domingo, 26 de junho de 2016

GUEST POST: CONTOS DE FADA? AS PRINCESAS DA VIDA REAL

Ane Santos, professora de Biologia, me enviou este texto redigido por ela:

Em leitura a um texto na perspectiva do feminismo sobre os contos de fadas, me chamaram a atenção algumas citações (des)interessantes, e então resolvi redigir uma resposta sobre o assunto.
A começar porque o texto em questão leva em consideração (exclusivamente?) os contos de fada Disney, isto é, princesinhas que fazem faxinas muito bem, damas “recatadas e do lar” (para utilizar uma expressão que ganhou destaque recentemente) etc cuja vida desagradável só poderia melhorar, claro, com a chegada do príncipe europeu em seu cavalo branco. Disseram que as feministas são cruéis por ignorar a beleza, sensibilidade, heroísmo e amor das histórias. Tudo isso que eu ainda estou procurando nessas histórias.
Claro, os desenhos são bonitinhos e tal, mas… Contos de fada não se referem aos seres mágicos que ajudam as princesinhas das referidas histórias e sim à varinha de condão, capaz de alterar o futuro de uma pessoa. As histórias reais são obscuras, sangrentas, bem diferentes das versões Disney.
Nas narrativas dos contos de fada, a inferioridade da personagem só pode ser vencida com auxílio de seres mágicos, e o desejo de libertação social é derrotado pelo conformismo. Com o passar do tempo, os contos de fada dão menor atenção a detalhes da cultura pagã e da sexualidade e, tomando emprestadas algumas ideias do romantismo do tempo da Revolução Francesa, se tornam um meio de educação para as crianças, embora os julgamentos sejam simplificados diante de personagens facilmente separáveis em “bons” e “maus” (não vou nem começar a falar sobre o problema que é essa separação dualista do mundo). Analisar a realidade por trás dos contos de fada pode ser bastante saudável para as crianças.
Mas ser princesa é legal como sonham as meninas, que se enrolam em panos rosas e colocam tiaras cheias de pedras brilhantes? E o príncipe encantado? Os casamentos eram por amor ou felizes? Hum, nem sempre; aliás, geralmente não. Eram casamentos arranjados, para produzir inúmeros herdeiros, de preferência homens.
Selecionei alguns fatos (achei somente personagens mais recentes, e quase nada sobre as mulheres da realeza do passado mais distante, por exemplo, as rainhas do Sacro Império Romano-Germânico) para ilustrar que a situação das mulheres da realeza não é lá muito “contos de fada”.
- Kate Middleton, ao entrar para a Família Real britânica, teve que aceitar, dentre outras coisas: comer mais devagar que a Rainha, andar atrás do marido, não opinar sobre política, não trabalhar, nunca chorar em público…
- Teresa de Leão (ca. 1080 – 1130), dada em casamento a Henrique de Borgonha aos 13 anos (junto com o Condado de Portugal), pois ele tinha ajudado seu pai em conquistas aos mouros.
Carlota Joaquina
- Bárbara de Brandemburgo (1423 – 1481), 14 filhos.
- Carlota Joaquina Teresa Cayetana (1775 – 1830), esposa do rei D.João VI. Casamento arranjado.
- Cristina de Bourbon (1606 – 1663), dada em casamento aos 13 anos.
- Doroteia Sofia do Palatinado-Neuburgo (1670 – 1748), quando viúva, voltou a se casar -- com o meio-irmão do falecido, que não queria devolver seu dote.
Luísa Isabel de Orleans,
a cara do Temer
- Luísa Isabel de Orleans (1709 – 1742), casou-se aos 12 anos com o futuro rei Luis I (que tinha 15), agia de modo descuidado na corte e chegou a ser trancada por seis dias. Quando se tornou viúva, ficou dois anos em um convento.
- Luísa Teresa Maria Clotilde de Saboia (1843 – 1911), casou-se com o príncipe Napoleão Bonaparte. Casamento infeliz, arranjado por razões políticas.
- Margarida Maria Teresa Joana de Saboia (1851 – 1926), casamento político acertado após a primeira opção de casamento, Matilde Habsburgo-Lorena, morrer em acidente. Casamento infeliz, com o rei tendo casos extraconjugais.
- Maria Ana Josefa de Áustria (1683 – 1754), casamento negociado para aproximação de Portugal com a Grande Aliança (Liga de Augsburgo), entre primos diretos.
- Maria Antonieta J. L. de Bourbon-Duas Sicílias (1851 – 1938), casou-se com o primo, teve 12 filhos.
- Maria Anunciata Isabel Filomena Sebásia (1843 – 1871), casamento arranjado, faleceu aos 28 anos de tuberculose.
- Maria Bárbara de Bragança (1711 - 1758), casamento arranjado para melhorar relações políticas entre as duas coroas ibéricas.
- Maria Beatriz Ricarda d'Este (1750 - 1829), casamento negociado por Francisco III. O primeiro pretendente, Jorge II, recusou, então o escolhido foi o arquiduque Fernando Carlos.
- Maria Beatriz Vitória Josefina de Sabóia (1792 - 1840), casou-se com o tio materno.
- Maria Cristina C. J. C. Elisa de Saboia (1812 – 1836), morreu cinco dias após um dos partos.
- Maria I (1734 – 1816), esposa de seu tio, Pedro III, arranjado para a continuidade dinástica da Casa de Bragança. 
- Maria Leopoldina de Áustria-Este (1776 – 1848), primeiro casamento contra a vontade, mantendo numerosos amantes. 
- Maria Luísa Imaculada de Bourbon-Duas Sicílias (1855 – 1874), família foi para o exílio, viu suas irmãs se mudarem ao se casarem com príncipes estrangeiros, e viu mãe e irmão morrerem de cólera. Com o casamento, tornou-se cunhada de uma de suas irmãs. Faleceu aos 19 anos, três meses após seu casamento.
- Maria Pia da Graça de Bourbon-Duas Sicílias (1849 – 1882), família exilada, casamento negociado com pretendente rico devido a dificuldades financeiras da família. Teve 12 filhos em treze anos, morreu de febre puerperal.
- Maria Pia de Saboia (1847 – 1911), casada aos 15 anos com D Luís, que ao ascender ao trono precisava de uma princesa europeia e herdeiros, e a escolha foi Maria.
- Maria Sofia Isabel de Neuburgo (1666 – 1699), escolhida como futura rainha porque seus pais tiveram 23 filhos (dos quais sobreviveram 17), e sob patrocínio da irmã mais velha.
- Maria Teresa Beatriz Caetana de Áustria-Este (1817 – 1886), casamento arranjado em tentativa de aliar a Família Real da França com a Casa de Áustria-Este.
- Maria Teresa Fernanda F. C. Pia de Saboia (1803 – 1879), casamento infeliz.
- Maria Teresa Isabel (1816 – 1867), detestava suas funções públicas, mas tinha bom relacionamento com o marido e o enteado.
- Matilde Maria Aldegundes Alexandra de Áustria-Teschen (1849 – 1867), um primo distante se apaixonou por ela e ia lhe pedir em casamento, mas sua mão já estava prometida ao rei da Itália, a fim de melhorar relações comerciais. Faleceu aos 18 anos em frente de toda a família, em acidente causado pelo cigarro que tentou esconder.

47 comentários:

Cláudia Dans disse...

Definitivamente, todas estas princesas que o texto cita (bela pesquisa, diga-se de passagem) não tiveram ou viveram o final feliz! E amor então? Passou longe! Todas tiveram casamentos arranjados e suas vontades ou mesmo desejos foram ignorados! Elas só tinham uma função: ter filhos, de preferência filhos homens! Ou seja, ser princesa é ter uma vida bem chata! Porém, os contos de fada apagaram esta ideia de que o casamento de reis e rainhas era um acordo comercial, passando a impressão de que depois do casório todos viveriam felizes para sempre!

Anônimo disse...

Corpos femininos sendo usados como ferramenta de interesses econômicos e disputas territoriais de homens. Casamentos arranjados pra unir reinos, selar alianças políticas e fortalecer o domínio sobre um determinado lugar. Triste, viu?
Mulheres objetificadas pra atender interesses de homens. É pra isto que essas princesas serviam enquanto que suas vontades e desejos eram jogadas no lixo.
Realmente é problemático meninas se espelharem em princesas da disney. Se tiver filhas, farei de tudo pra que não consumam essas porcarias, mas como?

Anônimo disse...

Quando eu era pequeno eu via Jaspion e Jiraya e nem por isso eu saio por aí querendo enfrentar monstros, quer dizer que as meninas assistirem filmes da Disney farão elas se tornarem alienadas.

Anônimo disse...

" os julgamentos sejam simplificados diante de personagens facilmente separáveis em “bons” e “maus” (não vou nem começar a falar sobre o problema que é essa separação dualista do mundo)"

Um discurso interessante pra quem divide a sociedade entre "esquerda do bem" e "direita malvada".

Anônimo disse...

Sempre tem algum bestão(machista) burro pra dizer que o que consumimos não influencia em nada nas nossas vidas.

titia disse...

Ser princesa só é legal se você for a princesa Diana e olhe lá. Ser princesa na vida real e nos contos de fada é uma bosta.

15:04 monstros não existem, armaduras mágicas não existem, espadas mágicas menos ainda. Machismo existe. Aliás, você cresceu assistindo Jaspion e Jiraya e provavelmente acredita que o papel da mulher é ser a donzela em perigo que grita e desmaia, que fica esperando pra ser resgatada e depois ainda tem a obrigação de te "recompensar" pela sua atitude heroica.

Prof Ane Santos disse...

Olá, eu sou a autora deste texto. Obrigada por colocar no seu blog, Lola.
Vamos aos comentários… Claudia Dans, obrigada pelo elogio. Sim, além de apagar os problemas pessoais em relação ao casamento, os contos de fada atuais apagaram boa parte das mensagens originais de proteção/cuidado/aviso que eles tinham…
Anônimo das 14:51, e estes casamentos não eram/são somente na Europa, infelizmente. É difícil que as crianças não consumam estas “porcarias”, mas acho que você orientando que a finalidade do produto é vender e que a história foi alterada, já ajuda bastante… E quem sabe, além da criança conhecer os desenhos Disney, ser apresentada a desenhos de outras nacionalidades, como os desenhos japoneses (animes) e etc…
Anônimo das 15:04, a tendência é a pessoa incorporar os valores do ambiente aos quais está inserido, isto inclui a mídia, claro. Se este conjunto de valores é imposto a alguém de forma acrítica, sem que a própria pessoa também se coloque de forma crítica, acho que a tendência é assimilar isto facilmente para si. O que oriento é que a criança seja ensinada a perceber porque certa princesa é daquela forma, e que originalmente a história não é daquele jeito...

Laura disse...

Li recentemente a Biografia da Maria Stuart (do Stefan Zweig) e era uma coisa louca mesmo, não tinha nenhum glamour. Há um controle absurdo da vida, mas isso eu acho que é um problema de toda monarquia. Não havia muito amor entre os noivos.. pelo menos pela vida dela isso fica claro. Que é justamente o contrário do que passa os contos da Disney. Acho que se mesmo se a criança ver uns contos de fadas e depois ter contato com uma literatura mais histórica ou simplesmente um senso crítico vindo da família, já desmorona essa torre de ilusão.

Anônimo disse...

"Anônimo disse...
Quando eu era pequeno eu via Jaspion e Jiraya e nem por isso eu saio por aí querendo enfrentar monstros, quer dizer que as meninas assistirem filmes da Disney farão elas se tornarem alienadas.

26 DE JUNHO DE 2016 15:04"

Oi? Claro que significa. Conheço muitas mulheres com papo de "príncipe encantado", "outra metade da laranja".

Anônimo disse...

Muitas crianças passam a infancia assistindo filme da Disney, eu fui uma dessas. O mais importante são os pais e irmãos sempre estarem lembrando que isso é só uma estória. As pessoas romantizam demais, não existe nada disso.
Não foi citado no texto a princesa Sissi, eu conheço a biografia dela, minha avó adora a trilogia Sissi, muitas primas que tem a mesma idade acham que a vida de sissi foi um conto de fadas da vida real, mas não foi, apesar dela ter se casado por amor, não gostava da vida de princesa, tanto é que tinha anorexia, depressão, um de seus filhos suicidou, depois que isso aconteceu, ela passou a não andar escoltada mais, e isso levou a sua morte, porque foi assassinada por um anarquista. Apesar de amar o seu marido, não fora feliz, e isso é evidente.
As pessoas hoje em dia acreditam que a vida de antigamente era mais feliz, que os casamentos davam certo, que mulher era amélia e os maridos faziam de tudo para agradar, mas não é bem assim, as pessoas insistem em ver romantismo onde não existe. Essas princesas ai por exemplo, muita gente acham que eram felizes pq casava e morria com o mesmo cara, mas não, isso acontecia muito porque não era possivel divorciar, mas observe: pelo lado masculino, sempre havia traição. E ai, cadê felicidade nisso?

Marquinho disse...

Tem que ter muito amor no coração pra se sacrificar tanto pelo país. Não é pra qualquer uma.

Anônimo disse...

Uniões familiares por afeto são uma coisa bem recente na história da humanidade, eu acho. Casamentos sempre foram vistos também, ou principalmente, como uniões políticas ou de coesão do clã (como ter muitos filhos pra aumentar o bando, o trabalho e a proteção).
Outra coisa: alguém aí já viu a campanha "Sou princesa, sou real" da Disney? Eles têm passado trechos dos filmes das princesas intercalados com imagens de meninas brincando (e se sujando), explorando (e coisas "desafiadoras", tipo mergulho), estudando, etc. Por exemplo: eles mostram a Ariel nadando e logo em seguida uma menina saltando na piscina numa raia (me parece algo competitivo, e não só "brincando na piscina"), ou a Merida e seu arco e uma menina treinando arco e flecha. O que vocês acham desse reposicionamento da marca?

Rafael Cherem disse...

Qualquer mulher gostaria de ter a vida de Kate Midleton.Quantoa as demais referencias históricas superficiais,pois retira das mulheres o papel de protagonistas e as coloca como vítimas,não que em algum momento não possam ter sido,mas muitas guiaram suas nações por anos,esse ângulo precisa ser trazido a lume.

Prof Ane Santos disse...

Laura, concordo. E não é proibir de ver, mas ter ciência de que não é perfeitinho como mostra no desenho.
Anônimo das 16:52, também conheço. Não falam isso diretamente, mas o jeito de agir demonstra que estão a espera do “par perfeito”.
Anônimo das 17:26, coloquei só alguns exemplos mesmo, mas a Sissi é um exemplo interessante. E as mulheres não tinham voz, então mesmo com casamento ruim, tinha que aguentar. Atualmente ainda existem casos assim, da pessoa não estar feliz mas não querer se separar para que “os outros não falem”.
Marquinho, acho que não se trata de amor pelo país, e sim uma coisa culturalmente imposta, um dever, uma convenção onde a mulher só seria uma moeda de troca, onde a figura feminina não tinha como ir contra as regras de seu grupo social...
Anônimo das 17:55, talvez isso seja para tentar se mostrar politicamente correto, uma jogada de publicidade. São princesas da vida real que fazem o que é mostrado no desenho, talvez coisas do cotidiano, mas nada mais aprofundado que isso?
Rafael, foram elas que guiaram? Infelizmente conheço poucas mulheres protagonistas na história das princesas/rainhas europeias, ainda menos nos contos de fada Disney no sentido de que apenas aguardam o príncipe/heroi.
Bom, que tal a Disney “inovar” com algum desenho sobre a rainha Boadiceia? Ou da imperatriz Wu Zetian? Hehe.

Anônimo disse...

É verdade, por muitos anos as pessoas se casaram por imposição dos pais, tanto é que até minha avó mesmo disse, que mal conheceu meu avô e já teve que se casar, não podia sequer ter dado um beijinho na boca, ou seja, duvido que se casou por amor, casou pq foi obrigada.

Prof Ane Santos disse...

Anônimo das 19:45, é verdade. Conheço várias pessoas mais velhas que se casaram por obrigação, para poder sair da casa dos pais rapidamente (e outras que casaram porque engravidaram e não queriam que outras pessoas falassem).

Anônimo disse...

Até que ela viveu uma vida bem boa nos anos que passou vivendo em Chenonceaux. Tudo bem que foi pra lá fugindo de tramas de assassinato contra ela ainda infante e voltou viúva pra Escócia para ser incarcerada e eventualmente morta pela Rainha Elizabeth. Mas assim, acho Mary Stuart um exemplo ruim. Primeiro, ela era RAINHA. Por acaso, quando casada com Francois II ela viveu os melhores anos da vida dela. E terceiro, o inferno na vida dela foi a disputa por poder com outra mulher.

Prof Ane Santos disse...

Estava lendo uma reportagem sobre casamento arranjado, em que entrevistaram o prof de Stanford, Baba Shiv. Ele diz que a fórmula (de casamento ser arranjado) tem menos chance de erro, pois são 3 ou 4 candidatos selecionados pela família e o filho que decide, com processo que dura cerca de um mês; além disso, diz que a família trabalha pelo sucesso da união porque esteve envolvida desde o começo. Se for um candidato por vez, pode parecer que o próximo seja mais interessante, gerando enorme insatisfação a cada “pequeno problema”. Ele lembra que a ideia é procurar a pessoa “possível”, não a ideal. O texto também comenta que na Índia esta opção está cada vez mais em desuso e que os candidatos estão preferindo namorar antes de casar. Não sei se gostaria que a família ajudasse a escolher, quem sabe uns conselhos no máximo. O que acham?

Anônimo disse...

Acho que a familia AJUDAR a escolher tudo bem, mas impor, ai é demais. Os pais não sabem o desejo dos filhos, não são os pais que irão casar, então pq vão escolher?

Juliana Brito disse...

Sobre a Disney, acho válido reconhecer que as princesas evoluem. As princesas mais modernas tem um espírito mais independente e lutam por seu espaço. A Rapunzel foge do domínio da falsa mãe, Mulan é heroína China, casa por amor e, na sequência, impede que as filhas do imperador se casem por obrigação. A Tiana trabalha para ter seu próprio restaurante e a Mérida termina o desenho solteira e feliz. Seguindo a mesma linha de raciocínio para a vida real, nós temos a princesa da Suécia futura rainha (não seu irmão mais novo), e outra menina como sua sucessora. Há princesingas sendo preparadas para reinar na Espanha, Holanda... Tem príncipe casando com plebeia, com mãe solteira. Acho que as princesas estão evoluindo na vida real e na ficção. A vida da família real inglesa é a que mais chega até nós (e Kate Middleton já tem a vida bem melhor e mais autônoma que lady Di), mas se olharmos as outras realezas européias, tem coisa mui legal acontecendo.
E, quanto às princesas do passado... Bom, não eram só as nobres que eram dadas em casamentos arranjados e infelizes, né?
Acho que o legal é rolar essa análise comparativa para que as meninas de hoje sejam mulheres menos crédulas na ideia do príncipe encantado que as da minha geração, porque até as princesas já viram que não é bem por aí...

Anônimo disse...

Eu trocaria de lugar com a Lady Kate tipo, hoje mesmo.

Marido amoroso, dois filhos lindos, nenhuma preocupação financeira e a cara de bem dormida de quem nunca vai ter o cartão de crédito recusado na Marisa.

Pra um vidão assim eu como até 3 dias depois da Rainha se for preciso #confiscaminhacarteirinha

Agora sobre os outros casamentos em geral...

Casamento "por amor" é um fenômeno cultural ultra recente. Na leitura jurídica, aliás, dá pra entender ainda melhor o que, afinal, é esse instituto (e pq celeumas como as contra o casamento gay e contra a poligamia oficializada são idiotas): contrato civil. Negócio jurídico. Bens. Money. Sob o pretexto da (legalizada) constituição de família (leia-se: herdeiros) e vida em comum. Na papelada, acabou aí.

Agora a UNIÃO, o amor, a amizade, blablablabla bom pra isso ninguém precisa de papel, que no caso é apenas uma conveniência legal importante. E ter o papel não garante nenhuma dessas coisas. Às vezes, nem a conveniência legal em vista do traste que se escolhe pra cônjuge rssssssss mas vamos ter fé.

Kliffo disse...

Que coisa. Quando eu era evangélico, sempre repudiei a Disney por achar que era "coisa do diabo", depois larguei a religião e passei a deixar a Disney em paz. Não é que agora estou voltando a repudiar a Disney ao ler esse texto?

Anônimo disse...

Lembrando que, não raro, um casamento infeliz aflige ambos parceiros, cada qual na sua desgraça particular.

Kliffo disse...

A questão é: como fazer com que os filhos não tenham contato com a Disney? Porque com todo respeito, apesar de haver essa triste realidade eu acho as obras da Disney são incrivelmente lindas e hipnotizantes. Sempre que assisto, algo me toca. Mesmo eu com 25 anos me encanto, pense numa criança de 6,7 anos?

Valéria Fernandes disse...

Ser princesa, ou mesmo rainha em seu próprio nome e direito (caso da citada Mary Stuart), não era garantia de felicidade, mas como alguém pontuou anteriormente, casamento "por amor" é algo cultural e, no ocidente, muito recente. Mesmo príncipes até boa parte do século XIX costumavam ser casados - veja o verbo que uso - muito cedo; viúvos tinham mais autonomia nas suas escolhas e poderiam ter amantes, mas isso iria sempre depender da época, lugar e da personalidade do sujeito.

Quanto às princesas, o fato de não se casarem por amor, ou delas se esperar que garantissem uma linhagem, não pode ser usado para lhes colocar o selo de infelizes ou criaturas sem poder e agenciamento próprio. Quer perspectiva pior do que uma Catarina II da Rússia? Veja como ela virou a mesa a seu favor, apesar de tudo. Vejam, também, em detalhes a vida de uma Carlota Joaquina. De coitada, de vítima, ela não tinha nada. E não se trata de julgamento moral, ou de valor, mas que ela foi uma personagem brilhante a sua forma. Começando quando impediu que seu casamento fosse consumado quando ela tinha míseros dez anos e o noivo 18, espancando o noivo e conseguindo - nessa tenra idade - um acordo que lhe garantia que o casamento só seria consumado quando ela quisesse ou aos 14 anos (idade mais adequada para a época). Não era usual algo assim no século XVIII, mas a corte portuguesa era meio esquisita mesmo.

Sinceramente? Como medievalista de formação e interessada no assunto, poderia citar um bom número de princesas e rainhas, além de outras nobres, que fariam muitas meninas modernas admirarem-se delas. Começando com Leonor da Aquitania e sua neta Branca de Castela, para citar somente duas, que a despeito de poderem ser reduzidas (como se pouco fosse) aos filhos e filhas que geraram, foram muito, muito mais que somente ótimas reprodutoras.

Anônimo disse...

Tem muita coisa mudando mesmo, o principe da suécia, Carl Philip se casou com uma ex-stripper kkkkk se fosse antigamente ela nunca iria se casar, quem diria com o PRINCIPE, ohhh the prince ( trecho do desenho Cinderella) *-------*

Anônimo disse...

Sério... se eu tivesse que viver a vida da Kate Midleton, sendo controlada pela mídia, pelo público, pela família real e sendo nada mais do que um enfeite mudo e matriz reprodutora estatal/real, eu me enforcava com minhas próprias tripas num pé de salsinha...

Aliás... o dia que minha única função no mundo for ser matriz reprodutora, seja de quem for, eu me enforco com minhas próprias tripas num pé de salsinha

(Tá, confesso... acho as roupas e joias dela um luxo e queria p. mim... mas não a esse preço)

Jane Doe

Sportano disse...

Como já lembraram antes, casamentos "por amor" é algo bem recente. As famílias, muitas vezes, decidiam com quem seus filhos (mulher e homem) casariam.
E hoje, não é porque temos casamento por amor que temos felicidade.

Não sou muito favorável em "travar uma guerra contra a Disney" porque a Disney vai estar influenciando, "educando" de forma errada. A educação cabe aos pais. Sério mesmo que um desenho tem uma força maior do que a educação dos pais sobre os filhos?

Tem muito mais peso as influências que ela vê no dia a dia, muitas vezes de palavras dos próprios pais, do que um desenho. Muitas e muitas mulheres buscam a versão moderna do príncipe encantado. Ele não precisa vir com o cavalo branco mas precisa ter uma condição financeira de sustentar a mulher, inclusive alguns luxos dessa mulher.Quantas e quantas não são marias chuteiras,marias gasolinas e tantas e tantas outras classes de "marias". Ou quantas e quantas não procuram necessariamente homens com uma condição financeira bem melhor do que a delas?

Não falo que são todas, nem falo que essas estão erradas em agirem assim. São totalmente livres para terem qualquer tipo de critério para escolherem com quem se relacionar.

Anônimo disse...

Texto anacrônico. Não se pode julgar pessoas de outras eras querendo colocá-las na caixinha dos valores atuais. Contexto é tudo.

Anônimo disse...

Sério Jane? Ela não me parece muito controlada.
Já viram a do Japão?


Com relação aos contos da Disney, houve uma mudança nos paradigmas das princesas, essa mudança vai ao encontro das mudanças sociais, além do mais como toda obra cultural, elas não podem ser vistas apenas sob uma óptica.

Anônimo disse...

Não acho que adianta travar uma guerra contra a Disney, como disseram acima. Mas tipo assim, todos esses contos de fadas são antigos, então é claro que iria ter esse tipo de coisa (casamento arranjado, mulher só servindo pra parir).
Eu sinceramente amo a Disney, só nunca fui lá pq não tenho condições.
Não acho errado ter essas histórias, até pq criança é criança, criança vive em mundo de fantasias, onde tudo é lindo, tudo é ingenuo, até pq se fosse pra mostrar de cara a merda que é a vida, ia ser extremamente chato. É só assistir aos filmes, e se por acaso a menina começar a sonhar demais, q vai ter que casar, que vai ser princesa, que vai ser isso isso ou aquilo, que mulher não pode isso, cabe aos pais explicarem que não passa de uma história, pronto. Não precisa proibir.

Prof Ane Santos disse...

Juliana Brito, sua reflexão foi muito legal. Concordo que as princesas estão mudando, e no caso Disney acho que por pressão da sociedade, senão eles não venderiam mais. Um exemplo é o caso dos produtos, onde as princesas não se olham… Isso podia mudar também, fazerem elas serem mais próximas, algo assim… E sim, essa análise é super importante. Ainda vejo muitas crianças sendo “treinadas” para esperar seus príncipes, isso tem que ir mudando…
Anônimo das 23:22, hehe, pois é, nada como não ter preocupações financeiras e uma família que parece ser legal, mas não sei se eu aguentaria a rainha e aquele monte de paparazzi…
Kliffo, concordo que são belas obras de arte; a questão não seria não ver, mas ter ciência dos detalhes e objetivos. E eu acho também complicado este monopólio, afinal existem obras com lindas histórias e qualidade na arte em outros países, que acabam esquecidas…
Valéria, sim, os rapazes também eram muito afetados por esta cultura do casamento imposto e tinham muitas responsabilidades em seus cargos. E tem exceções para as mulheres, felizmente. Mas minha ideia seria mostrar que não eram muuuito frequentes, para as crianças saberem a realidade dos contos de fada e a cultura da época.
Anônimo das 00:23, pois é, hehehe, as coisas mudam. =)
Anônimo das 04:07, sim, a liberdade é difícil de comprar.
Sportano, acredito que a influência é grande em muitos casos, sim. Conheço várias crianças com pais ausentes, e quem educa é a televisão. Aí os pais se “desculpam” comprando desenhos animados, mas não conversam acerca do assunto, só deixam que a criança assista quantas vezes quiser, sem se preocuparem em serem críticas. Não só com desenhos, mas filmes e telejornais, claro. É bem complicado.
Anônimo das 09:20, concordo plenamente. Mas os desenhos da Disney em geral não se preocupam com esse contexto e se as crianças apreendem os valores ali expostos, de forma acrítica, elas correm o risco de se tornarem menos autônomas.
Anônimo das 09:36, sim, que bom que estão mudando… Mas as obras mais ´antigas´, com princesas que apenas esperam melhorias em sua vida por obra de outrem ainda estão aí, e seria interessante explicar que nem tudo é conto de fada.

Valéria Fernandes disse...

Ane Santos, eu não comentei em referência ao seu comentário, mas ao texto geral mesmo. Contos de fada com casamentos precoces de garotos, não me lembro. A versão da Bela e a Fera na qual a feiticeira quer forçar o príncipe a casar com ela e a recusa resulta no feitiço, normalmente, não é muito conhecida. Mas basta pegar biografias históricas, ou verbetes da Wikipedia, é mais rápido, e a gente percebe o quão precoces eram os primeiros casamentos para os moços da alta nobreza. O importante era colocar os cavalos de raça para cruzar o mais cedo possível, afinal, o primeiro dever de um príncipe também era procriar, isso não era responsabilidade somente das mulheres.

Anônimo disse...

Adoro textos com conteúdo histórico!

Bom, é bem óbvia a distinção entre ser uma princesa da disney e ser uma princesa de verdade.
A vida de uma princesa de verdade, ao longo da história e como bem sintetiza o texto, não é nada fácil. Mas tampouco é para os príncipes, que também não tem a autonomia de escolher se, quando e com quem irão se casar.

Me lembro bem quando li a historia de maria antonieta (adaptada lindamente para o cinema). O livro mostra a fase anterior ao casamento, que ocorreu quando ela e o futuro rei da frança tinham 14 anos. Ela deixou a austria para sempre e foi para uma corte completamente diferente em versalhes. O príncipe parecia tão perdido quanto ela (só consumaram o casamento 4 anos depois), e a gente passa a olhar esses dois com menos severidade do que quando aprendemos sobre revolução francesa na escola.

Enfim. Claro que meninos não crescem querendo ser príncipes e idealizando isso, por isso é o mito da vida perfeita das princesas que tem que ser quebrado. Não, penso eu, desestimulando a disney. por mais que princesas existam e monstros não, no final das contas ninguém vai crescer bobo por querer se vestir de elsa quando tem seis anos de idade.

Alícia

Anônimo disse...

a)Amei o texto mas percebo uma evolução nas princesas da disney elas estão mais guerreiras e autônomas

Anônimo disse...

A preocupação das feministas num país de sexualização precoce de meninas com as princesas da Disney é ridícula, onde o termo "novinha" não choca ninguém, onde um imbecil assediador é ídolo teen e vcs vem de mimimi contra um simples produto de consumo que alias vai ao encontro dessa mesma sexualização precoce? Vcs não tem vergonha?

Anônimo disse...

Corrigindo, vai de encontro com a sexualização precoce

Anônimo disse...

Tá muito mal informado broder. Aqui a gente cansa de falar de sexualização infantil e dos assédios contra novinhas. Leia com atenção os posts sobre o cara de 32 anos atrás da guria de 16.
Só q quando a gente fala disso é etarista, é preconceituosa, nossa mas vcs nem deixam os omi cantar as novinhas... vcs reclamam muito, nunca vi um homem levantar um dedo contra isso pq é claro, manter crianças e adolescentes sexualizadas os interessa bastante

Anônimo disse...

Só q quando a gente fala disso é etarista, é preconceituosa, nossa mas vcs nem deixam os omi cantar as novinhas... vcs reclamam muito, nunca vi um homem levantar um dedo contra isso pq é claro, manter crianças e adolescentes sexualizadas os interessa bastante

Vcs está chutando que sou homem.

E vc está mentindo.

titia disse...

Não, 14:01, ela não está mentindo, as pessoas nesse blog ESTÃO combatendo a sexualização precoce de meninas. Leia o post sugerido. O que acontece é que no movimento feminista não tem essa de uma pauta é mais importante que a outra.

Anônimo disse...

Por isso estão tão perdidas.

Anônimo disse...

Se o feminismo não incomodasse tanto, não haveria esse mimimi em todo post. Confessem que vcs dão F5 a cada post apenas pra ser hater...
Significa q estamos no caminho certo.

Anônimo disse...

Isso é um blog pessoal e a pessoa que cria um blog escolhe o assunto que quiser discutir em seus blog.

Anônimo disse...

Tem um príncipe de Liechtenstein que se casou com uma mulher afro-latina, a Ângela, que se tornou princesa de lá e os dois tiveram um filho que é afrodescedente e príncipe tbm.
Tem tbm o príncipe da Noruega que se casou com uma mãe solteira. O atual rei da Espanha se casou com uma mulher que era divorciada.


Quanto aos príncipes de antigamente que eram obrigados a se casarem muito novos, eles podiam até ser vítimas. Mas quando eles tomavam o poder não faziam nada para mudar essa realidade tbm e continuavam a perpetuar isso enquanto as mulheres na maioria das vezes limitadas ao cargo de rainha consorte é que não podia fazer nada mesmo. Quando o casal não conseguia ter filhos sempre culpavam a mulher antes.

A Kate pelo menos para mim sempre a vejo bem a vontade, agora isso de comer mais devagar que a rainha ela sabia onde estava se metendo.

Não que eu seja uma defensora da monarquia, mas é sempre a monarquia da Inglaterra e o principado de Mônaco que chegam ao conhecimento da maioria das pessoas. E são justamente essas duas que não trazem muito de novo que chegam ao grande público.

Anônimo disse...

Mesmo os homens sendo forçados a se casarem eles pelo menos tinha todo o direito de ter as amantes deles, por isso se acomodavam fácil com a situação. Já com as mulheres a situação era sempre pior e mais violenta. Teve um rei mesmo na Inglaterra o Henrique Tudor que mandou cortar a cabeça de duas esposas, entre elas a famosa Ana Bolena. E ele se divorciou da primeira esposa porque ela não dava filhos varões a ele. E claro que ele culpava a esposa por isso, ele achava que era um problema só com ela e o mesmo ele fez com as outras esposas, na qual ele chegou a ter 6.

Anônimo disse...

O que acho nojento tbm eram aqueles casamentos arranjados de tios com sobrinhas.

Anônimo disse...

Kate Middleton (única nossa contemporânea da lista) teve que acatar as regras que toda a família real segue. Nem o rei consorte pode comer mais rápido que a rainha, nenhum deles pode chorar em público, não podem sair no meio de nenhum compromisso público para ir ao banheiro. Ela pelo menos teve escolha, e os príncipes que nasceram nessa situação?