terça-feira, 25 de setembro de 2018

CARTAS DE UMA MENINA PRESA

Como vocês sabem, sou muito fã da professora Debora Diniz, da UnB. 
Em 2015 ela iniciou uma pesquisa a junto à Unidade de Internação de Santa Maria, em Brasília, habitada por adolescentes meninas privadas de liberdade por atos infracionais. Ao longo de um ano acompanhando o plantão de um grupo de agentes socioeducativas, Débora buscou entender o que seria o "estabelecimento educacional" onde a medida de internação deve ser cumprida, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essa pesquisa gerou o estudo "Meninas fora da lei: a medida socioeducativa de internação no Distrito Federal".
Mas não foi só isso. Através do convívio com essas garotas, Débora passou a trocar cartas com elas. Uma delas foi Talia (não seu nome verdadeiro), que chegou a ser uma importante traficante do DF. Talia foi presa pela primeira vez aos 14 anos, mas já perambulava pela rua desde os 8. Não teve escola ou conselho tutelar que a resgatasse da perdição do crime, do sexo por dinheiro ou da violência.
Débora, Virgínia e Iasmim
no lançamento do livro
A correspondência virou um livro, Cartas de uma Menina Presa. Após ser rejeitado por seis editoras, o livro foi financiado por doações e publicado pela editora LetrasLivres, da Anis – Instituto de Bioética. Você pode comprá-lo por R$ 30, e esse valor irá custear o curso universitário na modalidade educação à distância para a coautora Talia, que atualmente cumpre pena em regime semiaberto na Penitenciária Feminina do DF. E também será usado para imprimir uma nova edição.
Vírginia Nabut, outra grande fã da Débora, comprou cem exemplares do livro para distribui-los em escolas. Ela conta melhor tudo isso:

Conheci a Dra. Debora Diniz por volta de 2002. Desde então acompanho sua carreira. Ora de perto, ora de longe, mas sempre muito admirada pelos temas que pauta.
No ano passado fiquei sabendo do seu trabalho na unidade de internação socioeducativa para meninas em conflito com a lei, na capital do país. Fui a um evento onde ela contou um pouco sobre a experiência, mostrou fotos (tiradas por ela mesma) e leu cartas dessas meninas com quem tinha convivido durante 14 meses em regime de plantão (24h trabalhando por 48 de descanso).
A ideia dela, antes de iniciar a pesquisa, era aplicar questionários, tirar fotos, conversar com as meninas. E todos os seus planos foram por água abaixo quando elas começaram a fazer perguntas e a escrever cartas e pediam livros para ler e queriam saber quem ela era...
Como pesquisadora, tudo o que sabia até então não lhe preparava para o que estava por vir: centenas (talvez milhares) de cartas trocadas com várias das meninas.
Como caneta pode ser usada para ferir outras pessoas, Debora importou (com o próprio dinheiro) dos Estados Unidos canetas específicas para serem usadas por presas/internas. A caneta tem corpo de silicone, é dobrável e, por isso, pode entrar nas celas. Antes as cartas só podiam ser escritas nos momentos de aula, de banho de sol, ou escondidas por alguma menina que quebrava as regras e levava a caneta escondida.
O livro são apenas algumas das cartas trocadas entre Debora e Talia.
Cartas que falam, que gritam, que choram. Cartas que movem, em uma linguagem simples de adolescente, cartas respondidas com a linguagem simples de quem soube se adaptar para conviver.
Um encontro improvável de uma das 100 maiores pensadoras do mundo (segundo o  Foreign Policy Magazine, de 2016), portadora de inúmeros títulos e prêmios, com uma menina encarcerada que era tida como “xerifa” na unidade socioeducativa.
Um livro que teve que ser publicado do próprio bolso, pois nenhuma editora quis bancá-lo. Por isso, o livro conta com apenas 1000 exemplares impressos.
Debora e Iasmim, que escreveu a
orelha do livro
Um livro que está sendo vendido, hoje, apenas pela própria Anis, e que busca, com a receita das vendas, ajudar Talia a cursar a faculdade (ela acabou de passar no vestibular) e a criar a sua filha, que hoje tem um ano.
No lançamento do livro, Talia não pode estar presente, então quem acompanhou a Debora na mesa foi a menina que dividiu a cela com Talia e que escreveu a orelha do livro.
Debora disse que não foi para lá com o intuito de salvar ninguém, de ajudar ninguém. No entanto, hoje, várias dessas meninas viraram universitárias. Várias se tornaram pesquisadoras. Algumas, como Talia, voltaram para o sistema, mas dispostas a saírem. E mostram isso todos os dias.
Elas escolheram os mais diversos cursos. Você pode esbarrar nelas em alguma universidade, pública ou privada, nos primeiros ou nos últimos semestres.
O livro, de forma alguma, é um livro acadêmico. É um livro leve (com tema pesado), mas que pode ser enquadrado facilmente como infanto-juvenil.
Deveria estar, aliás, em lugar de destaque nas bibliotecas, junto com o Diário de Anne Frank e Eu Sou Malala.
E, assim como Malala, o livro continua acontecendo e refletindo tudo o que Debora e Talia representam uma para a outra e para todas as pessoas que leram ou viveram essa realidade.
Vale ler cada linha. Vale gastar cada centavo. Vale falar dele para os amigos, conhecidos, professores de escolas públicas e particulares.
Quem sabe, assim, ele ficará tão famoso e com tantas tiragens quanto aqueles escritos por Malala e Anne Frank.
Anne, Malala e Talia. Três sobreviventes. Três pessoas reais. Três meninas que sofreram o que ninguém deveria sofrer.
E todas com uma história de luta para contar.
Boa leitura.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

MULHERES BRIGAM COM HOMENS E SE POSICIONAM CONTRA O CANDIDATO DO ÓDIO

Um excelente artigo da professora, cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado no The Intercept Brasil nos ajuda a entender o que está acontecendo, e desde quando. Leiam! (A Rosana é incrível. Eu a conheci ano passado quando ela veio dar uma palestra na UFC). 

"Vedetes" era o apelido das meninas que seguiam os integrantes “bondes” nos rolezinhos no shopping ou no baile funk. Alguns meninos nos relataram, por volta de 2011, que quanto mais roupas de marcas e dinheiro eles ostentassem, mais vedetes “corriam atrás”. Na vanguarda dos “rolês” estavam os homens, cabendo a elas um papel secundário, quase alegórico.
Só que as vedetes viraram o jogo.
As coisas mudaram radicalmente no Brasil nos últimos cinco anos após as Jornadas de Junho de 2013 e as ocupações secundaristas de 2016, tudo isso em meio a uma primavera feminista. Não é novidade que, nas classes populares, as mulheres exercem um papel crucial tanto como chefe de família quanto como lideranças comunitárias. 
Mas me refiro a um processo novo, de ruptura de estruturas sociais profundas, que ainda sequer é possível mensurar. Esse processo é marcado pela emergência de uma subjetividade contestatória através da qual as meninas se apropriam do debate da grande política, ajudando a formar, por exemplo, uma faixa de contenção à candidatura de Jair Bolsonaro, que encontra grande rejeição entre mulheres.
Quando eu e minha colega Lúcia Scalco visitamos escolas públicas em 2016, esperávamos que os novos “rolezeiros” tivessem participado das ocupações. Ao contrário, o que encontramos foi um discurso conservador e alinhado com Bolsonaro, esbarrando em forte oposição das adolescentes. Essa configuração é elucidativa de uma bifurcação inédita que transcende e potencializa a tradicional liderança comunitária feminina e o antigo conservadorismo patriarcal. De um lado, temos uma geração de mulheres politizadas e feministas; de outro, uma forte reação adversa masculina.
Isso ficou claro em algumas discussões em sala de aula, nas quais as meninas se sobressaiam na argumentação e eloquência diante de meninos quietos e cabisbaixos. Elas denunciavam a falta de coerência, o machismo, o racismo e a homofobia de Bolsonaro. Um deles chegou a me dizer que se sentia “oprimido” pelas colegas. Uma vez sozinhos, eles se referiam ao candidato como um símbolo, uma marca juvenil -– tal como a Nike operava na época dos bondes.
Em tempos crise da segurança pública que transformou Porto Alegre em uma das cidades mais violentas do mundo, bem como em um momento de ascensão do feminismo, a figura de Bolsonaro parece ser um totem de virilidade que representa uma arma de fogo -– uma arma que se defende de bandidos, mas também de outras ameaças inomináveis.
A divisão não se restringe a adolescentes de periferias.
Um aspecto revelador nesse sentido é desestabilização dos afetos a partir de novos conflitos entre casais causados pela política. Muitos entrevistados são motoristas de Uber, da faixa de 25-30 anos, que sonham dirigir armados, enquanto suas parceiras temem que isso traga ainda mais perigo para as suas crianças.
Presenciamos incontáveis discussões entre casais, sendo comum ouvir que política é um tema que deve ser evitado nos relacionamentos. Em uma das entrevistas, Joana, 53 anos, desatou a criticar Bolsonaro, com uma admirável capacidade argumentativa, diante de seu marido calado, que se dizia indiferente ao candidato. Horas depois, José Carlos, 64 anos, foi para o Facebook postar a famosa corrente das “42 razões para votar em Bolsonaro”. Joana relatou que, no outro dia, ele havia reclamado que ela “tinha falado demais e sido muito saliente”.
Como indicam os estudos publicados na Social Psychological and Personality Sciences e na Critical Sociology, nos Estados Unidos, já existe uma quantidade razoável de pesquisas que mostra que o voto a Donald Trump não se deu em função de uma classe média branca empobrecida, mas foi fundamentalmente motivado pelo preconceito e pela personalidade autoritária do candidato.
No Brasil, é preciso levar em consideração o contexto. Ainda não temos esses números para poder refletir com maior precisão. A crise econômica e política no Brasil foi muito brutal (do crescimento de 7,5% em 2010 para -3,7% em 2014), somando-se ao impeachment de Dilma Rousseff. A combinação do colapso econômico e o vácuo político certamente têm peso importante na intenção de votos a Bolsonaro no Brasil.
Mas não podemos ignorar o componente de preconceito de gênero, de raça e sexualidade. É muito sintomática essa identificação masculina com a figura agressiva, e ao mesmo tempo profundamente vazia, de Bolsonaro. Se o candidato tem se mantido estável em segundo lugar após Lula, é preciso lembrar que esse número muda com o recorte de gênero –- ele tem 27% de intenção de votos entre homens e 12% entre mulheres, segundo o DataFolha.
Estamos falando de penúria econômica, de falência democrática, mas também da crise do macho. E esses fenômenos são indissociáveis. A identificação com o candidato é também uma jogada desesperada de time que se vê caindo na tabela, uma reação a tantas vozes políticas emergentes que resolveram se rebelar dentro e fora de casa nos últimos anos.
Como num jogo de forças, a ordem de poder até então estabelecida tenta reverter uma transformação que parece não ter mais volta. As mulheres são a renovação política e formam um bloco de resistência contra o autoritarismo.
É a revolta das vedetes.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

PEDIDO DE AJUDA PARA COBRIR GASTOS DE PROCESSO DE MASCU

Pessoas queridas, gostaria de pedir a ajuda de quem pode ajudar.
Um dos comentários que o mascu
que está me processando deixou no
meu blog (clique para ampliar)
Estou sendo processada por um mascu asqueroso (redundância, eu sei). Ele entrou com o processo ano passado, quando escrevi um post em que disse que estava feliz com o fim do chan (que logo voltou), mas que só ficaria satisfeita quando toda a quadrilha mascu fosse presa. E aí eu citava alguns dos nomes -- pelo primeiro nome apenas! Mais nada. Acreditam que por causa disso um deles entrou com pedido de indenização de R$ 20 mil por danos morais no Juizado Especial? Parece piada, mas é verdade.
Uma das montagens que o mascu
fez no blog dele
O mais irônico é que esse mesmo mascu me ataca desde 2015. Ele já fez vários vídeos e inúmeros posts e montagens me xingando e difamando. Enviou no mínimo uma dúzia de emails pra mim, alguns com ameaças. Eu já pensei em processá-lo, mas não vale a pena. Afinal, mascus não têm nada no seu nome. Não trabalham, não estudam, moram com os pais. 
Se eu ganhar, ganho o quê deles? Nada. O nome deles fica sujo? Grande coisa. O nome deles já está sujo. Este mascu em questão já foi processado por uma deputada e foi condenado a pagar R$ 35 mil de indenização e a 30 dias de prisão. Pergunta se ele já pagou um centavo.
Uma das ameaças do mascu
Não adianta. É como eu digo: é uma luta desleal entre uma pessoa de verdade (eu) contra um mascu insignificante. Em 2015, por exemplo, entrei com reconvenção no processo do mascu Emerson (que agora está refugiado na Espanha) contra mim. Tive que pagar mais de mil reais pra entrar com esse contra-processo (obrigada a todas e todos vocês que contribuíram). Não resolveu nada. Ele abandonou o processo contra mim sem que tivéssemos uma única audiência. 
Marcelo pedindo que membros de
sua quadrilha encontrassem dados
das minhas advogadas para poder
ameaçá-las, em fevereiro de 2017
O mesmo com Marcelo, que foi preso em maio. Ele entrou com processo contra mim em janeiro de 2017. Quando a juíza aceitou que eu respondesse por carta precatória, sem ter que me locomover até Curitiba, ele largou o processo (não sem antes ameaçar de morte e estupro minhas advogadas na época, óbvio). Ele voltou a me processar em dezembro, mas imagino que a prisão interrompeu seus planos (aliás, ele já teve três habeas corpus negados desde maio. Quando foi preso na Operação Bravata, a Polícia Federal disse que seus crimes somados podiam render uma pena de 39 anos. É esse o tipo de gente que me processa).
Um dos vídeos do mascu contra
mim (neste caso, comemorando
o site falso que Marcelo fez no
meu nome, em 2015)
Este é o terceiro processo de um mascu a que respondo. Imagino que vai dar em nada, como aconteceu com os outros. Mas já começou mal. A primeira audiência é semana que vem no Mato Grosso (onde nunca estive). Meu advogado pediu que a audiência se desse via vídeoconferência, mas isso foi indeferido ontem. Ele mostrou as ameaças que eu e ele recebemos por conta dessa audiência. Mesmo assim, o juiz negou. Meu advogado ainda entrará com um mandado de segurança pedindo a suspensão da audiência e tentando reverter a decisão. Mas há chances de isso não sair e eu ter que ir a MT e ter que contratar um advogado lá. 
Então peço a ajuda urgente de vocês. Primeiro, entre minhas leitoras e leitores, há algum advogadx no Mato Grosso (de preferência pro-bono) que poderia ir à audiência (meu email é lolaescreva@gmail.com)? Segundo, quem puder ajudar, poderia contribuir para cobrir minhas despesas se eu tiver que ir a Várzea Grande, o que parece provável? Pelo que vi, as passagens de ida e volta custam R$ 1.600. Vocês podem contribuir depositando algum valor numa das minhas duas contas, no Banco do Brasil, ag. 3653-6, conta 32853-7, ou no Santander, ag. 3508, conta 010772760, ou no PayPal aí do lado. Agradeço muitíssimo. 
Fico bem chateada com isso tudo, porque, além das despesas, ainda tem o tempo gasto. Estou cheia de trabalho, com todas as aulas, palestras, orientações, bancas, reuniões, projetos, artigos pra escrever. Sem falar no blog e nas eleições, que não é trabalho, mas ocupam muito do meu tempo. E tenho que interromper isso pra ir a uma audiência de um mascu cujo nome sequer citei. Eu gostaria de chegar ao juiz e mostrar meio minuto de qualquer vídeo que esse mascu fez contra mim, e pedir pro magistrado comparar: quem difamou quem? 
Processar, mesmo quando se tem chances minúsculas de vencer, é uma das estratégias de mascus para tentar silenciar ativistas. Mas, como de costume, não conseguirão me calar. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

LGBTS NÃO QUEREM BOLSO NEM QUEM NÃO SE POSICIONA CONTRA ELE (TUDO BEM, ANITTA?)

Anitta na Parada Gay de SP este ano

Ontem a tag #AnittaIsOverParty dominou os trending topics do Twitter.
Isso porque a cantora pop passou a seguir uma amiga que é eleitora do Bolso. Ao ser cobrada pelos fãs quanto a um posicionamento, ela respondeu: "É um direito meu não querer opinar sobre política e eu só estou exercendo esse direito".
Ela também disse que, só por ser feminista (ela é? Não era até um certo momento) sou simpatizante dos LGBTs, não era obrigada a se posicionar politicamente ou odiar quem pensa diferente dela. 
Sobre o primeiro ponto, acredito que ela deve se posicionar sim. Ser feminista não é apenas um ato pessoal, mas também político. Ficar em silêncio quando parece que a cantora apoia um candidato claramente misógino, racista e LGBTfóbico é sim tomar uma posição. Ninguém pode se dar ao luxo de se omitir num momento tão difícil para a nossa democracia.
Anitta já desapontou há poucos dias, quando seus fãs pediram um posicionamento em referência ao boicote a marcas que apoiam Bolso. Pabllo Vittar rompeu uma parceria com uma marca de sapatos depois que o dono da grife se declarou eleitor do Coiso. Anitta entrou na lista dos cantores que lucram com o pink money (o dinheiro que vem do público LGBT), sem realmente fazer algo que combata o preconceito contra os LGBTs.
Lógico que repudio qualquer ameaça ou comentário machista em relação a Anitta (ou qualquer outra mulher), mas fico feliz que o movimento LGBT esteja fazendo essa cobrança. Nunca entendi como esse público pudesse dar tanta atenção a celebridades como Inês Brasil, que é pura alienação. Isso só diminuiu (diminuiu? Pelo menos eu tenho visto poucos memes com Inês) depois que ela tirou foto e gravou vídeo com o Coisa Ruim, em agosto do ano passado.
Mas com Anitta as críticas que ando vendo estão bem contundentes. Uma delas é que ela não fez um tuíte sequer quando Marielle foi executada, meio ano atrás. Outra é que as ícones pop de outros países não têm medo de se posicionar politicamente. 
Lógico que o amplo exército de bots de Bolso reagiu com a tag #ForcaAnitta. 
Muita ironia do destino: a jornalista reaça Rachel Sheherazade se posicionou contra a declaração misógina do vice de Bolso, general Mourão, de que famílias sem pais são "fábricas de desajustados", enquanto reaças que sempre detestaram cantoras como Anitta e apoiam projetos para criminalizar o funk apareceram para defender a cantora pop e xingar Rachel. 
Gostei do comentário deste rapaz, Guga Valente:

No começo da noite de ontem Anitta finalmente se posicionou. Quer dizer, mais ou menos:
Eu só tenho a dizer que uma das coisas que mais me fazem amar Chico Buarque é sua coerência política. 
Em tempo: este é o melhor vídeo que você vai ver na semana. 
Em tempo mais um pouquinho: Hoje à noite a partir das 18h estarei na Livraria Lamarca (perto da UFC) para um encontro feminista com duas candidatas. Quem é de Fortaleza, apareça!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

GINECO DIZ QUE VÍTIMAS DE ESTUPRO NÃO SÃO MULHERES DE BEM

Mais uma do país em que talvez um quarto dos eleitores têm vontade de eleger um fascista para presidente.
O pior é que muitos desses eleitores do Milito pensam como ele. Ou pior. 
É este o caso de um ginecologista de Belo Horizonte. O "cidadão de bem" Igor Moreira Aquino, tenente da PM, médico plantonista no hospital Odilon Behrens, escreveu várias grosserias na sua página no FB. No dia 13 de setembro, por exemplo, ele chamou as médicas residentes que são feministas de "fedidas" e "nojentas". Ele também escreveu: "É feminista porque é feia e tem ódio da coleguinha bonita. A culpa não é do homem não lhe querer porque é feia, a culpa é dos seus pais que são feios e avaliaram mal a questão de ter um filho, pensando que poderia ser bonito. Nunca será, é uma questão de genética! País feios produzem feministas ou viradinhos" (sic). 
Eu sempre digo: quer saber o que um homem acha das mulheres? Veja o que ele fala das feministas. A probabilidade desse cara que xinga feministas (que são mulheres que lutam pelos direitos das mulheres) atacar mulheres de modo geral são de cerca de 100%, eu diria.
O terrível é quando esse mesmo cara atende mulheres. Olha o pensamento dele sobre mulheres de forma geral (não necessariamente feministas): 
"As mulheres brasileiras de BEM, aquelas que não foram vítimas de violência sexual, aquelas que não foram agredidas ou abandonadas pelo pai, aquelas que não foram agredidas pelo marido, aquelas que não tem filho bandido ou filha aborteira, irão votar no Bolsonaro".
Justificativa do ginecologista
(clique para ampliar)
Ah é, spoiler: o sujeito é eleitor do Coisa Ruim. Se ele não contasse ninguém iria desconfiar!
O post dele é incrível. Pra ele, brasileiras que foram vítimas de violência sexual, que foram agredidas ou abandonadas pelo pai, que foram agredidas pelo marido, não são mulheres de bem. Quer dizer, são os homens que fazem algo errado (estuprar, agredir, abandonar) e a culpa é da vítima!
Já falei que esse cara é ginecologista?
Depois alguma mulher diz que não quer ser atendida por ginecologista homem e é imediatamente tachada de feminista radical. 
E depois os bolsominions ficam quebrando a cabeça tentando entender por que tantas mulheres rejeitam o candidato deles. Por que será, né? Difícil entender.