quinta-feira, 2 de julho de 2015

PRONTA PARA ATRAVESSAR O MUNDO

Olá, gente querida! Estou em SP, daqui a pouco tenho vários eventos, e à meia noite vou pra China! Antes de chegar em Shanghai, passarei quatro horas no aeroporto de Dubai. Acho que isso também será emocionante.
Ainda não sei ao certo quanto acesso à internet terei na China, ou a qualidade desse acesso, ou o tempo disponível. Portanto, deixei agendados alguns posts para o mês de julho, mas não haverá atualizações diárias. Talvez três ou quatro novos posts por semana. 
Se eu tiver tempo e internet, pode ser que eu faça mais posts. Também imagino que muita gente gostaria de ouvir minhas experiências no país mais populoso do planeta. Tentarei escrever alguma coisa quando der.
Por enquanto, sem tempo nenhum pra nada. Gostaria de escrever sobre a redução da maioridade penal, que ontem foi reprovada no Congresso (mas me falaram que é cedo demais pra comemorar). 
Um monte de pessoas (eu inclusa) está revoltada com o mais recente caso de misoginia contra Dilma: os asquerosos adesivos para carro usando sua imagem (ao lado). Como é que pode algo assim? Como alguém pode negar que isso seja ódio contra as mulheres (e não apenas contra a presidenta)?
Agora ao ligar o twitter fiquei sabendo de um caso que diz muito: um professor no Mato Grosso foi preso por trocar nota por sexo com meninas de 15 a 17 anos. O detalhe é que esse professor (que espera-se que perca o emprego, no mínimo) é um reaça típico -- fã de Bolsonaro e Malafaia e ferrenho opositor às aulas de questões de gênero nas escolas. Pois é, se houvesse aulas que discutissem gênero, um professor como ele teria vez?
Se alguém quiser me enviar um guest post sobre um desses temas ou sobre outros assuntos, assim que eu puder, eu publico (mande pro email lolaescreva@gmail.com). Mas realmente não sei quando poderei. Só estarei em "terra firme" na China no sábado. 
Peço encarecidamente que vocês mantenham um debate saudável e respeitoso nos comentários. Discutam ideias, não ofendam pessoas. Pedi pra super querida Samantha dar uma olhada e deletar os comentários mais agressivos, mas ela também só pode fazer isso quando tem tempo. 
Bom, tenho que ir! Até breve!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

"ANSIOSA EM SER PROFESSORA SÓ PARA HOMENS"

A F. me enviou esta dúvida:

Pra começo de conversa preciso dizer o quanto admiro vc e suas opiniões. Você não faz ideia do quanto é importante no meu dia-a-dia.
Minha história atual é a seguinte: sou engenheira e tenho 30 anos; depois de um histórico trabalhando em indústrias aqui da minha região decidi que isso não era o que eu queria (a indústria pelo menos pra mim serviu como um grande laboratório, onde vi e aprendi muita coisa, mas também vivenciei abusos morais, comportamentos machistas, além de ser sempre questionada, menosprezada e diminuída, não pelas minhas qualidades mas por ser mulher). 
Enfim, tracei um novo rumo pra minha vida. Fui correr atrás de outra oportunidade e acabei com uma bolsa do CNPq durante dois anos, daí me realizei como pessoa, fiz um ótimo trabalho, fui reconhecida e ajudei pessoas. Durante esse tempo iniciei meu mestrado (que estou para concluir).
O fato é que durante esse tempo prestei concursos públicos e fui chamada para ser docente em uma escola (técnica) da região. Serei docente do curso de mecânica, a primeira mulher que a escola já teve, a segunda a prestar concurso pra vaga. E estou aguardando outro resultado de uma outra escola pra mesma vaga e mesmo nível.
Estou bem feliz, ganho menos, mas faço o que gosto. Meus pais e minha família se orgulham de mim. EU me orgulho de mim, mas uma coisa me dá medo: a área mecânica dessas escolas profissionais é um reduto masculino, na maioria das vezes machista. Sei disso porque já estive nesses colégios como aluna, e passei por cada uma que se um dia eu for te contar você não acreditaria.
Embora feliz, fico ansiosa e com certo receio. O que eu faço? Como que você se sentiu diante da sua primeira turma? Lembre-se: eu sou a única mulher da equipe, na sala provavelmente serei a única também (a maioria dos alunos é homem). Algum conselho? Não falei com ninguém sobre isso, pois acho que não me levariam a sério.

Minha resposta: Ish, nem lembro da primeira aula que dei! Não lembro mesmo! Sinal de que não deve ter sido muito traumática...
Bom, querida, eu não sou da sua área, que ainda é majoritariamente masculina, mas está mudando, como você bem sabe. Eu já recebi e publiquei diversos relatos de mulheres que sofreram por serem vistas como "invasoras" de um espaço masculino. Mas certamente é diferente você ser aluna e professora num ambiente desses. Vá sem medo!
Na escola de inglês em Joinville onde fui professora e coordenadora acadêmica durante vários anos, antes de fazer mestrado, tive uma turma só com cinco alunos adolescentes, todos meninos de 14 e 15 anos, pelo que me lembro. E foi a pior turma adolescente que peguei! Eles eram mimados, reacinhas, e não pareciam ter qualquer interesse por nada. Eram daquele tipo que você perguntava: qual sua atividade favorita? E eles respondiam: dormir. Foi difícil ter um bom relacionamento com eles, e olha que eu sempre me dei bem com adolescentes.
Em compensação, recentemente (uns três anos atrás), já na faculdade, calhou de eu ficar com uma turma só de rapazes. Era Inglês Técnico, que recebe alunos de várias áreas. Acaba sempre tendo muito estudante das engenharias. Como a gente fazia uma prova de suficiência e liberava da disciplina aqueles que tiravam acima de 7 e que já tivessem 360 horas de curso de inglês (agora vamos liberar os que alcançarem uma certa nota no Toefl), sem querer sobraram apenas uns vinte e poucos homens. 
E quer saber? Deve ter sido a melhor das turmas de Inglês Técnico que já tive! Eles eram muito divertidos. A gente ria pacas nas aulas, e eles eram bons alunos, se esforçavam, faziam o que eu pedia... Óbvio que isso não aconteceu porque era uma turma só de meninos, mas porque eles eram os meninos certos. Todos se davam bem, dialogavam, tentavam deixar os preconceitos de lado. 
Lembro de um debate que tivemos na aula sobre cotas raciais (a maior parte era contra), e mesmo assim ninguém se exaltou. 
Também já tive turmas só de mulheres (não na faculdade, ainda não), e umas foram ótimas, outras menos. Depende muito. Às vezes ter dois ou três estudantes participativxs numa turma já faz toda a diferença, porque elxs contagiam os outros. 
Parabéns por ter encontrado o seu caminho, e não se preocupe. Minha dica, se é que tenho alguma, é que você tente o máximo possível esquecer que você é mulher e que eles são homens. Faça com que o gênero interfira o mínimo possível. Tenho certeza que você vai se sair muito bem!

terça-feira, 30 de junho de 2015

GUEST POST: SOMOS CARNE DILACERADA

Recebi este texto irado escrito por Luíza Fernandes Esteves.

“França estuda proibir implantes nos seios após descoberta de novo tipo de câncer" -- Manchete da notícia veiculada por Daniela Fernandes, da BBC, em Paris, no dia 18/3/15.
Li essa manchete e dediquei minha risada amarga para a dificuldade que o patriarcado e a indústria da beleza têm para proibir implante de silicone. Até mesmo na progressista França, expoente do movimento feminista.
Imaginem, senhoras, o absurdo de proibirem peitos esteticamente perfeitos! Desde quando peitos foram feitos para bebê mamar?! Peitos estão aí para satisfazer a libido dos nossos varões, oras. Peitos são aqueles que a gente vê na Playboy; para amamentar (há despudoradas que o fazem em público, que horror) mulher tem teta, ou então usa mamadeira que fica, convenhamos, bem mais civilizado.
Aliás, ainda dá pra alugar ama de leite? Na época da servidão medieval e da escravidão tinha dessas coisas, né? Poxa vida, esses bebês são um pé no saco, capaz de a mulher ter que trocar a prótese depois de engravidar, pois pode ser que o peito caia, dizem que cai!
Ah, dando uma cortada brusca na destilação de sarcasmo, quero deixar BEM CLARO que não tenho nada contra as mulheres que aderem ao silicone. 
Não interpretem errado, por favor. Não estou aqui para ficar chamando mulher que coloca silicone de fútil ou qualquer adjetivo análogo, até porque não acho isso, não mesmo. Um, porque cada caso guarda suas particularidades; dois, porque é inumano esperar que as pessoas resistam de maneira estoica e abnegada à sedução de uma máquina que é bem maior e mais poderosa do que elas. Ademais, os irresponsáveis e imprudentes são aqueles que vendem essa ideia. Se os médicos (quase deuses da nossa era) dizem que tá bom, que tá tranquilo, seguro, quem ousaria abrir a boca para questionar?
O que eu acho escroto, vou contar pra vocês, é um profissional se formar em medicina, se especializar em cirurgia plástica, que é uma área linda e com potencial para transformar complemente a vida de quem precisa, lidar com um procedimento tão invasivo quanto esse de maneira banal só para ficar rico, poderoso e até famoso (programa de TV pra isso é que não falta).
O que eu critico é a naturalização disso em nossa sociedade, o modo leviano como a intervenção cirúrgica para fins estéticos se tornou corriqueira, e aqui não me refiro somente aos implantes de próteses mamárias. Procedimentos cirúrgicos, muitos envolvendo anestesia geral (!), são tratados pela mídia e pela indústria da beleza como se fossem uma simples mudança de corte de cabelo, um tapinha no visual.
É importante ressaltar que, de acordo com dados disponibilizados pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) em 2013, o Brasil é o país que mais realiza cirurgias estéticas no mundo, tendo ultrapassado os Estados Unidos. De acordo com o levantamento da ISAPS, daqueles que recorrem ao bisturi para fins estéticos, 14,3% são homens, e 85,7%, a esmagadora maioria, mulheres. Portanto, essa não é apenas uma questão importante no cenário brasileiro, como também é uma questão de gênero.
Entrar na faca em algum momento é quase o destino "natural" das mulheres na nossa sociedade. Somos gado. Somos vacas (o xingamento não surgiu à toa), somos carne dilacerada, cortada, somos sangue escorrendo pra encher os bolsos de médicos, de quem vende próteses mamárias, de quem fabrica próteses, de quem faz a propaganda que nos faz acreditar que precisamos dessas próteses e também de outros tantos que se interligam em uma cadeia praticamente interminável. Aí depois, senhoras, ficamos mais "comíveis", igual à carne macia da vaquinha, aquela delícia suculenta.
Quedamo-nos lindas, impecáveis, com a cinturinha fina, o seio farto e o nariz afilado (o Brasil é o número um em rinoplastia), e é precisamente dessa figura meticulosamente esculpida pelos cirurgiões que se valem os corvos para vender cerveja e desodorante, dentre outros produtos, quer tenham como alvo o público masculino ou o feminino. 
A silhueta feminina lhes é apresentada envolta em uma aura resplandecente de sedução e bem estar, mas o que o grande público não pode ver por trás dessa imagem é a lambança na mesa de cirurgia, o sangue, tecido mamário e outras partes de corpos femininos descartados como lixo hospitalar, o inchaço, os pontos, a dor, o desconforto, a adaptação e, principalmente, os riscos envolvidos. 
A cirurgia para colocar silicone, senhoras, é só um exemplo de uma série de outras intervenções estéticas que são comercializadas com a mesma facilidade de uma bolsa Louis Vitton. Acho que não preciso nem chegar ao extremo de citar histéricos como a "Barbie Humana" e seu equivalente masculino ou falar da relação turbulenta de Andressa Urach com o hidrogel para que identifiquem a esquizofrenia do mundo em que vivemos.
Tantas necessidades nos são criadas por quem quer lucrar em cima dos nossos corpos, senhoras... e elas se tornam reais, sim, efetivamente. Ficamos felizes ao alcançar uma delas, mas logo são criadas outras e mais outras. Isso não vai parar, não vai. Tenho muito medo de até onde isso irá nos conduzir. Tenho medo de onde já estamos. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

CAUSA SEM REBELDE

Gosto pacas do trabalho da jornalista americana Susan Faludi.
Backlash: O Contra-Ataque na Guerra Não Declarada contra as Mulheres (1991) é um clássico feminista que recomendo a todo mundo (e que pode ser lido inteirinho aqui, em português). Ela fala, de um jeito interessante e gostoso de ler, sobre a reação conservadora que os reaças lançaram no começo dos anos 1980 contra as feministas em particular e as mulheres em geral. Acho sua investigação muito importante para entender o que estamos vivendo hoje
Ainda não acabei de ler seu segundo livro, porque é longo (quase 700 páginas) e o tempo anda escasso. Chama-se Stiffed: The Betrayal of the American Man (Stiffed: A Traição do Homem Americano), foi publicado em 1999, e não foi (opa, foi sim!) traduzido pro português. Stiffed tem vários significados: roubado, traído, ignorado, esnobado, rejeitado, bêbado (sem falar que o adjetivo stiff quer dizer durão e rígido). Ou seja, um nome excelente.
Em seu livro de 2007,
Faludi trata de como o
11 de Setembro tentou
restaurar papéis de
gênero
Na sua longa reportagem, ela entrevista centenas de homens americanos em ambientes tradicionalmente masculinos -- na indústria naval, em torcidas organizadas de times de futebol americano, em algumas igrejas, no exército, em gangues de bairro -- e vê que eles estão desolados, perdidos. Com toda a prosperidade no império depois da Segunda Guerra, seus pais haviam lhe prometido um lugar especial no mundo. Um lugar de comando. Esses homens, que cresceram tendo certeza que mereciam alguma coisa que nunca foi entregue, sentem-se traídos. E, ao invés de culparem o sistema, culpam as mulheres e outros grupos historicamente oprimidos. 
Decidi traduzir um trecho de Stiffed. Peço que leiam sem a besteira de ficar ecoando "iuzomi" e "male tears", com a mesma cabeça aberta e cheia de empatia que Faludi demonstrou ao escrever seu livro:

Uma questão que tem perseguido feministas como eu é a natureza da resistência masculina à mudança feminina. Por que tantos homens ficam tão perturbados pela perspectiva da independência das mulheres? Por que tantos homens parecem recusá-la, ressenti-la, temê-la, lutar contra ela com uma paixão doentia? Essa questão lançou minha investigação. Mas, no final, para minha surpresa, não foi a questão que mais me motivou. Não é essa a questão que guia este livro. 
Porque quanto mais eu explorava o apuro dos homens pós-guerra, mais familiar me parecia. Quanto mais eu considero o que os homens perderam -– um papel útil na vida pública, uma forma de ganhar a vida decentemente, apreço no lar, tratamento respeitável pela cultura -– mais parece que homens do final do século vinte estão caindo num status estranhamente similar ao das mulheres na metade do século. 
A dona de casa dos anos 1950, despida de suas conexões com um mundo mais vasto e convidada a preencher o vazio com compras e a exposição ornamental da sua ultrafeminilidade, pode ser vista como tendo se transformado no homem dos anos 90, despido de suas conexões com o mundo mais vasto e convidado a preencher o vazio com consumo e uma exposição moldada em academias da sua ultramasculinidade. 
As compensações vazias de uma “mística feminina” estão virando compensações vazias de uma mística masculina, com o clube de charutos para cavalheiros não mais satisfatório que competições culinárias para damas, com o Nike Air Jordan não mais significativo que o Dior New Look.
Então minha pergunta mudou. Em vez de imaginar por que homens resistem a luta das mulheres por uma vida mais livre e saudável, comecei a pensar por que homens não se envolvem na sua própria luta. Por que, a despeito de crescentes birras aleatórias, eles não ofereceram uma resposta metódica e racional ao seu problema? Dada a natureza indefensável e ofensiva das exigências feitas aos homens para que eles se provem na nossa cultura, por que não se revoltam?
Como muitas mulheres, fui atraída ao feminismo pelo desejo de desafiar o silêncio do meu sexo. Mas tem me parecido que, por baixo de todas as bravatas de homens tentando abafar vozes femininas, o silêncio deles é tão retumbante quanto o nosso. Por que os homens não responderam à série de traições nas suas próprias vidas -– aos fracassos de seus pais em honrarem suas promessas -– com algo parecido a feminismo? 
Quando as fronteiras que seus pais lhes ofereceram provaram ser um deserto, […] quando as empresas que seus pais afirmaram que iriam sustentá-los os terceirizaram, quando as mulheres que seus pais disseram que precisavam ser sustentadas conseguiram seus próprios empregos, quando todo o acordo mostrou ser um embuste e ficou claro que eles foram totalmente enganados, por que os filhos não fizeram nada?
O colapso da mística feminina uma geração antes não foi apenas uma crise mas uma oportunidade histórica para mulheres. Mulheres responderam ao seu “problema sem nome” dando um nome e fundando um movimento político, iniciando um processo de se libertarem a si mesmas. Por que os homens não fizeram o mesmo? Esta parece ser para mim a verdadeira questão por baixo da “crise da masculinidade” que a sociedade americana enfrenta: não que os homens estejam lutando contra a liberação das mulheres, mas que eles se recusaram a se mobilizar para a sua própria liberação. (p. 40-1). 

Sou eu de volta. Faludi começa o trecho fazendo a mesma pergunta que a maioria das feministas da segunda onda se fazia: por que tantos homens rejeitam a igualdade das mulheres? A gente, ingênua que era, pensava que, passado o choque inicial, os homens nos dariam as mãos e viriam lutar junto com a gente por um mundo melhor, um mundo sem tantas cobranças, que também os beneficiaria. Mas não foi isso que aconteceu. Claro, alguns homens vieram. Mas muitos, ressentidos, ficaram furiosos. E, lógico, furiosos com os alvos errados.
Imagino que muita gente ao ler o trecho acima, em que Faludi se pergunta por que os homens não se rebelam e lançam o seu movimento político, pensam: ué, mas os homens lançaram seu movimento, o masculinismo. Faz-me rir. O masculinismo não é um movimento político, é só um fórum onde o choro é livre. Quando Faludi publicou Stiffed, o masculinismo já existia. Já era insignificante e ineficaz.
O masculinismo não luta por nada. Ou melhor, luta por perseguir feministas e por voltar a um tempo que não volta mais (os anos 50, ou a pré-história, dependendo da vertente). Mascus não merecem ser chamados de ativistas pelos direitos dos homens, porque eles não lutam por direitos. Lutam por uma defesa do machismo, isso sim. 
Mascus são homens de direita totalmente aliados ao capitalismo. Eles não criticam o capitalismo. Parece piada que mascus de todo o mundo tenham adotado Matrix como seu filme de cabeceira e se intitulem red pillers, tomadores da pílula vermelha, que os despertou para... para... para quê mesmo? Para odiar as mulheres, que eles já odiavam antes de serem masculinistas? 
Fantasia mascu: mulher puxa alavanca
Mascus odeiam trabalhar, sabem que são explorados, mas, em vez de combater o sistema, combatem pessoas (mulheres, negros, gays) que também são exploradas por ele. E culpam essas pessoas, e não o sistema que os explora, por sua eterna insatisfação. 
Sonham em galgar posições dentro desse sistema para que eles também possam explorar. Esta é a única saída que vislumbram: virar explorador. Não derrubar um sistema explorador e opressor que também os oprime. Evidente que, com essa mentalidade, estão fadados ao fracasso.