quarta-feira, 3 de junho de 2015

NOSSAS DESCOBERTAS DO DIA A DIA

Na quinta à noite peguei o primeiro de dois aviões para voltar de Goiânia, onde fui palestrar sobre família e gênero na PUC, para Fortaleza.
Aliás, não me lembro de ter feito uma viagem tão curta: de Goiânia pra Brasília são 22 minutos de voo! Você gasta muito mais tempo esperando o embarque, fazendo o desembarque, fazendo o check-in, do que voando. 
Bom, cheguei no avião e um casal velhinho sentou-se ao meu lado (eu estava na janela). 
Aí veio uma mulher mais ou menos da minha idade e disse que o assento do corredor onde a velhinha tinha sentado era dela. Normal, isso acontece direto, ainda mais com uma turma que ainda não tem tanta familiaridade com viagens aéreas. O casal velhinho se mudou, a mulher sentou no seu assento, e fez cara pra mim de "Que gente ignorante!" Ou ao menos eu tive esta impressão de que foi essa cara que ela fez pra mim.
Eu já estava lendo. Comecei a ler um livrinho da Elisabeth Badinter chamado Rumo Equivocado, que critica algumas escolhas do feminismo. Prometo falar sobre ele em breve. 
A mulher mais ou menos do meu lado (a que sentou no corredor; eu na janela, ninguém no meio, aleluia) ignorou minha leitora e passou a falar comigo. Sobre a Gol. Sobre como a Gol é horrível. É mesmo, concordei com ela. É a pior das companhias aéreas que operam no Brasil. Não serve lanchinho, não passa filme, e espreme os passageiros. 
Depois de mais algumas palavras decidindo qual seria a melhor companhia aérea, a dona do Viracopos Azul ou a colombiana Avianca, a mulher me deixou ler. Quando chegamos a Brasília, ela passou a falar mal do aeroporto. Disse que era confuso e que vive em reforma. Eu gosto muito daquele aeroporto, apesar do tamanho gigantesco. Ao menos tem a melhor praça de alimentação, disparado. Daí a mulher xingou Brasília em si, dizendo que detesta aquela cidade, que lá só tem ladrão. 
Resumo da ópera: se nos falamos três minutos no total, foi muito. Mas em três minutinhos ela meio que me comunicou que odiava os velhinhos que sem querer sentaram no seu assento, que odiava a Gol, que odiava o aeroporto de Brasília, e que odiava Brasília. Eu saí do avião pensando: imagina o que deve ser viver, trabalhar, conviver diariamente, ao lado daquela pessoa que só sabia reclamar? Como deve drenar a nossa energia um ser tão negativo desses!
Estava pensando nisso hoje e me lembrei de como uma aula, muitos anos atrás (quinze? dezoito?), mudou minha vida. Ok, exagero. Mas pelo menos mudou minha percepção de mim. Eu estava dando aula de inglês na escola de idiomas onde era coordenadora acadêmica, em Joinville, e falei de gente pessimista, que reclama de tudo o tempo todo. E acrescentei, no meu modo auto-depreciativo de ser: "Assim como eu, né?"
Eu no meio de parte de uma turma
querida na UFC, junho de 2012
Não me lembro com que turma querida aconteceu isso, porque quase sempre tive a sorte de só ter turmas queridas (tanto lá em Joinville quanto aqui em Fortaleza), mas as pessoas dessa turma discordaram de mim. Disseram que não, eu não era pessimista. Que, pelo contrário, eu era otimista. E deram vários exemplos (óbvio que não vou me lembrar de nenhum). Ou seja, me convenceram totalmente.
Somnia e eu no lançamento em SP, 2012
Não é estranho como eu me via como o contrário do que eu era? E não é bacana de como algumas palavras de uma turma de inglês que me conhecia bastante bem me fizeram mudar o jeito que eu me via? É verdade que se passaram alguns anos antes de eu me tornar a Polyanna Deslumbrete (nas palavras de uma leitora linda, a Somnia) que sou hoje.
Abração apertado na Somnia.
Saudades, queridona!
Isso já aconteceu com vocês? Por "isso", eu quero dizer: a) conviver com alguém que te drena as energias, b) se equivocar sobre você mesmx, c) mudar da noite pro dia uma percepção ou um comportamento que você tinha. Sempre penso numa leitora que me escreveu contando como desencanou de se preocupar em ir pra praia depois de ler um mísero post meu. Desnecessário dizer que fiquei super feliz. 

59 comentários:

Gle disse...

Que vôo "carregado", heim Lola? Rsrs.
Tenho uma amiga que é exatamente assim. Confesso que penso 2x antes de marcar algo com ela, nem que seja uma cervejinha. É aquele tipo de pessoa que não te deixa falar e só fala mal dos outros ou das coisas a sua volta. E detalhe, ela fica puta se vc manda palavras tentando amenizar. Exemplo: Ela manda uma mensagem "tenho 32434134 peças para fazer até amanhã" (ela é costureira, trabalha por conta). Eu respondo "que bom! Salário garantido!". Quando envio whats de bom dia e pergunto como ela está, ela só responde coisas negativas e nunca pergunta como eu estou. Quando acontece, é pq ela acordou de muito bom humor. Ela é assim desde sempre! Tem um coração enorme, mas é fissurada em reclamar kkkkkkkkkk!

Eu costumo ver o lado bom das coisas. O sentimento de negatividade e peso das palavras me deixam mal. Acredito que seus pensamentos estão intimamente ligados ao seu humor. É um exercício diário. Penso logo existo, certo? Cabe a mim definir se "existirei" triste ou feliz.

Aliás, ÓTIMO DIA PRA TODOS! =D

Anônimo disse...

lsiane][][[[
]/[[

Anônimo disse...

HAhaha como conheço gnt assim... e digo é difícil lidar... Escuto direto o quanto o meu trabalho é tranquilo enquanto os outros tem q ralar (sou prof. da rede estadual de S. Paulo... Curso técnico)... tipo eu ralo preparo aula mas o meu trabalho vale menos... ok td bem...
Tudo pros outros que te olham é questão se "sorte", hahah parece que nunca levantei cedo na vida, que nunca aturei assédio, que nunca apanhei ...

Tive um ex namorado que só me depreciava... vivia a dizer o quanto eu era feia, burra e pobre... bem pobre eu sou hahaha mas ainda assim ganho mto mais do que grande parte da população mundial (tem mta gnt sem nadinha no bolso por aí) e eu durante um tempo acreditei... realmente me via assim...
Bom a questão é que fui testar o quão ruim eu era, e adivinha eu não era feia do modo que ele me falava... aliás não era de modo algum pq ele criou um padrão na cabeça dele e aquilo nd tinha a ver comigo... eu não era burra, afinal ele vivia a dizer isso pra se livrar das inseguranças e limitações dele... O fato é que academicamente acabei me desenvolvendo mais que ele, conheci pessoas e até tenho alguma importância no meio acadêmico que estou inserida.

Resumo da história afaste-se sempre do que te faz mal, te causa desconforto... Ali com td certeza não vai encontrar nada de bom!!!

Anônimo disse...

Lola, sério q vc esteve em Goiânia? Gostaria de ter te visto, quando vier novamente avisa tá?

Anônimo disse...

E as garotas do Piauí? Algum grupo feminista já foi lá prestar auxílio? Mandou uma carta de apoio?

Anônimo disse...

ahãm... feministas n vivem de reclamar???? negatividade é só nos outros, tá serto...

Anônimo disse...

Esse caso me fez refletir como nós nos acostumamos a socializar a partir da negação do outro. É algo meio ritualístico até. É sempre reclamação das filas, da política, do futebol etc.

Anônimo disse...

Lola, como tu é tola, tu nem suspeita que ela falou tudo isso pra te desencorajar a fazer essas viagens? Que ela se sente mal ao dividir o mesmo voo contigo? Como tu nao faz chapinha, nem usa maquiagem e anda com roupas normais, ela imagina que tu ganha pouco.

Aposto que tu quiser, se tu tivesse bem maquiada, com chapinha e com roupas caras, ela jamais te diria nada disso. Ela pensa que graças ao governo atual, qualquer pessoa pode financiar sua viagem em varias vezes! Aprenda uma coisa, quem desdenha quer comprar, pois quando a pessoa nao quer, ela é indiferente!

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Esse caso me fez refletir como nós nos acostumamos a socializar a partir da negação do outro. É algo meio ritualístico até. É sempre reclamação das filas, da política, do futebol etc.

3 DE JUNHO DE 2015 12:47

Pensei o mesmo, é quase obrigatório interagir com as pessoas por meio de comentários pessimistas.

Soraia

pp disse...

Não entendi exatamente o que o último anônimo quis dizer, mas voltando ao post: é engraçado como tem gente chata nesse mundo. Todo mundo reclama de alguma coisa às vezes, mas esse povo pesado eu tenho tentado ao máximo tirar da minha vida.

E quanto a Brasília, me incomoda muito quem critica a cidade por causa dos políticos. A cidade é linda, as pessoas educadas... Quando visitei eu adorei!

pp disse...

Quis dizer o penúltimo anônimo

M.M. disse...

Pois é Lola

as coisas do mundo emanam energias boas ou ruins.Uma pessoa positiva que sempre fala e pensa coisas positivas atrai coisas positivas e é super mais protegida do que aquelas que nao sao.É muito mais dificil algo atingi-las.Por isso sempre bom acordar sorrindo, mesmo nos pessimos dias sempre procurar olhar o lado bom.

Uma pessoa plutoniana,carregada,é capaz de nos atingir com sua negatividade so em pensar coisas ruins sobre a gente se caso estivermos negativos.Isso é sentido na realidade,em certos acontecimentos,suga as energias da pessoa atingida.

Por isso sempre fazer,pensar e falar coisas positivas sobre si e sobre os outros.

Lola voce é muito positiva. :D

lola aronovich disse...

Anon das 12:47, feministas PROTESTAM. CRITICAM. É bem diferente de reclamar. Feminismo é um movimento político para mudar o mundo. Se vc quer ver o que é reclamação, no nível mais básico do "Ó Céus, ó vida!", recomendo que vc vá a um fórum mascu (pode ir no do mascu que tem 200 mil reais na conta, emprego, pais que aceitam que o filho de quase 30 more com eles pra sempre, todos os privilégios brancos masculinos héteros, e ainda assim se considera a verdadeira vítima do mundo, porque tem que pagar mulheres pra transar com ele). Lá é só chorume.
E não estou dizendo que uma pessoa não tem razão ou direito de reclamar (quer dizer, no caso de mascus, não têm mesmo). A mulher que citei no post tinha razão em considerar a Gol uma viação muito ruim. O problema é só reclamar o tempo todo. No dia a dia, falando pelo lado individual, isso costuma drenar energias de quem convive com aquela pessoa.

Mila disse...

Isso me lembrou de uma senhora que vai ao meu endocrino que eu. Ela reclamava a toda hora que em Brasília só tem médico ruim, que médico bom tem em São Paulo. Depois reclamou da Dilma, reclamou que da Bolsa Família, dos nordestinos, do papagaio, da chuva que caía, etc etc etc. A gente fica com a impressão de que as pessoas só reclamam mas não fazem nada pra mudar a realidade.

Em tempo, sou de Brasília e fico muito ofendida com esse preconceito com a nossa cidade. "Só tem ladrão, tem corrupto, taca uma bomba nessa cidade", mas fica a dica que a maioria dos ladrões são mandados pra cá por outros estados. Também fica na memória popular o caso lamentável do assassinato do índio Galdino. Já ouvi de muita gente de fora que os adolescentes da capital gostam de queimar índios (OI?). Toda cidade tem seus problemas e suas qualidades também.

Anônimo disse...

Todo mundo, inclusive parentes chegados meus, acham que eu ganho muito mais que eu ganho e que trabalho muito menos do que realmente trabalho. E vivem me pedindo $$ emprestado. É foda!

Mal sabem que se somar o valor do que eu tenho empata com o valor do que eu devo.

Povo folgado!

Essa é uma das causas das minhas reclamações, entre outras.

Raven Deschain disse...

Conheço muita gente assim. Pombas, eu sou assim (só não saio reclamando com desconhecidos, que esquisito).

Haha mas tou tentando mudar. É duro ser um pé no saco.

Mas concordo com alguém ali encima. Aposto que ela odiou vc tb. Pra alguma outra pessoa ela deve ter reclamado de ti.

Ariel disse...

Odeio gente que reclama, acho uma bosta isso, coisa de cuzão.

Não, pera.

Anônimo disse...

Minha mulher, acorda reclamando, dorme reclamando, vive reclamando, de tudo, de todos, de si mesmo, não sei o que fazer mais, se você fala algo positivo de algo ou alguém ela ressalta 300 pontos negativos, e reclama e reclama. Sinceramente, o oposto de mim, se algo me desagrada procuro mudar para me tornar alguem que não se incomode com tal fato ou pessoa, vejo sempre o lado bom, e tenho uma filosofia de vida que se tiver abrigo, comida, àgua e sexo está tudo bem sempre.

Anônimo disse...

Lola, adorei o post!!
Era tudo que eu precisava ler hoje!!
Ri muito com o seu comentário acima, sobre o mascu dos R$ 200.000,00... hahahahahahaa
Abraço

Ariel disse...

"Minha mulher, acorda reclamando, dorme reclamando, vive reclamando, de tudo, de todos, de si mesmo, não sei o que fazer mais, se você fala algo positivo de algo ou alguém ela ressalta 300 pontos negativos, e reclama e reclama."

Tem gente que curte mesmo, se tá sol reclama do sol, se tá chovendo reclama que não faz sol, se está fazendo frio quer calor, se tá calor diz que podia esfriar. Reclamar é um vício na verdade, que pode ou não ser uma coisa inofensiva.

http://www.hypeness.com.br/2015/01/o-que-aconteceu-comigo-quando-tentei-ficar-1-semana-sem-reclamar/

Anônimo disse...

Lola, não sei se isso de estranhos te abordarem pra jogar conversa fora não acontece muito com vc, mas reclamar é o esporte favorito de todo mundo praticamente! hauhaua
Tópicos populares incluem: o governo, a demora da fila, o PT, algum serviço ou atendimento público ou privado que não presta, a corrupção, a família, o governo, entre muitos outros.

Anônimo disse...

Eu era assim quando era mais jovem. Vivia reclamando da minha vida, reclamando de tudo que eu tinha e o que não tinha, enfim, nada nunca tava bom. Eu era a pessoa que chora de barriga cheia mas ainda não tinha percebido.

Foi até eu me mudar, morar sozinha, trabalhar, e ver o cotidiano de outras pessoas e ver o quanto eu sou privilegiada, deixei de ser egoísta pra caramba, e passei a me sentir feliz por coisas simples, o que eu alias nunca fazia.

Hoje sinto-me feliz quando deito e sei que tenho uma cama quentinha, com cobertor e tudo, sinto-me bem quando penso em quem não tem emprego e eu tenho, e quando estou atulhada de trabalho lembro de quando eu não tinha trabalho e o desespero que eu ficava pra arrumar um.

E é isso ai a gente tem que ser grato pelo que tem, e quando houver algo ruim fazer algo para modificar ao invés de ficar reclamando.

Tamara

Raven Deschain disse...

Óia Lola. Eu sou tão chata, mas tão chata, que só da mina interromper minha leitura, pra reclamar da Gol, eu já mandava ela se catar.

Fabiano Dantas Medeiros disse...

Que magnífico texto! Parabéns!

Abraço!

http://minhavisaofdm.blogspot.com.br/

Ariel disse...

Reclamar dá assunto.

Situação A:

- Olha que dia bonito hoje, nenhuma creche explodiu, nenhuma velhinha foi espancada, o trânsito está bom, o tempo está fresco, o tomate baixou de preço

*grilos e bola de feno passando*


Situação B:

- Cara você viu o aumento de não sei o que?
- AH MAS ESSA DILMA ESSE PETÊ ESSE NÃOSEIOQUÊ

E aí rola assunto daqui até Miami.

Existe toda uma cultura centrada na negatividade. Notícia boa não vira manchete de jornal.

Anônimo disse...

Que ótimo post Lola!
Eu estava precisando mesmo disso.
Também tenho tendência a reclamar. Fui pior quando mais nova, melhorei bastante mas andava esquecida de prestar atenção: é um exercício diário, pelo menos pra mim tem que ser.
Obrigada por me lembrar e melhorar a vida das pessoas ao meu redor (e a minha, claro! ) pelos próximos tempos. Depois a correria da vida vai me fazer esquecer de novo e alguém/outra coisa me lembrar outra vez e assim caminha um reclamão em remissão :)
Beatriz

Anônimo disse...

Castração

Anônimo disse...

Amei o post!
Eu tb precisava ler isso hoje!
Agora a pouco estava reclamando de ter um apartamento com 4 banheiros, que é muita coisa para limpar...
Olha só que absurdo, eu reclamando de ter 4 banheiros! Me senti o mascu perdedor do blog de finanças!! rsrsrsrsrsrsrs
Bj
Camila

Anônimo disse...

Por que vcs estão falando do mascu "pobre"? Serio que em toda postagem tem que falar em mascus?

Bizzys disse...

Eu sou 100% reclamona. Quer dizer, não 100%, eu não saio puxando conversas com estranhos para reclamar das coisas, mas as pessoas que eu conheço às vezes se cansam. Minha mãe me xingava para que eu parasse de reclamar, minhas amigas me zoam falando que mesmo que eu tenha "milhões no banco, uma casa enorme, um carro e um marido lindo" eu ainda vou reclamar da vida. XD

Eu já fui pior, mas aprendi que as pessoas não são obrigadas a ouvir meus problemas. Claro que às vezes eu desabafo, e escuto e entendo a reclamações alheias (porque não tá fácil pra ninguém, risos), só que ultimamente eu reclamo mais "mentalmente" que em voz alta.

Anônimo disse...

Gente fugindo um pouco do post, vocês viram o comercial da Boticário e a polêmica toda sobre ele? Parece que diante das reclamações perante o Conar foi aberto um processo. O que vocês acham? https://www.youtube.com/watch?v=1_04RSlhQAA

Anônimo disse...

/\ só não viu a polêmica sobre o comercial quem não tem internet, pq tá em tudo que é canto (tudo mesmo)

Camila Fernandes disse...

Ei Lola, tudo bom? Eu frequento seu blog há tempos, dei uma sumida mas talvez você lembre de mim. Pois então, teve um dia que eu desabafei aqui dizendo o quanto meu irmão era machista, "coxinha", racista, preconceituoso. E ele mudou, Lola! Isso foi tão fantástico, mal estou acreditando!

Ele tem 21 anos, está morando com nossos pais e fazendo cursinho pré-vestibular (tinha passado em uma federal aos 18, mas decidiu trancar e mudar de curso). Outra dia, conversando pelo celular, ele me disse que tinha percebido o quanto era preconceituoso e "babacão", nas palavras dele mesmo. Que vivia fazendo piada com pessoas negras, pessoas LGBT, etc, e agora percebia o quanto isso era atrasado e nocivo. Ele disse que viu um documentário e entendeu que pode usar o humor sem ofender as pessoas. Lola, eu acho que ele viu aquele documentário que você participa, sabe, "O riso dos outros"? Preciso confirmar porque ele não lembrava o título, mas tenho quase certeza! Ele parece outra pessoa, nossa. Eu estou TÃO feliz. Sinceramente, achei que isso nunca ia acontecer.

Aí, esse fim de semana nós viajamos juntos e aproveitamos para assistir Mad Max. Foi a melhor companhia possível pra ver o filme! Logo no começo ele veio comentar - aos sussurros, dentro do cinema - sobre como a Furiosa é uma personagem forte e o quanto é raro ver isso nos filmes de ação, ainda tão machistas (não sei se você viu o filme, mas a primeira cena dela é icônica e meu irmão disse isso logo aí, mesmo). Depois nós conversamos muito sobre o filme, fizemos uma ótima análise. Foi tão bom!

Eu estou tão feliz com essa mudança de perspectiva dele, tinha que compartilhar com vocês. E o melhor, sabe o que ele disse que o fez mudar? O cursinho!! Segundo ele, o cursinho tem passado filmes toda a semana (como o documentário sobre o humor, entre outros) e depois faz uma roda de discussão. Eles também têm debates sobre assuntos importantes, como cotas, racismo, direitos LGBT, etc, e os professores que conduzem essas atividades têm instigado reflexões sobre esses assuntos. Eu fiquei muito surpresa, cursinho costuma ser um ambiente tão machista. Diz ele que alguns professores ainda são muito preconceituosos e fazem as piadinhas bobas de sempre, mas não são todos, e as iniciativas como os filmes e debates estão ganhando cada vez mais espaço. Achei incrível!!

Sério, isso me deixou tão feliz.

Kittsu disse...

Eu detesto gente reclamona. Fujo sempre, me dá até ânsia. Quando as pessoas desabafam ou sentem que precisam falar de um problema eu sempre ouço e dou o maior apoio. Mas reclamadores crônicos que só sabe procurar coisa pra reclamar? nope nope nope nope. É apenas uma forma de insistência sem noção, uma forma de exigir que você esteja lá a serviço daquela pessoa.
Qualquer pessoa que tenha o hábito de exigir sua atenção ou colaboração por meios que minem suas possibilidades de recusa é uma pessoa do qual é muito bom se afastar. Gente que seeeempre se faz de coitado pra fazer você se sentir na obrigação moral de prestar apoio incondicional é um exemplo - Se você não virar o capachinho você é uma pessoa ruim, fria, sem coração, ohcéusoquevãopensardemim!?.
Outra "ordem" de inconvenientes são pessoas que prestam favores não solicitados, te obrigam a aceitar sob o escopo de "poxa eu me esforcei tanto pra te oferecer isso, você PRECISA aceitar"... E depois te cobram por aquele favor não solicitado que o próprio te "obrigou" a aceitar (como você não aceitaria? só se for frio, sem coração, ohmeudeuscomopôde!?). E não é por acaso, é tudo muito bem orquestrado.
Tenho dos dois tipos no meu trabalho. Ambos ganham muitíssimo bem (salários acima de R$15.000)e se fazem de coitados que são perseguidos pela vida e pelos infortúnios. Um é o coitado clássico, que exige que todo mundo tenha pena dele e fica contando histórias tristes sobre como a vida o maltrata - quase todas resultantes das próprias ações do tipo "estou no SPC, só vivo endividado :(", ou "minha família é muito ruim comigo, ninguém sabe da necessidade que estou passando :(" - chega bêbado em casa e maltrata todo mundo, acha injusto que as pessoas se afastaram.
O outro também faz isso, mas vive prestando favorzinhos pra exigir alguma coisa depois. Este ultimo eu uma vez abri o jogo com ele e disse que parasse com essa bajulação, que eu não aceitaria nada desses favores e achava essa insistência muitíssimo chata. Só cheguei a este ponto porquê a insistência foi MUITO grande e eu já havia recusado muitas vezes, eu sempre torço para que as sutilezas sejam suficientes. Não foram. A pessoa ficou nervosa e com raiva. Não muito tempo depois esta pessoa exigiu que eu fizesse X, que era contra as normas da empresa em situação no qual tal pessoa seria favorecida ao quebrar as ditas normas. Eu me recusei e tal pessoa tem raiva de mim até hoje. Os favores pararam de chegar (ufa!), o que demonstrava o único interesse em exigir algo depois.

Maria disse...

Lembrei de um dia que eu não tinha conseguido dormir direito, tava viajando e uma pessoa começou a reclamar perto de mim para puxar assunto, eu só olhei e assenti com a cabeça. Eu tava como fome, com sono e dor de cabeça e a última coisa que eu precisava era de alguém reclamando perto de mim. Esse exemplo serviu para mostrar que mesmo tendo motivos para reclamar ninguém tinha culpa e ninguém era obrigado a ouvir reclamações ou maledicências.
E sobre Brasília, achei o povo mau humorado, mas acho que mau humor é mal de cidade grande.

Zâmike Zeny disse...

Eu não tenho a sorte de sentar ao lado de Lola Aronovich, pois tenha certeza que deixaria meu livro de lado e não permitiria que você lesse o seu (rs) pra poder conversar com você um pouco, pelo menos. Abração, Lola.

Anônimo disse...

Eu achei tão pesado esse o comentário do anônimo 16:31 : "castração"!

Quer dizer que buscar melhorar, na sua relação com o mundo ao seu redor e na relação consigo mesmo é castração?

Pois eu acho que se tocar que tá reclamão e procurar não reclamar tanto das coisas é como se tornar feminista. É como reler conceitos para superar o preconceito introjetado desde sempre em busca de um mundo melhor.

Só que neste caso é procurar lidar melhor com suas frustrações e aprender a direcionar sua crítica* em busca de uma relação melhor com o mundo.

*Em geral os reclamões tem uma visão crítica bem aguçada, o que bem direcionado pode ser ótimo.!Acho que um bom exemplo disso no blog é a Raven. Adoro os seus comentários Raven ;)

E eu acho que por mais maravilhosa a pessoa, a educação que teve e a sociedade em que vive, sempre é válido não deixar a rotina adormecer a vontade de melhorar.

E vai se catar castrado(a) do comentário de 16:31!

Beatriz

Anônimo disse...

O que eu acho mais legal é saber que a Lola - a maior hater dos EUA (vide posts desse blog e tuítes dela) - foi professora de inglês e ajudou a difundir essa "língua opressora"! Hahaha acho o máximo!
Beijos Lolita, adoro o blog, mas quando fala mal dos EUA você soa incoerente... Só dizendo :)

Amanda

lola aronovich disse...

Amanda, eu não só fui como continuo sendo professora de inglês. Adoro inglês. E tem um monte de coisa da cultura americana que adoro. E morei nos EUA um ano. E sempre tive amigos americanos. Aliás, estudei em escola americana em SP. Eu gosto de americanos. Eles são educados e simpáticos, são boa gente. O que não gosto é do imperialismo americano (aliás, qualquer imperialismo). É bem diferente. Me mostre algum post ou tuíte meu dizendo que eu odeio os EUA, porque, sei lá, nunca escrevi isso.

Fê Cardoso disse...

Putz..... a Lola sempre tem que justificar esse negócio dos EUA. Vcs que ficam procurando incoerências lêem DE VERDADE o blog? Porque ela já falou umas mil vezes que não tem nada contra a cultura americana e os americanos mas sim contra o imperialismo (como ela acabou de dizer de novo)! Aff.... que preguiça hein?

Olha.... Vou confessar que, dependendo do dia, sou bem azeda e impaciente mas no geral sou MUITO otimista e positiva!
Acredito que atraímos energias parecidas com a que emanamos e por isso procuro estar sempre de bem com a vida....

Lola, amei o post! E te digo uma coisa, você tem um sorriso tão lindo e é tão fofa que não consigo te imaginar uma reclamona pessimista....

Beijocas.

Anônimo disse...

Tá desinformada, o pobretao ja passou dos 400 mil. Acho que ele vai virar o primeiro guerreiro da real milionario

Zero disse...

p/ Lola e Amanda.

já que mencionaram os EUA, deixo aqui minha opinião. sou fã do país, total.

cultura, entretenimento, etc. conheço mais da cultura estadunidense que da brasileira, muitíssimo mais.

principalmente a TV. não assisto TV aberta brasileira, (só fechada), mas 90% do que vejo é TV americana. noto um grande preconceito de boa parte dos brasileiros quanto a isso, já fui "debochado" por algumas pessoas por isso.

no twitter mesmo pago um pau pra FOX e Turner, minhas preferidas.

mas sobre o pais em geral:

"capitalismo" não é uma ideia. é o natural, capital de giro, comercio, troca e venda, são coisas naturais da sociedade.

até em sociedades quase pré-históricas já havia uma ideia "capitalista". mas cada um cada um.

imperialismo só existe através de qualidade e investimento, a FOX não é "A" FOX por nada, é por sua qualidade e alto investimento.

a Turner começou com um canalzinho UHF chamado CNN, que é o que é hoje.

Anônimo disse...

"sim contra o imperialismo"

A bronca da Lola contra o imperialismo inclui os imperialismos Russo e Chinês??? Nunca vi ela falando contra a Rússia e contra a China no blog dela... A China está comprando grandes áreas agricultáveis na África, produzindo comida para alimentar os chineses e deixando os africanos na miséria e na fome. A Rússia está empreendendo um imperialismo grotesco contra a Ucrânia e também nunca vi nada sobre isso por aqui.

E as meninas do Piauí, como é que ficam???

Raven Deschain disse...

Então Kittsu. Minha sogra é do segundo tipo. Por isso disse que detestoooo a 'ajuda' dela. 'Ai, mas eu recolhi tua roupa do varal, como vc não vai perder seu dia de trabalho pra ir no banco comigo?'

Ou então ela vem e coloca lençol na minha cama e quando eu tiro (tenho alergia e ela sabe), ela vem com o discurso pronto de 'não ajudo vcs em mais nada, seus ingratos e ainda ficam com essa porquice de não usar lençol,'

Pqqqqqp!! coisa horrível.

Raven Deschain disse...

Imperialismo + China + África + Rússia + blah blah blah.

Como que encaixa as meninas do Piauí nesse comentário? Sério, qual foi o raciocínio que vc usou?


Beatriz *o* Nhoi!

Anônimo disse...

Lolinha, você viu isso?
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/itau-e-processado-em-r-20-mi-por-caso-de-aborto-em-agencia/

Aline disse...

Noffa, um jênio em geopolítica o anônimo de 02:48. Raven, sua linda, você já leu a tempestade do século? se leu, recomenda?

Anônimo disse...

Hehe, vendo o titulo "nossas descobertas do dia-a-dia" e a foto do post, achei que seria " O Jack cabia na tábua com a Rose" :-)

Yara

Raven Deschain disse...

Oi anon. Não li não. Acho chato esse formato de roteiro. Tou com o filme lá pra ver. Mas 4 horas? Que cansativo. Haha

Raven Deschain disse...

Mas recomendo sim. Recomendo qualquer coisa do Stephen King. Hahaha

Aline disse...

Eu assisti o filme, gostei muito. E sou daquelas que lê até a lista do supermercado do SK, mas Love eu achei ruim prontofalei.

Anônimo disse...

Aff Zero, menos né?

Só pq vc só vê canal americano vc sabe mais do cultura dos EUA do que Brasil? Não viaja vai.

Eu tb diria que uns 99% do que consumo é cultura americana, TV, filmes, livros, seriados, textos, blogs e etc. Mas isso não me faz saber mais da cultura americana que a brasileira, eu nasci aqui, eu moro aqui. Nos EUA eu fui turista somente, nas duas vezes que eu fui.

Nem que vc morasse lá anos vc não saberia mais da cultura deles que da brasileira. Pq cultura é tudo que envolve uma pessoa desde que nasce, é a água invisível que vc nada desde que nasceu. Língua, comida, pessoas e objetos. É o óculos pelo qual vc lê o mundo. Então não exagera.

Vc é um brasileiro que consume cultura de massa americana. Como uns 80% da classe média brasileira faz.

Alice

Gertrude disse...

Alice,

O Zero é um superfã dos USA e já demonstrou ser completamente ignorante sobre outras culturas uns posts lá trás.
Infelizmente esse é o padrão da classe média brasileira, especialmente a paulistana.

OBs.: Nada tenho contra o Zero ou a cultura estadunidense.

Zero disse...

p/ Alice

acho que me expressei mal, não quis dizer que sei TUDO os EUA. quis dizer que entre EUA e Brasil me interesso e conheço muito mais do EUA. não sei quase nada daqui, não me interesso. não vejo TV aberta, não conheço bandas, artistas, eventos, nada.

"cultura" não me referia a vivencia, obviamente, e sim de estudar e conhecer o país, sua historia, personalidades de diversas áreas, dialetos, entre outras coisas.

mas a "classe média" consome produtos importados de lá, o que não significa que conheça o país ou goste mais dele.

conheço gente muito bem instruída e com dinheiro que assiste BBB, então "classe" não tem correlação.

p/ Gertrude

sei a que te referes, "aquilo" (uma "analise" sobre os países do mundo em geral) foi uma brincadeira, também não tenho nada contra africanos.

já falei aqui que não sou paulista, e não gosto muito de paulista.

paulistas / cariocas são mais arrogantes e bairristas que qualquer outro, acham que o Sol gira em torno de Rio-SP. não sei onde paulista / carioca curte mais outro país. carioca acha que carnaval é a melhor coisa do universo, e paulista acha que SP é o melhor lugar do mundo.

Eu mesma disse...

O povo aqui adora dizer que tudo é da classe média, classe média isso e aquilo. Eu sou pobre e gosto de muitas coisas da cultura americana e de outros países tb, e n gosto da cultura brasileira.


Zero
Vc só generalizou, sou do RJ e ODEIO carnaval, que é uma festinha escrota que n comemora nada, só desculpa para um bando de gente encher a cara e praticar a promiscuidade, nessa época começa as campanhas para todos transarem bastante mais com camisinha, o q muita gente n segue provavelmente, uma barulheira dos infernos, fora os milhões gastos nessa merda, teve um ano que uma das escolas pegou fogo e rapidinho o governo apareceu com milhões para ajudar, mas para saúde n tem e quando ocorre alguma desgraça com o povo, aí o governo pede doações do país inteiro pq n tem grana, o RJ de maravilhoso n tem nada, suportar o calor infernal daqui tb é triste.

Zero disse...

p/ Eu Mesma

você é exceção da regra. 98% dos cariocas acham o máximo essa porcaria. eu odeio carnaval ou qualquer dessas merdas de eventos.

você é UMA, que destoa entre milhões. então não é generalização.

a mídia daí adora, o governo. todos acham que tudo do RJ é ótimo.

Eu mesma disse...

Vc não conhece 98% dos cariocas para afirmar isso, eu n posso falar em porcentagens, mas n sou a única que detesta, conheço várias pessoas que tb n suportam.
Quanta a mídia e o governo, vc tá certo.

Ana Nazaré disse...

Kkkk !! complicado! Esses dias tbm estava viajando (de onibus) e sentei ao lado de uma mulher que odiava o sol ! (ela estava na janela). Saia o sol,ela fechava a cortina resmungando. Aí o sol entrava , ela abria a cortina. Aí o sol abria de novo, e ela chingava e fechava a cortina. Rsrsrs. Aquele sol de céu azul de manhã fria, sabe? Mas vai saber neh .rsrss. Anciosa pelo comentário do livro!! Eu li Um amor Conquistado da Elizabeth e gostei bastante !

Anônimo disse...

Oi Lola!
Li com tristeza essa postagem uns dois dias após ser publicada.Descobri seu blog há 3 anos atrás e desde então sou leitora assídua.Fiquei bem triste quando li que você veio a Goiânia, na PUC, que fica bem ao lado da universidade em que estudo e eu perdi a oportunidade de te conhecer pessoalmente...

Náy