sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CARTA ABERTA A MINHA MÃE TUCANA

Além de ser fã do meu bloguinho há dois anos, Laura Soares Xavier é estudante de Relações Internacionais da Unesp de Franca-SP. 
Foi para Brasília fazer um estágio na Secretaria de Direitos Humanos da presidência e, tanto por conta da sua formação quanto por residir e trabalhar no centro dos acontecimentos políticos, está super envolvida com essas eleições (como tantxs de nós agora no segundo turno).
Ela escreveu este texto logo após ter uma discussão com sua mãe, tucana, por telefone.

Oi Mãe,
Te escrevo pra dizer que chorei muito por causa da conversa que tivemos hoje. Chorei assim que desliguei o telefone e choro até agora. Não choro de raiva, não choro por conta do discurso da moça tucana que você me fez ouvir, afinal, você me mostrou como novidade algo que estou acostumada a ouvir em todo lugar: "corja de ladrões", "quadrilha de corruptos", ou "o Brasil vai virar Cuba" é o que mais ouço desde que comecei a me informar, debater e participar dessas eleições. 
De página reaça que acha que a
Argentina é comunista
O que me fez chorar, mãe, foi sentir que, por mais que meus argumentos sejam coerentes, frutos de muita pesquisa e participação política no movimento estudantil (e agora nas políticas de direitos humanos), por mais que eles venham de alguém que está prestes a se formar em uma das melhores universidades do país, com uma formação crítica vinda de professores brilhantes, por mais que eu tente dialogar, esses argumentos jamais serão ouvidos por quem não quer ver, por quem faz questão de dar as costas para o que está à sua frente.
O discurso "Fora PT", esse discurso de ódio a um partido, está hoje mais forte do que nunca. Você deve se lembrar que esse discurso de ódio vem desde as eleições de 1989, quando a mídia nos convenceu de que mais vale um rostinho bonito do que um operário barbudo sem dedo, que mais vale um representante da burguesia quebrando o país do que um representante do povo diminuindo a desigualdade social.
Desde 1989, mãe, te convencem de que se aquele partido da estrela vermelha entrar no poder o país vai quebrar, vai se curvar ao comunismo e vai nos transformar em Cuba. Você lembra da Regina Duarte em 2002, usando de todo seu talento artístico pra espalhar o discurso do medo caso Lula ganhasse? Pois bem, Lula, apesar de todo o esforço de Regina, venceu em 2002. E olha só: ele não quebrou o país! Ele não nos transformou em Cuba, não comeu criancinhas e nem chegou perto de tentar um regime comunista (e olha que ele teve dois mandatos pra isso)! 
E, veja só que surpresa, ele não só não quebrou o país como também levantou a economia e nos tirou do esquecimento no cenário internacional. Nos poupou do papel de ajudados pelos grandes para virmos a ser os grandes que agora ajudam! Não só não destruiu o país, como abaixou ainda mais a inflação, diminuiu drasticamente o desemprego, triplicou o crescimento do PIB e nos colocou ao lado de grandes economias mundiais. Somos protagonistas agora! 
E, o principal, o carro chefe das políticas do tão odiado PT: a redução da desigualdade social. A redução daquilo que sempre foi considerado até pela Regina Duarte o maior mal do Brasil. O mal aparentemente irremediável, o motivo de vergonha internacional. A fome, que era invisível aos olhos dos outros governantes, que nunca foi prioridade de um governo em mais de cem anos de república, agora seria veementemente combatida.
Depois de mais de décadas de miséria, exclusão e de tantas outras marcas do colonialismo, alguém resolveu colocar os pobres na pauta, mostrar que eles são gente, que eles existem! Eles estão lá! Eles estão finalmente representados por um Ministério do Desenvolvimento Social, uma Secretaria de Combate ao Racismo, um Ministério do Desenvolvimento Agrário. E agora, depois de 12 anos, podemos finalmente dizer que o nosso país não é mais o país da fome, da miséria e do desemprego! Será possível que alguém pode dizer que não houve grandes avanços nesses últimos anos? Como não reconhecer um trabalho que em 12 anos compensou o que foi negligenciado em mais de 100?
A resposta é que, pra tristeza de alguns, o rico deixou de ser centro das atenções. Não entregamos mais nossas indústrias aos grandes empresários a preço de banana, não ajudamos mais quem nunca precisou de ajuda, quem nunca precisou dos serviços públicos porque tem dinheiro pra pagar planos de saúde, escolas particulares e universidades caras. Agora os olhares estão finalmente voltados pra quem realmente precisa! Pra dar um mínimo de dignidade a quem teve a infelicidade de nascer preto, pobre, nos confins das periferias (com pleonasmo mesmo, pra enfatizar), criado em meio à violência, sem oportunidades. 
Agora o pobre não passa fome, come carne, não está desempregado, pode cursar uma universidade, tem seu salário reajustado todo ano, tem garantido o seu direito BÁSICO de escolha! E esse é o verdadeiro incômodo pra quem assiste de perto o pobre poder escolher qual geladeira comprar, qual calça vestir e qual comida além da cesta básica comer. O que incomoda é o pobre frequentando os mesmos shoppings, sentando ao seu lado no avião e comendo da mesma comida que o patrão. Incomoda o pobre não se colocar no seu lugar de subalternidade. Os odiadores do PT, antes mesmo do PT, odeiam mesmo é o fato de terem que dividir o que antes era um privilégio só seu.
E agora, depois de 12 anos de "ditadura pros pobres", esse ódio voltou com mais força do que nunca! Escondidos atrás do seu próprio ódio e do discurso oposicionista da grande mídia, você esquece (ou finge não lembrar) das dívidas internacionais, do baixo crescimento, das privatizações irresponsáveis, do dólar a R$ 3,50, do apagão depois do fracasso das privatizações do setor elétrico, dos recordes de desemprego, do sucateamento das universidades públicas, dos escândalos de corrupção engavetados (que deixam o PT no chinelo), dos quilos de cocaína abafados. Esquecem e disfarçam a volta do retrocesso, dos tempos áureos em que o pobre conhecia seu lugar, com o mágico discurso da mudança! Mudança pra quem? Mudança pra onde? Mudança de fato ou uma volta ao passado?
O que me faz chorar, mãe, é o sentimento de impotência diante de tanto ódio. O que pra mim parece tão óbvio, pros odiadores jamais será legítimo, sempre será, como diria seu candidato, "leviandade". Como ignorar a falta de trajetórias de luta de Aécio Neves? A vida fácil regada a nepotismos de quem disse nunca ter arrumado a própria cama e que é comum no Brasil todos terem uma ou duas empregadas? Que disse que as brasileiras têm vida fácil? De quem foi nomeado secretário do próprio pai, ganhando pra trabalhar num emprego em Brasília morando no Rio? 
Como ignorar as alianças com fundamentalistas, ruralistas e militares? Como engolir o discurso "em defesa da família" de quem sobe no mesmo palanque que Levy Fidelix, Pastor Everaldo, Bolsonaros e Felicianos? Como ignorar um machista legítimo que bate em mulher, nos trata com ironia em rede nacional e pretende extinguir a Secretaria de Políticas para as Mulheres? Um candidato que vendo a superlotação das nossas masmorras medievais que educam para o crime ainda seja a favor da redução da maioridade penal? Como ter um posicionamento tão egoísta diante de tanta desigualdade que ainda temos pela frente e que eles nunca lutaram pra combater?
É essa mudança que queremos ver? Mudança para avançar ou para retroceder? Eles sabem, você sabe muito bem a resposta, mãe, só que pra tirar a "corja" do poder e manter seus privilégios, VALE TUDO!
Voltar atrás não é mudança, mãe. Voltar atrás é retroceder. E isso eu não quero pro meu país de jeito nenhum.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ROQUEIRXS DEVEM VOTAR NO PT

Se você está ansiosx com as eleições e não vê a hora de poder votar, e está usando todo seu tempo livre para convencer amigxs e familiares a manter o retrocesso longe das urnas, eis um argumento infalível pra convencer alguém a votar na Dilma. 
(Pra quem não aguenta mais ler sobre eleições, volte na semana que vem. Obrigada. Eu não consigo pensar em outra coisa. Minha timeline no Twitter não fala noutra coisa). 
O post abaixo é do Willba, 32 anos, residente em Minas, sociólogo formado pela USP, professor de sociologia no Ensino Médio, e mestre de cerimônias em shows de metal.

Sabe aquela sensação que "nunca houve tantos shows internacionais de rock no Brasil"? Pois bem, ela é correta e tem a ver com nossa escolha dia 26 de outubro.
Há um senso comum ditando que Rock Pesado e política não se misturam. Dizem que "tanto faz" quem for eleito, que para o mundo da música "dá na mesma". Mas não é assim.
Surgiram na internet imagens que comparam o número de shows que o ex-Beatles e ex- Wings Paul McCartney fez no Brasil entre 1995-2002 e 2003-2014, administrações do PSDB e PT, respectivamente. Para surpresa de muitos, o Iron Maiden também foi incluído nessa lista. Em ambos os casos, os seminais ingleses tocaram mais em nosso país durante o governo PT que o PSDB. Será então que rock pesado e política estão distantes assim? Ou faria mais sentido a máxima de Jean Paul Sartre, de que o senso-comum é, além de incorreto, deprimente?
Devemos lembrar que o Rock surgiu do Blues dos trabalhadores rurais negros estadunidenses, que viviam em condições análogas a de escravos, na década de 1950. De lá para cá, o rock passou por muitas modificações; porém, a gênese de rebelião contra o autoridade, contra o poder insistido, nunca o abandonou. Canções clássicas como "Fortunate Son", do CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL, e tantas outras, nos lembram que o rocker é o oprimido que quer mudar a sociedade injusta. 
Infelizmente, alguns artistas se renderam ao sistema, como o BLACK SABBATH, que se apresentou em Sun City em 1987, ou o surgimento do estilo chamado Black Metal NS, de bandas nórdicas que pregam o nazismo, ou até a música deplorável "Pleasure Slave" do MANOWAR. 
Em contrapartida, houve Woodstock; tivemos o protestos contra o hotel-cassino-resort sul-africano liderados pela banda de BRUCE SPRINGSTEEN e dezenas de rockers; existem críticas ao sistema do Punk Rock e do Hardcore, e diversos artistas são ativistas de esquerda, como Bono Vox do U2... Em suma, e o que quero provar é que o Rock'n'Roll pode até ser dissociado da política, mas é muito mais facilmente associado a ela, sendo sua gênese de esquerda, mas também apropriado pela direita de quando em quando.
O que nos leva ao ponto central deste texto. Como pode um governo do PT em nível federal ser melhor pra quem curte qualquer vertente de rock, do que um do PSDB? O governo do PT representa o capital produtivo: quem trabalha e ganha salário, quem compra bens de consumo para uso próprio, viaja nas férias, tem imóvel para residir; e automóvel para uso próprio. 
O governo do PSDB é preocupado em agradar o capital especulativo: quem investe dinheiro e espera que esse dinheiro gere dinheiro, quem compra diversas casas, terrenos para especular, quem não vive de salário fixo, quem gasta no exterior; em suma, quem concentra renda e aumenta as diferenças sociais. A resposta para nossa pergunta é tão simples quanto inusitada: a política econômica do PT tem como efeito colateral proporcionar mais shows de rock internacionais que a do PSDB.
O pacote de baixo desemprego (4,7% em dezembro de 2011 contra 10,5% dos tucanos em dezembro de 2002, chegando a picos de 30%) e alta do salário mínimo (de U$D 56 em dezembro de 2002 com o PSDB, para U$D 306 em dezembro de 2012 com o PT), aliados à queda da taxa de inflação do período de 100,6% (no PSDB) para 50,3% (a metade, no PT), ou a taxa anual, de 9,1% para 5,8%, respectivamente, permitiu ampla oferta de crédito a juros baixos e financiamentos. Os dados estão aqui.
Essa bonança construída pela economia sob controle criou o cenário ideal que permitiu que os empresários daqui pudessem contratar bandas estrangeiras, sabendo que tais eventos dariam lucro, já que a economia aquecida lega para o grande público ter dinheiro para gastar em entretenimento. Como assim? Enquanto no governo PSDB foram criados 627 mil empregos por ano (12,2% de desemprego), a taxa petista foi de 1,79 milhões (5,4% de desemprego), e a desigualdade social, que caiu 2,2% na administração tucana, caiu 11,4% nos governos Dilma e Lula. Percebe que mais pessoas são incluídas? Mais pessoas têm como gastar? Não é só nas 33 milhões de passagens aéreas vendidas em 2002 para as 100 milhões vendidas em 2013 que percebemos o quanto o brasileiro pode consumir mais -- no rock também.
Em se tratando de shows internacionais de pequeno e médio porte, a situação é ainda mais nítida, pois permite que pessoas sem tanto dinheiro organizem turnês com custo e lucro baixos. Não é mais coisa apenas para um empresário de estádio, Rock in Rio com bandas milionárias e shows em capitais. 
Grupos menores passaram pelo Brasil durante o governo do PT, sob a economia focada no capital produtivo, podendo excursionar o país todo. SKULL FIST, ENFORCER, CAULDRON, NUCLEAR WARFARE, STEELWING, MAD MAX são exemplos de bandas internacionais ainda desconhecidas do grande público que puderam realizar turnês extensas pelo Brasil, com público pequeno em cada apresentação. Isso ocorria entre 1995 e 2002 (governo do PSDB)? Muitos desses concertos aconteceram em cidades pequenas, ou "sem tradição" de rock/metal. "Sem tradição" por não haver pessoas que curtam som nos interiores do Brasil, ou por nos anos 1990 a concentração de riqueza imposta pelo neoliberalismo não gerar desenvolvimento econômico nessas regiões para receber esse tipo de evento?
Pode ser contra-argumentado que as bandas citadas estavam inativas durante o período do PSDB no governo federal. Todavia, existiam bandas similares, tão competentes e desconhecidas do grande público, como UNREST, WOLF (da Suécia), DIRTY DEEDS, DORO etc, cujos headbangers também gostavam e nunca foram chamados ao Brasil durante seu período de atividade (desses só a DORO continua ativa). Percebem como um modelo econômico favorece mais shows de rock que outro?
Abaixo, a tabela feita com base nas dez bandas pesadas que mais se apresentam no Brasil, de acordo com Folha de São Paulo. Só contei as bandas que estavam em atividade durante os governos PSDB e PT, e acrescentei algumas outras do meu interesse. O número de shows tem como referência buscas feitas no site SetList.FM:
Como é impossível elencar todos os grupos, minha lista não é exaustiva, portanto, acrescente no espaço de comentários nomes e/ou correções.
Ainda assim, os grandes centros não foram esquecidos pelo empresários de shows de rock/metal. Prova disso é que John Fogerty tenha se apresentado quatro vezes no período do PT e nenhuma antes disso, pois as condições econômicas para que um show desses acontecesse eram desfavoráveis. Em relação aos grandes festivais, como Monsters of Rock e Skol Rock, lembramos que os shows ocorridos nesses festivais entraram em minha contagem. Ainda que esse tema dos festivais mereça análise mais aprofundada, é seguro dizer que se alguns sumiram, outros tantos surgiram.
Se você fosse empresário, arriscaria colocar seu dinheiro num show caro num país com o segundo maior desemprego do mundo e com a moeda que se desvalorizava? Esse era o cenário do Brasil com o PSDB.
O que posso concluir? Que concentração de renda, especulação, desigualdades sociais e instabilidade econômica diminuem o poder de compra da população, e consequentemente, o público em potencial para um show de rock internacional. Note que o governo federal petista não precisou necessariamente financiar esses eventos; sua boa gerência econômica é que indiretamente criou e aumentou as condições para que eles acontecessem.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ALGUMAS DAS CENTENAS DE AMEAÇAS QUE RECEBO

Ameaça de abril 2012 no meu Twitter (clique em qualquer imagem para ampliá-la)

Hoje fiquei com vontade de compartilhar algumas das ameaças que recebo com vocês. Só algumas das centenas que tenho guardadas. E, obviamente, não são todas as que vejo ou tiro print. Umas são enviadas pra mim pelos próprios criminosos, via tweet ou comentários no blog. 
No começo, em agosto de 2011, pelo Twitter
Às vezes aparecem num chan que eu nem saberia da existência se um dos dementes não vivesse mandando o endereço pra mim. Outras ameaças são enviadas por leitorxs assustadas, que viram aquilo em algum lugar e se horrorizaram.
No meio do nada, a pessoa diz que vai me matar. Uma leitora enviou pra mim
Estou acostumada, sinceramente. Recebo ameaças desde 2011, pelo menos, só por ser mulher, feminista, e de vez em quando escrever sobre masculinistas, que eu apelidei de mascus. 
Ainda em 2011

Final de 2013
Mascus estão praticamente mortos e enterrados agora, com dois fóruns que vivem às moscas, umas páginas no Facebook, e um ou outro blog ou vlog frequentado por uma dúzia de rapazes. 
Como eu já disse, os únicos blogs mascus que ainda crescem -- e que estão se tornando cada vez mais misóginos -- são os de finanças pessoais.
Ao anunciar que palestraria na USP, no ano passado, recebi este tweet

Há também alguns reaças mais genéricos que têm ligações com mascus, e que linkam pra textos ou vídeos deles. Ano passado, numa comunidade do Orkut, um deles imprimiu uma foto minha, ejaculou em cima dela, e publicou uma imagem disso. Pra mim, soou como uma ameaça de estupro.
Novembro de 2013, em algum chan
Um reaça rábido que não é necessariamente mascu é este Martorelli, que depois de me xingar durante dois anos no Twitter, ameaçar, divulgar meu endereço residencial (sim, todos sabem onde eu moro e trabalho -- é facílimo encontrar dados de qualquer pessoa na internet), e ainda jurar que iria me processar (a inversão de valores desse pessoal é impressionante), desistiu de falar de mim. Ainda bem!
E outros, anônimos.
Mas um que não desiste de mim é Marcelo Mello, um dos dois mascus sanctos (um ramo ainda mais extremo entre os mascus) presos pela Operação Intolerância em março de 2012 (o outro foi o Engenheiro Emerson, que de vez em quando me envia comentários dizendo que estou sendo processada por ele, mas que está mais preocupado em ser aceito por canais da extrema direita tradicionais, como no grupo de Olavo de Carvalho).
Marcelo e Emerson foram presos em Curitiba por causa de um site de ódio onde promoviam ameaças, pedofilia, racismo, homofobia, e misoginia (queriam a legalização do estupro e defendiam o estupro corretivo para lésbicas).
Passaram mais de um ano na cadeia, foram condenados a 6,5 anos, e saíram em maio do ano passado. Desde então, venho recebendo várias mensagens de Marcelo. 
Ele imagina que trava algum tipo de diálogo comigo, sendo que eu só falei diretamente com ele nesta ocasião.
Ele tem um chan, um local em que vários anônimos "falhos" (rapazes reclusos, sem nenhuma aptidão social, que têm como heróis Wellington e Elliot Rodger), competem para ver quem é mais desajustado.

Marcelo tem sérios problemas psiquiátricos e guarda rancor de qualquer um que já fez qualquer coisa "contra" ele (o delegado que o prendeu, um jornalista da Veja que escreveu esta matéria, todos que fizeram bullying contra ele na escola, e eu, óbvio).
Uma de suas fantasias a meu respeito é que eu torci para que ele fosse violentado na cadeia, como se eu algum dia tivesse defendido estupro contra alguém. Pouco depois d'ele ter sido preso, uma leitora deixou um comentário num post informando que havia rumores que ele tinha sofrido abuso sexual na prisão. 
Eu recomendo que vocês leiam os comentários daquela caixa para ver o óbvio: que não houve qualquer tipo de celebração. Nós não somos como eles.

Um dos que se destacam é Gustavo Guerra, um jovem de Caxias do Sul que já foi preso. A maior parte do que ele diz (grava vários vídeos, um deles, por exemplo, "explicando" quem pega e não pega Aids) e escreve é totalmente incompreensível, mas ele é um dos que se candidatam a exterminar desafetos, entre elas eu, óbvio.
Eles são tão perturbados que não veem uma thread dessas como ameaça de estupro.
Ultimamente, Marcelo também tem desenvolvido fixação por... meu marido.

Toda semana Marcelo tem alguma ideia para fomentar seu ódio.

Outro completo obcecado por mim é Christopher Rodrigues. 
Mas nem vou falar nele, que raramente me ameaça. Ele só me xinga e inventa mil e uma mentiras sobre mim, todos os dias. Ao contrário da maior parte, ele deixa o nome e cidade onde mora. Merece vários processos por calúnia e difamação, mas dá muito trabalho. Fico com preguiça.
Chris inventa que meu amado pai me estuprou
Eu só fiz boletim de ocorrência uma vez, no começo de 2012, quando inúmeras ameaças se intensificaram. Mas as delegacias não estão preparadas pra lidar com ataques virtuais. Nem sabem o que fazer. O que faço é enviar boa parte dos prints para um contato na Polícia Federal. Ele não trabalha com crimes cibernéticos, mas encaminha as ameaças para os agentes que lidam com isso. Também não há grande coisa a ser feita.
Nunca tive medo, e não vou começar a temer agora. Só queria dizer que, se alguma coisa acontecer comigo, não foi acidente. Não será latrocínio, não será suicídio, não será atropelamento sem querer. Depois de três anos e meio de ameaças, acho que podemos concluir que é tudo bastante premeditado.
Eu quase nunca recebo qualquer tipo de apoio. Pelo contrário, quando digo que sou ameaçada, vem gente me chamar de vitimista. Mas só acho que às vezes devo compartilhar as ameaças que chegam, pra que vocês saibam. Não é justo guardar tudo sozinha só pra mim. Afinal, não sou ameaçada por ser a Lola. Sou ameaçada por ser autora do maior blog feminista do Brasil.
E, quando tanto se fala sobre mulheres gamers que vem sendo ameaçadas nos EUA (aliás, se alguém quiser escrever um guest post sobre isso pra cá, eu publico com todo o prazer), eu queria evidenciar que esse tipo de insanidade não acontece só lá fora.
O mundo e a internet são lugares misóginos, e ainda piores para meninas e mulheres que se expressam, que lutam. Mas ter medo e calar-se é fazer o jogo deles. 
Do último sábado