domingo, 13 de julho de 2014

POSIÇÃO CONTRA OS HOMENS EM ESPAÇOS FEMINISTAS

A Laura deixou este comentário no post sobre um leitor chateado com as feministas. Minha opinião sobre homens no feminismo eu já expus aqui. Portanto, não concordo com bastante do que Laura diz, mas, mesmo assim, é uma reflexão interessante, que merece ficar registrada.

Sobre a afirmação de que os homens devem participar do feminismo, porém não em posição de liderança, e de que de jeito nenhum barraria os homens de qualquer espaço feminista: o feminismo pra mim não deve ser um movimento que tenha lideranças, é um movimento horizontal em que todas devem ter a mesma oportunidade de voz e protagonismo, já que lutamos contra todas as formas de hierarquia. Me diga, Lola, quem são as "lideranças" das blogueiras feministas? Faz sentido reproduzirmos essas estruturas?
Tendo isso em vista, o argumento de que homens podem participar do movimento feminista, mas não podem ser lideranças, fica falho, já que a ideia é que todas tenhamos a mesma voz e, ao mesmo tempo, nossa prioridade são as questões das mulheres, que são invisibilizadas e apagadas em outros espaços. Nossa prioridade é compartilhar experiências entre mulheres, formar vínculos de solidariedade e articular nossa luta política a partir de nossas perspectivas.
Me incomoda muito, Lola, falar em espaços mais ou menos "abertos" ou "políticos" (você mesma reconheceu que não gosta dessa divisão). Quer dizer que espaços em que se compartilham questões como abuso sexual, assédio, aborto, violência e outras questões segregadas pelo patriarcado como privadas, são menos "abertos" ou "políticos"? Isso não seria desconsiderar a importância do "privado é político" e voltar a separar duas instâncias, só que agora, dentro do movimento?
A experiência da violência sexual e do machismo é o que acontece no cotidiano de nossas vidas e se um espaço feminista não for pra falar sobre nossas vidas, pra que serve?
Todos dos diversos espaços feministas em que estive até hoje foram espaços em que houveram compartilhamento dessas experiências, que são pessoais E políticas, é nisso que está a nossa força. E se queremos que esses espaços sejam horizontais, pra mim não faz sentido a inserção dos homens cisgênero nele, pois trazem a perspectiva do lugar de privilégio, que é do que queremos nos afastar ao pensar a política feminista. E ainda inibem as trocas entre mulheres. 
Muitas vezes vi relatos de violências de feministas nesses espaços de namorados ou maridos que se dizem feministas. E se o cara tivesse lá, como ela faria pra compartilhar e buscar apoio pra essa situação?
Temos poucos espaços na sociedade entre mulheres e acho que deveríamos ampliar essa prática cada vez mais.
Sou super favorável à criação de espaços de coalizão, que incluam apoiadores, mas não acho que encontros feministas sejam espaços em que temos que dedicar nosso tempo a educar os homens. Aliás, não acho que esse seja o nosso papel em momento nenhum e não acho que a legitimidade do nosso movimento dependa dessa disponibilidade e vontade de educar os homens. Eles podem e devem buscar se educar, e nós dedicar nosso tempo em fortalecer as mulheres. 
Os pouquíssimos homens (quase todos gays, devo ressaltar) que eu conheci ao longo desses anos que mais leram e/ou ouviram feministas dão muita importância aos espaços específicos e fazem questão de não estar nesses espaços e apoiam a partir do questionamento de seus privilégios, mudança de atitude e propagação do antimachismo nos diversos espaços da sociedade. (Assim é como eu tento fazer com a luta antiracista).
Por outro lado, eu já vi homens que foram autores de diversos abusos contra ex-companheiras proporem atividades para homens sobre feminismo em espaços de coalizão antimachista, e terem que ser impedidos pelas feministas para que não acontecesse tal absurdo. Já vi o estuprador de uma amiga (ex-amigo dela) numa marcha do 8 de março pagando de feminista, tendo que ser organizada uma estratégia coletiva na hora pra expulsá-lo de lá.
Se pensarmos que a maioria dos abusos e violências é cometido e perpetrado pelos próprios companheiros e/ou familiares, amigos e conhecidos, isso fica mais complexo. As feministas também passam por isso.
E pra quem fala que precisamos dos homens e de seu apoio eu digo que quase nunca houve esse apoio e que as nossas conquistas foram fruto da ação dos movimentos feministas que historicamente foram constituídos por mulheres. Somos capazes de conquistar as mudanças por nós mesmas.
Acredito que a demanda pela inclusão de homens cisgênero nos espaços feministas vem principalmente de mulheres que nunca participaram de espaços ou movimentos específicos para mulheres e por isso ainda não puderam sentir a importância disso. E também essa posição é muito recorrentemente defendidas por feministas que fazem ativismos exclusivamente através da internet e da academia e nunca viveram as dificuldades da militância nos espaços mistos dos diversos movimentos.
Eu, por exemplo já estive durante muito tempo em grupos de diversidade sexual e cansei de ser invisibilizada e deslegitimada pelos homens gays (justo quem a gente esperava que tivesse mais chance de estar afastado da masculinidade hegemônica). O mesmo acontece em todos os espaços predominantemente masculinos de articulação política mista “de esquerda”.
Daí eu decidi investir minhas forças e vontades em grupos em que eu não tivesse que ficar disputando toda hora a voz, e que tenham mais afinidades com a minha realidade.
Mesmo formando um grupo feminista que inicialmente não restringia a participação de homens cisgênero, os que se aproximaram e participaram por um tempo logo perderam o interesse e foram atuar em suas prioridades, que aparentemente não são o fim do machismo. Simplesmente porque mobiliza pouco suas experiências, diz pouco de suas vidas, pois eles não sofrem as opressões e violências todos os dias. 
O privilégio dos homens, assim como o privilégio de brancos, héteros etc, tenta se fazer invisível para se manter, e apenas o apontamento da outra perspectiva, de quem sofre a opressão, é capaz de desvelar o privilégio. Para isso precisamos nos juntar para nos conhecer, nos ouvir, pensar juntas, ficar amigas e ter confiança, e constituir conjuntamente nossos entendimentos da realidade que vivemos e estratégias de ação para enfrentar o cisheteropatriarcado.
Hoje constituo grupos e espaços feministas sem a participação de homens cisgênero e acho que esse distanciamento nos permite uma troca muito mais frutífera em termos de pensar criticamente as estruturas de privilégio, dominação e opressão, e organizar coletivamente nossas ações políticas feministas.
Minha prioridade é construir feminismos a partir das perspectivas subalternas de pessoas oprimidas pelo cisheteropatriarcado: MULHERES (cis e trans), TRANS* -- incluindo homens trans, trans não binárixs, genderqueers -- e LÉSBICAS (para quem não sabe, algumas lésbicas não se identificam como mulheres; para as héteros que ainda não leram as feministas lésbicas e querem conhecer a importância que elas têm para a crítica feminista, ver Monique Wittig -- O pensamento Heterosexual, e Adrienne Rich -- Heterosexualidade Compulsória e Existência Lésbica).
Compartilhar experiências, construir vínculos de solidariedade entre nós, é uma forma prioritária da política feminista. E como diz Audre Lorde, feminista negra lésbica (leitura muito importante pra quem quer se atentar às diferenças e desigualdades e não apenas mascarar a realidade afirmando que há igualdade onde há dominação), "as ferramentas do meste nunca irão desmantelar a casa do mestre". Portanto, que esses vínculos entre feministas sejam horizontais e não hierárquicos, sem "lideranças" ou vozes que tenham mais importância que outras. 

69 comentários:

Luiza Victoretti disse...

Poxa é até triste ler esse tipo de coisa. O machismo e o patriarcado tbm afetam os homens (lógico que afeta mil vezes mais as mulheres mas não podemos negar que afete os homens). Conheço ótimos homens que apenas somam no feminismo. Se lutamos por igualdade pq não para os homens tbm? Nós sabemos tudo oq nos afeta. Mas há tbm a questão de abuso sexual em prisões, meninos que são vítimas de abuso, o fato de "homem não poder chorar", ,aumento da licença paternidade, etc. Eles não devem assumir o protagonismo que deve ser feminino já que somos as mais prejudicadas, mas somos um movimento pra somar e não pra excluir.
Ps: não quero que meu comentário seja visto como iuzomismo :p

Anônimo disse...

"Sou contra os esteriótipos de gênero seu mascu cis, iuzomista"

Anônimo disse...

Lá vem as feministas criadoras de neologismo para usarem como guerra ideológica (homens do capeta contra mulheres divinas).
Criaram o neologismo "cultura do estupro".
O que elas querem dizer com isso ? que a sociedade brasileira é condescendente com o estupro e estupradores (ou seja, a sociedade brasileira é pró estupro).

Gente, olha como elas são maquiavélicas, elas pegam um traço do senso comum do povão brasileiro e o explica pela metade, transformam o senso comum em "cultura do estupro".
O senso comum do povão pode sim inicialmente "culpar" a vítima por estupro, usando termos de que ela estava bêbada, com roupas curtas, andando em locais perigoso (perigoso tanto para homens quanto para mulheres) , etc.
As feministas param o raciocínio por aí, não explicam o resto (pois é conveniente para elas omitirem a verdade).

O resto é o seguinte, a sociedade brasileira não é condescendente com estupro/estupradores, nem os criminosos o são.
Estupradores em cadeias, se não forem postos em celas separadas poderão ser torturados, estuprados e até mortos.
O mesmo senso comum do povão ao "culpar" a vítima de estupro, depois vira os olhos para o estuprador, se o estuprador for colocado nas mãos do povo para ser fazer "justiça", o que achas que acontecerá ?
O povo torturaria o estuprador (enfiando cabo de vassoura em seu reto, castrando o cara), talvez até mesmo o estuprasse também, sem contar que poderia lincha-lo até a morte ( o povão não apoia estupradores, e serão cruéis em fazer "justiça" com as próprias mãos).
O senso comum do povão é vingativo, revanchista, no melhor estilo olho por olho, dente por dente. Se eles fossem condescendente com estupradores, o próprio povo no seu senso comum não faria comentários de morte, tortura, e castramento de estupradores.

As feministas fingem desconhecer o que seja Senso Comum (no caso me refiro ao Senso Comum do povo brasileiro), como se o senso comum representasse na prática a própria Lei do Brasil.
A Lei brasileira atual não quer saber se a vítima estava bêbada, com roupas curtas, em local perigoso, etc; a Lei quer identificar o estuprador e puni-lo, ou seja, a nossa lei não é condescendente com estupro e muito menos com papeatas de "cultura do estupro" como fazem parecer as feministas. A Lei brasileira atual não segue a Senso Comum.
Inclusive o governo faz campanhas contra o estupro, mas o governo não irá bater na porta das casas das mulheres e perguntar se elas estão sendo estupradas (elas é quem tem de irem denunciar ou alguém denunciar no lugar delas, pois o Estado não é "Mãe Dináh" para adivinhar isto).

O Brasil é uma nação, que possuí seu povo, seu povo possuí o chamado Senso Comum.
Senso Comum este que varia de região para região e até de cidade para cidade. O Senso Comum de um gaúcho é diferente do Senso Comum de um cearense, mas ambos compartilham do Senso Comum geral dos brasileiros. O Senso Comum do povão tem pontos positivos e negativos, e somente a educação corrigirá os negativos.
Mas as feministas se apossam do Senso Comum e renomeia partes dele com neologismos de "cultura do estupro", sem explicar a coisa toda, e transformando os brasileiros em apoiadores de estupro/estupradores (elas, as feministas criam paranoia e generalizações).

Anônimo disse...

Homens trabalham grávidos no corpo de bombeiros?

Anônimo disse...

Off-topic:

Lola, depois lê essa reportagem:

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/07/13/vila-madalena-tem-jovem-espancado-e-predadores-em-acao.htm

O assédio sexual acontecia na frente dos policiais, que não faziam nada. O pior é que eu já vi esse tipo de coisa acontecer várias vezes no carnaval desse ano. São uns nojentos que só conseguem se aproximar de mulheres se for intimidando.

Rebecca Souza disse...

Citou Audre Lorde,citou heteronarmatividade compulsória e caçou carterinha de quem ela supõe que só milita por facebook?
Moça,vc não conhece a militancia de todas as feministas no mundo.Já milite em espaços unicamente de mulheres e foi uma experiencia,hoje milito em espaços mixtos e me sinto a vontade.
Moça,não vamos conseguir acabar com o machismo criando sistemas em que não agreguem homens.Como vc pensa que vai ser feita educação feministas para eles,se eles não estiverem junto conosco?Existem espaços e debates que sim,tem que ser efitos só entre mulheres,mas,não podemos nos fechar tando.
Moça,o feminismo tem que libertar todos,nao ,só que determinadas correntes dizem que devem ser libertas.
Heteronarmatividade,não é imposição é escolha,pq o feminismo fala sobre escolha,eu tive relacionamentos lésbicos dos 12 até os 26 anos e quando me senti atraida por um homem,fiquei com ele,pq foi minha escolha.
Não acredto em um feminismo que limita escolhas,não acredito em um feminismo que limite pessoas.

Danilo disse...

Resposta: O que eu irei declarar agora pode gerar incômodo para várias feministas. Mas não há diferença se é o homem ou a mulher para liderar movimentos feministas.

As ideologias humanistas possuem grande força social. Então, o feminismo surge como uma ideologia humanista, preocupada não somente com a condição das mulheres, mas também com a saúde das relações de gênero. Tal ideologia parece atrativa para muitos homens. O feminismo é uma uma educação que age através de influências politicamente corretas. Os objetivos públicos e conhecidos são sempre humanistas e saudáveis. Logo, tanto o homem quanto a mulher podem ser protagonista do feminismo.

Anônimo disse...

Feminismo liberal não liberta ninguém.

Anônimo disse...

Bababaca das 14:29, Essa guerra "inventada" ou a cultura do estupro q não existe no Brasil, como vc diz, estupra uma mulher a cada 12 SEGUNDOS. De cada 50 mil pessoas do sexo feminino violentadas, 25 mil são menores de 12 anos.

Não é pq aqui podemos votar e dirigir q não existe cultura do estupro. Machismo estupra, mata e escraviza, e vc é só mais um colaborador na perpetuação dessa merda.

Anônimo disse...

Isabela Camargo- Me considero feminista, mas realmente feministas como a "printada" do post(e suas defensoras) são tão ridículas quanto os\as machistas. É por causa dessas que eu tenho vergonha de me dizer feminista e prefiro fico em cima do muro. Tenho ódio mortal de homens machistas, mas odiar TODOS os homens é ridículo e doentio.

Anônimo disse...

Concordo totalmente com a autora do post. Meu ex-namorado, feministão de esquerda, do tipo ~feminino~ que limpa uma cozinha como ninguém, entrou no grupo do qual eu fazia parte somente para reforçar o seu ego e tentar seduzir as meninas mais jovens e atraentes. Ou seja, os homens não deveriam ser bem-vindos não porque sejam estupradores em potencial - certamente uma premissa exagerada - mas porque podem desestabilizar a nossa coesão. Antes eu também tinha o discurso 'agregador', de não importa o sexo do envolvido se ele colabora com o movimento, mas depois mudei de ideia radicalmente.
Sara

Anônimo disse...

Cultura do estupro não é uma coisa brasileira, anon.
Não sei nem se existe um lugar em que não tenha cultura do estupro, talvez em países mais igualitários, mas não tenho certeza.

Então a cultura do estupro não é brasileira, é mundial.
Pode chorar mais agora.

Feminista não cria paranoia.


Foi alguma feminista que criou o ditado "Prenda suas cabritas que meu bode tá solto"?

eu num to sabendo..


Marussia de Andrade Guedes disse...

Eu acho que opinião que vale é opinião boa e capaz de oferecer soluções independente se vem homens ou de mulheres ou de gays, etc. Acho um paradoxo falar em igualdade de gênero e , ao mesmo tempo, querer a separação entre os gêneros .
A minha família sempre reclama que eu falo alto e isso incomoda até a mim mesma. Mas eu sempre digo que eu passei a falar alto quando decidi que não ia ficar em clubes da luluzinha. Eu gosto de estar entre os homens. Mas eles falam alto e quando alguns não me conhecem e acham que, por eu ser mulher, não tenho boas opiniões eles falam mais alto ainda pra me inibir e , por isso , eu grito, grito mesmo. Nós não vamos conseguir a igualdade nos escondendo entre mulheres mas enfrentando quem agente tiver que enfrentar, inclusive os homens.

Anônimo disse...

Anon 14:38


só faça comentários que tiverem um mínimo de coerência e ligação com o assunto debatido. Grata.

Bizzys disse...

Eu concordo com a Laura, acho que devem sim existir espaços exclusivos para mulheres no feminismo, e que os homens simpatizantes com o movimento devem concentrar seus esforços em diminuir o machismo nos espaços que eles frequentam, não ditar como as feministas devem lutar por isso ou aquilo.

Inclusive, vendo os comentários aqui, percebo que faltou interpretação de texto, hein? Criar espaços exclusivos para mulheres não é "segregação sexual" nem "vitimismo", mas sim uma maneira de deixar as mulheres mais seguras para compartilharem experiências e pedirem ajuda quando necessário.

Janaina disse...

Concordo com a ideia geral da Marussi. Não acho possível criar um feminismo real na sociedade se estivermos em uma redoma, dialogando apenas com outras mulheres. E sobre homens perturbarem a 'coesão' do movimento, bem, acredito que o feminismo deva se tornar coeso mesmo com elementos externos influenciando-o. Se os homens agregarem, ótimo, se não, devemos avançar da mesma forma.

Ana Carolina Serrao disse...

Eu acredito em heteronormatividade sim. Pois desde muito cedo aprendemos que homens devem gostar de mulheres e mulheres de homens. As outras formas de relacionamentos (homossexuais,no caso) são vistas como anormais e não naturais.

Anônimo disse...

È possível reconhecer o problema do estupro e ao mesmo tempo achar que não existe cultura do estupro.
Ok, cultura de estupro é um nome que chama a atenção, porém o termo engloba atitudes que não são ligadas diretamente ao estupro mais fortalecem a "cultura do estupro" e por isso estariam ligadas ao estupro, porém uma cantada na rua não é estupro, porque trazer o estupro ao centro da teoria quando ele não é inerente a todos os atos daquela cultura?
Talvez eu esteja falando bobagens e/ou esteja fugindo da ótica feminista, mais acho "cultura da objetificação da mulher" um termo mais realista.

-alex

Sara disse...

Espero q não me levem a mal, nesse comentário, pois não gostaria de desestimular ninguem a desistir de ser feminista.
Acho tão infantil essa atitude de querer segregar, seja lá q grupo for, fica a impressão de querem participar de um grupo exclusivo, e se acham o máximo por isso, sinceramente dá até vergonha alheia.
Essa falácia da horizontalidade é totalmente inexequível, e nem pra fazer um clube da Luluzinha se aproveita.
Temos q eleger lideranças entre nós, e escolher pautas e causas que sejam mais abrangentes e comuns a todas, não focar no q nos divide.
Mas as vezes dá um desânimo de escutar esses discursos supostamente feministas, pois se perdem em detalhes irrelevantes e picuinhas e dispersam os graves motivos pelos quais o feminismo existe.
A violência machista mata um numero absurdo de mulheres, a dupla jornada de trabalho ainda é uma dura realidade pra muitas ao ponto de vermos muitas mulheres culpando o feminismo por isso, o padrão moral totalmente desigual para homens e mulheres ainda causa muita injustiça,e tantas outras causas urgentes para se lutar.
O maior movimento feminista na atualidade, de mais visibilidade, aqui no Brasil, creio eu q seja a marcha das vadias, que tem um grupo q organiza, e q deveria ter o apoio de todas para q cresça e seja porta voz das causas feministas, como seria possível realizar isso sem alguem q tome a dianteira, se ficarmos com essa conversa de horizontalidade não chegaremos a lugar nenhum, pq cada uma tem sua ideia do q é melhor a se fazer.
Participo da marcha todos os anos, e nem sempre concordo com tudo q é proposto, mas ainda assim apoio integralmente esse movimento.
Procuro participar de debates, onde quer q aconteçam, mas acho uma estupidez proibir a entrada de qualquer um q seja, precisamos crescer, aumentar, mostrar união e determinação, para pressionar tanto a sociedade como os q governam, não criar clubinhos exclusivos de luluzinha.
E mais essa falácia de q todas as mulheres devem ter voz no movimento é bem hipócrita, basta vc dizer qualquer coisa q não faça cócegas nos ouvidinhos de certos grupinhos ""feministas"" q vc esta FORA, sem nenhuma contemplação.
Já vi isso acontecer diversas vezes,e nunca vi essa tal "horizontalidade" na prática.

Rebecca Souza disse...

Ana Carolina Serrão,talvez vc não tenha entendido.
Ninguem dúvida da heteronormatividade,o que se questiona quando se usa a expressão ´´heteronormatividade compulsória´´,é que algumas correntes radfem,dizem que feministas tem que ser lésbicas.
Que se uma feminista aceita se relacionar com um homem,que qualquer relação hetero sexual que uma feminista tenha é estupro.
Então,que sentido tem um feminismo que mete regras na oção sexual de alguem?
E pro anonimo dos 15:28,o feminismo liberal não liberta?E qual liberta?um que não se compadece de mulheres trans?que não se compadece com meninos violentados?Um que diz que qualquer escolha que eu fizer,está errada ?

Anônimo disse...

às vezes eu acho que algumas feministas confundem movimento político com terapia de grupo...

Anônimo disse...

Esse alex deve ser um estuprador, para defender algo assim.
Morro de vontade de dar um chute no saco desses babacas.

Cão do Mato disse...

Seu namorado não representa todos os homens, minha cara...Pare de fazer julgamento coletivo só porque um babaca cruzou o seu caminho...

Ana disse...

Pois eu gostei muito do texto. E não entendo porque tanto antagonismo. É tão difícil aceitar que o feminismo é plural? Eu acho ótimo que exista essa pluralidade de práticas, todas são igualmente feministas, por que essa necessidade tão grande de algumas em "ter a razão"?
Todas temos, em certa medida. Diferentes formas de organização respondem a diferentes necessidades. Por que deveríamos todas ter as mesmas necessidades? Lutamos contra as mesmas coisas, mas temos estratégias variadas. E é ótimo que seja assim.

thaís macedo disse...

Por mais que eu tente, não consigo entender esse tipo de argumentação do texto. O feminismo não é a favor da igualdade? Então por que separar homens e mulheres, "cassar" a carteirinha de feministas homens e não aceitá-los como personagens importantes na luta contra o machismo?

Afinal, se parar para pensar, a única maneira de acabar com o machismo é fazendo com que quem o defende e o pratica seja incluído e educado no feminismo. Só atingiremos a sociedade igualitária que queremos quando TODOS forem feministas, e não apenas as mulheres.

Não consigo ver como um movimento tão importante quer (e não quero dizer que todas as feministas são assim, mas algumas certamente são)"escolher" quem é ou não digno de participar. Homens não podem (e se podem, tem que ficar quietinhos, só ouvindo) religiosas não podem, brancas não podem (quantas vezes eu fui desencorajada a falar em discussões feministas porque "white feminists não sabem o que é sofrer de verdade").

Quem separa enfraquece. E se as feministas se separarem entre si, nunca seremos fortes o suficiente para derrotar o patriarcado. Entendo e considero o que a Laura disse, mas não posso concordar com mais uma segregação em uma sociedade já tão desunida.

Mallagueta Pepper disse...

Homem liderar um movimento feminista faz tanto sentido pra mim quanto um branco liderar o movimento negro ou um hetero liderar o LGBT. Participar é uma coisa. Liderar é outra muito diferente. O feminismo é um movimento pro empodeiramento das mulheres. Então por que um homem deveria liderar esse movimento? Eles já não lideram praticamente o mundo inteiro? Ainda querem mais?

Pra liderar o movimento tem que ser alguem que sente na pele todos os dias o que é ser mulher, que entenda nossa luta, nossas demandas e não queira ficar o tempo inteiro justificando o machismo. Agora fico imaginando uma mulher ser abusada e ao procurar apoio nesses espaços, aparecer um homem querendo justificar o machismo do outro, perguntando se ela não provocou, se não estava usando a roupa errada, ou que talvez ela tenha visdo machismo que não existia...

Eu posso até confiar nos homens pra participar e contribuir, mas pra liderar não.

Só me respondam uma coisinha: por que eu deveria aceitar um homem dizendo quais devem ser nossas lutas e prioridades? Se uma mulher aparecer no espaço se queixando do machismo que sofreu, por acaso é esse homem quem vai decidir se ela tem ou não razão pra reclamar? As mulheres que foram estupradas vão ter que falar e se abrir na frente de homens que com certeza irão julgá-las?

Pra liderar o movimento feminista, esse homem teria que estar disposto a abrir mão de todo o machismo. Se nem as mulheres feministas conseguem fazer isso de todo, será que ele vai conseguir? Ainda mais considerando que o machismo o beneficia.

O que é mais engraçado é ver os homens gritando pelo direito de mandar no feminismo, mas se aparecessem mulheres querendo liderar grupos exclusivamente masculinos e feito pra homens, aí seria um absurdo, né? É isso aí. Dois pesos e duas medidas.

Mais engraçado ainda é ver homenzinho aqui reclamando por não poder mandar no feminismo, mas eles estão pouco lixando pras nossas lutas, então vão querer o que?

Claudio disse...

Homem feminista é um idiota útil, ele acha que vai conseguir pegar mulher abraçando a causa.

O homem branco heterossexual está no topo da hierarquia dos humanos e isso ninguém mudará.

Nathália Soares disse...

"Homens que querem ser feministas não precisam de um espaço no feminismo. Eles precisam pegar o espaço que eles têm na sociedade e torná-lo feminista".

Essa frase resume o que penso. Se o feminismo parte justamente da visão da mulher sobre como ela é oprimida pela sociedade, não serão os homens que sentirão na pele essa opressão e saberão o que reivindicar, por isso devem existir sim espaços só de mulheres, pois, desse modo, elas se sentirão à vontade para fazer as suas colocações sem se sentirem intimidadas pelos homens. Às vezes tenho a sensação de que determinados homens querem estar em todos os lugares, observar o que a gente está "aprontando".

Os homens também sofrem com o machismo/patriarcado, concordo, mas não acho que as feministas também tenham que pegar as causas deles e tomar pra si se estas não forem trazer benefício direto para as mulheres, a gente ainda tem tanto o que conquistar nessa sociedade, não é mesmo? Esses homens que reclamam do feminismo querem tudo sem esforço, eles que usem o espaço que têm na sociedade e lutem pelas causas deles, a questão da licença paternidade, ir à guerra, abuso sexual em prisões, etc, pois nada foi fácil para nós mulheres.

Anônimo disse...

O argumento da Laura para impedir os homens de participarem do feminismo não passa de uma falácia da generalização precipitada. Além disso, se um homem cometeu um crime tão grave quanto o estupro, o lugar dele é na cadeia e não em movimentos sociais. Se um homem está cometendo ou já cometeu um crime, o correto é chamar a polícia e/ou fazer um B.O, se vc não faz isso, depois não adianta tratar todos homens como criminosos. Se eu soubesse que existe um criminoso andando por ai ligaria para o disque denúncia. Ass: Sandro

Anônimo disse...

Claudio desistiu das troladas num forum de joguinhos e resolveu soltar suas perolas aqui.

Anônimo disse...

"O homem branco heterossexual está no topo da hierarquia dos humanos e isso ninguém mudará."

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Wellington disse...

Isso já é começar errado. É maravilhoso quando se monta um grupinho em que todos concordam entre si,mas e a realidade fica aonde? Ao criar se criar uma restrição no movimento há uma diminuição tremenda no seu poder.
Além disso eu não vejo a sociedade machista como um problema que diz respeito somente à mulher, mas concordo que ela é a principal vítima, por isso que meta é essa de mostrar a realidade para metade da população enquanto a outra se mantém no Brasil patriarcal?
Admiro muito a sua ideia de um feminismo horizontal mas essa posição de "cada um no seu quadrado" é absurda. Por eu ser homossexual devo me precoupar somente com os problemas LGBTs? Desculpe-me mas vejo isso como uma visão muito restrita de mundo.Algo assim isola o movimento, gera segregações e difere totalmente da ideia que fez me apaixonar pelo feminismo: a igualdade de gênero.

Anônimo disse...

Podem argumentar e chiar o quanto quiserem. Feministas que contam nunca vão permitir que um homem lidere qualquer movimento feminista que for*. Essa discussão é inútil e ridícula.

Passemos pra próxima.


* que faça isso entre outro homens, apenas.

Anônimo disse...

Outra coisa, sempre existirá espaços feministas exclusivos para mulheres. As feministas que acharem injusto porque os feministos vão ficar chateados, não compareçam.

lola aronovich disse...

Quem falou qualquer coisa sobre homem LIDERAR movimento feminista? Muitas feministas são a favor de que homens participem no movimento feminista. Só isso. Além do mais, num movimento sem líderes, ninguém, nem mulher, nem homem, vai liderar.

Danilo disse...

"O homem branco heterossexual está no topo da hierarquia dos humanos e isso ninguém mudará."

Resposta: Você está no topo da hierarquia ou está querendo gozar com o pau dos outros? Uma coisa é estar no poder, outra coisa é não estar. Brancos sem poder de nada são.

Thren disse...

OFF (Porque não tenho Twitter): Ué, Lola, no meio de todo esse clima de Copa vc não vai nem comentar a prisão dos manifestantes pela polícia vidente pra evitar manifestações no dia da final?
A única coisa que vi no seu Twitter sobre manifestações foi sobre as manifestações "pós-Copa" da direita, como se as grandes manifestações "pós-Copa" fossem realmente feitas pela direita. (E também as suas reclamações sobre quem ainda tava contra a Copa.)
Dois manifestantes presos recentemente, Fábio Hideki e Rafael Marques, podem pegar 13 anos de cadeia, e os presos ontem 3 anos.
A repressão nas manifestações só piora (mais policiais que manifestantes, policiais "faixa preta" disfarçados pra prender, prisões aleatórias, ruas fechadas pra população) e a cada dia a Dilma foge mais dos princípios dela (porque, não vamos fingir, sobre tudo isso ela tem um papel fundamental, sim).

(P.S.: Sei que o blog e o Twitter são coisas pessoais suas, você faz o que quiser, mas sério que você, de esquerda, militante, não viu ou não tem nenhuma opinião sobre isso? Pra mim tá parecendo mais que vc tá ignorando.)

lola aronovich disse...

Sou contra a prisão de manifestantes, Thren. Há vários tweets e RT meus no meu perfil. Não estou tão inteirada no assunto para escrever um post a respeito. Aceito, porém, guest posts. Vc gostaria de me enviar um?
E sobre as manifestações pós-Copa, retuitei um link para um artigo que fala do envolvimento dos mascus com Bolsonaro e neonazistas. O link é interessante porque mostra que, pra opinião pública, não há diferença entre mascus e mascus sanctos.

Anônimo disse...

Já não bastaram as vaias e os palavrões de novo para a Dilma na hora de entregar a taça, os alemães não tinham nada com isso, era o momento deles - pra nos envergonhar perante o mundo ainda tinha manifestante palhaço querendo atrapalhar a festa?
Bem feito que foram presos.

Diego disse...

Acho que só a mulher pode dizer os problemas pelos quais elas passam por conta do machismo e do patriarcalismo, mesmo que ele afete todos os cidadãos. E as mulheres sofrem muito mais que os homens, isso é fato inegável.

Justamente por conta disso acho que as mulheres devem ter voz forte nos movimentos, para fazer com que todos possam ouvir tudo que há de errado na nossa sociedade. Se houverem homens apoiando, ajudando essa voz a ir mais longe, melhor, mas a voz tem que ser das mulheres e isso é indiscutível.

Eu, como homem cis, sou um reprodutor do patriarcalismo. Preciso aprender muito a não reproduzir isto e o aprendizado é demorado e complicado. E eu só consegui aprender tanto vendo e lendo e conversando com feministas. Sem a ajuda delas, eu nunca conseguiria ser um pouco consciente e, se as mulheres desistirem de conscientizar os homens, vai ser cada vez mais dificil mudar a sociedade.

Luciana Mansur disse...

Oi Lola, estava preocurando no Google de como acabar com traças pq aqui em casa está dando um monte de traça... E achei seu blog, vc conseguiu acabar com as traças? Se conseguiu me conta como?
;p

Anônimo disse...

Pois eu concordo com a autora do post. E digo mais: Além de não participar eu contribuo para que outros homens não tenham interesse em saber o que é feminismo. Eu acho que as mulheres devem ter um espaço que podem compartilhar histórias, ideias, experiências de abuso e outras coisas sem interferência dos homens.
Sempre estarei fazendo minha parte, nunca vou falar sobre feminismo para outros homens, nem vou encorajá-los a ir em encontros feministas e atrapalhar as mulheres que lá estiverem.
A Laura tem toda a razão no que escreveu, o feminismo é feito por mulheres e para mulheres, um homem pode, mesmo que sem intenção, deslegitimar as mulheres e o movimento.

Anônimo disse...

O texto do post não tem NADA a ver com "odiar" homens. Isso é "conclusão" sua, provavelmente reforçada pela VERGONHA de se dizer feminista.
Thata

Anônimo disse...

Sou a única mulher da minha família de seis irmãos, já que minha mãe faleceu há bastante tempo e trabalho desde os 16 anos em ambientes bastante masculinos na empresa gerida pela minha família, de construção civil. Por isso, digo:

Enquanto não for mostrado aos homens, de maneira bem prática, séria e objetiva qual a vantagem PARA ELES do feminismo ou ao menos algumas causas tais como legalização do aborto, eles vão continuar achando vantajoso o privilégio e a luta continuará sendo tão coisa de mulher quanto papos sobre parto e menstruação.

Não adianta ficar empurrando doutrina e teorização pra eles. O negócio tem que ser mais básico, mais direto e preferencialmente, focado nas desvantagens FINANCEIRAS da manutenção da sociedade patriarcal. Aí eles vão prestar atenção na coisa.

E mesmo com tudo isso, sou a favor de que o target seja voltado às pessoas "em cima do muro", sem opinião definida. Não adianta tentar evangelizar um misógino, o que pode ser feito é falar para a platéia e acertar quem tem opiniões equivocadas ou nenhuma, desde que flexíveis o suficiente. Senão vira discussão entre evangélicos e ateus, ou seja, ninguém sai do lugar.

É muito importante que, desde que respeitado o protagonismo feminino, os homens sejam chamados sim a participar e agregar para as ideias defendidas pelo feminismo, entretanto por tudo o que já li a respeito e na minha própria observação, a abordagem me parece completamente equivocada. E também por se tratar de um movimento plural, descentralizado, cheio de vertentes e sem foco definido, sem liderança e sem manual de instruções, fica mais difícil deles entenderem e compactuarem com a coisa - lembrando que a estrutura patriarcal consolidada implica a figura da liderança, que comunica bem com os homens em geral.

Levando em conta que a grande maioria dos membros das casas do legislativo, executivo e judiciário ainda são do sexo masculino, seria bastante interessante readaptar e repensar a estratégia da luta e do diálogo com os homens.

Se o movimento não se adaptar a essas realidades, vamos continuar avançando a passinhos de bebê. Note o que acontece nos EUA, por exemplo, com o contínuo cerceamento dos direitos reprodutivos das mulheres em virtude do avanço religioso-conservador. Aqui estamos sujeitos a isso também e nem significa retrocesso mas continuidade da mentalidade tacanha já existente.

Anônimo disse...

Acho que devem haver espaços exclusivos para mulheres, não acho que isso signifique que homens não possam participar de todo e qualquer evento feminista. Não vivemos numa bolha. Se o cara quer participar de uma manifestação de rua para mostrar apoio, para se instruir ou mesmo porque ele entende que as causas feministas o beneficiam também, vou eu dizer que ele não pode? Se ele está lá para "pegar mulher" ele é um idiota e continuará sendo, participando ou não da marcha. Se ele está lá e já estuprou alguém, tem que chamar a polícia.
Gabi

Verô! disse...

Eu que já participei de espaços de militância LGBT endosso a opinião da autora do guest post. Inclusive a Lola já escreveu um post sobre o machismo no movimento LGBT e eu lembro que nos comentários alguns militantes gays apareceram para chiar, isso ilustra muito bem o que a autora do post está dizendo: eles tendem a monopolizar os discursos e na primeira oportunidade manifestam um machismo nojento. Me afastei da militância mista LGBT muito por conta disso.

Eu ainda tinha dúvidas sobre a participação do homens nos espaços feministas, mas cada vez mais tendo a compartilhar da opinião da autora do guest post, principalmente com o debate que está pegando fogo na internet entre RadFems e Transexuais, o machismo rola solto, pessoal. Eu sou super solidária com a luta das trans, mas ultimamente as palavras de uma feminista com décadas de experiência martelam na minha cabeça. Eu fazia parte de um grupo feminista onde essa admirável mulher também militava, eu e umas mulheres jovens que tinham acabado de entrar no grupo propusemos o debate sobre as trans e essa companheira me disse que ela estava super aberta ao debate, mas que precisávamos realmente debater com calma porque havia toda diferença entre nascer e ser criada como uma mulher e ter nascido com um corpo masculino e criado, ao menos na tenra idade, como um homem. Eu lembro que discuti feio com essa companheira por causa disso, hoje reconheço que ela estava certa. À época ela me deu um exemplo fabuloso para ilustrar o que queria dizer, comentou sobre a visibilidade dos homens trans - ou seja, que biologicamente nasceram mulheres e foram criadas na mais tenra idade como tal. Notem como vemos poucos homens trans na militância trans, enquanto mulheres trans são super atuantes. Isso é por acaso? Duvido… Percebam também como a cirurgia de transição de H para M é infinitamente mais desenvolvida do que a cirurgia de M para H! É por acaso? Mais uma vez, duvido.

Enfim, eu trouxe alguns exemplos que podem ter fugido um pouco do post original, mas queria finalizar dizendo que acho que a autora do guest post foi impecável! Me sinto representada!

Anônimo disse...

A anônima que tem 6 irmãos falou a MAIOR VERDADE do mundo. Os seres humanos entendem a língua do dinheiro, para que homens e mulheres apoiem mais o feminismo é preciso que seja mostrada a vantagem financeira. Todo mundo quer dinheiro.


Conheço muitas mulheres que mandam na casa, têm vários parceiros fora do casamento, elas fazem tudo isso pq seus maridos estão DESEMPREGADOS e não têm participação na propriedade da casa, que geralmente é da família da mulher.

É o dinheiro que traz a liberdade !!

Verô! disse...

Mais uma coisa:

O fato de existir espaços exclusivos para as mulheres não significa que não possamos interagir com outros movimentos, carambolas! Mas num espaço de mulheres podemos sempre debater entre iguais - entre aquelas que sabem sobre o que estamos falando, sem precisarmos sempre explicar o óbvio - nos fortalecer e irmos mais empoderadas para a militância mais ampla.

Isso também não significa que odiamos os homens ou que não queremos o igualdade de gênero... sério, as vezes eu me pergunto se as pessoas que fazem essa associação absurda são ingênuas ou desonestas mesmo.

Death disse...

Estava pensando sobre essa coisa de o feminismo não ter uma hierarquia, ser um movimento com uma estrutura horizontal e tals.

Me veio a cabeça a imagem de um barbante sobre a mesa, alguém pega as pontas e dá um nó, assim temos um "círculo fechado" representando a estrutura da coisa.

Nas pontas estariam as pessoas com maior destaque, seja na mídia da internet ou dentro dos espaços feministas mais conhecidos.Não pq essas pessoas se intitulem "líderes", mas por atingirem um público maior, serem mais conhecidas são consideradas de certa forma assim.

Quem está de fora e quer desmanchar o nó ou desvirtuar, difamar o movimento, se foca nas pontas, elege as "lideres" como a cabeça da Hydra (pq né, o feminismo é mal), mas assim como o ser mitológico, vc corta a cabeça e nascem duas.

Mesmo que algumas pessoas saiam de cena, perdem representatividade novas "lideranças" aparecem, são pessoas que vão ganhando espaço com a sua opinião.

E no meio, bem...temos o corpo presente de todXs que apoiam o movimento, contando com os homens.

Eles podem participar do movimento, devem usar a sua voz para propagar entre eles a fala do feminismo, mas nunca devem ser os principais atores, fica desvirtuado e sinto muito aos que se incomodam com esse pensamento.

Tem muito homem q se diz "feminista",mas na verdade só querem pagar de modernos no meio da esquerda. Essa espécie está sempre colocando o homem como ponto de partida do problema, mas poucas vezes tem coragem para expor uma solução prática que exija uma ação sua, como homem, de fato.

Conheço os tipos que também só querem ir para as marchas para ver seios e tentar a sorte de pegar alguém, mas esse tipo quase sempre volta sem nada pq quem está militando percebe a presepada e não cai no conto do vigário que resolveu virar bom moço.

Homens no feminismo pra mim pelo menos é igual uma visita na minha casa: muito bem vinda desde que se comporte como tal e não queira tomar a frente de quem mora na casa e sabe do dia a dia da família.Pode até sentar na frente da TV e comer, mas NUNCA vai comandar o controle remoto.

Anônimo disse...

Não sou contra homens participarem do movimento feminista, aliás sou super a favor...
A grande questão é que eu nunca conheci um homem genuinamente feminista e que não fosse gay...
Todo hétero que EU vi se dizendo feminista (e não foram muitos), foi só para levantar seu próprio ego ou obter vantagens, canso de homem se dizer feminista pra rachar carne com a esposa... mas lavar uma louça na pia não pode...

Bru disse...

Olha, eu confesso que não tenho(ainda)uma opinião formada sobre o assunto. Mas uma vez, num encontro feminista que fui, eu queria relatar algo incômodo que tinha acontecido comigo e tinha vários homens ali, e na boa, pra mim não tem clima.

Anônimo disse...

"Todo hétero que EU vi se dizendo feminista (e não foram muitos), foi só para levantar seu próprio ego ou obter vantagens, canso de homem se dizer feminista pra rachar carne com a esposa... mas lavar uma louça na pia não pode..."

Homem FEMINISTA eu conheço uns 3 ou 4. Homem FEMINISTO, aí eu já conheço um moooooonte nos meios acadêmicos. Tipinho altamente dispensável, até porque se arrepia assim que alguém OUSA tocar-lhe em algum privilégio.

Quer saber se um homem é feminista mesmo? Pergunta pra mãe dele.

Anônimo disse...

" Duvido… Percebam também como a cirurgia de transição de H para M é infinitamente mais desenvolvida do que a cirurgia de M para H! É por acaso? Mais uma vez, duvido. "

Criar uma vagina a partir de um pênis, aparentemente, é menos complexo que criar um pênis funcional a partir de uma vagina, implantes e enxertos de tecido. Não são muitos os homens trans que ficam plenamente satisfeitos com o resultado, tanto estético quanto funcional. É uma pena.

Dona Coisa disse...

Olha Vero...

discordo totalmente de voce.
Nao consigo entender um feminismo que discrimina pessoas trans. Para mim esse eh um feminismo opressor, uma vez que exclui pessoas que sao discriminadas em toda parte.
Mulheres trans nao sao aceitas no feminismo assim como mulheres trans nao sao aceitas no banheiro feminino. Ou no masculino.

Acredito num feminismo inclusivo. incluir todas as mulheres, sejam elas cis, trans, lesbicas, hetero, de todas as cores e todas as classes. Um feminismo que diz pra mulher que ela nao eh mulher o suficiente eh um feminismo cego e discriminador.

com relacao a participacao masculina, penso ser importante sim espacos exclusivos e seguros, clubes da luluzinha, mas tambem eh importante incluir os homens, trazer eles ara o feminismo... como disse muito bem alguem aih em cima... um homem no movimento feminosta eh como um convidado na minha casa...

Anônimo disse...

[" Duvido… Percebam também como a cirurgia de transição de H para M é infinitamente mais desenvolvida do que a cirurgia de M para H! É por acaso? Mais uma vez, duvido. "

Criar uma vagina a partir de um pênis, aparentemente, é menos complexo que criar um pênis funcional a partir de uma vagina, implantes e enxertos de tecido. Não são muitos os homens trans que ficam plenamente satisfeitos com o resultado, tanto estético quanto funcional. É uma pena.]

Fora que pra cada homem trans deve ter umas 20 mulher trans.

A demanda por cirurgias H pra M é muito maior.

Anônimo disse...

"Homens no feminismo pra mim pelo menos é igual uma visita na minha casa: muito bem vinda desde que se comporte como tal e não queira tomar a frente de quem mora na casa e sabe do dia a dia da família.Pode até sentar na frente da TV e comer, mas NUNCA vai comandar o controle remoto."

Hahahaha
Adorei e assino em baixo.

Minha opinião é que tem mais homem feminista que nunca se disse feminista do que homem feminista que se auto-intitula feminista.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Não tenho opinião totalmente formada sobre o assunto. Por um lado acho importante espaços onde apenas mulheres troquem experiências, talvez uma forma de se sentirem mais à vontade. Por outro lado, fico pensando que isso pode causar uma sensação de "segurança falsa". Não dá pra esquecer que metade da população é formada por homens, e não dá pra simplesmente fingir que eles não existem. Uma mulher pode se sentir mais a vontade entre outras mulheres, mas quando ela sair desse espaço vai se deparar com homens machistas e não machistas em todos os espaços, no mercado de trabalho, na faculdade, na própria família. E aí? Vai saber lidar? Ou vai estar acostumada a só conseguir se expressar com segurança entre mulheres feministas? Complicado esse assunto.

Nane disse...

Só participo de grupos feministas na internet ( facebook ). No misto, raramente interajo. Nos femininos, converso horrores, faço confissões, reclamo, xingo, acolho e sou acolhida.
Me sinto totalmente à vontade.

Anônimo disse...

Eu sou BASTANTE favorável a espaços exclusivamente femininos, o que não impede que existam também espaços mistos. Mas o exclusivamente feminino precisa sim, ser preservado e o protagonismo feminino jamais deve ser colocado de lado.

Sobre a questão trans, infelizmente vejo o transfeminismo esbarrando em questões muito próprias. Acho que nesse caso, daria pra separar sim. A questão do aborto, por exemplo, é um assunto vitalmente pertinente às pessoas com capacidade de engravidar, porém, é de interesse do coletivo que esse direito exista por n razões, não preciso elencá-las aqui. As mulheres trans, por sua vez, têm questões muito peculiares e eu não vejo uma razão prática pra isso ser colocado debaixo do mesmo guarda-chuva; aliás, a pluralidade feminista nesse ponto acaba deixando o movimento sem uma direção clara para quem é de fora e não versado em mil doutrinas que não raro, se contradizem. Então nesse caso, acho que dá pra compartimentar. E exemplifico: existe um repúdio natural quando "uzomi" começam com aqueles velhos argumentos de "e a licença-paternidade? e o alimentamento militar obrigatório", como se quisessem que as feministas lhes fizessem o papel de mãe e lutasse por eles. Esse repúdio é claro na cabeça da maioria das feministas. Então eu acho que sim, que as pessoas trans devem abraçar as suas próprias causas, criar e fortificar seu próprio movimento e daí partir pra luta, sem acontecer qualquer sorte de parasitismo ideológico que resulta naquelas discussões horríveis, machistas que resultam em avanço nenhum. Pode haver uma convergência de interesses em alguns pontos, contudo não existe a menor necessidade de que uma causa absorva a outra. Feminismo não é mãe de ninguém, feminismo é um movimento social amplo, mas não tão amplo a ponto de ter que abarcar inclusive as causas que a ele não deveriam pertencer por uma mera questão de ordem prática e consolidação de ideais, tornando a coisa mais forte porque focada e não dispersa em questões acessórias. Aliás, essa dispersão é, na minha opinião, o maior entrave para a consolidação do movimento e obtenção de resultados efetivos.

Anônimo disse...

"A anônima que tem 6 irmãos falou a MAIOR VERDADE do mundo. Os seres humanos entendem a língua do dinheiro, para que homens e mulheres apoiem mais o feminismo é preciso que seja mostrada a vantagem financeira. Todo mundo quer dinheiro.


Conheço muitas mulheres que mandam na casa, têm vários parceiros fora do casamento, elas fazem tudo isso pq seus maridos estão DESEMPREGADOS e não têm participação na propriedade da casa, que geralmente é da família da mulher.

É o dinheiro que traz a liberdade !!"

Perfeitamente. Não adianta apelar para o lado emocional/emotivo da coisa, mesmo porque na cultura patriarcal o homem é ensinado desde pequeno a sabotar suas próprias emoções. Então que se use a lógica, a racionalidade, o raciocínio dedutivo e o argumento da grana, porque é com essa linguagem que eles são familiarizados e aprendem a aceitar com mais facilidade.

O feminismo precisa de uma direção clara para modificar a dinâmica atual do diálogo masculino, sem ela, os resultados ínfimos assim continuarão. Os homens não são os inimigos mas é necessário saber comunicar com eles e, na situação atual, isso simplesmente não acontece.

Anônimo disse...

Feminismo é um movimento feito por mulheres em busca mais direitos e menos deveres as mulheres.

e já sei qual sua reação a este comentário Raven & cia :

MALE TEARS!! IUZOMISMO!!

Não é crime defender o seu lado. Apenas não levante a bandeira da igualdade se esta lhe interessa apenas quando lhe ajuda.

Anônimo disse...

Concordo com a anom dos seis irmãos. Mas não acho que seja necessariamente dinheiro. Até porque a igualdade salarial entre mulheres e homens - que é uma das bandeiras que feministas lutam - não vai provocar um aumento na média salarial das mulheres, mas sim reduzir o salário médio dos homens. Todos sabem como são os patrões.

Entretanto, a decisão das compras continuam sendo delas - 70% dos casos, como mostra aqui e aqui. E isso está crescendo, conforme a renda e o índice de ocupação delas também aumenta.

O discurso do tipo dedo na cara não funciona com ninguém. Apenas deixa a pessoa na defensiva, pois é uma acusação. É lógico que o saco de desculpas será aberto quando alguém, feminista ou não - acusa o cara de machismo e que ninguém vai mudar por causa disso. Ninguém vai lutar pelas mulheres por se sentir culpado por ter privilégios.

Anônimo disse...

josé:

Comentei pela discussão mesmo.

Sou eunuco, deixei o meu na batcaverna... hahahah

Lamentável em 2014 ler comentários preconceituosos do tipo: "se estiver sozinho é mala", "mulher que tá precisando de sexo".

Exemplos como o da Paula fazem a diferença, parabéns.

Vanessa disse...

Nossa, quanta ignorância nesses comentários, fico passada.

O post fala sobre os setores que devem ser de mulheres apenas. Ele fala que TODOS os setores devem ser apenas de mulheres? Não, não fala, uma vez que a sociedade é machista e a enorme maioria dos espaços é para os homens.

Não se trata de ter um grupo exclusivo e de pessoas que unicamente concordam entre si, como muitos ai falaram, por favor!

Teve alguém ai que falou como se o grupo das mulheres abusadas sexualmente fosse o máximo. A questão é que eu, mulher que não fui abusada sexualmente de forma física e abissal (o que não muda o fato de que fui abusada de outras formas, como encoxada no ônibus), não posso ter noção do que é ser abusada pelo próprio pai, avô, irmão, tio. Se eu, mulher, que cotidianamente passo por esses sentimentos preciso de muita empatia para com essa mulher, como fica o homem que nunca esteve nesse estado de vulnerabilidade? O que resta a ele é julgar ela, ou dizer que 'não somos todos assim', ou ainda 'você nao pode odiar todos os homens'. Esse homem não tem condições de entender que, enquanto movimento, não odiamos todos os homens, mas apoiamos o processo de cura dessa mulher que odeia, compreensivelmente, todos os homens.

Não sei se e ignorância ou apenas desonestidade. Mas se alguma mulher aqui já passou pela situação de ver mãe, irmã, amiga, sogra contar sobre o abuso sabe a dor que nós é. E sabe que homem nenhum (a não ser os pouquíssimos que já passaram por isso) tem condições de saber.

Exemplifico: Minha sogra contou que o irmão a abusava sistematicamente durante a infância. A mim, a dor foi pessoal, profunda, ainda dói. Para meu esposo, filho dela, a dor foi de ódio contra o tio. A dor dela, ele não sente como eu. Ele nunca passou pela insegurança que a gente passa, pelo que a gente houve, por toda a vergonha e humilhação que o ser mulher significa.

Lola, eu sou, e sempre serei grata a ti, pois foi com o teu blog que eu aprendi o que é feminismo. Certamente continuarei te seguindo e entendendo os teus posicionamentos, no entanto, enquanto espaço feminista, acho que o blog acaba dando voz demais para homem. Me desculpe, o blog é seu e você, certamente, pode fazer o que quiser com ele. Mas, para mim, fica difícil seguir acompanhando. Podem dizer que eu estou numa redoma, mas dentro da minha redoma, eu convivo diariamente com uma menina que é abusada pelo pai e se recusa a denunciar por medo que ele mate a família inteira. Convivo com tanta coisa difícil, pesada, que entrar num espaço desse e ler que "os homens precisam ter espaço" me dói muito. Os homens já tem espaço suficiente para seguir fazendo o que fazem. Chega de espaço para eles. Mais espaços para meninas amedrontadas, apavoradas que não sabem como sobreviver nem como fazer com que os seus sobrevivam. Caguei para os homens. Quem me interessam são elas, essas lutadoras diárias.

Abraços e desculpa pela sinceridade.

Anônimo disse...

Olá, blogueira Lola. Gostaria de recomendar que você fechasse a seção de comentários após ler o meu, pois eu vou finalizar o problema da questão abordada objetiva e conclusivamente.

1 - O feminismo é um espaço para as mulheres. Se são elas que sofrem a opressão, só elas saberão como reivindicar seus direitos e como operar para atingir suas metas.

2 - Não faz sentido algum que um homem queira erguer sua voz diante de uma opressão que ele não sofre. Ele pode sim entender essa opressão e contribuir para a desconstrução dela, mas ele jamais poderá falar por quem sofre tal opressão na pele.

3 - Contribuir ou ser aliado das lutas do movimento não é o mesmo que participar diretamente dele. Não é necessário que você seja integrante do feminismo para lutar contra o machismo.

4 - Pergunta: por que nunca houve essa briguinha de ego nos movimentos LGBT? Será que é tão difícil assim para alguns conviver com um espaço que seja exclusivamente das mulheres?

5 - Cuidado para não cair no extremismo. Os movimentos devem estabelecer diálogos profícuos e rentáveis entre si, isso produz coesão e fortalece as causas. É importante conectar-se com outras realidades e não se desvincular delas. Como já disse, não precisa fazer parte de um determinado movimento para oferecer apoio a determinadas causas. Por isso, creio que movimentos diferentes devem configurar conexões sociais entre si, sem nunca perder a autonomia.



Sara disse...

Vanessa sou mulher e tb já sofri e ainda sofro violência machista, não foi nem apenas uma única vez, e assim como vc não tive coragem de denunciar por uma série de fatores, que pelo menos pra mim são válidos.
Sei q cada mulher tem sua maneira de lidar com a violência machista, respeito a sua.
Realmente pode ser benéfico q vc se associe com outras mulheres q possam te dar a empatia q vc necessita.
O q eu, e outras pensamos é que a luta feminista não pode se reduzir a isso.
Homens vc goste ou não fazem parte da sociedade, e sem a conscientização deles nada vai mudar na nossa sociedade.
Vc por seu discurso escolheu exorcizar sua dor através do ódio aos homens, eu preferi lutar para que eles sejam educados e conscientizados de maneira muito diferente do q aprenderam no passado (e infelizmente ainda aprendem em muitos lugares).
Se vc diz q o feminismo deve ser um movimento horizontal (o q eu não creio q seja exequível)a minha opinião e de muitas outras merece igualmente seu respeito.

Anônimo disse...

Típico discurso de radfem.

Verô! disse...

Dona Coisa,

Eu não falei em discrimar, falei em pensar sobre a questão. Acho que as coisas são mais complicadas do que comumente se coloca. A questão da visibilidade dos homens trans - ou seja, pessoas que nasceram biologicamente mulheres mas com identidade de gênero masculina - na minha opinião mostra muito bem que faz sim diferença ter sido criado como mulher na infância.

Anônimo (14 de julho de 2014 18:45)

Eu sei perfeitamente bem sobre as dificuldades nas cirurgias, a questão é que a falta de pesquisas para o desenvolvimento de técnicas eficientes para a transição FtM (female to male) é sintomática. Há muito mais investimento para a cirurgia MtF (male to female) e isso não se deve apenas à dificuldade do procedimento. Para mim há uma questão de gênero ai sim. Eu poderia dar outro exemplo, que foge um pouco da transexualidade, mas mostra o quanto há uma enorme diferença entre o tratamento médico voltado para homens e para mullheres. Eu sei que há muitas pesquisas para tentarem desenvolver um método menos invasivo para o exame de próstata - inclusive pesquisadores brasileiros desenvolveram uma técnica que permite que o exame seja feito sem a necessidade do temível toque anal. Por outro lado, pouco se faz para reduzir o constrangimento nos exames ginecológicos, que nós mulheres precisamos fazer todo o santo ano. Nem preciso comentar sobre a violência que milhares de mulheres sofrem todos os anos para dar a luz, o excesso de cesáreas realizadas no Brasil e milhões de outras violências contra as mulheres nos hospitais.

"Fora que pra cada homem trans deve ter umas 20 mulher trans."

Juro que pensei se deveria comentar isso… primeiro, pela falta de estudos sobre o assunto suponho que você tenha chutado essa estatística. Segundo, a falta de visibilidade obviamente passa essa sensação de que existem mais mulheres trans do que homens trans. Terceiro, pode-se propor ainda que há "menos homens trans" porque a educação repressora dada às meninas (ou seja, nascidas XX) faz com que uma quantidade menor de homens trans se assumam. Note que aparentemente há menos lésbicas do que gays… será que é porque mulheres tendem mais à heterossexualidade do que os homens ou porque mulheres são mais são educadas com enorme repressão e teme se assumir muito mais do que homens?

Anônimo (15 de julho de 2014 01:45)

Excelente comentário! Concordo com você!

Amanda disse...

Lola,

eu quero te agradecer muito por este post. Ele me fez perceber uma série de detalhes sobre a questão "homens no feminismo" e agora eu entendo porque eles não devem participar de reuniões feministas. Além disso, quero dizer que sou muito grata a você pela forma como você escreve (com muita clareza) e se posiciona com relação aos temas abordados. Suas explanações são construtivas, elas visam instruir e orientar e não simplesmente atacar possíveis ideias opostas. Essa forma de comunicação, que eu considero nutritiva, com certeza gera efeitos positivos sobre os leitores. Eu sempre compartilho seus textos com mulheres que querem saber mais sobre feminismo ou mesmo com homens machistas que estão em busca de um pouco de compreensão e sinto que consigo (através de você) transmitir minha mensagem. Mais uma vez, obrigada!