
Todo mundo que não seja de direita adora o George Clooney, e é óbvio que ele tá bem na margarina. Mas fica a impressão que “Conduta” é um projeto pra ele ganhar Oscar. Como ele foi indicado, já é meio caminho andado. Por esse ângulo, o filme tem validade (alguns analistas crêem que ele seja o maior obstáculo pro Daniel Day-Lewis levar seu segundo Oscar). Mas quem rouba todas as cenas é o Tom Wilkinson, que concorre a coadjuvante e tá condenado a perder pro Javier Bardem.
Um dos pouquíssimos críticos que não gostou tanto de “Conduta” o chamou de “Erin Brokovich sem peitos”. Mas pra mim o filme mais parece acompanhante de “À Procura da Felicidade”: um carinha cheio de problemas tenta ensinar lições de moral pro filho. Tá certo, tô sendo injusta. A margarina é o oposto da celebração do capitalismo que é “Felicidade”. O problema é que “Conduta” não é exatamente contra as grandes corporações, mas contra as decisões erradas tomadas por uma só pessoa. Assim, não é bem a corporação a vilã da história, e sim um de seus empregados. No caso, uma mulher (a Tilda Swinton, que fez a bruxa em “As Crônicas de Nárnia”). É incrível que ela seja a única pessoa a usar saia na empresa, inclusive a única no filme, e seja a vilã. Pruma produção que se considera liberal, não é exatamente uma mensagem positiva insinuar que ter uma mulher na diretoria seja uma péssima idéia.
E tem mais: que negócio de crise de consciência em advogados é essa? O sujeito com nome de margarina é advogado do tipo faz-tudo há vinte anos, e só agora começa a questionar a profissão? O mais marcante de “Becoming Jane” é quando um juiz diz pra um aluno de Direito qual será sua função ao tirar o diploma: assegurar que a propriedade privada dos ricos não caia nas mãos do populacho. Crise de consciência em advogado? Só em filmes hollywoodianos como “Justiça para Todos” e “Ausência de Malícia” (que adoro, mas não são lá muito realistas). Margarina vem se juntar à coleção.