quinta-feira, 23 de março de 2017

MAIS UM GOLPE DENTRO DO GOLPE: CÂMARA APROVA TERCEIRIZAÇÃO IRRESTRITA

Ontem, enquanto o país estava preocupado com a carne que come, o governo deu mais um golpe dentro do golpe: 
conseguiu que a Câmara dos Deputados aprovasse a terceirização irrestrita
Foi um placar apertado -- 231 votos a favor, 188 contra e 8 abstenções (uma delas de Jair Bolsonaro, que provou, mais uma vez, não dar a mínima pros trabalhadores; seu filho Eduardo votou a favor). 
Quem é a favor da terceirização tenta
confundir com esta mentira
O texto aprovado, na realidade, é de 1998, da época do nada saudoso FHC, que foi ressuscitado, mas não foi pra frente, em 2015. É um velho sonho dos empresários: acabar com as leis trabalhistas que, segundo eles, emperram o país (leia-se "limitam os lucros", que já são escandalosamente altos. Ou você acredita que são só os impostos que encarecem os produtos?). 
A terceirização irrestrita significa que pode-se contratar alguém para "prestar serviços" (sem carteira de trabalho, sem férias, 13o, hora extra, nada) para qualquer atividade no Brasil. Por exemplo, uma escola e universidade tem como atividade-fim ensinar. Antes, ela podia contratar terceirizados para atividade-meio (como limpeza e segurança). Agora, vai poder até terceirizar professores!
Juízes e auditores não poderão ser terceirizados, mas praticamente todo o resto, pode. Isso quer dizer o quê? Diminuição ou até o fim da maior parte dos concursos públicos, pra começar. 
Além disso, o texto aumenta a duração do trabalho temporário de três meses para nove meses. Na prática, quer dizer que, depois de nove meses, uma empresa (pública ou privada) pode "liberar" seu funcionário e "chamar" outro, sem qualquer direito trabalhista. 
A "empresa-mãe" não deve nada a seu funcionário, já que quem o contrata é uma empresa terceirizada. E claro que pode haver subcontratações. A empresa-mãe pode contratar uma empresa de terceirização, que pode contratar outra, e outra... Cada empresa terá que ter seu lucro. O que sobra para o trabalhador? Cada vez menos
E se a empresa terceirizada que contratou o funcionário falir (ou alegar que faliu) e não pagar o salário, algo que é super comum? O funcionário vai reclamar com quem? Não com a empresa-mãe, que só utiliza a sua força de trabalho, mas não tem qualquer contrato com o trabalhador, só com a empresa que faliu. Vai pra justiça do trabalho? Então, o próximo passo do governo é fazer uma baita reforma trabalhista. 
Apesar da terceirização ser péssima para todos os trabalhadores, adivinhe pra quem ela é pior? 
Pras trabalhadoras, óbvio. Mulheres são as últimas a serem contratadas e as primeiras a serem dispensadas. Grande parte dos terceirizados já é mulher (e negra, e jovem). Pode crer que, onde há total precarização do trabalho, há mulheres sendo exploradas
O trabalho escravo tem grande relação com a terceirização: 82% das pessoas resgatadas do trabalho escravo vêm de empresas terceirizadas. 
Sem falar que a terceirização facilita bastante a corrupção. Um prefeito pode contratar uma empresa de familiares (em nome de laranjas) para fornecer funcionários. No mínimo, a terceirização pode proporcionar um trem da alegria sem freios.
Ser terceirizado é um terror. Qualquer empregado sabe disso. 
Não é montagem: golpistas veem fim
de direitos trabalhistas como vitória
Terceirizado é um trabalhador de segunda categoria. Raramente tem benefícios como vale-transporte, vale-alimentação, acesso à creche, plano de saúde. Seriamente: você conhece algum funcionário terceirizado que não preferisse mil vezes ser contratado com carteira de trabalho? O terceirizado ganha menos que o empregado contratado regularmente, trabalha mais horas, está mais sujeito a assédio moral e sexual e a cometer suicídio, sofre mais acidentes de trabalho. 
Quando manifestantes empunham faixas escrito "Terceirização: Escraviza, mutila e mata", eles não estão exagerando. Mas os números não são ruins pra todos. O dono de uma empresa de terceirização ganha três vezes mais do que paga ao funcionário terceirizado. 
Se você não é empresário, não tem como ser a favor da terceirização. Porque você vai sofrer, em qualquer categoria que você estiver. 
É tanto retrocesso que vai afetar todo mundo durante décadas que tudo que eu posso pensar é: o que o povo está fazendo que não está na rua protestando? Vamos mesmo deixar que nos roubem os direitos sem esboçarmos nenhuma reação?
Se você tem dificuldade para se situar, ou só sabe dizer "Chora mais" (quando em breve quem estará chorando será você também), recomendo dois documentários: Terceirizado, um trabalhador brasileiro e Terceirização: a bomba-relógio. Nunca é tarde para começar a lutar.

quarta-feira, 22 de março de 2017

MINHA SOLIDARIEDADE A EDUARDO GUIMARÃES

Eu não gosto do blogueiro Eduardo Guimarães. Nunca gostei, não gosto do seu estilo, vi o sujeito ser machista algumas vezes. Mesmo que nós dois sejamos de esquerda, ele também não gosta de mim (num dos Encontros de Blogueiros Progressistas, segundo me contaram, ele reclamou por eu ter sido convidada). Mas seu Blog da Cidadania, que existe há mais tempo ainda que o meu, é um blog relevante da esquerda.
Ontem a Polícia Federal, a mando do juiz Sérgio Moro, deu ordens de condução coercitiva e busca e apreensão. Às seis da manhã, bateram na porta de Eduardo, em SP, e o levaram à delegacia. Confiscaram todos os seus equipamentos eletrônicos e também o celular da esposa. Eu não preciso gostar de Eduardo para saber que isso é completamente errado.
Ano passado, Eduardo havia publicado em seu blog a informação de que Lula seria alvo do Lava Jato. A polícia quis saber quem passou essa informação. Eduardo negou-se a revelar a fonte. A sua prisão ontem -- perdão, "condução coercitiva" -- fere o direito constitucional do sigilo à fonte, garantido a todos os jornalistas, com ou sem diploma (Eduardo não tem diploma e é comerciante, além de blogueiro). 
A nota da Justiça Federal do Paraná justificando a ação da PF é impressionante. Ela nega ter violado qualquer direito constitucional do blogueiro porque, segundo o que a Justiça decidiu, o blog de Eduardo não seria um veículo jornalístico, e sim um "veículo de propaganda política". Quando li isso, não acreditei. Pensei: só porque o cara apoia partidos de esquerda, o blog dele é de "propaganda política"? Sob essa ótica, todos os noticiários da grande mídia seriam "veículos de propaganda política", já que eles também têm lado. 
Mas não. A justificativa para negar a Eduardo o rótulo de jornalista e, assim, negar-lhe direitos, é que o blogueiro foi candidato a vereador pelo PCdoB-SP em 2016. Ele ter sido candidato e ter um blog faz de seu blog "veículo de propaganda política". Não é fascinante? Eduardo tem o blog há doze anos. Porém, como ele se candidatou a um cargo eletivo numa fração dessa dúzia de anos, isso invalida qualquer trabalho jornalístico que o blog tenha realizado. 
O que aconteceu é muito sério. Põe em risco a liberdade de todos nós. Afinal, só em ditaduras que as preferências políticas de cada um são levadas em conta para decidir quem tem ou não direitos. 
Portanto, mais importante do que qualquer picuinha ou divergência, é a ameaça que paira sobre todos nós, blogueiros independentes. Minha solidariedade a Eduardo Guimarães. 
UPDATE: É mesquinho, e emblemático, que jornalistas "de verdade" (aqueles com diploma) decidam quem é ou não jornalista
A ação de Sérgio Moro foi considerada tão arbitrária por qualquer pessoa com bom senso e que tenha apreço pela democracia que o juiz recuou: não investigará mais Eduardo.

terça-feira, 21 de março de 2017

MENININHA INDOMÁVEL ENFRENTA TOURO

Ok, de cara quero dizer que este post não tem a menor importância, principalmente se consideramos que estão querendo aprovar a terceirização (você conhece algum trabalhador que defende a terceirização? Eu nunca conheci!), o fim da aposentadoria e de direitos trabalhistas. Aliás, por favor, se alguém quiser escrever guest posts sobre esses temas, é só mandar que eu publico.
Mas a história das estátuas em Wall Street é muito interessante. Quase todo mundo conhece a icônica estátua do touro na frente da bolsa de valores. É uma estátua incrível (vamos admitir), e a segunda mais visitada pelos turistas em Nova York (eu também posei ao lado do touro quando estive em NY em 2008, mas não faço a menor ideia onde o maridão arquiva as fotos). 
Só perde pra Estátua da Liberdade. Eu pensava que o touro estivesse fincado lá há muitas décadas, mas não, é relativamente recente. 
Foi um presente do escultor italiano Arturo Di Modica. Dez dias antes do Natal de 1989 (e dois anos depois de uma das piores quedas financeiras da história), ele deixou a estátua de bronze de 3 toneladas e meia lá, no meio da madrugada. 
Custou 350 mil dólares do seu próprio bolso. Os executivos da Bolsa não acharam tão bacana, e contrataram um caminhão para levar a estátua pra um outro bairro, Queens. Só depois de uma campanha é que a administração da cidade encontrou um lugar pra ela próximo à Bolsa. 
E Di Modica, que já era rico (afinal, você teria 350 mil dólares pra moldar uma estátua e dá-la de presente pra Bolsa? O italiano já tinha um estúdio em Manhattan e uma Ferrari na época), ficou mais rico ainda, reproduzindo sua criação para várias outras cidades e comercializando miniaturas.
É inacreditável o número de pessoas que posam tocando nas bolas do touro
Este ano, na véspera do Dia Internacional da Mulher, Wall Street amanheceu com outra surpresa: a estátua de uma menina corajosa encarando o touro. A estátua da "Fearless Girl" (Garota Destemida) foi automaticamente aprovada por quase todos que viram as fotos. É uma imagem realmente brilhante -- uma menina enfrenta um touro furioso, símbolo do capitalismo. 
Na verdade a imagem (sempre cheia
de turistas) deve estar mais assim
Infelizmente, a estátua da menina, esculpida por Kristen Visbal, também faz parte de uma ação capitalista. É uma campanha publicitária de uma grande empresa de investimentos sediada em Boston. A intenção, claro, é boa: chamar a atenção para a desiguldade de gênero no mundo dos negócios. Nos pés da estátua, uma plaquinha diz: "Conheça o poder das mulheres na liderança. Elas fazem a diferença". A menina tem permissão pra ficar até o dia 2 de abril. Depois disso, vai depender da vontade popular (que, pelo jeito, quer que ela se mantenha lá, firme). 
O escultor do touro não gostou. Pra ele, ter uma garota desafiando sua criação faz do touro um vilão, e não o que ele tinha pensado originalmente (prosperidade e força da América). 
Ele não é o único a não gostar da estátua da menininha. Uma colunista do site mais à esquerda Slate escreveu (minha tradução): 
"A menina supostamente está encarando destemidamente o touro, mas ninguém precisa ser um matador profissional para saber que numa competição entre um touro gigante e um ser humano minúsculo, o touro vai ganhar. (E por que ela está contra o touro, se ele representa capitalismo e sucesso?). 'Vamos só mandar essa menina lutar contra um touro e ver o que acontece' é o que as figuras de Wall Street chamam de investimento de alto risco. Encarar um touro quando você é uma menina de 38 quilos no ensino fundamental não é corajoso; representa um fracasso sistemático da sociedade. Dê a essa menina recursos para combater o touro em vez de mandá-la lá sozinha: uma capa vermelha, um time de assistentes com noções de combate a touros, autonomia corporal e uma chance de salário igual. Caso contrário, o touro vai esmagá-la todas as vezes". 
Um colunista de outro veículo disse o óbvio -- que uma estátua não é suficiente pra acabar com a desigualdade de gênero, e mesmo que todos os líderes homens fossem substituídos por líderes mulheres, a opressão capitalista não iria acabar. E completou: "A imagem de uma criança prestes a ser destruída por uma criatura gigante e descontrolada, que ninguém pode domar, é uma imagem mais verdadeira da relação de Wall Street com o resto de nós do que qualquer outra". 
Tem razão, mas eu gostei do simbolismo. E, pelo menos no meu mundo idealista, eu ainda apostaria na menininha. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

GORDOFÓBICOS NÃO APROVAM LINHA DE ROUPAS PARA GORDAS SE EXERCITAREM

Faz pouco tempo a Nike lançou sua primeira coleção plus size. Fez o óbvio: lembrou que pessoas gordas também fazem exercícios físicos (nem todas, claro, assim como nem todas as pessoas magras se exercitam). 
De modo geral, a linha foi bem recebida. Várias pessoas gordas relataram como é difícil encontrar roupas de ginástica pra elas. Mas também teve um monte de gente que reclamou que, com essa nova coleção, a marca estaria incentivando um modelo de vida que não é saudável. Alguns até falaram em boicotar a Nike.
Não é ridículo? Fazer ginástica é considerado um hábito saudável. Praticamente todos os estudos mostram que quem leva um estilo de vida menos sedentário vive mais e com mais saúde. Portanto, todo mundo deveria ficar feliz que uma marca finalmente faça roupas para que pessoas fora do padrão possam se exercitar e ficar mais saudáveis, certo? Errado. Porque essa gente que odeia pessoas gordas não está nem aí pra saúde delas. A preocupação com a saúde é apenas uma desculpa para impor um padrão de beleza.
Em primeiro lugar, vamos deixar claro que gente que odeia pessoas gordas odeia muito mais mulheres gordas que homens gordos. Afinal, no nosso mundo homens podem se destacar pelo que fazem, não pela sua aparência. Mas, pras mulheres, a aparência física está acima de tudo, e todas nós, independente do que fazemos, das nossas conquistas, da nossa idade, seremos avaliadas de acordo com um padrão de beleza racista, gordofóbico e excludente. 
Homem gordo pode ser bonachão, simpático. Eu já li várias vezes no Twitter elogios aos gordos -- eles riem das próprias piadas! Você pode praticar bullying contra eles (pode? deve?) que eles levam numa boa! Eles são divertidos! Mas mulher gorda não tem esses privilégios não. Mulher gorda é apenas... gorda. E ela será frequentemente lembrada que é gorda (e, portanto, inadequada, errada, alguém moralmente inferior que nunca vai conseguir um homem -- como se toda mulher, de qualquer formato, quisesse um homem).
A Nike sabe que a gordofobia é muito mais pesada com as gordas, tanto que lançou a coleção pensando nas atletas mulheres plus size. Numa declaração, disse: "Nós celebramos a diversidade das atletas, da etnia ao formato do corpo". E escolheu mulheres "cheinhas" pra lançar a linha. 
Isso não é exatamente novo. Uma campanha da Sport England de 2014 chamada "This girl can" (esta garota pode)
foi feita para motivar mulheres de todos os tipos físicos a fazerem exercíos sem se preocupar em serem julgadas. Para tanto, usou, além de imagens de várias mulheres praticando vários esportes e atividades, expressões como "I jiggle, therefore I am" (eu sacolejo, logo existo), e "Sweating like a pig, feeling like a fox" (suando como um porco, me sentindo uma maravilha). 
Por que será que precisa de campanha para fazer gordas se exercitarem sem se envergonharem? Bom, se você é gorda e já frequentou uma academia, você sabe muito bem que será alvo de piadinhas. Se você é gorda e sair pra correr na rua, muito cara vai se sentir na obrigação de te dizer alguma gracinha (eles já dizem de qualquer jeito). O mundo gostaria que você fosse magra, mas de jeito nenhum que ele vai te ajudar a chegar lá. Se os caras realmente quisessem que gordas se exercitassem para emagrecerem, eles as parabenizariam, não ririam de suas caras.
Por exemplo, assim começava um texto de 2014 na Folha de São Paulo: "Não basta ser gordinha, ainda tem que ficar parecendo um queijo provolone amarrado se desmanchando". Foi isso que escreveu a colunista Mariliz Pereira Jorge se "solidarizando" com as gordas que fazem qualquer tipo de exercício físico. É uma ótima representação de body shaming. Ou seja, gordas já são erradas, mas gordas se mexendo são mais erradas ainda. Elas suam! Elas fedem, eca! (e só gordas suam e fedem).
Veja a foto ao lado. É de uma gorda sozinha numa academia, sentada numa esteira. Faz uns anos, a imagem viralizou nos EUA. Apareceu até na Oprah. O pessoal ria da gorda, que não sabia como se exercitar. Como ela ia querer emagrecer desse jeito? "Você está fazendo errado", disseram pra moça (a história real da foto, contada pela própria gorda, mostra como as imagens podem sim mentir. Ela já tinha se exercitado. Estava no final da noite, era a última na academia e, antes de pegar o ônibus pra ir embora, sentou pra descansar. Aí passou um cara, achou o cenário hilário, tirou a foto sem ela saber, e, pouco depois, o país inteiro estava sacananeando a pobre moça. Teriam tirado a foto se a moça fosse magra?).
A gordofobia faz com que as pessoas partam do princípio que gordas não fazem exercícios físicos (porque toda gorda é preguiçosa e porque, se fizessem exercícios, não seriam gordas), o que obviamente não é verdade. Tampouco é verdade que toda gorda que faz exercícios o faz para emagrecer. Talvez ela só queira ser saudável. E é possível ser gorda e saudável. Tem até pesquisa provando que idosos com excesso de peso vivem mais que idosos magros. 
As reações à nova coleção da Nike vão no mesmo sentido: a marca está promovendo obesidade! A marca está dizendo que tudo bem ser gorda! Nossa, que horror! Onde é que esse mundo vai parar?!
E nós mulheres gordas observamos esses carinhas malhando a marca por incentivar gordas a se exercitarem e pensamos: opa, nós já sabíamos! Nós já sabíamos que vocês estão se lixando pra nossa saúde. Vocês só se preocupam com a nossa aparência. E o "se preocupam" pode ser traduzido por "nós avaliamos o que é ou não bonito". 
Ah, é? E quem morreu e te nomeou deus? 
Existem pessoas de todos os tipos e formatos. E todas podem ser saudáveis. Não é porque os gordofóbicos aprenderam a detestar mulheres gordas que elas vão desaparecer. Lidem com isso. 
E, no próximo insulto, sejam sinceros. Admitam que vocês não nos xingam para nos forçar a emagrecer. Vocês querem mais é que a gente morra.
E talvez, apenas talvez, o sentimento seja recíproco. 

domingo, 19 de março de 2017

AVISOS DE UM DOMINGO

Eu no documentário da Ellen Paes, Eu, Você, Todas Nós

Alguns avisos, e domingo é um dia bom pra isso.
Pra quem ainda não viu, recomendo muito o documentário Eu, Você, Todas Nós, que foi lançado na semana do Dia Internacional da Mulher. É um lindo documentário da Ellen Paes (que já colaborou com um guest post aqui no blog) mostrando como o feminismo é plural -- tão plural que costumamos falar feminismos, porque de fato há muitos, alguns até divergentes entre si (mas insisto: devemos nos focar no que nos une, não no que nos separa). 
Fiquei muito honrada por ter participado deste importante documentário. 
Ele já passou no Canal Futura e ainda passará outras vezes. Vale a pena passar o doc na sua escola, universidade, sindicato, e organizar um debate logo em seguida. 
O Luluzinha Camp escreveu sobre o lançamento do doc e sobre algumas das personagens. 
Eu também fui entrevistada pelo Lado Bi para um programa (só áudio) sobre misoginia. 
Aproveito para divulgar o projeto feminista Divas da História. Não estou envolvida nisso, é da Amanda, mas é um projeto bacana sobre fazer bonecas de personagens reais para crianças. Está precisando de financiamento coletivo para deslanchar. 
Dia 30 de março vou participar de um belo evento da ECA - USP, mas desta vez por vídeo conferência (todo mundo anda sem verba pra custear viagens. Só pra vocês terem uma ideia, um Senac de SP me convidou para palestrar lá no dia 8 de março. Sabem quanto ofereceram pagar? 300 reais! Tipo, 300 reais pra todas as despesas com passagens aéreas, hotel, comida etc. Óbvio que eu tive que declinar. Mas quando até o Senac tá sem grana, é porque a coisa tá feia mesmo!). Bom, eu preferiria estar na USP ao vivo pra abraçar a galera, mas a Semana Emancipa Artes e Comunicações da USP parece que será ótima. Imagino que vão disponibilizar a transmissão da palestra, e aí eu aviso vocês.
Poster do último módulo
(semana que vem eu
coloco os posters que
fizemos pro novo curso)
Ah, as inscrições estão abertas para o próximo módulo do meu curso de extensão Discutindo gênero através de cinema e literatura. As aulas serão quinzenais, sempre às terças, entre 11:30 e 13:30, na UFC, CH1, Benfica. A primeira aula já está marcada pro dia 4 de abril. Modéstia à parte (até porque eu contei com inúmeras sugestões da última turma), o conteúdo está excelente. Vou ver se domingo que vem coloco o cronograma aqui (eu queria esperar até ter todos os textos que usaremos, mas vou precisar contar com a boa vontade dos alunos pra escanear alguns que não estão online, aí posso compartilhar tudo com vocês). O curso é grátis, aberto a toda comunidade (não precisa ser aluno, não precisa estudar na UFC), e rende um certificado no final de 32 horas. Ano passado o pessoal foi muito participativo e as discussões foram sensacionais. Gente de Fortaleza e região, pra se inscrever é só me enviar um email (lolaescreva@gmail.com). Por favor, se inscrevam apenas se forem fazer o curso. 
Quem quiser comprar um exemplar do Golpe 16 comigo, autografado, enviado pelo correio e tal, aviso que tenho exatamente quatro exemplares pra vender. E não vou pedir mais pra editora. Então é literalmente a última chance mesmo! (só mande um email antes pra confirmar se ainda tem). 
Não posso deixar de agradecer de coração a todas as leitoras e leitores que têm colaborado financeiramente comigo, com o blog. Obrigada mesmo, vocês são muito generosxs!