quarta-feira, 28 de setembro de 2016

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO: A LUTA FEMINISTA É PARA QUE MULHERES POSSAM ESCOLHER

Hoje, 28 de setembro, é dia da luta pela descriminalização do aborto na América Latina e no Caribe. 
Várias ativistas organizaram uma Virada Feminista, que consiste em 24 horas falando de aborto. Desde a meia noite, dezenas de mulheres estão e continuarão falando ao vivo sobre a legalização do aborto. Confira a programação, acompanhe os vídeos ao vivo, e use a tag #PrecisamosFalarSobreABorto 
Minha contribuição é responder a um simples email de uma leitora.

"Oi Lola, gostaria de entender por que feministas são a favor do aborto se existem métodos contraceptivos pra evitar a necessidade de se fazer? Não estou colocando a responsabilidade apenas na mulher. Sou contra o aborto apenas pelo fato de existirem maneiras de evitar o 'uso' dele. Mas se eu entender o porquê feministas apoiam o aborto, passarei a defender também."

Minha resposta: Oi, L. Bom, em primeiro lugar, há diferença entre ser a favor da legalização do aborto e ser a favor do aborto. Não sei se conheço gente que seja a favor do aborto, sinceramente. Mas muita gente é a favor do direito de que as mulheres possam escolher ter um filho quando quiserem, se quiserem. Há pessoas que pessoalmente nunca realizariam um aborto, mas apoiam o direito das outras pessoas decidirem por conta própria.
Em segundo lugar, não são apenas feministas que são a favor da legalização do aborto (inclusive existem feministas que são contra, embora haja divergências se essas mulheres são de fato feministas). É uma grande ilusão pensar que feministas inventaram o aborto ou que apenas feministas abortam. Aborto existe centenas de anos antes do início do feminismo. Mulheres de todas as culturas sempre tentaram interromper a gravidez. O Código de Hamurabi, no século 5 A.C., já mencionava o aborto. Na Grécia antiga se abortava. Platão e Aristóteles defendiam o aborto, se bem que interrupção da gravidez era considerada crime ao ferir o direito de propriedade do pai sobre um potencial herdeiro.
A Grã Bretanha passou suas primeiras leis anti-aborto em 1803 (não passariam leis se aborto não existisse, certo? Isso muito antes de qualquer movimento sufragista). No Brasil, o aborto é citado na legislação de 1830. Na época, aborto era um procedimento muito mais perigoso do que hoje, realizado com agulhas de tricô ou cabides (que se tornou o símbolo contra aborto clandestino). 
Pesquisas atuais indicam que o perfil da brasileira que aborta não é exatamente o que associamos a feministas. A mulher que aborta (e são muitas as que já abortaram, provavelmente uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos) é geralmente casada, já tem filhos, e é cristã. Há grandes chances que você conheça e conviva com mulheres que já abortaram. 
Lógico que existem métodos contraceptivos, mas muitos falham, e muitas mulheres não têm acesso a eles, enquanto outras não têm conhecimento sobre como usá-los. As feministas que defendem a legalização do aborto também defendem educação sexual nas escolas e distribuição grátis de contraceptivos -- exatamente para que menos mulheres precisem recorrer ao aborto. Ademais, as feministas não se preocupam apenas em garantir que as mulheres tenham acesso a fazer aborto, se assim o desejarem, mas também se preocupam com os fatores que levam uma mulher a querer fazer aborto. Quem é contra aborto é também contra anticoncepcionais e educação sexual. 
Vale lembrar que em 74% dos países do mundo o aborto é legalizado nas primeiras semanas. Apenas nos países mais pobres e religiosos, caso do Brasil, o aborto é proibido. Hoje em dia a maior parte dos abortos não é mais feita por cirurgia, mas com remédios. É mais barato e menos perigoso. Mas, com o aborto proibido, as mulheres continuam abortando clandestinamente, correndo risco de vida e morrendo, em muitos casos -- principalmente mulheres pobres e negras.
Estima-se que vinte milhões de abortos inseguros são feitos todos os anos no mundo. É um aborto inseguro para cada dez gestações. Um aborto inseguro para cada sete partos. 90% desses procedimentos acontecem em países em desenvolvimento, como o nosso. Basta olhar algum mapa que indica quais países permitem o aborto para ver que são justamente os mais pobres que o proíbem. 
Como os "pró-vida" veem as
mulheres: depósitos de bebês
A razão da legalização do aborto ser uma das muitas pautas feministas (longe de ser a única) é bastante óbvia: o aborto clandestino é uma das maiores causas de mortalidade materna, e feministas defendem mulheres. Além disso, é uma exigência feminista que o corpo das mulheres seja visto como pertencente às mulheres, não como propriedade dos homens. Até hoje mulheres são tidas como receptáculos de bebês, e os "pró-vida" não escondem que, entre optar por um feto e por uma mulher já nascida, priorizam sempre o feto.
Mais de duzentas clínicas de aborto já foram bombardeadas nos EUA, onde, só pra lembrar, o aborto é legal desde 1973 (se bem que cada vez mais restrito por leis estaduais claramente anti-constitucionais). Bombardear clínicas e matar médicos que realizam aborto são atos terroristas que provam que os "pró-vida" não têm qualquer preocupação com a vida de quem já nasceu. 
Lembre-se também que grande parte dos conservadores quer proibir aborto em todos os casos, incluindo aí os poucos em que são legais no Brasil (risco de vida pra mulher, gravidez decorrente de estupro, e se o feto for anencéfalo). Parece justo forçar uma mulher que foi estuprada ter o filho do estuprador? (se ela decidir que quer seguir com a gravidez, tudo bem, é escolha dela). Parece justo forçar que uma mulher que pode morrer se não interromper a gravidez continue com a gestação? (se a mulher achar que sim, que a vida do feto é mais importante que a dela, a escolha é dela. Mas o Estado não pode fazer essa escolha por ela). 
Não existem feministas que defendam forçar uma mulher a abortar. A palavra-chave é escolha. Mulheres devem poder escolher se querem abortar ou seguir com a gestação. Qualquer forma de pressão é vista por feministas como uma ameaça aos seus direitos reprodutivos. Somos tão a favor da legalização do aborto quanto contra a coerção a abortar. Cada mulher deve decidir sobre o seu corpo, só isso. 
Se nem toda feminista é pró-legalização do aborto, uma coisa é certa: praticamente todo "pró-vida" é anti-feminista. Reaças -- anti-feministas em sua totalidade, e anti-mulheres em sua maioria -- lutam para manter o controle histórico sobre o corpo da mulher. São eles que querem que você acredite que aborto é uma invenção feminista, que toda feminista aborta (eu sou feminista e tive a sorte de nunca engravidar, logo, nunca abortei), e que só feminista aborta. Eles vivem à base de mentiras e são hipócritas, já que costumam ser anti-aborto só até a namorada ter uma gravidez indesejada. Aí mudam de ideia rapidinho.
São essas pessoas que se julgam moralmente superiores e querem mandar no corpo das mulheres. Não vamos deixar.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

GUEST POST: "EU NUNCA PENSEI EM APANHAR DE UM HOMEM"

A H., de 18 anos, vive em Minas e está passando por uma situação difícil.

Oi Lola, quero começar dizendo que sou sua mega fã, te admiro muito. Eu queria te contar uma coisa que aconteceu ontem e tem me feito sentir medo e ódio, muita coisa ruim.
É mais ou menos assim: Quando eu tinha 11 anos meu pai morreu, ficou minha mãe sozinha com quatro filhos pra criar e na época ela era faxineira (hoje ela é concursada de auxiliar de serviços).
Depois de uns dois anos, um senhor que tinha um bar começou a se aproximar da minha mãe, nos tratava bem, levava pra passear, essas coisas, como um pai mesmo. Mas acontece que ele tem uns filhos que não trabalham, vivem de dar golpe e ficar no bar e bater em bêbados e velhos e nunca dá em nada.
Até que em dezembro do ano passado eles vieram aqui na porta de casa e três pessoas agrediram muito minha mãe. A partir daí nos afastamos desse senhor e não passávamos nem na mesma rua.
Até que... Ai Lola, isso é tão triste de falar!
O filho adotivo desse senhor nos viu passando na rua (eu acompanho às vezes minha mãe até o serviço), deu ré no carro e desceu chutando minha mãe.
Lola, eu não pensei duas vezes e fui pra cima dele. Ele me jogou no chão e agrediu minha mãe mais vezes. 
Quando eu levantei pra ir pra cima dele de novo, a população começou a aglomerar e aquele covarde fugiu.
Eu vou denunciar e tudo, mas tô com medo e com vergonha, Lola. Eu nunca pensei em apanhar de um homem, muito menos de um quase desconhecido. Imagina se uma menina com 1,50 intimida um homem adulto?
O que eles não fazem pelo dinheiro do pai deles?
O pai deles sabe de tudo, ele coopera com os filhos dele que já brigam com meio mundo. Ele faz vista grossa e paga caro os advogados. Ele dizia amar minha mãe, mas os filhos dele são uns monstros e agora o agressor sai dizendo que eu encarava ele.

Minha resposta: Força, H.! Faça um BO numa Delegacia da Mulher e peça medida restritiva contra eles. Não que isso adiante muito, mas... Pelo menos você deixa registrado.
Informe vizinhos e amigos sobre o que aconteceu. É bom denunciar sempre que eles estiverem por perto. 
E você, sua mãe e toda a sua família devem romper qualquer contato com o pai deles. 
Não fique com vergonha. Você defendeu a sua mãe. Isso é uma coisa muito digna que você fez. Os covardes são eles, não você. Quem deve se envergonhar são eles.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

HOMENS SE CONFUNDEM, MULHERES PAGAM

Uma dúvida da B.:

"Conheço um amigo há menos de seis meses, e nesse tempo nossa amizade foi se aprofundando. Estudamos juntos e temos muito em comum. Gosto muito da companhia dele e o tenho como um bom amigo. Apenas isso. Só isso, sem dúvidas. Até porque ele tem uma namorada, e mesmo que eu quisesse algo com ele, jamais iria investir em caras comprometidos.
O caso é que ele vem demonstrando mais e mais interesse (leia-se segundas intenções) para comigo. Eu achava que era impressão minha até amigas comentarem que estão achando suspeito. Fofocas estão rolando. E agora estou numa situação que não pedi: fiz um amigo e tenho a probabilidade de ficar conhecida entre todos como 'a outra que rouba namorados alheios'.
É serio isso? Não posso ter um amigo homem hétero que ele se confunde e acha que está se apaixonando? Ele tem noção que isso ultrapassa meus sentimentos por ele? Que ele está machucando a namorada? E que me trará uma reputação que não mereço? Porque, sim, não acredito que as pessoas irão culpá-lo se, por exemplo, ele terminar o atual namoro. Afinal, eu 'dei bola', 'deixei brecha'... Eu encantei o homem bem como todas as mulheres de saia curta seduzem estupradores -- é isso? 
Ser amiga leal me torna a criminosa nesse caso? Ser eu mesma e explorar afinidades com alguém me torna culpada? É errado ser simplesmente amiga de um homem comprometido? E por que eu tenho que tomar atitude, e não ele, para corrigir isso? Por que eu me sinto culpada por uma confusão que não foi causada por mim nem por minhas atitudes? Ou tenho que sempre ponderar minhas ações para que nenhum homem entenda o 'sinal errado'?
Enfim. Só estou traçando um paralelo com o mesmo argumento que usam para mulheres 'que vacilam'. É curioso (e agonizante) como atitudes simples, que não trariam tanta carga se tomadas por homens, trazem para uma mulher essa imagem de 'oferecida' (ou nesse caso de 'a outra'). Ser livre e interagir com o mundo, mais uma vez, é algo mais trabalhoso para mulheres... Isso me entristece."

Minha resposta: Concordo contigo, B. É uma droga mesmo. Creio que muitas meninas já passaram por isso de ver amigos héteros se apaixonarem ou darem em cima das amigas. Imagino que isso também aconteça com homens (amigas hétero se apaixonarem por eles), mas tenho certeza que não na mesma frequência.
Eu sou um cara legal! Por que fico
sendo posto no friendzone por
essas vadias?
É só ver como se popularizou esse fenômeno recente da "friendzone" (o termo existia antes da internet? Duvido). Apesar de haver mulheres que gostariam de ter algo a mais com um amigo, e mesmo assim ouvem "Vamos apenas ser amigos, ok?", foi uma horda de rapazes que transformou a friendzone em algo "pior que estupro" (sim, eu já li isso inúmeras vezes). Deixa eu esclarecer: tá cheio de cara jovem que se sente no direito de namorar ou transar com a amiga, e quando ela responde "Não, obrigada, gosto de você só como amigo", ele faz um escândalo, sente-se traído, vai pra internet chorar as pitangas de que ele foi "posto na friendzone", faz um grande drama. 
Já existe toda aquela besteira de que homens e mulheres héteros não podem ser amigos. A enorme maioria das mulheres que eu conheço acha esse mito uma estupidez, mas lamento dizer que muitos homens que conheço acham que é verdade. E aí vem a pressão pra mulher hétero terminar a amizade -- ou pelo menos ter menos contato -- com o amigo hétero, assim que ela começa a namorar com outro (e do cara hétero não ter mais contato com a amiga hétero). 
Palmas pra namorada do seu amigo, que pelo jeito não tem ciúmes.
E agora o problema do seu amigo, que está com segundas intenções contigo. É bom por as cartas na mesa logo e falar pra ele que essas segundas intenções não são correspondidas. Você não tem interesse nele, ponto. 
Penso que, através do diálogo, até dá pra resolver isso com ele. Mas quanto a você ser vista como "dando bola" ou suspeita de querer arruinar o namoro dele, não sei se é possível fazer alguma coisa. Você já está sendo vista dessa forma apenas por ser amiga de um cara hétero comprometido. Você já é "oferecida" apenas por isso (não viu a atriz Marion Cotillard ser culpada pelo fim do casamento de Brad e Angelina? Marion só fez um filme com Brad. Mesmo grávida de seu segundo filho com o namorado, Marion foi apontada como pivô da separação!).  
Afinal, você está inserida na mesma sociedade que culpa a amante pelo cara casado ser infiel (e às vezes culpa a esposa, porque ela não deu o que ele queria em casa, então ele foi procurar lá fora). 
A gente não tem controle sobre como as pessoas nos veem. Numa sociedade que culpa as mulheres por tudo, seremos eternas culpadas. É aquilo: aos homens, a desculpa; às mulheres, a culpa. 
É triste sim, mas creio que o melhor a fazer é não ligar, não deixar, dentro do possível, que esse determinismo que não tem nada de pessoal afete a sua vida pessoal. 
E, ao mesmo tempo, denunciar mais essa atitude machista do mundo em que vivemos.

domingo, 25 de setembro de 2016

GOLPE 16, A RESISTÊNCIA E O FUTURO DA DEMOCRACIA

Pessoas queridas do Ceará, nesta terça-feira, dia 27 de setembro, às 18:45h, acontecerá o evento "Golpe 16: A resistência e o futuro da democracia".
O evento será na Adufc (Av. da Universidade, 2346, Benfica, Fortaleza) e incluirá uma mesa redonda sobre a conjuntura política do país e um protesto contra o golpe, com a presença de três professoras da UFC -- eu e as aguerridas Alba Pinho de Carvalho (Ciências Sociais) e Irenísia Oliveira (Literatura). Com a ajuda da Adufc, vamos trazer de SP o Renato Rovai, jornalista e editor da Fórum
Depois da mesa-redonda haverá um coquetel e o lançamento do livro Golpe 16, organizado por Renato. O livro tem 224 páginas e 23 artigos com diferentes enfoques escritos por nomes ilustres da blogosfera de esquerda, como Adriana Delorenzo, Altamiro Borges, Beatriz Barbosa, Conceição Oliveira, Cynara Menezes, Dennis de Oliveira, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Gilberto Maringoni, Glauco Faria, Ivana Bentes, Luiz Carlos Azenha, Marco Aurélio Weissheimer, Miguel do Rosário, Paulo Henrique Amorim, Paulo Nogueira, Paulo Salvador, Renata Mielli, Rodrigo Vianna, Sérgio Amadeu da Silveira, Tarso Cabral Violin, e eu. 
Além disso, traz um prefácio do Lula e uma entrevista exclusiva que Dilma deu a Maíra Streit e Renato em agosto. 
Modéstia à parte, meu artigo ficou muito bom. Eu o reli e gostei! Agora arranjei um tempinho e comecei a ler alguns artigos. Eles estão excelentes. Como eu já disse, tenho muito orgulho de fazer parte do livro. Destaco alguns trechos.

Em algumas páginas, Rovai, o organizador do livro, dá um ótimo apanhado da nossa história recente. "Mesmo ganhando pela esquerda, Dilma definiu seu governo da reeleição [em 2014] olhando mais para a direita. Na posse da presidenta Dilma, no dia 1o de janeiro de 2015, já era claro o descontentamento de setores do PT e da esquerda com os rumos que o seu segundo governo tomara. [...] O golpe não é, o golpe vai sendo. Nem aconteceu num único dia e muito menos por conta de erros ou acertos de uma ou outra pessoa". 

Cynara Menezes, do Socialista Morena, trata da perseguição a Dilma como uma "caça às bruxas" e faz uma comparação instigante: lembra o que era dito a e sobre FHC no auge da sua impopularidade, em 1999, e o que era dito a e sobre Dilma no auge da sua. O machismo domina, a gente sabe. "Qual a diferença entre um presidente impopular e uma presidenta impopular? Nenhuma, a não ser o fato de que, em se tratando de uma mulher, os ataques se concentram literalmente abaixo da linha de cintura. O 'fator machismo' do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff ainda será objeto de estudos, mas só um misógino como os que a perseguem não consegue enxergar a influência do preconceito de gênero no ódio em torno dela". 

"Fugiu-se -- aliás foge-se há muitos anos -- da polêmica e da disputa, aceitando a ideia de que o Brasil poderia ser 'o país de todos', o que não foi, não é e não será, no horizonte visível, porque nem mesmo as equações de 'ganha-ganha' as elites brasileiras aceitaram, seja na economia, seja numa prosaica passagem pelos aeroportos" (Fernando Brito, do Tijolaço). 

"Está claro que sem comunicação democrática não é possível haver democracia. E, por outro lado, é evidente que sem democracia não há espaço para a existência de uma comunicação democrática. Por isso, quando são atacados os pilares de um Estado Democrático de Direito, uma das primeiras vítimas é a liberdade de expressão" (Renata Mielli, jornalista e Coordenadora Geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação). 

"No Brasil, na mídia tradicional, criou-se uma versão dos fatos que ignora a realidade. Independentemente de provas, eles já escolheram um criminoso e depois ficam só atrás do crime. Mas eles hoje já não falam sozinhos. A democracia que construímos a duras penas no Brasil permitiu que uma rede de veículos independentes, de blogueiros, de midialivristas e mesmo de ativistas digitais, professores, cidadãos, fizesse o contraponto informativo. E isso é uma coisa que incomoda aqueles que sempre tiveram o privilégio de falar sozinhos" (Luis Inácio Lula da Silva, no prefácio do livro).

"Apesar da verba dos anúncios institucionais e das empresas estatais na mídia alternativa equivaler a apenas 0,6% do orçamento da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, os golpistas confirmaram que temem as suas críticas e denúncias, que não toleram o contraponto. Por outro lado, eles mostraram sua enorme gratidão à imprensa hegemônica, que foi a principal protagonista do 'golpe dos corruptos', criando o clima para desestabilizar o país, para estimular o ódio fascista na sociedade e para viabilizar o impeachment ilegal da presidenta Dilma" (Miro Borges)

"Acredito que há um centro nesse golpe. Diante da crise, e não estou falando dessa crise, mas da que começa lá em 2008, há sempre um conflito, que surge em todos os países: quem vai perder mais ou quem vai ganhar menos. É a visão do governo interino e provisório, de um lado, caracterizado pela figura do pato [da Fiesp]. O pato é gravíssimo. É uma visão de um segmento da elite econômica do Brasil que acha que quem paga o pato é só a população brasileira. E isso se expressa em algumas medidas propostas pelo governo ilegítimo" (Dilma Rousseff, em entrevista dada em agosto para Maíra Streit e Renato Rovai).  

E tem muito, muito mais. Portanto, se você não é de Fortaleza e quer adquirir o livro, ele está sendo vendido em vários lugares na internet, e também nas livrarias. Agora, se você quiser um livro com dedicatória minha (que deve ser a maior dedicatória já escrita na história da humanidade), basta depositar R$ 43 (equivalente aos 35 do livro, mais o preço do envelope e do envio registrado pelo correio) numa das minhas duas contas (em nome de Dolores): Banco do Brasil, agência 3653-6, conta 32853-7, ou Santander, agência 3508, conta 010772760
Depois me mande um email (lolaescreva@gmail.com) com alguns dados sobre você, pra que eu possa me inspirar e escrever uma dedicatória mais pessoal. E o endereço (com CEP) pra onde eu devo mandar o livro. Dica: você pode dar o livro de presente. Eu escrevo uma dedicatória pra pessoa, é só me falar um pouco sobre ela. 
E se você é do Ceará ou perto, venha pro nosso evento na terça. Aliás, eu peço que, se você for comprar o livro, já traga os R$ 35 certinhos, porque os bancos estão em greve e eu tenho exatamente sete notas de R$ 5, cinco de R$ 10, e dez de R$ 20. Tenho medo de não ter troco suficiente. E se você quiser vir só pra ver a mesa redonda, não tem problema. Mas venha!