sexta-feira, 2 de setembro de 2016

SEXO CASUAL: TODO MUNDO ESTÁ FAZENDO

Outro dia vi um artigo muito interessante de Maria Konnikova na revista New Yorker. O título engana um pouco, e, por favor, não quero que ninguém se sinta na obrigação de fazer sexo casual.
Pedi pra Marcela Valério, que é médica legal e está no primeiro ano de Direito, traduzir o artigo, e ela foi super gentil de fazer este favor.

Zhana Vrangalova se deparou com um problema. Em um tempestuoso dia no começo da primavera, sentada em uma pequena cafeteria nos arredores do campus da Universidade de Nova York, onde é professora adjunta de Psicologia, ela foi incapaz de carregar no seu laptop o website que iríamos discutir.  Essa não foi uma falta técnica do lado dela, o site havia sido bloqueado. Vrangalova, que tem 34 anos de idade e um rosto enérgico emoldurado por óculos de armação grossa, passou a última década pesquisando a sexualidade humana e, em particular, os tipos de encontro sexual que ocorreram fora das regras de relacionamentos fechados. 
O website que ela montou em 2014, Casual Sex Project, começou como um pequeno empreendimento impulsionado por referências pessoais, mas que, desde então, cresceu para aproximadamente cinco mil visitas por dia, com a maior parte das pessoas chegando ao site por procura direta pela Internet ou por indicações contidas em artigos e mídia social. Até o momento foram 2.200 submissões, divididas quase igualmente entre gêneros, cada uma detalhando os tipos de hábitos que, quando especificadas, podem alertar filtros de segurança da Internet. O website foi criado para iniciar discussões sobre noitadas e outros comportamentos sexuais menos tradicionais. O que nos faz engajar em sexo casual? Nós desfrutamos disso? Isso nos traz algum benefício -- ou, talvez, pode nos machucar? E quem, exatamente, somos nós?
Até 80% dos universitários [nos EUA] relatam ter se envolvido em atos sexuais fora dos relacionamentos estáveis -- um número que é usualmente reconhecido como o resultado da crescente frouxidão dos códigos sociais, da proliferação de festas regadas a álcool e de uma cultura potencialmente violenta das fraternidades. Críticos percebem as altas taxas de sexo casual como uma espécie de epidemia que está dominando a sociedade como um todo. A cultura do encontro casual, ouvimos dizer, está rebaixando mulheres e causando danos na nossa habilidade de estabelecer relacionamentos gratificantes e estáveis.
Tais alarmes já soaram antes. Em 1957, a escritora Norah Johnson causou apreensão ao escrever sobre promiscuidade nos campi universitários, observando que “andar por aí dormindo com várias pessoas é arriscado emocional, física e moralmente”. Desde então, as críticas acerca do comportamento sexual casual proliferaram, muito embora a sociedade tenha se tornado mais socialmente liberal. Ano passado, o antropologista Peter Wood chegou a ponto de chamar o sexo casual de “uma agressão à natureza humana”, argumentando em um artigo na conservadora revista Weekly Standard, que até mesmo as atividades sexuais aparentemente mais insignificantes trazem um problemático desequilíbrio de poder.
Outros aceitaram a trivialidade do sexo casual como um sinal de progresso social. Hanna Rosin, no artigo amplamente lido “Boys on the Side” (algo como “Garotos à parte”) de 2012 publicado na revista Atlantic, instigou mulheres a evitar pretendentes sérios para que focassem nas próprias necessidades e carreiras. Ainda assim, apesar da sua aparente crença no valor do sexo casual como uma ferramenta de exploração e pensamento feminista, Rosin, também, pareceu concluir que sexo casual não pode ser um objetivo final significativo. “Em última análise, o desejo por uma conexão humana mais profunda sempre ganha, para homens e mulheres”, escreveu.
O Projeto Sexo Casual nasceu da frustração de Vrangalova com essa e outras narrativas prevalentes sobre sexo casual. “Uma coisa que estava me incomodando era a falta de diversidade na discussão do sexo casual,” disse Vrangalova na cafeteria. “Isso é sempre retratado como algo que universitários fazem. E é quase sempre visto sob uma perspectiva negativa, como algo que machuca mulheres.”
Não foi a primeira vez que Vrangalova quis ampliar uma conversa limitada. Quando universitária, em Macedonia, onde estudou Psicologia da Sexualidade, ela sentiu-se atraída a desafiar tabus culturais, escrevendo uma tese de conclusão de curso sobre o desenvolvimento das atitudes sexuais lésbicas e gays. No fim dos anos 2000, Vrangalova começou sua pesquisa sobre sexo casual no Programa de Desenvolvimento Psicológico da Universidade de Cornell. Um estudo acompanhou um grupo de 665 calouros durante um ano, para observar como o engajamento em várias atividades sexuais casuais afetava indicadores de saúde mental, como: depressão, ansiedade, satisfação e autoestima. 
Outro estudo observou mais de 800 universitários para avaliar se indivíduos que se engajavam em atividade sexual casual se sentiam mais vitimizados por outros ou eram mais socialmente isolados. (Os resultados: sim para o primeiro, não para o segundo). Tais estudos eram tão intrigantes que foi oferecido para Vrangalova um cargo na Universidade de NY, onde ela permanece, para explorar mais profundamente algumas das questões em torno dos efeitos do comportamento sexual não tradicional nos indivíduos que se engajam nesse tipo de atividade.
Com o tempo, Vrangalova percebeu que existia uma lacuna no seu conhecimento e na área como um todo. Sexo casual tem sido muito explorado na literatura psicológica, contudo, a maior parte das informações coletadas por sua equipe de pesquisa -- e a maior parte das outras pesquisas experimentais que encontrou -- trazia dados de universitários. (Esse é um problema comum na pesquisa psicológica: os estudantes são uma população conveniente para pesquisadores). 
Houve a ocasional pesquisa representativa nacional, mas informações confiáveis em outras subcategorias da população são esparsas. Até mesmo o maior estudo nacional de atitudes sexuais nos Estados Unidos, que pesquisou uma amostra representativa nacional de quase 6 mil homens e mulheres entre 14 e 94 anos, deixou de perguntar aos objetos de pesquisa quantos dos encontros sexuais que eles tiveram poderiam ser considerados “casuais”.
Desde os primórdios, a pesquisa sexual tem sido limitada pelo estigma social. O pioneiro do campo, Alfred Kinsey, passou décadas entrevistando pessoas sobre comportamento sexual. Seus livros venderam, mas ele foi vastamente criticado por não ter uma perspectiva objetiva: como Freud antes dele, acreditava que a sexualidade reprimida fosse causa de muitos dos comportamentos sociais, fazendo julgamentos que apoiavam tal visão -- mesmo quando suas conclusões eram baseadas em pesquisas pouco representativas. Ele, também, utilizava amostras populacionais convenientes, como prisioneiros, assim como voluntários, que estavam inevitavelmente confortáveis em falar sobre suas práticas sexuais.
Nos anos 50, William Masters e Virginia Johnson foram mais longe, questionando abertamente os hábitos sexuais e até mesmo observando pessoas durante seus atos sexuais. Os seus dados, também, foram questionados: poderiam as pessoas que se voluntariavam para fazer sexo em um laboratório nos dizer qualquer coisa sobre o americano médio? Ainda mais perturbador, Masters e Johnson buscavam “curar” a homossexualidade, revelando um viés que poderia facilmente ter mascarado seus achados.
Realmente, uma das coisas que você percebe rapidamente quando procura material sobre sexo casual é que, para encontrar estudos com sujeitos não universitários, é necessário, na maioria dos casos, ver estudos fora do âmbito acadêmico. Quando o site de encontros OkCupid levantou informações sobre sua base de usuários, descobriu que entre 10.3 e 15.5% dos usuários estava procurando por sexo casual ao invés de um relacionamento sério. Na Pesquisa Britânica sobre Sexo conduzida pelo The Guardian em 2014, aproximadamente metade dos entrevistados relatou ter praticado sexo casual (55% dos homens e 43% das mulheres), sendo que homossexuais (65%) eram mais propensos a esse comportamento do que heterossexuais (48%). Um quinto das pessoas disse que já dormiram com alguém que não sabiam o nome.
Com o Projeto Sexo Casual, Vrangalova está tentando construir uma base de dados de histórias dos usuários que ela espera que, um dia, possa fornecer a informação crua para o estudo acadêmico. Por hora, ela está ouvindo: deixando as pessoas virem ao site, responderem as perguntas e deixando réplicas. Ritch Savin-Williams, que foi professor de Vrangalova em Cornell, disse-me que está especialmente impressionado pela disposição dela em “desafiar conceitos tradicionais e pesquisar projetos com abordagens objetivas que permitem aos indivíduos dar repostas honestas e ponderadas.”
O resultado é que o site talvez seja o maior receptáculo mundial de informação sobre hábitos de sexo casual -- não que existam muitos competidores. As pessoas que compartilham suas histórias variam de adolescentes a aposentados (os participantes mais velhos estão na casa dos setenta anos), vivem tanto nas cidades quanto nos subúrbios, têm nível superior (aproximadamente um quarto da amostra) ou nunca terminaram o ensino médio (outro quarto). A maioria dos participantes não é particularmente religiosa, embora quase um terço se identifique como ao menos “um pouco” religioso. A maioria é branca, embora haja negros, latinos e outros grupos raciais e étnicos. 
Inicialmente, 60% das contribuições eram de mulheres, mas agora 70% são de homens. (Isso está de acordo com o padrão de que é “suposto” que homens se gabem mais das façanhas sexuais do que mulheres). Qualquer um pode submeter uma história, junto com detalhes pessoais que reflitam a demografia dele ou dela, emoções, traços de personalidade, atitudes sociais e padrões de comportamento, como a ingestão de álcool. A organização para coleta de dados é padronizada, com menus verticais e escalas de classificação.
Ainda assim, o site está longe de ser clínico. A home page é um mosaico colorido de quadrados, com codificação por cor conforme a categoria de experiência sexual (azul: “noitada”; roxo: “sexo grupal”; cinza: o misterioso “primeiro de muitos”; e assim por diante). Pequenos fragmentos de textos são destacados para cada categoria (“Senhoras, se vocês não tiveram um garanhão latino jovem e gostoso, deveriam ir atrás de um!”). 
Muitas respostas parecem ostentar, provocar ou exagerar por propósitos retóricos. Lendo o site, eu me senti menos como parte de um projeto de pesquisa e mais como um membro de uma sociedade dedicada à excitação.
Vrangalova é a primeira a admitir que o Projeto Sexo Casual não é o que se pode chamar de uma abordagem científica objetiva para coleta de dados. Não há designação aleatória, controles ou condições experimentais. Os dados não são representativos da população geral. Os participantes são auto-selecionados, o que inevitavelmente mascara os resultados: se você está reservando o tempo de escrever, é mais provável que você escreva sobre experiências positivas. 
Possivelmente, você também tenha o tipo de personalidade que deseja compartilhar publicamente detalhes sobre seus casos amorosos. Há outro problema com o projeto que é endêmico a muitas pesquisas de ciências sociais: ausência de validação comportamental externa. Como sabemos que o participante está dizendo a verdade e não o que ele quer que seja ouvido ou o que acha que o pesquisador quer que ele diga?
Mesmo assim, considerando todos esses defeitos, o Projeto Sexo Casual fornece uma janela de acesso fascinante para os hábitos sexuais de uma faixa particular da população. Pode não ser o bastante para tirar novas conclusões, mas dá sutileza para pressupostos, expandindo, por exemplo, ideias sobre quem pratica sexo casual ou como isso faz com que essas pessoas se sintam. À medida que consultei os registros após meu encontro com Vrangalova, deparei-me com as palavras de um homem, já com mais de setenta anos à época, que aprendeu algo novo sobre sua própria sexualidade durante um encontro casual: “antes desse (encontro) eu sempre dizia que ninguém pode me fazer gozar só com sexo oral, aprendi a lição,” escreveu. 
Como um reflexo da idade e dos grupos demográficos representados, o Projeto Sexo Casual compromete a narrativa popular de que sexo casual é o produto de novos códigos morais somente entre os mais jovens. Se esse fosse o caso, esperaríamos que houvesse hesitação em se engajar em sexo casual nas gerações mais velhas, que cresceram na era pré-“cultura de noitada”. Tal hesitação não é evidente.
A lembrança de que pessoas de todas as idades praticam sexo casual pode nos levar a imaginar três possíveis narrativas. Primeiro, talvez o que percebemos como uma cultura de noitadas não seja de fato algo novo. Nos anos 60, quando as regras relacionadas a namoro e amor livre mudaram, não houve um retorno à situação anterior. Pessoas de mais de setenta anos vão a encontros casuais porque isso faz parte de sua cultura também.
Existe outra explicação quase contrária: sexo casual não é a regra agora e não era antes. Simplesmente sempre haverá indivíduos, em qualquer geração, que buscam satisfação sexual em lugares não tradicionais.
E há uma terceira opção, mais consistente com a narrativa que nossa cultura de sexo casual começa com noitadas na faculdade: as pessoas procuram por encontros casuais por diferentes razões. Alguns jovens fazem sexo casual porque acreditam que não podem deixar de fazê-lo ou porque estão inseridos em uma cultura que diz que eles devem querer fazer. (A análise de dados preliminares de Vrangalova sugere que o uso de álcool está mais presente nos encontros casuais dos jovens do que nos encontros dos mais velhos).  E os velhos -- bem, os velhos não se importam mais com o que a sociedade pensa. Por alguma razão, essa sensação de conforto pode chegar aos trinta anos para uns, aos quarenta ou cinquenta para outros e nunca ou não completamente para outros.
Essa última teoria corresponde a outro dos achados de Vrangalova — um que, ela confessa, foi uma surpresa quando encontrou. Nem todas as experiências de sexo casual registradas no site eram positivas, mesmo em uma amostra com alto viés. Mulheres e participantes mais jovens são mais propensos a relatar sentimentos de vergonha. (“Em um dado momento eu estava em cima dele e ele não poderia ter me forçado então eu devo ter consentido... Não tenho certeza,” escreve uma jovem de 18 anos, relatando que a noitada foi insatisfatória e descrevendo ter se sentido “estressada, ansiosa, culpada e enojada” no dia subsequente). 
Há um tópico inteiro marcado como “sem orgasmo”, que inclui relatos difíceis e ocasionalmente perturbadores. “Minha visão ficou muito mais equilibrada com o tempo,” disse Vrangalova. “Eu venho de uma perspectiva positiva sobre sexo, rodeada por pessoas que realmente se beneficiaram das explorações e experiências sexuais, em sua maior parte. Estudando sexo casual, aprendi a ver os dois lados da moeda.”
Certamente, parte da negatividade é originada de causas legítimas: sexo casual aumenta o risco de gravidez, doenças e, mais comumente do que em relacionamentos estáveis, coerção física. Mas, ao invés do exposto, muitas experiências negativas de sexo casual vêm de um senso de convenção social. “Nós vimos ambos os gêneros se sentirem discriminados por causa de sexo,” disse Vrangalova. Homens frequentemente se sentem julgados por outros homens se eles não fazem sexo casual, e as expectativas sociais podem desviá-los das experiências que eles de fato têm. Ao passo que as mulheres se sentem julgadas por se engajarem em experiências casuais, tornando aquelas que elas procuraram menos prazerosas.
Talvez isso não devesse ser uma surpresa: o próprio fato de Vrangalova e outros estarem procurando explicações para comportamentos de sexo casual sugere que nossa sociedade ainda vê o assunto como digno de nota — algo anormal ao invés de comum. Ninguém escreve sobre o porquê das pessoas sentirem necessidade de beber água ou ir ao banheiro ou porque jantar com amigos é “popular” ou sobre o “aumento” do número de grupos de estudos na faculdade.
É esse sentimento de vergonha, em último caso, que Vrangalova espera que seu projeto ajude a abordar. Como colocou um respondente de uma pesquisa que Vrangalova mandou aos usuários: “Isso me ajudou a me sentir bem em relação a mim mesmo sobre querer sexo casual e não me sentir envergonhado ou achar que estou fazendo algo errado.” 
O psicólogo James Pennebaker descobriu, após décadas de trabalho, que escrever sobre experiências emocionais serve como forma de terapia eficaz, de uma forma que falar sobre elas possa não ser. (Eu estou menos convencida de que há benefícios para aqueles que usam o site para se gabar sobre suas experiências pessoais.) “Muitas vezes não há válvula de escape para lidar com essas experiências, a menos que você comece o seu próprio blog,” aponta Vrangalova. “Eu quis oferecer um espaço para que as pessoas pudessem compartilhar experiências.”
Essa pode muito bem vir a ser a real contribuição do Projeto Sexo Casual: não nos dizer algo que nós já sabíamos ou pelo menos suspeitávamos, mas possibilitar tais conversas íntimas sem julgamentos. O segredinho sujo do sexo casual hoje não é que estamos fazendo, mas que não estamos partilhando nossas experiências da melhor maneira.

42 comentários:

Anônimo disse...

O sexo casual sempre existiu no mundo. No entanto, de uns anos para cá, com tinder e outros avanços a coisa toda aumentou. Está mais fácil transar rápido e mais gente faz isso.

A questão é não ter expectativas demais em relação a isso, um casal pode ficar transando uma vez por semana por mais de um ano e não ser namorados. Muitas mulheres infelizmente acham que depois de 2 transas os dois estão compromisso sério....

Acredito que seja preciso deixar bem explicado certas coisas para que ninguém se machuque.

Hele Silveira disse...

Quem quiser, que escrache à vontade com a minha humilde opinião sobre sexo casual: eu prefiro NÃO fazer. Acrescento que respeito a quem escolhe o oposto, pois cada um sabe o que lhe convém, enquanto autor da própria história.

Anônimo disse...

Se tem uma coisa que eu me arrependo nessa vida é de NÃO ter feito MAIS sexo casual antes de me casar. Eu tive alguns parceiros quando solteira e por sorte, tive experiências legais
Pode parecer cômico para alguns, mas pra mim era (é ainda hoje) um ato de rebeldia e libertação. Era pisotear e cuspir na misoginia que me empurraram goela abaixo a vida.

Amo meu marido, o sexo é maravilhosos, mesmo depois de tantos anos... mas gostaria de fazer sexo com outros homens...

E concordo - sexo casual, poliamor e todas outras "categorias" sempre existiram. Faz parte da complexa sexualidade humana. A única diferença é que agora falamos sobre o assunto e damos nomes "bonitinhos"...

Anônimo disse...

Minha experiência: Ja fiz e não me arrependo.
Optei poucas vezes porque sempre imaginei o risco de ser agredida e destratada durante ou depois. Considero que tive sorte por nunca ter acontecido nada grave mesmo tendo algumas precauções.
Vejo que escolhi isso quando era mais nova. Sentimentalmente, ou estava mais insegura ou estava mais desestabilizada emocionalmente ou queria ter experiências novas por que fui criada mais reprimida, era uma forma de ter menos medo de viver.
Acabei por preferir, em geral, relacionamentos estáveis, monogâmicos ou ficar sozinha.
Com o tempo também notei que era mais fácil acostumar a reduzir a minha vida sexual, por causa da minha personalidade. Há muitas questões emocionais embutidas nisso, é a minha história. Por favor: não penso que isso é uma regra que sirva pra todas. Foi como eu encarei.
Também prefiro não fazer ainda mais em tempos que se mostram cada vez mais facistas. Da última vez que usei aplicativos notei que as pessoas estão muito agressivas, intolerantes e hostis. Ando muito mais seletiva.

Anônimo disse...

Sexo casual é pra quem sabe separar muito bem as coisas, e isso é muito raro. Não se envolver, não se apaixonar, não iniciar cobranças, fidelidade, companhia, exclusividade.

A maioria das pessoas acha que vai conseguir se comportar assim, mas a realidade é bem outra. Até porque mesmo quando as duas partes conseguem, não agem assim com sinceridade: muitas vezes ele ou ela adotam uma postura de carinho na minha opinião incompatível com a casualidade (o que dificulta ainda mais separar as coisas, aliás). Eu realmente acho isso muito complexo e dá muito mais trabalho do que simplesmente namorar, por isso nunca fiz e não pretendo fazer e me envolver em algo desse assim.

Fora isso, tem a superficialidade da coisa toda. Sei lá, fiquei pelada na frente de dois caras (meu ex e meu atual namorado) e acho que é algo muito, muito íntimo pra acontecer com um desconhecido. Acho que muita coisa tem que acontecer antes do sexo entre duas pessoas.

O fato é que vi amigas demais achando que iriam levar isso numa boa e não levaram: em nome da liberdade, saíram machucadas, com a auto estima arrasada, semana a semana. São raros, como disse, os casos de quem sai ileso disso. Mesmo homens, sabe?

Pode ser um comportamento totalmente conservador da minha parte, mas acho que é um jeito de preservar meus próprios sentimentos.

Alícia


Anônimo disse...

(Viviane)
Para você não se sentir sozinha, Hele, eu penso da mesma forma. Respeito incondicionalmente quem faz, mas sei que eu não teria preparo psicológico para isso.
Concordo também com o texto que o tema só é (ou se tornou) "tabu" a partir do momento em que mulheres admitiram a prática. Só mais uma das várias facetas do machismo...

Anônimo disse...

Credo Lola, que imagens mais heteronormativas, só hétero que transa é?

Anônimo disse...

Tenho muito dó destas mulheres que se privam de sexo antes do casamento para se guardar para os futuros maridos (não estou falando das que livremente decidem esperar porque se sentem melhor assim, sem nenhum tipo de pressão, nem de religião e nem de família). Acabam casando com caras machistas que, adivinhem: tratam como lixo as moças que consideram "promíscuas" e tratam também como lixo as moças que consideram "puras". Aprontam, traem, agridem psicologicamente e às vezes fisicamente... isso porque não valorizam MULHERES. Para machistas e misóginos, mulheres são inferiores e ponto.
Se preferem não fazer sexo casual, não façam. Mas se estão contendo o desejo para se preservar para macho, não caiam nesta. Pouquíssimos são os homens que fariam o mesmo por uma mulher. E como já foi dito, homem machista (o que geralmente exige "pureza"), tratam mal qualquer tipo de mulher.

Anônimo disse...

Quatro namorados. O do ensino médio, o da faculdade, o cara com quem morou junto e o que mudou de país e avisou na véspera. A vida amorosa de Marcela era feita de caras e arranjos monogâmicos. Até os 31 anos, a estilista carioca buscou homens,nunca gozou com ele. Foi quando “aconteceu” Fernanda, 25, a garota do trabalho que ficava louca nas festas e saía pela pista beijando todo mundo. Marcela não escapou da oferta de beijos. Também não disse “não” quando a garota a convidou pra passar a noite em sua casa. “Fernanda tinha algo inexplicável e isso todo mundo percebia. Quando me escolheu naquela festa, derreti. Era minha noite do ‘sim’ e a culpa era dela. Nunca tinha beijado nem transado com uma mulher até então. Com ela, eu quis tudo de uma vez.” As duas acabaram vivendo um romance que durou seis meses – o primeiro lésbico de Marcela, o vigésimo de Fernanda, gay desde que se entende por gente.

Anônimo disse...

A produtora cultural Bianca é paulistana e beija garotas desde os 17. “Mas nada acontecia à luz do dia. Era sempre num banheiro de balada, num beco onde ninguém passaria, numa boate gay.” Nisso, namorou cinco garotos. Relacionamentos longos, fechados castradores, a receita tradicional. Entreatos, procurava garotas. Mas não escolhia a próxima transa por gênero. “Beijava quem eu tinha vontade.” Agora, aos 25, está apaixonada como nunca. O frio na boca do estômago, a vontade de contar pra todo mundo, a saudade que não passa, os dias e as noites de sexo intenso: tudo com Bárbara, a garota do Paraná que conheceu pelo Tinder e que vai se mudar pra São Paulo por causa dela.

Anônimo disse...

No último ano, Juliana, 27, redatora em uma agência de publicidade em São Paulo, saiu com quatro mulheres. Nenhuma das vezes foi planejado. Aconteceu, tem acontecido e deve acontecer mais. Uma delas é Ângela, 33, analista de redes sociais, que está num processo de autoconhecimento – e sair com garotas faz parte dele. Elas se encontraram vivendo o mesmo momento: esse em que ficar com mulheres é mais uma boa opção. Mas e antes? Quando a vida era exclusivamente hétero, rolava desejo por mulher? “Não. Eu só tinha olhos para os homens. responde Juliana. Para Ângela não era bem assim: “Eu tinha sonhos e transava com mulheres neles. Mas ficava nisso. Até que surgiu Milena, a mulher que me fez querer flertar, me entregar e repetir a dose”. (Mais sobre a história das duas a seguir.)

Anônimo disse...

Sexo com homens causa doenças.

Kasturba disse...

Não gosto de sexo casual. Só fiz uma vez, com um carinha que na época era um "ficante sem compromisso", (depois veio a se tornar meu namorado, marido, e hoje ex-marido) e foi uma merda. Me senti usada. Me senti imunda. Me senti tratada como uma puta. Quando acabamos (quando ele acabou), entrei meio que "em pânico" e comecei a chorar (enquanto ele dormia).

Durante algum tempo, me questionei muito se essa minha aversão por "sexo livre e sem compromisso" era fruto de uma educação castradora que sofri, pra me tornar a "mocinha recatada que o patriarcado espera que eu seja". Pensei que talvez por ser recatada assim (não me divertir com sexo sem compromisso), eu mereceria menos a minha carteirinha de "feminista".
Mas hoje eu vejo que não. Eu não sou uma pessoa que gosta de se expôr, em qualquer sentido. Sou bastante reservada. Sempre foi do meu perfil ter poucas, porém longas amizades (desde criança eu me relacionava com poucas amiguinhas, porém amizades fortes e sinceras, que mantenho até hoje). Gosto de criar vínculos duradouros, e só me abro de verdade com pessoas que eu confie verdadeiramente.
Então, sendo o sexo um ato de tanta intimidade, onde estou me expondo e me abrindo de maneira total (pelo menos eu encaro assim), não faz sentido eu praticar com alguém que eu não confie profundamente.

Acredito que muita gente (inclusive feministas) ache que pra ser feminista de verdade a mulher necessariamente deve curtir a "liberdade" que o sexo casual oferece (como que para provar ao patriarcado que você descumpre suas "normas").
Mas eu não penso que isso seja liberdade. Liberdade de verdade é você se conhecer, saber o que VOCÊ quer e o que VOCÊ gosta de verdade, e seguir isso. Porque ao fazer algo que não corresponda àquilo que condiz realmente com a pessoa que você é, (seja praticar sexo livre sem desejar realmente ou se privar de praticar mesmo querendo) você está se violentando. E isso é a pior coisa que você pode fazer contra você mesma.

Ana disse...

O sexo casual estava sendo muito difundido pelo feminismo liberal, aí o interseccional e mesmo o radical fez algumas problematizações justas a essa questão.

Nós, como mulheres, recebemos uma educação sexual extremamente castradora. Os homens tomaram nossa ''liberdade'' - entre aspas mesmo, pois mulheres tem tabus internalizados relacionados a isso extremamente afincados - para tornar isso algo deles.

Mulheres que romantizam o sexo o fazem sim por educação cultural, sendo a espécie humana biologicamente poligâmica. Mas de maneira nenhuma acho que elas devam ser obrigadas a desconstruir isso. Visto a forma violenta que os homens são educados sexualmente, acho que nem devam, até para se protegerem de abusos.

Anônimo disse...

o poliamorismo pode auudar muitas pessoas, ele é bom e anti machista já que pressuõe a liberdade sexual.

Muitas mulheres sentem mais prazer na vida swpois de experimentar poliamorismo

Anônimo disse...

Gente, minha experiência... Eu simplesmente adoro esse tipo de sexo !

Ah, vamulá, são apenas uns encontros sem compromisso, garantia de divertimento sem obrigações ! Isso não é legal ?

É apenas um sexo ocasional, sem qualquer relação afetiva ! E isso é ótimo (eu acho) ! Não precisamos ficar presos a alguém, podemos viver nossa vida normalmente, não precisamos ter aquele melodrama de namorados - e ainda temos alguém pra "curtir" quando quisermos !

Mass, tem um pessoal que não gosta, pq como citaram lá em cima, num sexo casual : "não se envolver, não se apaixonar, não iniciar cobranças, fidelidade, companhia, exclusividade"... São regras.

E olha que eu não enxergo isso como aspectos negativos ! Fala sério, quem quer "cobrança" o tempo todo e ter que dar "exclusividade" para uma pessoa só ?!

Claro que, para quem procura algum parça pra vida toda, isso não é recomendável. Ah, e pra pessoas que se apaixonam ou se apegam fácil tbm ñ.

Mas, isso varia de cada um. O importante é que sintamos prazer, não é ? O tipo do sexo é a última coisa que importa, desde que nos faça bem.

"Seja, sem medo de ser. Sem medo do que os outros vão dizer !"


Anônimo disse...

Se relacionar com um homem já e extremamente prejudicial a saúde física e mental de uma mulher, imagine então com vários? To fora.

Anônimo disse...

URGENTE | Polygon não tem mais dinheiro para os remédios da esquizofrenia

foi isso que os pais dela me disseram

a mãe foi demitida do puteiro em que trabalhava e o pai que era coveiro foi demitido pq era um necrófilo

agora acabou o dinheiro pros remédios, e como o temer cortou os medicamentos de graça ela já está entrando em um alto grau de insanidade



POR FAVOR ajudem

doem qualquer quantia

Anônimo disse...

As rolas do gênero Streptopelia são aves de médio porte, com comprimentos entre 25 e 35 cm. A plumagem é geralmente cinzenta, com tons acastanhados ou púrpura em algumas espécies. A maioria apresenta um colar preto na zona posterior do pescoço. Um critério útil na distinção das várias espécies é o padrão de cores da cauda. São aves muito territoriais na época de acasalamento e alimentam-se de sementes de gramíneas e outras plantas herbáceas ao nível do solo. O seu estômago, em geral, contém bastante areia, que auxilia a triturar os alimentos.

Anônimo disse...

Querida,

É só sexo. Você faz uma "noitada" e dps se veste e vai viver sua vida normalmente e o cara vai viver a dele - como se nada demais tivesse acontecido. Bem, e não aconteceu, não é ? Vocês apenas tiveram uma diversão prazerosa, e só.

Relacionamento seria se vc se apaixonasse, vivesse com o cara, cobrasse fidelidade e outras coisas chatérrimas... Enfim. Você me entendeu, creio.

Então, sexo casual - o sexo sem compromisso e sem obrigações - não seria uma forma de relacionamento... E isso é perfeito ! Pois como vc falou, relacionamentos são prejudiciais a saúde de alguns... Então porque não só o prazer ? O sexo casual é isso.

Apenas prazer. E no dia seguinte, tudo corre normalmente... Sem comprometer a nossa saúde física e/ou mental.

Espero ter te ajudado (a esclarecer um pouquinho, rs).

Anônimo disse...

Mds. Quem raios cai nessa ?

Anônimo disse...

E...? O que isso tem a ver com o post ? Que diferença ficar sabendo disso fará na minha vida ? Aqui é um blog feminista, e não de biologia. Embora o erro seja até comum, né (ironia gente, ironia)...

Anônimo disse...

Este aí tá louquinho com rola. Igual o Malafaia. Alguém deve ter mandado ele procurar uma, para ver se melhorava... mas rolas não são mágicas e nem fazem milagre não, amiguinho.

Anónimo disse...

O problema nao eh o sexo o perdida, fazer sexo sem cobranças eh a parte boa, o problema eh quando sua transa deliciosa tah com outra pessoa , e mesmo que tenha 1000 transas sempre tera umas 5 especiais e pode ser que jah estejam metendo com outro...conclusão para tudo na vida....TODAS NOSSAS ESCOLHAS TEM UM LADO BOM E UM RUIM,soh depende de qual vc valoriza que seja mais importante ;)

Anônimo disse...

Vou complementar meu comentário, das 18:07.
Acho que meu relato passou um certo medo, a culpa em relação a ter uma vida sexual. Enfim, "tornar-se mulher" adiciona essa marca emocional. Uma mulher ter vida sexual fora d casamento ainda é mal visto no século xxi kkkk

Se por um lado tive medos e cautelas por outro tive prazer e histórias divertidas também, uma boa experiência em geral. Bem, eu tinha vontade sexual ue, como qualquer um tem, e fui viver isso.

Tinha os riscos de ser agredida. De sair machucada emocionalmente. Mas sabe, não aconteceu o que meu medo me dizia. Tive conflito e dor emocional? Tive. Mas teve prazer tb. Amadureci, me conheci mais, o q gosto e o q não, me ajudou a ter menos medo de gente e quebrar tabus de dependência emocional vinculados a sexo. Me deu mais coragem e tranquilidade em relação ao meu corpo. Mas me considero discreta e não tenho lá uma ótima vida sexual não, mas já tive meus momentos quando tive mais coragem...

O q me incomoda sempre é o machismo, que intimida a gente ficar a vontade pra se relacionar com o outro. É a cobrança, o julgamento, vc ser o imaginário e a posse do outro. Pra mim, q sou mais pra introvertida, e se relacionar com o outro já é um problema, a cultura machista piora tudo. O machismo parece q da uma espécie de autorização moral, claro que distorcida e de má fé, pro cara te julgar e te agredir física e moralmente. Daí eu canso perco o ânimo e resolvo ir fazer outra coisa da vida, sei lá tipo bolo de caneca kkkk

Anônimo disse...

Olha, posso estar sendo ingênua, mas o que o feminismo prega é que as mulheres vivam sua sexualidade de maneira livre e saudável. Se isso significa sexo casual todos os dias ou não fazer sexo com ninguém, vai de cada uma...
Questionar a si mesma sobre sua sexualidade - estou fazendo isso por/para mim ou por que me programaram p. isso? - é fundamental para ser livre, principalmente se as escolhas estão trazendo sofrimento.

Nunca me manifestei até hoje sobre o assunto, mas tem algo que me incomoda profundamente em algumas feministas, em especial as "radicais": Me parece que para algumas delas, mulheres são uma horda de descerebradas que fazem/obedecem/aceitam bovinamente qualquer "ordem" que lhes é dada.
É tão difícil de aceitar que há mulheres que fazem sexo casual com homens, com outras mulheres, com ambos (ao mesmo tempo ou separados). Mulheres que fazem sexo com apenas um(a) parceiro(a) com envolvimento emocional? Que não fazem sexo de maneira alguma? E QUE DE FATO GOSTAM, TEM PRAZER E SATISFAÇÃO COM SUAS ESCOLHAS????

A última coisa que eu quero é ver o feminismo se tornar paternalista ou ver feministas achando que são tão iluminadas que podem "salvar" aquelas "tontas manipuladas" que não sabem o que fazem/dizem...


Jane Doe

Anônimo disse...

Já repararam que muitas mulheres falam que sexo casual não é pra elas, que gostam mais de intimidade, que pode se apaixonar, que já fizeram e não se sentiram bem etc e tal?
Mas que nenhum homem diz a mesma coisa?
Será que a escolha feita por essas mulheres de ter uma vida sexual mais estável é mesmo uma escolha consciente ou é apenas mais uma faceta do machismo?

Anônimo disse...

Engana-se quem acha que praticar sexo casual a mulher fica mais exposta a violência. Misógino é violento em qualquer situação seja casual ou estável. Não caiem nessa.

Anônimo disse...

Tudo que uma mulher fizer e não for igual ao que os homens fazem é resultado do machismo agora? Lutar contra o machismo é tornar as mulheres exatamente iguais aos homens? Machismo pra mim é o homem ser sempre o parâmetro, o padrão de humano.

Anônimo disse...

Sempre tem alguém pra evocar as "malvadas e inconsideradas feministas radicais" e usá-las como espantalhos ou acusá-las como bode expiatórios, execrá-las de alguma forma. Mesmo, ou melhor, especialmente quando as tais ou algum tipo de manifestação das mesmas não se encontram no local.

Anônimo disse...

anom 15:06

no sexo casual homens tendem a se preocupar ainda menos com a parceira sim, por conta da dicotomia santa/puta. pra mulheres negras isso é tão pior, porque "puta", "pra usar", já são rótulos fixados na cabeça dos homens.

então, acho altamente irresponsável afirmar que existe liberdade individual feminina (que pode até existir em certo nível para pessoas brancas) para fazer sexo casual porque um encontro sem compromisso no patriarcado pode significar abuso e estupro.

Não é só no caso do cara ter escondido uma câmera (porque se não dá pra confiar nem em namorado, imagine...), por exemplo, ou ser babaca e exigir práticas que a moça não quer, mas às quais acaba se submetendo. Não só isso, os caras podem ser realmente violentos, podem ser assassinos. enquanto homens forem criados para serem violentos é preciso priorizar a segurança das mulheres, especialmente das adolescentes.

A gente "escolhe" relacionamentos monogâmicos porque não quer ser estuprada e morta. Acabamos acreditando que fizemos uma escolha de não praticar tanto sexo, e lamentamos não ter aproveitado mais (isso já aconteceu comigo), mas no fundo, se escarafunchar um pouco as memórias e as memórias de nossos sentimentos, percebemos que essa escolha tem mais a ver com o poder de vida e morte do patriarcado sobre nós do que com tendências monogâmicas "naturais".

Poliamorismo no patriarcado, gente? Mulheres servindo um homem, é isso que é poliamorismo no patriarcado, acho que a gente tem que ficar lembrando: vivemos num patriarcado, se não fosse assim não precisava de feminismo.

Por isso que digo que falar de sexo casual hétero como liberdade, sem considerar o contexto e sem sequer mencionar o problema da violência masculina é irresponsável.

Eu tenho uma filha. Tenho pânico de ela acreditar nesse discurso, de descuidar da própria segurança ou da necessidade de ser tratada como um ser humano para não parecer moralista ou carente, porque eu mesma sei como é fácil cair nessa conversa.


Kasturba disse...

" Já repararam que muitas mulheres falam que sexo casual não é pra elas, que gostam mais de intimidade, que pode se apaixonar, que já fizeram e não se sentiram bem etc e tal?
Mas que nenhum homem diz a mesma coisa?
Será que a escolha feita por essas mulheres de ter uma vida sexual mais estável é mesmo uma escolha consciente ou é apenas mais uma faceta do machismo? "

Pra instigar um pouco a discussão, vou colocar a pergunta oposta:
Já repararam que muitos homens falam que sexo com envolvimento emocional não é pra eles, que não toleram intimidade, e fogem da (ex) parceira a qualquer custo etc e tal?
Mas que (quase) nenhuma mulher diz a mesma coisa?
Será que a escolha feita por esses homens de ter uma vida sexual super "agitada" é mesmo uma escolha consciente ou é apenas mais uma faceta do machismo?

Eu acho que ambas as situações acontecem. Mulheres são "treinadas" a quererem se relacionar com poucos parceiros, enquanto homens são "treinados" a ter a maior quantidade de parceiras possível. Correndo o risco de, caso não se enquadrem nesse comportamento, serem taxados de putas ou derrotados, respectivamente.
Na minha opinião, a questão de gostar ou não de sexo casual é algo bem pessoal, depende da educação, sim, mas também da sua personalidade, da sua forma de encarar sua vida e a si mesmo. E da sua maneira de encarar o sexo em si (há quem encare como uma diversão, como tantas outras, e há quem encare como algo mais profundo, de intimidade, de entrega, de junção de almas). Assim como mulheres podem sair machucadas de sexo casual, homens também podem. E assim como homens podem se sentir frustrados por não praticarem tanto sexo quanto gostariam, ou de receberem cobranças pós-sexo de sua parceira casual, mulheres também podem se sentir assim. Isso varia de pessoa pra pessoa.

Se libertar do patriarcado não é fazer tudo ao contrário do que a "cartilha da boa moça" prevê. Se você tem um comportamento obrigatório pra seguir (mesmo que ele seja o oposto do que prevê o patriarcado), ainda assim você não será livre. Liberdade é você saber o que te agrada, o que te faz bem, e buscar agir conforme esses parâmetros. E o primeiro passo pra isso é se analisar, se questionar, se conhecer.

Existem mulheres muito felizes com a liberdade de poderem se divertir sem culpa fazendo sexo casual com quem ela estiver a fim. E existem mulheres muito felizes também com a estabilidade emocional de um relacionamento monogâmico e duradouro.
Assim como existem homens que curtem noitadas e sexo com várias parceiras diferentes, mas existem homens que buscam seguir esse comportamento somente para se adequar ao padrão de masculinidade, e se machucam, e seriam muito mais felizes em um relacionamento estável.
Mas em geral homens têm um medo excessivo da reprovação do grupo, e de verem sua masculinidade questionada, então têm muito mais medo de exporem suas frustrações em relação a esses papéis de gênero impostos que mulheres. Por isso esse não é um assunto explorado por homens. Com medo de serem taxados de "viado, derrotado, fraco", eles preferem engolir suas frustrações e fingir que está tudo bem, ao invés de se questionarem (e são treinados pra isso desde criança, com o famoso "pára de chorar menino, homem não chora!").

Anônimo disse...

Por culpa sua o pobretão encerrará o blog dele, como vc se sente? Uma multidão de jovens deixará de adquirir conhecimento por sua perseguição

lola aronovich disse...

Oi, anon? Por minha culpa um fracassado qualquer vai fechar o blog fracassado dele? Faz meses que eu não entro naquele site lamentável, o site mais vitimista e chorão da internet, de um cara branco, privilegiado, hétero, classe média, empregado, com quase meio milhão na conta, e que se chama de pobre. Prum cara assim, tanto faz ter dois milhões ou zero, morar no Brasil (que ele odeia), ou num país rico -- ele será um infeliz a vida toda, porque ele só tem ódio dentro de si. Ele acha que o mundo lhe deve dinheiro, panicats, carrões. Ele compete mentalmente com todos os outros homens do mundo e perde. É um perdedor mesmo. E arrasta com ele outros perdedores como ele. Todos mascus, reaças, fracassados. É bem triste de ver. Esses caras (vc entre eles) só despertam pena das mulheres. Eu já denunciei várias vezes o blog misógino, racista, homofóbico do nojentão pro programa do governo que saiu do ar, mas não deu em nada. Isso foi ano passado. Não se preocupe não que duvido que ele acabe com o blog. Gente como vc e ele vai fazer o quê se não divulgar ódio? Mas, acredite: seria bom se ele fechasse o blog. Quem sabe sem esse guru fracassado outros fracassados pudessem acordar e sair dessa vida miserável que vcs levam.

Anônimo disse...

sou a anon 15:25, p/18:09

Gostei muito do seu relato, você conseguiu traduzir o medo que acho q limita a liberdade sexual.
Vendo mais por este vies, acho que vejo também minha experiência sexual como uma transgressão: ter uma vida sexual é querer ter prazer, viver com risco. E olha q nem arrisquei tanto assim rs
Tb acho q certos padrões físicos e cor infelizmente influem nessa "liberdade". Acho sim que tem tratamento diferente. Até maneira de vestir e de falar influencia o jeito q o cara vai te tratar, talvez um pouco melhor ou menos violento. Sei lá, minha visão, posso estar errada.
Mas mesmo sendo branca posso te falar q tb me sinto obrigada a escolher uma vida mais restrita por segurança mesmo. Tb pra não ser julgada socialmente. Pra mim brasileiro não tem nada de liberal e muito de conservador. E mega machistas, todos, todos. Muito babaca arrogante por aí, um nojo. Tb por isso nunca vi como positivo o poliamor.
Acho q por isso desenvolvi outras maneiras de viver, sem dar tanto espaço pra isso. Pra não ser esculachada direto.
E se eu tivesse uma filha acredito que pensaria tb como vc. Gostaria tanto de protege-la, assim mesmo como vc disse. Mas tb como encoraja-la a viver, tb? Viver tb não tem riscos? Complicado mesmo.

Anônimo disse...

FAÇO SEXO CASUAL DESDE OS 15 ANOS E NUNCA TIVE ESSE PROBLEMA
TALVEZ ISSO SÓ DE PROBLEMAS PARAS AS MULHERES

Anônimo disse...

Caríssimo Anon de 2 de Setembro das 12:46

Perdida ? Sério ? Viver minha sexualidade de uma forma plena me faz ser perdida, descompessada, louca, puta ? Esse argumento tá batido, melhore.

HAHAHAH ! Sério ? Você me faz rir. A gente não tem relação pessoal nenhuma com a nossa "transa" ! A gente SÓ faz uma noite divertida, e depois, mais nada !

Depois de uma noite, cada um vai viver sua vida. Se ele tá com outra pessoa, que legal, eu também estou ! A gente SÓ teve uma noite juntos. Isso não muda ou afeta em nada. Cada um segue sua vida. Sem relacionamento ou mais "noitadas", saca ? Apenas uma vezinha e bye. Partir pra próxima pessoa ! É assim mesmo !

"Mesmo que você tenha 1000 transas sempre terá umas 5 especiais" - discordo. Todas são especiais. Gosto de todas as minhas noites divertidas. Não tem uma que eu tenha gostado menos ! Faça me o favor, você tem uma noite favorita ? Então significa que o resto que vc conseguiu pegar foram uma droga, hein ?

E o que você valoriza ? Relacionamentos douradouros ? Isso não se enquadra na categoria de sexo casual. Sexo casual é sexo sem compromisso ! Ou seja, você não pode se prender a apenas uma pessoa. Não pode se relacionar ou se envolver com ela. Pois aí não será sexo casual ! E sim, um relacionamento. Ou amizade colorida. E isso são coisas bem diferentes.

Por isso falei que, pra quem se apega fácil e não consegue suportar a idéia do seu parça trepar com outras pessoas depois/além de você - então esse tipo de sexo não vai bem pra você.

Mas você deve ter percebido, né ? Já que falou que isso tem um lado ruim, quando não vejo nenhum...

Até.




Anônimo disse...

Quando eu tinha 13 anos (tres anos atrás) me envolvi com um garoto na internet de 16 anos. Fomos amigos por uns três meses, comecei a gostar dele e engatamos em um relacionamento. Começamos a nos masturbar via web cam, mas nunca de fato cheguei mostrar a vagina ou os seios, principalmente porque morria de medo de ele tirar print etc. Após uns quatro meses de namoro ele terminou comigo e disse que eu só servia para ele se masturbar. Não chorei, mas me senti usada.Apesar de eu ter apenas 16 anos, hoje, tenho um certo bloqueio ao me envolver com homens, talvez seja ressentimento de me sentir usada novamente. Vejo hoje o sexo como uma necessidade fisiológica, que irei satisfazer sendo prostituta ocasionalmente. Se irei transar com algum homem, quero cobrar, acho isso empoderador, porque ao meu ver parece que o homem só poderá me ter carnalmente, se pagar, caso ao contrário não.
Lola se tiver meu e-mail ou qualquer coisa que possibilite minha identificação, por favor não aceite este comentário.

Anônimo disse...

Anon 16:32
Fico desconfiada de vc ser um troll. Mas caso não, desculpe e vou dar umas ideias, caso queira pensar um pouco antes de se decidir por optar pela prostituição como saída.
1- nossa cultura incentiva o uso da mulher como objeto sexual e desumanização da mulher.
2 - Por outro lado meninas podem acabar se vendo um objeto, um capital que pode ser perdido ou ganho - daí pode nascer a ideia de achar que o pagamento é uma compensação. Vai compensar seus sentimentos?
3 - muita gente mais nova, meninos (a maioria) e meninas acham que sexo é pornografia. Não é bem assim. De uma olhada num antigo romance, "O amante de Lady Chatterley" de DH Lawrence.
4 - sexo é bom e pode ser divertido. É bom quando há consideração e respeito. Mas isso não dá direito ao outro fazer coisas q vc não goste. Pare e diga não imediatamente quando acontecer.
5- sexo casual pode ser uma experiência prazerosa. É muito bom quando vc está numa situação segura e estabeleceu um mínimo de estabilidade emocional pra fazer isso. Senão, não faça, tente fazer outra coisa ou ler mais sobre o assunto
6 - infelizmente a imagem da prostituta é a de uma pária degradante na cultura machista e patriarcal da nossa sociedade.Assim, pense bem antes desta escolha porque é muito romantizada (hoje foi capa do 2° caderno do globo minha gente) mas a realidade é exploração sexual, trafico de pessoas, escravidão, agressão, clientes que caem de porrada e não pagam, execração pública socialmente. Existem mulheres que dizem lidar bem com esta profissão. Mas sinceramente? Eu desconfio e acho que deram sorte.

Por fim, se sentir usada pode doer mas sinceramente o "não doer" tem a ver muito mais em como vc se vê. Como é sua auto estima. Construir auto estima não tem a ver com pagamento. Talvez as outras pessoas não entendam a sua construção de auto valor como você está relatando. Vc pode pedir um pagamento e alguém desprezar vc ainda mais do que na situação que vc passou. Como vai lidar com isso?

Vc é muito jovem, está formando ainda a si mesma: do que gosta, prefere, vc sabe nomear o q sente? Isso é difícil mesmo. Precisa experimentar, visualizar essas idéias que vc acabou de descrever. Mais ainda quando a gente quer ir além das escolhas que parecem mais fáceis e guiadas por emoções negativas. Sorte pra vc

Anônimo disse...

Fiz algumas vezes.. algumas foram otimas, outras menos otimas. Todas foram especiais. E nunca, nunquinha esperei algo no dia seguinte. Té parece que vou ter um sentimento especial simplesmente por que esse alguém enfiou o seu pênis em mim.


Embora tenha feito sexo casual algumas vezes, mas os melhores 'sexos' sempre foram com pessoas com as quais tinha intimidade. Resquicio de machismo internalizado? Pode ser. Também era mais nova. Hoje, aos 32 anis sou casada. Não sei como seria se estivesse na ativa. Tenho certeza que faria sexo casual, e tenho também a leve impressão que seria muito melhor que quando tinha meus 20 e poucos anos.

E sinceramente, não entendo porque tanta polemica em cima desse assunto. Quem quer transa, quem não quer não transa, mas não venham destransar os transantes, ora.

Anônimo disse...

Como diria minha mãe: você não é todo mundo. Se os outros pularem de uma ponte ou comerem merda vc vai fazer o mesmo? Tenha sua própria personalidade!

Anônimo disse...

Não tenho o menor interesse em fazer sexo casual, só faria em um caso muito especial, como ter uma oportunidade com um famoso que eu admirasse muito, situação que nunca ocorreu e (provavelmente) nunca ocorrerá. Tirando uma situação totalmente surreal como essa, não tenho o menor interesse em ter relação sexual com um homem estranho. Acho chata essa obcessão de algumas feministas em achar que mulher não faz sexo casual não é uma mulher ''livre''. Tem muito homem machista que faz propaganda de sexo casual para mulheres por conveniência para eles tirarem vantagem.

Vejo até mesmo reações e comportamentos agressivos de feministas com mulheres que não querem fazer sexo casual. Por que isso? Fazer sexo casual não impede de conviver com misóginos, racistas e coisas do tipo. Vários homens que fazer sexo casual inclusive são misóginos e eles até acham que isso é a única vantagem que as feministas forneceram a eles.

Uma mulher só preferir fazer sexo com homens que elas conhecem, confiam, namoram e gostam não é machismo não, é uma escolha e isso só ofende a feministas que não tem o menor respeito pela individualidade das mulheres. Nem todo mundo se importa com o que os homens pensam não, apenas não se identificam com este estilo de vida. Quem mais vive em função de homem são justamente essas feministas que vivem de copiar os homens mais machistas para se sentirem mais ''livres''. Problema delas que colocam os homens, principalmente os mais machistas como padrão a ser seguido por elas.
Não tem nada de errado em uma mulher ter uma personalidade mais reservada e não querer fazer sexo com estranhos.
Quem quiser que vá, mas deixem em paz quem não se identifica com isso.