quarta-feira, 1 de junho de 2016

GUEST POST: NÃO DEVERIA SER NORMAL VIVERMOS COM MEDO

Uma leitora querida me enviou seu relato de como se sente desde que veio à tona o caso da menina de 16 anos estuprada no Rio. 

Algumas das primeiras reações que ouvi quando o caso apareceu foram:"Tem que castrar!" "Tem que matar!" "Só a justiça comum não resolve!" "Se fosse uma filha minha eu mataria!" "Se fosse uma amiga minha eu mataria". 
Eu continuo me perguntando por que o ser humano continua respondendo violência com mais violência? Mas meu mundo caiu quando começamos a falar de medo. "Eu tenho medo na hora que vou descer do ônibus" "Eu tenho medo de andar na rua escura...." daí soltei o "Todo homem é um potencial estuprador." E todas me atacaram. "Não é assim, a gente não pode pensar desse jeito, ninguém consegue viver desse jeito..."
Daí eu me peguei pensando em todas as experiências ruins que tive, do dia em que bebi demais e meus amigos me deixaram sozinha na casa de praia "segura" com o pai de uma colega da faculdade e acordei assustada com ele acariciando a minha perna; do dia em que fui assediada no trabalho quando era só uma estagiária... do dia que fui ameaçada por um taxista a caminho de casa, porque "Se ele fosse outro me levava para um matagal qualquer e fazia o que bem quisesse comigo"; e claro no dia quem que ganhei de presente de aniversário do meu namorado meu estupro. 
Eu bebi demais mas lembro de sentir muita dor, do sangue no lençol, de acordar sozinha na cama e ver meu namorado dormindo no sofá, pois teve nojo do que aconteceu na cama. Eu não só "não consegui denunciar", como continuei namorando com ele, pois eu tinha bebido demais, "a culpa era minha". Eu tinha 22 anos.
Poxa, eu tenho apenas 27 anos, são mulheres mais velhas que eu, não é possível que elas não tenham vivido nenhuma experiência sequer onde o medo não lhes tenha arrepiado a espinha. Elas são brancas.
Será que o fato de eu ser negra potencializa isso? Será que o fato de eu ser negra permite que esses homens todos se sintam donos do meu corpo? Aos 22 anos eu cheguei a contar para três amigos homens sobre o que aconteceu. "Pelo amor de Deus nem me fala mais nada, dá até agonia!" "Tá achando que dar o c* é fuder? Dá o c* é se fuder! (risos)" e não passou disso. Ninguém me levou numa delegacia, ninguém vingou minha dor e minha honra, me fizeram rir quando eu queria chorar. Eu estava só.
Lola, eu tenho medo. Eu tenho medo de todo e qualquer homem, eu tive medo dos meus padrastos, eu tive medo do meu dentista, eu tive medo de um homem ginecologista que me tocou de um jeito estranho, eu tive medo dos meus primos mais velhos, eu tive medo de primos da minha idade. Eu sempre vi esses homens todos como estupradores em potencial e nem sei explicar o porquê. Não eram só os homens estranhos na rua, eram pessoas da minha casa, da minha família.
Sou obrigada a ver aquele meu namorado que me estuprou aos 22 anos circulando na marcha das vadias só de sutiã com as palavras de ordem "meu corpo minhas regras" escritas de batom no peito.
Não tenho vontade de falar, não quero mais ler sobre isso, pois passei a sentir dificuldades de ter relações sexuais saudáveis com o meu marido. O MEU MARIDO. 
O cara que me ama e me ajudou a me curar de toda essa dor. Não gosto de ler sobre estupro, não gosto de falar sobre estupro. Porque quando vejo uma eu me vejo. Foram 30 homens e uma menina menor de idade desacordada. Mas pra mim era eu. 
Odeio a hastag #RaivaComRazão por que vejo a minha dor ali... Eu sei que ajuda, eu sei que conscientiza, eu vi os números do disque denúncia crescerem. Eu fiquei feliz por ver tantas mulheres rompendo o silêncio. Mas eu já tenho 27 anos... Aos 22 ninguém me ajudou, eu mesma não me ajudei. Eu não consigo reagir. Um homem só destruiu a minha vida. 
Não quero imaginar o que se passa na cabeça dessa menina de 16 que acordou cercada por 30 homens e se viu inerte na internet.
Eu faço terapia toda semana. E hoje estou em crise, por que me vi com medo  e sozinha de novo.

43 comentários:

Anônimo disse...

Não existe cultura do estupro o que existe é cultura da impunidade.

Anônimo disse...

Não é normal viver com medo e entendo o seu medo, mas vc já está fazendo uma terapia com algum/a profissional especializado/a? Pois ajuda bastante.

Anônimo disse...

(Viviane)
Peço desculpas por falar algo que pareça fora do tema, pois não quero de jeito nenhum dar a entender que estou ignorando o relato da autora.
No post anterior, mencionei os "intelectuais de esquerda" que estão relativizando o crime hediondo ocorrido no Rio. Agora, quero apontar um deles: LUIS NASSIF teve a pachorra de publicar hoje um post sob pretexto de criticar o "sensacionalismo da mídia", mas relativizando o estupro dizendo que apenas "bolinaram" (senti-me no século passado ao ler isso) a vítima!
Obviamente, está servindo de munição a todos os homens que querem criticar o movimento feminista, agora com a "autoridade" de um "famoso jornalista".
Quero ressaltar que lá, onde meu comentário foi censurado, o comentarista Donadio (não tenho certeza se é o mesmo que comenta aqui) está fazendo um excelente contraponto àquele autor e seus apoiadores.
Desculpem mais uma vez por sair do tema, mas quis aproveitar a oportunidade de ser a primeira a comentar para destacar o fato.
Todo apoio à autora!

Anônimo disse...

Hoje fui assediada no meu trabalho. Um senhor que podia ser meu avô começou a elogiar demais e perguntou se eu tinha namorado. Eu fui Grossa. Sempre me calei mas agora de verdade perdi a paciência. Se o vovó não consegue respeitar nem o local de trabalho de uma mulher (ja que pra ele a mulher em si não merece respeito) então ele também não merece respeito. Ele não entendeu o por que de eu não ter gostado. Engraçado a gente não vê uma senhora de 60 anos cantar um rapaz que podia ser seu neto. Dane se se era cliente ou o que era. Eu não me calei dessa vez

Marussia de Andrade Guedes disse...

Lola
Vc não vai comentar sobre a indicação de uma secretaria para mulheres que é contra o aborto até em casos de estupro e é contra salários iguais para homens e mulheres ?

Anônimo disse...

Mais uma vez a policia machista defendendo agressores de mulheres, será que vai ser preciso trocar toda a policia por mulheres para termos justiça como no caso do Delegado do Rio?
http://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2016/06/01/policiais-afirmam-nao-terem-visto-sinais-de-agressao-em-mulher-de-depp.htm

UmaCabeleireiraFeminista disse...

Todo o homem é um potencial estuprador SIM!

Anônimo disse...

Sinta-se abraçada mana, nossos corações sangram pela sua dor.

Depois que uma menina destas sente nojo e ódio natural por homens e nunca mais quer chegar peto de um imbecis vem chama-la de radial, misândrica e blah blah bçlah. Toda apoio ao feminismo radial.

Anônimo disse...

http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/mundo/professora-e-procurada-apos-engravidar-do-aluno-de-13-anos?cmpid=fb-uolnot
"Não ensine este menino a temer, ensine as professoras a não estuprarem"
Que foi? Generalizei? Não pode? e quando eu escuto; "não ensine as mulehres a temer, mas sim os HOMENS a não estuprar" Não estão generalizando? E a grande maioria dos homens que não estuprar em nem pensam em estuprar ninguém? Porque pensassem este mundo ja estaria inabitado há seculos.
Para uma feminista não há decisões pessoais, não existem pessoas, apenas a “sociedade”, como sendo uma espécie de ente abstrato com vida própria. Não é um homem, enquanto pessoa, que decidiu cometer um crime, e sim a “sociedade machista”, como se o machismo fosse uma espécie de força maligna que entra nos homens e obriga eles a fazerem coisas más, e não que um homem, enquanto indivíduo, decidiu realizar um ato violento. Dessa forma se você mata uma mulher você é machista, se você rejeita uma mulher promíscua, você é igualmente machista, facilmente colocando no mesmo patamar um valor masculino comum com um crime bárbaro.
Não é preciso dizer o absurdo que é chamar uma mulher de feminista só por ser uma assassina. Um homem se vê como indivíduo, dessa forma assume sozinho a responsabilidade pelos seus atos, assim como não culparia todas as mulheres pelo ato de uma. Mas uma mulher, caso seja feminista, verá no ato de um único homem entre milhões um problema social, e consequentemente culpará todos os homens. Dessa forma conseguem o malabarismo de transformar um único assassino em milhões de homens como uma representante do machismo, de modo que todos os homens viram um pouco assassinos estupradores pelos atos de uns.

Anônimo disse...

"Será que o fato de eu ser negra potencializa isso? Será que o fato de eu ser negra permite que esses homens todos se sintam donos do meu corpo? "

também penso isso as vezes, e até hj não encontrei a resposta

titia disse...

É, é difícil e dói... às vezes é assim mesmo, a gente não sabe que o que as pessoas estão fazendo conosco é errado, é abuso, é violência. E quando descobrimos o mal já foi feito e temos que viver com ele. Eu entendo, eu não fui estuprada mas já passei por relacionamentos familiares doentios onde a violência rolava solta mas ninguém achava que aquilo era errado. Felizmente, hoje já temos consciência e não estamos sozinhas. Querem nos fazer acreditar que estamos sozinhas mas não estamos. Moça, você não está sozinha.

Anônimo disse...

Muda o disco, Caramba!
Já encheu o saco 4 posts seguidos falando da mesma coisa! AFFFFF!
Chega disso!

Anônimo disse...

Não gostou? Cai fora!

Anônimo disse...

21:33 A porta da rua é a serventia da casa

Anônimo disse...

Viviane, li esse artigo infeliz do Luiz Nassif ontem (Jornal GGN. Também achei lamentável. Pior ainda foram os comentários endossando.

Anônimo disse...

19:01 fez muito bem, homem velho ou de meia idade e um nojo e transbordam machismo.
Eu acho que homem passando de uns trinta e poucos deveriam vir com um botãozinho de segurança que liga-se um "modo simancol" tipo assim; "Já era tiu, vai pescar, colecionar figurinha e esquece mulher que já era pra você, deixe elas em paz"

Anônimo disse...

Um abraço solidário para esta Leitora Querida. É terrível a marca que o estupro deixa na vítima, é uma violência que é como uma bomba atômica, pelo potencial de implodir a pessoa, de destruir tudo o que está ao seu redor. Que bom que você tem a oportunidade e forças para fazer terapia, porque é preciso dar um lugar para este sofrimento. Para que você possa se apropriar da sua vida, da sua trajetória, conseguindo romper com o ciclo da violência, para poder viver por inteiro e apesar do medo, apesar da marca. Muita solidariedade.

titia disse...

20:28 todo ser humano é um assassino em potencial, um abusador em potencial, um agressor em potencial. Agora, estupro é um crime predominantemente cometido por homens, e a maioria das vítimas são mulheres. Porque homens SÃO educados pra pensar que é ok estuprar. Por exemplo: você acha ok pressionar uma mulher, principalmente se for sua mulher, até ela aceitar transar? É estupro. Você acha ok dar bebida pra mulher relaxar e "liberar"? É estupro. Acha que "tirar uma casquinha" de uma mulher bêbada numa festa é uma traquinagem inofensiva? Nope, é estupro. Acha que é normal pressionar, chantagear ou ameaçar uma mulher indecisa pra fazer sexo? É estupro. Acha que "fazer doce" é só uma maneira da mulher "se valorizar" e é ok dar uma forçadinha? É estupro. Acha que não tem nada demais em "errar o buraco"? É estupro. No meio do sexo a mulher quis parar e você não parou? Estupro. Menor de 14 anos? Estupro, por lei. Meter a mão nos seios de uma mulher que tirou o sutiã num show sem ela permitir? Abuso sexual. Roubar beijo de desconhecida no carnaval ou na balada? Abuso sexual. Se esfregar numa estranha no ônibus? É abuso sexual também. Não quero nem começar em como a vítima tem que ser "direita" e o estupro ser igual aos 30% dos casos (psicopata armado no beco escuro) pra que os machistas considerem estupro. Ou devo esfregar na sua cara mimizenta todos os "vadia", "mereceu", "tava pedindo" que esses pobres zómis injustiçados vomitaram na internet inteira no caso do estupro coletivo de uma MENINA de 16 anos por 30 bostas mal cagadas? Um estupro que foi DOCUMENTADO e ASSUMIDO com orgulho por essas mesmas 30 bostas mal cagadas, aliás. Vai chorar no colo dos seus coleguinhas mascus.

Anônimo disse...

Dois irmão. mesma educação, mesma cultura mesma base social.

Um se tornou um estuprador sem empatia pelas vitimas, o outro nunca pensou em estuprar alguém na vida.
Qual explicação?

Duplode disse...

20:28 E para você, aparentemente, não existem nem cultura nem padrões de relações sociais, apenas indivíduos tomando decisões isoladamente do resto do mundo. A sua posição é tão simplista quanto o (espantalho) que você está atacando -- você apenas inverteu o sinal.

FUCKED UP full of extreme visions and hatred for everyone disse...

''Não existe cultura do estupro o que existe é cultura da impunidade. '''

sem duvida. e o medo é pra qualquer um. vivemos no medo extremo devido a cultura de impunidade mesmo. nao adianta querer acabar com o medo, sem declarar guerra e punir com a morte os bandidos

tava eu andando na orla aqui no rio/barra da tijuca as 6 da manhã e um bandido desarmado pediu um iphone, sendo que eu nao tenho iphone, mas no ódio peguei minha faca e mostrei na cara dele e falei ''sai daqui ou eu te mato'', entao ele saiu, se ele insistisse eu juro que esfaquiaria ele ate a morte. se eu tivesse um revolver eu nao importa se ele tava desarmado, eu daria tiro nesse lixo ate matar e foda-se as leis de legitima defesa que existemm que o cara seja um mestre de artes marciais apenas pra ser ''de igual pra igual''.

o medo é a realidade da vida. a guerra é eterna no universo. no universo nunca haverá equilibrio. se queres a paz prepara-se para a guerra, como diziam os romanos, que construíram o maior império pagão que esse mundo ja viu, na era de áries, epoca que a europa e os deuses da guerra reinavam, antes da era de peixes onde veio a tirania monoteísta contra as crenças ancestrais do mundo.

Anônimo disse...

Seguranças e policiais desmentem acusações de agressão de Amber Heard

Ainda segundo o site TMZ, não só os seguranças, como os policias que haviam sido chamados no sábado, dia 21, na casa do ator, quando tudo aconteceu, afirmam que Amber Heard não tinha sinais de lesões, como divulgadas em fotos por agências de notícias e como a própria atriz apareceu no dia da audiência sobre o divórcio do casal. A versão da polícia também contradiz a defesa da atriz, que alega que eles viram a casa toda desarrumada e a atriz machucada após a briga entre o casal, o que dá a entender que Amber pode ter mentido em algum ponto de seu depoimento à justiça.

Anônimo disse...

Ah Viviane,
Quando o assunto é odiar mulheres, os homens esquecem momentaneamente suas rinhas políticas, filosóficas, raciais, sociais e dão as mãos no vale da misoginia

Mila disse...

Minha solidariedade a você. O mais importante é saber que você não está só.

E sim, o fato de você ser negra tem muito a ver com isso. Hoje, como acontecia com as nossas ancestrais, ainda somos considerados "corpos" de ninguém. Acredito que a mulher branca ainda conta com o racismo institucionalizado para que os agressores sejam punidos, especialmente se forem negros. Brancas, negras e índias vivem ainda afetividades de maneiras distintas.
Sabe, a prerrogativa da "honra" nunca nos foi colocada. E até hoje é isso, a mulher negra encara o racismo e o machismo juntos. Somos vendidas como produto sexual e erótico brasileiro (mulatas do carnaval) e também indignas de ser companheiras plenas.

Anônimo disse...

Para nós mulheres o medo e uma pena perpetua, enquanto n~´ao vivermos em uma sociedade feminista que contenha homens e o machismo o medo sempre vai andar ao nosso lado.

Anônimo disse...

Querida leitora, não se sinta só, pois eu estou assim também. Estupro é algo que mexe muito forte comigo (e com todas as mulheres, de modo geral, acredito), isso que tenho apenas imagens “quebradas” na minha mente – nunca consegui reunir todos os dados, é como se algo tivesse apagado, se perdido, como se eu não quisesse acreditar.

Me sinto violentada de muitas maneiras, diariamente. Desde a notícia desse estupro coletivo estou me sentindo ruim. Chorei no trabalho, me desequilibrei completamente, e não me culpei: é mais forte do que eu, é duro, é difícil, é como você escreveu, a gente se vê na dor dessa menina, nessa injustiça toda, a gente se enxerga nesse meio.

Para tentar me aliviar, fui pela primeira vez na Marcha das Vadias, em solidariedade a menina do Rio, mas enquanto gritava de ódio, enquanto dizíamos “A culpa do estupro é do estuprador!” nas ruas, eu pensava que não fazíamos isso apenas por uma... fazíamos por todas, por muitas, porque, como a Lola escreveu uma vez aqui num dos meus posts favoritos, todas nós temos uma história de horror pra contar. Talvez a gente só tenha consciência disso anos depois, talvez a gente seja condicionada a esquecer, passar por cima, mas a história está lá, e num momento de muita dor, de extrema consciência, vem à tona.

Também faço terapia e tento me entender ao máximo, pois sinto que estou desenvolvendo um medo quase constante de homens. Sim, não se deve generalizar. Mas a dor é extrema, e me pergunto se realmente existe cura pra tanta dor na alma. Homens de modo geral me assustam. Meu pai, meu herói, até ele passou a me assustar. Meu avô amado, quando ouço histórias a respeito dele, da conduta dele com minha mãe, tias e a vó, ele me assusta também. Homens no meu trabalho, no meu caminho para casa, no condomínio. Se sou simpática levanto suspeitas, o sorrisinho no rosto já cresce, e já me assombra. Se não digo nada sou grossa, mas do jeito que ando vendo as coisas, é um modo de me expressar diante do medo que sinto.

Solidariedade é tudo nessas horas. Me senti sozinha também, enquanto chorava vendo as notícias sobre o estupro coletivo, e as pessoas ao meu redor perguntando: "Por que você tá chorando por um problema que nem é seu? Você já foi estuprada antes?" A 'delicadeza' das pessoas me espanta e por vezes gera uma dor maior ainda. Força para você, pra nós e pra todas que se sentem violentadas pelo machismo de cada dia, de cada momento, por essa violência toda, por essas dores que por vezes não dão sinais de ir embora. Parece, mas NÃO ESTAMOS SOZINHAS nesses sentimentos, nesse mar de confusão.

Força, sempre. Somos heroínas por, apesar de tudo, apesar de todos, ainda estar aqui, buscando modos de sobreviver nessa sociedade a qual eu não quero, nem nunca quis, me ajustar.

Anônimo disse...

Eu sou homem e também vivo com medo se ser assaltado ou morto, existe sim uma cultura do coitadismo, da romantização do bandido, do bandido vítima da sociedade, que faz com que todo crime seja criada uma imagem do bandido que tava com fome e foi vítima da sociedade opressora

Anônimo disse...

12:17

Q engraçado, pois quem acabou de se fazer de coitado é vc

"vivo com medo se ser assaltado ou morto", para de mimimi, para de se vitimizar

Paola disse...

Pode esperar que lá vem ozomi...

Depois vão me culpar por ficar feliz diante da reação da mexicana que se levantou e bateu no cara que a assediava e passava a mão no metrô? Acho mais é POUCO!

Anônimo disse...

Posso estar errada, mas do jeito que as pessoas são ignorantes...
Acredito que o fato de ser mulher e negra, faz com que os reaças a vejam além de submissa, uma escrava, sei lá, infelizmente isso acontece sim =(
As pessoas já olham para mulheres como um ser incapaz, submisso, se for negra piora.
Triste mas acredito que seja assim.
Brasileiro não é branco, é indio ou africano, esse tipo de coisa não deveria acontecer.

Anônimo disse...

Triste com o que disse Luís Nassif. Bora fazer carta de repúdio e divulgar nas redes. #Nassif machista

Anônimo disse...

Ao Anônimo das 12:17:

Querido, vamos ler de novo o post? Quem falou em MEDO DE SER ASSALTADO OU MORTO aqui? Tu colocou muito bem o que VOCÊ como ÔMI (sim, seu mimizento!) sente, pois de fato uma MULHER tem mais é medo de SER ESTUPRADA do que ASSALTADA... e se não estou enganada é SOBRE ISSO que viemos falar e discutir nesse post...

Que comece o vitimismo desses pobres coitados... cansaram de falar de estupro, é? Tão fazendo o quê aqui então? #PRECISAMOSFALARSOBREESTUPRO... ainda... ainda... e por muito tempo pelo visto...

Já tô até vendo... daqui a pouco surge:

IUZOMI?
I O DIREITO DUZOMI?
I AS LOCA QUE BATE NOZOMI?

NOS POUPE!!!

Anônimo disse...

12:17 prova disso é o que fazem com os estupradores. "Coitadinho, tá sendo vítima da vadia má", "A vagabunda tá destruindo a vida do pobre omi". E quem mais fala bandido bom é bandido morto é quem alivia a culpa de estuprador.

Anônimo disse...

Eu queria te dar um abraço. Outro dia escrevi para a Lola falando sobre o momento difícil que estou vivendo com minha filha de 16 anos que está se relacionando com um homem de 33. Senti-me por demais acolhida pela grande maioria das leitoras do blog e algumas dicas foram bem úteis. Espero que você se sinta acolhida aqui também. Nós somos muitas, somo fortes e estamos unidas. Se antes você estava sozinha, saiba que agora não está mais. Estamos todas com você!

Anônimo disse...

Na minha opinião,essa é a entrevista mais esclarecedora com a jovem estuprada.Vale a pena assistir:

https://www.youtube.com/watch?v=44eAaoOBKZw

Anônimo disse...

(Viviane)
Aos anônimos que fizeram a gentileza de me responder:
O histórico de machismo do Nassif é conhecido, basta lembrar que foi ele quem divulgou o post do cara que criou o termo "feminazi".
Sim, a solidariedade entre homens das mais diversas opiniões para atacar mulheres é impressionante. Embora eu não use Twitter, gostei da ideia da tag. Pois tentar escrever no site dele e de outros "blogueiros progressistas" não adianta, eles são solidários entre si. Aliás, blogueira para mim é a Lola (e outrxs corajosxs), que mantém este espaço sozinha, sem dinheiro e recebendo ameaças de morte. Jornalistas profissionais, com vasta experiência em mídias tradicionais e prestígio entre políticos e empresários, usam esse termo indevidamente.
Então, vamos nos unir, porque, se dependemos desse pessoal que só defende direitos humanos para metade da humanidade, estaremos perdidas...

Anônimo disse...

Só eu acho engraçado o horror que os homens sentem quando sugiro inverter o ônus da prova de estupro? "Mas aí qualquer mulher mal intencionada vai poder me acusar de estupro!!! E se eu não conseguir as provas?". Pois é, e qualquer homem mal intencionado pode me estuprar e sair impune se eu não conseguir as provas. Vídeo já vimos que não é prova suficiente. Talvez se a lesão resultar em morte seja - mas aí pro coro dos "bandido bom é bandido morto" que são os que mais tão passando a mão na cabeça dos caras - eu já vou estar meio morta, né. Não quer ser acusado injustamente de estupro? Não ande com más companhias. Não malhe demais pra não ficar com um porte físico ameaçador. Não ande sozinho com mulher. Não dê motivos pra sua mulher ficar puta com você. Mas espera! Mulher que é vitimista quando reclama de darem esses conselhos pra ela, né? "Só quero o seu bem". Reitero, quando é pra dar mãozinha no vale da misoginia, homens (e umas poucas infelizes mulheres) põe de lado qualquer discordância.

Anônimo disse...

Que movimento e este que desconsidera mulheres angelicas como mulheres?

Este e o futuro que a utopia de vocês busca? Religiosos sendo cidadãos de segunda classe, sem representatividade politica.

Anônimo disse...

Meu amor das 21:40, religião não pode ser bandeira política. Ninguém quer te impedir de ir à igreja nem mesmo de fazer passeata ou atos em prol da sua crença. O que não pode é ter projeto de lei e um executivo agindo dentro de "pensamento cristão", porque ninguém é obrigado a ser cristão, entende?

Anônimo disse...

Não, 21:40. O que não pode acontecer é esses religiosos conseguirem impor os seus preconceitos em forma de leis, como tem acontecido. Fora isso, eles continuam tendo exatamente os mesmos direitos.

Charle Coimbra disse...

Vc não entendeu problema, mas não entendeu mesmo!! Passou longe!!!

Anônimo disse...

Não sou negra, mas observando ao meu redor vejo essa 'diferenciação' nas diversas formas de violência contra a mulher quando ela é negra. Uma espécie de relativização velada, na escola mesmo, vi uma menina reclamar por causa do assédio e ouvir que ela não deveria se estressar, que eles faziam aquilo porque ela era uma 'negra bonita', com essas palavras. E muitos outros casos em que tiraram o peso do crime. Sou do interior do nordeste, e falo com base na minha experiência aqui, tão forte quanto é o machismo é o rascismo. Não aquele racismo direto, mas o que indiretamente fala para a mulher negra que ela teve sorte, e que deveria agradecer que o homem branco abusivo casou com ela. Então sim, eu acredito que o fato de você ser negra gere essa 'não reação'.Todo apoio e respeito ao feminismo negro. Ainda que não seja na mesma proporção sua dor também dói em mim, porque hoje de manhã na minha rua eu senti medo, e depois fiquei me perguntando o que esse homem sentiu por estar em uma rua deserta comigo.

Anônimo disse...

Principalmente, cultura da impunidade quando o crime é estupro. Depois dessa história já ouvi várias pessoas dizendo que isso foi só uma molecagem. Molecagem? O que um monstro desse precisa fazer mais para ser punido? Lendo os comentários, os casos divulgados e sendo mulher, só posso concluir o seguinte:
1- Você não sabe quem são os estupradores pela cara. Isso não está escrito na testa de nenhum homem;
2- homens admitem que mulheres que usam roupas curtas na frente deles, bebem com eles,vão a festas ou ficam em lugares sozinhas com eles, mantém amizade com eles estão pedindo para serem estupradas, pois, eles (homens) não tem controle sobre si mesmos;
3- Concluindo: Mulheres, não passem perto de homens, não mantenham amizades com homens, não bebam com homens, não participem de festas onde eles estejam. Eles estupram, defendem o direito de estuprar e, se acontecer, você é a culpada que está se fazendo de vítima. DICA NÚMERO 1 PARA NÃO SER ESTUPRADA: FIQUE LONGE DE HOMENS. Não sabemos quem é quem e os que são estão protegidos pela legitimação da violência contra mulher.
Isso não é medo?