendo Emerson e criticando Marcelo. Por conta disso, foi incluído no rol dos inimigos de Marcelo.
Criação: Robson Otto Aguiar
Eu nunca tinha ouvido falar desse Robson Otto até maio, mas ele já me difama em seus blogs faz mais de um ano (aparentemente, todo mascu precisa me atacar pra passar no teste da misoginia). Este é um post dele de maio. Ele me enviou o link pelo Twitter:

Mais tarde, fuçando em seu blog, vi que em julho do ano passado ele foi chamado para depor sobre posts publicados no seu blog -- um em que ele prega espancar esquerdistas, outro em que ele aprovou que um amigo transasse com uma menina de 12 anos...

E o post abaixo, de 2013, em que este grande ser humano chamado Robson Otto se orgulha de ter batido numa mulher grávida:

Além disso, Robson Otto já havia feito vídeos xingando a deputada estadual Janaína Riva (PSD-MT). Seu ódio contra Janaína é por ela ter cobrado uma maior participação feminina na política.

Quero dizer, existe mesmo alguma diferença entre mascus?
Mas Robson Otto não é o autor do mais novo site de ódio divulgado pela imprensa (com exceção do Correio Braziliense, que acertadamente optou por não imprimir o nome do site -- que é como todos devem agir: denuncie, nunca divulgue). Marcelo somente regurgitou textos antigos, publicados desde a época do Silvio Koerich (e até antes, em comunidades mascus no Orkut), traduziu outros de sites americanos que falam de "filosofia do estupro", e aproveitou trechos de seus seguidores. Assim, inventou um "guia" de como estuprar mulheres e meninas.
 
A discussão no seu chan foi mais no sentido de quem deveriam culpar. Qual desafeto de Marcelo levaria a culpa e seria apontado como autor do site, quando viralizasse (e Danilo Gentili ajudou muito na divulgação do site, pedindo que seus milhões de leitores o denunciassem, o que não dá pra entender bem o porquê -- não era tudo zoeira? Gentili não lançou até o Desumaniza Redes, premiando os maiores trolls?)? 
No final, apesar da turma do chan votar maciçamente em Emerson para a autoria do site, Marcelo decidiu assinar com o nome de Robson Otto. Ontem à noite, durante meia hora, quem clicava no site era direcionado ao famoso vídeo de Emerson na Índia. Hoje, é direcionado ao "blog" de Cauê Felchar, feito em janeiro, celebrando o incêndio da boate Kiss. Apesar desses três definitivamente não serem flor que se cheire, não são os autores do mais recente site de ódio.
Imagem do site de ódio ontem
Eu fico aqui sem entender o que a polícia está esperando. O acesso que eu tenho ao chan de Marcelo eles também têm. Marcelo nem grande programador é (até hoje é piada por ter hackedo um site usando Internet Explorer) e, para algum profissional em informática, não deve ser difícil rastrear seu IP ao do site. 
Enquanto isso, já tem reaça fazendo vídeo afirmando que o autores do site (e de todos os sites de ódio mascus) são... as feministas. Sabe, para fingirmos que existe misoginia no mundo.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A CHINA, SEMPRE A CHINA

Lolinha no Templo do Céu, em Pequim

Tour pela Uuniversidade de Peking com
Pay, Felipe, Luiz, Pablo, Luã, Lucas,
Sarah e Emma (eu meio no meio)
Voltei ontem da China após uma jornada de 40 horas entre aviões e aeroportos, mas ainda quero escrever muito sobre esse país impressionante, se me permitem. Foi realmente uma viagem inesquecível, única. Amei. E acho que sempre que conhecemos um novo país, uma outra cultura, podemos refletir mais sobre a própria realidade em que vivemos.
Chato é ter que ler algum comentarista anônimo dizendo que "estou fazendo propaganda da China". Como se a China, o país mais populoso do mundo (1.4 bilhões de habitantes: 19% da população mundial é chinesa), o terceiro maior país geograficamente, a segunda economia do planeta, que já já vai passar os EUA, precisasse de propaganda (ainda mais vinda de uma blogueira). Como se eu não tivesse o direito de falar de um país que acabei de conhecer e que me conquistou totalmente. 
Luiz, eu e Emma (seu nome ocidental)
em frente ao lago da PKU
Eu não sabia praticamente nada sobre a China, e continuo sabendo bem pouquinho. Mas passei 21 dias de atividades culturais e acadêmicas intensas (patrocinadas pelo Banco Santander no seu excelente programa Top China), conversei com vários chineses (em inglês, óbvio), assisti a ótimas aulas dadas por professorxs de uma das melhores universidades chinesas, a Peking University, e, bem, é todo um mundo novo que se abriu pra mim, e que quero compartilhar com vocês. 
Eu e Vitor no centro
aquático do zoo de Pequim
Sem preconceitos. Leiam com a mente aberta. Sugiro aos reaças esquecerem que a China é um país comunista, porque não é, ou melhor, é, mas apenas politicamente. Economicamente, é capitalista selvagem. Na realidade, me pareceu que os chineses não estão nem aí se o país deles é comunista, capitalista, whatever. Eles (assim como todos nós) só querem ter uma vida melhor. E "melhor", pra muitos deles, significa mais consumo. E lógico que tudo isso interessa muito ao Brasil, pra quem a China já é o maior parceiro comercial.
Todas as chinesas com que conversei foram unânimes em dizer que a situação da mulher na China mudou muito, e que é um erro vê-las como submissas. Elas acham que machismo e discriminação existem, mas muito mais nas províncias afastadas que em metrópoles como Pequim e Shanghai. Todas elas, porém, falam do "glass ceiling", o teto de vidro, um termo feminista designado para mostrar que, apesar de parecer que temos oportunidades sem limites no emprego, há barreiras que nos impedem de "chegar lá". As jovens chinesas com que falei sentem que não têm oportunidades iguais no trabalho.
De resto, elas parecem ter algumas vantagens sobre nós. Tipo: é proibido erotizar mulheres na mídia. Na China não se veem outdoors de jovens nuas ou seminuas posando para vender produtos. E lógico que existe pornografia, mas ela é toda clandestina. 
Eu posando com uma noiva
tradicional no Templo do Céu
Outra coisa: um cara dizer uma grosseria na rua pra uma mulher é raríssimo. Um aluno me contou que, quarenta anos atrás, isso era até crime. Mas a criminalização passou e ficou o costume de que não se deve falar com uma estranha, ainda mais sobre algo sexual. Se isso acontecer, segundo o aluno, é perfeitamente aceitável que a mulher dê um tapa no cara. E nunca que ele vai revidar, porque ele é quem errou em primeiro lugar. 
Pichação típica em SP
Ah, me chamou demais a atenção não ter visto uma só pichação em 21 dias de China. Nenhum prédio ou muro pichado. Alguns muros com arte eu vi, mas nada daqueles rabiscos que tanto enfeiam nossas cidades. Me perdoem os que pensam que pichadores são grandes rebeldes se apropriando de um espaço público que não lhes pertence. Pra mim, são só gente tentando marcar território com sujeira. 
Bom, semana passada fomos à Cidade Proibida, em Pequim, e fiquei maravilhada. É enorme, tem que andar muito, e embaixo do sol, e o lugar é lotado, cheio de turistas (a China é o quarto país mais visitado do mundo; a França é o primeiro; o Brasil, apesar de todos os nossos encantos naturais, é somente o número 40) e excursões de escolas chinesas. Mas amei o passeio. Vale a pena ir com uma boa guia, que vai te explicar tudinho.
Só que decidi fazer uma pergunta na terceira vez que a guia mencionou yin/yang, exemplificou com masculino e feminino, e elogiou a harmonia e o equilíbrio. Disse pra ela que, em alguns lugares, existe uma crítica a essa oposição binária, que de repente feminino e masculino não são opostos, e se essa manutenção da “harmonia” não poderia ser vista como a manutenção do poder, do status quo. Ela respondeu que isso é muito tradicional, e um outro chinês que estava próximo emendou que eles veem homens e mulheres como diferentes, mas sem que um seja superior ao outro. 
Eu na Cidade Proibida. Foto da doce
Fernanda
Como conheço bem essa lenga-lenga aqui no Ocidente (religiosos sempre falam isso!), respondi que, se só um dos sexos pode ser imperador, se só um pode ser presidente, se só um pode ser primeiro-ministro, e se ao outro sexo cabe o título de “mulher oficial do imperador”, então sim, eu acho que eles veem um sexo como superior ao outro. Eles não rebateram. 
A Cidade Proibida foi invenção de um imperador, que transferiu a capital para Pequim, 600 anos atrás. Lá ele vivia com sua esposa oficial, filhos, concubinas, e uma legião de serventes. Há várias casas dentro da cidade, e dá pra perceber quais são as mais luxuosas e importantes devido ao número de pequenas estatuetas no teto. As que têm teto duplo e nove estátuas de animais são as mais dignas do imperador.
O sistema feudal de imperadores na China acabou em 1912, e a primeira vez que a Cidade Proibida foi aberta a visitantes foi em 1925. Esse é um dos períodos que a gente menos conhece sobre a China, imagino -– essa transição entre o fim do feudalismo e o início do comunismo, em 1949. Durante esse breve tempo, a China foi uma democracia, mas o Partido Republicano perdeu força, não avançou nas questões sociais, e o Partido Comunista foi crescendo. Tudo isso ligado ao perigo japonês, que invadiu a China durante a Segunda Guerra. 
Imagem icônica, versão Lego
Conversei com alguns alunos chineses, que me contaram que a história oficial, como ela é narrada na escola, é que a Revolução Cultural foi um equívoco. Mas o “Comandante Mao” segue sendo um herói. A Praça Tiananmen (a maior do mundo, segundo a guia, e terceira maior, segundo a Wikipedia), também conhecida como a Praça da Paz Celestial (o que automaticamente nos remete ao massacre da Paz Celestial, que ano passado marcou 25 anos, e que não é citado nas escolas chinesas), 
onde está o mausoléu de Mao, tem uma cerimônia diária de erguer a bandeira que continua sendo acompanhada por milhares de chineses. Então como eles fazem pra considerar a Revolução Cultural um fracasso e ainda assim reverenciar Mao? Fácil: eles culpam quatro outros caras por traírem Mao. 
Mas talvez seja mais do que isso. Tive a impressão que os chineses não gastam muito tempo criticando personagens de sua longa história de 5 mil anos. Por exemplo, perguntei ao Vitor (seu nome ocidental), um universitário chinês querido e inteligente de 19 anos, por que não há críticas aos imperiadores. Afinal, a maioria dos imperiadores foram cruéis ditadores que mandavam e desmandavam pensando apenas em si. 
Vitor e eu no Templo do Céu
E, no entanto, parece até haver uma idolatria a todo esse passado. Só em Pequim, além da Cidade Proibida, há inúmeros pontos turísticos relacionados a imperadores, como o Palácio de Verão e o Templo do Céu, entre outros. Por isso perguntei ao Vitor: por que vocês não fazem críticas aos imperadores? E adorei a resposta dele, sincera e legítima: “Porque nós ganhamos dinheiro com eles. E porque não adianta criticar: eles se foram. Nós estamos aqui”.