quarta-feira, 30 de julho de 2014

OLHAR POR UMA PERSPECTIVA QUE NÃO SEJA A SUA

As coisas que eu aprendo com minhas queridas leitoras e leitores! Ontem de manhã (comigo na maior correria) um rapaz me enviou esses dois tweets, referentes à peça publicitária acima:
Eu respondi que não achava a peça machista ou preconceituosa, porque não vi juízo de valor nela. Afinal, a família não precisa mesmo saber com quem (nem com quantos) a filha vai passar o fim de semana, eufemismo, no caso, pra transar. 
Campanha da APAR (Associação dos
Pacientes Renais de SC) tem outras
peças com o mesmo mote
Tem muita coisa que filhxs não falam pros pais, e que pais não falam prxs filhxs (ou você realmente quer saber detalhes da vida sexual do seu pai ou da sua mãe?). E não vejo nada de errado nisso.
Agora, por que, ao ver a peça publicitária, achei que se tratava de uma mulher falando? Pelo fundo rosa, imagino. Se bem que o slogan abaixo, "Seja um doador. Avise sua família", nesse caso, deveria ser "Seja uma doadora".
Mas e se a interlocutora, o sujeito do anúncio, não for uma mulher hétero, e sim um homem gay? Aí a coisa muda de figura, certo? De repente, a peça vira bem homofóbica, sim. Porque traz todo aquele subtexto de "você já se assumiu pros seus pais?", de esconder a orientação sexual da família.
E por que não poderia ser um homem hétero?
Porque, como diz a Cássia, não faria sentido. Se um homem hétero fosse viajar pra passar o fim de semana na praia com quatro moças, ele provavelmente contaria isso orgulhosamente pra família, e ainda ouviria grandes elogios sobre sua macheza e proeza sexual em troca. E, um detalhe: o sujeito do anúncio se dirige ao pai. Não à mãe.
Acho fascinante a dificuldade que a gente tem em não ver as coisas por outros ângulos. Eu vi a peça e interpretei imediatamente baseado na minha visão de mundo, nas minhas experiências, na minha bagagem de vida (background knowledge, em inglês). Que é como a gente interpreta tudo, inclusive cada linha que lê.
Mas é só mudar um pouquinho o ângulo que a gente pode ver tudo por uma perspectiva totalmente diferente. 
É esse treinamento de mudar a visão, de poder ver pelo lado que não é o meu (desde que não seja um lado que eu já sei que está errado ou que induz ao ódio -- o olhar dos preconceituosos, por exemplo), que a gente deve se lembrar de fazer todo dia.
Em tempo: todxs nós deveríamos ser doadorxs de órgãos. Se alguém tiver um fígado sobrando aí, eu tô precisando.

terça-feira, 29 de julho de 2014

GUEST POST: UMBANDA E MEDIUNIDADE

Como quase todo mundo que conhece este blog sabe, não sou uma pessoa religiosa. Não sou sequer espiritualizada. 
Talvez por isso não haja muitos posts sobre religião por aqui (na realidade, tem muito mais post anti-religioso). Mas respeito quem acredita, e acho que a religião (qualquer uma) pode trazer alento para algumas pessoas. 
Isso foi para introduzir o relato que a E. me enviou:

Oi Lola, já acompanho seu blog há um bom tempo, e adoro tanto os temas como as formas com que eles são abordados aqui. Por muitas vezes me identifico com algumas situações, enquanto outras me ensinam a ter tolerância e aprender a lidar com as diferenças, pois fica muito mais fácil quando entendemos como as pessoas que passam por elas se sentem. Contudo, um tema que nunca vi por aqui é ligado à mediunidade e religião, em especial a Umbanda, onde entra o meu caso.
Sempre fui espírita kardecista e desde os meus 5 anos frequentava um centro perto de casa, local inclusive onde meus pais trabalhavam como colaboradores.
Aos 13 anos eu comecei a ver vultos em casa e, um certo dia, acordei no meio da noite e havia um senhora em pé, ao lado da minha cama me olhando, que acabou sumindo logo após meus gritos e o pulo que dei para a cama do meu irmão ao lado. Com este episódio, me foi falado no centro espírita que eu era médium e que essa mediunidade se desenvolveria quando eu fosse mais velha.
Não vi mais nada depois desse dia, porém, com 17 para 18 anos, comecei a ter depressão. Terminei o ensino médio e ao contrário dos meus colegas que entraram na faculdade e arrumaram um emprego, eu passava os dias deitada no meu sofá, chorando e sentindo uma tristeza imensa, a qual eu não sabia, aliás, não existia nem causa nem origem, pois graças a Deus, sempre tive mais motivos para agradecer do que reclamar na minha vida.
Minha tia, irmã da minha mãe, é do Candomblé, e quando eu tinha uns 21 anos, em visitas às festas do terreiro onde ela frequentava, a mãe de santo da casa me disse que eu era médium (novamente esta informação), mas que eu não poderia trabalhar no kardecismo como sempre pensei e quis, pois eu era médium de terreiro, de incorporação. 
Não aceitei. Eu seria macumbeira. Faria parte de uma religião da qual por ignorância e falta de conhecimento, eu tinha preconceitos. Também não me adaptei. Acostumada à calma e serenidade do kardecismo, achei muito pesada a mudança e não concordava com tantas imposições e a rigidez que esta religião impõe (aqui falo da minha percepção com o que vivenciei). 
Mas eu fui ficando cada vez pior. Chorava quase sempre, sentia muita tontura e cansaço, mãos geladas, arrepios e tantos outros sintomas inerentes à mediunidade, e por conta disso tive que fazer uma escolha, eu iria aceitar minha mediunidade. Sou médium de incorporação, sensitiva e de transporte; por conta disso, consigo captar energias e sensações de ambientes e pessoas, o que me faz frequentemente ter dores de cabeças, ânsias de vômitos e simpatias/antipatias sem motivo aparente, além de não poder frequentar lugares como cemitérios e hospitais, pois eu sentiria rapidamente a energia de espíritos desencarnados que podem estar sofrendo ou sentindo alguma dor.
Aos 22 anos, através de uma amiga da minha mãe, conheci a Umbanda e me senti bem mais tranquila. Frequentei um, dois, três... acho que estou no meu quinto terreiro, mas posso dizer que estou bem melhor. Aprendi a controlar minha mediunidade e hoje recebo minhas entidades, as quais estão aos poucos sendo doutrinadas. Ainda passo mal em alguns lugares e tenho sempre que tomar cuidado com meus pensamentos e sentimentos, pois algo negativo pode atrair energia nessa sintonia e as consequências não são nada legais, mas minha vida está bem melhor. 
Tenho 26 anos, estou terminando a faculdade de Direito e já passei na OAB. Faço estágio em um excelente escritório e acredito que terei sucesso profissional, mas ninguém sabe desse meu lado, quem eu sou de verdade, e isso me chateia pois não tenho vergonha, pelo contrário, hoje eu entendo que foi uma missão para a qual eu nasci, e se eu fizer um bom trabalho baseado no amor e na caridade, poderei ajudar muitas pessoas que precisam de um carinho, uma palavra, uma direção. 
Mas as pessoas têm preconceitos, sempre fazem piada quando esse assunto vem à tona, então eu nunca falei nada, não comento e não converso sobre isso com quase ninguém, nem com muitos dos meus amigos. Isso é uma pena pois quanto mais for divulgado, talvez as pessoas, assim como eu que tinha preconceitos no passado, entenderiam o verdadeiro conceito do que é a Umbanda, do que é essa religião que não prega nada além do amor, caridade e tolerância.

Você sabia que, segundo o Censo 2010, o Rio Grande do Sul é o estado com maior porcentagem de pessoas que se autointitulam umbandistas? 34% dos umbandistas brasileiros vivem no RS

segunda-feira, 28 de julho de 2014

MULHERES CONTRA O FEMINISMO

Nossa, só você foi criada pra ser mulher! Você é única neste mundo vaginante 

Não sei se está exatamente na moda, mas nos últimos dias tem se falado bastante de mulheres contra o feminismo. Não que isso seja novidade: sempre existiram mulheres anti-feministas.
Assim como existem várias páginas de "Preciso do feminismo porque...", também existem muitas do tipo "Não preciso do feminismo porque...", ou "Não sou feminista", ou "Damas contra o feminismo" (juro!). Algumas delas devem até ter sido criadas por mulheres de verdade (ou seja, não por homens machistas exercitando seu passatempo favorito de fingir que são mulheres na internet). Recentemente um novo tumblr chamou a atenção. Só não dá pra entender muito bem por que há tantas mulheres polonesas com cartazes. Deve ser uma campanha local, sei lá. 
Algumas das frases escritas nos cartazes "Não preciso de feminismo..."
Porque amo homens, porque ser elogiada na rua não é opressão, porque feminismo demoniza a família tradicional, porque não existe patriarcado, porque preciso que meu marido abra potes pra mim, porque homens e mulheres já são iguais, porque homens e mulheres não são iguais, porque suas vaginas não podem silenciar a minha voz [falo por mim, mas acho que tenho usos melhores pra minha vagina], porque quero continuar cuidando da casa e dos filhos, porque a diferença salarial é uma escolha das mulheres, porque eu amo homens masculinos como Christian Grey (do 50 Tons de Cinza), porque não quero que minhas filhas cresçam em volta de feministas vadias, porque muitas delas são veganas marxistas socialistas. E por aí vai.
Quer dizer... Por onde começar? É pra responder todas? Ainda que quase todas estejam calcadas em cima de clichês sobre feminismo? Eu não me canso de repetir: feminismo tem a ver com escolhas. Eu, pessoalmente, feminista desde criancinha, não costumo criticar escolhas pessoais. Eu critico sistemas. Não trabalhar fora, se maquiar, usar salto alto, casar virgem -- tudo isso são escolhas (e quem pode fazer escolhas é privilegiadx, porque significa que a pessoa tem opções). Não são escolhas necessariamente feministas (nem machistas, nem anti-feministas, nem nada), mas são escolhas. E devem ser respeitadas. O que não quer dizer que não se pode falar sobre essas escolhas num plano macro (não individual). 
Cerca de 31% das mulheres no Brasil e nos EUA se assumem feministas, o que considero um número bem alto. No começo dos anos 80, nos EUA, antes do backlash (da reação conservadora contra os movimentos sociais), esse número chegava a incríveis 80%. A pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostra que 94% das mulheres (e 90% dos homens!) acha que existe machismo no Brasil. Metade das brasileiras, considerando-se ou não feminista, tem visão positiva do feminismo. Só uma em cinco tem visão negativa. 
Tem gente que acha 31% de mulheres feministas pouco. Bom, na pesquisa de 2001 eram 21% das brasileiras que se assumiam feministas. O número aumentou de 21% para 31% em uma década.
É absurdo pensar que toda mulher é feminista. Não é, nunca foi. Afinal, mulheres são criadas neste mesmo mundo preconceituoso. Mulheres aprendem valores machistas. Mulheres entendem, desde muito cedo, que não devem querer as mesmas coisas que os homens, e que as coisas que os homens querem são muito mais importantes. 
O feminismo é um movimento (ou melhor, vários) que luta para mudar o status quo. É óbvio ululante que muita, muita gente que não quer mudanças não aceita que tentem mudar o mundo em que vivem. Essas pessoas conservadoras estão desesperadas. São aquelas do "mundo está perdido", "ninguém presta", "antes é que era bom", porque elas percebem que a sociedade mudou muito nessas últimas décadas e continuará mudando. 
Ao mesmo tempo, é muito pouca gente que realmente se opõe ao feminismo. Sei que é difícil de acreditar, porque parece existir uma legião de caras nas redes sociais que têm como missão xingar o máximo de feministas todos os dias. Sei que é difícil de acreditar se lermos os comentaristas de grandes portais, ou se ouvirmos aqueles humoristas tão populares. Mas há mais gente que se assume feminista do que gente que se assume anti-feminista. E tem um montão de mulheres no meio, mulheres que nunca nem pensaram no assunto (18% das entrevistadas na pesquisa responderam que não sabem se são ou não feministas). 
Na quinta-feira, a revista americana Time validou a "moda" de mulheres contra o feminismo com um artigo dizendo que alguns cartazes têm pontos relevantes, como afirmar que certas partes do feminismo reduzem todas as mulheres a vítimas e todos os homens a predadores. Eu odeio termos como "vitimização" e "vitimista", porque eles implicam que pessoas que de fato foram vítimas devem ficar caladas. "Vitimização", pra mim, é alguém "se fazer de vítima" por algo que não aconteceu ou que não tem importância. E não sei como estupro e violência doméstica entrariam nessas categorias.
Para a Time, um "argumento poderoso" das anti-feministas é que o patriarcado não existe. Afinal, um patriarcado que permite (a autora realmente usa essa palavra, sem se dar conta da ironia e da contradição) que as mulheres votem, trabalhem, cursem faculdade, se divorciem, se candidatem a cargos públicos, e sejam donas de empresas, não pode ser considerado um patriarcado. 
Ahn, sério?! Primeiro que não foi assim que aconteceu: um grupo de homens se reuniu e decidiu que, opa, tava na hora de deixar as mulheres terem esses direitinhos aí. Muitas mulheres -- mulheres que essas anti-feministas ignoram ou desprezam -- lutaram para que todas nós usufruíssemos dessas conquistas. Não foi um progresso natural da humanidade, sabe? Eleanor Roosevelt, primeira-dama americana entre 1933 e 45, já dizia: "Os homens precisam ser lembrados que as mulheres existem". 
Segundo que falta muito para alcançarmos a igualdade, que é o que o feminismo quer. Mulheres ainda ganham quase 30% a menos que homens, em média. Se continuarmos no ritmo lento que estamos, vai levar 75 anos para que os salários entre os sexos se igualem. Só 10% dos países num mundo com 50% de mulheres são governados por mulheres. No parlamento, as mulheres são em média apenas 22% dos representantes (no Brasil, 8,6%). 
Nas universidades sim, as mulheres entraram com tudo. Mas ainda há mais professores universitários que professoras, e, claro, eles ganham mais (bem mais: nas mais conceituadas universidades americanas, um professor homem ganha em média 40 mil dólares a mais por ano que sua colega professora). E as docentes não estão em cargos de chefia. Só 10% dos reitores brasileiros são mulheres. 
E terceiro: mesmo que, graças ao feminismo que as anti-feministas condenam, tenhamos conquistado muita coisa, é preciso lutar para essas conquistas não sejam tiradas da gente, para que não haja retrocessos. Há um projeto tramitando na Câmara contra a lei do divórcio, lei conquistada, com muito esforço feminista, apenas em 1977. E em toda eleição alguém (como esta notória anti-feminista americana) diz que o voto feminino deveria ser revogado, porque não foi uma boa ideia. 
O que as anti-feministas têm em comum, além do desprezo por feministas? Elas são em sua grande maioria mulheres conservadoras. É só ver as anti-feministas famosas, como Ann Coulter, Phyllis Schlafly, Esther Vilar (ok, não existem muitas anti-feministas famosas) -- todas conservadoras. Você acha que as "musas olavettes" (mulheres fãs do reaça-mór Olavo de Carvalho que têm uma página não muito movimentada no Facebook) são feministas ou anti-feministas? 
Mulheres anti-feministas são mais que conservadoras -- são reacionárias. Querem voltar aos anos 1950, quando, segundo elas, os homens respeitavam as mulheres (decerto não existia estupro naquela época), eram cavalheiros, as mulheres (ricas e de classe média) podiam ficar em casa cuidando dos filhos, em vez de (argh!) trabalhar fora, e todo mundo se casava virgem (decerto não existia prostituição) e vivia feliz para sempre, sem essas libertinagens como os adultérios de hoje em dia (decerto não existia traição).
E tudo isso, todo esse reino encantado com cercas brancas, foi destruído pelas malditas feministas! (eu adoraria que o feminismo ficasse com todo o crédito, mas a verdade é que os governos de direita que essas conservadoras apoiavam e apoiam causaram um arrocho salarial tão potente que tornou-se inviável para uma família de classe média se manter com apenas um salário). 
E as anti-feministas também detestam com todas as forças a ideia do aborto. Para elas, foram as feministas que inventaram o aborto, que obviamente não existia antes da década de 60, e que hoje é realizado apenas por feministas (o perfil das mulheres que abortam no Brasil -- casada, com filhos, religiosa -- não parece ser o estereótipo da feminista; nos EUA, seis em cada dez mulheres que abortam já são mães, mas claro que devem ser todas mães feministas). 
São argumentos tão absurdos que quase se equivalem aos argumentos de anti-feministas mais profissionais -- os masculinistas, vulgo mascus
Mascu adverte sobre o que acontecerá se mulheres continuarem sendo feministas (clique para ampliar)
Muitos mascus, óbvio, estão festejando que as mulheres "acordaram" pra maldição demoníaca que o feminismo representa pra humanidade. Infelizmente, como mascus são acima de tudo misóginos, eles olham com certa desconfiança para o esforço das anti-feministas: 
Mascu aplaude as anti-feministas: continuem segurando plaquinhas!

Não é lindo você, mulher anti-feminista, se aliar à fina flor dos homens que odeiam mulheres?
Uma excelente e divertida resposta às mulheres anti-feministas foi um tumblr criado faz poucos dias, o "Gatos Confusos contra o Feminismo". Alguém poderia fazer algo parecido aqui no Brasil, né? (fica a dica). 
Os cartazes de gatos posando com dizeres anti-feministas incluem:
"Não preciso do feminismo porque sou pela opressão de todos os seres humanos", "Não preciso do feminismo porque preciso de atum. Onde está o atum? Eu pedi atum", ou "Eu me oponho ao feminismo porque eu amo caixas e todo mundo sabe que feministas odeiam caixas". São respostas tão eficientes que o tumblr já está fazendo sucesso na grande mídia.
E olha que gatos, ao contrário de mulheres, têm sim bons motivos pra serem anti-feministas. Afinal, todos os gatos vivem, segundo a lenda machista, com feministas sozinhas e amarguradas que só têm esses gatos como companhia. E óbvio que feministas não tratam bem seus bichanos (ainda mais os gatos machos). 

domingo, 27 de julho de 2014

"OBRIGADO POR MATAR A CADA DIA O MEU MACHISMO"

Pulp Fiction, modificado. E se as armas do cinema virassem joinhas?

No post traduzido do site Cracked, Lucas Pin deixou um comentário que, longe de ser perfeito (ele ainda sofre com as expressões ridículas que mascus usam), me dá alguma esperança

Há uns tempos eu estava bem frustrado com mulheres, e eis que conheci o movimento da real. Era um prato cheio pra alimentar minha mente odiosa: passei a enxergar mulheres apenas como vaginas ambulantes e as desgraçava de todas as formas possíveis, jamais conseguia enxergar mulheres como seres humanos, mas sim como depósitos de esperma.
Acho que sempre tive problemas em lidar com a rejeição feminina desde pequeno, por isso me tornei por grande parte da minha adolescência um cara depressivo e com a autoestima extremamente abalada. Mesmo conseguindo ficar com várias garotas, eu nunca me sentia satisfeito, até porque homem quer aquela mulher mais top que segue o padrão de beleza imposto. Mas isso jamais esteve sequer próximo da minha realidade então eu acabei criando esse ódio mortal por mulheres que não me davam mole e muita inveja e ódio dos caras que conseguiam ficar com elas. 
Por fazer parte do movimento da real eu odiava veementemente o feminismo e pra mim era "tudo piranha querendo dar sem que ninguém fale nada". Enfim, sempre o mesmo roteiro da história que vocês leem. UM BELO DIA conheci esse blog aqui da Lola e comecei a ler. Apesar de odiar feminismo, questões de gênero sempre me interessaram, pois eu sentia que alimentavam meu ódio, mas ao ler o blog da Lola e ver sua forma de pensar a respeito do assunto, isso foi me mudando de uma forma que não sei explicar. 
Comecei a ler alguns posts sobre friendzone e mascus (movimento do qual eu era adepto), e fui entendendo a mente feminina sobre esse tipo de coisa e vendo a merda na qual eu estava metido. E ao ler um post sobre friendzone eu descobri o porquê de ser um cara tão deprimido e tão triste: toda a minha adolescência eu me pautei por pegar mulher, assim como a maioria dos homens fazem, e isso pra mim era sucesso. Porém, acabei me tornando um "escravo de b*ceta" e isso me deixava muito triste por eu não ter esse retorno e sucesso que eu achava ser o máximo. 
Após ler o blog da Lola e dar umas pesquisadas, eu tenho mudado demais meu pensamento e já me policio bastante para cortar atitudes machistas, já não vejo mais mulheres apenas como pedaços de carne mas sim como pessoas, e algo mais surpreendente ainda: para mim amizade com mulher era inaceitável, só rolava se fosse pra conseguir algo, mas hoje não, hoje eu consigo tratar bem e me relacionar com mulheres sem segundas intenções, apenas para descobrir o ser humano legal que pode ter ali. 
Lola de verdade muito obrigado por matar cada dia um pouquinho do meu machismo e dos fantasmas que me assombram, não só você mas algumas pessoas que comentam também e são bem coerentes como vc. Eu descobri aqui um feminismo bonito que não julga e não é extremista, que abre espaço para todos e é coerente nas coisas que prega. Espero que continue fazendo este ótimo trabalho!