quarta-feira, 22 de abril de 2015

DESCULPE NÃO SER VERÔNICA

Ainda não escrevi uma linha sobre o caso Verônica. Nem ia falar nada, mas, como venho sendo bastante cobrada, vou me posicionar. Óbvio que muita gente vai me odiar pelo que falarei, mas isso nunca me impediu de dizer o que penso.
Antes, uma curta contextualização. No dia 14 de abril, semana passada, recebi DM de uma feminista perguntando se eu sabia "o que fizeram com a travesti Verônica". Respondi que não. Ela me enviou o link pra uma matéria horrível do Globo, que trazia a foto de um carcereiro que teve um pedaço da orelha arrancado. A matéria não divulgava o nome da agressora, mas dizia tratar-se de "um travesti" (o certo é uma travesti). O artigo também dizia, erroneamente, pelo jeito, que a travesti estava brigando com outra travesti quando uma vizinha idosa reclamou do barulho, e a travesti que mordeu o carcereiro a agrediu e foi levada à delegacia.
A feminista que me escreveu dizia que a notícia estava tendo pouca repercussão entre as feministas, e que uma página no FB em defesa de Verônica acabara de ser criada. As fotos que começavam a ser divulgadas mostravam Verônica com o rosto completamente desfigurado, com o cabelo raspado, nua, sem camisa, com os seios expostos. Fotos super violentas que deixavam claro que houve abuso policial.
Eu respondi que, por mais que as imagens de Verônica fossem horríveis, eu não poderia dar razão a quem arranca a orelha de alguém ou agride uma idosa. Preferi ficar quieta. Ainda expliquei que sou atacada direto por mil e uma coisas e que, se eu defendesse Verônica, os reaças viriam pra cima de mim com energia renovada (o que não é um bom argumento, admito: eles sempre mentem e atacam, independente do que eu e outras pessoas com ideologia oposta à deles diga). 
Também disse que, se Verônica fosse uma mulher cis, não trans, que tivesse cometido os mesmos atos (agressão à idosa, arrancar orelha a mordidas), eu também não iria me juntar ao "Somos Todas Verônica", que estava começando a aparecer nas redes.
Nos dias seguintes, acompanhei de longe as notícias que me chegavam (não é tão fácil, pra quem não tem Facebook). Ouvi Verônica dizer num áudio que não havia sido torturada por policiais e pedindo que sua história não fosse "usada para fins políticos". Mais tarde, li uma notícia em que ela desmentia a gravação, afirmando a promotores que fez o áudio porque a coordenadora para a Diversidade Sexual do Estado de SP lhe garantiu diminuição da pena, mas que ela foi, sim, espancada por policiais civis, militares, e principalmente, os do Grupo de Operações Especiais (sério: alguém que olha as fotos do rosto deformado de Verônica consegue negar o espancamento?).
Laura perdeu os dentes da frente
No último domingo o R7 publicou a versão de Laura, a vizinha de 73 anos que Verônica agrediu. Segundo Laura, que sofreu traumatismo craniano, perdeu todos os dentes da arcada superior, e está com o nariz e um braço quebrado, ela estava em seu apartamento quando abriu a porta para Verônica, que disse: "Você é o Satanás e eu vou te matar". 
Foi uma outra vizinha, Beatriz, também travesti, que intercedeu. "Bia salvou a minha vida", conta Laura. Uma outra vizinha, Livia, também tentou ajudar e, assim como Beatriz, foi parar no hospital.
Na matéria, vizinhos explicam que Verônica teve um surto por causa do uso de crack. 
O filho de Laura disse: "Estamos revoltados porque estão querendo transformar a Verônica em uma heroína. Ela teve a dignidade tirada por estar no chão com os seios à mostra. Mas e minha mãe? Eu quero justiça pelo que ele fez, independente se ele é travesti ou se fosse homem, ou uma mulher. Outra travesti salvou a vida da minha mãe e devo toda gratidão do mundo."
Verônica foi indiciada por tentativa de homicídio contra Laura, e também por dano qualificado, desacato, resistência e lesão corporal, pela agressão ao carcereiro. Espero que ela seja condenada. 
Porém, os policiais que espancaram Verônica também devem ser indiciados, julgados e condenados. Verônica cometeu vários crimes, não há dúvida nenhuma. E ela será julgada por eles. Mas vários crimes foram cometidos contra ela enquanto estava sob a tutela do Estado. O que o pessoal do "direitos humanos para humanos direitos" não entende é que não se pode torturar, espancar, violentar um(a) presidiárix. Independente do que elx tenha feito. 
Tampouco há a menor dúvida que nossa polícia é, além de violenta e assassina, transfóbica, misógina, racista e homofóbica. "Ah, mas Verônica também foi violenta". Claro, mas não se pode colocar no mesmo patamar uma pessoa (que será julgada e, espero, condenada por seus crimes) e uma instituição treinada para zelar pela proteção de todos os cidadãos. É meio difícil exigir coerência e preparo de um criminoso; já exigir isso da polícia é o mínimo. É uma questão de cidadania.  
E é evidente que o modo que a polícia tratou Verônica é um festival de transfobia. Exibi-la com os seios à mostra é algo que não ousariam fazer com uma mulher cis (ou melhor...). Com uma mulher trans, é o jeito de um sistema patriarcal vaticinar que não reconhece Verônica como mulher. 
Como já disse, quero que Verônica e os policiais que a espancaram sejam julgados e condenados. Verônica deveria cumprir sua pena numa penitenciária feminina, pois ela se identifica como mulher (e para impedir que aberrações como essas ocorram). Mas não pode por em risco a vida das outras presidiárias. Se ela é violenta, como já demonstrou ser, precisa ser tratada. De novo: cabe ao Estado zelar por todos e todas que estão sob sua tutela. 
Mas não me sinto confortável para adotar o #SomosTodasVeronica. Eu não sou Verônica, até porque falo do alto do meu privilégio cis, de classe média, que dificilmente seria torturada por fascistas fardados. Mas é possível cobrar respeito da polícia sem beatificar uma pessoa que agride outras.

110 comentários:

Júnior Brasil disse...

Posição ponderada e digna.

Rita Candeu disse...

Perfeito

nada mais tem a ser dito

André disse...

"Exibi-la com os seios à mostra é algo que não ousariam fazer com uma mulher cis."
Fariam sim. Já filmaram a revista de uma mulher, feita por homens, e jogaram no youtube.

Lidiany CS disse...

Concordo com quase tudo que vc disse Lola, exceto com o fato de que a travesti deva ir para uma prisão feminina. Isso colocaria em risco a vida de outras mulheres, inocentes como Dona Laura.
Nesse fim de semana outra travesti matou uma moça em Manaus. Sendo travesti ou não, se identificando como mulher ou não, essas pessoas possuem força física e socialização masculina que as tornam capazes de subjugar, agredir e machucar outras mulheres. Colocá-las em prisão feminina é colocar em risco outras mulheres e ferir seus direitos humanos.
Não sei qual é a solução para esse problema, mas não vejo isso como uma questão feminista e espero que isso não aconteça.

lola aronovich disse...

André, links, por favor. Vc está falando deste caso aqui? Bom, é verdade, nunca diga nunca.


Lidi, se Verônica for pra uma prisão masculina, isso põe em risco a sua vida. Se for pra uma prisão feminina, e se for tratada, não colocará em risco as outras presidiárias. Mulheres cis também podem matar e subjugar mulheres cis, e inclusive homens (trans e cis), não acha? É uma questão feminista sim. Mulheres trans também são mulheres!

Ci disse...

Eu não sei o que eu faria se fizessem isso com minha avó, é errado é, mas eu não admito que alguém por escolha use droga e faça mal aos outros.
Agora, polícia não pode agredir, esta ali para prender e manter a ordem, não torturar.
Que os policiais paguem pelos seus atos e que Verônica seja condenada pela tentativa de homicídio.

Anônimo disse...

Acho que, partindo da mesma premissa usada para separarem as prisões femininas e masculinas, Verônica não pode ser colocada numa prisão feminina. Corrijam-me se eu estiver errado nesse ponto, mas Verônica ainda possui pênis e, portanto, é uma estupradora em potencial, identifique-se como mulher ou não. Afinal de contas, o fato de ser mulher não apaga sua superioridade física, sua atração por outras mulheres e o fato de que possui um pênis e é capaz de ter ereção.

lola aronovich disse...

Ahn, anon das 16:11, eu e inúmeras feministas não achamos que quem possui pênis é um estuprador em potencial. É possível estuprar sem ter um pênis, sem ter ereção. E, graças aos céus, a maior parte dos homens cis (e trans) não estupram. Casos de mulheres trans que estupram mulheres cis são raríssimos.

Anônimo disse...

Lola, melhor posicionamento que vi até agora sobre o caso.
Não dá pra isentar a responsabilidade de ninguém dessa história, muito menos tornar mártir uma mulher agressiva que não respeitou os direitos humanos de tanta gente. Se é pra ser alguém, que sejamos todas Bia então.

Parabéns pelo texto!

Anônimo disse...

Pois é, cara autora do texto. Muitas vezes as pessoas reproduzem mantras propagados por terceiros sem qualquer criticidade, não lhes importando seu contexto e validade. Se a frase for bonita, tem de ser repetida, não importa a legitimidade do seu conteúdo.
Condeno veementemente a atitude canalha, covarde e fascista desse LIXO de polícia que nós temos, entretanto, jamais tornaria heroína uma mulher criminosa igualmente covarde e canalha.
Questionar e não aceitar qualquer coisa que lê no Facebook é fundamental.

Anônimo disse...

Exatamente. Verônica agrediu duas mulheres, uma delas idosa, e deve ser punida e tratada do vício em crack. Mas a polícia e todos os envolvidos na violência física e sexual cometida contra a travesti também tem que ser julgados e punidos. É incrível como as coisas tem que ser oito ou oitenta, um tem que estar certo e o outro necessariamente precisa estar errado. E esse, decididamente, não é um caso em que se pode ser maniqueísta.

Anônimo disse...

concordo plenamente, Lola! E mulheres trans devem sim ir pra prisão feminina, imagina o inferno que seria (será? :( ) a vida dela numa prisão masculina.

Death disse...

Muito bom Lola, acho que sua opinião foi a mais sensata até agora.

Veronica cometeu vários crimes e merece ser julgada e punida de acordo com a lei, isso se aplica aos policiais que reagiram de forma desproporcional e motivados pela transfobia.

B. disse...

Olha, Lola, pra ser sincera, não tenho uma opinião formada sobre o assunto ainda. Porém, parabéns por ter exposto aqui sua opinião de forma sincera e corajosa. Tenho sim certeza de que muitas feministas não vão gostar nada do teu posicionamento, mas enfim. Beijos.

D Stoffel disse...

Essa discussão é polêmica pois eu tbm não sei se concordo com travestir nem em banheiro feminino, nada contra mas os homens causam algum risco as mulheres sim, e não podemos negar.
Mas se for coloca-las junto com os homens no banheiro tbm pode dá problema pra elas. A mesma coisa na cadeia

Anônimo disse...

Trabalho em cadeia masculina onde há uma população significativa de travestis e posso afirmar que apesar de alguma implicância da parte dos presos, como não querer dividir talheres, marmita ou não quiserem passar depois delas no dentista, não há problema nenhum risco, elas ficam na ala delas e os caras ficam nas demais, ninguém mexe com ninguém.

Se a Veronica for para uma cadeia feminina ai sim ela terá problemas, mulheres preas são 1000% mais transfóbicas, inclusive as homoafetivas, essas não aceitam de modo algum uma travesti em sua convivência. Ao contrário dos homens.

Anônimo disse...

*mulheres presas

Desculpem o português escrevi o comentário com pressa...

Elen disse...

E vocês negam que exista vitimismo entre as minorias, é isso que estão fazendo, ela vira mártir só por ser travesti, o que ela fez pouco importa.
Pelo que eu tenho visto, reagem a agressão contra ela assim : fdp, que absurdo, nojentos, homofóbicos, malditos...
Agora a agressão que ela cometeu : Ah... a polícia resolve.

Políciais tem que respeitar a integridade de todos, mas também são seres humanos, o cara teve a orelha arrancada! Tinha que ser santo para não agredir de volta.
Claro que passaram dos limites e tem ser julgados também.

Não sei se ela teria que ir para uma prisão feminina, mulheres matam outras mulheres, mas ela com certeza pode fazer mais estrago na cara dos outros.
E com certeza ela vai sofrer muito na prisão.

Maria disse...

Foi a analise mais perfeita que eu já vi do caso. Uma coisa que disseram, que a polícia teria raspado os cabelos dela e arrancado a blusa, na verdade ela usa peruca sobre os cabelos raspados e segundo consta, no surto em que ela espancou a idosa, ela já estava sem a blusa e assim foi levada para a cadeia. Quando ela mordeu a orelha do carcereiro, ela ficou com o pedaço na boca por cerca de uma hora, e nessa circunstância a polícia teria batido nela para que devolvesse o pedaço da orelha (metade praticamente), que esperavam que pudesse ser reimplantada. Transfobia existe e muita, violência policial também, mas você Lola, ponderou bem sobre todas as coisas.

pp disse...

Achei o comentário da Lola exatamente o que eu penso, pelo menos com as informações que temos (nunca devemos acreditar 100% na mídia).

Lolinha, tem muito tempo que não tem post sobre padrão de beleza... Será que não tem algum saindo do forno? :)

Donatien Alphonse François disse...

Eu só discordo da parte que você diz "para que não aconteça aberrações como essa" não dá para comparar a Verônica com uma menina de 14 anos, (aquilo foi terrível) por mais que a mente dela seja feminina e ela se reconheça como mulher, o fato é que o corpo dela não é. É até mais forte que muitos homens e como já demostrou sabe muito bem como machucar uma mulher, nesse caso ela seria um risco para as demais detentas. Uma coisa eu concordo com as feministas radicais, não vivemos numa utopia queer, me parece meio ingenuo esperar que ela fosse tratada como uma mulher. Se apanhou, não foi de graça, digo isso porque já vi homens bem mais fortes serem tratados da mesma maneira, ao menos dois lutadores e um fisiculturista, porque resistiram a prisão. Não que eu concorde com isso, só não a vejo mais como uma vitima, essa com certeza é a mulher idosa.

Anônimo disse...

Nem sempre concordo com o que a Lola escreve (e principalmente com o que o pessoal comenta por aqui). Mas realmente essa foi uma das melhores análises sobre o caso. A frase final: "Mas é possível cobrar respeito da polícia sem beatificar uma pessoa que agride outras" pode ser usado em vários e vários casos que ocorrem todos os dias no Brasil e no mundo. Parabéns pela posição clara e corajosa!
HP

Donatien Alphonse François disse...

"Lidi, se Verônica for pra uma prisão masculina, isso põe em risco a sua vida."

Talvez ela não precise correr tal risco: http://www.em.com.br/app/outros/ultimas-noticias/62,37,62,11/2014/11/25/interna_gerais,593189/uma-questao-de-respeito.shtml

"Mulheres cis também podem matar e subjugar mulheres cis, e inclusive homens (trans e cis), não acha?"

Eu gostaria de ler um post seu sobre isso. ^_ ^

Kittsu disse...

No caso da Verônica (como em várias outros casos polêmicos) tem muita gente achando que pra você ser contra a violência policial você precisa necessariamente ser a favor da violência que ela praticou. É ridiculo, falacioso e desonesto.
Não encampei o #somostodosverônica porquê se você vai falar contra a violência, você precisa rejeitar também os atos de violência que a vítima cometeu. Não vou acolher desta forma alguém que também cometeu tal barbaridade. Pedir justiça para todos na forma da lei é o único caminho isento e coerente. O que obviamente não impede de fazer uma análise sobre a ação dos policiais e chegar à conclusão bem óbvia de que sim, ocorreu transfobia E violência policial.

Raven Deschain disse...

Eca.

Donatien Alphonse François disse...

"Ahn, anon das 16:11, eu e inúmeras feministas não achamos que quem possui pênis é um estuprador em potencial."

Ok. Mas e aquele vídeo da campanha "ensine os homens a não estuprar" não é uma declaração óbvia de que somos todos possíveis estupradores, para algumas feministas?

https://www.youtube.com/watch?v=uh6SUqmPlzM

Anônimo disse...

Concordo com o texto. Mas caso ela vá para a prisão feminina ela pode pelo menos no início ficar em uma cela isolada enquanto faz algum tratamento psiquiátrico.

Anônimo disse...

Sobre a questão da prisão, vale a pena levar esse estudo em conta:
http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0016885#pone.0016885.s002

- MTFs (mulheres trans) mantém as mesmas taxas de crime que homens, incluindo crimes violentos e estupro, após a transição

Inclusive, dá para achar vários relatos de estupro e assédio sexual de mulheres trans em relação a mulheres cis em banheiros e abrigos, nos EUA e no Canadá, onde aprovaram leis permitindo que qualquer um que se identifique como mulher use o banheiro feminino e serviços focados para mulheres (incluindo bolsas especificos para incentivar mulheres na area das exatas).

Luciana disse...

Ótimo texto, Lola! Concordo com tudo!

Roxy Carmichael disse...

Não Fraçois. Esse video apenas desloca o foco: ao invés de culpabilizar as vitimas, a campanha se foca nos principais autores da violencia sexual.Considerando que os homens sao os principais agentes dessa violencia e as mulheres e crianças as principais vitimas, essa campanha tem como publico alvo os homens que dentro de uma cultura machista sao ensinado a nao respeitar o nao de uma mulher. voce ja imaginou se o foco da campanha se beber nao dirija fosse o pedestre? Seria algo como "não atravesse nenhuma rua para evitar ser atropelado por algum bebado que está ao volante." Agora se voce quiser contestar a informação de que as mulheres e crianças são as principais vitimas do crime de estupro e que a maior parte de quem comete essa violencia são os homens, vai em frente, mas desde que bote o link de fonte fidedigna. Um abraço

Anônimo disse...

Só pq o agressor é um transexual temos que passar a mão na cabeça? Tá certo que a figura em questão é marginalizada em todos os sentidos pela sociedade etc. Ela agrediu uma idosa e ninguém, como sempre, fez hashtag pra ela. A mulher fica sempre em 5° plano.

Ana Torres disse...

A reportagem do R7 entra em contradição. No texto diz que Verônica se masturbopu na cela e, ao retirá-la, o carcereiro teria sido agredido com a orelha arrancada. Já na legenda de foto do slide é dito que Verônica reclamou por estar numa cela masculina e - mesmo que isso não seja póssível numa delegacia, que é lugar transitório - colocaram-na em outro local (???)e aí, nessa movimentação, é que ela teria arracando a orelha do sujeito. Ela é uma travesti. É uma mulher. Gente, ser travesti é pior que ser mulher hoje em dia. A expectativa de vida de uma travesti é de 36 anos no Brasil. Eu acho que a violência policial - da qual os mesmos defensores da sociedade queriam se vangloriar publicando a foto - é comprovada. E temos testemunhas. Admito que eu já tinha postado o #somostodasveronica no twitter e facebook sem analisar o caso da idosa. Outro dia uma mulher mãe de 2 filhos morreu assassinada aqui no meu bairro por um esquizofrênico que, sabe-se lá o por quê, cismou com ela. Devemos prender o esquizofrênico? Adiantaria de alguma coisa? Se verônica estava em surto por qualquer causa que seja - e ainda que seja o uso de crack - se ela estava fora de si: devemos prendê-la ou tratá-la? Eu acho o tratamento a melhor opção. Podem escolher os dois, se quiserem. Assim como a Lola, tenho direito à minha opinião. Sou Verônica? O último questionamento da Lola me deixou na dúvida por um único motivo: eu sou cis. Se não somos todos macacos, não somos todas verônica, né?! Mas é isso. Não vou pela condenação de Verônica. Sei de um caso do hospital raul soares em BH (onde moro) que uma mulher foi absolvida pela justiça de matar a própria filha já criança. Foi assassinato, mas a mulher tinha tido um surto psicótico e foi absolvida. Não sei como ainda mandam gente em crise de crack pras cadeias e não pros hospitais. Tivessem dado um calmante pra Verônica ela não tinha mordido a orelha do GOE. Solidarizo SIM com a dor da velhinha. Mas não se paga sangue com sangue. Não é mais olho por olho dente por dente. É saúde pública. Aguardo (sem esperanças) informações mais elucidativas sobre o caso.

Anônimo disse...

ELA E APENAS UMA VITIMA DA NOSSA SOCIEDADE QUE EXIGE MUITO MAIS DE UMA TRAVESTI DO QUE DE UMA MULHER CIS. SE ELA MORDEU AQUELE OUVIDO PODE TER CERTEZA QUE EH DEVIDO A ANOS DE PRECONCEITOS E VIOLENCIAS CONTRA ELA. REFLITAM SOBRE ISSO.

Anônimo disse...

Anos de preconceito agora é justificativa para sair agredindo todo mundo?

Anônimo disse...

Nossa, que lindo e que alívio. Juro que achei a Lola ia se juntar a esse coro estúpido (não por ser estúpida, longe disso, mas pela defesa da diversidade que ela faz).

Lola, meu coração pra você

Anônimo disse...

Acho que a defesa LGBT tem que ser mais ponderada no que faz, se não quer um retrocesso. A defesa que estão fazendo da Verônica beira o ridículo. O que ela fez tem que ser separado do que ela sofreu.

Anônimo disse...

Isso me lembrou aquela campanha do "Somos todos macacos"...

Estragadinha disse...

Finalmente uma opinião lúcida em frente à tanta insanidade que temos lido na internet nos últimos dias!
Concordo contigo, Lola!

Anônimo disse...

Ludiany CS, vc eh transfobica.

A "soluçao para esse problema", como vc diz, é lutarmos para viver numa sociedade menos preconceituosa, racista, misogina e transfobica. Vc pode começar em casa mesmo, é de graça.

Talvez vc nao saiba, mas o Brasil é o pais com o maior indice de assassinatos de travestis e transexuais, segundo estatisticas.

Sou mulher transexual é ja sofri muita discriminaçao. Adivinha da parte de quem? Das mulheres cis. E muitas vezes nao reagi. Respeito é um bom começo.

alice.

Anônimo disse...

Eu não sou Verônica pela mesma razão de não ser os policiais que bateram nela: EU NÃO DEFENDO BANDIDO

Anônimo disse...

Lugar de trans mulher não é junto de outras mulheres na cadeia. Porque existe um ambiente de confinamento, tenso, sem recebimento de determinadas medicações. Como fazem com evangélicos, que fiquem em alas separadas mas jamais, em nenhuma hipótese, com mulheres com vagina.

Anônimo disse...

"Casos de mulheres trans que estupram mulheres cis são raríssimos"

isso está longe de ser verdade e tem Google aí mostrando estudos a respeito

Anônimo disse...

Verônica é grande e musculosa e espancou uma senhora de idade... como confiná-la entre mulheres? E a segurança delas?

Anônimo disse...

Insistem em culpabilizar Verônica aqui...

Anônimo disse...

É tudo o que sabem fazer aqui: JULGAR.

Anônimo disse...

Muito cinismo usar o preconceito para anular a maldade e covardia que ela fez com uma mulher idosa. Pois ninguém aqui em momento algum usou a violência que ela praticou para anular a agressão dos policiais. Usar preconceito para agredir, para fazer o que quiser com quem quiser é falta de caráter, falta de escrúpulos.

Anônimo disse...

Eu apenas queria dizer que não, mulheres trans não são mulheres. São homens de saia. Foram socializados como homens e tem força de homem. Fetichizam a opressão que nós mulheres sofremos. Jamais passarão por coisas como mutilação genital, gravidez, impossibilidade do aborto e violência doméstica simplesmente porque não são mulheres. Assuntos relativos à transexualidade não são referentes ao feminismo, e sim ao movimento LGBTT.

Indefensável que Verônica seja colocado numa prisão feminina. Não é mulher. As outras prisioneiras que lá se encontram já sofreram violência pelo falo o suficiente para ter um homem com potencial de violentá-las até mesmo na cadeia.

lola aronovich disse...

E vc também não deve se considerar transfóbicx, não é mesmo, anon das 22:39?


Ahn, num post em que eu digo que não somos todas Verônica e que muita gente nos comentários concorda, vem gente atacar feministas por "passar a mão na cabeça dos agressores". Tô deletando sem dó.

Leila disse...

Pois é, eu tendo a concordar com o anom das 22:39. Não acho que mulheres trans sejam mulheres, desculpe. O preconceito que elas sofrem é de outra ordem. Não maior nem menor, mas diferente do que nós mulheres cis sofremos desde o nosso nascimento. Essas mulheres foram educadas como homens, com todos os privilégios que isso implica, tiveram sua auto-confiança, auto-estima e subjetividade forjadas dentro desses privilégios. Não é apenas a força física que lhes confere mais poder, é todo o poder que a sociedade sempre lhes conferiu e que sempre negou a nós. Então, nossa luta não é a mesma.

Anônimo disse...

Indefensável que Verônica seja colocado numa prisão feminina. Não é mulher. As outras prisioneiras que lá se encontram já sofreram violência pelo falo o suficiente para ter um homem com potencial de violentá-las até mesmo na cadeia.


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Galerinha acha que cadeia brazuca é Orange is The New Black, só pode.

Kittsu disse...

"Essas mulheres foram educadas como homens, com todos os privilégios que isso implica, tiveram sua auto-confiança, auto-estima e subjetividade forjadas dentro desses privilégios."

Duvido muito disso... acho inclusive que seja bem o contrário, viu. E o que vocês acham de um trans masculino? segue essa regra (são mulheres e ponto final), são homens "por adesão" ou simplesmente têm que ser excluidos porquê traíram o movimento? Me parece muita desculpa pra deslegitimar o anseio dessas pessoas de clamarem por respeito.

Anônimo disse...

E por falar em homem trans, fico aqui pensando nas 1001 razões que um homem assim exigiria ir para um presídio masculino. Só que nunca.

Anônimo disse...

Tem algumas coisas que eu leio que fico pasma. Parece até paradoxo um grupo oprimido ter tanto preconceito com outro grupo oprimido.
Não é porque não está vinculado a nossa luta que devemos deixar esse tipo de coisa passar abatido, a luta deve se focar nas opressões por todos os lados para que a luta seja uma só: nosso direito de sermos seres humanos.
Confesso que também não sou Verônica e quero que ela seja punida pelo que fez, mas peralá! O que deu nesses policiais para desfigurarem sua face de maneira tão brutal?! Não estou "passando a mão na cabeça de agressor", mas não vou aplaudir o que aqueles trogloditas vulgo policiais fizeram.
Policiais devem bater, lutar ou atirar em última instância! E não quando lhe der na telha, é pra isso que eles passam por um treinamento de autodefesa, para saberem imobilizar um agressor.
Outra coisa, é piada mesmo que vocês estão falando que trans cresce com os privilégios masculinos? Elas crescem tanto com privilégios masculinos que muitas vezes são proibidas de fazerem algo feminino que gostam por causa que "é coisa de mulher"
O trans ele nasce com a cérebro que se identifica com o sexo oposto ao seu corpo, logo pode-se dizer que o/a trans sempre foi mulher ou homem. Ela pensa como mulher, se considera mulher, é uma mulher! Então por que não pode a colocar em uma cadeia para mulheres? Ela não é um homem, nunca quis ser um homem, tanto que até fez cirurgia para corrigir isso.

Leila disse...

Kittsu, não foi minha intenção desrespeitar as pessoas trans. Se o fiz, foi involuntário. (mesmo que talvez não mude muito.) Mas gostaria de entender melhor a questão, não me considero dona da verdade.
Não acho que um trans masculino devesse ser colocado em uma penitenciária masculina. Acho que, a exemplo do caso das trans femininas, deveria haver uma ala especial para eles nas penitenciárias femininas. Acho, posso estar errada. Ainda bem que não sou eu a decidir isso. Gostaria de ouvir um trans masculino sobre isso. No meu entendimento, ele estaria em profunda desvantagem em relação aos detentos homens cis. Exatamente pelas mesmas razões que, acredito, as trans femininas estão em vantagem sobre as mulheres cis.

Fábio disse...

O carcereiro bateu nela para tentar salvar a orelha, ela estava possuída,tanto que decepou a orelha do rapaz. Os policiais afirmaram que não tiveram outra opção, para tentar defender o companheiro agredido que não fosse usar a força. quanto ao cabelo dela, a trans que livrou a senhora idosa dela, afirmou que ela já usava peruca.

Anônimo disse...

"Admito que eu já tinha postado o #somostodasveronica no twitter e facebook sem analisar o caso da idosa"
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Claro que sim feminista, ate a parte de a travesti ter arrancado a orelha de um homem de boas, na mente de uma feminista "de alguma forma ele mereceu"
Mas quando apareceu uma mulher idosa, sendo agredida, as feministas se lembraram que a travesti tem força fisica de homem, ai deixou de ser "a" e passou a ser "ô" de novo.

Anônimo disse...

"Outro dia uma mulher mãe de 2 filhos morreu assassinada aqui no meu bairro por um esquizofrênico que, sabe-se lá o por quê, cismou com ela. Devemos prender o esquizofrênico? Adiantaria de alguma coisa?"
-Não, deixem eles soltos por ai, outro dia um empurrou uma moça do nada, na linha do metrô, e teve um que esfaqueou, e matou um cartunista famoso em SP.
Vamos deixar eles circulando livremente por ai, sem nenhum controle. Vale lembrar que drogas, principalmente crack e maconha, desencadeiam quadros graves de esquizofrenia, mas desde que aquela morada de filme, bicho de 7 cabeças, entrou na mente dos modernetes, vendendo que o melhor tratamento para desequilibrados, e a liberdade, não a internação, começaram uma campanha modinha, de não aos manicômios, em vez de melhora-los, jogaram a 'criança fora coma a agua do banho"
Agora os esquizofrenicos, andam livres por ai, pondo a vida deles em risco, e dos demais.

Anônimo disse...

"Talvez vc nao saiba, mas o Brasil é o pais com o maior indice de assassinatos de travestis e transexuais, segundo estatisticas"

Na maior parte dos casos, eles se matam entre si, por disputas de ponto de prostituição, ou por homens que se relacionam com eles de forma passiva, ou seja outros gays.

Anônimo disse...

Então um homem trans, deve ir para uma prisão masculina correto ?

Anônimo disse...

Lolinha, concordo totalmente com você.Fiquei horrorizada com o que aconteceu a travesti e também fiquei horrorizada com o que ela fez a senhora idosa.
De qualquer forma,mesmo que a Verônica não seja uma heroína,o caso obviamente merece atenção e a repercussão do caso só traz pontos positivos, faz a gente pensar em que tipo de país nós queremos viver...num país preconceituoso, que não tolera as diferenças?Num país em que a polícia age com truculência e fere a nossa dignidade e cidadania?Um país onde a violência gera mais violência?

Gaby disse...

Migx, desculpa mas perdeu o argumento qdo escreveu sobre "utopia queer", simplesmente a teoria queer perpassa quase toda a terceira onda feminista, desconstrói naturalizações biológicas e leva em consideração a subjetividade dx sujeitx. Mais respeito com o rolê feminista queer.

Anônimo disse...

Concordo com o comentário 00:42. Muita gente (incluindo até alguns psicólogos irresponsáveis e egoístas de classe A/B metidos a "esquerdistas") acha que todo viciado na vida real é igual ao personagem do Rodrigo Santoro. Se deixam uma pessoa viciada vulnerável a algum surto violento andando livremente nas ruas sabendo que em algum momento esta pessoa pode matar, então quem o permite é tão ou mais assassino que o viciado. Em vez procurarem uma reforma nos hospitais psiquiatras e um acompanhamento psiquiátrico integral de boa qualidade à pessoa viciada em fase crítica. Querem imitar um filme para servir de regra a todo mundo.

jair machado rodrigues disse...

Lola, realmente estava entre a cruz e a espada para ter uma opinião sobre tal fato, ainda bem que te li, concordo em número, gênero e grau com teu post.
ps. Carinho respeito e abraço.

Anônimo disse...

São muitas as feministas que protegem a Laura? Preferia representar a Laura ou Bia. Sei que muitos homofóbicos sem escrúpulos estão se aproveitando da situação. Mas a Laura tbm é vítima. Será que para a maioria das feministas ser uma mulher idosa é algum grande privilégio na sociedade machistas e patriarcal? Será que a Verônica seria tão valente se Laura fosse um homem todo fortão, jovem, machão musculoso e ainda homofóbico? Provavelmente não.

Bruxinha disse...

Ruim ter que explicar o óbvio, né? cada um responde pelos seus atos, oras!!

Anônimo disse...

A galera esquece do histórico de pessoas trans que muitas vezes, na infância, adolescência ou em qqr fase da vida, foram maltratadas, sofreram bullying antes mesmo dessas pessoas admitirem ser trans. No ambiente escolar e até mesmo entre familiares. Vai dizer que "que jeito de gay, ele é gay" como que minimizando e ridicularizando a pessoa é ser tratado como "homem", que tem esse "privilégio"?

Lola, de longe, melhor análise. Nao podem esquecer do que essa senhora sofreu... E se Veronica estava em um surto, ela merece tratamento. Mas... Nao sei se eh ser pessimista demais, mas duvido que ela receba tratamento :(

Kittsu disse...

Ela atacou o policial, estava em surto. atacaria Até a mãe, Bruce Lee, um cavalo...

B. disse...

Isso de "passar pano" pra pessoas que fizeram coisa errada pelo fato de pertenceram a uma minoria (exemplo: Veronica, transexual) me lembrou aquela fato da menina do "dentinho" que sofreu assédio de vendedores ambulantes em BH e relatou a história. Tinha umas páginas do Face chamando a guria de sinhá pra baixo (sinhazinha, etc) e que ela tava sendo racista por reclamar de homens negros (os ambulantes).
Só que:
1 - em nenhum momento a guria falou da cor de pele/raça dos vendedores. Pode ser, sim, que a maioria seja de negros, mas como falei, isso nem foi mencionado. O assunto em questão era o assédio.
2 - tavam passando a mão na cabeça dos ambulantes por serem negros, mesmo eles tendo assediado a menina. Ou seja, "foda-se" que ela tava sendo assediada e constrangida, se eles eram negros, eles eram as vítimas daquela situação.

Sinceramente isso me cansa. A causa das mulheres fica SEMPRE em último plano.

Anônimo disse...

"E se Veronica estava em um surto, ela merece tratamento. Mas..."
_
Quanto travesti agride, "tava em surto, merece tratamento"
Quando gay agride "tava em surte, merece tratamento"
Quando mulher agride "tava em surto merece tratamento"
Quando homem agride "maldito machista FDP, prisão perpetua pra ele"

André disse...

"Quando homem agride "maldito machista FDP, prisão perpetua pra ele""

Feminista não xinga de FDP. Feminista não pede prisão perpétua.

Anônimo disse...

"E se Veronica estava em um surto, ela merece tratamento. Mas..."
_
Quanto travesti agride, "tava em surto, merece tratamento"
Quando gay agride "tava em surte, merece tratamento"
Quando mulher agride "tava em surto merece tratamento"
Quando homem agride "maldito machista FDP, prisão perpetua pra ele"

23 de abril de 2015 11:06

E a sua má vontade em entender que Verônica estava drogada.

Na sua limitada capacidade de compreensão, travestis, gays e mulheres são todos usuários de drogas que vivem tendo surtos e agredindo/matando pessoas, certo?
Quando um homem mata/agride uma mulher porque ela não lhe deu atenção, porque não fez sua janta, porque não quis sair da balada com o "rei da cocada", ele estava em surto?

Gays e travestis são agredidos na rua, inclusive com lâmpadas fluorescentes somente por homens surtados, certo? Não por homofóbicos que não conseguem conviver com a diversidade, é isso?

Por favor, estude.

Anônimo disse...

"Sinceramente isso me cansa. A causa das mulheres fica SEMPRE em último plano."

Inclusive dentro do feminismo "inclusivo", que tá incluindo todo mundo em detrimento às verdadeiras mulheres. Porque até eu achei absurdo o que fizeram com o travesti, agora não podemos esquecer que pra senhora idosa agredida ninguém fez hashtag "somostodasLaura", essa sim uma vítima da MISOGINIA.

Anônimo disse...

É impressão minha ou pra essas feministas de Facebook, depois de uma certa idade a mulher deixa de ser mulher e não merece mais atenção, comunidade, hashtag, sororidade e o escambau? Mocinhas, fica a dica, vocês vão envelhecer e vão continuar sendo mulheres viu?

B. disse...

Em alguns grupos feministas, as mulheres ficam sempre em último plano:

- Negro assedia mulher = ela que é sinhazinha que tá reclamando.
- Gay xinga mulher e a chama de "gorda nojenta" e a mulher retruca = homofóbica
- Mulher recebe cantada de pedreiro e diz que hoje tem medo de passar em frente a obras = elitista que odeia pedreiros mas gosta de ricaços (sim, já li isso)

E por aí vai

Mila disse...

Wow, falou tudo o que eu pensava
Me senti desconfortável ser feminista e não ser Verônica. Simplesmente não consigo tornar mártir quem agride uma idosa e outra trans. Conheço muitas trans mais "invisíveis" que Verônica. Mas eu, como cis, não posso pautar os oprimidos por quem eles devem lutar.

Anônimo disse...

"Em alguns grupos feministas, as mulheres ficam sempre em último plano:

- Negro assedia mulher = ela que é sinhazinha que tá reclamando.
- Gay xinga mulher e a chama de "gorda nojenta" e a mulher retruca = homofóbica
- Mulher recebe cantada de pedreiro e diz que hoje tem medo de passar em frente a obras = elitista que odeia pedreiros mas gosta de ricaços (sim, já li isso)"

- Fala sobre menstruação = BOTA TRIGGER WARNING PENSA NAS IRMÃS QUE NÃO TÊM O PRIVILÉGIO DO ÚTERO

- Comenta que isso é um absurdo = VOCÊ ESTÁ SILENCIANDO A IRMÃ!

é nesse nível poxa
desculpa ae ter nascido mulher, gente

Anônimo disse...

Mulher trans foi socializada como homem e isso faz toda diferença na hora de se impor até nos movimentos sociais. Vê se homem trans faz esse circo de silenciamento. Não faz porque, como foi criado como mulher, aprendeu que ser impositivo é ruim. Foda é um monte de feminista entrar nesse jogo absurdo.

B. disse...

Nossa, esse coisa da "sororidade" em grupos feministas tá um saco...não pode criticar NADA que uma mulher faça que estamos "com falta de sororidade com a irmã".

Anônimo disse...

- Negro assedia mulher = ela que é sinhazinha que tá reclamando.
- Gay xinga mulher e a chama de "gorda nojenta" e a mulher retruca = homofóbica
- Mulher recebe cantada de pedreiro e diz que hoje tem medo de passar em frente a obras = elitista que odeia pedreiros mas gosta de ricaços (sim, já li isso)

Devemos então nós esquecer do que fizemos com os negros na escravidão? Eles já não sofreram o bastante?

Idem com os gays, eles já não sofreram bastante por TODA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE ? Vamos continuar com a opressão?

Em relação aos pedreiros eu concordo com você. Essas cantadas são muito intimidadoras e tem o objetivo de mostrar poder. Eles são ridículos.

B. disse...

Ah para né.

Os negros sofreram com escravidão? SIM.
Os gays sofreram e sofrem com opressão?

Agora por causa disso vamos ter que aturar negros e /ou gays nos chamando de vacas/vadias e tudo o mais?

Se um negro me assediar e passar a mão na minha bunda na rua tenho que relevar, pq ele é negro??

André disse...

Fábio,

Ela não decepou a orelha do carcereiro, apenas tirou um pedacinho. Continua sendo uma agressão indefensável, mas certos exageros tem objetivos pouco nobres. Eles bateram nela como castigo ou vingança, não para fazer com que ela soltasse a orelha do carcereiro. Caso contrário ela não estaria com o rosto machucado ou o carcereiro teria apanhado também.

Mila disse...

Quer dizer então que negros podem ser machistas (inclusive com as próprias negras) pq vivemos numa sociedade racista?
Ou um gay pode ser misógino (inclusive entre os gays) pq vivemos numa sociedade heteronormativa?
E idem conosco. Não devemos ser racistas ou homofóbicas pq somos mulheres e também somos oprimidas. Não é de boa usar o mesmo argumento que os nossos opressores.

No meu comentário anterior esqueci de mencionar que mulheres trans em prisões tendem a sofrer violência sexual, psicológica e física maior que presos homens cis. Não vamos ser hipócritas em afirmar que a lei da cadeia é mais branda. Tirar fotos dela nua e agredida foi com o claro propósito de humilhá-la: como mulher trans e pra "servir de exemplo" aos outros.
Como a Lola bem colocou, uma coisa é condenar os atos bárbaros que ela sofreu e outra é defendê-la incondicionalmente.

Elen disse...

É incrível como defendem bandidos, adolescente n pode pagar devidamente pq é inocente, agora quem matar e agredir alguém estando drogado tb n precisa ir preso.

Camila Lobo disse...

Lola, concordo com ABSOLUTAMENTE tudo o que você disse. Porque diabos as pessoas estão canonizando viva a Verônica, se ela espancou de forma brutal uma senhora idosa? Mas também preciso pontuar que pra Verônica ir pra um presídio feminino, precisa receber um tratamento ou, porque não, ser isolada das outras presas. Não queremos mais vítimas como D. Laura.

Rebeca Chambers disse...

Lola mais uma vez defendendo o indefensável.

Anônimo disse...

Em alguns grupos feministas, as mulheres ficam sempre em último plano:

- Negro assedia mulher = ela que é sinhazinha que tá reclamando.
- Gay xinga mulher e a chama de "gorda nojenta" e a mulher retruca = homofóbica
- Mulher recebe cantada de pedreiro e diz que hoje tem medo de passar em frente a obras = elitista que odeia pedreiros mas gosta de ricaços (sim, já li isso)"

- Fala sobre menstruação = BOTA TRIGGER WARNING PENSA NAS IRMÃS QUE NÃO TÊM O PRIVILÉGIO DO ÚTERO

- Comenta que isso é um absurdo = VOCÊ ESTÁ SILENCIANDO A IRMÃ!

é nesse nível poxa
desculpa ae ter nascido mulher, gente




PQP vcs falaram tudo ! É exatamente assim! Me sinto excluída até nos grupos feministas! Ridículo isso.

Alice

Donatien Alphonse François disse...

"Agora se voce quiser contestar a informação de que as mulheres e crianças são as principais vitimas do crime de estupro e que a maior parte de quem comete essa violencia são os homens, vai em frente, mas desde que bote o link de fonte fidedigna."

Rxy, eu não disse nada sobre isso que você escreveu. O que eu não gostei no vídeo foi o tom generalista, como se apenas por se homem já nos classificasse como possivel estuprador, basta procurar no youtube para saber o que acontece com "estuprador". Se por um lado são homens em sua maioria que cometem esse crime hediondo, por outro lado são homens que punem esses criminosos. Tem um vídeo indiano, que de modo irônico e muito mais inteligente inverte essa "lógica" da culpa da vitima, gerou muita discussão, na qual eu defendi que a vitima nunca tem culpa, mas o estuprador sim, sempre. Mas de qualquer forma, obrigado por me responder. Um forte abraço!^_ ^

Anônimo disse...

Boa... Se na mentalidade desse povo mulher trans ( biologicamente um homem, com a forca de um homem ) deve ir pra cadeia feminina... pela logica homens trans vao ter de ir pra vadeia masculina... E ai? Como fica?

Anônimo disse...

Eu nao sou veronica.

Eu sou Laura.

Essa e a maior vítima dessa historia.

Ana Torres disse...

Ridículos os comentários. E nem é por causa da máxima "não leia os comentários" - o texto mesmo da Lola está um porre.

Ana Torres disse...

Desculpe, Lola, mas você desconsidera diversos fatores importantes e dá vazão à transfobia. A ver os comentários.

Lidiany disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Náy disse...

Post excelente Lola!Me identifiquei com cada palavra.

Anônimo disse...

Oi, Ana. Então pq vc não contribui para o debate e relaciona quais são os fatores importantes que ela desconsidera e diz porque vc acha que o texto "está um porre"?

Anônimo disse...

NÃO EXISTE PRIVILÉGIO CIS! NÃO EXISTE PRIVILÉGIO EM SER MARCADA, DEFINIDA, LIMITADA, CONTROLADA E DOMINADA PARA A EXPLORAÇÃO DE SEU CORPO, SUA SEXUALIDADE E SUAS CAPACIDADES REPRODUTIVAS.

O que é a "feminilidade" para o patriarcado? Por que transexuais reivindicam a condição de mulher reproduzindo estereótipos que o patriarcado impõe às pessoas do sexo feminino e as feministas radicais criticam tanto isso?

Porque "ser mulher" não é usar roupas curtas, apertadas, maquiagem, salto alto, cabelos longos... enfim, porque "ser mulher" não é reproduzir os ritos que o patriarcado criou para marcar [sim, marcar, como se marca gado mesmo], controlar, submeter, violentar e explorar as mulheres, seus corpos e seu sexo e sexualidade.

Essas "marcas" que o patriarcado nos impõe, e que tenta a todo custo fazer parecer que são características naturais de mulheres, são, na verdade, ritos violentos contra nós. O que se considera "feminino", "sensual", "sexy", nada tem de feminino, na verdade. Tudo o que consideramos "feminino" no patriarcado são rituais criados por ele para submeter as mulheres. Esses rituais, indumentárias e comportamentos não são exatamente sexies ou femininos, eles são, na verdade, demarcações que o patriarcado cria e recria pra evidenciar o corpo feminino e apontar mais claramente quem pertence a classe de pessoas que pode ser explorada, assediada, agredida, violada e morta por homens e quem não pertence a essa classe. Além de, também, terem sido progressivamente desenvolvidas de acordo com a lógica patriarcal pra nos fragilizar, docilizar e domesticar para impedir, de forma física ou subjetiva, nossa reação e autodefesa contra ataques de machos [correr e lutar com roupas muito curtas, apertadas ou com salto alto é mais difícil, o cabelo longo facilita muito o ataque e controle da presa, criar força física e aprender a se defender acreditando que judô é coisa de menino e balé é coisa de menina é praticamente impossível, crescer acreditando que meninos são fortes e valentes e meninas frágeis e delicadas tem a mesma função de fragilização e domesticação]. A associação dessas armadilhas psíquicas e corporais criadas pelo patriarcado com feminilidade e sensualidade é apenas uma estratégia patriarcal pra nos fazer adotá-las mais facilmente, sobretudo quando, como complementar a isso, temos essa mesma cultura patriarcal nos dizendo, desde que nascemos, através da educação e estímulos que recebemos dessa cultura, que nosso esforço pra sermos femininas, sensuais e seduzir machos é nosso maior poder, nossa mais importante função social e nossa maior capacidade como mulheres, e que, portanto, seduzir e "conseguir" um macho deve ser nosso principal objetivo de vida. Assim, então, "nos tornamos" também mais sedutoras e poderosas quando/se/ quanto mais aderimos às marcas que o patriarcado nos destina como marcas de sensualidade e feminilidade - mas que agora sabemos que, na verdade, são marcas para o controle, a dominação e a submissão - e se fecha o ciclo de controle e dominação imposta às mulheres através dos estereótipos de gênero e de sua naturalização como condição feminina.

Anônimo disse...

Obedecer a esses ritos e suportar essas marcas não significa "se identificar" com elas. Significa que fomos tão violentamente alienadas de nossa condição que naturalizamos todas essas violências que nos foram impostas como se isso fosse ser mulher, porque não nos foi permitida ser outra coisa que não a mulher que o patriarcado nos impõe, já que fugir dessa condição [lésbicas, butches, mulheres "vadias", "masculinizadas" ou qualquer outra mulher que ouse exercer sua liberdade e sua autonomia] significa ser ainda mais violentada pelo patriarcado por estar "desobedecendo" tudo aquilo que ele nos impôs como sendo o que é "ser mulher". Isso, obedecer ao patriarcado e performar feminilidade não é "privilégio cis", isso é exatamente se submeter à violência histórica e fundamental que o patriarcado nos destina e contra a qual o feminismo sempre lutou. "Privilégio cis" é discurso misógino e culpabilizador de mulheres, que visa silenciar e apagar essa violência histórica contra nós, naturalizando-a como sinônimo de feminilidade, como "ser mulher".

Nascer no sexo masculino e não vivenciar na alma e na pele a realidade da socialização feminina, não vivenciar todas essas marcas e rituais limitadores e dominadores que o patriarcado impõe contra as mulheres e desejar reproduzir toda essa violência desses ritos e marcas contra nós e ainda afirmar e reafirmar [fazendo coro com o patriarcado] que isso é "ser mulher" não faz de uma pessoa mulher [e muito menos feminista!], ao contrário, faz dela uma pessoa misógina que reafirma como condição natural e inerente à condição de mulher tudo aquilo que o patriarcado impõe contra nós pra nos submeter, tudo aquilo contra o que eu luto, critico e combato e do qual tento me libertar, a mim e a minha classe.

O patriarcado não brinca, amigas... tudo nele é feito pra nos [mulheres] coagir, violentar, subordinar e explorar. Não se enganem.

Fabiana Melo Sousa disse...

Suzane Richthofen -planejou a morte dos pais com o namorado, já Elize Araújo Kitano Matsunaga matou e esquartejou o marido. Leandro Boldrini matou o filho junto com a namorada ... Assim como estes temos milhões de outros casos que x criminosx cometeu atrocidades, no entanto, foi civilizadamente levado à julgamento. Não sei se é o caso de escolher quem merece a nossa compaixão mas refletir o "porque temos dificuldade de dizer Je suis alguém".
Esse caminho de pensamento me lembra a trágica sentença "mataram meu filho mas ele não era bandido", como se somente as pessoas "boas" pudessem ter a honra de receber a nossa compaixão.
Tenho dificuldades de usar o Je suis ... porque eu nunca saberei o que é ser travesti, negrx, etc, pois ser lésbica cis aqui no meu ap não é exatamente o melhor dos mundos, mas tenho clareza que em meu cotidiano o enfrentamento é outro, no entanto, a imagem de Verônica com os seios à mostra não me sai da cabeça e o que ela sofreu não me pareceu menos violento quando soube dos precedentes. Eu concordo q ela deva ser encaminhada para medidas legais e responder por tanta violência cometida, pois igualmente a imagem da senhora agredida também é estarrecedora, mas acredito que um caminho de pensamento menos polarizado, sem cair na tentação do niilismo de que "não existem verdades", pode ajudar para reflexão. Será possível dizer ao mesmo tempo "je suis Verônica" e "Je ne sui pas Verônica? Discordo desssa culpa coletiva que muitas vezes alguns seguimentos de movimentos sociais reforçam, de que temos que ter compaixão com todas as pessoas e etc e que todxs tem seus motivos e blá ... Mas ainda assim, não abandono minha capacidade de compaixão diante de um ato violento, como se o "olho por olho e dente por dente" ainda ressoasse, mesmo que lá no fundo.
Lola, entendo seu emblema, de não querer reforçar a #jesuisveronica, mas seu blog é um bom espaço para reflexão e não sei também se polarizar a discussão vai funcionar.

Fabiana Melo Sousa

Anônimo disse...

Homem trans não vai pra presídio masculino pela mesma razão que mulher trans não vai pra presídio feminino: pessoas com PINTO não devem ficar confinados contra a vontade deles 24/7 por um longo período no mesmo lugar que pessoas com VAGINA.

Ana Torres disse...

Anon 24 de abril de 2015 00:04

eu fiz isso. podia ter feito melhor, mas fiz. a ver comentário meu mais acima.

Anônimo disse...

Lola, você é o meu melhor referencial de feminismo e bom senso. Concordo com tudo, não me sinto a vontade pra dizer que "sou Verônica", mas, claro, não apoio a humilhação pela qual ela passou (e espero que ela fique encarcerada **numa cadeia feminina** pelo que fez à idosa).

Outro assunto: outro dia li aqui você escrevendo que seu feminismo inclui homens e fico muito grato por isso. Não quero liderança de nada, nem participo formalmente de nenhum movimento, mas é muito chato quando algumas feministas enchem o saco apenas por eu dizer "sou feminista", insistem que posso dizer no máximo que sou "pró". Sou professor e em sala de aula combato toda e qualquer expresão de machismo, discurso a favor da igualdade vez ou outra e acho que tenho alguma moral pra me dizer "feminista" tendo total consciência de que não sou e nem quero ser líder deste movimento, que não sinto na minha pele o que é ser mulher... mas como qualquer homem tenho mulheres em minha família, mãe, irmãs, que acabam sendo vítimas do machismo e me acho capaz de ter empatia por elas e ao menos entender - ainda que não na minha pele - o que elas passam.

É um detalhe mínimo, nada que tire meu sono ou ponha minha vida em risco.

Também sou gay e não vejo no movimento gay um comportamento semelhante ao de algumas feministas. Todo mundo sabe que os héteros não sentem na pele a discriminação que nós gays sofremos ao andar de mãos dadas com alguém do mesmo sexo, mas que são capazes de se compadecer. Nunca achei ruim que a Érika Kokay ou a Marta Suplicy lutassem a favor dos gays na política. Não acho que precisariam ser gays pra me defender. E nem me ofenderia se elas se declarassem "ativistas LGBT". Não ouvi falaram nada do tipo, mas se falarem terei que concordar que são.

Enfim, não sou mulher, mas tracei um paralelo com algo semelhante que poderia ocorrer no meio gay. Enfatizo que não estou querendo liderança de nada, apenas me desagradei por algumas feministas quererem me rotular como "pró". Confiscaram minha carteirinha de feminista, Lola rs

Mas com carteirinha ou sem carteirinha continuarei a fazer minha parte em sala de aula.

Ricardo

Anônimo disse...

Da série: razões pelas quais não existe homem feminista e sim, pró-feminismo

"mas como qualquer homem tenho mulheres em minha família, mãe, irmãs, que acabam sendo vítimas do machismo e me acho capaz de ter empatia por elas e ao menos entender - ainda que não na minha pele - o que elas passam."

Então o homem precisa de um ponto de empatia para se solidarizar com a questão da mulher. Não pode ser apenas uma MULHER, tem que ser mãe, irmã, namorada.

Anotando aqui.

Anônimo disse...

Isso sem contar que quer que uma pessoa com pênis, que agrediu brutalmente uma senhora idosa, fique confinado com mulheres no lugar mais fácil do mundo pra se conseguir qualquer tipo de droga, que é a cadeia. Muito legal seu feminismo, parça.

Anônimo disse...

Depois que li certos ativistas defendendo a friendzone trans (cotton ceiling, que nada mais é do que a obrigação moral de mulheres cis lésbicas ou bissexuais de se relacionarem sexualmente com pessoas portadoras de pênis porque do contrário isso é transfobia), nada me surpreende nas hastags de "somos todas uma agressora misógina de idosa e vamos colocá-la numa cadeia feminina porque é extremamente seguro para as mulheres ali dentro".

donadio disse...

"Tô deletando sem dó."

Obrigado, Lola.

donadio disse...

Obviamente, se vamos manter o atual modelo penal, é absolutamente necessário termos cadeias separadas para mulheres trans e homens trans (para que não sejam estupradas por homens, nem estuprem mulheres).

Ou isso, ou um controle muitíssimo maior sobre o que ocorre nas prisões, incluindo celas individuais.

donadio disse...

"O trans ele nasce com a cérebro que se identifica com o sexo oposto ao seu corpo, logo pode-se dizer que o/a trans sempre foi mulher ou homem."

Ou seja, a Simone de Beauvoir estava errada: nasce-se mulher, sim. Ao menos, quando se nasce homem...

Existe uma coisa tal como "late onset transexuality"? Por que, se existe (e eu desconfio que não só existe como é a forma mais comum), então existem mulheres trans que foram sim educadas como homens, com todo o entitlement que isso traz.

E outra coisa: travestis são transexuais? Não me parece que seja, de forma alguma, o mesmo fenômeno. Do pouco que conheço do assunto, a maioria dos travestis tem identidade masculina, ou ambígua (como diria Madame Satã, "daqui pra cima sou homem"), e não tem nenhuma intenção de se transformar em mulheres.

donadio disse...

"Eles bateram nela como castigo ou vingança, não para fazer com que ela soltasse a orelha do carcereiro."

Infelizmente, nós vivemos em um país (ou em um mundo, que a memória do Jean-Charles de Meneses não nos permita esquecer) em que não é possível acreditar na palavra da polícia. Todas as versões são suspeitas; na falta de alguma contradição evidente, fica uma palavra contra a outra. A primeira coisa que li é que a Verônica tinha ficado desfigurada por ter apanhado da outra travesti, em uma briga (a mulher idosa só aparecia depois). Parece que isso era mentira; mas, se era, como confiar na informação de que ela usava peruca?

E é isso que algumas pessoas parecem não entender: a polícia é um problema, independentemente de a Verônica ser, ou não, outro problema. Sim, a senhora idosa é a vítima da estória - e nós contamos, ou, em um mundo normal, deveríamos contar, com a polícia para resolver o problema. Até aí, aparentemente, tudo correu como devia ser, e é por isso que não há uma hashtag #somostodossenhorasidosas. Ser fisicamente agredida por um travesti não é exatamente o terror central na vida de uma senhora idosa. Mas aí quando a polícia intervém, desencadeia-se um outro horror, e não dá pra chamar a polícia, por que a polícia é a protagonista desse novo horror. E é por isso que tem hashtag - embora no caso a hashtag seja completamente absurda, e, no fim de contas, contraproducente.

Cathy Brennan disse...

You're a man-feminist.

lola aronovich disse...

If you mean by that statement that my feminism doesn't exclude people, then yes I am. Proudly.

Anônimo disse...

Posicionamento excelente o seu Lola, todo mundo errou nessa história. Os polícias abusaram do poder e da força e Verônica feriu pessoas inocentes.



Senna.